{"id":1133,"date":"2025-10-21T01:16:09","date_gmt":"2025-10-20T17:16:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.viadomeio.com\/?p=1133"},"modified":"2025-10-21T01:16:09","modified_gmt":"2025-10-20T17:16:09","slug":"conceitos-do-pensamento-chines-ren-benevolencia-humanidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/10\/21\/conceitos-do-pensamento-chines-ren-benevolencia-humanidade\/","title":{"rendered":"Conceitos do Pensamento chin\u00eas &#8211; (ren) Benevol\u00eancia, Humanidade"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p class=\"p1\">O caracter <span class=\"s1\">\u4ec1<\/span> \u00e9 composto pelo radical<span class=\"s1\"> \u4eba <\/span>(homem, que tamb\u00e9m se pronuncia <i>ren<\/i>) e o caracter <span class=\"s1\">\u4e8c<\/span> <i>er<\/i> (dois), explicitando que <i>ab initio<\/i> o homem se torna humano pelas rela\u00e7\u00f5es com outros seres humanos. Ora esta fundamenta\u00e7\u00e3o relacional da exist\u00eancia faz primordialmente do homem um ser moral ou ser-para-a-moral, assim institu\u00edda como elemento fundador e constitutivo de qualquer ser humano. Para uma subjectividade, para um indiv\u00edduo, ren seria um ponto (estado\/processo) de plena realiza\u00e7\u00e3o moral. Mas ren situa-se aqu\u00e9m e al\u00e9m do sujeito que como produtor de ren s\u00f3 existe relacionalmente, o que d\u00e1 uma abrang\u00eancia global (social e metaf\u00edsica?) ao conceito. Conf\u00facio nunca define inteiramente e de forma lapidar em que consiste ren, como se recusasse estreitar o seu significado, mas reconhece-lhe um valor de tal modo alto que ningu\u00e9m o possuiria totalmente, a n\u00e3o ser alguns s\u00e1bios da antiguidade. (Cheng, Anne;1997,69). Ao longo dos <i>Analectos<\/i>, o Mestre explica-se:<\/p>\n<p class=\"p1\">\u201c<i>Ren<\/i> \u00e9 amar os outros (&#8230;) \u201cN\u00e3o fa\u00e7as aos outros o que n\u00e3o queres que te fa\u00e7am a ti (&#8230;)<\/p>\n<p class=\"p1\">\u201cAtingir o <i>ren<\/i> ou, mais ainda, a sabedoria suprema, n\u00e3o o poderia pretender. Tudo o que posso afirmar \u00e9 que para ele tende todo o meu cora\u00e7\u00e3o. (&#8230;)<\/p>\n<p class=\"p1\">\u201cO que \u00e9 <i>ren<\/i>, ao estabelecer-se, estabelece os outros; ao ter sucesso, proporciona sucesso aos outros (&#8230;)<\/p>\n<p class=\"p1\">\u201cForma em ti a ideia do que podes fazer pelos outros \u2014 eis o que te colocar\u00e1 no caminho do <i>ren<\/i>.\u201d, etc..<\/p>\n<p class=\"p1\">Para M\u00eancio, \u201ctodos os homens t\u00eam um cora\u00e7\u00e3o que n\u00e3o suporta o sofrimento dos outros. (&#8230;) Um cora\u00e7\u00e3o sem compaix\u00e3o n\u00e3o \u00e9 humano\u201d, acrescentando que essa compaix\u00e3o \u00e9 o princ\u00edpio de <i>ren<\/i>.<\/p>\n<p class=\"p1\">M\u00eancio: \u201cUm cora\u00e7\u00e3o compassivo \u00e9 o princ\u00edpio de <i>ren<\/i>; um cora\u00e7\u00e3o com o sentido de vergonha e desgosto \u00e9 o princ\u00edpio de <i>yi<\/i>; um cora\u00e7\u00e3o humilde e complacente \u00e9 o princ\u00edpio de <i>li<\/i>; um cora\u00e7\u00e3o com o sentido do certo e do errado \u00e9 o princ\u00edpio de <i>zhi<\/i>. Os homens t\u00eam estes quatro princ\u00edpios tal como t\u00eam quatro membros. Se um homem disser que tem estes quatro princ\u00edpios mas n\u00e3o os consegue desenvolver, far\u00e1 mal a si mesmo. (&#8230;) Se a sua realiza\u00e7\u00e3o for completa ser\u00e1 suficiente para todos proteger entre os Quatro Mares, se o n\u00e3o f\u00f4r, n\u00e3o ser\u00e1 sequer suficiente para servir os pr\u00f3prios pais.\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\">Xunzi: \u201c<i>Ren<\/i> \u00e9 amor, por isso \u00e9 sobre rela\u00e7\u00f5es. <i>Yi<\/i> \u00e9 ordem, por isso \u00e9 sobre a conduta; <i>Li<\/i> \u00e9 modera\u00e7\u00e3o, por isso \u00e9 sobre realiza\u00e7\u00e3o. <i>ren<\/i> \u00e9 a aldeia e <i>yi<\/i> \u00e9 o port\u00e3o. Se <i>ren<\/i> n\u00e3o \u00e9 a aldeia onde habitas, ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 <i>ren<\/i>. Se <i>yi<\/i> n\u00e3o \u00e9 o port\u00e3o que usas, ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 <i>yi<\/i>. S\u00f3 quando a pessoa exemplar* habita o <i>ren<\/i> atrav\u00e9s de <i>yi<\/i>, \u00e9 que subsequentemente existe <i>ren<\/i>; s\u00f3 quando pratica <i>yi<\/i> atrav\u00e9s de <i>li<\/i>, existe subsequentemente <i>yi<\/i>. Ao regular<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span><i>Li<\/i>, regressa \u00e0 raiz e completa os ramos e subsequentemente existe <i>Li<\/i>. Quando os tr\u00eas est\u00e3o interligados, subsequentemente existe a Via.\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\">Zhu Xi: \u201cQuando <i>ren<\/i> flui e opera, em qualquer tempo e onde quer que seja, <i>yi<\/i> ser\u00e1 realizado e <i>Li<\/i> e <i>zhi<\/i> ser\u00e3o realizados.\u201d Zhu Xi acrescenta: \u201cTomemos o exemplo das sementes de gr\u00e3o ou dos caro\u00e7os dos p\u00eassegos e dos alperces. Quando semeados, crescem. N\u00e3o s\u00e3o coisas mortas. Por isso s\u00e3o chamados <i>ren<\/i>. Tal mostra que ren implica o esp\u00edrito da vida. <i>Ren<\/i> \u00e9 espont\u00e2neo, <i>shu<\/i> (a cortesia) \u00e9 culta. <i>Ren<\/i> \u00e9 natural, <i>shu<\/i> implica esfor\u00e7o. <i>Ren<\/i> n\u00e3o calcula e nada tem em vista, <i>shu<\/i> \u00e9 calculista e tem um objectivo em vista. <i>Ren<\/i> \u00e9 o princ\u00edpio do amor e a imparcialidade \u00e9 o princ\u00edpio de <i>ren<\/i>. Por isso, se houver imparcialidade, haver\u00e1 <i>ren<\/i> e se houver <i>ren<\/i> haver\u00e1 amor.\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\"><i>Ren<\/i>, finalmente, implica o reconhecimento de um elevado grau de depend\u00eancia dos homens entre si.<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s2\">Para a tradu\u00e7\u00e3o portuguesa, opt\u00e1mos por usar as palavras humanidade, por vezes, mais frequentemente benevol\u00eancia (do latim, <i>benevolens<\/i>), que significa \u00e0 letra \u201cquerer bem\u201d, que nos parece, em termos sem\u00e2nticos, suficientemente pr\u00f3xima de <i>ren<\/i>.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h3><\/h3>\n<h3 class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><span class=\"s1\"><b>*Pessoa exemplar (<\/b><\/span><span class=\"s2\">\u541b\u5b50<\/span><span class=\"s1\"><b> <\/b><b><i>junzi<\/i><\/b><b>) <\/b><b><\/b><\/span><\/h3>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">\u00c0 letra l\u00ea-se: \u201cfilho do senhor\u201d. Normalmente, tem sido traduzido por \u201chomem superior\u201d ou \u201chomem nobre\u201d. A re-significa\u00e7\u00e3o confuciana do termo entende-se quando pensamos no car\u00e1cter educativo deste pensamento, tornando l\u00f3gico que seja direcionado a algu\u00e9m que assumir\u00e1 no futuro responsabilidades governativas. No entanto, o conceito ultrapassa a mera esfera do pol\u00edtico e, porque \u00e9 no cultivo de si que se atinge a alta excel\u00eancia, onde a benevol\u00eancia \u00e9 regra da ac\u00e7\u00e3o, parece-nos ajustado traduzir por \u201cpessoa exemplar\u201d, dando assim uma multiplicidade de sentidos \u00e0 hierarquia. O <i>junzi<\/i> ser\u00e1 algu\u00e9m cuja produ\u00e7\u00e3o moral o torna num exemplo a seguir, opera\u00e7\u00e3o fundamental da moral social e pol\u00edtica confucionista. De sublinhar que Conf\u00facio realiza <i>uma desloca\u00e7\u00e3o no conceito de um sentido filiativo para um sentido \u00e9tico e moral<\/i>. Finalmente, pouco lhe importa a origem social deste homem mas sim o modo como, atrav\u00e9s do cultivo de si, recupera a sua natureza original e age virtuosamente no seu tempo. Estamos assim perante dois aspectos: um interno e um externo, embora a distin\u00e7\u00e3o entre ambos seja fluida. <i>Junzi<\/i> surge, geralmente, por oposi\u00e7\u00e3o a <i>xiaoren<\/i> <\/span><span class=\"s3\">\u5c0f\u4eba <\/span><span class=\"s1\">(pessoa menor). Segundo Anne Cheng, <i>junzi<\/i> \u201cdesigna nos textos antigos todo o membro da alta nobreza mas, (&#8230;) na linguagem de Conf\u00facio, ganha um sentido novo, a \u2018qualidade\u2019 do homem nobre n\u00e3o \u00e9 j\u00e1 exclusivamente determinada pelo seu nascimento, mas depende tamb\u00e9m e sobretudo do seu valor como ser humano realizado. A eleva\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 referida ao n\u00edvel social mas ao valor moral.\u201d (Cheng, Anne, 1997, 67)\u00a0<\/span><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] O caracter \u4ec1 \u00e9 composto pelo radical \u4eba (homem, que tamb\u00e9m se pronuncia ren) e o caracter \u4e8c er (dois), explicitando que ab initio o homem se torna humano pelas rela\u00e7\u00f5es com outros seres humanos. 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