{"id":614,"date":"2025-09-24T23:32:47","date_gmt":"2025-09-24T15:32:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.viadomeio.com\/?p=614"},"modified":"2025-09-24T23:32:47","modified_gmt":"2025-09-24T15:32:47","slug":"como-cultivar-o-dao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/09\/24\/como-cultivar-o-dao\/","title":{"rendered":"Como cultivar o Dao"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p class=\"p1\">Uma das no\u00e7\u00f5es transversais a todas as escolas filos\u00f3ficas chinesas \u00e9 a de Tao (<span class=\"s2\">\u9053<\/span> <i>D\u00e0o<\/i>),<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>ainda que esta seja perspectivada de maneira diferente, numa leitura superficial, consoante essas mesmas filosofias, recaindo o acento t\u00f3nico na vida, para os taoistas, para os confucionistas na moralidade e na espiritualidade para os budistas. No entanto, quando tentamos aprofundar o sentido das mesmas deparamos com a ideia de percurso existencial, seja ele mais pessoal, social ou pol\u00edtico, mas \u00e9 sempre o que se faz na e com a vida que est\u00e1 em causa, como bem viram Michael Puett e Christine Gross-Loth (2016) num conjunto de li\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas do curso de filosofia chinesa de Harvard, intitulado \u201c<span class=\"s2\">\u9053<\/span> o Caminho da Vida. O que os Fil\u00f3sofos Chineses nos Podem Ensinar sobre a Arte de Viver\u201d.<\/p>\n<p class=\"p3\">Isto significa que um bom fil\u00f3sofo deve poder orientar bem a sua exist\u00eancia, e n\u00e3o apenas do ponto de vista te\u00f3rico, porque o ideal \u00e9 que consiga conciliar harmoniosamente inten\u00e7\u00f5es e actos, de modo a impregnar a sua exist\u00eancia de sentido, por isso todas as filosofias chinesas se preocupam com o quotidiano, tentando responder, como notam Puett e Gross-Lotu, \u00e0 seguinte quest\u00e3o: \u201cComo est\u00e1s a viver a tua vida no dia a dia\u201d (2016: 43), pois se cada um desempenhar conscientemente o seu papel neste imensa teia de rela\u00e7\u00f5es tel\u00faricas, celestiais e universais, estar\u00e1 a proceder filosoficamente, gerando as condi\u00e7\u00f5es para caminhar no sentido da exist\u00eancia e n\u00e3o no da morte. Ora manter acesa a din\u00e2mica vital parece ser mais dif\u00edcil do que parece, porque diz-nos o fundador do taoismo, Laozi (<span class=\"s2\">\u8001\u5b50<\/span>) no Livro da Via e da Virtude <span class=\"s2\">\u300a\u9053\u5fb7\u7ecf\u300b<\/span> no cap\u00edtulo 50:<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p2\"><i>Sair para a vida, entrar para a morte,<br \/>\n<\/i><i>Tr\u00eas em cada dez ter\u00e3o longa vida,<br \/>\n<\/i><i>Tr\u00eas em cada dez conhecer\u00e3o cedo a morte,<br \/>\n<\/i><i>Tr\u00eas em cada dez morrer\u00e3o com \u00e2nsia de viver. <\/i><\/p>\n<p class=\"p6\">\u51fa\u751f\u5165\u6b7b<br \/>\n\u751f\u4e4b\u5f92<br \/>\n\u5341\u6709\u4e09<br \/>\n\u6b7b\u4e4b\u5f92<br \/>\n\u4eba\u4e4b\u751f<br \/>\n\u52a8\u4e4b\u6b7b\u5730<br \/>\n\u4ea6\u5341\u6709\u4e09<\/p>\n<p class=\"p7\">(Gra\u00e7a de Abreu,<br \/>\n2013: 126-127)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s3\">Ou seja, viver, e bem, o que significa nesta filosofia longamente, n\u00e3o \u00e9 para qualquer um, implica o cultivo de um modo de vida com o qual o fil\u00f3sofo se vai familiarizando pelos m\u00e9todos que coloca em pr\u00e1tica, estes dependem da medita\u00e7\u00e3o, gin\u00e1stica, acima de tudo, respirat\u00f3ria, de uma dieta adequada, etc. Logo, um fil\u00f3sofo chin\u00eas da linha taoista, empenha-se na sua filosofia de corpo inteiro, cultivando uma postura \u00e9tica que o conduzir\u00e1 ao desejado prolongamento da vida, atrav\u00e9s do cultivo incans\u00e1vel do tao do quotidiano.\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">Seguindo a mesma linha de racioc\u00ednio, o tao da vida \u00e9 essencial para os confucionistas, ainda que ao pratic\u00e1-lo n\u00e3o se inclinem para a longevidade. A estes interessa a exist\u00eancia com vista \u00e0 moralidade, a vida ser\u00e1 o ch\u00e3o para as nossas transforma\u00e7\u00f5es morais, estando em causa tornar-nos melhores, benevolentes ou mais humanas, a fim de se contribuir para alcan\u00e7ar comunitariamente um mundo melhor.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Por isso, Conf\u00facio explica aos seus disc\u00edpulos nos <i>Analectos<\/i> <span class=\"s2\">\u300a\u8ad6\u8a9e\u300b<\/span>, no cap\u00edtulo relativo \u00e0 benevol\u00eancia (1994, IV-8): \u201cQuem compreender o dao de manh\u00e3, n\u00e3o lastimar\u00e1 morrer nessa mesma noite\u201d (<span class=\"s2\">\u300a\u5b50\u66f0\uff1a\u201c\u671d\u805e\u9053\uff0c\u5915\u6b7b\u53ef\u77e3\u201d\u300b<\/span>), porque atingiu o prop\u00f3sito do seu percurso existencial, entendeu a moralidade, donde retirou a li\u00e7\u00e3o que a vida lhe ofereceu, cumpriu o seu destino, pelo que pode partir sem m\u00e1goas nem ressentimentos, alcan\u00e7ou a perfei\u00e7\u00e3o, ou seja o tao moral.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s4\">Assim caminhamos, em termos filos\u00f3ficos, do tao \u00e9tico taoista, para o tao moral e nos budistas chineses da linha Chan (<\/span><span class=\"s5\">\u7985<\/span><span class=\"s4\"> chan), ou do budismo da medita\u00e7\u00e3o, para a tao espiritual, mas at\u00e9 este se cultiva apenas no quotidiano. H\u00e1 ent\u00e3o a recordar que os princ\u00edpios fundamentais do budismo da medita\u00e7\u00e3o, que viria a ser o budismo mais caracteristicamente chin\u00eas, remontando ao monge indiano ou iraniano Bodhidharma, que ter\u00e1 chegado \u00e0 China no s\u00e9culo VI, s\u00e3o os seguintes: \u201c (1) a verdade \u00faltima \u00e9 inexprim\u00edvel; (2) a via espiritual<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>n\u00e3o pode ser instru\u00edda ou ensinada; (3) nada se ganha com o que quer que seja; (4) n\u00e3o h\u00e1 nada de especial nos ensinamentos budistas; e (5) o Tao cultiva-se diariamente \u00abtransportando a \u00e1gua e cortando a lenha\u201d (Alves, 2022: 49).<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">O caminho na e da filosofia chinesa foi-se desenrolando ao longo dos s\u00e9culos, mas as no\u00e7\u00f5es primordiais t\u00eam-se mantido e, por isso, podemos encontrar no fil\u00f3sofo Wang Keping (<span class=\"s2\">\u738b\u67ef\u5e73<\/span>, 1955 -), professor de filosofia e de est\u00e9tica com vasta obra publicada, uma tematiza\u00e7\u00e3o pormenorizada da no\u00e7\u00e3o de Tao na sec\u00e7\u00e3o Estrat\u00e9gias de Pensamento da sua obra <i>Ethos of Chinese Culture<\/i> (2007), onde analisa a multidimensionalidade do Tao, recorrendo no texto ao registo do alfabeto fon\u00e9tico chin\u00eas (Dao), adotado na China em 1958. Assim, refere que existe um Dao do Universo; um Dao da Dial\u00e9tica; um Dao do Homem; um Dao da governa\u00e7\u00e3o; um Dao da Guerra; um Dao da Paz, al\u00e9m de dois que interessam particularmente para a defesa de uma filosofia com caracter\u00edsticas chinesas: um Dao da Vida Humana e um Dao do Cultivo Pessoal, sendo que o \u201cDao ou sabedoria da exist\u00eancia humana \u00e9 fundamentalmente exemplificado pela atitude relativa \u00e0 pr\u00f3pria vida e ao seu fim natural &#8211; a morte\u201d (Wang, 2007: 122). Esta atitude implica, e recordemos o fundador do Taoismo, pelo cultivo dos tr\u00eas tesouros, a saber, a bondade ou compaix\u00e3o, a frugalidade e a humildade, como nos \u00e9 recordado no cap\u00edtulo 67 do Livro da Via e da Virtude. \u00c9, tamb\u00e9m, fundamental consciencializar que o modo de estar na vida depende uma certa filosofia perante a mesma, manifestada no Dao do Cultivo Pessoal, \u201cque surge de dentro sobretudo orientado para a actualiza\u00e7\u00e3o do Dao De\u201d (Wang, 2007: 126), ou seja, da virtude.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s4\">Desengane-se quem imagina que esta atitude filos\u00f3fica n\u00e3o possui consequ\u00eancias sociais e pol\u00edticas fundamentais, decisivas para tra\u00e7ar o caminho a um pa\u00eds como a Rep\u00fablica Popular da China, guiado pela meritocracia, que alia a virtude \u00e9tica indissociavelmente \u00e0 pol\u00edtica ou, ainda, \u00e0s suas regi\u00f5es administrativas especiais e, mais concretamente \u00e0 Regi\u00e3o Administrativa Especial de Macau. Recorde-se a Lei B\u00e1sica de Macau, elaborada em 1993, em vigor desde 1999 at\u00e9 ao ano de 2049. No Primeiro Cap\u00edtulo desta Lei, Artigo 5.\u00ba, l\u00ea-se:\u201c Na Regi\u00e3o Administrativa Especial de Macau n\u00e3o se aplicam o sistema e as pol\u00edticas socialistas, mantendo-se inalterados durante cinquenta anos o sistema capitalista e a maneira de viver anteriormente existentes.\u201d <\/span><\/p>\n<p class=\"p8\">(\u6fb3\u9580\u7279\u5225\u884c\u653f\u5340\u4e0d\u5be6\u884c\u793e\u6703\u4e3b\u7fa9\u7684\u5236\u5ea6\u548c\u653f\u7b56\uff0c\u4fdd\u6301\u539f\u6709\u7684\u8cc7\u672c\u4e3b\u7fa9\u5236\u5ea6\u548c\u751f\u6d3b\u65b9\u5f0f\uff0c\u4e94\u5341\u5e74\u4e0d\u8b8a\u3002) (\u7b2c\u4e00\u7ae0\uff0c\u7b2c\u4e94\u689d)<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s4\">O artigo 5.\u00ba da constitui\u00e7\u00e3o de Macau, da sua lei fundamental, indica que uma filosofia pol\u00edtica, seja ela socialista ou capitalista, vale pela dimens\u00e3o pr\u00e1tica que lhe est\u00e1 associada, esta n\u00e3o existe em separado, em qualquer mundo das ideias transcendente para contemplar longe da pele e do osso do contemplador, mas reconhece-se imediatamente na sua dimens\u00e3o existencial pelo \u201cmodo de vida\u201d (<\/span><span class=\"s5\">\u751f\u6d3b\u65b9\u5f0f<\/span><span class=\"s4\">) que dita, facilmente identific\u00e1vel nas atitudes dos cidad\u00e3os. Por isso, durante 50 anos (e j\u00e1 passaram 23 anos), as gentes de Macau poder\u00e3o manter as suas condutas existenciais em harmonia com os princ\u00edpios e valores ocidentais, que lhes condicionam o Tao das suas vidas e um outro, que lhe est\u00e1 intimamente ligado, o Tao do seu cultivo pessoal, aquele que os atrai a misturarem h\u00e1bitos gastron\u00f3micos (o ch\u00e1, o caf\u00e9, o arroz e a batata&#8230;), cren\u00e7as religiosas (budistas, taoistas, crist\u00e3s&#8230;), gostos est\u00e9ticos (fados, m\u00fasica chinesa, world music&#8230;), entre muitas outras pr\u00e1ticas existenciais que moldam, por<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>um lado, e expressam,<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>por outro os seus comportamentos.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s4\">Concluindo, o Tao espec\u00edfico da filosofia chinesa nunca existe em separado, mistura c\u00e9u e terra num planeta de ideias vis\u00edveis, que s\u00f3 ganham sentido quando atualizadas, de modo a serem reconhecidas, aceites, assimiladas, recusadas ou harmoniosamente sintetizadas por seres humanos empenhados no seu cultivo pessoal e comprometidos na vida. <\/span><span class=\"s6\"><br \/>\n<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s6\"><br \/>\n______<\/span><\/p>\n<p class=\"p10\"><b>Bibliografia<\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p10\">Alves, Ana Cristina. 2022. <span class=\"s7\"><i>Cultura Chinesa, Uma Perspetiva Ocidental<\/i><\/span>. Coimbra: Almedina e Centro Cient\u00edfico e Cultural de Macau.<\/p>\n<p class=\"p10\">Cai Xiqin (<span class=\"s8\">\u8521\u5e0c\u52e4<\/span>), Lai Bo <span class=\"s8\">(\u8d56\u6ce2<\/span>), Xia Yuhe (<span class=\"s8\">\u590f\u7389\u548c<\/span>) (trad.)<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>1994. <span class=\"s7\"><i>Analects of Confucius<\/i><\/span>.<span class=\"s8\"> \u300a\u8ad6\u8a9e\u300b. \u5317\u4eac: \u534e\u8bed\u6559\u5b66\u51fa\u7248\u793e.<\/span><\/p>\n<p class=\"p10\">Gra\u00e7a de Abreu, Ant\u00f3nio. 2013 (trad.). Laozi. <span class=\"s7\"><i>Tao Te Ching.<\/i><\/span><span class=\"s8\"> \u300a\u9053\u5fb7\u7ecf\u300b. <\/span><span class=\"s7\"><i>O Livro da Via e da Virtude<\/i><\/span>. Edi\u00e7\u00e3o Bilingue. Lisboa: Vega.<\/p>\n<p class=\"p10\">Lei B\u00e1sica de Macau. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.stj.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/macau_leibasica.pdf, acedida a 22 de outubro de 2022.<\/p>\n<p class=\"p10\"><span class=\"s8\">\u6fb3\u9580\u7279\u5225\u884c\u653f\u653f\u5e9c\u300a\u4e2d\u83ef\u4eba\u6c11\u5171\u548c\u570b\u6fb3\u9580\u7279\u5225\u884c\u653f\u5340\u57fa\u672c\u6cd5\u300b.\u5370\u52d9\u5c40.<\/span> https:\/\/bo.io.gov.mo\/bo\/i\/1999\/leibasica\/index_cn.asp.<\/p>\n<p class=\"p11\"><span class=\"s9\">Puett, Michael, Christine Gross-Loh. 2016. intitulado<\/span><span class=\"s8\"> \u9053<\/span><span class=\"s9\"> o<\/span><i> Caminho da Vida. O que os Fil\u00f3sofos Chineses nos Podem Ensinar sobre a Arte de Viver<\/i><span class=\"s9\">. Alfragide: Lua de Papel.<\/span><\/p>\n<p class=\"p10\">Wang Keping. 2007. <span class=\"s7\"><i>Ethos of Chinese Culture<\/i><\/span>. Beijing: Foreign Languages Press.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] Uma das no\u00e7\u00f5es transversais a todas as escolas filos\u00f3ficas chinesas \u00e9 a de Tao (\u9053 D\u00e0o),\u00a0 ainda que esta seja perspectivada de maneira diferente, numa leitura superficial, consoante essas mesmas filosofias, recaindo o acento t\u00f3nico na vida, para os taoistas, para os confucionistas na moralidade e na espiritualidade para os budistas. 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