Guqin instrumento de letrados e poetas

Durante a dinastia Zhou, o instrumento musical guqin era muito apreciado, sendo normalmente tocado em conjunto com o se, outro instrumento de cordas. Com um elegante corpo de madeira alongado, tem o comprimento de três chi, seis cun e cinco fen*, que representam os 365 dias do ano.

No Período dos Reinos Combatentes, altura de uma grande actividade musical, viveu Bo Ya, de nome Yu Bo Ya, nativo de Jingzhou (hoje na província de Hubei) no Reino Chu, que era um exímio músico executante de guqin.

Este antiquíssimo instrumento de cordas, da família das cítaras, era o preferido dos eruditos e poetas, sendo conhecido pelo instrumento dos Imortais. Segundo a lenda, fora criado na China há 5000 anos, quando o ancestral Fu Xi o inventou com cinco cordas. Já nos finais da dinastia Shang, o líder do reino Zhou, Wen, acrescentou-lhe mais uma corda. Por fim, o seu filho, Wu Wang, o primeiro rei da dinastia Zhou, colocou-lhe uma sétima corda e é assim que hoje o conhecemos. Com as cordas afinadas em Sol, Lá, Dó, Ré, Mi, Sol e Lá, foi este o instrumento que apareceu nas mãos de Bo Ya.

Apesar de Bo Ya ser um habitante de Chu, era oficial do reino Jin, que se localizava a Sul, onde actualmente se situa a província de Shanxi. Um dia, o rei de Jin enviou-o em visita ao rei de Chu e quando este soube ser Bo Ya nativo do seu reino ficou contente e com as propostas que ele trazia de amizade entre os dois reinos, mais alegre ficou.

Após cumprida a missão, Bo Ya preparou-se para regressar e como gostaria de contemplar a partir do rio o seu lugar de nascimento, Jingzhou, pediu ao rei de Chu para que o trajecto fosse feito de barco, apesar de por terra a viagem ser mais rápida. Com os dias iguais às noites e temperaturas amenas, era a altura propícia para navegar no rio, pois as noites eram de grande luar. O rei condescendeu e pôs-lhe à disposição duas embarcações, onde uma tinha compartimentos à altura da posição do enviado do reino Jin.

Assim partiu ao amanhecer pelo rio Yangtzé, apreciando com outra visão a paisagem da sua terra que ficava nas margens, tendo chegado já de noite a Hanyang (hoje uma das três cidades que constituem Wuhan). Conseguiu escutar na cidade a alegria que reinava e viu muitas pessoas nas margens do rio empunhando lanternas. Era o décimo quinto dia da oitava Lua e celebrava-se a festividade do Outono, Chung-chau, altura em que estava prestes a terminar o trabalho no campo e se preparavam as últimas colheitas.

Pouco tempo depois de passarem a cidade, o céu começou a ficar escuro devido às rápidas nuvens terem escondido o luar e num repente, uma grande chuvada acompanhada por muito vento, obrigou o barco a encostar junto a uma pequena montanha. Devido ao mau tempo, foi decidido aí passar o resto da noite, para partir na manhã do dia seguinte.

Mas tal como veio, rapidamente a tempestade se dissipou, voltando o céu a ficar limpo de nuvens e a Lua Cheia reaparecendo, brilhava num grandioso luar.

Bo Ya sentiu grande vontade de tocar o seu guqin. Pegando nele, com os dedos procurou, uma a uma, tirar o som às cordas, para perceber se estavam afinadas. Concentrando-se, começou a tocar. Não tinha acabado a primeira música, quando uma das cordas se partiu. Era estranho tal ter acontecido. Virando-se para o capitão do barco perguntou-lhe onde se encontravam parados. Como resposta, escutou estarem num lugar deserto, já fora da cidade.

“O guqin está comigo há muito tempo. O ter-se partido uma corda significa, se estivéssemos junto à cidade, que alguém está a gostar da música e o instrumento ao pressentir deu-nos o alerta. Mas fora da cidade, o guqin sentiu e avisou-nos que alguém está próximo. Envia uma pessoa a terra para saber o que se passa, talvez seja algum ladrão que nos queira assaltar.”

Ainda sem ter tempo de colocar um pé em terra, uma voz vinda da margem fez-se ouvir: — Oh senhor do barco, não precisais de ter medo. Não sou nenhum ladrão, apenas um lenhador que colecta madeira para vender. Hoje cortei lenha até muito tarde e devido ao grande temporal, que me apanhou no bosque, tive que me refugiar na gruta. Aconteceu ouvir tocar música e aproximei-me para melhor escutar, estando a ter um imenso prazer.

Bo Ya deu uma gargalhada ao ouvir a palavra prazer. “Como pode um pobre lenhador entender o que eu toco?!”, pensou. Num misto de gozo e curiosidade para ver a figura daquele homem, mandou-o aproximar.

 

Só se entende, o que já se sabe

— Senhor; acreditais que neste lugar não haverá quem possa entender o que estáveis a tocar. Então, eu vos responderei que será impossível haver aqui, neste lugar e a esta hora da noite, alguém a tocar guqin.

Ao escutar tão cordial resposta, que reflectia elevado nível, Bo Ya, questionou:

— Tu sabes o nome da música que estive a tocar?

— Se não soubesse, não tinha ficado tanto tempo a ouvir! O que acabou de tocar foi escrito por Confúcio, cujo texto é dedicado a Yan Hui, o melhor e mais querido dos seus 72 discípulos, que acabara de finar (aos 29 anos de idade). Tocou a música até quase ao fim e quando esta estava a terminar, a corda partiu-se.

Embasbacado, Bo Ya, ao ouvir tão exacta resposta, ficou feliz e dirigindo-se ao estranho, tratando-o já com uma certa deferência, disse:

— Senhor, estais em terra e eu no barco e a essa distância é difícil conversarmos. Por favor, entrai no barco.”

O vulto, saindo da penumbra, apareceu aos olhos do chefe da embarcação que o esperava, carregando aos ombros uma vara com molhos de lenha pendurados nas duas extremidades. Ao chegar junto ao barco, vislumbrando com maior nitidez aquela pobre figura de chapéu de bambu e capa feita de molhos de feno, calçando socos e trazendo na cintura um machado, o encarregado da embarcação não teve dúvidas ser mesmo um lenhador. Enquanto entrava disse-lhe:

— O Oficial tem uma alta posição, por isso, quando chegar ao pé dele deve-se ajoelhar. Quando lhe perguntar algo, deve responder-lhe cuidadosamente e não fazer perguntas.

O lenhador não respondeu. Ao chegar dentro do barco tirou os sujos socos cheios de terra e despiu o encharcado casaco. Depois, ao entrar no compartimento onde se encontrava sentado o alto oficial, em vez de ajoelhar-se, apenas juntou as mãos à altura da cabeça, cumprimentando-o numa relação de amigos.

O oficial não gostou de tal atitude, que não lhe dava o respeito a ele devido, mas, mesmo assim, mandou que trouxessem uma cadeira. Sem um obrigado, sentou-se. O oficial ficou ainda mais zangado por não ser tratado como um alto funcionário do governo. Assim não lhe perguntou o nome, nem lhe ofereceu chá, como seria normal.

Passado o momento de um longo silêncio, Bo Ya perguntou-lhe se era ele que tinha gostado de o escutar a tocar guqin? Após o gesto afirmativo continuou:

— Se tu entendes sobre guqin, então deves saber de onde este vem, quem o fez e qual é o teu sentir sobre o instrumento?

Neste instante, o chefe da tripulação do barco entrou no compartimento, a dizer que o tempo se encontrava bom para continuar viagem. Bo Ya mandou esperar, já que aguardava a resposta.

— Se eu lhe responder com detalhe à sua pergunta, tenho medo que atrase a sua partida.

— O que eu tenho medo, é que não saibas a resposta — replicou Bo Ya. — Se responderes correctamente à pergunta, não quero saber ser eu um oficial que tenha de retardar a partida.

— Sendo assim te digo: este guqin foi feito por Fu Xi Shi. Certa vez o espírito dos cinco planetas veio à Terra e apontou para a árvore wutong (firmiana simplex), onde a fénix, pousada no ramo, tinha o seu ninho. A árvore nativa da China é comummente conhecida por Árvore Guarda-sol, sendo usada para a construção de instrumentos como o guqin e o guzheng. Já o Fénix é o rei dos pássaros e come apenas a melhor parte do bambu, vivendo somente nessa árvore e bebendo da água de Liquan. Baseado em tal, Fu Xi soube ser a madeira desta árvore,  a melhor para fazer o instrumento e por isso ordenou que a cortassem. Dividiu o tronco em 3 partes, que representavam, Tian/Céu, Di/Terra e Ren, Povo. Pegando na parte superior, representando o Céu, ao tocar verificou ser o som dos graves muito límpido e, por isso, pensou não poder mostrar a intensidade que desejava para o seu instrumento e assim deixou de lado esse bocado. Depois, ao tocar na parte inferior do tronco, representante da Terra, o som tinha muitos agudos e, por isso, a música sairia muito pesada. Assim escolheu a parte do meio do tronco, Ren, e verificou que combinava perfeitamente a sonoridade entre a limpidez sonora e a intensidade dos baixos. Escolhida esta parte do tronco, colocou-a em água corrente. Após 72 dias retirou-a e pô-la a secar à sombra. Escolhendo um dia preciso, pediu a Liu Zi Qi para construir com tal madeira o instrumento Yaoqin. Este qin tinha cinco cordas, ligadas aos cinco elementos da Natureza (água, fogo, madeira, metal e terra) e por isso, nos reinados de Yao e Shun, período em que o mundo vivia em paz, os qin tinham cinco cordas. As cordas estavam afinadas em Sol, Lá, Dó, Ré e Mi. Decorridos muitos séculos, Wen, o líder do reino Zhou, foi colocado na prisão pelo imperador Zhou da dinastia Shang e aí acrescentou ao instrumento mais uma corda, com a nota Sol, para conseguir expressar emocionalmente a tristeza pela morte do seu filho Bo Yihou. Por isso, esta corda é conhecida por wenxian (ou corda civil). Anos depois, o Rei Wu, filho de Wen, antes do combate com as forças do imperador Zhou da dinastia Shang, para motivar o seu exército para a batalha, colocou uma nova corda no qin, afinada em Lá para expressar a força do poder. Assim ficou a corda conhecida por wuxian (corda militar).

Nesse momento o qin era conhecido por Wen Wu Qi Xian Qin (o instrumento Qin de Sete Cordas de Wen e Wu). O carácter deste qin tinha seis coisas que deveriam ser evitadas: o grande frio, o grande calor, o grande vento, a grande trovoada, a grande chuva e a grande neve. Não podia ser tocado em sete ocasiões: no período após a morte de alguém da família; em orquestra; quando o coração não estivesse puro de pensamentos; se o corpo não estivesse limpo; por quem não estiver bem vestido; se não houver incenso a arder; se houver pessoas que não entendam a música. O som do guqin tem oito inigualáveis virtudes, a que nada se compara.

Bo Ya, ao escutar tão exacta e perfeita resposta, pensou que a pessoa que tinha à sua frente deveria ter uma excelente memória para decorar toda aquela história. Mesmo para quem falava assim tão bem, não significava que realmente soubesse escutar música.

Então Bo Ya decidiu levar por diante o teste sobre as qualidades do seu convidado.

— A música é algo muito especial e só as pessoas que têm talento conseguem atingir o seu espírito. Por isso, tocar representa a emoção do instrumentista. Conseguirás saber o que vai na minha mente quando estou a tocar?

— Tentarei, mas se cometer algum erro por favor desculpe-me.

Bo Ya reparou a corda que anteriormente se tinha partido e após afinar o instrumento, começou a tocar. Iniciou com uma música por si composta, a mais bela de todas as suas composições. Disseminando sons abruptos pelo travar da corda, ao parar, logo o ouvinte exclamou:

— Que música tão poderosa, um elogio à alta montanha.

Sem responder, Bo Ya passou a tocar levemente nas cordas com os dedos da mão esquerda e ao dedilhar com a mão direita, os harmónicos flutuavam num som límpido. Quando terminou, logo a admiração do seu convidado pelo que ouvira, dizendo ser a música muito bonita e expressar o fluir da água.

Estas duas músicas, compostas por Bo Ya para guqin, eram Gao Shan (Altas Montanhas) e Liu Shui (O Jorrar da Água).

De acordo com o livro da História dos Qin, “Qin Shi”, Liezi diz: “Bo Ya era bom a tocar qin. Zhong Ziqi era bom a escutar o qin. Quando Bo Ya tocava o qin pensando nas altas montanhas, Zhong Ziqi dizia quão alta é a montanha! Quando Bo Ya ao tocar pensava no jorrar da água, Zhong Ziqi dizia quão grandes são as correntes dos rios e oceanos. Não importava o que Bo Ya pensava, Ziqi entendia-lhe tudo. Engraçado! O nosso coração e mente é o mesmo! Este é o significado do termo Zhiyin, que significa conhecer pela música e descrever a amizade criada por empatia.”

Bo Ya, surpreso, levantou-se e dirigindo-se ao seu convidado com a mão estendida para o cumprimentar, pediu desculpa por o ter menosprezado. Confessou ter feito uma errada avaliação do conhecimento deste.

 

Eternamente irmãos

— O melhor jade encontra-se sempre dentro da pedra que o esconde e quando julgamos as pessoas pela sua aparência, cometemos grandes erros na avaliação —, disse Bo Ya.

Só então perguntou o nome ao seu convidado.

— O meu nome é Ziqi da família Zhong e vivo numa aldeia próxima. E vós, qual é a sua posição de Oficial?

— Sou oficial do reino Jin, apesar de ter nascido em Chu. Vim aqui como representante oficial para estabelecer um pacto de amizade entre os dois reinos.”

— Ah, então é o Oficial Bo Ya.

Imediatamente Bo Ya chamou o criado para trazer chá e vinho para a mesa.

— Ziqi, com os seus conhecimentos poderia trabalhar como oficial, por que continua a viver na aldeia, com um trabalho tão árduo?

— Os meus pais, apenas tiveram-me a mim como filho e preciso de tomar conta deles, por isso não os posso deixar.

— Entendo; é um dedicado filho. Gostei muito de falar consigo. Já agora que idade tem?

— Vinte e sete.

— Sou mais velho um ano. Vamos fazer um pacto como irmãos.

A conversa continuou animada noite dentro e ambos descobriram ter grande afinidade no pensar. Já a madrugada despontava e a precisar de seguir viagem, Bo Ya convidou o seu irmão para o acompanhar até ao reino de Jin.

— Gostaria, mas não posso, preciso de cuidar dos meus pais.

Bo Ya ainda tentou convencer Ziqi a ir falar com os pais, mas este respondeu-lhe que nada podia prometer, pois se tal não fosse possível, teria de comer as suas palavras. Prometeu Bo Ya regressar para o visitar e logo combinaram um encontro para aquele lugar no dia das festividades de Outono do ano seguinte.

Como seria indelicado dar directamente dinheiro a Ziqi, Bo Ya, na despedida, entregou-lhe uma quantia para oferecer aos pais, já que como irmãos, eram agora também seus pais. Após dar o endereço, Ziqi saiu do barco. Ambos ficaram a olhar até se perderem de vista, como se fossem amigos desde sempre.

Um ano passou rápido e no décimo quinto dia da oitava Lua, Bo Ya ancorou o barco no mesmo lugar onde tinha encontrado Ziqi. Olhando em redor, não encontrou o seu irmão, tal como este tinha prometido. Pensou então tocar o seu guqin, para mostrar que já tinha chegado. Mas ao testar as cordas do instrumento, logo se apercebeu da tristeza que o som trazia. Ocorreu-lhe que algo tinha acontecido ao seu irmão, talvez alguém da família tivesse morrido e Ziqi estivesse muito ocupado. Continuou a espera na esperança de o ver chegar e assim o dia passou.

Na manhã do dia seguinte, pôs-se a caminho da aldeia. Encontrando a meio um idoso, perguntou-lhe se conhecia a família Zhong. Ao escutar tal nome, o idoso começou a chorar e no meio dos soluços, questionou quem ele procurava dessa família. “

— Ziqi!

Logo o velho rompeu em grande pranto, dizendo-lhe que não precisava de procurar mais, pois era o pai dele e logo ali contou a história.

— Neste dia, do ano passado, ele encontrou o seu melhor amigo, Bo Ya, que lhe ofereceu dinheiro. Com ele comprou uma série de livros e trabalhando de dia a cortar madeira, passava as noites a estudar, para além de ter de cuidar de nós. Como trabalhava arduamente, ficou doente e passou desta vida.

Ao escutar tal, Bo Ya não conseguiu conter as lágrimas e o idoso, surpreso, questionou à pessoa que acompanhava o jovem, quem ele era. Revelado o nome, o idoso reconheceu o nome do oficial que o filho lhe tida falado. Então, transmitiu-lhe a mensagem deixada pelo filho, quando estava já às portas da morte.

— O meu filho pede-lhe desculpas por não poder cumprir a promessa e o último desejo foi o túmulo ficar junto ao rio, para aí esperar por si, tal como prometera. Hoje passam cem dias da sua morte e vou oferecer incenso à sua campa. Acompanhe-me.

Quando chegaram, no lugar estavam algumas pessoas da aldeia. Bo Ya, muito triste e com o coração apertado, começou a tocar guqin, em homenagem ao seu irmão. Quando terminou, as pessoas que o escutaram deram grandes gargalhadas e bateram palmas. Bo Ya, atónito, perguntou ao pai de Ziqi por que é que as pessoas estavam tão contentes, quando a música tocada era de uma imensa tristeza.

— Elas não entendem o que tocou e nesta pequena aldeia o guqin é tocado para diversão, por isso estão contentes.

Bo Ya perguntou-lhe se sabia o que ele tinha acabado de tocado. E o idoso quis saber o quê.

— Na minha vida conheci muitas pessoas, mas como Ziqi, é extremamente difícil de encontrar uma e eu nunca tinha conhecido nenhuma. Toco para quem consegue entender e apreciar. Esta foi a minha última música, já que o meu melhor amigo passou desta vida.

Mal acabou de pronunciar estas palavras, em frente ao túmulo partiu o guqin.

— Esta é a minha homenagem para o meu melhor amigo. Agora vou até Jin para me despedir do emprego e voltarei para o reino Chu. Como os pais do meu irmão são os meus pais, aqui regressarei para vos vir buscar, pois irão viver comigo.

Entregando algum dinheiro ao idoso, disse-lhe para comprar um pedaço de terra e contratar alguém para a trabalhar.

— O dinheiro assim realizado servirá para pagar a quem tome conta da campa do seu filho.

 

O som do qin no Espaço

As escolas de qin, conhecidas por qin pai, foram-se desenvolvendo ao longo de séculos. Confúcio (551-479 a.n.e.) está associado às peças musicais Kongzi Duyi, Weibian Sanjue e Youlan; Bo Ya a Gao Shan e Liu Shui; Zhuang Zi a Zhuang Zhou Mengdie e Shenhua Yin; Qu Yuan (340-278 a.n.e.) a Li Sao; Cai Yong é autor de Qin Cao e Guo Chuwang, patriota dos finais da dinastia Song, compôs a peça Xiaoxiang Shuiyun.

Zhuge Liang (181-234), chefe militar e grande estratega do período dos Três Reinos, tocava guqin, tal como Li Bai (701-762) e Bai Juyi (772-846), poetas da dinastia Tang. Os livros Qin Shi, Qinshi Bu e Qinshi Xu incluem biografias de centenas de outros músicos que tocavam qin.

Um qin de dez cordas, que não estava registado na História dos instrumentos existentes, foi encontrado em 1979 na província de Hubei, no túmulo do Marquês Yi, datado do período da dinastia Zhou do Oeste.

Em 1976 a União de Astronomia Internacional (IAU) deu o nome de Bo Ya a uma cratera com um diâmetro de 103 km no planeta Mercúrio, conhecido pelos chineses como Shui Xing, o planeta da Água.

Em 1977, partiram da Terra duas naves espaciais Voyager enviadas pela NASA para os limites do Universo. Nelas foram colocados discos fonográficos, Voyager Golden Record, que contêm vários sons naturais, como o registo de trovões, vento, ondas do mar e cantos de pássaros e baleias e 115 imagens seleccionadas como amostra da diversidade da vida e culturas da Terra. Para além de um registo com 55 línguas, foi também incluída um conjunto de obras musicais de diferentes épocas e culturas, entre as quais 7 minutos e 37 segundo da música Liu Shui (O Jorrar da Água) de Bo Ya, tocada por Guan Pinhu num guqin com 7 cordas.

No filme de Zhang Yimou, “Hero”, Xu Kuanghua toca uma versão antiga de qin.

Em 2008, na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Beijing, foi tocada por Chen Leiji uma peça em guqin com sete cordas.

 

*1 chi = 0.32 m, 1 cun = 32 mm, 1 fen = 3,2 mm

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