{"id":1157,"date":"2025-10-21T01:37:27","date_gmt":"2025-10-20T17:37:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.viadomeio.com\/?p=1157"},"modified":"2025-10-21T01:37:27","modified_gmt":"2025-10-20T17:37:27","slug":"a-influencia-da-pintura-ocidental-na-literatura-chinesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/10\/21\/a-influencia-da-pintura-ocidental-na-literatura-chinesa\/","title":{"rendered":"A influ\u00eancia da pintura ocidental na literatura chinesa"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p class=\"p1\">A leitura de Lu Xun (1881-1936), um dos maiores escritores chineses de todos os tempos, limpa e sara a mente, especialmente quando viajamos atrav\u00e9s da China, o que tem sido ultimamente o meu caso.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">Em 1936 Lu Xun escreveu: <span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>\u201c<\/span>\u4e2d\u570b\u7684\u4eba\u6c11\uff0c\u662f\u5e38\u7528\u81ea\u5df1\u7684\u8840\uff0c\u53bb\u6d17\u6743\u529b\u8005\u7684\u624b\uff0c\u4f7f\u4ed6\u53c8\u53d8\u6210\u6d01\u51c0\u7684\u4eba\u7269\u7684\u3002<span class=\"s1\">\u201d <\/span><\/p>\n<p class=\"p4\">O povo chin\u00eas usa muitas vezes o seu pr\u00f3prio sangue para lavar as m\u00e3os do opressor e fazer dele um santo sem m\u00e1cula.<\/p>\n<p class=\"p4\">Hoje n\u00e3o vou falar da China nem do povo chin\u00eas. Em vez disso, quero salientar o lado pict\u00f3rico da escrita de Lu Xun.<\/p>\n<p class=\"p4\">Poucas pessoas sabem que Lu Xun desenhou muitas das capas dos seus livros e que era um amante da pintura. Para ele, a arte pl\u00e1stica ocidental libertava a mente e dava asas \u00e0 criatividade. \u201cAs cores do C\u00e9u e da Terra mudam e, na nossa limita\u00e7\u00e3o, descobrimos de repente que existe um caminho libertador.&#8221;<\/p>\n<p class=\"p4\">Vamos agora ler um excerto do conto <i>Nuwa Vai Consertar o C\u00e9u <\/i>(1922). Atentem na beleza estranha e cheia de sensualidade da sua paleta crom\u00e1tica.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p6\"><span class=\"s2\"><i>No c\u00e9u rosado, passam volteando nuvens de um verde cinza, que escondem o brilho pulsante das estrelas.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Nos limites do c\u00e9u, o Sol brilha por detr\u00e1s das nuvens cor de sangue como uma bola de fluido dourado, envolta na lava de terra ancestral. Um luar frio atravessa o c\u00e9u, de um branco pungente. <\/i><\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p4\">A hero\u00edna da hist\u00f3ria lembra ao leitor as mulheres de Van Gogh.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p6\"><i>\u2026 Uma luz deslumbrante envolvia-lhe o corpo amplo, sensual. Foi andando at\u00e9 ao mar, flanqueada pelo C\u00e9u e a Terra em matizes cor de carne, as suas curvas desapareciam num mar de luz p\u00e9tala, at\u00e9 n\u00e3o ser mais do que um filamento do mais puro branco.<\/i><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s2\">Lu Xun foi claramente influenciado pelo esplendor e pelo olhar inovador dos impressionistas e pela melancolia e inquieta\u00e7\u00e3o modernistas. A beleza que nasce do desespero \u00e9 a cura que a sua escrita me proporciona. Aqui v\u00e3o mais algumas passagens:\u00a0<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p6\"><i>Talvez me lembre de ter atravessado a vagina da montanha num barquito.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Vi melros, vi colheitas, flores silvestres, galinhas, c\u00e3es, vi arbustos e troncos de \u00e1rvores mortas, vi cabanas, torres e margens de rios. Sob o azul ultramarino, os lavradores, as suas mulheres e filhas estendiam as roupas ao sol. Os monges e os seus h\u00e1bitos, as nuvens do c\u00e9u e os bambus reflectiam-se na \u00e1gua l\u00facida, a que cada movimento dos remos trazia um raio de luz \u2026. <\/i><\/p>\n<p class=\"p8\" style=\"text-align: right;\"><i>in A Hora do Conto<\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p6\"><span class=\"s2\"><i>O c\u00e9u inquietante, de um azul profundo, tremeluzia como o rosto de um fantasma, como se quisesse abandonar o mundo dos vivos, deixar a solit\u00e1ria jujuba, conservando para si apenas a Lua. <\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: right;\"><i>in Noite de Outono<\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p6\"><i>O fogo est\u00e1 morto. As formas ardem, mas as chamas est\u00e3o frias, congeladas, como s\u00f3lidos bra\u00e7os de coral. As extremidades deixam escapar um fumo compacto, negro. <\/i><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: right;\"><i>in Fogo morto<\/i><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] A leitura de Lu Xun (1881-1936), um dos maiores escritores chineses de todos os tempos, limpa e sara a mente, especialmente quando viajamos atrav\u00e9s da China, o que tem sido ultimamente o meu caso. 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