{"id":1004,"date":"2025-10-20T00:43:22","date_gmt":"2025-10-19T16:43:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.viadomeio.com\/?p=1004"},"modified":"2025-10-20T00:43:22","modified_gmt":"2025-10-19T16:43:22","slug":"lu-xun-e-a-modernidade-da-china-o-grito-a-dor-a-esperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/10\/20\/lu-xun-e-a-modernidade-da-china-o-grito-a-dor-a-esperanca\/","title":{"rendered":"Lu Xun e a modernidade da China: o grito, a dor, a esperan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>Como nasceu um gigante da literatura<\/b><b><\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\">Em setembro de 1881, na pequena cidade de Shaoxing, no sul da China, nasceu um beb\u00e9 chamado Ah Zhong. Quando o rapaz foi para a escola, era conhecido pelo nome Zhou Zhangshou, que depois foi alterado para Zhou Shuren. Mais tarde, este rapaz viria a ser conhecido como Lu Xun, o gigante liter\u00e1rio da China moderna e agitador que escreveu as seguintes palavras:<\/p>\n<p class=\"p3\">\u201c<i>Pensei: n\u00e3o se pode dizer que a esperan\u00e7a existe, nem que n\u00e3o existe. \u00c9 como as estradas que atravessam a terra. Porque, na verdade, a terra n\u00e3o tinha estradas no in\u00edcio, mas quando muitos homens passam por um caminho, faz-se uma estrada.<\/i>\u201d<\/p>\n<p class=\"p3\">Lu Xun viveu numa \u00e9poca em que os \u00faltimos 3000 anos de gl\u00f3ria din\u00e1stica j\u00e1 estavam enterrados sob ru\u00ednas v\u00e3s. O orgulho da na\u00e7\u00e3o chinesa esmorecia num sonho de \u00f3pio. Mas em vez de acreditar no esquecimento eficaz em posi\u00e7\u00e3o reclinada, Lu Xun, o escritor, escolheu erguer-se na esperan\u00e7a. Para ele, o desespero era t\u00e3o vazio e enganador como a esperan\u00e7a. Ambos eram hipocrisia para Lu Xun. O descontentamento levou-o a preservar a semente do futuro, impedindo que esse mesmo futuro fosse prejudicado por hip\u00f3critas pol\u00edticos e liter\u00e1rios.<\/p>\n<p class=\"p3\">Ansioso por deixar o passado para tr\u00e1s, Lu Xun estava gr\u00e1vido da aurora de uma nova era que o seu instinto criativo pressentia. A literatura era a sua miss\u00e3o auto-imposta. N\u00e3o queria repetir os mesmos erros, utilizando as mentiras elegantes e as certezas falaciosas da tradi\u00e7\u00e3o antiga, e as suas palavras correspondiam \u00e0 sua a\u00e7\u00e3o. As suas letras, radicalmente armadas, defendiam a reforma cultural atrav\u00e9s da auto-reforma: \u201c[&#8230;] um povo incapaz de se reformar tamb\u00e9m n\u00e3o ser\u00e1 capaz de preservar a sua velha cultura.\u201d<\/p>\n<p class=\"p3\">O espelho afiado da sinceridade e da clareza acabou por dar origem ao primeiro modernista da China, que inventou o \u201cFluxo de Consci\u00eancia\u201d &#8211; v\u00e1rios anos antes de Virginia Woolf.<\/p>\n<p class=\"p3\">A vida apresenta escolhas. A escolha inicial de Lu Xun foi medicina. Em 1902, recebeu uma bolsa para estudar no Jap\u00e3o, onde entrou em contacto com um grande n\u00famero de obras filos\u00f3ficas e liter\u00e1rias e come\u00e7ou a pensar na quest\u00e3o da natureza humana e da natureza da na\u00e7\u00e3o. Em 1904, Lu Xun foi formalmente inscrito na Escola de Ci\u00eancias M\u00e9dicas de Sendai (actual Universidade do Nordeste do Jap\u00e3o) para estudar medicina. Um dia, a escola organizou a projec\u00e7\u00e3o de um filme de propaganda sobre a guerra russo-japonesa, em que um chin\u00eas era executado por espionagem a favor dos russos. Lu Xun ficou furioso com a indiferen\u00e7a e a passividade da na\u00e7\u00e3o chinesa. Come\u00e7ou a aperceber-se de que a doen\u00e7a dos chineses n\u00e3o estava no corpo, mas na mente. Tinha de trabalhar em novas ideias.<\/p>\n<p class=\"p3\">Ent\u00e3o o jovem dedicou-se \u00e0 escrita e \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o. N\u00e3o era de estranhar. Desde tenra idade, Lu Xun tinha sido um fervoroso diarista que retratava os seus pensamentos e dores em palavras. Mas agora estava conscientemente \u00e0 procura de uma est\u00e9tica aut\u00eantica que uma na\u00e7\u00e3o moderna necessitava para despertar. Foi uma bela luta que deu origem ao Di\u00e1rio de um Louco &#8211; um grito reprimido que manteve o escritor inteiro. Um rem\u00e9dio de luto que come\u00e7ou a sua l\u00facida cura a partir de dentro, atrav\u00e9s do fluxo impar\u00e1vel e aparentemente desarticulado de palavras que, desde ent\u00e3o, tem sido decifrado, interpretado, traduzido e mantido vivo por leitores e acad\u00e9micos de todo o mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>Porque \u00e9 que o louco (n\u00e3o) enlouqueceu?<\/b><\/span><\/h3>\n<p class=\"p3\">Existem muitas obras sobre \u201ccanibalismo ritual\u201d ao longo da hist\u00f3ria liter\u00e1ria chinesa. O que torna a personagem de Lu Xun t\u00e3o especial?<\/p>\n<p class=\"p3\">Para come\u00e7ar, \u00e9 a primeira vez que a liga\u00e7\u00e3o entre um escritor e a cultura tradicional chinesa \u00e9 escrutinada em estilo \u00edntimo. Lu Xun f\u00ea-lo &#8211; segundo as suas pr\u00f3prias palavras &#8211; para salvar a alma chinesa. \u201cSe dentro de uma casa de ferro, sem janelas e dif\u00edcil de arrombar, encontrarmos muitas pessoas adormecidas, que em breve morrer\u00e3o sufocadas, mas que, no entanto, n\u00e3o sentir\u00e3o qualquer pena de morrer por terem durante muito tempo dormido. Mas agora levantastes a vossa voz e conseguistes despertar alguns dos mais despertos. Fazes com que esta minoria infeliz sofra infinitamente no seu leito de morte sem lhes dar uma cura. Achas que lhes fizeste bem?\u201d Lu Xun escreveu em desespero que, para ele, era t\u00e3o v\u00e3o como a esperan\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"p3\">Lu Xun optou pela literatura para exprimir a sua urg\u00eancia, embora receasse que, mesmo que a f\u00e9rrea tradi\u00e7\u00e3o fosse derrubada, a sua sombra permanentemente continuaria, incapaz de desaparecer, como um fantasma que para sempre ocupa o espa\u00e7o mental chin\u00eas. \u00c9 por isso que o seu louco est\u00e1 a ler linhas escritas entre linhas antigas, canibalizando o futuro da na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p3\">A linguagem do louco parece irregular e ca\u00f3tica. \u00c0 procura de um g\u00e9nero h\u00edbrido que combine fic\u00e7\u00e3o e notas pessoais, o escritor inventou uma po\u00e7\u00e3o m\u00e1gica repleta de profundidade psicol\u00f3gica e drama. Uma nova narrativa nasce quando o louco acorda numa noite de luar. As treze sec\u00e7\u00f5es de mon\u00f3logo interno terminam com uma \u00faltima frase de economia urgente: \u201cSalvem as crian\u00e7as!\u201d<\/p>\n<p class=\"p3\">O louco apela finalmente a todos para que acabem com o canibalismo embelezado, a fim de libertar a gera\u00e7\u00e3o seguinte da vitimiza\u00e7\u00e3o do ciclo vicioso de comer ou ser comido.<\/p>\n<p class=\"p3\">Para o mestre liter\u00e1rio, a montanha-russa de disparates emocionais era a \u00fanica coisa que fazia sentido! Somos sempre loucos quando estamos a fazer algo que mais ningu\u00e9m faz. Tal como o protagonista de Kafka, Gregor Samsa, a riqueza de pensamentos e emo\u00e7\u00f5es do louco eram um hero\u00edsmo aut\u00f3nomo contra a rede familiar fria e corrupta do mundo. Uma declara\u00e7\u00e3o solit\u00e1ria de auto-defesa individual. A dor do louco \u00e9 real e t\u00e3o intensa como uma sombra interna, onde o amor se apagou, como o som dos cascos de um cavalo num pesadelo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>Sofrer a preto e branco\u00a0\u00a0<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\">Ap\u00f3s o decl\u00ednio do movimento Arts and Crafts em Inglaterra e nos Estados Unidos, a Arte Nova ganhava terreno e evolu\u00eda para o Movimento das Artes Decorativas. Na China, o design moderno era ainda uma p\u00e1gina em branco a ser preenchida.<\/p>\n<p class=\"p3\">Em 1912, Lu Xun foi convidado por Cai Yuanpei, o ent\u00e3o ministro da Educa\u00e7\u00e3o, para dirigir o Departamento de Educa\u00e7\u00e3o Social do Minist\u00e9rio. Desde esse ano at\u00e9 1917, dedicou-se \u00e0 c\u00f3pia e compila\u00e7\u00e3o de inscri\u00e7\u00f5es antigas e \u00e0 revis\u00e3o de textos do passado. Todas estas tarefas contribu\u00edram para o seu conhecimento da est\u00e9tica visual. Lu Xun interessou-se cada vez mais pelas belas-artes e pelo design gr\u00e1fico. \u00c9 certo que este interesse do escritor esteva intimamente relacionado com a sua obra liter\u00e1ria.<\/p>\n<p class=\"p3\">Em 1918, dois anos depois de Cai Yuanpei se ter tornado presidente da Universidade de Pequim, Lu Xun sentiu que a universidade precisava de um novo log\u00f3tipo. Cai acreditava que Lu Xun tinha, sem d\u00favida, a vis\u00e3o est\u00e9tica e a capacidade t\u00e9cnica para criar um novo desenho que reflectisse a antiga raiz da caligrafia chinesa e injectasse uma vitalidade orientada para o futuro condicente com uma institui\u00e7\u00e3o moderna. Como resultado, Lu Xun fez jus \u00e0 sua reputa\u00e7\u00e3o ao desenhar o log\u00f3tipo da Universidade de Pequim, que ainda hoje \u00e9 utilizado. Depois disso, foi para ele natural continuar a desenvolver o design gr\u00e1fico moderno.<\/p>\n<p class=\"p3\">A sua vis\u00e3o do design consistia num modernismo arrojado, combinado com ra\u00edzes chinesas. Lu Xun admirava as obras da gravurista alem\u00e3 K\u00e4the Kollwitz, inserindo o seu estilo progressista no contexto chin\u00eas. O design gr\u00e1fico de Lu Xun destacou-se pelo seu alcance criativo, acompanhado pelas suas muitas obras-primas liter\u00e1rias, escritas depois do Di\u00e1rio de um Louco, sendo este conto a primeira fic\u00e7\u00e3o de sempre em chin\u00eas moderno. Simples e conciso, o seu estilo gr\u00e1fico centrava-se na tipografia. Como designer, gostava muito do desenho de tipos de letra e de motivos decorativos a preto e branco e, no desenho de tipos de letra, preferia um estilo caligr\u00e1fico. A fun\u00e7\u00e3o fala e o esquema de cores refor\u00e7a a mensagem transmitida. Actualmente, Lu Xun \u00e9 tamb\u00e9m aclamado como o pai da gravura chinesa moderna, pioneiro em estilos de vanguarda trazidos da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e do Ocidente, como a Bauhaus. Era um sofrimento expresso numa composi\u00e7\u00e3o e disposi\u00e7\u00e3o provocadoras. O sofrimento n\u00e3o como um fardo, mas antes como uma \u00e2ncora, que o mant\u00e9m no lugar como um gigante destacado. O preto e branco como afirma\u00e7\u00e3o do ser, curando e remodelando a rec\u00e9m-encontrada integridade da China moderna.<\/p>\n<p class=\"p3\">A influ\u00eancia da vis\u00e3o est\u00e9tica de Lu Xun &#8211; vermelho extravagante em preto e branco &#8211; perdura at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h3 class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><b>Lu Xun &#8211; <\/b><b>Cronologia<\/b><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>25 de Setembro de 1881<\/b><\/span><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Nasce Zhou Shuren (<span class=\"s2\">\u5468\u6811\u4eba<\/span>), natural de Shaoxing, prov\u00edncia de Zhejiang, China, que mais trade adoptaria o nome de Lu Xun.<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>Inf\u00e2ncia <\/b><\/span>A educa\u00e7\u00e3o inicial de Lu baseia-se nos cl\u00e1ssicos <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Confucianism\">confucianos<\/a>, nos quais estudou poesia, hist\u00f3ria e filosofia. A sua ama conta-lhe hist\u00f3rias de fantasmas e torna-se leitor compulsivo do <i>Cl\u00e1ssico das Montanhas e dos Mares<\/i> (<i>Shan Hai Jing<\/i>).<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>1898<\/b><\/span><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Participa nos exames civis. Estuda na Academia Naval de Jiangnan, que abandonar\u00e1 ao fim de meio ano.<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>1902<\/b><\/span>&#8211; Gradua-se na Escola das Minas e Caminhos-de-ferro, onde aprende ingl\u00eas e alem\u00e3o. Parte para o Jap\u00e3o para estudar medicina. Frequenta uma escola preparat\u00f3ria para estudantes chineses que pretendem estudar no Jap\u00e3o. Corta a tran\u00e7a que os manchus obrigavam todos os chineses a usar.<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>1904<\/b><\/span> &#8211; Ingressa na Academia M\u00e9dica Sendai, onde fica por dois anos.<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>1906<\/b><\/span>&#8211; Termina abrupta e secretamente os seus estudos e abandona a faculdade, sem contar a ningu\u00e9m. Em T\u00f3quio, inscreve-se no Instituto Alem\u00e3o local. Come\u00e7a a ler <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Nietzsche\">Nietzsche<\/a> e escreve v\u00e1rios ensaios durante esse per\u00edodo, influenciados pela sua filosofia. Em Junho, a sua m\u00e3e chama-o \u00e0 China, onde lhe havia arranjado um casamento com uma rapariga chamada Zhu Na, analfabeta e com os p\u00e9s atados. Sem nunca se ter envolvido romanticamente com a sua mulher, toma conta dela durante toda a sua vida. Contudo, parte de novo para o Jap\u00e3o, sem a esposa, poucos dias depois de consumado o casamento.<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>1909<\/b><\/span> \u2013 Regressa \u00e0 China, onde ensina sucessivamente em Hangzhou e Shaoxing.<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>1912<\/b><\/span> &#8211; Ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o de Xinhai, foi membro do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o do Governo Provis\u00f3rio de Nanjing e do Governo de Pequim, bem como Comandante do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, e tamb\u00e9m leccionou na Universidade de Pequim e na Universidade Normal Feminina.<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>1918<\/b><\/span> &#8211; Publicou o primeiro conto da hist\u00f3ria da literatura chinesa moderna, Di\u00e1rio de um Louco, sob o pseud\u00f3nimo de Lu Xun, lan\u00e7ando assim a pedra angular do Movimento da Nova Literatura. Participa nos trabalhos da revista Nova Juventude (Xin Qinnian) e esteve na vanguarda do Movimento da Nova Cultura anti-imperialista e anti-feudal, tornando-se o grande porta-bandeira do Movimento da Nova Cultura do 4 de maio.<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>1918\/1926<\/b><\/span> &#8211; Escreveu e publica Grito, T\u00famulo, Vento Quente, Errante, Erva Selvagem, A Flor da Manh\u00e3 e Colheitas da Noite, A Cole\u00e7\u00e3o de Hua Gai.<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s3\"><b>1921<\/b><\/span><span class=\"s4\"> &#8211; Publica a novela \u201cA Verdadeira Hist\u00f3ria de Ah Q\u201d, que \u00e9 uma das obras mais not\u00e1veis da hist\u00f3ria da literatura chinesa moderna. <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>1925<\/b><\/span> &#8211; Lu inicia o que poder\u00e1 ter sido a sua primeira rela\u00e7\u00e3o amorosa significativa, com uma das suas alunas do Col\u00e9gio Feminino de Pequim, Xu Guangping. Em mar\u00e7o de 1926, houve um protesto estudantil em massa contra a colabora\u00e7\u00e3o do senhor da guerra <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Feng_Yuxiang\">Feng Yuxiang<\/a> com os japoneses. Os protestos degeneraram num <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/March_18_Massacre\">massacre<\/a>, no qual foram mortas duas alunas de Lu do Col\u00e9gio Feminino de Pequim. O apoio p\u00fablico de Lu aos manifestantes obrigou-o a fugir das autoridades locais. Mais tarde, em 1926, quando as tropas dos senhores da guerra de <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Zhang_Zuolin\">Zhang Zuolin<\/a> e <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Wu_Peifu\">Wu Peifu<\/a> tomaram Pequim, Lu deixou o norte da China e fugiu para <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Xiamen\">Xiamen<\/a>.<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>1926<\/b><\/span> \u2013 Ensina na Universidade de Xiamen, mas desilude-se com o ambiente acad\u00e9mico local.<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>1927<\/b><\/span> \u2013 Muda-se para Guangzhou, onde ensina na Universidade Sun Yat-sen. Publica v\u00e1rios poemas e livros e foi professor convidado na <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Whampoa_Academy\">Academia Whampoa<\/a>, onde estabelece contactos com o <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Kuomintang\">Kuomintang<\/a> e o <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Chinese_Communist_Party\">Partido Comunista Chin\u00eas<\/a> atrav\u00e9s dos seus alunos. Ap\u00f3s o <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Shanghai_massacre_of_1927\">massacre de Xangai<\/a>, em abril de 1927, tentou obter a liberta\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios estudantes atrav\u00e9s da universidade, mas n\u00e3o conseguiu. O facto de n\u00e3o ter conseguido salvar os seus estudantes levou-o a demitir-se do seu cargo na universidade e a partir para a <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Shanghai_International_Settlement\">col\u00f3nia internacional de Xangai<\/a> em setembro de 1927. J\u00e1 conhecido como um dos mais influentes literatos da China, Lu foi considerado para o <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Nobel_Prize_in_Literature\">Pr\u00e9mio Nobel da Literatura<\/a>, pelo conto <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/The_True_Story_of_Ah_Q\">A verdadeira hist\u00f3ria de Ah Q<\/a>, apesar de uma tradu\u00e7\u00e3o inglesa deficiente e de anota\u00e7\u00f5es que eram quase o dobro do tamanho do texto. Lu rejeitou a possibilidade de aceitar a nomea\u00e7\u00e3o. Mais tarde, renunciou a escrever fic\u00e7\u00e3o ou poesia em resposta \u00e0 deteriora\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da China e ao seu pr\u00f3prio estado emocional, limitando-se a escrever ensaios.<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>1929<\/b><\/span> &#8211; Xu Guangping d\u00e1 \u00e0 luz um filho, Haiying, a 27 de setembro de 1929. O nome da crian\u00e7a significava simplesmente \u201cbeb\u00e9 de Xangai\u201d. Os pais escolheram o nome pensando que ele pr\u00f3prio o poderia mudar mais tarde, mas ele nunca o fez. Haiying foi o \u00fanico filho de Lu Xun.<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>1930<\/b><\/span> &#8211; Lu Xun adere a organiza\u00e7\u00f5es progressistas como a Alian\u00e7a do Movimento de Liberdade da China, a Uni\u00e3o de Escritores de Esquerda da China e a Liga dos Direitos Civis da China, e participou activamente no movimento liter\u00e1rio revolucion\u00e1rio, apesar da persegui\u00e7\u00e3o do governo do Kuomintang. Ap\u00f3s a dissolu\u00e7\u00e3o da Liga de Esquerda, no in\u00edcio de 1936, participou activamente na frente unida anti-japonesa nos c\u00edrculos liter\u00e1rios e culturais.<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>1931<\/b><\/span> &#8211; Em janeiro, o Kuomintang aprova novas e mais rigorosas leis de censura, permitindo que os escritores que produzissem literatura considerada \u201cperigosa para o p\u00fablico\u201d ou \u201cperturbadora da ordem p\u00fablica\u201d fossem perpetuamente presos ou executados. No final desse m\u00eas, passou \u00e0 clandestinidade. No in\u00edcio de fevereiro, o Kuomintang executou vinte e quatro escritores locais (incluindo cinco que pertenciam \u00e0 Liga) que tinham sido presos ao abrigo desta lei.<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>1934<\/b><\/span> &#8211; Publicou a sua \u00faltima cole\u00e7\u00e3o de contos, Velhas Hist\u00f3rias Recontadas. Lu Xun escreve a maior parte das obras de Novas Hist\u00f3rias e um grande n\u00famero de ensaios diversos. Dirige e apoia grupos liter\u00e1rios progressistas como a \u201cSociedade Desconhecida\u201d e a \u201cSociedade da Flor da Manh\u00e3\u201d; edita peri\u00f3dicos liter\u00e1rios como o \u201cSuplemento do Novo Jornal Nacional\u201d, \u201cMangyuan\u201d, \u201cPengyuan\u201d, \u201cSprout\u201d, \u201cTradu\u00e7\u00f5es\u201d, etc.; traduz obras liter\u00e1rias estrangeiras e introduz pinturas e xilogravuras famosas do pa\u00eds e do estrangeiro; recolhe, investiga e compila uma grande quantidade de literatura cl\u00e1ssica. Compila \u201cUma Breve Hist\u00f3ria do Romance Chin\u00eas\u201d, \u201cUm Esbo\u00e7o da Hist\u00f3ria da Literatura Chinesa\u201d, \u201cUma Cole\u00e7\u00e3o de Lendas das Dinastias Tang e Song\u201d, \u201cNotas sobre Not\u00edcias Antigas de Romances\u201d, etc. Foi tamb\u00e9m membro da Academia Chinesa de Artes e Ci\u00eancias.<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>1935<\/b><\/span> &#8211; Envia um telegrama \u00e0s for\u00e7as do PCC em <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Shaanxi\">Shaanxi<\/a> felicitando-as pela recente conclus\u00e3o da <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Long_March\">Longa Marcha<\/a>.<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>1936<\/b><\/span> &#8211; Desenvolve uma tuberculose cr\u00f3nica e, em mar\u00e7o desse ano, foi acometido de <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Bronchitis\">asma bronqu\u00edtica<\/a> e febre. O tratamento consistiu em drenar 300 gramas de l\u00edquido dos pulm\u00f5es atrav\u00e9s de uma pun\u00e7\u00e3o. De junho a agosto, volta a estar doente e o seu peso desceu para apenas 38 kg. Recuperou um pouco e, no outono, escreveu dois ensaios que reflectiam sobre a mortalidade. Um m\u00eas antes da sua morte, escreveu: \u201cRealizem o funeral rapidamente&#8230; n\u00e3o organizem nenhuma cerim\u00f3nia f\u00fanebre. Esque\u00e7am-me e preocupem-se com a vossa pr\u00f3pria vida &#8211; s\u00e3o uns tolos se n\u00e3o o fizerem\u201d. Relativamente ao seu filho, escreveu: \u201cDe modo algum o deixes tornar-se um escritor ou artista in\u00fatil.\u201d \u00c0s 3h30 da manh\u00e3 do dia 18 de outubro, o acorda com grande dificuldade em respirar. O Dr. Sudo, seu m\u00e9dico, foi chamado e Lu Xun recebeu injec\u00e7\u00f5es para aliviar a dor. A sua mulher acompanhou-o durante toda a noite. Lu Xun morreu \u00e0s 5h11 da manh\u00e3 seguinte, 19 de outubro. Os seus restos mortais de Lu foram enterrados num mausol\u00e9u no <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Lu_Xun_Park_(Shanghai)\">Parque Lu Xun<\/a>, em Xangai. Mais tarde, <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mao_Zedong\">Mao Zedong<\/a> fez uma inscri\u00e7\u00e3o caligr\u00e1fica por cima do seu t\u00famulo.<\/p>\n<p class=\"p1\">O pr\u00e9mio Nobel Kenzaburo Oe descreve Lu Xun como \u201co maior escritor que a \u00c1sia produziu no s\u00e9culo XX\u201d.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] Como nasceu um gigante da literatura Em setembro de 1881, na pequena cidade de Shaoxing, no sul da China, nasceu um beb\u00e9 chamado Ah Zhong. Quando o rapaz foi para a escola, era conhecido pelo nome Zhou Zhangshou, que depois foi alterado para Zhou Shuren. 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