{"id":55,"date":"2025-05-12T17:33:08","date_gmt":"2025-05-12T09:33:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.viadomeio.com\/?p=55"},"modified":"2025-05-14T14:42:11","modified_gmt":"2025-05-14T06:42:11","slug":"um-ancorar-purissimo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/05\/12\/um-ancorar-purissimo\/","title":{"rendered":"Um ancorar pur\u00edssimo&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Carlos Morais Jos\u00e9<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><b>\u00a0<\/b><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><i>Um ancorar pur\u00edssimo, encantado, num Oriente mais anunciador&#8230;<\/i><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Ant\u00f3nio Patr\u00edcio<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A\u00a0partir do s\u00e9culo XVI, foi atrav\u00e9s dos portugueses, nomeadamente dos padres jesu\u00edtas, que a China foi sendo cada vez mais conhecida e discutida na Europa. O \u201cTratado das Cousas da China\u201d, escrito por Frei Gaspar da Cruz (1520-1570) e publicado em \u00c9vora em 1569 \u201c\u00e9, tanto quanto hoje se sabe, o primeiro texto impresso integralmente dedicado ao Celeste Imp\u00e9rio\u201d, l\u00ea-se na introdu\u00e7\u00e3o de uma edi\u00e7\u00e3o portuguesa de 2019, efectuada pela Universidade do Porto. Muitos outros textos se seguiram, como os curiosos di\u00e1logos que constituem o \u201cExcelente Tratado\u201d (1590), de Duarte Sande e Alessandro Valignano, e tamb\u00e9m as cartas origin\u00e1rias da pr\u00f3pria China, escritas por esses sacerdotes mission\u00e1rios. Lembramos tamb\u00e9m aqui, a t\u00edtulo de exemplo, as importantes \u201cRela\u00e7\u00e3o da Grande Monarquia da China\u201d (1637), de \u00c1lvaro Semedo, SJ, seguida pela \u201cNova Rela\u00e7\u00e3o da China\u201d (1668), de Gabriel de Magalh\u00e3es, SJ. Se a primeira \u00e9, no dizer de Ant\u00f3nio Aresta, \u201cuma das obras magnas do amanhecer da sinologia europeia\u201d; a segunda foi admirada por toda a Europa culta pela sua min\u00facia e extens\u00e3o.<\/p>\n<p>Infelizmente, a partir de finais do s\u00e9culo XVIII a sinologia em l\u00edngua portuguesa conheceu um longo per\u00edodo de pousio, cujas raz\u00f5es n\u00e3o vamos aqui dissecar. Em Macau, durante o s\u00e9culo XX, assistimos \u00e0 republica\u00e7\u00e3o das referidas obras, feita gra\u00e7as aos esfor\u00e7os solit\u00e1rios de Lu\u00eds Gonzaga Gomes e, na d\u00e9cada de 90, sob a \u00e9gide do Instituto Cultural de Macau.<\/p>\n<p>Sem pretens\u00f5es excessivas, desde o seu aparecimento em 2001 que o jornal Hoje Macau tem divulgado nas suas p\u00e1ginas temas relacionados com a Cultura Chinesa em l\u00edngua Portuguesa. Public\u00e1mos tradu\u00e7\u00f5es de poemas, de textos fundamentais do pensamento chin\u00eas, cuja tradu\u00e7\u00e3o estimulamos e que vamos vertendo em livros, estudos de Macau (que consideramos integrantes da sinologia em portugu\u00eas), artigos sobre mitologia, antropologia, hist\u00f3ria, etc. Por\u00e9m, entendemos que chegou a altura de intensificar este nosso prop\u00f3sito de verter e dar a conhecer a cultura chinesa em l\u00edngua portuguesa.<\/p>\n<p>Para tal cri\u00e1mos, em Outubro passado, uma nova sec\u00e7\u00e3o, intitulada \u201cVia do Meio\u201d, que apresenta aos nossos leitores artigos e tradu\u00e7\u00f5es pela pena de alguns dos sin\u00f3logos que se expressam em l\u00edngua portuguesa, bem como entrevistas com estes especialistas, a prop\u00f3sito dos seus trabalhos.<\/p>\n<p>Algumas destas pe\u00e7as ser\u00e3o, trimensalmente, reunidas e ent\u00e3o publicada esta revista com o mesmo t\u00edtulo: \u201cVia do Meio\u201d. Ao que sabemos, ser\u00e1 a primeira do g\u00e9nero na l\u00edngua de E\u00e7a de Queir\u00f3s, Paula Chizane, Luandino Vieira, Lu\u00eds Cardoso, Henrique de Senna Fernandes e Jorge Amado. E para n\u00f3s \u00e9 fundamental \u2014 uma s\u00e9ria quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia para a nossa l\u00edngua \u2014 que em portugu\u00eas se encontrem traduzidas as grandes obras de todas as civiliza\u00e7\u00f5es e culturas e que em portugu\u00eas estas sejam estudadas, entendidas e discutidas.<\/p>\n<p>A cultura chinesa \u00e9 um enorme continente onde ous\u00e1mos desembarcar e do qual, 500 anos depois, ainda pouco conhecemos. Dizia Agostinho da Silva, em palavras transmitidas por Lu\u00eds S\u00e1 Cunha, que chegou agora o tempo dos portugueses levarem o Oriente para o Ocidente, num movimento inverso ao que fizeram no passado, de uma vez mais unir o que estava separado. Este ser\u00e1 o nosso contributo.<\/p>\n<p>Esperamos que os nossos leitores sigam estes trabalhos com o interesse que merecem, pois acreditamos que \u00e9 atrav\u00e9s do conhecimento m\u00fatuo que os povos criam la\u00e7os mais duradouros e se evitam muitos dos mal-entendidos que, naturalmente, surgem quando diferentes civiliza\u00e7\u00f5es se encontram, sobretudo hoje, neste espa\u00e7o partilhado e cada vez mais ex\u00edguo a que chamamos Terra.\u5b8c[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] Carlos Morais Jos\u00e9 \u00a0 Um ancorar pur\u00edssimo, encantado, num Oriente mais anunciador&#8230; Ant\u00f3nio Patr\u00edcio &nbsp; A\u00a0partir do s\u00e9culo XVI, foi atrav\u00e9s dos portugueses, nomeadamente dos padres jesu\u00edtas, que a China foi sendo cada vez mais conhecida e discutida na Europa. 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