{"id":587,"date":"2025-09-24T22:04:52","date_gmt":"2025-09-24T14:04:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.viadomeio.com\/?p=587"},"modified":"2025-09-24T22:09:19","modified_gmt":"2025-09-24T14:09:19","slug":"do-mapa-de-zheng-he-para-as-ilhas-chagos-e-nanhai-uma-nota-comparativa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/09\/24\/do-mapa-de-zheng-he-para-as-ilhas-chagos-e-nanhai-uma-nota-comparativa\/","title":{"rendered":"O Lushu"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p class=\"p1\"><strong>A<\/strong><span class=\"s1\"><b>ndando<\/b><\/span> de Guilin para leste uns bons cento e cinquenta quil\u00f3metros, deparamos com a montanha Niuyang. Na encosta sul dormem dep\u00f3sitos de ouro vermelho e na encosta norte repousam dep\u00f3sitos de ouro branco ou assim nos \u00e9 sugerido em velhos rolos de papel, repletos de caracteres escritos num estilo anterior \u00e0 dinastia Qin (220 a.E.C.). Segundo os comentadores mais avisados, referem-se a min\u00e9rios de cobre e de prata. Outros, mais propensos a fantasias, preferem acreditar que o texto antigo denota a exist\u00eancia de metais raros, desconhecidos das classifica\u00e7\u00f5es hodiernas e de antanho.<\/p>\n<p class=\"p3\">Nesta incomum montanha existe um tamb\u00e9m ex\u00f3tico animal a que d\u00e3o o nome de <i>lushu<\/i>. Dotado de uma forma semelhante \u00e0 de um cavalo, o <i>lushu<\/i> distingue-se pela sua cabe\u00e7a branca, o corpo malhado como um tigre e uma cauda avermelhada. Segundos os relatos, quando se desloca, este animal emite um som parecido com um ser humano a cantar.<\/p>\n<p class=\"p3\">Existem tamb\u00e9m algumas raras pinturas que o representam com chifres, o que poder\u00e1 ter origem no facto do nome lushu incluir o caracter <span class=\"s2\">\u9e7f <\/span>(<i>lu<\/i>, veado). J\u00e1 o segundo caracter<span class=\"s2\"> \u8700<\/span> (<i>shu<\/i>) \u00e9 mais dif\u00edcil de interpretar, mas poder\u00e1 referir-se ao antigo reino de Shu (hoje Sichuan) ou a um p\u00e2ntano. Se assim fosse, chamar-se-ia ent\u00e3o \u201cveado de Shu\u201d ou \u201cveado do p\u00e2ntano\u201d, o que n\u00e3o parece totalmente cred\u00edvel \u00e0 maioria dos comentadores.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s3\">Ao longo da Hist\u00f3ria, numerosos pintores chineses revelaram-se fascinados pelo lushu, tendo produzido dissonantes interpreta\u00e7\u00f5es. Era talvez o estranho contraste do seu corpo tigrado com a alva e imponente cabe\u00e7a, ou ent\u00e3o a cauda rubra vibrando como uma tr\u00e9mula chama em desfilada pelos planaltos de Niuyang. <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">Tamb\u00e9m os music\u00f3logos imperiais foram, em certa \u00e9poca, chamados a ouvir e registar as \u201ccan\u00e7\u00f5es\u201d dos lushu. A partir delas, ter\u00e3o elaborado algumas das mais famosas melodias do report\u00f3rio tradicional do Pa\u00eds do Meio.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s3\">O <i>lushu<\/i> vive em pequenas manadas com outros membros da sua esp\u00e9cie, as f\u00eameas n\u00e3o t\u00eam per\u00edodo de cio e os machos s\u00e3o dotados de uma fulgurante pot\u00eancia sexual. Est\u00e3o, por isso, sempre dispostos a procriar. Tal facto faria com que os <i>lushu<\/i> fossem numerosos, o que n\u00e3o sucede devido \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o impiedosa que os homens sempre lhes moveram, certamente porque a sua pele e os seus pelos s\u00e3o considerados por numerosos s\u00e1bios como poderosos talism\u00e3s. <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">\u00c9, no entanto, a cauda vermelha \u2013 muito desejada pelos homens, pois existe a cren\u00e7a de que us\u00e1-la no cinto provoca um acr\u00e9scimo de pot\u00eancia sexual \u2013 que o torna excepcionalmente cobi\u00e7ado. Quem assim se enfeitar com a cauda do <i>lushu<\/i>, com certeza ter\u00e1 um grande n\u00famero de descendentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>_________<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>Texto e ilustra\u00e7\u00e3o inspirados pelo <\/b><b><i>Cl\u00e1ssico das Montanhas e dos Mares<\/i><\/b><b> (<\/b><b><i>Shanhai Jing<\/i><\/b><b>), legendariamente atribu\u00eddo a Yu, primeiro imperador da dinastia Xia, e a um letrado chamado Boyi, o que remeteria a origem da obra para o segundo mil\u00e9nio a.E.C.\u00a0<\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\">Ilustra\u00e7\u00e3o de Ana Jacinto Nunes<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] Andando de Guilin para leste uns bons cento e cinquenta quil\u00f3metros, deparamos com a montanha Niuyang. 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