{"id":1208,"date":"2025-10-21T22:47:43","date_gmt":"2025-10-21T14:47:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.viadomeio.com\/?p=1208"},"modified":"2025-10-21T22:47:43","modified_gmt":"2025-10-21T14:47:43","slug":"a-moda-das-calcas-rasgadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/10\/21\/a-moda-das-calcas-rasgadas\/","title":{"rendered":"A moda das cal\u00e7as rasgadas"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<h3 class=\"p1\" style=\"text-align: center;\">Quem pensa que as cal\u00e7as jeans co\u00e7adas e rasgadas s\u00e3o produto de uma est\u00e9tica dos finais do s\u00e9culo XX, ficaria espantado ao ler o Padre \u00c1lvaro Semedo S.J. quando no s\u00e9culo XVII faz refer\u00eancia \u00e0 expedi\u00e7\u00e3o enviada desde Macau a Beijing para ajudar a dinastia Ming a combater os t\u00e1rtaros-manchus.<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\">A <span class=\"s1\">hist\u00f3ria<\/span> desenrola-se<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>durante a governa\u00e7\u00e3o do d\u00e9cimo s\u00e9timo imperador da dinastia Ming, Zhu Youjian (1628-44), conhecido por Imperador Chong Zhen.<\/p>\n<p class=\"p2\">Os \u00faltimos imperadores Ming estavam t\u00e3o ocupados com a sua imortalidade e em luxos que, nem tinham tempo para os assuntos de Estado, grassando assim a decad\u00eancia. O imperador Shen Zong (Zhu Yijun, 1572-1620, mais conhecido por Wan Li) mandou construir um pal\u00e1cio subterr\u00e2neo para ser o seu t\u00famulo, cujo dinheiro que custou permitiria alimentar dez milh\u00f5es de pessoas durante um ano. Vivendo a popula\u00e7\u00e3o chinesa na mis\u00e9ria, ainda era obrigada a pagar altas rendas e taxas, o que levou mais tarde \u00e0 revolta de 1627.<\/p>\n<p class=\"p3\">J\u00e1 desde 1619, as fronteiras do Norte da China, demarcadas pela Grande Muralha, sofriam as investidas dos manchus. Com fama de bons combatentes, os portugueses de Macau aliados aos jesu\u00edtas, no ano seguinte eram referenciados na corte imperial como uma possibilidade para vir ajudar as tropas Ming, o aconteceu logo em 1621.<\/p>\n<p class=\"p3\">Segundo Montalto de Jesus, \u201cGon\u00e7alo Teixeira, um jesu\u00edta, ofereceu ao imperador, em nome de Macau, tr\u00eas grandes canh\u00f5es.\u201d Provenientes, apesar de n\u00e3o ser referido, talvez da fundi\u00e7\u00e3o em Macau de Manuel Bocarro, onde era produzida artilharia com grande fama e procura em todo o Oriente. \u201cForam tamb\u00e9m artilheiros com eles. Estes canh\u00f5es, levados at\u00e9 \u00e0 fronteira, prestaram grandes servi\u00e7os contra os invasores que, avan\u00e7ando em grandes massas, sofreram tantas baixas com os tiros, que se puseram em fuga e passaram a ser cada vez mais cautelosos nos seus ataques.\u201d No entanto, por estarem fora de Macau, estes artilheiros deixaram desguarnecida a sua cidade, que por duas vezes e por muito pouco n\u00e3o foi conquistada; uma por piratas chineses, que em 1621 tentaram tomar Macau e outra, logo a seguir, pelos holandeses, na batalha de 24 de Junho de 1622, com o c\u00e9lebre tiro efectuado da Fortaleza do Monte pelo Padre Rho S.J..<\/p>\n<p class=\"p3\">Seguindo o livro \u201cMacau Hist\u00f3rico\u201d de Montalto de Jesus: \u201cA partir da\u00ed, o governo chin\u00eas encomendou mais canh\u00f5es e mosquetes a Macau. Gon\u00e7alo Teixeira ofereceu, sempre em nome de Macau, os servi\u00e7os de um contingente militar contra os manchus. Uma inst\u00e2ncia para esse fim foi apresentada ao imperador, que aceitou a oferta. O Conselho de Guerra enviou Jo\u00e3o Rodrigues, um jesu\u00edta (japon\u00f3logo, int\u00e9rprete e que entre muitos trabalhos deixou-nos o Dicion\u00e1rio Japon\u00eas-Portugu\u00eas), para negociar com as autoridades de Macau enquanto se ordenava aos mandarins que despachassem os assuntos liberalmente.\u201d<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s2\">Por v\u00e1rias vezes, ao longo da primeira metade do s\u00e9culo XVII, os canh\u00f5es e os seus bombardeiros (homens que manejavam as bombardas, canh\u00e3o curto de grande calibre) de Macau partiram para a China, a fim de lutar pela dinastia Ming contra os manchus do Nordeste. Como Montalto de Jesus n\u00e3o apresenta datas para identificar cada uma dessas vezes, o epis\u00f3dio dos quatrocentos portugueses pagos pela corte Ming que partiram de Macau em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 Grande Muralha, todos os historiadores de Macau indicam ter acontecido em 1630. Tal concorda com a elei\u00e7\u00e3o em 16 de Agosto de 1630 de seis adjuntos para tratarem com o Senado sobre o pedido feito pelo Imperador da China do envio de gente de guerra e armas para as guerras contra os t\u00e1rtaros.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s2\">Encontrando-se os quatrocentos portugueses em Jiangxi, foram interrompidos na sua marcha devido \u00e0s intrigas dos comerciantes de Cant\u00e3o junto aos mandarins provinciais. E \u00e9 desde Nanchang, cidade hoje capital de Jiangxi, que o Padre \u00c1lvaro Semedo S.J., como fonte presencial, nos narra a admira\u00e7\u00e3o dos habitantes ao ver um deslumbrante cortejo militar, que mais parecia uma embaixada, tal a riqueza em cavalos, nas roupas e criados e para espanto de todos esses espectadores, ali presenciaram uma passagem de moda, t\u00e3o fora de \u00e9poca!<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p5\"><b>Cal\u00e7as decoradas com rasg\u00f5es<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\">Soldados, pagos pelos cofres do imperador Ming, tinham partido de Macau em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 Grande Muralha onde, pelo lado de fora, os ex\u00e9rcitos manchus estavam posicionados. Sem se poderem chamar estrangeiros, os chineses a viver h\u00e1 muitos s\u00e9culos no Nordeste chin\u00eas e cujos seus antepassados provinham da tribo dos Nuzhen, pertenciam \u00e0s tribos manchus, que tinham j\u00e1 governado a China, ou partes desta e tal como os Xiongnu e os mong\u00f3is eram origin\u00e1rios das Montanhas do Altai. Em 1616, essas tribos manchus uniram-se sobre o comando de Nurhachi e pouco depois come\u00e7aram a colocar as suas tropas estacionadas ao longo das fronteiras com o territ\u00f3rio da dinastia Ming.<\/p>\n<p class=\"p3\">Em 1630, \u00e0 corte de Beijing chegou Gon\u00e7alo Teixeira, portugu\u00eas que vinha com embaixada e presente da cidade de Macau para o imperador. Segundo o Padre \u00c1lvaro Semedo, que \u00e9 quem nos relata por observa\u00e7\u00e3o directa os acontecimentos em Nanchang, com a vis\u00e3o daquele grupo criativo de soldados, que antecipou em quase quatro s\u00e9culos a moda das cal\u00e7as rasgadas, Gon\u00e7alo (emendado por Lu\u00eds Gonzaga Gomes para Gon\u00e7alves) Teixeira:<\/p>\n<p class=\"p7\">\u201cVendo a insol\u00eancia dos t\u00e1rtaros e o temor dos chineses e julgando prestar servi\u00e7o ao reino de Portugal e favor a si, por qualquer coisa que lhe pudesse fazer o rei da China, ofereceu aos mandarins, em nome da cidade, alguns portugueses para aux\u00edlio contra os t\u00e1rtaros. A oferta agradou. Entregou-se um memorial ao rei (o Imperador Ming Chong Zhen, 1628-1644), que logo deu provis\u00e3o favor\u00e1vel. O Conselho de Guerra despachou ent\u00e3o um padre da Companhia (o Padre Jo\u00e3o Rodrigues) a Macau, o qual j\u00e1 andava com os embaixadores a negociar este socorro com muitas ordens para as autoridades de Cant\u00e3o para que dessem despacho a este neg\u00f3cio, com liberalidade e comodidades de gente que lhes fosse requerida.<\/p>\n<p class=\"p7\">\u201cPrepararam-se em Macau quatrocentas pessoas, sendo duzentos soldados, entre eles muitos portugueses de c\u00e1 e outros de l\u00e1. A maioria era gente do pa\u00eds mas, n\u00e3o obstante chineses, nasceram em Macau e foram criados, a seu modo, entre portugueses, sendo portanto bons soldados e grandes atiradores de espingardas. A cada soldado foi dado um mo\u00e7o para lhe servir, comprado com o dinheiro do rei (Imperador da China) e ainda larga paga com a qual os soldados se vestiram ricamente e se proveram de armas, ficando ainda ricos.<\/p>\n<p class=\"p7\">Partiu esta soldadesca de Macau com dois capit\u00e3es, chamando-se um Pedro Cordeiro, o outro Ant\u00f3nio Rodrigues do Cabo (designando C. R. Boxer por Ant\u00f3nio Rodriguez del Campo), com os seus alferes e outros oficiais. Chegados a Cant\u00e3o deram mostras de si com tanta galhardia, fazendo v\u00e1rias salvas de mosquetes, que os chineses ficaram estupefactos.<\/p>\n<p class=\"p7\">Aqui tiveram barcos para navegar no rio e com eles visitaram, com muita comodidade, toda a prov\u00edncia, sendo regalados pelos magistrados, quando chegavam \u00e0s suas cidades ou aldeias, enviando-lhes estes fartos abastecimentos de galinhas, vaca, fruta, vinho, arroz, etc..<\/p>\n<p class=\"p7\">Passaram o monte que divide a prov\u00edncia de Cant\u00e3o (Guangdong) da de Kiamsi (Jiangxi) &#8211; sendo menos duma jornada de caminho at\u00e9 ao outro rio &#8211; todos a cavalo, at\u00e9 os seus servidores. Na outra banda imediatamente embarcaram de novo e, no segundo rio, atravessaram da mesma forma quase toda a prov\u00edncia de Kiamsi at\u00e9 \u00e0 sua metr\u00f3pole (Nanchang), na qual me encontrava (Padre Semedo) ent\u00e3o e tinha uma boa cristandade. Demoraram-se somente para ver a cidade e para serem bem vistos por ela. Foram convidados por muitos senhores para poderem admirar o seu modo de vestir e outras coisas para eles estranhas. Trataram-nos com toda a esp\u00e9cie de cortesia. Todos os admiravam e os louvavam, com a excep\u00e7\u00e3o dos golpes e cortes dos seus trajes, pois, n\u00e3o podiam compreender porque retalhavam um pano inteiro, em v\u00e1rios lugares s\u00f3 para o embelezarem.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p5\"><b>Interesses opostos<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\">Decorria a visita a Nanchang, quando um \u00e9dito imperial decretou o regresso a Macau de quase todo o corpo expedicion\u00e1rio portugu\u00eas dessa cidade, tendo apenas continuado viagem para Norte um restrito grupo onde se contavam Gon\u00e7alves Teixeira e o Padre Jo\u00e3o Rodrigues e alguns mais. Estes seguiram para Norte, onde em Tengzhou, na prov\u00edncia de Shandong, se encontraram com as for\u00e7as chinesas, tendo a\u00ed prestado relevantes servi\u00e7os na defesa da cidade. Ap\u00f3s dois anos em Tengzhou, devido ao atraso do soldo saquearam a cidade e \u00e0s suas m\u00e3os morreu Gon\u00e7alves Teixeira, juntamente com outros. Depois debandaram, tendo o Padre Jo\u00e3o Rodrigues conseguido escapar e chegado \u00e0 capital, Pequim, foi agraciado com honrarias pelo Imperador.<\/p>\n<p class=\"p3\">Regressemos aos que de Nanchang seguiram para Macau, continuando a transcrever esta hist\u00f3ria pelo livro \u201cRela\u00e7\u00e3o da Grande Monarquia da China\u201d, redigido pelo Padre \u00c1lvaro Semedo S.J. e conclu\u00eddo em 1637. Portugu\u00eas de Niza, Portalegre, \u00c1lvaro Semedo (1586-1658) com 17 anos ingressara na Companhia de Jesus e cinco anos depois seguiu para a \u00cdndia, onde em Goa completara os seus estudos teol\u00f3gicos. Na China desde 1613, o Padre \u00c1lvaro Semedo S.J. adoptou o nome S\u00e9 Mou-I\u00f4k e como observador privilegiado do per\u00edodo a que tal hist\u00f3ria se refere, foi desde Nanchang relatando o que presenciava.<\/p>\n<p class=\"p3\">Para perceber o \u00e9dito imperial escutado em Nanchang, voltemos \u00e0s suas palavras:<\/p>\n<p class=\"p7\">\u201cO motivo do seu regresso foi devido aos chineses de Cant\u00e3o, que negoceiam com os portugueses e s\u00e3o correctores nos seus neg\u00f3cios dos quais auferem grandes lucros, terem advertido que com esta entrada e o seu \u00eaxito, de que n\u00e3o duvidavam, seria f\u00e1cil aos portugueses alcan\u00e7arem licen\u00e7a para entrarem no reino e fazerem por si os seus neg\u00f3cios e transac\u00e7\u00f5es, com o que perderiam os seus lucros. Assim, antes que os portugueses partissem, fizeram todas as dilig\u00eancias para os embara\u00e7ar, apresentando muitos contras e, como por \u00faltimo, respondessem os magistrados que n\u00e3o podiam fazer outra coisa, por ter j\u00e1 sido pago dinheiro e feitas as pagas n\u00e3o somente as ordin\u00e1rias como ainda as adiantadas, ofereceram-se, ent\u00e3o, para pagarem do seu bolso todo aquele dinheiro ao rei. Vendo, por\u00e9m que assim podiam conseguir, disseram-lhes os magistrados que, se fizessem passar pela corte o dinheiro que pretendiam dar e apresentando-o aos mandarins, seria poss\u00edvel fazer com que estes mesmos, que tinham proposto a vinda dos portugueses ao rei, para prestarem socorro, tornassem a fazer um outro memorial, dizendo n\u00e3o serem eles precisos.<\/p>\n<p class=\"p7\">Respondeu o rei e eu vi a resposta real: N\u00e3o h\u00e1 muito propuseste que esses homens entrassem no reino e nos ajudassem contra os t\u00e1rtaros; agora dizeis n\u00e3o serem j\u00e1 necess\u00e1rios. Quando propuserdes qualquer coisa \u00e9 bom pensardes melhor. Por\u00e9m, se n\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rios que regressem.<\/p>\n<p class=\"p7\">Assim terminou essa expedi\u00e7\u00e3o sem utilidade alguma para o reino, mas muito para os soldados quanto mais n\u00e3o fosse por terem visitado uma boa parte da China. Os t\u00e1rtaros continuaram com a guerra da mesma forma e at\u00e9 agora ainda continuam, tendo obrigado o reino de Coreia a pagar-lhes tributo como pagava \u00e0 China, pagando-o ainda aos chineses como antigamente.\u201d<\/p>\n<p class=\"p3\">Como espect\u00e1culo de moda dado pelos portugueses pelas ruas de Nanchang, vestindo cal\u00e7as de ricos tecidos nos quais abriram rasg\u00f5es com a finalidade de decora\u00e7\u00e3o, apenas ficou registado nas palavras de um dos primeiros e grande sin\u00f3logo, fonte que presenciou localmente este epis\u00f3dio.<\/p>\n<p class=\"p3\">No entanto, S\u00e9 Mou-I\u00f4k, o Padre Semedo, por continuar pela China, j\u00e1 n\u00e3o faz refer\u00eancia ao que se passou mais tarde.<\/p>\n<p class=\"p3\">A Macau, pouco tempo depois do regresso dos que vieram de Nanchang, enviado pelos funcion\u00e1rios de Cant\u00e3o chegou o pedido de retorno do dinheiro que tinham despendido para a expedi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p3\">At\u00f3nitos, os portugueses n\u00e3o quiseram pagar os trinta e quatro mil ta\u00e9is, mas a reten\u00e7\u00e3o do anual barco em Cant\u00e3o, levou-os a sanar o problema. N\u00e3o foi a vender as suas interven\u00e7\u00f5es feitas sobre ricos tecidos, pois ainda n\u00e3o estavam na moda, que s\u00f3 apareceu quatro s\u00e9culos mais tarde, mas usando os poucos lucros que ainda possu\u00edam das viagens comerciais a Manila e ao Jap\u00e3o, que na altura se encontravam quase interrompidas.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] Quem pensa que as cal\u00e7as jeans co\u00e7adas e rasgadas s\u00e3o produto de uma est\u00e9tica dos finais do s\u00e9culo XX, ficaria espantado ao ler o Padre \u00c1lvaro Semedo S.J. quando no s\u00e9culo XVII faz refer\u00eancia \u00e0 expedi\u00e7\u00e3o enviada desde Macau a Beijing para ajudar a dinastia Ming a combater os t\u00e1rtaros-manchus. &nbsp; &nbsp; A hist\u00f3ria&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":1209,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-1208","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/13-1.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1208","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1208"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1208\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1210,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1208\/revisions\/1210"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1209"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1208"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1208"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1208"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}