{"id":1205,"date":"2025-10-21T22:46:00","date_gmt":"2025-10-21T14:46:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.viadomeio.com\/?p=1205"},"modified":"2025-10-21T22:46:00","modified_gmt":"2025-10-21T14:46:00","slug":"claudia-ribeiro-portugal-nao-tem-sinologos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/10\/21\/claudia-ribeiro-portugal-nao-tem-sinologos\/","title":{"rendered":"Cl\u00e1udia Ribeiro &#8211; \u201cPortugal n\u00e3o tem sin\u00f3logos\u201d"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<h3 class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><span class=\"s1\">Autora do livro \u201cNo Dorso do Drag\u00e3o\u201d, Cl\u00e1udia Ribeiro viveu na China nos anos 80, fez investiga\u00e7\u00f5es independentes no pa\u00eds e importantes tradu\u00e7\u00f5es de chin\u00eas para portugu\u00eas, nomeadamente uma nova vers\u00e3o do <i>Dao De Jing<\/i>. \u00c0 Via do Meio, explica que, para perceber a China, \u00e9 preciso ir al\u00e9m do tao\u00edsmo e confucionismo.<\/span><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>Como come\u00e7ou o interesse pelos estudos asi\u00e1ticos, sobretudo pela China?<\/b><\/p>\n<p class=\"p1\">Come\u00e7ou na mais baixa inf\u00e2ncia. O fasc\u00ednio com os caracteres chineses come\u00e7ou quando os vi pela primeira vez nos cr\u00e9ditos de um filme de anima\u00e7\u00e3o japon\u00eas, \u201cO pequeno pr\u00edncipe e o drag\u00e3o das oito cabe\u00e7as\u201d, de 1963. Devia ter cerca de seis anos e fiquei colada \u00e0 cadeira, extasiada, a olhar para os caracteres dos cr\u00e9ditos. Pouco tempo depois li \u201cO Loto Azul\u201d, a aventura de Tintim na China e, de novo, fiquei fascinada com os caracteres e com a China e os chineses. Mas, j\u00e1 antes dos caracteres, lembro-me de uma arca chinesa lacada na casa de uma velha senhora. Os objectos criados pelos chineses atra\u00edam-me. E japoneses. Quanto aos Estudos Asi\u00e1ticos enquanto \u00e1rea de conhecimento, era algo totalmente fora do meu radar na \u00e9poca em que ingressei na faculdade. Essa op\u00e7\u00e3o, simplesmente, n\u00e3o existia em Portugal e n\u00e3o existiu durante as duas d\u00e9cadas seguintes. Havia um curso livre de chin\u00eas na Faculdade de Letras, leccionado por Alexandre Li Ching. Claro que me inscrevi e com uma alegria louca. Nos anos 1980, era o \u00fanico local em todo o pa\u00eds onde era poss\u00edvel aprender chin\u00eas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>Quais as primeiras dificuldades que sentiu quando chegou \u00e0 China?<\/b><\/p>\n<p class=\"p1\">As normais com que nos deparamos quando se vai viver para um pa\u00eds diferente pela primeira vez. Encontrava-me numa universidade e, portanto, tinha colegas ocidentais e japoneses que j\u00e1 l\u00e1 estavam h\u00e1 mais tempo e que transmitiam informa\u00e7\u00e3o aos novatos. Depois, foi adquirir novos h\u00e1bitos, estoicos. O que me custou foi o frio, sou africana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>Foi desafiante o contacto com uma cultura e l\u00ednguas t\u00e3o diferentes?<\/b><\/p>\n<p class=\"p1\">Fui para l\u00e1 precisamente em busca desse desafio. Queria contactar com aquela l\u00edngua e aquela cultura diferente. Nasci e cresci nos anos finais da Angola colonial, no Lubango. Quando vim para Portugal, durante o processo de descoloniza\u00e7\u00e3o, tive de me adaptar a um pa\u00eds e a um povo muit\u00edssimo diferentes de Angola e dos brancos nascidos na Angola colonial. Sentia uma falta tremenda de viver com outros povos e culturas. Felizmente, Portugal tem-se vindo a tornar num pa\u00eds multi-\u00e9tnico e multi-cultural, o que \u00e9 muito mais interessante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>No Centro Cient\u00edfico e Cultural de Macau (CCCM) falou sobre a China como a conheceu, nos anos 80. Como era encarado o estrangeiro nessa \u00e9poca? <\/b><\/p>\n<p class=\"p1\">Estive na China como estudante de chin\u00eas interessada em \u201cviver\u201d o pa\u00eds. Era a era de Deng Xiaoping, uma China a dar os primeiros passos para sair de um n\u00edvel de vida muito humilde e a pressentir j\u00e1 um futuro diferente, pelo qual os chineses, em especial os jovens, ansiavam com impaci\u00eancia. Era, por isso, uma \u00e9poca de esperan\u00e7a. Havia maior liberdade de express\u00e3o e muitas mudan\u00e7as a terem lugar a n\u00edvel econ\u00f3mico e cultural.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>Como se denotava essa liberdade? <\/b><\/p>\n<p class=\"p1\">Havia uma abertura, cautelosa, a actua\u00e7\u00f5es de m\u00fasicos pop, como os Wham!, e exposi\u00e7\u00f5es de artistas contempor\u00e2neos ocidentais, como Robert Rauschenberg. Foi a d\u00e9cada em que floresceu a arte contempor\u00e2nea chinesa e em que resmas de livros de fil\u00f3sofos, historiadores e escritores ocidentais eram traduzidas, publicadas e lidas com sofreguid\u00e3o. Era tamb\u00e9m uma China onde os chineses ainda n\u00e3o podiam viajar livremente. O seu contacto com ocidentais tinha sido muito limitado e a maioria da popula\u00e7\u00e3o olhava-os como se fossem extraterrestres. A curiosidade por eles era desmedida, sobretudo se fossem americanos. Os chineses gostam da riqueza material e julgavam que todos os americanos eram ricos, como tinham visto na s\u00e9rie televisiva \u201cDallas\u201d. Queriam muito saber se t\u00ednhamos carro, frigor\u00edfico, televis\u00e3o e quanto tinham custado. O frigor\u00edfico era ainda um luxo e o carro particular um bem muit\u00edssimo dif\u00edcil de adquirir. Os chineses moviam-se a bicicleta e transportes p\u00fablicos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>Publicou \u201cNo Dorso do Drag\u00e3o\u201d em 2001, que fala dessa experi\u00eancia. Que diferen\u00e7as destaca na China entre a data da publica\u00e7\u00e3o do livro e o per\u00edodo actual? <\/b><\/p>\n<p class=\"p1\">Publiquei, entretanto, uma vers\u00e3o revista desse livro em 2023. \u201cNo Dorso do Drag\u00e3o\u201d foi escrito entre 1995 e 1998, e quando o estava a escrever a China j\u00e1 era diferente daquela em que eu tinha vivido. A China \u00e9 sempre um mesmo-outro, desenvolve-se por camadas e, se raspamos um pouco, afloramos o seu passado. H\u00e1 muitos aspectos em que permanece id\u00eantica, e muitos outros em que se tornou diferente. \u00c9 um pa\u00eds que retirou da pobreza 850 milh\u00f5es de pessoas em quarenta anos, um feito absolutamente extraordin\u00e1rio e que nunca \u00e9 demais frisar. Mas o germe da China de hoje, desse pa\u00eds vibrante, cheio de vida e de esperan\u00e7a, que caminha confiante rumo ao futuro, j\u00e1 estava presente nos anos oitenta. Nas cidades chinesas, basta sair para a rua e \u00e9 palp\u00e1vel uma trepida\u00e7\u00e3o, um \u00edmpeto avassalador. Por compara\u00e7\u00e3o com os chineses, os europeus parecem zombies, gente mole, refastelada, complacente. E a Europa parece um museu que se exibe sem se renovar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>At\u00e9 que ponto a filosofia, ou correntes como o tao\u00edsmo e o confucionismo, podem ajudar a compreender o sujeito chin\u00eas e a sua forma de pensar?<\/b><\/p>\n<p class=\"p1\">Para tentar compreender qualquer povo h\u00e1 que ter em conta os sistemas de cren\u00e7as mais decisivos, religiosas e filos\u00f3ficas, assim como outros factores, a geografia, a hist\u00f3ria pol\u00edtica. \u00c9 poss\u00edvel compreender os europeus sem compreender o cristianismo, o juda\u00edsmo e o islamismo? N\u00e3o. No caso da China, n\u00e3o s\u00f3 o tao\u00edsmo e o confucionismo, como ainda o legalismo e a religi\u00e3o popular, que s\u00e3o aut\u00f3ctones; mas tamb\u00e9m sistemas de cren\u00e7as estrangeiros, como o budismo, proveniente da \u00cdndia, e o marxismo, proveniente da Europa, e depois o mao\u00edsmo. Dominar tudo isso \u00e9 uma tarefa cicl\u00f3pica. A China \u00e9 como um dodecaedro infinito de espelhos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>Portugal continua a n\u00e3o ter muitos sin\u00f3logos. Como explica essa quest\u00e3o?<\/b><\/p>\n<p class=\"p1\">Portugal n\u00e3o tem sin\u00f3logos. Um sin\u00f3logo \u00e9 algu\u00e9m capaz de ler e compreender fluentemente o chin\u00eas antigo, com um conhecimento muito profundo e alargado acerca da China cl\u00e1ssica. Uma estirpe rara que possivelmente est\u00e1 em extin\u00e7\u00e3o no Ocidente. Na maioria das universidades adopta-se o termo Estudos Chineses ou Asi\u00e1ticos, ou ainda da \u00c1sia Oriental. A explica\u00e7\u00e3o pode vir da Hist\u00f3ria, pois os sin\u00f3logos, como os cientistas ou os fil\u00f3sofos, n\u00e3o brotam da terra como os poetas populares, os pintores na\u00effs e os cantadores. Formam-se. A aprendizagem deve ser exigente, come\u00e7ar cedo e avan\u00e7ar sem interrup\u00e7\u00f5es. Mas Portugal tem sofrido de uma enorme instabilidade institucional e tudo quanto exige tempo e perseveran\u00e7a acaba por so\u00e7obrar. Portugal \u00e9 um pa\u00eds que se tem esvaziado ciclicamente. Esvaziou-se de popula\u00e7\u00e3o com os Descobrimentos, tornando as institui\u00e7\u00f5es periclitantes durante um largo per\u00edodo de tempo. Esvaziou-se de popula\u00e7\u00e3o em Alc\u00e1cer Quibir, esvaziou-se de popula\u00e7\u00e3o com a imigra\u00e7\u00e3o e a ida para as col\u00f3nias, esvaziou-se em extens\u00e3o geogr\u00e1fica e, simbolicamente, com o desmoronar do imp\u00e9rio. Agora esvazia-se de jovens promissores. Esta aus\u00eancia parece ter-se tornado end\u00e9mica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>Mas h\u00e1 um contacto com a China desde h\u00e1 s\u00e9culos. O que ficou? <\/b><\/p>\n<p class=\"p1\">Em mat\u00e9ria de obras cient\u00edficas, o que resultou da era dos Descobrimentos foram uns poucos tratados dispersos e de cariz coleccionista, dependentes da observa\u00e7\u00e3o: descri\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cimes, hist\u00f3ria natural, bot\u00e2nica. Homens como Garcia da Orta, na \u00e1rea da bot\u00e2nica, Duarte Pacheco Pereira, na \u00e1rea da geografia, e D. Jo\u00e3o de Castro, na \u00e1rea do magnetismo terrestre, s\u00e3o excep\u00e7\u00f5es e n\u00e3o deixaram escola, embora tivessem deixado obra. Mas quem os leria? S\u00f3 os estrangeiros e o punhado de portugueses que sabia ler. Certo \u00e9 que o desamor pelos livros est\u00e1 profundamente arreigado nos portugueses. A aus\u00eancia de livros nas casas dos nobres portugueses sempre chocou os forasteiros. Instalou-se uma desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao saber te\u00f3rico quando h\u00e1 problemas imediatos a ser resolvidos, por exemplo, de subsist\u00eancia econ\u00f3mica, como se fosse poss\u00edvel resolv\u00ea-los sem teoria. H\u00e1 uma valoriza\u00e7\u00e3o da aplica\u00e7\u00e3o e das actividades pr\u00e1ticas. Ora, a sinologia n\u00e3o se pode desenvolver sem um profundo amor pelos livros, desde logo porque os chineses s\u00e3o um povo da escrita e, portanto, da leitura e dos livros.<\/p>\n<p class=\"p1\">Isto reflecte-se no que sucede aos estudantes portugueses que se deslocam ao estrangeiro munidos de bolsas para assimilarem o conhecimento que l\u00e1 fora se faz, coisa que se pratica desde a Idade M\u00e9dia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>Em que sentido? <\/b><\/p>\n<p class=\"p1\">Os estudantes acabam por ficar l\u00e1 devido \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de vida e de trabalho superiores ou, por mais brilhantes que sejam, n\u00e3o correspondem \u00e0s expectativas quando regressam ao pa\u00eds. E isso porque n\u00e3o encontram estruturas de apoio nem uma sociedade capaz de apreciar aquilo que estudaram. J\u00e1 os estrangeirados do s\u00e9c. XIX se debatiam com este problema, com a impossibilidade de aumentar e difundir o conhecimento numa sociedade atavicamente inculta e pouco receptiva ao saber.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>Tamb\u00e9m passou por isso quando voltou a Portugal? <\/b><\/p>\n<p class=\"p1\">Sim. Nos anos 1980 as pessoas tomavam a minha decis\u00e3o de estudar chin\u00eas e de ir para a China como uma esquisitice incompreens\u00edvel. E, quando regressei, no in\u00edcio dos anos 1990, deparei-me, \u00e9 claro, com o mesmo deserto de que partira. At\u00e9 prosseguir o estudo da l\u00edngua chinesa era dif\u00edcil. S\u00f3 havia aulas de n\u00edveis inferiores ao meu. A curiosidade das pessoas pela China era igual a zero. Perguntavam-me \u201cEnt\u00e3o, gostaste, n\u00e3o foi?\u201d e tratavam era de falar da vida delas. Quanto aos Estudos Chineses, a quest\u00e3o do estado larvar em que se encontram em Portugal tem muito a ver com tudo isto. Al\u00e9m disso, estiveram subjugados pelo peso do estudo dos Descobrimentos e da Expans\u00e3o Portuguesa que \u00e9 limitado a uma \u00c1sia contemplada atrav\u00e9s dessa perspectiva.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>H\u00e1 cada vez mais estudos sobre a l\u00edngua e cultura chinesas em Portugal, mas o que precisa verdadeiramente mudar? <\/b><\/p>\n<p class=\"p1\">H\u00e1 que resolver uma s\u00e9rie de problemas para que se consigam desenvolver plenamente. O investimento na aprendizagem e na forma\u00e7\u00e3o tem de aumentar, assim como o acesso a fontes de origem asi\u00e1tica e a colabora\u00e7\u00e3o com investigadores asi\u00e1ticos. Em princ\u00edpio, seria poss\u00edvel agora construir institui\u00e7\u00f5es est\u00e1veis, um ensino capaz e maduro. Mas, para tanto, \u00e9 preciso vontade colectiva e quebrar o c\u00edrculo vicioso da ignor\u00e2ncia para que o povo valorize a cultura.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] Autora do livro \u201cNo Dorso do Drag\u00e3o\u201d, Cl\u00e1udia Ribeiro viveu na China nos anos 80, fez investiga\u00e7\u00f5es independentes no pa\u00eds e importantes tradu\u00e7\u00f5es de chin\u00eas para portugu\u00eas, nomeadamente uma nova vers\u00e3o do Dao De Jing. \u00c0 Via do Meio, explica que, para perceber a China, \u00e9 preciso ir al\u00e9m do tao\u00edsmo e confucionismo. &nbsp;&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":1206,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[18],"tags":[],"class_list":["post-1205","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/9.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1205","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1205"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1205\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1207,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1205\/revisions\/1207"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1206"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1205"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1205"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1205"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}