{"id":1079,"date":"2025-10-20T23:32:19","date_gmt":"2025-10-20T15:32:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.viadomeio.com\/?p=1079"},"modified":"2025-10-20T23:32:48","modified_gmt":"2025-10-20T15:32:48","slug":"bai-juyi-ou-a-nostalgia-do-outro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/10\/20\/bai-juyi-ou-a-nostalgia-do-outro\/","title":{"rendered":"Bai Juyi ou a nostalgia do Outro"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p class=\"p1\">B<span class=\"s1\">ai Juyi <\/span>(772-846) foi um poeta magoado e dividido: numa das suas vidas, a de letrado que chegou a mandarim, deambulou, ferido de m\u00e1 consci\u00eancia, entre os festins dos poderosos e o conhecimento da fome e das guerras que assolavam a China do seu tempo, enquanto na sua outra vida, de v\u00e1rios ex\u00edlios composta, dividiu-se entre os prazeres do vinho e das dan\u00e7as, o dedilhar do seu qin \u201cde madeira rara e cordas de seda\u201d e a contempla\u00e7\u00e3o das flores e das montanhas.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p2\"><i>Eu vejo e sei como nos grandes frios<br \/>\n<\/i><i>padecem os desditosos camponeses.<br \/>\n<\/i><i>N\u00e3o preciso sair e trabalhar nos campos,<br \/>\n<\/i><i>nem fome, nem frio v\u00eam ter comigo.<br \/>\n<\/i><i>Penso, sinto vergonha e pergunto:<br \/>\n<\/i><i>afinal quem sou eu?<\/i><i><\/i><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p2\">Quem somos n\u00f3s? N\u00e1ufragos da liberdade somos \u2013 a que julgamos ter perdido (o para\u00edso da inf\u00e2ncia), e a que desejar\u00edamos estar-nos reservada (a utopia da serenidade) mas o que dela nos \u00e9 dada s\u00e3o momentos, fragmentos, entre eles o prazer da solid\u00e3o ou a ef\u00e9mera frui\u00e7\u00e3o de um poema. Mil e duzentos anos depois, lendo Bai Juyi (traduzido com rara eleg\u00e2ncia por Ant\u00f3nio Gra\u00e7a de Abreu), revejo-me nos seus poemas: os desastres dos homens s\u00e3o ainda os mesmos (escrevo em Maputo onde a fome e a guerra dizimam popula\u00e7\u00f5es indefesas), mas os poetas, esmagados embora pelas contradi\u00e7\u00f5es do tempo, n\u00e3o deixam de escutar a injusti\u00e7a e de beber com a lua, como fazia Li Bai, de apaziguar \u201cpensamentos e inquietudes\u201d com a flor do canto, e bem podiam cantar \u201cOs Rolos de Seda\u201d, de Bai Juyi:<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p2\"><i>Ontem fui pagar os impostos ao yamen,<br \/>\n<\/i><span class=\"s2\"><i>atrav\u00e9s dos port\u00f5es escarlate espiei os armaz\u00e9ns,<br \/>\n<\/i><i><\/i><\/span><i>atulhados de rolos de seda at\u00e9 ao tecto.<br \/>\n<\/i><i>Montanhas de pe\u00e7as, densas como nuvens,<br \/>\n<\/i><i><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 <\/span><\/i>[<i>finamente tecidas.<br \/>\n<\/i><i>Os poderosos chamam-lhes \u201cbens em excesso\u201d,<br \/>\n<\/i><i>todos os meses oferecidos ao grande monarca.<br \/>\n<\/i><i>Para obter merc\u00eas, rouba-se calor ao corpo<br \/>\n<\/i><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0\u00a0 \u00a0 \u00a0 <\/span>[<i>dos pobres.<br \/>\n<\/i><span class=\"s2\"><i>Os rolos de seda empilhados no tesouro imperial<br \/>\n<\/i><i><\/i><\/span><i>a\u00ed permanecem, ano ap\u00f3s ano,<br \/>\n<\/i><i>depois transformam-se em p\u00f3.<\/i><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p4\">Ser\u00e1 o poema \u2013 a voz do enigma \u2013 um corpo que vai tendo v\u00e1rias peles ao longo do tempo? O que se diz no poema \u00e9 de facto a imagem de outra imagem, algo indiz\u00edvel e sinuosa, mas tamb\u00e9m algo que fica dito como se estivesse escrito desde sempre. \u201cEscolhido o ritmo\u201d, diz o poeta sobre a sua t\u00e9cnica, \u201ca palavra \u00e9 d\u00f3cil. Se a palavra \u00e9 d\u00f3cil, o som entra facilmente, se o som se introduz, o sentimento manifesta-se, a emo\u00e7\u00e3o comunica-se. \u00c9 ent\u00e3o que a poesia se desenvolve, penetra o inagarr\u00e1vel, perfura o obscuro. Superiores e inferiores entendem-se, o esp\u00edrito de conc\u00f3rdia manifesta-se, a alegria e o sofrimento equilibram-se, a esperan\u00e7a ganha alento.\u201d Assim se produz uma nova \u201cverdade\u201d t\u00e3o enigm\u00e1tica como a que n\u00e3o foi poss\u00edvel traduzir da m\u00fasica ouvida, dos ru\u00eddos do mundo que se perderam (para se ganharem de outro modo) no ouvido do poeta. Um poema, qualquer poema de Bai Juyi \u00e9 uma ponte mim\u00e9tica entre o \u201ceu\u201d e o \u201coutro\u201d, uma ponte de \u00e1gua por onde passam as met\u00e1foras do homem comum, esse \u201cbago de arroz\u201d que anda perdido no \u201cgrande celeiro.\u201d<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p2\"><i>Levanto-me cedo, vou comprar vinho,<br \/>\n<\/i><i>Regresso tarde, depois do passeio entre jardins.<br \/>\n<\/i><i>Deixo o mundo para estar com a natureza,<br \/>\n<\/i><i>que tenho eu que fazer na capital?<\/i><i><\/i><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s3\">Mist\u00e9rio da grande poesia: este poema j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 a voz que o poeta ouviu, a ilumina\u00e7\u00e3o que o levou a escrever o que escreveu, o canto original que ele cantou. Nem o seria se ouv\u00edssemos o poema em chin\u00eas. Ou \u00e9 e n\u00e3o \u00e9. <\/span><\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s3\">Passaram s\u00e9culos, a l\u00edngua em que falo \u00e9 outra, as palavras rolaram como seixos em praias infinitas e no entanto o poema escrito por Bai Juyi, acaso distante que resultou de uma complexa rela\u00e7\u00e3o com o mundo e com a m\u00fasica das palavras, \u00e9 tamb\u00e9m, \u00e9 ainda esse poema que acabei de ler, esteve na sua origem, na origem destes ritmos brancos e flex\u00edveis que integram outros acasos e sensibilidades que me iluminam tal como uma pedra na palma da m\u00e3o nos liga ao vasto mundo. Um simples poema pode assim abrir-se em leque onde leio muito mais do que nele \u2014 vaso e \u00e1gua inesgot\u00e1vel \u2014, foi vertido. <\/span><\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s4\">Por isso o poeta pode contar-nos a sua vida falando dos seus poemas: \u201cO que em vida eu amei, senti, desejei, consegui, experimentei, a minha ambi\u00e7\u00e3o de liberdade, tamb\u00e9m o meu comedimento e pondera\u00e7\u00e3o, coisas insignificantes ou incidentes importantes da exist\u00eancia, tudo pode ser encontrado nas minhas obras. O que escrevi diz tudo sobre mim.\u201d N\u00e3o \u00e9 como se andasse por aqui o que Rilke escreveu sobre os ritos de passagem de quem deseja ser poeta?<\/span><\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s5\">Tempos conturbados foram aqueles em que Bai Juyi viveu, em plena dissolu\u00e7\u00e3o da dinastia Tang, umas vezes \u00e0 mesa do poder, outras vezes no ex\u00edlio, \u201cmesmo lares s\u00e3o coisas transit\u00f3rias\/porqu\u00ea tanta vaidade, tanta humildade?\u201d em cabanas \u00e0 beira dos rios e das montanhas. Enquadrado umas vezes na norma, outras refugiando-se na amizade (sobretudo do poeta Yuan Zhen) e na solid\u00e3o, Bai Juyi viveu um pouco ao sabor das mar\u00e9s do tempo e o que mais nos encanta na sua obra \u00e9 o facto de ela se ter constru\u00eddo sem ambiguidade com os factos da mais amb\u00edgua e contradit\u00f3ria das biografias.<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p2\"><i>Em tempos agitados \u00e9 bom descansar,<br \/>\n<\/i><i>aos quarenta anos \u00e9 cedo para me retirar.<br \/>\n<\/i><i>Por ora basta limpar a roupa coberta de p\u00f3,<br \/>\n<\/i><i>ainda n\u00e3o chegou o dia do regresso \u00e0s<br \/>\n<\/i><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0\u00a0 \u00a0 <\/span>[<i>montanhas.<\/i><i><\/i><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p4\">A conduta do poeta que foi sucessivamente arquivista, mandarim e governador nos intervalos das suas quedas em desgra\u00e7a, foi ora a de um confucionista, \u201cem sociedade, o respeito por regras e condutas\u201d, ora a de um taoista \u201cvagueando ao acaso como um peda\u00e7o de nuvem.\u201d Ora os cargos e fun\u00e7\u00f5es n\u00e3o lhe permitem usufruir o direito \u00e0 pregui\u00e7a, ora o abandono do homem nem feliz nem triste que \u201caceita o que a vida lhe d\u00e1, o ef\u00e9mero, o constante\u201d, como se assistisse, um pouco impotente, ao espect\u00e1culo da sua vida:<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p2\"><i>N\u00e3o tenho jeito para mandarim de cidade.<br \/>\n<\/i><i>\u00c0 porta de minha casa crescem ervas de Outono<br \/>\n<\/i><i>E que fazer para serenar este cora\u00e7\u00e3o alde\u00e3o?<br \/>\n<\/i><i>(\u2026) Meu maior prazer \u00e9, sentado \u00e0 janela,<br \/>\n<\/i><i>ouvir os murm\u00farios do Outono por entre a<br \/>\n<\/i><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 <\/span>[<i>ramaria.<\/i><i><\/i><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p4\">S\u00f3 um letrado ferido pelos in\u00fameros conflitos sociais da sua \u00e9poca poderia ser, ao mesmo tempo, n\u00e3o s\u00f3 poeta e pol\u00edtico (h\u00e1 muitos casos entre os poetas orientais) mas, sobretudo, integrar em si, na const\u00e2ncia de si que \u00e9 a sua poesia, as tr\u00eas atitudes existenciais que constitu\u00edam a estrutura cultural do seu tempo: o confucionismo (quadro de conduta social), o taoismo (rela\u00e7\u00e3o sensorial com o mundo em volta) e o budismo (depura\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito). Tudo isto se harmonizou sabiamente na sua vida, o estudo e a governa\u00e7\u00e3o, os rios e as montanhas, o vinho e as dan\u00e7as, a m\u00fasica e os pinc\u00e9is.<\/p>\n<p class=\"p4\">Sabiamente? Talvez sim, porque governou desgovernando como mandava Lao Zi; porque a sua pr\u00e1tica do Tao, tal como a do vinho foi moderada e bastante intermitente; porque de budista apenas possu\u00eda a leve ambi\u00e7\u00e3o de um amanh\u00e3 de ren\u00fancia. Mas, enfim, cantava, incans\u00e1vel cantou e a sua poesia integrou como nenhuma outra as contradi\u00e7\u00f5es do seu tempo, da sua vida, o cepticismo, a imperman\u00eancia, a amizade, o prazer da solid\u00e3o, o amor conjugal, a humildade, a ren\u00fancia, o esquecimento do pr\u00f3prio nome e nada, situa\u00e7\u00e3o nenhuma, sentimento nenhum escapava a este mestre da devora\u00e7\u00e3o do quotidiano e da sua depura\u00e7\u00e3o em ritmos bel\u00edssimos que nunca o abandonaram:<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p2\"><i>Sob os pinheiros, junto ao lago,<br \/>\n<\/i><i>caminho, descanso, sento-me, adorme\u00e7o.<br \/>\n<\/i><i>O cora\u00e7\u00e3o liberto dos pequenos desejos,<br \/>\n<\/i><i>ignorando a passagem do tempo.<br \/>\n<\/i><i>Os cabelos brancos, a confus\u00e3o do mundo,<br \/>\n<\/i><i>t\u00e3o pouco me importa cuidar do porvir.<\/i><i><\/i><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p2\">Lao Zi, esse que n\u00e3o sabia, escreveu um livro de cinco mil palavras. Bai Juyi, que talvez soubesse menos, escreveu muito mais, desfez-se em contradi\u00e7\u00f5es, foi e \u00e9 ainda espelho dos nossos rostos, das nossas d\u00favidas, da nossa insignific\u00e2ncia &#8211; por isso o entendemos como se estivesse ainda ao nosso lado.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p5\"><i>Depois da morte, meu cora\u00e7\u00e3o<br \/>\n<\/i><i>permanecer\u00e1 com os vindouros<br \/>\n<\/i><i>a quem, silenciosamente,<br \/>\n<\/i><i>lego esta obra insignificante.\u00a0<\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><span class=\"s1\"><i>O Casimiro de Brito, meu Amigo, partiu para as Nascentes Amarelas, algures perdidas entre nuvens, nas montanhas Kunlun, <\/i><\/span><span class=\"s1\"><i>nos extremos-orientes m\u00e1gicos, ascendendo ao c\u00e9u. Fica a mem\u00f3ria de um grande Senhor e a sua muita e excelente poesia. Em 1992, na Miss\u00e3o <\/i><\/span><span class=\"s1\"><i>de Macau em Lisboa fez a apresenta\u00e7\u00e3o da minha tradu\u00e7\u00e3o <\/i><\/span><span class=\"s1\"><i>dos <\/i>Poemas de Bai Juyi<i> e escreveu este texto.<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: center;\"><span class=\"s2\"><b>Ant\u00f3nio Gra\u00e7a de Abreu<\/b><\/span><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] Bai Juyi (772-846) foi um poeta magoado e dividido: numa das suas vidas, a de letrado que chegou a mandarim, deambulou, ferido de m\u00e1 consci\u00eancia, entre os festins dos poderosos e o conhecimento da fome e das guerras que assolavam a China do seu tempo, enquanto na sua outra vida, de v\u00e1rios ex\u00edlios composta,&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":38,"featured_media":1080,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-1079","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-poesia"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/67-Bai-Juyi.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1079","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/38"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1079"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1079\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1082,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1079\/revisions\/1082"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1080"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1079"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1079"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1079"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}