{"id":1259,"date":"2025-10-21T23:39:27","date_gmt":"2025-10-21T15:39:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.viadomeio.com\/?p=1259"},"modified":"2026-03-05T15:49:58","modified_gmt":"2026-03-05T07:49:58","slug":"arvores-sagradas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/10\/21\/arvores-sagradas\/","title":{"rendered":"\u00c1rvores Sagradas"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">O <\/span><span class=\"s2\">pensamento<\/span><span class=\"s1\"> de Kong Fuzi (Conf\u00facio) enumera cinco importantes virtudes simbolizadas numa \u00e1rvore. \u201cA primeira, na raiz, encontra-se no procurar sempre o bem nos outros. A segunda, no tronco, relaciona-se com a justi\u00e7a e rectid\u00e3o. A terceira virtude est\u00e1 nos ramos e representa as formas de agir no campo \u00e9tico e moral. A quarta, na flor, a sabedoria. E por fim o fruto, a fidelidade\u201d. A \u00e1rvore sem ra\u00edzes n\u00e3o pode existir.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">As \u00e1rvores dividem-se em dois grupos simb\u00f3licos: as \u00e1rvores da vida, a expressar a fortuna e a longa vida da fam\u00edlia e as \u00e1rvores c\u00f3smicas, que representam o entendimento do Universo e dos fen\u00f3menos astron\u00f3micos.<\/p>\n<p class=\"p3\">As \u00e1rvores da vida [aer\u00f3bia], al\u00e9m de serem um s\u00edmbolo de Civiliza\u00e7\u00e3o, s\u00e3o-no do Sagrado e plantadas a reflectir o Cosmos encontram-se nos p\u00e1tios dos templos e mausol\u00e9us como meio para comunicar com o C\u00e9u. No Templo do C\u00e9u (<i>Tiantan<\/i>) em Pequim e nos mausol\u00e9us dos Ancestrais, Soberanos e Imperadores, assim como de not\u00e1veis fil\u00f3sofos chineses, existem florestas de ciprestes.<\/p>\n<p class=\"p3\">Os quatro mil ciprestes do Parque de Tiantan, muitos com mais de oitocentos anos, servem para prestar homenagem ao C\u00e9u (Tian). Encontramos enormes ciprestes fossilizados nos jardins do Museu de Sanxingdui.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s3\">J\u00e1 no interior do museu, numa complementar exposi\u00e7\u00e3o, imagens em fotografia de outras \u00e1rvores Sagradas, C\u00f3smicas e da Vida, provenientes de diferentes partes do Mundo. <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s3\">Cada um dos tipos de \u00e1rvores representa diferentes fun\u00e7\u00f5es, muitas ligadas por simb\u00f3licos rituais ao reino vegetal, a acordar o perdido no padr\u00e3o animal com a estatut\u00e1ria autoridade de ser humano. <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s4\">Espelhos nos ciclos de consci\u00eancia da Natureza expressavam concep\u00e7\u00f5es de mundos transmitidos por os Antigos Shu nas representa\u00e7\u00f5es e mitos. Esse legado da cultura Wu Zhu d\u00e1 a consci\u00eancia englobante do Animismo (a Filosofia do Dao), onde ningu\u00e9m \u00e9 mais nem menos que o outro e os superlativos s\u00e3o a inferioridade de quem julga.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">\u00c1rvores e ervas, antepassados vegetais do reino animal e dos humanos, numa atitude passiva de n\u00e3o ac\u00e7\u00e3o (<i>wu wei<\/i>) colocaram-se ao servi\u00e7o do Outro dando algo que n\u00e3o vemos, oxig\u00e9nio para respirar. Serviram-nos tamb\u00e9m como casas e a elas subindo, em vigia chegou-se ao C\u00e9u.<\/p>\n<p class=\"p3\">Como seres antecederam o animal, no qual o humano j\u00e1 n\u00e3o se consciencializa e como vegetal, expressam a sensibilidade emocional do Esp\u00edrito, a <i>anima<\/i> do vivo. [Lado feminino inconsciente do homem, assim Carl G. Jung define a <i>anima<\/i>.]<\/p>\n<p class=\"p3\">No <i>animus<\/i> [lado masculino inconsciente da mulher], pelas \u00e1rvores os deuses desciam \u00e0 Terra e por elas ascendia-se ao C\u00e9u; caminho animista simbolizado no drag\u00e3o a subir a \u00e1rvore. Visualizam-se nos troncos talhados com drag\u00f5es no Pavilh\u00e3o Taihe do Pal\u00e1cio Imperial de Beijing e em 1724, cinzelados nas colunas do Pavilh\u00e3o Pal\u00e1cio Dacheng do Templo de Conf\u00facio (Kongmiao) em Qufu, onde se regista um trabalho t\u00e3o esmerado que as tiveram de tapar com seda, quando o Imperador (Qianlong?) a\u00ed foi prestar homenagem ao grande s\u00e1bio Kongfuzi, pois melhor esculpidas que as do Pal\u00e1cio de Beijing.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p5\"><b>AMOREIRA FUSANG<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\">A \u00e1rvore Fusang, considerada a amoreira sagrada, permitia tamb\u00e9m subir ao C\u00e9u e assim ligar o C\u00e9u \u00e0 Terra. O p\u00e1ssaro Jinwu nas antigas lendas representava o Sol e inspeccionava o mundo durante o dia, empoleirando-se \u00e0 noite nos ramos da \u00e1rvore de Fusang.<\/p>\n<p class=\"p3\">Na Mitologia eram dez aves irm\u00e3s encarregadas, uma por dia, de levantar da \u00c1rvore Sagrada e dar uma volta ao mundo, iluminando-o e aquecendo os seres vivos. Mas um dia todas as aves Jinwu voaram para o C\u00e9u e assim dez s\u00f3is apareceram de repente, tornando a vida na Terra insuport\u00e1vel.<\/p>\n<p class=\"p3\">O arqueiro Hou Yi, chefe da tribo Yi durante o per\u00edodo do Soberano Yao (2357-2287 a.n.E.), disparando nove setas, acabou com nove dos dez s\u00f3is, deixando apenas um Sol afim de haver luz durante o dia e a vida voltar a desenrolar-se normalmente sobre a Terra.<\/p>\n<p class=\"p3\">O calend\u00e1rio, na altura com ciclos de dez dias, estava em mudan\u00e7a e preparava-se um outro de uma nova engrenagem, a conjugar os ciclos solares e os lunares num ciclo lunisolar com a dura\u00e7\u00e3o de 52 anos, chegando ele at\u00e9 \u00e0 Dinastia Xia. \u00c9 ainda usado no calend\u00e1rio dos chineses Miao e no continente americano por o povo Maya.<\/p>\n<p class=\"p3\">Ao visitar em Sichuan o Museu de Sanxingdui [a 25 km da capital Chengdu e a 200 km de Langzhong] ficamos em contacto com esculturas a representar as \u00e1rvores sagradas e c\u00f3smicas, numa exposi\u00e7\u00e3o do encontrado nos fossos das escava\u00e7\u00f5es arqueol\u00f3gicas em Sanxingdui, capital do povo dos Antigo Shu, (Ba e Qiang), da Cultura Sanxingdui, no per\u00edodo Yufu (1700-1200 a.n.E.).<\/p>\n<p class=\"p3\">Na China, estas \u00e1rvores t\u00eam como mais representativas a de Fusang no Leste, a de Jianmu no Centro e a de Ruomu no Oeste, e apresentam conceitos e maneiras de reflectir o Universo, contendo v\u00e1rias caracter\u00edsticas, fun\u00e7\u00f5es e rituais, ainda hoje expostos em cren\u00e7as populares e religiosas sobreviventes do Todo do Mundo Antigo.<\/p>\n<p class=\"p3\">A \u00e1rvore sagrada de Sanxingdui, espectacular exemplo de \u00e1rvore c\u00f3smica na China, conjuga a Fusang e a Jianmu, sendo a sua principal fun\u00e7\u00e3o facilitar a ascens\u00e3o ao C\u00e9u, ligando o C\u00e9u \u00e0 Terra, os deuses com os humanos. Os deuses desciam \u00e0 Terra por elas e os xam\u00e3s [ajudantes de Imperadores] ascendiam ao C\u00e9u; caminho animista simbolizado pelo drag\u00e3o a subir a \u00e1rvore.<\/p>\n<p class=\"p3\">Na mitologia chinesa, a amoreira est\u00e1 associada ao Sol e no Ocidente significa circunspec\u00e7\u00e3o e prud\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p5\"><b>\u00c1RVORE DO DINHEIRO<\/b><\/h3>\n<p class=\"p2\">A variedade de esculturas de \u00e1rvores demonstra uma preocupa\u00e7\u00e3o pelo Cosmos proveniente do sagrado C\u00e9u visto da Terra, tendo diferentes fun\u00e7\u00f5es cada um dos tipos de \u00e1rvores. Expressavam mitos dos antigos Shu.<\/p>\n<p class=\"p3\">Do povo Qiang [com antepassados na tribo Yi de Fuxi e colocado a Oeste com os Ba, fugindo os Miao para Sul, ap\u00f3s Huangdi derrotar Chiyou, chefe dos Dongyi] existe a \u00e1rvore do dinheiro encontrada em Madao, Xichang (Sichuan) e tal como as \u00e1rvores sagradas e c\u00f3smicas era tamb\u00e9m constru\u00edda em bronze. A forma da \u00e1rvore do dinheiro derivou das \u00e1rvores celestes de Sanxingdui e como elas, ajudava os seres humanos a comunicar com os deuses. Quando lhe eram colocadas as moedas, reflectiam a luz do Sol. [Em Chiang Mai na Tail\u00e2ndia encontramos num templo duas \u00e1rvores do dinheiro, uma com representa\u00e7\u00f5es de folhas douradas e a outra com folhas prateadas, a Lua.] J\u00e1 os p\u00e1ssaros das \u00e1rvores do dinheiro eram vermelhos e encontravam-se entre o Sol e o seu brilho nas folhas.<\/p>\n<p class=\"p3\">Quando a dinastia Xia (<span class=\"s5\">\u590f<\/span>, 2207-1600 a.n.E.) foi substitu\u00edda pela dinastia Shang (<span class=\"s5\">\u5546<\/span>, 1600-1046 a.n.E.) ocorreu a seguinte hist\u00f3ria ligada \u00e0s amoreiras. Ap\u00f3s cinco anos de Cheng Tang (<span class=\"s5\">\u6210\u6c64<\/span>) ter destronado o Imperador Jie da Dinastia Xia e fundado a Dinastia Shang, a chuva n\u00e3o caiu. O povo estava desesperado e s\u00f3 ap\u00f3s Cheng Tang ter orado na floresta de amoreiras come\u00e7ou a chover.<\/p>\n<p class=\"p3\">Nas aldeias chinesas, as amoreiras nunca s\u00e3o plantadas em frente da porta de entrada das casas, pois o nome desta \u00e1rvore, <i>sang shu<\/i> (<span class=\"s5\">\u6851\u6811<\/span>) tem a mesma sonoridade de <i>sang shi <\/i>(<span class=\"s5\">\u4e27\u4e8b<\/span>), a significar um dos residentes da casa morrera, sendo normalmente o f\u00e9retro com o defunto colocado numa tenda em frente \u00e0 porta de entrada, esperando em corpo presente pelo menos tr\u00eas dias, ou por uma data mais auspicioso para ser sepultado.<\/p>\n<p class=\"p3\">O papel feito com fibras da amoreira \u00e9 conhecido por o nome de <i>sang zhi <\/i>(<span class=\"s5\">\u6851\u7eb8<\/span>).<\/p>\n<p class=\"p3\">A amoreira tem grande valor econ\u00f3mico, sendo a madeira desta \u00e1rvore recomendada para mobili\u00e1rio, utens\u00edlios e instrumentos musicais, refere Wang Zhu Hao, no livro <i>\u00c1rvores de Macau<\/i>, (C\u00e2mara Municipal das Ilhas, 1997, Macau). \u201cA casca das ra\u00edzes, folhas e ramos novos s\u00e3o utilizados na Medicina Tradicional Chinesa para a cura da tosse, perda de sangue e incha\u00e7o e para a redu\u00e7\u00e3o da press\u00e3o sangu\u00ednea. A fibra da casca \u00e9 usada para produ\u00e7\u00e3o de papel e algod\u00e3o artificial. As amoras, os frutos da amoreira, s\u00e3o utilizadas contra a fadiga, tonturas, anemia e incontin\u00eancia.\u201d<\/p>\n<p class=\"p3\">Associaram-se os humanos ao ciclo da vida do bicho-da-seda, que simboliza o conceito de eternidade, pois os antigos olhavam o acto da lagarta envolver-se no fio e formar o casulo como uma etapa para chegar ao C\u00e9u, depois da passagem por a Terra. Por isso, vestiam os defuntos com seda e ofereciam tecidos aos esp\u00edritos e deuses. Expressavam a esperan\u00e7a de ascender ao C\u00e9u e tornarem-se imortais, tal como julgavam acontecer \u00e0 cris\u00e1lida dentro do casulo, qual nave da imortalidade de onde sai transformada em mariposa. Vive tr\u00eas a cinco dias e ap\u00f3s o acto sexual, a f\u00eamea borboleta p\u00f5e ovos e recome\u00e7a o ciclo do bicho-da-seda.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] O pensamento de Kong Fuzi (Conf\u00facio) enumera cinco importantes virtudes simbolizadas numa \u00e1rvore. \u201cA primeira, na raiz, encontra-se no procurar sempre o bem nos outros. A segunda, no tronco, relaciona-se com a justi\u00e7a e rectid\u00e3o. A terceira virtude est\u00e1 nos ramos e representa as formas de agir no campo \u00e9tico e moral. A quarta,&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":1260,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[6,13],"tags":[],"class_list":["post-1259","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-etnologia","category-religiao"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/126-1.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1259","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1259"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1259\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1261,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1259\/revisions\/1261"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1260"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1259"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1259"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1259"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}