{"id":654,"date":"2025-09-25T00:24:33","date_gmt":"2025-09-24T16:24:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.viadomeio.com\/?p=654"},"modified":"2025-09-25T00:24:33","modified_gmt":"2025-09-24T16:24:33","slug":"o-liu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/09\/25\/o-liu\/","title":{"rendered":"O Liu"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p class=\"p1\">S<span class=\"s1\">e andarmos<\/span> mais 150 quil\u00f3metros para Leste, encontraremos a montanha da Raiz (<span class=\"s2\">\u67e2\u5c71 <\/span><i>Di Shan<\/i>) onde, estranhamente, apesar de ser percorrida por in\u00fameros rios, praticamente n\u00e3o existem \u00e1rvores ou plantas relevantes. Tal acontece talvez devido ao car\u00e1cter extremamente rochoso do solo, mas outras explica\u00e7\u00f5es mais subtis e misteriosas s\u00e3o igualmente avan\u00e7adas pelos que perto dela habitam. Este local fica perto de uma cidade hoje chamada Chenzhou (<span class=\"s2\">\u90f4\u5dde<\/span>) que se situa na parte mais a sul da prov\u00edncia de Hunan.<\/p>\n<p class=\"p3\">Foi ali, nessas \u00e1guas pouco fertilizantes, que nasceu o <i>liu<\/i>, um peixe de grande porte cujo corpo se assemelha a um b\u00fafalo. Apesar de ser um peixe, \u00e9 afirmado ostentar uma bela cornadura, uma longa cauda de serpente e duas asas, constitu\u00eddas por um formoso conjunto de penas que lhe saem das costelas.<\/p>\n<p class=\"p3\">N\u00e3o se pode classificar o <i>liu<\/i> como um animal aqu\u00e1tico ou terrestre porque, por vezes, permanece nos rios, doutras vezes vagueia pela terra e \u00e9 mesmo, abrindo as suas magn\u00edficas asas, tamb\u00e9m capaz de voar. No Ver\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel encontr\u00e1-lo com alguma facilidade, mas, durante o Inverno, o <i>liu<\/i> aproveita para hibernar em grutas secas.<\/p>\n<p class=\"p3\">O <i>liu<\/i> emite um som parecido com o bramido do iaque, mas atinge uma intensidade t\u00e3o alta que tudo estremece nas suas redondezas. Outro dos seus costumes \u00e9, durante o ver\u00e3o, tomar prolongados banhos de sol.<\/p>\n<p class=\"p3\">Segundo antiqu\u00edssimas cren\u00e7as, quem comer deste peixe n\u00e3o apenas se livra de indesejados incha\u00e7os como fica curado de quaisquer p\u00fastulas malignas ou carb\u00fanculos. A carne de <i>liu<\/i> tornou-se, por isso, num produto altamente cobi\u00e7ado entre os curandeiros que tudo fazem e muito pagam para a obter.<\/p>\n<p class=\"p3\">Contudo, \u00e9 dif\u00edcil e at\u00e9 arriscado ca\u00e7ar um <i>liu<\/i>, devido ao seu tamanho, cornos afiados e extrema ferocidade, que dispara exponencialmente quando se v\u00ea encurralado. Por outro lado, como \u00e9 capaz de levantar v\u00f4o, facilmente escapa mesmo a homens organizados em bandos de ca\u00e7adores. Ent\u00e3o, na maior parte dos casos, os que pretendem apanh\u00e1-los, para aproveitar o seu valor medicinal, esperam pelo inverno para os surpreenderem em plena hiberna\u00e7\u00e3o, dormitando pelas grutas despojadas da montanha da Raiz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>Texto e ilustra\u00e7\u00e3o inspirados pelo <\/b><b><i>Cl\u00e1ssico das Montanhas e dos Mares<\/i><\/b><b> (<\/b><b><i>Shanhai Jing<\/i><\/b><b>), legendariamente atribu\u00eddo a Yu, primeiro imperador da dinastia Xia, e a um letrado chamado Boyi, o que remeteria a origem da obra para o segundo mil\u00e9nio a.E.C.\u00a0<\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\">Ilustra\u00e7\u00e3o de Ana Jacinto Nunes<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] Se andarmos mais 150 quil\u00f3metros para Leste, encontraremos a montanha da Raiz (\u67e2\u5c71 Di Shan) onde, estranhamente, apesar de ser percorrida por in\u00fameros rios, praticamente n\u00e3o existem \u00e1rvores ou plantas relevantes. Tal acontece talvez devido ao car\u00e1cter extremamente rochoso do solo, mas outras explica\u00e7\u00f5es mais subtis e misteriosas s\u00e3o igualmente avan\u00e7adas pelos que perto&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":655,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[],"class_list":["post-654","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cronica"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/93-Liu-e1758731059869.png","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/654","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=654"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/654\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":656,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/654\/revisions\/656"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/655"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=654"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=654"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=654"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}