{"id":714,"date":"2025-10-06T22:48:59","date_gmt":"2025-10-06T14:48:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.viadomeio.com\/?p=714"},"modified":"2025-10-06T22:48:59","modified_gmt":"2025-10-06T14:48:59","slug":"prosa-classica-chinesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/10\/06\/prosa-classica-chinesa\/","title":{"rendered":"Prosa cl\u00e1ssica chinesa"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><strong>Tradu\u00e7\u00e3o de <span class=\"s1\">Andr\u00e9 Bueno<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>Inscri\u00e7\u00e3o de uma humilde morada<\/b><b><\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\">As montanhas n\u00e3o obt\u00eam fama por sua altura, mas porque nelas vivem algum imortal. Os rios n\u00e3o adquirem seu renome por sua correntes, mas sim porque algum drag\u00e3o torna m\u00e1gicas as suas \u00e1guas.<\/p>\n<p class=\"p3\">Esta humilde morada s\u00f3 tem o perfume da minha virtude.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">O musgo esmeralda cobre seus alpendres e o verdor da erva invade suas cortinas. Mas aqui, s\u00e3o os grandes letrados que conversam e riem, n\u00e3o vem nenhuma pessoa que n\u00e3o tenha alguma import\u00e2ncia.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">Podemos tocar a sens\u00edvel c\u00edtara, podemos estudar os valiosos sutras. N\u00e3o h\u00e1 orquestra alguma que estrague o ouvido, nem documentos oficiais que importunem a n\u00f3s.<\/p>\n<p class=\"p3\">Conf\u00facio disse: que h\u00e1 de mal nisso?<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>Liu Yuxi<br \/>\n<\/b><b>(772-842)<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>O inseto chamado Fuban<\/b><\/h3>\n<p class=\"p1\">O Fuban \u00e9 um pequeno inseto capaz de levar cargas sobre o lombo. Quando encontra algo em seu caminho, colhe imediatamente e, levantando a cabe\u00e7a, deposita em seu lombo e leva. Deste modo, o peso que transporta \u00e9 cada vez maior; no entanto, quando est\u00e1 cansado a ponto de sucumbir, segue fazendo o mesmo at\u00e9 n\u00e3o poder mais. Como seu lombo \u00e9 rugoso, as coisas se acumulam ali sem cair nem se perder. No final, o inseto trope\u00e7a e cai no ch\u00e3o, e com tanto peso, n\u00e3o consegue mais levantar-se. \u00c0s vezes as pessoas tem piedade dele e tiram a carga de suas costas.<\/p>\n<p class=\"p2\">Mesmo assim, quando se v\u00ea livre, levanta e come\u00e7a a fazer as mesmas coisas de antes. Como tamb\u00e9m gosta de trepar cada vez mais alto, com a carga nas costas, chega um momento em que ele se esgota, cai no solo e morre.<\/p>\n<p class=\"p2\">Hoje os homens anseiam por acumular bens; apenas o encontram e, no lugar de evit\u00e1-los, tomam-no e come\u00e7am a aumentar seu patrim\u00f4nio, sem perceber as consequ\u00eancias disso. Seu \u00fanico temor \u00e9 n\u00e3o acumular bastante. Acabam exaustos e trope\u00e7am, vendo-se ent\u00e3o obrigados a abandonar tudo, pondo-se em marcha e se instalando em outro lugar. Tanto o fazem que, n\u00e3o raro, terminam doentes. Mas quando conseguem se levantar, come\u00e7am a fazer tudo igual, de novo.<\/p>\n<p class=\"p2\">Cada dia que passa, estes homens pensam em subir de posi\u00e7\u00e3o, em aumentar sua fortuna; sua conduta e sua avidez crescem sem cessar e acabam levando-os ao perigo e a queda final. Mesmo vendo que muitos antes deles perderam tudo e morreram, n\u00e3o sabem aprender com o exemplo.<\/p>\n<p class=\"p2\">Por mais imponente que seja o seu aspecto, e qu\u00e3o eminente seja sua posi\u00e7\u00e3o, estes levam o nome de \u201chomens\u201d, mas abrigam a mente de um inseto. Isso n\u00e3o \u00e9 realmente triste?<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>Liu Zongyuan<\/b><b><br \/>\n<\/b><b>(773-819)<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>Elogio da virtude do vinho<br \/>\n<\/b><\/h3>\n<p class=\"p2\">H\u00e1 um homem superior que considera a eternidade como uma manh\u00e3, dez mil anos como um abrir e fechar de olhos; o sol e a lua como suas janelas, os oito confins do mundo como seu p\u00e1tio e ruas. Caminha sem seguir rotas nem deixa pegadas; vive sem casa e sem abrigo; o c\u00e9u o serve de tenda, a terra o serve de esteira; onde quer que v\u00e1, seu desejo \u00e9 seu guia. Quando p\u00e1ra, pega um copo e uma garrafa; quando se vai, leva uma jarra e um vaso. S\u00f3 se ocupa de vinho, n\u00e3o conhece outra coisa.<\/p>\n<p class=\"p3\">Um jovem nobre e um letrado de renome ouviram falar de sua maneira de viver e o criticaram. Agitaram suas mangas, balan\u00e7aram suas t\u00fanicas, rangeram os dentes e ficaram de olhos injetados. Falaram longamente dos ritos e das leis, e o bem e o mal povoam seus discursos como um enxame de abelhas.<\/p>\n<p class=\"p3\">Enquanto isso, o mestre disp\u00f4s uma bandeja e sustentava um jarro de vinho com as duas m\u00e3os. Levou a bandeja para a boca e derramou todo o vinho pela garganta. Despojou-se, e sentou cruzando as pernas. Sua cabe\u00e7a descansava na terra, seu corpo jazia no p\u00f3. J\u00e1 n\u00e3o tinha mais pensamentos nem sentimentos, sua felicidade era infinita. Assim permaneceu, \u00e9brio e privado de sensa\u00e7\u00f5es, at\u00e9 que recobrou por si mesmo os sentidos.<\/p>\n<p class=\"p3\">Por mais que escutasse, n\u00e3o ouvia o fragor da conversa; por mais que buscasse, n\u00e3o via as montanhas. N\u00e3o sentia nem frio nem calor atacar seu corpo. N\u00e3o o incomodava nem a alegria nem o desejo. Contemplava o mundo das alturas, como uma tumultuada confus\u00e3o de seres, como algas boiando ao sabor da correnteza de um rio. Os dois homens que falavam com ele eram como abelhas ou parasitas de uma amoreira.<\/p>\n<p class=\"p4\"><b>Liu Ling<br \/>\n<\/b><b>(s\u00e9c. III)<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>Nota sobre a Montanha <\/b><b>da Vila de Pedra<br \/>\n<\/b><\/h3>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Partindo de Sichuan, o caminho vai direto ao norte. Ao descer do porto da montanha, o caminho se bifurca; para oeste, n\u00e3o se encontra nada de interessante; e para o norte, logo se vira para o leste. A quatro l\u00e9guas de dist\u00e2ncia, o caminho se v\u00ea interrompido por um rio. A beirada do rio tem rochas cujos tetos se assemelham a vigas e colunas. Ao lado, h\u00e1 uma esp\u00e9cie de muralha e algo parecido com uma porta.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\">Dentro, reina a escurid\u00e3o. Se algu\u00e9m lan\u00e7ar um grito, ouvir\u00e1 apenas o burburinho da \u00e1gua, como em uma caverna; o eco ressoa algum tempo e depois cessa. Dando uma volta, se pode chegar ao alto; dali se descobre uma vista muito ampla. Sem que haja terra f\u00e9rtil, crescem lindas arvores e magn\u00edficos bambus profundamente enraizados. As plantas, ora ralas, ora frondosas, ora inclinadas, ora retas, parecem haver sido dispostas por algum ser consciente. H\u00e1 muito tempo venho me perguntando se h\u00e1 um criador de todas as coisas; aqui me inclino a pensar que sim.<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>Liu Zongyuan<\/b><b><br \/>\n<\/b><b>(773-819)<\/b><\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>\u00a0<\/b><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] Tradu\u00e7\u00e3o de Andr\u00e9 Bueno &nbsp; Inscri\u00e7\u00e3o de uma humilde morada As montanhas n\u00e3o obt\u00eam fama por sua altura, mas porque nelas vivem algum imortal. Os rios n\u00e3o adquirem seu renome por sua correntes, mas sim porque algum drag\u00e3o torna m\u00e1gicas as suas \u00e1guas. Esta humilde morada s\u00f3 tem o perfume da minha virtude. 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