{"id":1176,"date":"2025-10-21T01:51:18","date_gmt":"2025-10-20T17:51:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.viadomeio.com\/?p=1176"},"modified":"2025-10-21T01:57:10","modified_gmt":"2025-10-20T17:57:10","slug":"apresentando-yu-xuanji-poeta-chinesa-da-dinastia-tang","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/10\/21\/apresentando-yu-xuanji-poeta-chinesa-da-dinastia-tang\/","title":{"rendered":"Apresentando Yu Xuanji, poeta chinesa da dinastia Tang"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p class=\"p1\">T<span class=\"s2\">raduzimos<\/span> a obra completa da poeta chinesa, da Dinastia Tang, Yu Xuanji, nascida em 844 e falecida, provavelmente, em 869. S\u00e3o 50 poemas, mais 5 fragmentos que restaram de uma obra que ter\u00e1 sido mais extensa.<\/p>\n<p class=\"p3\">A produ\u00e7\u00e3o po\u00e9tica da Dinastia Tang (618-915), considerada o \u00e1pice da poesia cl\u00e1ssica chinesa, surpreende pela quantidade e qualidade, com formas fixas altamente codificadas. A popular antologia Poemas completos da Dinastia Tang, compilada posteriormente, no s\u00e9culo XVII (Dinastia Qing), por ordem imperial, cont\u00e9m aproximadamente 50 mil poemas, escritos por 2200 autores.<\/p>\n<p class=\"p3\">Ter\u00e1 havido mais escritores importantes e muitos textos se perderam. H\u00e1 190 mulheres entre esses autores, dentre as quais Yu Xuanji \u00e9 um dos nomes de proemin\u00eancia. Seus poemas foram publicados em vida em uma cole\u00e7\u00e3o chamada Fragmentos de uma Terra de Sonhos ao Norte, que se perdeu. Os 50 poemas que sobreviveram para nossa \u00e9poca foram recompilados na Dinas- tia Song (960-1279).<\/p>\n<p class=\"p3\">H\u00e1 uma extensa linhagem de poetas mulheres na China, a qual percorre as diferentes fases de uma literatura milenar quase sempre como corrente paralela ou espec\u00edfica em rela\u00e7\u00e3o ao tronco principal. Na Dinastia Tang, per\u00edodo hist\u00f3rico de intensa vida urbana culta, a situa\u00e7\u00e3o da mulher era bastante mais favor\u00e1vel que em outros momentos da hist\u00f3ria da China. A elas era atribu\u00edda uma posi\u00e7\u00e3o social mais livre e igualit\u00e1ria em rela\u00e7\u00e3o aos homens. Ainda que exclu\u00eddas do sistema dos exames imperiais que selecionavam a elite dominante e impedidas de exercerem fun\u00e7\u00f5es relevantes, muitas filhas de fam\u00edlias abastadas podiam adquirir educa\u00e7\u00e3o e conhecimento liter\u00e1rio.<\/p>\n<p class=\"p3\">As cortes\u00e3s e as monjas tao\u00edstas, como Yu Xuanji, formavam grupos sociais intercambi\u00e1veis (cortes\u00e3s tornavam-se monjas e vice-versa), com uma inser\u00e7\u00e3o particular nessa sociedade. As mais talentosas eram versadas nas artes cl\u00e1ssicas (m\u00fasica, poesia, caligrafia, pintura) e eram tratadas como iguais em discuss\u00f5es e concursos de poesia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p5\"><b>A vida, a obra e a lenda<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\">Yu Xuanji \u00e9 uma das poetas mulheres chinesas mais afamadas, inclusive por sua biografia, n\u00e3o obstante pouco se conhe\u00e7a de fidedigno de sua hist\u00f3ria pessoal, al\u00e9m da obra considerada emblem\u00e1tica de uma consci\u00eancia feminista precursora em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 modernidade. De grande beleza, culta e dotada de uma intelig\u00eancia viva, casou-se como concubina aos 16 anos, com Li Yi &#8211; jovem funcion\u00e1rio provincial e, como ocorria aos membros da elite confuciana selecionada pelos exames p\u00fablicos, tamb\u00e9m poeta, a quem dedica diversos poemas pelo nome Li Zi\u2019An, com quem teve uma rela\u00e7\u00e3o intensa, alternando momentos de relativa separa\u00e7\u00e3o e uni\u00e3o. Separou-se definitivamente ou foi abandonada pelo marido, por exig\u00eancia da \u201cprimeira esposa\u201d tr\u00eas anos mais tarde, convertendo-se em monja tao\u00edsta e cortes\u00e3.<\/p>\n<p class=\"p3\">A prop\u00f3sito, Yu Xuanji \u00e9 seu nome de monja, tomado no mosteiro; \u201cXuanji\u201d significa \u201cmist\u00e9rio profundo\u201d. Seu nome original era Youwei; \u201cYu\u201d (Peixe) \u00e9 o sobrenome, que, em chin\u00eas, precede o nome atribu\u00eddo.<\/p>\n<p class=\"p3\">Desde crian\u00e7a, era conhecida como talento po\u00e9tico precoce em Chang\u2019An (hoje Xi\u2019An), ent\u00e3o a capital imperial. Aos 12 anos, foi tomada como disc\u00edpula por Wen Tingyun (a quem chamava Feiqing), um dos mais importantes poetas da Dinastia Tang, de quem, em algum momento, poder\u00e1 ter sido tamb\u00e9m amante. A ele dirigiu e dedicou v\u00e1rios de seus poemas.<\/p>\n<p class=\"p3\">Morreu cedo, entre os 26 e os 28 anos de idade, executada por assassinato, em um caso pol\u00eamico e duvidoso. Ficou n\u00e3o apenas uma obra not\u00e1vel, mas tamb\u00e9m a lenda de uma mulher rebelde, irridenta, de vida livre para os padr\u00f5es de sua sociedade e cr\u00edtica da condi\u00e7\u00e3o feminina. Por sua hist\u00f3ria de vida, Yu Xuanji acabou sendo assimilada \u00e0 literatura, tamb\u00e9m, como personagem em obras de outros autores chineses e estrangeiros, em romances, contos, teatro e cinema; por\u00e9m, nem sempre com aprecia\u00e7\u00e3o valorativa.<\/p>\n<p class=\"p3\">De fato, a lenda acompanhou os s\u00e9culos seguintes, atrav\u00e9s de per\u00edodos, muitas vezes, mais conservadores da sociedade chinesa. Dos epis\u00f3dios que se contam de sua vida, h\u00e1 fabrica\u00e7\u00f5es moralistas e difamat\u00f3rias, retratando-a, ami\u00fade, como personagem libertina, mesmo em produ\u00e7\u00f5es mais recentes por exemplo, nos anos 80, foi lan\u00e7ado em Hong Kong um filme sobre sua vida; n\u00e3o o vimos, mas os coment\u00e1rios s\u00e3o de que se trata de um filme er\u00f3tico ruim.<\/p>\n<p class=\"p3\">Tamb\u00e9m h\u00e1 quem a apresente como uma \u201ct\u00edpica poetisa\u201d da China, que, como todas, falariam sobretudo do amor e da solid\u00e3o, temas ent\u00e3o considerados \u201cfemininos por excel\u00eancia\u201d. Essa vis\u00e3o quanto ao que possa ser uma caracter\u00edstica voz feminina na literatura n\u00e3o procede quanto a Yu Xuanji, nem \u00e0s tantas outras poetas mulheres chinesas ou brasileiras.<\/p>\n<p class=\"p3\">A leitura de sua obra completa apresenta uma poeta elegante, mas capaz de ousadias e provoca\u00e7\u00f5es; corajosa e desafiadora das conven\u00e7\u00f5es sociais, na afirma\u00e7\u00e3o franca da sensualidade e do desejo; que demonstrava consci\u00eancia da tradi\u00e7\u00e3o e do p\u00fablico a que dirigia sua poesia; bastante cr\u00edtica da condi\u00e7\u00e3o feminina.<\/p>\n<p class=\"p3\">\u00c9 certamente uma voz feminina, e fala tamb\u00e9m, sim, da solid\u00e3o, do amor e do desejo de um ponto de vista de mulher (como se os homens n\u00e3o falassem tamb\u00e9m disso). Mas gostar\u00edamos de ressaltar em sua obra, mais simplesmente ou antes de qualquer considera\u00e7\u00e3o de g\u00eanero, a poeta refinada, que dominava os recursos e modelos requeridos \u00e0 poesia cl\u00e1ssica chinesa, nada devendo a outros poetas de seu tempo em t\u00e9cnica, dom\u00ednio formal e di\u00e1logo com a tradi\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p5\"><b>Yu Xuanji, monja-poeta tao\u00edsta<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\">Quanto \u00e0 inser\u00e7\u00e3o na tradi\u00e7\u00e3o, um aspecto importante que ressalta em muitos de seus poemas \u00e9 a refer\u00eancia \u00e0 filosofia tao\u00edsta. A monja Yu Xuanji tinha, como modelo, os fil\u00f3sofos e poetas dessa confiss\u00e3o religiosa, como Li Bai (Li Tai-Po). N\u00e3o \u00e9 nosso objetivo aqui tentar apresentar a filosofia e o modo de vida dos mestres tao\u00edstas, nem descrever a enorme influ\u00eancia que exerce no imagin\u00e1rio dos chineses esta que \u00e9 uma das correntes fundamentais de pensamento daquela civiliza\u00e7\u00e3o e que, na \u00e9poca em que vivia a poeta, era a religi\u00e3o oficial do Estado.<\/p>\n<p class=\"p3\">Em linhas gerais, assinalemos, apenas para situar uma importante refer\u00eancia da obra da poeta correndo o risco de uma boa dose de simplismo que os mestres tao\u00edstas atribu\u00edam ao vinho a inspira\u00e7\u00e3o para o exerc\u00edcio da poesia e dedicavam-se a uma vida n\u00e3o necessariamente de reclus\u00e3o, mas, sobretudo, de medita\u00e7\u00e3o, contempla\u00e7\u00e3o da natureza e dissolu\u00e7\u00e3o na experi\u00eancia do \u201cTao\u201d, na viv\u00eancia de uma espiritualidade intensa, pante\u00edsta, que se colocava em busca da imortalidade. Relativa a esse objetivo de transcend\u00eancia, h\u00e1 a busca do \u201celixir da imortalidade\u201d, em certas hist\u00f3rias associado com o vinho.<\/p>\n<p class=\"p3\">Na poesia de Yu Xuanji, h\u00e1, entre outros temas tao\u00edstas, a exalta\u00e7\u00e3o do vinho e da festa; a ideia recorrente de que \u201ctudo na vida acontece como sucess\u00e3o de pares opostos\u201d alegria e tristeza, prazer e dor&#8230;; a refer\u00eancia \u00e0 imortalidade.<\/p>\n<p class=\"p3\">Uma compara\u00e7\u00e3o \u2013 pouco acurada, mas n\u00e3o desprovida de pertin\u00eancia \u2013 da op\u00e7\u00e3o de vida daqueles mestres com a tradi\u00e7\u00e3o ocidental estaria, por exemplo, na proposta da \u201cdissolu\u00e7\u00e3o de todos os sentidos para fazer-se vidente\u201d, de Rimbaud, ou na entrega a experi\u00eancias com drogas, jazz, viagens e uma rela\u00e7\u00e3o inconvencional com a sociedade \u201cinstitu\u00edda\u201d, da gera\u00e7\u00e3o beatnik. O monge tao\u00edsta fazia uma esp\u00e9cie de \u201cdrop-out\u201d \u00e0 chinesa (a compara\u00e7\u00e3o \u00e9 aproximativa, adequada s\u00f3 at\u00e9 certo ponto: o monge \u00e9 um \u201cmarginal- institu\u00eddo\u201d; seu lugar social \u00e9 reconhecido).<\/p>\n<p class=\"p3\">H\u00e1 boas tradu\u00e7\u00f5es do Dao De Jing, de Lao Zi, em portugu\u00eas, al\u00e9m de muitos livros sobre a filosofia tao\u00edsta em l\u00ednguas ocidentais. Sobre a rela\u00e7\u00e3o entre tao\u00edsmo, confucionismo, budismo e poesia, vale a leitura do mestre franco-chin\u00eas Fran\u00e7ois Cheng.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p8\"><span class=\"s3\"><b>Traduzir poesia cl\u00e1ssica chinesa<\/b><\/span><\/h3>\n<p class=\"p2\">Alguns desafios espec\u00edficos na tradu\u00e7\u00e3o da poesia cl\u00e1ssica chinesa s\u00e3o colocados por caracter\u00edsticas da l\u00edngua e pelo alto grau de codifica\u00e7\u00e3o dessa poesia. Citamos por alto algumas das quest\u00f5es que estiveram presentes em nosso horizonte de considera\u00e7\u00f5es quando nos propusemos realizar essas tradu\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p class=\"p10\">1) intertextualidade: mesmo o chin\u00eas falado no dia-a-dia faz muito recurso \u00e0 intertextualidade, em uma linguagem cheia de cita\u00e7\u00f5es, refer\u00eancias a epis\u00f3dios hist\u00f3ricos antigos e f\u00f3rmulas estereotipadas. Os poetas cl\u00e1ssicos citam-se uns aos outros frequentemente, al\u00e9m de a fil\u00f3sofos, intelectuais not\u00e1veis e epis\u00f3dios hist\u00f3ricos. A op\u00e7\u00e3o por suprimir essas refer\u00eancias seria empobrecedora, pois elas, frequentemente, abrem para significa\u00e7\u00f5es importantes. A op\u00e7\u00e3o pela nota de rodap\u00e9, portanto, foi indispens\u00e1vel algumas vezes. Fizemos tamb\u00e9m a op\u00e7\u00e3o pela constru\u00e7\u00e3o de refer\u00eancias ao nosso universo cultural e liter\u00e1rio;<\/p>\n<p class=\"p10\">2) m\u00e9trica fixa, esquema sonoro e visual: a poesia cl\u00e1ssica chinesa tem um esquema m\u00e9trico e estr\u00f3fico fixo; esquemas sonoros espec\u00edficos quanto a rima de final de verso, intensa alitera\u00e7\u00e3o, padr\u00f5es tonais (a l\u00edngua \u00e9 tonal, o que tamb\u00e9m \u00e9 um recurso incorporado na poesia); esquema visual (propiciado pela visualidade dos caracteres chineses);<\/p>\n<p class=\"p10\">3) h\u00e1 um \u201cesquema sint\u00e1tico-sem\u00e2ntico\u201d, do qual um dos aspectos mais not\u00e1veis \u00e9 a supress\u00e3o das \u201cpalavras vazias\u201d (nexos, conex\u00f5es, pronomes) e a \u00eanfase \u00e0s palavras \u201ccheias\u201d (nomes e verbos ativos). O sentido disso<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>\u2013 e de outros aspectos sem\u00e2nticos que n\u00e3o referimos aqui \u2013 \u00e9 o deslocamento do \u201ceu-l\u00edrico\u201d e a instaura\u00e7\u00e3o de uma \u201cobjetiva\u00e7\u00e3o\u201d da linguagem. Este par\u00e2metro deixou marcas na poesia de pa\u00edses cujas culturas foram influenciadas pela China, em especial pela Dinastia Tang &#8211; por exemplo, a objetividade do hai-cai japon\u00eas lhe \u00e9 tribut\u00e1ria. H\u00e1 tamb\u00e9m uma repeti\u00e7\u00e3o de met\u00e1foras estereotipadas \u2014 salgueiros como tristeza da despedida; patos-mandarins como signo do amor conjugal para toda a vida; e outras. Na verdade, pela estrutura do texto, o m\u00e9todo de composi\u00e7\u00e3o n\u00e3o seria, exatamente, metaf\u00f3rico. O verso comp\u00f5e-se mais por justaposi\u00e7\u00e3o ou contig\u00fcidade de elementos do que por hierarquiza\u00e7\u00e3o. Muitas dessas met\u00e1foras seriam talvez melhor descritas como \u201calgo que beira a meton\u00edmia\u201d;<\/p>\n<p class=\"p10\">4) a maioria dos recursos citados acima s\u00e3o intraduz\u00edveis em si mesmos, principalmente se tomados em conjunto. Uma tradu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel \u00e9 a busca de recriar algo do efeito de estranhamento que estes textos trazem pela utiliza\u00e7\u00e3o de recursos sonoros e sem\u00e2nticos de nossa l\u00edngua, tentando, quando poss\u00edvel e interessante, formas aproximadas ao trabalho formal do texto em chin\u00eas;<\/p>\n<p class=\"p10\">5) sobretudo, evitar que o texto soe \u201cnormal\u201d, facilmente assimil\u00e1vel como poesia de nossa cultura, o que frequentemente acaba dando em dilui\u00e7\u00e3o em favor de um modelo considerado mais ou menos \u201cequilibrado\u201d ou reconhec\u00edvel pelo leitor m\u00e9dio (por exemplo: as tradu\u00e7\u00f5es da poesia chinesa de alguns eminentes sin\u00f3logos ingleses do final do s\u00e9culo XIX assemelhavam-se ao texto t\u00edpico da era vitoriana); 6) h\u00e1 tradu\u00e7\u00f5es de poesia cl\u00e1ssica chinesa \u2014 principalmente das poetas mulheres que parece com a poesia rom\u00e2ntica de apelo sentimental e pouca elabora\u00e7\u00e3o formal; esse tipo de texto se encontra bastante em tradu\u00e7\u00f5es para o ingl\u00eas. \u201cPoesia de mulher\u201d&#8230; No limite, seria fazer Yu Xuanji soar como Casimiro de Abreu, e ainda pior pelo mau verso livre obtido na tradu\u00e7\u00e3o literal ou conteud\u00edstica. Mesmo que se fizesse uma tradu\u00e7\u00e3o que priorizasse o conte\u00fado em detrimento da forma (como se isso fosse poss\u00edvel, em poesia), a riqueza de significados dos textos cl\u00e1ssicos chineses n\u00e3o se resolveria t\u00e3o facilmente.<\/p>\n<p class=\"p10\">6) h\u00e1 tradu\u00e7\u00f5es de poesia cl\u00e1ssica chinesa, principalmente das poetas mulheres que parece com a poesia rom\u00e2ntica de apelo sentimental e pouca elabora\u00e7\u00e3o formal; esse tipo de texto se encontra bastante em tradu\u00e7\u00f5es para o ingl\u00eas. \u201cPoesia de mulher\u201d&#8230; No limite, seria fazer Yu Xuanji soar como Casimiro de Abreu, e ainda pior pelo mau verso livre obtido na tradu\u00e7\u00e3o literal ou conteud\u00edstica. Mesmo que se fizesse uma tradu\u00e7\u00e3o que priorizasse o conte\u00fado em detrimento da forma (como se isso fosse poss\u00edvel, em poesia), a riqueza de significados dos textos cl\u00e1ssicos chineses n\u00e3o se resolveria t\u00e3o facilmente.<\/p>\n<p class=\"p10\">7) \u201cartificialidade\u201d da linguagem: ao contr\u00e1rio do que por vezes se propala em algumas escolas de tradu\u00e7\u00e3o, parece-nos que um poema cl\u00e1ssico chin\u00eas n\u00e3o exatamente \u201csoa algo natural em l\u00edngua chinesa\u201d, e portanto, n\u00e3o \u201cdeveria soar naturalmente em portugu\u00eas quando traduzido para nossa l\u00edngua\u201d. O poema cl\u00e1ssico chin\u00eas \u00e9 um espa\u00e7o lingu\u00edstico alterado, segundo princ\u00edpios bem definidos, um ambiente distante da linguagem \u201cnatural\u201d. Pensando bem, isso n\u00e3o chega a ser novidade o poema cl\u00e1ssico portugu\u00eas tamb\u00e9m \u00e9 um ambiente lingu\u00edstico \u201cartificial\u201d ou constru\u00eddo. Se formos mais longe \u2014 at\u00e9, por exemplo, o conceito de \u201cestranhamento\u201d no fen\u00f4meno po\u00e9tico, dos formalistas russos -, veremos que estamos mesmo em casa. Mas no caso chin\u00eas, temos um alto grau de elabora\u00e7\u00e3o codificada, reproduzida por milhares de poetas, constru\u00edda e refinada no decorrer de uma tradi\u00e7\u00e3o extensa (\u201cimaginar uma l\u00edngua significa imaginar uma forma de vida\u201d Wittgenstein). Pensamos que um poema chin\u00eas cl\u00e1ssico deve, traduzido para nossa l\u00edngua, soar um tanto estranho ou \u201cdesviante\u201d, e nos pareceu que chegar\u00edamos mais perto desse efeito com atribuir-lhe uma fei\u00e7\u00e3o assemelh\u00e1vel \u00e0 fixidez do poema cl\u00e1ssico portugu\u00eas (talvez um pouco \u201ctorcida\u201d);<\/p>\n<p class=\"p10\">8) a ideia (ou \u201co ideal\u201d, que esperamos ter aproximado em alguma medida) \u00e9 uma recria\u00e7\u00e3o que seja \u201cestrangeirizante\u201d do texto resultante em portugu\u00eas (sobre isso, ver o conceito de \u201cforeignizing translation\u201d exposto por Christine Froula, \u201cThe beauties of mistranslation: on Pound\u2019s English after Cathay\u201d, in \u201cEzra Pound and China\u201d, organizado por Zhaoming Qian (Univ. Michigan Press, 2006). O poema estrangeiro amplia o repert\u00f3rio de minha l\u00edngua; expande, estrangeiriza, modifica, afeta o texto de minha l\u00edngua. O poema estrangeiro deve ser traduzido como trazendo algo novo a minha l\u00edngua, mais que a reitera\u00e7\u00e3o do conhecido. Ou, como descrevia Haroldo de Campos: \u201ctradu\u00e7\u00e3o e a inscri\u00e7\u00e3o de um outro dentro do mesmo\u201d.<\/p>\n<p class=\"p2\">A seguir, uma sequ\u00eancia de 7 poemas de Yu Xuanji.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p13\" style=\"text-align: center;\"><b>PARA FEIQING EM UMA NOITE <\/b><b>DE INVERNO<\/b><b><\/b><\/h3>\n<p class=\"p2\"><i>Baixa, poema, invoco-te \u00e0 luz da lanterna<br \/>\n<\/i><i>\u00e0 noite insone, renego o frio das cobertas<br \/>\n<\/i><i>Folhas ocupam o p\u00e1tio, como ao vento a dor<br \/>\n<\/i><i>Entre as cortinas em gaze a lua declina<br \/>\n<\/i><i>Triste a seguir a estrada, uma estranha at\u00e9<span class=\"Apple-converted-space\"><br \/>\n<\/span><\/i><i>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0[o fim<br \/>\n<\/i><i>em florescer e murchar conhece-se a flor<br \/>\n<\/i><i>mesmo desconhecido seu pouso entre os<br \/>\n<\/i><i><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0\u00a0<\/span>[pl\u00e1tanos<br \/>\n<\/i><i>Encerra a tarde um arco os pardais em alarde<\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p14\" style=\"text-align: center;\">\u51ac\u591c\u5bc4\u6eab\u98db\u537f<br \/>\n\u82e6\u601d\u641c\u8a69\u71c8\u4e0b\u541f\u3002<br \/>\n\u4e0d\u7720\u9577\u591c\u6015\u5bd2\u887e\u3002<br \/>\n\u6eff\u5ead\u6728\u8449\u6101\u98a8\u8d77\u3002<br \/>\n\u900f\u5e4c\u7d17\u7a97\u60dc\u6708\u6c88\u3002<br \/>\n\u758f\u6563\u672a\u9591\u7d42\u9042\u9858\u3002<br \/>\n\u76db\u8870\u7a7a\u898b\u672c\u4f86\u5fc3\u3002<br \/>\n\u5e7d\u68f2\u83ab\u5b9a\u68a7\u6850\u8655\u3002<br \/>\n\u66ae\u96c0\u557e\u557e\u7a7a\u7e5e\u6797\u3002<\/p>\n<h3><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p13\" style=\"text-align: center;\"><b>A PARTIR DE POEMA DE UM REC\u00c9M-APROVADO CANDIDATO AO SERVI\u00c7O P\u00daBLICO, EM LUTO PELA MORTE DE SUA MULHER<\/b><b><\/b><\/h3>\n<p class=\"p8\"><strong>I<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s4\"><i>Aos imortais perdem-se as coisas deste mundo<br \/>\n<\/i><\/span><i>Outonos passam como apenas um momento<br \/>\n<\/i><i>Fica \u00e0s cobertas o calor do amor recente<br \/>\n<\/i><i>Do papagaio \u00e0 jaula o eco ainda circunda<br \/>\n<\/i><i>O orvalho cobre as flores, rostos que se velam<br \/>\n<\/i><i>O vento verga em sobrancelhas os chor\u00f5es<br \/>\n<\/i><span class=\"s3\"><i>Nuvens dissipam-se entre cores, tornam \u00e0<br \/>\n<\/i><\/span><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0\u00a0<i>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 <\/i><i>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 <\/i>\u00a0 \u00a0 \u00a0 <\/span>[<i>sombra<br \/>\n<\/i><i>Pan Yue lamenta e seu cabelo acolhe a neve<\/i><i><sup>1<\/sup><\/i><i><\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p8\"><strong>II<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\"><i>Da c\u00e1ssia, um galho ergue-se \u00e0 lua, encontra<br \/>\n<\/i><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0\u00a0<\/span>[<i>a n\u00e9voa<br \/>\n<\/i><i>Vermelho \u00e0 chuva: ao rio, mil pessegueiros<br \/>\n<\/i><i><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<\/span>[brotam<br \/>\n<\/i><i>\u00c0 frente, ofertam vinho; aceita, enche teu<br \/>\n<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<\/span>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 <\/i><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0\u00a0<\/span>[<i>copo:<br \/>\n<\/i><i>s\u00e3o alegria e dor unidas pelos s\u00e9culos<\/i><i><\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p14\" style=\"text-align: center;\">\u548c\u65b0\u53ca\u7b2c\u60bc\u4ea1\u8a69\u4e8c\u9996<br \/>\n\u4ed9\u7c4d\u4eba\u9593\u4e0d\u4e45\u7559\u3002<br \/>\n\u7247\u6642\u5df2\u904e\u5341\u7d93\u79cb\u3002<br \/>\n\u9d1b\u9d26\u5e33\u4e0b\u9999\u7336\u6696\u3002<br \/>\n\u9e1a\u9d61\u7c60\u4e2d\u8a9e\u672a\u4f11\u3002<br \/>\n\u671d\u9732\u7db4\u82b1\u5982\u81c9\u6068\u3002<br \/>\n\u665a\u98a8\u6b39\u67f3\u4f3c\u7709\u6101\u3002<br \/>\n\u5f69\u96f2\u4e00\u53bb\u7121\u6d88\u606f\u3002<br \/>\n\u6f58\u5cb3\u591a\u60c5\u6b32\u767d\u982d\u3002<br \/>\n\u4e00\u679d\u6708\u6842\u548c\u7159\u79c0\u3002<br \/>\n\u842c\u6a39\u6c5f\u6843\u5e36\u96e8\u7d05\u3002<br \/>\n\u4e14\u9189\u5c0a\u524d\u4f11\u60b5\u671b\u3002<br \/>\n\u53e4\u4f86\u60b2\u6a02\u8207\u4eca\u540c\u3002<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p13\"><b>O TEMPLO ZIFU, FUNDADO <\/b><b>PELO EREMITA REN<\/b><b><\/b><\/h3>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: left;\">Ergueu o templo um homem solit\u00e1rio<br \/>\ne hoje \u00e9 descanso a viajantes \u2014 pouso \u2014<br \/>\nDeixam seus nomes v\u00e3os \u00e0 porta, ao l\u00f3tus<br \/>\ndeitam-se escritos nas paredes brancas<br \/>\nAs \u00e1guas correm para o velho tanque<br \/>\nA relva pr\u00f3xima ao caminho brota<br \/>\nCem p\u00e9s \u00e9 alto o pavilh\u00e3o de ouro<br \/>\ne em frente ao rio, todo brilho, claro<\/p>\n<p class=\"p14\" style=\"text-align: center;\">\u984c\u4efb\u8655\u58eb\u5275\u8cc7\u798f\u5bfa<br \/>\n\u5e7d\u4eba\u5275\u5947\u5883\u3002<br \/>\n\u904a\u5ba2\u99d0\u884c\u7a0b\u3002<br \/>\n\u7c89\u58c1\u7a7a\u7559\u5b57\u3002<br \/>\n\u84ee\u5bae\u672a\u6709\u540d\u3002<br \/>\n\u947f\u6c60\u6cc9\u81ea\u51fa\u3002<br \/>\n\u958b\u5f91\u8349\u91cd\u751f\u3002<br \/>\n\u767e\u5c3a\u91d1\u8f2a\u9593\u3002<br \/>\n\u7576\u5ddd\u8c41\u773c\u660e\u3002<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p13\"><b>SENTIMENTOS DE PRIMAVERA <\/b><b>\u2014 ENVIADO A ZI\u2019AN<\/b><b><\/b><\/h3>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s3\"><i>\u00cdngreme a estrada; \u00e0 montanha, crispam-se<br \/>\n<\/i><\/span><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 \u00a0\u00a0<i>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 <\/i><i>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 <\/i>\u00a0\u00a0<\/span>[<i>escarpas<br \/>\n<\/i><span class=\"s3\"><i>\u00c1spera a via; sem ti, mais \u00e1rduo \u00e9 o caminho,<br \/>\n<\/i><\/span><span class=\"s3\"><i>Vejo o degelo, chega-me o som de tuas rimas,<br \/>\n<\/i><\/span><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 \u00a0 \u00a0\u00a0<i>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 <\/i><i>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<\/i>\u00a0 \u00a0 <\/span>[<i>longe.<br \/>\n<\/i><span class=\"s3\"><i>\u00c0 neve dos picos, tua imagem de jade<br \/>\n<\/i><\/span><span class=\"s3\"><i>Vinho ordin\u00e1rio, pobres can\u00e7\u00f5es n\u00e3o te apressem<br \/>\n<\/i><i><\/i><\/span><span class=\"s3\"><i>Nem, com f\u00fateis parceiros, pernoites ao jogo<br \/>\n<\/i><\/span><span class=\"s3\"><i>Forjado em pinus, n\u00e3o pedra, dure este voto:<br \/>\n<\/i><\/span><span class=\"s3\"><i>aves, voaremos em par; o encontro se apresse<br \/>\n<\/i><\/span><span class=\"s3\"><i>Mesmo se, ao pleno inverno, este dia atravesse,<br \/>\n<\/i><\/span><span class=\"s3\"><i>torno \u00e0 mais cheia lua, de novo me envolvas<br \/>\n<\/i><\/span><span class=\"s3\"><i>Parto, e tudo o que tenho a te dar s\u00e3o despojos:<br \/>\n<\/i><\/span><span class=\"s3\"><i>este poema, l\u00e1grimas, luz de vi\u00e9s<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"p14\" style=\"text-align: center;\">\u6625\u60c5\u5bc4\u5b50\u5b89<br \/>\n\u5c71\u8def\u6b39\u659c\u77f3\u78f4\u5371\u3002<br \/>\n\u4e0d\u6101\u884c\u82e6\u82e6\u76f8\u601d\u3002<br \/>\n\u51b0\u92b7\u9060\u6f97\u6190\u6e05\u97fb\u3002<br \/>\n\u96ea\u9060\u5bd2\u5cf0\u60f3\u7389\u59ff\u3002<br \/>\n\u83ab\u807d\u51e1\u6b4c\u6625\u75c5\u9152\u3002<br \/>\n\u4f11\u62db\u9592\u5ba2\u591c\u8caa\u68cb\u3002<br \/>\n\u5982\u677e\u532a\u77f3\u76df\u9577\u5728\u3002<br \/>\n\u6bd4\u7ffc\u9023\u895f\u6703\u80af\u9072\u3002<br \/>\n\u96d6\u6068\u7368\u884c\u51ac\u76e1\u65e5\u3002<br \/>\n\u7d42\u671f\u76f8\u898b\u6708\u5713\u6642\u3002<br \/>\n\u5225\u541b\u4f55\u7269\u582a\u6301\u8d08\u3002<br \/>\n\u6d99\u843d\u6674\u5149\u4e00\u9996\u8a69<span class=\"s2\">\u3002<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p13\"><b>IMPROVISO DO FINAL <\/b><b>DA PRIMAVERA<\/b><b><\/b><\/h3>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s3\"><i>Bem poucos cruzam a aldeia, v\u00eam at\u00e9 a porta<br \/>\n<\/i><\/span><span class=\"s3\"><i>H\u00e1 este homem, vejo-o apenas em sonhos<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s5\"><i>Chega um perfume em sedas, senta ao banquete;<br \/>\n<\/i><i><\/i><\/span><span class=\"s3\"><i>entram tamb\u00e9m can\u00e7\u00f5es, ondulando ao vento<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s3\"><i>Perto, \u00e0 manh\u00e3, tambores assaltam o sono<br \/>\n<\/i><\/span><span class=\"s3\"><i>\u00c9 primavera e as aves cantam em abandono<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><i>Como esperar no mundo um certo lugar<br \/>\n<\/i><i>sobre a dist\u00e2ncia, atar o barco a algum cais?<\/i><i><\/i><\/p>\n<p class=\"p14\" style=\"text-align: center;\">\u66ae\u6625\u5373\u4e8b<br \/>\n\u6df1\u5df7\u7aae\u9580\u5c11\u4fb6\u50b3\u3002<br \/>\n\u962e\u90ce\u552f\u6709\u5922\u4e2d\u7559\u3002<br \/>\n\u9999\u98c4\u7f85\u7dba\u8ab0\u5bb6\u5e2d\u3002<br \/>\n\u98a8\u9001\u6b4c\u8072\u4f55\u865a\u6a13\u3002<br \/>\n\u8857\u8fd1\u9f13\u55a7\u6681\u7761\u3002<br \/>\n\u5ead\u9592\u9d72\u8a9e\u4e82\u6625\u6101\u3002<br \/>\n\u5b89\u80fd\u8ffd\u9010\u4eba\u9593\u4e8b\u3002<br \/>\n\u842c\u91cc\u8eab\u540c\u4e0d\u7e6b\u821f\u3002<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p13\">COMPARTILHANDO UM LUTO<\/h3>\n<p class=\"p2\"><i>Lembro a eleg\u00e2ncia como um jade, a pele em<br \/>\n<\/i><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 \u00a0 <i>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 <\/i><i>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 <\/i><\/span>[<i>p\u00eassego<br \/>\n<\/i><i>salgueiros t\u00edmidos ao vento, as sobrancelhas<br \/>\n<\/i><i>Encerra a gruta do drag\u00e3o aquela p\u00e9rola<br \/>\n<\/i><i>\u00c0 base em f\u00eanix, s\u00f3, na alcova resta o espelho<br \/>\n<\/i><i>a repetir o sonho \u00e0 noite, em chuva e n\u00e9voa<br \/>\n<\/i><i>n\u00e3o mais que a dor insuport\u00e1vel, sem parelho<br \/>\n<\/i><i>A leste e oeste, agudas, fecham-se montanhas<br \/>\n<\/i><i>ao sol, \u00e0 lua: nunca mais uma esperan\u00e7a<\/i><\/p>\n<p class=\"p14\" style=\"text-align: center;\">\u4ee3\u4eba\u60bc\u4ea1<br \/>\n\u6703\u7779\u592d\u6843\u60f3\u7389\u59ff\u3002<br \/>\n\u5e36\u98a8\u694a\u67f3\u8a8d\u86fe\u7709\u3002<br \/>\n\u73e0\u6b78\u9f8d\u7a9f\u77e5\u8ab0\u898b\u3002<br \/>\n\u93e1\u5728\u9dfa\u8a71\u5411\u8ab0\u3002<br \/>\n\u5f9e\u6b64\u5922\u60b2\u7159\u96e8\u591c\u3002<br \/>\n\u4e0d\u582a\u541f\u82e6\u5bc2\u5be5\u6642\u3002<br \/>\n\u897f\u5c71\u65e5\u843d\u6771\u5c71\u6708\u3002<br \/>\n\u6839\u60f3\u7121\u56e0\u6709\u4e86\u671f\u3002<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p13\"><b>RESPOSTA A UM POEMA<\/b><b><\/b><\/h3>\n<p class=\"p2\"><i>A inst\u00e1vel, viva multid\u00e3o, vermelho-p\u00farpura<br \/>\n<\/i><i>e ao sol, serena solid\u00e3o: o meu poema<br \/>\n<\/i><i>Nenhum desejo \u2014 a breve fama, o amor<br \/>\n<\/i><span class=\"Apple-converted-space\"><i>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 <\/i><i>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 <\/i>\u00a0 \u00a0\u00a0<\/span>[<i>urgente<br \/>\n<\/i><span class=\"s3\"><i>Da fortaleza nasce um canto, ao mais profundo<br \/>\n<\/i><\/span><i>Agradecida, \u00e0 simples, clara flor inclino-me<br \/>\n<\/i><i>Viver reclusa e s\u00f3, entregue a esta procura<br \/>\n<\/i><i>\u00e9 todo encontro superar em amor mais puro<br \/>\n<\/i><span class=\"s3\"><i>como elevar-se entre montanhas basta ao pinus<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"p14\" style=\"text-align: center;\">\u548c\u4eba\u6b21!<br \/>\n\u55a7\u55a7\u6731\u7d2b\u96dc\u4eba\u5bf0\u3002 \u7368\u81ea\u6e05\u541f\u65e5\u8272\u9593\u3002 \u4f55\u4e8b\u7389\u90ce\u641c\u85fb\u601d\u3002 \u5ffd\u5c07\u74ca\u97fb\u6263\u67f4\u95dc\u3002 \u767d\u82b1\u767c\u8a60\u615a\u7a31\u8b1d\u3002 \u50fb\u5df7\u6df1\u5c45\u8b2c\u5b78\u984f\u3002 \u4e0d\u7528\u591a\u60c5\u6b32\u76f8\u898b\u3002 \u677e\u863f\u9ad8\u8655\u662f\u524d\u5c71\u3002<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p17\"><span class=\"s3\">Tradu\u00e7\u00e3o<b> Ricardo Primo Portugal <\/b><\/span><span class=\"s3\"><b>e Tan Xiao<br \/>\n<\/b><\/span><i>Ricardo Primo Portugal escreve em Portugu\u00eas do Brasil<\/i><\/p>\n<p>___<\/p>\n<p class=\"p2\"><b>Nota<\/b><\/p>\n<ul>\n<li class=\"p18\"><span class=\"s4\">1 Pan Yue (247-300) foi um poeta da Dinastia Jin (265-316, Jin do Oeste) famoso por sua beleza e pela poesia de luto e melancolia. Seus \u201cTr\u00eas Poemas para Minha Esposa Morta\u201d s\u00e3o particularmente aclamados. Sobre ele se diz que, quando da morte da esposa, seu cabelo tornou-se branco da noite para o dia. Sua hist\u00f3ria pessoal \u00e9 associada em textos chineses ao amor inconsol\u00e1vel diante da morte e entregue a um luto infind\u00e1vel em Yu Xuanji, h\u00e1 um sentido de entrada na imortalidade pelo luto, que projetaria o amor para al\u00e9m \u201cdesta\u201d vida.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] Traduzimos a obra completa da poeta chinesa, da Dinastia Tang, Yu Xuanji, nascida em 844 e falecida, provavelmente, em 869. S\u00e3o 50 poemas, mais 5 fragmentos que restaram de uma obra que ter\u00e1 sido mais extensa. A produ\u00e7\u00e3o po\u00e9tica da Dinastia Tang (618-915), considerada o \u00e1pice da poesia cl\u00e1ssica chinesa, surpreende pela quantidade e&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":44,"featured_media":1177,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-1176","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-literatura"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/112.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1176","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/44"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1176"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1176\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1180,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1176\/revisions\/1180"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1177"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1176"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1176"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1176"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}