{"id":625,"date":"2025-09-24T23:48:30","date_gmt":"2025-09-24T15:48:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.viadomeio.com\/?p=625"},"modified":"2025-09-24T23:48:30","modified_gmt":"2025-09-24T15:48:30","slug":"giorgio-sinedino-zhuang-zi-prescreve-um-mundo-com-imensos-caminhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/09\/24\/giorgio-sinedino-zhuang-zi-prescreve-um-mundo-com-imensos-caminhos\/","title":{"rendered":"Giorgio Sinedino &#8211; \u201cZhuang Zi prescreve um mundo com imensos caminhos\u201d"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>VM: Primeiro traduziu os <\/b><b><i>Analectos<\/i><\/b><b>, de Conf\u00facio, mas agora surgiu com uma tradu\u00e7\u00e3o do Zhuangzi. Por que passou do confucionismo para o tao\u00edsmo, numa das suas vers\u00f5es?<\/b><\/p>\n<p class=\"p2\">GS: Na verdade, n\u00e3o havia um plano, nada foi calculado com anteced\u00eancia. Os <i>Analectos<\/i> surgiram de uma conclus\u00e3o natural do que estava vivendo na \u00e9poca. Estava a fazer o meu mestrado na Universidade de Pequim e tive a oportunidade de conhecer de perto alguns especialistas muito importantes da chamada Escola do Princ\u00edpio (<i>Li Xue<\/i>). Entrando em contacto com o pensamento de Zhu Xi, descobri que ele realizava um di\u00e1logo muito interessante com Conf\u00facio. Esse di\u00e1logo, a interpessoalidade, a forma como Zhu Xi d\u00e1 uma nova roupagem ao pr\u00f3prio confucionismo, e n\u00e3o apenas aos <i>Analectos<\/i>, estimulou-me a fazer uma tradu\u00e7\u00e3o para portugu\u00eas que levasse em considera\u00e7\u00e3o o modo como ele explicava, o pensamento do grande mestre. Na minha opini\u00e3o, Zhu Xi \u00e9 o melhor professor, de todas as pessoas que conhecemos da literatura sobre o pensamento chin\u00eas, ele \u00e9 o grande propedeuta. Por isso, trabalhar os <i>Analectos<\/i> a partir de Zhu Xi foi muito estimulante.<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>\u00c9 ent\u00e3o a partir de Zhu Xi que aborda o confucionismo&#8230;<\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p2\">Antes de Zhu Xi n\u00e3o existia \u201co confucionismo\u201d. Antes de Zhuang Zi tamb\u00e9m n\u00e3o existia tao\u00edsmo, ele tinha o espa\u00e7o total de liberdade de se colocar no mundo. No caso de Zhu Xi, ele sentia uma enorme necessidade, uma nova China estava a surgir, a dinastia Song era amea\u00e7ada por todos os lados, e isso motiva-o a tentar renovar a cultura chinesa.<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>Tenta tamb\u00e9m coartar a influ\u00eancia do budismo&#8230;<\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p2\">Sem d\u00favida. O budismo j\u00e1 tinha se tornado um aspecto insepar\u00e1vel da cultura chinesa na \u00e9poca de Zhu Xi. Por\u00e9m, o budismo era assumido como doutrina de Estado pelos Liao e pelos Jin, as duas na\u00e7\u00f5es do Norte. Ent\u00e3o t\u00ednhamos o problema de como conciliar as necessidades de alta defini\u00e7\u00e3o nacional, de dar uma identidade \u00e0 dinastia Song, ao mesmo tempo que se preservava as liga\u00e7\u00f5es com o Budismo. Isso leva Zhu Xi a uma campanha pol\u00e9mica de luta contra o budismo, mas \u00e9 interessante ver como ele vai assimilar certos aspectos do budismo, que podem ser conciliados com os ensinamentos confucianos. Inclusivamente, em termos de institui\u00e7\u00f5es. A grande novidade no neo-confucionismo foi tamb\u00e9m a influ\u00eancia da literatura do budismo Chan, a forma que escolheram para sistematizar os ensinamentos da Escola do Princ\u00edpio foi exactamente a mesma que era utilizada pelo budismo chin\u00eas Chan, que era a biografia das linhagens e o estudo dos mestres. Como isso se cristaliza nos <i>Analectos<\/i> e vai reorientar a interpreta\u00e7\u00e3o do Conf\u00facio, \u00e9 uma quest\u00e3o que tentei, mais ou menos, organizar.<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>Sobretudo nos coment\u00e1rios, uma parte muito rica da sua tradu\u00e7\u00e3o&#8230;<\/b><\/p>\n<p class=\"p2\">Na altura, a proposta era essa. Quando trabalhamos a China, a tradu\u00e7\u00e3o de um texto chin\u00eas n\u00e3o \u00e9 como estamos habituados a trabalhar, a pensar nas l\u00ednguas ocidentais. Nas l\u00ednguas ocidentais existe um distanciamento entre o tradutor e o autor: o autor \u00e9 a autoridade e o tradutor busca verter o idioma. O tradutor d\u00e1 novas roupas ao autor. Mas, no caso da China, a rela\u00e7\u00e3o entre autor e tradutor \u00e9 muito mais fragmentada, porque, em primeiro lugar, o conceito de autoria, na China, \u00e9 flu\u00eddo. O autor dos <i>Analectos<\/i> \u00e9 Conf\u00facio? Come\u00e7amos a pensar: n\u00e3o. Conf\u00facio n\u00e3o escreveu nada, foram os disc\u00edpulos. Mas a\u00ed, quando olhamos os <i>Analectos<\/i> e os estudamos por dentro, notamos que pelo menos tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es, deram o corpo \u00e0 obra. Quem disse isso, foi realmente Conf\u00facio? A gente n\u00e3o tem como saber. Quem d\u00e1 autoridade \u00e0 obra? \u00c9 difuso. E, para al\u00e9m das pessoas que compilaram os <i>Analectos<\/i>, temos s\u00e9culos e s\u00e9culos de eruditos que deram as suas contribui\u00e7\u00f5es, como editores e como cr\u00edticos. H\u00e1 enxertos de coisas, que n\u00e3o s\u00e3o da \u00e9poca, mas que passam a ser reconhecidos&#8230;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>Ent\u00e3o faz sentido ir ao neoconfucionismo quando, digamos, o Zhu Xi faz esse padr\u00e3o, um <\/b><b><i>li<\/i><\/b><b> do confucionismo? \u00a0<\/b><\/p>\n<p class=\"p2\">O Zhu Xi tornou-se um padr\u00e3o por dois motivos: primeiro, porque a sua obra teve um reconhecimento imperial, foi escolhida como roteiro para os exames de acesso \u00e0 burocracia; e a segunda raz\u00e3o \u00e9 que ele \u00e9 um grande professor. Os seus coment\u00e1rios s\u00e3o breves, n\u00e3o h\u00e1 nada de excessivo ali. N\u00e3o s\u00e3o cem por cento autorais, ele escolhe o supra-sumo dos coment\u00e1rios j\u00e1 cl\u00e1ssicos e ele processa aquelas informa\u00e7\u00f5es e explica\u00e7\u00f5es da autoridade com a linguagem da <i>Li Xue<\/i>, da Escola do Princ\u00edpio. Quando o tradutor lus\u00f3fono se coloca nesse jogo hist\u00f3rico, de quem fez a obra e a transmitiu, quem a interpretou, h\u00e1 espa\u00e7o para que n\u00f3s tentemos adaptar essas discuss\u00f5es, o vocabul\u00e1rio, \u00e0s vezes at\u00e9 para quest\u00f5es que fazem mais sentido para n\u00f3s que vivemos no s\u00e9culo XX e XXI.<\/p>\n<p class=\"p4\"><b>Da\u00ed a import\u00e2ncia dos coment\u00e1rios.<\/b><\/p>\n<p class=\"p2\">\u00c9 fundamental. Acho que a tradu\u00e7\u00e3o de uma obra cl\u00e1ssica chinesa sem coment\u00e1rios tem muitos riscos.<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>Sem coment\u00e1rios ou muitas notas \u00e9 incompreens\u00edvel, basicamente.<\/b><\/p>\n<p class=\"p2\">Pessoalmente concordo, as coisas com coment\u00e1rios ficam melhores, com contexto. Mas infelizmente o nosso padr\u00e3o editorial ainda hoje, n\u00e3o apenas nos pa\u00edses de l\u00edngua portuguesa, n\u00e3o temos aquele processo do di\u00e1logo que h\u00e1 entre a primeira autoridade do cl\u00e1ssico, dos comentaristas e as achegas do pr\u00f3prio tradutor. Quando se trabalha com a tradu\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica chinesa, essa \u00e9 a parte mais interessante, porque h\u00e1 espa\u00e7o para traduzir n\u00e3o apenas o texto, mas tamb\u00e9m a mentalidade.Isso \u00e9 o que mais me atrai, o que faz mais sentido.<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>Como surge ent\u00e3o Zhuang Zi no seu percurso?<\/b><\/p>\n<p class=\"p2\">Depois dos <i>Analectos<\/i>, que aconteceu no momento em que estava na Universidade de Pequim, chegou o <i>Dao De Jing<\/i>, num momento muito conturbado da minha vida, v\u00e1rias mudan\u00e7as acontecendo em todos os sentidos, e o Lao Zi, de entre os pensadores chineses, acho que ele \u00e9 realmente dos mais aberto \u00e0s possibilidades da vida. Porque o Lao Zi \u00e9 diferente do Conf\u00facio, porque nunca diz: as coisas s\u00e3o assim ou assado. Ele diz: essa \u00e9 a minha experi\u00eancia, n\u00e3o diz que tem essas receitas aqui todas para voc\u00ea. Por isso \u00e9 que no <i>Dao De Jing<\/i> n\u00e3o h\u00e1 um coment\u00e1rio taxativo. Esse \u00e9 o tal momento da minha vida, de busca das possibilidades e da sua aceita\u00e7\u00e3o. Zhuang Zi \u00e9 o primeiro texto que me tocou existencialmente. Foi um dos primeiros livros que li em chin\u00eas, pois era leitura obrigat\u00f3ria no nosso curso. Li o texto de um fil\u00f3sofo que vivia em Taiwan muito famoso porque deu uma roupagem 100% filos\u00f3fica, respeit\u00e1vel, para o <i>establishment<\/i> ocidental, ao Zhuang Zi. Nunca gostei muito desse texto (risos). Ent\u00e3o sempre tive essa ideia de traduzir o texto. Comecei a traduzi-lo h\u00e1 seis anos&#8230;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>Conf\u00facio tamb\u00e9m aparece como personagem no Zhuang Zi v\u00e1rias vezes.<\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p2\">Zhuang Zi \u00e9 um caleidosc\u00f3pio. Voc\u00ea olha para o Zhuang Zi e consegue encontrar o mais profundo da alma das pessoas. \u00c9 um dos pouqu\u00edssimos autores chineses antigos em que encontramos humor, sarcasmo, em que se encontra ironia. N\u00e3o \u00e9 como em M\u00eancio, um sarcasmo s\u00f3 para atacar as pessoas. O Zhuang Zi tem aquela coisa quase socr\u00e1tica de fazer pouco de si pr\u00f3prio.<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>Por exemplo, a passagem sobre a felicidade dos peixes&#8230;<\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p2\">Isso a\u00ed \u00e9 \u00f3ptimo, a sua rela\u00e7\u00e3o com o mestre Hui. Mas sabe o que acho mais gratificante em ler o Zhuang Zi? Ele est\u00e1 um pouco al\u00e9m desses aspectos da cultura chinesa imperial, que \u00e9 extremamente hier\u00e1rquica e existe uma burocratiza\u00e7\u00e3o da vida social, e ele parece totalmente alheado disso. Naquela \u00e9poca, ele estava tendo o maior sucesso na sua carreira burocr\u00e1tica, serviu como gr\u00e3o-ministro do pa\u00eds de Wei um tempo, mas convivia de igual para igual com Hui que n\u00e3o tinha o mesmo estatuto social. Era uma pessoa que tinha sa\u00eddo do mundo e que vivia bebendo vinho, escrevendo literatura, fazendo medita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>Sobretudo, n\u00e3o propondo, nem acreditando, que h\u00e1 uma \u00fanica perspectiva de olhar o mundo.<\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p2\">Essa \u00e9 uma coisa bem taoista. Mas o que Zhuang Zi tem de especial, mesmo nesse contexto taoista, \u00e9 o seguinte: tao\u00edsmo, na sua \u00e9poca, era um tao\u00edsmo engajado, que participava das discuss\u00f5es e dos debates pol\u00edticos. O pensamento de Lao Zi tem dois grandes pilares: o da verdade, o <i>Dao<\/i>, e o outro \u00e9 o da realidade, o <i>De<\/i>, que \u00e9 como se vai viver no mundo imperfeito e relacionar-se com pessoas que, de repente, n\u00e3o t\u00eam os mesmos ideais que voc\u00ea. O Dao est\u00e1 ali como um <i>break through<\/i>, n\u00e3o vai buscar primeiro o Dao, mas primeiro tem a quest\u00e3o de entender como a sociedade funciona e a dimens\u00e3o humana.<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>\u00c9 o lado confucionista do Dao. No <\/b><b><i>Zhong Yong<\/i><\/b><b>, <\/b><b><i>Pr\u00e1tica do Meio<\/i><\/b><b>, diz-se que a cada momento temos de tomar a decis\u00e3o correcta para trilhar a Via do Meio, que n\u00e3o est\u00e1 pr\u00e9-determinada, nem sequer pelo rito. Por isso \u00e9 que Conf\u00facio afirma que ningu\u00e9m consegue caminhar na Via do Meio&#8230; tem de ter o sentido da hist\u00f3ria, para tomar uma decis\u00e3o correcta. Mas \u00e9 momento a momento, e n\u00e3o partindo de uma verdade pr\u00e9-existente.<\/b><\/p>\n<p class=\"p2\">\u00c9 aquele velho dilema de Conf\u00facio: temos as regras sociais, tem expectativas justas e leg\u00edtimas de como se deve comportar em sociedade e tem, sobre esse ambiente pr\u00e9-determinado, a via que voc\u00ea tem de seguir, um espa\u00e7o de liberdade. Para o Conf\u00facio, a liberdade est\u00e1 dentro, n\u00e3o \u00e9 no sentido de tirar a roupa e sair andando pela rua. Emocionalmente, pode atingir essa liberdade, essa auto-determina\u00e7\u00e3o. Especialmente com a m\u00fasica, que n\u00e3o \u00e9 verbal e voc\u00ea pode fazer dela o que quiser. Conf\u00facio angustiado, tocava <i>qin<\/i> e voc\u00ea sabia, mais ou menos, o que se passava dentro dele. Mas Conf\u00facio n\u00e3o vai falar, n\u00e3o vai sair de si; enfrentou injusti\u00e7as na sua vida mas&#8230; Esse \u00e9 o esp\u00edrito da harmonia chinesa: temos de entender que \u00e9 muito bom em determinados momentos termos essa disposi\u00e7\u00e3o, compreender em que circunst\u00e2ncias isso \u00e9 s\u00e1bio e evita certos conflitos que levam a um desfasamento&#8230;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>Temos um fil\u00f3sofo do tempo dos romanos, Epicteto, que nos diz mais ou menos a mesma coisa: aquilo que n\u00e3o controlamos n\u00e3o vale a pena preocuparmo-nos com isso.<\/b><\/p>\n<p class=\"p2\">Sim. Mas ali entendo que o Conf\u00facio, antes de mais nada, era um pol\u00edtico. Ele n\u00e3o tinha a sua comunidade, os seus amigos, \u201cah, beba hoje porque amanh\u00e3&#8230;\u201d. O caminho do meio \u00e9 t\u00e3o restritivo como&#8230; ele te d\u00e1 uma possibilidade de se libertar espiritualmente.<\/p>\n<p class=\"p4\"><b>J\u00e1 Zhuang Zi tem outra perspectiva&#8230;<\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">Absolutamente diferente. O Zhuang Zi, das poucas vezes que ele fala de pol\u00edtica, dos reis da antiguidade, dos ideais, \u00e9 conservador. O que o Conf\u00facio ensinou \u00e9 aquilo mesmo. Mas h\u00e1 um caminho maior. Usando a nossa linguagem ocidental, o indiv\u00edduo tem muito mais possibilidades do que a sociedade pode oferecer a ele, e isso \u00e9 o Dao. Ele \u00e9 muito discreto quando sopesa essas duas op\u00e7\u00f5es de vida: a do engajamento, de se tornar um funcion\u00e1rio p\u00fablico, um grande administrador, ou de voc\u00ea se tornar um esteta. Como assim discreto? Est\u00e1 l\u00e1 o Yao, est\u00e1 l\u00e1 o Shun, e ele diz: \u201colha, o Yao era taoista, por alguns anos da vida dele ele seguiu um mestre chamado Chiyou\u201d. Ent\u00e3o voc\u00ea tem essas hist\u00f3rias do di\u00e1logo entre o Yao e o Chiyou, e ele, com muito tacto, n\u00e3o p\u00f5e em quest\u00e3o o projecto pol\u00edtico chin\u00eas. Ele respeita, \u201cn\u00f3s precisamos dessas figuras mas o Imperador tamb\u00e9m \u00e9 um ser humano. No dia a dia h\u00e1 coisas que ele n\u00e3o pode buscar s\u00f3 a realiza\u00e7\u00e3o tal como o Tao exige\u201d. Essa \u00e9 a complexidade de Zhuang Zi: Se ele fosse um pensador revolucion\u00e1rio, se tivesse colocado aquela nossa forma ocidental de ver as coisas, contra a sociedade&#8230; Mas o Zhuang Zi diz: o meu caminho passa ao lado daqui, n\u00e3o vai em sentido contr\u00e1rio. Nesses primeiros anos em que eu estava traduzindo Zhuang Zi, e fiz isso ao longo de seis anos, nos tr\u00eas primeiros anos conclui a tradu\u00e7\u00e3o e fiz os coment\u00e1rios dos dois primeiros cap\u00edtulos. Quando estava terminando o segundo cap\u00edtulo, que fala do problema do saber e da linguagem, da relatividade do eu, entrei num momento de crise. Via a tradu\u00e7\u00e3o e os coment\u00e1rios como estavam e estava tudo parecido com o <i>Dao De Jing<\/i>, aquela coisa mais fria, quase acad\u00e9mica.<\/span><\/p>\n<p class=\"p4\"><b>Zhuang Zi n\u00e3o tem a no\u00e7\u00e3o do Tao ontol\u00f3gico anterior a tudo, que tem o Lao Zi. N\u00e3o diz que \u00e9 a origem.<\/b><\/p>\n<p class=\"p2\">Ele diz, mas n\u00e3o se preocupa. Est\u00e1 mais preocupado com a complexidade do humano. O Lao Zi \u00e9&#8230;<\/p>\n<p class=\"p4\"><b>Mais metaf\u00edsico&#8230;<\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">Por isso \u00e9 que ele \u00e9 um deus. Lao Zi chega \u00e0 dinastia Han e, nos movimentos taoistas, \u00e9 sempre deificado. Mas esse Lao Zi n\u00e3o tem mais nada a ver com o que a gente v\u00ea no per\u00edodo final da Primavera-Outono, dos Reinos Combatentes, do homem, do bibliotec\u00e1rio, do burocrata, da pessoa que saiu do pa\u00eds. Essa minha tradu\u00e7\u00e3o se concentrou nos sete primeiros cap\u00edtulos, autorais, que a tradi\u00e7\u00e3o diz que foram escritos pelo Zhuang Zi, talvez trabalhados pelos seus disc\u00edpulos imediatos. Em rela\u00e7\u00e3o ao Lao Zi, n\u00e3o \u00e9 o mesmo tipo de rela\u00e7\u00e3o que a gente encontra, por exemplo, entre Zisi e o Conf\u00facio. Para Zhuang Zi, toda a vida \u00e9 a busca do Dao, esse processo espiritual de crescimento n\u00e3o pode ser transmitido tal e qual. O disc\u00edpulo \u00e9 orientado a ir buscar a sua verdade, al\u00e9m dos princ\u00edpios gerais do Dao. A rela\u00e7\u00e3o entre o Zhuang Zi e o Lao Zi n\u00e3o poderia ser a mesma que entre dois confucianos. No livro do Zhuang Zi n\u00e3o h\u00e1 nenhum relato de que ele tenha estudado junto com Lao Zi. Nunca \u00e9 referido pelo Zhuang Zi como Mestre Lao. S\u00e3o sempre indiv\u00edduos que est\u00e3o ali. Por\u00e9m, em v\u00e1rios momentos trabalha os ensinamentos do <i>Dao De Jing<\/i>. Ele n\u00e3o est\u00e1 reproduzindo ipsis verbis o que est\u00e1 no <i>Dao De Jing<\/i>, mas o esp\u00edrito est\u00e1 ali. Outro dado interessante: quando o Lao Zi aparece na hist\u00f3ria, ele aparece quase em apoteose, no m\u00ednimo, n\u00e3o necessariamente como um deus, mas como um imortal superior de grandes realiza\u00e7\u00f5es. H\u00e1 um relato sobre o funeral do Lao Zi, que, claro, \u00e9 uma fic\u00e7\u00e3o, mas a cr\u00edtica que Zhuang Zi est\u00e1 fazendo \u00e9 que n\u00e3o se vai celebrar a mem\u00f3ria do Lao Zi como os disc\u00edpulos de Conf\u00facio celebraram a sua mem\u00f3ria, que organizaram um funeral, estavam l\u00e1 chorando, fazendo os ritos&#8230; e essa \u00e9 a l\u00f3gica da continuidade. Zhuang Zi, quando fala sobre Conf\u00facio \u00e9 o Conf\u00facio de uma das recria\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias mais geniais da literatura chinesa, um Conf\u00facio apresentado como um homem com todas as suas limita\u00e7\u00f5es, como algu\u00e9m que n\u00e3o conseguiu compreender o Dao.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><b>Sim. Mas \u00e9 apresentado como algu\u00e9m com o qual o pr\u00f3prio Conf\u00facio concordaria, porque ele nunca esteve preocupado em conhecer Dao nenhum&#8230;<\/b><\/p>\n<p class=\"p2\">Para Zhu Xi n\u00e3o \u00e9 assim. Para ele, Conf\u00facio era um homem que n\u00e3o erra. Viveu, morreu, mas era o S\u00e1bio. Ele nasceu sabendo de tudo, nunca errou, nem nunca pecou. Se o fez era para mostrar o que era erro aos seus disc\u00edpulos&#8230; Aquilo ali era um conceito budista, de um iluminado. Uma das coisas mais interessantes dos <i>Analectos<\/i> s\u00e3o as passagens que reflectem a velhice de Conf\u00facio, em que ele parece ter, de certa forma, tido uma veia mais m\u00edstica, de dar valores aos ritos, n\u00e3o aqueles ritos que definem quem est\u00e1 acima e abaixo, quem \u00e9 mais velho e mais jovem, mas aqueles ritos que ligam o homem ao C\u00e9u, que \u00e9 uma coisa muito do tao\u00edsmo.<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>Em que ele fala do <\/b><b><i>Da Dao<\/i><\/b><b>&#8230; que \u00e9 a parte menos abordada pelos confucionistas.<\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p2\">Pois \u00e9. Esse \u00e9 um dos grandes problemas, quando se transforma um pensamento numa ideologia. A ideologia tem de ser reproduzida, n\u00e3o pode ser&#8230;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>Posta em causa?<\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p2\">Tudo tem a sua utilidade. Acho que Conf\u00facio tamb\u00e9m defende a ideologia dos Zhou mas v\u00ea isso como um ideal altru\u00edsta, ent\u00e3o vejo Conf\u00facio como pensador claramente conservador, n\u00e3o reacion\u00e1rio&#8230;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>Ele inaugura a quest\u00e3o do m\u00e9rito, que se revela muito importante em Conf\u00facio. O <\/b><b><i>junzi<\/i><\/b><b>, nos seus ditos, n\u00e3o \u00e9 o mesmo <\/b><b><i>junzi<\/i><\/b><b> anterior, \u00e9 um homem que pode l\u00e1 chegar, n\u00e3o por nascen\u00e7a, mas por m\u00e9rito, pelo estudo, por recuperar a sua natureza original.<\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p2\">Ele era uma pessoa que, no caso da China, na \u00e9poca dele, esses cargos eram autom\u00e1ticos, heredit\u00e1rios. O Conf\u00facio, como uma pessoa que vem de baixo, como membro da baixa nobreza, mesmo reconhecendo um abismo entre as pessoas, os homens bons, com um sentido social, mas Conf\u00facio era, como S\u00e3o Paulo, um pragm\u00e1tico.<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>O que eu entendi \u00e9 que para exercer o poder tem de haver virtude, posi\u00e7\u00e3o social e sentido hist\u00f3rico.<\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p2\">Em si, isso n\u00e3o \u00e9 mau. Todos os sistemas sociais e agentes pol\u00edticos t\u00eam a sua raz\u00e3o de ser e de existir. Na China, v\u00ea-se nesses tr\u00eas mil anos uma tend\u00eancia para se adaptar a novas realidades, criar novas institui\u00e7\u00f5es. Zhu Xi, por exemplo: voc\u00ea acha que ele est\u00e1 explicando o Conf\u00facio aut\u00eantico? N\u00e3o, ele est\u00e1 dando uma nova roupagem que funcionou muitos s\u00e9culos na China.<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>Nos exames, os Cinco Cl\u00e1ssicos passam a ser os Quatro Livros, por exemplo. H\u00e1 uma mudan\u00e7a..<\/b>.<\/p>\n<p class=\"p2\">Mas das coisas mais interessantes no pensamento chin\u00eas \u00e9 termos por fora a parte da ideologia, da ordem, mas dentro tem um espa\u00e7o de negocia\u00e7\u00e3o e debate cr\u00edtico.<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>Esse \u00e9 um assunto que acho interessante, por exemplo, na compara\u00e7\u00e3o com o pensamento ocidental: \u00e9 que o pensamento chin\u00eas n\u00e3o procura a verdade, mas sim a efic\u00e1cia, por oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 verdade.<\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p2\">Esse \u00e9 um debate t\u00e3o profundo e complexo&#8230; Acho que os ocidentais est\u00e3o certos e os chineses tamb\u00e9m est\u00e3o certos. H\u00e1 uma diversidade&#8230;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>Apesar do pensamento de S\u00f3crates ser uma antropologia, no sentido em que volta ao Homem, o cosmos n\u00e3o lhe interessa&#8230; tal como em Conf\u00facio, que tamb\u00e9m n\u00e3o quer saber do cosmos, quer saber do Homem. No caso de S\u00f3crates, para estudar o Homem, ele vai \u00e0 procura da verdade, enquanto Conf\u00facio n\u00e3o procura a verdade, mas como se pode funcionar, como se pode ser eficaz<\/b>.<\/p>\n<p class=\"p2\">Esse \u00e9 um debate fant\u00e1stico e vai levar a um questionamento profundo. Tirando os pensadores j\u00f3nicos, que investigavam a realidade a partir de dados objectivos da natureza&#8230; a partir do momento em que se fala de \u00e9tica, de ontologia&#8230; se voc\u00ea abre m\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o, a Caixa de Pandora se abriu. Por que S\u00f3crates sobreviveu? No fundo, porque houve a influ\u00eancia da Academia e de Arist\u00f3teles. E toda aquela orienta\u00e7\u00e3o de vida e de valores \u00e9 socr\u00e1tica. Ent\u00e3o voc\u00ea tem a transmiss\u00e3o de conhecimento e essa vis\u00e3o de mundo, do que \u00e9 a \u00e9tica, a arte, as grandes quest\u00f5es. Vai sendo reproduzido e actualizado na civiliza\u00e7\u00e3o ocidental at\u00e9 que chegamos \u00e0 p\u00f3s-modernidade. Quando se chega a\u00ed, ningu\u00e9m quer mais S\u00f3crates, temos um nihilismo hoje em dia que as pessoas n\u00e3o encontram mais&#8230; Nietszche, Marx e Wagner, eles v\u00eam, cada um, para tocar fogo no edif\u00edcio que existia antes.<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>\u00c9 isso que o Nietszche vem dizer, que a vontade de saber \u00e9 vontade de poder. <\/b><\/p>\n<p class=\"p1\"><b>Vem desmontar essa vontade de verdade.<\/b>..<\/p>\n<p class=\"p2\">Mas ele morre como morreu, n\u00e3o resolveu o problema. Com quest\u00f5es muito interessantes, a grande literatura que n\u00e3o perde de vista a realiza\u00e7\u00e3o humana, as quest\u00f5es no trabalho, at\u00e9 uma cren\u00e7a numa coisa positiva.<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>Ele acreditava na arte, na possibilidade de cria\u00e7\u00e3o.<\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p2\">Essa \u00e9 a salva\u00e7\u00e3o, no dia-a-dia, mas a ang\u00fastia est\u00e1 l\u00e1, o vazio, a insatisfa\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o a arte deixa de ser verdade, mas sim uma terapia.<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>A arte \u00e9 uma das formas de express\u00e3o que representa o mundo de uma determinada maneira num indiv\u00edduo.<\/b><\/p>\n<p class=\"p7\">Essa \u00e9 a nossa realidade actual, mas para um chin\u00eas esse debate n\u00e3o faz o menor sentido. Inclusive a palavra \u201cverdade\u201d, em chin\u00eas n\u00e3o existe uma palavra assim. Voc\u00ea tem o Dao, que \u00e9 verdadeiro, \u00e9 confi\u00e1vel. Mas ele n\u00e3o \u00e9 uma revela\u00e7\u00e3o, n\u00e3o t\u00eam um Mois\u00e9s. S\u00e3o duas civiliza\u00e7\u00f5es totalmente diferentes. O chin\u00eas se preocupa com o Dao, que na pol\u00edtica \u00e9 a boa ordem social, a harmonia. Individualmente, o que \u00e9 o Dao? \u00c9 o que conseguimos alcan\u00e7ar.<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>Mas Conf\u00facio tamb\u00e9m diz que o p\u00e1ssaro amarelo est\u00e1 no seu ramo, canta no seu ramo e a\u00ed permanece na mais alta excel\u00eancia, desde que saiba onde tem de permanecer.<\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p2\">E isso \u00e9 satisfat\u00f3rio para n\u00f3s?<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>N\u00e3o. Mas \u00e9 compreens\u00edvel.<\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s3\">Compreens\u00edvel e aceit\u00e1vel, e hoje n\u00f3s vivemos num mundo da p\u00f3s-verdade, globalizado, que vale a pena conhecer. <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><b>Zhuang Zi tamb\u00e9m vive nesse mundo da p\u00f3s-verdade, de alguma maneira&#8230;<\/b><\/p>\n<p class=\"p2\">Essa \u00e9 a nossa leitura. Acho que os chineses est\u00e3o sempre muito bem balizados pelo senso de ordem e estabilidade social, pela ideia de autoridade pol\u00edtica, baseado num tipo de entendimento do que \u00e9 a moral, e essa \u00e9 a forma dos chineses.<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>Sempre balizados, \u00e0 excep\u00e7\u00e3o de quando se retiram do mundo. <\/b><\/p>\n<p class=\"p7\"><span class=\"s2\">Essa \u00e9 a grande complexidade&#8230; a gente v\u00ea Zhuang Zi. O <i>qi<\/i>, a energia vital, que nos ajuda a compreender mais ou menos como \u00e9 que conseguia ser t\u00e3o frio com o ser humano em si, com as paix\u00f5es humanas, o sofrimento humano. O Zhuang Zi \u00e9 extremamente brando, voc\u00ea n\u00e3o encontra diante o sofrimento humano o que \u00e9 natural para n\u00f3s, qualquer sentido de revolta. A partir do momento em que uma pessoa diz: \u201cno seu cora\u00e7\u00e3o, voc\u00ea tem o sentido correcto\u201d. Essa \u00e9 uma coisa boa, rectid\u00e3o. Mas podemos dizer: \u201cpor que voc\u00ea age dessa forma se o seu cora\u00e7\u00e3o tem isso?\u201d. O interessante de Zhuang Zi \u00e9 que se pode fazer o que se quiser, prescreve um mundo com imensos caminhos.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><b>Desde que n\u00e3o interfiras <\/b><\/p>\n<p class=\"p1\"><b>com a ordem social.<\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p2\">Todo o pensador chin\u00eas pensa como Conf\u00facio nisso. \u201cVoc\u00ea pode fazer o que voc\u00ea quiser desde que n\u00e3o interfira no andar das coisas\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>Ainda hoje isso est\u00e1 presente na sociedade chinesa.<\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s3\">Acho que faz um pouco falta na ocidental. Agora come\u00e7amos a ver como \u00e9 que tudo parecia t\u00e3o melhor no s\u00e9culo XIX&#8230; acho que havia um sentido mais profundo de respeito m\u00fatuo. Falta esse sentido de ordem e coes\u00e3o social.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><b>\u00c9 uma das coisas que o Ocidente ainda pode aprender com o Oriente?<\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p2\">O objectivo \u00e9 o mesmo, mas a forma de chegar l\u00e1 \u00e9 diferente. Acho que voc\u00ea tem de respeitar o que as pessoas agregarem nas suas viv\u00eancias, mas deve-se respeitar e dar uma oportunidade para cada pessoa defender os seus pr\u00f3prios valores. Deve aceitar que todo o mundo tem o espa\u00e7o de liberdade para seguir com a sua vida e tomar suas pr\u00f3prias escolhas e, realmente, construir algo. Julgar o que essa pessoa fez quando ela n\u00e3o est\u00e1 mais, \u00e9 isso que faz falta hoje em dia. A gente v\u00ea as pessoas a serem julgadas, quando fez um filme ou um livro, a pessoa j\u00e1 est\u00e1 l\u00e1, destru\u00edda. Voc\u00ea n\u00e3o d\u00e1 oportunidade para que ela tenha um desenvolvimento ao longo da exist\u00eancia dela, ou se de repente a pessoa escreveu um livro ou fez um filme, j\u00e1 \u00e9 louvada. Na Europa antiga, a sociedade n\u00e3o era t\u00e3o igualit\u00e1ria como agora, mas havia o sentido de debate mais saud\u00e1vel, as pessoas tinham uma maior toler\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o aos outros, ningu\u00e9m era dono da verdade. O Ocidente ainda tem muito para aprender e em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s culturas orientais, a que chamamos orientais \u2014 P\u00e9rsia, China, Jap\u00e3o, Coreia, etc. \u2014 temos de estar abertos a elas e vermos os valores que elas t\u00eam.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] VM: Primeiro traduziu os Analectos, de Conf\u00facio, mas agora surgiu com uma tradu\u00e7\u00e3o do Zhuangzi. Por que passou do confucionismo para o tao\u00edsmo, numa das suas vers\u00f5es? GS: Na verdade, n\u00e3o havia um plano, nada foi calculado com anteced\u00eancia. Os Analectos surgiram de uma conclus\u00e3o natural do que estava vivendo na \u00e9poca. 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