{"id":707,"date":"2025-10-06T21:05:13","date_gmt":"2025-10-06T13:05:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.viadomeio.com\/?p=707"},"modified":"2025-10-06T21:05:58","modified_gmt":"2025-10-06T13:05:58","slug":"a-ciencia-chinesa-e-a-grande-unidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/10\/06\/a-ciencia-chinesa-e-a-grande-unidade\/","title":{"rendered":"A ci\u00eancia chinesa e a Grande Unidade"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p class=\"p1\">Falar sobre a cultura e a civiliza\u00e7\u00e3o dos outros requer precau\u00e7\u00f5es ou pelo menos a consciencializa\u00e7\u00e3o de que tudo pode suceder, desde a incompreens\u00e3o, passando por uma abordagem superficial at\u00e9 \u00e0 sintonia, como nos alerta David Wong no seu trabalho \u201cFilosofia Comparada: Chinesa e Ocidental\u201d, relativo \u00e0 filosofia numa perspetiva comparatista, publicado no \u00e2mbito de uma colect\u00e2nea realizada pela sinologia brasileira, organizada por Matheus Oliva da Costa (2022), intitulada <i>Textos Seleccionados de Filosofia Chinesa 1<\/i>, onde Wong defende que mais importante do que a comensurabilidade ou incomensurabilidade metodol\u00f3gica, epistemol\u00f3gica, \u00e9tica e metaf\u00edsica \u00e9 a tentativa de ir ao encontro do outro, \u00e0 procura, mais do que das semelhan\u00e7as, do respeito pela manifesta\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica diferente, o que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se em lugar de nos colocarmos numa posi\u00e7\u00e3o avaliadora tentarmos entrar no mesmo comprimento de onda, buscando \u201c imagens de mundo baseadas em sintonia versus imagens de mundo que cortam a conex\u00e3o entre entendimento e sintonia\u201d (Wong, 2022:400). Para tal ser\u00e1 necess\u00e1rio cultivar a abertura de esp\u00edrito ou largueza de vistas, donde provir\u00e1 um exerc\u00edcio criativo h\u00edbrido que poder\u00e1 trazer resultados surpreendentes, com todas as partes envolvidas na compara\u00e7\u00e3o a crescerem e a reunirem-se na aprendizagem de novos caminhos intelectuais.<\/p>\n<p class=\"p3\">Um dos fil\u00f3sofos e historiadores da filosofia que mais procurou aproximar a filosofia chinesa da ocidental foi, consoante o registo fon\u00e9tico, Fung Yu-lan ou Feng Youlan (<span class=\"s1\">\u99ae\u53cb\u862d\/\u51af\u53cb\u5170\uff0c<\/span>1895 -1990) e come\u00e7ou por faz\u00ea-lo numa posi\u00e7\u00e3o de grande humildade, concentrando-se numa abordagem \u00e0 ci\u00eancia ocidental, defendeu que a ci\u00eancia na China, praticamente inexistente, de acordo com os par\u00e2metros ocidentais, muito tinha de aprender com o Ocidente. Na sua express\u00e3o, \u201caprender com o estrangeiro (estudar com o Ocidente (&#8230;) <span class=\"s1\">\u4ee5\u5937\u70ba\u5e2b(\u5411\u897f\u65b9\u5b78<\/span>)\u201d (Feng Youlan, <i>Apud<\/i> Alves, 2022: 61).<\/p>\n<p class=\"p3\">Na verdade, como bem notou Lisa Raphals (2022) em \u201cCi\u00eancia e Filosofia Chinesa\u201d, num trabalho inserido na colect\u00e2nea j\u00e1 referida, o esfor\u00e7o de Feng Youlan \u00e9 de tentar desenvolver o esp\u00edrito cient\u00edfico \u00e0 maneira ocidental na China da \u00e9poca, j\u00e1 que o fil\u00f3sofo defendia em \u201cPor que a China n\u00e3o tem ci\u00eancia\u201d (1922) que \u201co que mant\u00e9m a China atrasada \u00e9 que ela n\u00e3o possui ci\u00eancia\u201d (Feng Youlan, <i>Apud <\/i>Raphals, 2022: 341).<\/p>\n<p class=\"p3\">Para compreender a perspectiva do fil\u00f3sofo temos de o situar no seu pr\u00f3prio tempo. Hoje n\u00e3o faria qualquer sentido uma posi\u00e7\u00e3o deste tipo, j\u00e1 que os chineses ao longo de todo o s\u00e9culo XX partiram rumo ao Ocidente e aprenderam bem a li\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia ocidental, do esp\u00edrito cient\u00edfico em actua\u00e7\u00e3o nos seus v\u00e1rios dom\u00ednios, os par\u00e2metros e, sobretudo, a aprendizagem com a experi\u00eancia, bem como a quantifica\u00e7\u00e3o dos dados, a testagem, verifica\u00e7\u00e3o e confirma\u00e7\u00e3o dos resultados.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s2\">E a verdade \u00e9 que nada impediu os cientistas chineses de se encontrarem ao mesmo n\u00edvel dos seus cong\u00e9neres nos campos da matem\u00e1tica, f\u00edsica, qu\u00edmica, astronomia e astrof\u00edsica e todas as outras ci\u00eancias ditas ocidentais, nem mesmo como argumentavam certos sin\u00f3logos de renome, por exemplo Bodde (1991) em <i>Chinese Thought, Science and Society: The Intellectual and Social Background of Science and Technology in Pre-Modern China<\/i>, ao repetir o que muitos sin\u00f3logos pensavam, a saber, que a l\u00edngua chinesa, certas concep\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas conservadoras e organicistas, bem o autoritarismo imperial tinham afastado os chineses do pensamento cient\u00edfico \u00e0 maneira ocidental.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s3\">Voltando ao texto de Lisa Raphals sobre a ci\u00eancia e filosofia chinesas, a autora termina com uma quest\u00e3o interessante \u00e0 qual n\u00e3o responde, a saber, se a filosofia chinesa poderia contribuir para a constitui\u00e7\u00e3o de uma ci\u00eancia chinesa. (Raphals, 2022: 361). Pela minha parte, respondo sem hesita\u00e7\u00f5es que sim. Ali\u00e1s \u00e9, de facto a uni\u00e3o entre filosofia e ci\u00eancia o que torna poss\u00edvel no Pa\u00eds do Meio a refer\u00eancia a uma ci\u00eancia com caracter\u00edsticas chinesas. E n\u00e3o \u00e9 preciso irmos muito longe, basta pensarmos na Medicina Tradicional Chinesa. <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">O que a caracteriza e distingue da Medicina (Tradicional) Ocidental \u00e9 precisamente o seu ponto de partida ser filos\u00f3fico. Ora isto foi o que Feng Youlan, condicionado pelas circunst\u00e2ncias, teve dificuldade em reconhecer, quer dizer, o estatuto extremamente original e \u00fanico da ci\u00eancia chinesa. Ele estava preocupado com o alegado atraso do seu pa\u00eds em termos cient\u00edfico-tecnol\u00f3gicos face aos avan\u00e7os da ci\u00eancia e tecnologias ocidentais e n\u00e3o via vantagens numa postura filos\u00f3fica que considerava livresca e conservadora.<\/p>\n<p class=\"p3\">Diz-nos o fil\u00f3sofo em <span class=\"s1\">\u300a\u4e2d\u570b\u73fe\u4ee3\u54f2\u5b78\u53f2\u300b<\/span>(Hist\u00f3ria da Filosofia Chinesa Contempor\u00e2nea), o essencial para que a ci\u00eancia e a filosofia ganhem \u00e9 justamente ambas deixarem de assentar em tanta teoria e leitura de cl\u00e1ssicos, como tem sucedido ao longo da tradi\u00e7\u00e3o chinesa, e usufruam da possibilidade da aprendizagem pela experi\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s3\">O professor Feng Youlan, da linha neoconfucionista, defende, em termos filos\u00f3ficos, a necessidade de se pensar numa Grande Unidade (<\/span><span class=\"s4\">\u5927\u5168<\/span><span class=\"s3\"> D\u00e0 Qu\u00e1n) entre os reinos da experi\u00eancia e da raz\u00e3o, sendo que os princ\u00edpios racionais (<\/span><span class=\"s4\">\u7406<\/span><span class=\"s3\"> li) n\u00e3o se colocam num mundo \u00e0 parte, \u00e0 maneira plat\u00f3nica, mas est\u00e3o incrustados na pr\u00f3pria experi\u00eancia. <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">Pelo que o seu apelo \u00e9 que na filosofia n\u00e3o se afaste do corpo, a sensibilidade e as viv\u00eancias da racionalidade que as animam. As duas dimens\u00f5es, a da verdade, \u00e0 qual pertence a raz\u00e3o, e a da actualidade, o mundo, apenas se distinguem por comodidade anal\u00edtica, sendo este todo, animado por um princ\u00edpio vital, que viabiliza o estudo das ess\u00eancias por m\u00e9todo indutivo e l\u00f3gica experimental, porque nada existe fora da realidade imanente. No entanto, do ponto de vista filos\u00f3fico, muito ficou a ganhar a filosofia de Feng Youlan com esta \u201cviragem experimental\u201d, j\u00e1 que, por um lado, veio recuperar o esp\u00edrito ecol\u00f3gico que animou os seus prim\u00f3rdios da filosofia chinesa, por outro, aproximou-se do Ocidente, permitindo a cria\u00e7\u00e3o de uma filosofia comparada, como se pode ler nas Actas do Oitavo Congresso Internacional de Filosofia de 1934: \u201cEstamos agora interessados na m\u00fatua interpreta\u00e7\u00e3o do Oriente e do Ocidente mais do que no seu m\u00fatuo criticismo. Eles s\u00e3o vistos como ilustrando a mesma tend\u00eancia humana de progresso e express\u00f5es do mesmo princ\u00edpio da natureza humana. Desta forma, o Oriente e o Ocidente n\u00e3o est\u00e3o apenas ligados, mas est\u00e3o unidos\u201d (Feng Youlan <i>apud <\/i>Baskin, 1984: 737).<\/p>\n<p class=\"p3\">Quando \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito ecol\u00f3gico e hol\u00edstico, eles ir\u00e3o caracterizar o grande princ\u00edpio da nova humanidade, que \u00e9 saber fundir-se na Grande Unidade \u201c<span class=\"s1\">\u81ea\u540c\u65bc\u5927\u5168<\/span>\u201d (Feng, 2006: 211), totalmente imersa no C\u00e9u e na Terra, que na obra s\u00e3o identificados com o Criativo (<span class=\"s1\">\u4e7e<\/span> Qi\u00e1n) e o Receptivo (<span class=\"s1\">\u5764<\/span>Kun)), ou seja, os dois primeiros hexagramas do <i>Cl\u00e1ssico das Muta\u00e7\u00f5es <\/i>(<span class=\"s1\">\u300a\u6613\u7d93\u300b<\/span>).<\/p>\n<p class=\"p3\">No entanto, o fil\u00f3sofo n\u00e3o estende esta grande unidade filos\u00f3fica \u00e0 ci\u00eancia, porque considera que esse foi um dos motivos que levou ao atraso na China do desenvolvimento da ci\u00eancia \u00e0 maneira ocidental. Hoje percebemos qu\u00e3o redutor e limitativa pode ser apenas uma abordagem especializada e quantitativa dos dados cient\u00edficos e at\u00e9 consideramos que o Ocidente tem muito a ganhar e aprender se n\u00e3o distanciar as suas ci\u00eancias das perspectivas filos\u00f3ficas e de abordagens hol\u00edsticas e organicistas, essencialmente qualitativas, seguindo os passos da ci\u00eancia com caracter\u00edsticas chinesas, na qual o esp\u00edrito filos\u00f3fico reina mantendo a unidade entre os dom\u00ednios.<\/p>\n<p class=\"p3\">Voltando ao <i>Cl\u00e1ssico das Muta\u00e7\u00f5es<\/i>, o Hexagrama 45 \u00e9 <i>Reunir-se<\/i> (<span class=\"s1\">\u8403\u5366<\/span> Cu\u00ec Gu\u00e0), na classifica\u00e7\u00e3o seguida por Richard Wilhelm, que segue a linha neoconfucionista, a mesma de Feng Youlan. Este hexagrama \u00e9 constitu\u00eddo, na base, pela Terra receptiva (<span class=\"s1\">\u5764<\/span> Kun) e, no topo, pelo Lago alegre (<span class=\"s1\">\u5151<\/span>du\u00ec). Afirma-se no Ju\u00edzo do hexagrama que o reunir-se traz sucesso, seja quando o governante se aproxima do templo, seja por se buscar sabedoria e pelo melhor m\u00e9todo de a alcan\u00e7ar, atrav\u00e9s da perseveran\u00e7a ou via oferendas. Mas o mais importante chega-nos, a meu ver, atrav\u00e9s da imagem, onde lemos:<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: center;\">\u201cSobre a Terra, o Lago:<br \/>\nA imagem do reunir-se.<br \/>\nAssim, a pessoa superior<br \/>\nrenova as suas armas<br \/>\nDe modo a responder ao imprevisto\u201d<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: center;\"><span class=\"s5\">(<\/span><span class=\"s6\">\u8c61\u66f0: \u6fa4\u4e0a\u65bc\u5730\uff0c\u8403\uff0c<br \/>\n<\/span><span class=\"s6\">\u541b\u5b50\u4ee5\u9664\u620e\u5668\uff0c\u6212\u4e0d\u865e\u3002<\/span><span class=\"s5\">)<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p8\"><span class=\"s7\">Concluindo, apenas unindo o que estava desligado se podem alcan\u00e7ar excelentes resultados, como a \u00e1gua reunida num lago acima da terra para criar vida e alegria atrav\u00e9s e em torno dela, ou a ci\u00eancia reunida \u00e0 filosofia para a cria\u00e7\u00e3o de uma ci\u00eancia com caracter\u00edsticas chinesas. <\/span><\/p>\n<p>___<\/p>\n<p class=\"p10\"><b>Bibliografia<\/b><\/p>\n<ul>\n<li class=\"p11\">Alves, Ana Cristina. 2022. <i>Cultura Chinesa, Uma Perspetiva Ocidental<\/i>. Coord. Carmen Amado Mendes. Coimbra: Almedina, Centro Cient\u00edfico e Cultural de Macau, I.P.<\/li>\n<li class=\"p11\">Baskin, Wade (ed). 1984. <i>\u201cYu-lan Fung\u201d. Classics in Chinese Philosophy<\/i>. New Jersey: Helix Books.<\/li>\n<li class=\"p11\"><span class=\"s9\">\u99ae\u53cb\u862d<\/span> (Fung Yu-lan\/ Feng Youlan).2006.<span class=\"s9\">\u300a\u4e2d\u570b\u73fe\u4ee3\u54f2\u5b78\u53f2\u300b\u9999\u6e2f:\u4e2d\u83ef\u66f8\u5c40\u6709\u9650\u516c\u53f8.<\/span><\/li>\n<li class=\"p11\">Raphals, Lisa. 2022. \u201cCi\u00eancia e Filosofia Chinesa\u201d. <i>Textos Selecionados de Filosofia Chinesa 1<\/i>. Organiza\u00e7\u00e3o de Matheus Oliva da Costa. Pelotas: Editora UfPel.<\/li>\n<li class=\"p11\">Wilhelm, Richard (Trad.). 1989. <i>I Ching or the book of changes<\/i>. London: Arkana, Penguin Books.<\/li>\n<li class=\"p11\">Wong, David. 2022. \u201cFilosofia Comparada: Chinesa e Ocidental\u201d. <i>Textos Selecionados de Filosofia Chinesa 1<\/i>. Organiza\u00e7\u00e3o de Matheus Oliva da Costa. Pelotas: Editora UfPel.<\/li>\n<li class=\"p12\">\u5f35\u4e2d\u9438(\u7de8)<span class=\"s10\"> (Zhang Zhongduo)<\/span>\u300a\u6613\u7ecf\u63d0\u8981\u767d\u8a71\u89e3\u300b\u53f0\u5357\u5e02:\u5927\u5b5a\uff0c\u6c11<span class=\"s10\">84.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] Falar sobre a cultura e a civiliza\u00e7\u00e3o dos outros requer precau\u00e7\u00f5es ou pelo menos a consciencializa\u00e7\u00e3o de que tudo pode suceder, desde a incompreens\u00e3o, passando por uma abordagem superficial at\u00e9 \u00e0 sintonia, como nos alerta David Wong no seu trabalho \u201cFilosofia Comparada: Chinesa e Ocidental\u201d, relativo \u00e0 filosofia numa perspetiva comparatista, publicado no \u00e2mbito&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":708,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-707","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-pensamento"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/40.jpeg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/707","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=707"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/707\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":709,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/707\/revisions\/709"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/708"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=707"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=707"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=707"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}