{"id":1151,"date":"2025-10-21T01:31:46","date_gmt":"2025-10-20T17:31:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.viadomeio.com\/?p=1151"},"modified":"2025-10-21T01:31:46","modified_gmt":"2025-10-20T17:31:46","slug":"a-alma-e-o-coracao-mente-aristoteles-e-xun-zi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/10\/21\/a-alma-e-o-coracao-mente-aristoteles-e-xun-zi\/","title":{"rendered":"A alma e o cora\u00e7\u00e3o-mente: Arist\u00f3teles e Xun Zi"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><span class=\"s1\">1. <\/span><b>A alma aristot\u00e9lica<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\">Em cerca de 384\/383 a.C nasceu Arist\u00f3teles em Estagira. Entre 367-366 a.C foi estudar na Academia plat\u00f3nica de Atenas a mando do seu tutor Prox\u00e9no depois da morte de seu pai. Aqui se manteve durante 20 anos. As suas primeiras obras s\u00e3o de influ\u00eancia plat\u00f3nica. Em 347 a. C abandonou a Academia e teve uma breve experi\u00eancia de ensino em Lesbos, Mitilene, com Teofrasto, fundando uma escola (345-344 a.C). Em 343-342 a.C foi encarregado por Filipe II da educa\u00e7\u00e3o do seu filho Alexandre. Quando aquele que viria a ser conhecido por Alexandre o Grande ascendeu ao trono, como Alexandre III, regressou a Atenas, onde fundou o Liceu. A\u00ed escreveu a maior parte das obras que podem ser divididas em escritos esot\u00e9ricos, dirigidos aos seus estudantes, e exot\u00e9ricos para a divulga\u00e7\u00e3o entre o grande p\u00fablico.<\/p>\n<p class=\"p4\">Arist\u00f3teles saiu de Atenas em 323 a.C, depois da morte de Alexandre Magno, quando aumentou o sentimento antimaced\u00f3nico, instalando-se em C\u00e1lcis, onde viria a falecer em 322 a.C<\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s2\">As obras daquele que para muitos ficou simplesmente conhecido como o Fil\u00f3sofo podem ainda ser relacionadas com o per\u00edodo que as viu nascer: Per\u00edodo da Academia, Per\u00edodo das Viagens pela \u00c1sia Menor e Per\u00edodo do Liceu. <i>Eudemo <\/i>ou <i>Tratado da Alma<\/i> e o <i>Protr\u00e9ptico<\/i> s\u00e3o obras de teor plat\u00f3nico que pertencem ao per\u00edodo da Academia. S\u00e3o igualmente deste per\u00edodo os primeiros escritos sobre l\u00f3gica e f\u00edsica. No Per\u00edodo das viagens pela \u00c1sia Menor, nomeadamente por Assos e Mitilene, ap\u00f3s a morte de Plat\u00e3o, come\u00e7aria a consolidar-se o modo de pensar pr\u00f3prio do fil\u00f3sofo, nas seguintes obras: <i>Sobre a Filosofia, Sobre o C\u00e9u <\/i>e <i>Sobre a Gera\u00e7\u00e3o <\/i>e a <i>Corrup\u00e7\u00e3o, <\/i>bem como o primeiro esbo\u00e7o da <i>Metaf\u00edsica<\/i>. Por \u00faltimo, temos o per\u00edodo do Liceu constitu\u00eddo sobretudo por textos esot\u00e9ricos. As obras aristot\u00e9licas podem ainda ser agrupadas em torno de seis grandes campos do saber: a l\u00f3gica (<i>Organon, Sobre a Interpreta\u00e7\u00e3o, Anal\u00edticos, os T\u00f3picos <\/i>e as <i>Refuta\u00e7\u00f5es Sof\u00edsticas<\/i>); F\u00edsica ou Filosofia Natural (<i>Physis, Sobre o C\u00e9u, Sobre a Gera\u00e7\u00e3o e Corrup\u00e7\u00e3o, Meteorol\u00f3gicos e <\/i>v\u00e1rios textos sobre os animais<i>.<\/i>), neste per\u00edodo se inclui o tratado de psicologia <i>Sobre a Alma<\/i>,<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>aqui analisado. Arist\u00f3teles dedicou-se ainda ao estudo da Filosofia Primeira ou <i>Metaf\u00edsica<\/i>; da Pol\u00edtica e da \u00c9tica, esta \u00faltima refletida na obra maior \u00c9tica a Nic\u00f3maco, e em textos complementares como <i>Magna Morali<\/i> e \u00c9tica a Eudemo, bem como ao estudo da Est\u00e9tica, onde sobressaem a <i>Ret\u00f3rica <\/i>e a <i>Po\u00e9tica.<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s2\"> No tratado de psicologia <i>Sobre a Alma <\/i>encontramos muitas das ideias fundamentais do fil\u00f3sofo sobre a natureza em geral, humanidade inclu\u00edda, e sobre a alma em particular. O ser possui dez modos, as categorias. Entre as quais se encontra em primeiro lugar a subst\u00e2ncia. A <i>ous\u00eda <\/i>grega, ou a <i>substantia <\/i>latina, a <i>ess\u00eancia<\/i>, \u00e9, do ponto de vista etimol\u00f3gico, o que <i>sub<\/i>&#8211; s<i>tare<\/i>, ou seja, o que est\u00e1 colocado por baixo, mas ela n\u00e3o \u00e9 apenas o suporte das qualidades, pois \u00e9 ainda cada ser concreto, cada realidade individual. H\u00e1, tamb\u00e9m, os universais, as abstra\u00e7\u00f5es, que n\u00e3o podem existir independentemente de cada ser concreto. Cada ser individual \u00e9 um composto de mat\u00e9ria e forma, por isso se diz que a subst\u00e2ncia \u00e9 <i>hilem\u00f3rfica<\/i>, porque tem <i>hyle <\/i>\u201cmat\u00e9ria\u201d e <i>morph\u00ea<\/i>, \u201cforma\u201d. N\u00e3o h\u00e1 aqui, por\u00e9m, qualquer vislumbre do dualismo plat\u00f3nico. A forma, enforma a mat\u00e9ria, sendo o que determina um indiv\u00edduo pertencer a uma esp\u00e9cie ou g\u00e9nero. <\/span><\/p>\n<p class=\"p4\">Constitui esta subst\u00e2ncia hilem\u00f3rfica uma ess\u00eancia, possuindo atributos essenciais e acidentais. O mundo e o universo s\u00e3o compostos por subst\u00e2ncias sens\u00edveis e suprassens\u00edveis, puras formas eternas.<\/p>\n<p class=\"p4\">Arist\u00f3teles defende um modelo cosmol\u00f3gico geoc\u00eantrico, no qual a lua estabelece a linha divis\u00f3ria entre o nosso mundo e o c\u00e9u. O cosmos \u00e9 composto por esferas conc\u00eantricas, residindo na \u00faltima as estrelas fixas. O movimento das esferas supralunares ou das subst\u00e2ncias sens\u00edveis eternas, os corpos celestes, \u00e9 circular, j\u00e1 o movimento do mundo sublunar \u00e9 retil\u00edneo, de ascens\u00e3o ou de descida. Toda a mat\u00e9ria \u00e9 formada por quatro elementos: o fogo, o ar, a \u00e1gua e a terra que n\u00e3o constam do mundo supralunar onde apenas existe \u00e9ter. Exterior ao universo encontra-se uma subst\u00e2ncia intelig\u00edvel pura, o primeiro motor im\u00f3vel, que explica a origem do movimento. N\u00e3o tem mat\u00e9ria, \u00e9 ato puro, move o universo por amor, no sentido que todas as subst\u00e2ncias vivas se movem por amor e admira\u00e7\u00e3o a esta divindade. Nele convergem a causa eficiente e final, enquanto motor \u00e9 causa eficiente, sendo ainda a finalidade de todos os seres. E por isso se diz que o pensamento de Arist\u00f3teles \u00e9 teleol\u00f3gico.<\/p>\n<p class=\"p4\">Todas as subst\u00e2ncias sens\u00edveis s\u00e3o compostos de mat\u00e9ria e forma suscept\u00edveis de movimento, sendo atrav\u00e9s deste que a forma se desenvolve em determinada mat\u00e9ria que a alberga em pot\u00eancia. O acto \u00e9 a forma; a pot\u00eancia as mudan\u00e7as que se podem produzir na mat\u00e9ria. Cada subst\u00e2ncia tem quatro causas de mudan\u00e7a: a causa formal, a causa material, a causa eficiente e a causa final. As subst\u00e2ncias viventes possuem uma ess\u00eancia, uma subst\u00e2ncia primeira, uma alma que as anima ou as movimenta, sendo esta vegetativa nas plantas, sensitiva nos animais e intelectiva no ser humano.<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s2\">\u201c<\/span>Para que exista um homem, faz falta uma causa material (a carne e os ossos) e uma causa formal (a forma <span class=\"s2\">de homem), mas tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio que algu\u00e9m o gere (o pai e a m\u00e3e) e, com certeza, uma causa final (a realiza\u00e7\u00e3o completa da sua forma de homem, ou seja da sua alma intelectiva)\u201d (Arist\u00f3teles ApudTrujillo,2015: 89\/90)<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s2\">Diz-nos Arist\u00f3teles<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>no Livro II de <i>Sobre a Alma<\/i>, ap\u00f3s um Livro I entregue a uma digress\u00e3o sobre o conceito de alma nos principais fil\u00f3sofos pr\u00e9-socr\u00e1ticos e em Plat\u00e3o, que a alma n\u00e3o se move a si mesma, n\u00e3o \u00e9 harmonia, n\u00e3o \u00e9 n\u00famero, que n\u00e3o \u00e9 composta por elmentos, mas \u00e9 antes: \u201co primeiro acto dum corpo natural que possui vida em pot\u00eancia\u201d (Arist\u00f3teles, 2010, Livro II, 412b). E ainda ilustra com um exemplo para colocar a forma do outro lado da mat\u00e9ria, como seu complemento, indissoci\u00e1vel da mesma: \u201cSe o olho fosse um animal, a vis\u00e3o seria a sua alma. Esta \u00e9 pois a ess\u00eancia do olho de acordo com a sua defini\u00e7\u00e3o.\u201d (Arist\u00f3teles, 2010, Livro II, 412b-20). A alma \u00e9 para Arist\u00f3teles <i>aquilo pelo qual vivemos<\/i> (Arist\u00f3teles, 2010, Livro II, 413a), o que nos torna animados, quer dizer, que ela \u201cn\u00e3o existe sem o corpo, nem \u00e9 ela mesmo um corpo, mas \u00e9 algo do corpo.\u201d (Arist\u00f3teles, 2010, Livro II, 414a-20). A alma dos homens constitui o topo duma pir\u00e2mide de crescente complexifica\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que alberga todas as faculdades das restantes almas. Assim, possui as partes nutritiva, perceptiva, desiderativa, de desloca\u00e7\u00e3o e discursiva, caracterizando-se por se mover em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 sua causa final, a realiza\u00e7\u00e3o completa da sua forma humana, a atualiza\u00e7\u00e3o da alma racional, estando a felicidade no colocar a actividade da alma de acordo com a raz\u00e3o. Atingir a felicidade \u00e9 um modo de vida que passa pelo exerc\u00edcio da nossa virtude (<i>aret\u00ea<\/i>) moral e intelectual, sendo a virtude entendida como uma excel\u00eancia, que pode ser pr\u00e1tica, quando cultivamos, atrav\u00e9s da alma racional, a virtude da prud\u00eancia (<i>phronesis<\/i>) conducente \u00e0 felicidade humana, ou quando exercitamos, por meio da nossa raz\u00e3o teor\u00e9tica, a virtude da sabedoria (<i>sophia<\/i>)<i>, <\/i>atingindo assim a felicidade perfeita e divina.<\/span><\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>2. O Cora\u00e7\u00e3o-mente em Xunzi<\/b><\/h3>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s2\">\u00c9 altura de mencionar a import\u00e2ncia da alma no Taoismo, antes<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>de se passar \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o do fil\u00f3sofo confucionista Xunzi. Recorde-se o pensamento do fundador do Taoismo no <i>Cl\u00e1ssico do Caminho e da Virtude<\/i> (<\/span><span class=\"s3\">\u300a\u9053\u5fb7\u7ecf\u300b<\/span><span class=\"s2\">)<i> <\/i>sobre a vida, nomeadamente no cap\u00edtulo X (Ribeiro, 2004, X):<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p4\"><i>Quando a tua alma celeste (<\/i>ying<span class=\"s4\">\u8425<\/span><i>)<br \/>\n<\/i><i>e a tua alma terrestre (<\/i>po<span class=\"s4\">\u9b44<\/span><i>)<br \/>\n<\/i><i>abra\u00e7am o Um,<br \/>\n<\/i><i>consegues n\u00e3o as apartar?<\/i><\/p>\n<p class=\"p4\"><i>Ao concentrar o Sopro (<\/i>qi<span class=\"s4\">\u6c14<\/span><i>)<br \/>\n<\/i><i>e atingir a maleabilidade,<br \/>\n<\/i><i>consegues ser Rec\u00e9m-nascido?<\/i><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p4\">Not\u00e1mos que o conceito de alma, ou almas, embora n\u00e3o extrapole o dom\u00ednio da f\u00edsica, excede em muito o que poder\u00e1 ser dito sobre ela do ponto de vista filos\u00f3fico.<\/p>\n<p class=\"p4\">Tamb\u00e9m v\u00e1rios s\u00e9culos depois, os taoistas da via alqu\u00edmica especificam os tr\u00eas tesouros, que constituem a vida: a vitalidade (<span class=\"s4\">\u7cbe<\/span> <span class=\"s5\"><i>j\u012bng<\/i><\/span>), a<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>energia (<span class=\"s4\">\u6c14<\/span> <i>q\u00ec<\/i>) e o esp\u00edrito ou ess\u00eancia (<span class=\"s4\">\u795e<\/span> <i>sh\u00e9n<\/i>).<\/p>\n<p class=\"p4\">Encontramos dificuldade em analisar o discurso filos\u00f3fico deste Taoismo dentro dos limites da simples raz\u00e3o. Defendem no geral a concilia\u00e7\u00e3o e harmoniza\u00e7\u00e3o das energias por meio do sopro vital (<span class=\"s4\">\u6c14<\/span>) com vista \u00e0 forma\u00e7\u00e3o dum embri\u00e3o espiritual, um halo, uma imagem luminosa, que projetar\u00e1 o nosso esp\u00edrito na esfera c\u00f3smica, onde este se imortalizar\u00e1 por fases, subindo os degraus do refinamento da imortalidade terrestre at\u00e9 \u00e0 celestial.<\/p>\n<p class=\"p4\">N\u00e3o \u00e9 nesta acep\u00e7\u00e3o metaf\u00edsica, ou pelo menos al\u00e9m dos limites dum entendimento discursivo, que se enquadra a no\u00e7\u00e3o de alma de Arist\u00f3teles. Esta, com excep\u00e7\u00e3o do Primeiro Motor Im\u00f3vel que pertence ao dom\u00ednio da Metaf\u00edsica, entrar\u00e1 num composto de alma e corpo, tendo como finalidade melhor e mais perfeita o excerc\u00edcio da sabedoria num quadro natural. Ela \u00e9 t\u00e3o natural como o corpo que enforma e procura organizar ativamente o mundo em que se insere, movida pelo amor supremo \u00e0 divindade.<\/p>\n<p class=\"p4\">A no\u00e7\u00e3o de alma aristot\u00e9lica poder\u00e1 ser aproximada, a meu ver, da de Cora\u00e7\u00e3o-Mente da filosofia chinesa de fei\u00e7\u00e3o confucionista, tanto de M\u00e2ncio como de Xunzi (<span class=\"s4\">\u8340\u5b50<\/span>) , fil\u00f3sofo que confere o t\u00edtulo \u00e0 obra hom\u00f3nima <i>Xunzi<\/i><span class=\"s4\">\u300a\u8340\u5b50\u300b<\/span>. Esta, de uma grande coer\u00eancia l\u00f3gica e estil\u00edstica, data dos finais do per\u00edodo dos Estados Combatentes (475-221 a.C), sendo composta por trinta e dois cap\u00edtulos sobre os temas mais diversificados, incluindo a \u00e9tica, a pol\u00edtica, assuntos militares e educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s2\">Quem foi Xunzi (c.298-238 a.C.)? \u00c9 considerado o terceiro maior fil\u00f3sofo e educador da escola confucionista. Tamb\u00e9m conhecido por Xun Kuang (<\/span><span class=\"s3\">\u8340\u51b5<\/span><span class=\"s2\">). Nasceu no estado de Zhao (<\/span><span class=\"s3\">\u8d75\u56fd<\/span><span class=\"s2\">). Lecionou nos estados de Qi (<\/span><span class=\"s3\">\u9f50<\/span><span class=\"s2\">), Qin (<\/span><span class=\"s3\">\u79e6<\/span><span class=\"s2\">), Zhao (<\/span><span class=\"s3\">\u8d75<\/span><span class=\"s2\">) e Chu (<\/span><span class=\"s3\">\u695a<\/span><span class=\"s2\">), tendo chegado a director da Academia do estado de Qi (<\/span><span class=\"s3\">\u9f50<\/span><span class=\"s2\">). \u00c0 semelhan\u00e7a de outros confucionistas, procurou influenciar ministros e reis, sendo nomeado magistrado de Lanling na prov\u00edncia de Shandong. Mas quando o primeiro-ministro, Senhor de Chunshen (<\/span><span class=\"s3\">\u6625\u7533<\/span><span class=\"s2\">) do estado de Chu, faleceu retirou-se desiludido com a corrup\u00e7\u00e3o do mundo.<\/span><\/p>\n<p class=\"p4\">A filosofia de Xunzi, que aqui se traz na vers\u00e3o de chin\u00eas contempor\u00e2neo, \u00e9 marcada por uma vis\u00e3o muito pessimista da natureza humana, o que n\u00e3o sucede em Arist\u00f3teles. Para o fil\u00f3sofo chin\u00eas, o ser humano \u00e9 naturalmente mau. Declara no livro 23, intitulado<i> <\/i>\u201cA Natureza Humana \u00e9 M\u00e1\u201d: \u201cA Natureza humana \u00e9 m\u00e1, qualquer bondade nos humanos \u00e9 adquirida por artif\u00edcio consciente\u201d (<span class=\"s4\">\u4eba\u4e4b\u6027\u6076\uff0c\u5176\u5584\u8005\u4f2a\u4e5f\u3002<\/span>) (Xunzi, 1999, 23.1). Este artif\u00edcio consciente \u00e9 o estudo, a aprendizagem e o saber, que conseguem endireitar um ser naturalmente torto. E um pouco adiante acrescenta:<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p5\">Sendo este o caso, quando cada um segue a sua natureza espont\u00e2nea e as suas inclina\u00e7\u00f5es naturais, a agressividade e a gan\u00e2ncia desenvolvem-se. O que se faz acompanhar pela viola\u00e7\u00e3o das distin\u00e7\u00f5es entre classes sociais, conduzindo a ordem natural \u00e0 anarquia donde resulta uma tirania cruel. Assim \u00e9 necess\u00e1rio que a natureza humana se transforme por influ\u00eancia dum professor e dum modelo e que seja guiada por princ\u00edpios rituais e morais (&#8230;) [<span class=\"s4\">\u7136\u5219\u4ece\u4eba\u4e4b\u6027\uff0c\u987a\u4eba\u4e4b\u60c5\uff0c\u5fc5\u51fa\u4e8e\u4e89\u593a\uff0c\u5408\u4e8e\u72af\u5206\u4e71\u7406\uff0c\u800c\u5f52\u4e8e\u66b4\u3002\u6545\u5fc5\u5c06\u6709\u5e08\u6cd5\u4e4b\u5316\u3001\u793c\u4e49\u4e4b\u9053<\/span> (&#8230;)] (Xunzi, 1999, 23.2)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p4\">No Livro I, o da \u201cExorta\u00e7\u00e3o ao Conhecimento\u201d defende que apenas a aprendizagem e o exerc\u00edcio da sabedoria nos podem distanciar duma natureza instintiva, cruel e m\u00e1, desenvolvendo em n\u00f3s qualidades humanas: \u201cOs que aprendem tornam-se homens, os que negligenciam a aprendizagem tornam-se bestas ferozes\u201d (<span class=\"s4\">\u6545\u5b66\u6570\u6709\u7ec8\uff0c\u82e5\u5176\u4e49\u5219\u4e0d\u53ef\u987b\u81fe\u820d\u4e5f\u3002\u4e3a\u4e4b\uff0c\u4eba\u4e5f\uff1b\u820d\u4e4b\uff0c\u79bd\u517d\u4e5f<\/span>) (Xunzi, 1999, 1.8)<\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s6\">O conhecimento viabiliza a constru\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria identidade humana, sendo pelo saber que se atinge a virtude m\u00e1xima da sabedoria. Esta contribui para o mundo na forma\u00e7\u00e3o de fil\u00f3sofos \u00e0 maneira antiga, por exemplo grega de senhores ou cavalheiros (<\/span><span class=\"s7\">\u541b\u5b50<\/span><span class=\"s6\"><i>junzi<\/i>) ao jeito chin\u00eas, exatamente com o mesmo sentido. Os reis-s\u00e1bios da antiguidade ditaram os princ\u00edpios rituais, que servem de modelo (<\/span><span class=\"s7\">\u793c\u6cd5<\/span><span class=\"s8\"><i>L\u01d0f\u01ce<\/i><\/span><span class=\"s6\">) aos homens superiores contempor\u00e2neos. Estes, por seu turno, educam os cavalheiros ou futuros governantes. O m\u00e9todo certo para a aprendizagem \u00e9 a influ\u00eancia do educador: \u201cNa aprendizagem nada melhor do que estar perto dum homem de saber\u201d (<\/span><span class=\"s7\">\u5b66\u83ab\u4fbf\u4e4e\u8fd1\u5176\u4eba<\/span><span class=\"s6\">) (Xunzi, 1999, 1.11)<\/span><\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s2\">O receber a influ\u00eancia dum bom exemplo, bem como o estudo dos cl\u00e1ssicos da antiguidade e dos reis-s\u00e1bios da antiguidade, \u00e9 muito importante para formar um homem verdadeiramente humano, \u00e9 fundamental tamb\u00e9m tal como pr\u00e1tica de \u201cAuto-Cultivo \u201d, da qual trata o Livro II, implicando um trabalho a partir do cora\u00e7\u00e3o-mente (<\/span><span class=\"s3\">\u5fc3<\/span><span class=\"s2\"> <i>xin<\/i>), ou seja, um movimento provocado pela alma em sentido aristot\u00e9lico. <\/span><\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s9\">Sabendo que o saber se define em todos os confucionistas como a capacidade de distinguir o certo do errado, j\u00e1 que \u201cReconhecer o certo como certo e o errado como errado \u00e9 o que se chama sabedoria\u201d (<\/span><span class=\"s10\">\u662f\u662f\u3001\u975e\u975e\u8c13\u4e4b\u77e5<\/span><span class=\"s9\">)(1999, 2.3) , deve-se atender ainda a que o cora\u00e7\u00e3o-mente se coloque na postura correta para alimentar a mente, como nos \u00e9 dito em 2.4 em <i>Alimentar a Mente Atrav\u00e9s do Controlo do Sopro Vital <\/i>(<\/span><span class=\"s10\">\u6cbb\u6c14\u3001\u517b\u5fc3\u4e4b\u672f<\/span><span class=\"s9\">)<i>.<\/i> <\/span><\/p>\n<p class=\"p4\">Mas como \u00e9 isso poss\u00edvel no seio desta filosofia confucionista? Como se conjugam as nossas naturezas celestial e terrestre por meio do sopro vital comandado em primeiro lugar pelo cora\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p5\">\u201cResumindo, de todos os m\u00e9todos de controlo do sopro vital e de alimenta\u00e7\u00e3o da mente nenhum \u00e9 mais direto do que aquele que procede de acordo com os princ\u00edpios rituais, nenhum \u00e9 mais essencial do que obter um bom professor, nenhum \u00e9 mais inteligente do que unificar os nossos desejos. De facto, este procedimento \u00e9 corretamente chamado o m\u00e9todo de controlar o sopro vital e alimentar a mente.<span class=\"s2\">\u201d<\/span> (<span class=\"s4\">\u51e1\u6cbb\u6c14\u3001\u517b\u5fc3\u4e4b\u672f\uff0c\u83ab\u5f84\u7531\u793c\uff0c\u83ab\u8981\u5f97\u5e08\uff0c\u83ab\u795e\u4e00\u597d\u3002\u592b\u662f\u8c13\u6cbb\u6c14\u3001\u517b\u5fc3\u4e4b\u672f\u4e5f\u3002<\/span>) (Xunzi,1999,2.4)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s6\">Se recorrermos a uma terminologia aristot\u00e9lica, no modelo sapiencial de Xunzi, a forma vem integralmente por actualizar. O ser humano deve ent\u00e3o movimentar-se de modo a permitir que a alma\/cora\u00e7\u00e3o-mente crie as condi\u00e7\u00f5es para que a mat\u00e9ria actualize a pot\u00eancia de bem, n\u00e3o que transporta em si, mas que pode adquirir pelo estudo e contacto com os s\u00e1bios de todos os tempos. O principal \u00e9 saber qual \u00e9 a finalidade de um cavalheiro\/senhor, porque \u201cAquele que actua por amor ao modelo \u00e9 um intelectual. Aquele que o incorpora com o sentido de finalidade \u00e9 um cavalheiro, aquele que tem um discernimento sem limites \u00e9 s\u00e1bio\u201d (<\/span><span class=\"s7\">\u597d\u6cd5\u800c\u884c\uff0c\u58eb\u4e5f\uff1b\u7b03\u5fd7\u800c\u4f11\uff0c\u541b\u5b50\u4e5f\uff1b\u9f50\u660e\u800c\u4e0d\u7aed\uff0c\u5723\u4eba\u4e5f\u3002<\/span><span class=\"s6\">) (Xunzi, 1999: 2.10) <\/span><\/p>\n<p class=\"p4\">Como nos \u00e9 explicado em pormenor no Livro 30, \u201cSobre o Modelo de Conduta\u201d, o modelo adv\u00e9m-nos dos princ\u00edpios rituais: \u201cEles s\u00e3o o modelo de conduta dos homens comuns que n\u00e3o os compreendem, mas tamb\u00e9m o modelo para os s\u00e1bios que os entendem\u201d (<span class=\"s4\">\u793c\u8005\uff0c\u4f17\u4eba\u6cd5\u800c\u4e0d\u77e5\uff0c\u5723\u4eba\u6cd5\u800c\u77e5\u4e4b\u3002<\/span>) (Xunzi, 1999: 30.1), sendo estes, antes de mais, os mandamentes n\u00e3o escritos concedidos pelo C\u00e9u.<\/p>\n<p class=\"p4\">Tanto em Arist\u00f3teles como em Xunzi s\u00f3 a alma racional pode tornar o ser humano verdadeiramente virtuoso e feliz. A virtude m\u00e1xima \u00e9 em ambos a sabedoria, a virtude divina por excel\u00eancia, a que aproxima o animal social de Arist\u00f3teles do Primeiro Motor Im\u00f3vel e que socializa o animal natural de Xunzi, elevando-o \u00e0 categoria de interlocutor privilegiado do C\u00e9u. Este concedeu \u00e0 natureza princ\u00edpios e valores morais e intelectuais suscet\u00edveis de o humanizarem e o integrarem numa sociedade que poder\u00e1 vir a ser boa, quando bem governada por s\u00e1bios, com suas regras e obedi\u00eancia a princ\u00edpios rituais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>___<\/p>\n<p class=\"p3\"><b>Bibliografia<\/b><b><\/b><\/p>\n<ul>\n<li class=\"p8\"><span class=\"s2\">Arist\u00f3teles. (2010). <i>Sobre a Alma<\/i>. Tradu\u00e7\u00e3o de Ana Maria. Revis\u00e3o cient\u00edfica de Tomaz Calvo Martinez. L\u00f3io. Lisboa: Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, Imprensa Nacional- Casa da Moeda.<\/span><\/li>\n<li class=\"p8\"><span class=\"s2\">Cleary, Thomas. (1991). <i>Vitality Energy Spirit<\/i>. <i>A Taoist Sourcebook<\/i>. Boston and London: Shambhala.<\/span><\/li>\n<li class=\"p8\"><span class=\"s2\"><i>Laozi<\/i>. (2004). <\/span><span class=\"s12\">\u300a\u9053\u5fb7\u7ecf\u300b<\/span><span class=\"s2\"> <i>Dao De Jing<\/i>. <i>O Livro da Via e do Poder<\/i>. Trad. de Cl\u00e1udia Ribeiro. Mem Martins: Publica\u00e7\u00f5es Europa-Am\u00e9rica.<\/span><\/li>\n<li class=\"p8\"><span class=\"s2\"><i>Laozi<\/i>.<\/span><span class=\"s12\">\u300a\u8001\u5b50\u300b<\/span><span class=\"s2\">.(1999). Trad para Ingl\u00eas de Arthur Waley e para chin\u00eas moderno de Chen Guying. Hunan, Beijing: Hunan People\u2019s Publishing House, Foreign Language Press.<\/span><\/li>\n<li class=\"p8\"><span class=\"s2\">Trujillo Ruiz, P. (2015). <i>Arist\u00f3teles<\/i>. <i>Da Pot\u00eancia ao Ato. <\/i>Portugal: Atl\u00e2ntico Press <\/span><\/li>\n<li class=\"p8\"><span class=\"s2\">Xunzi.(1999). <\/span><span class=\"s12\">\u300a\u8340\u5b50\u300b<\/span><span class=\"s2\"> Hunan, Beijing: Hunan People\u00b4s Publishing House, Foreign Language Press.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] 1. A alma aristot\u00e9lica Em cerca de 384\/383 a.C nasceu Arist\u00f3teles em Estagira. Entre 367-366 a.C foi estudar na Academia plat\u00f3nica de Atenas a mando do seu tutor Prox\u00e9no depois da morte de seu pai. Aqui se manteve durante 20 anos. As suas primeiras obras s\u00e3o de influ\u00eancia plat\u00f3nica. Em 347 a. C abandonou&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":1152,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[39],"tags":[],"class_list":["post-1151","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ocidente-oriente"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/69-1.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1151","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1151"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1151\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1153,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1151\/revisions\/1153"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1152"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1151"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1151"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1151"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}