{"id":1310,"date":"2025-10-22T03:56:08","date_gmt":"2025-10-21T19:56:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.viadomeio.com\/?p=1310"},"modified":"2025-10-22T03:58:43","modified_gmt":"2025-10-21T19:58:43","slug":"paraisos-artificiais-os-jardins-na-literatura-chinesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/10\/22\/paraisos-artificiais-os-jardins-na-literatura-chinesa\/","title":{"rendered":"Para\u00edsos artificiais \u2013 Os jardins na literatura chinesa"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<h3 class=\"p1\" style=\"text-align: center;\">Poetas e letrados chineses sempre se sentiram atra\u00eddos pelos jardins, enquanto espa\u00e7os de frui\u00e7\u00e3o que reproduziam os conceitos e caracter\u00edsticas atribu\u00eddos ao para\u00edso. A Via do Meio apresenta alguns desses textos<span class=\"s1\">.<\/span><\/h3>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: center;\">Tradu\u00e7\u00f5es <b>Gong Yuhong &amp; Miguel Lenoir\u00a0<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>Junto ao lago<br \/>\n<\/b><span class=\"s1\">\u767d\u5c45\u6613 <\/span><b>Bai Juyi <\/b>(772\u2013846)<\/h3>\n<p class=\"p4\">A <span class=\"s3\">forma<\/span> do terreno, a \u00e1gua e a vegeta\u00e7\u00e3o contribuem para que a parte sudeste de Luoyang<sup>1<\/sup> seja a mais bela da cidade e o bairro mais bonito \u00e9 o do Caminho dos Enlaces, cujo canto noroeste \u00e9 o mais belo. A primeira casa, junto \u00e0 muralha a norte do port\u00e3o oeste, \u00e9 o local onde o velho Bai Letian [outro nome de Bai Juyi] se reformou. Tem uma superf\u00edcie de dezassete mu<sup>2<\/sup>, dos quais um ter\u00e7o \u00e9 ocupado pela habita\u00e7\u00e3o, um quinto pela \u00e1gua e um nono pelos bambus, com um lago, ilhas, pontes e caminhos. Quando Letian se tornou seu senhor, disse para si pr\u00f3prio, no meio da sua alegria:<\/p>\n<p class=\"p6\">\u201cEu tenho um jardim com um lago, mas l\u00e1 n\u00e3o se pode sobreviver sem um abastecimento de cereais.\u201d Por isso, construiu um celeiro a leste do lago. Depois disse para si pr\u00f3prio: \u201cTenho disc\u00edpulos, mas n\u00e3o tenho livros para ensinar\u201d. E construiu uma biblioteca a norte da lagoa. Depois disse para si pr\u00f3prio: \u201cTenho visitas e amigos, mas n\u00e3o tenho c\u00edtara nem vinho para os entreter\u201d. E construiu um coreto a oeste da lagoa para tocar <i>qin<\/i> e servir os jarros.<\/p>\n<p class=\"p6\">Quando Letian deixou o seu cargo de prefeito de Hangzhou, trouxe para Luoyang uma pedra do monte Tianzhu e dois grous de Huating. Foi nessa altura que construiu a ponte recta do lado oeste do lago e o passadi\u00e7o \u00e0 sua volta.<sup>3<\/sup> Quando deixou o cargo de prefeito de Suzhou, trouxe uma pedra do Lago Taihu, l\u00f3tus brancos, dois chifres de veado e um barco verde. Em seguida, construiu a ponte em arco no centro do lago que liga as tr\u00eas ilhas. Quando deixou o seu cargo de Vice-Ministro da Justi\u00e7a, regressou a casa com cinco mil alqueires de cereais, uma carro\u00e7a cheia de livros e dez jovens m\u00fasicos.<\/p>\n<p class=\"p6\"><span class=\"s4\">Antes disso, Chen Xiaoshan, de Yingchuan, tinha-lhe dado uma receita para destilar um vinho delicioso; Cui Huishu, de Boling, tinha-lhe dado um qin com um som muito puro; Jiang Fa, de Shu, tinha-lhe ensinado a melodia et\u00e9rea Pensamento de outono; Yang Zhen, de Hongnong, tinha-lhe dado tr\u00eas pedras de granito polido e uniforme onde se sentar ou deitar. No ver\u00e3o do terceiro ano da era Dahe (829), Letian foi nomeado Conselheiro do Pr\u00edncipe Herdeiro; este cargo, sem responsabilidades, permitia-lhe ficar em Luoyang e descansar junto ao lago.<\/span><\/p>\n<p class=\"p6\">Tudo o que adquiri durante as tr\u00eas fun\u00e7\u00f5es importantes que exerci, tudo o que estes quatro amigos me deram, todas estas coisas preciosas ca\u00edram nas m\u00e3os do meu eu inepto, como se fossem para o fundo do lago.<\/p>\n<p class=\"p6\">Quer a \u00e1gua seja enrugada pelo vento na primavera ou reflicta a lua no outono, quer de manh\u00e3 exale o perfume dos l\u00f3tus que se abrem, quer \u00e0 noite os grous se passeiem sob o orvalho puro, acaricio as pedras de Yang, bebo o vinho de Chen, pego no <i>qin<\/i> de Cui para tocar a \u00e1ria de Jiang, t\u00e3o tomado de felicidade que esque\u00e7o tudo o resto.<\/p>\n<p class=\"p6\"><span class=\"s4\">Embriagado, largo o <i>qin<\/i> e pe\u00e7o aos jovens m\u00fasicos para irem para o coreto da ilha do meio tocar a \u00e1ria <i>O vestido de arco-\u00edris<\/i>: a melodia flutua, levada pelo vento, ora concentrada, ora dispersa, e sobe e desce entre os bambus envoltos em n\u00e9voa e a \u00e1gua enluarada. <\/span><\/p>\n<p class=\"p6\">A can\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o tinha acabado quando Bai Letian, felizmente embriagado, adormece numa pedra. E, quando um dia acordou, improvisou algo que rimava e n\u00e3o rimava, que Agui, o seu sobrinho, transcreveu com o seu pincel. Quando viu este grande peda\u00e7o de escrita, chamou-lhe <i>Junto ao lago<\/i>:<\/p>\n<p class=\"p6\">\u201cUma casa de dez <i>mu<\/i>, um jardim de cinco, um lago, mil bambus. N\u00e3o digam que \u00e9 pequena, longe de tudo. \u00c9 suficiente para dormir e descansar. H\u00e1 v\u00e1rias salas, um quiosque, uma ponte, um barco, livros, vinho, comida, can\u00e7\u00f5es e um <i>qin<\/i>. E, no meio, um velho de barbas brancas que sabe apreciar o que tem sem procurar algo melhor l\u00e1 fora, como um p\u00e1ssaro que escolhe galhos para o seu ninho, como uma r\u00e3 no fundo de um po\u00e7o que desconhece o vasto mar. Grous maravilhosos, pedras raras, l\u00f3tus brancos, tudo o que amo est\u00e1 ali diante dos meus olhos. Por vezes, levanto a minha ch\u00e1vena ou recito um poema. A minha mulher e os meus filhos alegram-se, os galos e os c\u00e3es est\u00e3o calmos. Sinto-me t\u00e3o bem, \u00e9 aqui que quero envelhecer!\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>___<\/p>\n<ul>\n<li class=\"p8\">1. Anteriormente conhecida como a capital \u201coriental\u201d, quando a capital dos Tang era Chang\u2019an (Xian). As cidades estavam divididas em bairros rectangulares separados por muralhas.<\/li>\n<li class=\"p8\">2. O mu, que tem variado ao longo dos tempos, equivale a cerca de um d\u00e9cimo quinto de um hectare. Dezassete mu s\u00e3o, portanto, pouco mais de um hectare.<\/li>\n<li class=\"p8\">3. Suzhou continua a ser famosa pelos seus jardins. As pedras do lago Taihu, situado nas proximidades, eram as mais procuradas em todo o lado.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>O Jardim <\/b><b>do Bom Humor<\/b><span class=\"s1\"><b><sup>1<br \/>\n<\/sup><\/b><b><\/b><\/span><span class=\"s2\">\u5f35\u9cf3\u7ffc <\/span><b>Zhang Fengyi <\/b><span class=\"s3\">act.1636-1674<\/span><\/h3>\n<p class=\"p1\">A <span class=\"s2\">sul<\/span> das muralhas, existiam duas propriedades pertencentes \u00e0 fam\u00edlia Dai. Uma coube ao senhor Yang Sui\u2019an, que a transformou no Jardim da Espera da Reforma, celebrizado pelos poetas Xiya e Kongtong<sup>2<\/sup>; a outra, adquirida pelo Sr. Jin Jie\u2019an, foi deixada sem cuidados durante anos e os poucos <i>mu<\/i> voltaram a um estado selvagem, enterrados debaixo de \u00e1rvores altas. Da minha casa, teria ouvido o rugido de um b\u00fafalo e, ao passar, senti-me atra\u00eddo pelo seu mist\u00e9rio, evocativo das alegrias da paisagem.<\/p>\n<p class=\"p3\">Depois, no ver\u00e3o do ano Guimo (1583), a fam\u00edlia Jin colocou-o \u00e0 minha disposi\u00e7\u00e3o. Podei e limpei a vegeta\u00e7\u00e3o rasteira, plantei uma grande variedade de flores e centenas de \u00e1rvores, depois constru\u00ed o Quiosque do Cora\u00e7\u00e3o Distante<sup>3<\/sup>. \u00c0 direita, uma galeria curva de mais de dez v\u00e3os abriga pedras suspensas gravadas com caligrafia, algumas das quais com mais de mil anos, e ostenta a inscri\u00e7\u00e3o \u201cFloresta de Tinta e Pinc\u00e9is\u201d. Em frente \u00e0 galeria, a C\u00e2mara do Verdadeiro Cultivo, virada de norte para sul, com as suas camadas de pessegueiros esmeralda e bambus roxos, \u00e9 onde fa\u00e7o os meus filhos estudarem.<\/p>\n<p class=\"p3\">Atr\u00e1s da galeria, o Pavilh\u00e3o do Jade de Neve \u00e9 um pequeno templo onde recebo os monges apenas com uma almofada de junco, uma tigela, um sino e alguns livros budistas. O Mestre Xueliang e o meu parente Daoyun ficam por vezes aqui. A C\u00e2mara do Verdadeiro Cultivo abre-se para o Pavilh\u00e3o da Facilidade, a leste do lago. Quando a lua nova come\u00e7a a nascer, ainda escondida pelas \u00e1rvores, e as ervas selvagens se entrela\u00e7am na superf\u00edcie da \u00e1gua, o Quiosque do Cora\u00e7\u00e3o Distante, visto do pavilh\u00e3o, transporta-nos para fora do mundo e dos seus constrangimentos.<\/p>\n<p class=\"p3\">Junto ao pavilh\u00e3o, um pinheiro com mais de cem anos, um drag\u00e3o com um tronco poderoso e ramos extensos que se agita e canta ao vento como uma torrente no fundo de um vale des\u00e9rtico; chamei-lhe o Quiosque da Escuta das Ondas. Por baixo do pinheiro, grandes pedras polidas de tr\u00eas metros quadrados permitem esquecer as preocupa\u00e7\u00f5es do mundo jogando xadrez; nelas est\u00e3o gravados os caracteres \u201cgrande pinheiro\u201d e \u201crocha larga\u201d.<\/p>\n<p class=\"p3\">Xu Jin\u2019an, de Wumen, uma personagem invulgar que domina a arte de construir colinas, escolheu para mim algumas belas pedras do Taihu, que empilhou no meio do lago a diferentes alturas, num emaranhado de picos irregulares, com caminhos e passadi\u00e7os que sobem e descem, e grutas profundas; pelos seus desvios, chega-se ao topo achatado num terra\u00e7o onde se podem sentar dez pessoas. As montanhas que dominam a cidade rodeiam-na com um anel de vapores sempre mut\u00e1veis e, quando o sol brilha sobre a neve do inverno, os meus amigos e eu limpamos o p\u00f3 das nossas roupas nesta brancura sem limites. A leste do lago, imitou os contornos modelados pelo pintor Da Chi (Huang Gongwang, dos Yuan) para um rochedo com v\u00e1rias dezenas de metros de altura, construiu um Pavilh\u00e3o da Literatura no topo e colocou um quiosque na base para contrastar com a massa rochosa.<\/p>\n<p class=\"p3\">Quando tudo isto ficou conclu\u00eddo, o meu amigo Chen Congxun disse que o quiosque se assemelhava \u00e0 Fonte Fria (em Hangzhou), junto ao Monte Voador, e que se devia chamar Quiosque do Monte Voador, ao que Jin Fuyu respondeu que se assemelhava mais \u00e0s dez mil pedras do Monte Tianping (em Suzhou) e que devia ter esse nome. A discuss\u00e3o aqueceu quando Guo Wuyou, encostada a um arco de pedra e agarrada a um ramo, se riu e disse: \u201cCalma, meus senhores, n\u00e3o v\u00e3o discutir subtilezas po\u00e9ticas como no quadro <i>No Jardim Ocidental<\/i><sup>4<\/sup>! E eu acrescentei: \u201cSer\u00e1 poss\u00edvel que concordem com o nome Quiosque da Tranquilidade?\u201d Os tr\u00eas aprovaram com uma grande gargalhada. A porta das traseiras do Quiosque do Cora\u00e7\u00e3o Distante d\u00e1 para a Sala dos Peixes, com cinco compartimentos, vasta e arejada, com janelas a norte e a sul, protegida no ver\u00e3o do mais pequeno raio de sol por uma espessa folhagem.<\/p>\n<p class=\"p3\">Um dos meus amigos cobriu a parede esquerda da sala com um quadro que representa a \u00e1gua ao estilo de Sun Zhiwei (do per\u00edodo Song), levantada por ondas que saltam e que se ouvem \u00e0 noite. E, no exterior, \u00e0 esquerda da parede, encontra-se o Sal\u00e3o da Harmonia do Vazio, com uma pequena sala isolada cujo dossel projecta uma sombra verde sobre trinta ameixeiras an\u00e3s em vasos e musgos espalhados aqui e ali, numa composi\u00e7\u00e3o infinitamente variada.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s3\">A norte, separada por um muro baixo, a Cabana dos Pl\u00e1tanos cont\u00e9m um fog\u00e3o de terra. \u00c0 direita, o meu Pavilh\u00e3o dos Cris\u00e2ntemos, ladeado por uma longa galeria; cont\u00e9m tamb\u00e9m macieiras em flor e, como isso poderia prejudicar os cris\u00e2ntemos, aconselharam-me a mud\u00e1-los de lugar, ao que respondi: \u201cSer\u00e1 assim t\u00e3o incongruente juntar mulheres bonitas e nobres eruditos?\u201d Muitos visitantes do meu jardim escrevem poemas, e eu reuni-os com os meus pr\u00f3prios poemas como eco numa cole\u00e7\u00e3o \u201cinspirada\u201d<sup>5<\/sup> conservada na galeria.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">Um dos meus visitantes disse-me um dia: \u201cV\u00f3s, que tendes ideais t\u00e3o elevados como os cinco picos sagrados e pensais no bem p\u00fablico antes do vosso pr\u00f3prio, que vos rides do apego excessivo dos seus senhores aos jardins Pingquan e Wuqiao, como uma extravag\u00e2ncia, e vos distinguis pela amplitude das vossas opini\u00f5es, n\u00e3o ireis ser acometido pelo incur\u00e1vel mal da paisagem?\u201d<\/p>\n<p class=\"p3\">\u201cSim e n\u00e3o\u201d, respondi, \u201co meu jardim n\u00e3o pode ser comparado ao Monte Yan ou ao Vale do Velho Est\u00fapido6. Quando vejo os pavilh\u00f5es esguios \u00e0 volta dos quais brincam as nuvens e pergunto quem \u00e9 o dono, dizem-me que est\u00e1 retido na corte e que s\u00f3 voltar\u00e1 quando os cabelos ficarem brancos. Yang Sui\u2019an tinha um gosto pela reforma, mas durante quanto tempo poderia satisfaz\u00ea-lo? Foi chamado ao governo numa idade avan\u00e7ada e foi caluniado; ser\u00e1 que podia reformar-se quando tinha este Jardim da Espera da Reforma? H\u00e1 trinta anos que, gra\u00e7as \u00e0 liberdade que o C\u00e9u me concedeu, convivo com bebedores e poetas; passeamos nas manh\u00e3s de primavera e nas noites de outono, analisando e criticando os nossos escritos, provocando-nos mutuamente a escrever versos e a beber, jogando xadrez e cantando, sem nos apercebermos de que o orvalho est\u00e1 a diminuir e as estrelas a apagar-se. As \u00e1rvores que plantei com as minhas pr\u00f3prias m\u00e3os t\u00eam duas bra\u00e7as de altura e tocam as nuvens, e vejo os p\u00e1ssaros a sair dos ovos e a abrir as asas para cantar. Ser\u00e1 por acaso que o C\u00e9u nos concede uma felicidade que n\u00e3o esperamos?<\/p>\n<p class=\"p3\">\u201cN\u00e3o ouviste falar dos jardins de Ni Yunlin e Gu Zhongying7? Estes nobres s\u00e1bios, que deveriam ter vivido entre montanhas e vales, foram expulsos pelas guerras e reduzidos \u00e0 pobreza. (&#8230;) Agora, o imp\u00e9rio \u00e9 respeitado, a ordem e a paz reinam, at\u00e9 os mais velhos desconhecem os rigores da guerra e da lei, e pode-se passear \u00e0 noite sem ser espancado por soldados b\u00eabados. Mesmo que se corra o risco de ser preso por poemas um pouco livres demais, isso n\u00e3o tem nada a ver com o destino de Yunlin e Zhongying. O passado nunca conheceu um dia t\u00e3o misericordioso como o presente. Se eu n\u00e3o fosse feliz nestas condi\u00e7\u00f5es, quem \u00e9 que seria? Um jardim n\u00e3o passa de um bem ef\u00e9mero como as nuvens, o Pequeno Escriba amputou a sua propriedade na Colina do Tigre para construir um mosteiro e Zizhan deu o seu Sal\u00e3o de Neve na Encosta Oriental aos irm\u00e3os Jia8. \u00c9 este o curso natural das coisas, de que serve a gan\u00e2ncia insensata? Vou tomar provid\u00eancias para depois da minha morte, n\u00e3o quero que se riam de mim por ter chorado porque a paisagem me ia sobreviver\u201d.<\/p>\n<p class=\"p3\">\u201cEstou a ver\u201d, respondeu o meu visitante, \u201c\u00e9 um homem s\u00e1bio, para si este jardim \u00e9 o lugar para praticar a \u2018deambula\u00e7\u00e3o livre\u2019 segundo Zhuangzi\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>___<\/p>\n<ul>\n<li class=\"p5\">1. Literalmente, Jardim da Vontade de Alegria, uma alus\u00e3o ao tratado com o mesmo nome do tao\u00edsta Zhongchang Tong (s\u00e9culoII ), que descreve a vida num jardim.<\/li>\n<li class=\"p5\">2. Li Dongyang (1447-1516) e Li Mengyang (1473-1530).<\/li>\n<li class=\"p5\">3. 3 Alus\u00e3o a um poema de Tao Yuanming, que evoca a dist\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o ao ru\u00eddo do mundo.<\/li>\n<li class=\"p5\">4. 4 Do pintor Li Gonglin (s\u00e9culo XI ), com dezasseis personagens, incluindo Su Shi, a debater quest\u00f5es est\u00e9ticas.<\/li>\n<li class=\"p5\">5. 5 Alus\u00e3o a uma forma de adivinha\u00e7\u00e3o em que duas pessoas seguram num pau em forma de T e desenham caracteres.<\/li>\n<li class=\"p5\">6. \u201cinspirado\u201d; por extens\u00e3o, refere-se a poemas que respondem uns aos outros. O Pingquan, que Li Deyu proibiu os seus filhos de vender, e o jardim de Peidu, ambos Tang. O Yanshanyuan de Wang Shizhen (1526-1590) e o Yugonggu de Zou Diguang (ver p. 75).<\/li>\n<li class=\"p5\">7. Ni Zan (1301-1374), famoso pelo car\u00e1cter et\u00e9reo da sua pintura. Gu Dehui (tamb\u00e9m do Yuan) costumava reunir acad\u00e9micos na sua propriedade e escondia-se para n\u00e3o ocupar um lugar.<\/li>\n<li class=\"p5\">8. Wang Xun (s\u00e9c. IV ), apelidado de \u201co Pequeno Escriba\u201d devido \u00e0 sua pequena estatura, e Su Shi (ver \u201cO Jardim dos Zhang em Lingbi\u201d, p. 59; a sua alcunha Dongpo significa \u201cEncosta Oriental\u201d); diz-se que s\u00e3o os irm\u00e3os Pan e n\u00e3o Jia.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p7\"><b>O Jardim do Oriente <\/b><b>em Zhenzhou<br \/>\n<\/b><b><\/b><span class=\"s4\">\u6b50\u967d\u8129<\/span><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span><b>OUYANG Xiu <\/b>1007-1072<\/h3>\n<p class=\"p1\">Z<span class=\"s2\">henzhou<\/span> fica na conflu\u00eancia de v\u00e1rios cursos de \u00e1gua, vindos de sudeste, e controla os transportes nos rios Yangzi e Huai, nos dois Zhe e no Jinghu. O Secret\u00e1rio Shi Zhengchen e o Censor Xu Zichun est\u00e3o a\u00ed colocados, tendo como assistente o Censor Ma Zhongtu. Os tr\u00eas homens, felizes de se terem ali encontrado e conhecido, passaram os seus tempos livres a transformar um campo militar abandonado no Jardim Oriental que todos os dias visitam.<\/p>\n<p class=\"p3\">Este Outono, na oitava lua, Zichun veio \u00e0 capital em miss\u00e3o, trazendo consigo uma pintura que fizera do jardim. Ao mostrar-ma, dizia:<\/p>\n<p class=\"p3\">\u201cEste jardim cobre uma \u00e1rea de cem mu (6,5 hectares). Um rio tra\u00e7a-lhe \u00e0 frente o limite, um lago de \u00e1gua pura irriga-o a oeste e um alto terra\u00e7o ergue-se a norte. No terra\u00e7o, um quiosque esgueira-se sobre as nuvens para contemplar o c\u00e9u distante; na margem do lago, um pavilh\u00e3o flutua debru\u00e7ado sobre a \u00e1gua l\u00edmpida; no rio, um barco com um toldo colorido para nos passear.<\/p>\n<p class=\"p3\">\u201cNo centro, abrimos um espa\u00e7o onde constru\u00edmos um sal\u00e3o para receber e tratar os nossos amigos, com um campo nas traseiras onde se atira ao arco. Onde antes havia um campo de silvas afogado na n\u00e9voa fria e cinzenta, a frescura dos l\u00f3tus e dos tr\u00edbulos, o perfume das orqu\u00eddeas e das ang\u00e9licas alterna agora com sombras enla\u00e7adas das belas \u00e1rvores alinhadas ao lado destas flores requintadas.<\/p>\n<p class=\"p3\">\u201cOnde antes havia um terreno abandonado de muros em ru\u00ednas e valas alagadas, os telhados altos suportados por longas vigas reflectem agora a sua imagem na \u00e1gua iluminada pelo sol, dan\u00e7ando, mergulhando e subindo; o sossego e a calma ecoam sons distantes e atraem uma reconfortante brisa.<\/p>\n<p class=\"p3\">\u201cOnde outrora os guinchos das doninhas e de outros animais selvagens se erguiam na escurid\u00e3o das tempestades, os habitantes da cidade, homens e mulheres, agora passeiam, aproveitando a beleza dos dias ou celebrando festivais, entre c\u00e2nticos e m\u00fasica.<\/p>\n<p class=\"p3\">\u201c\u00c9 certo que n\u00e3o poup\u00e1mos esfor\u00e7os. Mas o que v\u00eaem neste quadro d\u00e1 apenas uma ideia t\u00e9nue do jardim. Quando subimos ao terra\u00e7o para contemplar o rio e as montanhas pr\u00f3ximas ou distantes, quando nos divertimos no rio seguindo os voos e os mergulhos dos peixes e das aves, a sedu\u00e7\u00e3o do que se anima em redor, a alegria de contemplar a paisagem s\u00e3o sentimentos que s\u00f3 quem experimenta conhece. Tudo o que a pintura n\u00e3o consegue representar, tamb\u00e9m n\u00e3o sou capaz de exprimir por palavras. Talvez possas tu escrever algumas palavras sobre o nosso jardim?\u201d<\/p>\n<p class=\"p3\">E Xu Zichun ainda acrescentou:<\/p>\n<p class=\"p3\">\u201cZhenzhou \u00e9 uma encruzilhada por onde passam viajantes dos quatro cantos do imp\u00e9rio; convidamo-los a partilhar os nossos prazeres, porque havemos de ser os \u00fanicos a desfrut\u00e1-los? O lago e o terra\u00e7o s\u00e3o cada vez mais elegantes, as flores e as \u00e1rvores s\u00e3o cada vez mais abundantes. N\u00e3o passa um dia sem que haja de toda a parte visitantes. N\u00e3o nos partiria o cora\u00e7\u00e3o, se n\u00f3s os tr\u00eas tiv\u00e9ssemos de deixar este s\u00edtio? E se n\u00e3o escrevermos sobre o nosso jardim, quem saber\u00e1 mais tarde ele ser obra de n\u00f3s tr\u00eas?\u201d<\/p>\n<p class=\"p3\">As elevadas qualidades destes tr\u00eas homens permitiram-lhes trabalhar em conjunto, al\u00e9m de cumprirem nos seus empregos. Eles sabem a que devem dar prioridade: asseguram a prosperidade da Corte e da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, de quem onde n\u00e3o se ouve queixas, e s\u00f3 depois relaxam, partilhando os seus prazeres com a boa gente de todo o imp\u00e9rio. Tudo isto \u00e9 admir\u00e1vel e merece ser contado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p7\"><b>A Torre de todas <\/b><b>as Possibilidades<br \/>\n<\/b><b><\/b><span class=\"s4\">\u9ad8\u6500\u9f8d <\/span><b>GAO Panlong <\/b>1562-1626<\/h3>\n<p class=\"p1\">\u00c0 <span class=\"s2\">esquerda<\/span> da minha casa sobre a \u00e1gua, existe uma torre, com cerca de dez p\u00e9s quadrados e quatro paredes fendidas por uma janela. As vistas abrangem o lago e as colinas a sul, as terras cultivadas a norte, os campos silvestres a leste e o Monte dos Nove Drag\u00f5es (Huishan) a oeste.<\/p>\n<p class=\"p3\">Quando terminou de ser constru\u00edda e subi para contemplar a vista, disse para mim pr\u00f3prio: \u201cAqui tudo \u00e9 poss\u00edvel! As montanhas trar-me-\u00e3o a calma meditativa e a \u00e1gua atrair\u00e1 o desprendimento. Poderei refrescar-me ao vento e aquecer-me ao sol, saudar a chegada da lua e festejar a sua partida com liba\u00e7\u00f5es. Serei livre, feliz, acabarei aqui os meus dias. E para exprimir o que espero, chamei-lhe a Torre de Todas as Possibilidades.<\/p>\n<p class=\"p3\">Ela substituir\u00e1 os s\u00edtios que eu gostaria de ter visitado no entusiasmo da minha juventude, as cinco montanhas sagradas e paisagens prodigiosas como a Nascente das Flores de Pessegueiro<sup>1<\/sup>. Teria gostado de ir para norte, para Yan e Zhao, para sul, para Min e Yue, e de explorar os vest\u00edgios das antigas dinastias em Lu e Qi, no centro, mas o que pude ver n\u00e3o satisfez os meus desejos.<\/p>\n<p class=\"p3\">Ser\u00e1 agora esta torre capaz de o fazer? Infelizmente, receio que seja uma ilus\u00e3o. O sofrimento vem da insatisfa\u00e7\u00e3o e a insatisfa\u00e7\u00e3o vem do facto de nem tudo ser poss\u00edvel. Se nada fosse imposs\u00edvel, n\u00e3o haveria insatisfa\u00e7\u00e3o e, portanto, n\u00e3o haveria tristeza.<\/p>\n<p class=\"p3\">As pessoas esgotam-se a garantir o alimento, mas s\u00f3 conseguem encher a barriga; esgotam-se a tentar manter uma casa, mas t\u00eam apenas algumas carpetes baratas; esgotam-se a tentar criar um belo jardim, mas s\u00f3 l\u00e1 p\u00f5em os p\u00e9s alguns dias por ano.<\/p>\n<p class=\"p3\">Qual \u00e9 o objectivo? H\u00e1 muitas paisagens bonitas debaixo do c\u00e9u, mas eu n\u00e3o posso passar os dias a passear por elas: fruo o que basta ao meu desejo. Que todas as paisagens sejam uma s\u00f3, \u00e9 poss\u00edvel na minha torre. Mas se algumas coisas s\u00e3o poss\u00edveis e outras imposs\u00edveis, \u00e9 porque ainda estamos apegados a elas. Se eu esquecer o poss\u00edvel e o imposs\u00edvel, ent\u00e3o a minha Torre de Todas as Possibilidades ser\u00e1 sup\u00e9rflua.<\/p>\n<p class=\"p5\">1. H\u00e1 uma montanha sagrada em cada dire\u00e7\u00e3o, mais uma no centro. A Nascente das Flores de Pessegueiro \u00e9 um lugar m\u00edtico, um para\u00edso perdido descrito por Tao Yuanming. Os nomes dados abaixo s\u00e3o os de estados antigos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p7\"><b>O Recinto das Flores <\/b><b>de Ameixeira<br \/>\n<\/b><b><\/b><span class=\"s4\">\u937e\u60fa<\/span> <b>Zhong Xing<\/b><span class=\"s6\">1574-1624<\/span><\/h3>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s3\">Q<\/span><span class=\"s7\">uando<\/span><span class=\"s3\"> se chega aos Tr\u00eas Wu (tr\u00eas cursos de \u00e1gua que rodeiam Suzhou), pergunta-se se ainda se estamos num rio: do barco ou da margem, s\u00f3 se v\u00eaem jardins. Jardins? Sim, jardins sobre a \u00e1gua! Sobre a \u00e1gua, na \u00e1gua, \u00e0 esquerda, \u00e0 direita, em terra\u00e7os elevados, em habita\u00e7\u00f5es escondidas, quiosques arejados, galerias sinuosas, cais horizontais, rochas verticais, flores no ch\u00e3o e p\u00e1ssaros no ar, caminhos em todas as direc\u00e7\u00f5es, tudo em jardins, nada mais que jardins. <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">Por que precisa toda a gente de um jardim? Porque o homem \u00e9 tal que, se estiver sempre no meio de jardins, j\u00e1 n\u00e3o se apercebe disso, e tem de ter o seu pr\u00f3prio jardim para saber que est\u00e1 num jardim.<\/p>\n<p class=\"p3\">Quando navego nos Tr\u00eas Wu, encontro-me sempre num jardim, sem poder conhecer todos os jardins desse jardim. Em Liangxi (Wuxi) \u00e9 o Vale do Velho Est\u00fapido de Zou, em Gusu (Suzhou) \u00e9 o Pol\u00edtico Desastrado de Xu, a Paz Celestial de Fan, a Montanha Fria de Zhao: cada pessoa que se preze tem o seu pr\u00f3prio jardim.<\/p>\n<p class=\"p3\">Mas os jardins n\u00e3o est\u00e3o apenas na \u00e1gua, ou podem estar na \u00e1gua e continuar a ser diferentes, como \u00e9 o caso do Recinto das Ameixeiras em Flor do meu amigo Xu Xuanyou. Fica em Fuli, onde Lu Guimeng da dinastia Tang viveu (no s\u00e9culo IX). Se \u00e9 diferente, \u00e9 porque se chega l\u00e1 atrav\u00e9s do rio Wusong, o \u00fanico rio dos Tr\u00eas Wus que merece esse nome.<\/p>\n<p class=\"p3\">Vim ao Recinto com Lin Maozhi no inverno do ano jiwei da era Wanli (1619) e prometi escrever uma prosa sobre este jardim, mas n\u00e3o cumpri a minha promessa at\u00e9 agora, no ano xinyou da era Tianqi (1621). Vejo-o muitas vezes na minha mente, mas n\u00e3o consigo lembrar-me de todas as suas voltas e reviravoltas, como o pintor de bambus que projecta mentalmente toda a imagem sem ser capaz de contar os n\u00f3s do caule. S\u00f3 um poema que escrevi sobre este jardim \u00e9 que o traz de volta \u00e0 mem\u00f3ria. A \u00e1gua dos Tr\u00eas Wu, que corre mais livremente em Fuli, torna-se invis\u00edvel a poucos passos do Recinto, para reaparecer no interior, onde tem de entrar por um canal subterr\u00e2neo.<\/p>\n<p class=\"p3\">Abra uma porta e estar\u00e1 no mesmo n\u00edvel que o Pavilh\u00e3o das L\u00edchias e dos Cris\u00e2ntemos<sup>1<\/sup>, depois suba uma escada sinuosa at\u00e9 ao Pavilh\u00e3o do Reflexo. N\u00e3o se v\u00ea apenas a \u00e1gua l\u00e1 em baixo: o que se avista do quiosque, o que a galeria acompanha, o que a ponte atravessa, onde as pedras sobem e descem, onde os salgueiros e os bambus se reflectem, \u00e9 \u00e1gua.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s3\">O meu poema diz: \u201cFecho a porta e domino uma corrente fria, levanto a m\u00e3o e encontro uma paisagem\u201d. Se nos virarmos nos degraus, podemos ver uma sucess\u00e3o de picos, que s\u00e3o rochas colocadas arrastadas na parte ocidental do jardim. Se deixarmos o nosso olhar vaguear ao longe, veremos \u00e1gua rodeada por uma galeria que, por sua vez, est\u00e1 rodeada de um muro. A \u00e1gua, verdejante com \u00e1rvores e plantas aqu\u00e1ticas, reflecte-se nas nossas roupas. Do outro lado do muro h\u00e1 um outro pavilh\u00e3o, solit\u00e1rio, que julgas estar ao teu alcance, mas n\u00e3o sabes como l\u00e1 chegar, porque o caminho \u00e9 tra\u00e7ado e depois desaparece. Como diz o meu poema: \u201cAvan\u00e7amos e paramos, os desvios t\u00eam os seus mist\u00e9rios.\u201d Quando se desce do pavilh\u00e3o, \u00e9 preciso ter cuidado com os p\u00e9s para n\u00e3o molhar a roupa; chega-se \u00e0 entrada da Gruta dos Perfumes, no fim da qual se atravessa uma piscina numa ponte de pedra. Depois de passar a Gruta do Pequeno Mont You, p\u00e1re no Pavilh\u00e3o da Hospitalidade, perto do Banco do Murm\u00fario do Brocado, uma rocha musgosa corro\u00edda pela \u00e1gua. <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">A galeria do outro lado da \u00e1gua \u00e9 ladeada por bambus; o ru\u00eddo e o brilho da \u00e1gua misturam-se com o canto do vento e o jogo do sol nos bambus, iluminando-os e encobrindo-os alternadamente, como evoca o poema: \u201cGaleria im\u00f3vel entre os bambus, sons e luzes que se movem ao perto e ao longe.\u201d<\/p>\n<p class=\"p3\">Virando para norte, chega-se a um quiosque triangular no cora\u00e7\u00e3o da torrente, onde o ar \u00e9 t\u00e3o fresco que parece de outono ou de inverno. Depois, siga por um beco entre sebes e, de repente, ver\u00e1 um Pavilh\u00e3o do Repouso Verde, com vista para o Pavilh\u00e3o do Reflexo e para as estranhas pedras que foram respeitosamente chamadas El\u00e3 Divino. A galeria rodeada de \u00e1gua come\u00e7a aqui; o seu nome, Galeria das Sombras Fluidas, foi desenhada por Chen Meigong.<\/p>\n<p class=\"p3\">Percorra depois a balaustrada verde e rubra at\u00e9 ao Pavilh\u00e3o Azul Celeste. Algumas dezenas de passos mais \u00e0 frente, virando para sul, a ermida dedicada a Weimoji<sup>2<\/sup> marca o centro da galeria. Vinte ou trinta passos mais \u00e0 frente, chega-se \u00e0 Ponte da Lua sobre as Ondas, com um quiosque para a contemplar. O vento anima a superf\u00edcie do lago, um espelho onde as aves do ar se misturam com os peixes da \u00e1gua.<\/p>\n<p class=\"p3\">A ponte conduz \u00e0 Sala do \u00d3cio Merecido, a mais bela sala do jardim, onde se podem sentar cem pessoas no terra\u00e7o de pedra onde se realizam concertos e festas. A noroeste, encontra-se um pequeno templo dedicado a Buda. Do Pavilh\u00e3o do Reflexo \u00e0 Sala do \u00d3cio Merecido, passa-se de um retiro escondido para um espa\u00e7o aberto, e do sal\u00e3o para o templo regressa-se ao sil\u00eancio, como se deve. O templo fica junto \u00e0 \u00e1gua, que se atravessa no Vau Flutuante Vermelho.<\/p>\n<p class=\"p3\">A norte, a Torre da Biblioteca e, um pouco mais adiante, o Santu\u00e1rio, lugar de repouso do Mestre do Jardim, ao qual s\u00f3 s\u00e3o admitidos convidados \u00edntimos. Na ribeira a leste da Sala do \u00d3cio Merecido encontra-se um quiosque denominado Lavadouro dos Tinteiros. Uma porta cortada na parede d\u00e1 acesso ao Pavilh\u00e3o do Pura \u00c1gua Profunda, que \u00e9 aquele que se v\u00ea ao longe sem saber como l\u00e1 chegar.<\/p>\n<p class=\"p3\">Deixe para tr\u00e1s todas as vistas requintadas, que se sucedem no interior, mas ao resignar-se por um momento, descobre-se uma nova paisagem, mais clara e mais ampla. Fora do pavilh\u00e3o, o bambu \u00e9 lavado pela n\u00e9voa e pela geada, as flores e os frutos s\u00e3o coloridos por nuvens iridescentes, os lagos s\u00e3o purificados pelas estrelas, e h\u00e1 uma suavidade e um brilho primaveris, mesmo no tempo frio e sombrio. O meu poema diz: \u201cEu costumava evitar o outono e o inverno para ver os jardins, mas se eles mantiverem a sua beleza, n\u00e3o importa a esta\u00e7\u00e3o do ano\u201d.<\/p>\n<p class=\"p3\">Apesar de s\u00f3 l\u00e1 ter estado uma vez, o meu cora\u00e7\u00e3o e os meus olhos falam-me de todas as suas esta\u00e7\u00f5es e gostaria de lhe chamar o Jardim das Flores Eternas. Mas, com as suas extens\u00f5es de \u00e1gua l\u00edmpida, evoca sobretudo o outono, e termina com uma Ermida do Outono em Movimento, porque o outono \u00e9 o culminar das outras esta\u00e7\u00f5es. Como j\u00e1 disse, a \u00e1gua dos Tr\u00eas Wu n\u00e3o \u00e9 mais do que jardins, mas n\u00f3s s\u00f3 vemos as cidades e as aldeias e esquecemo-nos dos jardins.<\/p>\n<p class=\"p3\">O jardim de Xuanyou \u00e9 todo \u00e1gua, mas s\u00f3 se v\u00eaem os quiosques e os pavilh\u00f5es e esquecemo-nos da \u00e1gua. \u00c1gua? Jardim? \u00c9 dif\u00edcil de dizer! O homem de lazer olha para um s\u00edtio com tranquilidade, o homem s\u00e1bio \u00e9 ex\u00edmio no seu paisagismo, o homem superior retira dele a quintess\u00eancia. Cada um v\u00ea as coisas \u00e0 sua maneira. Como diz o meu poema: \u201cVemos o \u00f3cio nestas pontes e nestes quiosques? Podes ser ocioso e competente, eles n\u00e3o est\u00e3o l\u00e1 por acaso.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>__<\/p>\n<ul>\n<li class=\"p5\">1. Alus\u00e3o liter\u00e1ria (a Lu Guimeng, que a\u00ed viveu, e a Su Shi) a uma vida frugal e feliz.<\/li>\n<li class=\"p5\">2. Weimoji, um eremita que se diz ter tido uma conversa com o Buda.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>O Jardim da Floresta <\/b><b>Florescente<br \/>\n<\/b><span class=\"s1\">\u9148\u9053\u5143 <\/span><b>Li Daoyuan <\/b><span class=\"s2\">472-527<\/span><\/h3>\n<p class=\"p4\">N<span class=\"s3\">os Anais<\/span> da Primavera-Outono de Wei, de Sun Sheng, est\u00e1 escrito: \u201cNo primeiro ano da era Jingchu (237), o imperador Ming quis construir um pal\u00e1cio com quiosques e pavilh\u00f5es, decorados com motivos esculpidos. Mandou trazer quartzo leitoso, roxo e pedras com veios de todas as cores das montanhas Taihang e Gucheng para construir o Monte Jingyang no Jardim da Floresta Florescente. Em seguida, mandou plantar pinheiros, bambus e outras plantas e reuniu animais com pelo e penas. Centenas de oper\u00e1rios revezaram-se na execu\u00e7\u00e3o dos trabalhos, o pr\u00f3prio Imperador veio cavar a terra com toda a sua comitiva e s\u00f3 os Tr\u00eas Dignit\u00e1rios puderam evitar a tarefa\u201d.<\/p>\n<p class=\"p6\">A leste da montanha corria um curso de \u00e1gua, o Jiujiang, que Lu Ji<sup>1<\/sup> descreve na sua Nota sobre Luoyang: \u201cO Jiujiang \u00e9 tamb\u00e9m chamado o Rio Redondo; no seu centro ergue-se um terra\u00e7o redondo perfurado em tr\u00eas s\u00edtios para permitir a circula\u00e7\u00e3o da \u00e1gua.\u201d E o poema <i>A Capital Oriental<\/i><sup>2<\/sup> diz: \u201cNos Jardins do Drag\u00e3o Lavado e na Floresta Florida, os oito riachos dos nove vales estavam cobertos de l\u00f3tus e as encostas enterradas sob orqu\u00eddeas.\u201d Actualmente, a montanha n\u00e3o \u00e9 mais do que um monte solit\u00e1rio e n\u00e3o h\u00e1 vest\u00edgios de um rio.<\/p>\n<p class=\"p6\">Mais a leste, um bra\u00e7o do rio Gu entra no Jardim da Floresta Florescente e atravessa-o a sul da horta do centro; este rodeia um antigo po\u00e7o revestido de pedras lisas como o jade, com uma cobertura de pedras com veios de fino acabamento que conserva uma eterna juventude.<\/p>\n<p class=\"p6\">Depois, o rio corre para sul at\u00e9 ao Pal\u00e1cio de Jade e para norte at\u00e9 ao Monte Jingyang. No Monte Jingyang, um quiosque imperial domina uma \u00e1rea esculpida numa bacia quadrada, sobre a qual se ergue um trono de pedra com um pequeno Monte Penglai, a Ilha dos Imortais, \u00e0 sua frente. A \u00e1gua do canal sinuoso (utilizado para fazer flutuar as ta\u00e7as<sup>3<\/sup>) aproxima-se tanto das esteiras onde est\u00e3o sentados os bebedores que os salpica.<\/p>\n<p class=\"p6\">A sul, encontram-se os alvos para atirar setas e a c\u00e2mara do tesouro, encostada \u00e0 montanha. Um caminho de pedra \u00edngreme parte, a partir do quiosque, ao assalto de um penhasco que surge como obst\u00e1culo, a terra\u00e7os empoleirados nas nuvens e ao vento entre picos pontiagudos ou arredondados. Os caminhantes que sobem e descem por entre as constru\u00e7\u00f5es a\u00e9reas, entram e saem por escadarias. Arco-\u00edris, parecem os patos selvagens que mergulham ou f\u00e9nices que levantam v\u00f4o.<\/p>\n<p class=\"p6\">Por todo o lado, a \u00e1gua, sempre em movimento, jorra sobre as margens altas, cai em cascatas, curva-se em torno de ilhotas. Bambus e ciprestes sombreiam os afloramentos rochosos, arbustos em flor amontoam-se \u00e0 volta das fontes, a brisa que os acaricia transporta o seu perfume para o ar circundante: este \u00e9 verdadeiramente um lugar feito para deuses! (&#8230;)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>__<\/p>\n<ul>\n<li class=\"p8\">1. Lu Jin (261-303), autor de um famoso poema sobre literatura.<\/li>\n<li class=\"p8\">2. A Capital oriental. Por Zhang Heng (78-139), astr\u00f3nomo e escritor. dente. Luoyang situava-se a leste de Chang&#8217;an (Xian), a anterior capital.<\/li>\n<li class=\"p8\">3. Flutuar copos. Originalmente um ritual de purifica\u00e7\u00e3o, tornou-se um jogo para beber em companhia. Para o efeito, foram constru\u00eddos canais sinuosos.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>O Jardim da Alegria <\/b><b>N\u00e3o Correspondida<br \/>\n<\/b><b><\/b><span class=\"s1\">\u53f8\u99ac\u5149<\/span> <b>Sima Guang <\/b>1019-1086<\/h3>\n<p class=\"p4\">M<span class=\"s3\">engzi<\/span><sup>1<\/sup> disse: \u201cA alegria de ouvir m\u00fasica sozinho n\u00e3o vale a alegria de a ouvir com outros, e \u00e9 ainda maior partilhada com muitos outros.\u201d Esta \u00e9 uma alegria feita para reis e nobres, n\u00e3o para os pobres e humildes. Kongzi<sup>2<\/sup> disse: \u201cPode-se subsistir de legumes e \u00e1gua, dormir com o bra\u00e7o como travesseiro e experimentar a alegria\u201d e \u201cYan Hui alimenta-se de um pouco de gr\u00e3o e de uma caba\u00e7a de \u00e1gua e isso n\u00e3o lhe retira a alegria.\u201d<\/p>\n<p class=\"p6\">Esta \u00e9 uma alegria feita para os grandes s\u00e1bios e n\u00e3o para gente rude. Os p\u00e1ssaros constroem os seus ninhos num \u00fanico ramo da floresta, os ratos enchem a barriga com um gole de \u00e1gua do rio<sup>3<\/sup>. Cada um pode ser feliz tirando o m\u00e1ximo partido da sua sorte, e \u00e9 assim que o Velho Andarilho que eu sou encontra a sua alegria.<\/p>\n<p class=\"p6\">O Velho Andarilho instalou-se em Luoyang no quarto ano da era Xining (1071). Dois anos mais tarde, comprou vinte <i>mu<\/i> de campos a norte do Bairro dos S\u00e1bios Respeitados para os transformar num jardim.<\/p>\n<p class=\"p6\">No meio, havia uma grande sala onde tinha reunido cinco mil livros, chamada Biblioteca. A casa de habita\u00e7\u00e3o situava-se a sul desta sala. A \u00e1gua atravessa o subsolo para o norte; \u00e9 recolhida, por cinco canais em \u201cgarra de tigre\u201d, numa bacia central de um metro quadrado e profundo, depois corre para os degraus a norte e cai no p\u00e1tio por um canal em \u201ctromba de elefante\u201d. A\u00ed divide-se em dois canais que se juntam a noroeste do p\u00e1tio, seguindo cada um deles metade da circunfer\u00eancia do p\u00e1tio. Esta \u00e9 a Galeria dos Jogos Aqu\u00e1ticos.<\/p>\n<p class=\"p6\">A norte do grande sal\u00e3o, h\u00e1 um lago com uma ilha no meio, redonda como um disco de jade, com trinta p\u00e9s de circunfer\u00eancia, plantada com bambus, cujos topos formam uma cabana, chamada Ermida do Pescador. A norte da lagoa, um edif\u00edcio de seis colunas, com paredes de colmo para evitar o calor, uma porta a leste e v\u00e1rias janelas a norte e a sul para deixar entrar o vento. Rodeado de bambus, \u00e9 um ref\u00fagio de frescura e foi baptizado de Est\u00fadio da Cultura do Bambu.<\/p>\n<p class=\"p6\">A leste do lago, o terreno est\u00e1 dividido em cento e vinte parcelas de plantas simples cultivadas, cujos nomes est\u00e3o inscritos. \u00c9 prolongado a norte por uma planta\u00e7\u00e3o de bambus, quadrada como um tabuleiro de xadrez, com tr\u00eas metros de cada lado; ligados pelo topo, formam uma casa, com uma estreita alameda de bambus \u00e0 frente, que parece uma galeria que plantas medicinais misturadas com trepadeiras cobrem e cercam como uma sebe. Este \u00e9 o Jardim da Recolha das Coisas Simples.<\/p>\n<p class=\"p6\">A sul do jardim, s\u00e3o cultivados seis canteiros, em grupos de dois, com pe\u00f3nias herb\u00e1ceas e arb\u00f3reas e outras flores, mas com apenas duas plantas de cada, o suficiente para as distinguir e observar. A norte dos canteiros, existe um quiosque de rega de flores. A cidade de Luoyang n\u00e3o fica longe das montanhas, mas estas est\u00e3o rodeadas de uma vegeta\u00e7\u00e3o muito densa que, por vezes, torna imposs\u00edvel a sua observa\u00e7\u00e3o. Por esta raz\u00e3o, foi constru\u00eddo no jardim um terra\u00e7o encimado por um pavilh\u00e3o, de onde se pode ver o Monte Wanshou, o Monte Xuanyuan e at\u00e9 o Monte Taishi (Songshan); \u00e9 o chamado Terra\u00e7o da Vista das Montanhas.<\/p>\n<p class=\"p6\">O Velho Anadarilho passa a maior parte dos seus dias na sua biblioteca. Os seus mestres s\u00e3o os santos da antiguidade e os seus amigos s\u00e3o os s\u00e1bios; procura compreender a origem dos sentimentos de humanidade e de justi\u00e7a, as liga\u00e7\u00f5es entre os ritos e a m\u00fasica; desde o tempo em que nada tinha tomado forma at\u00e9 ao infinito nas quatro direc\u00e7\u00f5es, o princ\u00edpio que rege as dez mil formas de exist\u00eancia<sup>4<\/sup> est\u00e1 concentrado diante dos seus olhos. Se ele se sente insatisfeito, \u00e9 porque n\u00e3o foi suficientemente longe no seu estudo, mas que ajuda pode ele esperar dos homens e do mundo?<\/p>\n<p class=\"p6\">Quando se sente cansado do corpo e da mente, pega na sua cana para pescar ou arrega\u00e7a as mangas para colher plantas isoladas, cavar valetas para regar as flores, podar bambus com um machado. Depois, refresca-se com \u00e1gua e lava as m\u00e3os, sobe onde a vista \u00e9 bela e deixa os seus passos e pensamentos vaguearem \u00e0 vontade. Ao luar ou sob a brisa, caminha ou p\u00e1ra sem outra raz\u00e3o que n\u00e3o seja a sua, dono exclusivo do que v\u00ea, ouve e sente, sozinho e feliz por isso, incapaz de imaginar que haja entre o c\u00e9u e a terra alegrias iguais \u00e0s suas. Foi por isso que chamou ao seu jardim o Jardim das Alegrias N\u00e3o Partilhadas.<\/p>\n<p class=\"p6\">Alguns dir\u00e3o ao Velho Andarilho: \u201cEnsinaram-me que um homem honesto deve partilhar as suas alegrias com os outros. Ser\u00e1 que se pode desfrutar delas sozinho, como tu fazes?\u201d Ao que ele respondeu: \u201cPode um velho est\u00fapido ser comparado a um homem honesto? Pode uma alegria t\u00e3o pobre ser partilhada? Ela reside em coisas humildes e frustrantes que o mundo despreza. Mesmo que eu quisesse partilh\u00e1-la, ningu\u00e9m a quereria, porqu\u00ea imp\u00f4-la aos outros? Mas se houvesse algu\u00e9m que a quisesse saborear comigo, eu oferecia-lha com uma v\u00e9nia baixa, como poderia guard\u00e1-la s\u00f3 para mim?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>____<\/p>\n<ul>\n<li class=\"p7\">1. Cl\u00e1ssico confuciano do s\u00e9culoII a.C. A cita\u00e7\u00e3o foi ligeiramente modificada.<\/li>\n<li class=\"p7\">2. Conf\u00facio (551-479). Cita\u00e7\u00f5es dos seus Analectos.<\/li>\n<li class=\"p7\">3. Cita\u00e7\u00e3o livre do cl\u00e1ssico tao\u00edsta Zhuangzi (s\u00e9culo II a.C.).<\/li>\n<li class=\"p7\">4. Conceito essencial do neo-confucionismo Song. \u00c9 a base da unidade do mundo, da qual cada ser ou coisa \u00e9 um fragmento.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>O Jardim <\/b><b>do Passeio Ocidental<br \/>\n<\/b><span class=\"s1\">\u694a\u8852\u4e4b <\/span><b>YANG Xuanzhi <\/b>s\u00e9c. VI<\/h3>\n<p class=\"p4\">A<span class=\"s3\"> norte<\/span> do beco que se seguia depois de passar a Porta dos Mil Outonos do Pal\u00e1cio Imperial, encontrava-se o Jardim do Passeio Ocidental. No jardim encontrava-se o Terra\u00e7o das Nuvens Puras, constru\u00eddo pelo Imperador Wen dos Wei<sup>1<\/sup>; no terra\u00e7o havia um po\u00e7o octogonal, a norte do qual Gao Zu<sup>2<\/sup> construiu a Torre do Vento Puro, do cimo da qual se avistava o rio Luo.<\/p>\n<p class=\"p6\">No sop\u00e9 do terra\u00e7o, encontrava-se a Bacia Curva Verde-Mar e, a leste, a Torre da Benevol\u00eancia Universal, com cem p\u00e9s de altura, e a leste da torre, para a pesca, um terra\u00e7o feito inteiramente de madeira, que se elevava duzentos p\u00e9s acima da \u00e1gua.<\/p>\n<p class=\"p6\">O vento soprava pelas portas e janelas, as nuvens erguiam-se das vigas, havia imortais pintados entre as colunas p\u00farpura ou esculpidas. Uma pedra foi talhada na forma de uma baleia, em cujo dorso uma barca de pesca parecia elevar-se da \u00e1gua e depois descer do ar.<\/p>\n<p class=\"p6\">A sul do terra\u00e7o, o Sal\u00e3o da Plena Claridade; a norte, o Sal\u00e3o da Felicidade Perfeita; a oeste, o Sal\u00e3o dos Nove Drag\u00f5es e, \u00e0 sua frente, nove drag\u00f5es cuspiam \u00e1gua na piscina. Estes, juntamente com a Torre da Benevol\u00eancia Universal, estavam ligados ao Terra\u00e7o do Cogumelo por galerias a\u00e9reas. Era aqui que o imperador se refrescava durante a can\u00edcula.<\/p>\n<ul>\n<li class=\"p7\">1. Cao Pi (r. 220-226), filho do famoso Cao Cao, poeta e estratega dos Tr\u00eas Reinos.<\/li>\n<li class=\"p7\">2. Imperador Xiaowen (471-499) do Wei do Norte (a distinguir do Wei fundado por Cao dos Tr\u00eas Reinos).<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] Poetas e letrados chineses sempre se sentiram atra\u00eddos pelos jardins, enquanto espa\u00e7os de frui\u00e7\u00e3o que reproduziam os conceitos e caracter\u00edsticas atribu\u00eddos ao para\u00edso. A Via do Meio apresenta alguns desses textos. Tradu\u00e7\u00f5es Gong Yuhong &amp; Miguel Lenoir\u00a0 &nbsp; &nbsp; Junto ao lago \u767d\u5c45\u6613 Bai Juyi (772\u2013846) A forma do terreno, a \u00e1gua e a&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":12,"featured_media":1311,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-1310","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-literatura"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/76-FS-6914_03.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1310","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/12"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1310"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1310\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1315,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1310\/revisions\/1315"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1311"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1310"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1310"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1310"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}