{"id":1281,"date":"2025-10-22T03:21:13","date_gmt":"2025-10-21T19:21:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.viadomeio.com\/?p=1281"},"modified":"2025-10-22T03:21:13","modified_gmt":"2025-10-21T19:21:13","slug":"a-ofensiva-holandesa-a-macau-e-ao-arquipelago-dos-pescadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/10\/22\/a-ofensiva-holandesa-a-macau-e-ao-arquipelago-dos-pescadores\/","title":{"rendered":"A ofensiva holandesa a Macau e ao Arquip\u00e9lago dos Pescadores"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<h3 class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><b>Realidade e \u201chist\u00f3ria contra factual\u201d<\/b><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h3><\/h3>\n<h3 class=\"p1\"><b>I<br \/>\n<\/b><b>Macau 1622<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\">O<span class=\"s1\">ano de 1622<\/span> foi uma data hist\u00f3rica para Macau, de grande import\u00e2ncia para o Estado da \u00cdndia. Marcou a tentativa holandesa de conquista da cidade, motivada pela sede expansionista de Jan Peterszoon Coen (1587\u20131629), ambicioso Governador-Geral da Companhia Neerlandesa das \u00cdndias Orientais (Vereenigde Oostindische Compagnie). Os mercadores que ent\u00e3o residiam em Macau dedicavam-se \u00e0 venda de seda da China para diferentes locais, especialmente para o Jap\u00e3o, onde obtinham enormes quantidades de prata para os seus clientes chineses de Guangzhou. Este neg\u00f3cio gerava imensos lucros, parte dos quais eram reinvestidos em Macau. Consequentemente, ao longo dos anos Macau tornou-se um porto pr\u00f3spero, despertando por este motivo a inveja dos holandeses.<\/p>\n<p class=\"p5\">A inveja foi alimentada por outro factor: A Companhia Neerlandesa das \u00cdndias Orientais, com sede em Bat\u00e1via (actual Jakarta) n\u00e3o tinha conseguido penetrar no mercado chin\u00eas. Os funcion\u00e1rios da Dinastia Ming e os mercadores tomaram conhecimento que os holandeses eram perigosos e agressivos, por isso, Guangdong e Fujian mantinham os port\u00f5es fechados e n\u00e3o os deixavam entrar. A Companhia Neerlandesa reagiu capturando barcos chineses e barcos ib\u00e9ricos e bloqueando sistematicamente os portos mais importantes. Contudo, estes actos de pirataria n\u00e3o satisfaziam a ambi\u00e7\u00e3o de Coen. Em 1622, enviou uma frota para Macau, com ordens para conquistar o entreposto portugu\u00eas. Mas o seu projecto n\u00e3o se concretizou: Quando os holandeses desembarcaram na pen\u00ednsula, encontraram uma forte resist\u00eancia e tiveram de se retirar, deixando para tr\u00e1s muitos mortos e algum equipamento militar. Os portugueses sa\u00edram vencedores do maior epis\u00f3dio da Hist\u00f3ria do Estado da \u00cdndia.<\/p>\n<p class=\"p5\">Estranhamente, os brit\u00e2nicos apoiaram a Companhia Neerlandesa atrav\u00e9s do fornecimento de navios. Embora n\u00e3o se tenham envolvido na batalha, violaram o antigo Tratado Anglo-Portugu\u00eas de 1373, como na realidade voltaram a fazer, por diversas vezes, depois de 1622. Potenciar os lucros foi sempre mais importante para os brit\u00e2nicos do que respeitar o ideal de \u201cperp\u00e9tua amizade\u201d. Infelizmente, nunca compensaram Macau pelo sofrimento que causaram aos portugueses.<\/p>\n<p class=\"p5\">N\u00e3o h\u00e1 not\u00edcia de no passado, os holandeses ou brit\u00e2nicos alguma vez terem respeitado os chineses ou os ib\u00e9ricos. Hugo Grotius (1583\u20131645), nascido numa fam\u00edlia calvinista, disse aos seus correligion\u00e1rios \u201creformistas\u201d que na Holanda as pessoas tinham o direito ao com\u00e9rcio. Se algu\u00e9m impedisse a sua actividade comercial, era leg\u00edtimo usar a for\u00e7a. Seguindo estes rigorosos princ\u00edpios, o Governador holand\u00eas em Bat\u00e1via n\u00e3o teve quaisquer escr\u00fapulos quando ordenou o ataque a barcos chineses, espanh\u00f3is e portugueses, nem quando enviou tropas da Companhia Neerlandesa invadir territ\u00f3rio estrangeiro. Os brit\u00e2nicos, nem \u00e9 preciso acrescentar, agiam de forma semelhante.<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s2\">Naturalmente, o ataque de Coen a Macau implicou um ataque dos holandeses \u00e0 China do Imperador Ming, porque a batalha teve lugar em solo chin\u00eas. Desta forma, os acontecimentos de 1622 marcaram a primeira grande batalha entre pot\u00eancias europeias na zona costeira da China. Tanto os holandeses como os brit\u00e2nicos, movidos por ambi\u00e7\u00f5es materiais, causaram desnecessariamente tumulto \u00e0s portas de Guangzhou o que alarmou as autoridades chinesas. Ou por outras palavras, a imagem que os \u201cb\u00e1rbaros de barba ruiva\u201d deixaram na China a partir dessa altura, s\u00f3 foi de mal a pior.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>II<br \/>\n<\/b><b>O Arquip\u00e9lago dos Pescadores <\/b><b>1622\u20131624<\/b><\/h3>\n<p class=\"p4\">Mas a hist\u00f3ria n\u00e3o se ficou por aqui. Coen era uma personagem implac\u00e1vel e tinha dado instru\u00e7\u00f5es para p\u00f4r em ac\u00e7\u00e3o um \u201cplano B\u201d caso o ataque a Macau falhasse. O plano alternativo era muito simples: As for\u00e7as holandesas sobreviventes deveriam ocupar o Arquip\u00e9lago dos Pescadores, ou <i>Penghu qundao<\/i> <span class=\"s3\">\u6f8e\u6e56\u7fa4\u5cf6<\/span>, no Estreito de Taiwan. Estas ilhas tinham uma posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica. Os barcos que navegavam entre Macau e o Jap\u00e3o e entre Fujian e Manila tinham de passar por l\u00e1. Ou seja, a partir do Arquip\u00e9lago dos Pescadores \u00e9 poss\u00edvel controlar uma parte substancial do com\u00e9rcio e do tr\u00e1fego feito no Estreito de Taiwan. Assim, Coen teria todo o interesse que a Companhia holandesa, que n\u00e3o se tinha conseguido estabelecer nas proximidades da China, tomasse as Ilhas dos Pescadores, uma base convenientemente localizada a meio caminho entre Bat\u00e1via e o Jap\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p5\">Registos escritos das Dinastias Song e Yuan demonstram-nos que a China come\u00e7ou a administrar o Arquip\u00e9lago dos Pescadores muito antes da chegada dos holandeses ao Sudeste Asi\u00e1tico. A arqueologia fornece ainda outras provas da presen\u00e7a de colonos chineses nestas ilhas. Ao que tudo indica, muitos deles viviam da pesca. Isso tamb\u00e9m explica o top\u00f3nimo portugu\u00eas \u201cPescadores\u201d. Al\u00e9m disso, a China tinha enviado para l\u00e1 alguns militares, principalmente para controlar o contrabando e a pirataria costeira. Claro que Coen sabia muito bem que estas ilhas pertenciam ao Imperador Ming e que se as ocupasse iria enfrentar uma forte reac\u00e7\u00e3o. Podemos ainda acrescentar: J\u00e1 em 1604, dois navios holandeses tinham aportado ao arquip\u00e9lago. Nessa altura, o comandante holand\u00eas Wijbrand van Waerwijck (cerca de 1566\/70\u20131615), insistiu em iniciar rela\u00e7\u00f5es comerciais, mas os chineses, bem informados sobre as atitudes agressivas destes h\u00f3spedes indesejados, obrigaram-nos a retirar-se.<\/p>\n<p class=\"p5\">\u00c9 claro que, quando a frota enviada por Coen chegou ao Arquip\u00e9lago dos Pescadores, ainda em 1622, a situa\u00e7\u00e3o era um pouco diferente. Desta vez, os holandeses chegaram com sete navios de guerra totalmente equipados. Por este motivo, os chineses n\u00e3o conseguiram impedi-los de desembarcar. Al\u00e9m disso, ap\u00f3s a tomada das Ilhas, a Companhia holandesa ordenou a constru\u00e7\u00e3o de uma pequena fortaleza junto \u00e0 entrada do porto de Magong <span class=\"s3\">\u99ac\u516c<\/span>, a principal ba\u00eda do arquip\u00e9lago. Mas pior ainda, os holandeses obrigaram os ilh\u00e9us a trabalhar como escravos e muitos deles pereceram. Como se n\u00e3o fosse bastante, navios holandeses bloquearam uma for\u00e7a naval Ming perto da China continental. Desta forma, Fujian ficou incapaz de ajudar os ilh\u00e9us a combater os maus tratos dos invasores. Em suma, a invas\u00e3o do Arquip\u00e9lago dos Pescadores foi, at\u00e9 agora, o epis\u00f3dio mais desagrad\u00e1vel da longa lista de confrontos sino-holandeses.<\/p>\n<p class=\"p5\">No entanto, o controlo holand\u00eas sobre o arquip\u00e9lago durou pouco tempo. Em 1623\/1624, Nan Juyi <span class=\"s3\">\u5357\u5c45\u76ca<\/span> (1565\u20131644), o Governador da Prov\u00edncia<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>(<i>xunfu <\/i><span class=\"s3\">\u5de1\u64ab<\/span>) de Fujian, reuniu v\u00e1rias tropas e navios. Estas unidades de combate navegaram atrav\u00e9s do Estreito de Taiwan e tentaram expulsar os holandeses das ilhas. Foram travadas v\u00e1rias batalhas e no final os holandeses foram obrigados a partir. Este acontecimento marcou a primeira vit\u00f3ria do ex\u00e9rcito chin\u00eas sobre um poderoso inimigo europeu. Em compara\u00e7\u00e3o, o breve encontro entre os portugueses e uma for\u00e7a chinesa no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1520 \u2013 a chamada batalha de Xicaowan <span class=\"s3\">\u897f\u8349\u7063<\/span> \u2013 foi um acontecimento pequeno e pouco significativo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>III<br \/>\n<\/b><b>Taiwan: da presen\u00e7a <\/b><b>holandesa \u00e0 governa\u00e7\u00e3o Qing<\/b><\/h3>\n<p class=\"p4\">Embora os holandeses tivessem sofrido pesadas baixas, continuaram a ser uma amea\u00e7a constante. Em vez de se retirarem para Bat\u00e1via, seguiram para Taiwan onde se estabeleceram na regi\u00e3o da actual cidade de Tainan <span class=\"s3\">\u81fa\u5357<\/span>. Esta base foi sendo gradualmente cercada por uma fortaleza, considerada resistente para os padr\u00f5es da altura, e acabou por receber o nome de Forte Zel\u00e2ndia. Era o principal reduto holand\u00eas das ilhas. As outras instala\u00e7\u00f5es eram mini-depend\u00eancias com pouca import\u00e2ncia militar. Al\u00e9m disso, os holandeses nunca conseguiram controlar as densas florestas e regi\u00f5es montanhosas do interior de Taiwan.<\/p>\n<p class=\"p5\">A presen\u00e7a da Companhia Neerlandesa nas ilhas \u00e9 um assunto sobejamente estudado, mas devemos ter cuidado com os livros e os artigos ingleses e holandeses, porque muitas vezes apresentam os acontecimentos de um ponto de vista que diverge da vis\u00e3o chinesa. Aqui pode ser suficiente dizer que os holandeses exploraram alguns dos recursos naturais de Taiwan. Um desses produtos, principalmente adquirido pelo mercado japon\u00eas, era a pele de veado. A ca\u00e7a ao veado quase levou \u00e0 extin\u00e7\u00e3o desta esp\u00e9cie na ilha. A rela\u00e7\u00e3o dos holandeses com os grupos aut\u00f3ctones e com os colonos chineses constitu\u00eda outra dificuldade. A maior parte dos colonos era proveniente de Fujian. Alguns destes migrantes cooperavam com a Companhia Neerlandesa, mas tamb\u00e9m houve per\u00edodos de dissid\u00eancia de ambos os lados. Na d\u00e9cada de 50 do s\u00e9c. XVII, as tens\u00f5es levaram a um grande massacre: os holandeses mataram milhares de chineses. Este foi o primeiro crime do g\u00e9nero cometido por uma pot\u00eancia colonial em solo chin\u00eas.<\/p>\n<p class=\"p5\">A deplor\u00e1vel actua\u00e7\u00e3o dos holandeses foi um factor importante que motivou os chineses, liderados por Zheng Chenggong <span class=\"s3\">\u912d\u6210\u529f<\/span> (1624\u20131662), a atacar o Forte Zel\u00e2ndia. Em 1661, este homem, que controlava diversos pontos ao longo da cintura costeira da China continental, enviou uma grande frota para a zona do Forte. Ap\u00f3s um prolongado cerco, as suas tropas desembarcaram, for\u00e7ando os holandeses a entregar a fortaleza. Este acontecimento teve lugar em 1662. Assim, a presen\u00e7a da Companhia Neerlandesa em Taiwan chegou ao fim em menos de quarenta anos. As for\u00e7as de Zheng tinham ganhado uma vit\u00f3ria decisiva e rapidamente transformaram Taiwan num estado mar\u00edtimo quase independente com uma ampla rede comercial, que se estendia do Jap\u00e3o a certas zonas do Sudeste Asi\u00e1tico.<\/p>\n<p class=\"p5\">No in\u00edcio da d\u00e9cada de 80 do s\u00e9c. XVII, quando a China era governada pelo Imperador Kangxi <span class=\"s3\">\u5eb7\u7199<\/span> \u2013 tropas da Dinastia Qing conquistaram Taiwan. Da\u00ed em diante, Taiwan ficou sob a administra\u00e7\u00e3o de Fujian (como j\u00e1 tinha acontecido por diversas vezes anteriormente). Foi o in\u00edcio de um longo per\u00edodo caracterizado pela estabilidade regional: a China tinha retomado o controlo sobre o Estreito de Taiwan; o poder colonial europeu estava activo no Sudeste Asi\u00e1tico, ao passo que o Mar da China Oriental lhes permanecia inacess\u00edvel. Na verdade, Taiwan serviu como uma esp\u00e9cie de barreira contra a expans\u00e3o a Norte do colonialismo europeu. Esta situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 come\u00e7ou a mudar no final do s\u00e9culo XIX, mas isso \u00e9 outra hist\u00f3ria.<\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3 class=\"p1\"><b>IV<br \/>\n<\/b><b>As poss\u00edveis consequ\u00eancias <\/b><b>de uma vit\u00f3ria holandesa em Macau<\/b><\/h3>\n<p class=\"p4\">Voltemos agora aos acontecimentos ocorridos no in\u00edcio da d\u00e9cada de 20 do s\u00e9c. XVII: ao ataque dos holandeses a Macau, \u00e0 sua breve ocupa\u00e7\u00e3o do Arquip\u00e9lago dos Pescadores e \u00e0 sua ida para Taiwan. Tudo isto aconteceu num curto per\u00edodo de dois a tr\u00eas anos, h\u00e1 cerca de quatro s\u00e9culos. Conhecemos os factos, mas, paradoxalmente, raramente consideramos a sua import\u00e2ncia num contexto mais alargado, possivelmente porque o n\u00famero de homens e navios envolvidos nestes confrontos eram irris\u00f3rios quando comparados com os grandes ex\u00e9rcitos usados em guerras de larga escala. Seja como for, \u00e0s vezes, os pequenos eventos podem mudar o curso da hist\u00f3ria. Uma forma de perceber a sua import\u00e2ncia, \u00e9 colocar uma quest\u00e3o simples: O que teria acontecido, se estes acontecimentos tivessem tido um desenvolvimento diferente, conduzindo a resultados diametralmente opostos? No contexto do presente artigo: Quais teriam sido as poss\u00edveis consequ\u00eancias de um controlo holand\u00eas permanente sobre Macau e sobre o Arquip\u00e9lago dos Pescadores?<\/p>\n<p class=\"p5\">Os historiadores raramente colocam quest\u00f5es t\u00e3o hipot\u00e9ticas. Consideram que se trata, segundo a sua designa\u00e7\u00e3o, de \u201chist\u00f3ria contra factual\u201d (do latim: <i>contra facta<\/i>), in\u00fatil e unilateral. No entanto, em certa medida, a escrita da Hist\u00f3ria \u00e9 sempre unilateral. O modelo conceptual que aplicamos ao passado depende da formata\u00e7\u00e3o do nosso pensamento. O nosso entendimento da realidade forma-se a partir dos conceitos a que estamos acostumados e envolvem as determinantes culturais que marcaram o nosso crescimento. Por isso, talvez colocarmos as quest\u00f5es \u201ce se\u201d, \u201co que podia ter sido, se outra coisa tivesse acontecido\u201d \u2013 n\u00e3o seja de todo despiciente.<\/p>\n<p class=\"p5\">Olhemos primeiro para Macau. Suponhamos que a Companhia Neerlandesa tinha expulsado os portugueses do sul da pen\u00ednsula. Teria a China reagido e enviado tropas para os escorra\u00e7ar? As rela\u00e7\u00f5es entre o Imp\u00e9rio Ming e Macau beneficiavam de confian\u00e7a m\u00fatua e de proventos materiais. Os Jesu\u00edtas na China tamb\u00e9m eram uma grande ajuda. Teriam estes factores contribu\u00eddo para um contra-ataque chin\u00eas? Provavelmente a resposta ser\u00e1 \u201csim\u201d. A China tinha tido m\u00e1s experi\u00eancias com a Companhia Neerlandesa, cujos navios circulavam no Estreito de Taiwan, assaltando in\u00fameros barcos chineses. Al\u00e9m disso, os Jesu\u00edtas e os portugueses em Macau certamente teriam avisado os seus amigos chineses, explicando-lhes a ideia que os Calvinistas tinham de \u201ccom\u00e9rcio livre\u201d. Mas teria a China vencido efectivamente a Companhia Neerlandesa? Talvez n\u00e3o de imediato. Um ou dois anos mais tarde a vit\u00f3ria de Zheng Chenggong no Forte Zel\u00e2ndia sugere que uma campanha chinesa em larga escala teria sido bem-sucedida.<\/p>\n<p class=\"p5\">Como \u00e9 que os espanh\u00f3is teriam lidado com um \u201cMacau holand\u00eas\u201d? Teriam unido for\u00e7as com os chineses contra a Companhia Neerlandesa? Nessa \u00e9poca, portugueses e espanh\u00f3is estavam unidos sob a mesma Coroa, e embora os entrepostos e possess\u00f5es coloniais continuassem na sua maioria separados, Manila e Macau estavam obrigados a ajudarem-se entre si em caso de ataques externos. Teria isso import\u00e2ncia? Ou devemos pensar num cen\u00e1rio alternativo? Ter-se-ia Espanha entendido com os holandeses e aproveitado a oportunidade para aumentar a sua influ\u00eancia sobre as miss\u00f5es Cat\u00f3licas da China continental?<\/p>\n<p class=\"p5\">Do ponto de vista puramente comercial, at\u00e9 1622 encontramos dois importantes corredores comerciais sino-ib\u00e9ricos, muito bem definidos pelo c\u00e2mbio \u201cseda por prata\u201d: (1) a liga\u00e7\u00e3o Goa-Melaka-Macau\/Guangzhou-Jap\u00e3o e (2) a liga\u00e7\u00e3o M\u00e9xico-Manila-Fujian. Teriam estes circuitos mudado para uma nova constela\u00e7\u00e3o: (1) Bat\u00e1via-Macau\/Guangzhou-Jap\u00e3o e (2) M\u00e9xico-Manila-Fujian?<\/p>\n<p class=\"p5\">Em termos log\u00edsticos, os Jesu\u00edtas em Pequim, ou em qualquer outra parte da China, dependiam de Macau. \u00c9 evidente que uma conquista holandesa de Macau teria interrompido este eixo. Por isso, se supusermos que tivesse havido um acordo entre Manila e a Companhia Neerlandesa, \u00e9 poss\u00edvel que da\u00ed tivesse surgido uma nova linha de comunica\u00e7\u00e3o: Pequim-Fujian-Manila, um eixo com consequ\u00eancias a longo prazo para a estrutura do Padroado e para os mission\u00e1rios em servi\u00e7o na China. Podemos ainda argumentar que se as miss\u00f5es sediadas na China n\u00e3o se poderiam ter deslocado numa direc\u00e7\u00e3o diferente: nesse caso, os Jesu\u00edtas e os seus ideais poderiam n\u00e3o ter sido t\u00e3o significativos.<\/p>\n<p class=\"p5\">Claro que podemos modificar este cen\u00e1rio. Suponhamos que os holandeses tinham alcan\u00e7ado os seus objetivos \u2013 mais ainda, suponhamos, que depois da conquista de Macau se tinham entendido com as autoridades de Guangzhou e, depois, ou simultaneamente, tinham impedido o interc\u00e2mbio comercial e cultural entre Manila e a China do Sul, principalmente ao tentarem expandir a sua influ\u00eancia sobre os portos de Fujian. Num tal cen\u00e1rio, os mission\u00e1rios cat\u00f3licos na China teriam ficado isolados da Europa. Teria sido dif\u00edcil ou imposs\u00edvel desenvolverem liga\u00e7\u00f5es alternativas via Yunnan e a regi\u00e3o do actual Myanmar para Goa, ou atrav\u00e9s da \u00c1sia Central e da Europa de Leste directamente para Roma. Finalmente, isoladas, as miss\u00f5es cat\u00f3licas teriam provavelmente desaparecido ap\u00f3s alguns anos.<\/p>\n<p class=\"p5\">Todos sabemos que os Jesu\u00edtas, produziram muitos textos eruditos em chin\u00eas, que circularam amplamente, mesmo at\u00e9 \u00e0 Coreia. Tudo isso teria acontecido? Teria a Igreja Ortodoxa, na sequ\u00eancia da lenta expans\u00e3o da R\u00fassia para o Pac\u00edfico, assumido a lideran\u00e7a do empreendimento europeu de cristianiza\u00e7\u00e3o da China? Ou teriam os intelectuais chineses aceitado a coopera\u00e7\u00e3o com os ide\u00f3logos Protestantes e Calvinistas? A \u00faltima possibilidade parece ser muito improv\u00e1vel, se considerarmos o facto de que grande parte da doutrina protestante n\u00e3o estar de acordo com a ideologia Confucionista. Portanto, a ideia de que a elite chinesa, ou mesmo a corte de Pequim, teria aprendido com os holandeses, ou os teria admirado, parece muito rebuscada. \u00c9 verdade que os holandeses levaram para o Jap\u00e3o conhecimentos cient\u00edficos, mas os intelectuais japoneses eram diferentes dos seus pares chineses.<\/p>\n<p class=\"p5\">Outra quest\u00e3o que se apresenta clara leva-nos de volta ao campo pol\u00edtico. A hipot\u00e9tica conquista de Macau pelos holandeses teria tornado desnecess\u00e1ria a ocupa\u00e7\u00e3o do Arquip\u00e9lago dos Pescadores. Da mesma forma, teria sido muito pouco prov\u00e1vel que a Companhia Neerlandesa se tivesse instalado em Taiwan, o que por sua vez, poderia ter tido algumas implica\u00e7\u00f5es para os espanh\u00f3is. Manila sentiu-se obrigada a estabelecer pequenas depend\u00eancias no norte de Taiwan, porque acreditava que serviriam para equilibrar a presen\u00e7a holandesa noutras partes da ilha. Se a hist\u00f3ria tivesse sido outra, provavelmente nada disso teria sido necess\u00e1rio. Finalmente, neste cen\u00e1rio alterado, a emigra\u00e7\u00e3o chinesa para Taiwan teria seguido outro rumo, e alguns dos epis\u00f3dios associados ao Imp\u00e9rio n\u00e3o teriam tido lugar. Em suma: Foi principalmente atrav\u00e9s das pot\u00eancias europeias que Taiwan foi agredida devido a um processo de globaliza\u00e7\u00e3o precoce. Na eventualidade da vit\u00f3ria holandesa em Macau, provavelmente Taiwan n\u00e3o teria passado por este per\u00edodo de instabilidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>V<br \/>\n<\/b><b>As poss\u00edveis consequ\u00eancias de uma<\/b><b>vit\u00f3ria holandesa nos Pescadores<\/b><\/h3>\n<p class=\"p4\">A China pressionou os holandeses para sa\u00edrem do Arquip\u00e9lago dos Pescadores. Suponhamos que a Companhia Neerlandesa, embora enfraquecida pela batalha de Macau, teria conseguido manter a sua posi\u00e7\u00e3o nestas ilhas. Como j\u00e1 foi dito, nesse caso, a ida para Taiwan e a constru\u00e7\u00e3o do Forte Zel\u00e2ndia n\u00e3o teria sido necess\u00e1rio. Mesmo assim, parece improv\u00e1vel que a China tivesse aceitado uma presen\u00e7a holandesa permanente perto do porto de Magong. Al\u00e9m disso, com toda a probabilidade, a Espanha teria reagido de forma semelhante. O motivo \u00e9 simples: o Arquip\u00e9lago dos Pescadores situa-se na rota entre Manila e Zhangzhou <span class=\"s3\">\u6f33\u5dde<\/span> ou Xiamen <span class=\"s3\">\u5ec8\u9580<\/span>, no Sul de Fujian (ao passo que Taiwan est\u00e1 a alguma dist\u00e2ncia deste corredor). Portanto, podemos imaginar uma s\u00e9rie de ataques conjuntos \u00e0 Companhia Neerlandesa nos Pescadores, comandados pelas for\u00e7as de Fujian e pelas for\u00e7as espanholas. Contudo, teria Portugal ajudado Espanha? Ou teria Macau preferido ficar de fora deste conflito e, em vez disso, concentrar-se na manuten\u00e7\u00e3o do seu com\u00e9rcio com o Jap\u00e3o?<\/p>\n<p class=\"p5\">Uma guerra prolongada entre a Companhia Neerlandesa e a alian\u00e7a Sino-Espanhola teria enfraquecido o papel dos holandeses no Jap\u00e3o? No in\u00edcio da d\u00e9cada de 20 do s\u00e9c. XVII, mercadores chineses, espanh\u00f3is e portugueses estavam presentes em Nagasaki; poderemos afirmar que um cerco prolongado dos Pescadores teria obrigado os holandeses a enviar mais tropas para as ilhas levando ao inevit\u00e1vel enfraquecimento da sua presen\u00e7a no Norte do Mar Oriental da China? Claro que se trata de pura especula\u00e7\u00e3o e n\u00e3o h\u00e1 respostas para esta pergunta.<\/p>\n<p class=\"p5\">Apesar de tudo, um outro aspecto parece ser certo. Uma presen\u00e7a permanente dos holandeses nos Pescadores n\u00e3o teria perturbado a log\u00edstica dos Jesu\u00edtas na China, a sua \u201cdescida\u201d para Macau e, a partir da\u00ed, para Goa e para Roma. No pior dos casos, teria perturbado a actividade dos mission\u00e1rios enviados de Manila para Fujian. Mas talvez possamos levar as coisas um pouco mais longe. Havia alguma rivalidade entre os grupos Cat\u00f3licos presentes no Extremo Oriente. Os exaltados espanh\u00f3is estavam descontentes com o Tratado de Sarago\u00e7a (1529). Alguns representantes do clero e a \u201ccomunidade\u201d mundial tinham apoiado o sonho da expans\u00e3o da influ\u00eancia espanhola a muitos pontos da \u00c1sia insular. Teriam estes sonhos sido postos de lado, de uma vez por todas? Ou teriam ressurgido e alimentado uma forte reac\u00e7\u00e3o espanhola contra a presen\u00e7a holandesa \u00e0s portas de Fujian? Al\u00e9m disso, com os holandeses a tentar cimentar as suas possess\u00f5es nos Pescadores, teria Espanha seguido a mesma pol\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o a Taiwan, que efectivamente adoptou ap\u00f3s a constru\u00e7\u00e3o do Forte Zel\u00e2ndia? Ou seja \u2013 teria Manila estabelecido algumas bases em Taiwan? Da mesma forma, teria uma ocupa\u00e7\u00e3o holandesa dos Pescadores conduzido a um padr\u00e3o diferente da migra\u00e7\u00e3o chinesa de Fujian para Taiwan? E a uma diferente distribui\u00e7\u00e3o regional destes grupos na ilha?<\/p>\n<p class=\"p5\">Mais uma vez, \u00e9 imposs\u00edvel encontrar respostas apropriadas a todas estas quest\u00f5es, mas pelo menos parece \u00fatil coloc\u00e1-las, porque sugerem que muitos acontecimentos potenciais podem ser ligados \u00e0 cadeia de eventos que ocorreram no in\u00edcio do s\u00e9culo XVII.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>VI<br \/>\n<\/b><b>Rumo a uma perspetiva <\/b><b>mais alargada<\/b><\/h3>\n<p class=\"p4\">A fim de rematar o panorama acima descrito, podemos adicionar algumas notas para uma perspectiva geo-pol\u00edtica mais ampla. A perda de Macau para os holandeses em 1622 teria sido um golpe terr\u00edvel para o Estado da \u00cdndia. Nessa altura, Macau era um dos portos mais pr\u00f3speros do Estado da \u00cdndia. Provavelmente, depois de uma ocupa\u00e7\u00e3o holandesa, alguns residentes portugueses teriam emigrado para Manila, exortando a Espanha a organizar uma campanha em larga escala contra a Companhia Neerlandesa. No entanto, \u00e9 igualmente poss\u00edvel que Goa tivesse abandonado as suas actividades no Extremo Oriente. O com\u00e9rcio continuo entre Melaka e o Jap\u00e3o teria sido arriscado e pouco lucrativo. Al\u00e9m disso, uma queda de Macau em m\u00e3os holandesas teria tido implica\u00e7\u00f5es negativas para a presen\u00e7a portuguesa na regi\u00e3o de Timor. O com\u00e9rcio florescente de s\u00e2ndalo de Timor, via Macassar (no sul de Sulawesi), para Macau, ou de Timor directamente para Macau, e da\u00ed para Guangzhou &#8211; em meados do s\u00e9c. XVII \u2013 especialmente ap\u00f3s o confinamento do Jap\u00e3o em 1639\/40 \u2013 n\u00e3o teria acontecido, ou teria tido um formato diferente.<\/p>\n<p class=\"p5\">Salientemos ainda outro aspecto: Ainda no s\u00e9c. XVI, foi proposto que Portugal se deveria focar no Brasil em vez de se tentar expandir atrav\u00e9s da vasta rede asi\u00e1tica. Existia uma constante falta de fundos, de navios e de m\u00e3o-de-obra, o que tornava dif\u00edcil a manuten\u00e7\u00e3o dessa rede. Assim sendo, uma poss\u00edvel queda de Macau para os holandeses poderia ter revitalizado esses debates e conduzido a uma \u201cdivis\u00e3o do trabalho\u201d geogr\u00e1fica na \u00c1sia insular, com Portugal a limitar o seu com\u00e9rcio \u00e0s zonas ocidentais do Oceano \u00cdndico e do Sri Lanka, e os holandeses a concentrarem as suas actividades no universo malaio, nas zonas costeiras da China e no Jap\u00e3o, e assim, tirando enormes lucros do c\u00e2mbio \u201cda seda por prata\u201d.<\/p>\n<p class=\"p5\">Finalmente, dependendo da situa\u00e7\u00e3o no Estreito de Taiwan e do comportamento dos holandeses, a Espanha provavelmente teria decidido enviar mais homens e equipamentos do M\u00e9xico para Luzon e para outros locais pr\u00f3ximos, com o prop\u00f3sito de estabilizar as suas posi\u00e7\u00f5es no Sudeste Asi\u00e1tico. \u00c9 \u00f3bvio, que tais actividades teriam implicado uma intensifica\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio e do tr\u00e1fego atrav\u00e9s do Oceano Pac\u00edfico. Aqui podemos pensar nos mercadores de Fujian e do Jap\u00e3o, nos funcion\u00e1rios, e noutras pessoas que viajavam a bordo dos navios espanh\u00f3is para o Novo Mundo. De uma forma mais geral, provavelmente a \u201cglobaliza\u00e7\u00e3o\u201d teria progredido mais rapidamente se tivesse havido uma participa\u00e7\u00e3o indirecta (ou directa) mais forte de certas regi\u00f5es asi\u00e1ticas nesse processo.<\/p>\n<p class=\"p5\">As sugest\u00f5es acima apresentadas dizem principalmente respeito ao s\u00e9culo XVII. As consequ\u00eancias a longo prazo de uma presen\u00e7a holandesa em Macau ou no Arquip\u00e9lago dos Pescadores, para l\u00e1 do s\u00e9c. XVII, s\u00e3o uma quest\u00e3o de ordem diferente. Como foi mencionado, provavelmente teria havido v\u00e1rios confrontos militares entre a Companhia Neerlandesa e a China. O s\u00e9culo XIX proporciona um cen\u00e1rio compar\u00e1vel: Nessa altura, os brit\u00e2nicos tentaram for\u00e7ar as portas da China. A primeira fase foi marcada por uma diplomacia arrogante, depois Londres usou a for\u00e7a bruta para alcan\u00e7ar os seus objectivos. O mais interessante \u00e9 que, durante estes anos, a Gr\u00e3-Bretanha tamb\u00e9m tentou engolir Macau, mas o Imp\u00e9rio Qing ficou firmemente ao lado dos portugueses. Na maior parte do tempo, as rela\u00e7\u00f5es Sino-Lusitanas eram cordiais e o passado ensinou \u00e0 China que era imposs\u00edvel estar de boas rela\u00e7\u00f5es com os grupos \u201creformistas\u201d do Nordoeste Europeu, portanto, a China apoiou Macau. Ou seja, a rela\u00e7\u00e3o indefinida entre a China e Portugal proporcionou mais estabilidade do que o Tratado Anglo-Portugu\u00eas de 1373.<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s4\">Regressemos agora \u00e0 Companhia Neerlandesa. Como j\u00e1 foi dito, \u00e9 extremamente improv\u00e1vel que se tivesse desenvolvido uma rela\u00e7\u00e3o cordial entre Pequim e Bat\u00e1via, nem no s\u00e9c. XVII nem posteriormente. Na melhor das hip\u00f3teses, podemos simplesmente imaginar a exist\u00eancia de um grande complexo urbano nos Pescadores \u2013 do g\u00e9nero de Hong Kong \u2013 com m\u00e3o de obra chinesa barata, ferozmente explorada pela elite colonial. Um local principalmente ou exclusivamente interessado no lucro, sem uma estrutura intelectual de apoio no continente compar\u00e1vel \u00e0 dos primeiros Jesu\u00edtas.<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">Admito que esta vis\u00e3o \u00e9 unilateral. A \u201cHist\u00f3ria contra factual\u201d funciona assim. N\u00e3o pode considerar todas as possibilidades. Por exemplo, podemos argumentar, os primeiros brit\u00e2nicos n\u00e3o receberam aten\u00e7\u00e3o suficiente neste artigo. No entanto, o que foi dito anteriormente mostra que podemos atribuir bastante peso aos acontecimentos do in\u00edcio do s\u00e9c. XVII, h\u00e1 quatrocentos anos. De uma forma mais geral, as guerras geralmente mudam os mapas e a rede de rela\u00e7\u00f5es internacionais. Uma longa ou permanente ocupa\u00e7\u00e3o holandesa de Macau e\/ou do Arquip\u00e9lago dos Pescadores teria alterado o curso da Hist\u00f3ria de forma significativa, possivelmente com resultados duradouros. Somos ainda tentados a prolongar esse pensamento at\u00e9 aos nossos dias e a discutir o caso de Taiwan, agora exposto a um novo poder, que se expande gradualmente atrav\u00e9s do Pac\u00edfico, impulsionado pela gan\u00e2ncia e pela cren\u00e7a na sua pr\u00f3pria superioridade, n\u00e3o muito diferente dos holandeses e dos brit\u00e2nicos dos primeiros tempos \u2013 mas claro que isso \u00e9 um assunto diferente.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] Realidade e \u201chist\u00f3ria contra factual\u201d &nbsp; I Macau 1622 Oano de 1622 foi uma data hist\u00f3rica para Macau, de grande import\u00e2ncia para o Estado da \u00cdndia. Marcou a tentativa holandesa de conquista da cidade, motivada pela sede expansionista de Jan Peterszoon Coen (1587\u20131629), ambicioso Governador-Geral da Companhia Neerlandesa das \u00cdndias Orientais (Vereenigde Oostindische Compagnie).&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":10,"featured_media":1282,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-1281","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/12-AMH-7255-KB_Dutch_in_battle_against_the_Chinese_near_Macao.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1281","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/10"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1281"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1281\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1283,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1281\/revisions\/1283"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1282"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1281"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1281"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1281"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}