{"id":1301,"date":"2025-10-22T03:45:26","date_gmt":"2025-10-21T19:45:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.viadomeio.com\/?p=1301"},"modified":"2025-10-22T03:45:26","modified_gmt":"2025-10-21T19:45:26","slug":"abertura-e-fechamento-encontros-e-desencontros-proverbiais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/10\/22\/abertura-e-fechamento-encontros-e-desencontros-proverbiais\/","title":{"rendered":"Abertura e fechamento Encontros e desencontros proverbiais"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p class=\"p1\">A <span class=\"s2\">filosofia<\/span> comparativa pode usufruir de vasta colheita caso se dedique ao campo proverbial. Aqui se encontram pontos de vista que podem contribuir n\u00e3o apenas para a filosofia como para os estudos de imagologia e os de psicologia social, atrav\u00e9s da observa\u00e7\u00e3o atenta das mentalidades.<\/p>\n<p class=\"p3\">\u00c9 interessante notar a semelhan\u00e7a de perce\u00e7\u00e3o tanto por parte dos portugueses como dos chineses relativamente ao modo como s\u00e3o aproveitados os talentos de ambas as terras. Muitos em Portugal queixam-se de serem mal aproveitados, de verem os seus filhos partirem rumo \u00e0 emigra\u00e7\u00e3o por falta de oportunidades no pa\u00eds, j\u00e1 que \u201csantos de casa n\u00e3o fazem milagres\u201d e, por isso, \u00e9 bem melhor ser-se profeta em terra alheia, porque \u201cnenhum profeta \u00e9 bem recebido em sua p\u00e1tria\u201d (Lc 4,21-30), sendo que a express\u00e3o remonta aos tempos b\u00edblicos e \u00e0 explica\u00e7\u00e3o oferecida por Jesus por n\u00e3o fazer milagres em Nazar\u00e9. Coincidentemente, os chineses possuem uma express\u00e3o proverbial de 4 caracteres e longa hist\u00f3ria, um <i>chengyu,<\/i> (<span class=\"s3\">\u6210\u8bed<\/span>ch\u00e9ngy\u01d4), que remete para os <i>Anais da Primavera e do Outono<\/i> (<span class=\"s3\">\u6625\u79cb<\/span>), um dos cinco cl\u00e1ssicos da filosofia confucionista, especificamente ao mais conhecido dos seus coment\u00e1rios,<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span><i>Coment\u00e1rio de Zuo<\/i> e ao 26\u00ba ano do Duque de Xiang<span class=\"s3\">\u300a\u5de6\u4f20<\/span> <span class=\"s3\">\u8944\u516c\u4e8c\u5341\u516d\u5e74\u300b<\/span>(<i>Zu\u01d2 chu\u00e1n xi\u0101ngg\u014dng \u00e8rsh\u00edli\u00f9 ni\u00e1n<\/i>), no qual se diz literalmente que \u201cOs talentos de Chu s\u00e3o criados neste reino, mas aproveitados por um outro<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>reino, o de Jin\u201d ( <span class=\"s3\">\u695a\u6750\u664b\u7528<\/span><i>ch\u01d4 c\u00e1i j\u00ecn y\u00f2ng<\/i>). Fica a ideia de que os oficiais de Jin n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o talentosos como os de Chu, mas talvez sejam mais espertos, porque pelo menos s\u00e3o capazes de tirar partido dos de fora. Coloca-se aqui uma quest\u00e3o interessante, em termos de certas categorias espaciais com as quais estruturamos o nosso pensamento e nos posicionamos no mundo, s\u00e3o estas as de \u201cdentro\u201d e \u201cfora\u201d, bem como as correlativas de \u201cproximidade\u201d e \u201cdist\u00e2ncia\u201d, que conduzem \u00e0s no\u00e7\u00f5es de \u201cabertura\u201d e \u201cfechamento\u201d. Parece mais f\u00e1cil compreender e aceitar, no que respeita ao talento, o que \u00e9 exterior, est\u00e1 mais longe e, de algum modo, interpela e incomoda menos.<\/p>\n<p class=\"p3\">Mas se estes pares conceptuais funcionam bem quando aplicados a seres especiais, talentos, profetas, gente fora de s\u00e9rie, a verdade \u00e9 que sofrem uma grande altera\u00e7\u00e3o de sentido se a coletividade passar a ser perspetivada como norma ou padr\u00e3o. A\u00ed h\u00e1 uma tend\u00eancia para proteger os \u201cde dentro\u201d contra os \u201cde fora\u201d, que s\u00e3o muitas vezes encarados como perigosos e disruptivos, na cultura e civiliza\u00e7\u00e3o chinesas, a atender \u00e0 abund\u00e2ncia de prov\u00e9rbios relativos aos \u201cde fora\u201d. J\u00e1 nos <i>Ritos de Zhou<\/i> <span class=\"s3\">\u300a\u5468\u793c\u300b<\/span>, obra datada de meados do s\u00e9culo II a.C, se chama a aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de questionar sobre os perigos para o pa\u00eds, as migra\u00e7\u00f5es e o governante no poder, mas especialmente para o cuidado com \u201cas migra\u00e7\u00f5es e necessidades de planeamento\u201d (<span class=\"s3\">\u8be2\u8fc1\u8be2\u8c0b <\/span><i>x\u00fan qi\u0101n x\u00fan m\u00f3u<\/i>), nem todas as mexidas e movimenta\u00e7\u00f5es relativas ao \u201cdentro\u201d ao <i>status quo<\/i>, ou ordem estabelecida, s\u00e3o boas, mas podem ser proveitosas se no relacionamento<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>do \u201cdentro\u201d com o \u201cfora\u201d, os primeiros n\u00e3o se deixarem contaminar pelos segundos e retirarem o melhor partido destes. E aqui mais uma vez portugueses e chineses concordam, em termos proverbiais, no que se refere a lisonjear ou enganar<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>os estrangeiros em proveito pr\u00f3prio, por exemplo, n\u00f3s portugueses e<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>brasileiros ludibriando os nossos mais antigos aliados na Europa, o que ficaria retido numa interpreta\u00e7\u00e3o poss\u00edvel da express\u00e3o \u201cpara Ingl\u00eas ver\u201d, a prop\u00f3sito do com\u00e9rcio de escravos com o Brasil, por volta de 1830, j\u00e1 ent\u00e3o proibido, com o nosso pr\u00f3prio consentimento, mas imediatamente contornado<sup>1<\/sup>, por estarem em jogo valores comerciais de grande peso; assim como os chineses da dinastia Qing na express\u00e3o retirada ao escritor Wu Jianren (<span class=\"s3\">\u5434\u8dbc\u4eba<\/span>, 1866-1910), em <i>Hist\u00f3ria da Dor<\/i> <span class=\"s3\">\u300a\u75db\u53f2\u300b<\/span>(<i>t\u00f2ng sh\u01d0<\/i>), que poder\u00e1 ser traduzida pela par\u00e1frase \u201clisonjear os estrangeiros para proveito pr\u00f3prio\u201d (<span class=\"s3\">\u5a9a\u5916\u6c42\u8363 <\/span><i>m\u00e8i w\u00e0i qi\u00fa r\u00f3ng<\/i>), significando numa tradu\u00e7\u00e3o literal \u201clisonja para a gl\u00f3ria\u201d.<\/p>\n<p class=\"p3\">Na opini\u00e3o de alguma desta sabedoria proverbial, em que n\u00e3o h\u00e1 fronteiras claras entre o senso comum e o saber propriamente dito, segundo muitos portugueses e chineses dos tempos antigos (e talvez alguns atuais) os \u201cde fora\u201d s\u00e3o bons para ser fintados, ludibriados ou ent\u00e3o claramente mantidos \u00e0 dist\u00e2ncia, porque quando os deixamos penetrar no espa\u00e7o interno, ou at\u00e9 \u00edntimo, as coisas podem correr mal, como se indica no dito \u201cde Espanha nem bom vento, nem bom casamento\u201d ou, de um modo menos particularizante e mais sistem\u00e1tico e generalista nos prov\u00e9rbios chineses, nos quais se condena, relativamente \u00e0 dinastia Qing, ela pr\u00f3pria alien\u00edgena, a bajula\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica dos estrangeiros, por exemplo, atrav\u00e9s de um dito c\u00e9lebre de um grande escritor chin\u00eas Mao Dun <span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>(<span class=\"s1\">\u8305\u76fe<\/span>, 1896-1981) em <i>Aprender com Luxun<\/i> <span class=\"s1\">\u300a\u5411\u9c81\u8fc5\u5b66\u4e60\u300b<\/span>(<i>Xi\u00e0ng L<\/i>\u01d4x\u00f9n<i> Xu\u00e9x\u00ed<\/i>) : \u201cvenerar e bajular o estrangeiro ( <span class=\"s1\">\u5d07\u6d0b\u5a9a\u5916<\/span><i>ch\u00f3ng y\u00e1ng m\u00e8i w\u00e0i<\/i>). Neste se condena claramente a bajula\u00e7\u00e3o ao outro e a xenofilia, que caracterizou alguns momentos importantes da hist\u00f3ria cultural chinesa na sequ\u00eancia das Guerras do \u00d3pio (1839-42; 1856-1860), ou da implanta\u00e7\u00e3o da primeira rep\u00fablica chinesa (1912- 1949), a que corresponderia o mesmo tipo de tend\u00eancia em Portugal, nomeadamente at\u00e9 meados do s\u00e9culo XX em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura francesa. Assim, a literatura estava pejada de francesismos, (como hoje o est\u00e1 de anglicismos) e as meninas educadas deviam todas saber \u201ctocar piano e falar franc\u00eas\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s2\">As tend\u00eancias de ades\u00e3o camale\u00f3nica aos \u201cde fora\u201d s\u00e3o comuns aos dois povos e prendem-se com momentos hist\u00f3ricos espec\u00edficos, nos quais existe mais proximidade a determinado pa\u00eds por raz\u00f5es din\u00e1sticas, em tempos de monarquia, ou pol\u00edticas, em tempos de rep\u00fablica.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\">N\u00e3o s\u00e3o menos evidentes as tend\u00eancias de fechamento ao outro \u00e9tnico, que pode ocorrer no interior do espa\u00e7o nacional, diversificando-se de acordo com as paisagens \u00e9tnicas e geogr\u00e1ficas. Quem n\u00e3o recorda express\u00f5es no nosso pa\u00eds como \u201cPortugal \u00e9 Lisboa e o resto \u00e9 paisagem\u201d, ou \u201cabaixo do Douro, tudo mouro\u201d?<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Neste sentido, recorde-se a respeito dos chineses mais um aforismo de Mao Dun, incorporado na sapi\u00eancia proverbial, a prop\u00f3sito da cidade de Xangai, que significa, numa tradu\u00e7\u00e3o pelo sentido, \u201cem redor \u00e9 tudo estrangeiro\u201d <span class=\"s1\">\u5341\u91cc\u6d0b\u573a<\/span> (<i>sh\u00ed l\u01d0 y\u00e1ng ch\u01ceng<\/i>), mas ao p\u00e9 da letra se traduz por \u201cdez milhas de mercado estrangeiro\u201d. Este pode ser aplicado em sentido positivo como referindo-se a um mercado pr\u00f3spero, mas tamb\u00e9m negativo, aludindo a uma cidade repleta de gente \u201cde fora\u201d, como era Xangai para muitos chineses que a viam como uma col\u00f3nia capitalista. \u00c9 preciso remontar \u00e0 \u201cinvas\u00e3o dos estrangeiros\u201d, na sequ\u00eancia das duas Guerras do \u00d3pio para entender a ace\u00e7\u00e3o negativa, a que foi empregue por Mao Dun.<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s3\">O auge da xenofobia sucede no mundo proverbial quando o estrangeiro \u00e9 identificado como o inimigo, o que se converte numa apologia do fechamento, memorizada e repetida em frases r\u00edtmicas e rimadas ao longo de gera\u00e7\u00f5es, pense-se no mundo<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>proverbial portugu\u00eas em \u201cmantenha os amigos por perto e os inimigos quanto mais longe, melhor\u201d, cuja correspond\u00eancia em chin\u00eas poder\u00e1 ser, numa tradu\u00e7\u00e3o literal, \u201cos inimigos devem manter-se afastados das fronteiras do pa\u00eds\u201d <\/span><span class=\"s4\">\u5fa1\u654c\u4e8e\u56fd\u95e8\u4e4b\u5916<\/span><span class=\"s3\"> (y\u00f9 d\u00ed y\u00fa gu\u00f3 m\u00e9n zh\u012b w\u00e0i), tornando-se o mais distantes e estranhos poss\u00edvel,<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>como sugere este dito da \u00e9poca dos Reinos combatentes, sendo um aforismo atribu\u00eddo a M\u00e2ncio (<\/span><span class=\"s4\">\u5b5f\u5b50<\/span><span class=\"s3\">), retirado do cap\u00edtulo Wan Zhang <\/span><span class=\"s4\">\u300a\u5b5f\u5b50\u00b7\u4e07\u7ae0\u300b<\/span><span class=\"s3\">da obra hom\u00f3nima, mesmo que o afastamento possa ser apenas de um dos reinos chin\u00eas para o outro, como era o caso \u00e0 \u00e9poca em que o fil\u00f3sofo e\/ou os seus disc\u00edpulos escreveram.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s2\">Quando o pensamento fechado impera, torna-se not\u00f3rio, por um lado, o enaltecimento das pol\u00edticas nacionalistas, com o consequente afastamento dos pa\u00edses estrangeiros e de todas as redes intelectuais e pol\u00edtico-comerciais \u201cde fora\u201d, por outro, o louvor daqueles que revelam amor \u00e0 p\u00e1tria at\u00e9 ao sacrif\u00edcio extremo, como bem denotam as express\u00f5es portuguesa e chinesa, de sentido id\u00eantico, \u201csacrificar-se pela p\u00e1tria\u201d (<\/span><span class=\"s5\">\u5f87\u56fd\u5fd8\u5df1<\/span><span class=\"s2\"> <i>x\u00f9n gu\u00f3 w\u00e0ng j\u01d0<\/i>). Este dito chin\u00eas surge no <i>Livro dos Song<\/i>, Biografia de Xiehui (389-426)<\/span><span class=\"s5\">\u300a\u5b8b\u4e66\u00b7\u8c22\u6666\u4f20\u300b<\/span><span class=\"s2\">(\u201c<i>S\u00f2ng sh\u016b\u00b7xi\u00e8hu\u00ecchu\u00e1n<\/i>\u201d), encontrando eco na express\u00e3o do poeta Bai Juyi (<\/span><span class=\"s5\">\u767d\u5c45\u6613<\/span><span class=\"s2\">, 772-846) da dinastia Tang em \u201csacrificar o corpo pelo pa\u00eds\u201d (<\/span><span class=\"s5\">\u5f87\u56fd\u5fd8\u8eab<\/span><span class=\"s2\"> <i>x\u00f9n gu\u00f3 w\u00e0ng sh\u0113n<\/i>). H\u00e1 ainda um outro prov\u00e9rbio chin\u00eas que de um modo n\u00e3o t\u00e3o radical, pois n\u00e3o exige o sacrif\u00edcio extremo, afasta, no entanto, os la\u00e7os com o exterior, sendo atribu\u00eddo a Hu Qi da dinastia Song (<\/span><span class=\"s5\">\u5b8b\u00b7\u80e1\u951c<\/span><span class=\"s2\">), \u201cCultiva o interior, resiste ao exterior\u201d (<\/span><span class=\"s5\">\u5185\u4fee\u5916\u6518<\/span><span class=\"s2\"> <i>n\u00e8i xi\u016b wai r\u01ceng<\/i>), numa interpreta\u00e7\u00e3o poss\u00edvel \u201colha para dentro, n\u00e3o olhes para fora\u201d.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\">Para terminar com uma nota de esperan\u00e7a no di\u00e1logo e na comunica\u00e7\u00e3o civilizacionais, oposta e complementar \u00e0 tend\u00eancia de fechamento existe outra de abertura para a qual tamb\u00e9m se encontram ditos quer em portugu\u00eas quer em chin\u00eas. Assim, em Portugal empregamos express\u00f5es que denotam a vontade de entendimento do outro e a aceita\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas culturais e costumes diferentes: \u201cem Roma s\u00ea romano\u201d e \u201c\u00e0 terra onde fores ter, faz como vires fazer\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s3\">J\u00e1 na China h\u00e1 aforismos relativos a figuras pol\u00edticas distintas dos tempos republicanos, a Liang Qichao (<\/span><span class=\"s4\">\u6881\u542f\u8d85<\/span><span class=\"s3\">, 1873-1929 ), um importante intelectual chin\u00eas dos tempos modernos,<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>muito ligado \u00e0 defesa de uma China mais aberta e comunicativa, como era proposto pelo Movimento da Nova Cultura (1915-1925) ao qual aderiu. Posto isto, n\u00e3o surpreende o seguinte dito, coletivamente apropriado,<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>\u201cportas abertas\u201d (<\/span><span class=\"s4\">\u95e8\u6237\u5f00\u653e<\/span><span class=\"s3\"><i>m\u00e9n h\u00f9 k\u0101i f\u00e0ng<\/i>), j\u00e1 que s\u00f3 com uma pol\u00edtica de abertura de portas para o mundo pode o pa\u00eds prosperar, no entender daquele que foi ministro da justi\u00e7a da Rep\u00fablica Chinesa,<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>como explicaria em<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span><i>Breve Hist\u00f3ria da Evolu\u00e7\u00e3o dos Meios de Subsist\u00eancia<\/i> <\/span><span class=\"s4\">\u300a\u751f\u8ba1\u5b66\u8bf4\u6cbf\u9769\u5c0f\u53f2\u300b<\/span><span class=\"s3\"> (\u201c<i>sh\u0113ngj\u00ec xu\u00e9shu\u014d y\u00e1ng\u00e9 xi\u01ceosh\u01d0<\/i>\u201d) , pela exposi\u00e7\u00e3o, contacto e absor\u00e7\u00e3o de novas ideias, recebidas do Ocidente, como as da promo\u00e7\u00e3o de um pensamento diferente da tradi\u00e7\u00e3o confucionista, com as caracter\u00edsticas do individualismo, da cr\u00edtica, da independ\u00eancia e da autonomia para as mulheres. Uma outra express\u00e3o que ficou incrustada no pensamento contempor\u00e2neo chin\u00eas surgiu j\u00e1 no contexto da segunda rep\u00fablica chinesa, estabelecida em 1949 pelo partido comunista chin\u00eas, e numa segunda onda de pensamento, passada a primeira vaga dos furores revolucion\u00e1rios. Os novos ventos pediam ent\u00e3o \u201creforma e abertura\u201d (<\/span><span class=\"s4\">\u6539\u9769\u5f00\u653e<\/span><span class=\"s3\"><i>G\u01ceig\u00e9 k\u0101if\u00e0ng<\/i>), ap\u00f3s o fechamento revolucion\u00e1rio que culminaria no Mao\u00edsmo (<\/span><span class=\"s4\">\u6bdb\u4e3b\u4e49<\/span><span class=\"s3\"><i>M\u00e1ozh\u01d4y\u00ec<\/i>). Esta express\u00e3o viria a ser empregue por Deng Xiaoping (<\/span><span class=\"s4\">\u9093\u5c0f\u5e73<\/span><span class=\"s3\">), a 18 de dezembro 1978, na terceira sess\u00e3o plen\u00e1ria do d\u00e9cimo primeiro Comit\u00e9 Central do PCC. Ap\u00f3s<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>o per\u00edodo ca\u00f3tico da Revolu\u00e7\u00e3o cultural (1966-1976), era preciso pensar noutros termos, serenar os \u00e2nimos e abrir a China ao exterior,<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>de modo a que os estrangeiros fossem vistos n\u00e3o como estranhos, ou no pior dos cen\u00e1rios, inimigos, mas sendo suscet\u00edveis de dialogar e contribuir para o desenvolvimento e prosperidade da China, atrav\u00e9s da compreens\u00e3o de modos de vida distintos e, sobretudo, da organiza\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica e cient\u00edfica de que dispunham.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s3\">\u201cAbertura\u201d e \u201cfechamento\u201d ligados a \u201cdist\u00e2ncia\u201d e \u201cproximidade\u201d, \u201cfora\u201d e \u201cdentro\u201d, definidos \u00e0 maneira das fronteiras, podem apresentar-se como muros, portas fechadas ou abertas, mudando consoante os tempos, a educa\u00e7\u00e3o das gentes e a mentalidade de quem ocupa o poder. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>___<\/p>\n<p class=\"p3\"><b>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/b><\/p>\n<ul>\n<li class=\"p4\">Cai Xiqin <span class=\"s7\">\u8521\u5e0c\u52e4<\/span> (Trad.).(1999). <span class=\"s7\">\u300a\u5b5f\u5b50\u300b\u5317\u4eac<\/span>:<span class=\"s7\">\u534e\u8bed\u6559\u5b66\u51fa\u7248\u793e<\/span>.<\/li>\n<li class=\"p4\">Gushiju .(2024). \u201c<span class=\"s7\">\u5173\u4e8e\u5916\u56fd\u4eba\u7684\u6210\u8bed<\/span> (12<span class=\"s7\">\u4e2a<\/span>)\u201d (Prov\u00e9rbios sobre estrangeiros)<span class=\"s7\">\u300a<\/span> <span class=\"s7\">\u53e4\u8bd7\u53e5\u7f51<\/span> \u00a92024 <span class=\"s7\">\u4eac<\/span>ICP<span class=\"s7\">\u5907<\/span>22222222<span class=\"s7\">\u53f7<\/span>-1<span class=\"s7\">\u300b<\/span> https:\/\/ww.gushiju.net\/chengyu\/k\/%E5%A4%96%E5%9B%BD%E4%BA%BA, acedido a 19 de novembro de 2024.<\/li>\n<li class=\"p4\">Ngan, Ant\u00f3nio Andr\u00e9. (1998). <i>Concord\u00e2ncia Sino-Portuguesa de Prov\u00e9rbios e Frases Idiom\u00e1ticas<\/i>. <span class=\"s7\">\u4e2d\u8461\u5c0d\u7167\u6210\u8a9e\u96c6<\/span>Macau: Associa\u00e7\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o de Adultos de Macau.<\/li>\n<li class=\"p4\">Rocha, H\u00e9lio. (2024). \u201cH\u00e1 duas vers\u00f5es para a origem da express\u00e3o \u2018para ingl\u00eas ver\u2019\u201d .Jornal Op\u00e7\u00e3o. 26\/11\/2024. https:\/\/www.jornalopcao.com.br\/colunas-geral\/memorando\/ha-duas-versoes-para-a-origem-da-expressao-para-ingles-ver-259029\/, acedido a 26 de novembro de 2024.<\/li>\n<li class=\"p4\"><span class=\"s3\">Torga, Miguel. (1967). <i>Portugal.<\/i> Coimbra: Coimbra Editora.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] A filosofia comparativa pode usufruir de vasta colheita caso se dedique ao campo proverbial. Aqui se encontram pontos de vista que podem contribuir n\u00e3o apenas para a filosofia como para os estudos de imagologia e os de psicologia social, atrav\u00e9s da observa\u00e7\u00e3o atenta das mentalidades. \u00c9 interessante notar a semelhan\u00e7a de perce\u00e7\u00e3o tanto por&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":1302,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-1301","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-pensamento"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/63.-Criancas-dinastia-Song.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1301","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1301"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1301\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1303,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1301\/revisions\/1303"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1302"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1301"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1301"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1301"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}