{"id":1001,"date":"2025-10-20T00:35:56","date_gmt":"2025-10-19T16:35:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.viadomeio.com\/?p=1001"},"modified":"2025-10-20T00:40:17","modified_gmt":"2025-10-19T16:40:17","slug":"a-escultura-na-china","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/10\/20\/a-escultura-na-china\/","title":{"rendered":"A ESCULTURA NA CHINA"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p class=\"p2\">N<span class=\"s1\">a China<\/span> antiga, os escultores eram considerados artes\u00e3os e criavam as suas obras anonimamente. A escultura era uma pr\u00e1tica sem prest\u00edgio e nem a escola do Dao nem a escola de Conf\u00facio representavam as suas divindades ou os seus patronos em est\u00e1tuas. S\u00f3 na dinastia Han (206 a.C.-220 d.C.), depois da introdu\u00e7\u00e3o do budismo, e por imita\u00e7\u00e3o deste, \u00e9 que come\u00e7aram a patrocinar a cria\u00e7\u00e3o de est\u00e1tuas. Todavia, ao inv\u00e9s do que sucedeu com a arquitectura e a pintura, a escultura nunca inspirou tratados de est\u00e9tica.<\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s2\"> Assim, na China, a escultura \u00e9 em larga medida escultura budista. \u00c9 \u00e0 escultura budista chinesa que se devem algumas das maiores e mais belas esculturas religiosas do mundo. \u00c9 de notar, por\u00e9m, que at\u00e9 \u00e0 introdu\u00e7\u00e3o do budismo, houve pouca estatu\u00e1ria centrada na figura humana, sendo uma excep\u00e7\u00e3o not\u00e1vel o ex\u00e9rcito de terracota do imperador Qin Shi Huangdi. E, depois da introdu\u00e7\u00e3o do budismo, nunca surgiu uma escultura cuja inten\u00e7\u00e3o fosse exibir a beleza ou o dinamismo do corpo humano. At\u00e9 mesmo a escultura urbana que se coloca em pra\u00e7as e cruzamentos s\u00f3 come\u00e7ou a ser praticada no s\u00e9c. XX, sob influ\u00eancia estrangeira.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p5\"><b>DINASTIAS SHANG (s\u00e9cs. XVI-XI a.C.) E ZHOU (1046-256 a.C.)<\/b><b><\/b><\/h3>\n<p class=\"p4\">A escultura anterior \u00e0 introdu\u00e7\u00e3o do budismo na China estava associada, em geral, \u00e0 arquitectura e aos rituais funer\u00e1rios. Encontraram-se esculturas em m\u00e1rmore, bronze e madeira, datadas de cerca do s\u00e9c. XII a.C., que s\u00e3o principalmente representa\u00e7\u00f5es de animais como corujas, b\u00fafalos, tigres e ainda algumas figuras humanas. O aspecto \u00e9 de uma massa compacta desprovida de sugest\u00e3o de movimento, mas conseguindo retratar o animal em quest\u00e3o com grande economia de meios t\u00e9cnicos (Fig. 1). Por exemplo, as garras s\u00e3o sugeridas atrav\u00e9s de linhas incisas. Estes animais apresentam no corpo os mesmos motivos incisos geom\u00e9tricos que se costumavam utilizar para os vasos em bronze da \u00e9poca.<\/p>\n<p class=\"p4\">Na dinastia Zhou Oriental (770 a.C.-221 a.C.), no reino de Chu, que se estendia pelas actuais prov\u00edncias de Henan, Hubei, Hunan e Anhui, desenvolveu-se um estilo muito distinto de arte ritual. Tratava-se de uma regi\u00e3o de floresta abundante e os habitantes de Chu, al\u00e9m de se dedicarem \u00e0 manufactura de vasos de bronze, tamb\u00e9m fabricavam guardi\u00f5es de t\u00famulos em madeira lacada conhecidos como<span class=\"s3\">\u9547\u5893\u517d <\/span><i>zhenmushou<\/i> ou \u201cbestas que protegem o t\u00famulo\u201d. Trata-se de figuras de madeira de animais e humanos h\u00edbridos adornados com chifres (Fig.2). Descobriram-se at\u00e9 ao momento mais de trezentas em t\u00famulos do reino de Chu datados desde o s\u00e9c. VI at\u00e9 ao s\u00e9c. III a.C., nas prov\u00edncias de Hubei, Henan e Hunan.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Embora a arte do reino de Chu se enraizasse nas tradi\u00e7\u00f5es art\u00edsticas anteriores das dinastias Shang (ca. 1600\u20131046 a.C.) e Zhou Ocidental (c. 1046\u2013771 a.C.), pode ser descrita como um sincretismo das v\u00e1rias culturas regionais que o compunham. O tratamento das formas destas esculturas \u00e9 directo e geometrizante, apresentando um aspecto estranhamente contempor\u00e2neo. Certos detalhes como os tra\u00e7os do rosto e o padr\u00e3o do traje podem surgir a preto, vermelho, ocre e branco. No s\u00e9c. IV a.C., o fabrico destas esculturas aumentou na Bacia de Nanyang, no Jiangnan, mas sobretudo na regi\u00e3o de Hanxi, na prov\u00edncia de Hubei, onde se desenvolveu um estilo mais maduro.<\/p>\n<p class=\"p4\">Um dos temas recorrentes da cultura visual do reino de Chu era um grou a pisar numa serpente. Nessas estatuetas, os corpos dos animais ostentam motivos pintados em laca vermelha e pigmento amarelo sobre a laca preta. As an\u00e1lises cient\u00edficas confirmam ainda a presen\u00e7a de um pigmento azul ou verde que se ter\u00e1 desvanecido com o tempo. Encontraram-se tamb\u00e9m esculturas de madeira lacada de dois grous unidos pelo dorso e em cima de tigres. \u00c9 prov\u00e1vel que fossem suportes para tambores destinados a cerim\u00f3nias rituais. Fabricavam-se ainda figuras antropom\u00f3rficas nas quais uma cabe\u00e7a de forma oval com olhos esbugalhados e ostentando chifres de veado se apoia num busto em forma de paralelep\u00edpedo. Das aberturas bocais pendem l\u00ednguas que se estendem at\u00e9 ao pedestal (Fig. 2). Do vocabul\u00e1rio dos motivos pintados vistos na superf\u00edcie das esculturas com chifres e l\u00ednguas do estilo Hanxi constam drag\u00f5es de perfil que derivavam do trabalho em vasos de bronze, padr\u00f5es angulares em ziguezague que derivavam dos t\u00eaxteis e formas curvil\u00edneas que derivavam da pintura em laca.<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<h3 class=\"p5\"><b>DINASTIAS QIN (221-206 a.C.) <\/b><b>E HAN (206 a.C.-220 d.C.)<\/b><b><\/b><\/h3>\n<p class=\"p4\">A dinastia Qin ofereceu ao mundo um dos mais not\u00e1veis conjuntos de esculturas conhecido, o ex\u00e9rcito de terracota do t\u00famulo do primeiro imperador, Qin Shi Huangdi (Fig.3). O ex\u00e9rcito de terracota encontra-se nas imedia\u00e7\u00f5es do t\u00famulo propriamente dito. Trata-se da reprodu\u00e7\u00e3o em terracota em escala natural de mais de sete mil soldados de infantaria (Figura 5), seiscentos cavalos, carros ligeiros, armas, enfim, das for\u00e7as armadas do imperador em forma\u00e7\u00e3o de combate para o protegerem no Al\u00e9m, revelando assim o desenvolvimento t\u00e9cnico-militar da \u00e9poca. Apesar de todas as figuras serem feitas a partir de moldes e a meio caminho entre a cer\u00e2mica e a escultura, foram tornadas \u00fanicas pela individualiza\u00e7\u00e3o de rostos, penteados, m\u00e3os, barbas, orelhas e chap\u00e9us.<\/p>\n<p class=\"p4\">Trata-se de um ex\u00e9rcito multi-racial, reunido a partir de todas as regi\u00f5es do imp\u00e9rio. Os torsos apresentam maior uniformidade do que os rostos, sendo maci\u00e7os da cintura para baixo. As m\u00e3os, bra\u00e7os e cabe\u00e7as s\u00e3o adi\u00e7\u00f5es posteriores. A maioria das figuras est\u00e1 de p\u00e9, mas tamb\u00e9m h\u00e1 arqueiros de joelhos e soldados em posi\u00e7\u00e3o de defesa pessoal. Os cavalos foram igualmente feitos a partir de moldes e o corpo \u00e9 oco, enquanto as patas s\u00e3o maci\u00e7as. A crina e orelhas foram modeladas. Algumas figuras ainda apresentam tra\u00e7os de policromia, pois foram outrora profusamente coloridas.<\/p>\n<p class=\"p4\">Sobreviveram tamb\u00e9m muitas figuras da dinastia Han em pequena escala que poder\u00e3o ser categorizadas sobretudo como cer\u00e2mica, as estatuetas funer\u00e1rias de barro pintado conhecidas como <span class=\"s3\">\u660e\u5668 <\/span><i>mingqi<\/i>: mulheres, homens, animadores, criados, camelos, cavalos, etc., mas sobretudo edif\u00edcios, que denotam um claro desejo de realismo e mais vivacidade e movimento do que as esculturas dos Qin. Os <i>mingqi<\/i> entraram depois em decl\u00ednio, mas reapareceram no s\u00e9c. V com nova \u00eanfase na figura humana, atingindo o auge na dinastia Tang.<\/p>\n<p class=\"p4\">As cenas em relevo esculpidas nas paredes de pedra ou tijolo dos t\u00famulos tamb\u00e9m eram comuns na dinastia Han. Um dos melhores exemplos, de 151 d.C., encontra-se nos santu\u00e1rios da fam\u00edlia Wu Liang, em Jiaxiang, na prov\u00edncia de Shandong. A\u00ed se v\u00eaem cerca de setenta lajes esculpidas com cenas de batalhas assim como figuras hist\u00f3ricas de renome, devidamente identificadas por textos que as acompanham (Fig.4).<\/p>\n<p class=\"p4\">N\u00e3o obstante as grandes esculturas rarearem na dinastia Han, existem algumas est\u00e1tuas em pedra de generais e oficiais que se encontram no exterior de t\u00famulos. O costume de colocar \u00e0 entrada dos t\u00famulos mais importantes est\u00e1tuas de pedra de cada lado do Caminho dos Esp\u00edritos, <span class=\"s3\">\u795e\u9053<\/span> <i>shendao<\/i>, data desta dinastia, ou talvez da dinastia anterior, a Qin. Os animais tanto eram reais como imagin\u00e1rios e destinavam-se a afastar for\u00e7as malignas: tigres, le\u00f5es,<span class=\"s3\"> \u8f9f\u90aa<\/span> , (le\u00f5es alados de maxilares quadrados e corpos maci\u00e7os e possantes) <i>tianlu<\/i> <span class=\"s3\">\u5929\u9e7f<\/span> (semelhantes ao veado) e <span class=\"s3\">\u9e92\u9e9f <\/span><i>qilin<\/i> (semelhantes ao unic\u00f3rnio). Colocavam-se a seu lado figuras humanas que evocavam as fun\u00e7\u00f5es do defunto e os acontecimentos da sua vida. Recorria-se \u00e0 pedra devido ao desejo de imortalidade. No entanto, na prov\u00edncia de Shaanxi, v\u00eaem-se esculturas de animais que n\u00e3o foram dispostas ao longo de um caminho, mas espalhadas sobre a eleva\u00e7\u00e3o do t\u00famulo do General Huo Qubing, da dinastia Han ocidental.<\/p>\n<p class=\"p4\">Entre as esculturas em pedra desse t\u00famulo, feitas em bloco e emergindo do material ao aproveitar as suas formas originais, conta-se a de um cavalo que pisa um ref\u00e9m Xiongnu (Fig.5).<\/p>\n<p class=\"p4\">Outros exemplos s\u00e3o dois le\u00f5es alados do t\u00famulo do oficial Gao Yi, no Sichuan, e a est\u00e1tua compacta de Li Bing, o extraordin\u00e1rio engenheiro da conserva\u00e7\u00e3o da \u00e1gua da dinastia Zhou (Fig. 6).<\/p>\n<p class=\"p4\">As fontes textuais sugerem que o budismo j\u00e1 tinha penetrado na China na dinastia Han Ocidental (s\u00e9c. II a.C.), mas as primeiras fontes visuais que o comprovam datam da dinastia Han Oriental (s\u00e9c. I d.C.).<\/p>\n<p class=\"p4\">No final da dinastia Han Oriental, gravaram-se na montanha Kongwang, no distrito de Haizhou, prov\u00edncia de Jiangxi, aquelas que s\u00e3o as imagens budistas mais antigas da China conhecidas at\u00e9 ao momento. Com efeito, foram feitas duzentos anos antes das esculturas mais antigas das famosas grutas de Dunhuang, na prov\u00edncia de Gansu. As imagens e t\u00e9cnica de escultura da montanha Kongwang reflectem de modo claro o estilo Han, como o alto relevo e a gravura com linhas convexas.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Estes alto-relevos demonstram que o budismo se disseminou na China n\u00e3o s\u00f3 atrav\u00e9s das rotas da seda terrestres, mas tamb\u00e9m pelo sul, atrav\u00e9s do com\u00e9rcio mar\u00edtimo.<\/p>\n<p class=\"p4\">Em Peng Shan, na prov\u00edncia de Sichuan, descobriram-se figuras de Buda num t\u00famulo da dinastia Han Oriental na base de \u00c1rvores do Dinheiro em cer\u00e2mica (Fig.7). Seguiam o estilo de G\u00e2ndara (hoje no Afeganist\u00e3o e no Paquist\u00e3o). O Buda est\u00e1 sentado e o manto cobre-lhe ambos os ombros. As dobras do <i>sangha<\/i><span class=\"s4\"><i>\u1e6d<\/i><\/span><i>i<\/i> s\u00e3o sugeridas por linhas em forma de U. O <i>ushnisha<\/i> (a protuber\u00e2ncia circular no topo da cabe\u00e7a) e o cabelo s\u00e3o indicados por linhas. Figuras de Buda an\u00e1logas tamb\u00e9m surgem em vasos Hunping. Tanto estes como as \u00c1rvores do Dinheiro eram artefactos utilizados pela escola do Dao para acompanhar os defuntos nas suas vidas no Al\u00e9m, o que sugere que teve lugar uma fus\u00e3o do budismo com a cultura chinesa local.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p5\"><b>DINASTIA ZHAO (319-351)\u00a0POSTERIOR E DINASTIA WEI (386-535)<\/b><b><\/b><\/h3>\n<p class=\"p4\">Enquanto esteve vivo, o Buda Shakyamuni op\u00f4s-se ao culto da personalidade e n\u00e3o permitia que se pintasse ou esculpisse a sua imagem. Permitia, por\u00e9m, ser louvado atrav\u00e9s de s\u00edmbolos como a sua pegada. Em G\u00e2ndara, todavia, Buda era retratado sob forma humana. Quando se come\u00e7ou a representar a imagem de Buda tratava-se sobretudo de seguir toda uma s\u00e9rie de conven\u00e7\u00f5es estipuladas nos textos religiosos. Buda era espiritualmente perfeito e, como tal, o seu um f\u00edsico apresentava certas caracter\u00edsticas ideais espec\u00edficas designadas por lakshanas em s\u00e2nscrito. Algumas lakshanas indicavam sabedoria, como o ushnisha, ou nobreza, como os l\u00f3bulos das orelhas longos. As sobrancelhas assemelhavam-se ao arco retesado de um arqueiro e os olhos a p\u00e9talas de l\u00f3tus. Al\u00e9m disso, uma est\u00e1tua de Buda devia transmitir a ideia de prana ou \u201crespira\u00e7\u00e3o\u201d, a for\u00e7a vital que anima todo o corpo, atrav\u00e9s de formas bem nutridas e de t\u00fanicas aderentes que revelavam a pele.<\/p>\n<p class=\"p4\">Do s\u00e9c. II ao s\u00e9c. V, as imagens budistas na China podem ser descritas como uma adapta\u00e7\u00e3o e reinterpreta\u00e7\u00e3o dos prot\u00f3tipos de G\u00e2ndara e Matura (Figs. 8 e 9).<\/p>\n<p class=\"p4\">Um Buda sentado em bronze dourado do final da dinastia Zhao ilustra com clareza o emergir da inflex\u00e3o que teve lugar nas imagens de Buda rumo \u00e0 siniza\u00e7\u00e3o (Figs. 10 e 11). Na Figura 11, o <i>ushnisha<\/i> volumoso, a veste a cobrir o corpo e a pose meditativa s\u00e3o heran\u00e7as de G\u00e2ndara. Todavia, ao inv\u00e9s dos budas de G\u00e2ndara, as dobras da veste n\u00e3o s\u00e3o naturalistas, mas estilizadas e sim\u00e9tricas. O cabelo tamb\u00e9m \u00e9 estilizado com um padr\u00e3o de linhas geom\u00e9tricas sim\u00e9tricas. E os olhos alongam-se. Estas novas caracter\u00edsticas continuaram a afirmar-se em per\u00edodos posteriores.<\/p>\n<p class=\"p4\">A arte budista implantou-se na China sobretudo quando os Tuoba Xianbei, uma tribo de origem turca, invadiram o norte e fundaram a dinastia Wei. Devotos do budismo, os Tuoba Xianbei instauraram-no nos s\u00e9culos seguintes como religi\u00e3o do estado, passando assim a desfrutar de patroc\u00ednio imperial.<\/p>\n<p class=\"p4\">A escultura \u00e9 de grande import\u00e2ncia para o budismo. Proporciona n\u00e3o s\u00f3 uma forma de venera\u00e7\u00e3o como de obten\u00e7\u00e3o de m\u00e9rito por parte de quem encomenda imagens e por parte de quem as esculpe. Acresce que faziam parte do reino dos Tuoba Xianbei importantes rotas comerciais da seda que ligavam a China \u00e0 \u00c1sia Central e sustentavam a fortuna da dinastia e, subsequentemente, o florescimento da escultura budista. Com efeito, as rotas da seda terrestres do norte deram origem aos principais locais imperiais de escultura budista: as grutas de Dunhuang, Yungang e Luoyang.<\/p>\n<p class=\"p4\">No s\u00e9c. IV, o budismo da escola Mahayana afirmou a sua independ\u00eancia e autoridade no seio da sociedade enquanto cren\u00e7a espiritual e, embora o estilo de G\u00e2ndara ainda influenciasse a cria\u00e7\u00e3o de imagens budistas, teve lugar um processo acentuado de siniza\u00e7\u00e3o. A imagem maior e mais importante da dinastia Wei que sobreviveu at\u00e9 hoje \u00e9 uma est\u00e1tua de bronze dourado de 477 d.C. que representa Maitreya (Miluofo em chin\u00eas), o Buda do futuro (Fig.12). Por exemplo, no tratamento esquem\u00e1tico do manto justo ao corpo e das dobras em V que se tornam circulares junto ao peito e no decote, redemoinhando em torno dos ombros com ondula\u00e7\u00f5es crescentes, o estilo \u00e9 pr\u00f3ximo do indiano e centro-asi\u00e1tico. Mas o rosto revela caracter\u00edsticas t\u00edpicas dos Wei, como uma testa larga, as sobrancelhas bem delineadas, os olhos fixos e directos, o nariz adunco e uma boca que ostenta o chamado \u201csorriso Wei\u201d ou \u201cde Mona Lisa asi\u00e1tica\u201d, um sorriso contido e algo enigm\u00e1tico. Os Tuoba Xianbei adoptaram desde o in\u00edcio os modos, costumes e at\u00e9 os sobrenomes chineses e, na d\u00e9cada de 480, o imperador Xiaowen emitiu mesmo um decreto que ordenava a adop\u00e7\u00e3o por todos os seus s\u00fabditos das vestes e da l\u00edngua chinesas. As est\u00e1tuas da dinastia Wei fazem prova dessa ampla variedade de roupagens, uma mistura da moda dos Xianbei Tuoba com indument\u00e1rias, penteados e chap\u00e9us chineses.<\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s2\">A siniza\u00e7\u00e3o da arte budista no final dos s\u00e9cs. V e VI, vis\u00edvel nas interpreta\u00e7\u00f5es estil\u00edsticas da dinastia Wei do Norte, foi transformando paulatinamente a arte budista em algo especificamente chin\u00eas em meados do s\u00e9c. VI. Distinguem-se dois tipos de faces para as figuras de Budas da dinastia Wei do Norte. Um mais redondo, como uma \u201clua cheia\u201d, vis\u00edvel nas primeiras grutas de Yungang, de constru\u00e7\u00e3o pr\u00e9via aos anos Taihe (477-499 d.C.). O segundo tipo foi comum nos anos Taihe e no reinado do imperador Xiaowen e caracterizava-se por faces longas e esguias, algo angulares (Figs. 13 e 14). O torso era igualmente esbelto e alongado, de tal modo que as vestes pareciam n\u00e3o envolver um corpo por debaixo, uma influ\u00eancia do estilo de pintura da dinastia Jin. As formas voluptuosas da \u00cdndia v\u00e3o sendo substitu\u00eddas, pois, por formas mais lineares, de relevo menos acentuado, que agradavam mais ao gosto chin\u00eas, caracterizado pela pudic\u00edcia. A veste fina era representada de forma esquem\u00e1tica com dobras e len\u00e7os organizados num arranjo plano. A aur\u00e9ola flamejante evoluiu para uma decora\u00e7\u00e3o cada vez mais rica, como pequenos halos decorados com min\u00fasculas figuras de Buda, chamas circulares, apsaras voadores e padr\u00f5es de flores (Fig.14). <\/span><\/p>\n<p class=\"p4\">Os anos de 528 a 534 foram de grande turbul\u00eancia pol\u00edtica e guerra civil. O norte dividiu-se em Wei Oriental (534-550 d.C.) e Wei Ocidental (535-557 d.C.), ambos governados por Tuoba Xianbei. Os estilos Wei Ocidental e Oriental continuaram o \u201cestilo sinizado\u201d dos Wei do Norte, mas apresentavam uma fluidez cada vez mais evidente. As formas recebiam um tratamento mais suave e o panejamento ganhou bordas onduladas suaves e r\u00edtmicas.<\/p>\n<p class=\"p4\">Para al\u00e9m da escultura budista, encontraram-se tamb\u00e9m exemplos de guardi\u00f5es de pedra nos t\u00famulos da dinastia Wei. Por exemplo, tanto no exterior como no interior do t\u00famulo do Imperador Xuanwu, em Luoyang, v\u00eaem-se est\u00e1tuas de guardi\u00f5es (Fig.15).<\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s5\"><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span>Os enormes oficiais civis e guerreiros com armadura garantiam a seguran\u00e7a do defunto e indicavam o seu estatuto social. Encontraram-se ainda <\/span><span class=\"s6\">\u9547\u5893\u517d <\/span><span class=\"s5\"><i>zhenmushou<\/i>, os guardi\u00f5es mitol\u00f3gicos de t\u00famulos com poderes apotr\u00f3picos, que assumiam a forma de pares de monstros fabulosos, com cabe\u00e7as grotescas, um mais humano, outro mais felino (Figs. 16 e 17). Tamb\u00e9m j\u00e1 se colocavam <i>lokapalas<\/i> (guardi\u00f5es das quatro direc\u00e7\u00f5es) junto ao caix\u00e3o nos quatro cantos das c\u00e2maras funer\u00e1rias ou \u00e0 entrada dos t\u00famulos.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p5\"><b>DINASTIA ZHOU DO NORTE (557-58I) E DINASTIA QI (550-577)<\/b><\/h3>\n<p class=\"p4\">No s\u00e9c. VI, no ocaso da dinastia Wei, teve lugar uma onda de influ\u00eancia Gupta (320-550 d.C.) que penetrou no sul da China atrav\u00e9s do sudeste asi\u00e1tico, dos reinos indon\u00e9sios de Funan, no Camboja actual, e do Vietname, que recebiam modelos da arte budista do sul da \u00cdndia, de locais como Amaravati (Reino de Satavahana), Mahabalipuram (Reino de Pallava) e Anuradhapura, no Sri Lanka. \u00c9 disso exemplo o Buda \u201cAshoka\u201d descoberto na prov\u00edncia de Sichuan (Fig.18).<\/p>\n<p class=\"p4\">As dinastias do Norte (386-589 d.C.) foram definidas, portanto, por dois grandes per\u00edodos de influ\u00eancia da \u00cdndia e um per\u00edodo intermedi\u00e1rio de siniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s5\">Em 557, a fam\u00edlia Yuwen, de origem Xianbei, derrubou os Wei ocidentais e fundou o reino Zhou do Norte. A arte Gupta inspirou um tipo distinto de imagem budista, exemplificado pelas esculturas dessa nova dinastia e ainda das dinastias Qi e Sui (581-618).<\/span><\/p>\n<p class=\"p4\">Na Dinastia Zhou do Norte assistiu-se ao desenvolvimento de diferentes figuras de Buda nas regi\u00f5es do noroeste. O estilo n\u00e3o era esguio como as figuras dos Wei do Norte. As figuras da dinastia Zhou do Norte eram geralmente altas e de corpo forte, com ombros largos e tra\u00e7os faciais quadrados.<\/p>\n<p class=\"p4\">No entanto, ainda algumas caracter\u00edsticas dos per\u00edodos anteriores persistiram. Por exemplo, o <i>samakaksika<\/i> atado com um cinto para prender o manto interno \u00e9 uma heran\u00e7a das figuras dos Wei do Norte. As linhas esculpidas, finas e simples, que sugeriam as dobras do sangha<span class=\"s4\">\u1e6d<\/span>i, tamb\u00e9m se mantiveram.<\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s2\">Em 1996, deu-se a descoberta furtiva em Qingzhou, na prov\u00edncia de Shandong, de um tesouro de imagens budistas no terreno de um antigo mosteiro e, subsequentemente, nos arredores desse local. A maioria das est\u00e1tuas era de calc\u00e1rio, m\u00e1rmore branco ou granito, mas tamb\u00e9m de cer\u00e2mica, ferro, argila e madeira. Trata-se de 144 cabe\u00e7as de Buda, quarenta e seis cabe\u00e7as de bodhisattvas (seres que retardam o estado de budeidade para se consagrar a ajudar os demais mortais sofredores), trinta e seis corpos com cabe\u00e7as de est\u00e1tuas fragmentadas, dez esculturas de cabe\u00e7as, mais de duzentos corpos de est\u00e1tuas fragmentadas e fragmentos de muitas est\u00e1tuas danificadas. Noventa por cento datam do per\u00edodo final da dinastia Wei do Norte at\u00e9 \u00e0 dinastia Qi do Norte, sendo a maioria da dinastia Qi do Norte. Encontraram-se tamb\u00e9m cerca de vinte Budas e bodhisattvas das dinastias Sui e Tang. <\/span><\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s7\">Na dinastia Qi do Norte, de breve dura\u00e7\u00e3o, criou-se um estilo singular de figuras de Buda, influenciado pela arte budista de Sarnath e pela dissemina\u00e7\u00e3o do budismo atrav\u00e9s da Rota Mar\u00edtima da Seda que da \u00cdndia seguia em direc\u00e7\u00e3o ao estado costeiro de Qingzhou.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Esse estilo p\u00f5e em evid\u00eancia a solidez do corpo sem contudo revelar a anatomia, e empresta \u00e0s vestes de Budas e bodhisattvas um aspecto algo molhado. As vestes j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o soltas e presas por cintos largos mas um tanto di\u00e1fanas com padr\u00f5es sugeridos por linhas finas em relevo e intercaladas com \u00e1reas planas. O estilo Qi \u00e9 conhecido como \u201cestilo colunar\u201d, devido aos torsos tubulares da maioria dos corpos de Budas e bodhisattvas. Embora continuem hier\u00e1ticos, os corpos j\u00e1 n\u00e3o apresentam bidimensionalidade. Tomaram-se mais arredondados e adoptaram a forma de um pilar. A vers\u00e3o chinesa dos corpos \u00e9 sempre mais recatada, menos reveladora do que a indiana, devido ao respeito pela \u00e9tica confucionista. A representa\u00e7\u00e3o da cabe\u00e7a de Buda era de gosto completamente chin\u00eas. O rosto \u00e9 redondo, com olhos rasgados, serenos e semicerrados; os l\u00e1bios s\u00e3o recortados sob um nariz longo e estreito. O cabelo \u00e9 geralmente denso e o <i>ushnisha<\/i> \u00e9 moderado, representado como uma protuber\u00e2ncia ligeira (Fig.19). <\/span><\/p>\n<h3 class=\"p7\"><b>DINASTIA SUI (581-618 d.C.) <\/b><b>E TANG (618-906 d.C.)<\/b><b><\/b><\/h3>\n<p class=\"p4\">Na dinastia Sui, tiveram lugar inova\u00e7\u00f5es estil\u00edsticas e iconogr\u00e1ficas importantes. Ap\u00f3s v\u00e1rias centenas de anos de desuni\u00e3o, a China passou finalmente por um per\u00edodo de unifica\u00e7\u00e3o. O interc\u00e2mbio cultural entre as regi\u00f5es do norte e do sul pode ent\u00e3o intensificar-se, o que influenciou a evolu\u00e7\u00e3o da representa\u00e7\u00e3o da figura de Buda. As caracter\u00edsticas das imagens de Buda provenientes de diversas regi\u00f5es acabaram por se fundir.<\/p>\n<p class=\"p4\">O estilo tornou-se bastante mais fluido e sensual. Na segunda metade do s\u00e9c. VI, apareceram esculturas de bodhisattvas em grande escala. Apresentavam-se sobrecarregados de vestes e de j\u00f3ias sumptuosas, o que atestava a crescente devo\u00e7\u00e3o ao bodhisattva da compaix\u00e3o, Avalokiteshvara, tend\u00eancia que se manteve da\u00ed em diante. \u00c9 poss\u00edvel que as j\u00f3ias aludissem a uma passagem do Sutra do L\u00f3tus, na qual o Buda hist\u00f3rico, Shakyamuni, e um bodhisattva exaltam Avalokiteshvara e lhe apresentam um colar de p\u00e9rolas como s\u00edmbolo da sua compaix\u00e3o (Fig.20).<\/p>\n<p class=\"p4\">A dinastia Tang \u00e9 considerada o per\u00edodo \u00e1ureo da arte chinesa. A China era ent\u00e3o o pa\u00eds mais poderoso do mundo. Foi esse tamb\u00e9m o per\u00edodo em que o budismo atingiu o auge do seu poder. A capital Tang, Chang\u2019an (actual Xi\u2019an), tornou-se num importante centro budista.<\/p>\n<p class=\"p4\">No in\u00edcio da dinastia, o budismo gozou do apoio imperial e de forte devo\u00e7\u00e3o popular. A riqueza dos mosteiros budistas permitiu uma cria\u00e7\u00e3o pujante de arte religiosa, desde miniaturas a est\u00e1tuas em tamanho real. Os temas mais populares eram o Buda Shakyamuni, muitas vezes com a m\u00e3o direita levantada, a palma virada para fora e a esquerda para baixo, o Buda Maitreya (o Buda do futuro, salvador da humanidade) e o Buda Amitaba (o Buda do Para\u00edso Ocidental), assim como Manjusri, o bodhisattva da sabedoria, e Avalokitesvara.<\/p>\n<p class=\"p4\">As esculturas de Budas e bodhisattvas exibiam maior plasticidade do que at\u00e9 ent\u00e3o e j\u00e1 sugeriam movimento. As formas tornaram-se harmoniosas e arredondadas, os rostos apaziguadores, doces e tranquilos. As vestes drapejavam com naturalidade. Os Budas tinham em geral rostos de lua cheia, redondos e rechonchudos, com bocas pequenas e olhos semicerrados sob sobrancelhas altas em forma de arco. Distinguem-se dois tipos de penteado principais, um ondulado, o mais comum, e outro que se assemelha \u00e0 concha do caracol. Normalmente o cabelo apresentava um pequeno n\u00famero de padr\u00f5es em espiral. Os Budas eram quase sempre representados com a urna (o ponto entre as sobrancelhas), a ushnisha e os l\u00f3bulos das orelhas alongados. Adoptavam ami\u00fade a pose da medita\u00e7\u00e3o, com as pernas cruzadas e os p\u00e9s apoiados no interior das coxas. Os bodhisattvas, pelo contr\u00e1rio, raramente adoptam a pose de medita\u00e7\u00e3o na China, adoptando antes poses muito graciosas e relaxadas (Fig.21). Tamb\u00e9m \u00e9 raro exibirem o ponto entre as sobrancelhas e n\u00e3o se v\u00ea a protuber\u00e2ncia no cr\u00e2nio, atributo de Buda, embora compartilhem os l\u00f3bulos das orelhas muito longos. Os gestos das m\u00e3os (mudra, que simbolizam aspectos do ensinamento do Buda, como a medita\u00e7\u00e3o, o destemor, o debate, o afastamento do mal, a ora\u00e7\u00e3o\u2026) variavam bastante. A partir de meados do per\u00edodo Tang, as figuras de Buda mantiveram os rostos de lua cheia, mas o corpo tornou-se um pouco mais esbelto.<\/p>\n<p class=\"p4\">Criaram-se mais imagens budistas do que nunca nas d\u00e9cadas seguintes a 645 d.C., quando o famoso monge peregrino Xuan Zang regressou \u00e0 capital depois de dezasseis anos em viagem pela \u00c1sia Central e pela \u00cdndia, carregando consigo sutras e imagens sagradas dos Gupta. Esta nova vaga de influ\u00eancia Gupta serviu de modelo para os escultores de ent\u00e3o. O tratamento dos corpos tornou-se mais voluptuoso. O entendimento acerca da anatomia humana e do movimento corporal cresceu. As esculturas adoptavam por vezes uma pose derivada da dan\u00e7a indiana, tribhanga, na qual o corpo se dobra em tr\u00eas diferentes direc\u00e7\u00f5es, uma nos joelhos, outra nas ancas e outra nos ombros e pesco\u00e7o. Pela primeira vez, corpos relacionados com a religi\u00e3o foram representados seminus ou atrav\u00e9s de vestes transparentes.<\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s5\">A representa\u00e7\u00e3o de len\u00e7os e j\u00f3ias ornamentais nos bodhisattvas prosseguiu e as figuras d\u00e3o uma impress\u00e3o mista de for\u00e7a e graciosidade. Embora os bodhisattvas sejam a rigor assexuados, as primeiras representa\u00e7\u00f5es na China de Avalokitesvara (em chin\u00eas, <\/span><span class=\"s6\">\u89c2\u97f3<\/span><span class=\"s5\"> Guanyin; originalmente, Guanshiyin, <\/span><span class=\"s6\">\u89c2\u4e16\u97f3<\/span><span class=\"s5\">, \u201cCompreende os sons do mundo\u201d ou \u201cEscuta os gritos do mundo\u201d), mostravam-no como um homem de bigode, como se pode comprovar nas grutas de Dunhuang. Essa representa\u00e7\u00e3o nunca desapareceu (Fig.22). A partir do s\u00e9c. IX, por\u00e9m, a identidade sexual de Avalokitesvara come\u00e7ou a mudar e, entre as muitas formas que assumia, por exemplo, com m\u00faltiplas cabe\u00e7as e\/ou com m\u00faltiplos bra\u00e7os, surgiu a de uma mulher. Faziam-se mais esculturas de Guanyin do que de qualquer outra figura religiosa, muitas vezes de madeira e gesso, pintadas e douradas. <\/span><\/p>\n<p class=\"p4\">No final da dinastia Tang, as esculturas de Buda come\u00e7aram a exibir no cabelo uma j\u00f3ia semelhante a uma p\u00e9rola, s\u00edmbolo da luz da sabedoria. Por essa \u00e9poca, apareceram imagens suas notavelmente graciosas e realistas e a siniza\u00e7\u00e3o completou o seu processo evolutivo.<\/p>\n<p class=\"p4\">O famoso Buda Maitreya gigante de Leshan, no Sichuan, foi esculpido na dinastia Tang, de 713 d.C. at\u00e9 803 d.C., num penhasco de arenito vermelho localizado na conflu\u00eancia dos rios Min e Dadu. Com setenta e um metros de altura e vinte e oito metros de largura nos ombros, trata-se da est\u00e1tua de pedra de Buda maior e mais alta do mundo. A unha mais pequena \u00e9 suficientemente grande para que um ser humano se possa nela sentar. Adopta uma das poses t\u00edpicas de Maitreya, sentado e com as m\u00e3os apoiadas nos joelhos, como que aguardando o seu tempo, ou seja, o futuro (Fig.23).<\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s8\">Na escultura tumular, o Caminho dos Esp\u00edritos situado ao longo da estrada de acesso sul de um complexo tumular tornou-se uma prerrogativa real. Passaram a ser decorados n\u00e3o s\u00f3 com est\u00e1tuas em pedra de guardi\u00f5es, oficiais militares e civis e animais auspiciosos, como com obeliscos de pedra primorosamente esculpidos. S\u00e3o disto exemplo os t\u00famulos de Qianling do imperador Gaozong e da imperatriz Wu Zetian Quanto \u00e0 escultura em relevo, os seis cavalos do t\u00famulo do imperador Taizong (reinou de 627 a 649), numa montanha a noroeste da capital, Chang\u2019an (Xi\u2019an), s\u00e3o dignos de men\u00e7\u00e3o pela representa\u00e7\u00e3o realista e excelente t\u00e9cnica de execu\u00e7\u00e3o. Taizong ordenou que as imagens dos seus seis cavalos favoritos, que se tinham destacado em batalhas, fossem esculpidas em pedra e colocadas depois da sua morte ao longo do \u201cCaminho dos Esp\u00edritos\u201d no P\u00f3rtico Norte do complexo tumular. O imperador comp\u00f4s ainda um poema laudat\u00f3rio para cada um desses cavalos. As imagens foram provavelmente inspiradas em pinturas. Hoje em dia, quatro delas encontram-se no Museu da Floresta de Estelas (Beilin) em Xi\u2019an, enquanto as outras duas foram vendidas ilegalmente e emprestadas ao Museu da Pensilv\u00e2nia em 1918. <\/span><\/p>\n<p class=\"p4\">O auge da arte budista Tang foi o s\u00e9c. VIII. No s\u00e9c. seguinte, no ano de 884, um grupo anti-budista tomou o poder. Demoliram-se ent\u00e3o por decreto imperial 4 600 templos ou mosteiros e 40 000 estruturas menores e tamb\u00e9m se transformaram em moedas objectos budistas de bronze e em instrumentos agr\u00edcolas imagens budistas de ferro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p5\"><b>DINASTIA JIN TARDIA (936-947) <\/b><b>OU DINASTIA LIAO (907-1125) <\/b><b><\/b><\/h3>\n<p class=\"p4\">A prefer\u00eancia pela escultura em madeira era geral, especialmente nas dinastias Jin e Liao que governaram a maior parte do norte da China, incluindo a Manch\u00faria. No entanto, as mais not\u00e1veis est\u00e1tuas conhecidas desse per\u00edodo s\u00e3o de cer\u00e2mica. Trata-se dos luohan (o termo chin\u00eas para arhat, os disc\u00edpulos hist\u00f3ricos do Buda que atingiram o nirvana) de Yixian, no Hebei, a sul de Pequim. Pensa-se que datam da transi\u00e7\u00e3o do s\u00e9c. X para o XI da dinastia Jin tardia ou Liao, quando a escultura de vulto inteiro se afirmou (Figs. 24 e 25).<\/p>\n<p class=\"p4\">Em tamanho natural e com pintura tricolor <i>sancai<\/i>, \u00e9 considerado um dos grupos mais importantes de escultura em cer\u00e2mica a n\u00edvel mundial. Como sucede com muitas outras esculturas chinesas, estas est\u00e1tuas de <i>luohan<\/i> n\u00e3o se encontram na China. Foram adquiridas por colec\u00e7\u00f5es ocidentais e podem ser vistas no Museu Brit\u00e2nico, em Londres, no Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque, no Royal Ontario Museum, em Toronto, no Museu de Belas Artes de Boston, no Penn Museum, em Filad\u00e9lfia, na Nelson Gallery of Art, em Kansas City, no Mus\u00e9e Guimet, em Paris, e numa colec\u00e7\u00e3o privada japonesa. Existem ainda outras colec\u00e7\u00f5es com fragmentos que pertencem provavelmente a este conjunto.<\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s2\">De acordo com a tradi\u00e7\u00e3o budista, grupos de dezasseis, dezoito ou quinhentos luohans aguardavam a chegada de Maitreya, o Buda do futuro. Por isso, o conjunto completo poder\u00e1 contar com dezasseis ou dezoito figuras. Trata-se de esculturas de excepcional qualidade art\u00edstica na representa\u00e7\u00e3o realista e individualizada de cada figura, no modelado vigoroso, na sugest\u00e3o de for\u00e7a espiritual e no soberbo vidrado de tr\u00eas cores. As bases a c\u00e9u aberto sob as quais se erguem pretendem sugerir montanhas, pois as pinturas de <i>luohans<\/i> mostravam-nos geralmente empoleirados sobre pequenas colinas. Sup\u00f5e-se que o conjunto foi feito para ser colocado em plataformas ao longo das paredes do \u201cpavilh\u00e3o <i>luohan<\/i>\u201d de um templo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s7\">A partir do s\u00e9c. X, Guanyin passou a ser ami\u00fade representada em esculturas, sobretudo de madeira pintada, sentada na chamada pose da Lua d\u2019\u00c1gua (<\/span><span class=\"s9\">\u6c34\u6708\u89c2\u97f3<\/span><span class=\"s7\"> <i>shuiyue<\/i> Guanyin): o joelho direito est\u00e1 flectido e a perna esquerda ou est\u00e1 cruzada ou pende diante do corpo, o bra\u00e7o direito dirige-se para fora e apoia-se sobre o joelho erguido, o outro encontra-se ao longo da linha das esp\u00e1duas, criando uma tor\u00e7\u00e3o do busto. Esta pose retrata Guanyin a presidir ao seu pr\u00f3prio para\u00edso, Potolaka, que \u00e9 descrito nos sutras budistas como uma gruta \u00e0 beira-mar de onde se pode contemplar o reflexo da lua nas \u00e1guas. \u00c9 uma postura de \u201crelaxamento real\u201d (<i>maharajalila<\/i>) cujas origens remontam \u00e0 realeza indiana pr\u00e9-budista. As vestes tamb\u00e9m evocavam a realeza. Sedas sumptuosas e di\u00e1fanas caem em pregas por entre as coxas; os bra\u00e7os, pernas e pesco\u00e7o est\u00e3o enfeitados com joalharia rica; a cabe\u00e7a ostenta um penteado elaborado e \u00e9 encimada por uma coroa em camadas crivada de j\u00f3ias. No topo da coroa ou grinalda, v\u00ea-se em geral a figura de um diminuto Buda Amitaba, do qual Guanyin \u00e9 uma emana\u00e7\u00e3o. As m\u00e3os s\u00e3o finas e alongadas e, embora estas figuras se encontrem paradas, d\u00e3o uma sensa\u00e7\u00e3o de fluidez e dinamismo. O rosto de Guanyin ganhou uma calma e uma dignidade in\u00e9ditas at\u00e9 ent\u00e3o e o corpo suave sugere o calor de um ser vivo (Fig.26). <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p5\"><b>DINASTIA SONG (960 -1279)<\/b><\/h3>\n<p class=\"p4\">No s\u00e9c. IX, o estilo gracioso e pl\u00e1stico do per\u00edodo Tang maduro come\u00e7ou a perder for\u00e7a, desenvolvendo-se o estilo mais pesado do final dessa dinastia e da dinastia Song. A pintura excepcional da dinastia Song influenciou os escultores a dar \u00eanfase \u00e0 decora\u00e7\u00e3o linear da superf\u00edcie em detrimento da forma escult\u00f3rica. Embora as imagens apresentassem um grau de realismo in\u00e9dito, a tend\u00eancia essencialmente pict\u00f3rica espalhou-se por todo o norte da China nos s\u00e9cs. XII e XIII. Foi ent\u00e3o que a escultura em madeira atingiu o maior grau de perfei\u00e7\u00e3o na forma, nas poses que exalam uma grande calma interior, na colora\u00e7\u00e3o e na realiza\u00e7\u00e3o suave e caligr\u00e1fica do drapejamento, dos len\u00e7os e das fitas esvoa\u00e7antes (Fig.27). Contam-se entre os \u00faltimos grandes exemplos de escultura budista na China.<\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s2\">Em Gongyi, nos arredores de Kaifeng, no Henan, encontram-se os t\u00famulos de sete imperadores dos Song do Norte e do pai do fundador da dinastia. Tamb\u00e9m ali se encontram os t\u00famulos de alguns dos seus ministros leais. No t\u00famulo do Imperador Zhen Zong (Zhao Heng) (968-1022 d.C.), o Caminho dos Esp\u00edritos \u00e9 constitu\u00eddo por vinte e duas est\u00e1tuas de pedra de cada lado de uma avenida que conduz at\u00e9 ele. H\u00e1 pares de <\/span><span class=\"s10\">\u4f20\u5f55<\/span><span class=\"s2\"> <i>chuanlu<\/i> (ministros que transmitiam os decretos dos imperadores e imperatrizes), <\/span><span class=\"s10\">\u9547\u6bbf <\/span><span class=\"s2\"><i>zhendian<\/i> (generais que guardavam o mausol\u00e9u imperial), le\u00f5es em pose de corrida, cortes\u00e3os, ovelhas, tigres, cavalos e seus tratadores, unic\u00f3rnios, estelas esculpidas com f\u00e9nixes, elefantes, guardi\u00f5es e pilares. Estas est\u00e1tuas foram finamente esculpidas, demonstrando que as esculturas de pedra da dinastia Song come\u00e7avam a descartar o estilo arcaico e a exibir um maior realismo. O mausol\u00e9u de Yongxi tamb\u00e9m \u00e9 disso exemplo (Fig.28 e 29). As figuras humanas t\u00eam uma express\u00e3o v\u00edvida e o estatuto social \u00e9 retratado com clareza. Por exemplo, os <i>chuanlu<\/i> apresentam um rosto quadrado e orelhas grandes e a sua express\u00e3o \u00e9 de aten\u00e7\u00e3o, como que aguardando as ordens imperiais. Os generais <i>zhendian<\/i> t\u00eam o rosto redondo e os olhos grandes emprestam-lhes um ar marcial; tamb\u00e9m empunham espadas e envergam elmos e armaduras. Os escultores optaram principalmente por esculturas lisas e arredondadas, acrescentando-lhes alguns segmentos rectos e nivelados.<\/span><\/p>\n<p class=\"p4\">Outro tipo de escultura digno de men\u00e7\u00e3o \u00e9 a escultura em ferro. A China foi o primeiro pa\u00eds a desenvolver a fundi\u00e7\u00e3o e a moldagem do ferro, que foi sempre um factor importante da sua economia. Os chineses fundiam e moldavam ferro para fazer instrumentos, armas e carruagens desde o s\u00e9c. VI a. C. Para tanto, s\u00e3o necess\u00e1rias temperaturas t\u00e3o altas que, na Europa, s\u00f3 se conseguiram atingir na Idade M\u00e9dia tardia. Pelo ano de 806 d. C., a China produzia 13 500 toneladas de ferro. Na dinastia Song, produzia 125 000 toneladas. A escultura em ferro era um subproduto desta enorme ind\u00fastria de armamento necess\u00e1ria para equipar grandes ex\u00e9rcitos contra os invasores do norte. Como havia abund\u00e2ncia de ferro e se dominavam magistralmente as t\u00e9cnicas de fundi\u00e7\u00e3o e moldagem, criavam-se tamb\u00e9m muitas est\u00e1tuas nesse material. Para a produ\u00e7\u00e3o em massa, recorria-se ao sistema de moldes, t\u00e3o caro aos chineses, e eram por vezes cobertas com gesso e pintadas ou lacadas. Um bom exemplo s\u00e3o as esculturas dos oficiais de ferro com cerca de dois metros de altura do templo Jinci em Taiyuan, Shanxi, e do templo Zhongyue, na montanha Song, no Henan. As figuras empunharam outrora armas que, entretanto, desapareceram (Fig.29).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p5\"><b>DINASTIAS MING (1368-1644) <\/b><b>E QING (1644-1912)<\/b><b><\/b><\/h3>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s7\">No s\u00e9c. XIV, o budismo perdeu preponder\u00e2ncia e, embora se continuasse a esculpir figuras budistas bem-amadas como Guanyin e Weituo (Skanda), o protector do Dharma (Fig.30), floresceu uma escultura ligada a mitos e \u00e0 religi\u00e3o popular que se dedicava, por exemplo, a criar figuras como o her\u00f3i Guandi (ou Guanyu), o deus da guerra e da riqueza cujos poderes afugentam os dem\u00f3nios malignos (Fig.31). <\/span><\/p>\n<p class=\"p4\">A escultura tumular em pedra tamb\u00e9m n\u00e3o cessou. Um exemplo c\u00e9lebre s\u00e3o as esculturas do Caminho dos Esp\u00edritos dos T\u00famulos Ming, nos arredores de Pequim. Trata-se de vinte e quatro animais reais (camelos, elefantes, cavalos, le\u00f5es\u2026) e fant\u00e1sticos (<span class=\"s3\">\u9e92\u9e9f<\/span>\u00a0<i>qilin<\/i>, <span class=\"s3\">\u736c\u8c78<\/span><i>xiezhi<\/i>, le\u00f5es alados\u2026) e doze figuras humanas (quatro soldados, quatro funcion\u00e1rios civis, quatro conselheiros imperiais guerreiros e oficiais). As esculturas, de aspecto arcaico e maci\u00e7o, est\u00e3o alinhadas aos pares, aparecendo uma sentada e a seguinte de p\u00e9, criando grande efeito visual (Fig.32).<\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s2\">Tamb\u00e9m nos telhados amarelos da Cidade Proibida que se elevam ligeiramente nos beirais, cuja constru\u00e7\u00e3o data das dinastias Ming e Qing, se podem avistar pequenas esculturas cuja origem n\u00e3o \u00e9 budista. Essas s\u00e9ries de figuras de trinta a cinquenta cent\u00edmetros de altura s\u00e3o os <\/span><span class=\"s10\">\u795e\u517d<\/span><span class=\"s2\"> <i>shenshou<\/i>, personagens e animais fant\u00e1sticos associados a mitos e a lendas antigas. Para al\u00e9m de se crer que afastam fogos e maus esp\u00edritos, desempenham a fun\u00e7\u00e3o muito pr\u00e1tica de ajudar a fixar as telhas que t\u00eam tend\u00eancia a cair naquela \u00e1rea. O pavilh\u00e3o principal, Taihedian, ostenta dez: drag\u00e3o, f\u00e9nix, le\u00e3o, cavalo marinho<\/span><span class=\"s10\">\u6d77\u9a6c<\/span><span class=\"s2\"> <i>haima<\/i>, cavalo celeste<\/span><span class=\"s10\">\u5929\u9a6c<\/span><span class=\"s2\"> tianma, <\/span><span class=\"s10\">\u62bc\u9c7c<\/span><span class=\"s2\"> <i>yayu<\/i> (cruzamento de drag\u00e3o e peixe), <\/span><span class=\"s10\">\u72fb\u730a<\/span><span class=\"s2\"><i>suanni<\/i> (lembra um le\u00e3o) <\/span><span class=\"s10\">\u736c\u8c78<\/span><span class=\"s2\"><i>xiezhi<\/i> (semelhante a uma cabra com um s\u00f3 chifre), touro e <\/span><span class=\"s10\">\u884c\u4ec0<\/span><span class=\"s2\"><i>xingshi<\/i> (macaco com asas), al\u00e9m de um <\/span><span class=\"s10\">\u4ed9\u4eba<\/span><span class=\"s2\"><i>xianren<\/i> (Imortal) montado no dorso de um galo.<\/span><\/p>\n<p class=\"p4\">Para al\u00e9m destas figuras existe na Cidade Proibida um grande n\u00famero de est\u00e1tuas de grandes e pequenas dimens\u00f5es em variados materiais, como drag\u00f5es, (s\u00edmbolo do imperador), f\u00e9nixes (s\u00edmbolo da imperatriz), le\u00f5es (s\u00edmbolo da realeza), veados e elefantes (ambos s\u00edmbolos de riqueza e nobreza), tartarugas e grous (ambos s\u00edmbolos de longevidade) e qilin (s\u00edmbolo da piedade filial).<\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s5\">As esculturas em ferro continuaram na dinastia Ming, tanto de figuras humanas, como a popular Guanyin, como de animais. No templo Shanhua em Datong, prov\u00edncia de Shanxi, encontra-se um touro de ferro oco (Fig.33). Existia a tradi\u00e7\u00e3o secular de colocar est\u00e1tuas de bois nas margens de lagos e rios para evitar inunda\u00e7\u00f5es ou como um pedestal frente a um templo da escola do Dao associado \u00e0s divindades da \u00e1gua. O local original onde o touro de ferro de Datong se encontrava eram as margens do rio Yu.<\/span><\/p>\n<p class=\"p4\">Um desenvolvimento interessante da dinastia manchu Qing foram as alian\u00e7as diplom\u00e1ticas e religiosas que os imperadores Qing levaram a cabo no s\u00e9c. XVIII com o Tibete e a Mong\u00f3lia. Como consequ\u00eancia, e sobretudo na capital, Pequim, e um pouco mais a norte em Chengde (a antiga Jehol, resid\u00eancia de Ver\u00e3o dos imperadores Qing), construiu-se ent\u00e3o um grande n\u00famero de templos e de imagens que seguiam o estilo tibetano. Vale a pena mencionar a est\u00e1tua de madeira banhada a ouro do bodhisattva Avalokiteswara do Templo Puning, em Chengde, da era do imperador Qianlong (reinou de 1735-96). Mede 21,85 metros de altura e pesa 110 toneladas, sendo a maior a n\u00edvel mundial.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Avalokiteswara ergue-se sobre um trono de l\u00f3tus e conta com m\u00faltiplos olhos, assim como com quarenta e duas m\u00e3os, duas das quais juntas e as demais segurando diferentes instrumentos musicais (Fig.34).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p5\"><b>AS ESCULTURAS DE DAZU <\/b><span class=\"s3\">\u5927\u8db3\u77f3\u523b<\/span><\/h3>\n<p class=\"p4\">Em Dazu, na prov\u00edncia do Sichuan, encontram-se mais de dez mil esculturas que datam desde o final do s\u00e9c. IX, no ocaso da dinastia Tang, at\u00e9 meados do s\u00e9c. XIII, com algumas adi\u00e7\u00f5es das dinastias Ming e Qing. A hist\u00f3ria destas extraordin\u00e1rias esculturas remonta a um not\u00e1vel da regi\u00e3o que seguia uma seita com duzentos anos fundada pelo mestre Liu Benzun, no in\u00edcio da \u00e9poca de Yonghui da dinastia Tang.<\/p>\n<p class=\"p4\">Dazu conta com mais de quarenta gravuras em pedra e mais de 50 000 est\u00e1tuas. Trata-se de um conjunto singular de esculturas de grande qualidade est\u00e9tica e diversidade tem\u00e1tica, aliando cenas religiosas a cenas seculares. As esculturas rupestres de Dazu lan\u00e7am assim uma luz n\u00e3o s\u00f3 sobre a natureza ecl\u00e9tica das cren\u00e7as (uma s\u00edntese harmoniosa de budismo t\u00e2ntrico, tao\u00edsmo e confucionismo) mas sobre a vida quotidiana do per\u00edodo na qual foram criadas. Aliam essa riqueza de conte\u00fado a uma t\u00e9cnica admir\u00e1vel, sendo conhecidas como \u201cO Pal\u00e1cio Art\u00edstico das dinastias Tang e Song\u201d. Acresce que, uma vez que n\u00e3o sofreram danos provocados pelo homem ou desastres naturais, as esculturas de Dazu conseguiram manter em grande parte as suas caracter\u00edsticas originais.<\/p>\n<p class=\"p4\">A ruptura com a tradi\u00e7\u00e3o escult\u00f3rica indiana \u00e9 total e \u00e0s figuras associam-se inscri\u00e7\u00f5es que d\u00e3o uma vis\u00e3o da sua identidade, hist\u00f3ria e data\u00e7\u00e3o. O ponto culminante \u00e9 um Buda reclinado em Parinirvana de meio corpo com trinta e um metros de comprimento, a maior est\u00e1tua esculpida em pedra deste g\u00e9nero no mundo.<\/p>\n<p class=\"p4\">O Buda reclinado encontra-se no desfiladeiro de Baodingshan, que cont\u00e9m dois grupos de esculturas perto do Mosteiro da Longevidade Sagrada e que datam do final do s\u00e9c. XII a meados do s\u00e9c. XIII. O grupo a oeste estende-se por cerca de quinhentos metros e compreende trinta e um grupos de figuras que representam temas do budismo t\u00e2ntrico, bem como cenas da vida quotidiana.<\/p>\n<p class=\"p4\">O realismo e a execu\u00e7\u00e3o elaborada s\u00e3o dignos de refer\u00eancia e est\u00e3o presentes em v\u00e1rias est\u00e1tuas de Guanyin, Wen Shu e Pu Xian. A est\u00e1tua de Guanyin com mil bra\u00e7os de 7,2 metros de altura por 12,5 metros de largura e rodeada de devas \u00e9 outro local de visita obrigat\u00f3ria destas grutas de Dazu.<\/p>\n<p class=\"p4\">Em Shizhuanshan, localizam-se as esculturas da dinastia Song do final do s\u00e9c. XI, que se estendem por centro e trinta metros e representam imagens budistas, tao\u00edstas e confucionistas. Em Nanshan, encontram-se esculturas da dinastia Song do s\u00e9c. XII que se estendem por oitenta e seis metros e retratam principalmente temas da escola do Dao.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h3 class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><b>Os santu\u00e1rios em grutas<\/b><\/h3>\n<figure id=\"attachment_1005\" aria-describedby=\"caption-attachment-1005\" style=\"width: 978px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1005 size-full\" src=\"http:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/52-a-Mogao-Caves-Tang-Dynasty.jpg\" alt=\"\" width=\"978\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/52-a-Mogao-Caves-Tang-Dynasty.jpg 978w, https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/52-a-Mogao-Caves-Tang-Dynasty-300x184.jpg 300w, https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/52-a-Mogao-Caves-Tang-Dynasty-768x471.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 978px) 100vw, 978px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1005\" class=\"wp-caption-text\">Grutas de Mogao em Dunhuang, Gansu. Esculturas da dinastia Tang.<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">O<\/span><span class=\"s2\">s santu\u00e1rios<\/span><span class=\"s1\"> em grutas da China, com imagens esculpidas em variados graus de relevo e destinadas a ser vistas de frente, s\u00e3o um modelo importado da \u00cdndia (Ajanta, etc.) e de Bamyan, no Afeganist\u00e3o, que se estendeu tamb\u00e9m pela \u00c1sia central (Kyzil, Kucha, Khotan). At\u00e9 ao s\u00e9c. V, rareavam na China esculturas monumentais em pedra. Foi sob influ\u00eancia da escultura em grutas da \u00c1sia central que se come\u00e7aram a esculpir est\u00e1tuas budistas em grande escala. Essas grutas est\u00e3o distribu\u00eddas principalmente no noroeste, nas plan\u00edcies centrais e no sudeste e sudoeste da China, locais relacionados com as rotas da introdu\u00e7\u00e3o do budismo na regi\u00e3o. As mais importantes s\u00e3o as de Dunhuang, Yungang e Longmen. Mas dignas de relevo s\u00e3o ainda as de Maijishan, Bilingsi e de Dazu.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p4\"><b>AS GRUTAS DE DUNHUANG <\/b><span class=\"s3\">\u6566\u714c\u77f3\u7a9f<\/span><\/h3>\n<p class=\"p5\">As c\u00e9lebres grutas de Dunhuang, na prov\u00edncia de Gansu, um local estrat\u00e9gico da Rota da Seda terrestre, \u00e9 um complexo rupestre gigantesco de quase quinhentas delas que se estendem por quil\u00f3metro e meio e que albergam cerca de 2400 esculturas pol\u00edcromas e mais de 45000 m\u00b2 de murais com pinturas budistas.<\/p>\n<p class=\"p5\">Come\u00e7aram a ser constru\u00eddas no s\u00e9c. IV, na dinastia Jin, e terminaram mil anos depois, na dinastia Yuan (1279\u20131368), expondo assim a evolu\u00e7\u00e3o da arte budista na China durante esse largo intervalo de tempo. Distinguem-se tr\u00eas estilos no per\u00edodo pr\u00e9vio ao s\u00e9c. VII:<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>o estilo arcaico do s\u00e9c. V, caracterizado pela proximidade com o modelo indiano, o estilo Wei de at\u00e9 meados do s\u00e9c. VI e o estilo colunar de finais do s\u00e9c. VI, no reino de Qi.<\/p>\n<p class=\"p5\">As primeiras esculturas pol\u00edcromas de Dunhuang foram influenciadas pela arte de G\u00e2ndara e pela arte Gupta. As esculturas de Buda e bodhisattvas tendiam a agrupar-se em conjuntos e assemelhavam-se mais a um alto relevo do que propriamente a uma escultura. O panejamento era r\u00edgido e a plasticidade parca. Na dinastia Wei, as esculturas come\u00e7aram a desprender-se da parede, apresentando tamb\u00e9m uma maior eleg\u00e2ncia de gestos e movimentos. As paredes eram decoradas com pinturas, por exemplo, com <i>jataka<\/i>, cenas das vidas anteriores de Buda. Na parede norte da gruta 259 das grutas de Mogao em Dunhuang, existe uma est\u00e1tua de Buda da dinastia Wei do norte que ostenta o famoso sorriso Wei ou de Mona Lisa asi\u00e1tica. As roupas s\u00e3o finas e cingidas ao corpo, incorporando caracter\u00edsticas do estilo Gupta de Matura.<\/p>\n<p class=\"p5\">Das 493 grutas, o grupo mais antigo s\u00e3o as 268, 272 e 275. Oito outras grutas foram escavadas desde a segunda metade do s\u00e9c. V at\u00e9 \u00e0 primeira metade do s\u00e9c. VI. Mostram o estilo associado ao processo de siniza\u00e7\u00e3o. Algumas das caracter\u00edsticas chinesas mais \u00f3bvias s\u00e3o a mudan\u00e7a de traje nas imagens de Budas e bodhisattvas e o tipo facial mong\u00f3lico. Os bodhisattvas j\u00e1 n\u00e3o mostram o peito nu, que aparece envolto numa capa disposta simetricamente que cruza no abd\u00f3men.<\/p>\n<p class=\"p5\">Os melhores exemplos de estatu\u00e1ria budista de Dunhuang datam da dinastia Tang. As figuras apresentam formas arredondadas e robustez, um maior realismo e individualidade (Fig.37) e adoptam uma grande diversidade de posturas. No s\u00e9c. VII, come\u00e7am a surgir grupos de cinco figuras: Buda, dois bodhisattvas e dois luohan (Fig.36).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p4\"><b>AS GRUTAS DE YUNGANG <\/b><span class=\"s3\">\u4e91\u5188\u77f3\u7a9f<\/span><\/h3>\n<p class=\"p5\">As grutas de Yungang foram escavadas principalmente na dinastia Wei do Norte. Foi por volta de 460 d.C. que teve in\u00edcio essa tarefa colossal, perto da ent\u00e3o capital, Pingcheng (a actual Datong), na prov\u00edncia de Shanxi. A maior parte da m\u00e3o-de-obra constava de artes\u00e3os de Liangzhou, na prov\u00edncia de Gansu, que estavam familiarizados com a arte das regi\u00f5es a ocidente.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Em cinquenta e tr\u00eas grutas que se espalham por mil metros quadrados encontram-se mais de 51000 est\u00e1tuas que remontam a v\u00e1rias \u00e9pocas, entre elas muitas de grande valor art\u00edstico. H\u00e1 figuras de dimens\u00f5es gigantescas, outras em tamanho natural, outras com trinta cent\u00edmetros ou menos de altura. As paredes, tectos e grande parte das esculturas eram coloridas.<\/p>\n<p class=\"p5\">Nas grutas mais antigas v\u00eaem-se est\u00e1tuas dos primeiros imperadores Wei que apoiaram o budismo. Em cinco diferentes grutas de arenito (16 a 20) foram esculpidas por ordem imperial cinco imagens em grande escala de Buda, s\u00edmbolos do poder dos primeiros cinco imperadores dos Wei do Norte. Exibem uma forte influ\u00eancia das escolas de G\u00e2ndara e Matura sob o governo Kushan, por exemplo, na veste do Buda, que ou cobre ambos os ombros ou exp\u00f5e parcialmente o ombro direito e o bra\u00e7o direito. Mas na gruta 20, onde se encontra uma das esculturas mais not\u00e1veis, de um Buda Shakyamuni sentado na posi\u00e7\u00e3o de medita\u00e7\u00e3o (<i>dhy<\/i><span class=\"s4\"><i>\u0101<\/i><\/span><i>na<\/i>) com catorze metros de altura e que se tornou no s\u00edmbolo do complexo de Yungang (Fig.38), regista-se j\u00e1 uma altera\u00e7\u00e3o deste \u00faltimo modo de envergar a veste e o ombro e bra\u00e7o direitos surgem parcialmente cobertos, de modo a satisfazer a \u00e9tica confucionista do recato. As dobras da veste s\u00e3o sugeridas atrav\u00e9s de linhas esculpidas estilizadas para n\u00e3o real\u00e7ar demasiado o corpo, o que difere da maior sensualidade dos prot\u00f3tipos indianos. A borda interna superior foi decorada com uma faixa de padr\u00e3o floral. O aspecto \u00e9 maci\u00e7o, um tanto r\u00edgido, o torso poderoso, mas com vestes reduzidas que parecem delicadas por compara\u00e7\u00e3o. A cabe\u00e7a tamb\u00e9m \u00e9 poderosa, com os olhos vivos e o nariz aquilino. Os l\u00e1bios sorriem ligeiramente, todo o conjunto recebendo um tratamento facial similar ao de uma m\u00e1scara. O resto da parede principal encontra-se coberto por uma enorme aur\u00e9ola flamejante sobre a cabe\u00e7a do Buda, projectada como um padr\u00e3o tradicional chin\u00eas de nuvem.<\/p>\n<p class=\"p5\">Os <i>ushnishas<\/i> dos budas de Yungang s\u00e3o lisos e os corpos exibem tra\u00e7os masculinos, com ombros largos e uma sugest\u00e3o de for\u00e7a. Outra escultura not\u00e1vel \u00e9 o Buda Maitreya com quinze metros de altura (gruta 18), escala monumental sem precedentes na China. Nesta gruta 18 v\u00eaem-se os tr\u00eas Budas (Shakyamuni, Amitaba e Maitreya) em p\u00e9, assim como os seus dez grandes disc\u00edpulos. Maitreya ocupa o espa\u00e7o central. Tem um rosto redondo e o peito e os ombros largos. A m\u00e3o direita pende para baixo e a m\u00e3o esquerda ergue-se at\u00e9 ao peito. O manto cai de modo semelhante ao Buda da gruta 20. A parte superior do corpo \u00e9 coberta com pequenos Budas dhy\u0101na e aupapadukas (Budas que nascem da flor de l\u00f3tus) em relevo. A janela desta gruta \u00e9 enorme e pode avistar-se atrav\u00e9s dela a maior parte da figura de Maitreya. Os dez grandes disc\u00edpulos, cinco de cada lado, t\u00eam express\u00f5es faciais v\u00edvidas e sorrisos gentis. Por um lado, os Budas desta gruta em forma de santu\u00e1rio lembram as grandes est\u00e1tuas de Bamyan ou Kucha. Por outro lado, o estilo de express\u00e3o das linhas de roupas situa-se na tradi\u00e7\u00e3o das est\u00e1tuas de Buda de G\u00e2ndara ou do estilo Gupta de Matura.<\/p>\n<p class=\"p5\">\u00c0 medida que se avan\u00e7a no tempo, assiste-se \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o de um tipo centro-asi\u00e1tico para um estilo chin\u00eas j\u00e1 bem afirmado. A express\u00e3o facial torna-se mais suave, os olhos mais amendoados e a boca mais pequena. O corpo tamb\u00e9m se torna mais esguio e mais bem proporcionado e os ombros mais estreitos. Quanto \u00e0 indument\u00e1ria, ganha igualmente um aspecto mais chin\u00eas, sobretudo a veste que cobre os ombros e partes dos bra\u00e7os. O penteado tamb\u00e9m parece chin\u00eas.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>A partir dos s\u00e9cs. V-VI, emergiram novos estilos, alguns influenciados pela arte indiana do per\u00edodo Gupta cl\u00e1ssico, outros por tradi\u00e7\u00f5es aut\u00f3ctones. No final do s\u00e9c. VI, as figuras tornaram-se mais cheias, com as vestes aderindo ao corpo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p4\"><b>AS GRUTAS DE LONGMEN <\/b><span class=\"s3\">\u9f99\u95e8\u77f3\u7a9f<\/span><\/h3>\n<p class=\"p5\">Quando o imperador Xiaowen decidiu mudar a capital Wei de Datong para Luoyang, na prov\u00edncia de Henan, iniciaram-se nos arredores desta uma outra s\u00e9rie de esculturas em grutas, nas fal\u00e9sias calc\u00e1rias de Longmen. Longmen conta com 97 300 est\u00e1tuas de Budas que adoptam variados mudra e asana (posi\u00e7\u00e3o dos p\u00e9s), bodhisattvas e guardi\u00f5es celestes, quarenta pagodes e pilares e 3608 inscri\u00e7\u00f5es (Fig.39). A maioria das grutas e imagens est\u00e3o localizadas na sec\u00e7\u00e3o oeste dessas fal\u00e9sias calc\u00e1rias, incluindo as obras tardias dos Wei do Norte, cerca de um ter\u00e7o do total.<\/p>\n<p class=\"p5\">O tipo de rocha calc\u00e1ria de Longmen era mais adequado para a escultura do que o arenito grosseiro de Yungang. Assim, as esculturas ganharam ali uma maior delicadeza e formas mais esbeltas e elegantes. Os rostos tornaram-se mais planos, mais pr\u00f3ximos das fei\u00e7\u00f5es chinesas e as vestes cobrem os corpos, dada a avers\u00e3o chinesa pela nudez.<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s1\">Os Budas do s\u00e9c. IV no estilo de Longmen apresentam um aspecto simples e um tanto esqu\u00e1lido, envolvidos em roupagens amplas e com enormes aur\u00e9olas flamejantes. Mas as duas grutas mais prestigiosas de esculturas dos Wei do Norte s\u00e3o Guyangdong e Binyangdong, do s\u00e9c. VI. Nesta \u00faltima, cada parede exibe uma colossal figura de Buda flanqueada por bodhisattva erectos. Na gruta central de Binyangdong, Shakyamuni adopta uma express\u00e3o concentrada conferida por linhas dos olhos n\u00edtidas, boca que sorri ao de leve e nariz bem afirmado. O t\u00f3rax \u00e9 maci\u00e7o, proporcionado, com as pregas da veste a cobrir ambos os ombros e revelando uma linearidade que se afasta das formas sensuais da escultura indiana. <\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">No s\u00e9c. VI, desenvolveu-se um estilo de influ\u00eancia indiana mais tridimensional que floresceu durante a dinastia Tang (618\u2013907). Isso foi poss\u00edvel, entre outros factores, porque as liga\u00e7\u00f5es da China com a \u00c1sia Central atrav\u00e9s da Rota da Seda atingiram ent\u00e3o um novo grau de intensidade. Na maior e mais emblem\u00e1tica das grutas de Longmen, a gruta Fengxian, esculpida entre 672 e 676 d.C., encontram-se esculturas que s\u00e3o consideradas das mais perfeitas dessa dinastia, entre elas o Buda Vairocana de 17,14 metros de altura sentado sobre um trono de l\u00f3tus (Figura 69). \u00c9 uma figura s\u00f3lida e bem nutrida que se afasta das formas sensuais da arte indiana mas que tamb\u00e9m j\u00e1 n\u00e3o se perde no panejamento, como sucedia com os Budas da dinastia Wei. Adopta a pose da medita\u00e7\u00e3o, com um t\u00f3rax bem desenvolvido, fei\u00e7\u00f5es muito n\u00edtidas e uma express\u00e3o de intensa concentra\u00e7\u00e3o, natural e tranquilizante. A imperatriz Wu Zetian estava particularmente interessada neste empreendimento, para o qual doou muitos dos seus recursos. Era devota do budismo Huayan que tinha a vantagem de encorajar os crentes a considerar o seu governante terreno como o representante do Buda Vairocana, a forma transcendente do Buda hist\u00f3rico Shakyamuni e que reside no centro do cosmos. Wu Zetian assumia-se como um Buda renascido e uma descendente directa dos reis da antiga dinastia Zhou. Cr\u00ea-se que o Buda Vairocana foi esculpido de modo a parecer-se com ela (Fig.40). Ladeando o Buda Vairocana acham-se as est\u00e1tuas de dois dos seus principais disc\u00edpulos, Kasyapa e Ananda, assim como dois <i>bodhisattvas<\/i> coroados, al\u00e9m de numerosas outras imagens de <i>lokapalas<\/i> (guardi\u00f5es ou reis celestiais), <i>dvarapalas<\/i> (guardas do templo) e <i>devas<\/i> esvoa\u00e7antes. Apesar da siniza\u00e7\u00e3o geral das formas, por vezes nota-se uma nova onda de influ\u00eancia indiana que \u00e9 percept\u00edvel, por exemplo, na pose das ancas (<i>tribhanga<\/i>) dos <i>lokapalas<\/i>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p4\"><b>AS GRUTAS DE MAIJISHAN <\/b><span class=\"s3\">\u9ea6\u79ef\u5c71\u77f3\u7a9f<\/span><\/h3>\n<p class=\"p5\">As grutas de Maijishan localizam-se em Tianshui, na prov\u00edncia de Gansu, 1742 metros acima do n\u00edvel do mar. A constru\u00e7\u00e3o teve in\u00edcio no final da dinastia Qin\u00a0(384-417 a.C.)\u00a0 e prosseguiu na dinastia Wei do Norte (386-534 d.C.), passando pela dinastia Song (960-1279 d.C.) at\u00e9 ao s\u00e9c. XIX. Trata-se da quarta maior \u00e1rea de grutas budistas da China, s\u00f3 ultrapassada por Dunhuang, Yungang e Luoyang. S\u00e3o 194 grutas que contam com mais de sete mil esculturas de terracota e mais de mil metros quadrados de murais. A montanha onde se encontram \u00e9 de arenito vermelho-arroxeado. Este conjunto escult\u00f3rico sobreviveu a v\u00e1rias guerras e persegui\u00e7\u00f5es ao budismo. Em 734 d.C. por\u00e9m, um terremoto dividiu-o num penhasco leste e num penhasco oeste. Por um lado, a sua destrui\u00e7\u00e3o dificultou o acesso a algumas das grutas mas, por outro lado, protegeu-as da interfer\u00eancia humana.<\/p>\n<p class=\"p5\">Recorreu-se a v\u00e1rios formatos e t\u00e9cnicas escult\u00f3ricas: ao relevo raso e ao profundo, \u00e0 escultura em m\u00faltiplos suportes, incluindo pedra, estuque e argila. Mas como a rocha local \u00e9 mole para esculpir, os artistas devotaram-se sobretudo \u00e0 modelagem em argila e estuque. Algumas figuras s\u00e3o s\u00f3lidas com uma espessa camada de argila, enquanto outras s\u00e3o ocas e formadas sobre um esqueleto tosco de madeira coberto com casca de trigo, c\u00e2nhamo, junco e lama antes de ser untado com uma camada final de argila esculpida. Depois de esculpidas, as est\u00e1tuas foram pintadas com cores vivas (Fig. 41). As esculturas de pedra s\u00e3o em menor n\u00famero e a rocha n\u00e3o \u00e9 local.<\/p>\n<p class=\"p5\">Na sec\u00e7\u00e3o a oeste localizam-se esculturas e outra arte budista que datam principalmente da dinastia Wei do Norte at\u00e9 \u00e0 dinastia Tang. De in\u00edcio adoptou-se uma iconografia ortodoxa semelhante \u00e0 de Dunhuang.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Na gruta 44, contudo, assiste-se a uma mudan\u00e7a de estilo. O rosto da est\u00e1tua de Buda \u00e9 mais redondo e humano do que o costumeiro rosto alongado e esbelto do estilo Wei do Norte. Entre as imagens restauradas da dinastia Sui est\u00e3o a Tr\u00edade budista (Buda do Passado, Presente e Futuro) (Figura 73) e os Budas dos Dez Reinos. O tema mais comum \u00e9 o Buda sentado e flanqueado por bodhisattvas e outros assistentes, ou por monges e crentes. A escultura mais proeminente de todo o conjunto \u00e9 um Buda sentado de dezasseis metros de altura ladeado por bodhisattvas de treze metros de altura no nicho 13 do penhasco oriental, esculpidas na dinastia Sui (Fig.41). Com o tempo, da dinastia Wei at\u00e9 \u00e0 Song, as imagens de Maijishan mudam a \u00eanfase do Buda para o bodhisattva, uma caracter\u00edstica do budismo posterior na China. A guardar as portas da maioria das grutas acham-se pares de dvarapala e os quatro lokapala.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p4\"><b>AS GRUTAS DE BINGLINGSI <\/b>\u70b3\u7075\u5bfa\u77f3\u7a9f<\/h3>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s5\">Dignas de nota s\u00e3o ainda as grutas de Bilingsi, situadas igualmente na prov\u00edncia de Gansu, num desfiladeiro do Rio Amarelo, com liga\u00e7\u00f5es \u00e0 Rota da Seda terrestre (Figura 75). Datam desde 420 d.C., na dinastia Wei do Norte, at\u00e9 \u00e0 dinastia Ming. Contam com 196 santu\u00e1rios, 776 est\u00e1tuas e 912 m\u00b2 de murais. Como sucede com os demais conjuntos de grutas, as esculturas mais antigas apresentam ainda muitos tra\u00e7os da \u00c1sia central nos gestos, poses e trajes. Podem ser divididas em escultura em pedra, escultura em argila modelada em pedra e escultura em argila. A maioria s\u00e3o conjuntos de um Buda com um bodhisattva ou um Buda flanqueado por dois bodhisattvas. Os rostos s\u00e3o arredondados, os narizes rectos e os l\u00e1bios cheios. A escultura em argila do Buda em p\u00e9 no 7\u00ba santu\u00e1rio da parede leste enverga um manto fino colado ao corpo. O entalhe de linha \u00fanica desenha linhas em forma de U, lembrando as imagens de Buda no estilo Matura. Mas os olhos encontram-se bem abertos e n\u00e3o baixos e semicerrados como sucede com os Budas meditativos do per\u00edodo Gupta. <\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">A escultura do Buda Maitreya com cerca de vinte e sete metros, uma das maiores da dinastia Tang, assemelha-se a est\u00e1tuas gigantes constru\u00eddas cerca de duzentos e cinquenta anos antes na \u00c1sia Central, mostrando a liga\u00e7\u00e3o cultural coeva com essa regi\u00e3o (Fig. 42). Na dinastia mongol Yuan (1271-1368), os budistas tibetanos escavaram muitas grutas na parte inferior do local.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Para ver as imagens do artigo, consulte <a href=\"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/08\/18\/via-do-meio-5-digital\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui a edi\u00e7\u00e3o digital<\/a>.<\/strong><\/p>\n<p>____<\/p>\n<p class=\"p7\"><b>BIBLIOGRAFIA<\/b><\/p>\n<ul>\n<li class=\"p8\">Fisher, R.E. (1993) Buddhist Art and Architecture, London: Thames and Hudson<\/li>\n<li class=\"p8\">Leidy, D.P and Strahan, D. (2010) Wisdom embodied. Chinese Buddhist and Daoist sculpture in the Metropolitan Museum of Art, New York: Metropolitan Museum of Art<\/li>\n<li class=\"p8\">Lucic, Karen (2015) Embodying Compassion in Buddhist Art: Image, Pilgrimage, Practice, New York: The Frances Lehman Loeb Art Center<\/li>\n<li class=\"p8\">Spencer Throckmorton (ed.)<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>(2016) Northern Dynasties Early Buddhist Sculpture, Ca. 386-577CE, New York: Throckmorton Fine Art<\/li>\n<li class=\"p8\">Rawson, J. (2007) Sculpture for Tombs and Temples, The British Museum Book of Chinese Art, 134-167<\/li>\n<li class=\"p8\">Wang Dong (2020) Longmen\u2019s Stone Buddhas and Cultural Heritage When Antiquity Met Modernity in China, Maryland: Rowman &amp; Littlefield<\/li>\n<li class=\"p8\">Ven. Chang Yuan Zang, Phramaha Nantakorn Piyabhani, Dr., Asst. Prof. Dr. Sanu Mahatthanadull (January \u2013 June 2019), The Evolution of Early Chinese Buddha Figures, in JIABU, Vol. 12 No.1<\/li>\n<li class=\"p8\">V\u00e1rios, Buddhist Sculpture from Ancient China, March 10\u201331, 2017, J. J. L a l l y &amp; C o. orientalart. Cat\u00e1logo.<\/li>\n<li class=\"p8\">Yi, Joy Lidu (2018) Yungang Art, History, Archaeology, Liturgy, New York: Routledge<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] Na China antiga, os escultores eram considerados artes\u00e3os e criavam as suas obras anonimamente. A escultura era uma pr\u00e1tica sem prest\u00edgio e nem a escola do Dao nem a escola de Conf\u00facio representavam as suas divindades ou os seus patronos em est\u00e1tuas. S\u00f3 na dinastia Han (206 a.C.-220 d.C.), depois da introdu\u00e7\u00e3o do budismo,&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":19,"featured_media":1002,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[35],"tags":[],"class_list":["post-1001","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-escultura"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/52-Adorable-Closeup-Of-The-Terracotta-Warriors.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1001","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1001"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1001\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1007,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1001\/revisions\/1007"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1002"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1001"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1001"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1001"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}