{"id":1252,"date":"2025-10-21T23:35:54","date_gmt":"2025-10-21T15:35:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.viadomeio.com\/?p=1252"},"modified":"2025-10-21T23:36:48","modified_gmt":"2025-10-21T15:36:48","slug":"a-arte-da-caligrafia-chinesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/10\/21\/a-arte-da-caligrafia-chinesa\/","title":{"rendered":"A arte da caligrafia Chinesa"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>Introdu\u00e7\u00e3o<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\">U<span class=\"s1\">ma<\/span> das caracter\u00edsticas distintivas da civiliza\u00e7\u00e3o chinesa \u00e9 o lugar cimeiro que a caligrafia ocupa na hierarquia das artes. As grandes artes s\u00e3o as artes do pincel, instrumento sens\u00edvel capaz reproduzir qualquer movimento da m\u00e3o, por mais subtil: a caligrafia, a pintura e a poesia. E, entre elas, a arte suprema \u00e9 a caligrafia. Com efeito, a escrita chinesa n\u00e3o constitui apenas um meio de comunica\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 tamb\u00e9m uma forma independente de arte visual. A caligrafia com pincel est\u00e1 entre as quatro pr\u00e1ticas tradicionais para cultivar a mente a que os letrados se deviam dedicar, para al\u00e9m de tocar <i>qin<\/i>, um instrumento musical de cordas, jogar <span class=\"s2\">\u68cb<\/span> <i>qi<\/i>, um jogo de tabuleiro estrat\u00e9gico chin\u00eas conhecido como <i>go<\/i> no Jap\u00e3o, e pintar.<\/p>\n<p class=\"p5\">Enquanto arte visual, a caligrafia <span class=\"s2\">\u66f8\u6cd5<\/span> <i>shufa<\/i>, cuja tradu\u00e7\u00e3o literal \u00e9 \u201co m\u00e9todo de escrita\u201d (<i>shu<\/i>, \u201cescrever\u201d e <i>fa<\/i>, \u201cm\u00e9todo\u201d), vai muito para al\u00e9m do mero decorativismo da caligrafia ocidental (do grego, \u201cbela escrita\u201d), do embelezamento de letras. Uma vez que existem mais de cinquenta mil caracteres, a caligrafia chinesa tem \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o um report\u00f3rio imenso de formas. Trata-se de vivificar esses caracteres, de emprestar-lhes como que um movimento interior, de os carregar de <span class=\"s2\">\u6c23<\/span> <i>qi<\/i>, o Sopro\/energia, que lhes conferir\u00e1 coer\u00eancia, e de <span class=\"s2\">\u529b<\/span><i>li<\/i>, uma \u201cfor\u00e7a\u201d, uma ac\u00e7\u00e3o resoluta, uma din\u00e2mica. Assim se \u201cd\u00e1 corpo\u201d aos caracteres, tornando-os aut\u00f3nomos na organiza\u00e7\u00e3o interna do texto e dotados de uma energia pr\u00f3pria capaz de circular. O cal\u00edgrafo sabe habitar no seu corpo e \u00e9 isso que lhe permite \u201cdar corpo\u201d aos caracteres. A actividade interior do cal\u00edgrafo adv\u00e9m gesto e este, por sua vez, adv\u00e9m forma. S\u00f3 assim os caracteres poder\u00e3o fazer prova de uma vida pelo menos t\u00e3o intensa quanto aquilo a que se referem, de sugerir a presen\u00e7a de corpos no espa\u00e7o, de objectos f\u00edsicos tri-dimensionais, interpelando o espectador de tal forma que este v\u00ea neles muito mais do que manchas de tinta. Para tanto \u00e9 crucial que o cal\u00edgrafo exiba um comando total do pincel, o que \u00e9 sempre fruto de uma longa pr\u00e1tica que culmina na aquisi\u00e7\u00e3o de um estilo pr\u00f3prio.<\/p>\n<p class=\"p5\">A caligrafia revela um tipo de conhecimento que n\u00e3o \u00e9 apenas mental mas emocional e corporal, \u201cconhecimento incorporado\u201d. Todo o ser do cal\u00edgrafo \u00e9 implicado nos gestos caligr\u00e1ficos. D\u00e1-se uma mobiliza\u00e7\u00e3o integral do corpo e uma presen\u00e7a de esp\u00edrito total. E cada gesto, cada sequ\u00eancia de gestos \u00e9 irrevers\u00edvel. H\u00e1 que mover-se de um caracter para outro sem interrup\u00e7\u00e3o com todas as for\u00e7as focadas. A actividade de quem caligrafa desenvolve-se fora do espa\u00e7o-tempo quotidiano. \u00c9-se transportado para um tempo paralelo, mergulhando no estado de flu\u00eancia t\u00e3o caracter\u00edstico da proximidade com o Dao.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>Materiais<\/b><\/h3>\n<p class=\"p4\">Os materiais para a pr\u00e1tica da caligrafia s\u00e3o os mesmos da pintura e da escrita, os chamados <span class=\"s2\">\u6587\u623f\u56db\u5bf6<\/span><i>wenfang sibao<\/i>, os Quatro Tesouros do Est\u00fadio: <span class=\"s2\">\u7d19<\/span><i>zhi<\/i>, papel, <span class=\"s2\">\u7b46<\/span><i>bi<\/i>, pincel, <span class=\"s2\">\u58a8<\/span><i>mo<\/i>, tinta, <span class=\"s2\">\u786f<\/span><i>yan<\/i>, tinteiro (Fig.2).<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s3\">O pincel de escrita chin\u00eas apresenta uma haste e uma ponta. Quanto ao tipo de p\u00ealo, os pinc\u00e9is podem ser <\/span><span class=\"s4\">\u786c\u6beb <\/span><span class=\"s3\"><i>yinghao, <\/i>duros, <\/span><span class=\"s4\">\u8edf\u6beb <\/span><span class=\"s3\"><i>ruanhao<\/i>, macios, ou <\/span><span class=\"s4\">\u517c\u6beb<\/span><span class=\"s3\"> <i>jianhao<\/i>, mistos. A escolha de um pincel macio ou duro depende do estilo de caligrafia que se pretende executar e das habilidades do cal\u00edgrafo. Os pinc\u00e9is de p\u00ealos macios s\u00e3o mais dif\u00edceis de controlar, mas permitem maior varia\u00e7\u00e3o nas pinceladas. Existem tr\u00eas tamanhos diferentes de pincel: o tamanho grande (<\/span><span class=\"s4\">\u5927\u6977<\/span><span class=\"s3\"> <i>dakai<\/i>), o tamanho m\u00e9dio (<\/span><span class=\"s4\">\u4e2d\u6977<\/span><span class=\"s3\"> <i>zhongkai<\/i>) e o tamanho pequeno (<\/span><span class=\"s4\">\u5c0f\u6977 <\/span><span class=\"s3\"><i>xiaokai<\/i>). Utilizam-se os pinc\u00e9is de maior tamanho apenas para pe\u00e7as de caligrafia de grandes dimens\u00f5es. O pincel de tamanho m\u00e9dio \u00e9 o mais usado e serve para toda uma variedade de prop\u00f3sitos. O pincel de tamanho pequeno \u00e9 adequado para pe\u00e7as de caligrafia miniaturais e na grava\u00e7\u00e3o de carimbos. Quanto ao comprimento da ponta, os pinc\u00e9is podem ser<\/span><span class=\"s4\">\u9577\u5cf0<\/span><span class=\"s3\"> <i>changfeng<\/i>, de ponta longa, <\/span><span class=\"s4\">\u4e2d\u5cf0 <\/span><span class=\"s3\"><i>zhongfeng <\/i>de ponta m\u00e9dia, ou <\/span><span class=\"s4\">\u77ed\u5cf0 <\/span><span class=\"s3\"><i>duanfeng<\/i>, de ponta curta. Os pinc\u00e9is de ponta longa ret\u00eam a tinta por mais tempo e servem para escrever as linhas cont\u00ednuas dos tra\u00e7os longos. Os de ponta m\u00e9dia s\u00e3o os mais comum em caligrafia e os de ponta curta servem para escrever caracteres min\u00fasculos e delgados. Para quem se inicia em caligrafia, o pincel de ponta m\u00e9dia e de p\u00ealo misto \u00e9 o mais f\u00e1cil de manusear. Os melhores pinc\u00e9is, e tamb\u00e9m os mais caros, s\u00e3o os <\/span><span class=\"s4\">\u6e56\u7b46<\/span><span class=\"s3\"> <i>Hubi<\/i>, fabricados em Huzhou, na prov\u00edncia de Zhejiang, os <\/span><span class=\"s4\">\u5ba3\u7b46 <\/span><span class=\"s3\"><i>Xuanbi <\/i>do condado de Jingxian, na prov\u00edncia de Anhui, os <\/span><span class=\"s4\">\u6234\u6708\u8ed2\u7b46 <\/span><span class=\"s3\"><i>Daiyuexuanbi<\/i>, de Pequim, e os <\/span><span class=\"s4\">\u4faf<\/span> <span class=\"s4\">\u5e97\u6bdb\u7b46<\/span><span class=\"s3\"> <i>Houdian maobi<\/i>, da cidade de Hengshui, Hebei.<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s5\">A caracter\u00edstica preponderante do pincel \u00e9 a flexibilidade. Os p\u00ealos prov\u00eam de animais como cabras, doninhas, coelhos e cavalos, al\u00e9m de texugos, raposas, gatos e veados. Diferentes tipos de p\u00ealos d\u00e3o origem a graus variados de rigidez. Os mais macios s\u00e3o os de coelho e de cabra e os de cavalo os mais r\u00edgidos. Os de doninha s\u00e3o el\u00e1sticos e resistentes. Os pinc\u00e9is r\u00edgidos e duros n\u00e3o ret\u00eam uma grande quantidade de tinta e s\u00e3o geralmente utilizados para escrever caracteres relativamente pequenos. A qualidade do pincel depende ainda da parte do corpo do animal de onde o p\u00ealo foi extra\u00eddo e da \u00e9poca do ano em que isso sucedeu. Um bom pincel apresenta uma ponta bem agu\u00e7ada e el\u00e1stica e um p\u00ealo uniforme.<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">Tradicionalmente, adquiria-se a tinta em estado s\u00f3lido, em bast\u00f5es, que eram depois misturados com \u00e1gua no tinteiro de modo a liquefazer-se. A marca de maior prest\u00edgio \u00e9 <i>Guhu kaiwen<\/i>. Actualmente, tamb\u00e9m se adquire tinta l\u00edquida j\u00e1 preparada. A mais conceituada \u00e9 a <span class=\"s2\">\u5fbd\u58a8<\/span> <i>Huimo <\/i>(tinta de Anhui), da antiga regi\u00e3o de Huizhou <span class=\"s2\">\u5fbd\u5dde<\/span>, parte dela na actual prov\u00edncia de Anhui.<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s5\">O papel mais utilizado para caligrafia \u00e9 o <\/span><span class=\"s6\">\u5ba3\u7d19<\/span><span class=\"s5\"> <i>Xuanzhi<\/i>, que \u00e9 fabricado tradicionalmente em Xuancheng, na prov\u00edncia de Anhui. Existem v\u00e1rios tipos de <i>Xuanzhi, <\/i>cada qual apropriado para um certo estilo de caligrafia ou pintura. Pode ser dividido em tr\u00eas categorias distintas: <\/span><span class=\"s6\">\u751f\u5ba3<\/span><span class=\"s5\"> <i>shengxuan <\/i>(<i>xuan<\/i> em bruto), que \u00e9 pouco processado e tem grande capacidade de absor\u00e7\u00e3o de \u00e1gua; <\/span><span class=\"s6\">\u719f\u5ba3 <\/span><span class=\"s5\"><i>shuxuan<\/i> (<i>xuan<\/i> amadurecido), com uma textura r\u00edgida e uma capacidade reduzida de absor\u00e7\u00e3o de \u00e1gua; <\/span><span class=\"s6\">\u534a\u719f\u5ba3<\/span><span class=\"s5\"> <i>banshuxuan<\/i> (<i>xuan<\/i> meio-amadurecido), que tem uma excelente capacidade de absor\u00e7\u00e3o de \u00e1gua. A selec\u00e7\u00e3o do papel <i>xuan<\/i> depende do prop\u00f3sito do cal\u00edgrafo. Todavia, para o aprendiz de caligrafia, os cadernos chineses para pr\u00e1tica de caligrafia vulgares e at\u00e9 mesmo o papel de jornal s\u00e3o uma boa como alternativa.<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">Os tinteiros podem ser feitos de diversos materiais, como ard\u00f3sia, porcelana, bronze, etc. e variar muito em apar\u00eancia. Os <i>Duanyan<\/i> (de Duanxi, Zhaoqing, em Guangdong) e os <i>Xiyan<\/i> (do condado de Xi, em Anhui), s\u00e3o os que gozam de maior prest\u00edgio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>Postura<\/b><\/h3>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s3\">Ao executar uma pe\u00e7a de caligrafia, \u00e9 indispens\u00e1vel manter-se num estado de esp\u00edrito tranquilo, evitando qualquer sentimento de pressa ou preocupa\u00e7\u00e3o, com todas as partes do corpo a trabalhar em sintonia. A respira\u00e7\u00e3o deve ser suave, cont\u00ednua, e estar sincronizada com o pincel, expirando enquanto este se move no papel e inspirando quando se ergue. \u00c9 necess\u00e1rio concentra\u00e7\u00e3o, <\/span><span class=\"s4\">\u51dd\u795e<\/span><span class=\"s3\"><i>ningshen,<\/i> mas n\u00e3o de forma exagerada, sob pena de a caligrafia ganhar um aspecto demasiado r\u00edgido e tenso. A concentra\u00e7\u00e3o implica algo familiar no vocabul\u00e1rio chin\u00eas, <\/span><span class=\"s4\">\u5167\u8996<\/span><span class=\"s3\"> <i>neishi<\/i>, olhar para dentro ou o olhar interior, uma escuta por parte do cal\u00edgrafo do seu sil\u00eancio interior, num estado entre presen\u00e7a e aus\u00eancia. Essa vis\u00e3o interior \u00e9 exteriorizada sob a forma de caligrafia porque aquela gera uma inten\u00e7\u00e3o, <\/span><span class=\"s4\">\u610f<\/span><span class=\"s3\"><i>yi<\/i>. N\u00e3o se trata de uma visualiza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via e precisa do que se vai fazer, mas t\u00e3o-s\u00f3 da inten\u00e7\u00e3o que guiar\u00e1 o pincel ao caligrafar, deixando espa\u00e7o para a espontaneidade se manifestar. Se as pinceladas se anteciparem \u00e0 inten\u00e7\u00e3o, o resultado ser\u00e1 med\u00edocre.<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">A caligrafia chinesa \u00e9 geralmente levada a cabo sobre uma superf\u00edcie plana e horizontal. Os aprendizes devem escrever sobre uma mesa, os cal\u00edgrafos experientes podem escrever de p\u00e9. A posi\u00e7\u00e3o da cabe\u00e7a, do corpo, dos bra\u00e7os e p\u00e9s afecta a qualidade da escrita. Ao escrever sentado, o corpo deve distar cerca de cinco a sete cent\u00edmetros da mesa. O centro de gravidade deve situar-se na parte inferior do abd\u00f3men (<span class=\"s2\">\u4e39\u7530<\/span> <i>dantian<\/i>), o centro gerador da for\u00e7a que ir\u00e1 circular pelo bra\u00e7o e pelo pincel at\u00e9 aos caracteres. A cabe\u00e7a deve manter-se direita, de modo a poder observar claramente o local onde se pretende escrever. A parte superior do corpo deve estar direita, com os ombros relaxados e equilibrados. Enquanto uma m\u00e3o escreve a outra mant\u00e9m o papel no lugar, com os dois bra\u00e7os ligeiramente afastados do corpo. Ambos os cotovelos devem pousar sobre a mesa, longe do corpo. Os p\u00e9s devem apoiar-se firmemente no ch\u00e3o e manterem-se uniformemente afastados. Os cal\u00edgrafos mais experientes podem preferir trabalhar em p\u00e9 (Fig.3). Essa postura \u00e9 aconselh\u00e1vel, ali\u00e1s, quando se pretende escrever caracteres de grandes dimens\u00f5es. H\u00e1 tr\u00eas tipos de posturas em p\u00e9: a primeira, ao escrever sobre uma mesa, suspendendo o bra\u00e7o no ar enquanto a parte superior do corpo se debru\u00e7a sobre o papel; a segunda, ao escrever numa parede, olhando em frente e com o bra\u00e7o estendido; a terceira, ao escrever caracteres de grandes dimens\u00f5es num papel colocado sobre o ch\u00e3o, em que o cal\u00edgrafo trabalha em movimento e inclinando-se para baixo.<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s3\">A posi\u00e7\u00e3o do pulso depende do tamanho dos caracteres. O pulso dos aprendizes deve apoiar-se na mesa. Isto sobretudo se os caracteres ser\u00e3o relativamente pequenos, porque ent\u00e3o bastar\u00e1 mover os dedos e o pulso para manipular o pincel. H\u00e1 quem amorte\u00e7a o pulso com a m\u00e3o que n\u00e3o escreve, colocando-a com a palma para baixo. Escrever com o pulso erguido \u00e9 aconselh\u00e1vel para cal\u00edgrafos experientes que assim gozar\u00e3o de maior liberdade, principalmente na execu\u00e7\u00e3o de caracteres de tamanho grande. Ergue-se o pulso 2,5 a 5 cent\u00edmetros da mesa, mas com o cotovelo apoiado sobre ela. Escrever tanto com o pulso como com o cotovelo suspensos no ar \u00e9 mais dif\u00edcil e serve para tra\u00e7ar caracteres de grandes dimens\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s5\">A maneira como se manuseia o pincel \u00e9 de import\u00e2ncia crucial. O pincel deve ser mantido na vertical (Fig. 4). Uma maneira vulgar de segurar o pincel \u00e9 \u201co m\u00e9todo polegar-dedos\u201d que requer uma for\u00e7a coordenada dos quatro dedos e do polegar de modo a efectuar movimentos exactos e equilibrados. O polegar inclina-se, com a unha apontando para cima; as pontas dos demais dedos apontam para baixo. O polegar e o indicador mant\u00eam o pincel na altura correcta e o dedo m\u00e9dio empurra suavemente o pincel em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 palma. O quarto dedo fornece press\u00e3o no lado oposto do pincel. O dedo m\u00ednimo auxilia o quarto dedo mas sem tocar no pincel, na palma ou no papel. Todos os dedos devem estar envolvidos no controlo do pincel. A palma da m\u00e3o deve estar solta e curvada o suficiente para segurar um ovo. O pulso e o antebra\u00e7o devem manter-se paralelos ao papel. Existem outras maneiras de segurar o pincel, como o \u201cm\u00e9todo dos tr\u00eas dedos\u201d e o \u201cm\u00e9todo dos quatro dedos\u201d. Na caligrafia regular, segura-se o pincel na parte inferior da haste tornando-o mais f\u00e1cil de manusear. Nas caligrafias corrente e cursiva segura-se o pincel na parte superior da haste, o que permite mover os dedos e o polegar com agilidade e rapidez. <\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">As posturas-padr\u00e3o e o cultivo de bons h\u00e1bitos de escrita s\u00e3o necess\u00e1rios sobretudo para os aprendizes. A maior parte dos cal\u00edgrafos ajusta a forma de segurar no pincel \u00e0s suas necessidades criativas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>Aprendizagem<\/b><\/h3>\n<p class=\"p5\">A primeira actividade art\u00edstica das crian\u00e7as chinesas \u00e9 a caligrafia. N\u00e3o s\u00f3 lhes ensinam os tra\u00e7os e os caracteres como tamb\u00e9m tentam despertar o seu ju\u00edzo est\u00e9tico e compreens\u00e3o acerca da cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica, alertando-as para no\u00e7\u00f5es como equil\u00edbrio, propor\u00e7\u00e3o, continuidade, variedade, contraste, movimento, mudan\u00e7a e harmonia. Tal como as artes marciais, a pr\u00e1tica da caligrafia contribui grandemente para a capacidade de concentra\u00e7\u00e3o, a aquisi\u00e7\u00e3o de disciplina, a coordena\u00e7\u00e3o entre a mente e o corpo e a adop\u00e7\u00e3o de uma postura corporal correcta, o que culmina na forma\u00e7\u00e3o de um car\u00e1cter de uma for\u00e7a gentil e com uma energia repleta de brandura.<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s5\">O ensino da caligrafia, tal como da pintura tradicional, faz-se essencialmente atrav\u00e9s da c\u00f3pia e da imita\u00e7\u00e3o. Na arte chinesa em geral, a imita\u00e7\u00e3o e a c\u00f3pia s\u00e3o muito valorizadas e consideradas o caminho para a autonomia art\u00edstica e para a cria\u00e7\u00e3o de um estilo pessoal no futuro. H\u00e1 que aprender com os mestres do passado para os poder depois ultrapassar. Atrav\u00e9s da c\u00f3pia, o aprendiz descobre os pontos fortes do modelo e das t\u00e9cnicas utilizadas, as suas pr\u00f3prias limita\u00e7\u00f5es e as op\u00e7\u00f5es que tem ao seu dispor, sem que seja necess\u00e1rio violar os princ\u00edpios gerais. Uma vez atingida a maturidade, e gra\u00e7as ao longo treino e experi\u00eancia adquirida, o pincel fluir\u00e1 por si, tal a coordena\u00e7\u00e3o entre a mente e o corpo. A falta de treino atrav\u00e9s da c\u00f3pia conduz \u00e0 mediocridade. Apreciam-se boas c\u00f3pias como se apreciam originais. Al\u00e9m disso, \u00e9 gra\u00e7as \u00e0 c\u00f3pia que se conhecem hoje in\u00fameras obras de arte chinesas antigas, sobretudo pinturas e caligrafias. <\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s3\">Como todas as artes da China, aprende-se ainda caligrafia atrav\u00e9s da observa\u00e7\u00e3o da natureza, como o movimento dos peixes na \u00e1gua, o voo dos p\u00e1ssaros, a dan\u00e7a do vento e os rios que correm. Deve-se fazer voltear o pincel como a \u00e1guia volta a cabe\u00e7a no ar, faz\u00ea-lo descer como um abutre que cai sobre a presa, empurr\u00e1-lo como o peixe que nada, com a naturalidade das nuvens que envolvem o cume das montanhas. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>Sa\u00fade f\u00edsica e mental<\/b><\/h3>\n<p class=\"p4\">A caligrafia chinesa n\u00e3o \u00e9 considerada t\u00e3o-s\u00f3 um passatempo ou uma forma de arte. Tal como o <i>taiji<\/i> e o <i>qigong<\/i>, \u00e9 considerada tamb\u00e9m uma forma de terapia, eficaz na promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade f\u00edsica e mental. A caligrafia \u00e9 um exerc\u00edcio f\u00edsico e mental, um m\u00e9todo para cultivar paz de esp\u00edrito e concentra\u00e7\u00e3o, assim como para libertar energia bloqueada. Al\u00e9m disso, melhora o sentido de equil\u00edbrio e molda o temperamento, disciplinando-o e acalmando-o e trazendo uma sensa\u00e7\u00e3o de paz e estabilidade. Os chineses cr\u00eaem que a caligrafia, tal como a medita\u00e7\u00e3o, estimula os mecanismos de controle do c\u00e9rebro, aumenta a circula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea e a vitalidade das c\u00e9lulas e retarda o envelhecimento. A pr\u00e1tica da medita\u00e7\u00e3o \u00e9 a busca de tranquilidade em repouso, mas a caligrafia \u00e9 a busca de tranquilidade em movimento. Como o<span class=\"s2\">\u592a\u6975\u62f3<\/span> <i>taijiquan<\/i>, \u00e9 uma forma leve de exerc\u00edcio f\u00edsico que envolve quase todas as partes do corpo e os m\u00fasculos da respira\u00e7\u00e3o. A tranquilidade no movimento estimula a criatividade e provoca satisfa\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da realiza\u00e7\u00e3o art\u00edstica, algo que est\u00e1 ausente na pr\u00e1tica da medita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p5\">N\u00e3o \u00e9 por acaso que em todas as vilas e cidades da China, logo pela manh\u00e3zinha, velhos e jovens, homens e mulheres, se re\u00fanem em parques e jardins para fazer exerc\u00edcio. Entre esses exerc\u00edcios tem lugar um fen\u00f3meno cultural sem paralelo noutras civiliza\u00e7\u00f5es: a pr\u00e1tica da caligrafia com \u00e1gua (Fig. 5). Os praticantes manipulam um pincel gigante e especial que se encontra amarrado a uma vara e mergulham-no num balde de \u00e1gua. De seguida, praticam caligrafia sobre o solo, tra\u00e7ando caracteres suficientemente grandes para poderem ser lidos \u00e0 dist\u00e2ncia. Quando acabam de escrever os \u00faltimos caracteres, j\u00e1 os primeiros se evaporaram sob a ac\u00e7\u00e3o dos raios de sol, o que lembra um pequeno <i>happening<\/i> ef\u00e9mero de arte contempor\u00e2nea. Como a investiga\u00e7\u00e3o m\u00e9dica indica que a pr\u00e1tica regular e sustentada da caligrafia pode melhorar as fun\u00e7\u00f5es corporais, trata-se de uma maneira de manter a forma f\u00edsica e mental. Al\u00e9m disso, os espectadores desta pr\u00e1tica de caligrafia encetam discuss\u00f5es apaixonadas acerca das qualidades est\u00e9ticas dos caracteres provando que o amor pela caligrafia est\u00e1 profundamente enraizado na popula\u00e7\u00e3o. Com efeito, a caligrafia \u00e9 um tema de conversa popular na China e parte da sua identidade nacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>Tra\u00e7os b\u00e1sicos<\/b><\/h3>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s3\">Existem entre 3 500 e 4\u00a0000 caracteres de uso corrente, embora os caracteres sejam tantos que n\u00e3o existe um consenso relativamente ao seu n\u00famero, algo entre 50\u00a0000 e 90 000. Cada um desses caracteres, cujos formatos e n\u00fameros de tra\u00e7os variam grandemente, deve ocupar o mesmo quadrado imagin\u00e1rio. O n\u00famero de tra\u00e7os mais comum num caracter chin\u00eas n\u00e3o-simplificado \u00e9 da ordem de 11,2 e num caracter chin\u00eas simplificado \u00e9 de 9,8. Os caracteres s\u00e3o formados atrav\u00e9s de um sistema modular. Cada m\u00f3dulo \u00e9 formado por a partir de um conjunto de oito tra\u00e7os b\u00e1sicos que podem surgir repetidos no mesmo caracter: o ponto<i> <\/i><\/span><span class=\"s4\">\u70b9<\/span><span class=\"s3\"><i>dian<\/i>, o tra\u00e7o horizontal<\/span><span class=\"s4\">\u6a6b<\/span><span class=\"s3\"><i>heng<\/i>, o tra\u00e7o vertical<i> <\/i><\/span><span class=\"s4\">\u8c4e<\/span><span class=\"s3\"><i>shu<\/i>, o gancho<\/span><span class=\"s4\">\u9264<\/span><span class=\"s3\"><i> gou<\/i>, o tra\u00e7o ascendente <\/span><span class=\"s4\">\u63d0<\/span><span class=\"s3\"><i>ti<\/i>, o tra\u00e7o longo e descendente para a esquerda <\/span><span class=\"s4\">\u6487<\/span><span class=\"s3\"><i>pie,<\/i> o tra\u00e7o curto e descendente para a esquerda <\/span><span class=\"s4\">\u77ed\u6487<\/span><span class=\"s3\"><i>duanpie <\/i>e o tra\u00e7o descendente para a direita <\/span><span class=\"s4\">\u637a<\/span><span class=\"s3\"><i>na<\/i>. Est\u00e3o todos presentes no caracter <\/span><span class=\"s4\">\u6c38<\/span><span class=\"s3\"> <i>yong<\/i>, um dos caracteres que o aprendiz de caligrafia cedo come\u00e7a a praticar (Fig. 6). <\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">Cada tra\u00e7o \u00e9 ami\u00fade comparado a diversas formas e fen\u00f3menos da natureza que os aprendizes e cal\u00edgrafos devem ter em mente ao trabalhar: o ponto \u00e9 como uma pedra ca\u00edda; o tra\u00e7o horizontal \u00e9 como um fragmento de nuvem de ver\u00e3o; o gancho \u00e9 uma vara de metal a dobrar-se, o gancho reverso \u00e9 como disparar uma besta, etc. Os pontos podem apresentar muitos formatos diferentes mas nunca s\u00e3o circulares \u00e0 maneira de um ponto geom\u00e9trico. \u00c9 o mais fundamental de todos os tra\u00e7os porque o m\u00e9todo atrav\u00e9s do qual \u00e9 executado serve para muitos outros. Tanto uma linha horizontal como uma linha vertical, por exemplo, principiam e terminam com o movimento do pincel requerido para se escrever um ponto. Al\u00e9m disso, embora geralmente pequenos, emprestam grande vivacidade aos caracteres. As linhas horizontais lembram o formato de um osso e podem igualmente ser tra\u00e7adas de diferentes maneiras. Determinam a estrutura e a estabilidade do caracter e conferem-lhe uma apar\u00eancia de for\u00e7a. Podem encontrar-se no topo, na base ou a meio de um caracter. Nas extremidades devem ser mais grossos, e mais finos a meio.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>A linha vertical \u00e9 a espinha dorsal de um caracter. Deve ficar bem direita, como um soldado em sentido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>Tipos de caligrafia<\/b><\/h3>\n<p class=\"p5\">Existem v\u00e1rios tipos de caligrafia, sendo os mais comuns o tipo <span class=\"s2\">\u7bc6\u66f8<\/span> <i>zhuanshu ou<\/i> \u201ccaligrafia sigilar\u201d, o tipo <span class=\"s2\">\u96b8\u66f8<\/span>lishu ou \u201ccaligrafia oficial\u201d, o tipo <span class=\"s2\">\u6977\u66f8<\/span>kaishu ou \u201ccaligrafia regular\u201d, o tipo <span class=\"s2\">\u884c\u66f8<\/span>xingshu ou \u201ccaligrafia corrente\u201d e o tipo <span class=\"s2\">\u8349\u66f8<\/span>caoshu ou \u201ccaligrafia cursiva\u201d. Cada um deles cria uma impress\u00e3o visual e est\u00e9tica diferente. As caligrafias sigilares e oficial n\u00e3o eram consideradas formas de arte quando foram criadas. A antiga caligrafia chinesa servia fins pr\u00e1ticos: comunica\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o de registos. Foi sobretudo nas dinastias Sui e Tang que a caligrafia come\u00e7ou a ser considerada uma forma de arte e que surgiram v\u00e1rios tratados te\u00f3ricos sobre o tema.<\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>A caligrafia <i>zhuan <\/i>ou \u201csigilar\u201d divide-se em <span class=\"s2\">\u5927\u7bc6<\/span><i>dazhuan<\/i>, sigilar grande e <span class=\"s2\">\u5c0f\u7bc6<\/span><i>xiaozhuan<\/i>, sigilar pequena. A <i>dazhuan<\/i> \u00e9 anterior \u00e0 primeira dinastia imperial, a dinastia Qin, e evoluiu a partir da escrita gravada nos vasos de bronze da dinastia Zhou (Fig. 7).<\/p>\n<p class=\"p5\">A <i>xiaozhuan<\/i> data da dinastia Qin e apresenta formas mais simples, sendo tamb\u00e9m mais padronizada na estrutura (Fig. 8). A primeira tem uma apar\u00eancia ousada e irrestrita, enquanto a segunda \u00e9 mais composta e refreada. S\u00e3o ambas utilizadas actualmente sobretudo na grava\u00e7\u00e3o de carimbos, sendo a sigilar pequena bastante mais popular. Os tra\u00e7os podem ser grossos ou finos mas t\u00eam uma espessura uniforme e os caracteres de igual tamanho s\u00e3o inscritos numa forma rectangular imagin\u00e1ria mais longa nos lados e estreita no topo e na base, al\u00e9m de serem espa\u00e7ados uniformemente. A direc\u00e7\u00e3o da escrita \u00e9 vertical e da direita para a esquerda. Muitos destes caracteres s\u00e3o concentrados na parte superior e alongados na inferior, o que lhes confere eleg\u00e2ncia. Existem dois tipos principais de tra\u00e7os: linhas rectas e linhas curvas, incluindo c\u00edrculos. Ambas terminam em pontas arredondadas. Trata-se de uma caligrafia serpentina e sinuosa, bastante dif\u00edcil e morosa de escrever e em que o pincel se deve mover lentamente, recorrendo sobretudo \u00e0 ponta central e sem varia\u00e7\u00f5es na press\u00e3o. A rigidez e uniformidade exigem grande concentra\u00e7\u00e3o e h\u00e1 pouco espa\u00e7o para a express\u00e3o pessoal e livre. Devido a estas caracter\u00edsticas, a <i>zhuanshu <\/i>serviu prop\u00f3sitos pr\u00e1ticos durante pouco tempo, tendo sido substitu\u00edda pela escrita oficial.<\/p>\n<p class=\"p5\">A caligrafia <i>li<\/i> ou \u201coficial\u201d (Fig. 9), elegante e c\u00e9lere, tornou-se vulgar na dinastia Han. O aparecimento da caligrafia oficial<i> <\/i>depois da caligrafia <i>xiao zhuan<\/i> foi um grande avan\u00e7o no sistema de escrita chin\u00eas e abriu caminho \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o da caligrafia como uma forma de arte. Este fen\u00f3meno \u00e9 conhecido como <span class=\"s2\">\u96b8\u8b8a<\/span> <i>libian<\/i>, \u201ca mudan\u00e7a para a oficial\u201d. A espessura dos tra\u00e7os, dantes uniforme, come\u00e7ou a variar. A ponta do pincel passou a executar movimentos ascendentes e descendentes. Tamb\u00e9m se come\u00e7aram a exercer diferentes graus de press\u00e3o no pincel, o que implicava um maior n\u00famero de movimentos e t\u00e9cnicas de dedos e punhos. Os tra\u00e7os circulares ou semi-circulares desapareceram, restando apenas linhas rectas e \u00e2ngulos agudos. Estava lan\u00e7ada a base para a forma quadrada e est\u00e1vel dos caracteres chineses. A forma dos caracteres mudou de verticalmente alongada para horizontalmente larga. Com efeito, os caracteres da escrita oficial s\u00e3o largos e curtos. As linhas horizontais, em geral, s\u00e3o planas e o tra\u00e7o <i>gou<\/i>, o \u201cgancho\u201d, ainda est\u00e1 ausente.<\/p>\n<p class=\"p5\">A caligrafia <i>kai<\/i> ou \u201cregular\u201d (Fig. 10) teve origem na dinastia Han Oriental e atingiu a sua forma actual no s\u00e9c. V, mas amadureceu e popularizou-se na dinastia Tang, inaugurando uma era de estabilidade na caligrafia chinesa, \u00e0 qual associou um conjunto completo de regras e padr\u00f5es, em grande parte devidos ao letrado confucionista e cal\u00edgrafo Ouyang Xun. Como a caligrafia oficial, \u00e9 de apar\u00eancia igualmente precisa, mas mais requintada, menos formal e pesada. A sua supremacia para uso oficial tornar-se-ia incontest\u00e1vel. A caligrafia regular<i> <\/i>obedece a regras fixas na padroniza\u00e7\u00e3o do tra\u00e7o, na ordem dos tra\u00e7os e no formato da escrita. Assenta em t\u00e9cnicas prescritas para tr\u00eas grandes \u00e1reas: como usar a tinta, como formar os caracteres e como gerir a composi\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m \u00e9 designada por <span class=\"s2\">\u771f\u66f8<\/span><i>zhenshu<\/i>, caligrafia verdadeira, ou <span class=\"s2\">\u6b63\u66f8<\/span><i>zhengshu<\/i>, caligrafia recta, ou seja, sem curvas. Os caracteres t\u00eam uma apar\u00eancia quadrada, n\u00edtida, ordenada e firme sem deixar de ser din\u00e2mica. S\u00e3o pincelados tra\u00e7o a tra\u00e7o, sem liga\u00e7\u00e3o entre eles e levanta-se o pincel no final de cada pincelada.<\/p>\n<p class=\"p5\">A caligrafia <span class=\"s2\">\u884c<\/span>xing ou \u201ccorrente\u201d (Fig. 11) desenvolveu-se no final da dinastia Han devido \u00e0 necessidade de acelerar a escrita. Tratou-se de um passo importante no desenvolvimento da caligrafia. Encontra-se no meio-termo entre a caligrafia regular, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 qual \u00e9 menos clara e precisa, e a caligrafia cursiva, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 qual \u00e9 menos lesta e mais n\u00edtida, sendo frequentemente designada tamb\u00e9m como \u201csemicursiva\u201d. Escrever com maior velocidade e fluidez implica combinar tra\u00e7os e simplificar caracteres. O caminho que o pincel percorre ao tra\u00e7ar os caracteres \u00e9 f\u00e1cil de observar porque a liga\u00e7\u00e3o entre as pinceladas \u00e9 articulada com clareza. Adaptando-se bem a todas as formas de comunica\u00e7\u00e3o manuscritas \u00e9, de entre todas, a caligrafia mais utilizada. Uma vez que nem sempre segue os padr\u00f5es prescritos, esta caligrafia n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 apenas pr\u00e1tica, como oferece grandes oportunidades para a express\u00e3o art\u00edstica individual.<\/p>\n<p class=\"p5\">Enquanto os caracteres da caligrafia regular apresentam um tamanho uniforme, o tamanho pode variar na caligrafia corrente. Da\u00ed ser muito importante, tanto na corrente como na cursiva, ajustar o seu tamanho de modo que o todo n\u00e3o perca ritmo e equil\u00edbrio. Tanto a caligrafia corrente como a cursiva n\u00e3o s\u00e3o escritas tra\u00e7o a tra\u00e7o mas ligando os tra\u00e7os entre si, sobretudo na cursiva. S\u00e3o r\u00e1pidas e espont\u00e2neas, fluidas e livres, com gra\u00e7a no movimento e cheias de ritmo. A corrente e a cursiva fogem \u00e0s regras, at\u00e9 mesmo da ordem normal dos tra\u00e7os, e n\u00e3o se ensinam nas escolas, nem servem para a documenta\u00e7\u00e3o oficial, dada a maior dificuldade da sua leitura. A velocidade n\u00e3o \u00e9 apenas cin\u00e9tica, adv\u00e9m igualmente de suavizar os \u00e2ngulos e de ligar os tra\u00e7os. Na China, compara-se a caligrafia regular a manter-se de p\u00e9, a caligrafia corrente a caminhar e a caligrafia cursiva a correr. A coes\u00e3o e o bom ritmo da obra n\u00e3o permitem qualquer modifica\u00e7\u00e3o uma vez conclu\u00edda a pe\u00e7a. Qualquer modifica\u00e7\u00e3o destruiria o ritmo. Os erros e correc\u00e7\u00f5es s\u00e3o, por isso, preservados e um bom exemplo \u00e9 o <span class=\"s2\">\u862d\u4ead\u5e8f<\/span><i>Lantingxu<\/i>, <i>Pref\u00e1cio aos poemas compostos no Pavilh\u00e3o das Orqu\u00eddeas<\/i> de Wang Xizhi, considerada a maior obra-prima da caligrafia chinesa de todos os tempos (Fig. 18). Consideram-se os erros e corre\u00e7\u00f5es parte integrante das obras e nunca s\u00e3o eliminados, at\u00e9 mesmo quando s\u00e3o copiadas.<\/p>\n<p class=\"p5\">A caligrafia <span class=\"s2\">\u8349<\/span>cao ou \u201ccursiva\u201d (Fig. 12) foi usada pela primeira vez na dinastia Han para fazer c\u00f3pias apressadas e amadureceu na dinastia Jin. \u00c9 a caligrafia oficial ou regular escrita de forma extremamente r\u00e1pida, ousada e irrestrita, com os v\u00e1rios tra\u00e7os dos caracteres ligados entre si, o que lhe confere uma apar\u00eancia fluida e animada. \u00c9 ainda mais vibrante e energ\u00e9tica do que a caligrafia corrente. A caligrafia cursiva leva a caligrafia corrente ao extremo, a mais rapidez, criatividade e liberdade. A caligrafia cursiva implica uma grande variedade de t\u00e9cnicas ausentes nas demais caligrafias, como uma altern\u00e2ncia de movimentos subtis e lentos e de gestos din\u00e2micos semelhantes aos das artes marciais, assim como dom\u00ednio na cria\u00e7\u00e3o tanto manchas de tinta difusas como de pinceladas secas. Os tra\u00e7os s\u00e3o unidos com grande frequ\u00eancia, com o \u00faltimo tra\u00e7o de um car\u00e1cter a fundir-se com o primeiro tra\u00e7o do seguinte, e os caracteres surgem ainda mais abreviados. Enquanto as outras caligrafias se adaptam bem \u00e0 escrita em linhas horizontais, nas caligrafias corrente e cursiva torna-se mais f\u00e1cil e natural escrever em colunas verticais de acordo com a tradi\u00e7\u00e3o chinesa.<\/p>\n<p class=\"p5\">Na caligrafia cursiva, e em menor grau na corrente, a sensa\u00e7\u00e3o de ritmo e movimento na escrita n\u00e3o se compadece com paragens. Para manter o fluxo de energia na escrita, a quantidade de tinta depositada no pincel \u00e9 muito maior, para que o artista possa escrever v\u00e1rios caracteres antes de parar para o recarregar. Logo ap\u00f3s a recarga, o pincel encontra-se cheio de tinta e as linhas tra\u00e7adas surgem grossas e escuras, os caracteres pesados e saturados parecendo mais pr\u00f3ximos do espectador. \u00c0 medida que a escrita avan\u00e7a, a tinta vai-se esgotando e os tra\u00e7os tornam-se mais finos e leves, parecendo distantes do espectador at\u00e9 que se efectua uma nova recarga. Este ciclo empresta um ritmo que alterna entre peso e leveza, humidade e secura, proximidade e dist\u00e2ncia que est\u00e1 em conson\u00e2ncia com a no\u00e7\u00e3o de <i>yinyang<\/i> e produz um efeito tridimensional na pe\u00e7a de caligrafia.<\/p>\n<p class=\"p5\">Como a caligrafia cursiva se liberta de muitas das regras da caligrafia regular, quase tudo fica a crit\u00e9rio do cal\u00edgrafo e \u00e9 a ele que cabe tomar a maior parte das decis\u00f5es. Dado ser a mais expressiva das caligrafias tradicionais e favorecer a inova\u00e7\u00e3o, a informalidade e a individualidade, a cursiva \u00e9 a favorita entre os cal\u00edgrafos profissionais. Muitos dos que a praticam exibem personalidades exc\u00eantricas. No entanto, h\u00e1 algumas regras convencionais que continuam a ser respeitadas de modo que a legibilidade se preserve. Essa legibilidade n\u00e3o se dirige a todos mas apenas ao que adquirem treino na sua decifra\u00e7\u00e3o. Com efeito, uma vez que recorre a um grande n\u00famero de tra\u00e7os religados e se at\u00e9m apenas ao contorno dos caracteres, a cursiva \u00e9 ami\u00fade ileg\u00edvel para os leitores destreinados. Tem sido comparada a uma dan\u00e7a de tinta no papel, aos movimentos das artes marciais e a uma melodia dram\u00e1tica. Reflecte o humor e a disposi\u00e7\u00e3o do cal\u00edgrafo de forma mais clara. A sua natureza din\u00e2mica e fluente coloca-a em destaque enquanto forma de arte.<\/p>\n<p class=\"p5\">A caligrafia cursiva divide-se em tr\u00eas tipos: a <span class=\"s2\">\u5c0f\u8349<\/span><i>xiaocao,<\/i> ou cursiva pequena, \u00e9 a mais refreada; a <span class=\"s2\">\u5927\u8349<\/span><i>dacao<\/i>, cursiva grande, \u00e9 pouco refreada; e a <span class=\"s2\">\u72c2\u8349<\/span><i>kuangcao,<\/i> a cursiva louca, \u00e9 a mais desenfreada, a mais vertiginosa. A cursiva louca surgiu na dinastia Tang (Figs. 21 e 22).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>Regras e t\u00e9cnicas<\/b><\/h3>\n<p class=\"p4\">A caligrafia \u00e9 a arte de combinar os tra\u00e7os dos caracteres e de combinar os caracteres entre si num espa\u00e7o delimitado. O pincelar de um tra\u00e7o divide-se em tr\u00eas fases: <span class=\"s2\">\u8d77\u7b46 <\/span><i>qibi<\/i> , <span class=\"s2\">\u904b\u7b46<\/span><i>yunbi<\/i> e <span class=\"s2\">\u6536\u7b46<\/span><i>shoubi<\/i>, ou seja, principiar, continuar e terminar. Esse processo deve conferir ossatura (<span class=\"s2\">\u9aa8<\/span><i>gu<\/i>) aos caracteres, uma estrutura feita de energia concentrada. Quando os caracteres n\u00e3o t\u00eam osso mas apenas carne parecem fl\u00e1cidos e sem vida. O grande cal\u00edgrafo Su Shi<span class=\"s2\">\u8607\u8efe<\/span> (1037\u20131101) afirmava a prop\u00f3sito da caligrafia: <span class=\"s2\">\u66f8\u5fc5\u6709\u795e\u3001\u6c23\u3001\u9aa8\u3001\u8840\u3001\u8089\uff0c\u4e94\u8005\u95d5\u4e00\uff0c\u4e0d\u70ba\u6210\u66f8\u3002<\/span>\u201cO caracter caligr\u00e1fico deve ter express\u00e3o (<i>shen<\/i>), energia (<i>qi<\/i>), ossatura (<i>gu<\/i>), sangue (<i>xue<\/i>) e carne (<i>rou<\/i>). Caso algum destes elementos esteja ausente, n\u00e3o se trata de caligrafia!\u201d<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s5\">A escrita dos tra\u00e7os de um caracter principia em geral do canto superior esquerdo para o canto inferior direito, uma sequ\u00eancia geral adequada para redigir um texto na vertical em colunas, de acordo com a maneira tradicional, o que \u00e9 uma consequ\u00eancia da escrita em ripas de madeira e bambu antes da inven\u00e7\u00e3o do papel. As regras de ordem dos tra\u00e7os representam a forma mais r\u00e1pida e eficiente de escrever caracteres equilibrados, pois permitem ao cal\u00edgrafo identificar com prontid\u00e3o o seu centro de gravidade e dispor os restantes componentes de acordo com ele. A ordem prescrita dos tra\u00e7os tamb\u00e9m facilita a escrita acelerada sem comprometer a legibilidade. E representa um fluxo de energia que principia na parte inferior do abd\u00f3men do cal\u00edgrafo para fluir pelo seu bra\u00e7o e m\u00e3o at\u00e9 \u00e0 folha de papel.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>A rota linear da tinta torna vis\u00edvel essa energia e a qualidade da escrita \u00e9 aferida por ela. H\u00e1 mesmo quem acredite que a energia n\u00e3o se esgote no papel mas se transmita at\u00e9 aos espectadores. <\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">A estrutura dos caracteres chineses assemelha-se \u00e0 de edif\u00edcios erguidos com vigas padronizadas. Para construir um bom edif\u00edcio h\u00e1 que conseguir bons materiais e posicion\u00e1-los no lugar devido de acordo com uma planta harmoniosa. Cada caracter deve ter uma apar\u00eancia coesa e equilibrada, sem aglomera\u00e7\u00f5es e sem partes soltas.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>A rela\u00e7\u00e3o que os diferentes m\u00f3dulos de um caracter estabelecem entre si deve assemelhar-se \u00e0s boas rela\u00e7\u00f5es entre as pessoas, que s\u00e3o est\u00e1veis e equilibradas quando h\u00e1 respeito pelo espa\u00e7o de cada um e existe m\u00fatua depend\u00eancia e coopera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p5\">A rela\u00e7\u00e3o estrutural entre os tra\u00e7os de cada caracter exige coer\u00eancia e harmonia entre os componentes. Cada parte deve subordinar-se ao todo. Como se inserem num quadrado imagin\u00e1rio, \u00e9 necess\u00e1rio ajustar tanto a forma como o tamanho dos componentes e m\u00f3dulos que os constituem. Al\u00e9m disso, para que os componentes se encaixem, alguns tra\u00e7os devem ser alterados para outro tipo de tra\u00e7os, de modo a ocuparem menos espa\u00e7o, o que sucede geralmente no radical (<span class=\"s2\">\u90e8\u9996<\/span><i>bushou<\/i>). Por exemplo, o caracter para \u201cve\u00edculo\u201d, <span class=\"s2\">\u8eca<\/span><i>che<\/i>, surge como um radical em <span class=\"s2\">\u8f15 <\/span><i>qing<\/i> e em <span class=\"s2\">\u8f5f<\/span> <i>hong <\/i>e muda o seu formato devido \u00e0 diferente localiza\u00e7\u00e3o. Isto sucede para que o equil\u00edbrio do caracter n\u00e3o se perca e o seu centro de gravidade n\u00e3o se altere. Um caracter que parece trope\u00e7ar ou desequilibrar-se parece tamb\u00e9m errado. Caso o caracter n\u00e3o seja atravessado por uma, os componentes que se disp\u00f5em verticalmente devem estar centralizados e equilibrados numa linha vertical imagin\u00e1ria. De modo an\u00e1logo, deve imaginar-se uma linha horizontal na parte inferior do caracter, ainda que ela n\u00e3o fa\u00e7a parte da estrutura de um caracter, de modo a este parecer est\u00e1vel e bem implantado.<\/p>\n<p class=\"p5\">No pensamento chin\u00eas, a flexibilidade \u00e9 grandemente valorizada. As regras s\u00e3o sempre flex\u00edveis de modo a ajustarem-se a casos particulares. Assim, para preservar o equil\u00edbrio de determinados caracteres, estes n\u00e3o se inserem num quadrado imagin\u00e1rio exacto. Trata-se de caracteres cujos m\u00f3dulos \u00e0 esquerda e \u00e0 direito variam em n\u00famero de tra\u00e7os ou quando do m\u00f3dulo direito faz parte um tra\u00e7o vertical descendente. O componente mais complexo e o que possui o tra\u00e7o vertical descendente s\u00e3o caligrafados um pouco mais abaixo do que o outro, como em <span class=\"s2\">\u5439<\/span>e em <span class=\"s2\">\u536c<\/span>, respectivamente. O equil\u00edbrio assim\u00e9trico \u00e9 um princ\u00edpio est\u00e9tico muito importante na caligrafia chinesa. Se num caracter houver dois tra\u00e7os verticais paralelos, o da direita deve ser caligrafado um pouco mais grosso do que o da esquerda e descer um pouco mais abaixo, o mesmo sucedendo em m\u00f3dulos do tipo caixa como em <span class=\"s2\">\u570b<\/span>. As linhas horizontais de uma caixa devem ser paralelas, mas as linhas verticais podem variar. As linhas verticais de uma caixa alta e estreita devem ser paralelas e rectas mas, numa caixa larga e curta, devem ser mais largas na parte superior e mais estreitas na parte inferior. Al\u00e9m disso, quando de um caracter fazem parte tr\u00eas tra\u00e7os inclinados para baixo e para a direita do lado direito, dois desses tra\u00e7os rectos, o de cima e o de baixo, s\u00e3o transformados em pontos para evitar repeti\u00e7\u00f5es. Por conseguinte, o princ\u00edpio do equil\u00edbrio assim\u00e9trico est\u00e1 intimamente associado ao princ\u00edpio da varia\u00e7\u00e3o dentro da unidade, fundamental na arte chinesa.<\/p>\n<p class=\"p5\">Existem duas t\u00e9cnicas principais de ataque ao come\u00e7ar e finalizar um tra\u00e7o, a pincelada indirecta ou com a ponta oculta, (<span class=\"s2\">\u85cf\u92d2<\/span> <i>cangfeng<\/i>) e directa ou com a ponta revelada (<span class=\"s2\">\u9732\u92d2<\/span> <i>loufeng<\/i>) (Fig. 14). <i>Na primeira<\/i> \u201coculta-se\u201d o primeiro e o \u00faltimo toque do pincel (<span class=\"s2\">\u843d\u7b14<\/span><i>luobi<\/i>), come\u00e7ando a escrever na direc\u00e7\u00e3o oposta \u00e0 pretendida. Por outras palavras, come\u00e7a-se por mover o pincel levemente para a esquerda antes de pincelar um tra\u00e7o que se dirige para a direita ou deve-se come\u00e7ar por mover levemente para cima um tra\u00e7o que se dirige para baixo. Para ocultar a ponta no final faz-se o pincel recuar levemente na direc\u00e7\u00e3o oposta ao tra\u00e7o antes de ser retirado do papel. A ponta oculta no final de uma linha horizontal tem sido comparada na literatura cl\u00e1ssica sobre caligrafia chinesa a galopar a cavalo rumo a um desfiladeiro e parar abruptamente \u00e0 beira do precip\u00edcio. Esta t\u00e9cnica <i>cangfeng<\/i> permite que a energia fique contida no tra\u00e7o, conferindo-lhe for\u00e7a interior. \u00c9 por isso que os caracteres com pontas ocultas t\u00eam uma apar\u00eancia reservada e uma aura afirmativa. \u00c9 utilizada sobretudo na caligrafia regular. <span class=\"s2\">\u9732\u92d2<\/span> <i>loufeng<\/i> consiste na t\u00e9cnica de \u201crevelar\u201d a direc\u00e7\u00e3o que se pretende para o tra\u00e7o no primeiro e no \u00faltimo toque do pincel (Fig. 15). Os caracteres com pontas reveladas t\u00eam uma apar\u00eancia acerada, extrovertida e ousada. Esta t\u00e9cnica \u00e9 utilizada sobretudo nas caligrafias corrente e cursiva. Com o seu gosto pela classifica\u00e7\u00e3o, os chineses criaram ainda muitas outras designa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas para toda uma pan\u00f3plia de movimentos do pulso e do pincel na elabora\u00e7\u00e3o de uma pe\u00e7a caligr\u00e1fica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>Composi\u00e7\u00e3o<\/b><\/h3>\n<p class=\"p5\">A caligrafia implica a combina\u00e7\u00e3o de caracteres que, por sua vez, implica a capacidade de os dispor correctamente, de gerir o espa\u00e7o e de estabelecer uma dist\u00e2ncia ideal entre as linhas. Da\u00ed resultar\u00e1 um jogo feliz entre o preto da tinta (cheio) e o branco do papel (vazio). Nunca \u00e9 demais enfatizar a import\u00e2ncia do jogo do cheio e do vazio numa pe\u00e7a de caligrafia ou pintura chinesa. Esse jogo tem lugar n\u00e3o s\u00f3 na disposi\u00e7\u00e3o geral como na composi\u00e7\u00e3o de cada caracter. Independentemente da caligrafia adoptada, deve haver espa\u00e7o para respirar no interior e em redor de cada caracter por onde o <span class=\"s2\">\u6c23<\/span><i>qi<\/i>, o sopro, possa fluir sem obstru\u00e7\u00f5es. Nas caligrafias corrente e cursiva, em que o tamanho dos caracteres e o espa\u00e7o entre eles podem variar, h\u00e1 que ter em considera\u00e7\u00e3o a sua interac\u00e7\u00e3o e um caracter pequeno ou leve poder\u00e1 ser compensado por outro grande ou espesso. Essa interac\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ocorrer entre caracteres consecutivos ou entre caracteres de colunas diferentes ou at\u00e9 de diferentes partes do texto, a excel\u00eancia do cal\u00edgrafo sendo revelada pelas escolhas que faz.<\/p>\n<p class=\"p5\">A apar\u00eancia de uma pe\u00e7a de caligrafia como um todo org\u00e2nico \u00e9 conseguida, por exemplo, pela manuten\u00e7\u00e3o do mesmo grau de inclina\u00e7\u00e3o de todos os tra\u00e7os horizontais independentemente do lugar onde se encontram. E todos os tra\u00e7os verticais devem mostrar-se direitos. Todavia, a uniformidade geral n\u00e3o \u00e9 desejada ou a pe\u00e7a caligr\u00e1fica pareceria r\u00edgida e sem vida. Pelo contr\u00e1rio, uma das caracter\u00edsticas de um cal\u00edgrafo digno desse nome \u00e9 conseguir escrever de maneira diferente todos os caracteres que se repetem num mesmo texto.<\/p>\n<p class=\"p5\">Antes de tocar com o pincel no papel \u00e9 necess\u00e1rio ter uma boa ideia daquilo que se pretende escrever e sob que forma, tanto no que diz respeito \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o geral como no que diz respeito \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos tra\u00e7os de cada caracter. Na caligrafia chinesa, a indecis\u00e3o \u00e9 fatal pois a ponta do pincel ir\u00e1 revel\u00e1-la claramente. Cada tra\u00e7o deve ser executado de um s\u00f3 f\u00f4lego e est\u00e1 fora de quest\u00e3o tentar retoc\u00e1-lo sob pena de o destruir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>A cosmovis\u00e3o subjacente<\/b><\/h3>\n<p class=\"p4\">A pr\u00e1tica e a aprecia\u00e7\u00e3o da caligrafia chinesa implicam um estudo da filosofia (sobretudo do tao\u00edsmo) e da cosmovis\u00e3o chinesa relacionada com o<span class=\"s2\">\u592a\u6975<\/span> <i>taiji<\/i>, o P\u00f3lo Supremo, e a polaridade do par <span class=\"s2\">\u9670\u967d<\/span><i>yinyang<\/i>.<\/p>\n<p class=\"p5\">A caligrafia chinesa, tal como a pintura tradicional, incorpora os grandes princ\u00edpios tao\u00edstas. Por exemplo, no cap\u00edtulo 22 do<span class=\"s2\">\u9053\u5fb7\u7d93<\/span> <i>Daode Jing<\/i> pode ler-se: \u201cDobra-se e, assim, fica inteiro.\/ Curva-se e, assim, endireita-se.\/ Esvazia-se e, assim, renova-se.\/ Escasseia e, assim, obt\u00e9m-se.\/ (\u2026) N\u00e3o se exibe e, assim, luz.\/ N\u00e3o se afirma e, assim, sobressai.\/\u201d Da mesma forma, ao lan\u00e7ar uma pedra, o bra\u00e7o dirige-se primeiro para tr\u00e1s e, ao dar um salto, \u00e9 preciso primeiro baixar-se. A acima mencionada t\u00e9cnica da ponta oculta reflecte esta din\u00e2mica: para que uma linha horizontal pincelada da esquerda para a direita retenha a sua for\u00e7a, o pincel deve come\u00e7ar por se mover em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 esquerda. Incorpora-se aqui a polaridade <i>yinyang<\/i>, que t\u00e3o bem se expressa no seu conhecido s\u00edmbolo em que a metade branca cont\u00e9m um ponto preto e a metade preta cont\u00e9m um ponto branco. Na caligrafia, a base da express\u00e3o art\u00edstica encontra-se precisamente no jogo de contrastes <i>yinyang<\/i>, como erguer-pressionar, espesso-fino, vazio-cheio, seco- h\u00famido, grande-pequeno, alto-baixo, etc. As coisas resultar\u00e3o se houver um bom equil\u00edbrio entre os dois p\u00f3los. O grande cal\u00edgrafo \u00e9 aquele que melhor sabe jogar esse jogo de modo a conceber uma pe\u00e7a plena de vitalidade e de ritmo.<\/p>\n<p class=\"p5\">Ainda no tema <i>yinyang<\/i>, a cren\u00e7a tao\u00edsta de que tudo quanto \u00e9 complexo deriva de algo simples espelha-se na pr\u00f3pria estrutura modular dos caracteres que podem ser reconduzidos a apenas oito tra\u00e7os b\u00e1sicos e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, a um \u00fanico ponto. Do mesmo modo, o <span class=\"s2\">\u6613\u7d93<\/span><i>Yijing<\/i>, o <i>Cl\u00e1ssico das Muta\u00e7\u00f5es,<\/i> afirma que existem no universo duas fases, <i>yin<\/i> e <i>yang, <\/i>que d\u00e3o origem a tudo quanto existe no mundo e que, em \u00faltima inst\u00e2ncia, podem ser reconduzidos ao <span class=\"s2\">\u6c23<\/span><i>qi,<\/i> a respira\u00e7\u00e3o do Dao, do qual s\u00e3o uma dupla express\u00e3o. A fonte \u00faltima de energia de todo o movimento e mudan\u00e7a \u00e9 o <i>qi<\/i> e este deve circular sem escolhos atrav\u00e9s do cal\u00edgrafo quando comp\u00f5e uma pe\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s5\">\u00c9 comum ler-se que a caligrafia deve ser avaliada como uma express\u00e3o directa do cora\u00e7\u00e3o-mente do artista. Acredita-se que atrav\u00e9s da caligrafia o cal\u00edgrafo exprime a sua natureza<\/span><span class=\"s6\">\u6027<\/span><span class=\"s5\"><i>xing<\/i>, os seus sentimentos<\/span><span class=\"s6\">\u60c5<\/span><span class=\"s5\"> <i>qing<\/i>, a sua inten\u00e7\u00e3o, <\/span><span class=\"s6\">\u610f<\/span><span class=\"s5\"> <i>yi.<\/i> Um tipo de julgamento est\u00e9tico comum \u00e9 deduzir da caligrafia o car\u00e1cter do cal\u00edgrafo e a sua envergadura moral<i>.<\/i> Mas a natureza, os sentimentos e as ideias do cal\u00edgrafo est\u00e3o longe de ser importantes no sentido estrito. O bom cal\u00edgrafo exprime atrav\u00e9s de si algo de muito mais poderoso do que esses estados contingentes e circunscritos, exprime o pr\u00f3prio Dao da natureza. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>Aprecia\u00e7\u00e3o<\/b><\/h3>\n<p class=\"p5\">Ao escrever com pincel, o elemento-chave \u00e9 a for\u00e7a, <span class=\"s2\">\u529b<\/span> <i>li,<\/i> ou vigor dos tra\u00e7os, porque revela a energia interior a fluir sem entraves, com ritmo e naturalidade. Um caracter com for\u00e7a exibe uma estrutura poderosa e parece carregado de energia. Essa for\u00e7a deve estar presente mesmo em pe\u00e7as de caligrafia consideradas suaves. Os chineses dividem as pe\u00e7as de caligrafia entre dois tipos: firmes e suaves. As caligrafias firmes s\u00e3o poderosas e cheias de vigor, compar\u00e1veis a drag\u00f5es e a tigres ou r\u00e1pidas como cavalos galopando ou uma espada volteando no ar. As caligrafias suaves s\u00e3o delicadas, elegantes, graciosas como as brisas quentes da primavera, como belas mulheres com flores na cabelo ou como dan\u00e7arinas com cinturas delgadas.<i> <\/i><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s5\">A caligrafia deve ser avaliada tendo em conta ainda outros factores, como a composi\u00e7\u00e3o e a din\u00e2mica espacial, o equil\u00edbrio dos caracteres e a coopera\u00e7\u00e3o entre si, os jogos de contrastes, a qualidade dos tra\u00e7os, a coordena\u00e7\u00e3o das linhas e a capacidade de escrever de maneiras variadas os mesmos caracteres. A varia\u00e7\u00e3o sobre o mesmo tema \u00e9 omnipresente (por exemplo, nas impress\u00f5es digitais, nas faces humanas, etc.) e \u00e9 um dos grandes engenhos da natureza. Ora, para os chineses, toda a boa arte \u00e9 conforme \u00e0 natureza. <\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">Aqueles que sabem avaliar a qualidade das pe\u00e7as de caligrafia prestam ainda aten\u00e7\u00e3o \u00e0 correc\u00e7\u00e3o de escrita dos caracteres, isto \u00e9, ao respeito pelas regras da ordem dos tra\u00e7os; \u00e0 legibilidade, ainda que apenas para aqueles que est\u00e3o treinados naquela caligrafia espec\u00edfica, como sucede com a cursiva; \u00e0 recusa do adorno sup\u00e9rfluo; e \u00e0 adequa\u00e7\u00e3o entre a caligrafia e o seu significado. Com efeito, a caligrafia deve estar em conson\u00e2ncia com o teor do texto caligrafado e ser capaz de criar a atmosfera apropriada, o que implica a compreens\u00e3o do significado desse texto e dos princ\u00edpios est\u00e9ticos que evoca.<\/p>\n<h3><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>Os grandes cal\u00edgrafos<br \/>\n<\/b><b><i>Da dinastia Qin (221 a.C. e 206 a.C.) <\/i><\/b><b><i>\u00e0 dinastia Jin (266-420 d.C.)<\/i><\/b><b><i><\/i><\/b><\/h3>\n<p class=\"p5\">O primeiro cal\u00edgrafo de que se conhece o nome foi Li Si <span class=\"s2\">\u674e\u65af<\/span> (c. 280 aC-208 a.C.), um pol\u00edtico da dinastia Qin. Foi ele quem sistematizou a escrita chinesa em caligrafia sigilar pequena, que se tornou o padr\u00e3o imperial do estado de Qin. Da dinastia Han Oriental, tem-se not\u00edcia de dois grandes cal\u00edgrafos, Cai Yong<span class=\"s2\">\u8521\u9095<\/span> (132\u2013192), um oficial que redigiu estudos acerca da caligrafia sigilar, e Zhang Zhi <span class=\"s2\">\u5f35 \u829d<\/span> (?\u2013192), um pioneiro da caligrafia cursiva que viria a ganhar o ep\u00edteto <span class=\"s2\">\u8349\u8056<\/span><i>caosheng<\/i>, \u201co s\u00e1bio da cursiva\u201d, e a ser colocado no grupo dos <span class=\"s2\">\u56db\u8ce2<\/span><i>sixian, <\/i>\u201cos quatro virtuosos\u201d da caligrafia chinesa.<\/p>\n<p class=\"p5\">Zhong Yao<span class=\"s2\">\u937e\u7e47 <\/span>(151\u2013230), um funcion\u00e1rio do governo que foi aluno de Cai Yong, foi tamb\u00e9m o cal\u00edgrafo mais importante das dinastias Han-Wei. A sua maior contribui\u00e7\u00e3o foi no sentido de tornar a caligrafia regular (<span class=\"s2\">\u6977\u66f8<\/span><i>kaishu<\/i>) a caligrafia padr\u00e3o. <span class=\"s2\">\u9084\u793a\u8868<\/span><i>Huanshi biao<\/i>, uma das suas obras em caligrafia regular exibe caracteres elegantes e praticamente isentos de qualquer influ\u00eancia da escrita oficial, sua antecessora (Fig. 18). \u00c9, ali\u00e1s, considerada a primeira pe\u00e7a em caligrafia regular da hist\u00f3ria. <span class=\"s2\">\u5ba3\u793a\u8868<\/span><i>\u2020Xuansh\u00ec biao<\/i>,\u00a0<span class=\"s2\">\u85a6\u5b63\u76f4\u8868<\/span>,\u00a0<i>Jianjizhi biao<\/i> e\u00a0<span class=\"s2\">\u529b\u547d\u8868<\/span>\u00a0<i>Liming Biao<\/i> s\u00e3o outras das suas obras de renome. <i>Xuanshi biao<\/i> \u00e9 considerado o primeiro exemplar de caligrafia regular conhecido. Zhong Yao \u00e9 por isso considerado \u201co pai da caligrafia regular\u201d e pertence ao grupo dos \u201cquatro virtuosos\u201d da caligrafia chinesa.<\/p>\n<p class=\"p5\">A dinastia Jin foi uma \u00e9poca esplendorosa na hist\u00f3ria da caligrafia chinesa, com nada menos do que quatro cal\u00edgrafos de excep\u00e7\u00e3o. A primeira foi Wei Shuo <span class=\"s2\">\u885e\u9460 <\/span>(272\u2013349), tamb\u00e9m conhecida como senhora Wei, <span class=\"s2\">\u885b\u592b\u4eba <\/span><i>Wei furen<\/i>. Wei Shuo foi aluna de Zhong Yao. No seu tratado <span class=\"s2\">\u7b46\u9663\u5716<\/span><i>Bizhen tu<\/i>, <i>Diagrama da posi\u00e7\u00e3o do pincel<\/i>, distinguiu sete maneiras de segurar o pincel (<span class=\"s2\">\u4e03\u52e2<\/span><i>qishi<\/i>) na caligrafia regular, precursoras dos bem conhecidos <span class=\"s2\">\u6c38\u5b57\u516b\u6cd5<\/span><i>yongzi bafa<\/i>, as \u201coito t\u00e9cnicas do caracter <i>yong<\/i>\u201d de Wang Xizhi. As \u201coito t\u00e9cnicas do caracter <i>yong<\/i>\u201d dizem respeito \u00e0 maneira de caligrafar os oito tra\u00e7os b\u00e1sicos.<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s5\">O segundo cal\u00edgrafo de excep\u00e7\u00e3o foi precisamente Wang Xizhi <\/span><span class=\"s6\">\u738b\u7fb2\u4e4b<\/span><span class=\"s5\">, conhecido como <\/span><span class=\"s6\">\u66f8\u8056<\/span><span class=\"s5\"><i>shusheng<\/i>, \u201co s\u00e1bio cal\u00edgrafo\u201d, que foi aluno de Wei Shuo. A sua <i>opus magnum<\/i> \u00e9 <\/span><span class=\"s6\">\u862d\u4ead\u5e8f<\/span><span class=\"s5\"><i>Lantingxu<\/i>, <i>Pref\u00e1cio aos poemas compostos no Pavilh\u00e3o das Orqu\u00eddeas<\/i>, considerada a principal obra em caligrafia corrente da hist\u00f3ria (Fig. 19). O original, contudo, n\u00e3o sobreviveu \u00e0 passagem do tempo. Diz-se que foi enterrado com Li Shimin, o segundo imperador da dinastia Tang, tamb\u00e9m ele um excelente cal\u00edgrafo. As c\u00f3pias existentes do <i>Pref\u00e1cio aos poemas compostos no Pavilh\u00e3o das Orqu\u00eddeas<\/i> foram feitas por Feng Chengsu, da dinastia Tang, e por um cal\u00edgrafo da corte da dinastia Qing. A hist\u00f3ria por tr\u00e1s desta obra-prima de caligrafia \u00e9 a seguinte. Para comemorar a chegada da primavera, Wang Xizhi e quarenta amigos letrados encontraram-se no Pavilh\u00e3o das Orqu\u00eddeas em Shanyin, um sub\u00farbio da actual cidade de Shaoxing, no Zhejiang, no dia tr\u00eas de mar\u00e7o do nono ano de Yonghe (353 d.C.). Corria uma brisa suave e o sol brilhava. Os letrados jogaram ent\u00e3o ao <\/span><span class=\"s6\">\u6d41\u89f4\u66f2\u6c34<\/span><span class=\"s5\"> <i>liushangqushui<\/i>, a festa do riacho sinuoso, um jogo do Festival de Purifica\u00e7\u00e3o da Primavera que consistia em lan\u00e7ar uma ta\u00e7a de vinho ao longo de um pequeno curso de \u00e1gua sinuoso, com pessoas sentadas em ambas as margens. Quando a ta\u00e7a parava de flutuar, a pessoa sentada \u00e0 sua frente tinha de ingerir o conte\u00fado e improvisar um poema. Naquele dia, os letrados embriagados compuseram vinte e seis poemas. Pediram ent\u00e3o a Wang Xizhi que redigisse um pref\u00e1cio, tendo em vista public\u00e1-los. Num brev\u00edssimo espa\u00e7o de tempo, o igualmente embriagado Wang Xizhi caligrafou 324 caracteres em vinte e oito linhas. Embora se tratasse de um rascunho, viria a tornar-se no modelo mais seguido da hist\u00f3ria da caligrafia e exaltado como <\/span><span class=\"s6\">\u5929\u4e0b\u7b2c\u4e00\u884c\u66f8<\/span><span class=\"s5\">, <i>tianxia diyi xingshu<\/i>, \u201ca primeira caligrafia corrente sob o C\u00e9u\u201d. Os tra\u00e7os s\u00e3o finos e livres, requintados e graciosos, exalando toda a atmosfera de fraternidade e alegria que o grupo de letrados gozou naquele memor\u00e1vel dia de primavera. Wang Xizhi \u00e9 tamb\u00e9m considerado o grande mestre da varia\u00e7\u00e3o (<\/span><span class=\"s6\">\u8b8a\u5316<\/span><span class=\"s5\">, <i>bianhua<\/i>), pois fazia quest\u00e3o de caligrafar os mesmos caracteres de forma diferente de cada vez que surgiam no texto. Por exemplo, o caracter <\/span><span class=\"s6\">\u4e4b<\/span><span class=\"s5\"><i>zhi<\/i> surge vinte vezes no <i>Pref\u00e1cio aos poemas compostos no Pavilh\u00e3o das Orqu\u00eddeas<\/i> e de todas foi sempre escrito de maneira diferente.<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s7\">Demonstrando grande versatilidade, Wang Xizhi \u00e9 autor de outras obras-primas noutros tipos de caligrafia. <\/span><span class=\"s8\">\u9ec3\u5ead\u7d93<\/span><span class=\"s7\"><i>Huangting Jing<\/i> foi redigido em escrita regular sobre uma seda amarelada e conta com cem linhas. Embora os caracteres variem em tamanho, Wang Xizhi conseguiu que o conjunto resultasse harmonioso e natural. Esta pe\u00e7a est\u00e1 na origem do grande per\u00edodo \u00e1ureo da caligrafia regular, a dinastia Tang. Como se disse, Wang Xizhi \u00e9 o ainda o autor do m\u00e9todo <\/span><span class=\"s8\">\u6c38\u5b57\u516b\u6cd5<\/span><span class=\"s7\"><i>yongzi bafa<\/i>, \u201cas oito t\u00e9cnicas do caracter <i>yong<\/i>\u201d, que foi perpetuado atrav\u00e9s de tratados atrav\u00e9s dos tempos, desde Cui Yuan <\/span><span class=\"s8\">\u5d14\u7457<\/span><span class=\"s7\"> (77-142) a Ouyang Xun <\/span><span class=\"s8\">\u6b50\u967d\u8a62 <\/span><span class=\"s7\">(557-641) em <\/span><span class=\"s8\">\u516b\u8a23<\/span><span class=\"s7\"><i>Bajue,<\/i> <i>O princ\u00edpio dos oito tra\u00e7os<\/i>. Diz-se que Wang Xizhi passou quinze anos a treinar apenas a caligrafia do caracter <\/span><span class=\"s8\">\u6c38<\/span><span class=\"s7\"><i>yong<\/i>.<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">O terceiro cal\u00edgrafo \u00e9 Wang Xianzhi <span class=\"s2\">\u738b\u737b\u4e4b <\/span>(344\u2013386), o mais novo e s\u00e9timo filho de Wang Xizhi. Eram conhecidos como \u201cos dois Wang\u201d. Xianzhi sofreu grande influ\u00eancia do estilo caligr\u00e1fico do pai, mas foi capaz de inovar. \u00c9 conhecido pela escrita cursiva de um s\u00f3 tra\u00e7o, ou seja, na qual todos os caracteres s\u00e3o redigidos como um \u00fanico tra\u00e7o. Wang Xianzhi \u00e9 um dos \u201cquatro s\u00e1bios da caligrafia\u201d. A sua capacidade para inovar \u00e9 vis\u00edvel em <span class=\"s2\">\u6d1b\u795e\u8ce6<\/span><i>Luo shen fu<\/i>, uma obra em caligrafia regular considerada mais livre e divertida do que a do seu c\u00e9lebre pai.<\/p>\n<p class=\"p5\">O quarto cal\u00edgrafo \u00e9 Wang Xun <span class=\"s2\">\u738b\u73e3<\/span> (349\u2013400), sobrinho de Wang Xizhi. Ficou conhecido por <span class=\"s2\">\u66f8\u4f2f\u9060\u5e16<\/span><i>shu Boyuan tie<\/i>, <i>Carta para Boyuan<\/i>, uma missiva dirigida ao seu amigo Boyuan <span class=\"s2\">\u4f2f\u9060<\/span>. Esta pe\u00e7a est\u00e1 entre tr\u00eas consideradas <span class=\"s2\">\u4e09\u5e0c<\/span><i>sanxi<\/i>, \u201cas tr\u00eas sumidades da caligrafia\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b><i>Dinastia Tang (618\u2013907)<\/i><\/b><\/h3>\n<p class=\"p4\">Na dinastia Tang surgiu um n\u00famero consider\u00e1vel de cal\u00edgrafos not\u00e1veis. Yu Shinan, Xue Ji e Chu Suiliang e Ouyang Xun comp\u00f5em os chamados \u201cquatro grandes cal\u00edgrafos do in\u00edcio da dinastia Tang\u201d.<\/p>\n<p class=\"p5\">Yu Shinan<span class=\"s2\">\u865e\u4e16\u5357<\/span> (558\u2013638) foi um confucionista e secret\u00e1rio imperial do reinado do imperador Taizong. \u00c9 tamb\u00e9m um dos quatro maiores cal\u00edgrafos do in\u00edcio da dinastia Tang. Aprendeu caligrafia com o monge Zhu Yong, um descendente long\u00ednquo de Wang Xizhi. A sua caligrafia destaca-se por ser suave e tranquila.<\/p>\n<p class=\"p5\">Xue Ji <span class=\"s2\">\u859b\u7a37<\/span> (649-713) foi um oficial que serviu a dada altura o imperador Ruizong e depois se tornou <span class=\"s2\">\u5de6\u6563\u9a0e\u5e38\u4f8d<\/span><i>zuo sanqi changshi<\/i>, um consultor dos exames imperiais. Dedicou-se ao estudo de muitas obras caligr\u00e1ficas de Yu Shinan e Chu Suiliang, mas criou o seu pr\u00f3prio estilo. Tamb\u00e9m foi um pintor e poeta de talento, ou seja, era excelente nas Tr\u00eas Perfei\u00e7\u00f5es (caligrafia, pintura e poesia). A estela <span class=\"s2\">\u4fe1\u884c\u79aa\u5e2b\u7891<\/span><i>Xinxing Chanshi bei,<\/i> <i>O mestre Chan [Zen] Xinxing<\/i>, um oficial da dinastia budista Sui, \u00e9 considerada a sua obra principal. A estela, com aproximadamente 1800 caracteres, n\u00e3o sobreviveu ao tempo, mas existem fragmentos de decalques a tinta. Os caracteres s\u00e3o de grande eleg\u00e2ncia, com tra\u00e7os finos, e incorporam elementos das caligrafias corrente e cursiva na caligrafia regular.<\/p>\n<p class=\"p5\">Chu Suiliang <span class=\"s2\">\u891a\u9042\u826f<\/span> (596\u2013658 ou 659), que serviu nos reinados dos imperadores Taizong e Gaozong, foi o autor da caligrafia que se encontra em duas estelas no Pagode do Ganso Selvagem em Xi\u2019an, o <span class=\"s2\">\u8056\u6559\u5e8f<\/span><i>shengjiao xu<\/i>, <i>Pref\u00e1cio \u00e0s escrituras budistas<\/i>, composto pelo imperador Taizong, ele pr\u00f3prio um excelente cal\u00edgrafo. Os tra\u00e7os dos caracteres de Chu Suiliang parecem delgados, mas percebe-se depois que encerram poder e elasticidade. Exibem vest\u00edgios tanto da caligrafia corrente como da caligrafia oficial, o que empresta \u00e0 obra vivacidade e dinamismo.<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s9\">Ouyang Xun <\/span><span class=\"s10\">\u6b50\u967d\u8a62<\/span><span class=\"s9\"> (557-641) foi um cal\u00edgrafo imperial que se destacou na caligrafia regular. Atrav\u00e9s da introdu\u00e7\u00e3o de varia\u00e7\u00f5es constantes e subtis nos caracteres impedia a caligrafia de se tornar mon\u00f3tona. Das muitas estelas com caligrafia sua, uma das mais conhecidas \u00e9 <\/span><span class=\"s10\">\u822c\u82e5\u6ce2\u7f85\u871c\u591a\u5fc3\u7d93<\/span><span class=\"s9\">o <i>Sutra do Cora\u00e7\u00e3o Prajnaparamita<\/i> (Fig. 20) que se caracteriza por uma majestosa regularidade. Outra obra not\u00e1vel \u00e9<\/span><span class=\"s10\">\u4ef2\u5c3c\u5922\u5960\u5e16<\/span><span class=\"s9\"><i>zhong ni meng dian tie<\/i>, <i>Em mem\u00f3ria de Zhong Nimeng<\/i>, que consiste em setenta e oito caracteres em nove linhas. \u00c9 por muitos considerada como a melhor pe\u00e7a de caligrafia regular da China. Apresenta grandes semelhan\u00e7as com o <i>Pref\u00e1cio aos poemas compostos no Pavilh\u00e3o das Orqu\u00eddeas<\/i> de Wang Xizhi, mas com inova\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias. <\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">Zhang Xu <span class=\"s2\">\u5f35\u65ed<\/span> (ca. 658\u2013747) era um oficial da corte imperial que se entregava ao consumo excessivo de \u00e1lcool. Era natural de Suzhou, na actual prov\u00edncia de Jiangsu. Foi ex\u00edmio na escrita cursiva.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Ele pr\u00f3prio afirmou que construiu o seu estilo a partir do espect\u00e1culo de um afamado executante de dan\u00e7a com espadas. Era um estilo infrene que desafiava as conven\u00e7\u00f5es. Zhang Xu acreditava que o \u00e1lcool fazia surgir todo o seu g\u00e9nio e tinha o costume de se embriagar antes de caligrafar uma pe\u00e7a, torcendo e girando o pincel com uma velocidade fren\u00e9tica, a gritar e a rir. Por vezes, chegava a mergulhar o seu pr\u00f3prio cabelo na tinta e us\u00e1-lo como pincel para caligrafar nas paredes de sua casa. Ligava os caracteres uns aos outros atrav\u00e9s de linhas cont\u00ednuas e fazendo-os variar grandemente em tamanho (Fig. 21). Devido \u00e0 natureza desenfreada desta caligrafia, ficou conhecida como<span class=\"s2\">\u72c2\u8349<\/span><i>kuangcao<\/i>, cursiva louca, e tornou-se muito influente em meados da dinastia Tang. \u00c9 de notar que a qualidade das obras de Zhang Xu decrescia quando se encontrava s\u00f3brio. Zhang Xu ficou conhecido como um dos<span class=\"s2\">\u98f2\u4e2d\u516b\u4ed9 <\/span><i>yinzhong baxian<\/i>, \u201coito imortais da ta\u00e7a de vinho\u201d e como <span class=\"s2\">\u8349\u8056<\/span><i>caosheng<\/i>, \u201co s\u00e1bio da cursiva\u201d.<\/p>\n<p class=\"p5\">Huai Su <span class=\"s2\">\u61f7\u7d20<\/span> (ca.725\u2013ca.785) apaixonou-se em tenra idade pela caligrafia mas, como a sua fam\u00edlia era pobre, n\u00e3o podia adquirir os materiais necess\u00e1rios para a praticar. Resolveu ent\u00e3o plantar palmeiras na sua cidade natal de modo a poder praticar sobre as folhas. Quando aos dez anos se tornou monge budista, continuou a praticar entre leituras de sutras e sess\u00f5es de ora\u00e7\u00e3o e medita\u00e7\u00e3o. Ao inv\u00e9s da maioria dos cal\u00edgrafos chineses nunca foi funcion\u00e1rio do governo.<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s7\">\u00c0 semelhan\u00e7a de Zhang Su, abra\u00e7ou o \u00e1lcool como parte integrante do seu processo criativo e, tal como ele, destacou-se na caligrafia cursiva louca, tendo alcan\u00e7ado a fama aos trinta anos. Quando estava \u00e9brio, escrevia por vezes sobre a veste ou nas paredes do templo ou em qualquer outra coisa que estivesse \u00e0 m\u00e3o. Embora Huai Su se baseasse no estilo de Zhang Xu, foi capaz de criar o seu pr\u00f3prio estilo. Tal como o pincel de Zhang Xu, o pincel de Huai Su girava e dan\u00e7ava, criando contrastes entre tra\u00e7os leves e pesados. Mas os seus caracteres diferiam dos de Zhang Xu por se disporem, com diferentes tamanhos, numa agrad\u00e1vel desordem e pelas linhas graciosas dos tra\u00e7os, o todo conferindo uma impress\u00e3o de dignidade e harmonia (Fig. 22). Costumava usar um pincel fino para escrever caracteres grandes e os seus tra\u00e7os, arredondados e arrojados, s\u00e3o muito mais finos do que os de Zhang Xu. E, quando a levantava do papel, a ponta do pincel deixava um rasto determinado na folha, atrav\u00e9s de um gancho peculiar. O seu estilo \u00fanico de caligrafia ficou por isso conhecido como \u201ctra\u00e7os de a\u00e7o e ganchos de prata\u201d. Como Zhang Xu demonstra controlo na liberdade e modera\u00e7\u00e3o no excesso considera-se que atingiu o z\u00e9nite na caligrafia cursiva. Entre as obras de escrita cursiva mais aplaudidas de Huai Su conta-se a sua autobiografia. Consiste em 698 grandes caracteres em cursiva louca distribu\u00eddos por 126 linhas tra\u00e7ados com um pincel fino, o todo destilando uma paradoxal impress\u00e3o de regularidade porque h\u00e1 uma for\u00e7a cont\u00ednua que permeia toda a pe\u00e7a. Esta obra representa de forma magistral o exerc\u00edcio da liberdade com controle. <\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">Zhang Xu e Huai Su, os dois maiores cal\u00edgrafos da cursiva da dinastia Tang, s\u00e3o conhecidos popularmente como <span class=\"s2\">\u985b\u5f35\u9189\u7d20<\/span><i>dian Zhang zui Su<\/i>, \u201co Zhang maluco e o Su b\u00eabado\u201d ou <span class=\"s2\">\u5f35\u985b\u72c2\u50e7<\/span> <i>Zhang dian kuang seng<\/i>, \u201co Zhang maluco e o monge louco\u201d. As obras de ambos tiveram grande influ\u00eancia nos cal\u00edgrafos posteriores, como Yan Zhenqing, e, muito mais tarde, no s\u00e9culo XX, o presidente Mao Zedong.<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s7\">Para al\u00e9m de Wang Xizhi, o nome mais augusto da hist\u00f3ria da caligrafia chinesa \u00e9 Yan Zhenqing <\/span><span class=\"s8\">\u984f\u771e\u537f<\/span><span class=\"s7\"> (709\u2013785). Yan Zhenqing foi um estadista que se especializou tanto na caligrafia regular como na caligrafia cursiva. Elevou esta arte a um novo patamar ao criar o estilo que tem o seu nome, <\/span><span class=\"s8\">\u984f\u9ad4<\/span><span class=\"s7\"><i>Yanti,<\/i> o estilo Yan. O estilo Yan \u00e9 de formato quadrado, equilibrado e firme, com algo de majestoso e caracteriza-se pela for\u00e7a e pela ousadia, pela variabilidade de tra\u00e7os e por uma impress\u00e3o de poder impressionante. <\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s9\">O desenvolvimento do seu estilo pessoal pode ser dividido em tr\u00eas fases: anterior aos cinquenta e cinco anos, anterior aos sessenta e cinco e anterior \u00e0 sua morte aos setenta e seis. Na primeira fase aprendeu caligrafia com os grandes mestres Zhang Xu e Chu Suiliang. As suas obras mais conhecidas s\u00e3o <\/span><span class=\"s10\">\u591a\u5bf6\u5854\u7891<\/span><span class=\"s9\"><i>duobao tabei<\/i>, <i>Estela do Pagode Duobao<\/i>, e <\/span><span class=\"s10\">\u796d\u59ea\u6587\u7a3f<\/span><span class=\"s9\"><i>ji ji wengao<\/i>, <i>Rascunho para uma elegia ao meu sobrinho<\/i>, caligrafada no ano de 758. Ao contr\u00e1rio do <i>Pref\u00e1cio aos poemas compostos no Pavilh\u00e3o das Orqu\u00eddeas<\/i>, fruto de uma ocasi\u00e3o feliz, esta obra de Yan Zhenqing teve origem numa trag\u00e9dia comovente. O seu sobrinho Yan Jiming e o pai combateram contra um ex\u00e9rcito rebelde durante a rebeli\u00e3o An Lushan-Shi Siming nos anos de Tianbao na dinastia Tang. Mas foram ambos derrotados e mortos. Quando lhe levaram a cabe\u00e7a do sobrinho, Yan Zhenqing, desgostoso, comp\u00f4s vinte e cinco versos num total de 234 caracteres. Nos primeiros doze versos foi capaz de exercer sobre si um certo controlo, mas os demais exprimem o seu grande pesar e o pincel varia em movimento e abre espa\u00e7os irregulares entre caracteres e versos, de tal maneira que a sua dor se pode ver. E \u00e9 essa a grande beleza desta obra. N\u00e3o h\u00e1 pe\u00e7a que revele melhor a caligrafia enquanto medita\u00e7\u00e3o sobre a vida.<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">A segunda fase de Yan Zhenqing foi a da maturidade, quando passou a manejar o pincel com mais for\u00e7a, maior rectid\u00e3o e controle e o seu estilo se acabou de formar por completo.<\/p>\n<p class=\"p5\">A \u00faltima fase foi o culminar da sua realiza\u00e7\u00e3o quando consolidou o estilo e caligrafou outra obra-prima, <span class=\"s2\">\u984f\u52e4\u79ae\u7891<\/span><i>Yan qinli bei,<\/i> <i>Estela de Yan Qinli<\/i> (Fig.23). Nesta estela encontra-se uma inscri\u00e7\u00e3o que Yan Zhenqing executou aos setenta e um anos de idade em homenagem ao seu bisav\u00f4, Yan Qinli. A estela foi erguida por volta do ano de 779. Encontra-se actualmente em exposi\u00e7\u00e3o permanente no Museu Beilin da cidade de Xi\u2019an, no Shaanxi. \u00c9 a estela mais bem preservada de Yan Zhenqing. Quando foi desenterrada em 1922 encontrava-se partida ao meio, mas sem que os caracteres tivessem sido danificados. Exibe quarenta e quatro linhas nos quatro lados, num total de 1.667 caracteres.<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s7\">Liu Gongquan <\/span><span class=\"s8\">\u67f3\u516c\u6b0a<\/span><span class=\"s7\"> (778\u2013865) \u00e9 conhecido como um dos quatro mestres da caligrafia regular, tal como Yan Zhenqing, Ouyang Xun e Zhao Mengfu. A <\/span><span class=\"s8\">\u7384\u79d8\u5854\u7891<\/span><span class=\"s7\">\u00a0<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span><i>Xuanmita bei<\/i>, <i>Estela do Pagode Xuanmi<\/i>, com um total de 1 512 caracteres, foi erguida em 841, quando Liu Gongquan contava sessenta e quatro anos. A obra apresenta uma impress\u00e3o geral de brio e de ordem, com in\u00edcios e fins de pinceladas n\u00edtidos (Fig. 24). <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p6\"><b><i>Dinastia Song (960-1279 d.C.)<\/i><\/b><\/h3>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s7\">Os \u201cquatro mestres de caligrafia da dinastia Song\u201d s\u00e3o Su Shi, Huang Tingjian, Mi Fu e Cai Xiang. Cai Xiang <\/span><span class=\"s8\">\u8521\u8944<\/span><span class=\"s7\"> (1012\u20131067), oficial e poeta, al\u00e9m de cal\u00edgrafo, destacou-se nas caligrafias regular e cursiva. Os seus caracteres aparentam simplicidade e vigor. A sua obra mais representativa \u00e9 <\/span><span class=\"s8\">\u842c\u5b89\u6a4b\u8a18<\/span><span class=\"s7\"><i>Wan\u2019an qiaoji,<\/i> <i>Relato sobre a ponte Wan\u2019an,<\/i> onde registou a conclus\u00e3o da ponte Wan\u2019an.<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">Su Shi <span class=\"s2\">\u8607\u8efe<\/span> (1037\u20131101), tamb\u00e9m conhecido por Su Dongpo <span class=\"s2\">\u8607\u6771\u5761<\/span>, foi um oficial e grande poeta, pintor e cal\u00edgrafo. A personalidade afoita criava-lhe dissabores e encontrava-se exilado no Hubei quando comp\u00f4s a sua pe\u00e7a de caligrafia mais c\u00e9lebre,<b> <\/b><span class=\"s2\">\u5bd2\u98df\u5e16<\/span> <i>hanshi tie<\/i>, <i>A comida fria<\/i>, onde expressava a sua solid\u00e3o e desapontamento com a carreira de oficial. O tamanho dos caracteres e a dist\u00e2ncia entre eles, assim como a espessura e dist\u00e2ncia entre as linhas, variam ritmicamente de acordo com o conte\u00fado emocional e tornam a obra profundamente individual.<\/p>\n<p class=\"p5\">Huang Tingjian <span class=\"s2\">\u9ec3\u5ead\u5805<\/span> (1045\u20131105) foi um oficial letrado e poeta e um mestre muito criativo na escrita corrente, tendo criado o seu pr\u00f3prio estilo. Numa mesma linha, os caracteres podem surgir distorcidos e mal proporcionados e inventou a t\u00e9cnica conhecida como <span class=\"s2\">\u98db\u767d<\/span><i>feibai<\/i>, \u201cbranco voador\u201d, que pode ser apreciada na pe\u00e7a <span class=\"s2\">\u5ec9\u9817\u85fa\u76f8\u5982\u50b3<\/span> <span class=\"s2\">\u5377<\/span><i>Lian Po Lin Xiangru zhuanjuan, Biografias de Lian Po e Lin Xiangru<\/i>. Consiste em pressionar o pincel com for\u00e7a sobre o papel e depois pux\u00e1-lo vigorosamente, de tal maneira que as cerdas se separam, deixando espa\u00e7os em branco no interior de um tra\u00e7o.<\/p>\n<p class=\"p5\">Mi Fu <span class=\"s2\">\u7c73\u82be<\/span> (1051\u20131107) foi um pintor, poeta e cal\u00edgrafo de g\u00e9nio. Foi influenciado por Wang Xizhi mas depois criou um estilo que se designa com o seu nome, estilo Mi Fu. Mi Fu, que tinha uma personalidade exc\u00eantrica, era conhecido como<span class=\"s2\">\u7c73\u766b<\/span> <i>Midian<\/i>, \u201co Mi lun\u00e1tico\u201d. Uma obra-prima de Mi Fu \u00e9 <span class=\"s2\">\u8700\u7d20\u5e16 <\/span><i>Shusu tie<\/i>, <i>Sobre seda de Sichuan<\/i>, caligrafada sobre seda preciosa de Sichuan. O propriet\u00e1rio da seda pediu a cal\u00edgrafos de renome que escrevessem sobre ela, o que exigia um trabalho perfeito. Apenas Mi Fu se mostrou confiante e aceitou a tarefa. Caligrafou ent\u00e3o oito poemas numa magn\u00edfica caligrafia corrente (Fig. 25).<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s7\">Huizong<\/span><span class=\"s8\">\u5b8b\u5fbd\u5b97<\/span><span class=\"s7\"> (1082\u20131135), cujo nome pessoal era Zhao Ji <\/span><span class=\"s8\">\u8d99\u4f76<\/span><span class=\"s7\">, foi o oitavo imperador da dinastia Song e tamb\u00e9m um poeta, pintor e cal\u00edgrafo de enorme talento, al\u00e9m de tocador de <i>qin<\/i>, um instrumento musical chin\u00eas, e perito em ch\u00e1. Criou um tipo de caligrafia conhecido como <\/span><span class=\"s8\">\u7626\u91d1<\/span> <span class=\"s8\">\u9ad4<\/span><span class=\"s7\"><i>soujinti<\/i>, ouro delgado. \u201cOuro delgado\u201d porque lembra filamentos de ouro retorcidos. A caligrafia de \u201couro delgado\u201d \u00e9 ami\u00fade comparada a \u201cfolhas flutuantes de orqu\u00eddea\u201d e ao \u201cbambu que se move ao vento\u201d e exerceu uma influ\u00eancia de longo alcance nas gera\u00e7\u00f5es posteriores de cal\u00edgrafos. <\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">Uma das obras de caligrafia mais conceituadas deste imperador \u00e9 <span class=\"s2\">\u8349\u66f8\u5343\u5b57\u6587<\/span> <i>caoshu qianzi wen,<\/i> <i>Um ensaio de mil caracteres em caligrafia cursiva<\/i>. A pe\u00e7a foi caligrafada num longo rolo de m\u00e3o com padr\u00f5es dourados no fundo, pintados por pintores imperiais, e o conjunto emana um grande requinte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p7\"><b><i>Dinastias Yuan (1260-1368 d.C.), Ming (1368-1644) e Qing (1644-1912)<\/i><\/b><b><i><\/i><\/b><\/h3>\n<p class=\"p4\">Zhao Mengfu <span class=\"s2\">\u8d99\u5b5f\u982b<\/span> (1254\u20131322) foi um letrado, pintor e cal\u00edgrafo da dinastia Yuan que descendia da fam\u00edlia real da dinastia Song, mas levou uma vida mon\u00e1stica no sul da China. Em jovem dedicou-se ao estilo do imperador Gaozong, mas adoptou depois o estilo livre e elegante de Wang Xizhi e Wang Xianzhi e excedeu-se tanto na caligrafia corrente como na regular com caracteres pequenos. A do\u00e7ura e a eleg\u00e2ncia magistral das suas obras coloca-o ao lado dos tr\u00eas mestres da caligrafia regular, Yan Zhenqing, Liu Gongquan e Ouyang Xun. Uma das suas obras-primas intitula-se <span class=\"s2\">\u6e56<\/span> <span class=\"s2\">\u5dde\u5999\u56b4\u5bfa\u8a18<\/span><i>Huzhou Miaoyansi ji,<\/i> <i>Recorda\u00e7\u00e3o do Templo Miaoyan em Huzhou<\/i> (Fig. 28).<\/p>\n<p class=\"p5\">Chen Xianzhang <span class=\"s2\">\u9673\u737b\u7ae0<\/span> (1428-1500) foi um poeta, pensador e cal\u00edgrafo do sul da China, um mestre famoso em literatura budista Chan (Zen) da dinastia Ming. O imperador convidou-o a deslocar-se \u00e0 capital, Pequim, para o nomear membro da Academia, mas Chen Xianzhang recusou a homenagem. Preferiu permanecer na sua cidade natal, Baisha, e continuar a ser um humilde professor. A sua caligrafia cursiva louca \u00e9 vigorosa e selvagem. Recorria \u00e0 acima mencionada t\u00e9cnica <i>feibai,<\/i> \u201cbranco voador\u201d, e a vers\u00f5es t\u00e3o simplificadas dos caracteres que os tornava quase irreconhec\u00edveis, al\u00e9m de unir a maioria dos tra\u00e7os num \u00fanico movimento do pincel. Alguns caracteres eram enormes, outros min\u00fasculos e o efeito do conjunto \u00e9 de velocidade e de for\u00e7a. Um bom exemplo da sua idiossincrasia \u00e9 <span class=\"s2\">\u8349\u66f8\u4e03\u8a00\u8a69<\/span> <i>caoshu qiyan shi<\/i>, <i>Poema de sete palavras em caligrafia cursiva.<\/i><\/p>\n<p class=\"p5\">Seguem-se nomes e obras de outros cal\u00edgrafos da dinastia Ming, todos eles letrados e funcion\u00e1rios do governo em alguma fase da vida. Tang Yin <span class=\"s2\">\u5510\u5bc5<\/span> (1470\u20131524) foi pintor, poeta e cal\u00edgrafo, tendo elevado a caligrafia corrente a um novo patamar. Wen Zhengming <span class=\"s2\">\u6587\u5fb5\u660e<\/span> (1470\u20131559) com talento para a pintura e a poesia, foi ainda um grande mestre das caligrafias regular e corrente, com t\u00e9cnicas caligr\u00e1ficas influenciadas por Huang Tingjian. Dong Qichang <span class=\"s2\">\u8463\u5176\u660c<\/span> (1555\u20131636), destacou-se na pintura e na caligrafia. De in\u00edcio, seguiu o modelo de Zhao Mengfu e Wen Zhengming, mas posteriormente adoptou como mestres os cal\u00edgrafos das dinastias Jin e Tang. A sua caligrafia caracteriza-se pela suavidade e simplicidade (Fig. 29).<\/p>\n<p class=\"p5\">Huang Ruheng <span class=\"s2\">\u9ec3\u6c5d\u4ea8<\/span> (1558\u20131626) soube combinar o estilo de Su Shi com o de Mi Fu. Entre as suas obras destaca-se a reprodu\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum <span class=\"s2\">\u5510\u8a69\u756b\u8b5c<\/span><i>Tangshi huapu<\/i>, <i>Pinturas de poemas da dinastia Tang<\/i>. Wang Duo <span class=\"s2\">\u738b\u9438<\/span> (1592\u20131652) foi cal\u00edgrafo, pintor e poeta. Em caligrafia, seguia o estilo de Yan Zhenqing e de Mi Fu, com tra\u00e7os refinados e composi\u00e7\u00e3o perfeita. A<span class=\"s2\">\u6d1b\u795e\u8ce6\u66f8\u756b\u5408\u74a7\u5377<\/span> <i>Luoshen fu shuhua hebi juan<\/i>, <i>A deusa do Rio Luo<\/i>, foi caligrafada em cursiva por Zhu Yunming<span class=\"s2\">\u795d\u5141\u660e<\/span> (1460-1526) e exibe tra\u00e7os din\u00e2micos mas coerentes e uma habilidade not\u00e1vel para controlar a velocidade do pincel.<\/p>\n<p class=\"p5\">Shitao<span class=\"s2\">\u77f3\u6fe4<\/span> (1641-1718) foi um pintor e cal\u00edgrafo a todos os t\u00edtulos excepcional do in\u00edcio da dinastia manchu Qing. Descendia da fam\u00edlia imperial da dinastia Ming e tornou-se monge em crian\u00e7a para escapar a persegui\u00e7\u00f5es. Explorou todos os tipos de caligrafia mas preferia a corrente. Os seus tra\u00e7os s\u00e3o espessos e poderosos. Foi autor de numerosos tratados sobre arte, como <span class=\"s2\">\u82e6\u74dc\u548c\u5c1a\u756b\u8a9e\u9304<\/span><i>Kugua Heshang hua yulu, Dizeres acerca da pintura do monge Ab\u00f3bora Amarga<\/i>, onde analisa as teorias chinesas acerca da pintura e da caligrafia.<\/p>\n<p class=\"p5\">Zheng Xie <span class=\"s2\">\u912d\u71ee<\/span> (1693\u20131765), mais conhecido pelo pseud\u00f3nimo Banqiao <span class=\"s2\">\u677f\u6a4b<\/span>, foi um pintor da dinastia Qing. Tornou-se magistrado em Shandong atrav\u00e9s do concurso p\u00fablico mas, ap\u00f3s doze anos de servi\u00e7o e desgostoso com o funcionalismo, acabou por renunciar ao cargo. Aos cinquenta e cinco anos serviu por um curto per\u00edodo de tempo como cal\u00edgrafo e pintor oficial do imperador Qianlong. Depois da ren\u00fancia ao cargo, tornou-se num dos <span class=\"s2\">\u63da\u5dde\u516b\u602a<\/span><i>Yangzhou baguai, <\/i>\u201cos oito exc\u00eantricos de Yangzhou\u201d. Gostava de pintar bambus, pedras e orqu\u00eddeas (Fig. 30). Diz-se que pintava orqu\u00eddeas como quem caligrafa caracteres e que caligrafava caracteres como quem pinta orqu\u00eddeas. Recorria numa \u00fanica pe\u00e7a a v\u00e1rios tipos de caligrafia, oficial, cursiva e corrente. Tra\u00e7ava uns caracteres no estilo de Wang Xizhi, outros no estilo de Wang Xianzhi, outros ainda no estilo vigoroso das estelas da dinastia Han e alguns na cursiva louca. Tudo vai mudando na sua caligrafia tal como na natureza nada permanece id\u00eantico. E, como na natureza, tudo acaba por parecer harmonioso.<\/p>\n<p class=\"p5\">Percorrido este breve p\u00e9riplo por alguns dos grandes cal\u00edgrafos da China imperial, constata-se que a maioria deles, e ao longo de todas as dinastias, foram funcion\u00e1rios do governo ou at\u00e9 imperadores. A caligrafia como arte esteve sempre relacionada com o poder pol\u00edtico. Uma das raz\u00f5es para isso \u00e9 porque a caligrafia foi, durante doze s\u00e9culos, uma parte importante do concurso para o servi\u00e7o p\u00fablico. Esperava-se que os membros da classe alta e os funcion\u00e1rios do governo tivessem talento para a caligrafia. E criar um estilo caligr\u00e1fico individual era uma forma de sedu\u00e7\u00e3o e de distin\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Para ver as imagens do artigo, consulte <a href=\"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/08\/18\/via-do-meio-8-digital\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui a edi\u00e7\u00e3o digital<\/a>.<\/strong><\/p>\n<p class=\"p8\"><b>___<\/b><\/p>\n<p class=\"p8\"><b>Bibliografia<\/b>:<\/p>\n<ul>\n<li class=\"p10\">Billeter, Jean Fran\u00e7ois (1990) <i>The Chinese Art of Writing<\/i>, Geneve: Skira.<\/li>\n<li class=\"p10\">Chen, Walter (2005) <i>Tudo sobre a pintura chinesa<\/i>, Lisboa: C\u00edrculo de Leitores.<\/li>\n<li class=\"p10\">Chen Dehong (2004<i>) La calligraphie chinoise. Son esprit et sa pratique<\/i>, France: Ouest-France.<\/li>\n<li class=\"p10\">Chen Tingyou (2003) <i>Chinese Calligraphy<\/i>, China Intercontinental Press<\/li>\n<li class=\"p10\">Cherrett, Pauline (ed.), (2002) <i>Introduction to Chinese Brush Painting<\/i>, Singapore: Eagle Editions.<\/li>\n<li class=\"p10\">Guo Bowan (1995) <i>Gate to Chinese Calligraphy<\/i>, Beijing Foreign Language Press.<\/li>\n<li class=\"p10\">H\u00f6llmann, Thomas O. (2017) <i>Chinese calligraphy: history, characters, calligraphy<\/i>, New York Columbia University Press.<\/li>\n<li class=\"p10\">Huang Miaozhi (1982), \u201cCalligraphie Po\u00e9sie Peinture. Trois arts en un seul\u201d, in <i>Le Courrier de l\u2019Unesco. Visages de la Chine<\/i>, Dezembro.<\/li>\n<li class=\"p10\">Li, Wendan (2009) <i>Chinese writing and calligraphy<\/i>, University of Hawai\u2018i Press.<\/li>\n<li class=\"p10\">Mediavilla, Claude (2002) <i>L\u2019 ABCdaire de la calligraphie chinoise<\/i>, Paris: Flammarion.<\/li>\n<li class=\"p10\">Shi Bo (2000) Entre Ciel et Terre. Sur les traces de l\u2019\u00e9criture chinoise. Paris: \u00c9ditions alternatives.<\/li>\n<li class=\"p10\">Yi Yuan, Xiong Mingxiang<i> <\/i>(2008) <i>The Beginner\u2019s Guide to Chinese Calligraphy: An Introduction to <\/i>Kaishu <i>(Standard Caligrafia),<\/i> Shanghai Press and Publishing Development Co., Ltd.<\/li>\n<li class=\"p10\">Xu Yangsheng, Chan Sin-wai (2019) Chinese Calligraphy, <i>The Routledge Encyclopedia of Traditional Chinese Culture<\/i>, pp. 116-131.<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] Introdu\u00e7\u00e3o Uma das caracter\u00edsticas distintivas da civiliza\u00e7\u00e3o chinesa \u00e9 o lugar cimeiro que a caligrafia ocupa na hierarquia das artes. As grandes artes s\u00e3o as artes do pincel, instrumento sens\u00edvel capaz reproduzir qualquer movimento da m\u00e3o, por mais subtil: a caligrafia, a pintura e a poesia. 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