{"id":729,"date":"2025-10-07T01:16:13","date_gmt":"2025-10-06T17:16:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.viadomeio.com\/?p=729"},"modified":"2025-10-07T01:16:13","modified_gmt":"2025-10-06T17:16:13","slug":"os-pictogramas-e-o-espelho-da-natureza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/10\/07\/os-pictogramas-e-o-espelho-da-natureza\/","title":{"rendered":"Os Pictogramas e o Espelho da Natureza"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p class=\"p1\">D<span class=\"s1\">urante longo<\/span> tempo houve animada esgrima nos campos da sinologia lingu\u00edstica. Uns defendiam que a escrita chinesa n\u00e3o deveria ser considerada essencialmente imag\u00e9tica, pois era t\u00e3o convencional e arbitr\u00e1ria como qualquer outro sistema lingu\u00edstico, outros como Bernhard Karlgren (1889-1978) em <i>Sound and Symbol in Chinese <\/i>(1990) procuravam real\u00e7ar o car\u00e1cter pict\u00f3rico desta escrita.<\/p>\n<p class=\"p3\">Uma leitura atenta da referida obra de Karlgren \u00e9 o suficiente para se compreender que o sin\u00f3logo n\u00e3o teve qualquer inten\u00e7\u00e3o de reduzir a escrita chinesa a pictogramas. Ele reconhece claramente que os pictogramas constituem um d\u00e9cimo deste tipo t\u00e3o original de caligrafia, sendo a maioria dos caracteres compostos por uma parte ideogr\u00e1fica, e uma outra fon\u00e9tica. Diz-nos o autor que:<\/p>\n<p class=\"p5\">\u201cos chineses descobriram um meio simples e conveniente de criar novos caracteres <i>ad libitum<\/i> no m\u00e9todo de compor novos caracteres, por meio dum indicador de sentido, o radical, e um indicador de som, o elemento fon\u00e9tico: a esmagadora maioria dos caracteres chineses \u2013 cerca de nove d\u00e9cimos- \u00e9 composta desta forma.\u201d (Karlgren, 1990: 44)<\/p>\n<p class=\"p2\">O sin\u00f3logo defende que a escrita chinesa come\u00e7ou por ser imag\u00e9tica, procurando desenhar e reproduzir a natureza duma forma realista, tentava imit\u00e1-la para a referir, mas aos poucos foi evoluindo para um sistema lingu\u00edstico bem mais abstracto e complexo, aproximando-se com os seus compostos dos tipos fon\u00e9ticos de escrita.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Veja-se como resume a evolu\u00e7\u00e3o da escrita chinesa:<\/p>\n<p class=\"p5\">\u201ca primeira fase foi a da escrita imag\u00e9tica, que continuou por longo tempo, at\u00e9 que o <i>stock<\/i> de caracteres foi alargado, primeiramente por compostos l\u00f3gicos, mais tarde por compostos fon\u00e9ticos.\u201d (Karlgren, 1990: 47)<\/p>\n<p class=\"p2\">Como devemos denominar os caracteres chineses \u00e9, sem d\u00favida, uma quest\u00e3o pertinente no \u00e2mbito da Sinologia. H\u00e1 quem lhes chame ideogramas, uma vez que cada caracter transmite uma ou v\u00e1rias ideias, h\u00e1 quem os considere, na esteira de Bussmann (<i>Apud<\/i> Peixoto, 2014: 19), semeogramas, pretendendo com o termo derivado da semiologia de Saussurre, enfatizar o aspecto<i> sem\u00e2ntico-visual<\/i> da escrita como refere Bruna Peixoto no seu trabalho <i>Chin\u00eas e Portugu\u00eas, Dist\u00e2ncia Lingu\u00edstica e Sociocultural<\/i> (Ibidem).<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s2\">No que me diz respeito prefiro a nomenclatura escolhida por Alexandre Li Ching, o autor de <i>A Estrutura da L\u00edngua Chinesa <\/i>(Li 1994: 34), que, denomina as palavras chinesas caracteres ou ideogramas, dividindo-os em seis categorias: <\/span><\/p>\n<p class=\"p6\"><span class=\"s3\">\u00b7<\/span> <b><i>Pictogramas<\/i><\/b>, que o autor define como <i>tendo por origem objetos <\/i>desenhados: sol(<span class=\"s3\">\u65e5<\/span> r\u00ec); cavalo(<span class=\"s3\">\u9a6c<\/span><span class=\"s5\">m\u01ce<\/span>); fogo(<span class=\"s3\">\u706b<\/span><span class=\"s5\">hu\u01d2<\/span>); \u00e1gua(<span class=\"s3\">\u6c34<\/span> <span class=\"s5\">shu\u01d0<\/span>)<i>, <\/i>h\u00e1 cerca de seiscentos na l\u00edngua chinesa;<\/p>\n<p class=\"p6\"><span class=\"s3\">\u00b7<\/span> <b><i>Ideogramas<\/i><\/b>, ou seja, os compostos l\u00f3gicos de Karlgren, que indicam esquematicamente as ideias: um (<span class=\"s3\">\u4e00<\/span> <span class=\"s5\">y\u012b<\/span>);<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>dois(<span class=\"s3\">\u4e8c<\/span>\u00e8r); tr\u00eas(<span class=\"s3\">\u4e09<\/span><span class=\"s5\">s\u0101n<\/span>); cima (<span class=\"s3\">\u4e0a<\/span>sh\u00e0ng); baixo (<span class=\"s3\">\u4e0b<\/span>xi\u00e0), sendo cerca de 100;<\/p>\n<p class=\"p6\"><span class=\"s3\">\u00b7<\/span> <b><i>Ideogramas compostos<\/i><\/b>, em que o sentido \u00e9 obtido pela rela\u00e7\u00e3o ou associa\u00e7\u00e3o dos componentes claro (<span class=\"s3\">\u660e<\/span>m\u00edng), paz(<span class=\"s3\">\u5b89<\/span><span class=\"s5\">\u0101n<\/span>); bom(<span class=\"s3\">\u597d<\/span> <span class=\"s5\">h\u01ceo<\/span>); homem(<span class=\"s3\">\u7537<\/span>n\u00e1n), s\u00e3o cerca de 750;<\/p>\n<p class=\"p6\"><span class=\"s3\">\u00b7<\/span> <b><i>Ideofonogramas<\/i><\/b><i>, <\/i>caracteres constitu\u00eddos por um elemento que transmite a ideia, o ideoclassificador, surgindo habitualmente associado ao radical, e um outro componente, a parte fon\u00e9tica, que indica a pron\u00fancia, como: a\u00e7\u00facar( <span class=\"s3\">\u7cd6 <\/span>t\u00e1ng), machado (<span class=\"s3\">\u65a7<\/span> <span class=\"s5\">f\u01d4<\/span>), m\u00e3e (<span class=\"s3\">\u5988 <\/span><span class=\"s5\">m\u0101<\/span>), pai (<span class=\"s3\">\u7238<\/span>b\u00e0), estes constituem a maioria dos caracteres.<\/p>\n<p class=\"p6\"><span class=\"s3\">\u00b7<\/span> <b><i>S\u00edmbolos transferidos<\/i><\/b>, caracteres em que se procede a uma extens\u00e3o ou alargamento do sentido primitivo, sendo um dos caracteres mais utilizados para exemplificar esta classe, <span class=\"s3\">\u7f51<\/span><span class=\"s5\">w\u01ceng<\/span>, que de rede para apanhar peixes alargou o seu sentido at\u00e9 \u00e0 internet (<span class=\"s3\">\u7f51\u7edc<\/span><span class=\"s5\">w\u01cenglu\u00f2<\/span><span class=\"s3\">\u3001\u7f51\u4e0a<\/span><span class=\"s5\">w\u01cengsh\u00e0ng<\/span><span class=\"s3\">\u3001\u7f51\u7ad9<\/span><span class=\"s5\">w\u01cengzh\u00e0n<\/span>)<\/p>\n<p class=\"p6\"><span class=\"s3\">\u00b7<\/span> <b><i>Falsos empr\u00e9stimos<\/i><\/b>, caracteres utilizados pelo seu valor fon\u00e9tico, que representam na origem uma palavra apenas hom\u00f3fona, por exemplo <span class=\"s3\">\u6765 <\/span>l\u00e1i, que era espiga duma esp\u00e9cie de gr\u00e3o, tendo passado a significar o verbo vir.<\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s6\">Entre os seis tipos de caracteres chineses, vamos ent\u00e3o encontrar os pictogramas, aqueles caracteres que traduzem o esp\u00edrito essencial, no sentido de primevo da escrita chinesa. Esta procurou na sua g\u00e9nese mimetizar a realidade, proporcionando \u00e0 comunidade chinesa desenhos ou imagens fidedignas da mesma. Se n\u00e3o pretendessem s\u00ea-lo, o valor utilit\u00e1rio da comunica\u00e7\u00e3o teria diminu\u00eddo. Por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 inten\u00e7\u00e3o com o afirmado reduzir a primeira escrita chinesa a um conjnto de s\u00edmbolos utilit\u00e1rios, j\u00e1 que o ser humano revela, desde o seu aparecimento, uma forte tend\u00eancia l\u00fadica e art\u00edstica.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">A principal quest\u00e3o que se coloca a este tipo de escrita do ramo sino-tibetano, definida como ideogr\u00e1fica ou sem\u00e2ntico-visual, \u00e9: se os pictogramas se podem definir exclusivamente como desenhos da realidade e o que tal significa?<\/p>\n<p class=\"p3\">Ser\u00e1 que um desenho da realidade implica apenas uma c\u00f3pia da mesma, realista, ou at\u00e9 segundo algumas tend\u00eancias contempor\u00e2neas, hiper-realista, e, portanto, um olhar e um tra\u00e7o dominado pelo objeto? Ou desde o primeiro momento encontramos uma postura ativa do comunicador, do artista e do ser religioso que apresenta, oferece e nomeia a realidade que o interpela?<\/p>\n<p class=\"p3\">Defendo que os pictogramas j\u00e1 poderiam ser introduzidos na classifica\u00e7\u00e3o de ideogramas, uma vez que tendem a ser esquemas da realidade, ou seja, interpreta\u00e7\u00f5es do criador lingu\u00edstico.<\/p>\n<p class=\"p3\">A este respeito, um exemplo not\u00e1vel \u00e9 a introdu\u00e7\u00e3o da escrita do <i>Pequeno Selo<\/i> (<span class=\"s3\">\u5c0f\u7bc6<\/span><span class=\"s5\">Xi\u01ceozhu\u00e0n<\/span>), pelo primeiro-ministro de Qin Shihuang (<span class=\"s3\">\u79e6\u59cb\u7687<\/span><span class=\"s5\">Q\u00ednsh\u01d0hu\u00e1ng<\/span>), Li Si (<span class=\"s3\">\u674e\u65af<\/span><span class=\"s5\">L\u01d0s\u012b<\/span>), que, conforme relata Karlgren, se distinguiu na caligrafia, criando \u201cum novo cat\u00e1logo oficial de caracteres para orienta\u00e7\u00e3o dos escribas. Ele fez o poss\u00edvel para preservar os antigos caracteres, mas simplificou-os, tendo substitu\u00eddo com frequ\u00eancia os velhos desenhos por algumas linhas sum\u00e1rias.\u201d (Kalgren, 1990:48)<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s2\">A meu ver, desde cedo encontramos uma postura extremamente ativa da parte daquele que regista e nomeia a natureza circundante. A comunidade lingu\u00edstica chinesa revelou a tend\u00eancia de fixar e preservar a realidade duma determinada maneira, mais pr\u00f3xima da natureza, menos abstracta, manifestando um not\u00e1vel esp\u00edrito realista e aten\u00e7\u00e3o ao pormenor. Talvez estas caracter\u00edsticas n\u00e3o sejam exclusivas da mente chinesa, j\u00e1 que encontramos na escrita hierogl\u00edfica, por exemplo, na eg\u00edpcia, o mesmo tipo de tend\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">O que parece ser espec\u00edfico da mente chinesa \u00e9 a incorpora\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o dos seus pictogramas at\u00e9 \u00e0 atualidade. Estes caracterizam-se por serem c\u00f3pias deliberadas da natureza circundante, considerada perfeita para a transmiss\u00e3o das mensagens quotidianas, religiosas e art\u00edsticas.<\/p>\n<p class=\"p3\">Para exemplificar o tipo de esp\u00edrito que creio ter estado na base dos registos pict\u00f3ricos, perpetuados at\u00e9 \u00e0 atualidade, relato a hist\u00f3ria proverbial conhecida pela grande maioria dos chineses: <i>O Peito Transformou-se em Bambu<\/i>, atribu\u00edda ao registo po\u00e9tico de Chao Buzhi (<span class=\"s3\">\u6641\u8865\u4e4b<\/span>, 1053-1110) da Colect\u00e2nea <i>Costela de Galinha <\/i>(<span class=\"s3\">\u9e21\u808b\u96c6 <\/span><span class=\"s5\">J\u012bl\u00e8i <\/span>J\u00cd), um t\u00edtulo humilde, indicando coisas sem valor. E, no entanto, daqui \u00e9 extra\u00edda uma das mais interessantes hist\u00f3rias proverbiais chinesas, <span class=\"s5\">Xi\u014dngy\u01d2u-ch\u00e9ngzh\u00fa<\/span> (<span class=\"s3\">\u80f8\u6709\u6210\u7af9<\/span><b>) <\/b>que pode ser traduzida por \u201cO peito transformou-se em Bambu\u201d.<\/p>\n<h3 class=\"p7\"><b><br \/>\nO Peito Transformou-se <\/b><b>em Bambu<\/b><b><\/b><\/h3>\n<p class=\"p8\">Nos tempos da dinastia Song, viveu Wen Yuke na prov\u00edncia de Sichuan, ele pintava muito bem. Gostava especialmente de pintar bambu, por isso plantou um bambual nas traseiras de casa que podia observar com todo o rigor da sua janela na Primavera, no Ver\u00e3o, no Outono e no Inverno, de manh\u00e3 ao anoitecer, fizesse chuva ou sol. Seguia minuciosamente as mudan\u00e7as e as formas dos ramos e das folhas do bambu ao longo das quatro esta\u00e7\u00f5es, ap\u00f3s o que procurava ser o mais fiel poss\u00edvel ao bambu nas suas pinturas.<\/p>\n<p class=\"p8\">Ao tempo vivia tamb\u00e9m um letrado chamado Chao Buzhi, que muito admirava o talento de Wen Yuke para pintar o bambu, tendo escrito um poema em seu louvor, onde se podia ler: \u201cWuke ao desenhar, j\u00e1 tem o peito transformado em bambu.\u201d Tal significa que Wen Yuke ao pintar j\u00e1 possu\u00eda a imagem completa do bambu.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p10\"><span class=\"s7\"><b>(<\/b><\/span>\u80f8\u6709\u6210\u7af9<span class=\"s7\"><b>)<\/b><b><\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"p11\">\u5b8b\u671d\u7684\u65f6\u5019\uff0c\u56db\u5ddd\u6709\u4e00\u4e2a\u53eb\u6587\u4e0e\u53ef\u7684\u4eba\uff0c\u4ed6\u5f88\u4f1a\u505a\u8bd7\u753b\u753b\u513f\uff0c\u7279\u522b\u559c\u6b22\u753b\u7af9\u5b50\u3002\u5728\u4ed6\u7684\u7a97\u524d\u623f\u540e\uff0c\u79cd\u4e86\u5f88\u591a\u7af9\u5b50\u3002\u4ece\u6625\u590f\u5230\u79cb\u51ac\uff0c\u4ece\u65e9\u6668\u5230\u665a\u4e0a\uff0c\u4e0d\u8bba\u6674\u5929\u96e8\u5929\uff0c\u4ed6\u603b\u662f\u4ed4\u7ec6\u5730\u89c2\u5bdf\u90a3\u4e9b\u7af9\u5b50\u3002\u7af9\u5b50\u7684\u679d\u53f6\u5728\u4e0d\u540c\u7684\u5b63\u8282\uff0c\u4e0d\u540c\u7684\u65f6\u95f4\uff0c\u4e0d\u540c\u7684\u6c14\u5019\u4e0b\u662f\u4ec0\u4e48\u6837\u5b50\uff0c\u6709\u4ec0\u4e48\u53d8\u5316\uff0c\u4ed6\u90fd\u89c2\u5bdf\u5f97\u5f88\u4ed4\u7ec6\uff0c\u4ed6\u753b\u7684\u7af9\u5b50\u8ddf\u771f\u7684\u4e00\u6837\u3002<\/p>\n<p class=\"p11\">\u90a3\u65f6\u5019\u6709\u4e00\u4e2a\u6587\u5b66\u5bb6\u53eb\u6641\u8865\u4e4b\uff0c\u975e\u5e38\u4f69\u670d\u6587\u4e0e\u53ef\u753b\u7af9\u5b50\u7684\u624d\u80fd\uff0c\u800c\u4e14\u5199\u4e86\u4e00\u9996\u8bd7\u6765\u79f0\u8d5e\u4ed6\u3002\u5176\u4e2d\u6709\u4e24\u53e5\u8bf4<span class=\"s7\">: \u201c<\/span>\u4e0e\u53ef\u753b\u7af9\u65f6\uff0c\u80f8\u4e2d\u6709\u6210\u7af9\u3002\u201d\u610f\u601d\u662f\u6587\u4e0e\u53ef\u753b\u7af9\u5b50\u7684\u65f6\u5019\uff0c\u80f8\u4e2d\u5df2\u7ecf\u6709\u4e86\u5b8c\u6574\u7684\u7af9\u5b50\u5f62\u8c61\u3002<span class=\"s7\">) (<\/span>\u5317\u4eac\u8bed\u8a00\u5b66\u9662<span class=\"s7\">,1984, 75-77).<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p2\">Tamb\u00e9m a escrita e a caligrafia chinesas possuem imagens completas e profundas da realidade que pretendem retratar, esquematizar, idealizar ou recriar, gerando-se entre o que escreve a escrita uma identifica\u00e7\u00e3o profunda, por osmose, porque de tanto contemplar se transforma o contemplador na coisa contemplada ou, como diria Lu\u00eds de Cam\u00f5es, <i>o amador na coisa amada<\/i>.<\/p>\n<p>___<\/p>\n<p class=\"p13\"><b>Bibliografia<\/b><\/p>\n<ul>\n<li class=\"p14\"><span class=\"s9\"> \u5317\u4eac\u8bed\u8a00\u5b66\u9662\u7f16<\/span><span class=\"s2\">(Instituto de L\u00ednguas de Beijing, ed.) 1984<\/span><span class=\"s9\">\u300a\u57fa\u7840\u6c49\u8bed\u8bfe\u672c\u300b\u9605\u8bfb\u6750\u6599\u3002<\/span><span class=\"s2\">Proverbes Chinois Annotes<\/span><span class=\"s9\">\u6210\u8bed\u6545\u4e8b\u9009<\/span><span class=\"s2\">.<\/span><span class=\"s9\">\u5317\u4eac<\/span><span class=\"s2\">:<\/span><span class=\"s9\">\u5916\u6587\u51fa\u7248\u793e<\/span><\/li>\n<li class=\"p14\"><span class=\"s2\">Karlgren, Bernhard. 1990 [1962]<i> Sound and Symbol in Chinese<\/i>. Hong Kong: Hong Kong University Press.<\/span><\/li>\n<li class=\"p14\"><span class=\"s2\">Lai, T.C (<\/span><span class=\"s9\">\u8d56\u606c\u660c<\/span><span class=\"s2\">)1980 <i>Chinese Characters. <\/i> Hong Kong: Swindon Book Company<\/span><\/li>\n<li class=\"p14\"><span class=\"s2\">Li Ching, Alexandre. 1994. <i>A Estrutura da L\u00edngua Chinesa<\/i><\/span><span class=\"s9\">\u300a\u6c49\u8bed\u7ed3\u6784\u300b<\/span><span class=\"s2\">Lisboa: Funda\u00e7\u00e3o Oriente.<\/span><\/li>\n<li class=\"p14\"><span class=\"s10\">Peixoto, Bruna. 2014. <i>Chin\u00eas e Portugu\u00eas, Dist\u00e2ncia Lingu\u00edstica e Sociocultural<\/i>. Famalic\u00e3o: Instituto Conf\u00facio da Universidade do Minho, H\u00famus.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] Durante longo tempo houve animada esgrima nos campos da sinologia lingu\u00edstica. 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