{"id":637,"date":"2025-09-24T23:59:44","date_gmt":"2025-09-24T15:59:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.viadomeio.com\/?p=637"},"modified":"2025-09-25T00:00:25","modified_gmt":"2025-09-24T16:00:25","slug":"mestre-de-dez-mil-geracoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/09\/24\/mestre-de-dez-mil-geracoes\/","title":{"rendered":"Mestre de dez mil gera\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<h4 class=\"p1\" style=\"text-align: right;\"><span class=\"s1\"><b>Conf\u00facio hoje? Mas que estratagemas singulares ter\u00e1 desencantado Mestre Kong para renascer, f\u00e9nix uma e outra vez teimosa, das cinzas vermelhas da Revolu\u00e7\u00e3o Cultural, como renascera dos escombros cinzelados da dinastia Qin? Onde encontra este pensamento, idoso de 2500 anos, a sua provada resili\u00eancia e como consegue ser suficientemente jovem e flex\u00edvel para se reafirmar hoje no seio da cultura que rectificou e, ao mesmo tempo, estender a sua influ\u00eancia mais al\u00e9m? <\/b><\/span><\/h4>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Carlos Morais Jos\u00e9<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>Conf\u00facio nasceu em Qufu, na prov\u00edncia de Shandong, ent\u00e3o reino de Lu, no dia 28 de Setembro de 551 a.E.C., nessa China imperial de antanho, ao que dizem produto de uma tempestade e de uma promessa<\/b>.<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><br \/>\nS<\/span><span class=\"s2\">eria uma<\/span><span class=\"s1\"> das primeiras tardes do ano de 551 a.E.C., quando o c\u00e9u sobre cidade de Qufu, no reino de Lu, subitamente se cobriu de nuvens negras. Em breve ribombavam trov\u00f5es e raios fendiam o c\u00e9u enfurecido. Uma chuva grossa, a\u00e7oitada pelo vento, tudo atingia e ensopava. Em suma, em meros minutos, montara-se uma tempestade pouco menos que perfeita.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">Zhengzai (<span class=\"s3\">\u984f\u5fb5\u5728<\/span>), menina ca\u00e7ula da fam\u00edlia Yan, regressava a casa, ap\u00f3s tarde de passeio pelas colinas, onde solit\u00e1ria colhera ervas e plantas medicinais. Surpreendida pela inesperada tormenta, n\u00e3o encontrou outro ref\u00fagio sen\u00e3o uma simpl\u00f3ria cabana de trabalhadores, edificada n\u00e3o longe da estrada. Ainda Zhengzai procurava meio de ali passar confortavelmente algum tempo, quando um homem desconhecido assomou \u00e0 porta do tug\u00fario, tamb\u00e9m carente de abrigo daquela e de outras tempestades.<\/p>\n<p class=\"p3\">E foi ali, naquela cho\u00e7a indigna de nota, sob o signo de uma terr\u00edvel procela, que Zhengzai ter\u00e1 concebido o filho de Kong He, a quem foi dado o nome de cl\u00e3 Kong Qiu, o ep\u00edteto de cortesia Zhongni e que viria a ser conhecido como Mestre Kong (<span class=\"s3\">\u5b54\u592b\u5b50<\/span> Kong Fuzi), latinizado Confucius pelos padres jesu\u00edtas, um dos mais influentes pensadores que calcorreou o planeta Terra.<\/p>\n<p class=\"p3\">Kong He era um magistrado de 65 anos e fraca descend\u00eancia masculina (tinha gerado nove filhas com a sua esposa principal e um filho deformado com uma esposa secund\u00e1ria). Face \u00e0s esperan\u00e7as de Zhengzai, tudo prometeu lhe proporcionar \u2013 riquezas e requintados confortos \u2013 caso nascesse um rapaz saud\u00e1vel, o que veio a suceder. Contudo, reza a lenda, logo se percebeu que n\u00e3o nasceria uma pessoa qualquer. Durante a gravidez, acontecimentos miraculosos eram sintomas, \u00edndices, aug\u00farios, que de Zhengzai emergiria um grande homem, um excelso s\u00e1bio, que todos encimaria e cujo destino se entrecruzaria com o da pr\u00f3pria civiliza\u00e7\u00e3o chinesa.<\/p>\n<p class=\"p3\">Entre eles, destaca-se a apari\u00e7\u00e3o de um animal fant\u00e1stico da mitologia chinesa, que re\u00fane no seu nome qualidades de macho e de f\u00e9mea: o <span class=\"s3\">\u9e92\u9e9f<\/span> <i>qilin<\/i> (unic\u00f3rnio chin\u00eas).<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s4\">Ora estava a m\u00e3e do futuro s\u00e1bio entretida nos seus habituais afazeres, junto a casa, quando surgiu um qilin, que at\u00e9 seus p\u00e9s caracoleou e a\u00ed depositou uma tablete de jade, onde era profetizada a grandeza futura do seu filho (ver pintura p.28). No dia 28 de Setembro, nascia Conf\u00facio. <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">O <i>qilin<\/i>, entretanto desaparecido, voltaria a surgir na hist\u00f3ria quando, pouco antes da morte de Mestre Kong, se espalhou um relato segundo o qual uma destas quimeras f\u00f4ra atropelada por um carroceiro destravado e se encontrava ferida, algures a recuperar.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s4\">Independentemente da veracidade desta narrativa inicial e inici\u00e1tica, eivada de elementos m\u00edticos e esot\u00e9ricos, alguns de inspira\u00e7\u00e3o budista, a vida de Conf\u00facio revelar-se-ia uma odisseia atribulada. Pouco depois do seu nascimento (h\u00e1 quem diga no dia seguinte e h\u00e1 quem afirme tr\u00eas anos depois), o seu pai, talvez exultante de alegria, sucumbiu a um achaque e viu-se assim incapaz de cumprir a prometida subsist\u00eancia de Zhengzai. Esta, entretanto, perdera o seu pr\u00f3prio pai e viu-se ent\u00e3o reduzida a uma situa\u00e7\u00e3o de extrema pobreza. Contudo, arranjou for\u00e7as para sustentar e educar esmeradamente o seu filho. A tempestade passara e a promessa ficara por cumprir.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">Depois veio o s\u00e1bio. Mais tarde, j\u00e1 homem de seis p\u00e9s de altura, um tamanho que causava profunda impress\u00e3o, e s\u00e1bio reconhecido, especialista nos ritos, Conf\u00facio tentou colocar os seus pr\u00e9stimos ao servi\u00e7o dos governantes, mas encontrou sempre grandes resist\u00eancias, sobretudo por parte de ministros que entendiam desfavoravelmente o rigor das suas doutrinas e as consequ\u00eancias dos seus procedimentos. Conseguia ainda assim vaguear de reino em reino, como professor, conselheiro, mestre ou ministro, atraindo cada vez mais disc\u00edpulos. No entanto, nunca manteve os seus cargos pol\u00edticos durante um per\u00edodo suficientemente longo para permitir uma extensa avalia\u00e7\u00e3o do seus m\u00e9todos. Foi sempre, em geral, coarctado pela inveja e pelas intrigas de quem rodeava os detentores do poder ou pelas manobras de outros reinos que temiam que o seu bom governo fizesse prosperar demasiado os seus rivais (Sima Qian, 1985, 47).<\/p>\n<p class=\"p3\">Tal como S\u00f3crates e Jesus, Conf\u00facio n\u00e3o deixou obra escrita e os seus ensinamentos chegam-nos atrav\u00e9s dos seus disc\u00edpulos e comentadores. O Grande Mestre considerava-se, sobretudo, um editor e um transmissor de uma sabedoria esquecida. Face \u00e0 decad\u00eancia da dinastia Zhou e \u00e0 ambi\u00e7\u00e3o de cada um dos reinos que ent\u00e3o constitu\u00edam o imp\u00e9rio, Conf\u00facio propunha um regresso aos modos iniciais da dinastia e, sobretudo, ao exemplo dos grandes homens de Estado como os reis Yao e Shun, o rei Wen e o duque de Zhou. Com o objectivo de transmitir esse saber do passado, reorganizou Os Cinco Livros (<span class=\"s5\"><i>Wuj\u012bng<\/i><\/span> <span class=\"s3\">\u4e94\u7d93<\/span>), que viriam a constituir o n\u00f3dulo essencial da cultura chinesa cl\u00e1ssica: Livro das Muta\u00e7\u00f5es (Yijing <span class=\"s3\">\u6613\u7d93<\/span>), Livro das Odes (Shijing <span class=\"s3\">\u8a69\u7d93<\/span>), Livro dos Documentos (Shujing <span class=\"s3\">\u66f8\u7d93<\/span>), Livro dos Ritos (Lijing <span class=\"s3\">\u79ae\u8a18<\/span>) e Anais da Primavera e do Outono (<span class=\"s5\"><i>Ch\u016bnqi\u016b<\/i><\/span><span class=\"s3\"> \u6625\u79cb<\/span>).<\/p>\n<p class=\"p3\">Os Cinco Livros, tamb\u00e9m crismados pelo Ocidente de Pentateuco da cultura chinesa, tornaram-se desde ent\u00e3o na refer\u00eancia essencial da aprendizagem e da educa\u00e7\u00e3o na China, servindo de biblioteca abarrotada de exemplos de uma sabedoria imbu\u00edda no comportamento e procedimentos de pessoas exemplares, versando da pol\u00edtica \u00e0 fam\u00edlia, da explana\u00e7\u00e3o ritual \u00e0 hist\u00f3ria, da adivinha\u00e7\u00e3o \u00e0s pr\u00e1ticas agr\u00edcolas, e at\u00e9 como manual de etiqueta e civilidade.<\/p>\n<p class=\"p3\">Mais tarde, j\u00e1 em plena dinastia Han do Oeste, os exames imperiais foram fundamentalmente baseados no conhecimento e capacidade de interpreta\u00e7\u00e3o destes textos, seleccionados e<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>editados por Conf\u00facio.<\/p>\n<p class=\"p3\"><b>Depois da morte de Mestre Kong<\/b>, num primeiro per\u00edodo, os disc\u00edpulos e descendentes divulgaram com relativa facilidade as suas ideias, que rapidamente encontraram eco na comunidade pensante da China.<\/p>\n<p class=\"p3\">Nos tr\u00eas s\u00e9culos seguintes floresceriam v\u00e1rias escolas de inspira\u00e7\u00e3o confuciana e importantes pensadores basearam-se nas suas ideias, como M\u00eancio ou Xunzi, cujas obras permanecem refer\u00eancias incontorn\u00e1veis e inesgot\u00e1veis, ao longo dos tempos sujeitas a novas interpreta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"p3\">As diverg\u00eancias entre eles, na interpreta\u00e7\u00e3o do pensamento do Mestre, surgem como um reflexo da complexidade de um saber, de uma via prof\u00edcua, que conheceria numerosos desenvolvimentos ao longo da hist\u00f3ria do pensamento chin\u00eas.<\/p>\n<p class=\"p3\">Mas se, durante este per\u00edodo, os <i>ru<\/i><sup>1<\/sup> eram bem recebidos nas casas reais, com o advento da dinastia Qin (221-206 a.E.C.) ganharam extraordin\u00e1ria for\u00e7a as ideias ditas \u201clegistas\u201d, uma outra corrente filos\u00f3fica chinesa, ferozmente oposta aos conceitos eleitos por Conf\u00facio. Pela primeira vez, o confucionismo foi considerado como \u201cinimigo do Estado\u201d, os livros queimados e os seus seguidores ferozmente perseguidos.<\/p>\n<p class=\"p5\">\u00c9 preciso compreender que Conf\u00facio vivera durante o regime imperial extremamente d\u00e9bil da dinastia Zhou, em que os senhores<\/p>\n<p class=\"p6\">locais, numa esp\u00e9cie de feudalismo, se encontravam dotados de grande autonomia. De algum modo, as ideias confucianas destinavam-se \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o e pr\u00e1tica deste tipo de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e social, e n\u00e3o \u00e0s necessidades de um Estado ferozmente centralizado, como preconizava e implementou a dinastia Qin, que pela primeira vez unificou a China.<\/p>\n<p class=\"p3\">Al\u00e9m disso e fulcral, temos <b>a quest\u00e3o da cabra<\/b>. Vejamos:<\/p>\n<p class=\"p3\">O duque Ye disse a Conf\u00facio: \u201cNo meu pa\u00eds um homem recto cujo pai roubou uma cabra denunciou o progenitor \u00e0s autoridades.\u201d Ao que o Mestre respondeu: \u201cOs homens rectos no meu pa\u00eds s\u00e3o diferentes: o pai protege o filho e o filho protege o pai, isto \u00e9 rectid\u00e3o.\u201d (Analectos, 13:8)<\/p>\n<p class=\"p3\">Como se pode deduzir deste aparentemente inocente epis\u00f3dio da cabra roubada, contudo de tr\u00e1gicas consequ\u00eancias, Conf\u00facio revela dar mais import\u00e2ncia \u00e0 fam\u00edlia do que ao Estado e colocar em primeiro lugar as rela\u00e7\u00f5es familiares e cl\u00e2nicas face ao dever de servir o reino. O Mestre vai ainda mais longe: para proteger a fam\u00edlia, poder-se-\u00e1 mesmo ignorar a lei e ir contra a vontade do soberano. Ora tais prop\u00f3sitos n\u00e3o podiam cair bem junto de quem pretendia fazer da lei e da centraliza\u00e7\u00e3o do poder o sustent\u00e1culo m\u00e1ximo da governa\u00e7\u00e3o, o que era o caso de Qin Huangdi, primeiro imperador da dinastia Qin.<\/p>\n<p class=\"p3\">A sabedoria confuciana seria, no entanto, salva da fogueira legista. Reza a lenda que algu\u00e9m conseguiu esconder os principais escritos (incluindo Os Cinco Livros, as obras de M\u00eancio e de Xunzi) no interior de um muro, a famosa parede de Lu, que ter\u00e1 pertencido \u00e0 casa original de Conf\u00facio, hoje parte do Templo do Mestre em Qufu, donde foram recuperados ap\u00f3s o advento da dinastia Han (205 a.E.C-224), durante a qual os ensinamentos dos <i>ru<\/i> foram de novo apreciados, estudados, complexificados e difundidos. Com os Han, o ruismo ganhava contornos de ortodoxia, pois encontrava-se agora ao servi\u00e7o do Estado.<\/p>\n<p class=\"p3\">Contudo, nas dinastias seguintes, especialmente durante a dinastia Tang, a chamada intromiss\u00e3o de cren\u00e7as estrangeiras, nomeadamente budistas, e a influ\u00eancia do dao\u00edsmo m\u00e1gico, foram relegando o confucionismo para uma posi\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria. Nas cortes, os <i>ru<\/i> voltavam a perder posi\u00e7\u00e3o e influ\u00eancia. Esta situa\u00e7\u00e3o viria a causar uma forte reac\u00e7\u00e3o, com o advento da dinastia Song, originando o que se convencionou chamar de \u201cneo-confucionismo\u201d, ou seja, uma rejei\u00e7\u00e3o quase liminar do budismo e do dao\u00edsmo, acompanhada de um expressivo renascimento da ideias confucianas, agora reordenadas, reeditadas e reinterpretadas segundo os s\u00e1bios desta dinastia, nomeadamente pelos dois Cheng, os irm\u00e3os Cheng Yi e Cheng Hao. Entre os seus seguidores, destacou-se Zhu Xi (1130-1200), que repensou e reorganizou o c\u00e2none confuciano, nomeadamente atrav\u00e9s da edi\u00e7\u00e3o d\u2019 <i>Os Quatro Livros<\/i> (<i>Estudo Maior, Pr\u00e1tica do Meio, Analectos e M\u00e2ncio<\/i>), que viriam a ser a base incontorn\u00e1vel do pensamento chin\u00eas tal qual o Ocidente o encontrou no s\u00e9culo XVI, sob a lupa dos padres jesu\u00edtas, os seus primeiros tradutores para l\u00ednguas europeias.<\/p>\n<p class=\"p3\">Assim, operara-se uma mudan\u00e7a fundamental: enquanto que, at\u00e9 \u00e0 dinastia Song, os estudos e os exames se baseavam fundamentalmente n\u2019 <i>Os Cinco Livros<\/i>, algum tempo depois de reconhecido e apreciado o trabalho de Zhu Xi, a cultura chinesa conheceria uma reorganiza\u00e7\u00e3o dos seus textos de refer\u00eancia. Nela assumia agora lugar preponderante a forma\u00e7\u00e3o \u00e9tica da pessoa por oposi\u00e7\u00e3o ao sublinhar da import\u00e2ncia dos ritos.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s4\"><i>Os Quatro Livros<\/i> passaram a ser a base dos exames imperiais e regularam o ethos chin\u00eas desde ent\u00e3o at\u00e9 ao s\u00e9culo XX. E, mesmo rejeitados e de novo queimados, pelas correntes modernas novecentistas ou pelo radicalismo dos Guardas Vermelhos, estes volumes continuam a encerrar os valores e ditames que ainda hoje regulam o comportamento e formam a culpabilidade de muitos milh\u00f5es de pessoas. <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">O confucionismo \u00e9 hoje uma das doutrinas mais presentes e realmente praticadas em todo o planeta. A sua influ\u00eancia n\u00e3o somente enforma a sociedade chinesa, com os seus 1,4 mil milh\u00f5es de pessoas, como se espalhou a outras civiliza\u00e7\u00f5es asi\u00e1ticas onde desempenha um papel central (como a Coreia, Jap\u00e3o, Vietname e Singapura) ou constitui uma importante influ\u00eancia (como a Tail\u00e2ndia, Indon\u00e9sia, Laos, Camboja e Mal\u00e1sia). Fazendo as contas, o confucionismo constitui a base moral de mais de um ter\u00e7o da humanidade e, com o crescimento da import\u00e2ncia da China no palco mundial, a sua expans\u00e3o n\u00e3o dever\u00e1 ficar por aqui. Ali\u00e1s, os indicadores do s\u00e9culo XXI revelam que alguns aspectos da \u201cmoral oriental\u201d tendem a emigrar para Ocidente e a \u201ccontaminar\u201d as sociedades ocidentais, de matriz greco-romana, com os seus valores, tal como estas desde o s\u00e9culo XVI t\u00eam \u201ccontaminado\u201d o Oriente. Eis mais uma raz\u00e3o para do confucionismo fazer um estudo de elei\u00e7\u00e3o, no sentido de compreender, ao extremo, estas \u201cviagens de ideias\u201d e antecipar as suas consequ\u00eancias, para um lado e para o outro.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">Em palavras contempor\u00e2neas, dir\u00edamos que, <b>para Conf\u00facio, o homem \u00e9, antes de mais e de tudo, um produtor de moral<\/b>. Sabe distinguir o bem do mal e encontra-se dotado de livre arb\u00edtrio. Estas qualidades distinguem-no dos animais e de todos os outros seres. Portanto, daqui adv\u00e9m tamb\u00e9m a sua responsabilidade, o dever de incorrer em ac\u00e7\u00e3o correcta, de modo a criar um mundo em que prevale\u00e7a a harmonia.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s4\">Assim, o modo como se apresenta, como se veste, como anda e como fala; o que diz, o que l\u00ea, o que desenvolve como actividade, o que produz e como se dirige aos outros; enfim, toda e qualquer ac\u00e7\u00e3o humana (e mesmo a aus\u00eancia dela) \u00e9 imediatamente produtora de valores morais (e, num plano superior, est\u00e9ticos), quer como exemplo para os outros, quer a partir dos resultados das pr\u00e1ticas concretas. <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">Conf\u00facio s\u00f3 entende o homem em rela\u00e7\u00e3o com outros homens, como animal greg\u00e1rio, social e cultural. Para ele, a vida s\u00e3o os outros e este \u00e9 um facto incontorn\u00e1vel. Dos des\u00edgnios do C\u00e9u, do mundo, da vida depois da morte, dos esp\u00edritos, pouco ou nada sabemos e de nada podemos ter a certeza. Por isso, antes de mais, devemos regular o que podemos controlar: as nossas rela\u00e7\u00f5es humanas e sociais.<\/p>\n<p class=\"p3\">O confucionismo \u00e9 um pensamento moral e \u00e9tico, que visa uma pr\u00e1tica, destinado a contribuir para uma excelsa regula\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es entre os homens e destes com o mundo. Pensamento pol\u00edtico, com certeza e, em grande parte, destinado aos que exercem o poder, no sentido de os convencer da necessidade imperiosa de autovigil\u00e2ncia, virtude e benevol\u00eancia nas suas ac\u00e7\u00f5es, o confucionismo cedo ignora a metaf\u00edsica e se centra na regula\u00e7\u00e3o dos assuntos humanos.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s4\"><b>O objectivo do confucionista \u00e9 tornar-se uma pessoa exemplar<\/b> (<\/span><span class=\"s7\">\u541b\u5b50<\/span><span class=\"s4\"> <i>junzi<\/i>), ou seja algu\u00e9m cujo comportamento \u00e9 de tal modo virtuoso e benevolente que os outros naturalmente o seguir\u00e3o. Mas como atingir este estado de exemplaridade? Para os <i>ru<\/i>, o homem nasce dotado de uma \u201cluminosa virtude\u201d, que lhe \u00e9 conferida, homologamente, pelo C\u00e9u. Mas, ao longo da sua vida, ao ro\u00e7agar pelos constrangimentos sociais e com a emerg\u00eancia dos desejos ego\u00edstas, a sua natureza original gradualmente se esvai, sendo ent\u00e3o necess\u00e1rio recuper\u00e1-la. <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">Como faz\u00ea-lo? V\u00e1rias escolas indicam diversos caminhos mas, fundamentalmente, todos concordam que tal se efectua pelo \u201ccultivo de si\u201d (<span class=\"s3\">\u4fee\u8eab<\/span> <i>xiushen<\/i>). Quer este \u201ccultivo de si\u201d signifique a aquisi\u00e7\u00e3o de conhecimento, \u201ca investiga\u00e7\u00e3o das coisas\u201d, como querem uns, ou meramente \u201ca rectifica\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o\u201d e \u201ctornar \u00edntegros os pensamentos\u201d, como sugerem outros, o cultivo de si representa no confucionismo o esfor\u00e7o individual, o <i>dao<\/i> de cada um, para atingir a plena pr\u00e1tica de <i>ren<\/i>. Neste sentido, o cultivo de si, embora deva ser feito atrav\u00e9s do estudo, permanece como um trabalho permanente do indiv\u00edduo no sentido de rectificar constantemente o seu cora\u00e7\u00e3o, tornando os seus pensamentos eficazes e \u00edntegros (<i>cheng<\/i>). \u00c9 neste sentido que no <i>Estudo Maior<\/i> (<i>Da Xue<\/i>) surge escrito: \u201cNa banheira de Tang<sup>2<\/sup>, fora gravado: \u201cRenova-te com rigor dia ap\u00f3s dia. Que haja uma renova\u00e7\u00e3o di\u00e1ria.\u201d<\/p>\n<p class=\"p3\">A necessidade de renova\u00e7\u00e3o cont\u00ednua inscreve-se num permanente acompanhamento do devir do universo. Zhu Xi prescreve-a, atrav\u00e9s da inscri\u00e7\u00e3o da banheira de Tang e da compara\u00e7\u00e3o higienista. Esta funciona em dois planos: primeiro, a urg\u00eancia de continuamente renovar a investiga\u00e7\u00e3o das coisas e os seus princ\u00edpios, por estarem permanente transforma\u00e7\u00e3o; segundo, a elimina\u00e7\u00e3o das m\u00e1culas que o exterior vai tra\u00e7ando em cada natureza original<sup>3<\/sup>. Finalmente, sublinha a import\u00e2ncia de uma constante aten\u00e7\u00e3o: \u201c\u00c9 imposs\u00edvel admitir, ainda que por neglig\u00eancia, um intervalo ou uma interrup\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p class=\"p3\">Por outro lado, a efic\u00e1cia destes procedimentos passa em grande parte pela compreens\u00e3o e a execu\u00e7\u00e3o dos ritos, na medida em que estes proporcionam o modo correcto de proceder.<\/p>\n<p class=\"p3\">Qualquer pessoa pode afinar o seu comportamento vergando-o \u00e0 execu\u00e7\u00e3o dos ritos. O rito \u00e9 uma via segura para o discorrer da ac\u00e7\u00e3o. Assim, por exemplo, ao entrar numa sala, a crian\u00e7a sabe de antem\u00e3o, se conhecer o rito, quem deve cumprimentar em primeiro lugar e como se dirigir de forma apropriada a cada um dos presentes, consoante a sua posi\u00e7\u00e3o social e\/ou familiar. Assim se evita o erro e se mant\u00e9m a harmonia.<\/p>\n<p class=\"p3\">A postura de Conf\u00facio face ao saber (afinal, o que podemos conhecer?) foi determinante para o pensamento chin\u00eas como a de S\u00f3crates para o pensamento ocidental. Neles detectamos prop\u00f3sitos semelhantes e gigantescas diferen\u00e7as. De facto, ambos transformaram o pensamento do seu tempo numa \u201cantropologia\u201d, ao fazerem do homem o centro das suas preocupa\u00e7\u00f5es. S\u00f3crates desprezava tanto o discurso sobre o cosmos, querido aos sofistas, como Conf\u00facio ignorava o que n\u00e3o fosse rela\u00e7\u00f5es humanas. Contudo, o Mestre de Dez Mil Gera\u00e7\u00f5es emitia um pensamento voltado para a \u201cefic\u00e1cia\u201d e n\u00e3o para a descoberta da \u201cverdade\u201d, j\u00e1 que quanto a essa, t\u00e3o querida \u00e0 \u201cparteira grega\u201d, entendia que cada fam\u00edlia, cada grupo, cada pessoa teria a sua e isso interessa muito pouco ao modo como nos relacionamos uns com os outros. A verdade exclui e por isso \u00e9 criadora de conflitos e desarmonia.<\/p>\n<p class=\"p3\"><b>Metaf\u00edsica, vida depois da morte, a exist\u00eancia dos deuses e dos esp\u00edritos, a sacralidade do C\u00e9u e da Terra, nada disto realmente preocupava Conf\u00facio<\/b>, j\u00e1 que o que ele via, o que ele vivia e ressentia era o quotidiano dos camponeses e as iniquidades dos senhores, os esfor\u00e7os dos letrados e o desprezo pelo saber dos ocupantes das cadeiras do poder, cujo comportamento vicioso, distanciado dos princ\u00edpios morais, impedia o estabelecimento da harmonia e de um governo justo para todos os homens.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s4\">Efic\u00e1cia ao inv\u00e9s de verdade, <i>Li<\/i> em vez de <i>logos<\/i> \u2014 narra a hist\u00f3ria deste pensamento que, para plenamente se exercer, n\u00e3o se satisfaz com o respeito \u00e0 moral social vigente mas obriga a uma profunda interroga\u00e7\u00e3o \u00e9tica. \u00c9 certo que muitos atribuem (e bem) ao ruismo uma inclina\u00e7\u00e3o para o conformismo social, como se cada um devesse ficar satisfeito com o lugar que o destino lhe atribuiu na sociedade e, consequentemente, respeitar os poderosos. E, claro, o poder soube ao longo dos tempos aproveitar-se dos aspectos mais \u201creaccion\u00e1rios\u201d da sua obra ou o confucionismo n\u00e3o teria sido incensado e servido de cartilha em numerosos momentos da hist\u00f3ria chinesa. <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s4\">Mais recentemente, v\u00e1rios pensadores chineses reinterpretam o confucionismo enfatizando aspectos que lhes permitem hierarquizar os \u201cdireitos colectivos\u201d acima dos \u201cdireitos individuais\u201d, os \u201cdeveres\u201d para com a comunidade acima dos \u201cdireitos de cidadania\u201d e, sobretudo, recusar a ideia de indiv\u00edduo \u2014 isolado e considerado independentemente de outros membros da sua sociedade \u2014 adaptando este pensamento \u00e0 ideologia hoje reinante na China em que o Estado sobremaneira controla e regula a cidadania (Chen Lai, 2014). <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">Ser\u00e1 mesmo assim ou a leitura dos textos originais abrir\u00e1 portas que permitem outras interpreta\u00e7\u00f5es e conclus\u00f5es? Estamos perante uma doutrina \u201creaccion\u00e1ria\u201d, \u201cnacionalista\u201d, \u201cs\u00f3 para orientais\u201d; ou conter\u00e1 virtualidades, como a \u201cbenevol\u00eancia, integridade, rectid\u00e3o, harmonia, cultivo de si e virtude\u201d, que lhe permitir\u00e3o tornar-se num pensamento global?<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s6\">Certo \u00e9 que entender Conf\u00facio \u00e9 entender a China de ontem, de hoje e de amanh\u00e3. E, nesse entendimento do confucionismo, na sua reavalia\u00e7\u00e3o e actualiza\u00e7\u00e3o, residir\u00e1 grande parte da resposta \u00e0 pergunta: que papel desempenhar\u00e1 o pensamento chin\u00eas no futuro da humanidade e que consequ\u00eancias da\u00ed advir\u00e3o? <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>_______<\/p>\n<p class=\"p8\"><b>Notas<\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p8\">1. Ru significa \u201cletrado\u201d, \u201cculto\u201d, e \u00e9 utilizado para pessoas, ideias ou coisas relacionadas com os pensamentos e as pr\u00e1ticas derivadas de Conf\u00facio. No passado, ru era, por exemplo, o conjunto dos letrados confucionistas que ensinavam ou aconselhavam os governantes e as suas fam\u00edlias. Segundo Zhou Youguang, o pai do pinyin, ru originalmente referia-se aos antigos m\u00e9todos utilizados pelos xamanes nos rituais, mas depois de Conf\u00facio tornou-se na designa\u00e7\u00e3o para os que espalham as suas ideias e educam o povo. Alguns pensadores contempor\u00e2neos rejeitam mesmo o termo \u201cconfucionismo\u201d, por ser de origem europeia, e prop\u00f5em que as doutrinas relevantes sejam chamadas de \u201cruismo\u201d e os seus seguidores \u201cruistas\u201d, por entenderem que tal \u00e9 mais fiel ao original chin\u00eas.<\/p>\n<p class=\"p8\">2. Legge escreve n\u00e3o ter encontrado em qualquer outro documento refer\u00eancia alguma a esta cita\u00e7\u00e3o, gravada na banheira de Tang, fundador da dinastia Shang. Admite que ter\u00e1 sido recolhida da sabedoria tradicional. Legge, James; THE FOUR BOOKS, The Great Learning; Culture Book Co.; p\u00e1g. 10.<\/p>\n<p class=\"p8\">3. Natureza (xing) significa fundamentalmente \u201cnatureza humana\u201d, apesar de Zhu Xi a generalizar a todos os seres. O C\u00e9u confere ao homem a sua natureza que necessita, no entanto, de ser regulada atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o porque ao longo da vida ela \u00e9, geralmente, desvirtuada. Portanto, a natureza humana \u00e9 entendida como tendo um car\u00e1cter transcendental, na medida em que \u00e9 decorrente do C\u00e9u. Segundo o coment\u00e1rio de Zhu Xi, Zisi transmite neste cap\u00edtulo as bases da concep\u00e7\u00e3o confuciana do mundo, come\u00e7ando por referir a origem celeste da Via e a sua imutabilidade. O homem encontra-se plenamente munido desta realidade substancial e n\u00e3o a pode abandonar. Ao apresentar na mesma frase quatro no\u00e7\u00f5es interligadas \u2013 C\u00e9u, Natureza Humana, Via e Educa\u00e7\u00e3o, este livro lan\u00e7a os fundamentos da cultura filos\u00f3fica chinesa: a realidade da natureza moral do homem encontra o seu fundamento no C\u00e9u; para se manter na Via, dever\u00e1 ser empreendido o cultivo de si (regresso \u00e0 natureza original\/celeste), atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o. De notar ainda que existe uma homologia (uma mesma estrutura) entre C\u00e9u e Natureza Humana, o que justificar\u00e1 o desenvolvimento ao longo de todo o pensamento chin\u00eas (nomeadamente, entre os letrados) de uma \u201contologia\u201d moral. A moral encontra aqui um princ\u00edpio natural e universal, que \u00e9 inalter\u00e1vel, coerente e espont\u00e2neo. O que poderia, em termos de filosofia ocidental, ser considerado unicamente transcendente, absorve aqui a no\u00e7\u00e3o de iman\u00eancia. A moral n\u00e3o vai contra a natureza humana; pelo contr\u00e1rio, ela \u00e9 um \u201cestado natural\u201d do homem, sendo pervertida pelos acidentes da exist\u00eancia e pelo ego\u00edsmo de cada indiv\u00edduo. A natureza humana (moral) \u00e9 dada, mas n\u00e3o realizada. Para a realizar, h\u00e1 que recorrer \u00e0 educa\u00e7\u00e3o\/cultivo de si.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p8\"><b>Bibliografia<\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p8\"><span class=\"s9\"><i>Quadrivolume de Conf\u00facio<\/i><\/span>. 1984. Tradu\u00e7\u00e3o e coment\u00e1rios de Padre Joaquim Guerra. Macau: Jesu\u00edtas Portugueses.<\/p>\n<p class=\"p8\"><span class=\"s9\"><i>The Four Books<\/i><\/span>. The Great Learning, The Doctrine of The Mean, Analects &amp; The Works of Mencius<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>\u2013 The Chinese Text; Translation with Exegetical Notes and Dictionary of All Characters. 1893. Tradu\u00e7\u00e3o e coment\u00e1rios de James Legge (1815-1897). Oxford: Clarendon Press.<\/p>\n<p class=\"p8\"><span class=\"s9\"><i>La Grande \u00c9tude<\/i><\/span>. 1984. Tradu\u00e7\u00e3o e coment\u00e1rios de Martine Hasse. Paris: Les Editions du Cerf.<\/p>\n<p class=\"p8\"><span class=\"s9\"><i>Daxue &amp; Zhongyong<\/i><\/span>. 2012. Tradu\u00e7\u00e3o e coment\u00e1rios de Ian Johnston and Wang Ping.Hong Kong: The Chinese University Press.<\/p>\n<p class=\"p8\"><span class=\"s9\"><i>Zhongyong<\/i><\/span>. 1993. Tradu\u00e7\u00e3o e coment\u00e1rios de Fran\u00e7ois Julien. Paris: Imprimerie Nationale.<\/p>\n<p class=\"p8\"><span class=\"s9\"><i>Focusing the familiar: a translation and philosophical interpretation of the Zhongyong<\/i><\/span>. 2001. Tradu\u00e7\u00e3o e coment\u00e1rios de Roger T. Ames and David L. Hall. Hawai: University of Hawaii Press<\/p>\n<p class=\"p8\"><span class=\"s9\"><i>The Analects of Confucius<\/i><\/span>. 1938. Tradu\u00e7\u00e3o e coment\u00e1rios de Waley, Arthur.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>London: Allen &amp; Unwin; paperback reprint, New York: Vintage Books.<\/p>\n<p class=\"p8\"><span class=\"s9\"><i>Analects<\/i><\/span>. 1979. Tradu\u00e7\u00e3o e coment\u00e1rios de D. C. Lau. Middlesex, Eng.: Penguin Books.<\/p>\n<p class=\"p8\"><span class=\"s9\"><i>The Original Analects: Sayings of Confucius and His Successors<\/i><\/span>. 1998. Tradu\u00e7\u00e3o e coment\u00e1rios de Brooks, E. Bruce and A. Taeko Brooks. New York: Columbia University Press.<\/p>\n<p class=\"p8\"><span class=\"s9\"><i>The Analects of Confucius<\/i><\/span>. 1998. Tradu\u00e7\u00e3o e coment\u00e1rios de Roger T. Ames e Henry Rosemont, Jr. New York: Ballantine Books,.<\/p>\n<p class=\"p8\"><span class=\"s9\"><i>Os Analectos<\/i><\/span>. 2011. Tradu\u00e7\u00e3o e coment\u00e1rios de Giorgio Sinedine. S\u00e3o Paulo: Editora UNESP.<\/p>\n<p class=\"p8\"><span class=\"s9\"><i>Les entretiens de Confucius avec ses disciples<\/i><\/span>. 1994. Tradu\u00e7\u00e3o e coment\u00e1rios de Andr\u00e9 L\u00e9vy. Paris: Gallimard.<\/p>\n<p class=\"p8\"><span class=\"s9\"><i>Les entretiens de Confucius et ses disciples<\/i><\/span>. 2016. Tradu\u00e7\u00e3o e coment\u00e1rios de Jean Levi. Paris: Albin Michel.<\/p>\n<p class=\"p8\"><span class=\"s9\"><i>The New Analects \u2013 Confucius Reconstructed<\/i><\/span>. 2014. Editado por Qian Ning. Tradu\u00e7\u00e3o de Toni Blishen. Shanghai Press and Publishing Development Company.<\/p>\n<p class=\"p8\"><span class=\"s9\"><i>Confucius \u2013 The Great Digest \u2013 The Unwobbling Pivot \u2013 The Analect<\/i><\/span>s. 1928. Tradu\u00e7\u00e3o e coment\u00e1rios de Ezra Pound. New York: New Directions Paperbook, 1968.<\/p>\n<p class=\"p8\"><span class=\"s9\"><i>Mencius<\/i><\/span>. 2003. Tradu\u00e7\u00e3o e coment\u00e1rios de Andr\u00e9 L\u00e9vy. Paris: Editions You-Feng.<\/p>\n<p class=\"p8\"><span class=\"s9\"><i>Mencius<\/i><\/span>. 1970. Tradu\u00e7\u00e3o e coment\u00e1rios de D. C. Lau. London: Penguin Books.<\/p>\n<p class=\"p8\"><span class=\"s9\"><i>The Shoo King or Book of Historical Record<\/i><\/span>s. 2000. Tradu\u00e7\u00e3o e coment\u00e1rios James Legge. Taiwan: SMC Publishing Inc.<\/p>\n<p class=\"p8\"><span class=\"s9\"><i>Li Jing.The Book of Rites<\/i><\/span>. 2013. Tradu\u00e7\u00e3o e coment\u00e1rios de James Legge. Pequim: Intercultural Press.<\/p>\n<p class=\"p8\">Sima Qian. 1985.<span class=\"s9\"><i> Records of the Historian.<\/i><\/span> Tradu\u00e7\u00e3o de Yang Hsien e Gladys Yang. Hong Kong: The Commercial Press, Ltd.<\/p>\n<p class=\"p8\">Chan, Joseph. 2014. <span class=\"s9\"><i>Confucian Perfectionism<\/i><\/span>. New Jersey: Princeton University Press.<\/p>\n<p class=\"p8\">Chan, Wing-Tsit. 1969. <span class=\"s9\"><i>A Source Book in Chinese Philosophy<\/i><\/span>. New Jersey: Princeton University Press.<\/p>\n<p class=\"p8\">Chen Jinpan.1990. <span class=\"s9\"><i>Confucius as a teacher<\/i><\/span>. Pequim: Foreign Languages Press.<\/p>\n<p class=\"p8\">Chen Lai. 2014. <span class=\"s9\"><i>Collection of Chen Lai\u2019s Speeches<\/i><\/span>. Beijing, China: Jiu Zhou Press.<\/p>\n<p class=\"p8\">Cheng, Anne. 1997. <span class=\"s9\"><i>Histoire de la pens\u00e9e chinoise<\/i><\/span>. Paris: Gallimard.<\/p>\n<p class=\"p9\"><span class=\"s10\">Chin, Ann-ping. 2007. <\/span><i>The Authentic Confucius: A Life of Thought and Politics<\/i><span class=\"s10\">. New York: Scribner.<\/span><\/p>\n<p class=\"p8\">El Amine, Loubna. 2015. <span class=\"s9\"><i>Classical Confucian Political Thought<\/i><\/span>. New Jersey: Princeton University Press.<\/p>\n<p class=\"p8\">Etiemble. 1962. <span class=\"s9\"><i>Confucius<\/i><\/span>. Paris: Gallimard.<\/p>\n<p class=\"p8\">Fingarette, Herbert. 1972. <span class=\"s9\"><i>Confucius: The Secular as Sacred.<\/i><\/span> New York: Harper &amp; Row, 1972.<\/p>\n<p class=\"p8\">Fung Yulan. 1952. <span class=\"s9\"><i>A History of Chinese Philosophy.<\/i><\/span> New Jersey: Princeton University Press.<\/p>\n<p class=\"p8\">Granet, Marcel. 1934. <span class=\"s9\"><i>La pens\u00e9e chinoise. <\/i><\/span>Paris: \u00c9ditions Albin Michel.<\/p>\n<p class=\"p8\">Levi, Jean. 2002. <span class=\"s9\"><i>Confucius<\/i><\/span>. 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