{"id":1067,"date":"2025-10-20T23:17:46","date_gmt":"2025-10-20T15:17:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.viadomeio.com\/?p=1067"},"modified":"2025-10-20T23:17:46","modified_gmt":"2025-10-20T15:17:46","slug":"o-jade-na-china","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/10\/20\/o-jade-na-china\/","title":{"rendered":"O jade na China"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>O significado <\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\">A<span class=\"s1\">tribui-se ao jade,<\/span> como a tudo quanto \u00e9 importante na China, origens sobrenaturais. Assim, as pe\u00e7as de jade da antiguidade estavam sem excep\u00e7\u00e3o relacionadas com a magia, o poder e o estatuto dos reis-xam\u00e3s e com os rituais e as pr\u00e1ticas funer\u00e1rias que conduziam. Os objectos que um defunto possu\u00edra em vida, assim como os seus servidores e animais de estima\u00e7\u00e3o, eram enterrados juntamente com ele, assim como objectos rituais de jade (Fig. 1).<\/p>\n<p class=\"p5\">A fus\u00e3o de suavidade e dureza do jade, o seu brilho discreto, a frescura, fizeram dele objecto de rever\u00eancia por parte dos chineses desde a antiguidade. Valorizavam-no muito mais do que a prata e o ouro: <span class=\"s2\">\u9ec4\u91d1\u6709\u4ef7\u7389\u65e0\u4ef7<\/span><i>huangjin you jia yu wu jia<\/i>, \u201cO ouro tem pre\u00e7o, o jade n\u00e3o\u201d. Essa rever\u00eancia encontra-se inscrita em express\u00f5es correntes da l\u00edngua chinesa, em in\u00fameros prov\u00e9rbios e nas p\u00e1ginas de obras liter\u00e1rias e de outro teor. Na dinastia Zhou (1046 BC \u2013 256 BC), com Conf\u00facio (nasceu em meados do s\u00e9c. VI a.C.) e os seus seguidores, o jade passou a encarnar os seus valores. No <span class=\"s2\">\u793c\u8bb0<\/span><i>Liji,<\/i> <i>Registo sobre os Ritos<\/i>, atribu\u00eddo a Conf\u00facio, este afirma existirem nove virtudes representadas pelo jade:<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p7\">\u201cOutrora, os homens de m\u00e9rito viam no jade semelhan\u00e7as com todas as virtudes. Suave e lustroso, como a gentileza; fino, compacto e resistente, como a sabedoria; anguloso mas n\u00e3o cortante, como a rectid\u00e3o; curvando as suas contas, como a cortesia; de som claro e prolongado ao toque, como uma nota de m\u00fasica; com defeitos que n\u00e3o eclipsam a beleza e sem uma beleza que eclipse os defeitos, como a lealdade; com luz interior que ilumina em derredor, como a confian\u00e7a; resplandecente qual arco-\u00edris, como o c\u00e9u; misterioso, emergindo em montanhas e rios, como a terra; destacando-se entre as ins\u00edgnias, como a virtude; por todos estimado, como o Dao.\u201d<\/p>\n<p class=\"p9\"><span class=\"s3\">\u592b\u6614\u8005\u541b\u5b50\u6bd4\u5fb7\u4e8e\u7389\u7109\u3002\u6e29\u6da6\u800c\u6cfd\uff0c\u4ec1\u4e5f\uff1b\u7f1c\u5bc6\u4ee5\u6817\uff0c\u77e5\u4e5f\uff1b\u5ec9\u800c\u4e0d\u523f\uff0c\u4e49\u4e5f\uff1b\u5782\u4e4b\u5982\u961f\uff0c\u793c\u4e5f\uff1b\u53e9\u4e4b\u5176\u58f0\u6e05\u8d8a\u4ee5\u957f\uff0c\u5176\u7ec8\u8bce\u7136\uff0c\u4e50\u4e5f\uff1b\u7455\u4e0d\u63a9\u745c\u3001\u745c\u4e0d\u63a9\u7455\uff0c\u5fe0\u4e5f\uff1b\u5b5a\u5c39\u65c1\u8fbe\uff0c\u4fe1\u4e5f\uff1b\u6c14\u5982\u767d\u8679\uff0c\u5929\u4e5f\uff1b\u7cbe\u795e\u89c1\u4e8e\u5c71\u5ddd\uff0c\u5730\u4e5f\uff1b\u572d\u748b\u7279\u8fbe\u3001\u5fb7\u4e5f\u3002\u5929\u4e0b\u83ab\u4e0d\u8d35\u8005\uff0c\u9053\u4e5f\u3002<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p5\">E Xu Zhen, no <span class=\"s2\">\u8aaa\u6587\u89e3\u5b57<\/span>\u00a0<i>Shuowenjiezi<\/i> (s\u00e9c. I d.C.), descreveu o jade de maneira an\u00e1loga:<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p10\">\u201cO jade \u00e9 a mais bela das pedras. \u00c9 dotado das cinco virtudes: brilha sem ofuscar, como a gentileza: transparente, revelando entranhas e nervuras, como a rectid\u00e3o; de som puro e penetrante, como a sabedoria; quebra-se mas n\u00e3o se dobra, como a bravura; afiado mas sem ferir, como a equidade.&#8221;<\/p>\n<p class=\"p9\">\u77f3\u4e4b\u7f8e\u3002\u6709\u4e94\u5fb7\uff1a\u6da6\u6cfd\u4ee5\u6e29\uff0c\u4ec1\u4e4b\u65b9\u4e5f\uff1b\u46a1\u7406\u81ea\u5916\uff0c\u53ef\u4ee5\u77e5\u4e2d\uff0c\u4e49\u4e4b\u65b9\u4e5f\uff1b\u5176\u58f0\u8212\u626c\uff0c\u5c03\u4ee5\u8fdc\u95fb\uff0c\u667a\u4e4b\u65b9\u4e5f\uff1b\u4e0d\u6861\u800c\u6298\uff0c\u52c7\u4e4b\u65b9\u4e5f\uff1b\u9510\u5ec9\u800c\u4e0d\u6280\uff0c\u7d5c\u4e4b\u65b9\u4e5f\u3002<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p5\">O jade \u00e9 ainda apreciado por s\u00f3 atingir o auge da sua beleza e utilidade uma vez trabalhado e os chineses repetem ami\u00fade que <span class=\"s2\">\u7389\u4e0d\u7422\uff0c\u4e0d\u6210\u5668<\/span><i>yu bu cheng, bu cheng qi,<\/i> \u201cSe o jade n\u00e3o for polido, n\u00e3o se torna num objecto\u201d, o que significa que o ser humano s\u00f3 atinge o seu apogeu depois de ter sido educado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>Nefrite e jade\u00edte<\/b><\/h3>\n<p class=\"p4\">De in\u00edcio, existiam reservas de jade<span class=\"s2\">\u7389 <\/span><i>yu<\/i> nos rios do territ\u00f3rio a que hoje se chama China, sob a forma de seixos ou fragmentos de rocha, mas parece terem-se esgotado depressa. No final do Neol\u00edtico (2000 a.C.) o jade passou a ser transportado de Cot\u00e3 e Iarcanda, nos arredores das montanhas Kunlun, resid\u00eancia da m\u00edtica Xi Wangmu, a Rainha-M\u00e3e do Oeste, s\u00edmbolo de imortalidade.<\/p>\n<p class=\"p5\">H\u00e1 que alertar para o facto de que, no Ocidente, o termo jade engloba duas pedras distintas, a nefrite (Fig. 2) e a jade\u00edte (Fig. 3). Apesar de ambas apresentarem dureza e potencial decorativo, n\u00e3o pertencem ao mesmo grupo qu\u00edmico. A nefrite<span class=\"s2\">\u8edf\u7389<\/span> <i>ruanyu<\/i>, silicato de c\u00e1lcio e mangan\u00e9sio, \u00e9 o verdadeiro jade. Trata-se de uma pedra de estrutura densa e fibrosa que ao tacto parece cera. \u00c9 branca mas quantidades diminutas de impurezas logo lhe conferem uma gama ampla de cores, como verde e azul, castanho, vermelho, cinzento, amarelo e preto. Ainda que polida, n\u00e3o se torna excessivamente brilhante. A jade\u00edte<span class=\"s2\">\u7fe1\u7fe0<\/span> <i>feicui<\/i>, silicato de s\u00f3dio e alum\u00ednio, \u00e9 de qualidade inferior e ostenta toda uma diversidade de cores esverdeadas brilhantes. Se for muito polida resplandece como cristal.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>A jade\u00edte permaneceu praticamente desconhecida na China at\u00e9 ao s\u00e9c. XVIII, na dinasta Qing, quando escultores de jade chineses a descobriram no Myanmar. Desde ent\u00e3o popularizou-se na China e foi muito apreciada pelos coleccionadores mundiais do s\u00e9c. XX. Salvo men\u00e7\u00e3o em contr\u00e1rio, \u00e9 \u00e0 nefrite que se refere o termo \u201cjade\u201d neste artigo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>A manufactura <\/b><\/h3>\n<p class=\"p4\">Devido \u00e0 extrema dureza do jade, a t\u00e9cnica de escultura e polimento \u00e9 um processo moroso e dif\u00edcil. O jade \u00e9 t\u00e3o duro que nem o a\u00e7o o consegue cortar. A \u00fanica forma de o trabalhar \u00e9 lixando-o com um material ainda mais duro.<\/p>\n<p class=\"p5\">Come\u00e7ava-se por partir o jade em peda\u00e7os mais pequenos. Era tarefa laboriosa: enquanto um artes\u00e3o utilizava um arco com corda para serrar, um segundo artes\u00e3o vertia constantemente \u00e1gua e areia fina e corrosiva na fissura. A princ\u00edpio, depois de cobrir a superf\u00edcie com um unguento oleoso misturado com um abrasivo em p\u00f3 (provavelmente quartzito), recortava-se o jade manualmente com o aux\u00edlio de um pau de osso ou de bambu. Depois, e at\u00e9 ao s\u00e9c. XV a. C., trabalhou-se o jade com uma ferramenta chamada faca m\u00e1gica, porque ostentava um diamante ou corindo na ponta que era utilizado como broca. A este m\u00e9todo juntou-se posteriormente o movimento rotativo por meio de pedal. Podia demorar meses a serrar um pequeno fragmento de rocha. De seguida, come\u00e7ava-se a lixar a pe\u00e7a com areia com diversos graus de dureza at\u00e9 conseguir a forma desejada. No final, polia-se toda a pe\u00e7a. Mesmo depois da introdu\u00e7\u00e3o da broca e do disco rotativos o trabalho prosseguia muito lentamente. Estas t\u00e9cnicas j\u00e1 estavam todas extraordinariamente aperfei\u00e7oadas no dealbar da Idade do Bronze na China, h\u00e1 mais de 3500 anos, e permaneceram inalteradas at\u00e9 ao s\u00e9c. XX, s\u00f3 ent\u00e3o se recorrendo a ferramentas el\u00e9ctricas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>O Neol\u00edtico<\/b><\/h3>\n<p class=\"p4\">O apogeu do trabalho em jade, de 3400 a 2000 a. C., teve lugar na costa oriental da China, do Liaoning at\u00e9 ao Fujian e configura uma verdadeira Idade do Jade. Datam da cultura Hongshan <span class=\"s2\">\u7ea2\u5c71 <\/span>(3400- 2300 a. C) os objectos de jade mais antigos. H\u00e1 quem defenda que provavelmente j\u00e1 se trabalhava ali o jade h\u00e1 7000 anos. Trata-se sobretudo de amuletos e ornamentos como m\u00e1scaras (Fig. 4), figuras humanoides com rostos inquietantes (Fig. 5), p\u00e1ssaros, insectos, objectos rituais e animais entre o porco e o drag\u00e3o, o <span class=\"s2\">\u732a\u9f99<\/span><i>zhulong<\/i> (Fig.6). O porco era a base da alimenta\u00e7\u00e3o e o drag\u00e3o estava ligado \u00e1 fertilidade e \u00e0 chuva.<\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Das culturas Dawenkou <span class=\"s2\">\u5927\u6c76\u53e3<\/span> (4300-2600 a.C.) e Longshan <span class=\"s2\">\u9f99\u5c71<\/span> (2600-2000\u00a0a.C.) descobriu-se uma grande quantidade de objectos de jade trabalhados com grande beleza, em geral t\u00e3o pequenos que cabem na palma da m\u00e3o. Talhavam armas simb\u00f3licas para os rituais como machados <span class=\"s2\">\u94ba<\/span><i>yue<\/i>, ceptros<span class=\"s2\">\u748b<\/span> <i>zhang<\/i> em forma de meia-lua, facas <span class=\"s2\">\u5200<\/span> <i>dao<\/i>, m\u00e1scaras com tra\u00e7os semi-humanos, p\u00e1ssaros\u2026 E ainda discos <span class=\"s2\">\u74a7<\/span><i>bi<\/i>, entre eles alguns com bordas irregulares<i> <\/i>(Fig. 7), cuja finalidade seria, provavelmente, de car\u00e1cter astrol\u00f3gico-astron\u00f3mico em associa\u00e7\u00e3o com o tubo prism\u00e1tico <span class=\"s2\">\u742e<\/span><i>cong<\/i> cuja cavidade central \u00e9 penetr\u00e1vel do princ\u00edpio ao fim (Fig. 8). Com efeito, o <span class=\"s2\">\u4e66\u7ecf<\/span> <i>Shu Jing, O Cl\u00e1ssico dos Documentos<\/i>, afirma que o <i>bi<\/i> dentado, <span class=\"s2\">\u7259\u74a7<\/span><i>yabi<\/i>, servia para observar constela\u00e7\u00f5es e que podia ser rodado. Quanto \u00e0 perfura\u00e7\u00e3o do <i>cong<\/i> era conseguida desbastando apenas uma das faces, sendo as paredes perfeitamente c\u00f3nicas e polidas.<\/p>\n<p class=\"p5\">Com a cultura Liangzhu <span class=\"s2\">\u826f\u6e1a\u6587\u5316<\/span> (3200- 1800 a.C.) atingiu-se um elevado n\u00edvel t\u00e9cnico e um apurado requinte, embora n\u00e3o existissem ainda ferramentas de metal. O valor simb\u00f3lico associado ao jade tornou-se cada vez maior. Alguns <i>cong<\/i> apresentam grandes dimens\u00f5es (Fig. 9). Encontraram-se <i>cong<\/i> profusamente decorados em t\u00famulos de pessoas abastadas, com motivos de m\u00e1scaras zoom\u00f3rficas e antropom\u00f3rficas estilizadas nas esquinas, verdadeiras obras-primas da arte do jade. Os discos <i>bi<\/i> eram grandes e ostentavam belas cores (Fig.10). Colocava-se toda uma profus\u00e3o de pe\u00e7as de jade sobre os cad\u00e1veres e cobriam-se os mais abastados de entre eles por completo. Tamb\u00e9m se talhava armas simb\u00f3licas para os rituais, como os machados <i>yue<\/i>, os ceptros <i>zhang<\/i> e as facas <i>dao, <\/i>as l\u00e2minas<span class=\"s2\">\u572d<\/span> <i>gui, <\/i>assim como ins\u00edgnias e diversos ornamentos (Fig.11). Um motivo recorrente \u00e9 uma figura de grande boca e grandes orelhas, por vezes com olhos protuberantes. Nem o porco-drag\u00e3o nem o drag\u00e3o faziam parte da iconografia de Liangzhu.<\/p>\n<p class=\"p5\">Shijiahe<span class=\"s2\">\u77f3\u5bb6\u6cb3<\/span> (2500-2000 a.C.) foi o maior assentamento pr\u00e9-hist\u00f3rico e o de maior dura\u00e7\u00e3o do curso m\u00e9dio do rio Changjiang (Yangtze ou Iansequi\u00e3o). As ru\u00ednas da antiga cidade de Tanjialing datam de h\u00e1 5300 anos, sendo considerada a maior cidade pr\u00e9-hist\u00f3rica da China. Trata-se da primeira cultura no sul da China onde foram encontrados objectos de cobre. Constru\u00edam urnas funer\u00e1rias para os mortos e nelas colocavam artefactos de jade. A tecnologia de fabrico de jade de Shijiahe, que era distinta das demais, atingiu o n\u00edvel mais alto da China pr\u00e9-hist\u00f3rica ou mesmo da \u00c1sia oriental. Tra\u00e7avam padr\u00f5es em relevo na superf\u00edcie do jade que eram conseguidos por raspagem consecutiva ou desgaste do fundo entre as linhas paralelas entalhadas e n\u00e3o cinzeladas. De seguida, esfregavam e poliam o jade de modo a criar efeitos tridimensionais. Todo o processo requeria grande delicadeza. Talhavam ornamentos em forma de drag\u00e3o, tigres e p\u00e1ssaros (Fig.12), ganchos, an\u00e9is, figuras humanas (Fig. 13), cigarras,<i> bi <\/i>e<i> cong,<\/i> Esta cultura exerceu grande influ\u00eancia sobre o jade da dinastia Shang.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b><i>Bi <\/i><\/b><b>e<\/b><b><i> cong<\/i><\/b><\/h3>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s3\">Tanto o <i>bi<\/i> como o <i>cong<\/i> s\u00e3o objectos cujo significado permanece at\u00e9 hoje misterioso, dado a sua forma n\u00e3o se assemelhar a qualquer objecto de uso quotidiano. Wu Dacheng <\/span><span class=\"s4\">\u5434\u5927\u6f82<\/span><span class=\"s3\"> (1835\u20131902 d.C.), estadista, estudioso e coleccionador de antiguidades chinesas, principalmente jades, foi um dos primeiros a tentar decifrar o uso e o significado dos jades arcaicos como o <i>bi<\/i>, o <i>cong <\/i>e o<\/span><span class=\"s4\">\u749c<\/span><span class=\"s3\"><i> huang<\/i>. Em 1889, publicou as suas descobertas e conjecturas numa obra c\u00e9lebre, o <\/span><span class=\"s4\">\u53e4\u7389\u56fe\u8003<\/span><span class=\"s3\"><i>Guyu tukao<\/i>, em dois volumes e com ilustra\u00e7\u00f5es de 245 jades em xilogravura da autoria de um seu irm\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s3\">De acordo com o <\/span><span class=\"s4\">\u8bf4\u6587\u89e3\u5b57<\/span><span class=\"s3\"> <i>Shuowenjiezi<\/i>, os <i>bi<\/i> eram an\u00e9is circulares auspiciosos, com o disco apresentando o dobro do tamanho da cavidade central. A forma circular simbolizaria o c\u00e9u. Os <i>bi<\/i> come\u00e7aram por ser simples e sem decora\u00e7\u00e3o e assim se mantiveram at\u00e9 ao Per\u00edodo dos Reinos Combatentes da dinastia Zhou, quando o jade perdeu o seu significado ritual. Tal como o <i>cong<\/i>, encontram-se em t\u00famulos imperiais e de defuntos de estatuto elevado. <\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">O <i>cong<\/i> apresenta uma forma exterior c\u00fabica e uma forma interna circular. Assemelha-se a um tubo com cavidade central totalmente penetr\u00e1vel. Essa cavidade central era geralmente feita perfurando as duas extremidades \u00e0 vez at\u00e9 se encontrarem a meio. S\u00edmbolo de poder e autoridade, os <i>cong <\/i>eram utilizados nas cerim\u00f3nias rituais como instrumento de comunica\u00e7\u00e3o entre o c\u00e9u e a terra. S\u00f3 foram encontrados em t\u00famulos de pessoas do sexo masculino, tanto adultos como crian\u00e7as. Tal como os discos <i>bi<\/i>, eram em geral desprovidos de qualquer decora\u00e7\u00e3o durante todo o Neol\u00edtico. Depois surgiram decora\u00e7\u00f5es em relevo com rostos de animais no exterior, por exemplo drag\u00f5es. Tal como sucedia com os <i>bi<\/i>, tamb\u00e9m se talhavam <i>cong<\/i> em pedra.<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s3\">De entre toda a pan\u00f3plia de objectos funer\u00e1rios, apenas os objectos de jade serviam para adornar o cad\u00e1ver. Eram colocados em cada um dos pontos cardeais, de modo a afastar as for\u00e7as mal\u00e9ficas do universo. Sobre o peito um <i>bi<\/i>, \u00e0 direita uma l\u00e2mina <i>gui<\/i>, aos p\u00e9s um semi-c\u00edrculo <i>huang<\/i>, sobre a cabe\u00e7a um ceptro <i>zhang<\/i>. Na boca colocava-se um <i>han<\/i> em forma de cigarra, s\u00edmbolo de uma nova vida. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>Sanxingdui (1700-1150\u00a0a.C.)<\/b><\/h3>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s5\">O primeiro contacto moderno com a cultura <\/span><span class=\"s6\">\u4e09\u661f\u5806<\/span><span class=\"s5\">Sanxingdui teve lugar em 1929 quando se encontraram artefactos de jade em Yueliangwan (\u201cCurva da Lua\u201d), na margem sul do rio Yazi, na plan\u00edcie de Chengdu, no Sichuan. A verdadeira escala das suas ru\u00ednas, por\u00e9m, s\u00f3 foi entendida em 1986, quando arque\u00f3logos descobriram milhares de artefactos de ouro, jade, bronze e cer\u00e2mica na cova sacrificial n\u00ba 1 descoberta a 18 de Julho e na cova sacrificial n\u00ba 2 descoberta a 14 de agosto. Mais de dez machados e tabuletas de jade viram a luz do sol. Nos dias 25 e 26 de Julho, acharam-se alguns punhais de bronze. Ap\u00f3s duas semanas de escava\u00e7\u00e3o, o trabalho ficou conclu\u00eddo, tendo sido desenterradas mais de quatrocentas pe\u00e7as, cada uma delas de valor inestim\u00e1vel: jades, bronzes, ouro, marfins, cer\u00e2micas, conchas\u2026\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s5\">Os jades encontrados em Sanxingdui tamb\u00e9m parecem estar relacionados com os seis tipos conhecidos de jades rituais associados a um ponto cardeal e ao c\u00e9u e \u00e0 terra, como os ceptros bifurcados <i>zhang<\/i> (Fig. 14), os cinzeis <i>zao<\/i>, as adagas <\/span><span class=\"s6\">\u6208<\/span><span class=\"s5\"><i>ge<\/i>, os discos <i>bi<\/i> (Fig 15) e os tubos <i>cong<\/i>. Estes jades rituais assemelham-se formalmente aos das dinastias Shang e Zhou. Descobriram-se, por\u00e9m, tamb\u00e9m muitas cabe\u00e7as de jade com olhos protuberantes e orelhas pontiagudas (Fig. 16) que exibem uma iconografia \u00edmpar. Algumas cabe\u00e7as de jade ostentam um dispositivo c\u00fabico rectangular semelhante a uma antena cujo significado \u00e9 desconhecido, assim como inscri\u00e7\u00f5es hoje indecifr\u00e1veis. Em Sanxingdui o jade tamb\u00e9m servia para fabricar pe\u00e7as de prest\u00edgio para as elites. Mas, curiosamente, metade deles apresenta superf\u00edcies pretas e brancas e com uma textura \u00e1spera de baixa transpar\u00eancia. Suspeita-se que o ritual implicava a queima das pe\u00e7as, embora continue a ser problem\u00e1tico interpretar a sua conota\u00e7\u00e3o cultural, dada a actual escassez de dados acerca desta cultura.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p4\"><b>Dinastia Shang (1766- 1046 a.C.)<\/b><\/h3>\n<p class=\"p4\">Na dinastia Shang,\u00a0os jades apresentavam ami\u00fade formas e decora\u00e7\u00f5es que estavam presentes nos vasos rituais em bronze. Por vezes combinava-se at\u00e9 ambos os materiais, criando-se flechas de bronze com ponta de jade e adagas <i>ge<\/i> com l\u00e2mina de jade e punhal de bronze (Fig. 17). Talhavam-se figuras de animais como peixes e tartarugas, figuras humanas, discos <i>bi<\/i>. Contudo, muitas pe\u00e7as da fase inicial da dinastia Shang, conhecida como fase de Zhengzhou, apresentam uma apar\u00eancia fruste, com formas toscas e confec\u00e7\u00e3o negligente, sobretudo quando comparadas com as do Neol\u00edtico. Os rituais funer\u00e1rios tornaram-se muito complexos, com grande n\u00famero de sacrif\u00edcios de animais e de pessoas. Dado se dispor ent\u00e3o de vasos rituais de bronze, talvez se tivesse conclu\u00eddo que n\u00e3o valia a pena despender tanto tempo na elabora\u00e7\u00e3o de pe\u00e7as de jade.<\/p>\n<p class=\"p5\">Os jades da fase posterior da dinastia Shang, conhecida como a fase Anyang, s\u00e3o incomparavelmente mais belos e variados. Talhavam-se placas planas em forma de p\u00e1ssaros e de outras criaturas, perfuradas nas extremidades para servirem de enfeite de roupa ou de pingentes (Figs. 18 e 19), peixes, bichos-da-seda e tigres, al\u00e9m de <i>bi, cong <\/i>e<i> <\/i>outros objectos rituais. Todavia, tanto a fun\u00e7\u00e3o ritual do <i>bi<\/i> como do <i>cong<\/i> foi sendo substitu\u00edda pelo bronze. Mais de metade dos que foram encontrados no c\u00e9lebre t\u00famulo da princesa <span class=\"s2\">\u5987\u597d<\/span> Fu Hao, consorte do rei <span class=\"s2\">\u6b66\u4e01<\/span>Wu Ding da dinastia Shang, suma-sacerdotisa e general, desempenhavam uma fun\u00e7\u00e3o meramente decorativa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>Dinastia Zhou (1046-256 a. C.)<\/b><\/h3>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s7\">Na dinastia Zhou Ocidental, o pensador Zhou Gongdan <\/span><span class=\"s8\">\u5468\u516c\u65e6<\/span><span class=\"s7\">escreveu acerca dos Seis Objectos Rituais de Jade no<\/span><span class=\"s8\">\u5468\u793c<\/span><span class=\"s7\"> <i>Zhouli, Os Ritos dos Zhou<\/i>: \u201cOs seis objectos de jade servem para prestar homenagem \u00e0s quatro direc\u00e7\u00f5es e ao c\u00e9u e \u00e0 terra: o <i>bi<\/i> azul serve para prestar homenagem ao c\u00e9u; o <i>cong<\/i> amarelo serve para prestar homenagem \u00e0 terra; o <i>gui <\/i>verde serve para prestar homenagem ao leste; o <i>zhang<\/i> vermelho serve para prestar homenagem ao sul; o <i>hu<\/i> branco serve para prestar homenagem ao oeste; o <i>huang<\/i> negro serve para prestar homenagem ao norte&#8230;\u201d \u201c<\/span><span class=\"s8\">\u4ee5\u7389\u4f5c\u516d\u5668\uff0c\u4ee5\u793c\u5929\u5730\u56db\u65b9\uff0c\u4ee5\u82cd\u58c1\u793c\u5929\uff0c\u4ee5\u9ec4\u742e\u793c\u5730\uff0c\u4ee5\u9752\u572d\u793c\u4e1c\u65b9\uff0c\u4ee5\u8d64\u748b\u793c\u5357\u65b9\uff0c\u4ee5\u767d\u7425\u793c\u897f\u65b9\uff0c\u4ee5\u7384\u749c\u793c\u5317\u65b9<\/span><span class=\"s7\">\u2026\u2026\u201dDeste modo, estes Seis Objectos Rituais de Jade representavam o c\u00e9u, a terra e as quatro dire\u00e7\u00f5es. O <i>gui<\/i> \u00e9 uma placa longa plana com a extremidade inferior rectil\u00ednea e a extremidade superior triangular. Existem mais de dez tipos de <i>gui<\/i>, cada qual com caracter\u00edsticas pr\u00f3prias. O <i>zhang<\/i> apresenta um formato rectangular plano com uma l\u00e2mina bifurcada numa extremidade e com uma perfura\u00e7\u00e3o na outra. As formas do <i>huang<\/i> variam, por exemplo, a de uma folha semicircular ou de um arco. O <i>hu <\/i>apresenta uma forma mais realista, menos geom\u00e9trica, uma forma de tigre. Fazia parte dos Seis Objectos Rituais de Jade porque o tigre branco simbolizava o oeste.<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">Na dinastia Zhou teve lugar um grande desenvolvimento no trabalho do jade e talhou-se uma enorme variedade de pe\u00e7as com grande mestria t\u00e9cnica. <b> <\/b>Datam do in\u00edcio da dinastia umas pequenas l\u00e2minas muito finas e lisas com decora\u00e7\u00e3o cuidadosamente talhada e que revelam um cuidado extremoso no polimento. A decora\u00e7\u00e3o \u00e9 assaz complexa, com motivos entrela\u00e7ados que lembram girinos, pontos de relevo, ornamentos em forma de C e figuras estilizadas de drag\u00f5es e de outros animais (Fig. 20), presentes tamb\u00e9m no trabalho em bronze.<\/p>\n<p class=\"p5\">Continuou-se a colocar jades sobre os cad\u00e1veres nas sepulturas. Selavam-se os orif\u00edcios do corpo com plaquetas de jade, enquanto uma placa com formato de cigarra era colocada na boca. Na dinastia Zhou Ocidental cobriam-se os defuntos com m\u00e1scaras faciais cujas pe\u00e7as de jade eram cosidas sobre uma tela de seda (Fig. 21); e ainda os enfeitavam com peitorais compostos por v\u00e1rios elementos que eram atados de modo a formar um colar que pendia desde o pesco\u00e7o at\u00e9 aos joelhos (Fig. 22). Esses peitorais tinham sido usados em vida como distintivos sociais.<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s5\">Atingiu-se o auge do trabalho em jade no Per\u00edodo dos Reinos Combatentes (476-221 a.C.), quando se talharam pe\u00e7as que se distinguem por formas sofisticadas e superf\u00edcies cuidadosamente trabalhadas e decoradas, frequentemente com drag\u00f5es (Fig. 23) e tigres, al\u00e9m de emitirem um brilho sedoso. Surgiu tamb\u00e9m um contorno em relevo a rodear a totalidade ou parte das pe\u00e7as que se assemelha a uma moldura. Conhecem-se placas em forma de drag\u00f5es, tigres, p\u00e1ssaros e peixes cujo tratamento de superf\u00edcie, como espirais e volutas gravadas, \u00e9 primoroso. A decora\u00e7\u00e3o dos cabos das adagas e dos encaixes das espadas era igualmente intrincada e apresentava por vezes um motivo geom\u00e9trico reminiscente do <\/span><span class=\"s6\">\u9955\u992e <\/span><span class=\"s5\"><i>taotie<\/i>, uma m\u00e1scara estilizada e inquietante que surgia ami\u00fade nos bronzes rituais. Os jades deste per\u00edodo contam-se entre os melhores da hist\u00f3ria da China e \u00e9 poss\u00edvel que dispusessem da broca de ferro e do disco de corte.<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s9\">Raros <i>bi<\/i> deste per\u00edodo eram lisos, sendo antes decorados com uma fileira de espirais salientes que formava um padr\u00e3o conhecido como \u201cpadr\u00e3o dos gr\u00e3os\u201d, por vezes confinados ao interior de uma moldura externa (Fig. 24). <\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">No final da dinastia, o jade ficou cada vez menos associado a rituais m\u00e1gico-religiosos, ao mesmo tempo que o seu uso se tornava mundano e ornamental, tend\u00eancia que se afirmou plenamente na dinastia Han. Passou a ser usado nos acess\u00f3rios para espadas, em ganchos de cabelo, pingentes, alfinetes de roupa, etc.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>Dinastia Han (206 a.C.-220 d.C.)<\/b><\/h3>\n<p class=\"p4\">A dinastia Han p\u00f5e fim \u00e0 cultura dos objectos de jade destinados ao t\u00famulo, como os <i>bi<\/i> e os <i>cong<\/i>. O jade passou a ser cada vez mais utilizado na produ\u00e7\u00e3o de artigos de luxo, como copos, animais fant\u00e1sticos e ornamentos como guarni\u00e7\u00f5es para espadas, fivelas de cintura, adornos para o cabelo, pulseiras, pingentes, etc., que eram decorados muitas vezes com drag\u00f5es, motivo muito popular nesta dinastia (Fig. 25).<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s5\">Muitas das pe\u00e7as eram feitas de jade negro e suspeita-se que se descobriu ent\u00e3o uma fonte dele em Cot\u00e3o (Khotan). Muitas das figuras de animais j\u00e1 n\u00e3o se reduziam a silhuetas planas mas eram verdadeiras esculturas pequenas e arredondadas (Fig. 26). Algumas, por\u00e9m, apresentavam dimens\u00f5es consider\u00e1veis, como sucede com a extraordin\u00e1ria cabe\u00e7a de cavalo de jade que se encontra hoje no Museu Victoria and Albert, em Londres (Fig. 27). Raramente se representava a figura humana mas h\u00e1 excep\u00e7\u00f5es, como pendentes com um \u201canci\u00e3o com barba\u201d extremamente estilizado que pode ser visto, por exemplo, na colec\u00e7\u00e3o do Museum of East Asian Art, em Bath, no Reino Unido. Talvez se tratasse de um amuleto ou talism\u00e3 que se prendia \u00e0 roupa com um cord\u00e3o e que simbolizava a longevidade. Com efeito, na maior parte dessas pe\u00e7as encontra-se orif\u00edcios em forma de Y invertido para enfiar um cord\u00e3o desde o topo da cabe\u00e7a at\u00e9 ao final das mangas da indument\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s7\">Existia ent\u00e3o a cren\u00e7a de que o jade podia evitar a decomposi\u00e7\u00e3o dos cad\u00e1veres. Assim, continuava a colocar-se placas em forma de cigarra sobre a sua boca (Fig. 28) e em forma de porco nas m\u00e3os e nos demais orif\u00edcios corporais. Pertencem ainda a esta dinastia os c\u00e9lebres <\/span><span class=\"s8\">\u7389\u8863<\/span><span class=\"s7\"><i>yuyi<\/i>, os fatos de jade, destinados apenas aos imperadores ou a quem eles decidissem ofert\u00e1-los (Fig. 29). Trata-se de fatos que cobriam a totalidade do cad\u00e1ver sem excep\u00e7\u00e3o e que eram confeccionados com pequenas l\u00e2minas de jade atadas com fios de seda ou de metal. Calcula-se que um fato de jade demorasse cerca de uma dezena de anos a ser conclu\u00eddo, mas foram confeccionados at\u00e9 ao final da dinastia. Conhecem-se actualmente cerca de quarenta fatos de jade, sendo considerados os mais belos o de Mancheng, no Hebei, e o do rei de Nanyue, em Guangdong.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>Dinastias posteriores<\/b><\/h3>\n<p class=\"p4\">Depois da dinastia Han, o uso do jade reduziu-se muito e este tornou-se, mais do que nunca, objecto de colec\u00e7\u00e3o e aprecia\u00e7\u00e3o est\u00e9tica. \u00c9 prov\u00e1vel que a introdu\u00e7\u00e3o do budismo na China da dinastia Han, vindo da \u00cdndia, tenha desempenhado um papel na perda do significado m\u00e1gico-religioso do jade nas dinastias que se seguiram, pois n\u00e3o fazia parte dos rituais budistas. H\u00e1 ainda a considerar a prov\u00e1vel escassez do material, devido a tratar-se de uma era de conflitos e de tumultos. Todavia, o fasc\u00ednio pelo jade n\u00e3o diminuiu e era ele o material adequado para ofertas importantes e grandes homenagens, para as ins\u00edgnias de m\u00e9rito e para os carimbos do estado imperial.<\/p>\n<p class=\"p5\">Da dinastia Song (960-1279 d.C.) em diante, um grande n\u00famero de letrados tornou-se apreciador e comprador de pequenos objectos de jade, tal como suportes e descansos para pinc\u00e9is, assim como de ornamentos para oferecer a amigos em ocasi\u00f5es especiais.<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s5\">Na dinastia Qing (1644-1912 d.C.), havia abund\u00e2ncia de nefrite e atingiu-se o z\u00e9nite do virtuosismo t\u00e9cnico. Os formatos das pe\u00e7as de jade eram mais variados, luxuosos e extravagantes do que nunca: animais reais e m\u00edticos, figuras humanas e personagens m\u00edticas, vegetais, os quatro tesouros do est\u00fadio do letrado, almofadas\u2026 Talhavam-se na perfei\u00e7\u00e3o jades de grande complexidade formal e com decora\u00e7\u00f5es densas e melindrosas. O gosto arcaizante herdado da dinastia anterior Ming desenvolveu-se e criaram-se muitas vers\u00f5es em jade das formas dos bronzes rituais das dinastias Shang e Zhou (Figs. 31 e 32), assim como das formas cer\u00e2micas de dinastias anteriores. A jade\u00edte come\u00e7ou a ser importada a partir do final do s\u00e9c. XVIII e, dado ser brilhante e lisa, passou a ser preferida na confec\u00e7\u00e3o de j\u00f3ias e de v\u00e1rios recipientes de uso quotidiano.<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">Ainda hoje se trabalha magistralmente o jade na China e existem tanto artistas que se especializam no repert\u00f3rio de formas recebidas do passado como artistas de gosto mais contempor\u00e2neo. Em Xangai, sobretudo, novas formas e t\u00e9cnicas in\u00e9ditas t\u00eam vindo a ser exploradas, convivendo lado-a-lado e em harmonia com as formas e as t\u00e9cnicas do passado. A China continua a contar, assim, com artistas do jade de primeir\u00edssima \u00e1gua, entre eles Yang Xi, Zhai Yiwei, Wang Dehai, Tang Shuai, Yang Guang, Ma Hongwei, Huang Fushou, Ma Rui e Ma Xuewu e Su Jiefeng.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Para ver as imagens do artigo, consulte <a href=\"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/08\/18\/via-do-meio-6-digital\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui a edi\u00e7\u00e3o digital<\/a>.<\/strong><\/p>\n<p class=\"p4\"><b>___<\/b><\/p>\n<p class=\"p4\"><b>Bibliografia<\/b><\/p>\n<ul>\n<li class=\"p13\">Childs-Johnson, E. (2020) The Jade Age Revisited, ca. 3500-2000 bce, <i>The Oxford Handbook of Early China<\/i><\/li>\n<li class=\"p13\">Knightley, David E (1978) <i>Sources of Shang History<\/i>, Berkeley and LA: Univ. of California Press, p. 137.<\/li>\n<li class=\"p13\">Lally, JJ (2016) Ancient Chinese Jade From the Neolithic to the Han, Nova Iorque: JJ Lally &amp; Co.<\/li>\n<li class=\"p13\">Lopes, R. Oliveira (2014) Securing the Harmony between the High and the Low: Power Animals and Symbols of Political Authority in Ancient Chinese Jades and Bronze, <i>Asian Perspectives<\/i>. 53(2), fall 2014.<\/li>\n<li class=\"p13\">Rawson, Jessica (2007) <i>The British Museum Book of Chinese Art<\/i>, Londres: The British Museum Press.<\/li>\n<li class=\"p13\">Salvatti, Filippo (2017) <i>4000 Years Of Chinese Archaic Jades. The Development of the Jade-Carving Tradition from the Neolithic to the Han Dynasty<\/i>, Viena: Edition Zacke<\/li>\n<li class=\"p13\">Sullivan, Michael (2018) <i>The Arts of China<\/i>, University of California Press.<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] O significado Atribui-se ao jade, como a tudo quanto \u00e9 importante na China, origens sobrenaturais. Assim, as pe\u00e7as de jade da antiguidade estavam sem excep\u00e7\u00e3o relacionadas com a magia, o poder e o estatuto dos reis-xam\u00e3s e com os rituais e as pr\u00e1ticas funer\u00e1rias que conduziam. 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