{"id":682,"date":"2025-09-25T02:22:27","date_gmt":"2025-09-24T18:22:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.viadomeio.com\/?p=682"},"modified":"2025-09-25T02:22:27","modified_gmt":"2025-09-24T18:22:27","slug":"vinho-chines-entre-as-flores-um-jarro-de-vinho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/09\/25\/vinho-chines-entre-as-flores-um-jarro-de-vinho\/","title":{"rendered":"Vinho chin\u00eas entre as flores, um jarro de vinho&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">G<\/span><span class=\"s2\"><i>anbei!<\/i><\/span> Pal<span class=\"s3\">avra em voz alta pronunciada em un\u00edssono a significar esvaziar o copo, mais propriamente sec\u00e1-lo num \u00fanico trago, antes de se brindar com ele cheio de vinho. Bebe-se todo o l\u00edquido e como prova vira-se para baixo, de onde n\u00e3o deve cair um \u00fanico pingo. De p\u00e9 repetimos o que vemos fazer. Uma vol\u00e1til frag\u00e2ncia perfuma toda a sala e o sabor forte anestesia a boca e um ardor escorre garganta abaixo. O anfitri\u00e3o enche-nos ent\u00e3o o copo de ch\u00e1 e em pequenos golos este l\u00edquido vai dissolvendo e aligeirando o teor de \u00e1lcool, que segundo a garrafa atinge os 57\u00ba.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s3\">Nova rodada \u00e9 servida, variando o copo de tamanho mediante a latitude e se no Sul da China o c\u00e1lice \u00e9 pequeno, j\u00e1 no Norte os copos bem maiores por tr\u00eas vezes s\u00e3o cheios e entornados de um s\u00f3 trago para aquecer o ambiente.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\"><i>Ganbei<\/i>!&#8230; (pelo melhor) e de p\u00e9, por respeito, com as duas m\u00e3os erguem-se os copos chocando com os das pessoas ao redor da mesa e sendo esta grande, ent\u00e3o o toque \u00e9 feito no redondo e rotativo vidro, onde se encontram os pratos de comida partilhada. No restante redondo tampo da mesa exterior est\u00e3o os objectos de uso pessoal, guardanapo, os pauzinhos muitas vezes de bambu a retirar as m\u00e3os da comida, a pequena colher de porcelana, sem nunca haver garfo e muito menos faca. J\u00e1 sobre um pequeno prato, para onde se deita o que n\u00e3o se come, est\u00e1 uma tigela a servir de suporte a proteger os alimentos quando retirados das travessas at\u00e9 chegarem \u00e0 boca, ou a arrefecerem \u00e0 espera de serem comidos e para beber, a\u00ed est\u00e1 o copo de vinho e do ch\u00e1. A sopa vem numa terrina e o empregado traz as tigelas para servir a cada um dos presentes o delicado e refinado l\u00edquido, ap\u00f3s cozer durante horas peixe ou carne, legumes e leguminosas, apresentados num prato ao lado. J\u00e1 a tigela do arroz, tamb\u00e9m individual, nos banquetes s\u00f3 aparece no final da refei\u00e7\u00e3o, caso haja ainda fome. O ch\u00e1 est\u00e1 sempre presente, tanto no restaurante a acompanhar o vinho, ou em casa durante a visita, desde as boas vindas at\u00e9 \u00e0 despedida.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">Na China, quando se fala de vinho, apesar de existir o de uva, est\u00e1-se a referir ao <i>Bai jiu<\/i>, vinho transparente feito por destila\u00e7\u00e3o de cereais ou de arroz e alcoolicamente muito forte. Por vezes a poder passar os 50\u00b0, \u00e9 o usado sobretudo para os preparados medicinais, ou a libertar a ess\u00eancia aos poetas e artistas. Mas h\u00e1 com um teor alc\u00f3olico mais baixo, a ficar nos 30\u00b0 e 15\u00b0 para moderando se beber por conv\u00edvio. Por vezes amarelado, esse \u00e9 o <i>huang jiu<\/i> feito atrav\u00e9s da fermenta\u00e7\u00e3o do arroz.<\/p>\n<p class=\"p3\">Servido em pequenos c\u00e1lices, o vinho \u00e9 esvaziado num s\u00f3 trago. Ao lado, para dissolver o ardor, o ch\u00e1 deitado quente do bule na ch\u00e1vena sem asas.<\/p>\n<p class=\"p3\"><i>Ganbei<\/i>! \u00c0 sa\u00fade de todos os presentes e de p\u00e9, num pequeno gesto eleva-se o copo cheio e mediante o respeito para com a outra pessoa, ou por hierarquia confucionista, se toca no outro copo com a borda do nosso mais alto, qual superior, ou ao mesmo n\u00edvel, ou por baixo, em posi\u00e7\u00e3o inferior, n\u00e3o significando isso inferioridade, sem sentido, pois tem a direc\u00e7\u00e3o do ritual. De um trago bebe-se todo o vinho.<\/p>\n<p class=\"p3\">Ap\u00f3s o terceiro <i>Ganbei<\/i>, a porta abre-se para o mundo do esp\u00edrito, onde despidos do racional controlo se exp\u00f5e como somos e quem se \u00e9, vis\u00e3o do grau de educa\u00e7\u00e3o, momento prop\u00edcio para iniciar amizades e neg\u00f3cios.<\/p>\n<p class=\"p3\">Li Bai (701-762) escreveu a maioria dos poemas sob o efeito do vinho e o tamb\u00e9m poeta Du Fu (712-770) refere-o com uma frase, cuja livre tradu\u00e7\u00e3o diz: \u201cCem poemas por cinco litros\u201d e justifica-o acrescentando, Li Bai bebia imenso vinho de arroz para se aquecer do frio que fazia ao ar livre no mercado de Chang\u2019an (Xian) onde muitas vezes dormia.<\/p>\n<p class=\"p5\"><b><br \/>\nVINHO NA REFEI\u00c7\u00c3O<\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p2\">Em Beijing atravess\u00e1vamos a Rua Dazhalan quando, numa casa t\u00e9rrea de portadas vermelhas, algu\u00e9m ao sair nos d\u00e1 a ver o interior de uma taberna antiga. Entramos e nas paredes de madeira est\u00e3o dependuradas tabuinhas de bambu a referir os pratos do dia e os produtos da loja. Olhando para as mesas de banco corrido, reparamos todos a comer em tigela e a acompanhar a refei\u00e7\u00e3o com uma pequena garrafa. Por gestos, apont\u00e1mos para uma mesa e pedimos o mesmo. Assim ocorre o nosso primeiro contacto com o vinho chin\u00eas, sendo-nos servido como vinho da casa o destilado \u201cer guo tou\u201d para acompanhar a sopa de massa em fitas com uma pe\u00e7a de carneiro. A rudeza do sabor e aroma do vinho assemelha-se ao baga\u00e7o, tal como na transpar\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"p3\">O \u201c<i>er guo tou<\/i>\u201d \u00e9 um vinho destilado feito em Beijing e quando mais tarde falando com um habitante de Sichuan sobre a nossa experi\u00eancia de vinho chin\u00eas, logo ele se apressa a ir buscar uma garrafa e faz-nos provar o licor \u201cWuliangye\u201d, de Yibin. Produzido na sua terra como faz quest\u00e3o de sublinhar, enquanto o vai servindo em pequenos c\u00e1lices explica ser o \u201c<i>er guo tou<\/i>\u201d do mesmo tipo de vinho mas de uma qualidade muito inferior.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">Na recep\u00e7\u00e3o de outro restaurante, dois enormes potes com drag\u00f5es esculpidos guardam o vinho de arroz, aperitivo para as lautas refei\u00e7\u00f5es servidas no primeiro andar. Chegado \u00e0 enorme sala de jantar, s\u00e9ries de pequenos potes de vidro com diferentes tipos de vinho d\u00e3o a escolha para acompanhar os m\u00faltiplos pratos de comida, que v\u00e3o sendo colocados ao centro da larga mesa redonda, sob uma placa de vidro, tamb\u00e9m redonda, que gira e de onde as pessoas se servem, desde o carneiro de Harbin, ao agridoce de Guangzhou. Das portas dos privados, \u00edntimos compartimentos para reuni\u00f5es e festas, a algazarra sobe ao tom do jogo de dedos, ritmadamente gritando um n\u00famero a duas vozes. <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">A garrafa de vinho jogada ao copo esvaziadamente bebido por quem perde. O copo \u00e9 repetidamente enchido e l\u00e1 recome\u00e7a o jogo dos dedos num embriagado alarido a denunciar o estado dos intervenientes. Relacionado com a Teoria dos Cinco Elementos (Metal, Madeira, \u00c1gua, Fogo e Terra), representantes de for\u00e7as c\u00f3smicas que se promovem e reprimem uns aos outros, num jogo de intui\u00e7\u00e3o nenhum \u00e9 mais forte nem mais fraco que os restantes. Assim como o polegar perde para o indicador, o indicador para o m\u00e9dio, o m\u00e9dio para o anelar, o anelar para o mindinho e este para o polegar, tamb\u00e9m o Metal corta a Madeira, a Madeira a Terra, a Terra a \u00c1gua, a \u00c1gua o Fogo e o Fogo o Metal.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><i>Ponbei<\/i> \u00e9 quando se brinda sem tilintar os copos e se saboreia o perfumado vinho bebendo-o em pequenos golos a ensedar a boca.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s3\">No tropical calor do Sul da China, a ementa mostra uma variedade de pratos que alimentam o gosto de estar \u00e0 mesa em animadas conversas, enquanto se intercala o petiscar com o bebericar em delicados travos o vinho de um pequeno c\u00e1lice, onde pelos sentidos se aprecia os mais leves pormenores. <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s3\">De seguida, um golo numa pequena ta\u00e7a de ch\u00e1. Enche-se depois o bule com \u00e1gua fervida guardada no termos, por vezes colocado por baixo da mesa, e fechando as rodadas de vinho, o ch\u00e1 para limpar, pois quente ajuda a dissolver as gorduras. Em procura, como significava o antigo car\u00e1cter para ch\u00e1, primeiro dilui o teor alco\u00f3lico, servindo no dia seguinte para limpar a ressaca. Daqui passamos \u00e0 Hist\u00f3ria do Vinho na China.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\">O Pa\u00eds do Meio e o seu Vinho<\/h3>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s3\">A <\/span><span class=\"s5\">degrada\u00e7\u00e3o<\/span><span class=\"s3\"> dos alimentos mal armazenados leva \u00e0 sua fermenta\u00e7\u00e3o e a ganharem teor alco\u00f3lico, chegando-se assim \u00e0 maneira de fazer bebidas espirituosas. Da\u00ed a origem do vinho se relacionar com o per\u00edodo Neol\u00edtico, iniciado pela Revolu\u00e7\u00e3o Agr\u00edcola pois a Natureza j\u00e1 n\u00e3o dava alimentos suficientes e foi necess\u00e1rio pegar nas sementes e plantar. Come\u00e7ou-se a produzir os produtos alimentares e para guardar os excedentes criaram-se potes de barro.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">Os primeiros vinhos na China foram feitos a partir da fermenta\u00e7\u00e3o de arroz, cana de milho e milho-mi\u00fado e se a maior parte dos livros nos falam da t\u00e9cnica de produzir vinho h\u00e1 quatro mil anos, essa data recua um mil\u00e9nio pois na prov\u00edncia de Shandong foram descobertos nas ru\u00ednas da Cultura Dawenkou (4300-2500 a.n.E.) potes de vinho com mais de cinco mil anos. Vasilhas para cozer os ingredientes, algumas para a sua fermenta\u00e7\u00e3o e outras para o armazenar, encontrando-se tamb\u00e9m copos, demonstra estar na altura j\u00e1 desenvolvida a t\u00e9cnica de fazer vinho e ser o seu consumo uma pr\u00e1tica corrente. Entre os achados arqueol\u00f3gicos estavam entre os potes pretos da Cultura Longshan (2800-2300 a.n.E.) vasos para guardar vinho.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s6\">A Hist\u00f3ria da dinastia Xia (2070-1600 a.n.E.) refere os inventores do l\u00edquido que influenciaria a vida tanto de monarcas como da popula\u00e7\u00e3o e bebido animava-as, mas tamb\u00e9m causaria muitos desastres. Dessa \u00e9poca s\u00e3o Yi Di e Du Kang, entronizados Deuses patronos da cria\u00e7\u00e3o do Vinho.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">Registado nos \u201cAnais da Primavera-Outono do Mestre Lu\u201d (Lu shi Chunqiu) do ano de 230 a.n.E., encontra-se Yi Di como a primeira a produzir vinho, mas segundo o \u201cDicion\u00e1rio Anal\u00edtico dos Caracteres\u201c (<span class=\"s7\">\u8aaa\u6587\u89e3\u5b57<\/span><span class=\"s8\">,<\/span> Shuowen Jiezi) escrito por o pale\u00f3grafo Xu Shen (<span class=\"s7\">\u8a31\u614e<\/span>, c.58-148) foi Du Kang, o Rei Shao Kang, sexto dessa dinastia e bisneto de Da Yu, quem primeiro produziu vinho a partir de sorgo glutinoso.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s4\">O livro \u201cEstrat\u00e9gias do Per\u00edodo dos Reinos Combatentes\u201d conta a hist\u00f3ria da princesa Yi Di se apresentar ao Rei Yu (Da Yu, o primeiro rei da dinastia Xia, que governou durante 45 anos) com um saboroso vinho e este predisse, muitos reis haveriam de se perder e aos seus reinos devido a ele. E n\u00e3o foi preciso ir muito longe pois Jie, o \u00faltimo rei da dinastia Xia, completamente b\u00eabado caiu no po\u00e7o do seu castelo e o vinho levou-o a uma vida desregrada e \u00e0 sua degrada\u00e7\u00e3o at\u00e9 perder o reino em favor da dinastia Shang. Hist\u00f3ria narrada em \u201cBiografias de Especiais Mulheres\u201d (<\/span><span class=\"s9\">\u5217\u5973\u4f20<\/span><span class=\"s4\">), redigido nos finais da dinastia Han do Oeste por Liu Xiang (<\/span><span class=\"s9\">\u5218 \u5411<\/span><span class=\"s4\">), que refere: \u201co Rei Jie tinha no seu jardim real um tanque t\u00e3o grande onde cabiam v\u00e1rios botes, e que estava cheio de vinho. Ordenava que pendurassem grandes peda\u00e7os de carne cozida nas \u00e1rvores das colinas da vizinhan\u00e7a e ali passava seus dias, em p\u00e2ndegas, com suas beldades\u201d, entre elas tr\u00eas mil bailarinas. Continuando no livro \u201cMitos e lendas da China\u201d de Wei Tang, \u201cEntregue de corpo e alma a divers\u00f5es, Jie n\u00e3o se preocupava com os assuntos estatais. Certa vez, passou mais de cem dias encerrado em seu pal\u00e1cio sem se avistar com os ministros,\u201d e quando lhe chamaram a aten\u00e7\u00e3o para a vida dissoluta, entregue apenas a luxos e extravag\u00e2ncias, poder provocar a ru\u00edna do pa\u00eds, Jie riu e respondeu: \u201cTudo o que h\u00e1 sob o c\u00e9u me pertence. Sou como o sol no c\u00e9u. Acaso se extinguir\u00e1 o sol?\u201d Ditas estas palavras, continuou a se entreter.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">Reinava h\u00e1 mais de cinquenta anos e o desgoverno e as pr\u00e1ticas desumanas do Rei Jie, levou o pr\u00edncipe Tang do estado Shang a declarar-lhe guerra. Em Wutiao, a Norte da actual Kaifeng (prov\u00edncia de Henan), ocorreu a \u00faltima batalha entre as tropas de Xia e Shang e o Rei Jie, convencido ser imbat\u00edvel, levou consigo as suas concubinas para a frente de batalha, referindo ser mais divertido do que observar uma ca\u00e7ada. Apesar de j\u00e1 n\u00e3o contar com alguns dos seus antigos vassalos, o poderoso ex\u00e9rcito da dinastia Xia lutava contra as for\u00e7as Shang quando uma forte tempestade se abateu e o p\u00e2nico se instalou nas suas hostes, levantando ent\u00e3o a coragem \u00e0s tropas do pr\u00edncipe Tang do reino Shang. Jie percebendo estar a perder a batalha, ordenou a retirada, mas foi perseguido at\u00e9 \u00e0 sua capital Yin (Anyang, em Henan), sendo aprisionado e condenado ao ex\u00edlio.<\/p>\n<p class=\"p5\"><b><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-683\" src=\"http:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/pote-168x300.png\" alt=\"\" width=\"168\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/pote-168x300.png 168w, https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/pote.png 196w\" sizes=\"auto, (max-width: 168px) 100vw, 168px\" \/><\/b><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><em>Pote de vinho da dinastia Shang, com mais de 3000 anos<\/em><\/p>\n<p class=\"p5\"><b><br \/>\nBANHOS COM VINHO<\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">Cinco s\u00e9culos depois, devido ao vinho e \u00e0 imoralidade do seu governante ocorreu a queda da dinastia Shang (1600-1046 a.n.E.). O vinho tornara-se indispens\u00e1vel na vida das pessoas e os ossos de or\u00e1culos registavam j\u00e1 uma variedade de vinhos e para al\u00e9m do feito com milho, havia-o produzido com arroz, chamado li e com pain\u00e7o preto, denominado chang, usado nas cerim\u00f3nias de sacrif\u00edcio nos rituais aos antepassados.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">O \u201cLivro de Hist\u00f3ria\u201d (<i>Shu Jing<\/i>), na sec\u00e7\u00e3o da dinastia Shang (Yin), alude a apenas se beber vinho nas cerim\u00f3nias de sacrif\u00edcio e por virtude, devia-se prevenir o n\u00e3o ficar embriagado. Os Oficiais ligados a essas cerim\u00f3nias estavam proibidos de o beber e quem fosse apanhado devia ser enviado ao Rei para ser punido.<\/p>\n<p class=\"p3\">O Rei Zhou, o \u00faltimo da dinastia Shang, pensando poder fazer o que lhe apetecia, pois era o soberano, abusava diariamente do vinho e perdeu a virtude, sem nunca mais se importar com o seu povo e at\u00e9 o Deus do C\u00e9u o puniu e da\u00ed a dinastia acabar. No seu pal\u00e1cio havia um enorme tanque, n\u00e3o de \u00e1gua mas cheio de vinho, onde nas constantes festas se banhava nu em jogos er\u00f3ticos com a sua concubina predilecta Daji e era tal a di\u00e1ria bebedeira, que n\u00e3o sobrava cabe\u00e7a ao Rei para tratar dos assuntos do Estado. Tirano debochado, fazia punir e executar oficiais honrados e honestos a seu belo prazer, enquanto o ex\u00e9rcito Shang andava em constantes guerras intermin\u00e1veis com cidades e tribos em rebeli\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s3\">Parte das suas for\u00e7as encontrava-se a lutar contra o Reino de Yi quando o Rei Wu do Reino de Zhou, situado no vale do Rio Wei, prov\u00edncia de Shaanxi, mandou as suas tropas invadir Yin (actual Anyang), a capital da dinastia Shang. A batalha ocorreu em Muye, a cerca de 35 quil\u00f3metros de Yin, e apesar do ex\u00e9rcito Shang ser maior, vinha exausto e enfraquecido devido \u00e0 sua dispers\u00e3o e sobretudo ser na maioria constitu\u00eddo por escravos que, descontentes pelos maus-tratos, se revoltaram e juntaram \u00e0s do Reino de Zhou, capitaneadas por Wu, que se considerava descendente da dinastia Xia. Derrotado, o Rei Zhou de Shang fugiu para a sua capital, onde lan\u00e7ou fogo ao pal\u00e1cio e morreu queimado entre os escombros. Terminava assim a dinastia Shang e o Rei Wu tornou-se o primeiro soberano da dinastia Zhou do Oeste (1046-771 a.n.E.).<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">Uma das suas primeiras ordens foi proibir o vinho e decretar a abstin\u00eancia no feudo Wei, de onde era origin\u00e1ria a dinastia Shang e governado ent\u00e3o por Wu Geng, filho do defunto Rei Zhou, que antes da guerra desertara para as fileiras do Rei Wu.<\/p>\n<p class=\"p3\">No Pa\u00eds do Meio (<i>Zhong Guo<\/i>) o Rei Wu (1046-1043 a.n.E.) criou uma autoridade para regular e manter sob estreita vigil\u00e2ncia a produ\u00e7\u00e3o e consumo de vinho, preparado especialmente para uso no ritual das cerim\u00f3nias de sacrif\u00edcios, sendo apenas levemente fermentado.<\/p>\n<p class=\"p5\"><b><br \/>\nVinhos para comemora\u00e7\u00f5es<\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p2\">Durante a dinastia Xia (2070-1600 a.n.E.), a princesa Yi Di usando arroz glutinoso fizera vinho amarelo com cinco diferentes sabores e Du Kang desenvolveu a t\u00e9cnica de produ\u00e7\u00e3o pela fermenta\u00e7\u00e3o de sorgo e da\u00ed ficarem considerados na China os deuses Patronos da Cria\u00e7\u00e3o do Vinho, apesar deste existir j\u00e1 h\u00e1 mais de cinco mil anos. Com grande teor alco\u00f3lico bastava um copo de vinho para embriagar quem o bebesse e da\u00ed a necessidade de regras tanto para o consumir como para o fazer.<\/p>\n<p class=\"p3\">Com o exemplo da queda das duas anteriores dinastias, a Xia e a Shang, na dinastia Zhou do Oeste, o Rei Wu (1046-1043 a.n.E.) criou uma autoridade para regular e manter sob estreita vigil\u00e2ncia a produ\u00e7\u00e3o e consumo de vinho. Este era feito com milho, arroz e o denominado <i>chang<\/i>, produzido com pain\u00e7o preto e preparado especialmente para o ritual das cerim\u00f3nias de sacrif\u00edcios, sendo apenas levemente fermentado e logo de seguida consumido.<\/p>\n<p class=\"p3\">Nessa dinastia ocorreu o uso de fermento no vinho para lhe dar maior vigor alco\u00f3lico, come\u00e7ando a ser fabricado sob licen\u00e7a e eram precisas seis etapas para a sua confec\u00e7\u00e3o, segundo o registado no Livro dos Ritos (Li Ji). Constavam: ter o milho completamente amadurecido, \u00e1gua pura, tempo suficiente para fermentar, instrumentos limpos para manusear, apropriado calor, assim como boas e limpas vasilhas para armazenar. O vinho feito com estas precau\u00e7\u00f5es era excelente e gostoso.<\/p>\n<p class=\"p3\">Do Per\u00edodo dos Reinos Combatentes (475-221 a.n.E.), nos t\u00famulos descobertos nos anos 70 do s\u00e9culo XX no concelho de Pingshan, prov\u00edncia de Hebei, foram encontrados in\u00fameros potes e dois deles ainda continham vinho feito de trigo de h\u00e1 2280 anos.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s3\">Na dinastia Han (206 a.n.E.-220), devido ao grande progresso na agricultura houve um incremento da produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3o e da\u00ed aparecer o sake, o licor chin\u00eas, o vinho tinto, o vinho da primavera, o vinho rehmannia resinoso e o vinho de mel. No reinado do Imperador Wu (Wu Di, 140-87 a.n.E.) o vinho foi taxado e o seu pre\u00e7o aumentou. No segundo s\u00e9culo da nossa Era surgiu o monop\u00f3lio do vinho e na Dinastia Tang (618-907) come\u00e7ou o monop\u00f3lio da sua venda, sendo criadas as lojas imperiais de vinho fino. O poeta Bai Juyi (772-846) refere-se \u00e0 destila\u00e7\u00e3o, que apareceu durante esse per\u00edodo, sendo o vinho bebido em copos mais pequenos, n\u00e3o existentes anteriormente. Li Bai (701-762) falava j\u00e1 do vinho de Lanling e Du Fu (712-770) do vinho Chongbi. Ainda durante a dinastia Tang, o cultivo de uvas e a produ\u00e7\u00e3o de vinho dava um imenso lucro.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">Na dinastia Ming (1368-1644), o licor destilado era bebido no Norte, onde em quase todas as povoa\u00e7\u00f5es havia uma destilaria, enquanto no Sul era o vinho de arroz o mais popular.<\/p>\n<p class=\"p3\">Usa-se vinho para as cerim\u00f3nias de sacrif\u00edcio, para beber em conv\u00edvio, assim como para cozinhar e na medicina.<\/p>\n<p class=\"p5\"><b><br \/>\nFESTIVIDADE DO ANO NOVO<\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p2\">Yuan Dan (<span class=\"s7\">\u5143\u65e6<\/span>, Un-T\u00e1n) \u00e9 o actual nome dado pelos chineses ao primeiro dia do ano solar, mas at\u00e9 \u00e0 dinastia Qing era ele empregue para designar o primeiro dia do calend\u00e1rio lunar. Na dinastia Han, para celebrar a Festa do Ano Novo Chin\u00eas as pessoas bebiam um vinho feito com gr\u00e3os de pimenta, pois o tempo era frio e este servia assim para aquecer o corpo. Na primeira hora do ano, entre as 23 h e a 1 da manh\u00e3, quando os panch\u00f5es rebentavam, a fam\u00edlia reunida brindava com este vinho para desejar um bom ano e muita sa\u00fade, sendo oferecido primeiro aos mais novos por ficarem com mais um ano de idade, devido \u00e0 entrada do novo ano. Os mais idosos eram os \u00faltimos a beber, pois significava terem menos um ano de vida.<\/p>\n<p class=\"p3\">Na dinastia Tang come\u00e7ou-se a beber vinho feito de uma f\u00f3rmula dada por os especialistas de medicina tradicional dias antes de terminar o ano, sendo a receita vendida \u00e0s pessoas com os ingredientes colocados dentro de um saco de tecido, que em casa era mergulhado no recipiente com vinho. No primeiro dia do ano da\u00ed se retirava este vinho chamado TuSuJiu (<span class=\"s7\">\u5c60\u82cf\u9152<\/span>), sendo bebido para dar \u00e0s pessoas sa\u00fade e proteg\u00ea-las das doen\u00e7as.<\/p>\n<p class=\"p3\">J\u00e1 na dinastia Song (960-1279) este tipo de vinho feito por receita da tradicional medicina caiu em desuso e no \u00faltimo dia do ano, o costume era fazer visitas de cortesia aos vizinhos, para n\u00e3o deixar assuntos pendentes, provando-se o vinho preparado por cada fam\u00edlia e retirando-se cada um para suas casas, continuavam noite dentro a beber e comer, sem dormir. Ac\u00e7\u00e3o denominada Shou Sui (<span class=\"s7\">\u5b88\u5c81<\/span>), significava proteger a idade e servia para desejar longa vida aos mais velhos da fam\u00edlia.<\/p>\n<p class=\"p3\">Na dinastia Yuan (1271-1368) voltou-se a usar a pr\u00e1tica da dinastia Han e Tang, bebendo-se o vinho feito com gr\u00e3os de pimenta e a partir da receita medicinal. No per\u00edodo Ming, Qing e at\u00e9 hoje, seguiu-se o Shou Sui, mas apenas com a fam\u00edlia reunida dentro de casa, ac\u00e7\u00e3o denominada ent\u00e3o Tuan NianJiu (<span class=\"s7\">\u56e2\u5e74\u9152<\/span>), sendo escolhido o melhor vinho para acompanhar o repasto dessa longa noite sem dormir.<\/p>\n<p class=\"p5\"><b><br \/>\nFESTA DAS LANTERNAS<\/b><\/p>\n<p class=\"p2\">A encerrar as cerim\u00f3nias do Ano Novo Chin\u00eas, a Festa das Lanternas (<span class=\"s7\">\u5143\u5bb5\u8282<\/span>, Deng jie em mandarim, T\u00e2ng-Tchit em cantonense), tamb\u00e9m chamada Festividade da Primeira Lua Cheia. Desde a dinastia Han, no dia quinze do primeiro m\u00eas lunar, como \u00e0 noite as lojas n\u00e3o fechavam, as pessoas saiam de casa e iam passear para as decoradas ruas principais do com\u00e9rcio, levando diferentes tipos de lanternas vermelhas, s\u00edmbolo das almas dos antepassados, que estando de visita eram depois reconduzidas de novo para o outro mundo. Em conv\u00edvio se passava toda a noite a falar, beber e comer e a assistir na rua a pe\u00e7as de \u00f3pera e teatro.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s3\">O imperador Han Wu Di (140-87 a.n.E.) neste dia prestava homenagem \u00e0 Divindade da Primeira Causa, mas o religioso significado da festa, ligada ao culto dos Antepassados e ao fogo, perdeu-se. No reinado de Ming Di (57-75), imperador Han de Leste, apareceram as lanternas e por sua ordem, na primeira Lua Cheia do Ano as fam\u00edlias colocavam-nas acesas nas portas das casas, conjuntamente com ramos de abeto, a atrair Prosperidade e Longevidade. No reinado do Imperador Yang (604-617) da dinastia Sui a Festa das Lanternas foi oficializada para ser celebrada na capital, em Da Xing (Xian) e popularizada na dinastia Tang, realizava-se durante tr\u00eas dias. O Imperador Rui Zong (710-712) na noite de 15 da primeira Lua abria as portas do recinto do Pal\u00e1cio Imperial em Dong Du (Luoyang) para a popula\u00e7\u00e3o admirar a gigantesca \u00e1rvore iluminada com cinquenta mil lampi\u00f5es. Nessa noite o Imperador saia do pal\u00e1cio e convivia com os s\u00fabditos, havendo uma alegria generalizada. Eram as \u00fanicas noites do ano sem toque para recolher a casa e por isso as ruas enchiam-se de pessoas at\u00e9 \u00e0 alvorada. Na dinastia Song, a festividade passou a ser realizada durante cinco dias e no per\u00edodo Ming, do oitavo ao d\u00e9cimo s\u00e9timo dia do primeiro m\u00eas lunar, estendendo-se a celebra\u00e7\u00e3o da capital ao resto do pa\u00eds. As ruas e pra\u00e7as estavam decoradas com lanternas e as pessoas com elas andavam, tornando-se costume nelas escrever advinhas, charadas e enigmas. Encerrados os quinze dias de festa, regressava-se \u00e0 quotidiana abstin\u00eancia de vinho.<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><b><br \/>\nCERIM\u00d3NIAS COM VINHO<\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s3\">Han Shijie (<\/span><span class=\"s10\">\u5bd2\u98df\u8282<\/span><span class=\"s3\">), cerim\u00f3nia conhecida por a da Comida Fria, realizava-se desde o Per\u00edodo Primavera-Outono (770-476 a.n.E.) na dinastia Zhou do Leste, oferecendo-se sacrif\u00edcios aos que passaram desta vida e as pessoas colocavam um ramo de salgueiro nas portas de entrada das casas. Tal hist\u00f3ria teve origem quando Chong-er, com 60 anos se tornou em 636 a.n.E. o duque Wen e ascendeu ao trono do Reino Jin, ap\u00f3s 19 anos de ex\u00edlio. Tinha sido ele e os dois irm\u00e3os, filhos do duque Xian e da primeira esposa, preteridos como sucessores na governa\u00e7\u00e3o do reino por Xiqi, nascido da concubina Liji, que influenciara o duque para os mandar matar. Sabendo tal, o mais velho, Shensheng logo se suicidou e os outros dois fugiram. Chegado ao poder, o duque Wen esqueceu-se do leal oficial Jie Zitui, que no per\u00edodo de fuga, em extrema fome cortara partes de carne da coxa para o alimentar. S\u00f3 reconheceu a sua ingratid\u00e3o quando Jie Zitui se demitiu e com a m\u00e3e se refugiou numa montanha. Mandou-o chamar, mas ele preferiu o desterro e por sugest\u00e3o de um oficial da corte foi deitado fogo \u00e0 montanha para o obrigar a dela sair. Como ap\u00f3s tr\u00eas dias n\u00e3o apareceu, foram \u00e0 sua procura, encontrando-o consumido pelo inc\u00eandio, atado de costas para um salgueiro e no outro lado da \u00e1rvore a m\u00e3e na mesma posi\u00e7\u00e3o. Com remorsos, o duque Wen para assinalar a morte de Jie ordenou aos s\u00fabditos nesse dia n\u00e3o acenderem o fogo, ficando assim a data conhecida como o da Comida Fria. Voltando no ano seguinte ao local, o duque encontrou a \u00e1rvore de novo com vida e retirando um longo ramo fez com ele uma coroa colocando-a \u00e0 volta da cabe\u00e7a, sendo seguido pelos presentes. Desde ent\u00e3o o costume perpectuou-se e as pessoas passaram a colocar um ramo de salgueiro \u00e0 entrada da porta de casa e como n\u00e3o se abria o fog\u00e3o, a comida era fria. Da\u00ed nesse dia as refei\u00e7\u00f5es serem acompanhadas por vinho doce, feito de fruta ou de glutinoso arroz, para aquecer e confortar o est\u00f4mago.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">Na dinastia Han apareceu o Calend\u00e1rio Solar do Agricultor, que dividia o ano em vinte e quatro termos, sendo o quinto o Qingming (Cheng Meng em canton\u00eas), que significa limpo e brilhante. Conhecida tamb\u00e9m por Festa do Puro Brilho, \u00e9 uma das raras celebra\u00e7\u00f5es chinesas ligadas ao calend\u00e1rio solar e ocorre 105 ou 106 dias depois do vig\u00e9simo segundo termo, Dongzhi, o Solst\u00edcio de Inverno [21 de Dezembro]. Realiza-se a Grande Cerim\u00f3nia tauista para os vivos se lembrem dos falecidos, altura de os imperadores fazerem as cerim\u00f3nias anuais de visita \u00e0s campas dos Antepassados, culto de tempos imemor\u00e1veis apregoado na Filosofia de Conf\u00facio.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">Da dinastia Han at\u00e9 \u00e0 Tang prestava-se mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0 cerim\u00f3nia HanShiJie do que ao Qingming, realizado tr\u00eas dias depois. Oferecia-se sacrif\u00edcios \u00e0s pessoas falecidas e na dinastia Tang (618-907), por decreto imperial no dia da Comida Fria come\u00e7ou a ser realizada a subida ao monte onde os cemit\u00e9rios se encontram, fazendo-se a limpeza \u00e0s campas.<\/p>\n<p class=\"p3\">Na dinastia Song, as cerim\u00f3nias de HanSeJie e Qingming pouco a pouco come\u00e7aram a juntar-se, fundidas definitivamente na dinastia Ming, sendo a celebra\u00e7\u00e3o realizada \u00e0 volta do dia 5 de Abril do calend\u00e1rio solar e como os alimentos eram j\u00e1 cozinhados e as refei\u00e7\u00f5es se comiam quentes, deixou de se beber o vinho doce e passou-se a usar o normal e corrente vinho.<\/p>\n<p class=\"p3\">Actualmente, na data do Qingming as fam\u00edlias chinesas v\u00e3o ao cemit\u00e9rio para se encontrarem mais perto dos seus antepassados e em conv\u00edvio re\u00fanem-se \u00e0 volta da campa, procedendo \u00e0 sua limpeza. A\u00ed colocam a comida preferida do morto e acendem duas velas e tr\u00eas pivetes (incenso) e em tr\u00eas pequenos vasos se deita vinho, sendo este depois derramado no ch\u00e3o para chamar o esp\u00edrito da terra, que contem a alma terrestre dos que passaram desta vida. Alguns dos presentes tamb\u00e9m bebem de um trago esse vinho e juntos com o esp\u00edrito do antepassado em reuni\u00e3o realiza-se ent\u00e3o uma refei\u00e7\u00e3o, num conv\u00edvio prolongado por todo esse dia se divertem e tiram partido da vida.<\/p>\n<p class=\"p3\">Quando longe das familiares sepulturas opta-se por um passeio no campo, num parque, ou a subir a uma montanha para estar mais pr\u00f3ximo do esp\u00edrito dos seus Antepassados, ajudando o vinho \u00e0 confraterniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p5\"><b><br \/>\nDAN\u00c7A DO DRAG\u00c3O EMBRIAGADO<\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p2\">No oitavo dia do quarto m\u00eas lunar realiza-se a Festividade da Dan\u00e7a do Drag\u00e3o Embriagado (<span class=\"s7\">\u821e\u9189\u9f99<\/span>, Mou Tchoi-Long, conhecida em mandarim por Wu Zui Long), comemorada apenas em Macau apesar de ser origin\u00e1ria de Sek Kei (Shi qi), capital de Zhongshan. Segundo a lenda, um homem muito embriagado caiu ao Qijiang, um afluente do Rio do Oeste, onde um drag\u00e3o vivia e andava a aterrorizar a popula\u00e7\u00e3o ribeirinha. Num hero\u00edsmo imprudente, atacou-o animado pelos vapores et\u00edlicos do vinho, conseguindo cort\u00e1-lo em tr\u00eas partes, matou-o. Outra hist\u00f3ria refere, o drag\u00e3o banhava-se no rio quando Buda o cortou em tr\u00eas partes, ficando o tronco separado das duas extremidades. Cabe\u00e7a e cauda foram resgatadas numa rede de pesca por um pescador embriagado que as trouxe para terra. Por isso, anualmente nesse dia os homens das lotas (lanes) celebram a data embriagando-se para libertos do consciente emprestarem o corpo ao Drag\u00e3o. Transportando pelas ruas a cabe\u00e7a e a cauda do drag\u00e3o, em passos e gestos livres, muitas vezes descontrolados, recriam em dan\u00e7a os movimentos da parte que seguram. Pela boca em chuveiro espargindo vinho de arroz s\u00e3o eles pr\u00f3prios a alma do animal que assim fica completo. Esta ac\u00e7\u00e3o serve para acordar o drag\u00e3o e este ganhar vida.<\/p>\n<p class=\"p3\">As celebra\u00e7\u00f5es come\u00e7am numa cerim\u00f3nia conhecida como \u201cfora da \u00e1gua\u201d ou \u201cqi shui\u201d e ap\u00f3s os sacrif\u00edcios ao Deus da \u00c1gua, do Templo Sam Kai Vui Kun saem as cabe\u00e7as e caudas do Drag\u00e3o transportadas pelas ruas ao som de tambores e c\u00edmbalos.<\/p>\n<p class=\"p3\">Os barcos, que durante onze meses estiveram submersos na \u00e1gua, ou em Macau guardados nos armaz\u00e9ns, nesse dia s\u00e3o postos a boiar. Com o corpo do Drag\u00e3o fora de \u00e1gua, \u00e9 colocado no barco a cabe\u00e7a e a cauda, ficando assim preparado para as regatas dos barcos-Drag\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p3\">A partir daqui, os treinos das equipas s\u00e3o efectuados com afinco e nos Lagos Nan Van come\u00e7a a escutar-se o bater ritmado dos tambores a cadenciar a entrada dos remos na \u00e1gua at\u00e9 ao quinto dia da quinta Lua, quando se realizam as regatas dos barcos-Drag\u00e3o. Na origem dessa festa est\u00e1 Qu Yuan (340-278 a.n.E.), alto ministro do Reino Chu que devido a cr\u00edticas na corte se viu desacreditado e foi demitido do cargo. Ap\u00f3s a queda do reino, em desespero lan\u00e7ou-se \u00e0 \u00e1gua, mas a popula\u00e7\u00e3o, admiradora das suas qualidades, enviou barcos \u00e0 sua procura e percebendo ter-se afogado, lan\u00e7aram para a \u00e1gua arroz a alimentar os peixes, afim destes n\u00e3o comerem o corpo do integro estadista e poeta.<\/p>\n<p class=\"p3\">Este ano as Festividades do Drag\u00e3o Embriagado celebram-se no pr\u00f3ximo Domingo 8 de Maio, havendo distribui\u00e7\u00e3o do arroz da longevidade e no mesmo dia comemora-se o Dia de Buda, quando \u00e9 dado um banho com \u00e1gua de rosas \u00e0 est\u00e1tua do Buda Crian\u00e7a, sendo \u00e0s pessoas oferecida uma refei\u00e7\u00e3o de arroz e vegetais.<\/p>\n<p class=\"p5\"><b><br \/>\nREVELADOR VINHO<\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s3\">A lenda da \u201cDama Serpente Branca\u201d, do tempo da dinastia Song (960-1279), refere duas serpentes terem vindo do espa\u00e7o e no dia da celebra\u00e7\u00e3o do Qingming transformaram-se em belas damas. Na cidade de Hangzhou vivia Xu Xian e certo dia ao viajar de barco no Lago Oeste viu numa das margens duas jovens senhoras a querem atravess\u00e1-lo. Mandou o barqueiro ir busc\u00e1-las, dando-lhes boleia para a outra margem e como era ainda jovem solteiro, logo ficou enamorado pela beleza de Bai Suzhen. Pouco tempo depois estavam j\u00e1 casados e logo recebeu um aviso de Fa Hai, monge com poderes sobrenaturais, para se afastar da esposa e da dama de companhia, pois eram esp\u00edritos de serpente. N\u00e3o acreditando, recebeu o repto do monge para no dia seguinte, 5 da quinta Lua \u00e0 esposa oferecer Xiong huang jiu (<\/span><span class=\"s10\">\u96c4\u9ec4\u9152<\/span><span class=\"s3\">), vinho com que era costume comemorar em fam\u00edlia a Festividade dos Barcos-drag\u00e3o. Assim, veria com os pr\u00f3prios olhos quem era ela. Mesmo sem acreditar em tal, acedeu e no dia bebeu-o com a esposa. Esta, ap\u00f3s um copo de vinho sentiu-se indisposta e pediu ao marido para se retirar, solicitando n\u00e3o a acompanhar aos aposentos. Preocupado, vai ao quarto e v\u00ea-a transformada em serpente. Transtornado com a revela\u00e7\u00e3o, atirou-se da janela e morreu. Quando Bai Suzhen voltou a si, chorou a morte do marido, mas lembrando-se de uma erva para ressuscitar os mortos, conseguiu com ela fazer renascer Xu Xian. O vinho conhecido por Xiong huang jiu \u00e9 feito a partir de uma pequena quantidade de p\u00f3 de cor rubi do mineral realgar, composto de sulfureto de ars\u00e9nio (As4S4) de grande toxicidade e cujo contacto pode causar irritabilidade na pele e nos olhos. Servia para desintoxicar e limpar o veneno, sendo usado nas crian\u00e7as apenas no exterior e nunca para o beber.<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><b><br \/>\nREGATAS DOS BARCOS-DRAG\u00c3O<\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p2\">Na Festividade do Duplo 5 (Duan Wujie), celebrada no dia 5 da quinta Lua, realizam-se duas importantes actividades, a de se prevenir ocorr\u00eancias funestas e comemorar Qu Yuan, que nesse dia em 278 a.n.E. se suicidou atirando-se ao Rio Miluo. Ap\u00f3s infrut\u00edferas buscas para o encontrar, as pessoas nas \u00e1guas deitaram arroz glutinoso, assim como vinho de realgar (Xiong huang jiu) para evitar ser o corpo comido por os peixes. Desde ent\u00e3o realizam-se as regatas dos Barcos-drag\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s3\">Neste m\u00eas \u00e9 f\u00e1cil ficar-se doente pois o ar \u00e9 abafado, quente e h\u00famido, estando os insectos mais activos e as suas picadas trazem febres, proliferando infec\u00e7\u00f5es contra\u00eddas pela boca e nariz. Para as prevenir as pessoas bebiam vinho medicinal amarelo e nele colocavam a planta seca de a\u00e7oro (Acorus calamus, conhecida na China por Chang Pu) para fazer o vinho Chang Pujiu (<\/span><span class=\"s10\">\u83d6\u84b2\u9152<\/span><span class=\"s3\">). Com esta planta medicinal da fam\u00edlia das Acoraceae, os t\u00e1rtaros desinfectavam a \u00e1gua para beber e como o rizoma do c\u00e1lamo cont\u00e9m um \u00f3leo com propriedades de vigorar a circula\u00e7\u00e3o do sangue, aumentar o apetite, facilitar a digest\u00e3o, eliminar os gases do tubo digestivo e aliviar bronquites cr\u00f3nicas, era o vinho usado para o tratamento de 36 problemas causado pelo vento (maleitas relacionados com o f\u00edgado) e depois de o consumir ficava-se a ouvir bem e os olhos a ver claramente. Ao ser misturado com a \u00e1gua do banho torna-se um relaxante muscular para aliviar as dores reum\u00e1ticas e acalmar a urtic\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">Al\u00e9m de cana de calamus e artemisia para evitar infort\u00fanios e desviar o mal, usa-se tamb\u00e9m beber vinho Xiong Huang a fim de desintoxicar e neutralizar o veneno, al\u00e9m de se esfregar e borrifar tudo com realgar e pegando-lhe fogo, fazer fumiga\u00e7\u00e3o. Esse costume foi caindo em desuso e desapareceu.<\/p>\n<p class=\"p5\"><b><br \/>\nFESTIVIDADE DO OUTONO<\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s3\">No dia 15 da oitava Lua celebra-se por toda a China a Festividade do Meio do Outono. Est\u00e1 ligada \u00e0 Lua, quando ela parece ser maior e se oferecem e comem os bolos lunares por estes terem a forma de Lua Cheia, sendo por isso conhecida pela Festa do Bolo Lunar e em Macau, por Bolo Bate-Pau. Para os chineses \u00e9 a segunda mais importante depois da do Ano Novo, quando se faziam as \u00faltimas colheitas e o trabalho no campo estava a terminar. Com dias iguais \u00e0s noites e temperaturas amenas, instala-se uma sensa\u00e7\u00e3o de prazer e bem-estar no ambiente quotidiano, reinando a alegria e felicidade. As casas, dos ricos e das mais humildes pessoas, iluminam-se com festas animadas e nos banquetes familiares come-se fruta, bolo lunar e caranguejo, usando-se vinho amarelo onde se deitava um pouco de gengibre para balan\u00e7ar, sendo leve para conviver e oferecer sacrif\u00edcios \u00e0 Lua.<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><b><br \/>\nFESTIVIDADE DO DUPLO 9<\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p2\">Por ano h\u00e1 dois importantes dias reservados pelos chineses para visitar e homenagear os Antepassados: o Qingming celebrado antigamente apenas por os Imperadores, oficiais e a corte \u00e0 volta do dia 5 de Abril do calend\u00e1rio solar e o dia 9 da nona Lua, a Festividade do Aprovisionamento do Princ\u00edpio Masculino, celebra\u00e7\u00e3o do Duplo 9, ou duplo yang, tamb\u00e9m conhecida por Chong Yang Jie (Ch\u00f4ng I\u00e9ong Chit).<\/p>\n<p class=\"p3\">A primeira refer\u00eancia conhecida a Chong Yang fora feita por Qu Yuan, no poema intitulado \u2018Long\u00ednqua Viagem\u2019: \u201cParando em Chong Yang e entrando no Pal\u00e1cio dos Deuses\u201d. H\u00e1 quem afirme, o Duplo Yang, como \u00e9 traduzido Chong Yang, n\u00e3o se referia \u00e0 festividade, mas ter o significado de C\u00e9u.<\/p>\n<p class=\"p3\">Altura do povo oferecer sacrif\u00edcios aos Antepassados, levando-lhes galinhas, vinho, assim como acendendo duas velas e tr\u00eas paus de incenso, p\u00f5em fogo aos sacos cheios de papel-moeda dourado em lingotes para a comunica\u00e7\u00e3o com os seus mortos seja facilitada.<\/p>\n<p class=\"p3\">Segundo o ritual chin\u00eas, n\u00e3o \u00e9 recomend\u00e1vel visitar templos ou oferecer sacrif\u00edcios aos deuses, apenas \u00e9 sugerido um passeio pelas montanhas, a fim de estar pr\u00f3ximo dos Antepassados.<\/p>\n<p class=\"p3\">O costume era nesse dia as pessoas oferecerem um grande banquete a todos os parentes e amigos e os letrados juntarem-se nos locais mais ermos a contemplar a Natureza e ajudados com vinho, divagar em poesia.<\/p>\n<p class=\"p3\">A flor usada \u00e9 o cris\u00e2ntemo, n\u00e3o fosse a nona Lua do ano conhecida pela Lua do Cris\u00e2ntemo. A flor de cris\u00e2ntemo (<span class=\"s7\">\u83ca\u82b1<\/span>, j\u00fc hua em mandarim e k\u00f3k f\u00e1 em cantonense) est\u00e1 relacionado com o Outono, pois aparece nesta esta\u00e7\u00e3o, quando as outras flores j\u00e1 murcharam, e dura at\u00e9 \u00e0s primeiras geadas. Simboliza a longevidade e representa a jovialidade e amizade em comportamento apropriado e \u00e9tico.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s6\">Tao Yuanming escreveu sobre os cris\u00e2ntemos e no poema \u201cBebendo vinho\u201d, (traduzido por Manuel Afonso Costa e editado por Livros do Meio), na s\u00e9tima parte refere, &#8220;Cris\u00e2ntemos de Outono de cores fascinantes \/ eu vos colho carregadas de orvalho \/ e mergulho no vinho \/ para esquecer as m\u00e1goas \/ e os pensamentos do mundo&#8230;\u201d<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">Com tempo bom e uma paisagem repleta destas flores, bebia-se vinho de Cris\u00e2ntemo. Na dinastia Song dentro do pal\u00e1cio eram aos milhares e com ela se fazia a comida e o vinho, usada ainda na Medicina Tradicional Chinesa. Como o corpo est\u00e1 seco e quente, o cris\u00e2ntemo \u00e9 perfeito para balan\u00e7ar e no ch\u00e1 se mistura essa flor.<\/p>\n<p class=\"p3\">A Festividade do Aprovisionamento do Princ\u00edpio Masculino tem como finalidade alcan\u00e7ar riqueza e descend\u00eancia masculina e celebra-se com a esperan\u00e7a de se ter uma longa vida.<\/p>\n<p class=\"p5\"><b><br \/>\nVARIEDADES DE BAI JIU<\/b><\/p>\n<p class=\"p2\">Baijiu (bai=branco; jiu=vinho) \u00e9 o vinho chin\u00eas transparente incolor feito a partir da fermenta\u00e7\u00e3o de arroz e gr\u00e3os de cereais, como sorgo, trigo, milho e milho-mi\u00fado (pain\u00e7o), e pode ter ido ao alambique a destilar para conseguir maior pureza, mais \u00e1lcool e um sabor muito forte e perfumado.<\/p>\n<p class=\"p3\">Durante as tr\u00eas primeiras dinastias, Xia, Shang e Zhou do Oeste, o vinho era apenas levemente fermentado, com pouco teor alco\u00f3lico e preparado essencialmente para os rituais das cerim\u00f3nias de sacrif\u00edcio. Conhecido por vinho da primavera, o Chunjiu era feito no Inverno e bebido na Primavera.<\/p>\n<p class=\"p3\">Na dinastia Zhou de Leste a ind\u00fastria do vinho desenvolveu-se rapidamente ajudada por o uso de fermento para lhe dar mais vigor, come\u00e7ando a ser fabricado sob licen\u00e7a. No in\u00edcio da dinastia Han do Oeste (206 a.n.E.-9) foi proibido, mas com o Imperador Wu (Wu Di, 140-87 a.n.E.) o vinho foi taxado e vendido a altos pre\u00e7os, levando as fam\u00edlias a produzirem-no em casa. Da\u00ed o incremento da qualidade e uma grande variedade apareceu como o sake, o licor chin\u00eas, o vinho rehmannia resinoso (da raiz da dedaleira chinesa) e o vinho de mel, tornando-se moda o seu consumo. Para as cerim\u00f3nias de sacrif\u00edcio dos Imperadores ganhou estatuto o Jiuyunjiu.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">O privil\u00e9gio de consumir vinho passou da corte para o comum das pessoas, que o produziam sobretudo como bebida medicinal, utilizando ingredientes terap\u00eauticos adicionados ao l\u00edquido criado por fermenta\u00e7\u00e3o do gr\u00e3o. Nas estepes do Norte com o leite fermentado de \u00e9gua fazia-se o Tongmajiu. A procura de novas subst\u00e2ncias para criar vinho levou a muitas experi\u00eancias e ganhou-se consci\u00eancia da melhor altura do ano para o come\u00e7ar a produzir, o tempo de armazenar, assim como se tentaram novas t\u00e9cnicas a fim de melhorar a qualidade.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">Na Dinastia Tang (618-907) o vinho [denominado chun (Primavera) por os poetas] entrou no quotidiano das pessoas e da\u00ed se iniciou o monop\u00f3lio da sua venda. Foram criadas as lojas imperiais de vinho fino e apareceram marcas como Magu de Jiangxi, Qiuluba de Shandong, Shuiping de Suzhou, Feij\u00e3o-Verde de Hainan e Zama de Sichuan, este feito de arroz, trigo e milho-mi\u00fado. Li Bai (701-762) referiu o vinho de Lanling e Du Fu (712-770) escreveu sobre o vinho Chongbi. No Sul fazia-se vinho deixando fermentar a cana-de-a\u00e7\u00facar. Dentro dos vinhos medicinais tornaram-se famosos, o TuSuJiu (<\/span><span class=\"s11\">\u5c60\u82cf\u9152<\/span><span class=\"s1\">), bebido nas Festividades do Ano Novo e o Zhuyeqing (feito com as folhas verdes claras de bambu) usado at\u00e9 hoje.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">Durante a dinastia Tang o teor alco\u00f3lico do vinho subiu e por isso muitos autores referem ter aparecido a destila\u00e7\u00e3o, levados tamb\u00e9m por a palavra Shaojiu (vinho ardente espirituoso) utilizada por Bay Juyi (772-846) nos seus poemas, mas outros historiadores contrap\u00f5em ser o grau alco\u00f3lico elevado devido ao poeta fazer vinho de l\u00edchia e usar ferver o l\u00edquido para aumentar a fermenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p3\">A destila\u00e7\u00e3o, denominada Huojiu (huo=fogo) ou Shaojiu, ter\u00e1 come\u00e7ado no reinado do Imperador Shi Zong (1161-1189) da dinastia Jin, evoluindo bastante a t\u00e9cnica na dinastia Yuan, tornando-se corrente criar poderosos vinhos com mais de 40\u00ba e os governantes monopolizaram a sua venda.<\/p>\n<p class=\"p3\">O vinho n\u00e3o destilado era chamado Shuijiu (vinho \u00e1gua).<\/p>\n<p class=\"p5\"><b><br \/>\nFAMOSOS LICORES<\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">Na China, os <i>baijiu<\/i> mais conhecidos s\u00e3o o Moutai e o Wuliang ye.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">O licor Moutai descende do famoso vinho Guojiang (ou Jujiang) produzido no antigo Reino de Yelang, existente entre o Per\u00edodo dos Reinos Combatentes e a Dinastia Han e situava-se onde hoje s\u00e3o a parte Oeste e Norte de Guizhou, Nordeste de Yunnan, Sudeste de Sichuan e Norte de Guangxi. Encontrando-se esse reino fora da jurisdi\u00e7\u00e3o do Imperador Han Wu Di, um seu enviado, Tang Meng fez um desvio na rota para o provar em Renhuai, tornando-se esse vinho o favorito do Imperador Wu.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">Moutai \u00e9 o nome de uma cidade no distrito de Renhuai, junto ao Rio Chishui, na prov\u00edncia de Guizhou, onde desde 1704 \u00e9 produzido o vinho com esse nome. Preparado com trigo seleccionado, o melhor sorgo e excelente \u00e1gua, o processo para o fazer passa por ser duas vezes alimentado de sorgo, oito vezes amontoadamente aquecido, sete vezes fermentado e trabalhado a altas temperaturas, tal como na destila\u00e7\u00e3o, demorando todo o processo um ano. Por isso o sabor, sem arder na boca, se mantem aveludado. Depois \u00e9 cuidadosamente engarrafado e armazenado durante tr\u00eas anos, antes de ser posto \u00e0 venda.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">O licor Moutai ganhou fama mundial na Exposi\u00e7\u00e3o Universal de 1915 (Panam\u00e1-Pacific International Exposition) realizada em San Francisco, quando uma garrafa caindo ao ch\u00e3o se partiu e o intenso aroma perfumado captou a aten\u00e7\u00e3o dos visitantes.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">J\u00e1 o licor Wuliang ye produzido em Rongzhou, hoje Yibin, na prov\u00edncia de Sichuan, \u00e9 feito com cinco diferentes gr\u00e3os (significado de wuliang): sorgo, arroz glutinoso, trigo, arroz de consumo di\u00e1rio e milho. Com um forte sabor e uma frag\u00e2ncia muito espec\u00edfica, come\u00e7ou a ser feito durante a dinastia Song, sendo proveniente do vinho Chongbi existente j\u00e1 na dinastia Tang. \u00c9 um dos cinco melhores licores de Sichuan a par com o Laojiao produzido em Luzhou (Jiangyang), a sul da plan\u00edcie de Sichuan. Vinho muito graduado, com um forte e intenso odor, cujo sabor ap\u00f3s ser bebido fica pela boca longo tempo. Em 1644 o rebelde Zhang Xianzhong (1606-1647) deu-o a beber \u00e0 sua tropa para a encorajar antes de avan\u00e7ar para Chengdu. Em 1879 produzia-se dez toneladas de vinho e antes de 1949 era Luzhou considerada a cidade do licor na China. <\/span>Outros famosos vinhos de Sichuan s\u00e3o o Langjiu, o Jiannanchun e o Quanxing Daqu.<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s3\"><b><br \/>\nOUTROS LICORES<\/b><b><\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s3\">Da prov\u00edncia de Shanxi \u00e9 o Fenjiu produzido em Xinghuacun (aldeia da flor de damasco), a Nordeste da cidade de Fenyang. O local era conhecido durante a dinastia do Norte e do Sul (420-589) pelo bom vinho das cem fontes, pois feito de boas \u00e1guas e alta qualidade de sorgo, tendo o licor transparente um suave sabor. Macio e um pouco adocicado na boca, a marca Baoquanyi ganhou um pr\u00e9mio e a aldeia de Xinghuan tornou-se a maior produtora de vinho na China desde 1985, com grande volume de exporta\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s3\">J\u00e1 da prov\u00edncia de Shaanxi, o licor Xifeng \u00e9 feito em Liulin, cidade no sop\u00e9 da montanha Lingshan, a Oeste do concelho de Fengxiang. Na regi\u00e3o produzia-se vinho desde o Per\u00edodo da Primavera-Outono (770-476 a.n.E.) e na dinastia Tang a cidade passou a estar cheia de f\u00e1bricas de vinho. Na dinastia Song, em Liulin fazia-se o vinho Fengzhou de onde proveio o licor Xifeng (F\u00e9nix do Oeste) usado nos jantares imperiais. Combinando um sabor suave e aroma forte o licor Xifeng \u00e9 feito de fermento de cevada, ervilhas e sorgo como materiais de base e \u00e1gua dos po\u00e7os de Liulin. Fermenta durante 14 dias pela t\u00e9cnica da sedimenta\u00e7\u00e3o de s\u00f3lidos, misturada com uma cozedura a vapor e destilado. Ap\u00f3s armazenado tr\u00eas anos, \u00e9 engarrafado e fica prontos para ser bebido.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s3\">Em Suizhou, prov\u00edncia de Hubei, prov\u00e1mos o local baijiu \u201cYandi Shennong\u201d, cujos habitantes lhe chamam o Motai de Hubei. Com quarenta graus de teor alco\u00f3lico acompanhou perfeitamente os pratos de carne.<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s3\"><b><br \/>\nHUANG JIU &#8211; VINHO AMARELO<\/b><b><\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s3\">Na China h\u00e1 tr\u00eas tipos de vinho: o huang jiu, licor amarelo, origin\u00e1rio do pa\u00eds \u00e9 o mais antigo, sendo produzido atrav\u00e9s da fermenta\u00e7\u00e3o do arroz, adicionando por vezes outros cereais, sobretudo milho-mi\u00fado; o bai jiu, ou vinho transparente feito por fermenta\u00e7\u00e3o de cereais como sorgo, trigo, milho, milho-mi\u00fado e arroz e pode ser depois destilado; e o putao jiu, proveniente da fermenta\u00e7\u00e3o do sumo de uva, apareceu na China no reinado do Imperador Han Wu Di (140-87 a.n.E.). J\u00e1 a cerveja denomina-se pi jiu, \u00e9 um produto do s\u00e9culo XX.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s3\">O forte licor destilado transparente \u00e9 bebido no Norte, onde em quase todas as povoa\u00e7\u00f5es havia uma destilaria, enquanto no Centro e Sul da China o vinho amarelo de arroz \u00e9 o mais popular.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s3\">O arroz \u00e9 cultivado no Sudeste Asi\u00e1tico pelo menos desde 8200 a.n.E. e o vinho feito pela sua fermenta\u00e7\u00e3o tem mais de 4 mil anos de Hist\u00f3ria, sendo por vezes conjugado com milho-mi\u00fado, milho e trigo. Pertence a um dos tr\u00eas principais grupos de vinho amarelo baseados no material com que \u00e9 confecionado: o vinho amarelo de arroz de Shaoxing, da prov\u00edncia de Zhejiang, o Jimo Laojiu da prov\u00edncia de Shandong feito com pain\u00e7o (diferente do milho-mi\u00fado) e o HongQujiu, vinho de arroz fermentado vermelho produzido em Fujian, Guangdong e Taiwan. Chamados tamb\u00e9m Laojiu (vinho antigo) eram usados com prop\u00f3sitos medicinais desde a dinastia Zhou de Leste.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s3\">O Huang jiu feito a partir de arroz glutinoso, normal arroz e milho-mi\u00fado, \u00e9 ensopado na \u00e1gua durante dois a tr\u00eas dias [antigamente usava-se 16 a 20 dias para a \u00e1gua absorver os componentes do arroz decomposto e aumentar a acidez] sendo o arroz levado a cozer a vapor e depois arrefecido. Adicionando fermento (p\u00e3o de trigo Qu) no arroz frio coloca-se uma nova quantidade de \u00e1gua e a 30\u00b0 durante 5 a 7 dias realiza-se a primeira fermenta\u00e7\u00e3o. Aberta a tampa para baixar a temperatura, faz-se a 15\u00b0 uma segunda fermenta\u00e7\u00e3o entre 30 a 60 dias.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s3\">A fermenta\u00e7\u00e3o fica completa por metabolismo das enzimas que produzem as caracter\u00edsticas do sabor, aroma e na passagem do a\u00e7\u00facar a \u00e1lcool, sendo afectada pelo clima, temperatura e a esta\u00e7\u00e3o do ano em que se realiza.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s3\">O l\u00edquido fermentado vai \u00e0 m\u00e1quina de prensar, de onde escorre j\u00e1 o vinho amarelado e filtrado, repousa para perder o turvo e clarificar, sendo esterilizado e depois engarrafado. Rico em amino\u00e1cidos, o seu teor alco\u00f3lico anda \u00e0 volta dos 15% e \u00e9 um excelente tonificador do est\u00f4mago, relaxante muscular e vigorante para a circula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s3\">Os tr\u00eas mais famosos vinhos amarelos de arroz s\u00e3o o de Shaoxing, na prov\u00edncia de Zhejiang, o vinho Chengang de Longyan, a Sudoeste de Fujian e o vinho Jintan Fenggang de Changzhou, em Jiangsu.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s3\">O vinho Chengang (<\/span><span class=\"s10\">\u6c89\u7f38\u9152<\/span><span class=\"s3\">), como indica o nome [chen (<\/span><span class=\"s10\">\u6c89<\/span><span class=\"s3\">) sedimentar e gang (<\/span><span class=\"s10\">\u7f38<\/span><span class=\"s3\">) pote] refere ser o arroz glutinoso mergulhado em \u00e1gua e por tr\u00eas vezes empurrado para o fundo do pote, depois de subir e ficar \u00e0 tona a flutuar. Come\u00e7ou a ser feito em 1796 e apresenta-se com uma cor avermelhada, usando mais de trinta produtos de medicina tradicional. J\u00e1 a Hist\u00f3ria do vinho Jintan Fenggang (<\/span><span class=\"s10\">\u91d1\u575b\u5c01\u7f38\u9152<\/span><span class=\"s3\">) refere, no final da dinastia Yuan andava Zhu Yuanzhang (1328-1398) a lutar contra os mong\u00f3is e ao passar por Changzhou provou o local vinho de arroz glutinoso. Gostando, pediu para enterrarem o pote de barro com o que sobrou do l\u00edquido, afim de na volta o beber. J\u00e1 como Imperador, lembrando-se do vinho, a\u00ed regressou e mandando desenterrar, ao provar achou-o muito melhor. Ordenou servir ele para tributo, passando assim a ser denominado Zhujiu.<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><b><br \/>\nVINHO DE SHAOXING<\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p2\">A Norte da prov\u00edncia de Zhejiang encontra-se Shaoxing, local do mais famoso vinho amarelo de arroz da China. Ber\u00e7o da dinastia Xia, onde Da Yu foi sepultado na base da montanha de Kuaiji, como cidade foi constru\u00edda no Per\u00edodo Primavera-Outono (770-476 a.n.E.) e o actual nome Shaoxing s\u00f3 apareceu na dinastia Song do Sul (1127-1279), pois at\u00e9 ent\u00e3o chamara-se Kuaiji, Shanyin e Yuezhou. Cidade sempre disputada entre os reinos Wu e Yue, quando o Rei Gou Jian (497-465 a.n.E.) voltou a restaurar o reino de Yue (473-306 a.n.E.), ap\u00f3s a retomar aos Wu passou-a em 473 a.n.E. a capital com o nome de Kuaiji. Este rei foi quem pela primeira vez produziu o considerado melhor vinho amarelo de arroz da China, o Shaoxing Laojiu (Vinho de Arroz de Shaoxing), conhecido na Dinastia do Sul (280-589) por Vinho Shanyin, famoso por ser doce. Nesse per\u00edodo, na dinastia Jin (265-420) aqui viveu o Mestre Supremo dos Cal\u00edgrafos, Wang Xi Zhi (303-361), nascido em Linyi na prov\u00edncia de Shandong, mas passou a maior parte dos seus 59 anos de vida em Zhejiang, onde foi Governador da Prefeitura de Wenzhou e depois veio residir para Shaoxing. Devido \u00e0 excel\u00eancia do seu trabalho em todo o tipo de escritas e em particular na semi-cursiva e escrita corrida, a graciosidade do tra\u00e7o era admirada por todos, sendo o mais famoso trabalho \u201cPref\u00e1cio aos Poemas Compostos no Pavilh\u00e3o das Orqu\u00eddeas\u201d, onde caligrafou trezentos e vinte e quatro caracteres, ap\u00f3s realizar um encontro no ano de 353 em Shaoxing. A\u00ed juntara quarenta e um grandes poetas, no dia 3 do terceiro m\u00eas lunar, Duplo 3, para reverenciar o Anivers\u00e1rio da Deusa M\u00e3e do Oeste. Ap\u00f3s as cerim\u00f3nias foram descansar nas margens de um canal no sop\u00e9 da montanha Kuaiji e criaram um jogo com um recipiente de laca cheio de vinho a flutuar nas \u00e1guas. Onde este parasse ou rodasse, quem mais pr\u00f3ximo estivesse, ou fazia um poema, ou bebia tr\u00eas ta\u00e7as. Da\u00ed a colec\u00e7\u00e3o de 37 poemas escritos no livro Lantingji Xu, para os quais Wang Xi Zhi caligrafou o pref\u00e1cio.<\/p>\n<p class=\"p3\">O vinho de Shaoxing n\u00e3o vai a destilar e \u00e9 feito de arroz refinado branco glutinoso, levedura do trigo e \u00e1gua de boa qualidade do Lago Jianhu. A sua prepara\u00e7\u00e3o conta com quatro fases, tr\u00eas vezes de fluido e quatro vezes de \u00e1gua. Feito a temperatura baixa, o processo para a sua produ\u00e7\u00e3o come\u00e7a com o ensopar o arroz, coz\u00ea-lo a vapor, preserv\u00e1-lo em t\u00faneis e deixar que haja uma prolongada e perfeita fermenta\u00e7\u00e3o (uma das suas melhores caracter\u00edsticas). Revolvido, \u00e9 depois espremido e decantado, levando o vinho a ferver para se extrair por decoc\u00e7\u00e3o o sabor e aroma. Com uma cor amarela, \u00e9 transparente sem sedimentos e um baixo teor alco\u00f3lico, entre os 12 e 17%. Feito com uma excelente qualidade, a sua t\u00e9cnica passou de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o e quanto maior for o tempo de fermenta\u00e7\u00e3o, um, dois, tr\u00eas anos, melhor \u00e9 o vinho, mais saboroso, mais intenso e forte. Al\u00e9m de muito nutritivo e usado na medicina tradicional, \u00e9 tamb\u00e9m utilizado para cozinhar.<\/p>\n<p class=\"p3\">H\u00e1 uma grande variedade de t\u00e9cnicas usadas para fazer o Vinho de Shaoxing e as mais famosas s\u00e3o: yuanhong, shanniang, xiangxue e jiafan. Com maior produ\u00e7\u00e3o, o vinho jiafan leva um refor\u00e7o de arroz glutinoso e o trigo \u00e9 adicionado durante a fermenta\u00e7\u00e3o, atingindo entre os 18\u00b0 e 19\u00b0 ap\u00f3s tr\u00eas anos a maturar. Este por ser vendido num famoso pote de porcelana ganhou a notoriedade como Huadiao jiu, um vinho para ser guardado longo tempo e feito para comemorar uma data especial.<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s12\"><br \/>\n<strong>\u8461\u8404\u9152<\/strong><\/span> <b>VINHO DE UVA<\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p2\">A hist\u00f3ria do vinho na China n\u00e3o ficaria completa sem referir o vinho de uva, putao jiu, feito por fermenta\u00e7\u00e3o do sumo das uvas.<\/p>\n<p class=\"p3\">No in\u00edcio dos anos 90 do s\u00e9culo XX, percorrendo as estradas da prov\u00edncia de Henan tomamos consci\u00eancia da exist\u00eancia de uvas na China ao passar por campos onde palhotas constru\u00eddas de canas de bambu e cobertas por colmo estavam colocadas por cima das videiras. A explica\u00e7\u00e3o era faltar um m\u00eas para serem cortadas, levando-nos a pensar ser para estarem vigiadas devido ao pre\u00e7o que elas valiam. Nas bermas da estrada, vendedoras com o cesto cheio de uvas, de bago muito cheio e redondo e de um verde mesclado com castanho, pediam fortunas por um cacho. As castas eram as de Longyan (Olhos de Drag\u00e3o), Beichuan e Ju Feng, todas de sabor muito \u00e1cido. Tal se modificou no terceiro mil\u00e9nio, com a generaliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de uva de outras castas como a Cabernet Sauvignon, Merlot, Chardonnay, a permitir fazer-se um vinho mais requintado.<\/p>\n<p class=\"p3\">Na China o vinho de uva tornou-se conhecido no s\u00e9culo II a.n.E. quando Zhang Qian, o enviado do Imperador Wu (Wu Di, 156-87 a.n.E.) \u00e0s regi\u00f5es do Oeste, ao regressar do vale de Fergana referiu ter encontrado vinho feito de uva armazenado por pessoas ricas em grande quantidade, pois mantinha-se durante muitos anos em bom estado para ser bebido.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s6\">No reinado do Imperador Taizhong (626-649) da dinastia Tang a produ\u00e7\u00e3o de uvas para a feitura de vinho sofreu um incremento, devido o cultivo de uvas e a produ\u00e7\u00e3o de vinho dar um imenso lucro. No per\u00edodo mongol da dinastia Yuan (1271-1368) esse vinho era apenas usado para cerim\u00f3nias religiosas. Marco P\u00f3lo referiu ter encontrado \u00e0 venda por toda a China o vinho de uva produzido onde hoje \u00e9 a prov\u00edncia de Shanxi.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">J\u00e1 na dinastia Qing, o Imperador mongol Kangxi (1661-1722) certa vez estando com uma diarreia foi curado por um mission\u00e1rio jesu\u00edta, que depois lhe prescreveu um copo de vinho di\u00e1rio para precaver contra a doen\u00e7a. Da\u00ed o Imperador proceder \u00e0 planta\u00e7\u00e3o de vinha, percebendo ser a Norte do pa\u00eds onde as uvas se davam melhor.<\/p>\n<p class=\"p3\">Com a Guerra do \u00d3pio e a abertura for\u00e7ada de alguns portos chineses chegaram muitos mission\u00e1rios e mercadores europeus trazendo grande variedade de vinho de uva, assim como whisky e conhaque, neg\u00f3cio que foi florescendo at\u00e9 \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Popular da China em 1949. Considerado um produto de luxo ocidental foi banido do quotidiano por uma campanha governamental e s\u00f3 em 1978 com a abertura econ\u00f3mica aos produtos estrangeiros chegou o vinho, n\u00e3o \u00e0s lojas, mas aos hot\u00e9is que aceitavam hospedar estrangeiros, n\u00e3o sendo poss\u00edvel ser comprado com yuans, logo pelos chineses.<\/p>\n<p class=\"p3\">S\u00f3 na d\u00e9cada de 90 do s\u00e9culo XX, o aparecimento de uma classe de pessoas enriquecida com a Bolsa levou o mercado chin\u00eas a come\u00e7ar a ser inundado com vinho, sobretudo franc\u00eas, e a boa sorte proveio da publicidade do conhaque Remy Martin feita em 1993.<\/p>\n<p class=\"p5\"><b><br \/>\nNOVA ETAPA<\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p2\">Em 1892, no reinado do Imperador Guangxu, o emigrante chin\u00eas Zhang Bi-shi come\u00e7ou a fazer vinho de uva na regi\u00e3o de Yantai, na prov\u00edncia de Shandong, nascendo da\u00ed a Companhia do Grupo Yantai Changyu, que s\u00f3 em 1949 conseguiu vingar com a marca Changyu.<\/p>\n<p class=\"p3\">Um padre franc\u00eas iniciou em 1910 a produ\u00e7\u00e3o de vinho com as uvas das videiras do recinto da sua igreja Heishanhu, em Fuwai, arredores de Beijing. Para o armazenar usou as caves da pr\u00f3pria igreja e em 1946 come\u00e7ou a vender o vinho no mercado chin\u00eas, legalizando a cave com o nome Shangyi de Beijing. Em 1949 foi adquirida pelo Estado e dez anos mais tarde o governo de Beijing mudou o nome para F\u00e1brica de Vinho de Beijing lan\u00e7ando a marca Zhonghua.<\/p>\n<p class=\"p3\">A Companhia Tonghwa da cidade Tonghua, a Sul da prov\u00edncia de Jilin, foi fundada em 1937 e tem a cave a uma profundidade de 5 metros, sendo o maior espa\u00e7o de armazenamento de vinho em toda a China, contando nos 772 t\u00faneis de madeira com 328 toneladas de vinho. Zhou Enlai chamou-o de \u2018vinho de uva de comemora\u00e7\u00e3o do dia nacional\u2019, pois foi bebido a 1 de Outubro de 1949 e esse vinho doce passou a ser servido nas recep\u00e7\u00f5es oficiais.<\/p>\n<p class=\"p3\">A primeira joint-venture sino-francesa criada para a produ\u00e7\u00e3o de vinho foi feita em 1980 com a Remy Martin (Cointreau) e da\u00ed nasceu o vinho branco Dynasty, proveniente de Tianjin.<\/p>\n<p class=\"p3\">O Instituto Nacional de Alimentos Fermentados em 1976 criara a Norte da Grande Muralha, em Huailai, prov\u00edncia de Hebei, uma zona reservada para a produ\u00e7\u00e3o de vinho. Em 1983 o Instituto fundou a China Great Wall Wine Co. Ltd em Shacheng, Hebei, onde fez a f\u00e1brica de vinho para com vinhas desse lugar produzir a marca Great Wall. Numa nova din\u00e2mica, hoje conta com a participa\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia Torres de Espanha.<\/p>\n<p class=\"p3\">Em 1987, com a colabora\u00e7\u00e3o da companhia francesa Pernod Ricard foi criada a Dragon Seal Brand, com vinhas em Huailai, 130 km a Nordeste de Beijing. No ano seguinte apareceu no mercado o vinho Dragon Seal, que em concursos foi ganhando muitas medalhas.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s3\">As melhores prov\u00edncias para a produ\u00e7\u00e3o de vinho s\u00e3o as do Norte, Hebei, Xinjiang e Shandong. Ao redor de Tianjin produz-se 15% de todo o vinho de uva, na prov\u00edncia de Shandong 10% e na de Xinjiang existe um quarto das vinhas do pa\u00eds, apesar da maioria das uvas servir para a produ\u00e7\u00e3o de uvas passas (secas para comer). Em Yunnan, a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 essencialmente de uvas de mesa, mas existe o vinho Yunnan Hong feito em Mile na casa-agr\u00edcola Dongfeng. Acrescentamos Ningxia, onde em 1997 prov\u00e1mos um bom vinho tinto proveniente das montanhas Helan, apesar de n\u00e3o se encontrar referenciado e nunca o ter encontrado fora da prov\u00edncia.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">As quatro marcas de vinho mais importantes na China s\u00e3o a Changyu de Shandong, a Great Wall de Hebei, a Dynasty de Tianjin e a Tonghwa de Jilin. A Huagong de Qingdao, a Leste da prov\u00edncia de Shandong, tem um bom vinho branco. Outras marcas s\u00e3o Fengshou produzido em Beijing, a Baiyanghe Dry Wine, China Red, Duke Dry Wine e a Weilong. O Tibeten dry, com uma forte campanha publicit\u00e1ria no in\u00edcio do actual mil\u00e9nio, come\u00e7ou a ter projec\u00e7\u00e3o em todo o pa\u00eds. Se em 1994 provamos o vinho de Turfan, que \u00e9 muito doce e deve ser apresentado como aperitivo, agora apareceu Lau Lan feito com a casta Cabernet Sauvignon. Tamb\u00e9m em Xinjiang, a produ\u00e7\u00e3o de vinho branco e tinto de uva, com a marca do nome da prov\u00edncia tem vindo a ganhar fama.<\/p>\n<p class=\"p3\">Em 1997, a China tinha tantos hectares de vinha e produ\u00e7\u00e3o de vinho como Portugal e num esfor\u00e7o de crescimento atinge agora uma nova fase, tanto na qualidade dos vinhos, como com vinhas velhas a conseguir aliciar gostos mais exigentes. Paulatinamente o putao jiu come\u00e7a a conquistar o paladar e olfacto da popula\u00e7\u00e3o chinesa em geral, dando ao sector um largo potencial de crescimento.<\/p>\n<p class=\"p3\">Nos finais de 2008 o imposto sobre vinho de uva importado baixou para mais de metade, levando o mercado chin\u00eas a ser inundado de vinho de todas as origens e proveni\u00eancias, n\u00e3o se importando ent\u00e3o os chineses de pagar somas astron\u00f3micas para beber os famosos vinhos franceses.<\/p>\n<p class=\"p3\">Agora assiste-se a investimentos chineses nas quintas em Fran\u00e7a e Portugal. <span class=\"s5\">\u2022<\/span><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] Ganbei! Palavra em voz alta pronunciada em un\u00edssono a significar esvaziar o copo, mais propriamente sec\u00e1-lo num \u00fanico trago, antes de se brindar com ele cheio de vinho. 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