{"id":1370,"date":"2025-10-22T05:13:56","date_gmt":"2025-10-21T21:13:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.viadomeio.com\/?p=1370"},"modified":"2025-10-22T05:13:56","modified_gmt":"2025-10-21T21:13:56","slug":"uma-perspectiva-filosofica-sobre-a-nova-rota-maritima-da-seda-e-o-principio-da-conectividade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/10\/22\/uma-perspectiva-filosofica-sobre-a-nova-rota-maritima-da-seda-e-o-principio-da-conectividade\/","title":{"rendered":"Uma Perspectiva Filos\u00f3fica sobre a Nova Rota Mar\u00edtima da Seda e o Princ\u00edpio da Conectividade"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>1. As Antigas Rotas da Seda<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\">D<span class=\"s1\">uas rotas<\/span> ligaram a dinastia Han ao Ocidente a partir do s\u00e9culo II a.C. a Rota do Sul e a do Norte, ambas se estendiam de Chang&#8217;an\/Xi&#8217;an at\u00e9 ao Ocidente, a do Norte atrav\u00e9s da \u00c1sia central, do Mar C\u00e1spio e do Mar Negro, a do Sul conduzia ao mediterr\u00e2neo, a G\u00e9nova e Veneza, via Ir\u00e3o e Iraque. Historicamente, a antiga Rota da Seda dividiu-se em quatro per\u00edodos:<\/p>\n<p class=\"p6\">Do s\u00e9culo II a.C ao s\u00e9culo VI, tendo como pontos altos a difus\u00e3o do Budismo e emerg\u00eancia do Islamismo;<\/p>\n<p class=\"p6\">Do in\u00edcio do s\u00e9culo VII a finais do s\u00e9culo X, sendo o ponto alto a difus\u00e3o da porcelana;<\/p>\n<p class=\"p6\">do s\u00e9culo XI a S\u00e9culo XV, com o apogeu da difus\u00e3o das religi\u00f5es isl\u00e2mica e hindu e do com\u00e9rcio tribut\u00e1rio na \u00c1sia Oriental, as rel\u00edquias dos naufr\u00e1gios e as 7 viagens do almirante Zheng He (<span class=\"s2\">\u912d\u548c<\/span><span class=\"s3\">)<\/span>, entre 1405-1431, bem como o surgimento de comunidades multiculturais como as de Guangzhou, Malaca (Mal\u00e1sia) e Galle (Sri Lanka);<\/p>\n<p class=\"p6\">Meados do s\u00e9c. XV ao XIX, com \u00eanfase para a troca de mercadorias porcelanas, pimentas e especiarias, globaliza\u00e7\u00e3o das rotas e difus\u00e3o do Catolicismo, e a predomin\u00e2ncia de outras rotas, como as abertas pelos portugueses no Atl\u00e2ntico at\u00e9 ao Pac\u00edfico, passando pelo \u00cdndico, sobretudo a Rota do Cabo.<\/p>\n<p class=\"p8\">Esta rota iniciada nos s\u00e9culos XV e XVI em Lisboa atingiu a \u00cdndia, a China e o Jap\u00e3o, particularmente Nagas\u00e1qui, e mais al\u00e9m, Timor, num projeto que come\u00e7a a ser delineado por D. jo\u00e3o II em 1487, sendo concretizado por D. Manuel 1, com a frota comandada por Vasco da Gama que nos conduziria \u00e0 \u00cdndia, pr\u00f3ximo de Calecute a 17 de maio de 1498. Mas haver\u00edamos de chegar mais longe, a Macau, onde nos estabelecemos entre 1555 e 1557, havendo estudiosos, como Eduardo Kol de Carvalho, que defendem a interessante tese de tal ter sucedido para assegurar a Rota do Jap\u00e3o, aberta a partir de 1543 e garantida pela Nau do Trato, que fazia a liga\u00e7\u00e3o entre a \u00cdndia e o Jap\u00e3o, tendo elegido Macau para entreposto comercial necess\u00e1rio \u00e0 nova rota mar\u00edtima da seda portuguesa \u201cDeste com\u00e9rcio nasce o territ\u00f3rio de Macau em 1557, a base que os portugueses fundam na costa chinesa para apoiarem o trato\u201d (Carvalho, 2018, 77).<\/p>\n<p class=\"p8\">Por estes canais das antigas rotas da seda chinesa, a seda, a laca, a porcelana e o ch\u00e1 chegavam \u00e0 Europa, sendo transmitidos para a China o vidro, as gemas ou pedras preciosas, certos frutos e frutos secos, especialmente uvas, goiabas, pepinos, bem como outros produtos hort\u00edcolas, por exemplo, o alho e as cenouras. Al\u00e9m das trocas agr\u00edcolas, tamb\u00e9m as inven\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas chinesas, como a p\u00f3lvora, o fabrico do papel, a impress\u00e3o e a b\u00fassola, ou a circula\u00e7\u00e3o de ideias e, sobretudo, das que compunham filosofias religiosas. Depois, com rota mar\u00edtima da seda portuguesa, entre os s\u00e9culos XV e XVI o com\u00e9rcio globalizou-se inteiramente, tudo se trocava e negociava, se transmitia e influenciava.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p9\"><b>A Nova Rota da Seda, incluindo <\/b><b>as mar\u00edtimas do s\u00e9culo XXI<\/b><\/h3>\n<p class=\"p8\">Se o termo \u201crota da seda\u201d remonta aos antigos ge\u00f3grafos gregos e, em especial, a Marinus, j\u00e1 \u201crota mar\u00edtima da seda\u201d, \u00e9 do s\u00e9culo XX, uma nomenclatura surgida numa alian\u00e7a entre o sin\u00f3logo franc\u00eas \u00c9douard Chavannes (1865-1918) e os japoneses com os seus estudos do com\u00e9rcio de porcelana mar\u00edtima na d\u00e9cada de 60 do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p class=\"p8\">Os chineses come\u00e7am a mencionar a \u201crota da seda do mar\u201d em 1974, primeiro com o estudioso Jao Tsung-I (<span class=\"s4\">\u9952\u5b97\u9824<\/span><span class=\"s5\">, 1917-2018<\/span>), depois explicitamente com Chen Yan (<span class=\"s5\">\u00a0<\/span><span class=\"s4\">\u9673\u708e<\/span>) \u201cRota Mar\u00edtima da Seda\u201d (<span class=\"s4\">\u4e1d\u7ef8\u4e4b\u8def<\/span>) a partir de 1980.<\/p>\n<p class=\"p8\">A vers\u00e3o \u201crenovada\u201d que nasceu em 2013, anunciada no Cazaquist\u00e3o, enquanto <i>Faixa e Rota <\/i>(<span class=\"s4\">\u4e00\u5e26\u4e00\u8def<\/span>)<i> <\/i>por iniciativa do atual presidente chin\u00eas, Xi Jinping (<span class=\"s4\">\u4e60\u8fd1\u5e73<\/span>), assentando no princ\u00edpio da conectividade, tem como objectivo conectar a \u00c1sia, Europa e \u00c1frica atrav\u00e9s de rotas terrestres e mar\u00edtimas.<\/p>\n<p class=\"p8\">Os seis corredores terrestres bem e resumidamente sistematizados pela Professora Fernanda Ilh\u00e9u em \u201cA \u00daltima Rota da Seda que a Hist\u00f3ria Conheceu e a Nova Rota da Seda que a Hist\u00f3ria vai Conhecer\u201d (Ilh\u00e9u, 2018: 145) s\u00e3o:<\/p>\n<ol>\n<li class=\"p10\"><span class=\"s6\">China-Mong\u00f3lia-R\u00fassia; <\/span><\/li>\n<li class=\"p10\"><span class=\"s6\">China-Paquist\u00e3o; <\/span><\/li>\n<li class=\"p10\"><span class=\"s7\">China-Bangladesh-\u00cdndia-Myanmar; <\/span><\/li>\n<li class=\"p10\"><span class=\"s6\">China-Pen\u00ednsula da Indochina; <\/span><\/li>\n<li class=\"p10\"><span class=\"s6\">Nova Ponte Terrestre Euroasi\u00e1tica; <\/span><\/li>\n<li class=\"p10\"><span class=\"s6\">China-\u00c1sia Central-\u00c1sia Ocidental.<\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p class=\"p8\">Convergem todas as faixas para a Europa, Duisburg, na Alemanha, incluindo a mar\u00edtima, de grande import\u00e2ncia para a China, j\u00e1 que 90% do com\u00e9rcio chin\u00eas \u00e9 realizado por esta via. Naturalmente que a China pretende garantir as suas fontes de fornecimento energ\u00e9ticas, quer de petr\u00f3leo, quer de g\u00e1s natural, para as quais contribui um <i>hub<\/i> de alguns pa\u00edses da \u00c1sia Central, como sejam o Turquemenist\u00e3o, o Cazaquist\u00e3o, o Uzbequist\u00e3o e a R\u00fassia, \u201csendo a China desde 2014 o maior importador mundial de petr\u00f3leo\u201d (Ibidem).<\/p>\n<p class=\"p8\">Ainda segundo dados fornecidos por Fernanda ilh\u00e9u, desde que a China aderiu \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio em 2001, foi preparando o seu caminho de modo a tornar-se uma economia cada vez mais internacional, atingindo em 2010 o estatuto de segunda economia mundial (Ilh\u00e9u, 2018, 147). O pa\u00eds para manter este estatuto, ou quem sabe at\u00e9 super\u00e1-lo, precisa de continuar com o seu plano das 4 ou 5 moderniza\u00e7\u00f5es, mantendo a liga\u00e7\u00e3o ao exterior para esse efeito, ou seja, a pol\u00edtica de <i>going out <\/i>tem de continuar. Transita assim de uma primeira fase de globaliza\u00e7\u00e3o, a das exporta\u00e7\u00f5es ativas diretas e do investimento direto estrangeiro no exterior (IDEE), para uma segunda fase de globaliza\u00e7\u00e3o, como salienta Ilh\u00e9u (2018, 149) na forma de fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es na \u00c1sia, na Europa e em \u00c1frica, bem como nas Am\u00e9ricas ou Oce\u00e2nia.<\/p>\n<p class=\"p8\">Surge ent\u00e3o uma Nova Rota Mar\u00edtima da Seda que se estende de Chongqing at\u00e9 Fuzhou no Sul da China, passa por Malaca na Mal\u00e1sia, segue para Momba\u00e7a no Qu\u00e9nia (ramifica\u00e7\u00e3o para Cabo Verde e Santos no Brasil), dirige-se para a base militar africana chinesa em Djibouti, da\u00ed para o porto de Pireu na Gr\u00e9cia (Ramifica\u00e7\u00f5es para Madrid e Sines e Brasil), para Veneza em It\u00e1lia e Roterd\u00e3o na Holanda (ramifica\u00e7\u00f5es para o Panam\u00e1 e pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul).<\/p>\n<p class=\"p8\">Locais relacionados com a Rota Mar\u00edtima da Seda dentro da China s\u00e3o as regi\u00f5es costeiras de Hebei, Jiangsu, Xangai, Zhejiang, Fujian, Guangdong, Guangxi, Hainan e regi\u00e3o Administrativa Especial de Macau, bem como os Mares Huang-Bohai, Bacia do Rio Changjiang, Mar da China Oriental e Estreito de Taiwan, mar da China Meridional, Arquip\u00e9lago do Jap\u00e3o, pen\u00ednsula da Coreia, sendo esta a placa da \u00c1sia Oriental.<\/p>\n<p class=\"p8\">Entretanto, come\u00e7a a desenhar-se uma nova Rota da Seda Mar\u00edtima, a Rota da Seda Polar, que sup\u00f5e parecerias da China com a R\u00fassia, Noruega e Gronel\u00e2ndia, via \u00c1rtico, para facilitar o com\u00e9rcio entre a \u00c1sia, a Europa e a Am\u00e9rica. A rota do \u00c1rtico sai de Xangai passa pelo Alaska atravessa o Polo Norte rumo \u00e0 Dinamarca at\u00e9 Roterd\u00e3o, e da\u00ed pode seguir por terra, passando por Moscovo at\u00e9 \u00e0 China, ou utilizando a rota da seda mar\u00edtima que de Roterd\u00e3o vai para o Pireu, atravessa o Canal do Suez, Momba\u00e7a, Kolkata (\u00cdndia), estreito de Malaca, Jakarta at\u00e9 Zhanjiang (China).<\/p>\n<p class=\"p8\">A evolu\u00e7\u00e3o da Nova Rota da Seda na pr\u00f3xima d\u00e9cada vai depender do crescimento da economia chinesa, que segundo Thiago Codongo, gerente comercial da China Link, ter\u00e1 de crescer mais de 6% ao ano para sustentar apoios e investimentos, como os que tem realizado em Angola, Venezuela, Paquist\u00e3o e Mong\u00f3lia, todos estes pa\u00edses com grandes d\u00edvidas para com a China.<\/p>\n<p class=\"p8\">Como bem viu o Professor Carlos Gaspar (2020) em <i>O Mundo de Amanh\u00e3: Geopol\u00edtica Contempor\u00e2nea, <\/i>a China realiza atrav\u00e9s da Iniciativa da Faixa e da Rota (BRI) dos seus v\u00e1rios corredores da seda, terrestres, mar\u00edtima e polar, uma estrat\u00e9gia de conectividade pol\u00edtica, econ\u00f3mica, cultural e tecnol\u00f3gica. Aqui se distinguem avan\u00e7os not\u00e1veis nas telecomunica\u00e7\u00f5es m\u00f3veis, como a rede 5G e, tamb\u00e9m, nas infraestruturas portu\u00e1rias e ferrovi\u00e1rias. Al\u00e9m do mais, possui o controlo dos principais portos mar\u00edtimos de Darwin no Pac\u00edfico, hambantota no \u00cdndico, Pireu no Mediterr\u00e2neo, Kirkenes no \u00c1rtico, tendo constru\u00eddo no Cazaquist\u00e3o o porto seco de Khorgos, al\u00e9m do porto seco de Duisburg na Alemanha.<\/p>\n<p class=\"p8\">Note-se que estas rotas s\u00e3o essencialmente comerciais e o seu impacto no com\u00e9rcio exterior \u00e9 imenso, desenvolvendo-se a partir da compra e aquisi\u00e7\u00e3o de portos. Ainda segundo Thiago Codongo, \u201cPara a China tamb\u00e9m \u00e9 muito mais interessante ter o controle mar\u00edtimo de v\u00e1rios mares, lagos e estreitos que s\u00e3o importantes para as suas mercadorias, tanto para adquirir quanto para poder vender\u201d. Entre estes portos, encontram-se: os j\u00e1 citados porto de Pireu na Gr\u00e9cia (60%); muitos portos africanos entre os quais o maior, o porto de Djibouti, pr\u00f3ximo da Eti\u00f3pia no Nordeste africano, constru\u00eddo pelos chineses, al\u00e9m de portos na Eti\u00f3pia e no Uganda e, em muitos outros pa\u00edses africanos, entre os quais Guin\u00e9, Angola e Mo\u00e7ambique. A China tem fornecido ajuda, em termos de constru\u00e7\u00e3o de infraestruturas concretas, aos pa\u00edses menos favorecidos, sendo de real\u00e7ar a edifica\u00e7\u00e3o de Addis Ababa na Eti\u00f3pia. Ainda a respeito de portos, destacam-se no Brasil, o porto de Paranagu\u00e1 (90%), no Estado de Paran\u00e1.<\/p>\n<p class=\"p8\">Segundo investiga\u00e7\u00e3o da jornalista Cec\u00edlia Barr\u00eda, eram em 2021 cerca de 115 portos em mais de 60 pa\u00edses, al\u00e9m de possuir sete dos dez principais portos do mundo, a saber: 1) Xangai; 2) Ningbo-Zhoushan; 3) Shenzhen; 4) Qingdao; 5) Guangzhou; 6) Tianjin e 7) Hong Kong. De acordo com dados mais recentes fornecidos por Zongyuan Zoe Liu de 26 de agosto de 2024, o pa\u00eds tem 129 projetos de portos, dos quais 115 estar\u00e3o ativos, entre estes haver\u00e1 portos em que ter\u00e1 maior ou menor participa\u00e7\u00e3o, ou at\u00e9 17 com posse total ou maiorit\u00e1ria dos mesmos, os 14 remanescentes ter\u00e3o sido suspensos ou cancelados, como por exemplo o do porto khalifa nos Emirados \u00c1rabes.<\/p>\n<p class=\"p8\"><span class=\"s6\">Ainda de acordo com os dados apresentados por Zongyuan Zoe Liu, o pa\u00eds est\u00e1 a investir em portos com altos \u00edndices de conectividade de transporte regular, indicados entre par\u00eantesis: Coreia do Sul (640); Singapura (586); Estados Unidos (504); Mal\u00e1sia (486); Jap\u00e3o (423); Vietname (403); Reino Unido (381); Pa\u00edses Baixos (380); Hong Kong (376); B\u00e9lgica (343); \u00cdndia (342); Taiwan (340); Alemanha (305), Emirados \u00c1rabes (296); It\u00e1lia (286); Turquia (283); Tail\u00e2ndia (267); Fran\u00e7a (263); Marrocos (263)<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>(https:\/\/www.cfr.org\/tracker\/china-overseas-ports) <\/span><\/p>\n<p class=\"p8\">Paira o receio de que a estrat\u00e9gia chinesa de aquisi\u00e7\u00e3o de portos seja dupla, militar e comercial, e que em caso de conflito generalizado as empresas portu\u00e1rias possam ser utilizadas pelo governo chin\u00eas e, sobretudo, pelos navios de marinha de guerra do Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o Popular. E citam-se exemplos: porto de Singapura, de Dar es Salaam na Tanz\u00e2nia, do Pireu na Gr\u00e9cia, de Haifa em Israel, de Veracruz no M\u00e9xico, ou de Balboa no Panam\u00e1, estes \u00faltimos perto de importantes bases navais. Recorde-se que relativamente, por exemplo, ao Canal do Panam\u00e1, o pa\u00eds marcou presen\u00e7a em dois portos, o de Col\u00f3n e o de Balboa. Um outro porto altamente estrat\u00e9gico para a China \u00e9 o Freeport nas Bahamas, Cara\u00edbe.<\/p>\n<p class=\"p8\">H\u00e1, ainda, uma outra quest\u00e3o relevante, as d\u00edvidas financeiras de certos pa\u00edses de economia fragilizada para com a China, alguns exemplos a ter em conta s\u00e3o: o Sri Lanka que arrendou o seu porto por 99 anos como modo compensat\u00f3rio da sua d\u00edvida, bem os j\u00e1 mencionados pa\u00edses muito endividados: Angola, Mong\u00f3lia, Paquist\u00e3o e Venezuela.<\/p>\n<p class=\"p8\"><span class=\"s8\">Entre portos importantes na Am\u00e9rica do Sul, destacam-se um no Peru, perto de Lima, o terminal portu\u00e1rio multiprop\u00f3sito de Chancay, 100% privado e detido pela Cosco Shipping (China Ocean Shipping Company).H\u00e1 tamb\u00e9m a referir o Porto multiprop\u00f3sito de Rio Grande na Argentina.<\/span><\/p>\n<p class=\"p8\"><span class=\"s6\">A propriedade chinesa no sector portu\u00e1rio encontra-se sobretudo nas seguintes empresas: 1) Cosco, estatal; China Merchants, estatal e 3) Hutchinson Ports, privada. Na estrat\u00e9gia de controlo de portos est\u00e3o envolvidas empresas como a Cosco (portos de Pireu e Hamburgo) e o Shanghai International Port Group (porto israelita de Haifa). Em Portugal operam a Cosco, atrav\u00e9s da Ag\u00eancia Mar\u00edtima Euronave do Porto, situada em Matosinhos e h\u00e1, ainda, investimentos relativos ao porto de Sines, tais como a f\u00e1brica de baterias para carros el\u00e9tricos Calb, bem como interesse manifestado na expans\u00e3o deste porto.<\/span><\/p>\n<p class=\"p8\"><span class=\"s6\">Do memorando de entendimento bilateral celebrado entre a China e Portugal em 2018, constam 17 acordos, dos quais o primeiro \u00e9 relativo \u00e0 chamada Nova Rota da Seda, nas suas vertentes terrestre e mar\u00edtima, enfatizando nesta coopera\u00e7\u00e3o bilateral a \u201cconectividade\u201d e a \u201cmobilidade el\u00e9trica\u201d<b> <\/b>.<\/span><\/p>\n<p class=\"p8\">De acordo com Yuan Peng, Vice-Presidente do Instituto de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais Contempor\u00e2neas a nova ordem mundial, segundo a vis\u00e3o chinesa do mundo, caracteriza-se por uma estrutura de c\u00edrculos conc\u00eantricos, pertencendo \u00e0 China tr\u00eas an\u00e9is: o anel interior dos 14 pa\u00edses com fronteira com a China; o anel interm\u00e9dio de pa\u00edses mar\u00edtimos vizinhos, as \u00e1reas do Pac\u00edfico Oriental, Oceano \u00cdndico e M\u00e9dio Oriente, incluindo \u00c1sia Central e R\u00fassia, e o anel exterior ao qual pertencem a \u00c1frica, a Europa, Am\u00e9rica e os dois polos.<\/p>\n<p class=\"p8\">A grande quest\u00e3o \u00e9 a de se saber se o dom\u00ednio dos mares equivale ao do mundo, o que na era espacial n\u00e3o parecer ser o caso, muito embora a China tenha vindo a rivalizar com os Estados Unidos tamb\u00e9m neste dom\u00ednio, e n\u00e3o apenas na qualidade da segunda maior pot\u00eancia econ\u00f3mica, as ambi\u00e7\u00f5es s\u00e3o igualmente pol\u00edticas desejando oferecer uma contrapartida a uma ordem unipolar longamente dominada pelos EUA. Nos dias de hoje e, sobretudo, no nundo de amanh\u00e3, como enfatiza o Professor Carlos Gaspar, as ambi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas quer da R\u00fassia quer da China favorecem um quadro geoestrat\u00e9gico multipolar, no m\u00ednimo bi ou tripolar, com tr\u00eas grandes pot\u00eancias em lugar de destaque: Os Estados Unidos, a R\u00fassia e a China. Se estas duas \u00faltimas pot\u00eancias entrassem em liga\u00e7\u00e3o duradoira, o que n\u00e3o parece ser o caso, haveria uma alternativa ao poder americano pelo eixo euroasi\u00e1tico. No entanto, a China necessita de consolidar a sua posi\u00e7\u00e3o como principal pot\u00eancia asi\u00e1tica, ligando a \u00c1sia Oriental \u00e0 \u00c1sia do Sul, sendo atualmente o principal parceiro econ\u00f3mico de pa\u00edses asi\u00e1ticos t\u00e3o importantes como a Coreia do Sul, as Filipinas e a Tail\u00e2ndia, entre outros.<\/p>\n<p class=\"p8\">Que a China deseja oferecer-se como uma alternativa pac\u00edfica ao poder hegem\u00f3nico dos Estados Unidos, parece n\u00e3o restarem d\u00favidas, at\u00e9 pelo insistente cultivo de uma pol\u00edtica de neutralidade no pa\u00eds liderado pelo presidente Xi Jinping.<\/p>\n<p class=\"p8\">H\u00e1 ainda um outro aspecto importante a salientar: a Iniciativa da Faixa e da Rota (BRI) com as suas liga\u00e7\u00f5es mar\u00edtimas e terrestres, surge na sequ\u00eancia de um movimento interno da China em rela\u00e7\u00e3o com o seu desenvolvimento e reac\u00e7\u00e3o a \u201cum s\u00e9culo de humilha\u00e7\u00f5es\u201d, o XIX das duas Guerras do \u00d3pio.<\/p>\n<p class=\"p8\">Quando a meio do s\u00e9culo XX, em 1949, o PCC tomou o poder na China iniciou o primeiro ciclo de poder da \u201cnova era\u201d, como bem notou o Professor Carlos Gaspar, o Mao\u00edsmo de Mao Zedong, que teve em vista a unifica\u00e7\u00e3o do estado chin\u00eas, ao qual se seguiu o segundo ciclo de florescimento econ\u00f3mico do pa\u00eds levado a cabo por Deng Xiaoping, culminando nas celebra\u00e7\u00e3o dos 100 anos do PCC em 2021, ao que se seguiu o terceiro ciclo, ap\u00f3s 2013, com a ascens\u00e3o do presidente Xi Jinping, que procura concretizar cabalmente o objectivo de erguer a China \u00e0 categoria de Grande Pot\u00eancia, ciclo este possivelmente muito desenvolvido ou at\u00e9 conclu\u00eddo em 2049 para celebra\u00e7\u00e3o dos 100 anos da chegada do PCC ao poder.(Gaspar, 2020, 44), cumprindo-se assim o \u201csonho chin\u00eas\u201d da entrada \u201cnuma nova era\u201d, que implica o renascimento da China como grande pot\u00eancia e, quem sabe, at\u00e9 a reunifica\u00e7\u00e3o com Taiwan.<\/p>\n<p class=\"p8\">Por fim, resta saber de que modo ficaremos todos conectados, se a bem de uma nova ordem mundial e de um futuro compartilhado, se a mando autocr\u00e1tico de uma pot\u00eancia dominante sobre as restantes. Invocando a bondade de inten\u00e7\u00f5es, acredito que n\u00e3o vamos assistir \u00e0 emerg\u00eancia de uma nova pot\u00eancia imperial com conex\u00f5es a todos os cantos do globo, auxiliada pelo uso indevido das novas tecnologias, mas antes de uma conectividade de um pa\u00eds que se estende em rede por motivos econ\u00f3micos, respeitador da soberania dos restantes estados, que evitar\u00e1 inger\u00eancias pol\u00edticas internas, praticando uma pol\u00edtica de estrita neutralidade em nome de antigos princ\u00edpios confucionistas, que privilegiam a Humanidade e a Harmonia, bem como outras virtudes constantes: os Ritos, a Sabedoria, a Confian\u00e7a e a Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p9\"><b>Parte II<\/b><b><\/b><\/h3>\n<p class=\"p11\">R<span class=\"s1\">ecorde-se<\/span> que a Nova Rota da Seda nasce em 2013 por iniciativa do actual presidente chin\u00eas, Xi Jinping, tendo sido anunciada no Cazaquist\u00e3o, inicialmente com os seis corredores terrestres, mais tarde com uma Rota da Seda Mar\u00edtima e muito recentemente com uma outra via mar\u00edtima, a Rota da Seda Polar, com o prop\u00f3sito de conectar a Europa, a \u00c1frica e a \u00c1sia e, afinal, tamb\u00e9m o resto do mundo.<\/p>\n<p class=\"p8\">Lembremos ainda que segundo especialistas em rela\u00e7\u00f5es internacionais e geopol\u00edtica, como o Professor Carlos Gaspar, o surgimento da Nova Rota da Seda, com o seu imenso poder de conex\u00e3o al\u00e9m-fronteiras, faz parte de um percurso claro da China, que vai ascendendo paulatinamente a grande pot\u00eancia, primeiro a n\u00edvel estatal, depois em termos econ\u00f3micos e, ultimamente, no dom\u00ednio internacional.<\/p>\n<p class=\"p8\">O poder de conectividade chin\u00eas parece plenamente assumido e confirmado pelo vice-presidente do Instituto de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais Contempor\u00e2neas, Yuan Peng, na teoria dos Tr\u00eas an\u00e9is ou c\u00edrculos conc\u00eantricos, que constituem a esfera relacional da China: o anel interior dos 14 pa\u00edses vizinhos; o anel interm\u00e9dio que se estende do Pac\u00edfico ao \u00cdndico e se embrenha na \u00c1sia Central e o anel exterior que engloba a \u00c1frica, a Europa, a Am\u00e9rica e os dois polos.<\/p>\n<p class=\"p8\"><span class=\"s6\">Coloca-se a quest\u00e3o de saber, na sequ\u00eancia das palavras do Professor Carlos Gaspar, se a detectada conectividade pol\u00edtica, cultural, econ\u00f3mica e tecnol\u00f3gica n\u00e3o pressup\u00f5e a exist\u00eancia no pensamento filos\u00f3fico chin\u00eas de um princ\u00edpio da conectividade e, em caso afirmativo, em que filosofias estar\u00e1 mais ativo, ou se atua nos mesmos n\u00edveis em todas as correntes filos\u00f3ficas. <\/span><\/p>\n<p class=\"p8\"><span class=\"s8\">Concluiu-se a primeira parte do artigo, referindo a import\u00e2ncia da filosofia confucionista na Nova Rota da Seda, j\u00e1 que este \u00e9 o <i>softpower <\/i>filos\u00f3fico que acompanha o crescimento da rede comercial chinesa. As liga\u00e7\u00f5es dos chineses com o resto do mundo estabelecem-se na base de princ\u00edpios confucionistas solidamente ancorados na tradi\u00e7\u00e3o chinesa, que remonta ao s\u00e9culo segundo a.C, quando o Confucionismo se transformou na ideologia oficial do Imp\u00e9rio Chin\u00eas pela m\u00e3o de Dong Zhongshu (<\/span><span class=\"s9\">\u8463\u4ef2\u8212<\/span><span class=\"s8\">,179-104 a.C) , sustentando e justificando uma meritocracia n\u00e3o apenas no interior da China, mas tamb\u00e9m por todo o mundo a que os chineses chegaram e chegam. Assim, s\u00e3o as Cinco Virtudes Constantes (<\/span><span class=\"s9\">\u4e94\u5e38<\/span><span class=\"s8\">W\u01d4ch\u00e1ng): Humanidade (<\/span><span class=\"s9\">\u4ec1<\/span><span class=\"s8\"> R\u00e9n) , Justi\u00e7a (<\/span><span class=\"s9\">\u4e49<\/span><span class=\"s8\"> Y\u00ec), Ritos(<\/span><span class=\"s9\">\u793c<\/span><span class=\"s8\">L\u01d0), Sabedoria(<\/span><span class=\"s9\">\u667a<\/span><span class=\"s8\">Zh\u00ec) e Confian\u00e7a (<\/span><span class=\"s9\">\u4fe1<\/span><span class=\"s8\"> X\u00ecn), que permitem ancorar, por um lado, a pol\u00edtica diretamente na \u00e9tica, viabilizando um bom governo para todos os chineses na base de virtudes constantes, por outro, os pr\u00f3prios contactos sociais, dentro e fora da China, s\u00e3o guiados pelas virtudes confucionistas em nome de um futuro harmoniosamente compartilhado. Na filosofia confucionista, est\u00e1-se, portanto, ao n\u00edvel de uma conectividade \u00e9tico-moral, que viabiliza rela\u00e7\u00f5es sociais harmoniosas, sendo a face vis\u00edvel do princ\u00edpio da conectividade.<\/span><\/p>\n<p class=\"p8\">O princ\u00edpio em apre\u00e7o poder\u00e1 assumir outras facetas se a \u00f3ptica se dirigir para filosofias proporcionando explica\u00e7\u00f5es cosmol\u00f3gicas e ontol\u00f3gicas da exist\u00eancia, como \u00e9 o caso da filosofia taoista. Aqui o princ\u00edpio da conectividade desloca-se da sociedade para a ontologia e cosmologia. Todos os seres sem exce\u00e7\u00e3o est\u00e3o ligados a uma mesma raiz donde emanam, nunca perdendo a capacidade, quer de se diferenciarem, quer de transformarem uns nos outros, ou de se unificarem com a fonte donde brotam, como somos informados pelo alegado patriarca do Taoismo, Laozi (<span class=\"s10\">\u8001\u5b50<\/span>), no cap\u00edtulo VI do <i>Livro da Via e da Virtude<\/i>, cujo texto em chin\u00eas se pode encontrar na tradu\u00e7\u00e3o da obra realizada por Ant\u00f3nio Gra\u00e7a de Abreu (2013:38):<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p12\">\u8c37\u795e\u4e0d\u6b7b<br \/>\n\u662f\u8c13\u7384\u725d<br \/>\n\u7384\u725d\u4e4b\u95e8<br \/>\n\u662f\u8c13\u5929\u5730\u6839<br \/>\n\u68c9\u68c9\u82e5\u5b58<br \/>\n\u7528\u4e4b\u4e0d\u52e4<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p8\">Que gostaria de traduzir do seguinte modo:<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p8\">O Esp\u00edrito do Vale nunca morre,<br \/>\nAo qual se chama f\u00eamea misteriosa,<br \/>\nAs aberturas desta f\u00eamea misteriosa<br \/>\nChamam-se a raiz do C\u00e9u e da Terra,<br \/>\nExistindo ininterruptamente,<br \/>\nSem nunca se esgotarem.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p8\">Todos os seres vivos est\u00e3o ligados a uma mesma raiz, donde brotam incessantemente atrav\u00e9s do C\u00e9u e da Terra. Emergem, diferenciam-se, aproximam-se uns dos outros e podem regressar \u00e0 origem, caso se esvaziem do \u201cter\u201d para iniciarem o movimento de regresso que poder\u00e1 conduzir \u00e0 reuni\u00e3o total, como nos \u00e9 explicado no cap\u00edtulo XL (Abreu, 2013, 106):<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p14\">\u53cd\u8005\u9053\u4e4b\u52a8<br \/>\n\u5f31\u8005\u9053\u4e4b\u7528<br \/>\n\u5929\u4e0b\u4e07\u7269\u751f\u4e8e\u6709<br \/>\n\u6709\u751f\u4e8e\u65e0<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p8\">Que traduzo do seguinte modo:<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p16\">O regresso \u00e9 o movimento do Tao,<br \/>\nO<b> <\/b>Tao<b> <\/b>pratica-se pela flexibilidade,<br \/>\nTudo o que existe nasce do ter,<br \/>\nO ter nasce do n\u00e3o ser.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p8\">\u00c9 ent\u00e3o pelo esvaziamento, pelo \u201cn\u00e3o ter\u201d que se regressa \u00e0 origem, mas enquanto se tem, tamb\u00e9m se \u00e9, e se vai mantendo rela\u00e7\u00f5es, tanto mais pr\u00f3ximas do Tao quanto mais flex\u00edveis forem. Coexistimos em inter-rela\u00e7\u00e3o num entendimento que escapa \u00e0 linguagem, sendo absolutamente intuitivo, s\u00f3 ele pode explicar que os seres saiam ilesos de determinados relacionamentos, \u00e0 partida muito negativos, porque se mant\u00eam flex\u00edveis e t\u00e3o vazios quanto poss\u00edvel. Saber viver, na base desta interliga\u00e7\u00e3o constante, \u00e9 uma virtude em si que obt\u00e9m como recompensa o prolongamento da energia da vida, como se percebe pelo seguinte excerto do cap\u00edtulo L do <i>Livro da Via e da Virtude<\/i> (Abreu, 2013, 126):<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p12\">\u76d6\u95fb\u5584\u6444\u751f\u8005<br \/>\n\u9646\u884c\u4e0d\u9047\u5155\u864e<br \/>\n\u4eba\u519b\u4e0d\u88ab\u7532\u5175<br \/>\n\u5155\u65e0\u6240\u6295\u5176\u89d2<br \/>\n\u864e\u65e0\u6240\u63aa\u5176\u722a<br \/>\n\u5175\u65e0\u6240\u5bb9\u5176\u5203<br \/>\n\u592b\u4f55\u6545<br \/>\n\u4ee5\u5176\u65e0\u6b7b\u5730<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p16\">Segue-se a tradu\u00e7\u00e3o concordante com a de Gra\u00e7a de Abreu (2013,127) :<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p4\">Ouvi dizer da pessoa que sabe viver,<br \/>\nAo viajar por terras distantes<br \/>\nN\u00e3o se cruza com tigres nem rinocerontes,<br \/>\nN\u00e3o ser\u00e1 ferido por militares,<br \/>\nOs rinocerontes n\u00e3o lhe conseguem<br \/>\nespetar o corno,<br \/>\nOs tigres n\u00e3o lhe conseguem espetar<br \/>\nas garras,<br \/>\nNem os soldados t\u00eam capacidade para lhe<br \/>\n<span class=\"Apple-converted-space\"> \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 <\/span>espetar as espadas.<br \/>\nPor que \u00e9 esta pessoa assim?<br \/>\nPorque n\u00e3o tem espa\u00e7o para morrer.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p8\">Na verdade, aquele que cultiva a vida \u00e9, de acordo com a filosofia taoista, simples, leve humilde, bastante vazio, flex\u00edvel, pelo que n\u00e3o oferece nem espa\u00e7o nem resist\u00eancia aos outros, o que normalmente sucede com feitios complicados, pesados, cheios de si, r\u00edgidos. Ent\u00e3o essa pessoa est\u00e1 na situa\u00e7\u00e3o ideal para criar boas rela\u00e7\u00f5es n\u00e3o apenas com as outras pessoas, \u00e0 maneira confucionista, como ainda com toda a natureza, ao jeito taoista. Os outros animais, por mais ferozes que sejam, reconhecem-lhe a santidade, e os outros humanos, ainda que estejam bem preparados para a guerra, como \u00e9 o caso dos militares, n\u00e3o t\u00eam vontade de o fazer, porque n\u00e3o encontram qualquer ponta de agressividade ou resist\u00eancia nesse ser.<\/p>\n<p class=\"p8\">Estas ontologia e cosmologia inteligentes e comunicantes estendem-se a toda a natureza, em rede, atrav\u00e9s do exerc\u00edcio e cultivo das virtudes corretas, que no caso do Taoismo s\u00e3o a compaix\u00e3o, a frugalidade e a simplicidade, como nos \u00e9 comunicado no cap\u00edtulo LXVII do <i>Cl\u00e1ssico da Via e da Virtude <\/i>(Abreu, 2013, 161), tendo sido amplamente desenvolvidas por Zhuangzi (<span class=\"s10\">\u5e84\u5b50<\/span>) e Huainanzi (<span class=\"s10\">\u6dee\u5357\u5b50<\/span>) .<\/p>\n<p class=\"p8\">Em Zhuangzi, al\u00e9m dos exemplos mais conhecidos como \u201cZhuang Zhou sonhou que era uma borboleta\u201d (<span class=\"s10\">\u5e84\u5468\u68a6\u8776<\/span>)ou a \u201calegria dos peixes\u201d (<span class=\"s10\">\u9c7c\u4e4b\u4e50<\/span>), h\u00e1 outros como o \u201cbarco vazio\u201d (<span class=\"s10\">\u865a\u8239<\/span>), que indicam a maneira correta de se estar em rede na exist\u00eancia, como um barco sem ningu\u00e9m ao leme, a fim de que quando outro barqueiro vem na nossa dire\u00e7\u00e3o em rota de colis\u00e3o, n\u00e3o haja resposta poss\u00edvel, mesmo que se seja insultado (a) por o nosso barco ter ido inadvertidamente contra o dele (Zhuangzi, 1999, 322-323), ou \u201cquando o sapato se adapta\u201d, e \u00e9 certo que o melhor sapato \u00e9 sempre aquele mais velho e confort\u00e1vel, quando o p\u00e9 j\u00e1 deixou de sentir a resist\u00eancia do material rijo e novo, que incomoda e por vezes deixa bolhas e at\u00e9 o p\u00e9 esfolado e em carne viva.<\/p>\n<p class=\"p8\">Acompanhe-se a emblem\u00e1tica hist\u00f3ria de Zhuangzi, aqui traduzida por mim (1999.313):<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p18\">\u5de5\u5015\u65cb\u800c\u76d6\u89c4\u77e9\uff0c\u6307\u4e0e\u7269\u5316\u800c\u4e0d\u4ee5\u5fc3\u7a3d\uff0c\u6545\u5176\u7075\u53f0\u4e00\u800c\u4e0d\u684e\u3002\u5fd8\u8db3\uff0c\u5c65\u4e4b\u9002\u4e5f\uff1b\u5fd8\u8170\uff0c\u5e26\u4e4b\u9002\u4e5f\uff1b\u77e5\u5fd8\u662f\u975e\uff0c\u5fc3\u77e5\u9002\u4e5f\uff1b\u4e0d\u5185\u53d8\uff0c\u4e0d\u5916\u4ece\uff0c\u4e8b\u4f1a\u4e4b\u9002\u4e5f\u3002\u59cb\u4e4e\u9002\u800c\u672a\u5c1d\u4e0d\u9002\u8005\uff0c\u5fd8\u9002\u4e4b\u9002\u4e5f\u3002<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p20\">O artes\u00e3o Chui era melhor a desenhar c\u00edrculos do que os que usavam r\u00e9gua e esquadro, os seus dedos transformavam, sem que ele prestasse aten\u00e7\u00e3o, movendo-os com grande agilidade e \u00e0-vontade, tal como se esquece o p\u00e9 quando o sapato se adapta; se esquece a cintura, quando o cinto se adapta e se esquece o certo e o errado quando o cora\u00e7\u00e3o se adapta. Quando nos adaptamos ao mundo exterior n\u00e3o h\u00e1 transforma\u00e7\u00e3o interna, nem obrigatoriedade externa. Estar-se adaptado, sem o sentir, esquecendo-se mesmo de o estar, \u00e9 a verdadeira adapta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p8\"><span class=\"s12\">A pessoa virtuosa taoista \u00e9 supremamente bondosa, tal como o \u00e1gua, que \u00e9 a imagem do bem supremo nesta filosofia, como se sabe pelo cap\u00edtulo VIII do <i>Livro da Via e da virtude <\/i>(Abreu, 2013, 43). A \u00e1gua \u00e9 descrita como dando vida a tudo o que existe, correndo livre por toda a parte, dado o seu excelente poder de adapta\u00e7\u00e3o. Pode-se dizer que se est\u00e1 perante um \u201cdarwinismo existencial\u201d <i>avant la lettre<\/i>, que \u00e9 cultivado com simplicidade e afabilidade, virtudes constitutivas da pessoa chinesa tradicional, \u00e0 qual se juntam, na dimens\u00e3o social, todas as outras virtudes confucionistas, a come\u00e7ar pela Humanidade e Justi\u00e7a, passando pelos Ritos e Sabedoria que culminam na Confian\u00e7a. Uma pessoa que cultivou o seu car\u00e1cter, para os taoistas de um modo quase inconsciente, para os confucionistas de uma maneira deliberada e concentrada, obt\u00e9m como recompensa uma liga\u00e7\u00e3o essencial \u00e0 vida, colocando-se na rede existencial na posi\u00e7\u00e3o certa para ativar a Resson\u00e2ncia Universal (<\/span><span class=\"s13\">\u611f\u5e94<\/span><span class=\"s12\"><i>g\u01ceny\u00ecng<\/i>), que nos vem do Taoismo, nomeadamente de Huainanzi (<\/span><span class=\"s13\">\u6dee\u5357\u5b50<\/span><span class=\"s12\">), cuja dimens\u00e3o espiritual \u00e9 muito forte e ser\u00e1 complementada pela filosofia budista que religa todos os seres atrav\u00e9s da imagem da teia de Indra, a divindade das for\u00e7as naturais que protege e nutre a vida, tendo pendurado no seu pal\u00e1cio no monte Meru uma teia de fios de seda que nos une a todos \u00e0 semelhan\u00e7a de uma teia de aranha, estendendo-se ao infinito e conectando em todas as dire\u00e7\u00f5es. Cada um de n\u00f3s \u00e9 uma joia preciosa que reflete e \u00e9 refletida, entrando em contacto com todas as outras por reflex\u00e3o. E Buda acrescenta para o seu disc\u00edpulo que estando todos interligados, h\u00e1 que cuidar muito bem uns dos outros. <\/span><\/p>\n<p class=\"p8\"><span class=\"s14\">Taoistas e budistas concordam nesta liga\u00e7\u00e3o ontol\u00f3gica misteriosa, baseada numa comunica\u00e7\u00e3o a um n\u00edvel intuitivo, quase inconsciente, directamente ligado ao cora\u00e7\u00e3o-mente, no caso dos budistas, que facilitar\u00e1 por certo as rela\u00e7\u00f5es sociais, sobretudo quando s\u00e3o justas, j\u00e1 que esta mesma liga\u00e7\u00e3o pode punir fortemente aqueles que exercem o seu poder pela for\u00e7a, por exemplo, na obra dos prim\u00f3rdios da dinastia Han, intitulada <i>Huainanzi<\/i> (<\/span><span class=\"s15\">\u300a\u6dee\u5357\u5b50\u300b<\/span><span class=\"s14\"><i>Hu\u00e1in\u00e1nz\u01d0<\/i>), tendo sido o sexto cap\u00edtulo traduzido pelo sin\u00f3logo canadiano Charles Le Blanc, sob o t\u00edtulo <i>Huainanzi <\/i><\/span><span class=\"s15\">\u6dee\u5357\u5b50<\/span><span class=\"s14\"><i> Philosophical Synthesis in Early Han Thought,<\/i> com subt\u00edtulo <i>The Idea of Resonance<\/i> (<i>Kan-Ying<\/i> <\/span><span class=\"s15\">\u611f\u61c9<\/span><span class=\"s14\">) <i>with a Translation and Analysis of Chapter six<\/i>. Na primeira sec\u00e7\u00e3o do cap\u00edtulo VI, no epis\u00f3dio da rapariga do povo que se queixa aos C\u00e9us dos abusos do Duque Jing (<\/span><span class=\"s15\">\u4eac<\/span><span class=\"s14\">), despoletando esta queixa uma resposta natural devastadora que conduz \u00e0 morte desse Senhor soterrado, ap\u00f3s um tremor de terra, nos escombros do seu pavilh\u00e3o (Blanc, 1985, 103).<\/span><\/p>\n<p class=\"p8\">A Resson\u00e2ncia Universal enigm\u00e1tica viabiliza, se pensarmos em termos da teia budista equivalente ao Tao, Esp\u00edrito do Vale, uma Resson\u00e2ncia M\u00fatua (<span class=\"s10\">\u76f8\u5e94 <\/span><i>xi\u0101ngy\u00ecng<\/i>), que para os taoistas como Huainanzi, depende da espontaneidade, tamb\u00e9m denominada por este fil\u00f3sofo \u201cPura Sinceridade\u201d (<span class=\"s10\">\u7cbe\u8bda<\/span> <i>J\u012bngch\u00e9ng<\/i>) (Blanc, 1985, 107). A resson\u00e2ncia pode ser relativa e m\u00fatua ou absoluta e universal quando se consegue alcan\u00e7ar uma resposta do pr\u00f3prio Tao,<b> <\/b>que, ao ser visto como um instrumento musical, \u00e9 a nota que governa todas as outras (Blanc, 1985, 138).<\/p>\n<p class=\"p8\"><span class=\"s14\">A pessoa chinesa, que vem para o resto do mundo atrav\u00e9s dos v\u00e1rios corredores terrestres e mar\u00edtimos da Nova Rota da Seda (<\/span><span class=\"s15\">\u65b0\u4e1d\u7ef8\u4e4b\u8def <\/span><span class=\"s14\"><i>x\u012bn s\u012bch\u00f3u zh\u012b l\u00f9<\/i>) conectante do todo numa vasta rede, mais n\u00e3o faz do que reproduzir antigas met\u00e1foras e imagens advindas das diversas filosofias chinesas. <\/span><\/p>\n<p class=\"p8\"><span class=\"s14\">Os chineses de hoje procuram as rela\u00e7\u00f5es num mundo que postularam interdependente e ligado desde que iniciaram os seus esfor\u00e7os filos\u00f3ficos, com registos f\u00edsicos que remontam \u00e0 mais alta antiguidade chinesa, mas que come\u00e7am a ser organizados por volta do s\u00e9culo VI a.C na escola do Mestre Conf\u00facio [<\/span><span class=\"s15\">\u5b54\u5b50<\/span><span class=\"s14\">(K\u01d2ngz\u01d0), 551-479 a.C], sendo esta seguida de muito perto por <\/span>outras escolas como a taoista e j\u00e1 na nossa era pelos diversos tipos de Budismo assimilados, acreditando muitos deles ainda nos nossos dias que o <i>karma<\/i>, as a\u00e7\u00f5es praticadas, ser\u00e3o determinantes na teia de Indra n\u00e3o s\u00f3 para o presente, como na teia das reencarna\u00e7\u00f5es futuras. E n\u00e3o esque\u00e7amos que as a\u00e7\u00f5es s\u00e3o sempre em fun\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m ou de algo, sendo, portanto, a conex\u00e3o essencial para a progress\u00e3o na futura escala do ser, que conta em igual medida com as vidas passadas e a presente.<\/p>\n<p class=\"p8\">Por fim, os chineses, mesmo que n\u00e3o confessadamente religiosos, cruzadores de terras e navegadores de mares, \u00e0 semelhan\u00e7a dos nossos compatriotas do s\u00e9culo XVI, v\u00eam negociar carregando uma heran\u00e7a cultural espec\u00edfica, que \u00e9 preciso conhecer para n\u00e3o temer e que assenta no princ\u00edpio da conectividade aos mais diversos n\u00edveis: cultural e filos\u00f3fico, pol\u00edtico e social, econ\u00f3mico e comercial.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>___<\/p>\n<p class=\"p21\"><b>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/b><\/p>\n<ul>\n<li class=\"p22\">Abreu, Ant\u00f3nio Gra\u00e7a de. 2013.<span class=\"s17\">\u300a<\/span> <span class=\"s17\">\u9053\u5fb7\u7ecf\u300b<\/span><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span><i>Laozi. Tao Te Ching<\/i>. Lisboa.<\/li>\n<li class=\"p22\">Ag\u00eancia Lusa (2024) \u201cConstru\u00e7\u00e3o de Parque para Empresas Chinesas inicia-se este ano\u201d. Dispon\u00edvel em: https:\/\/observador.pt\/2024\/06\/17\/construcao-de-parque-para-empresas-chinesas-em-oeiras-inicia-se-este-ano\/, 17 de junho de 2024.<\/li>\n<li class=\"p22\">AICEP (2024) \u201cEmpresas chinesas investem no exterior\u201d. Dispon\u00edvel em: https:\/\/portugalglobal.pt\/noticias\/2024\/setembro\/empresas-chinesas-investem-no-exterior\/, 16 de setembro de 2024.<\/li>\n<li class=\"p22\">Barr\u00eda, Cec\u00edlia ( 2021) \u201cA Estrat\u00e9gia da rede de portos que a China controla no mundo e avan\u00e7a at\u00e9 ao Brasil\u201d. <i>BBC.<\/i> Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/internacional-58982435, 20 de outubro de 2021.<\/li>\n<li class=\"p23\">Blanc, Charles Le (Org. e Trad). 1985. <i>Huainanzi <\/i><span class=\"s17\">\u6dee\u5357\u5b50<\/span> Philosophical Synthesis in Early Han Thought. The Idea of Resonance (Kan-Ying <span class=\"s17\">\u611f\u61c9<\/span>) with a Translation and Analysis of Chapter six. Hong Kong: Hong Kong University Press.<\/li>\n<li class=\"p23\">Brito, Ana e Lu\u00eds Villalobos (2018) \u201cRela\u00e7\u00f5es entre Portugal e a China deram mais 17 passos em frente\u201d <i>Quick Com <\/i>Universidade de Lisboa. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.ulisboa.pt\/sites\/ulisboa.pt\/files\/public\/relacoes_entre_portugal_e_china_deram_mais_17_passos_em_frente.pdf, 6 de dezembro de 2018.<\/li>\n<li class=\"p23\">Callahan, William (2014)<i> China Dreams<\/i>. Asan Forum.<\/li>\n<li class=\"p22\">Carvalho, Eduardo Kol. (2018). \u201cO Trato Luso-Nip\u00f3nico e a Rota Oriental da Seda\u201d. In<i> A China e a Revitaliza\u00e7\u00e3o das Antigas Rotas da Seda &#8211; Novo Vetor do Com\u00e9rcio Mundi<\/i>al. Lisboa: Instituto Internacional de Macau, Associa\u00e7\u00e3o Amigos da Nova Rota da Seda.<\/li>\n<li class=\"p23\">Cosco (2025) \u201cFinancial Report\u201d. Dispon\u00edvel em: https:\/\/ports.coscoshipping.com\/en\/#financial-highlights.<\/li>\n<li class=\"p23\">Council on Foreign Relations (2024) Zhongyuan, Zoe Liu.\u201dTracking China\u00b4s control on Overseas Ports\u201d Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.cfr.org\/tracker\/china-overseas-ports, 26 de agosto de 2024.<\/li>\n<li class=\"p23\">Cui Liru (2018) China\u2019s\u201dPeriod of Historic Opportunities\u201d, <i>China-US Focus<\/i>,1 de fevereiro de 2018.<\/li>\n<li class=\"p22\"><span class=\"s6\">Cutanda, Grian A. (Adapt.) 2018. \u201cA Rede de indra. Budismo Indiano\u201d. <i>Hist\u00f3rias da Terra. <\/i>Avalon Project. Dispon\u00edvel em: https:\/\/theearthstoriescollection.org\/pt\/a-rede-de-indra\/, acedido a 15 de abril de 2025.<\/span><\/li>\n<li class=\"p22\">Gaspar, Carlos (2020) em <i>O Mundo de Amanh\u00e3: Geopol\u00edtica Contempor\u00e2nea. <\/i>Lisboa: Funda\u00e7\u00e3o Francisco Manuel dos Santos.<\/li>\n<li class=\"p22\">Merton, Thomas. 1999. <i>A Via de Chuang Tzu<\/i>. Petr\u00f3polis: Editora Vozes.<\/li>\n<li class=\"p22\">Qin Xuqing (<span class=\"s17\">\u79e6\u65ed\u537f<\/span>), Sun Yongchang (<span class=\"s17\">\u5b59\u96cd\u957f<\/span>) (Trad Chin\u00eas Contempor\u00e2neo),Wang Rongpei() (<span class=\"s17\">\u6c6a\u6995\u57f9<\/span>Trad. Ingl\u00eas). 1999. <i>Zhuangzi <\/i><span class=\"s17\">\u5e84\u5b50<\/span>. Vol I e II. Hunan, Beijing, Hunan People\u00b4s Publishing House, Foreign Languages Press.<\/li>\n<li class=\"p23\">Duch\u00e2tel, Mathieu (2017) <i>G\u00e9opolitique de la Chine<\/i>. Paris: PUF.<\/li>\n<li class=\"p23\">Erickson, Andrew (2019) \u201cChina\u201d. In Thierry Balzacq et all, editors,73-98.<\/li>\n<li class=\"p22\">Equipa Comex do Brasil (2024) \u201cChina destaca-se com 7 dos 10 principais portos do mundo\u201d. Dispon\u00edvel em: https:\/\/comexdobrasil.com\/china-tem-7-dos-10-principais-portos-do-mundo\/, 31 de janeiro de 2024.<\/li>\n<li class=\"p22\">\u201c<span class=\"s17\">\u6d77\u4e0a\u7d72\u8def\u570b\u969b\u6587\u5316\u8ad6\u58c7<\/span>\u201d F\u00f3rum Cultural Internacional sobre a Rota Mar\u00edtima da Seda. <i>Instituto Cultural de Macau<\/i>. https:\/\/www.culturalheritage.mo\/msricf\/2022\/pt\/about\/msr\/, novembro de 2022.<\/li>\n<li class=\"p22\"><span class=\"s12\">Gaspar, Carlos (2020) \u201cAs Novas Rotas da Seda Chinesa invertem as Rotas de Marco Polo e Vasco da Gama\u201d. Funda\u00e7\u00e3o Francisco Manuel dos Santos. Dispon\u00edvel em: https:\/\/ffms.pt\/pt-pt\/atualmentes\/novas-rotas-da-seda-chinesas-invertem-rotas-de-marco-polo-e-de-vasco-da-gama, 7 de julho de 2020.<\/span><\/li>\n<li class=\"p22\">Holslag, Jonathan (2019) <i>The Silk Road Trap<\/i>. Londres: Polity.<\/li>\n<li class=\"p22\">Hutchison Ports (2025) Dispon\u00edvel em: Hutchison_Ports_Global_Network_Map.pdf<\/li>\n<li class=\"p22\">Hutchison Ports Holding. 2025. Wikipedia. Dispon\u00edvel em: https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hutchison_Port_Holdings, 10 de fevereiro de 2025.<\/li>\n<li class=\"p22\">Ilh\u00e9u, Fernanda, Leonor Janeiro. 2018. (coord.) <i>A China e a Revitaliza\u00e7\u00e3o das Antigas Rotas da Seda- Novo Vetor do Com\u00e9rcio Mundial<\/i>. Lisboa: Instituto Internacional de Macau, Associa\u00e7\u00e3o Amigos da Nova Rota da Seda.<\/li>\n<li class=\"p22\">Ilh\u00e9u, Fernanda. 2018. \u201cA \u00daltima Rota da Seda que a Hist\u00f3ria Conheceu e a Nova Rota da Seda que a Hist\u00f3ria vai Conhecer\u201d, <i>in A China e a Revitaliza\u00e7\u00e3o das Antigas Rotas da Seda- Novo Vetor do Com\u00e9rcio Mundi<\/i>al. Lisboa: Instituto Internacional de Macau, Associa\u00e7\u00e3o Amigos da Nova Rota da Seda.<\/li>\n<li class=\"p22\">Nicholls, Sabina (2023) \u201cA Voraz Expans\u00e3o Portu\u00e1ria da China na Am\u00e9rica Latina e no Cara\u00edbe\u201d. Di\u00e1logo Am\u00e9ricas.com. Dispon\u00edvel em: https:\/\/dialogo-americas.com\/pt-br\/articles\/a-voraz-expansao-portuaria-da-china-na-america-latina-e-no-caribe\/, 7 de setembro de 2023.<\/li>\n<li class=\"p22\">Expresso (ed) (2018)\u201cPortugal na Nova Rota da Seda da China\u201d Economia. Expresso. Dispon\u00edvel em. https:\/\/expresso.pt\/economia\/2018-05-31-Portugal-na-nova-rota-da-seda-da-China, 31 de maio de 2018.<\/li>\n<li class=\"p22\"><span class=\"s14\">Reda\u00e7\u00e3o Intermodal digital (2025) \u201cNova Rota da Seda:China e seu impacto no Comex do mundo. \u201cDispon\u00edvel em: https:\/\/digital.intermodal.com.br\/comex\/nova-rota-da-seda-china-e-o-seu-impacto-no-comex-do-mundo\/, 12 de fevereiro de 2025.<\/span><\/li>\n<li class=\"p22\">Rolland,<i> <\/i>Nad\u00e8ge (2017)<i> Eurasian Integration<\/i>\u201d a la Chinese\u201d. <i>Deciphering Beijing\u2019s Vision for the Region as a community of Common Destiny. <\/i>Asan Forum.<\/li>\n<li class=\"p22\">McGregor, Richard (2019) <i>Xi Jinping: The Backlash<\/i>. Canberra: Lowy Institute.<\/li>\n<li class=\"p22\">Nouwens, Veerle (2019) <i>China\u2019s 21st Century Maritime Silk Road. <\/i>Londres: RUSI Occasional Paper.<\/li>\n<li class=\"p23\">Xuetong, <i>Yan<\/i> (2019) <i>Leadership and the Rise of Great Powers<\/i>. Princeton: Princeton University Press.<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] 1. As Antigas Rotas da Seda Duas rotas ligaram a dinastia Han ao Ocidente a partir do s\u00e9culo II a.C. a Rota do Sul e a do Norte, ambas se estendiam de Chang&#8217;an\/Xi&#8217;an at\u00e9 ao Ocidente, a do Norte atrav\u00e9s da \u00c1sia central, do Mar C\u00e1spio e do Mar Negro, a do Sul conduzia&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":1371,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-1370","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-pensamento"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/52-mw-1200outputFormatjpeg.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1370","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1370"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1370\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1372,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1370\/revisions\/1372"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1371"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1370"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1370"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1370"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}