{"id":1379,"date":"2025-10-22T05:28:10","date_gmt":"2025-10-21T21:28:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.viadomeio.com\/?p=1379"},"modified":"2025-10-22T05:28:10","modified_gmt":"2025-10-21T21:28:10","slug":"contos-tradicionais-chineses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/10\/22\/contos-tradicionais-chineses\/","title":{"rendered":"Contos tradicionais chineses"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<h3 class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><b>Recontados por <\/b><b>Lin Yutang<\/b><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>A protec\u00e7\u00e3o pelo livro<\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p3\">O letrado Wu, de Chiang Ling, tinha insultado o mago Chang Chi Shen. Certo de que este iria vingar-se, Wu passou a noite acordado, lendo, \u00e0 luz da l\u00e2mpada, o divino <i>Livro das Muta\u00e7\u00f5es<\/i>.<\/p>\n<p class=\"p4\">De repente, ouviu-se um sopro de vento que envolveu a casa e um guerreiro apareceu \u00e0 porta, amea\u00e7ando-o com a sua lan\u00e7a. Wu derrubou-o com o livro. Ao inclinar-se para olhar, viu que n\u00e3o passava de uma figura recortada em papel e guardou-a entre as folhas. Pouco depois, entraram dois pequenos esp\u00edritos malignos, de rosto negro e empunhando machados. Tamb\u00e9m estes, quando Wu os derrubou com o livro, revelaram-se figuras de papel. Wu guardou-as como \u00e0 primeira.<\/p>\n<p class=\"p4\">\u00c0 meia-noite, uma mulher, chorando e gemendo, bateu \u00e0 porta. \u201cSou a mulher de Chang. O meu marido e os meus filhos vieram atac\u00e1-lo e o senhor prendeu-os no seu livro. Imploro-lhe que os liberte.<\/p>\n<p class=\"p4\">\u201cNem os seus filhos nem o seu marido est\u00e3o no meu livro\u201d \u2013 respondeu Wu \u2013.<\/p>\n<p class=\"p4\">\u201cS\u00f3 tenho estas figuras de papel.\u201d<\/p>\n<p class=\"p4\">\u201cAs suas almas est\u00e3o nessas figuras\u201d \u2013 disse a mulher \u2013. \u201cSe n\u00e3o voltarem ao amanhecer, os seus corpos, que jazem em casa, n\u00e3o poder\u00e3o reviver.\u201d<\/p>\n<p class=\"p4\">\u201cMalditos magos!\u201d \u2013 gritou Wu. \u2013 \u201cQue miseric\u00f3rdia podem esperar? N\u00e3o pretendo libert\u00e1-los. Por pena, devolverei um dos seus filhos, mas n\u00e3o pe\u00e7a mais nada.\u201d E deu-lhe uma das figuras de rosto negro.<\/p>\n<p class=\"p4\">No dia seguinte, soube-se que o mago e o seu filho mais velho haviam morrido naquela noite.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>As advert\u00eancias <\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p3\">Um dia, um jovem ajoelhou-se \u00e0 beira de um rio. Mergulhou os bra\u00e7os na \u00e1gua para refrescar o rosto e ali, na \u00e1gua, viu de repente a imagem da morte.<\/p>\n<p class=\"p4\">Levantou-se muito assustado e perguntou: \u201cMas&#8230; o que queres? Eu sou jovem! Por que vieste buscar-me sem avisar?\u201d<\/p>\n<p class=\"p4\">\u201cN\u00e3o vim te buscar\u201d &#8211; respondeu a voz da morte. \u201cAcalma-te e volta para casa, porque estou \u00e0 espera de outra pessoa. N\u00e3o te virei buscar sem avisar, prometo.\u201d<\/p>\n<p class=\"p4\">O jovem entrou em casa muito feliz. Tornou-se homem, casou, teve filhos e seguiu o curso da sua vida tranquila. Um dia de ver\u00e3o, encontrando-se junto ao mesmo rio, parou novamente para se refrescar. E voltou a ver o rosto da morte. Cumprimentou-a e quis levantar-se. Mas uma for\u00e7a manteve-o ajoelhado junto \u00e0 \u00e1gua. Assustou-se e perguntou: \u201cMas o que queres?\u201d\u201c\u00c9 a ti que eu quero\u201d &#8211; respondeu a voz da morte. \u201cHoje vim buscar-te.\u201d<\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s2\">\u201cTu prometeste que n\u00e3o virias me buscar sem avisar! N\u00e3o cumpriste a tua promessa!\u201d<\/span><\/p>\n<p class=\"p4\">\u201cEu avisei!\u201d<\/p>\n<p class=\"p4\">\u201cAvisaste?\u201d<\/p>\n<p class=\"p4\">\u201cDe mil maneiras. Cada vez que te olhavas no espelho, vias as tuas rugas surgirem, o teu cabelo a ficar branco. Sentias que te faltava o f\u00f4lego e que as tuas articula\u00e7\u00f5es endureciam. Como podes dizer que n\u00e3o te avisei?\u201d E levou-o para o fundo do rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>O Julgamento de duas m\u00e3es <\/b><b>(Salom\u00e3o na China)<\/b><\/p>\n<p class=\"p3\">Em Yingchuan dois irm\u00e3os moravam na mesma casa e suas esposas estavam esperando filhos. A mais velha perdeu o filho logo ao nascer, mas n\u00e3o deixou ningu\u00e9m saber do facto. Quando a mais nova deu a luz ao seu filho, a mais velha roubou-o a noite e assim questionaram sua posse durante tr\u00eas anos. Quando o caso foi levado ao conhecimento de Huang Pa, Primeiro-Ministro, ele ordenou que a crian\u00e7a fosse colocada a dez passos de dist\u00e2ncia das duas m\u00e3es. A um sinal seu as duas mulheres correram para o menino e pareciam dispostas despeda\u00e7\u00e1-lo de prefer\u00eancia a abandon\u00e1-lo. A crian\u00e7a chorava desesperadamente e a m\u00e3e receou feri-la, abandonando-a ent\u00e3o. A mulher mais velha ficou muito satisfeita ao passo que a mais nova parecia inconsol\u00e1vel. Nesse momento Huang Pa declarou: \u201cA crian\u00e7a \u00e9 filha da mais jovem\u201d. Processou a mais velha e ela foi, de facto declarada culpada.<\/p>\n<p><b>(Do Fengshutung, <\/b><b>s\u00e9culo II)<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p class=\"p1\"><b>A Cinderela chinesa<\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p3\">Certa vez, antes de Qin (222-206 a.C.) e Han havia um chefe das cavernas da montanha a quem os nativos chamavam Wu, que se casou com duas mulheres, uma das quais morreu deixando-lhe uma menina chamada Ye Xian. Essa menina era muito inteligente e habilidosa no bordado a ouro e o pai amava-a ternamente, mas quando ele morreu, viu-se maltratada pela madrasta que ent\u00e3o a for\u00e7ava a cortar lenha e a mandava a lugares perigosos para apanhar \u00e1gua em po\u00e7os profundos.<\/p>\n<p class=\"p6\"><span class=\"s2\">Um dia, Ye Xian<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>pescou um peixe com mais de duas polegadas de comprimento e que tinha barbatanas vermelhas e olhos dourados. Trouxe-o para casa e p\u00f4-lo numa vasilha com \u00e1gua. Cada dia o peixe crescia mais e tanto cresceu que, finalmente, a vasilha n\u00e3o lhe servia mais e a menina soltou-o numa lagoa que havia por tr\u00e1s de sua casa. Ye Xian<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>costumava aliment\u00e1-lo com as sobras de sua comida. Quando ela chegava \u00e0 lagoa, o peixe vinha at\u00e9 a superf\u00edcie e descansava a cabe\u00e7a na margem, mas se algu\u00e9m se aproximasse n\u00e3o aparecia.<\/span><\/p>\n<p class=\"p6\">Esse h\u00e1bito curioso foi notado pela madrasta que esperou o peixe sem que este lhe aparecesse. Um dia, lan\u00e7ou m\u00e3o de ast\u00facia e disse \u00e0 enteada: \u201cN\u00e3o est\u00e1 cansada de trabalhar? Quero dar-te uma roupa nova.\u201d De seguida, fez Ye Xian<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>tirar a roupa que vestia e mandou-a a v\u00e1rias centenas de <i>li<\/i> para trazer \u00e1gua de um po\u00e7o. A velha, ent\u00e3o, p\u00f4s o vestido de Ye Xian<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>e escondeu uma faca afiada na manga da blusa. Ent\u00e3o, dirigiu-se para a lagoa e chamou o peixe. Quando o peixinho p\u00f4s a cabe\u00e7a fora de \u00e1gua, ela matou-o. Nessa ocasi\u00e3o, o animal j\u00e1 media mais de dez p\u00e9s de comprimento e, depois de cozido, mostrou ter sabor mil vezes melhor do que qualquer outro. Ap\u00f3s a refei\u00e7\u00e3o, a madrasta enterrou as suas espinhas num monturo.<\/p>\n<p class=\"p6\"><span class=\"s3\">No dia seguinte, Ye Xian<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>voltou e, ao aproximar-se da lagoa, verificou que o peixe desaparecera. Correu para chorar escondida no meio do mato. Ali se quedava chorosa quando um homem de cabelo desgrenhado e coberto de andrajos desceu dos c\u00e9us e consolou-a, dizendo: \u201cN\u00e3o chores. A tua m\u00e3e matou o peixe e enterrou as espinhas num monturo. Vai para casa, leva as espinhas para<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>teu quarto e esconde-as. Tudo o que quiseres pede que te ser\u00e1 concedido\u201d. Ye Xian<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>seguiu o conselho e pouco tempo depois tinha uma por\u00e7\u00e3o de ouro, de j\u00f3ias e roupas de tecido t\u00e3o caro que seriam capazes de deleitar o cora\u00e7\u00e3o de qualquer donzela.<\/span><\/p>\n<p class=\"p6\">Na noite de uma festa tradicional chinesa, Ye Xian<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>recebeu ordens para ficar em casa a tomar conta do pomar. Quando a jovem solit\u00e1ria viu que a m\u00e3e j\u00e1 ia longe, meteu-se num vestido de seda verde e seguiu-a at\u00e9 o local da festa. A irm\u00e3, que a reconhecera, virou-se para a m\u00e3e e disse: \u201cN\u00e3o lhe parece, minha m\u00e3e, aquela jovem estranhamente parecida com a minha irm\u00e3 mais velha ?\u201d A m\u00e3e tamb\u00e9m teve a impress\u00e3o de a reconhecer. Quando Ye Xian<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>percebeu que a fitavam, correu, mas com tal pressa que perdeu um dos sapatinhos, o qual foi cair nas m\u00e3os dos populares.<\/p>\n<p class=\"p6\">Quando a m\u00e3e voltou para casa encontrou a filha dormindo com os bra\u00e7os ao redor de uma \u00e1rvore; assim p\u00f4s de lado qualquer pensamento que pudesse ter tido acerca da identidade da jovem ricamente vestida.<\/p>\n<p class=\"p6\">Ora, perto das cavernas, havia um reino insular chamado To Huan. Por interm\u00e9dio de um forte ex\u00e9rcito governava duas vezes doze ilhas e as suas \u00e1guas territoriais cobriam v\u00e1rios milhares de <i>li<\/i>. O povo vendeu, entretanto, o sapatinho ao reino To Huan, onde foi ter \u00e0s m\u00e3os do rei. O rei f\u00eaz as suas mulheres experiment\u00e1-lo, mas o sapatinho era cerca de uma polegada menor dos das que tinham os menores p\u00e9s. Depois fez com que o experimentassem todas as mulheres do reino sem que nenhuma conseguisse cal\u00e7\u00e1-lo.<\/p>\n<p class=\"p6\">O rei, ent\u00e3o, suspeitou que o homem que o tinha levado o tivesse obtido por meios m\u00e1gicos e mandou aprision\u00e1-lo e tortur\u00e1-lo. Mas o pobre infeliz nada sabia dizer sobre a proced\u00eancia do sapato. Finalmente, emiss\u00e1rios e correios foram enviados pela estrada para irem de casa em casa a fim de prenderem quem quer que tivesse o outro sapatinho. O rei estava muito intrigado.<\/p>\n<p class=\"p6\"><span class=\"s2\">A casa foi encontrada, bem como Ye Xian . Fizeram-na cal\u00e7ar os sapatinhos e eles couberam perfeitamente. Depois ela apareceu com os sapatinhos e o vestido de seda verde tal qual uma deusa. Mandaram contar o caso ao rei e o rei levou Ye Xian para seu pal\u00e1cio na ilha juntamente com as espinhas do peixe.<\/span><\/p>\n<p class=\"p6\">Assim que Ye Xian foi levada, a m\u00e3e e a irm\u00e3 foram mortas \u00e0 pedrada. Os populares apiedaram-se delas, sepultando-as num buraco e erigindo um t\u00famulo a que deram o nome de \u201cT\u00famulo das Arrependidas\u201d. Passaram a reverenci\u00e1-las como esp\u00edritos casamenteiros e sempre que algu\u00e9m lhes pedia uma gra\u00e7a no sentido de arranjar ou ser feliz em neg\u00f3cios de casamento tinha certeza de que sua prece era atendida.<\/p>\n<p class=\"p6\">O rei voltou \u00e0 sua ilha e f\u00eaz de Ye Xian a sua primeira esposa. Mas, durante o primeiro ano de seu casamento, ele pediu \u00e0s espinhas do peixe tantos jades e coisas preciosas que elas se recusaram a conceder-lhe mais desejos. Por isso o rei pegou nas espinhas e enterrou-as bem perto do mar, junto com uma centena de p\u00e9rolas e uma por\u00e7\u00e3o de ouro. Quando os seus soldados se rebelaram contra ele, foi ter ao lugar em que enterrara as espinhas, mas a mar\u00e9 levara-as e nunca mais foram encontradas at\u00e9 hoje. Esta hist\u00f3ria foi-me contada por um velho servo da minha fam\u00edlia, Li Shih-y\u00fcan, que descendia de um povo chamado Yungchow e sabia de muitas hist\u00f3rias estranhas do sul.<\/p>\n<p class=\"p5\"><b>(Do \u201cYuyang Tsatsu\u201d, s\u00e9culo IX)<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>A Lenda de Chienniang<\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p3\">Chienniang era filha de Chan Yi, um oficial de Hunan. Tinha um primo chamado Wang Chou, um rapaz inteligente e bonito. Haviam sido criados juntos desde a mais tenra idade e como o seu pai gostava muito do menino tinha dito que faria de Wang Chou o seu genro. Ambos ouviram essa promessa e, porque a menina era a \u00fanica filha e estavam sempre juntos, a cada dia se afei\u00e7oavam mais um ao outro. Ainda eram dois jovens e continuavam, entretanto, a tratar-se como parentes \u00edntimos. Infelizmente, o pai da jovem era o \u00fanico que nada percebia. Um dia, um jovem oficial veio pedir-lhe a m\u00e3o da filha e ignorando, ou esquecendo, sua promessa primitiva, ele consentiu fazendo com que C<span class=\"s2\">hienniang, desesperada entre o amor e a piedade filial, quase morresse de dor, causando tal desgosto ao rapaz que ele resolveu sair para outras terras de prefer\u00eancia a ficar ali e ver sua amada tornar-se a esposa de um outro. Assim, inventou um pretexto e informou o tio de que precisava ir para a capital. Como o tio n\u00e3o conseguisse persuadi-lo a ficar, deu-lhe dinheiro e presentes e preparou-lhe um banquete de despedida. Wang Chou, triste por ter de separar-se da amada, pensou na partida durante toda a festa dizendo a si mesmo que era melhor partir do que viver ali vendo seus, sonhos despeda\u00e7ados.<\/span><\/p>\n<p class=\"p6\"><span class=\"s3\">Assim Wang Chou saiu num barco da tarde e antes de estar a algumas milhas de dist\u00e2ncia j\u00e1 a noite ca\u00edra. Disse ao barqueiro que amarrasse o barco na praia e descansasse durante a noite. Mas n\u00e3o conseguia dormir e, por volta da meia-noite, ouviu passos ligeiros que se aproximavam. Em breve, o som parecia muito perto do barco. Ergueu-se e perguntou: \u201cQuem pode ser a esta hora da noite ?\u201d<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>\u201cSou eu, Ch\u2019ienniang,\u201d foi a resposta. Surpreso e encantado, levou-a para o barco e ali ela lhe contou que esperara ser sua esposa, que o pai n\u00e3o tinha procedido bem para com ele e que ela n\u00e3o suportava a separa\u00e7\u00e3o. Receava, outrossim, que ele, s\u00f3 e viajando por terras estranhas, pudesse ser tentado a suicidar-se. Eis porque reca\u00edra na censura da sociedade e na c\u00f3lera dos pais e o seguiria para onde quer que ele fosse. Assim ambos ficaram satisfeitos e continuaram a viagem juntos para Sichuan.<\/span><\/p>\n<p class=\"p6\"><span class=\"s3\">Passaram-se cinco anos de felicidade e ela presenteou-o com dois filhos. Por\u00e9m, n\u00e3o tinham not\u00edcias da fam\u00edlia e diariamente ela pensava nos pais. Era essa a \u00fanica coisa que lhes atormentava a felicidade. Ela n\u00e3o sabia se os pais ainda viviam e em que condi\u00e7\u00f5es e, certa noite, come\u00e7ou contou a Wang Chou como se sentia infeliz e, por ser a filha \u00fanica, como se considerava culpada de grande impiedade filial por ter deixado os velhos pais dessa maneira. \u201cTens um cora\u00e7\u00e3o cheio de amor filial e estou de acordo contigo,\u201d disse-lhe o marido. \u201cJ\u00e1 se passaram cinco anos; certamente n\u00e3o nos guardam rancor. Voltemos para casa.\u201d Chienniang exultou ao ouvir isso e assim fizeram todos os preparativos para voltar para casa com os dois filhos.<\/span><\/p>\n<p class=\"p6\">Quando o barco chegou \u00e0 cidade natal, Wang Chou disse a Chienniang: \u201cN\u00e3o sei qual o estado de \u00e2nimo dos seus pais. Ser\u00e1 melhor que eu v\u00e1 para verificar.\u201d O seu cora\u00e7\u00e3o palpitava ao aproximar-se da casa do sogro. Ao v\u00ea-lo, Wang Chou ajoelhou-se e pediu perd\u00e3o; Ao tal ouvir, Chang Yi surpreendeu-se e disse:<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>\u201cDe quem esta falando? Chienniang jaz inconsciente na sua cama nesses \u00faltimos cinco anos, desde que nos deixaste. Ela jamais abandonou o leito. \u201cN\u00e3o estou a mentir,\u201d disse Wang Chou. \u201cEla est\u00e1 bem e espera por mim no barco\u201d.<\/p>\n<p class=\"p6\">Chan Yi n\u00e3o sabia o que pensar, por isso, mandou duas servas ver Chienniang. Elas viram-na sentada, bem vestida e feliz e at\u00e9 disse \u00e0s servas para que dissessem aos seus pais o quanto os amava. Amedrontadas, as duas servas correram para casa a dar estas novas e Chang Yi ficou ainda mais intrigado. Nesse \u00ednterim, aquela que estava na cama ouviu as novidades e parece que a sua enfermidade desapareceu e os olhos brilharam. Levantou-se da cama e vestiu-se, ajeitando-se diante do espelho. Sorrindo e sem proferir uma palavra, encaminhou-se directamente para o barco. A que estava no barco, preparava-se para tomar o caminho de casa e assim encontraram-se nas margens do rio. Quando as duas chegaram perto uma da outra seus corpos confundiram-se num s\u00f3, com roupas em duplicado, e surgiu a antiga Chienniang t\u00e3o jovem e encantadora como nunca.<\/p>\n<p class=\"p6\">Os pais ficaram satisfeit\u00edssimos, por\u00e9m pediram aos servos que guardassem segredo e nada dissessem aos vizinhos a respeito do que acontecera, a fim de que n\u00e3o houvesse coment\u00e1rios. Eis porque ningu\u00e9m, excepto os parentes mais chegados da fam\u00edlia Chang, jamais soube deste estranho acontecimento.<\/p>\n<p class=\"p6\">Wang Chou e Chienniang viveram como marido e mulher durante mais de quarenta anos antes de morrerem.<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s2\"><b>(Sup\u00f5e-se que esta hist\u00f3ria tenha ocorrido em torno de 690, dinastia Tang)<\/b><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>Sonhos<\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p3\">O chefe do cl\u00e3 Yin, no estado de Chou, possu\u00eda muitas terras e os seus servos trabalhavam sem descanso, de sol a sol. Entre eles havia um j\u00e1 velho, cujos m\u00fasculos estavam exaustos de tanto esfor\u00e7o, mas o chefe do cl\u00e3 continuava a encarreg\u00e1-lo das tarefas mais dif\u00edceis. O velho queixava-se enquanto enfrentava diariamente as suas penas. \u00c0 noite, dormia como uma pedra, insens\u00edvel, devido \u00e0 fadiga, com o esp\u00edrito muito abatido. E todas as noites sonhava que era o rei daquele lugar, que mandava em todo o povo e que se encarregava de todos os assuntos do Estado. No pal\u00e1cio, ele andava de festa em festa sem nenhuma preocupa\u00e7\u00e3o e todos os seus desejos eram imediatamente satisfeitos. A sua alegria n\u00e3o tinha limites, mas pela manh\u00e3 acordava e voltava ao trabalho.<\/p>\n<p class=\"p6\">Aos que o queriam consolar pela dureza do seu trabalho, o anci\u00e3o dizia: \u201cO homem vive cem anos, metade s\u00e3o dias e a outra metade s\u00e3o noites. Durante o dia sou um servo comum e as tribula\u00e7\u00f5es da minha vida s\u00e3o como s\u00e3o. Mas \u00e0 noite sou senhor dos homens e n\u00e3o h\u00e1 maior satisfa\u00e7\u00e3o. De que posso reclamar?<\/p>\n<p class=\"p6\">A mente do chefe do cl\u00e3 estava ocupada com assuntos quotidianos e toda a sua aten\u00e7\u00e3o era absorvida pelos problemas da propriedade. Exausto, corpo e mente, tamb\u00e9m ficava insens\u00edvel devido \u00e0 fadiga quando se deitava para dormir.<\/p>\n<p class=\"p6\"><span class=\"s3\">Mas, noite ap\u00f3s noite, sonhava que era um servo que n\u00e3o parava de trabalhar. Era maltratado, desprezado, recebia golpes com um bast\u00e3o e aguentava tudo o que lhe acontecia. Ele murmurava e reclamava durante o sono e s\u00f3 se acalmava ao amanhecer. <\/span><\/p>\n<p class=\"p6\">Um dia, apresentou o problema a um amigo, que lhe disse: \u201cA tua situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica d\u00e1-te mais riqueza e honras do que a qualquer outra pessoa. O sonho em que \u00e9s um servo n\u00e3o \u00e9 mais do que o ciclo da comodidade e da tribula\u00e7\u00e3o; tal tem sido desde sempre a lei da fortuna humana. Como poderiam ser iguais os teus sonhos e a tua vig\u00edlia?\u201d<\/p>\n<p class=\"p6\">O chefe do cl\u00e3 reflectiu sobre a observa\u00e7\u00e3o do amigo e suavizou as tarefas dos servos. Tamb\u00e9m reduziu as suas preocupa\u00e7\u00f5es e, assim, obteve um pouco de consolo nos seus sonhos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>O homem que se tornou <\/b><b>um peixe<\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p10\">Era uma vez um homem chamado Kwan, um estudioso que adorava debater filosofia. Um dia, enquanto discutia com um s\u00e1bio tao\u00edsta sobre a natureza da felicidade, ele zombou:<\/p>\n<p class=\"p11\">\u00abVoc\u00ea afirma que os peixes s\u00e3o mais felizes do que os humanos? Bobagem! Como voc\u00ea pode saber?\u00bb<\/p>\n<p class=\"p11\"><span class=\"s3\">O tao\u00edsta sorriu e disse: \u00abSe duvida, por que n\u00e3o se torna um peixe e v\u00ea por si mesmo?\u00bb<\/span><\/p>\n<p class=\"p11\">Antes que Kwan pudesse protestar, o tao\u00edsta acenou com a manga \u2014 e, de repente, Kwan mergulhou num rio pr\u00f3ximo, o seu corpo encolhendo e transformando-se numa carpa!<\/p>\n<p class=\"p11\">No in\u00edcio, Kwan ficou apavorado, mas logo descobriu as alegrias de ser um peixe:<\/p>\n<p class=\"p11\">Ele podia nadar sem esfor\u00e7o, deixando-se levar pelas correntes frescas.<\/p>\n<p class=\"p11\">Ele comia deliciosas plantas aqu\u00e1ticas sem ter de trabalhar como um humano.<\/p>\n<p class=\"p11\">Sem impostos, sem press\u00f5es sociais \u2014 apenas a liberdade da \u00e1gua.<\/p>\n<p class=\"p11\">\u00abAh\u00bb, pensou ele, \u00abo tao\u00edsta estava certo! Esta \u00e9 a verdadeira felicidade!\u00bb<\/p>\n<p class=\"p11\">Mas ent\u00e3o, uma rede de pescador o prendeu e ele foi puxado para um barco. Enquanto o pescador se preparava alegremente para cozinh\u00e1-lo, Kwan entrou em p\u00e2nico e rezou ao tao\u00edsta por ajuda.<\/p>\n<p class=\"p11\">No momento em que a faca desceu, ele acordou \u2014 de volta \u00e0 sua forma humana, estendido na margem do rio. O tao\u00edsta estava em p\u00e9 ao seu lado, rindo:<\/p>\n<p class=\"p11\">\u00abBem, a vida de peixe era melhor?\u00bb<\/p>\n<p class=\"p11\">Kwan, ainda abalado, gaguejou: \u00abA felicidade \u00e9 relativa&#8230; mas prefiro ser um homem com preocupa\u00e7\u00f5es do que um peixe na frigideira!\u00bb<\/p>\n<p class=\"p11\">O tao\u00edsta acenou com a cabe\u00e7a: \u00abAgora compreendes. A satisfa\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 em fugir da vida, mas em abra\u00e7\u00e1-la \u2014 escamas, redes e tudo o mais.\u00bb<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>O Homem que vendia <\/b><b>fantasmas<\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p3\">Sung Tingpo, de Nanyang, era ainda um rapaz quando, num passeio nocturno, deparou com uma fantasma. Perguntou \u00e0 apari\u00e7\u00e3o quem era e ela respondeu que era uma fantasma.<\/p>\n<p class=\"p3\">&#8220;Quem \u00e9s tu?&#8221;, perguntou por sua vez a fantasma.<\/p>\n<p class=\"p3\">Tingpo mentiu e respondeu: &#8220;Eu tamb\u00e9m sou um fantasma.&#8221;<\/p>\n<p class=\"p3\">A fantasma ent\u00e3o quis saber para onde ele ia e Tingpo respondeu-lhe: &#8220;Estou a caminho da cidade de Wanshih.&#8221;<\/p>\n<p class=\"p3\">&#8220;Tamb\u00e9m vou para l\u00e1,&#8221; afirmou a apari\u00e7\u00e3o. E logo se puseram a caminhar juntos.<\/p>\n<p class=\"p3\">Ap\u00f3s uma milha, se tanto, a fantasma disse que era estupidez andarem tanto quando um podia carregar o outro, por turnos. &#8220;\u00d3ptima id\u00e9ia,&#8221; ripostou Tingpo.<\/p>\n<p class=\"p3\">A fantasma p\u00f4s Tingpo \u00e0s costas e depois de ter andado uma milha disse: &#8220;Tu \u00e9s pesado demais para um fantasma. Tens certeza de que \u00e9s mesmo um fantasma ?&#8221; Tingpo explicou que ainda era um fantasma novo e que, por conseguinte, ainda pesava um pouco. Tingpo, na sua vez,<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>carregou a fantasma, mas ela era t\u00e3o leve que dava a impress\u00e3o de n\u00e3o estar a carregar nada.<\/p>\n<p class=\"p3\">Assim foram caminhando, revezando-se, at\u00e9 que Tingpo perguntou \u00e0 companheira qual era a coisa que metia mais medo aos fantasmas. &#8220;Os fantasmas t\u00eam um medo horr\u00edvel da saliva humana&#8221;, foi a resposta.<\/p>\n<p class=\"p3\">L\u00e1 foram andando, andando, at\u00e9 que chegaram a um rio. Tingpo deixou que a fantasma fosse adiante e observou que ela n\u00e3o fazia barulho algum ao nadar, mas quando ele entrou no rio, o fantasma ouviu o estalar da \u00e1gua e pediu-lhe uma explica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p3\">Tingpo explicou novamente: &#8220;N\u00e3o te surpreendas, pois ainda sou muito novo e n\u00e3o estou ainda acostumado a atravessar uma corrente.&#8221;<\/p>\n<p class=\"p3\">No momento em que se aproximavam da cidade, Tingpo come\u00e7ou a carregar a fantasma nas costas apertando-a fortemente. A fantasma p\u00f4s-se a gritar e a chorar lutando para apear-se, por\u00e9m Tingpo apertou-a com mais for\u00e7a ainda. Ao chegar \u00e0s ruas da cidade, soltou-a e a fantasma transformou-se num bode. Tingpo cuspiu no animal para que ele n\u00e3o pudesse transformar-se outra vez, vendeu-o por mil e quinhentas sapecas e foi para casa. <span class=\"s1\">\u5b8c<\/span><\/p>\n<p class=\"p4\"><b>(Do &#8220;Soushenchi&#8221;, s\u00e9culo IV)<\/b><b><\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>\u00c9 Maravilhoso <\/b><b>ficar b\u00eabado<\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p3\">Ti Xi era um nativo de Chungshan e sabia fazer &#8220;vinho de mil dias&#8221;, capaz de manter um homem embriagado durante mil dias. Havia um homem no mesmo distrito chamado Xuan Shih que desejou provar o vinho em sua casa. No dia seguinte foi visitar Ti Xi e pediu-lhe um trago; mas este respondeu: &#8220;Meu vinho ainda n\u00e3o est\u00e1 completamente fermentado e n\u00e3o ouso oferec\u00ea-lo.&#8221;<\/p>\n<p class=\"p3\">&#8220;Quero prov\u00e1-lo assim mesmo&#8221;, disse Xuan. Ti Xi n\u00e3o p\u00f4de dizer &#8220;n\u00e3o&#8221; e deu- lhe um copo. &#8220;\u00c9 delicioso,&#8221; observou Xuan, &#8220;quero outro copo.&#8221;<\/p>\n<p class=\"p3\">&#8220;Deves ir para casa agora,&#8221; replicou Ti Xi. &#8220;Volta noutro dia. S\u00f3 esse copo o embebedar\u00e1 por mil dias.&#8221;<\/p>\n<p class=\"p3\">Xuan saiu parecendo um tanto tonto e ao chegar em casa morreu sob a influ\u00eancia do vinho. A fam\u00edlia nunca desconfiou de nada: chorou-o e enterrou-o.<\/p>\n<p class=\"p3\">Ap\u00f3s tr\u00eas anos, Ti Xi disse para consigo mesmo &#8211; &#8220;Xuan a esta hora j\u00e1 deve estar acordado. Preciso ir v\u00ea-lo.&#8221; Quando chegou \u00e0 casa de Xuan perguntou se este estava. A fam\u00edlia surpreendeu-se muito e disse: &#8220;Morreu h\u00e1 muito. At\u00e9 j\u00e1 tiramos o luto.&#8221;<\/p>\n<p class=\"p3\">Ti Xi ficou aflito e replicou: &#8220;O qu\u00ea! Foi efeito do meu maravilhoso vinho, capaz de embebedar um homem por mil dias. Ele deve estar a acordar agora mesmo.&#8221;<\/p>\n<p class=\"p3\">Deu, ent\u00e3o, ordens para que a fam\u00edlia de Xuan abrisse o sepulcro e o caix\u00e3o para ver o que tinha acontecido. Ergueu-se uma nuvem de vapores da tumba, nuvem que se elevou at\u00e9 os c\u00e9us e em seguida procederam a abertura do caix\u00e3o. Quando a tampa foi retirada, viram o homem &#8220;morto&#8221; abrir os olhos, bocejar e dizer: &#8220;Oh! como \u00e9 delicioso ficar b\u00eabado!&#8221;<\/p>\n<p class=\"p3\">Depois perguntou a Ti Xi &#8211; &#8220;Que vinho \u00e9 esse que tu fazes? Um s\u00f3 copo produziu esse efeito. Acabo de acordar. Que horas s\u00e3o?&#8221;<\/p>\n<p class=\"p3\">As pessoas que estavam perto riram muito \u00e0 custa dele mas, devido a forte exala\u00e7\u00e3o da tumba, cheiro intenso que lhes entrou pelas narinas, todos ficaram b\u00eabados por tr\u00eas meses.<\/p>\n<p class=\"p4\"><b>(Do &#8220;Soushenchi&#8221;, s\u00e9culo IV)<\/b><b><\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>\u00c9 bom n\u00e3o ter cabe\u00e7a<\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p3\">No tempo de Han Wuti (140-87 A. C.), Chia Yung de Qangwu servia como magistrado em Y\u00fcchang. Um dia saiu para dar combate a bandidos. Foi ferido e deceparam-lhe a cabe\u00e7a. Ainda assim, o corpo montou a cavalo e voltou ao campo. Os soldados e o povo que ali estava ficaram admirados e Yung falou pelo peito: &#8220;Fui derrotado pelos bandidos e eles cortaram-me a cabe\u00e7a. Digam-me francamente se \u00e9 melhor ter cabe\u00e7a ou ficar sem cabe\u00e7a ?&#8221; Os homens lamentaram-no e disseram: &#8220;\u00c9 melhor ter cabe\u00e7a.&#8221; E Yung replicou: &#8220;N\u00e3o penso assim. Andar sem cabe\u00e7a tamb\u00e9m \u00e9 bom.&#8221;<\/p>\n<p class=\"p4\"><b>(Do &#8220;Luyichi&#8221;, s\u00e9culo IX)<\/b><b><\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>Como a l\u00edngua sobreviveu <\/b><b>aos dentes<\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p3\">Zhang Zhuang estava doente e Lao Zi veio visit\u00e1-lo. Este disse a Zhang Zhuang: \u201cEst\u00e1s muito doente. N\u00e3o tens nada que dizer ao teu disc\u00edpulo?\u201d<\/p>\n<p class=\"p3\">\u201cAinda que n\u00e3o me perguntastes, eu ia dizer-te\u201d, replicou Zhang. \u201cSabes por que uma pessoa n\u00e3o deve descer do carro quando chega \u00e0 aldeia?\u201d<\/p>\n<p class=\"p3\">\u201cN\u00e3o significa este costume que as pessoas n\u00e3o devem esquecer sua terra de origem?\u201d, replicou Lao Zi.<\/p>\n<p class=\"p3\">\u201cAh, sim&#8230; Mas deixa-me perguntar outra coisa: sabes porque uma pessoa deve correr ao passar debaixo de uma \u00e1rvore alta?\u201d<\/p>\n<p class=\"p3\">\u201cSignifica que se deve respeitar os mais velhos\u201d, disse Lao Zi.<\/p>\n<p class=\"p3\">\u201cAh, sim&#8230;\u201d, ent\u00e3o Zhang Zhuang escancarou a boca e mostrou sua l\u00edngua para Lao Zi, pedindo que ele olhasse bem l\u00e1 dentro, dizendo: \u201co que v\u00eas agora?\u201d<\/p>\n<p class=\"p3\">\u201cA sua l\u00edngua, mestre\u201d, disse Lao Zi.<\/p>\n<p class=\"p3\">\u201cOs meus dentes est\u00e3o a\u00ed?\u201d, perguntou o velho. \u201cN\u00e3o\u201d, replicou Lao Zi.<\/p>\n<p class=\"p3\">\u201cE sabes porqu\u00ea?\u201d, perguntou Zhang Zhuang.<\/p>\n<p class=\"p3\">\u201cN\u00e3o durou a l\u00edngua mais tempo por ser flex\u00edvel? E n\u00e3o ca\u00edram os dentes por serem mais duros?\u201d, retorquiu Lao Zi.<\/p>\n<p class=\"p3\">\u201cAh, sim&#8230;\u201d, disse Zhang Zhuang,\u201dacabas de aprender o Dao. N\u00e3o tenho mais nada te ensinar.<\/p>\n<p class=\"p4\"><b>(Liu Xiang)<\/b><b><\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>A Coruja e a Codorniz<\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p3\">Uma coruja em viagem encontrou uma codorniz e esta perguntou: \u201cpara onde vais, coruja\u201d? A coruja respondeu: \u201cVou para Oeste, pois as pessoas da aldeia reclamam muito do meu piar\u201d. Disse-lhe ent\u00e3o a codorniz: \u201caceite uma sugest\u00e3o: muda o teu pio ou v\u00e3o-te odiar onde quer que v\u00e1s\u201d. <span class=\"s1\">\u5b8c<\/span><\/p>\n<p class=\"p4\"><b>(Liu Xiang)<\/b><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] Recontados por Lin Yutang &nbsp; A protec\u00e7\u00e3o pelo livro O letrado Wu, de Chiang Ling, tinha insultado o mago Chang Chi Shen. Certo de que este iria vingar-se, Wu passou a noite acordado, lendo, \u00e0 luz da l\u00e2mpada, o divino Livro das Muta\u00e7\u00f5es. 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