{"id":1262,"date":"2025-10-21T23:45:46","date_gmt":"2025-10-21T15:45:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.viadomeio.com\/?p=1262"},"modified":"2026-03-05T15:49:58","modified_gmt":"2026-03-05T07:49:58","slug":"a-vida-e-a-morte-no-taoismo-e-no-budismo-tibetano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/10\/21\/a-vida-e-a-morte-no-taoismo-e-no-budismo-tibetano\/","title":{"rendered":"A Vida e a Morte no Taoismo e no Budismo Tibetano"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>1. A vida e morte no Tao\u00edsmo<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">O <\/span><span class=\"s2\">que nos dizem<\/span><span class=\"s1\"> os Cl\u00e1ssicos do Taoismo sobre a vida? Nos fundadores do Taoismo \u2013 Laozi (<\/span><span class=\"s3\">\u8001\u5b50<\/span><span class=\"s1\">) e Zhuangzi<\/span><span class=\"s3\">\u5e84\u5b50<\/span><span class=\"s1\"> -, a vida \u00e9 sempre pensada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 morte. Este quadro conceptual mant\u00e9m-se nos taoistas posteriores, ligados \u00e0 Alquimia, por exemplo em Zhang Boduan [<\/span><span class=\"s3\">\u5f20\u4f2f\u7aef<\/span><span class=\"s1\"> (983-1082)], que pertence \u00e0 escola da Completa Realidade do Sul (<\/span><span class=\"s3\">\u5357\u5168\u771f<\/span><span class=\"s1\">). Ele, segundo nos explica o sin\u00f3logo Thomas Cleary, aprendeu a alquimia taoista com Liu Cao, disc\u00edpulo do ancestral L\u00fc, fundador desta escola.<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">A escola da Completa Realidade do Sul p\u00f4de desenvolver as suas pr\u00e1ticas de cultivo da vitalidade por recurso ao apoio do yoga sexual e, por isso, tamb\u00e9m se chama a escola da Cultiva\u00e7\u00e3o Dual. J\u00e1 a escola da Completa Realidade do Norte (<span class=\"s4\">\u5317\u5168\u771f<\/span><i>B\u011biqu\u00e1nzh\u0113n<\/i>), fundada por Wang Zhongyang [ <span class=\"s4\">\u738b\u91cd\u9633<\/span> (1112-1170)], que diz ter aprendido as verdades essenciais directamente do ancestral L\u00fc e de Zhong Liquan (<span class=\"s4\">\u949f\u79bb\u6b0a<\/span>), recorre \u00e0 transmiss\u00e3o de ensinamentos, baseada numa filosofia contemplativa tradicional. Diz-se que Wang Zhongyang teve entre os seus sete disc\u00edpulos, a taoista Sun Bu\u00b4er [<span class=\"s4\">\u5b59\u4e0d\u4e8c<\/span> (1119-1182)].<\/p>\n<p class=\"p5\">Tamb\u00e9m Zhang Sanfeng [<span class=\"s4\">\u5f20\u4e09\u4e30<\/span>(c. 1391-1459)], o organizador do Taijiquan (<span class=\"s4\">\u592a\u6781\u62f3<\/span>T\u00e0ij\u00edqu\u00e1n), cuja data de nascimento \u00e9 incerta, havendo quem o situe na dinastia Song ou Yuan, baseia a sua filosofia numa am\u00e1lgama das escolas do Norte e do Sul da Completa Realidade, como se poder\u00e1 verificar pelo coment\u00e1rio ao yoga psicol\u00f3gico da \u00abTabuleta dos Cem Caracteres do Ancestral L\u00fc\u00bb. Essa Tabuleta ser\u00e1, ainda, comentada por Liu Yiming (1737-1826) v\u00e1rios s\u00e9culos mais tarde, mas mantendo a mesma linha de pensamento em rela\u00e7\u00e3o aos tr\u00eas tesouros, que constituem a vida para os taoistas: a Vitalidade (<span class=\"s4\">\u7cbe<\/span>J\u012bng), o Sopro vital\/Energia (<span class=\"s4\">\u6c14<\/span>Q\u00ec) e o Esp\u00edrito ou ess\u00eancia (<span class=\"s4\">\u795e<\/span>Sh\u00e9n).<\/p>\n<p class=\"p5\">Come\u00e7a-se ent\u00e3o por apresentar o pensamento do fundador do Taoismo no <i>Cl\u00e1ssico do Caminho e da Virtude<\/i> (<span class=\"s4\">\u300a\u9053\u5fb7\u7ecf\u300b<\/span>), cujo t\u00edtulo seria traduzido por Cl\u00e1udia Ribeiro em 2004 por <i>Cl\u00e1ssico da Via e do Poder<\/i>, nomeadamente sobre a vida, no cap\u00edtulo X (Ribeiro, 2004,X):<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p6\"><i>Quando a tua alma celeste (ying<\/i><span class=\"s4\">\u8425<\/span><i>)<br \/>\n<\/i><i>e a tua alma terrestre (po<\/i><span class=\"s4\">\u9b44<\/span><i>)<br \/>\n<\/i><i>abra\u00e7am o Um,<br \/>\n<\/i><i>consegues n\u00e3o as apartar?<\/i><\/p>\n<p class=\"p6\"><i>Ao concentrar o Sopro (qi<\/i><span class=\"s4\">\u6c14<\/span><i>)<br \/>\n<\/i><i>e atingir a maleabilidade<br \/>\n<\/i><i>consegues ser Rec\u00e9m-nascido?<br \/>\n<\/i><i>(\u2026)<br \/>\n<\/i><i>No abrir e fechar das portas celestes<br \/>\n<\/i><i>consegues ter sempre o papel feminino?<\/i><\/p>\n<p class=\"p6\"><i>A tua mente pode penetrar todos os cantos da terra<br \/>\n<\/i><i>sem os conhecer?<\/i><\/p>\n<p class=\"p6\"><i>A gerar e a nutrir,<br \/>\n<\/i><i>a gerar sem possuir,<br \/>\n<\/i><i>a efectuar sem reter,<br \/>\n<\/i><i>a chefiar sem oprimir,<br \/>\n<\/i><i>chama-se o poder do mist\u00e9rio.<\/i><\/p>\n<p class=\"p8\"><span class=\"s5\">(<\/span>\u8f09\u71df\u9b44\u62b1\u4e00\uff0c\u80fd\u7121\u96e2\u4e4e<span class=\"s5\">?\/<\/span>\u5c08\u6c23\u81f4\u67d4\uff0c\u80fd\u5b30\u5152\u4e4e<span class=\"s5\">\/<\/span>\u6ecc\u9664\u7384\u89bd\uff0c\u80fd\u7121\u75b5\uff1f<span class=\"s5\"> (\u2026 \u2026)<\/span>\u5929\u9580\u958b\u95d4\uff0c\u80fd\u70ba\u96cc\u4e4e\uff1f\u660e\u767d\u56db\u9054\uff0c\u80fd\u7121\u77e5\u4e4e\uff1f<span class=\"s5\"> \/<\/span>\u751f\u4e4b\u755c\u4e4b\u3002\u751f\u800c\u4e0d\u6709\uff0c\u70ba\u800c\u4e0d\u6043\uff0c<span class=\"s5\">\/<\/span>\u9577\u800c\u4e0d\u5bb0\uff0c\u662f\u70ba<span class=\"s5\"> \u201c<\/span>\u7384\u5fb7<span class=\"s5\">\u201d<\/span>\u3002<span class=\"s5\">)<sup>1<\/sup><\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s1\">O essencial para Laozi, e para a filosofia taoista de todos os tempos, \u00e9 a conjuga\u00e7\u00e3o e a harmoniza\u00e7\u00e3o das ess\u00eancias e das energias, por meio do sopro vital. As almas celeste <i>Ying <\/i>( <\/span><span class=\"s3\">\u8425<\/span><span class=\"s1\"> <i>Y\u00edng<\/i>) e terrestre <i>Po<\/i> (<\/span><span class=\"s3\">\u9b44<\/span><span class=\"s1\"> <i>P\u00f2<\/i>) devem manter-se em estreita liga\u00e7\u00e3o com a raiz, o Uno primordial. As energias masculina e feminina n\u00e3o est\u00e3o separadas no Uno, nem t\u00e3o-pouco s\u00e3o distintas da ess\u00eancia ou do esp\u00edrito. A grande separa\u00e7\u00e3o entre pot\u00eancia f\u00edsica (vitalidade), energias (masculina e feminina) e ess\u00eancias espirituais d\u00e1-se ao n\u00edvel fenomenal. Por isso h\u00e1 que regressar ao Uno primordial onde esp\u00edrito e energia est\u00e3o interligados, ou seja, no qual a esfera celestial e a quadrada terra est\u00e3o unidas. Aqui n\u00e3o h\u00e1 distin\u00e7\u00e3o entre alma celestial e tel\u00farica. Para tal, deve-se seguir o caminho do <i>qi<\/i> (<\/span><span class=\"s3\">\u6c14<\/span><span class=\"s1\"> <i>Q\u00ec<\/i>), do sopro vital, refinando-o de maneira a que ele regrida ao ponto de se tornar equivalente ao de um beb\u00e9 rec\u00e9m-nascido (<\/span><span class=\"s3\">\u5a74\u513f<\/span><span class=\"s1\"><i>Y\u012bng\u2019\u00e9r<\/i>). Toda a actividade f\u00edsica e trabalho sobre o sopro vital s\u00e3o acompanhados por uma determinada postura mental. Esta define-se pelo esvaziamento dos conte\u00fados intelectuais para que ressalte a l\u00edmpida \u00abvis\u00e3o do Mist\u00e9rio\u00bb, que nada tem a ver com o conhecimento mundano; e, ainda, pelo cultivar de uma \u00e9tica pr\u00f3pria, baseada na N\u00e3o-a\u00e7\u00e3o (<\/span><span class=\"s3\">\u65e0\u4e3a<\/span><span class=\"s1\"><i>W\u00faw\u00e9i<\/i>) e numa atitude tranquila, pac\u00edfica e apagada, como a de uma f\u00eamea (<\/span><span class=\"s3\">\u96cc<\/span><span class=\"s1\">), no que respeita \u00e0 sociedade, mas extremamente activa e nutritiva em termos da pessoa e do seu interior (<\/span><span class=\"s3\">\u751f\u4e4b\u755c<\/span><span class=\"s1\">sh\u0113ng zh\u012b ch\u00f9). Aquele que se cultiva pode, com o seu exemplo e N\u00e3o-a\u00e7\u00e3o, chegar a ser politicamente modelar, pois <i>chefia sem oprimir<\/i>. <\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">Cultiva-se a vida pelo equil\u00edbrio das energias, possibilitado pela a\u00e7\u00e3o do <i>qi<\/i>, bem como pelo desenvolvimento de uma postura tranquila e flex\u00edvel, e chama-se a morte por uma atitude dura e inflex\u00edvel: Atente-se no que nos diz o Cap\u00edtulo 76 (Ribeiro, 2004, 76):<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p4\"><i>Em vida, os homens s\u00e3o male\u00e1veis e flex\u00edveis.<br \/>\n<\/i><i>Na morte, duros e rijos (qiang <\/i><span class=\"s4\">\u5f3a<\/span><i>).<br \/>\n<\/i><i>Em vida as plantas s\u00e3o male\u00e1veis e macias.<br \/>\n<\/i><i>Na morte, encarquilhadas e ressequidas.<\/i><\/p>\n<p class=\"p4\"><i>Assim, a dureza e a rijeza (qiang<\/i><span class=\"s4\">\u5f3a<\/span><i>)<br \/>\n<\/i><i>s\u00e3o companheiras da morte;<br \/>\n<\/i><i>a maleabilidade e a flexibilidade<br \/>\n<\/i><i>s\u00e3o companheiras da vida.<br \/>\n<\/i>(\u2026)<\/p>\n<p class=\"p8\"><span class=\"s5\">(<\/span>\u4eba\u4e4b\u751f\u4e5f\u67d4\u5f31\uff0c\u5176\u6b7b\u4e5f\u5805\u5f37\u3002<span class=\"s5\">\/<\/span>\u8349\u6728\u4e4b\u751f\u4e5f\u67d4\u8106\uff0c\u5176\u6b7b\u4e5f\u67af\u69c1\u3002<span class=\"s5\">\/<\/span>\u6545\u5805\u5f37\u4e4b\u6b7b\u4e4b\u5f92\uff0c\u67d4\u5f31\u8005\u751f\u4e4b\u5f92\u3002<span class=\"s5\">)<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s6\">Em <i>Zhuangzi <\/i>(<\/span><span class=\"s7\">\u300a\u5e84\u5b50\u300b<\/span><span class=\"s6\">), dos sete cap\u00edtulos que se acredita terem sido escritos pelo fil\u00f3sofo encontramos no cap\u00edtulo 2, a defesa da intercomunicabilidade e uniformidade de todas as coisas, ou seja, o facto de os seres poderem comunicar aos mais variados n\u00edveis, prova que na vida h\u00e1 uma uniformidade de base, viabilizadora de todas as transforma\u00e7\u00f5es a partir de uma raiz comum. O famoso sonho de Zhuang Zhou como descrito nesse cap\u00edtulo \u00e9 prova disso:<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p6\">&#8220;<span class=\"s8\"><i>Eu de nome Zhuang Zhou uma vez sonhei que era uma borboleta, esvoa\u00e7ando alegremente aqui e ali. Fiquei t\u00e3o contente que me esqueci ser Zhuang Zhou. Quando, de repente, acordei, fiquei espantad\u00edssimo por ser, de facto, Zhuang Zhou. Ser\u00e1 que Zhuang Zhou sonhou com a borboleta ou a borboleta sonhou ser Zhuang Zhou? Entre Zhuang Zhou e a borboleta devem existir algumas distin\u00e7\u00f5es, ao que se chama a \u00abtransforma\u00e7\u00e3o das coisas&#8221;<\/i><\/span>.<\/p>\n<p class=\"p8\"><span class=\"s5\">(<\/span>\u6614\u8005\u5e84\u5468\u68a6\u4e3a\u8774\u8776\uff0c\u6829\u6829\u7136\u8774\u8776\u4e5f\uff0c\u81ea\u55bb\u9002\u5fd7\u4e0e\uff01\u4e0d\u77e5\u5468\u4e5f\u3002\u4fc4\u7136\u89c9\uff0c\u5219<span class=\"s5\">)<br \/>\n<\/span>\u8627\u8627\u7136\u5468\u4e5f\u3002\u4e0d\u77e5\u5468\u4e4b\u68a6\u4e3a\u8774\u8776\u4e0e\uff0c\u8774\u8776\u4e4b\u68a6\u4e3a\u5468\u4e0e\uff1f\u5468\u4e0e\u8774\u8776\uff0c\u5219\u5fc5\u6709\u5206\u77e3\uff0c \u6b64\u4e4b\u8c13\u7269\u5316<span class=\"s5\"> 1999,38)<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p4\">A vida \u00e9 transforma\u00e7\u00e3o e a morte tamb\u00e9m. N\u00e3o h\u00e1 motivo para tristezas, nada h\u00e1 recear. A morte faz parte da vida, como se pode ver a prop\u00f3sito de um epis\u00f3dio relatado no Cap\u00edtulo 6 e passado entre 4 homens, Zisi (<span class=\"s4\">\u5b50\u7940<\/span>) Ziyu (<span class=\"s4\">\u5b50\u8207<\/span>), Zili (<span class=\"s4\">\u5b50\u68a8<\/span>) e Zilai (<span class=\"s4\">\u5b50\u4f86<\/span>) sobre as grandes quest\u00f5es da vida e da morte, e pela persist\u00eancia que um deles, Ziyu, revelou em continuar a louvar a natureza e sua espontaneidade, apesar das deforma\u00e7\u00f5es sofridas no seu pr\u00f3prio corpo, e pela naturalidade com que os amigos encararam a morte de um outro, Zilai, cantando no seu funeral.<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s9\">Ainda no mesmo cap\u00edtulo, tr\u00eas homens tornam-se amigos: Zisang Hu (<\/span><span class=\"s10\">\u5b50\u55aa\u6236<\/span><span class=\"s9\">), Meng Zifan (<\/span><span class=\"s10\">\u5b5f\u5b50\u53cd<\/span><span class=\"s9\">) e Ziqin Zhang(<\/span><span class=\"s10\">\u5b50\u7434\u5f35<\/span><span class=\"s9\">), porque todos compreendiam que podiam transcender o mundo e vaguear pelo universo, at\u00e9 que um deles Zisang Hu morre. Conf\u00facio, ao ter conhecimento da morte deste, envia o disc\u00edpulo Zigong (<\/span><span class=\"s10\">\u5b50\u8d21<\/span><span class=\"s9\">) para auxiliar nos ritos f\u00fanebres e quando ele lhe relata, em tom de alta reprova\u00e7\u00e3o, que o funeral foi muito alegre, tendo sido entoadas can\u00e7\u00f5es de louvor \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o de Zisang Hu, Conf\u00facio responde-lhe:<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p10\">&#8220;<span class=\"s9\"><i>Eles n\u00e3o est\u00e3o confinados ao mundo humano, enquanto eu estou. Parece que n\u00f3s vivemos em dois mundos incompat\u00edveis. Foi pouco sensato da minha parte ter-te enviado ao funeral. Eles est\u00e3o em conjunto com o criador, vagueiam no sopro vital do c\u00e9u e da terra. Eles olham a vida como uma excresc\u00eancia ou tumor e a morte como a erup\u00e7\u00e3o de um edema. Como podem estes homens preocupar-se com a distin\u00e7\u00e3o entre a vida e a morte? Eles consideram o corpo humano composto de diversos elementos. <\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"p10\"><span class=\"s9\"><i>Esquecem os f\u00edgados e ves\u00edculas e negligenciam os ouvidos e os olhos. Consideram a vida e a morte como um ciclo recorrente, sem princ\u00edpio nem fim. Livres, vagueiam para al\u00e9m da porcaria e poeira do mundo mortal, despreocupados, deambulam no reino da N\u00e3o-a\u00e7\u00e3o. Por que raz\u00e3o eles se h\u00e3o-de preocupar em seguir os c\u00f3digos \u00e9ticos mundanos s\u00f3 para mostrarem que o fazem \u00e0s pessoas comuns?&#8221;<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"p8\"><span class=\"s5\">(<\/span>\u5b54\u5b50\u66f0<span class=\"s5\">: \u201c<\/span>\u5f7c\uff0c\u6e38\u65b9\u4e4b\u5916\u8005\u4e5f<span class=\"s5\">; <\/span>\u800c\u4e18\uff0c\u6e38\u65b9\u4e4b\u5185\u8005\u4e5f\u3002\u5916\u5185\u4e0d\u76f8\u53ca\uff0c\u800c\u4e18\u4f7f\u5973\u5f80\u540a\u4e4b\uff0c\u4e18\u5219\u964b\u77e3\u3002\u5f7c\u65b9\u4e14\u4e0e\u9020\u7269\u8005\u4e3a\u4eba\uff0c\u800c\u6e38\u4e4e\u5929\u5730\u4e4b\u4e00\u6c14\u3002\u5f7c\u4ee5\u751f\u4e3a\u9644\u8d58\u53bf\u75a3\uff0c\u4ee5\u6b7b\u4e3a\u51b3\u5c3b\u6e83\u75c8\uff0c\u592b\u82e5\u7136\u8005\uff0c\u53c8\u6076\u77e5\u6b7b\u751f\u5148\u540e\u4e4b\u6240\u5728\uff01\u5047\u4e8e\u5f02\u7269\uff0c\u6258\u4e8e\u540c\u4f53<span class=\"s5\">; <\/span>\u5fd8\u5176\u809d\u80c6\uff0c\u9057\u5176\u8033\u76ee<span class=\"s5\">; <\/span>\u53cd\u590d\u7ec8\u59cb\uff0c\u4e0d\u77e5\u7aef\u502a\uff0c\u832b\u7136\u5f77\u5fa8\u4e4e\u575a\u57a2\u4e4b\u5916\uff0c\u900d\u9059\u4e4e\u65e0\u4e3a\u4e4b\u4e1a\u3002\u5f7c\u53c8\u6076\u80fd\u6126\u6126\u7136\u4e3a\u4e16\u4fd7\u4e4b\u793c\uff0c\u4ee5\u89c2\u4f17\u4eba\u4e4b\u8033\u76ee\u54c9\uff01<span class=\"s5\">\u201d (Zhuangzi, 1999,104)<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p4\">\u00c9 na sequ\u00eancia dos ensinamentos dos fundadores do Taoismo sobre a vida e a morte, que se vai desenvolver a filosofia posterior do Taoismo alqu\u00edmico, com instru\u00e7\u00f5es espec\u00edficas para a obten\u00e7\u00e3o de um estado transcendente. Vamos agora analisar as instru\u00e7\u00f5es de Wang Zhongyang (<span class=\"s4\">\u738b\u91cd\u9633<\/span>), o fundador da Escola da Completa Realidade do Norte para parar com as maquina\u00e7\u00f5es mentais, entrar em transe, fabricar a p\u00e9rola m\u00edstica, projectar o esp\u00edrito e <i>ascender ao c\u00e9u em plena luz do dia.<\/i> (Cleary,1991,121).<\/p>\n<p class=\"p4\">S\u00e3o 15 os ensinamentos:<\/p>\n<p class=\"p4\">1) Viver numa eremit\u00e9rio, de modo a obter um estado mental equilibrado e pac\u00edfico;<\/p>\n<p class=\"p4\">2) Viajar n\u00e3o como turista, mas interiormente, \u00e0 procura da ess\u00eancia e da vida;<\/p>\n<p class=\"p4\">3) Estudar, n\u00e3o extensiva, mas intensivamente, para alcan\u00e7ar o sentido de cada obra;<\/p>\n<p class=\"p4\">4) Aprender a composi\u00e7\u00e3o das ervas medicinais, de maneira a desenvolver a energia f\u00edsica; 5) Atender \u00e0 constru\u00e7\u00e3o, viver n\u00e3o em pal\u00e1cios altos e luxuosos, antes em casas simples e frugais, que auxiliam a encontrar o Caminho, pois o verdadeiro pal\u00e1cio \u00e9 o corpo de cada um;<\/p>\n<p class=\"p4\">6) Encontrar companheiros do mesmo Caminho, para cultivar a harmonia em comunidade;<\/p>\n<p class=\"p4\">7) Sentar-se, mais do que f\u00edsica, mentalmente, transformando a mente numa montanha pac\u00edfica e silenciosa, a fim de poder produzir o elixir, que permite ao esp\u00edrito vaguear por todo o universo;<\/p>\n<p class=\"p4\">8) Ultrapassar a mente, quer dizer, as suas percep\u00e7\u00f5es, cogni\u00e7\u00f5es e sentimentos, mantendo-a pac\u00edfica, escura e silenciosa;<\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s9\">9) Refinar a natureza, de modo a obter o equil\u00edbrio entre as energias, a flexibilidade e a rigidez; <\/span><\/p>\n<p class=\"p4\">10) Combinar as cinco energias, que se desenvolvem a partir das duas energias b\u00e1sicas, a masculina e a feminina, constitutivas dos cinco elementos que comp\u00f5em toda a natureza, incluindo a humana. Quando as energias est\u00e3o harmonizadas, o corpo mant\u00e9m-se no mundo humano, mas o esp\u00edrito j\u00e1 vagueia livremente nos c\u00e9us;<\/p>\n<p class=\"p4\">11) Misturar a ess\u00eancia e a vida, porque a ess\u00eancia \u00e9 o esp\u00edrito e a vida a energia, elas devem ser bem trabalhadas e refinadas, a fim de alcan\u00e7ar o estado de unifica\u00e7\u00e3o primordial, onde surgem indissoci\u00e1veis;<\/p>\n<p class=\"p4\">12) Seguir o caminho dos s\u00e1bios com determina\u00e7\u00e3o anos a fio, o tempo necess\u00e1rio para que o esp\u00edrito se eleve \u00e0 esfera transcendente;<\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s8\">13) Transcender os tr\u00eas reinos: o do desejo, o da forma e o sem forma: transcende-se o reino do desejo pelo esvaziamento dos pensamentos, o da forma pelo esquecimento dos objectos e o sem forma pela liberta\u00e7\u00e3o da vis\u00e3o do vazio. A recompensa da transcend\u00eancia dos tr\u00eas reinos \u00e9 a companhia espiritual dos s\u00e1bios imortais. <\/span><\/p>\n<p class=\"p4\">14) Atender ao m\u00e9todo do desenvolvimento do corpo mental, sem qualquer forma, que garante grandiosos resultados espirituais.<\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s9\">15) Abandonar o mundo comum, o que n\u00e3o deve ser levado \u00e0 letra, pois o corpo permanece, embora se consiga alcan\u00e7ar um estado de esp\u00edrito unificado com o Tao (Cleary, 1991, 130-135), verdadeiramente preparador da imortalidade individual, terrena, espiritual e at\u00e9 celestial. Recorde-se que h\u00e1 v\u00e1rios n\u00edveis de imortalidade no Taoismo: pela medita\u00e7\u00e3o pode ser alcan\u00e7ada um imortalidade individual, quando o<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>esp\u00edrito se liberta do corpo, vagueando e viajando para al\u00e9m dele. Segue-se uma imortalidade terrena na qual os imortais permanecem sem conseguirem alcan\u00e7ar as dimens\u00f5es espiritual e celestial, para as quais podem evoluir quando os seus esp\u00edritos atingem um grau de perfei\u00e7\u00e3o maior. <\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">Quando se passa da tem\u00e1tica da imortalidade para a da reencarna\u00e7\u00e3o entra-se no dom\u00ednio da filosofia religiosa budista, que se passa a apresentar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>2. O Bardo tibetano do devir<\/b><\/h3>\n<p class=\"p4\">Paulo Borges em <i>Descobrir Buda<\/i> define do seguinte modo o bardo tibetano: \u00ab<i>bar-do <\/i>[\u00e9] literalmente um estar \u00abentre\u00bb, um \u00abintervalo\u00bb, um espa\u00e7o de indetermina\u00e7\u00e3o ou \u00ab<i>no man\u00b4s land<\/i>\u00bb, cuja abertura sem refer\u00eancias n\u00e3o se converte em despertar por se continuar movido pela ignor\u00e2ncia dualista, apego e avers\u00e3o.\u00bb (Borges, 2010: 214\/215). Em termos da filosofia tibetana, a vida e a morte n\u00e3o passam de intervalos. Existem, ainda, mais dois bardos, o bardo luminoso do <i>dharmata<\/i> e o bardo k\u00e1rmico do devir. <i>O Livro Tibetano da Vida e da Morte <\/i>de Sogyal Rinpoche \u00e9 muito inspirado no <i>Livro Tibetano dos Mortos<\/i><i><sup>2<\/sup><\/i><i>, <\/i>composto por Padmsambhava, que, vindo do Norte da \u00cdndia, introduziu definitivamente o Budismo no Tibete no s\u00e9culo VIII, sendo considerado o \u00abGuru Rinpoche\u00bb ou o \u00abPrecioso Guru\u00bb.<\/p>\n<p class=\"p5\">Recorde-se ent\u00e3o como Sogyal Rinpoche caracteriza os quatro bardos. O primeiro \u00e9 o <i>bardo <\/i>natural da vida que medeia o per\u00edodo entre o nascimento e a morte. O segundo \u00e9 o bardo doloroso do passamento, que inclui o processo de morte at\u00e9 ao termo da respira\u00e7\u00e3o interna e ao despertar da natureza da mente na \u00abluminosidade-base\u00bb ao tempo da morte. O terceiro \u00e9 o bardo luminoso do <i>dharmata<\/i>, que abrange a experi\u00eancia p\u00f3s-morte da radi\u00e2ncia da natureza da mente, que se revela em \u00abluz clara\u00bb, som e cor. (1992:134). Por fim, h\u00e1 o bardo ao qual se dedicar\u00e1 maior aten\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o bardo k\u00e1rmico do devir.<\/p>\n<p class=\"p5\">Nesta conce\u00e7\u00e3o budista tibetana o que se nota, antes de mais, \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o muito especial com a morte, sendo esta sucedida por um intervalo que dura 49 dias tal como sucede nas restantes tradi\u00e7\u00f5es budistas.<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s6\">A morte \u00e9 um processo natural, devendo por isso ser partilhada com amigos, familiares e mestres espirituais. A morte n\u00e3o \u00e9 mais do que o intervalo para se iniciar uma nova vida, seja num dos para\u00edsos de Budas, seja ao n\u00edvel de seis reinos sams\u00e1ricos, seja enfim pela liberta\u00e7\u00e3o total da mente e sua fus\u00e3o com a energia primordial. Diz-nos Paulo Borges. (2010: 220\/221): <\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p11\">&#8220;<span class=\"s8\"><i>No momento de morrer pode ver-se assim que n\u00e3o h\u00e1 morte ou, noutra perspectiva, que a chamada \u00abmorte\u00bb n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o o fim da ilus\u00e3o de uma \u00abvida\u00bb, condicionada por se viver como real a fic\u00e7\u00e3o egol\u00f3gica e a consequente experi\u00eancia de se nascer e morrer.<\/i><\/span>&#8220;<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p5\">Os seres vivem enquanto estiverem apegados \u00e0 exist\u00eancia, passando de bardo em bardo, acumulando m\u00e9ritos e dem\u00e9ritos com as suas a\u00e7\u00f5es e postura existencial. Quem se preparou, morre bem, com vis\u00f5es tranquilas e paradis\u00edacas, quem n\u00e3o se preparou falece em grande agita\u00e7\u00e3o e com alucina\u00e7\u00f5es demon\u00edacas. O que somos e fazemos de n\u00f3s depende das a\u00e7\u00f5es praticadas connosco pr\u00f3prios e com os outros, sendo a ideia guia fundamental para qualquer tibetano das vias budistas Mahayana e Vajrayana seguir o exemplo pr\u00e1tico do Bodhisattva Avalokitesvara, o guardi\u00e3o do Tibete, de que todos os Dalai Lamas s\u00e3o encarna\u00e7\u00f5es. A compaix\u00e3o \u00e9, na feliz express\u00e3o de Sogyal Rinpoche, <i>a j\u00f3ia que satisfaz os desejos <\/i>(1992: 227), os nossos e os dos outros. A compaix\u00e3o \u00e9 definida na sua dupla vertente: passiva, enquanto express\u00e3o de simpatia e cuidado, e ativa como \u00abdetermina\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica e sustida de fazer tudo o que for poss\u00edvel e necess\u00e1rio para aliviar o sofrimento dos outros.\u00bb (Ibidem) E, por isso, acrescenta Sogyal, o Buda da Compaix\u00e3o<sup>3<\/sup> \u00e9 representado com mil olhos e bra\u00e7os, tal como na tradi\u00e7\u00e3o chinesa, porque os olhos veem o sofrimento e os bra\u00e7os fazem tudo para auxiliar aqueles que realmente precisam.<\/p>\n<p class=\"p5\">Ora se o bardo do passamento \u00e9 definido como um estado doloroso, porque aqu\u00e9m e al\u00e9m de todas as prepara\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e espirituais, permanecendo um sentimento de tristeza e ang\u00fastia dif\u00edceis de ultrapassar, h\u00e1 ent\u00e3o que colocar em jogo a pr\u00e1tica que melhor define a compaix\u00e3o, denominada em tibetano <i>tonglen. <\/i>Diz-nos Sogyal: \u00abDe todas as pr\u00e1ticas que conhe\u00e7o, a do <i>tonglen, <\/i>que em tibetano quer dizer \u00abdar e receber\u00bb \u00e9 uma das mais \u00fateis e poderosas. A esta pr\u00e1tica do \u00abdar e receber\u00bb se v\u00eam aliar exerc\u00edcios respirat\u00f3rios muito interessantes, que permitem execut\u00e1-la n\u00e3o apenas atrav\u00e9s das a\u00e7\u00f5es meritosas praticadas em rela\u00e7\u00e3o a terceiros, mas dentro de n\u00f3s pr\u00f3prios, por meio da inspira\u00e7\u00e3o concentrada no sofrimento, pessoal ou alheio, e na expira\u00e7\u00e3o igualmente focalizada de votos de cura e de liberta\u00e7\u00e3o do sofrimento. Para tal \u00e9 necess\u00e1rio reconhecer que a compaix\u00e3o implica um deslocamento de perspectivas: 1) apagamo-nos face aos outros, porque afinal somos todos iguais; 2) projetamo-nos para o lugar dos outros, de modo a experienciar o sofrimento alheio.<\/p>\n<p class=\"p5\">H\u00e1 v\u00e1rios tipos de <i>tonglen, <\/i>todos eles baseados em exerc\u00edcios respirat\u00f3rios.<\/p>\n<p class=\"p5\">1) O <i>tonglen ambiental<\/i>, \u00e9 aquele que purifica a mente e a \u00abtraz para casa\u00bb. Quando se inspira, absorve-se toda a polui\u00e7\u00e3o que carregamos, quando se expira cria-se uma atmosfera mental calma, clara e alegre;<\/p>\n<p class=\"p5\">2) o <i>autotonglen<\/i> \u00e9 igualmente produtivo e implica a divis\u00e3o do eu num B negativo, frustrado ou magoado, e num A compassivo e caloroso. Na inspira\u00e7\u00e3o A abre o cora\u00e7\u00e3o ao B negativo e na expira\u00e7\u00e3o A envia a B o conforto, a felicidade e a alegria de que necessita;<\/p>\n<p class=\"p5\">3) o <i>tonglen numa situa\u00e7\u00e3o de vida<\/i>. Na inspira\u00e7\u00e3o aceita-se a responsabilidade pelos actos praticados, por piores que sejam, e na expira\u00e7\u00e3o emitem-se sentimentos de reconcilia\u00e7\u00e3o, perd\u00e3o e cura;<\/p>\n<p class=\"p5\">4) no que respeita aos bardos do passamento e do devir \u00e9 de grande utilidade a pr\u00e1tica do <i>Tongen para os outros<\/i>, quando estes est\u00e3o imersos em sofrimento e dor. Na inspira\u00e7\u00e3o o praticante assume com compaix\u00e3o a dor alheia e na expira\u00e7\u00e3o envia amor, cura e alegria para os que padecem.<\/p>\n<p class=\"p5\">A pr\u00e1tica do <i>tonglen<\/i>, por via da respira\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma maneira psicof\u00edsica de auxiliar tanto os que est\u00e3o perto como os que est\u00e3o longe, apenas por um trabalho realizado sobre o corpo e a mente do praticante.<\/p>\n<p class=\"p5\">H\u00e1, ainda, outra pr\u00e1tica mental muito importante para os bardos da morte e do devir, que se chama a transfer\u00eancia da consci\u00eancia (<i>phowa<\/i>), essencial para a identifica\u00e7\u00e3o da mente pessoal com a divina. As pr\u00e1ticas tibetanas correntes no processo de transfer\u00eancia de consci\u00eancia baseiam-se na invoca\u00e7\u00e3o do sagrado, que pode ser um buda, Deus ou a Virgem Maria; depois na focaliza\u00e7\u00e3o na mente desta presen\u00e7a sagrada e na reza. Se a presen\u00e7a sagrada se sentir tocada, enviar\u00e1 uma resposta luminosa, que tem a possibilidade de purificar e curar aquele que a recebe. Em seguida o meditador supor\u00e1 possuir um corpo de luz, que foi criado a partir da radi\u00e2ncia recebida. Este corpo luminoso ergue-se depois aos c\u00e9us, fundindo-se com a luz da presen\u00e7a sagrada.<\/p>\n<p class=\"p5\">Acresce, no entanto, que a pr\u00e1tica de transfer\u00eancia de consci\u00eancia, se fundamenta num <i>tonglen <\/i>mais radical entre a energia luminosa sagrada e a energia da mente humana. Esta \u00e9 capaz de chegar por concentra\u00e7\u00e3o a um espa\u00e7o de energia verdadeira e primordial, que se caracteriza em termos luminosos.<\/p>\n<p class=\"p5\">E porque todos os seres s\u00e3o compostos de energia, que purificada se transforma em luz, podemos influenciar muito negativamente aqueles que se preparam para atravessar bardos dolorosos, como o do passamento, ou perigosos, como o do devir.<\/p>\n<p class=\"p5\">Segundo Sogyal Rinpoche h\u00e1 tr\u00eas pr\u00e1ticas essenciais para o momento da morte:<\/p>\n<p class=\"p5\">1) Repousar na natureza da mente;<\/p>\n<p class=\"p5\">2) Transferir a consci\u00eancia (<i>phowa<\/i>)<i>; <\/i><\/p>\n<p class=\"p5\">3) Orar e aspirar a b\u00ean\u00e7\u00e3os de seres iluminados. Quem realize estas pr\u00e1ticas da Escola da Grande Perfei\u00e7\u00e3o (<i>dzogchen<\/i>)<i>,<\/i> morre como um rec\u00e9m-nascido (Sogyal,1992, 273), porque p\u00f4de praticar o yoga, que lhe permitiu e<i>jetar a consci\u00eancia e fundi-la com a mente da sabedoria de Buda<\/i> (Sogyal,1992, 275). Pela altura da morte, o buda mais invocado costuma ser Amithaba\/Amitaba, o Buda da Luz ilimitada, que preside ao Para\u00edso do Oeste.<\/p>\n<p class=\"p5\">H\u00e1 um aspecto interessante a reter. Quando este yoga espiritual da transfer\u00eancia da consci\u00eancia \u00e9 realizado com sucesso, deixa marcas f\u00edsicas, pois a fontanela volta a abrir para que a consci\u00eancia se projete: \u00abQuando a consci\u00eancia parte atrav\u00e9s da fontanela, no alto da cabe\u00e7a, diz-se que renascemos numa terra pura, onde poderemos avan\u00e7ar gradualmente para a ilumina\u00e7\u00e3o\u00bb (Sogyal, 1992, 276).<\/p>\n<p class=\"p5\">Os tibetanos consideram tamb\u00e9m que os \u00faltimos pensamentos daquele que est\u00e1 prestes a falecer v\u00e3o condicionar o seu despertar no bardo do devir ou p\u00f3s-morte. Por isso se pode dizer que a morte mais n\u00e3o \u00e9 do que a continua\u00e7\u00e3o da vida, \u00abda abertura de uma \u201cfenda\u201d ou \u201cespa\u00e7o\u201d repleto de vastas possibilidades.\u00bb (Sogyal,1992, 286). A morte \u00e9 o momento em que, segundo Padmasambhava em o <i>Livro Tibetano dos Mortos<\/i>: \u00abo nosso corpo se separa e divide em mat\u00e9ria e mente\u00bb (Sogyal, 1992,287), importando, afinal, para o bardo que se segue \u00e0quilo que a mente \u00e9, ou a realidade em que n\u00f3s fomos capazes de transformar o nosso poder mental.<\/p>\n<p class=\"p5\">O processo de morte consiste em duas fases de dissolu\u00e7\u00e3o, uma relativa ao exterior, ao corpo e aos sentidos; e outra interna, implicando os estados de pensamento, at\u00e9 ao estado de <i>rigpa<\/i>, ou seja, da consci\u00eancia desperta, traduzida em luminosidade-base ou luz-clara, que \u00e9 \u00abo grande ensejo para a liberta\u00e7\u00e3o\u00bb (Sogyal,1992,306). Esta luz \u00e9, ainda, descrita como uma luminosidade-m\u00e3e, a verdadeira mente, que estabelece contacto com a luminosidade-filha, a nossa mente, a luminosidade em que fomos transformando o nosso caminho (Sogyal,1992,309). Quem seja capaz de fundir completamente a luminosidade-m\u00e3e com a luminosidade-filha, repousa no estado da natureza mente e atinge a ilumina\u00e7\u00e3o, libertando-se da roda da exist\u00eancia ou, consoante o seu n\u00edvel de desenvolvimento, renascendo num para\u00edso buda, e assim por diante, porque h\u00e1 quem n\u00e3o consiga fundir-se com a luminosidade-base. A estes, aguarda-os o bardo seguinte, o <i>bardo <\/i>luminoso do <i>dharmata<\/i> (Sogyal,1992,321). Este bardo \u00e9 caracterizado em termos de luz e de energia, sendo \u00abpor interm\u00e9dio desta dimens\u00e3o de luz e de energia que a mente se <i>abre<\/i> a partir do seu estado mais puro, a luminosidade-base, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 sua manifesta\u00e7\u00e3o \u2013 como forma &#8211; no <i>bardo <\/i>seguinte, o do devir.\u00bb ( Sogyal, 1992,322).<\/p>\n<p class=\"p5\">Este bardo tem 4 fases, que aqui apenas ser\u00e3o enumeradas: a da paisagem de luz (pr\u00e1tica do togal); 2) a uni\u00e3o com as divindades, em que surgem bolas ou feixes de luz (<i>tickl\u00e9<\/i>), onde se formam mandalas com divindades pac\u00edficas e furiosas; 3) a sabedoria, tamb\u00e9m descrita em termos luminosos; 4) a fase final, a da presen\u00e7a espont\u00e2nea, na qual a realidade cosmol\u00f3gica tibetana se apresenta da seguinte forma:<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p6\"><span class=\"s8\"><i>Em primeiro lugar, o estado de pureza primordial surge como um c\u00e9u aberto e sem nuvens, depois aparecem as divindades pac\u00edficas e furiosas, seguidas pelos puros reinos dos budas e, abaixo destes, pelos seis reinos da exist\u00eancia sams\u00e1rica. <\/i><\/span>(Sogyal,1992,325)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p4\">Quem reconhece que a luz, os brilhos e as cores experienciadas n\u00e3o passam de <i>auto-radi\u00e2ncia <\/i>da mente desperta (<i>rigpa<\/i>) consegue a liberta\u00e7\u00e3o; a falta deste reconhecimento leva \u00e0 \u00abcontinua\u00e7\u00e3o num incontrol\u00e1vel ciclo de renascimentos\u00bb. (Sogyal,1992,327), porque no passamento, n\u00e3o se foi capaz de identificar nem a luminosidade-base, nem o <i>bardo do dharmata<\/i> \u00abque passa por n\u00f3s num rel\u00e2mpago\u00bb (Sogyal,1992,335).<\/p>\n<p class=\"p5\">O bardo do devir \u00e9 o tempo que medeia entre o despertar das nossas tend\u00eancias habituais de apego \u00e0s formas mentais e f\u00edsicas e a entrada no \u00fatero da pr\u00f3xima vida. As possibilidades para o renascimento numa s\u00e9rie de mundos s\u00e3o infinitas. Neste estado apenas temos corpo mental, definido em termos de corpo de luz.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p6\"><span class=\"s8\"><i>No bardo do devir, o nosso corpo mental tem um certo n\u00famero de caracter\u00edsticas especiais. Possui todos os sentidos. \u00c9 extremamente leve, l\u00facido e m\u00f3vel, e diz-se que a sua consci\u00eancia \u00e9 sete vezes mais clara do que em vida.\u00bb <\/i><\/span>(Sogyal, 1992,336).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p4\">Nos ensinamentos antigos <i>Dzogchen<\/i>, dizia-se que tinha as dimens\u00f5es de uma crian\u00e7a de 8 a 10 anos (Sogyal,1992,337). Para o corpo mental n\u00e3o h\u00e1 barreiras f\u00edsicas: pode ver sem ser visto e alimenta-se de odores e oferendas queimadas (Ibidem). O tempo do bardo do devir corresponde normalmente a 49 dias, com uma dura\u00e7\u00e3o m\u00ednima de uma semana, sendo, de sete em sete dias, o corpo mental compelido a passar de novo pela experi\u00eancia da morte (Sogyal,1992,338). H\u00e1, ainda, quem fique preso no bardo como esp\u00edrito ou fantasma.<\/p>\n<p class=\"p5\">Dudjom Rinpoche afirma que nos 21 primeiros dias depois da morte se mant\u00eam impress\u00f5es muito fortes das exist\u00eancias pr\u00e9vias, de maneira que \u00e9 a altura ideal para os vivos auxiliarem os mortos (Sogyal,1992,340). Fala-se tamb\u00e9m para este bardo numa \u00abrevis\u00e3o de vida\u00bb, semelhante ao julgamento <i>post-mortem<\/i>, onde a nossa boa consci\u00eancia \u00e9 um anjo branco, que nos defende, e a nossa m\u00e1 consci\u00eancia um dem\u00f3nio sombrio, que nos ataca. Tudo se passa na nossa mente. As coisas boas transformam-se em seixos brancos e as m\u00e1s em escuros, para que depois o Senhor da Morte, Yama, as some, consulte o espelho do <i>karma <\/i>e profira a senten\u00e7a que conduzir\u00e1 ao renascimento.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p6\"><span class=\"s8\"><i>No bardo do devir os reinos dos Budas n\u00e3o aparecem espontaneamente, tal como no do dharmata, mas, se nos recordamos deles, podemos transferir-nos directamente para l\u00e1, gra\u00e7as ao poder da mente, e avan\u00e7ar para a ilumina\u00e7\u00e3o. <\/i><\/span>(Sogyal,1992,342\/3)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p4\">O que somos no bardo do devir vai depender do modo como vivemos, por isso quem desenvolveu a capacidade de rezar no bardo natural, vai usufruir do seu efeito no bardo do devir, porque segundo afirma Sogyal Rinpoche: \u00abNesta vida, a ora\u00e7\u00e3o parece muitas vezes dar poucos resultados, mas os seus efeitos no <i>bardo <\/i>s\u00e3o extremamente poderosos.\u00bb (Sogyal,1992,343). As ora\u00e7\u00f5es podem-nos conduzir a um reino de Buda, ou a uma fam\u00edlia humana, que permita ao renascido continuar no bom caminho da transforma\u00e7\u00e3o espiritual<\/p>\n<p class=\"p5\">Frequentemente surgem imagens associadas ao tipo de renascimento. Diz-se que quem vai renascer como deus, se v\u00ea num pal\u00e1cio; como semideus, no meio de armas circulares de fogo rodopiantes; se for um animal, numa das casas destes; j\u00e1 um tronco de \u00e1rvore, uma floresta ou um pano tecido apontam para o renascimento como fantasma esfomeado; quem renasce no inferno parece estar a ser sugado para um po\u00e7o, uma estrada ou terra sombria; e no reino humano, d\u00e1-se um fen\u00f3meno que pode ser descrito como uma esp\u00e9cie de complexo de \u00c9dipo pr\u00e9-natal, onde se decidir\u00e1 se seremos do sexo feminino ou masculino. Determinar\u00e1 o nosso sexo o tipo de atra\u00e7\u00e3o sentida por um dos pais no momento em que copulavam.<\/p>\n<p class=\"p5\">Por fim, o mais importante na filosofia budista em geral e tibetana em particular, \u00e9 evitar o renascimento, o que poder\u00e1 ser conseguido atrav\u00e9s da recorda\u00e7\u00e3o dos ensinamentos da natureza vazia da nossa mente, com a leitura do <i>Livro Tibetano dos Mortos<\/i>, por um guia espiritual nos bardos do passamento e do devir. \u00c9, tamb\u00e9m, \u00fatil para escapar ao renascimento, o nosso corpo luminoso pensar, atrav\u00e9s do vento k\u00e1rmico, um outro nome para o sopro vital (<span class=\"s4\">\u6c14<\/span>), durante o bardo do devir, nos nossos pais potenciais como Buda, um mestre ou uma divindade <i>yidam<\/i>, com a qual nos identific\u00e1mos em vida.<\/p>\n<p class=\"p5\">Os vivos podem auxiliar os mortos recorrendo, ainda, recorde-se, ao processo y\u00f3gico de transfer\u00eancia da consci\u00eancia (<i>phowa<\/i>), mas tamb\u00e9m por meio de ora\u00e7\u00f5es e da r\u00e9cita de mantras, como o do Buda da Compaix\u00e3o, Avalokitesvara, \u00abPela J\u00f3ia do L\u00f3tus\u00bb (<i>om mani padme hum<\/i>), e a o do Buda Amitaba, da Luz Ilimitada, \u00abPor Amitaba Vermelho (<i>om ami dewa hrih<\/i>), ou seja, pelo Buda da Terra Pura do Oeste. Primeiro realizam-se as ora\u00e7\u00f5es, depois procede-se \u00e0 pr\u00e1tica da transfer\u00eancia da consci\u00eancia, aos v\u00e1rios tipos de <i>tonglen<\/i> e aos actos de caridade em nome do morto, do apoio a institui\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias e espirituais, bem como \u00e0 salva\u00e7\u00e3o da vida de animais prestes a serem abatidos, pr\u00e1tica esta muito utilizada no Tibete e nos Himalaias.<\/p>\n<p class=\"p5\">As pr\u00e1ticas budistas tibetanas citadas concretamente s\u00e3o: 1) A da leitura do <i>Livro Tibetano dos Mortos<\/i> nos 49 dias ap\u00f3s o seu falecimento para inspira\u00e7\u00e3o e orienta\u00e7\u00e3o do falecido; 2)<i> <\/i>a condu\u00e7\u00e3o dos mortos (<i>N\u00e9 dren<\/i>),<i> <\/i>3) o ritual de purifica\u00e7\u00e3o (<i>chang chok<\/i>), onde a consci\u00eancia do morto \u00e9 conduzida at\u00e9 um melhor nascimento. Quando o corpo n\u00e3o est\u00e1 presente, a consci\u00eancia do falecido \u00e9 convocada por uma imagem, que pode ser uma fotografia, denominada <i>tsenjang<\/i>. Esta fica a representar a identidade do morto. Pelo poder da medita\u00e7\u00e3o do guru ou do lama:<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p6\"><span class=\"s8\"><i>A consci\u00eancia do morto, que vagueia errante no bardo, \u00e9 chamada para o tsenjang, que representa a identidade do morto. A consci\u00eancia \u00e9 ent\u00e3o purificada; as sementes k\u00e1rmicas dos seis reinos s\u00e3o purificadas; \u00e9 dado um ensinamento como durante a vida; e o morto \u00e9 apresentado \u00e0 natureza da mente. Finalmente, efectua-se o phowa, e a consci\u00eancia do morto \u00e9 dirigida para um dos reinos de Buda. Depois, o tsenjang, que representa a identidade antiga do morto \u2013 agora posta de lado &#8211; \u00e9 queimado e o seu karma purificado.<\/i><\/span> (Sogyal, 1992, 355\/356)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p5\">Vemos ent\u00e3o como o aux\u00edlio dos vivos pode ser ben\u00e9fico para os que se encontram no <i>bardo <\/i>do devir. Eles purificam os mortos, purgando-os das seis emo\u00e7\u00f5es negativas e dos reinos de exist\u00eancia que elas criam, cumprindo actos rituais que tiveram o seu in\u00edcio no processo de crema\u00e7\u00e3o do corpo do morto. Este \u00e9 considerado o recept\u00e1culo de todo o <i>karma <\/i>negativo. E as pr\u00e1ticas de aux\u00edlio dos vivos aos mortos continuam a suceder-se semanalmente, \u00abse a fam\u00edlia puder pagar em cada um dos 49 dias.\u00bb (Sogyal, 1992,358); quem as executa s\u00e3o monges ou lamas, estes \u00faltimos, se poss\u00edvel, ainda aparentados ao falecido.<\/p>\n<p class=\"p5\">Ao morto oferecem-se luzes e ora\u00e7\u00f5es. Em cerim\u00f3nias que se repetem periodicamente. Ap\u00f3s um ano da morte do falecido, celebra-se o seu renascimento, ao que se seguem celebra\u00e7\u00f5es anuais nos anivers\u00e1rios, realizando igualmente nestas ocasi\u00f5es donativos aos pobres. N\u00e3o se esquecem os mortos, mesmo no interior de uma filosofia que em \u00faltima an\u00e1lise integra a morte num longo processo natural de vida, constitu\u00eddo por vida-morte-devir.<\/p>\n<p class=\"p5\">Como explicar o facto de os tibetanos nunca esquecerem os seus mortos (Sogyal,1992,359), quando tamb\u00e9m acreditam que renasceram aqui e ali? Tal perspectiva s\u00f3 \u00e9 compat\u00edvel com a filosofia dos cinco agregados. Eles n\u00e3o renascem com as mesmas formas f\u00edsica e ps\u00edquica e, por isso, nascem outros, garantindo a continuidade k\u00e1rmica pelo elemento mais permanente, o sopro vital ou vento k\u00e1rmico, que constitui o corpo luminoso p\u00f3s-morte, no qual energia e luz s\u00e3o um mesmo todo, cheio de possibilidades, porque deixou para tr\u00e1s a impura forma f\u00edsica.<\/p>\n<p class=\"p5\">Parece ent\u00e3o funcionar<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>no mundo espiritual, que conduz a nossa vida e morte, a mesma lei natural<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>h\u00e1 muito descoberta por Lavoisier (1743-1794): Na natureza <i>nada se perde, nada se cria, tudo se transforma.<\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>___<\/p>\n<p class=\"p12\"><b>Notas<\/b><\/p>\n<ul>\n<li class=\"p13\">1 Texto apresentado em Chin\u00eas Cl\u00e1ssico.<\/li>\n<li class=\"p13\">2 H\u00e1 duas tradu\u00e7\u00f5es importantes do Livro Tibetano dos Mortos. A primeira realizada por Gyurme Dorje em 2006 em Nova Iorque na Penguin. A segunda realizada por Paulo Borges e Rui Lopo ainda em 2006 em Lisboa na Esquilo.<\/li>\n<li class=\"p13\">3 No Tibete, o Bodhisattava indiano da Compaix\u00e3o Avalokitesvara transforma-se em Buda da Compaix\u00e3o, ainda que mantendo a figura\u00e7\u00e3o de mil olhos e bra\u00e7os, tal como na tradi\u00e7\u00e3o chinesa da representa\u00e7\u00e3o da Bodhisattva Guanyin.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p12\"><b>Bibliografia<\/b><\/p>\n<ul>\n<li class=\"p15\">Abreu, Ant\u00f3nio Gra\u00e7a de. (Org. e Trad.) (2013). <span class=\"s11\">\u300a\u9053\u5fb7\u7ecf\u300b<\/span>Tao Te Ching. Livro da Via e da Virtude. Ed. Bilingue. Lisboa: Vega.<\/li>\n<li class=\"p15\">Borges, Paulo. (2010). <i>Descobrir Buda<\/i>. Lisboa: \u00c2ncora.<\/li>\n<li class=\"p15\">Cleary, Thomas. (1991). <i>Vitality Energy Spirit<\/i>. <i>A Taoist Sourcebook<\/i>. Boston and London: Shambhala.<\/li>\n<li class=\"p15\"><i>Laozi<\/i>. (2004). <span class=\"s11\">\u300a\u9053\u5fb7\u7ecf\u300b<\/span> <i>Dao De Jing<\/i>. <i>O Livro da Via e do Poder<\/i>. Trad. de Cl\u00e1udia Ribeiro. Mem Martins: Publica\u00e7\u00f5es Europa-Am\u00e9rica.<\/li>\n<li class=\"p15\"><i>Laozi<\/i>.<span class=\"s11\">\u300a\u8001\u5b50\u300b<\/span>.(1999). Trad para Ingl\u00eas de Arthur Waley e para chin\u00eas moderno de Chen Guying. Hunan, Beijing: Hunan People\u2019s Publishing House, Foreign Language Press.<\/li>\n<li class=\"p15\">Sogyal Rinpoche. (1992). <i>O Livro Tibetano da Vida e da Morte<\/i>. Trad. de Manuel Cordeiro. Lisboa: Difus\u00e3o Cultural.<\/li>\n<li class=\"p15\"><i>Zhuangzi<\/i> <span class=\"s11\">\u300a\u5e84\u5b50\u300b<\/span>. (1999). Trad para Ingl\u00eas de Wang Rongpei e para chin\u00eas moderno de Qin Xuqing e Sun Yongchang. Hunan, Beijing: Hunan People\u2019s Publishing House, Foreign Language Press.<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] 1. A vida e morte no Tao\u00edsmo O que nos dizem os Cl\u00e1ssicos do Taoismo sobre a vida? Nos fundadores do Taoismo \u2013 Laozi (\u8001\u5b50) e Zhuangzi\u5e84\u5b50 -, a vida \u00e9 sempre pensada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 morte. 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