{"id":1097,"date":"2025-10-20T23:55:21","date_gmt":"2025-10-20T15:55:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.viadomeio.com\/?p=1097"},"modified":"2025-10-20T23:55:21","modified_gmt":"2025-10-20T15:55:21","slug":"a-arte-da-terra-a-historia-da-ceramica-na-china","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/10\/20\/a-arte-da-terra-a-historia-da-ceramica-na-china\/","title":{"rendered":"A arte da terra &#8211; A hist\u00f3ria da cer\u00e2mica na China"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>Introdu\u00e7\u00e3o<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\">Quando se criam objectos em cer\u00e2mica recorre-se \u00e0 argila como mat\u00e9ria-prima de base. Existem argilas com diferentes composi\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas e que apresentam aspectos distintos. A maioria \u00e9 usada na composi\u00e7\u00e3o de pastas cer\u00e2micas em conjunto com outras mat\u00e9rias-primas naturais pl\u00e1sticas, como o caulino, ou n\u00e3o-pl\u00e1sticas, como a areia ou o feldspato (do alem\u00e3o <i>feldspat<\/i>), um mineral<b> <\/b>fundente de alta temperatura. S\u00f3 deste modo a argila se torna uma mat\u00e9ria mold\u00e1vel enquanto est\u00e1 h\u00famida e dura e resistente uma vez cozida.<\/p>\n<p class=\"p4\">Embora partilhem da mesma base argilosa, a terracota, o gr\u00e9s ou a porcelana diferem entre si tanto na composi\u00e7\u00e3o como na forma como s\u00e3o produzidas.<b> <\/b>A terracota apresenta uma cor natural castanha-alaranjada devido \u00e0 presen\u00e7a de \u00f3xido de ferro e coze por volta dos 900\u00baC. Dado apresentarem elevada porosidade, as pe\u00e7as de terracota necessitam de um acabamento superficial, por exemplo, de um revestimento de vidrado \u00e0 base de sil\u00edcio e de um fundente alcalino capazes de formarem uma capa fina e v\u00edtrea que as torne imperme\u00e1veis, lisas e brilhantes.<\/p>\n<p class=\"p4\">O gr\u00e9s<b> <\/b>\u00e9 um produto cer\u00e2mico de alto-fogo (cerca de 1200\u00baC) que se obt\u00e9m atrav\u00e9s da adi\u00e7\u00e3o \u00e0 argila, que cont\u00e9m uma parte importante de caulino, de uma pasta silicosa pl\u00e1stica. As pe\u00e7as em gr\u00e9s apresentam dureza e densidade elevada, s\u00e3o imperme\u00e1veis e resistentes e de um tom amarelo-acinzentado.<\/p>\n<p class=\"p4\">As pe\u00e7as de porcelana s\u00e3o cozidas a uma temperatura m\u00e9dia que atinge os 1300\u00baC. S\u00e3o leves, finas, brancas, resistentes, densas e imperme\u00e1veis, excelentes para cozinhar e armazenar mantimentos e bebidas, para comer e para beber e podem ser limpas com facilidade. Os chineses foram os primeiros a criar pe\u00e7as de gr\u00e9s e porcelana que, para al\u00e9m de belas, pois sabiam fabricar vidrados decorativos coloridos, eram imperme\u00e1veis, duras e v\u00edtreas.<\/p>\n<p class=\"p4\">O solo da China oferecia desde logo condi\u00e7\u00f5es vantajosas para o fabrico de cer\u00e2mica e, mais tarde, para a inven\u00e7\u00e3o da porcelana, pois \u00e9 rico em <i>loess<\/i> no noroeste e no vale do Rio Amarelo e ainda em caulino, sobretudo no sul (Fig.1). O <i>loess<\/i> \u00e9 uma rocha sediment\u00e1ria com uma importante propor\u00e7\u00e3o de sil\u00edcio (quartzo) e de calcite que se formou atrav\u00e9s da acumula\u00e7\u00e3o de restos min\u00fasculos que sofreram desloca\u00e7\u00f5es na era quatern\u00e1ria. A temperatura de fus\u00e3o do <i>loess<\/i> torna-o num material excelente para o fabrico de tijolos refract\u00e1rios que permitem construir fornos de altas temperaturas, indispens\u00e1veis para o fabrico de gr\u00e9s e porcelanas.<\/p>\n<p class=\"p4\">A porcelana \u00e9 essencialmente caulino. O caulino (<span class=\"s1\">\u9ad8\u5cad <\/span><i>gaoling<\/i>, na origem o nome da montanha de onde era extra\u00eddo) \u00e9 alum\u00ednio quase puro, uma argila prim\u00e1ria pouco pl\u00e1stica de gr\u00e3o grosso formada pela decomposi\u00e7\u00e3o de feldspato. O caulino puro \u00e9 praticamente desprovido de ferro, o que explica a brancura da cor (Fig. 2). O ponto de fus\u00e3o do caulino \u00e9 muito elevado, a 1800\u00baC. Por isso, embora conhecido e utilizado desde o Neol\u00edtico, s\u00f3 se tornou corrente muitos s\u00e9culos mais tarde, quando se encontrou um fundente adequado que melhorava as suas qualidades pl\u00e1sticas e baixava a sua temperatura de fus\u00e3o. Foi triturando o feldspato e misturando-o com caulino em p\u00f3, cal e pot\u00e1ssio, que os chineses obtiveram um componente essencial para o fabrico de porcelana, a pedra da China ou <i>petuntse <\/i>(<span class=\"s1\">\u767d\u58a9\u5b50<\/span> <i>bai dunzi<\/i>). Trata-se de uma vasta gama de rochas mic\u00e1ceas ou feldsp\u00e1ticas que, ap\u00f3s processos de decomposi\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica, resultam num material que serve como ingrediente no fabrico de porcelana, uma vez triturado e transformado em pasta.<\/p>\n<p class=\"p4\">Cumpre esclarecer ainda que, por tradi\u00e7\u00e3o, os estudiosos chineses n\u00e3o dividem a cer\u00e2mica em porcelana, gr\u00e9s e terracota, como fazem os estudiosos ocidentais, mas apenas em duas categorias: a cer\u00e2mica <span class=\"s1\">\u74f7<\/span><i>ci<\/i>, cozida a alta temperatura e de cor vibrante, e a cer\u00e2mica<span class=\"s1\"> \u9676<\/span><i>tao<\/i>, cozida a baixa temperatura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>O Neol\u00edtico\u00a0<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\">Na China, os principais artefactos da Idade da Pedra, tal como noutros lugares do mundo, foram as pe\u00e7as cer\u00e2micas. No quarto mil\u00e9nio a. C., a olaria j\u00e1 tinha alcan\u00e7ado um n\u00edvel muito elevado. As pe\u00e7as cer\u00e2micas j\u00e1 estavam presentes tanto na vida como na morte, pois eram utilizadas tanto com finalidades pr\u00e1ticas como em contextos funer\u00e1rios.<\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3 class=\"p5\" style=\"text-align: center;\"><b>Cultura Yangshao<br \/>\n<\/b><b>(5000 a 3000 a.C.)<\/b><b><\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\"><b><i>A cultura Yangshao<\/i><\/b> come\u00e7ou por se desenvolver no Henan, para se espalhar depois por uma vasta \u00e1rea, desde o Gansu ao Qinghai e ao longo do Rio Amarelo. Os habitantes adoptavam um modo de vida sedent\u00e1rio, com uma economia baseada na agricultura, na ca\u00e7a e na pesca. A cultura Yangshao \u00e9 conhecida sobretudo pela sua cer\u00e2mica pintada de barro vermelho, mas tamb\u00e9m pela cer\u00e2mica vermelha arenosa e cer\u00e2mica cinzenta, esta em muito menor quantidade, e ainda por rar\u00edssimas pe\u00e7as de cer\u00e2mica branca e de cer\u00e2mica preta. O corpo \u00e9 fino, com superf\u00edcies lisas e polidas, decoradas com marcas de incis\u00f5es, padr\u00f5es estampados semelhantes a cordas, etc. A temperatura de cozedura podia atingir 900 a 1.000\u00baC. N\u00e3o usavam rodas de oleiro de torno r\u00e1pido. A moldagem era manual ou com roda lenta. Decoravam as pe\u00e7as a pincel com pigmentos negros ou com cin\u00e1brio (um mineral vermelho brilhante que consiste em sulfeto de merc\u00fario). Trata-se do primeiro uso do pincel conhecido e tamb\u00e9m do primeiro uso do cin\u00e1brio como pigmento.<\/p>\n<p class=\"p7\">A fase inicial desta cultura \u00e9 conhecida como fase Banpo (5000-3700 a.C.). A aldeia de Banpo, perto da actual cidade de Xi\u2019an, era um assentamento rodeado por um grande fosso defensivo. Os habitantes faziam cer\u00e2mica vermelha ou ocre tanto pintada como sem pintura e sem o aux\u00edlio da roda de oleiro: vasos de v\u00e1rias formas, <i>pan<\/i>, <i>ding<\/i>, e outros utens\u00edlios. Um vaso curioso apresenta uma forma de \u00e2nfora de formato oval com al\u00e7as laterais, um pesco\u00e7o fino e curto e uma base pontiaguda de modo a poder ser enterrado firmemente na terra ou na argila macia (Fig. 3). Decoravam a cer\u00e2mica com padr\u00f5es de corda (Fig. 3), ou pinceladas vigorosas e fortes de figuras de animais como sapos, p\u00e1ssaros, veados e peixes. A decora\u00e7\u00e3o mais representativa \u00e9 um padr\u00e3o de peixe de dois tipos, um \u00fanico peixe (sobretudo no in\u00edcio) ou dois a quatro peixes, muitas vezes pintados no ombro ou na parede interna de bacias de fundo esf\u00e9rico com rebordo enrolado (Fig. 4). Na fase final, o padr\u00e3o de peixe tornou-se mais abstracto, geom\u00e9trico e estilizado.<\/p>\n<p class=\"p7\">Um dos motivos mais intrigantes \u00e9 um c\u00edrculo com olhos, nariz e boca pintados com linhas. Em vez de orelhas erguem-se umas agulhas que apontam para cima e que, por vezes, se convertem em peixes estilizados (Fig. 5). Na cabe\u00e7a v\u00ea-se um triangulo em cuja borda surgem pequenas linhas. O peixe poder\u00e1 significar o desejo de obten\u00e7\u00e3o de alimentos ou um deus do rio em forma de peixe ou um xam\u00e3 rogando por uma boa pesca e decorado com adornos em forma de peixe\u2026 Tamb\u00e9m recorriam a motivos geom\u00e9tricos e padr\u00f5es regulares. Estes eram simples e concisos, com linhas rectas ou curvas longas e curtas, tri\u00e2ngulos curvos ou rectos, rect\u00e2ngulos e motivos de folhas enroladas. Cr\u00ea-se que os fornos, tanto horizontais como verticais, ficaram conhecidos a partir desta fase.<\/p>\n<p class=\"p7\">A fase interm\u00e9dia desta cultura \u00e9 conhecida como fase Miaodigou (4000-3500 a.C.). As formas eram varia\u00e7\u00f5es do jarro abaulado <i>guan<\/i>, da travessa <i>pan<\/i> e do vaso em forma de \u00e2nfora <i>ping,<\/i> trip\u00e9s <i>ding<\/i>, <i>fu <\/i>de barriga achatada, bacias de fundo plano, tigelas, garrafas de fundo pontiagudo, potes, etc.. Eram confeccionados atrav\u00e9s da jun\u00e7\u00e3o de partes, mas o acabado da superf\u00edcie dissimulava-o com sucesso.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>As decora\u00e7\u00f5es consistiam principalmente em padr\u00f5es pretos sobre um corpo vermelho acastanhado ou, em casos raros, num corpo revestido de branco. Entre os motivos decorativos encontram-se p\u00e1ssaros, sapos, p\u00e9talas de flores e padr\u00f5es geom\u00e9tricos de listas, pontos, tri\u00e2ngulos e linhas curvas (Fig. 6). Na fase posterior de Miaodigou (3900-3000 a.C.) surgem padr\u00f5es compostos por faixas de linhas ondulantes e espirais abertas.<\/p>\n<p class=\"p7\">A fase posterior desta cultura \u00e9 conhecida como fase<b> <\/b>Majiayao (3500-2700 a.C.) e abrange a prov\u00edncia de Gansu e partes da prov\u00edncia do Qinghai, na regi\u00e3o superior do rio Amarelo. Os vasos de cer\u00e2mica eram geralmente avermelhados ou amarelados e pintados com flu\u00eancia com desenhos lineares como remoinhos e faixas, grelhas, pontos, linhas onduladas pretas, bem como criaturas estilizadas (peixes, sapos, tartarugas). A tinta cobre muitas vezes grande parte da superf\u00edcie da pe\u00e7a. Algumas cer\u00e2micas eram em parte pintadas com profus\u00e3o e em parte decoradas escultoricamente. Com efeito, surgem motivos antropom\u00f3rficos nas paredes dos recipientes, rostos em relevo rodeados de tinta escura que contemplam o observador (Fig. 7). Poder\u00e3o representar xam\u00e3s ou os chefes da comunidade.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>O motivo das r\u00e3s ou sapos tamb\u00e9m se torna recorrente.<\/p>\n<p class=\"p7\">A maioria das pe\u00e7as de cer\u00e2mica era de barro, moldada \u00e0 m\u00e3o de forma assaz primorosa e algumas eram feitas com recurso a moldes. Encontraram-se tigelas, bacias, potes, <i>dou<\/i>, garrafas, <i>yu<\/i>, <i>zun<\/i> e ch\u00e1venas. A cer\u00e2mica pintada perfaz 30% a 50% do total. Os padr\u00f5es eram pincelados suavemente e entre eles contam-se listas, faixas largas, pontos, arcos, ondas, xadrez, linhas paralelas, rostos humanos e sapos. As tigelas e bacias rasas com rebordos enrolados assemelham-se \u00e0s do tipo Miaodigou. A cer\u00e2mica arenosa era decorada sobretudo com padr\u00f5es de corda ou com v\u00e1rias linhas paralelas ou poligonais, tri\u00e2ngulos, etc.<\/p>\n<p class=\"p7\"><span class=\"s1\">Os vasos da subcultura Banshan de Majiayao (2700-2400 a.C.) eram geralmente polidos e com pequenas al\u00e7as de orelha presas ao pesco\u00e7o ou ao bojo. A decora\u00e7\u00e3o era feita a preto, vermelho ou castanho. Os motivos eram bastante complexos: remoinhos independentes ou interligados, motivos de caba\u00e7a inseridos em nichos, losangos, c\u00edrculos, tri\u00e2ngulos, tramas, arcos cont\u00ednuos, redes e serrilhas, vigorosas faixas onduladas, padr\u00f5es de tabuleiro de damas, c\u00edrculos, sapos ou figuras humanos (Fig. 8). Um motivo muito caracter\u00edstico de Banshan era uma forma circular nos quatro lados da pe\u00e7a preenchidas com hachura. As pe\u00e7as de cer\u00e2mica pintada mais comuns eram potes de pesco\u00e7o longo, bojo protuberante e al\u00e7as duplas. Os padr\u00f5es decorativos eram pintados sobretudo a preto, por vezes a vermelho. <\/span><\/p>\n<p class=\"p7\">Com os vasos da subcultura Machang de Majiayao (2400- 2100 a.C.)<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>parece ter tido lugar, em geral, um decl\u00ednio na qualidade e na quantidade da produ\u00e7\u00e3o de cer\u00e2mica. A cer\u00e2mica pintada \u00e9 herdeira da de Banshan, mas feita de forma mais grosseira, com propor\u00e7\u00f5es negligentes e com pintura esparsa e menos definida (Fig. 9). Continuou a usar-se o preto e o vermelho na pintura e surgiu uma nova decora\u00e7\u00e3o: uma linha preta flanqueada por duas linhas vermelhas. Al\u00e9m dos padr\u00f5es herdados de Banpo, tra\u00e7avam-se padr\u00f5es abstractos, c\u00edrculos, an\u00e9is, linhas poligonais, espirais quadradas, padr\u00f5es de conchas, tri\u00e2ngulos, sapos e ainda figuras estilizadas de xam\u00e3s cada vez mais reduzidos apenas aos membros. Tamb\u00e9m se moldavam esculturas em relevo sobre os vasos. Surgiram novas tipologias, como a bacia de quatro al\u00e7as, o pote cil\u00edndrico de al\u00e7a \u00fanica, o pote com boca em forma de cabe\u00e7a humana e o pote com relevo de figura humana.<\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3 class=\"p5\" style=\"text-align: center;\"><b>Cultura Hongshan<\/b><b><br \/>\n<\/b><b>(4700 &#8211; 2900 a.C.)<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s3\"><b><i>A cultura Hongshan<\/i><\/b> desenvolveu-se na bacia do rio Liao e abrangia a \u00e1rea do vale do rio Wuerjimulun de Chifeng, com a Mong\u00f3lia Interior ao norte, at\u00e9 Chaoyang, a parte norte da prov\u00edncia de Hebei, ao sul, e estendia-se para o leste at\u00e9 Tongliao e Jinzhou. A cer\u00e2mica da cultura Hongshan era fabricada manualmente e apresentava em geral um tom pr\u00f3ximo do vermelho: tigelas, bacias, jarras, potes e panelas, etc., muitas com pequenos fundos planos. Alguma era cinzenta ou preta. Descobriram-se algumas pe\u00e7as feitas de argila refinada e com um acabamento primoroso. As superf\u00edcies eram decoradas com padr\u00f5es feitos com ferramentas, incis\u00f5es de linhas rectas paralelas e pintura a cor (Fig.10). Os padr\u00f5es feitos com ferramentas eram principalmente linhas horizontais em forma de Z com algumas linhas verticais em forma de Z e padr\u00f5es de pontos de pente em forma de Z. Este padr\u00e3o em Z distingue facilmente a cer\u00e2mica Hongshan das demais. A cer\u00e2mica de argila vermelha era pintada a preto ou vermelho-arroxeado antes de ser cozida. Entre os padr\u00f5es decorativos da cer\u00e2mica pintada contam-se listas paralelas pretas ou roxas, tri\u00e2ngulos, grades, linhas rectas e obl\u00edquas, losangos, escamas, remoinhos, girinos, etc. Faziam tigelas, potes de gargalo profundo e potes de boca plana e de boca inclinada, etc. A roda de oleiro generalizou-se no in\u00edcio do terceiro mil\u00e9nio e apareceu cer\u00e2mica preta ou branca de excelente qualidade.<\/span><\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3 class=\"p5\" style=\"text-align: center;\"><b>Cultura Hemudu<br \/>\n<\/b><b>(4400- 3300 a. C.)<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\"><b><i>A cultura Hemudu<\/i><\/b> localizava-se no actual Zhejiang, a sul do rio Changjiang (Yangtse ou Iansequi\u00e3o). Os assentamentos erguiam-se sobre palafitas cimeiros aos cursos de \u00e1gua e tinham telhados e paredes de colmo. Cultivava-se arroz e n\u00e3o cereais, ao contr\u00e1rio do que sucedia com as culturas do norte. Criava-se gado e domesticavam-se c\u00e3es e porcos. Desenvolveu-se ainda alguma navega\u00e7\u00e3o mar\u00edtima. <\/span><\/p>\n<p class=\"p7\">Na primeira fase de Hemudu (5500-4550 a.C.), a cer\u00e2mica era temperada com carv\u00e3o e apresentava uma apar\u00eancia negra. Era cozida a baixa temperatura (800 a 930\u00baC). A decora\u00e7\u00e3o consistia em incis\u00f5es simples ou impress\u00f5es em onda, mas tamb\u00e9m animais ou plantas. A cer\u00e2mica de uso corrente era escura, com paredes grossas e irregulares. Costumava ser decorada atrav\u00e9s do recurso \u00e0 t\u00e9cnica da corda enrolada ou ent\u00e3o, mais raramente, era pintada. Tamb\u00e9m recorriam \u00e0 t\u00e9cnica da estampagem que se alastrou a outras culturas a partir do quinto mil\u00e9nio a.C. Os padr\u00f5es de plantas encontravam-se principalmente em caldeir\u00f5es <i>fu<\/i>. Algumas pe\u00e7as eram decoradas com algas aqu\u00e1ticas ou espigas de arroz ou com padr\u00f5es de animais como a f\u00e9nix e su\u00ednos cujo corpo era ornamentado com espirais e padr\u00f5es de folhas (Fig 11).<\/p>\n<p class=\"p7\">Na segunda e terceira fases de Hemudu (4550-3550 a.C.), a cer\u00e2mica era principalmente de cor acinzentada. A decora\u00e7\u00e3o permaneceu simples, embora se conseguisse temperaturas de cozedura um pouco mais altas.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Na \u00faltima fase (3550-3350 a.C.), a cer\u00e2mica era vermelha e cinzenta. Era mais fina e s\u00f3lida porque era cozida em temperaturas mais altas. A modelagem, todavia, era ainda sobretudo manual, embora j\u00e1 se usasse a roda de oleiro lenta. Alguns objectos foram feitos com roda mais r\u00e1pida.<\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3 class=\"p5\" style=\"text-align: center;\"><b>Cultura Dawenkou<br \/>\n<\/b><b>(4300-2600 a.C.)<\/b><b><\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s4\"><b><i>A cultura Dawenkou<\/i><\/b> abrangia comunidades que viviam principalmente na actual prov\u00edncia de Shandong, A cer\u00e2mica era geralmente de argila vermelha mas, nas fases intermedi\u00e1ria e tardia, a cer\u00e2mica cinzenta e preta aumentou significativamente. Uma caracter\u00edstica importante da cer\u00e2mica Dawenkou \u00e9 a pintura a cores, variada e rica: vermelho, cinzento, cinzento-azulado, castanho, amarelo, preto e branco. Alguns vasos eram pintados com uma camada vermelha ou branca antes de os padr\u00f5es coloridos serem tra\u00e7ados. Entre eles encontram-se pontos, tri\u00e2ngulos, c\u00edrculos, ondula\u00e7\u00f5es, losangos, remoinhos, arcos, oct\u00f3gonos, motivos florais, linhas poligonais paralelas, linhas curvas e grades. A pintura achava-se principalmente na superf\u00edcie exterior (Fig. 12). <\/span><\/p>\n<p class=\"p7\"><span class=\"s1\">Os <i>gui,<\/i> vasos de haste longa, s\u00e3o caracter\u00edsticos da fase inicial (4300-3500 a.C.) e tamb\u00e9m se encontram na cultura posterior de Longshan. O n\u00famero de bens depositados nos t\u00famulos come\u00e7ou a aumentar na fase interm\u00e9dia<b> <\/b>(3500-3000 a.C.). Na fase final<b> <\/b>(3000-2600 a.C.), certas sepulturas eram desprovidas de bens tumulares, enquanto outras continham uma grande quantidade. Ao longo destas tr\u00eas fases, a cer\u00e2mica foi-se tornando cada vez mais sofisticada. Faziam-se trip\u00e9s <i>he<\/i>, potes de ombros largos e <i>dou<\/i> cil\u00edndricos, jarros, ch\u00e1venas, tigelas, etc. Quando eram decorados, exibiam principalmente desenhos a preto e branco. Os ceramistas de Dawenkou foram os primeiros a usar rodas de torno r\u00e1pido.<\/span><\/p>\n<p class=\"p7\">O caulino, que confere brancura e resist\u00eancia e ser\u00e1 um ingrediente chave para o aparecimento das primeiras porcelanas no s\u00e9c. VI, foi usado pela primeira vez na fase posterior de Dawenkou. Conseguiu-se obter uma cer\u00e2mica branca de corpo fino que era cozida em temperaturas altas, \u00e0 volta dos 1200 \u00baC, muito mais alta do que os 800 a 1000\u00baC utilizados at\u00e9 ent\u00e3o. No per\u00edodo interm\u00e9dio de Dawenkou, a cer\u00e2mica branca j\u00e1 representava 18% da totalidade. Era caulinite misturada com areia fina e apresentava uma textura dura e lisa, com uma cor branca levemente amarelada ou rosada. Esta cer\u00e2mica abriu caminho \u00e0 cer\u00e2mica casca de ovo de Longshan. Todavia, embora o caulino fosse utilizado desde esta \u00e9poca t\u00e3o remota, foi preciso esperar pela dinastia Tang (618-907 d.C.), ainda de forma primitiva, e de forma completa na dinastia Yuan (1271-1368 d.C.) para se encontrar um fundente adequado que lhe melhorasse as qualidades pl\u00e1sticas e lhe baixasse a temperatura de fus\u00e3o, dando in\u00edcio assim ao fabrico de porcelana.<\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3 class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><b>Cultura Longshan<br \/>\n<\/b><b>(2500-2000 a.C)<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\"><b><i>A cultura Longshan<\/i><\/b>, no Shaanxi, Hubei, Henan e Shandong, sucedeu \u00e0s culturas Yangshao e Dawenkou. Tamb\u00e9m se baseava na agricultura.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>A popula\u00e7\u00e3o da bacia do rio Amarelo e de Shandong parece ter triplicado entre o per\u00edodo Dawenkou e Longshan. Os assentamentos agrupavam-se no interior de muralhas fortificadas, sendo a mais impressionante a de Taosi, no Shanxi, local do primeiro observat\u00f3rio astron\u00f3mico chin\u00eas. Erguiam-se tamb\u00e9m muralhas internas de terra para separar as \u00e1reas residenciais e cerimoniais abastadas das \u00e1reas para o povo comum.<\/span><\/p>\n<p class=\"p7\"><span class=\"s5\">Os t\u00famulos que revelam uma grande riqueza s\u00e3o escassos. Colocavam-se os cad\u00e1veres dos abastados em caix\u00f5es de madeira pintados. Detecta-se uma crescente diferen\u00e7a entre os bens de luxo encontrados principalmente nos t\u00famulos e os bens utilit\u00e1rios encontrados tamb\u00e9m em \u00e1reas residenciais. As rodas r\u00e1pidas e os fornos de alta queima tornaram-se comuns no fabrico de cer\u00e2mica. Desenvolveu-se uma especializa\u00e7\u00e3o no trabalho, com padroniza\u00e7\u00e3o e com linhas de produ\u00e7\u00e3o. Foi ent\u00e3o que se conheceu o processamento do bronze, como o testemunha uma faca de cerca de 2800 a.C., que se acredita ser o artefacto de bronze mais antigo encontrado na China.<\/span><\/p>\n<p class=\"p7\">A categoria de cer\u00e2mica predominante neste per\u00edodo foi a cer\u00e2mica negra. Devido \u00e0 negrura da maior parte das superf\u00edcies, a pr\u00e1tica da pintura diminuiu. As pe\u00e7as de cer\u00e2mica preta para uso di\u00e1rio eram geralmente lisas e polidas, de aspecto requintado. A superf\u00edcie podia ser decorada com padr\u00f5es de cordas, alguns c\u00f4ncavos e outros convexos. A regi\u00e3o abrange o local onde foi criada a cer\u00e2mica preta \u201ccasca de ovo\u201d, com paredes com menos de 0,7 mm de espessura, desenvolvimento associado ao aprimoramento das t\u00e9cnicas de cozedura e da regula\u00e7\u00e3o da atmosfera do forno. Demasiado fr\u00e1geis para o uso quotidiano, as \u201ccasca de ovo\u201d tinham provavelmente fun\u00e7\u00f5es rituais, como os trip\u00e9s <i>ding<\/i> e os vasos de vinho <i>dou<\/i>. Moldavam-se pe\u00e7as requintadas como copos e jarros com hastes elegantes, de superf\u00edcie polida e brilhante e com uma decora\u00e7\u00e3o esmerada (Figs. 13 e 14). Para tanto recorria-se em grande escala a rodas de alta velocidade, a fornos aperfei\u00e7oados e a novas t\u00e9cnicas, como o oxig\u00e9nio reduzido. Na queima por redu\u00e7\u00e3o de oxig\u00e9nio a quantidade deste \u00e9 diminuta. As aberturas dos fornos s\u00e3o fechadas, causando uma combust\u00e3o incompleta que produz mon\u00f3xido de carbono.<\/p>\n<p class=\"p7\">Na cultura Longshan de Shandong, mais de metade das pe\u00e7as de cer\u00e2mica eram feitas com roda de oleiro, resultando em paredes altamente polidas com apenas 0,5 a um mil\u00edmetro de espessura. A maioria era de cer\u00e2mica preta, seguida pela cer\u00e2mica cinzenta. Algumas pe\u00e7as eram de cer\u00e2mica vermelha, amarela e branca, sobretudo sob a forma de <i>gui<\/i>. A temperatura de cozedura da cer\u00e2mica preta era de cerca de 1.000\u00baC, a da cer\u00e2mica vermelha de 950\u00ba C e a branca de 800 a 900\u00baC.<\/p>\n<p class=\"p7\">Deu-se um aumento not\u00f3rio no n\u00famero de recipientes para bebidas alco\u00f3licas, como o <i>jia<\/i> e o <i>gu<\/i>, ch\u00e1venas e pequenos potes, o que mostra que nessa \u00e9poca houve um excedente consider\u00e1vel de gr\u00e3os.<\/p>\n<p class=\"p7\">Encontrou-se ainda cer\u00e2mica branca do final da cultura Longshan em t\u00famulos e locais arqueol\u00f3gicos em Yuxi, no Henan. Ostentava uma textura fina e um acabamento requintado. Tratava-se sobretudo de <i>gui<\/i> e <i>dou<\/i> e de um n\u00famero menor de tigelas e de <i>yu<\/i>.<\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3 class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><b>Cultura Erlitou<br \/>\n<\/b><b>(1900-1500 a.C.)<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\"><b><i>A cultura Erlitou<\/i><\/b> emergiu no oeste do Henan e estendeu-se depois a Shanxi, Shaanxi e Hubei onde, no Neol\u00edtico, se haviam desenvolvido as culturas Yangshao e Longshan, entre outras. Erlitou foi uma grande cidade da Idade do Bronze e o epicentro da cultura com o mesmo nome. O fim da cultura Erlitou foi marcado pela decad\u00eancia dessa cidade e por uma paragem completa da produ\u00e7\u00e3o de bens de luxo.<\/span><\/p>\n<p class=\"p7\"><span class=\"s1\">Em t\u00famulos abastados em Yanshi, no Henan, encontrou-se cer\u00e2mica branca, bem como cer\u00e2mica vitrificada (proto-porcelana) decorada com turquesa e conchas do mar. Algumas cer\u00e2micas brancas foram decoradas com serrilhas na borda da boca, dois c\u00edrculos de padr\u00f5es de corda no bojo e esculpidas com padr\u00f5es de tri\u00e2ngulos no cabo (Fig 15). A textura \u00e9 dura e as paredes relativamente finas. Note-se que, em 2012, se descobriu o forno mais antigo da China que produziu proto-porcelana em Piaoshan, no Zhejiang, cuja actividade coincidiria com a dinastia Xia, de 2070 a 1600 a.C. <\/span><\/p>\n<p class=\"p7\">O termo \u2018proto-porcelana\u2019 designa o est\u00e1gio que antecede a porcelana: uma cer\u00e2mica branca, ainda n\u00e3o totalmente transl\u00facida, dura, com baixa porosidade, geralmente vidrada, com cozedura a cerca de 1200\u00b0C. A argila de Erlitou continha s\u00edlica e alumina com outros \u00f3xidos para diminuir a temperatura de fus\u00e3o. Ao arrefecerem, cimentavam a argila. Quando surge uma cor verde ou amarelada nas pe\u00e7as deste per\u00edodo \u00e9 o resultado da presen\u00e7a de \u00f3xido de ferro que, sob redu\u00e7\u00e3o de oxig\u00e9nio, se torna dessa cor.<\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3 class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><b>Dinastia Shang<br \/>\n<\/b><b>(1766-1046 a.C.)<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\"><b><i>Os primeiros vasos<\/i><\/b> em gr\u00e9s da dinastia Shang recorriam a uma pasta grossa branca acinzentada, por vezes castanha, e consistiam principalmente em jarros e ta\u00e7as com haste, cuja espessura e forma eram irregulares. O vidrado ainda n\u00e3o aderia ao corpo na perfei\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de n\u00e3o ser frequente. Caso existisse, era verde-amarelado, verde-acastanhado ou acinzentado. Encontraram-se vasos trip\u00e9s <i>ding <\/i>(que, al\u00e9m de tr\u00eas pernas, apresentavam por vezes tamb\u00e9m tr\u00eas asas), <i>yan<\/i>, <i>jia<\/i>, <i>guan,<\/i> <i>pan<\/i>, <i>dou<\/i>, <i>he, gui,<\/i> etc.<\/p>\n<p class=\"p7\">Encontrou-se cer\u00e2mica dura estampada no curso m\u00e9dio e inferior dos rios Amarelo e Yangtze, mais rica e variada ao longo deste \u00faltimo. No curso m\u00e9dio e inferior do Rio Amarelo tratava-se sobretudo de pe\u00e7as de corpo castanho arroxeado ou amarelado sob a forma de <i>zun<\/i> e de potes, com padr\u00f5es de cordas no pesco\u00e7o, sendo os bojos estampados com nervuras de folhas, padr\u00f5es de nuvem ou espinha de peixe. No curso m\u00e9dio e inferior do rio Yangtze, havia <i>zun<\/i> e potes, caldeir\u00f5es, tigelas, ch\u00e1venas e <i>dou<\/i>. A cor era arroxeada e castanho-amarelada, com um certo n\u00famero de vermelhos e castanhos avermelhados. Os padr\u00f5es comuns eram nuvens, nervuras de folhas, grades, <i>qiequ<\/i> (faixa em forma de S) e espirais.<\/p>\n<p class=\"p7\">Descobriu-se cer\u00e2mica branca do in\u00edcio da dinastia Shang, sob a forma de <i>gui<\/i>, <i>he<\/i>, <i>jia<\/i> e <i>jue, <\/i>em alguns locais e t\u00famulos em Yuxi, no Henan. Do per\u00edodo interm\u00e9dio, como <i>dou<\/i>, potes e tigelas, al\u00e9m de <i>gui, he, jia<\/i> e<i> jue<\/i>. acharam-se pouco mais do que apenas fragmentos no curso m\u00e9dio e inferior do rio Amarelo. Um maior n\u00famero de pe\u00e7as e mais requintadas em termos de acabamento acharam-se em Anyang. A cer\u00e2mica branca do final desta dinastia apresenta um acabamento excelente e n\u00e3o estava ao alcance das gentes comuns que s\u00f3 podiam adquirir cer\u00e2mica cinzenta produzida em massa. O final da dinastia foi, portanto, um per\u00edodo \u00e1ureo para a antiga cer\u00e2mica branca que era de um branco puro, com uma textura corporal fina e com padr\u00f5es decorativos refinados na superf\u00edcie, como a m\u00e1scara <i>taotie<\/i>, o drag\u00e3o <i>gui<\/i> e \u201cpadr\u00f5es de nuvem\u201d, \u00e0 semelhan\u00e7a do que sucedia com as pe\u00e7as rituais de bronze da \u00e9poca (Figs. 16 e 17).<\/p>\n<p class=\"p7\">Na dinastia Shang tardia, a tecnologia de fabrico dos gr\u00e9s de corpo duro e alto fogo, do vidrado cer\u00e2mico e dos vasos de corpo branco e macio \u00e0 base de caulino (proto-porcelana) apresentaram francas melhorias. Encontraram-se pequenas quantidades de cer\u00e2mica branca requintada e sup\u00f5e-se que era fabricada numa \u00fanica oficina especializada. A mistura b\u00e1sica desta proto-porcelana consistia numa argila rica em caulino com um conte\u00fado de ferro inferior a 3%. Era cozida a cerca de 1200\u00b0C, numa primeira fase para cozer o recipiente e, numa segunda fase, para produzir o vidrado. Nesta \u00faltima fase, expunha-se a cer\u00e2mica \u00e0s cinzas depositadas no forno que acabavam por se liquefazer e misturar-se com alguns componentes da argila recobrindo assim as paredes de forma moderadamente irregular. Os motivos esculpidos e estampados assemelhavam-se aos da decora\u00e7\u00e3o dos vasos de bronze (Fig. 17).<\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3 class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><b>Dinastia Zhou<br \/>\n<\/b><b>(1046-256 a.C.)<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\"><b><i>Na dinastia Zhou<\/i><\/b> o culto funer\u00e1rio sofreu v\u00e1rias transforma\u00e7\u00f5es. O n\u00famero de sacrif\u00edcios humanos diminuiu. Em vez dos t\u00famulos em forma de cruz da aristocracia Shang, constru\u00edam-se edif\u00edcios subterr\u00e2neos semelhantes a uma casa, com divis\u00f5es interligadas. Mas a pr\u00e1tica de enterrar objectos com os cad\u00e1veres continuou.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Esses objectos podiam tanto ser <span class=\"s6\">\u660e\u5668<\/span><i>mingqi<\/i>, elaborados propositadamente para o t\u00famulo, como <span class=\"s6\">\u795e\u5668 <\/span><i>shenqi,<\/i> objectos que haviam sido utilizados em vida.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Esta tend\u00eancia acentuou-se muito na dinastia Han.<\/p>\n<p class=\"p7\"><span class=\"s1\">A cer\u00e2mica vidrada foi muito apreciada na Idade do Bronze e no primeiro imp\u00e9rio (Fig. 18). Como consequ\u00eancia, assim como do enorme prest\u00edgio dos bronzes e, mais tarde, da laca, a terracota passou a ser usada apenas para a produ\u00e7\u00e3o de vasos e objectos de uso quotidiano, decora\u00e7\u00f5es tumulares e, nos per\u00edodos dos Reinos Combatentes e da Primavera e Outono, assim como no per\u00edodo imperial, no fabrico de estatuetas funer\u00e1rias<i> mingqi<\/i>. <\/span><\/p>\n<p class=\"p7\"><span class=\"s1\">Em meados da dinastia Zhou ocidental (1046-771 a.C.), os padr\u00f5es t\u00edpicos da dinastia Shang, como o <i>taotie <\/i>e o drag\u00e3o <i>gui<\/i>, desapareceram. Padr\u00f5es geom\u00e9tricos de aspecto ordenado e elegante tornaram-se comuns, entre eles o padr\u00e3o de nuvens e de cordas, <i>qiequ<\/i> (forma de S), o duplo c\u00edrculo, c\u00edrculos, ziguezagues, xadrez, grades, padr\u00f5es de esteira, nervuras de folha, padr\u00f5es em forma de dentes\u2026 <\/span><\/p>\n<p class=\"p7\"><span class=\"s5\">Na dinastia Zhou oriental (771\u2013256 a.C.), a cer\u00e2mica apresentava formas paralelas \u00e0s dos vasos de bronze, com uma decora\u00e7\u00e3o pintada de espirais cruzadas e outros motivos geom\u00e9tricos e animais.<\/span><\/p>\n<p class=\"p7\"><span class=\"s1\">A cer\u00e2mica cinzenta do per\u00edodo da Primavera e do Outono era principalmente cer\u00e2mica de barro, seguida pela cer\u00e2mica arenosa. Havia tamb\u00e9m cer\u00e2mica vermelha arenosa e cinzento-acastanhada arenosa. Os recipientes de cozinha mais comuns eram o <i>li, <\/i>o<i> fu <\/i>e o<i> zeng<\/i>. <\/span><\/p>\n<p class=\"p7\"><span class=\"s5\">No per\u00edodo dos Reinos Combatentes, quase todos os recipientes para cozinhar foram substitu\u00eddos por <i>fu<\/i>. A maioria das pe\u00e7as de cer\u00e2mica cinzenta apresentava superf\u00edcies lisas ou polidas, enquanto os <i>fu<\/i> e os potes eram ami\u00fade decorados com padr\u00f5es de corda. Havia dois padr\u00f5es principais na decora\u00e7\u00e3o, o de corda grossa estampada e o padr\u00e3o de turbilh\u00e3o. Os padr\u00f5es de corda eram aplicados principalmente no bojo de <i>li, fu<\/i>, jarros, bacias, <i>zeng<\/i> e potes e os padr\u00f5es de turbilh\u00e3o no ombro de <i>li e fu<\/i> e na parte superior do bojo das bacias. O <i>dou <\/i>e <i>o you<\/i> eram geralmente lisos ou polidos. Mas surgiu tamb\u00e9m uma cer\u00e2mica que era pintada ap\u00f3s a cozedura. Como n\u00e3o eram cozidas uma segunda vez, as cores tendiam a desbotar ou descascar, tornando-a impr\u00f3pria para o uso di\u00e1rio e destinando-se apenas ao t\u00famulo (Fig 19). <\/span><\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3 class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><b>Dinastia Han<br \/>\n<\/b><b>(202 a.C.-220 d.C.)<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\"><b><i>Na dinastia Han<\/i><\/b>, surgiu uma verdadeira ind\u00fastria da cer\u00e2mica, dedicada sobretudo ao fabrico de objectos funer\u00e1rios. As escava\u00e7\u00f5es sugerem que os locais de fabrico mais importantes coincidiam com os centros de poder, onde os t\u00famulos eram mais luxuosos, como as zonas pr\u00f3ximas de Chang\u2019an (a actual Xi\u2019an), na prov\u00edncia de Shaanxi, e Luoyang, na prov\u00edncia do Henan. capitais dos per\u00edodos Han Ocidental (206 a.C. \u2013 9 d.C.) e Han Oriental (25 \u2013 220 d.C.), respectivamente.<\/p>\n<p class=\"p7\"><span class=\"s1\">A cer\u00e2mica arenosa tornou-se rara.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Os vasos de cer\u00e2mica de barro cinzento continuaram a ser os mais comuns nas dinastias Qin e Han, tanto sob a forma de objectos de uso quotidiano como de objectos funer\u00e1rios. Apresentavam principalmente padr\u00f5es de cordas, riscas, padr\u00f5es estampados, relevos modelados, colora\u00e7\u00e3o e pintura. Al\u00e9m do vermelho, do amarelo, do preto e do branco que vinham do passado, adicionou-se o laranja, o castanho-avermelhado, o azul, o verde, o cinzento e o castanho. Al\u00e9m disso, em vez de se usar apenas uma cor em cada pe\u00e7a, aplicavam-se m\u00faltiplas cores, tornando os potes da \u00e9poca muito distintos. A superf\u00edcie, desde a borda ao bojo, era dividida com linhas vermelhas ou pretas suaves que formavam sec\u00e7\u00f5es preenchidas com tintas de cores vivas (Fig. 20). O bojo era muitas vezes pintado com motivos como o Drag\u00e3o Azul, o Tigre Branco, a F\u00e9nix Escarlate e padr\u00f5es de nuvens. As bocas e rebordos eram pretos. Os vasos de cer\u00e2mica destinavam-se ao t\u00famulo e podiam ser r\u00e9plicas de pe\u00e7as em laca ou em bronze. N\u00e3o obstante as formas e decora\u00e7\u00e3o primorosas, os pigmentos de cores vivas aplicados sem cozedura tinham tend\u00eancia a esboroar-se e o chumbo contido nos vidrados tornava-os t\u00f3xicos. <\/span><\/p>\n<p class=\"p7\"><span class=\"s1\">No in\u00edcio da dinastia Han Ocidental, a maioria dos t\u00famulos continha um conjunto de <i>ding, dui, fang<\/i> e potes, ou um conjunto de <i>ding, dui<\/i> e potes, em geral imita\u00e7\u00f5es de conjuntos de pe\u00e7as rituais de bronze ou laca. Em meados da dinastia Han Ocidental, a maioria dos t\u00famulos continha uma colec\u00e7\u00e3o de <i>ding, dui<\/i>, potes, vasos para gr\u00e3os, fog\u00f5es e, \u00e0s vezes, tamb\u00e9m bacias e tigelas. No final da dinastia Han Ocidental, continham tamb\u00e9m l\u00e2mpadas, queimadores de incenso, <i>fu, zeng<\/i> e pratos. <\/span><\/p>\n<p class=\"p7\">A proto-porcelana da dinastia Han Ocidental, de formas grandiosas e acabamento impec\u00e1vel, consistia sobretudo em objectos funer\u00e1rios que imitavam pe\u00e7as rituais de bronze: <i>ding, dui, fang<\/i>, copos sem al\u00e7a e <i>bu<\/i>. A tampa e a parte superior do <i>ding<\/i> e do <i>dui<\/i> costumavam apresentar um vidrado verde-azulado ou castanho-amarelado. Esta proto-porcelana era geralmente decorada com padr\u00f5es simples, como cord\u00f5es e ondula\u00e7\u00f5es de \u00e1gua.<\/p>\n<p class=\"p7\"><span class=\"s1\">Em meados da dinastia Han Ocidental, algumas tipologias desenvolveram novas caracter\u00edsticas, enquanto outras foram desapareceram, sendo substitu\u00eddas por novas. O acabamento j\u00e1 n\u00e3o era t\u00e3o requintado ou meticuloso como no in\u00edcio da dinastia Han. No final da dinastia Han Ocidental, v\u00e1rias tipologias de objectos rituais quase desapareceram enquanto se registava um aumento na manufactura de utens\u00edlios de uso quotidiano, como potes, <i>bu<\/i>, jarros, caixas de espelhos, bacias e colheres. <\/span><\/p>\n<p class=\"p7\">No final da fase interm\u00e9dia da dinastia Han Ocidental, surgiram padr\u00f5es em relevo formados atrav\u00e9s da colagem de tiras finas de lama na pe\u00e7a, formando ondula\u00e7\u00f5es, flores, nuvens ondulantes e espinhas de peixe&#8230; Come\u00e7ou a recorrer-se \u00e0 t\u00e9cnica de imers\u00e3o para aplicar vidrados. As pe\u00e7as eram totalmente vidradas, por vezes com a excep\u00e7\u00e3o das \u00e1reas pr\u00f3ximas do fundo. Os padr\u00f5es decorativos ocupavam a borda da boca, o pesco\u00e7o, os ombros e a parte superior do bojo.<\/p>\n<p class=\"p7\">Nos t\u00famulos do in\u00edcio da dinastia Han Oriental, os objectos rituais como o <i>ding<\/i> e o <i>dui<\/i> diminu\u00edram drasticamente. Em meados da dinastia Han Oriental, desapareceram por completo, sendo substitu\u00eddos por <i>mingqi<\/i>, figuras, em geral de terracota, das personagens e ambientes que eram familiares ao defunto, como oficiais militares e funcion\u00e1rios civis, damas de corte e damas de companhia, criados, cortes\u00e3os, animadores, trabalhadores agr\u00edcolas, etc. (Fig. 21). Contavam ainda com figuras de animais, como cavalos, c\u00e3es, bois, vacas, porcos, ovelhas e galinhas e modelos arquitect\u00f3nicos de edif\u00edcios, como torres de vigia, quintas, fortalezas, casas de tipo complexo, currais, pocilgas, po\u00e7os, moinhos, celeiros, teares, tanques\u2026<\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3 class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><b>Per\u00edodo das Seis Dinastias<br \/>\n<\/b><b>(220-589)<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s4\"><b><i>No final<\/i><\/b> da dinastia Han oriental, a proto-porcelana das regi\u00f5es meridionais alcan\u00e7ou um excelente n\u00edvel de qualidade que se manteve neste per\u00edodo. Na dinastia Jin Ocidental (266\u2013316), surgiu uma t\u00e9cnica de vidrado que n\u00e3o s\u00f3 tornava poss\u00edvel uma \u00fanica cozedura, como tornava poss\u00edvel regular a intensidade do brilho. Consistia na aplica\u00e7\u00e3o de uma subst\u00e2ncia l\u00edquida directamente sobre a superf\u00edcie do objecto que se tornava v\u00edtrea na fase da cozedura, tendo como efeito um revestimento homog\u00e9neo. Os vidrados \u00e0 base de chumbo adquiriam uma cor branca, \u00e2mbar, castanha ou verde-azeitona, enquanto os vidrados \u00e0 base de ferro adquiriam tons de verde. <\/span><\/p>\n<p class=\"p7\">Os <i>c\u00e9ladon<\/i> do Zhejiang e do Jiangxi eram os mais valorizados devido \u00e0 forma e \u00e0 superf\u00edcie regular do vidrado (Fig. 22). A cer\u00e2mica de uso quotidiano era principalmente cinzenta e cozida a baixa temperatura, pequena, \u00e1spera e de variedade limitada.<\/p>\n<p class=\"p7\">Faziam-se desde o final da dinastia Han <span class=\"s6\">\u9b42\u74f6<\/span> <i>hunping, vasos da alma<\/i>, um tipo de urna funer\u00e1ria do Jiangsu e do Zhejiang que pode ter servido para conter fruta para acompanhar o defunto no Al\u00e9m (Fig. 23).<\/p>\n<p class=\"p7\">S\u00e3o vasos de forma elegante, adornados com motivos em relevo e confeccionados a partir de moldes. Com efeito, o ombro e a tampa apresentam uma acumula\u00e7\u00e3o de figuras modeladas e acrescentadas que representam temas muito diversos, como personagens, animais, h\u00edbridos, rochas, arquitectura, elementos de paisagens. A tem\u00e1tica provinha do tao\u00edsmo, do budismo e do culto aos antepassados, retirando-se desses sistemas de cren\u00e7as tudo quanto revelasse efic\u00e1cia apotr\u00f3pica. A produ\u00e7\u00e3o de <i>hunping<\/i> terminou abruptamente em 319-20, talvez porque os soberanos tivessem procedido a uma unifica\u00e7\u00e3o dos ritos.<\/p>\n<p class=\"p7\">Na dinastia Wei (386-557 d.C.) dos Xianbei, o principal artigo em cer\u00e2mica eram figuras tumulares de aspecto realista, cor cinzenta e desprovidas de vidrado, como guerreiros esguios e cavalos com armaduras ornamentadas (Fig. 24).<\/p>\n<p class=\"p7\">Tamb\u00e9m se colocavam nos t\u00famulos <span class=\"s6\">\u9547\u5893\u517d<\/span> <i>zhenmushou <\/i>de cer\u00e2mica, guardi\u00f5es mitol\u00f3gicos com poderes apotr\u00f3picos. Em geral, formavam um par, tendo um deles caracter\u00edsticas mais pr\u00f3ximas dos humanos e o outro dos felinos.<\/p>\n<p class=\"p7\">Na dinastia Qi do Norte (550 \u2013 577), no final do s\u00e9culo VI, desenvolveram-se variados tipos de gr\u00e9s e os primeiros exemplos de vidrado <i>sancai<\/i> (tricolor) que iriam atingir o auge posteriormente, na dinastia Tang.<\/p>\n<p class=\"p7\">A principal conquista desta \u00e9poca foi o fabrico de <i>c\u00e9ladon<\/i>, seguido pela porcelana preta e tamb\u00e9m branca. Os <i>c\u00e9ladon <\/i>s\u00e3o vidrados esverdeados de alto fogo cozidos numa atmosfera redutora e cuja cor, em v\u00e1rios tons de verde, prov\u00e9m de pequenas quantidades de ferro e de \u00f3xido de tit\u00e2nio.<\/p>\n<p class=\"p7\"><span class=\"s4\">A porcelana branca das dinastias do Norte caracterizava-se por uma argila muito lavada, fina e branca. N\u00e3o se recorria a qualquer engobe (uma pasta que cont\u00e9m propriedades entre a argila e o vidrado e serve para unir ambos). A camada de vidrado era fina e brilhante, branca leitosa com um sub-tom de azul devido a quantidades muito diminutas de ferro. A remo\u00e7\u00e3o total do ferro ainda n\u00e3o estava ao alcance dos ceramistas. Ou talvez estivesse, mas n\u00e3o a de outro tipo de impurezas que tamb\u00e9m produziam varia\u00e7\u00f5es na cor branca. Tratava-se sobretudo de utens\u00edlios de uso quotidiano, como tigelas, copos, garrafas de gargalo longo, etc. As formas eram herdeiras do <i>c\u00e9ladon<\/i> das dinastias do Norte e a decora\u00e7\u00e3o consistia principalmente em p\u00e9talas de l\u00f3tus, a flor do budismo, que havia sido introduzido na China na dinastia Han.<\/span><\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3 class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><b>Dinastia Sui<br \/>\n<\/b><b>(581-618)<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\"><b><i>Na dinastia Sui<\/i><\/b>, conseguiu obter-se um tipo de gr\u00e9s vidrado an\u00e1logo da verdadeira porcelana que seria aperfei\u00e7oado na dinastia seguinte, a Tang (Fig. 25). Ganharam fama as cer\u00e2micas brancas dos fornos Xing e dos fornos Ding, ambos no Hebei, assim como as porcelanas pintadas e vidradas de Tongguan, no Hunan, e ainda os <i>c\u00e9ladon<\/i> de formas elegantes, por vezes com decora\u00e7\u00e3o incisa, dos fornos Yue, do Zhejiang e a sul da prov\u00edncia de Jiangsu. Cozidos em fornos \u2018drag\u00e3o\u2019, os <i>c\u00e9ladon<\/i> dos fornos de Yue, que se vinham dedicando ao fabrico de pe\u00e7as em gr\u00e9s cozidas a alta temperatura desde a dinastia Shang e estiveram activos at\u00e9 \u00e0 dinastia Song, assim como a cer\u00e2mica branca dos fornos de Xing, que seria depois imitada e suplantada na dinastia Song pelos fornos de Ding, constitu\u00edram as mais altas realiza\u00e7\u00f5es desta dinastia. Em termos de formas, a dinastia Sui herdou muitas do Per\u00edodo das Seis Dinastias. Mas exibiam algumas caracter\u00edsticas distintas, sendo as pe\u00e7as geralmente mais altas e elegantes, com a maioria dos potes e garrafas apresentando bojos ovais.<\/span><\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\">Dinastia Tang<br \/>\n(618-907)<\/h3>\n<p><b><i>Na florescente<\/i><\/b> dinastia Tang, a cer\u00e2mica decorada sob o vidrado conheceu desenvolvimentos.<\/p>\n<p class=\"p7\"><span class=\"s1\">A cer\u00e2mica vidrada de uso predominantemente funer\u00e1rio mais conhecida da dinastia Tang \u00e9 a cer\u00e2mica <i>sancai<\/i>, tricolor. Com a <i>sancai<\/i> praticava-se a aspers\u00e3o livre de vidrados sobre o corpo de cer\u00e2mica, o que foi depois aplicado tamb\u00e9m na cer\u00e2mica para uso quotidiano. O vidrado <i>sancai <\/i>costuma terminar numa linha irregular acima da base, talvez para evitar que gotas de vidrado se fundissem com a prateleira do forno. Para aumentar o grau de controlo das pe\u00e7as <i>sancai<\/i> mais elaboradas recorria-se \u00e0s t\u00e9cnicas de reserva com cera e a m\u00faltiplas aplica\u00e7\u00f5es. Estes vidrados ganharam popularidade, mas apenas os abastados os podiam adquirir. Por isso, as pe\u00e7as com vidrado tinham sempre o seu par sem vidrado.<\/span><\/p>\n<p class=\"p7\">Teve tamb\u00e9m lugar o segundo apogeu da cer\u00e2mica funer\u00e1ria <i>mingqi<\/i>, sendo o primeiro a dinastia Han. Elaboravam-se <i>mingqi<\/i> em <i>sancai<\/i> que representavam com vivacidade e eleg\u00e2ncia todas as actividades, personagens e objectos do quotidiano: c\u00e3es, porcos, camelos, cavalos, animais alados, carros de bois, figuras antropom\u00f3rficas de guardi\u00e3es <i>zhenmushou<\/i>, <i>lokapala<\/i>, figuras humanas, algumas delas estrangeiras, como era pr\u00f3prio desta dinastia cosmopolita, etc. (Fig. 26). Devido ao papel que o acaso desempenha na t\u00e9cnica <i>sancai<\/i> e \u00e0 imprecis\u00e3o na coloca\u00e7\u00e3o das cores, os pormenores da maior parte destas figuras<i>,<\/i> cujos rostos n\u00e3o eram vidrados, costumavam ser pintados a frio depois da cozedura com pigmentos como o cobre, o ferro e o cobalto, importado do oeste. Tamb\u00e9m se faziam em <i>sancai<\/i> jarros, ch\u00e1venas, pratos, gomis e vasos com formas importadas de pa\u00edses estrangeiros, como o rit\u00e3o. Tratava-se de produ\u00e7\u00e3o em massa e de modelos estandardizados.<\/p>\n<p class=\"p7\">O principal centro de fabrico deste tipo de cer\u00e2mica parece ter-se localizado em Gongxian, no Henan. A cer\u00e2mica <i>sancai<\/i> foi cozida pela primeira vez no reinado do imperador Gaozong e ganhou proemin\u00eancia sob a forma de objectos funer\u00e1rios no reinado do imperador Xuanzong.<b> <\/b>Ap\u00f3s o ocaso da dinastia Tang, a cer\u00e2mica de terracota <i>sancai <\/i>deixou de desempenhar qualquer papel na China excepto, por vezes, sob a forma de telhas. S\u00f3 continuou a ser usada na dinastia estrangeira Liao (907 \u2013 1125 d.C.) no nordeste, com um estilo baseado nas tradi\u00e7\u00f5es n\u00f3madas que lhes eram pr\u00f3prias.<\/p>\n<p class=\"p7\">Mais tarde, a cer\u00e2mica deixou de ser utilizada sobretudo para fins funer\u00e1rios, uma vez que os vidrados adquiriram novas cores e as formas se tornaram mais bem delineadas e com textura mais homog\u00e9nea. Com o crescente consumo de ch\u00e1, as pe\u00e7as de cer\u00e2mica tornaram-se objectos de luxo e um foco de grande interesse por parte dos apreciadores daquela bebida. O estilo passou de multicolor a sereno e mesmo monocrom\u00e1tico, pois a monocromia agradava \u00e0s elites (Fig. 27).<\/p>\n<p class=\"p7\">A cer\u00e2micas de vidrado branco dos acima mencionados fornos de Xing e os <i>c\u00e9ladon<\/i> dos acima mencionados fornos de Yue tonam-se cada vez mais elaborados devido a novos processos de fabrico. Os <i>c\u00e9ladon<\/i> de Yue da dinastia Tang raramente eram decorados, e impressionavam t\u00e3o-s\u00f3 pela maravilhosa cor do seu vidrado. S\u00f3 no final da dinastia come\u00e7aram a surgir padr\u00f5es relativamente simples ou palavras gravadas nas cavidades de tigelas e de pratos, no bojo dos potes ou nas tampas de caixas. Os mais comuns eram entalhes de linhas suaves e simples de nuvens <i>ruyi<\/i>, flores de l\u00f3tus, flores de ma\u00e7\u00e3 silvestre e flores e folhas de videira. Os padr\u00f5es impressos surgiam em superf\u00edcies redondas, como as cavidades das tigelas e pratos, consistindo em drag\u00f5es a voar por entre nuvens, caracteres da longevidade e v\u00e1rios tipos de flores. Al\u00e9m da escultura e da impress\u00e3o, tamb\u00e9m se recorria \u00e0 a pintura sob o vidrado e \u00e0s incrusta\u00e7\u00f5es de ouro e prata.<\/p>\n<p class=\"p7\">No s\u00e9c. IX, descobriu-se no templo Famen, no Shaanxi, que os fornos de Yue criavam pe\u00e7as vidradas que ficaram conhecidas como <i>mise<\/i> (cor secreta) cujo tom e forma eram sumamente requintados e n\u00e3o apresentavam qualquer problema de toxicidade (Fig. 28). A <i>mise<\/i> \u00e9 o tipo de porcelana tribut\u00e1ria mais antigo da China, feito especialmente para a fam\u00edlia imperial.<\/p>\n<p class=\"p7\"><span class=\"s1\">Quanto \u00e0 porcelana preta, era fabricada por quase todos os fornos que produziam porcelana branca e <i>c\u00e9ladon<\/i>, pois apenas diferia destes no teor de ferro e no uso de chama oxidante ou redutora durante a cozedura. Os fornos de Ding em Quyang e os fornos de Xing em Neiqiu, no Hebei, os fornos de Hunyuan, no Shanxi, os fornos de Tiejianglu em Gongxian, os fornos de Xiguan em Mixian, os fornos de Hebiji em Tangyin, no Henan, e os fornos de Yaozhou em Tongchuan, no Shaanxi, fabricavam porcelana preta. Todavia, a produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o era elevada porque a procura do mercado era limitada.<\/span><\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3 class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><b>Dinastia Song<br \/>\n<\/b><b>(960 to 1279 d.C.)<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\"><b><i>Com a pr\u00e1tica<\/i><\/b> da incinera\u00e7\u00e3o na dinastia Song, as oferendas funer\u00e1rias em cer\u00e2mica foram sendo substitu\u00eddas por oferendas sob a forma de queima de papel em frente aos t\u00famulos.<\/p>\n<p class=\"p7\">Uma das v\u00e1rias e grandes proezas da dinastia Song foi a sua cer\u00e2mica, caracterizada pela subtileza do tom do vidrado e pela excel\u00eancia dos seus <i>c\u00e9ladon<\/i>, assim como pela decora\u00e7\u00e3o em relevo raso. Os fornos de Ding, Ru, Jun (no norte) Guan e Ge (no sul) ganharam renome devido \u00e0 excel\u00eancia e variedade, o que posteriormente lhes valeria o ep\u00edteto <span class=\"s6\">\u4e94\u5927\u540d\u7a91<\/span>, <i>wu da ming yao,<\/i> \u201cOs Cinco Grandes Fornos\u201d.<\/p>\n<p class=\"p7\">Os fornos de Ru, no Henan, fabricavam <i>c\u00e9ladon<\/i> de qualidade excepcional. Estiveram operacionais durante apenas umas d\u00e9cadas e eram perten\u00e7a da corte imperial do imperador Huizong. Fecharam em 1127 quando a dinastia Jin derrotou a dinastia Song do Norte. A partir de ent\u00e3o, as suas porcelanas passaram a ser consideradas preciosas. A quantidade de ferro nas mat\u00e9rias-primas e a chama de redu\u00e7\u00e3o eram cuidadosamente controladas, demonstrando grande maturidade na confec\u00e7\u00e3o das pe\u00e7as. Como os vasos eram colocados sobre pinos durante a cozedura, as bordas da boca e at\u00e9 mesmo as bordas dos p\u00e9s ficavam totalmente cobertas com uma camada de vidrado liso e lustroso. Toda a superf\u00edcie apresentava um <i>craquel\u00e9e<\/i> ligeiro e regular. As cores do vidrado eram azul-claro, azul-celeste, verde-ervilha, azul-esverdeado e clara-de-ovo. A lou\u00e7a de Ru que sobreviveu at\u00e9 hoje consiste principalmente de pratos e travessas, que podem ser grandes ou pequenos, profundos ou rasos. As tigelas rareiam. A maioria das pe\u00e7as ostenta p\u00e9s circulares (Fig. 29).<\/p>\n<p class=\"p7\">Os fornos de Jun, igualmente no Henan, cuja produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o se destinava \u00e0 corte imperial, fabricavam cer\u00e2mica cozida em redu\u00e7\u00e3o for\u00e7ada, mais robusta, com um vidrado espesso de um azul-lavanda que resultava de um efeito \u00f3ptico provocado por got\u00edculas min\u00fasculas que refractavam a luz e que surgiam no processo de vitrifica\u00e7\u00e3o. As pe\u00e7as apresentavam por vezes manchas vermelhas ou violeta conseguidas atrav\u00e9s da inclus\u00e3o de part\u00edculas de ferro ou cobre. Com efeito, estes fornos foram os primeiros a usar com sucesso \u00f3xido de cobre como corante numa atmosfera redutora, uma conquista tremenda na \u00e9poca. Mais tarde, isto permitiria a cozedura de vidrado vermelho a alta temperatura, o que \u00e9 extremamente dif\u00edcil. Devido \u00e0 presen\u00e7a de \u00f3xido de cobre, os vidrados opacos da lou\u00e7a de Jun diferiam na cor dos demais <i>c\u00e9ladon <\/i>e<i> <\/i>a sua cor azul com tonalidades de violeta, assim como o brilho que adquiriam ap\u00f3s a cozedura, a todos seduziram (Fig. 30). Quanto \u00e0s formas, eram simples e requintadas e imitavam na sua maioria os antigos vasos rituais de bronze.<\/p>\n<p class=\"p7\">No s\u00e9c. X, a especialidade dos fornos de Xing e de Ding, no Hebei, era o gr\u00e9s vidrado branco transparente, com paredes finas e ligeiramente transl\u00facidas que s\u00e3o consideradas as primeiras porcelanas. Nesse mesmo s\u00e9culo, os fornos de Ding, que operavam desde a dinastia Tang (618-907), superaram os de Xing. Atingiram o auge no s\u00e9c. XI e foram fechados na dinastia Yuan (1271-1368). Fabricavam em s\u00e9rie, recorrendo a moldes. Operavam com temperaturas extraordinariamente elevadas e constantes, em fornos alimentados a carv\u00e3o e n\u00e3o a lenha. Conseguiam desse modo fabricar cer\u00e2micas que j\u00e1 n\u00e3o apresentavam um tom azulado, mas sim uma cor branca ou marfim e que era especialmente apreciada pelos monges budistas (Fig. 31). O vidrado podia tamb\u00e9m ser verde, preto ou castanho e, por vezes, criavam um efeito designado por \u201cgota de l\u00e1grima\u201d. Consiste no corrimento do vidrado ao longo da superf\u00edcie dos vasos de porcelana. As pe\u00e7as apresentavam por vezes uma decora\u00e7\u00e3o inspirada na ourivesaria e, posteriormente, nos brocados, e era esculpida, incisa, estampada, modelada ou gravada.<\/p>\n<p class=\"p7\">Os fornos de Yaozhou iniciaram a sua produ\u00e7\u00e3o de pe\u00e7as brancas, pretas e verdes na dinastia Tang, no Shaanxi e espalharam-se depois por uma vasta \u00e1rea, tornando-se nos \u00fanicos fornos do norte a fabricar cer\u00e2mica <i>c\u00e9ladon<\/i>, em geral de um tom verde-azeitona transl\u00facido sobre um corpo cinzento-claro, mais raramente azul-escuro, esmeralda, verde vivo, etc. (Fig. 32). Nos fornos de Yaozhou localizados a sul, os <i>c\u00e9ladon <\/i>ganharam um tom de jade. Na dinastia Jin, ganharam uma tonalidade verde mais clara ou mesmo \u201cbranco lunar\u201d. S\u00e3o um dos fornos de <i>c\u00e9ladon<\/i> com melhor reputa\u00e7\u00e3o, tendo atingido o auge na dinastia Song do Norte (960-1127 d.C.)<i>, <\/i>embora n\u00e3o fizessem parte dos Cinco Grandes Fornos. A produ\u00e7\u00e3o destes fornos cessou no per\u00edodo Jiajing, no final da dinastia Ming (1368-1644). No per\u00edodo \u00e1ureo, os fornos de Yaozhou fabricavam tigelas, pires, bules, pratos, jarras, etc. Entre as t\u00e9cnicas decorativas contavam-se a gravura, o entalhe, o decalque, o esgrafito, entre outras, com motivos de animais e plantas, peixes a nadar e patos em lagos com flores de l\u00f3tus, e ainda crian\u00e7as a brincar. Criavam pe\u00e7as com motivos estampados ou incisos (drag\u00f5es, f\u00e9nix, padr\u00f5es vegetais) atrav\u00e9s do manejo de instrumentos de bamb\u00fa.<\/p>\n<p class=\"p7\">Os fornos de Cizhou no Hebei, Henan, Shanxi e Shaanxi fabricavam pe\u00e7as destinadas ao uso quotidiano e \u00e0s gentes comuns e utilizavam como mat\u00e9ria-prima \u201cterra azul e \u00e1spera\u201d local, muito diferente da mat\u00e9ria-prima fina e branca das porcelanas brancas dos fornos de Ding e Xing. Por isso, os ceramistas de Cizhou aplicavam primeiro uma camada de engobe branco no corpo das pe\u00e7as e s\u00f3 depois as decoravam. Para a decora\u00e7\u00e3o, recorriam \u00e0 combina\u00e7\u00e3o de diversas t\u00e9cnicas como pintura, entalhe e esgrafito. Foram tamb\u00e9m capazes de seduzir as elites com pe\u00e7as robustas brancas e pretas, decoradas com pinceladas a castanho, preto ou cinzento sobre fundo branco, creme, amarelo-claro ou turquesa, ou com incis\u00f5es no revestimento que revelam a cor contrastante da superf\u00edcie. Esta adop\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas tradicionais da pintura chinesa a tinta para desenhar padr\u00f5es pretos sobre um fundo de porcelana branca com um pincel, num estilo extremamente livre e ousado, \u00e9 especialmente not\u00e1vel (Fig. 33). As formas de Cizhou tamb\u00e9m testemunham uma grande criatividade.<\/p>\n<p class=\"p7\">Os fornos de Guan s\u00e3o considerados os fabricantes da melhor porcelana <i>c\u00e9ladon<\/i> e dividem-se em fornos de Guan do norte, em Bianjing (a actual cidade de Kaifeng, no Henan), e fornos de Guan do sul, em Hangzhou, no Zhejiang. Os primeiros fabricavam porcelana <i>c\u00e9ladon<\/i> para a corte, de corpo fino e vidrado espesso e liso, com a superf\u00edcie muitas vezes <i>craquel\u00e9.<\/i> A borda superior das porcelanas apresentava uma cor arroxeada e a borda inferior uma cor de ferro escuro. Poucas pe\u00e7as da dinastia Song do Norte sobreviveram e trata-se principalmente de tigelas, <i>zun, ding<\/i>, <i>gu <\/i>e pratos e garrafas para servir como utens\u00edlios cerimoniais do estado.<\/p>\n<p class=\"p7\">Elaboravam igualmente artigos para escrit\u00f3rio, os chamados \u201cquatro tesouros do est\u00fadio\u201d, relacionados com as prefer\u00eancias pessoais do imperador Huizong. Apresentavam um corpo grosso e preto com vidrado azul-claro ou azul-esverdeado, brilhante e com <i>craquel\u00e9<\/i>. As pe\u00e7as pequenas tamb\u00e9m podiam apresentar <i>craquel\u00e9<\/i> do tamanho de padr\u00f5es de tartaruga (Fig. 34) com linhas \u201csangue de enguia\u201d, um efeito de grande beleza. Este efeito era provocado pelo aproveitamento de uma incapacidade, a fissura\u00e7\u00e3o das superf\u00edcies do vidrado devido \u00e0 liga\u00e7\u00e3o deficiente que este estabelecia com o corpo da pe\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"p7\"><span class=\"s1\">Os fornos de Jindezhen, no Jiangxi, onde existiam muitos dep\u00f3sitos de pedra porcelanosa, conseguiam fabricar pelo menos desde o s\u00e9c. X pe\u00e7as de corpo muito claro, com muito caulino, revestidas de vidrado transl\u00facido com reflexos azulados, gra\u00e7as \u00e0 atmosfera ligeiramente reduzida: a c\u00e9lebre porcelana <\/span><span class=\"s7\">\u9752\u767d<\/span><span class=\"s1\"><i>qingbai<\/i>, branco-azulada (Fig. 35). Coziam as pe\u00e7as em fornos drag\u00e3o abastecidos a lenha. Tornaram-se num produto de topo dada a pureza da textura e o acabamento primoroso. Estas cer\u00e2micas <i>qingbai <\/i>seriam depois eclipsadas no s\u00e9c. XIV pelas ainda mais c\u00e9lebres porcelanas azuis e brancas <\/span><span class=\"s7\">\u9752\u534e<\/span><span class=\"s1\"><i>qinghua<\/i>.<\/span><\/p>\n<p class=\"p7\"><span class=\"s1\">Os fornos de Jizhou, no Jiangxi, operaram desde o final da dinastia Tang at\u00e9 fecharem abruptamente no s\u00e9c. XIV. Tinham com especialidade a lou\u00e7a para o ch\u00e1. Gozaram de grande prest\u00edgio, em especial nos c\u00edrculos de monges budistas e de entendedores de ch\u00e1 da dinastia Song. Fabricavam lou\u00e7as com vidrados pretos, amarelos e cor de caramelo, azuis, brancos e brancos com pintura a castanho&#8230; A lou\u00e7a preta vidrada tornou-se especialmente apetecida devido ao costume de observar a cor do ch\u00e1 e \u00e0 popularidade das \u201ccompeti\u00e7\u00f5es de ch\u00e1\u201d. Os apreciadores de ch\u00e1 da dinastia Song utilizavam nessas competi\u00e7\u00f5es de ch\u00e1 tijolos de ch\u00e1 semi-fermentado. O tijolo era mo\u00eddo at\u00e9 se tornar num p\u00f3 fino que era colocado em ch\u00e1venas para onde era depois despejada \u00e1gua a ferver, de modo a formar uma camada de espuma branca que flutuava na superf\u00edcie do l\u00edquido. O facto de ch\u00e1venas pretas tornarem mais f\u00e1cil observar a espuma branca explica a prefer\u00eancia por essa cor.<\/span><\/p>\n<p class=\"p7\">Tal como os fornos de Cizhou, os fornos de Jizhou caracterizam-se por uma certa rusticidade e pela originalidade do vidrado e da decora\u00e7\u00e3o. Embora a tecnologia de pintura sob o vidrado dos fornos de Jizhou fosse praticamente a mesma dos fornos de Cizhou, ambos recorrendo a corantes \u00e0 base de ferro, os fornos de Jizhou inovaram ao deixar de aplicar primeiro engobe na lou\u00e7a verde e s\u00f3 depois passar \u00e0 pintura. O corpo da porcelana pintada de Jizhou era amarelo ou bege-claro, mais claro do que o dos fornos de Cizhou, o que tornava poss\u00edvel dispensar o engobe. Pintavam vinhas, pe\u00f3nias, p\u00e9talas de l\u00f3tus, borboletas, gansos e peixes. O padr\u00e3o de fundo era geralmente ondulado. A decora\u00e7\u00e3o com ondas e com o movimento da \u00e1gua em geral foi um dos temas favoritos nas artes das dinastias Song e Yuan. Por vezes tamb\u00e9m decoravam as pe\u00e7as atrav\u00e9s da t\u00e9cnica de resist\u00eancia: a impress\u00e3o de folhas ou de recortes de papel que deixava parte do corpo da pe\u00e7a intocada, criando padr\u00f5es em silhueta (Fig. 36); ou ainda borrifando com um castanho mais claro ou salpicando de branco para criar o efeito \u201ccarapa\u00e7a de tartaruga\u201d ou \u201cpele de veado\u201d. Na dinastia Yuan, depois de aprender as t\u00e9cnicas praticadas pelos fornos de Cizhou, a cer\u00e2mica de Jizhou fabricou cer\u00e2mica pintada a castanho e branco.<\/p>\n<p class=\"p7\"><span class=\"s1\">Os fornos de Longquan, no Zhejiang e no Fujian, operaram desde 950 d.C. e terminaram em 1550 com a ascens\u00e3o de Jingdezhen e da porcelana azul e branca. Trata-se de uma das maiores regi\u00f5es de fabrico de cer\u00e2mica. Os <i>c\u00e9ladon<\/i> de Longquan, conhecidos pela eleg\u00e2ncia, eram cobertos por uma ampla gama de vidrados espessos, lisos e brilhantes, variando entre o verde-azulado da dinastia Song do Sul e o verde-marinho intenso do in\u00edcio da dinastia Ming, aplicados sobre argila cinzenta cozida a alta temperatura. Na fase de decl\u00ednio apresentavam v\u00e1rios tons de verde e castanho.<\/span><\/p>\n<p class=\"p7\">O report\u00f3rio de formas inspirava-se em pe\u00e7as de prata, laca, jade arcaico, bronze e outros tipos de cer\u00e2mica. Foi muito imitada na Coreia e no Jap\u00e3o. As melhores pe\u00e7as destinavam-se \u00e0 corte. O restante ia para a popula\u00e7\u00e3o e para exporta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p7\"><span class=\"s5\">Na dinastia Song do Norte, os fornos de Longquan recorriam \u00e0 pedra de porcelana local rica em sil\u00edcio e ferro, o que resultava em corpos espessos e de apar\u00eancia est\u00e1vel com colora\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios tons de cinzento. O vidrado era relativamente fino e com uma cor azul-amarelada dado ainda n\u00e3o dominarem por completo as t\u00e9cnicas de controle da atmosfera redutora. O recurso ao vidrado de cal, que tem uma viscosidade relativamente baixa e boa fluidez em altas temperaturas, permitia a obten\u00e7\u00e3o de um excelente brilho superficial das pe\u00e7as.<\/span><\/p>\n<p class=\"p7\">Na dinastia Song do Sul, as formas eram muito variadas, bem acabadas e requintadas (Fig. 37). Al\u00e9m das pe\u00e7as para uso quotidiano, como tigelas, pratos, potes e jarros, surgiram pe\u00e7as de aparato e vasos sacrificiais, muitos dos quais imitavam os antigos bronzes rituais, assim como os jades e a laca. A natureza popular dos fornos de Longquan permitia-lhes mais liberdade em termos de variedade, forma e decora\u00e7\u00e3o. Neste per\u00edodo surgiu um vidrado in\u00e9dito, verde-ameixa, brilhante e suave, que elevou a produ\u00e7\u00e3o de <i>c\u00e9ladon<\/i> a um novo patamar.<\/p>\n<p class=\"p7\">Os fornos Jian do Fujian eram fornos drag\u00e3o extremamente longos, alguns com cem metros de comprimento, onde se fabricava principalmente lou\u00e7a para ch\u00e1 feita com areia de argila rica em ferro e cozida numa atmosfera oxidante a temperaturas de cerca de 1300\u00b0 C. As melhores pe\u00e7as destinavam-se \u00e0 corte. Ficavam situados na montanha Tianmu, nos arredores de mosteiros budistas, e os monges japoneses que os visitavam para estudar o budismo Zen levavam depois as pe\u00e7as para o seu pa\u00eds, onde eram extremamente valorizadas. Foram tamb\u00e9m muito copiadas, dando origem \u00e0 cer\u00e2mica japonesa Tenmoku (Tianmu em japon\u00eas).<\/p>\n<p class=\"p7\"><span class=\"s4\">As cer\u00e2micas de vidrado negro, caso dos fornos de Jian e Jizhou, eram sobretudo recipientes utilit\u00e1rios ou lou\u00e7a de mesa. Caso fossem decoradas, eram-no com padr\u00f5es espont\u00e2neos atrav\u00e9s da aplica\u00e7\u00e3o de borrifos de um vidrado contrastante. Os corpos de gr\u00e9s eram robustos e revestidos de vidrados pretos simples, por vezes apresentando o padr\u00e3o \u201cp\u00ealo de lebre\u201d e \u201cgotas de \u00f3leo\u201d. Em termos muito simplificados, o padr\u00e3o \u201cp\u00ealo de lebre\u201d obt\u00e9m-se atrav\u00e9s da aplica\u00e7\u00e3o de duas camadas de vidrado, sendo a inferior muito rica em ferro. Durante a cozedura, as bolhas desta camada inferior penetram na superf\u00edcie do vidrado derretido e deslizam depois em direc\u00e7\u00e3o ao centro, criando um padr\u00e3o radiado de listas prateadas ou azul-prateadas (Fig. 38). <\/span><\/p>\n<p class=\"p7\">O efeito \u201cmanchas de \u00f3leo\u201d conseguia-se atrav\u00e9s de uma dupla imers\u00e3o das pe\u00e7as, primeiro numa solu\u00e7\u00e3o de vidrado prim\u00e1rio, depois numa solu\u00e7\u00e3o de vidrado com uma maior concentra\u00e7\u00e3o de ferro. Isto dava origem \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de cristais de hematite e de outros compostos de ferro, que resultavam em manchas com um brilho met\u00e1lico na superf\u00edcie do vidrado ap\u00f3s a cozedura (Fig. 39).<\/p>\n<p class=\"p7\">Depois de atingirem o auge na dinastia Song, as ta\u00e7as de ch\u00e1 de Jian ca\u00edram no esquecimento na China durante muitos s\u00e9culos e foram os japoneses, mais concretamente os monges e mestres do ch\u00e1, que prosseguiram o seu fabrico.<\/p>\n<p class=\"p7\">Conta-se que os fornos de Ge, no Zhejiang, foram fundados por Zhang Shengyi, um oleiro da dinastia Song. Todavia, os fornos ainda n\u00e3o foram encontrados e permanecem de origem misteriosa. A porcelana de Ge pertence \u00e0 fam\u00edlia <i>c\u00e9ladon <\/i>e destinava-se \u00e0 corte. Fabricavam v\u00e1rios tipos de garrafas, pratos, potes, etc. O vidrado \u00e9 uniforme e claro, azul, azul-esverdeado, amarelo-azulado, mas distingue-se pelo <i>craquel\u00e9e <\/i>que cobre a totalidade da superf\u00edcie dos vasos. Preenchiam-se as fissuras com um vidrado de cor diferente da superf\u00edcie, variando entre o bege, o azul, o preto-p\u00farpura e o amarelo acastanhado. Reza a lenda que Zhang Shengyi arrefeceu o forno acidentalmente quando as porcelanas ainda estavam muito quentes e o vidrado se estilha\u00e7ou (Fig. 40).<\/p>\n<p class=\"p7\">Em Dehua, no Fujian, fabricavam-se pe\u00e7as <i>qingbai <\/i>(branco-azulado) bastante semelhantes \u00e0s de Jingdezhen. Mas a maioria das pe\u00e7as <i>qingbai<\/i> dos fornos de Dehua apresentava decora\u00e7\u00f5es gravadas ou impressas. Na dinastia Song do Norte, as pe\u00e7as eram decoradas com padr\u00f5es de nuvens, trov\u00f5es, com pe\u00f3nias, flores de l\u00f3tus, cris\u00e2ntemos, orqu\u00eddeas, flores e p\u00e1ssaros, abelhas, peixes e inscri\u00e7\u00f5es. Na dinastia Song do Sul, teve lugar uma inflex\u00e3o rumo a formas com conota\u00e7\u00f5es budistas, como tijelas em forma de flor de l\u00f3tus, vasos em forma de flor de l\u00f3tus, vasos com boca de l\u00f3tus, <i>kundika<\/i> (jarro de \u00e1gua ritual), etc. Na dinastia seguinte, a Yuan, para al\u00e9m de v\u00e1rias flores e p\u00e1ssaros, passaram a fazer parte dos motivos decorativos palavras auspiciosas como \u201clongevidade\u201d, a su\u00e1stica budista ou o caracter chin\u00eas para <i>prajna<\/i>.<\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3 class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><b>Dinastia Yuan<br \/>\n<\/b><b>(1260-1368 d.C.)<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\">Na dinastia Yuan, de origem mongol, surgiu uma cer\u00e2mica branca que se prestava a ser pincelada com diversas cores e desagradava aos letrados. Pintavam-se cenas da vida popular, em pinceladas despreocupadas e espont\u00e2neas, que contrastavam com o estilo limpo e elegante da dinastia Song.<\/p>\n<p class=\"p7\">O com\u00e9rcio internacional de cer\u00e2mica e outros bens de luxo chineses intensificou-se. E a cer\u00e2mica chinesa tamb\u00e9m recebeu t\u00e9cnicas provenientes do estrangeiro como a t\u00e9cnica persa de decora\u00e7\u00e3o com pintura azul-cobalto sob vidrado. Sob o vidrado significa que as pe\u00e7as eram primeiro pintadas na superf\u00edcie e depois cobertas com um vidrado cer\u00e2mico transparente, sendo de seguida cozidas no forno. A cer\u00e2mica da China que maior sucesso obteve na hist\u00f3ria mundial foram estes azuis e brancos<i> qinghua<\/i> do s\u00e9c. XIV.<\/p>\n<p class=\"p7\">Os fornos mais importantes da dinastia Yuan foram os fornos de Longquan e de Jingdezhen e, de modo geral, a ind\u00fastria cer\u00e2mica s\u00f3 prosperou a sul do rio Yangtze depois desta dinastia. Os <i>c\u00e9ladon<\/i> dos fornos de Longquan n\u00e3o eram t\u00e3o requintados e macios quanto os da dinastia Song. Mas, na dinastia Yuan, as pessoas preferiam pe\u00e7as grandes e robustas e n\u00e3o finas e delicadas e foram bem recebidos tanto na China como no estrangeiro (Fig. 41).<\/p>\n<p class=\"p7\">De in\u00edcio, os fornos de Jingdezhen ainda estavam longe de ser t\u00e3o famosos quanto os fornos de Longquan. No entanto, os seus novos produtos, como a porcelana azul e branca, a porcelana azul e vermelha sob vidrado e a porcelana <i>shufu<\/i>, come\u00e7aram a ganhar uma crescente popularidade e a atrair a aten\u00e7\u00e3o do mundo. Jingdezhen ganhou os favores da fam\u00edlia imperial e tornou-se num dos complexos de fornos mais importantes da \u00e9poca.<\/p>\n<p class=\"p7\">A porcelana <i>shufu<\/i> \u00e9 uma variedade da porcelana clara de ovo, com uma apar\u00eancia branco-azulada e um vidrado transparente. Era cozida sobre uma mistura de caulino e palha e caracterizava-se por p\u00e9s anelares pequenos, p\u00e9s de sec\u00e7\u00e3o quadrada, p\u00e9s sem vidrado e bases pontilhadas. Entre os motivos da decora\u00e7\u00e3o contavam-se duplos drag\u00f5es e flores entrela\u00e7adas e ainda inscri\u00e7\u00f5es de caracteres chineses auspiciosos. Tratava-se normalmente de pe\u00e7as pequenas como pratos, tigelas e ta\u00e7as (Fig. 42).<\/p>\n<p class=\"p7\">A porcelana azul e branca marcou a hist\u00f3ria da cer\u00e2mica chinesa, tendo sido um ponto de viragem na transi\u00e7\u00e3o da decora\u00e7\u00e3o monocrom\u00e1tica para a decora\u00e7\u00e3o com motivos coloridos. J\u00e1 se fazia porcelana azul-cobalto na dinastia Tang, mas o cobalto era misturado com um vidrado com baixo teor de chumbo, o que lhe emprestava uma apar\u00eancia brilhante e sem profundidade. Na dinastia Yuan, Jingdezhen inventou novas variedades de vidrado azul com cobalto cozido a altas temperaturas. O min\u00e9rio de cobalto, de not\u00e1vel qualidade, era importado do Ir\u00e3o, que estava igualmente sob o jugo mongol. Para obter um azul profundo, eram necess\u00e1rias quantidades significativas de cobalto, cujo uso era estritamente regulamentado (Fig. 43).<\/p>\n<p class=\"p7\">Outra proeza de Jingdezhen foi a porcelana com um vidrado vermelho-cobre cozido a altas temperaturas para o qual se recorria, em vez do cobalto, a \u00f3xido de cobre cozido numa atmosfera redutora. Todavia, na dinastia Yuan, a t\u00e9cnica do vermelho sob o vidrado ainda estava na inf\u00e2ncia e as pe\u00e7as n\u00e3o igualavam em delicadeza as da porcelana azul e branca.<\/p>\n<p class=\"p7\">Os fornos de Jingdezhen foram, portanto, uma excep\u00e7\u00e3o no panorama da dinastia Yuan, pois superaram a dinastia Song em termos de quantidade, decora\u00e7\u00e3o e variedade, com mat\u00e9rias-primas muito mais finas e temperaturas de cozedura mais elevadas, o que os tornaria dominantes na ind\u00fastria nas duas dinastias seguintes.<\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3 class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><b>Dinastia Ming<br \/>\n<\/b><b>(1368-1644)<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\"><b><i>As pe\u00e7as<\/i><\/b> <i>qinghua<\/i> conhecem uma expans\u00e3o e aprecia\u00e7\u00e3o sem precedentes na dinastia Ming e passam a apresentar um carimbo a indicar a era imperial (<span class=\"s6\">\u5e74\u53f7<\/span> <i>nianhao<\/i>) na qual foram fabricadas (Fig. 44).<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>As <i>qinghua <\/i>com decora\u00e7\u00f5es a azul escuro, geralmente de p\u00e1ssaros e flores, foram preponderantes nos reinados de Yongle, Xuande e Zhentong.<\/p>\n<p class=\"p7\">Entre as porcelanas de Jingdezhen do reinado de Xuande (1426-1435), contam-se as azuis ou vermelhas sob o vidrado, as vermelhas monocrom\u00e1ticas e as azuis e brancas. A de maior renome era a porcelana vidrada a vermelho que adquire essa cor devido \u00e0 presen\u00e7a de \u00f3xido de cobre e que \u00e9 muito dif\u00edcil de conseguir devido aos requisitos da atmosfera e da temperatura do forno (Fig. 45).<\/p>\n<p class=\"p7\">Os vidrados cozidos a baixa temperatura do final da dinastia Song e posteriormente desenvolvidos na dinastia Yuan alcan\u00e7aram uma qualidade \u00edmpar no reinado de Xuande e recorriam a cores vivas e contrastantes (<span class=\"s6\">\u6597\u5f69<\/span> <i>doucai<\/i>). Os motivos decorativos eram delineados em pigmento azul directamente no corpo da porcelana. Da <i>doucai<\/i> derivou um tipo mais refinado de porcelana conhecido como<span class=\"s6\">\u4e94\u5f69<\/span> <i>wucai<\/i>, \u201ccinco cores\u201d (a soma das tr\u00eas cores dos vidrados com azul-cobalto e branco de porcelana) que alcan\u00e7ou ainda maior renome. A porcelana <i>wucai<\/i> caracteriza-se pela decora\u00e7\u00e3o com v\u00e1rias cores sobre o vidrado ap\u00f3s ter sido cozida uma vez com azul sob vidrado. Enquanto na <i>doucai<\/i> o branco e o azul comp\u00f5em a moldura principal e as demais cores s\u00e3o utilizadas para preencher as \u00e1reas em branco, isso n\u00e3o sucede na <i>wucai<\/i>. Entre as cores sobre o vidrado contam-se o vermelho, o verde, o azul, o amarelo e o roxo. Depois de aplicadas, a porcelana era cozida uma segunda vez, mas numa temperatura mais baixa. A <i>wucai<\/i> surgiu no reinado do imperador Jiajing que governou entre 1521 e 1567 (Fig. 46). O seu fabrico prosseguiu at\u00e9 1644, para conhecer depois um renascimento na dinastia Qing.<\/p>\n<p class=\"p7\">Nos reinados de Zhenghua, Hongzhi e Zhengde dava-se prefer\u00eancia aos azuis p\u00e1lidos com motivos delimitados e ainda \u00e0 porcelana monocrom\u00e1tica de um amarelo espl\u00eandido. As pe\u00e7as monocrom\u00e1ticas agradavam ao gosto dos letrados. Os temas budistas ganham import\u00e2ncia.<\/p>\n<p class=\"p7\">Como se viu, os fornos de Jingdezhen, no Jiangxi e \u00e1reas vizinhas, tinham-se tornado num centro de fabrico de porcelana na dinastia Yuan. Na dinastia Ming ganharam um estatuto sem rival, remetendo para segundo plano todos os outros complexos de fornos. No reinado de Yongle, o azul sob vidrado passou a ser feito com um pigmento de cobalto importado que dava origem a um azul-safira salpicado de pontos pretos devido ao alto teor de ferro. At\u00e9 ent\u00e3o, o cobalto, embora de cor excelente, tinha tend\u00eancia a sangrar durante a cozedura.<\/p>\n<p class=\"p7\"><span class=\"s1\">Quanto aos fornos de Dehua, melhoraram as suas pe\u00e7as <i>qingbai<\/i> tanto nas argilas seleccionadas quanto nas t\u00e9cnicas aplicadas, tornando-as ainda mais brancas do que na dinastia Song. Por essa raz\u00e3o, ficaram internacionalmente conhecidas como <i>Blanc de Chine<\/i>. Com efeito, encontrou-se uma quantidade consider\u00e1vel de porcelana branca de Dehua em m\u00faltiplos locais da \u00c1sia, de \u00c1frica e da Europa, onde foi amplamente imitada (Fig. 47). A argila da porcelana branca de Dehua continha um alto teor de di\u00f3xido de sil\u00edcio e de \u00f3xido de pot\u00e1ssio e, ap\u00f3s a cozedura, aquela tornava-se espessa, firme e transl\u00facida. O vidrado era suave, brilhante e de um branco cremoso, diferente do branco-azulado de Jingdezhen. Fabricavam sobretudo vasos, tanto rituais como utilit\u00e1rios, e ainda esculturas. <\/span><\/p>\n<p class=\"p7\"><span class=\"s1\">No reinado dos imperadores Yongle e Xuande fabricaram-se grandes quantidades de porcelana e das mais requintadas: porcelana <i>zijin<\/i> (de argila roxo-avermelhada), porcelana vidrada a vermelho, porcelana com vermelho sob o vidrado, vidrada a azul, branco, amarelo, verde-pav\u00e3o, azul e branca, <i>doucai<\/i>, no estilo de Ge e de Guan da dinastia Song e porcelana vidrada a azul no estilo de Longquan. No reinado de Yongle, a porcelana vidrada a vermelho e a porcelana com vermelho sob o vidrado estavam em maioria, seguidas pela porcelana <i>zijin<\/i>. No reinado de Xuande, a maioria era porcelana vidrada a branco, porcelana no estilo de Ge e porcelana azul e branca, assim como alguma porcelana vidrada a azul. No s\u00e9c. XV, para cumprir as suas obriga\u00e7\u00f5es para com o governo, os oleiros dos fornos privados tinham de trabalhar todos os anos nos fornos oficiais durante tr\u00eas meses, sendo expostos ao seu estilo e t\u00e9cnicas. Como consequ\u00eancia, os motivos e t\u00e9cnicas tradicionais dos fornos privados foram desaparecendo e dando lugar aos motivos e t\u00e9cnicas dos fornos oficiais, como volutas florais, volutas de l\u00f3tus, pinheiros, bamb\u00fas, flores de ameixeira e ainda personagens de grandes obras liter\u00e1rias como <i>O Romance dos Tr\u00eas Reinos<\/i> e <i>Na Borda da \u00c1gua<\/i>. Esta prefer\u00eancia por temas liter\u00e1rios acentuou-se no per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o entre a dinastia Ming e a dinastia Qing e os pintores de porcelana, ami\u00fade do sexo feminino, adaptavam habilmente esses temas \u00e0s formas das pe\u00e7as. Assim, na superf\u00edcie de vasos cil\u00edndricos pode observar-se generais e funcion\u00e1rios e nos pratos cenas familiares ou palacianas. <\/span><\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3 class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><b>Dinastia Qing<br \/>\n<\/b><b>(1644- 1912)<\/b><b><\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\"><b><i>Nos reinados<\/i><\/b> de Kangxi e de Yongzheng, a qualidade dos produtos de Jingdezhen era excelente. Em Jingdezhen copiava-se n\u00e3o s\u00f3 os produtos dos fornos c\u00e9lebres da dinastia Song, como dos seus equivalentes da dinastia Ming. Isto teve como resultado o aparecimento de muitas novidades, por exemplo no que toca ao vidrado. Criaram-se tipos de vidrados coloridos sem precedentes no per\u00edodo Kangxi, a maior parte com nomes sugestivos como vidrado \u201csangue-de-boi\u201d, \u201cflor de pessegueiro mosqueada\u201d ou \u201ccara de beb\u00e9\u201d, \u201cvermelho sacrificial\u201d e \u201cazul sacrificial\u201d, \u201ccor da \u00e1gua do Lago Oeste\u201d e muitos outros (Figs. 48 e 49). Entre todos os tipos de porcelana, a que mais se destacou no reinado de Kangxi foram as pe\u00e7as <i>wucai<\/i>. A porcelana <i>wucai<\/i> caracterizava-se ent\u00e3o sobretudo pela pintura de cores vivas sobre porcelana vidrada branca. As pe\u00e7as <i>wucai <\/i>azuis e brancas, em particular, eram fabricadas recorrendo a t\u00e9cnicas de azul e branco sob o vidrado. As pe\u00e7as vidradas eram decoradas principalmente com motivos florais.<\/p>\n<p class=\"p7\">Um avan\u00e7o importante na <i>wucai <\/i>do reinado de Kangxi foi a inven\u00e7\u00e3o das cores azul e preta sobre o vidrado. O preto s\u00f3 podia ser alcan\u00e7ado com a aplica\u00e7\u00e3o de uma camada de verde. Tamb\u00e9m foram adoptadas as cores amarelo, beringela, vermelho-ferro e castanho, al\u00e9m da t\u00e9cnica do dourado. Designava-se esta porcelana por <i>yingcai<\/i>. Os motivos decorativos eram geralmente muito chineses. Quando esta t\u00e9cnica se espalhou pela Europa, ficou conhecida como \u201cfam\u00edlia verde\u201d, indicando que este grupo de porcelanas se caracterizava por decora\u00e7\u00f5es pintadas com diversos matizes de verde, aplicados geralmente sem nenhuma decora\u00e7\u00e3o de base azul-cobalto (Figs 50 e 51). A fam\u00edlia amarela recorria a vidrados da fam\u00edlia verde sobre um fundo amarelo enquanto a fam\u00edlia preta apresentava um fundo preto.<\/p>\n<p class=\"p7\">Ainda no reinado de Kangxi teve lugar a introdu\u00e7\u00e3o de um vidrado rosa combinado com um vidrado branco-ars\u00e9nio que se pode estender com o pincel ou soprar sobre a superf\u00edcie, a chamada fam\u00edlia rosa. O rosa e o lil\u00e1s adquiriram lugar de destaque e tornou-se muito popular nos s\u00e9cs. XVIII e XIX. O rosa era conseguido recorrendo a cloreto de ouro. Era usado na Europa do s\u00e9c. XVII, tendo sido posteriormente introduzido na China, onde passou a ser designado em chin\u00eas por <span class=\"s6\">\u7c89\u5f69<\/span> <i>fencai<\/i> ou <span class=\"s6\">\u8f6f\u91c7<\/span> <i>ruancai<\/i>, \u2018cores suaves\u2019 e, mais tarde, como <span class=\"s6\">\u6d0b\u5f69<\/span> <i>yangcai<\/i>, \u2018cores estrangeiras\u2019. A decora\u00e7\u00e3o a verde e a vermelho-ferro era feita sobre o vidrado, ou seja, numa segunda cozedura a baixa temperatura num pequeno forno que derretia os vidrados e os fixava ao corpo da porcelana.<\/p>\n<p class=\"p7\">Os motivos e padr\u00f5es decorativos eram variados, alguns de entre eles extra\u00eddos da cultura popular, como quatro mulheres e dezasseis crian\u00e7as a brincar num p\u00e1tio, pinturas de rom\u00e3s (que simbolizam a esperan\u00e7a de ter mais filhos), os Oito Imortais, os Oito S\u00edmbolos Auspiciosos do Budismo, cenas do <i>Cl\u00e1ssico da Piedade Filial<\/i> e de romances e outros g\u00e9neros liter\u00e1rios, e ainda da \u00f3pera. Alguns motivos inspiravam-se no mundo dos letrados, como os Sete S\u00e1bios do Bosque de Bamb\u00fa, os Oito Imortais B\u00eabados, Zhang Xu (cal\u00edgrafo e poeta chin\u00eas da dinastia Tang) a escrever caligrafia, etc.<\/p>\n<p class=\"p7\">No reinado de Kangxi, a chamada <span class=\"s6\">\u7d20\u4e09\u5f69<\/span> <i>su sancai<\/i> (porcelana lisa tricolor, em geral amarela, verde e roxa) que j\u00e1 vinha do reinado do imperador Zhengde da dinastia Ming, conheceu um grande desenvolvimento. Ao amarelo, verde e roxo, acrescentou-se um tom de azul espec\u00edfico da \u00e9poca. Os m\u00e9todos de aplica\u00e7\u00e3o das cores na porcelana eram diversificados. Embora feita com argila fina e compacta, esta porcelana, no in\u00edcio do reinado de Kangxi, aparentava ser antiga, pesada e simples, mas em meados do mesmo reinado, os corpos come\u00e7aram a tornar-se mais finos.<\/p>\n<p class=\"p7\">A porcelana da fam\u00edlia rosa fabricada no reinado de Yongzheng \u00e9 considerada a melhor (Fig. 52). No reinado deste imperador, as pe\u00e7as com vidrado resultavam de uma fus\u00e3o do estilo da pintura tradicional chinesa com a pintura naturalista ocidental e integravam poemas, caligrafia e carimbos chineses, escritos em caligrafia regular <i>kaishu<\/i>. Eram produto do esfor\u00e7o conjunto da Academia de Pintura, de pintores europeus e de pintores de pe\u00e7as sacrificiais.<\/p>\n<p class=\"p7\">A porcelana da fam\u00edlia rosa dominava ent\u00e3o a produ\u00e7\u00e3o dos fornos oficiais, enquanto a porcelana azul e branca dominava nos fornos privados. Os pigmentos utilizados eram basicamente os mesmos do reinado de Kangxi. A porcelana azul e branca dos fornos privados variava na decora\u00e7\u00e3o e nas formas, confeccionando-se tigelas, pratos, pires, ch\u00e1venas, potes, vasos, <i>zun<\/i>, incens\u00e1rios, casti\u00e7ais e material de escrit\u00f3rio. Conseguia-se obter varia\u00e7\u00f5es de cor atrav\u00e9s de contornos e polimentos, criando tons e matizes diversos. Os motivos mais comuns eram cenas narrativas, flores e paisagens.<\/p>\n<p class=\"p7\">Um segundo tipo de porcelana azul e branco era levemente pintado e mostrava influ\u00eancias das xilogravuras e pinturas tradicionais chinesas. Ostentava padr\u00f5es de nuvens em forma de f\u00e9nix e de drag\u00e3o, assim como v\u00e1rios tipos de flores. Tamb\u00e9m se imitava a porcelana azul e branca da dinastia Ming, em especial a do reinado de Xuande.<\/p>\n<p class=\"p7\">Numa intensifica\u00e7\u00e3o da busca pela perfei\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e est\u00e9tica, o imperador Qianlong convocou os melhores pintores da \u00e9poca e exortou-os a criarem para a porcelana (Fig. 53). Jingdezhen atingiu ent\u00e3o o seu apogeu e prosseguiu a produ\u00e7\u00e3o em escala industrial sob controlo estatal. Jingdezhen forneceu porcelana aos imperadores ao longo de mais de quinhentos anos e tornou-se na capital mundial dessa produ\u00e7\u00e3o. Fabricava porcelanas que replicavam pe\u00e7as originalmente feitas noutros materiais como o jade, o bronze, o ouro, a prata, a pedra, a laca, a madrep\u00e9rola, o bamb\u00fa e a madeira. Tamb\u00e9m conseguiam criar pe\u00e7as de porcelana com partes internas girat\u00f3rias. Os ceramistas eram ainda ex\u00edmios nas t\u00e9cnicas do vidrado <i>cloison\u00e9e<\/i>.<\/p>\n<p class=\"p3\">A porcelana da fam\u00edlia rosa continuou a receber os favores da corte no reinado de Qianlong. Criaram-se, por\u00e9m, novas variedades, como a porcelana azul e branca da fam\u00edlia rosa, a porcelana <i>graviata<\/i> (uma decora\u00e7\u00e3o incolor de cobertura de superf\u00edcie gravada no vidrado do lado interior e n\u00e3o atrav\u00e9s dele) da fam\u00edlia rosa e a porcelana da fam\u00edlia rosa em pain\u00e9is. As pe\u00e7as de porcelana da fam\u00edlia rosa vidradas com decora\u00e7\u00f5es complexas e delicadas dominaram a porcelana do reinado de Qianlong.<\/p>\n<p class=\"p7\">No in\u00edcio do reinado de Jiaqing, as superf\u00edcies vidradas eram t\u00e3o lisas quanto as do reinado de Qianlong. No entanto, as pe\u00e7as de pequenas dimens\u00f5es apresentavam um vidrado fino de cor azulada e, por vezes, um \u201cvidrado ondulado\u201d, ou rugas em forma de onda. Esta tend\u00eancia acentuou-se nos reinados de Daoguang e de Tongzhi. Os motivos decorativos do reinado de Jiaqing assemelhavam-se em estilo aos do reinado de Qianlong, mas as linhas eram finas e as estruturas algo r\u00edgidas. Tal como no reinado de Qianlong, recorreu-se a t\u00e9cnicas como a gravura, a impress\u00e3o, o risco, a perfura\u00e7\u00e3o e o decalque, mas os ceramistas n\u00e3o conseguiram igualar em per\u00edcia os seus antecessores.<\/p>\n<p class=\"p7\">No reinado de Daoguang, os motivos decorativos pintados eram sobretudo flores, relva, insectos, borboletas, frutas e vegetais. Os padr\u00f5es de flores nas paredes dos corpos e nas tampas das porcelana que j\u00e1 estavam em voga no reinado de Yongzheng continuaram a ser populares ainda que apresentassem diferen\u00e7as. Enquanto no reinado de Yongzheng predominavam as f\u00e9nix, o bamb\u00fa verde e os pessegueiros em flor, no reinado de Daoguang predominavam as caba\u00e7as e as uvas. Quanto \u00e0 figura humana (Fig. 54), dominava o tema das mulheres com crian\u00e7as a brincar, assim como os retratos imaginados dos trinta e nove her\u00f3is e hero\u00ednas da dinastia Han at\u00e9 \u00e0 Song do <span class=\"s6\">\u65e0\u53cc\u8c31<\/span> <i>Wushuangpu<\/i> (<i>Manual dos her\u00f3is sem par<\/i>), um livro ilustrado com xilogravuras do in\u00edcio da dinastia Qing.<\/p>\n<p class=\"p7\">O vidrado da porcelana branca de Dehua da dinastia Qing diferia do da dinastia Ming, deixando de ser levemente avermelhado e adquirindo um tom \u201cbranco de \u00f3leo\u201d ou azulado. Para al\u00e9m da porcelana branca de uso quotidiano, os fornos de Dehua come\u00e7aram a dedicar-se ao fabrico de esculturas destinadas \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o para o mercado ocidental, como figuras de negociantes europeus e suas fam\u00edlias, assim como figuras crist\u00e3s, como a Virgem Maria. Conseguiram-no facilmente atrav\u00e9s da adapta\u00e7\u00e3o das t\u00e9cnicas aplicadas na confec\u00e7\u00e3o de esculturas de Avalokitesvara e dos disc\u00edpulos do Buda. Por vezes, combinavam com sucesso na mesma figura o estilo tradicional chin\u00eas com o estilo religioso ocidental.<\/p>\n<p class=\"p7\">Uma cer\u00e2mica feita com materiais vulgares e que se destinava ao mercado popular mas que conseguiu ganhar nome foi a cer\u00e2mica de Shiwan, pr\u00f3ximo de Foshan. As suas lou\u00e7as para uso quotidiano eram vendidas em Guangdong desde, pelo menos, a dinastia Tang. Em Shiwan, os ceramistas eram ex\u00edmios a imitar produtos de outros fornos famosos, como Jun, Longquan, Ge, Cizhou, Jizhou e Jian, assim como a cer\u00e2mica <i>sancai<\/i> da dinastia Tang. Mas tamb\u00e9m sabiam inovar, pelo que a sua cer\u00e2mica, por exemplo, a de estilo de Jun, apresentava diferen\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 original. Todavia, nas dinastias Ming e Qing, Shiwan come\u00e7ou a chamar a aten\u00e7\u00e3o devido sobretudo \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de <span class=\"s6\">\u516c\u4ed4<\/span><i>gongzai,<\/i> figuras humanas realistas, por vezes c\u00f3micas, que apresentavam um vidrado <i>flamb\u00e9<\/i> colorido (Fig. 55). Devido ao seu sucesso, o n\u00famero de ceramistas a especializar-se em <i>gongzai<\/i> aumentou. Al\u00e9m de tipos populares, personagens lend\u00e1rias, religiosas e hist\u00f3ricas, tamb\u00e9m moldavam animais e vegeta\u00e7\u00e3o, pe\u00e7as decorativas e ornamentos arquitect\u00f3nicos. Depois da dinastia Ming, Shiwan conheceu um r\u00e1pido desenvolvimento e tornou-se no pilar da ind\u00fastria da regi\u00e3o. Continuou a operar na dinastia Qing e pelo s\u00e9c. XX adiante, tendo os seus produtos sido exportados em avultadas quantidades para todo o mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h3><\/h3>\n<figure id=\"attachment_1099\" aria-describedby=\"caption-attachment-1099\" style=\"width: 640px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1099 size-large\" src=\"http:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/93-a-claudia-1024x346.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"216\" srcset=\"https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/93-a-claudia-1024x346.jpg 1024w, https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/93-a-claudia-300x101.jpg 300w, https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/93-a-claudia-768x259.jpg 768w, https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/93-a-claudia-1536x518.jpg 1536w, https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/93-a-claudia.jpg 1778w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1099\" class=\"wp-caption-text\">Fornos de tipo drag\u00e3o. Pormenor do painel de azulejos de cer\u00e2mica \u201cFornos de todo o mundo\u201d,<br \/>do Mori Masahiro Design Studio, LLC. Localizado no Ceramic Park em Hasami, prefeitura de Nagasaki, Jap\u00e3o.<\/figcaption><\/figure>\n<h3 class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><b>Tipos de fornos<\/b><\/h3>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b><i>As primeiras cer\u00e2micas<\/i><\/b><\/span> eram secas ao sol ou cozidas a baixas temperaturas em fornos rudimentares. Os fornos servem para retirar a \u00e1gua das pe\u00e7as cruas num ambiente quente e promover a fus\u00e3o dos elementos que as comp\u00f5em. Com o tempo, foram evoluindo e desenvolveram-se t\u00e9cnicas de cozedura cada vez mais eficientes. A esmagadora maioria de fornos descobertos na China datam das dinastias Song e Yuan. Formavam uma rede extremamente eficiente de pequenas e m\u00e9dias empresas com tend\u00eancia acentuada para a especializa\u00e7\u00e3o: entre os ceramistas, alguns consagravam-se apenas \u00e0 modela\u00e7\u00e3o, outros \u00e0 cozedura, outros \u00e0 pintura, etc. Alguns fornos tinham como \u00fanico s\u00f3cio ou cliente o estado imperial.<\/p>\n<p class=\"p3\">Os fornos <span class=\"s2\">\u9992\u5934\u7a91<\/span><b><i>mantou yao<\/i><\/b> s\u00e3o assim designados porque a sua forma lembra os p\u00e3ezinhos chineses cozidos a vapor chamados <i>mantou.<\/i> Os exemplares mais antigos datam do in\u00edcio da dinastia Shang, tendo-se desenvolvido muito na dinastia Tang e amadurecido na dinastia Song. Encontram-se sobretudo no norte da China. Normalmente, constru\u00edam-se os fornos <i>mantou<\/i> em tijolo e em terrenos planos. Eram constitu\u00eddos por uma c\u00e2mara circular encimada por uma estrutura em forma de c\u00fapula e com uma chamin\u00e9 na parte traseira. A fornalha localizava-se abaixo do n\u00edvel do solo e as sa\u00eddas de combust\u00e3o encontravam-se na c\u00e2mara de queima e na parte traseira, conduzindo \u00e0 chamin\u00e9. Tamb\u00e9m podiam tomar a forma de uma ferradura, como os dezoito fornos da dinastia Song do Norte (960\u20131127 d.C.) descobertos em Yaozhou, no Shaanxi. O carv\u00e3o s\u00f3 passou a ser utilizado como combust\u00edvel a partir de meados ou do final da dinastia Song do Norte. At\u00e9 ent\u00e3o, recorria-se \u00e0 lenha. A cozedura, em chama de redu\u00e7\u00e3o ou oxida\u00e7\u00e3o, podia chegar aos 1300\u00baC (Fig. 56).<\/p>\n<p class=\"p3\">Os fornos drag\u00e3o, <span class=\"s2\">\u9f99\u7a91 <\/span><b><i>long yao<\/i><\/b>, s\u00e3o assim designados porque a sua forma lembra um drag\u00e3o. Atingiram igualmente a sua forma amadurecida na dinastia Song, embora os primeiros exemplares datem da dinastia Shang. S\u00e3o feitos de tijolo e encontram-se sobretudo no sul da China, local dos dep\u00f3sitos de caulino mais numerosos e importantes. Os fornos drag\u00e3o, cujo comprimento oscila entre trinta e cem metros, s\u00e3o em geral constru\u00eddos mediante a justaposi\u00e7\u00e3o de pequenas c\u00e2maras feitas de tijolos refract\u00e1rios e galgando a encosta de uma colina, de modo a elevarem-se num \u00e2ngulo de 8 a 20\u00ba. A eleva\u00e7\u00e3o da c\u00e2mara do forno e a sua posi\u00e7\u00e3o na encosta da colina formam uma rota natural para o ar no seu interior, obrigando os gases da combust\u00e3o a percorrer um longo caminho entre o local onde est\u00e1 o fogo, em baixo, e a chamin\u00e9, instalada em cima, no outro extremo do t\u00fanel. A estrutura subdivide-se em tr\u00eas partes: cabe\u00e7a, c\u00e2mara e cauda. Existem respiradouros na parte baixa das paredes ao p\u00e9 dos tabiques que separam as c\u00e2maras para garantir que os gases envolvem cada espa\u00e7o de modo homog\u00e9neo. E pequenas aberturas na parte exterior e superior de cada c\u00e2mara permitem ao oleiro regular a quantidade de ar. A cozedura \u00e9 principalmente em chama de redu\u00e7\u00e3o e utilizando lenha como combust\u00edvel (Fig. 57).<\/p>\n<p class=\"p3\">Existiam ainda outras tipologias, como o forno \u201ccaba\u00e7a\u201d, <span class=\"s2\">\u74dc\u7a91 <\/span><b><i>guayao<\/i><\/b><i>,<\/i> que surgiu no Jiangxi no s\u00e9c. XIV, no local das c\u00e9lebres oficinas de Jingdezhen. Era constitu\u00eddo por uma c\u00e2mara de cozedura compacta e espa\u00e7osa e concebido para cozer rapidamente pe\u00e7as de porcelana a 1300\u00baC.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s3\">Havia ainda o forno em forma de \u201covo\u201d, <\/span><span class=\"s4\">\u86cb\u5211\u7a91 <\/span><span class=\"s3\"><b><i>danxingyao<\/i><\/b>, que lembra uma metade de ovo. Este tipo tornou-se comum na dinastia Ming, depois de se ter formado a partir dos fornos em forma de caba\u00e7a. Media entre sete e dezoito metros de comprimento e era constitu\u00eddo por uma c\u00e2mara de cozedura compacta e espa\u00e7osa e com uma chamin\u00e9 muito alta, sendo alto e largo na parte da frente e baixo e estreito na parte de tr\u00e1s. Isto permitia uma maior qualidade de cozedura r\u00e1pida de pe\u00e7as de porcelana a 1300\u00baC e ainda cozer de uma s\u00f3 vez um grande n\u00famero de pe\u00e7as que exigiam cozeduras diferentes. Utilizava-se lenha como combust\u00edvel. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Para ver as imagens do artigo, consulte <a href=\"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/08\/18\/via-do-meio-6-digital\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui a edi\u00e7\u00e3o digital<\/a>.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>___<\/p>\n<p class=\"p3\"><b>Bibliografia:<\/b><\/p>\n<ul>\n<li class=\"p10\">Fang, Lili (2023) <i>The History of Chinese Ceramics<\/i>, Singapura: Springer. Translation from the Chinese language edition: \u201c<span class=\"s9\">\u4e2d\u56fd\u9676\u74f7\u53f2<\/span>\u201d by Lili Fang, \u00a9 Qilu Press 2013. Published by Qilu Press.<\/li>\n<li class=\"p10\">Krahl, R. e Harrison-Hall (2019), <i>Chinese Ceramics. Highlights of the Sir Percival David Collection<\/i>. 7\u00aa edi\u00e7\u00e3o. The British Museum Press: London<\/li>\n<li class=\"p10\">Krahl, Regina (2011) Chinese Ceramics in the Late Tang Dynasty, in Krahl, Guy, Wilson, and Raby edts), <i>Shipwrecked Tang Treasures and Monsoon Winds<\/i>, Smithsonian Books, 44-54<\/li>\n<li class=\"p10\">Pinto de Matos, M.A. (2011), <i>Cer\u00e2mica da China. Colec\u00e7\u00e3o R.A<\/i>., vol. I, 1\u00aa edi\u00e7\u00e3o, Jorge Welsh Books -Publishers and Booksellers, London<\/li>\n<li class=\"p10\">Przychowski, A. (2018), <i>Chinese Ceramics. The Meiyintang in the Museum Rietberg<\/i>, Museum Rietberg, Zurich.<\/li>\n<li class=\"p10\">Rawson, Jessica (2007) <i>The British Museum Book of Chinese Art<\/i>, Londres: The British Museum Press.<\/li>\n<li class=\"p10\">Sullivan, Michael (2018) <i>The Arts of China<\/i>, University of California Press.<\/li>\n<li class=\"p10\">Valenstein, Suzanne G (1989) <i>A handbook of Chinese ceramics<\/i>, New York:<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Metropolitan Museum of Art.<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] Introdu\u00e7\u00e3o Quando se criam objectos em cer\u00e2mica recorre-se \u00e0 argila como mat\u00e9ria-prima de base. Existem argilas com diferentes composi\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas e que apresentam aspectos distintos. A maioria \u00e9 usada na composi\u00e7\u00e3o de pastas cer\u00e2micas em conjunto com outras mat\u00e9rias-primas naturais pl\u00e1sticas, como o caulino, ou n\u00e3o-pl\u00e1sticas, como a areia ou o feldspato (do alem\u00e3o&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":19,"featured_media":1098,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-1097","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artes"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/93-Figura-Han-1.png","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1097","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1097"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1097\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1100,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1097\/revisions\/1100"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1098"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1097"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1097"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1097"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}