{"id":1013,"date":"2025-10-20T00:51:17","date_gmt":"2025-10-19T16:51:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.viadomeio.com\/?p=1013"},"modified":"2025-10-20T00:51:17","modified_gmt":"2025-10-19T16:51:17","slug":"jardins-da-china","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/10\/20\/jardins-da-china\/","title":{"rendered":"Jardins da China"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p class=\"p1\"><strong>\u00c9 sabido que os grandes jardins de todo o mundo tendem a reflectir diversas concep\u00e7\u00f5es do universo e os jardins chineses n\u00e3o s\u00e3o excep\u00e7\u00e3o. Embora difiram entre si de acordo com a \u00e9poca e o local, abordarei aqui apenas aqueles que s\u00e3o hoje considerados a quintess\u00eancia do que \u00e9 um \u201cjardim chin\u00eas\u201d: os jardins de Suzhou das dinastias Song a Qing e os jardins imperiais das dinastias Ming e Qing de Pequim e Chengde.<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\">Trata-se de jardins cuja concep\u00e7\u00e3o n\u00e3o podia estar mais longe do que, por exemplo, a concep\u00e7\u00e3o dos jardins de estilo franc\u00eas onde a natureza \u00e9 manipulada e constrita de modo a servir uma rigorosa composi\u00e7\u00e3o geom\u00e9trica imposta pela mente humana. Na China, a ordem geom\u00e9trica regular, sim\u00e9trica, previs\u00edvel, na qual predominavam linhas rectas, era reservada para a arquitectura dos edif\u00edcios e o planeamento das cidades, ou seja, para os espa\u00e7os sociais regidos sobretudo por princ\u00edpios confucionistas e onde reinavam rela\u00e7\u00f5es formais e a express\u00e3o pessoal era limitada. De acordo com um antigo dizer chin\u00eas, \u201cquando se faz jardins o melhor \u00e9 ser sinuoso, quando se faz amigos o melhor \u00e9 ser recto\u201d. Nos jardins, as linhas e os caminhos nunca devem ser rectos, mas sinuosos ou em ziguezague, ir subindo e descendo colinas (Fig. 1).<\/p>\n<p class=\"p3\">\u00c0 semelhan\u00e7a da natureza, reina uma desordem e irregularidade deliberadas. Na d\u00e9cada de vinte do s\u00e9culo passado, ao testemunhar o orgulho brit\u00e2nico nos extensos relvados verdes e bem aparados inseridos numa cerca da sua ilha, um visitante chin\u00eas expressou com eloqu\u00eancia a avers\u00e3o que sentia perante tal monotonia e regularidade, comentando que seriam indubitavelmente prazerosos para uma vaca, mas incapazes de seduzir o intelecto de um ser humano.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">O artif\u00edcio n\u00e3o est\u00e1 ausente nos jardins chineses, ou n\u00e3o se trataria de jardins, mas o que se pretende \u00e9 criar uma vers\u00e3o elevada da natureza por meios artificiais. Apresentavam-se como uma s\u00famula refinada da natureza, ou seja, uma conjuga\u00e7\u00e3o aperfei\u00e7oada de natureza e de cultura humana. Isso era conseguido, n\u00e3o contrariando a natureza, n\u00e3o atrav\u00e9s da imposi\u00e7\u00e3o de uma ordem geom\u00e9trica, mental, mas imitando-a na variedade de formas, na surpresa, na altern\u00e2ncia entre animado e inanimado, ao mesmo tempo que introduzindo subtilmente elementos de cultura humana. Um jardim n\u00e3o se dirige s\u00f3 aos sentidos, que deseja despertar ao ofertar toda uma pan\u00f3plia de deleites visuais, olfactivos, sonoros, mas \u00e9 tamb\u00e9m um est\u00edmulo ao intelecto e \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o, uma <i>cosa mentale<\/i>, e isso \u00e9 claramente assumido nos jardins chineses. Os recursos para recriar a natureza eram a \u00e1gua, as colinas, as rochas, a vegeta\u00e7\u00e3o e a horticultura, aos quais acrescentavam elementos arquitect\u00f3nicos, como pontes, galerias, muros, pavilh\u00f5es, introduzindo ainda novas camadas de significado recorrendo \u00e0 pintura, \u00e0 literatura e \u00e0 caligrafia. <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">Era o pensamento tao\u00edsta que preponderava na arte de cria\u00e7\u00e3o de jardins, locais a que o homem se desloca tendo em vista relacionar-se e mergulhar na natureza. \u00c9 certo que as conota\u00e7\u00f5es confucionistas n\u00e3o se encontravam ausentes.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>\u00c9 poss\u00edvel detect\u00e1-las em muitas das designa\u00e7\u00f5es escolhidas para os diversos locais, assim como, por exemplo, na presen\u00e7a de casas de campo com cria\u00e7\u00e3o de galinhas e pomares de pessegueiros em redor. Para Conf\u00facio, a agricultura era a base da sociedade e que o que era simples e antigo, como a frugalidade dos camponeses, possu\u00eda maior grau de virtude.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p5\"><b>Natureza e cultura<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s2\">Ainda de acordo com Conf\u00facio, <\/span><span class=\"s3\">\u77e5\u8005\u6a02\u6c34\uff0c\u4ec1\u8005\u6a02\u5c71<\/span><span class=\"s2\">, ou seja, \u201cquem \u00e9 s\u00e1bio compraz-se com a \u00e1gua; quem \u00e9 virtuoso compraz-se com as montanhas.\u201d A rela\u00e7\u00e3o entre os jardins chineses e as pinturas de paisagem chinesas (<\/span><span class=\"s3\">\u5c71\u6c34<\/span><span class=\"s2\"> <i>shanshui<\/i>, montanha e \u00e1gua) \u00e9 de grande intimidade (Fig. 2). Os jardins podiam mesmo constituir vers\u00f5es reificadas de pinturas de paisagem (<\/span><span class=\"s3\">\u5c71\u6c34<\/span><span class=\"s2\"> shanshui), de poemas ou de passagens liter\u00e1rias. Condensados de natureza, os jardins evocavam muitas vezes, com efeito, as pinturas criadas pelos verdadeiros artistas, aqueles atrav\u00e9s de quem a natureza se manifesta. Um caso conhecido \u00e9 o do imperador Qianlong, que pediu a todos os pintores da corte que elaborassem uma vers\u00e3o da c\u00e9lebre pintura de Zhang Zeduan, \u201cSubindo o rio no Festival Qingming\u201d, da dinastia Song (960 a 1279), para que depois uma das cenas fosse constru\u00edda sob a forma de jardim. Al\u00e9m disso, eram muitas vezes os pintores quem concebia os jardins. Por outro lado, os jardins inspiravam a pintura que, por sua vez, se tornava cobi\u00e7ada pelos propriet\u00e1rios dos jardins. A pintura de jardins atingiu o auge na dinastia Ming (1368-1644) e os propriet\u00e1rios de jardins rivalizavam pela posse das pinturas de jardins de Qiu Ying. Na dinastia Qing (1644-1912), v\u00e1rios jardins foram desenhados por membros da academia imperial de pintura. Assim, a arte dos jardins, a arte da pintura e a arte da poesia reenviavam constantemente umas para as outras.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">Os jardins podiam ainda evocar outros jardins ou paisagens de renome, ou lendas e mitos. Por exemplo, uma das caracter\u00edsticas cl\u00e1ssicas dos jardins \u00e9 apresentarem tr\u00eas ilhas num lago que s\u00e3o uma alus\u00e3o \u00e0s tr\u00eas montanhas sagradas dos mares do leste, Yingzhou, Penglai e Fangzhang.<\/p>\n<p class=\"p3\">Uma caracter\u00edstica dos jardins chineses sem paralelo nos jardins ocidentais \u00e9 s\u00f3 serem considerados terminados quando os diversos cen\u00e1rios, assim como os elementos arquitect\u00f3nicos, tiverem recebido um nome e este tiver sido gravado ou pintado numa bela caligrafia (Figuras 3 e 4). Tamb\u00e9m se gravavam em determinados locais poemas sobre o jardim feitos por visitantes anteriores.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\"><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Pensar num nome apropriado para um local era tarefa de grande import\u00e2ncia atrav\u00e9s da qual o propriet\u00e1rio e amigos aproveitavam para fazer alarde dos seus conhecimentos liter\u00e1rios e da sua capacidade para versejar. Os nomes seleccionados podiam aludir discretamente a paisagens que se tinham visto efectivamente, a outros jardins, ou a composi\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias de renome capazes de despertar as emo\u00e7\u00f5es convenientes para o local, assim como veicular mensagens adequadas de teor est\u00e9tico ou moral. Deste modo, os jardins ofereciam uma experi\u00eancia de deleite n\u00e3o s\u00f3 para os sentidos mas para a mente educada. Por exemplo, no Jardim do Humilde Administrador, em Suzhou, h\u00e1 um pavilh\u00e3o ao lado de uma lagoa com flores de l\u00f3tus que se chama Pavilh\u00e3o Onde se Demorar e Escutar, ideal para o visitante se sentar em sil\u00eancio no outono a escutar a chuva a cair sobre as folhas dos l\u00f3tus. Nessa designa\u00e7\u00e3o ressoa o verso de um poeta da dinastia Tang (618-906), Li Shangyin:<\/span><span class=\"s4\"> \u7559\u5f97\u67af\u8377\u542c\u96e8\u58f0 <\/span><span class=\"s1\"><i>liu de kuhe ting yusheng<\/i> \u201crestam as murchas flores de l\u00f3tus para escutar o som da chuva\u201d, do poema intitulado<\/span><span class=\"s4\">\u300a\u5bbf\u9a86\u6c0f\u4ead\u5bc4\u6000\u5d14\u96cd\u5d14\u886e\u300b<\/span><span class=\"s1\"> (Para os Irm\u00e3os Liu no Pavilh\u00e3o Luo). <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">O imperador Qianlong mandou construir o Jardim do rio Hao Pu no Parque Beihai, em Pequim. \u2018Hao\u2019 era o antigo nome de um rio da prov\u00edncia de Anhui. Foi numa ponte sobre esse rio que ter\u00e1 tido lugar o bem conhecido di\u00e1logo entre dois fil\u00f3sofos do Per\u00edodo dos Reinos Combatentes (475-221 a.C.), Zhuang Zi e Huizi, em que o primeiro comentou: \u201cQue felizes s\u00e3o os peixes do rio!\u2019, ao que Huizi respondeu: \u201cTu n\u00e3o \u00e9s um peixe. Como podes saber se os peixes est\u00e3o felizes ou n\u00e3o?\u201d Zhuangzi respondeu: \u201cTu n\u00e3o \u00e9s eu. Como podes saber se sei ou n\u00e3o que os peixes est\u00e3o felizes?\u201d. Ao escolher a designa\u00e7\u00e3o Hao Pu para o jardim em Beihai, o imperador Qianlong desejava partilhar da felicidade natural e f\u00e1cil dos peixes nos rios. <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s2\">Os jardins deram mesmo origem a v\u00e1rias express\u00f5es e designa\u00e7\u00f5es po\u00e9ticas que se tornaram muito conhecidas. Por exemplo, os caminhos podem serpentear \u201ccomo gatos que brincam\u201d; cinco pavilh\u00f5es juntos assemelham-se \u00e0s \u201cgarras do drag\u00e3o imperial de cinco dedos\u201d; os salgueiros \u201cbaloi\u00e7am como a cintura delgada de uma dan\u00e7arina\u201d; as rochas parecem \u201cduendes e bestas selvagens\u2019; a \u00e1gua \u00e9 onde \u201ca lua lava a sua alma\u201d. Uma abertura circular num muro \u00e9 uma \u201cporta da lua\u201d; pavilh\u00f5es sobre a \u00e1gua s\u00e3o \u201cnavios\u201d; janelas, portas, balaustradas apresentam o padr\u00e3o do \u201cgelo que se parte\u201d.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">No interior de determinados pavilh\u00f5es, como os que estavam reservados ao estudo, \u00e0 habita\u00e7\u00e3o e \u00e0 recep\u00e7\u00e3o de convidados, apreciava-se a presen\u00e7a de objectos que evocavam a \u00e9poca de ouro da antiguidade chinesa, como jades e recipientes de bronze das dinastias Shang (1600-1046 a.C.) e Zhou (1046-256 a.C.). (Fig.5)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p5\"><b>Algumas regras gerais<\/b><b><\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s2\">A primeira obra te\u00f3rica e pr\u00e1tica acerca da concep\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o de jardins surgiu em 1634 pela m\u00e3o de Ji Cheng e intitula-se <\/span><span class=\"s3\">\u56ed\u51b6<\/span><span class=\"s2\"><i>Yuan Ye<\/i> (Projectar Jardins). Ji Cheng adverte que, na concep\u00e7\u00e3o de jardins \u201ch\u00e1 regras gerais mas n\u00e3o h\u00e1 uma f\u00f3rmula fixa\u201d. A regra impl\u00edcita principal consiste em evitar a vulgaridade, <\/span><span class=\"s3\">\u4fd7<\/span><span class=\"s2\"> <i>su<\/i>, e buscar a eleg\u00e2ncia e a sofistica\u00e7\u00e3o, <\/span><span class=\"s3\">\u96c5 <\/span><span class=\"s2\"><i>ya<\/i>. <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">Tr\u00eas princ\u00edpios condutores a ser respeitados eram a variedade, a diversidade e o contraste <i>yinyang<\/i> (claro e escuro, sombras e reflexos, grande e pequeno, duro e macio, etc.). N\u00e3o obstante, na variedade deve subsistir uma ordem, uma ordem que n\u00e3o seja r\u00edgida mas confira uma consist\u00eancia ao todo que n\u00e3o impede uma agrad\u00e1vel imprevisibilidade. Trata-se de todo um jogo subtil de equil\u00edbrios.<\/p>\n<p class=\"p3\">Os jardins devem evitar cansar o olhar, para tanto consistindo numa s\u00e9rie de vistas e recantos o mais diferentes poss\u00edvel, embora interligados entre si de forma harmoniosa: pequenas florestas de bamb\u00fa, pavilh\u00f5es aqu\u00e1ticos, pontes, grutas, uma \u00e1rvore envelhecida, uma aglomera\u00e7\u00e3o de rochas\u2026 O visitante de um jardim chin\u00eas, seja este grande ou pequeno, encontra-se num estado de permanente surpresa (Fig.6).<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s2\">Os caminhos ao ar livre, por entre grande variedade de vegeta\u00e7\u00e3o, de \u00e1rvores e de flores, devem coexistir com caminhos abrigados por corredores que protejam do sol e da chuva (Fig.7). <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">Era frequente incorporar harmoniosamente no jardim a paisagem j\u00e1 existente em redor, o que se designa por <i>jie jing<\/i> <span class=\"s5\">\u501f\u666f<\/span>, ou seja, tomar de empr\u00e9stimo uma paisagem. Causava-se assim a impress\u00e3o de que o que se avistava ao longe fazia parte do jardim, magnificando-o, ainda que este pudesse ser de pequenas dimens\u00f5es.<\/p>\n<h3 class=\"p7\"><b>Alguns elementos<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\">Cen\u00e1rios \u201cmontanhas e \u00e1gua\u201d, <span class=\"s5\">\u5c71\u6c34<\/span> <i>shanshui<\/i>, eram indispens\u00e1veis. As montanhas artificiais, constru\u00eddas de terra, de pedras ou de ambas, j\u00e1 estavam presentes nos jardins desde a dinastia Han (206 a.C.-220 d.C.), mas a no\u00e7\u00e3o de <span class=\"s5\">\u5047\u5c71<\/span> (<i>jiashan<\/i>, montanhas artificiais) s\u00f3 foi cunhada na dinastia Sui (581 to 618 d.C.). As montanhas artificiais representavam o desejo de virtude e sabedoria, al\u00e9m de, em conjunto com cursos de \u00e1gua, emularem o almejado efeito contrastante <i>yinyang<\/i>. A \u00e1gua \u00e9 <i>yin<\/i> e aquieta a mente; as montanhas s\u00e3o <i>yang<\/i> e fortalecem o car\u00e1cter. A \u00e1gua empresta vivacidade ao cen\u00e1rio, as montanhas conferem-lhe eleva\u00e7\u00e3o espiritual. Outro significado das montanhas, muito importante no seio do tao\u00edsmo, \u00e9 serem vistas como moradas dos Imortais, tal como sucede com as grutas.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s2\">De modo a se assemelharem a paisagens naturais, os cursos de \u00e1gua devem apresentar um tra\u00e7ado irregular, fluir e serpentear, desaparecer e reaparecer. De igual modo, os lagos artificiais n\u00e3o devem ser quadrados e regulares, mas sempre de tra\u00e7ado e forma irregulares. Para quebrar a monotonia de uma superf\u00edcie de \u00e1gua de maiores dimens\u00f5es esta deve ser atravessada por pontes de diversos formatos que a divida em \u00e1reas de diferentes tamanhos (Fig.8). <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">A \u00e1gua deve ser transparente de modo a poder espelhar as colinas da paisagem, as \u00e1rvores, o c\u00e9u e as nuvens. Outro artif\u00edcio para dar um toque de vivacidade \u00e0 cena \u00e9 plantar plantas aqu\u00e1ticas mas sem que ocupem a totalidade da superf\u00edcie, ou impediriam o gozo da beleza do reflexo na \u00e1gua dos edif\u00edcios, das \u00e1rvores e da lua.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s2\">As paisagens <i>shanshui<\/i> em miniatura, assim como bonsais (<\/span><span class=\"s3\">\u76c6\u683d<\/span><span class=\"s2\"> <i>penzai<\/i> \u00e9 o termo chin\u00eas; <i>bonsai<\/i> \u00e9 o termo japon\u00eas, mas a origem da arte de cultivar \u00e1rvores em miniatura \u00e9 chinesa), tamb\u00e9m s\u00e3o usados para decorar o jardim (Fig.9). Al\u00e9m de conferirem eleg\u00e2ncia, estes jardins dentro de jardins permitem ao visitante ter uma vis\u00e3o do alto da sua pr\u00f3pria presen\u00e7a no local, ver o grande no pequeno, o <i>yang<\/i> no <i>yin<\/i>.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">As pedras e rochas, que evocam em miniatura as montanhas e simbolizam o poder do Dao, tamb\u00e9m ocupam lugar de destaque nos jardins chineses. S\u00e3o muito comuns nos jardins privados. Pode tratar-se de uma pedra isolada ou de um conjunto delas. Preferiam-se as pedras delgadas e pontiagudas, com brilhos sedutores e contornos extravagantes, esburacadas pelo tempo e pelos elementos, verdadeiras obras de arte esculpidas pela natureza e pela \u00e1gua, em especial as do lago Tai<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>(<i>Taihu<\/i>), no delta do rio Yangtse. As pedras Taihu (<span class=\"s5\">\u592a\u6e56\u77f3<\/span> <i>Taihu shi<\/i>) s\u00e3o de entre todas as mais estranhas e c\u00e9lebres. Como se afirma no <i>Yuan Ye<\/i>: \u201cas rochas devem ter um aspecto selvagem\u201d. Devem ser colocadas em diferentes alturas e n\u00e3o numa fila ordeira. A partir das que se encontram em lugares altaneiros, deve poder avistar-se um belo cen\u00e1rio e a partir das que se encontram em locais mais baixos deve poder-se brincar com a \u00e1gua (Fig.10).<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">A paisagem de pedras ganhou uma nova import\u00e2ncia a partir de um jardim hoje inexistente, o <i>Genyue yuan<\/i>, \u201cO Jardim da Montanha da Estabilidade\u201d, o jardim imperial mais representativo da dinastia Song, mandado construir pelo imperador Huizong em 1117 na capital, Bianliang (Kaifeng). O <i>Genyue yuan<\/i> ostentava rochas provenientes de toda a China, sobretudo pedras Taihu, assim como plantas ex\u00f3ticas. O tamanho de algumas das pedras era tal que, para as conseguir transportar atrav\u00e9s da \u00e1gua do grande canal, houve que destruir todas as pontes entre Hangzhou e Pequim. No centro do jardim erguia-se uma montanha artificial com cem metros de altura, plena de penhascos e ravinas. Representava as cinco montanhas sagradas da China, assim como os caminhos abruptos das montanhas do Sichuan.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">A vegeta\u00e7\u00e3o deve primar pela variedade. Muita dela era escolhida de acordo com o significado simb\u00f3lico. As flores de l\u00f3tus, associadas ao budismo, e os nen\u00fafares, dado florescerem a partir da lama, simbolizam a possibilidade de ascens\u00e3o a partir de come\u00e7os pouco auspiciosos.<\/p>\n<p class=\"p3\">A pe\u00f3nia simboliza a boa-sorte e a prosperidade. Os pinheiro, o bamb\u00fa e as ameixeiras n\u00e3o murcham durante a esta\u00e7\u00e3o fria e s\u00e3o conhecidos como \u201cos tr\u00eas amigos do inverno\u201d. Poderosos e robustos, os pinheiros significam longevidade; rectos e flex\u00edveis, os bamb\u00fas significam integridade; resistentes e vibrantes, as ameixeiras simbolizam perseveran\u00e7a e esperan\u00e7a. O cris\u00e2ntemo, a orqu\u00eddea, a flor de ameixeira e o bamb\u00fa eram considerados os quatro s\u00edmbolos do car\u00e1cter nobre dos antigos letrados chineses. O cris\u00e2ntemo est\u00e1 associado \u00e0 vitalidade e tenacidade e representa uma vida feliz e o desejo de uma reforma tranquila; a orqu\u00eddea representa autenticidade e virtude.<\/p>\n<p class=\"p3\">Os letrados apreciavam acima de tudo o bamb\u00fa. Os jardins privados n\u00e3o o dispensavam. Su Shi, o poeta, pintor e cal\u00edgrafo da dinastia Song, comentou: \u201cn\u00e3o comer carne torna as pessoas magras, mas sem bamb\u00fa as pessoas tornam-se vulgares.\u201d<\/p>\n<p class=\"p3\">No norte da China, as \u00e1rvores que florescem na Primavera, d\u00e3o sombra no Ver\u00e3o e frutos no Outono e figuravam nos jardins eram as pereiras, as rom\u00e3zeiras, as jujubeiras, os pessegueiros, as videiras, as macieiras.<\/p>\n<p class=\"p3\">No sul da China, a escolha era mais diversificada. V\u00eaem-se bananeiras e bamb\u00fas nos jardins, dado permanecerem verdes todo o ano. H\u00e1 ainda os salgueiros para florir na Primavera e o \u00e1cer para colorir o Outono. E os pessegueiros, pinheiros e ciprestes, que verdecem todo o ano mas atingem um novo grau de beleza no Inverno, quando se cobrem de neve. (Fig.11)<\/p>\n<p class=\"p3\">As plantas aqu\u00e1ticas s\u00e3o seleccionadas e conjugadas criteriosamente. As flores de l\u00f3tus costumam ser plantadas em locais onde se avistam de longe enquanto os nen\u00fafares, dado serem menores e mais delicados, s\u00e3o plantados em locais onde se possam contemplar de perto, por exemplo, sob as pontes.<\/p>\n<p class=\"p3\">Quanto aos elementos arquitect\u00f3nicos, estes devem estar integrados de forma harmoniosa entre os elementos naturais. A sua fun\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 tornar-se na atrac\u00e7\u00e3o principal do cen\u00e1rio mas real\u00e7ar a beleza da paisagem em redor, al\u00e9m de contribuir para uma aprecia\u00e7\u00e3o agrad\u00e1vel do jardim, oferecendo sombra e descanso. Terra\u00e7os, portas e pavilh\u00f5es convidam a que se pare e contemple um cen\u00e1rio da forma mais apraz\u00edvel. Servem ainda para bloquear vistas indesej\u00e1veis ou dirigir a vis\u00e3o para determinadas partes da cena, recorrendo-se para tanto a portas lunares, a janelas com treli\u00e7as de padr\u00f5es geom\u00e9tricos ou florais feitas de tijolo ou argila, a vidros com padr\u00f5es nas janelas, a aberturas na parede dos corredores, etc. (Fig.12)<\/p>\n<p class=\"p3\">As portas dos edif\u00edcios e as que d\u00e3o acesso a p\u00e1tios apresentam com frequ\u00eancia uma silhueta oblonga, outras s\u00e3o em c\u00edrculo perfeito, outras podem ter a forma de uma flor de ameixeira, de um ceptro <i>ruyi<\/i> ou de v\u00e1rios tipos de garrafas, conchas, vasos, caba\u00e7as\u2026 (Fig.13)<\/p>\n<p class=\"p3\">Os edif\u00edcios presentes nos jardins diferem das casas de habita\u00e7\u00e3o comuns. E tamb\u00e9m aqui a variedade \u00e9 a norma. V\u00eaem-se sal\u00f5es de recep\u00e7\u00e3o (<span class=\"s5\">\u5802<\/span> <i>tang<\/i>), est\u00fadios (<span class=\"s5\">\u5b85<\/span> <i>zhai<\/i>), bibliotecas, pavilh\u00f5es da entrada (<span class=\"s5\">\u6b47<\/span> <i>xie<\/i>), pavilh\u00f5es abertos e triangulares, galerias, corredores (<span class=\"s5\">\u5eca<\/span> <i>lang<\/i>) palacetes de v\u00e1rios pisos (<span class=\"s5\">\u697c<\/span> <i>lou<\/i>), quiosques (<span class=\"s5\">\u4ead <\/span><i>ting<\/i>)\u2026 O pequeno quiosque <i>ting<\/i> \u00e9 de grande import\u00e2ncia. Dizia-se: \u201cBasta um lugar ter um <i>ting<\/i> para se poder cham\u00e1-lo um jardim\u201d. H\u00e1 edif\u00edcios apropriados para tocar instrumentos musicais, para contemplar uma velha \u00e1rvore, para observar a lua\u2026 (Fig.14)<\/p>\n<p class=\"p3\">O solo por onde se passeia n\u00e3o \u00e9 esquecido. Surge ami\u00fade pavimentado com diversas cores e texturas, com seixos, lascas de pedras ou de tijolos que comp\u00f5em padr\u00f5es geom\u00e9tricos, florais ou animais.<\/p>\n<p class=\"p3\">Um outro elemento arquitect\u00f3nico que enfatiza a simbiose entre natureza e cultura s\u00e3o os <span class=\"s5\">\u6d41\u676f\u4ead <\/span><i>liubeiting<\/i>, os Pavilh\u00f5es para Ta\u00e7as Flutuantes. O mais conceituado cal\u00edgrafo da China, Wang Xizhi (303-361 d.C.) e outros quarenta letrados deslocaram-se um dia at\u00e9 ao Pavilh\u00e3o das Orqu\u00eddeas nos arredores de Shaoxing, no Zhejiang, para um \u201cencontro refinado\u201d (<span class=\"s5\">\u96c5\u96c6 <\/span><i>yaji<\/i>). Sentaram-se ao longo da \u00e1gua corrente dos canais e a\u00ed levaram a cabo um jogo liter\u00e1rio. Depositaram ta\u00e7as de vinho na \u00e1gua e deixaram-nas flutuar rio abaixo. Quando uma ta\u00e7a parava de se mover em frente de um dos letrados, este tinha n\u00e3o s\u00f3 de ingerir o vinho nela contido mas de compor de imediato um poema. O processo repetiu-se at\u00e9 se esgotar o vinho. Posteriormente, os poemas criados nesse dia foram coligidos num volume com um pref\u00e1cio c\u00e9lebre tanto pela qualidade liter\u00e1ria como caligr\u00e1fica, o <span class=\"s5\">\u5170\u4ead\u96c6\u5e8f<\/span>, <i>Lanting Jixu <\/i>(<i>Pref\u00e1cio aos Poemas do Pavilh\u00e3o das Orqu\u00eddeas<\/i>), da autoria de Wang Xizhi (Fig15). Mais tarde, os poemas foram gravados em estelas colocadas no Pavilh\u00e3o das Orqu\u00eddeas. O Pavilh\u00e3o das Orqu\u00eddeas ganhou fama e com ele o seu jogo liter\u00e1rio e os paisagistas de jardins passaram a mandar construir pavilh\u00f5es para ta\u00e7as flutuantes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p5\"><b>Os jardins imperiais<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\">Os jardins imperiais chineses que sobreviveram at\u00e9 hoje \u00e0s vicissitudes da hist\u00f3ria e da natureza n\u00e3o s\u00e3o muito antigos, ou foram constru\u00eddos ou reconstru\u00eddos na \u00faltima dinastia chinesa, a dinastia Qing (1644-1912). Todavia, segundo se depreende a partir de registos hist\u00f3ricos da dinastia Zhou (ca. 1046-256 a.C.), os seus antepassados foram parques muito extensos para lazer e ca\u00e7a mandados construir pela aristocracia da antiguidade. Registos posteriores, da dinastia Han (206 a.C.-220 d.C.), informam acerca de um interesse emergente na posse de plantas e animais raros. A associa\u00e7\u00e3o entre rochas e as montanhas dos Imortais j\u00e1 imperava ent\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p3\">Os primeiros jardins imperiais, isto \u00e9, perten\u00e7a do imperador, t\u00eam origem nos parques de ca\u00e7a da nobreza da antiguidade e serviam ainda como demonstra\u00e7\u00e3o de prest\u00edgio e poder. Foi este um dos prop\u00f3sitos cimeiros do primeiro imperador, Qinshi Huangdi, ao mandar construir o <span class=\"s5\">\u4e0a\u6797<\/span> <i>Shanglin<\/i> (Bosque Supremo), com cento e quarenta edif\u00edcios, montanhas e cursos de \u00e1gua e abrigando colec\u00e7\u00f5es de plantas e animais raros. Com o imperador Han Wudi foram criados os modelos para as composi\u00e7\u00f5es rochosas dos jardins posteriores. As classes superiores da dinastia Han tamb\u00e9m j\u00e1 mandavam construir jardins. Ficaram ent\u00e3o formados os princ\u00edpios b\u00e1sicos, como o par montanha e \u00e1gua, a arquitectura e o c\u00e2none tradicional de \u00e1rvores e plantas.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">Mas a grande \u00e9poca dos jardins imperiais foi a \u00faltima dinastia chinesa, a Qing. O imperador Qianlong, em particular, foi um verdadeiro fou des jardins, chegando mesmo a inventar os parques tem\u00e1ticos. Os projectos dos Qing seguiam de perto o tratado cl\u00e1ssico acerca da arte dos jardins, o <i>Yuan Ye<\/i> de Ji Cheng. E davam \u00eanfase \u00e0 concep\u00e7\u00e3o do jardim como microcosmos do imp\u00e9rio, ao adoptar t\u00e9cnicas de constru\u00e7\u00e3o e cen\u00e1rios provenientes de todo o imp\u00e9rio. Al\u00e9m disso, elementos vindos do Ocidente, requerendo a colabora\u00e7\u00e3o de padres jesu\u00edtas, foram igualmente incorporados em alguns dos jardins.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">Combinando jardins luxuriantes com esplendorosos pal\u00e1cios imperiais, os jardins imperiais eram de uma vastid\u00e3o impressionante, mesmo os de menores dimens\u00f5es. Abarcavam vastos cen\u00e1rios com diferentes caracter\u00edsticas, alguns deles tirando proveito da natureza local, outros criados artificialmente. Dada a vastid\u00e3o, materializavam a concep\u00e7\u00e3o muito chinesa de <span class=\"s5\">\u56ed\u4e2d\u56ed<\/span> <i>yuanzhongyuan<\/i>, \u201cjardins por dentro de jardins\u201d, que se manteve at\u00e9 ao final do s\u00e9c. XIX. Criavam-se complexos de jardins dentro de jardins atrav\u00e9s de divis\u00f3rias como p\u00e1tios, muros ou portas, caminhos empedrados e pontes, que iam bloqueando ou desimpedindo a vis\u00e3o. E, para al\u00e9m dos jardins, espraiavam-se campos para cultivar amoreiras e criar bichos-da-seda.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">Entre as estruturas arquitect\u00f3nicas podiam encontrar-se locais para receber a corte, templos para venerar os antepassados e o Buda, \u00f3peras, plataformas ou pavilh\u00f5es para contemplar espect\u00e1culos de fogo de artif\u00edcio, ruas comerciais, edif\u00edcios para receber h\u00f3spedes e para habita\u00e7\u00e3o, para ler e para entreter, etc. <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">O Pal\u00e1cio de Ver\u00e3o <span class=\"s5\">\u9890\u548c\u56ed <\/span><i>Yiheyuan<\/i>, em Pequim, foi constru\u00eddo em 1750, mas destru\u00eddo em 1860. Foi mandado reconstruir pela imperatriz Cixi. \u00c9 um microcosmos do imp\u00e9rio em duzentos e noventa hectares. Grande parte da inspira\u00e7\u00e3o prov\u00e9m da cidade de Hangzhou e do Lago Oeste, assim como de Suzhou e dos jardins junto ao lago Tai. Ostenta uma c\u00f3pia do Jardim Jichang na montanha Huishan, o Jardim da Alegria Harmoniosa (<i>Xiequ yuan<\/i>). Na \u00e1rea por tr\u00e1s do lago desenrola-se uma rua que imita as ruas comerciais de Suzhou e Nanquim.<\/p>\n<p class=\"p3\">Para al\u00e9m disto, o jardim do Pal\u00e1cio de Ver\u00e3o recorre \u00e0 acima mencionada t\u00e9cnica <i>jie jing<\/i>, pedir de empr\u00e9stimo a paisagem em redor, avistando-se as montanhas do oeste e a colina Yuquan reflectindo-se no lago Kunming. Al\u00e9m disso, este lago apresenta tr\u00eas ilhas artificiais no centro a evocarem Yingzhou, Penglai e Fangzhang.<\/p>\n<p class=\"p3\">A estrutura principal \u00e9 o templo budista da Grande Gratid\u00e3o e da Longevidade, mandado constru\u00eddo para celebrar o anivers\u00e1rio da imperatriz Cixi. Mas o centro do jardim, sobre a mais alta plataforma, \u00e9 ocupado pelo pavilh\u00e3o octogonal <i>Foxiang<\/i> (Pavilh\u00e3o do Incenso de Buda). Entre v\u00e1rios pavilh\u00f5es v\u00eaem-se repuxos de \u00e1gua que foram criados \u00e0 semelhan\u00e7a dos pavilh\u00f5es de Versailles pelo jesu\u00edta Beno\u00eet. No sop\u00e9 sul da colina da Longevidade \u00e9 poss\u00edvel percorrer os setecentos e vinte e oito metros do Grande Corredor e apreciar as suas mais de oito mil pinturas (Fig.16). N\u00e3o muito longe, situam-se obras-primas da engenharia civil, a Ponte do Cintur\u00e3o de Jade (Fig.17) e a Ponte de Dezassete Arcos.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>O Parque Beihai <span class=\"s5\">\u5317\u6d77\u516c\u56ed,<\/span> em Pequim, conta com uma \u00e1rea de mais de sessenta e nove hectares com um lago que cobre mais de metade. Ergue-se sobre o que foi outrora uma \u00e1rea pantanosa com liga\u00e7\u00e3o ao rio Gaoliang. Os governantes da dinastia Jin (1115-1234 d. C.) transformaram o p\u00e2ntano num lago e mandaram construir no centro uma ilha artificial, a Ilha da Flor de Jade, al\u00e9m de ergueram na \u00e1rea o Grande Pal\u00e1cio da Tranquilidade. Os governantes da dinastia mongol Yuan (1279-1368) constru\u00edram a sua capital em redor desse Pal\u00e1cio, mas acrescentaram muralhas, renovaram o lago e renomearam-no Lago Tai Ye.<\/p>\n<p class=\"p3\">Quando decidiram mudar a capital para Pequim em 1421, os governantes Ming (1368-1644), por\u00e9m, instalaram-se numa nova Cidade Proibida. O lago Taiye foi outra vez renovado e acrescentaram-lhe v\u00e1rios elementos artificiais. O Parque Beihai tornou-se no jardim mais importante da cidade. Os Qing acrescentaram muitos elementos arquitect\u00f3nicos e mais \u00e1rea.<\/p>\n<p class=\"p3\">O Parque Beihai combina a grandiosidade dos jardins do norte com o requinte dos jardins do sul e exibe uma conjuga\u00e7\u00e3o perfeita de pal\u00e1cios imperiais e de constru\u00e7\u00f5es religiosas.<\/p>\n<p class=\"p3\">Na Ilha da Flor de Jade ergue-se a sua imagem de marca, o Dagoba Branco de trinta e sete metros de altura. Constru\u00eddo em 1651 no antigo local do Pal\u00e1cio na Lua, foi ali que Kublai Khan recebeu Marco Polo. O Dagoba Branco foi destru\u00eddo por um terremoto e reconstru\u00eddo duas vezes. Actualmente, apoia-se numa base de pedra e serve de miradouro com uma bela vista de todo o cen\u00e1rio.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s6\">Em frente ao Dagoba Branco encontra-se o Templo Yong\u2019an. Cruzando a Ponte Zhishan avista-se o cen\u00e1rio da margem leste onde se encontram v\u00e1rios jardins independentes, como o acima mencionado Jardim do Ribeiro Hao Pu, criado em 1757 pelo imperador Qianlong. Outro destes jardins \u00e9 o Est\u00fadio do Cora\u00e7\u00e3o em Sossego que foi constru\u00eddo na dinastia Ming e ampliado na dinastia Qing. quando membros da realeza ali costumavam descansar ou estudar. Ostenta um jogo de montanha e \u00e1gua, dando a impress\u00e3o de um vale afastado do mundo e dos seus dissabores, com pal\u00e1cios magn\u00edficos, corredores, pavilh\u00f5es, torres, colinas artificiais e rochas e pedras de formas estranhas. A sudoeste do Muro dos Nove Drag\u00f5es encontra-se o Pavilh\u00e3o dos Cinco Drag\u00f5es, na verdade cinco pavilh\u00f5es ligados entre si. <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">No canto sudoeste do Parque avista-se outro jardim independente, a Cidade Circular (Fig.18). Tem uma \u00e1rea de 4500 metros quadrados e est\u00e1 cercado por uma muralha de cinco metros de altura. A constru\u00e7\u00e3o mais importante \u00e9 o Pavilh\u00e3o Chengguang, de forma quadrada e coberto com azulejos amarelos, que abriga uma est\u00e1tua preciosa de Buda de jade branco, proveniente da Birm\u00e2nia. Infelizmente, as for\u00e7as aliadas de oito pot\u00eancias estrangeiras invadiram e ocuparam Pequim em 1900 e saquearam a Cidade Circular, levando consigo v\u00e1rios tesouros e antiguidades.<\/p>\n<p class=\"p3\">O Jardim do Perfeito Esplendor <span class=\"s5\">\u5706\u660e\u56ed<\/span>Yuanmingyuan, tamb\u00e9m conhecido como o Antigo Pal\u00e1cio de Ver\u00e3o, era cinco vezes maior do que a Cidade Proibida. Demorou duzentos anos a ficar completo, a ele se tendo dedicado v\u00e1rios imperadores: Kangxi, Yongzheng, Qianlong, Jiaqing, Daoguang e Xianfeng. As estruturas e cen\u00e1rios mais importantes foram nomeados pelos pr\u00f3prios imperadores.<\/p>\n<p class=\"p3\">Tratava-se de um pal\u00e1cio de Ver\u00e3o constitu\u00eddo por tr\u00eas jardins, o <i>Yuanmingyuan<\/i> (Jardim do Perfeito Esplendor), o <i>Changchunyuan<\/i> (Jardim da Eterna Primavera) e o <i>Qichunyuan<\/i> (Jardim da Deslumbrante Primavera), na verdade extensos parques de lagos e de rios. Mais de cento e vinte locais c\u00e9nicos eram jardins de menores dimens\u00f5es interligados por uma rede de rios e de passagens que se expandiam gradualmente em direc\u00e7\u00e3o ao jardim principal, de tal maneira que dava a impress\u00e3o de se caminhar em diferentes territ\u00f3rios de um espa\u00e7o sem fim. Era por isso conhecido tamb\u00e9m como<span class=\"s5\">\u4e07\u56ed\u4e4b\u56ed<\/span>, \u201co jardim dos (dez mil) jardins\u201d. Havia r\u00e9plicas de seis paisagens do Lago Oeste de Hangzhou, como a Cascata de Jade para Ver os Peixes, o P\u00e1tio dos L\u00f3tus Dan\u00e7antes, a Lua Reflectida nas Tr\u00eas Lagoas, os Sinos Tocando ao Anoitecer em Nanping, a Lua de Outono no Lago Tranquilo e os Papa-figos na Floresta de Salgueiros. Havia ainda r\u00e9plicas do Jardim da Floresta do Le\u00e3o e de uma rua comercial de Suzhou, do jardim Zhan de Nanquim e do Pequeno Lago Oeste em Yangzhou. Havia um museu imperial que abrigava uma colec\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria de artefactos hist\u00f3ricos e art\u00edsticos. E havia um grupo de estruturas no estilo ocidental com elementos chineses na forma e na decora\u00e7\u00e3o, constru\u00eddas no reinado de Qianlong, como as Mans\u00f5es Ocidentais, pal\u00e1cios e jardins no estilo barroco do s\u00e9c. XVIII desenhadas por mission\u00e1rios ocidentais. Este jardim magn\u00edfico foi destru\u00eddo e saqueado por for\u00e7as francesas e inglesas em 1860 e dele apenas restaram ru\u00ednas, entre as quais um labirinto ao estilo ocidental que, devido \u00e0s linhas rectas e \u00e0 aus\u00eancia de cen\u00e1rios para contemplar, desagradava aos chineses.<\/p>\n<p class=\"p3\">O Jardim do Pal\u00e1cio da Longevidade Tranquila (<span class=\"s5\">\u5b81\u5bff\u5bab\u82b1\u56ed<\/span><i>Ningshou gong huayuan<\/i>), \u00e9 um jardim de pequenas dimens\u00f5es no interior da Cidade Proibida, apenas com cento e sessenta metros de comprimento e trinta e sete de largura. Foi projectado e mandado construir pelo Imperador Qianlong na d\u00e9cada de 1770 e, como o nome indica, era um retiro para passar os seus \u00faltimos anos de vida. Constitui uma pequena mas opulenta s\u00famula das t\u00e9cnicas tradicionais de constru\u00e7\u00e3o de jardins e conta com vinte e sete pavilh\u00f5es com interiores decorados, assim como quatro p\u00e1tios, eles pr\u00f3prios com jardins ornamentais, al\u00e9m de grutas e velhas \u00e1rvores. Entre os pavilh\u00f5es encontra-se o <i>Juanqinzhai<\/i> (<span class=\"s5\">\u5026\u52e4\u658b<\/span>), ou Est\u00fadio do Cansa\u00e7o por Servi\u00e7o Diligente, destinado ao gozo dos anos de reforma; um <i>liubei ting<\/i> (Pavilh\u00e3o das Ta\u00e7as Flutuantes) chamado Pavilh\u00e3o da Doa\u00e7\u00e3o de Vinho no Pavilh\u00e3o Xi Shang; e um teatro privado com milhares de pinturas murais <i>trompe l\u2019oeil<\/i> concebidas pelo mission\u00e1rio jesu\u00edta italiano Giuseppe Castiglione e executadas pelo seu assistente, Wang Youxue.<\/p>\n<p class=\"p3\">O parque da Mans\u00e3o na Montanha para Escapar ao Calor (<span class=\"s5\">\u907f\u6691\u5c71\u5e84<\/span> <i>Bishushanzhuang<\/i>), situa-se a duzentos e cinquenta quil\u00f3metros de Pequim, em Chengde, a antiga Jehol dos imperadores Qing, e servia como resid\u00eancia de Ver\u00e3o. A superf\u00edcie aqu\u00e1tica \u00e9 muito vasta e conta com mais de cento e dez edif\u00edcios. A constru\u00e7\u00e3o come\u00e7ou com o imperador Kangxi em1702 e terminou em 1792 com Qianlong. Trata-se do mais extenso jardim imperial da China e \u00e9 uma r\u00e9plica em miniatura do \u201cmundo sob o c\u00e9u\u201d. Combina harmoniosamente paisagens do norte e do sul da China e v\u00e1rias paisagens com pedras, al\u00e9m de ostentar c\u00f3pias de templos chineses, tibetanos e mong\u00f3is. Recorre v\u00e1rias vezes ao jie jing, o empr\u00e9stimo de paisagens em redor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p5\"><b>Os jardins privados<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\">A partir da dinastia Han, os membros das classes altas foram construindo jardins cada vez mais elaborados. Do s\u00e9culo IV d.C. em diante, a literatura e depois a pintura e os livros hist\u00f3ricos mencionam um tipo de jardim de pequenas dimens\u00f5es que pertencia a letrados, considerados um reflexo do seu bom gosto e eleva\u00e7\u00e3o cultural e moral. No sul da China, em especial, o n\u00famero de jardins privados foi aumentado a partir do s\u00e9c. XII. Nas dinastias Ming e Qing, o Jiangnan tornou-se no centro dos jardins privados, devido ao clima temperado e ao solo rico em minerais, em \u00e1gua e em plantas, al\u00e9m de poder contar com uma sociedade rica e pr\u00f3spera.<\/p>\n<p class=\"p3\">Os jardins privados eram propriedade de letrados, oficiais da corte, terratenentes e comerciantes abastados. Os letrados pretendiam gozar de momentos de tranquilidade e socializar com amigos e artistas. Na dinastia mongol Yuan, os letrados Han evitavam exercer empregos oficiais e tamb\u00e9m se tornou mais dif\u00edcil consegui-los. De acordo com o pensamento confucionista, quando n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel servir os outros, h\u00e1 que nos cultivarmos a n\u00f3s pr\u00f3prios de modo a servir os outros melhor numa oportunidade futura. Por outro lado, o tao\u00edsmo advogava a ren\u00fancia aos assuntos mundanos e o regresso \u00e0 natureza. Assim, muitos letrados resolveram dedicar-se ao auto-cultivo e \u00e0s artes, entre elas a arte dos jardins, locais de contempla\u00e7\u00e3o e actividades liter\u00e1rias onde tamb\u00e9m o conv\u00edvio entre amigos era celebrado. Esta tend\u00eancia manteve-se na dinastia Ming, \u00e9poca de grande prosperidade econ\u00f3mica, de alfabetiza\u00e7\u00e3o crescente e de expans\u00e3o da imprensa que tornou poss\u00edvel a emerg\u00eancia de uma nova classe de patronos educados. Na dinastia Ming, os jardins eram t\u00e3o importantes que n\u00e3o era incomum o propriet\u00e1rio identificar-se com o seu jardim, adoptando como apelido ou pseud\u00f3nimo o nome dele ou de um dos seus recantos. Procurava desse modo mostrar quem era e que tipo de valores abra\u00e7ava.<\/p>\n<p class=\"p3\">Cansados de guerras, da pol\u00edtica e dos deveres burocr\u00e1ticos, os oficiais desejavam libertar-se momentaneamente dos seus deveres ao mesmo tempo que afirmavam o seu estatuto na sociedade com a posse de um jardim privado. Por seu turno, os mercadores desejavam com eles ostentar a sua riqueza.<\/p>\n<p class=\"p3\">Constru\u00eddos geralmente nas cidades ou nos seus arredores, os jardins privados eram quase sempre tamb\u00e9m locais de resid\u00eancia, com pavilh\u00f5es para habitar, receber h\u00f3spedes, estudar e entreter. Distinguem-se pela constru\u00e7\u00e3o primorosa e pelo estilo refinado.<\/p>\n<p class=\"p3\">Eivada de influ\u00eancias confucionistas e tao\u00edstas, dominava a constru\u00e7\u00e3o destes jardins a est\u00e9tica dos letrados. Abominava-se a ostenta\u00e7\u00e3o e venerava-se a simplicidade, a eleg\u00e2ncia e a afinidade com a natureza.<\/p>\n<p class=\"p3\">Dada a escala diminuta, os jardins privados requeriam grande engenho e criatividade por parte de quem os concebia. Eram pequenos mas t\u00e3o tortuosos que levavam mais tempo a percorrer do que se suporia e, no final da visita, n\u00e3o se conseguia decifrar o plano e ficava-se com a sensa\u00e7\u00e3o de que muita coisa escapara. Ou seja, criavam um efeito de labirinto sem o parecer, sem nada de um labirinto ocidental.<\/p>\n<p class=\"p3\">Recriavam-se macro cenas po\u00e9ticas em micro-escala e tornava-se imprescind\u00edvel recorrer \u00e0 t\u00e9cnica de <i>jie jing<\/i>, tomar de empr\u00e9stimo a paisagem distante como pano de fundo, de modo a evocar a sensa\u00e7\u00e3o de grandeza. O jardim devia pontilhar-se de locais esconsos, recantos secretos e grutas, \u00fateis no Ver\u00e3o e associadas aos Imortais. Mas desses locais esconsos devia poder-se vislumbrar cen\u00e1rios long\u00ednquos. Uma outra pr\u00e1tica era dividir o espa\u00e7o em segmentos menores, mas sem nunca os separar totalmente, o que permitia o usufruto de uma vista panor\u00e2mica relativamente independente. Utilizavam-se como divis\u00f3rias muros, paredes, corredores, colinas artificiais e \u00e1rvores. Nenhum deles devia ser muito alto e os muros, al\u00e9m de portas, ostentavam com frequ\u00eancia janelas por onde se podia vislumbrar o exterior.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">Era mister praticar o bloqueio de cenas, pois considerava-se de extrema vulgaridade poder abarcar-se o jardim com um todo (Figs. 19 e 20). De modo a preservar o elemento surpresa e dar largas \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o, criando uma experi\u00eancia intensa de expectativa crescente, os diversos cen\u00e1rios deviam encontrar-se parcialmente ocultos e irem-se desdobrando \u00e0 medida que o visitante caminhava. Ocultavam-se parcialmente os edif\u00edcios com trepadeiras ou outra vegeta\u00e7\u00e3o. Era indispens\u00e1vel a presen\u00e7a do ins\u00f3lito e do inesperado e a apar\u00eancia dos pavilh\u00f5es tamb\u00e9m devia variar, podendo ser quadrados, oblongos, circulares, pentagonais, hexagonais, duplamente circulares, etc. <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">Empregavam-se largamente t\u00e9cnicas pict\u00f3ricas na constru\u00e7\u00e3o dos jardins. Dava-se prefer\u00eancia a paredes e muros brancos e a caligrafia e pintura monocrom\u00e1ticas (Fig.21). N\u00e3o se escolhia vermelho vivo e dourado para a pintura de portas e janelas, como se v\u00ea nos jardins imperiais. Nem se usa tinta colorida em colunas e vigas nem telhas de cinco cores. As telhas s\u00e3o achatadas e de cor escura, as vigas castanhas e os tijolos cinzentos. Os bamb\u00fas e demais vegeta\u00e7\u00e3o, cuidadosamente escolhidos pelas suas formas e tons ricos de verde, eram plantados de modo a projectarem sombras escuras nas paredes brancas, num efeito <i>yinyang<\/i>.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">Como \u00e9 do conhecimento geral, Suzhou \u00e9 considerada actualmente a cidade-jardim da China. Todavia, nem sempre assim foi. Suzhou come\u00e7ou a ganhar essa fama apenas no final da dinastia Qing. A cidade-jardim era Yangzhou, mais ao norte, como atesta uma fonte do s\u00e9c. XVIII: \u201cHangzhou \u00e9 famosa pelos seus lagos e colinas, Suzhou \u00e9 famosa pelas suas lojas e mercados, Yangzhou \u00e9 famosa pelos seus jardins\u201d. Considerados superiores ao de Suzhou, os jardins privados de Yangzhou foram, por\u00e9m, destru\u00eddos por guerras na sua maioria. Hoje em dia, s\u00e3o os jardins privados de Suzhou os mais conhecidos e fazem parte do patrim\u00f3nio mundial da UNESCO, entre eles o Jardim do Mestre das Redes (<span class=\"s5\">\u7f51\u5e08\u56ed<\/span> <i>Wangshiyuan<\/i>), da dinastia Song, o Jardim do Humilde Administrador (<span class=\"s5\">\u62d9\u653f\u56ed<\/span><i>Zhuozhengyuan<\/i>), o Jardim Onde Permanecer (<span class=\"s5\">\u7559\u5712<\/span> <i>Liuyuan<\/i>) e o Jardim do Cultivo (<span class=\"s5\">\u827a\u5703<\/span> <i>Yipu<\/i>), da dinastia Ming, o Jardim da Floresta dos Le\u00f5es (<span class=\"s5\">\u72ee\u5b50\u6797\u56ed<\/span><i>Shezi linyuan<\/i>), o Jardim da Mans\u00e3o da Montanha com Beleza Abrangente (<span class=\"s5\">\u73af\u79c0\u5c71\u5e84<\/span> <i>Huanxiu shanzhuang<\/i>), o Jardim do Pavilh\u00e3o da Grande Onda (<span class=\"s5\">\u6ec4\u6d6a\u4ead<\/span> <i>Canglang ting<\/i>), o Jardim do Casal (<span class=\"s5\">\u8026\u56ed<\/span><i>Ouyuan<\/i>) e o Jardim do Retiro e da Reflex\u00e3o (<span class=\"s5\">\u9000\u601d\u56ed<\/span><i>Tuisi yuan<\/i>).<\/p>\n<p class=\"p3\">No norte, todavia, tamb\u00e9m se encontram jardins privados. O maior e mais bem preservado jardim privado do norte situa-se em Pequim e \u00e9 o jardim da Mans\u00e3o do Pr\u00edncipe Gong, (<span class=\"s5\">\u606d\u738b\u5e9c<\/span><i>Gong wang fu<\/i>) (Fig.22). H\u00e1 quem defenda que serviu de modelo para o jardim <span class=\"s5\">\u5927\u89c2\u56ed<\/span><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span><i>Daguanyuan<\/i> (Jardim da Grande Vista), que vem descrito no cap\u00edtulo XVII do c\u00e9lebre romance do s\u00e9c. XVIII, <i>O Sonho do Pavilh\u00e3o Vermelho<\/i>, da autoria de Cao Xueqin. Por sua vez, em 1984 construiu-se no sudoeste de Pequim um jardim em tamanho real de acordo com a descri\u00e7\u00e3o que Cao Xueqin fez no seu romance do <i>Daguanyuan<\/i> e que ostenta o mesmo nome.<\/p>\n<p class=\"p3\">O tema do morcego (<span class=\"s5\">\u8760<\/span><i>fu<\/i> em chin\u00eas \u00e9 palavra hom\u00f3nima de <span class=\"s5\">\u5bcc<\/span><i>fu<\/i>, fortuna, riqueza) \u00e9 omnipresente. H\u00e1 mesmo um lago com a forma de morcego, constru\u00eddo com pedra verde. Em volta do lago plantaram-se ulmeiros que, a dada altura do ano, largam sementes em forma de moedas sobre a \u00e1gua, o que exacerba a atrac\u00e7\u00e3o da fortuna. Por tr\u00e1s de uma pequena lagoa esconde-se a Gruta da Nuvem Secreta, dentro da qual h\u00e1 uma estela com o caracter \u201cfortuna\u201d inscrito pelo imperador Qianlong. Existe um grande palco para \u00f3pera, uma pedra Taihu com cinco metros de altura e um <i>liubeiting<\/i>, o \u201cPavilh\u00e3o das Ta\u00e7as Flutuantes\u201d, com um canal serpenteante de dez cent\u00edmetros de largura (Fig.23). <span class=\"s7\">\u5b8c<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Para ver as imagens do artigo, consulte <a href=\"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/08\/18\/via-do-meio-5-digital\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui a edi\u00e7\u00e3o digital<\/a>.<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s2\"><b>____<\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s2\"><b>Bibliografia<\/b><b><\/b><\/span><\/p>\n<ul>\n<li class=\"p8\"><span class=\"s2\">Clunas, Craig (1996) <i>Fruitful Sites. Garden Culture in Ming Dinasty China<\/i>, Durham:\u00a0Duke University Press<\/span><\/li>\n<li class=\"p8\"><span class=\"s2\">Heseman, Sabine (2000) <i>Ming: tradiciones e innovaciones e La dinastia Qing<\/i>, in Farh-Becker, Gabriele (org.) Arte asi\u00e1tico, Col\u00f3nia: K\u00f6nemann <\/span><\/li>\n<li class=\"p8\"><span class=\"s2\">Keswick, Maggie (1978) <i>The Chinese Garden. History, Art and Architecture<\/i>, Londres: Academy editions<\/span><\/li>\n<li class=\"p8\"><span class=\"s2\">Lou Qingxi (2003) <i>Chinese Gardens<\/i>, Pequim: China Intercontinental Press<\/span><\/li>\n<li class=\"p8\"><span class=\"s2\">Yu Sui, Wei Xun (2011) <i>Chinese Gardens<\/i>, Hong Kong: Design Media Publishing Ltd<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] \u00c9 sabido que os grandes jardins de todo o mundo tendem a reflectir diversas concep\u00e7\u00f5es do universo e os jardins chineses n\u00e3o s\u00e3o excep\u00e7\u00e3o. Embora difiram entre si de acordo com a \u00e9poca e o local, abordarei aqui apenas aqueles que s\u00e3o hoje considerados a quintess\u00eancia do que \u00e9 um \u201cjardim chin\u00eas\u201d: os jardins&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":19,"featured_media":1014,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[36],"tags":[],"class_list":["post-1013","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-homem-e-natureza"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/97-jardins-exp.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1013","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1013"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1013\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1015,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1013\/revisions\/1015"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1014"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1013"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1013"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1013"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}