{"id":732,"date":"2025-10-07T01:23:43","date_gmt":"2025-10-06T17:23:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.viadomeio.com\/?p=732"},"modified":"2025-10-07T01:23:43","modified_gmt":"2025-10-06T17:23:43","slug":"a-geografia-mundial-de-giulio-aleni-1623","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/10\/07\/a-geografia-mundial-de-giulio-aleni-1623\/","title":{"rendered":"A Geografia Mundial de Giulio Aleni (1623)"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">G<\/span><span class=\"s2\">iulio Aleni<\/span> foi um acad\u00e9mico e um dos mais not\u00e1veis mission\u00e1rios Jesu\u00edtas sediados na China no in\u00edcio do s\u00e9culo XVII. Publicou v\u00e1rios textos em chin\u00eas e veio a tornar-se um autor frequentemente citado e deixou uma marca inconfund\u00edvel em trabalhos posteriores. O seu livro mais significativo foi, provavelmente, <i>Zhifang waiji<\/i> <span class=\"s3\">\u8077\u65b9\u5916\u7d00<\/span>, geralmente datado de 1623. Neste artigo, vamos fazer uma breve visita ao texto publicado h\u00e1 quatrocentos anos. A maioria das edi\u00e7\u00f5es de <i>Zhifang waiji<\/i> cont\u00eam v\u00e1rios mapas, tamb\u00e9m eles desenhados por Aleni (e por alguns dos seus colegas). S\u00e3o exemplares \u00fateis, mas menos detalhados do que certos mapas elaborados por outros Jesu\u00edtas que estiveram na China e s\u00f3 podem ser considerados ocasionalmente.<\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s4\">O nome chin\u00eas de Aleni era Ai Rul\u00fce <\/span><span class=\"s5\">\u827e\u5112\u7565<\/span><span class=\"s4\">; e em latim, Julius Alenius. Ambas as vers\u00f5es, em latim e em italiano, est\u00e3o foneticamente relacionadas com o nome chin\u00eas. O significado contido nos caracteres chineses parece ser bastante complexo. Habitualmente, <i>ru<\/i> identifica os acad\u00e9micos Confucionistas e os seus ensinamentos. <i>Ai<\/i> \u00e9 muito usado em bot\u00e2nica e frequentemente designa a planta artem\u00edsia, mas <i>ai<\/i> tamb\u00e9m quer dizer \u201cbelo\u201d, \u201cgaguejar\u201d, \u201ccultivar\u201d, \u201calimentar\u201d, \u201cproteger\u201d, etc. <i>L\u00fce<\/i> \u00e9 ainda mais amb\u00edguo. Quando usado de uma forma positiva, pode significar \u201cestrat\u00e9gia\u201d, \u201cplano\u201d, \u201cresumo\u201d e \u201cdescrever\u201d. As conota\u00e7\u00f5es negativas tornam-se evidentes na associa\u00e7\u00e3o aos verbos \u201capreender\u201d e \u201cpilhar\u201d. <\/span><\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s6\">Como \u00e9 \u00f3bvio, Aleni tinha aprendido chin\u00eas e aparentemente conseguia ler sem dificuldades textos cl\u00e1ssicos, mas n\u00e3o sabemos dizer se ele estaria a par de todas as subtilezas contidas nos tr\u00eas caracteres do seu nome chin\u00eas. Presumivelmente, a escolha da sequ\u00eancia \u201cAi Rul\u00fce\u201d revelava respeito pelas ideias centrais do Confucionismo e, como tal, pela cultura chinesa em sentido amplo. Se esta interpreta\u00e7\u00e3o for aceit\u00e1vel, ent\u00e3o podemos afirmar que o nome chin\u00eas de Aleni era um s\u00edmbolo de sua \u201ccarreira\u201d pessoal. Aleni admirava muitos dos aspectos da sociedade chinesa, mas tamb\u00e9m exprimiu algumas cr\u00edticas. Podemos ainda acrescentar que, nessa \u00e9poca, os Jesu\u00edtas tentavam encontrar paralelismos entre os aspectos essenciais da sua pr\u00f3pria religi\u00e3o e os princ\u00edpios fundadores do Confucionismo. Sem qualquer d\u00favida, esta tarefa requeria uma mente e uma alma firme, habilidade ret\u00f3rica e muito conhecimento. <\/span><\/p>\n<p class=\"p4\">Aleni veio da regi\u00e3o de Brescia, no norte da It\u00e1lia. Nascido em 1582, ingressou na Ordem dos Jesu\u00edtas em 1600 e estudou em Roma. Depois de ter sido escolhido para ir para a China como mission\u00e1rio, chegou a Macau em 1610, ainda jovem, com vinte e muitos anos. Embora estivesse interessado principalmente em astronomia, matem\u00e1tica e outras mat\u00e9rias relacionadas, fic\u00e1mos a saber por confrades e amigos, que tinha uma mente viva e curiosidade por muitas coisas diferentes. Evidentemente, estas caracter\u00edsticas renderam-lhe o respeito dos seus colegas chineses, com quem manteve boas rela\u00e7\u00f5es ao longo da vida.<\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s4\">Em 1613, Aleni chegou a Pequim, apenas alguns anos ap\u00f3s a morte de Matteo Ricci (Li Madou <\/span><span class=\"s5\">\u5229\u746a\u7ac7<\/span><span class=\"s4\">) em 1610. Mais tarde viajou at\u00e9 \u00e0s Prov\u00edncias de Shaanxi e de Shanxi e \u00e0s regi\u00f5es de Xangai e de Yangzhou. Em 1620, chegou a Hangzhou, em Zhejiang, e em 1625 fundou a miss\u00e3o Jesu\u00edta em Fujian. Enquanto esteve em Fujian tinha contacto com muitos altos funcion\u00e1rios, especialmente com os de Fuzhou, e debatia com eles quest\u00f5es religiosas e outros assuntos de interesse m\u00fatuo. Embora tenha sido capaz de conquistar um n\u00famero respeit\u00e1vel de estudiosos para a f\u00e9 crist\u00e3, nem todos aprovaram as suas ac\u00e7\u00f5es e, por algum tempo, tornou-se alvo de cr\u00edticas severas. Por conseguinte, passou algum tempo em Macau no final da d\u00e9cada de 1630, mas regressou a Fujian em 1639. Em 1641 tornou-se Vice-Ministro Provincial Jesu\u00edta para o Sul da China. Quando as tropas Manchu invadiram Fujian na segunda metade da d\u00e9cada de 1640, causando destrui\u00e7\u00e3o e desordem em muitas partes desta Prov\u00edncia, Aleni retirou-se para a \u00e1rea montanhosa de Yenping <\/span><span class=\"s5\">\u5ef6\u5e73<\/span><span class=\"s4\"> (Nanping <\/span><span class=\"s5\">\u5357\u5e73<\/span><span class=\"s4\">) no interior de Fujian, onde morreu em 1649.<\/span><\/p>\n<h3 class=\"p5\"><b><br \/>\nO texto e sua estrutura<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\">Num per\u00edodo inicial, Aleni esteve em contacto com Li Zhizao <span class=\"s3\">\u674e\u4e4b\u85fb<\/span> (1565\u20131630) e com Yang Tingyun <span class=\"s3\">\u694a\u5ef7\u7b60<\/span> (1557\u20131627), ambos de Hangzhou. Em 1623, hospedou-se em casa de Yang, que o ajudou a terminar a sua obra <i>Zhifang waiji<\/i>, ainda impressa no mesmo ano. Hoje existem v\u00e1rias edi\u00e7\u00f5es deste livro, mas n\u00e3o diferem muito umas das outras. Actualmente, os acad\u00e9micos citam principalmente a vers\u00e3o pontuada impressa pela editora Zhonghua shuju em 1996. Esta vers\u00e3o tem o t\u00edtulo <i>Zhifang waijiao jiaoshi<\/i> <span class=\"s3\">\u8077\u65b9\u5916\u7d00\u6821\u91cb<\/span> e traz muitas anota\u00e7\u00f5es \u00fateis de Xie Fang <span class=\"s3\">\u8b1d\u65b9<\/span> (1932\u20132021). O presente artigo baseia-se em grande parte na edi\u00e7\u00e3o de Xie.<\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s4\">O texto anotado de Xie Fang cont\u00e9m cinco cap\u00edtulos ou <i>juan<\/i> <\/span><span class=\"s5\">\u5377<\/span><span class=\"s4\">. Os cap\u00edtulos debru\u00e7am-se respectivamente sobre a \u00c1sia (<i>juan<\/i> 1); a Europa (<i>j. <\/i>2); a \u00c1frica (na altura chamada Liweiya <\/span><span class=\"s5\">\u5229\u672a\u4e9e<\/span><span class=\"s4\">, ou Libya; <i>j.<\/i> 3); a Am\u00e9rica do Norte e do Sul, a Ant\u00e1rtida (ent\u00e3o chamada Mowalanijia <\/span><span class=\"s5\">\u58a8\u74e6\u881f\u5c3c\u52a0<\/span><span class=\"s4\">, ou Magellani(c)a; <i>j.<\/i> 4) e os \u201cQuatro Mares\u201d (<i>si hai<\/i> <\/span><span class=\"s5\">\u56db\u6d77<\/span><span class=\"s4\">, <i>j.<\/i> 5). Numa das primeiras edi\u00e7\u00f5es do texto de Aleni, existe um cap\u00edtulo dedicado apenas a Magellania, o que significa que essa edi\u00e7\u00e3o tinha seis <i>juan<\/i>, mas isso n\u00e3o \u00e9 relevante neste contexto. Os mapas publicados no <i>Zhifang waiji<\/i>, apareciam antes do primeiro cap\u00edtulo. No total existiam sete, um de cada continente, mais um que mostrava a Magellania ou \u201cas terras do sul\u201d (<i>Nanyu ditu<\/i><\/span><span class=\"s5\"> \u5357\u8f3f\u5730\u5716<\/span><span class=\"s4\">), um outro representando a esfera setentrional (<i>Beiyu ditu<\/i> <\/span><span class=\"s5\">\u5317\u8f3f\u5730\u5716<\/span><span class=\"s4\">) e um mapa mundo chamado <i>Wanguo quantu<\/i> <\/span><span class=\"s5\">\u842c\u570b\u5168\u5716<\/span><span class=\"s4\">.<\/span><\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s6\"><i>Do juan<\/i> 1 ao 4, o texto descreve v\u00e1rios pa\u00edses e o \u00faltimo <i>juan<\/i> tem subdivis\u00f5es com os nomes dos oceanos, de ilhas, de criaturas marinhas, produtos do mar, caracter\u00edsticas dos oceanos, navios e rotas mar\u00edtimas. De um modo mais geral, o <i>Zhifang waiji<\/i> \u00e9 uma ampla descri\u00e7\u00e3o que sumariza as caracter\u00edsticas essenciais do mundo ent\u00e3o conhecido, do ponto de vista mar\u00edtimo. <\/span><\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s4\">Nestas caracter\u00edsticas encontram-se inclu\u00eddas a vertente cultural, a etnol\u00f3gica, a econ\u00f3mica, a social, entre outros temas. Muitas sec\u00e7\u00f5es fornecem informa\u00e7\u00e3o detalhada sobre a flora e a fauna de uma determinada regi\u00e3o. Outras partes mencionam os nomes de cidades importantes, descrevem os monumentos locais e falam de personagens famosas. Em poucas palavras, podemos classificar o trabalho de Aleni como uma esp\u00e9cie de \u201cgeografia mundial\u201d, ou como um relato etnogr\u00e1fico. Os acad\u00e9micos chineses provavelmente considerariam que este livro pertencia a uma categoria chamada <i>lishi dili<\/i> <\/span><span class=\"s5\">\u6b77\u53f2\u5730\u7406<\/span><span class=\"s4\"> (geografia hist\u00f3rica). De facto, existem muitos trabalhos semelhantes na antiga China, e estes s\u00e3o frequentemente divididos em segmentos por pa\u00eds, mas os conceitos geogr\u00e1ficos subjacentes s\u00e3o diferentes e normalmente n\u00e3o t\u00eam sec\u00e7\u00f5es separadas sobre os oceanos. Algumas destas obras surgiram no final do per\u00edodo Ming. Podemos citar como exemplos <i>Shuyu zhou ci lu<\/i> <\/span><span class=\"s5\">\u6b8a\u57df\u5468\u54a8\u9304<\/span><span class=\"s4\"> (1574), <i>Xian bin lu<\/i> <\/span><span class=\"s5\">\u54b8\u8cd3\u9304<\/span><span class=\"s4\"> (1591) e <i>Siyi guangji<\/i> <\/span><span class=\"s5\">\u56db\u5937\u5ee3\u8a18<\/span><span class=\"s4\"> (in\u00edcio do s\u00e9culo XVII). Recentemente, Elke Papelitzky chamou-lhes \u201cHist\u00f3rias do Mundo\u201d, o que parece ser uma classifica\u00e7\u00e3o adequada, porque esses relatos tamb\u00e9m se referem a eventos passados.<\/span><\/p>\n<h3 class=\"p5\"><b><br \/>\nAs Fontes do Texto de Aleni<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\">O <i>Zhifang waiji<\/i><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>n\u00e3o est\u00e1 totalmente despojado de elementos fict\u00edcios e de fen\u00f3menos a que podemos chamar <i>mirabilia<\/i>. O mesmo pode dizer-se dos textos <i>lishi dili<\/i> . Al\u00e9m disso, podemos afirmar que diversos registos <i>lishi dili<\/i> se focam em quest\u00f5es mar\u00edtimas, \u00e0 semelhan\u00e7a do livro de Aleni, mas claro que poucos autores chineses se fizeram ao mar, ao passo que Aleni viajou de Lisboa, passando pela India, at\u00e9 Macau. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida, que algumas das coisas que menciona, s\u00e3o fruto da sua experi\u00eancia pessoal. Nesta altura, podemos tamb\u00e9m pensar nos primeiros relatos portugueses, como por exemplo, a <i>Suma Oriental<\/i> de Tom\u00e9 Pires e <i>O livro de Duarte Barbosa<\/i>. De certa forma, ambas as obras s\u00e3o vis\u00f5es do mundo exterior a partir de uma perspectiva mar\u00edtima e n\u00e3o de uma perspectiva continental. No entanto, enquanto Pires recolhia a informa\u00e7\u00e3o a partir de informadores locais, Aleni ia sobretudo busc\u00e1-la a textos antigos.<\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s6\">As \u201chist\u00f3rias do mundo\u201d escritas por autores dos finais do per\u00edodo Ming baseavam-se tamb\u00e9m na informa\u00e7\u00e3o contida em textos arcaicos. Tal como <i>Zhifang waiji<\/i>, eram cria\u00e7\u00f5es complexas de car\u00e1cter acad\u00e9mico. Muitas partes destas obras lembram ao leitor as expedi\u00e7\u00f5es de Zheng He <\/span><span class=\"s7\">\u912d\u548c<\/span><span class=\"s6\"> (1405\u20131433), ou lan\u00e7am m\u00e3o de elementos descritivos que se encontram em fontes das dinastias Song e Yuan, e nas hist\u00f3rias oficiais de tempos antigos. Quando Aleni estava a trabalhar no seu livro, consultou mapas europeus e relatos escritos do s\u00e9culo XVI, al\u00e9m de utilizar fontes manuscritas, mas, por vezes, tamb\u00e9m mencionava o passado Greco-Romano. Assim, do ponto de vista dos chineses seus contempor\u00e2neos, o que ele tinha para dizer era bastante inovador para a elite intelectual Ming. <\/span><\/p>\n<p class=\"p4\">Outra caracter\u00edstica de <i>Zhifang waiji<\/i> \u00e9 a sua dimens\u00e3o religiosa. V\u00e1rios segmentos falam das institui\u00e7\u00f5es da Igreja, das ideias crist\u00e3 e da b\u00edblia. De facto, uma leitura mais atenta do texto revela que certas partes est\u00e3o totalmente enquadradas numa moldura crist\u00e3. Naturalmente, outras religi\u00f5es s\u00e3o por vezes menosprezadas. Os registos chineses <i>lishi dili<\/i> e as \u201chist\u00f3rias do mundo\u201d tamb\u00e9m mencionam brevemente tradi\u00e7\u00f5es locais, mas a apresenta\u00e7\u00e3o desses detalhes raramente \u00e9 orientada por inten\u00e7\u00f5es religiosas. H\u00e1 apenas uma ou duas excep\u00e7\u00f5es \u00e0 regra. Por exemplo, pode dizer-se que o <i>Yingya shenglan<\/i> <span class=\"s3\">\u701b\u6daf\u52dd\u89bd<\/span> do in\u00edcio do s\u00e9culo XV tem uma marca isl\u00e2mica, porque o seu autor era mu\u00e7ulmano. N\u00e3o obstante, tamb\u00e9m \u00e9 \u00f3bvio que a maioria dos autores chineses via o mundo exterior atrav\u00e9s de olhos confucionistas.<\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s4\">Segundo Paolo De Troia, que traduziu <i>Zhifang waiji<\/i> para italiano, uma das fontes chave de Aleni foi o \u201catlas\u201d de Giovanni Antonio Magini (1555\u20131617), intitulado<i> Moderne tavola di geografia<\/i>. N\u00e3o sabemos ao certo como Aleni procedeu quando concebeu o texto, nem como seleccionou a informa\u00e7\u00e3o que lhe interessava a partir das suas fontes, mas presumivelmente recebeu muito apoio de Yang Tingyun. \u00c9 sabido que este homem aperfei\u00e7oou o chin\u00eas do texto de Aleni. Provavelmente tamb\u00e9m o aconselhou sobre a forma de organizar certos detalhes narrativos de forma a facilitar aos leitores chineses a compreens\u00e3o da sua import\u00e2ncia e significado. \u00c9 muito prov\u00e1vel que nesta parte do trabalho tenha havido muitas discuss\u00f5es Aleni e Yang Tingyun.<\/span><\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s4\">Informa\u00e7\u00e3o adicional sobre a prepara\u00e7\u00e3o do texto pode ser obtida nos pref\u00e1cios (<i>xu<\/i> <\/span><span class=\"s5\">\u5e8f<\/span><span class=\"s4\">) a <i>Zhifang waiji<\/i>. Existem tr\u00eas destes pref\u00e1cios, um escrito pelo pr\u00f3prio Aleni (datado de 1623), o de Yang Tingyun e o de Li Zhizao (tamb\u00e9m datados de 1623). Estes pref\u00e1cios confirmam que Aleni n\u00e3o foi o \u00fanico autor de <i>Zhifang waiji<\/i>. Recorreu a alguns manuscritos incompletos de Diogo de Pantoja (Pang Diwo <\/span><span class=\"s5\">\u9f90\u8fea\u6211<\/span><span class=\"s4\">, 1571\u20131618) e de Sabatino De Ursis (Xiong Sanba <\/span><span class=\"s5\">\u718a\u4e09\u62d4<\/span><span class=\"s4\">, 1575\u20131620), al\u00e9m de tamb\u00e9m consultar outras fontes, nas quais se inclui o relato de Magini. No seu pr\u00f3prio pref\u00e1cio, tamb\u00e9m menciona <i>Wanguo tuzhi<\/i> <\/span><span class=\"s5\">\u842c\u570b\u5716\u5fd7<\/span><span class=\"s4\">. Esta deve ser uma refer\u00eancia ao <i>Kunyu wanguo quantu<\/i> <\/span><span class=\"s5\">\u5764\u8f3f\u842c\u570b\u5168\u5716<\/span><span class=\"s4\">, i.e., o famoso mapa mundo de Ricci, ou a uma das suas vers\u00f5es preliminares. V\u00e1rias c\u00f3pias do mapa de Ricci sobreviveram e, embora difiram umas das outras em certos aspectos, em todos eles, os nomes chineses e outras refer\u00eancias s\u00e3o praticamente iguais. Claramente, Aleni usou estas refer\u00eancias no seu pr\u00f3prio relato, mas, muitas vezes, modificou a sua redac\u00e7\u00e3o. Provavelmente Yang Tingyun teve qualquer coisa a ver com isso.<\/span><\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s6\">A actual edi\u00e7\u00e3o anotada de Xie Fang de <i>Zhifang waiji<\/i> cont\u00e9m um quarto pref\u00e1cio \u2013 de Ye Xianggao <\/span><span class=\"s7\">\u8449\u5411\u9ad8<\/span><span class=\"s6\"> (1559\u20131627) \u2013, duas pequenas notas (<i>xiaoyan<\/i> <\/span><span class=\"s7\">\u5c0f\u8a00<\/span><span class=\"s6\">), um posf\u00e1cio (<i>ba<\/i> <\/span><span class=\"s7\">\u8dcb<\/span><span class=\"s6\">) e um memorial (<i>zoushu<\/i> <\/span><span class=\"s7\">\u594f\u758f<\/span><span class=\"s6\">). Os sin\u00f3logos europeus raramente consideram estes textos, mas eles t\u00eam algum interesse, porque mencionam os ensinamentos de Zou Yan<\/span><span class=\"s7\"> \u9112\u884d<\/span><span class=\"s6\"> (ca. 305-240). Zou Yan foi um dos principais estudiosos do per\u00edodo pr\u00e9-Han, mas quase todos os seus escritos se perderam. A partir de alguns fragmentos de textos que sobreviveram das <i>Shi ji<\/i> <\/span><span class=\"s7\">\u53f2\u8a18<\/span><span class=\"s6\">, cr\u00f3nicas chinesas oficiais, sabemos que ele via o mundo como uma entidade dividida em nove continentes, cada um deles rodeado por oceanos e mares. A segmenta\u00e7\u00e3o adicional destas esferas obedece a uma numera\u00e7\u00e3o. Estes conceitos tiveram um grande impacto na escrita geogr\u00e1fica posterior, mesmo no per\u00edodo Ming. Naturalmente, Aleni refutou-os. No entanto, tal como Ricci, foi prudente a esse respeito, o que provocou discuss\u00f5es entre os seus colegas chineses, alguns dos quais tentavam olhar para o texto de Aleni atrav\u00e9s dos olhos de Zou Yan.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p5\"><b>O Mapa de Ricci e o Texto de Aleni: Empreendimentos Sino-Europeus<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s4\">Este t\u00edtulo diz-nos que podemos considerar<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span><i>Zhifang waiji<\/i> como o produto final de um \u201cempreendimento conjunto\u201d, que envolveu acad\u00e9micos chineses e europeus e m\u00faltiplas fontes. Contudo, a bem da simplicidade, e seguindo as tradi\u00e7\u00f5es sinol\u00f3gicas, continuaremos a design\u00e1-lo apenas por \u201co trabalho de Aleni\u201d.<\/span><\/p>\n<p class=\"p4\">Podemos argumentar que o mapa de Ricci \u00e9 outra cria\u00e7\u00e3o h\u00edbrida e, portanto, um caso semelhante. O seu enquadramento metodol\u00f3gico, a disposi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica e a informa\u00e7\u00e3o que cont\u00e9m sobre o Novo Mundo, Europa e \u00c1frica prov\u00eam na totalidade de fontes europeias. O segmento asi\u00e1tico \u00e9 diferente: fornece muitos nomes geogr\u00e1ficos ent\u00e3o usados na China, seguindo assim as conven\u00e7\u00f5es chinesas. Tamb\u00e9m est\u00e3o inclu\u00eddas refer\u00eancias a locais fict\u00edcios, por exemplo, o \u201cPa\u00eds dos C\u00e3es\u201d (Gou guo <span class=\"s3\">\u72d7\u570b<\/span>) e o \u201cPa\u00eds das Mulheres\u201d (N\u00fcren guo <span class=\"s3\">\u5973\u4eba\u570b<\/span>). Estes elementos ficticios eram usados pelos acad\u00e9micos chineses e j\u00e1 aparecem em textos muitos antigos como <i>Shanhai jing<\/i> <span class=\"s3\">\u5c71\u6d77\u7d93<\/span>, i.e., o famoso \u201cLivro das Montanhas e Mares\u201d, que tem ra\u00edzes ancestrais. Ricci tinha bons motivos para marcar estes locais no seu mapa. Primeiro, ao faz\u00ea-lo, expressava o seu respeito pelas tradi\u00e7\u00f5es chinesas. Segundo, agradava aos seus amigos chineses que ficariam com a impress\u00e3o de que ele pr\u00f3prio n\u00e3o refutava completamente os seus pontos de vista e as suas tradi\u00e7\u00f5es. Terceiro, presumivelmente estes elementos eram fonte de algum entretenimento. De facto, sentimo-nos tentados a afirmar que tanto Ricci como os seus amigos chineses tiveram a sua dose de divertimento quando adicionaram estes elementos fict\u00edcios ao mapa.<\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s4\"><i>Kunyu wanguo quantu<\/i> tem claramente uma dimens\u00e3o diplom\u00e1tica. A China, enquanto Pa\u00eds Central, e o Oceano Pac\u00edfico s\u00e3o representados a meio do mapa. A distribui\u00e7\u00e3o dos mares e dos seus nomes \u00e9 quase sim\u00e9trica. O oceano junto \u00e0 China tem o nome de Da Ming hai <\/span><span class=\"s5\">\u5927\u660e\u6d77<\/span><span class=\"s4\">, o \u201cMar do Grande Ming\u201d. Perto das margens externas do mapa, encontram-se v\u00e1rias caixas com textos relacionados com astronomia. Estas descri\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o desprovidas de conceitos e termos tradicionais chineses, certamente para agradar aos amigos locais de Ricci.<\/span><\/p>\n<p class=\"p4\">Aleni seguiu os m\u00e9todos de Ricci. Usou alguns top\u00f3nimos chineses, tal como Ricci tinha feito. Tianzhu <span class=\"s3\">\u5929\u7afa<\/span> (India), Sama\u2019erhan <span class=\"s3\">\u6492\u99ac\u723e\u7f55<\/span> (Samarcanda), Hulumosi <span class=\"s3\">\u5ffd\u9b6f\u8b28\u65af<\/span> (\u00d3rmuz), Sumendala <span class=\"s3\">\u8607\u9580\u7b54\u524c<\/span> (Sumatra \/ Samudra-Pasai), Zhaowa <span class=\"s3\">\u722a\u54c7<\/span> (Java), Boni <span class=\"s3\">\u6d61\u6ce5<\/span> (Brunei \/ Born\u00e9u), e L\u00fcsong <span class=\"s3\">\u5442\u5b8b<\/span> (Luzon), s\u00e3o disso bons exemplos. J\u00e1 podemos encontrar alguns destes nomes no <i>Kunyu wanguo quantu<\/i>. No entanto, Aleni modificou determinados top\u00f3nimos. Assim, Dada(n) <span class=\"s3\">\u97c3\u977c<\/span> aparece no seu livro como Da\u2019erda(n)<span class=\"s3\"> \u97c3\u800c\u977c<\/span> (Ta[r]tar). \u00c9 poss\u00edvel que Yang Tingyun lhe tenha sugerido algumas destas altera\u00e7\u00f5es e transcri\u00e7\u00f5es ou que tenham sido tiradas das notas deixadas por Diogo de Pantoja e por Sabatino De Ursis.<\/p>\n<p class=\"p4\">Noutros casos, os Jesu\u00edtas inventaram novas designa\u00e7\u00f5es para locais que j\u00e1 apareciam com um nome diferente em materiais mais antigos. Existe uma explica\u00e7\u00e3o simples para estas inven\u00e7\u00f5es: nem os acad\u00e9micos chineses que assistiam os Jesu\u00edtas, nem os pr\u00f3prios Jesu\u00edtas tinham conhecimento das primeiras designa\u00e7\u00f5es. Podemos citar como exemplo as Ilhas Molucas. Ricci e Aleni chamavam-lhes Malugu <span class=\"s3\">\u99ac\u8def\u53e4<\/span> (Ilhas Molucas), embora j\u00e1 tivessem sido \u201cbaptizadas\u201d por Wang Dayuan <span class=\"s3\">\u6c6a\u5927\u6df5<\/span> (a partir da primeira metade do s\u00e9culo XIV) com o nome de Wenlaogu <span class=\"s3\">\u6587\u8001\u53e4<\/span>.<\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s4\">Regressemos \u00e0 dimens\u00e3o diplom\u00e1tica do trabalho de Aleni. Esta dimens\u00e3o manifesta-se de diversas formas. Como j\u00e1 foi mencionado, o primeiro <i>juan<\/i> ou cap\u00edtulo \u00e9 sobre a \u00c1sia, e claro que o primeiro pa\u00eds a ser falado \u00e9 a China. Embora a descri\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja muito alongada, cont\u00e9m muitos elementos elogiosos e brevemente fala sobre a grandeza do Imp\u00e9rio Ming. Al\u00e9m disso, termina com uma lista de locais importantes que sistematicamente prestam tributo \u00e0 Corte Ming. Neste ponto, o autor refere a geografia oficial do per\u00edodo Ming, <i>Da Ming yitong zhi<\/i> <\/span><span class=\"s5\">\u5927\u660e\u4e00\u7d71\u5fd7<\/span><span class=\"s4\"> (1461). \u00c9 uma forma evidente de se proteger de cr\u00edticas. Tamb\u00e9m justifica a sua observa\u00e7\u00e3o final, nomeadamente que os segmentos que se seguem \u00e0 curta parte sobre a China, tratar\u00e3o exclusivamente de locais fora da jurisdi\u00e7\u00e3o do Zhifang <\/span><span class=\"s5\">\u8077\u65b9<\/span><span class=\"s4\">. <\/span><\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s4\">O termo <i>zhifang<\/i> revela uma escolha cuidadosa. \u00c9 uma refer\u00eancia a um servi\u00e7o respons\u00e1vel pelos assuntos externos. Na verdade, \u00e9 um termo muito antigo que transporta o leitor \u00e0 antiguidade chinesa. O uso de termos antigos \u00e9 um sinal de conhecimento e de respeito pelo passado distante. Metaforicamente, abre portas, e legitima o autor para expressar os seus pontos de vista. Sob esta perspectiva, o t\u00edtulo do livro de Aleni torna-se muito claro.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span><i>Zhifang waiji<\/i> fala sobre \u201cno mundo n\u00e3o chin\u00eas\u201d, i.e., sobre as esferas fora do controlo da China. Portanto, em ensaios ingleses, por vezes, o t\u00edtulo \u00e9 traduzido por <i>Records of Lands outside the Jurisdiction of the Imperial Geographer<\/i>. Paolo De Troia traduz por <i>Geografia dei paesi stranieri della Cina<\/i>.<\/span><\/p>\n<h3 class=\"p5\"><b><br \/>\nMais algumas caracter\u00edsticas <\/b><b>do <\/b><b><i>Zhifang waiji<\/i><\/b><b><i><\/i><\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\">No entanto, a apresenta\u00e7\u00e3o de Aleni n\u00e3o \u00e9 totalmente consistente. A parte da China inclui as zonas t\u00e1rtaras como depend\u00eancias no Imp\u00e9rio Ming, mas o segmento seguinte faz uma descri\u00e7\u00e3o do local. Talvez se possa desculpar a inclus\u00e3o desta entrada no <i>Zhifang waiji<\/i> considerando o seguinte: Segundo Aleni, o territ\u00f3rio t\u00e1rtaro era enorme. Estendia-se desde as extremidades orientais da Europa at\u00e9 ao norte da China. Esta quest\u00e3o recorda-nos um problema que aflora em v\u00e1rios dos primeiros textos portugueses: os ge\u00f3grafos da Europa do Sul sabiam muito pouco sobre a divis\u00e3o pol\u00edtica do Norte asi\u00e1tico. Circulavam mesmo rumores que o Sacro Imp\u00e9rio Romano se tinha estendido at\u00e9 a leste a ponto de ter tido acesso directo \u00e0 orla ocidental da China.<\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s4\">O trecho de Aleni sobre Da\u2019erda(n) tamb\u00e9m tem uma breve descri\u00e7\u00e3o do \u201cPa\u00eds das Mulheres\u201d, acima mencionado, e de Debaide <\/span><span class=\"s5\">\u5f97\u767d\u5f97<\/span><span class=\"s4\"> (Tibete). Outro nome, que aparece neste trecho, \u00e9 Dagangguo <\/span><span class=\"s5\">\u5927\u525b\u570b<\/span><span class=\"s4\"> (o \u201cPa\u00eds do Grande Khan\u201d). A descri\u00e7\u00e3o destes locais cont\u00e9m certos elementos que parecem derivar do relato de Magini e, indirectamente, at\u00e9 da obra de Marco Polo. No entanto, ningu\u00e9m se interroga porque \u00e9 que o Tibete, na altura, uma parte conhecida da China, aparece com um nome estrangeiro no texto de Aleni. Ao agrupar os territ\u00f3rios t\u00e1rtaros (uma depend\u00eancia do Estado Ming), o Pa\u00eds das Mulheres (um local fict\u00edcio que recorrentemente surge no folclore chin\u00eas e europeu), e as terras altas do Himalaias \u2013 significa que pretendia passar uma mensagem pol\u00edtica oculta nesta miscel\u00e2nea geogr\u00e1fica? <\/span><\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s6\">Aqui podemos saltar para o segmento final do <i>juan<\/i> sobre a \u00c1sia: Este segmento tem o t\u00edtulo Dizhonghai zhudao <\/span><span class=\"s7\">\u5730\u4e2d\u6d77\u8af8\u5cf6 <\/span><span class=\"s6\">(Ilhas do Mediterr\u00e2neo), mas s\u00f3 descreve Ge\u2019a (Ge\u2019e) <\/span><span class=\"s7\">\u54e5\u963f<\/span><span class=\"s6\"> (Quio), Luodedao <\/span><span class=\"s7\">\u7f85\u5f97\u5cf6 <\/span><span class=\"s6\">(Rodes) e Jibolidao <\/span><span class=\"s7\">\u969b\u6ce2\u91cc\u5cf6 <\/span><span class=\"s6\">(Chipre). No tempo de Aleni, estas ilhas encontravam-se sob o dom\u00ednio Otomano; o que certamente explica o seu aparecimento no <i>juan<\/i> da \u00c1sia. Existe um segundo segmento sobre as ilhas do Mediterr\u00e2neo. Aleni colocou-o no final do <i>juan<\/i> sobre a Europa. Al\u00e9m disso, o <i>juan<\/i> sobre a \u00c1frica e o <i>juan<\/i> da Am\u00e9rica tamb\u00e9m terminam com uma parte sobre ilhas. Isto refor\u00e7a a nossa impress\u00e3o inicial, quando consider\u00e1mos que <i>Zhifang waiji<\/i> \u00e9 uma obra com uma forte componente mar\u00edtima. Actualmente, os acad\u00e9micos chineses falam muito sobre <i>haiyang wenxue<\/i> <\/span><span class=\"s7\">\u6d77\u6d0b\u6587\u5b78<\/span><span class=\"s6\"> (literatura mar\u00edtima) e sobre <i>haiyang wenhua<\/i> <\/span><span class=\"s7\">\u6d77\u6d0b\u6587\u5316<\/span><span class=\"s6\"> (cultura mar\u00edtima); encarado deste ponto de vista, talvez <i>Zhifang waiji<\/i> possa ser inclu\u00eddo uma destas categorias.<\/span><\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s6\">No entanto, n\u00e3o nos podemos ficar por aqui. O <i>juan<\/i> da Europa come\u00e7a com uma longa descri\u00e7\u00e3o deste continente e das suas caracter\u00edsticas culturais. \u00c9 dada muita \u00eanfase ao sistema educativo. Refere que existem muitas escolas onde os alunos estudam <i>shishu<\/i> <\/span><span class=\"s7\">\u53f2\u66f8<\/span><span class=\"s6\"> (Hist\u00f3ria \/ textos hist\u00f3ricos) e <i>shiwen<\/i> <\/span><span class=\"s7\">\u8a69\u6587<\/span><span class=\"s6\"> (poesia e prosa, ou obras liter\u00e1rias), e onde aprendem a escrever ensaios. Tamb\u00e9m refere que existem exames frequentes. Aqui \u00e9 usado o termo <i>rushi<\/i> <\/span><span class=\"s7\">\u5112\u8a66<\/span><span class=\"s6\">. Pode traduzir-se por \u201cExame confucionista\u201d, ou talvez por \u201cexame abrangente\u201d. Aleni diz-nos, que os estudantes bem-sucedidos s\u00e3o admitidos em institui\u00e7\u00f5es de ensino superior. Os alunos mais brilhantes tornam-se professores. Estes trechos v\u00e3o claramente ao encontro das expectativas chinesas. A ideia \u00e9 mostrar que a Europa, tal como a China, valoriza a aprendizagem, especialmente na \u00e1rea das humanidades, or <i>wenke<\/i> <\/span><span class=\"s7\">\u6587\u79d1<\/span><span class=\"s6\">, e que ambas as zonas desenvolveram sistemas eficientes para promover as quest\u00f5es culturais. Por outras palavras: a Europa e a China est\u00e3o ao mesmo n\u00edvel, ao contr\u00e1rio das regi\u00f5es selvagens dos t\u00e1rtaros, de \u00c1frica e de outras partes do globo.<\/span><\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s4\">De longe, a sec\u00e7\u00e3o mais alargada e mais elogiosa do <i>juan<\/i> europeu \u00e9 sobre a It\u00e1lia. Como seria de esperar, Aleni fala do seu pr\u00f3prio pa\u00eds com orgulho e com uma argumenta\u00e7\u00e3o s\u00f3lida. It\u00e1lia \u00e9 apresentada como o <i>cr\u00e8me de la cr\u00e8me<\/i> do continente europeu. As descri\u00e7\u00f5es da Fran\u00e7a e da Alemanha s\u00e3o muito mais breves. Relativamente a esta \u00faltima, encontra-se uma observa\u00e7\u00e3o interessante: Os soberanos de Yalemaniya <\/span><span class=\"s5\">\u4e9e\u52d2\u746a\u5c3c\u4e9e <\/span><span class=\"s4\">(Alemanha), quando s\u00e3o coroados, ficam dependentes do Papa de Roma. Ao ler estas passagens, os acad\u00e9micos chineses pensavam certamente no per\u00edodo Zhou, durante o qual o Imp\u00e9rio do Meio foi fragmentado em v\u00e1rios feudos. Provavelmente tamb\u00e9m se recordariam do sistema de tributos implementado pela Corte Ming: Com alguma frequ\u00eancia, o Imperador Ming reconhecia um Rei estrangeiro como o leg\u00edtimo governante do seu pa\u00eds. Existem muitas refer\u00eancias a estes actos formais no <i>Ming shilu<\/i> <\/span><span class=\"s5\">\u660e\u5be6\u9304<\/span><span class=\"s4\">. Contudo, a dimens\u00e3o do segmento sobre a Alemanha sugere que o Sacro Imp\u00e9rio era pequeno em compara\u00e7\u00e3o \u00e0 China Imperial. Aleni tinha claramente de desvalorizar o Norte pouco hospitaleiro em favor do mundo mediterr\u00e2nico. <\/span><\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s4\">Aleni continua dizendo que a Alemanha \u00e9 um pa\u00eds frio. Diz ainda que os alem\u00e3es s\u00e3o bons a aquecer as suas casas com poucos recursos e que s\u00e3o pessoas pr\u00e1ticas. Uma vis\u00e3o do futuro? Uma previs\u00e3o a longo prazo das atitudes infantis que podemos associar ao actual Governo de Berlim e ao Movimento dos Verdes? Seja como for, Aleni \u00e9 um homem do Sul. Colocou o segmento da Yixibaniya <\/span><span class=\"s5\">\u4ee5\u897f\u628a\u5c3c\u4e9e<\/span><span class=\"s4\"> (Hispania), simbolicamente, no <i>primo loco<\/i> do <i>juan<\/i> da Europa e, ao mesmo tempo, este segmento \u00e9 o segundo maior do cap\u00edtulo. Curiosamente tamb\u00e9m, termina com a observa\u00e7\u00e3o de que a Espanha teria muitas col\u00f3nias: mais de vinte pa\u00edses grandes e mais de cem pequenos e m\u00e9dios (<\/span><span class=\"s5\">\u4ee5\u897f\u628a\u5c3c\u4e9e\u5c6c\u570b\u5927\u8005\u4e8c\u5341\u9918\uff0c\u4e2d\u4e0b\u5171\u767e\u9918\u3002<\/span><span class=\"s4\">). O termo para col\u00f3nias\/depend\u00eancias \u00e9 <i>shuguo<\/i> <\/span><span class=\"s5\">\u5c6c\u570b<\/span><span class=\"s4\">, uma antiga express\u00e3o t\u00e9cnica encontrada em fontes chinesas tradicionais. Uma mensagem oculta que se poderia encontrar neste trecho seria a de que a Espanha \u00e9 mais influente e tem mais poder do que a China, porque o segmento sobre as depend\u00eancias desta \u00faltima s\u00f3 lista oito estados tribut\u00e1rios.<\/span><\/p>\n<h3 class=\"p5\"><b><br \/>\nPortugal, os A\u00e7ores, <\/b><b>a Madeira e as Can\u00e1rias<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\">Sim, Aleni parecia jogar com os factos e com as palavras. O seu segmento sobre a Hispania continua com a seguinte observa\u00e7\u00e3o: \u201cO territ\u00f3rio mais ocidental chama-se Portugal\u201d (<span class=\"s3\">\u5176\u5728\u6700\u897f\u8005\u66f0\u6ce2\u723e\u675c\u74e6\u723e<\/span>). A formula\u00e7\u00e3o chinesa parece vaga. Gramaticalmente, o primeiro caracter poderia querer dizer que Portugal \u00e9 a parte mais ocidental de Espanha, uma depend\u00eancia (de pequenas a m\u00e9dias dimens\u00f5es). \u00c9 certo que Aleni n\u00e3o criou um segmento separado para Portugal. Pode haver uma raz\u00e3o simples para esta disposi\u00e7\u00e3o inesperada: o seu livro foi publicado quando Portugal e a Espanha estavam sob a mesma coroa; Aleni menciona-o. No entanto, tamb\u00e9m podemos perguntar, se ele favorecia Castela, a na\u00e7\u00e3o beligerante da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica?<\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s4\">Aleni evita deliberadamente o uso do antigo e controverso nome Folangji <\/span><span class=\"s5\">\u4f5b\u90ce\u6a5f<\/span><span class=\"s4\">, assinalando que os mu\u00e7ulmanos (Huihui <\/span><span class=\"s5\">\u56de\u56de<\/span><span class=\"s4\">) o haviam usado para todos os \u201cOcidentais\u201d (<i>xituren<\/i> <\/span><span class=\"s5\">\u897f\u571f\u4eba<\/span><span class=\"s4\">). Ele tamb\u00e9m parece justo quando afirma que Lisboa \u00e9 a porta da Europa para o Extremo Oriente. De Lisboa, os barcos navegavamm via Dalangshan <\/span><span class=\"s5\">\u5927\u6d6a\u5c71<\/span><span class=\"s4\"> (Cabo das Tormentas) at\u00e9 \u00e0 India e Macau. Mas, ainda mais importante, Portugal tem muitas igrejas e uma excelente infra-estrutura educacional. No entanto, pode haver algo mais a acrescentar. Aleni passou muito tempo em Zhejiang e em Fujian.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Fujian estava em contacto directo com Manila. Espanha era forte, Macau um pequeno enclave portugu\u00eas que tinha acabado de sobreviver ao ataque holand\u00eas (1622). Aos olhos de alguns Jesu\u00edtas, Macau era certamente mais fraco do que Manila. Ser\u00e1 que isso importava? Desejaria Aleni dizer \u00e0 sua clientela chinesa que a Espanha poderia oferecer protec\u00e7\u00e3o, que o apoio das Filipinas era uma op\u00e7\u00e3o a longo prazo para a miss\u00e3o da China?<\/span><\/p>\n<p class=\"p4\">Espanha era um dos principais actores da cena global. Entre as suas muitas depend\u00eancias encontravam-se as Ilhas Can\u00e1rias. Tanto Ricci como Aleni referem-se-lhes sob o nome de Fudao <span class=\"s3\">\u798f\u5cf6<\/span>, literalmente <i>Insulae fortunatae<\/i> \u2013 um nome com liga\u00e7\u00f5es aos tempos Greco-Romanos e a lendas antigas. Naqueles tempos, Hierro, uma das ilhas das Can\u00e1rias, foi importante porque os cart\u00f3grafos geralmente desenhavam o meridiano zero sobre ela. Os italianos chamavam a este meridiano <i>Meridiano di Ferro<\/i> ou <i>Meridiano dell\u2019Isola del Ferro<\/i>. Da\u00ed o nome chin\u00eas da ilha: Tiedao <span class=\"s3\">\u9435\u5cf6<\/span> (literalmente \u201cIlha de Ferro\u201d).<\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s6\">N\u00e3o muito longe das Can\u00e1rias, situa-se a Madeira. O Mapa de Ricci tem um pequeno texto colocado perto da Madeira<i>, <\/i>uma brochura ilustrada com um mapa, que atribu\u00eda a este belo local o nome chin\u00eas de Mudao <\/span><span class=\"s7\">\u6728\u5cf6<\/span><span class=\"s6\">, literalmente \u201cIlha das \u00c1rvores \/ de Madeira\u201d. Entre outras coisas, o texto elogia a rica vegeta\u00e7\u00e3o da ilha.<\/span><\/p>\n<p class=\"p4\">O Mapa de Ricci tamb\u00e9m regista os A\u00e7ores. Aparecem dois nomes: Hedao <span class=\"s3\">\u9db4\u5cf6<\/span> (Ilha do Corvo) e Disanqidao <span class=\"s3\">\u7b2c\u4e09\u8d77\u5cf6<\/span> (Terceira). A sequ\u00eancia <i>disan<\/i>(<i>qi<\/i>)<i>dao<\/i>, \u201cterceira ilha\u201d, transcreve o significado do nome portugu\u00eas; ao mesmo tempo, foneticamente as duas vers\u00f5es est\u00e3o relacionadas entre si. O caracter <i>he<\/i> no primeiro nome normalmente designa o grou, uma ave que simboliza vida longa no folclore chin\u00eas. Em contrapartida, o corvo, or <i>wu<\/i> <span class=\"s3\">\u70cf<\/span> em chin\u00eas, tem conota\u00e7\u00f5es negativas, muito diferente da tradi\u00e7\u00e3o europeia, onde este p\u00e1ssaro simboliza a sagacidade. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ilha do \u201cCorvo\u201d \u2013 este nome j\u00e1 se encontra numa antiga carta n\u00e1utica de meados do s\u00e9culo XIV, que regista a <i>Insula Corvi Marini<\/i> (Ilha do Corvo Marinho). Evidentemente, Ricci conhecia o nome da ilha, mas n\u00e3o estava disposto a us\u00e1-lo, porque os leitores chineses o considerariam como um s\u00edmbolo negativo. Consequentemente, criou a \u201cIlha dos Grous\u201d e aumentou muito seu tamanho no mapa.<\/p>\n<p class=\"p4\">Possivelmente podemos associar uma outra conota\u00e7\u00e3o a esta mesma ilha.: Hedao aparece na margem direita de <i>Kunyu wanguo quantu<\/i>. Assim, num certo sentido, pertence ao \u201cextremo oriente\u201d. Na China, o Oriente est\u00e1 sempre ligado a elementos positivos; o grou estava apto a ser associado a essa imagem. No entanto, \u00e9 preciso ter cuidado. Noutro lugar do seu mapa, Ricci descreve uma localiza\u00e7\u00e3o com o nome Airenguo <span class=\"s3\">\u77ee\u4eba\u570b<\/span>, o \u201cPa\u00eds dos An\u00f5es\u201d. O texto diz que as cegonhas devoravam esses pigmeus. \u00c9 uma narrativa que tamb\u00e9m se encontra em v\u00e1rios contextos. A conclus\u00e3o poderia ent\u00e3o ser a seguinte: grou e cegonha tem representa\u00e7\u00f5es semelhantes: uma boa e outra m\u00e1.<\/p>\n<p class=\"p4\">Pouco disto aparece no texto de Aleni. As imagens s\u00e3o diferentes. Na verdade, o <i>Zhifang waiji<\/i> n\u00e3o tem entradas separadas sobre os A\u00e7ores e a Madeira. Estas ilhas s\u00e3o apenas vagamente exibidas nos mapas associados ao texto de Aleni. No entanto, Aleni d\u00e1 uma descri\u00e7\u00e3o das Ilhas Can\u00e1rias, e esta descri\u00e7\u00e3o \u00e9 ligeiramente mais alargada do que a que consta no mapa de Ricci. Podemos perguntar mais uma vez: Existe alguma raz\u00e3o para tal disposi\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<h3 class=\"p5\"><b><br \/>\nAleni e os Animais Marinhos<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s6\">Como j\u00e1 foi mencionado, Aleni joga com v\u00e1rios elementos narrativos. Podemos encontrar bons exemplos na sec\u00e7\u00e3o sobre animais marinhos, que fazem parte do \u00faltimo <i>juan<\/i>. Aqui encontramos diversos monstros perigosos, mas tamb\u00e9m algumas criaturas benignas. Um peixe estranho \u00e9 a <i>baleya<\/i><\/span><span class=\"s7\"> \u628a\u52d2\u4e9e<\/span><span class=\"s6\">, uma transcri\u00e7\u00e3o fon\u00e9tica de baleia. Quando amea\u00e7a um navio, deve atirar-se ao mar v\u00e1rios barris de madeira com \u00e1lcool. A baleia vai engoli-los, baixa a cabe\u00e7a e desaparece. <\/span><\/p>\n<p class=\"p4\">Existe uma outra hist\u00f3ria relacionada com <i>renyu<\/i> <span class=\"s3\">\u4ec1\u9b5a<\/span>, literalmente \u201cpeixes benevolentes\u201d. <i>Ren<\/i> <span class=\"s3\">\u4ec1<\/span> \u00e9 uma das virtudes centrais da filosofia confucionista. O conceito de <i>ren<\/i> \u00e9 bastante complexo e encontram-se-lhe muitas refer\u00eancias em <i>Mengzi<\/i> <span class=\"s3\">\u5b5f\u5b50<\/span>, o livro de M\u00eancio, e noutros textos. O <i>renyu<\/i>, assim conta a hist\u00f3ria, uma vez levou uma crian\u00e7a pequena para a costa, mas n\u00e3o prestou aten\u00e7\u00e3o e o pobre rapaz morreu de um ferimento. O peixe sentiu-se muito mal com esta trag\u00e9dia, por isso atirou-se contra uma rocha e tamb\u00e9m perdeu a vida. Ent\u00e3o Aleni insere esta hist\u00f3ria num outro contexto: No \u201cpa\u00eds do Ocidente\u201d (<i>xiguo<\/i> <span class=\"s3\">\u897f\u570b<\/span>) o <i>renyu<\/i> ajudava os pescadores a capturar golfinhos. Qual \u00e9 a inten\u00e7\u00e3o subjacente a este breve relato? Ser\u00e1 que Aleni quer dizer aos seus leitores que <i>ren<\/i> \u00e9 um conceito e um fen\u00f3meno real muito importante \u2013 algo que n\u00e3o se encontra apenas na China, mas at\u00e9 mesmo no mundo animal?<\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s8\">H\u00e1 tamb\u00e9m breves descri\u00e7\u00f5es do crocodilo, com refer\u00eancias \u00e0s l\u00e1grimas de crocodilo, e ao <i>yigouman<\/i> <\/span><span class=\"s9\">\u4e59\u72d7\u6eff<\/span><span class=\"s8\">, i.e., o <i>ichneumon<\/i>, ou mangusto. Embora estes n\u00e3o sejam animais marinhos, entraram no texto de Aleni, provavelmente porque o autor tinha lido as sec\u00e7\u00f5es que lhes diziam respeito na <i>Naturalis Historiae<\/i>. De facto, diversas partes da sec\u00e7\u00e3o dos animais marinhos t\u00eam origem nesta obra cl\u00e1ssica. <\/span><\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s8\">Para al\u00e9m destes e de outros animais, encontramos peixes voadores, o <i>bolibo<\/i> <\/span><span class=\"s9\">\u8584\u91cc\u6ce2<\/span><span class=\"s8\"> (p\u00f3lipo), e a <i>hain\u00fc<\/i> <\/span><span class=\"s9\">\u6d77\u5973<\/span><span class=\"s8\"> (sereia). Os ossos desta \u00faltima podem ser transformados em <i>nianzhu<\/i> <\/span><span class=\"s9\">\u5ff5\u73e0<\/span><span class=\"s8\"> (ros\u00e1rios) e tamb\u00e9m podem ser usados para estancar sangramentos. Diz-se tamb\u00e9m de outas criaturas, meio humanas, meio peixes, que podem perceber as pessoas, mas que n\u00e3o conseguem falar. Esta quimera mar\u00edtima tamb\u00e9m aparece em textos chineses antigos, nomeadamente em <i>Shanhai jing<\/i>. Recebem nomes diferentes: <i>jiaoren<\/i> <\/span><span class=\"s9\">\u9bab\u4eba<\/span><span class=\"s8\">, <i>quanxian<\/i> <\/span><span class=\"s9\">\u6cc9\u5148,<\/span><span class=\"s8\"> <i>quanke<\/i> <\/span><span class=\"s9\">\u6cc9\u5ba2<\/span><span class=\"s8\">, etc. Hoje em dia a internet est\u00e1 cheia de hist\u00f3rias e de imagens relacionadas com estas fantasias. Na antiguidade, sem d\u00favida que tamb\u00e9m despertavam muita curiosidade. Da\u00ed, que ao dissertar sobre a \u201cfauna\u201d marinha, Aleni tenha tido a certeza de vir a prender a aten\u00e7\u00e3o dos leitores.<\/span><\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s8\">Para completar a nossa imagem do mundo animal, podemos dizer que muitos segmentos encontrados no <i>juan<\/i> 5 de <i>Zhifang waiji<\/i> vieram mais tarde a ser integrados no <i>Kunyu tushuo<\/i> <\/span><span class=\"s9\">\u5764\u8f3f\u5716\u8aac<\/span><span class=\"s8\"> (1674), um texto escrito por Ferdinand Verbiest (Nan Huairen <\/span><span class=\"s9\">\u5357\u61f7\u4ec1<\/span><span class=\"s8\">; 1623\u20131688). Tamb\u00e9m podemos encontrar alguns dos nomes em <i>Aomen jil\u00fce<\/i> <\/span><span class=\"s9\">\u6fb3\u9580\u8a18\u7565<\/span><span class=\"s8\"> (pref\u00e1cios 1751), uma das mais importantes obras chinesas sobre os prim\u00f3rdios de Macau, e noutros textos do per\u00edodo Qing. Como foi dito, Aleni deixou muitas marcas no Oriente.<\/span><\/p>\n<h3 class=\"p5\"><span class=\"s6\"><b><br \/>\nRumo a uma Dimens\u00e3o Superior: o Vinho<\/b><b><\/b><\/span><\/h3>\n<p class=\"p3\">N\u00e3o seria justo descrever os mission\u00e1rios Jesu\u00edtas, instalados na China no per\u00edodo Ming, como seres supra-humanos exclusivamente interessados em pregar a sua religi\u00e3o e em desenvolver um trabalho acad\u00e9mico s\u00e9rio. N\u00e3o, de forma alguma. Atrav\u00e9s de Macau, os padres recebiam chocolate das Am\u00e9ricas e tamb\u00e9m algum vinho. Para eles, aparentemente, o vinho era um tesouro. Durante as dinastias Tang e Yuan, bebidas alco\u00f3licas produzidas a partir de uvas estavam dispon\u00edveis em abund\u00e2ncia no Norte da China, mas a Dinastia Ming seguiu por outro caminho; preferiram licores fortes e ch\u00e1, enquanto noutras alturas o Governo tentava controlar, ou mesmo reduzir o consumo de bebidas espirituosas.<\/p>\n<p class=\"p4\">No entanto, os padres vindos do mundo mediterr\u00e2nico, tinham crescido a beber vinho e precisavam dele. De facto, o vinho, nessa altura, era muito consumido na maior parte da Europa, possivelmente ainda mais do que hoje \u00e9. N\u00e3o sabemos em que quantidades \u00e9 que Aleni o conseguia obter, enquanto esteve em Zhejiang e em Fujian, a uma certa dist\u00e2ncia de Macau, mas pelo menos sabemos que ele n\u00e3o esqueceu as boas e velhas tradi\u00e7\u00f5es do mundo latino.<\/p>\n<p class=\"p4\">Assim, n\u00e3o devemos ficar surpreendidos por ele se referir ao vinho no seu livro. Aqui, de novo, parece seguir o exemplo de Ricci. Este \u00faltimo, registou no seu mapa a excel\u00eancia do vinho da Madeira. Aleni tamb\u00e9m menciona o vinho nas <i>Insulae fortunatae<\/i>, e claro que estas ilhas eram descritas como pequenos para\u00edsos, tal como o seu nome sugere. Assim, a\u00ed tudo crescia por si s\u00f3, o trabalho do campo era desnecess\u00e1rio, as pessoas viviam uma vida confort\u00e1vel \u2013 com vinho.<\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s4\">O vinho est\u00e1 dispon\u00edvel em muitos outros lugares. Sobre o vinho portugu\u00eas dizia que n\u00e3o lhe conseguia resistir, que era \u201csoberbo\u201d (<i>zui jia<\/i> <\/span><span class=\"s5\">\u6700\u4f73<\/span><span class=\"s4\">). Elejiya <\/span><span class=\"s5\">\u5384\u52d2\u796d\u4e9e <\/span><span class=\"s4\">(Ellas, Gr\u00e9cia) tamb\u00e9m produz vinho, especialmente na ilha de Ge\u2019erfu <\/span><span class=\"s5\">\u54e5\u800c\u5e9c <\/span><span class=\"s4\">(Corfu). O vinho de Chipre \u00e9 bel\u00edssimo\u201d (<i>ji mei<\/i> <\/span><span class=\"s5\">\u6975\u7f8e<\/span><span class=\"s4\">). At\u00e9 mesmo em Yalemaniya <\/span><span class=\"s5\">\u4e9e\u52d2\u746a\u5c3c\u4e9e<\/span><span class=\"s4\"> (Alemanha) podem encontrar-se uvas e vinho, como podemos ler na obra de Magini. Na verdade, toda a Europa tem vinho e, embora as pessoas estejam acostumadas a beber muito, n\u00e3o encorajam os outros a fazer o mesmo. De facto, ficar b\u00eabado envergonha uma pessoa para o resto da vida \u2013 Aleni ajoelha-se perante a sua clientela. <\/span><\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s4\">O vinho pode ser conservado durante v\u00e1rias d\u00e9cadas; o vinho velho \u00e9 maravilhoso e pode ser servido em ocasi\u00f5es especiais, por exemplo, em bodas. Vinho, cerim\u00f3nias e cortesia \u2013 est\u00e3o de acordo com o conceito de <i>li<\/i> <\/span><span class=\"s5\">\u79ae<\/span><span class=\"s4\">, os ritos confucionistas. E tamb\u00e9m parecem estar de acordo com o que alguns acad\u00e9micos modernos dizem de Conf\u00facio: Acreditam que o grande mestre consumia regularmente <i>jiu<\/i> <\/span><span class=\"s5\">\u9152<\/span><span class=\"s4\">, possivelmente vinho de uva (embora <i>jiu<\/i> seja um termo muito gen\u00e9rico). Claramente, p\u00f4r os princ\u00edpios confucionistas em ac\u00e7\u00e3o exige uma boa disposi\u00e7\u00e3o espiritual. A China foi, e ainda \u00e9, a principal cultura <i>jiu<\/i>, do mundo inteiro. Sem d\u00favida, vindo de It\u00e1lia, Aleni foi bem-vindo no outro extremo do continente Euroasi\u00e1tico. O eixo espiritual tinha um lado muito pr\u00e1tico. No entanto, havia uma pequena diferen\u00e7a: Ele tamb\u00e9m elogiava as azeitonas e o azeite, ambos desconhecidos na China&#8230;.<\/span><\/p>\n<p class=\"p4\">As refer\u00eancias ao vinho no livro de Aleni e no mapa de Ricci parecem abrir mais portas. As <i>Insulae fortunatae<\/i> ficam no extremo ocidental. Tinham vinho, como j\u00e1 foi dito. As ilhas chinesas paradis\u00edacas, as Penglai <span class=\"s3\">\u84ec\u840a<\/span>, ficam perto da costa de Shandong, a leste. Lendas antigos mencionam outras ilhas, lugares divinos cheios de maravilhas, localizados na mesma direc\u00e7\u00e3o. Nesta altura, a \u201cIlha dos Grous\u201d v\u00eam-nos \u00e0 ideia. As direc\u00e7\u00f5es celestiais tiveram sempre import\u00e2ncia no pensamento chin\u00eas. Por vezes, o Ocidente est\u00e1 associado ao metal. Assim, vista da China, Hierro \/ Tiedao perto da costa de Marrocos, fica no extremo ocidentalt; e isso tamb\u00e9m faz sentido.<\/p>\n<p class=\"p4\">No entanto, algumas coisas n\u00e3o se encaixam. <i>Mu<\/i> <span class=\"s3\">\u6728<\/span>, para Madeira, deveria designar o leste, mas a Madeira fica perto das Can\u00e1rias, no ocidente. Esse nome vem da palavra latina <i>canis<\/i>, que quer dizer c\u00e3o. Ricci situou Gouguo, o \u201cPa\u00eds do C\u00e3o\u201d, perto do Estreito de Bering. Existe uma esp\u00e9cie de paralelismo intencional?? C\u00e3es no ocidente, c\u00e3es no oriente? Pior ainda, do ponto de vista fon\u00e9tico, o nome chin\u00eas \u201cGouguo\u201d lembra-nos o \u201cGog\u201d Satanico (e Magog). Mapas europeus registaram essas tribos no leste da Sib\u00e9ria.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Ricci t\u00ea-las-\u00e1 colocado \u2013 juntamente com os nomes de outras tribos inspiradoras \u2013 perto do Estreito de Bering para simbolicamente impedir a Espanha de expandir a sua esfera de influ\u00eancia atrav\u00e9s do Pacifico para a China? Nos \u00faltimos anos do s\u00e9culo XVI, Manila prop\u00f4s-se realmente a atacar o Imp\u00e9rio do Meio! Os Jesu\u00edtas do <i>Padroado<\/i> sabiam disso. A Espanha nem sempre foi bem-vinda.<\/p>\n<p class=\"p4\">Mas, e Aleni? Ele n\u00e3o menciona Gouguo. Sente-se \u201cem casa\u201d em Zhejiang e em Fujian, n\u00e3o muito longe do dom\u00ednio espanhol. Isso implica que existiam diferen\u00e7as subtis entre o seu pensamento geo-pol\u00edtico e os pontos de vista de Ricci?<\/p>\n<p class=\"p4\">Como podemos ver, o campo est\u00e1 aberto para investiga\u00e7\u00f5es posteriores. Se tivesse nascido um pouco mais tarde, Conf\u00facio teria provavelmente citado a bibl\u00eda de forma descontra\u00edda: <i>In principio erat vinum, et vinum erat apud Deum, et Deus semper erat felix<\/i>. Aleni deixou p\u00e9gadas gigantes, o seu <i>Zhifang waiji<\/i>, publicado h\u00e1 quatrocentos anos, \u00e9 uma caixa de tesouros.<\/p>\n<p>___<\/p>\n<p><b>Fontes Seleccionadas<br \/>\n<\/b><\/p>\n<ul>\n<li class=\"p1\"><span class=\"s1\">Ai Rul\u00fce <\/span><span class=\"s2\">\u827e\u5112\u7565<\/span><span class=\"s1\"> (=Giulio Aleni; author), Xie Fang <\/span><span class=\"s2\">\u8b1d\u65b9<\/span><span class=\"s1\"> (ed.): <i>Zhifang waiji jiaoshi<\/i> <\/span><span class=\"s2\">\u8077\u65b9\u5916\u7d00\u6821\u91cb<\/span><span class=\"s1\">. Beijing: Zhonghua shuju, 1996.<\/span><\/li>\n<li class=\"p1\"><span class=\"s1\">Aleni, Giulio (autor), Paolo De Troia (trad., introdu\u00e7\u00e3o, notas): <i>Geografia dei paesi stranieri alla Cina. Zhifang waiji<\/i>. Brescia: Fondazione Civilt\u00e0 Bresciana, 2009.<\/span><\/li>\n<li class=\"p1\"><span class=\"s1\">D\u2019Elia, Pasquale M.: <i>Il mappamondo cinese del P. Matteo Ricci S. J.<\/i> (Terza edizione, Pechino 1602) conservato presso la Biblioteca Vaticana. Citt\u00e0 del Vaticano: Biblioteca Apostolica Vaticana, 1938.<\/span><\/li>\n<li class=\"p1\"><span class=\"s1\">Heirman, Ann: <i>\u201cAn Introduction to the World Map of Francesco Sambiasi (1582\u20131649)<\/i>\u201d, Annali dell\u2019Istituto Universitario Orientale di Napoli 60\u201361 (2000\u20132001): 365\u2013373.<\/span><\/li>\n<li class=\"p1\"><span class=\"s1\">Heirman, Ann, Paolo de Troia &amp; Jan Parmentier: \u201cFrancesco Sambiasi, a Missing Link in European Map Making in China?\u201d, Imago Mundi 61.1 (2009): 29\u201346.<\/span><\/li>\n<li class=\"p1\">Hu, Anthony: \u201c<i>Encounters between Catholic Missionary Activities and Popular Deities Worshiped in Fujian During the Late Ming and Early Qing Periods: A Study based on the Kuoduo richao<\/i>\u201d, Orientierungen 31 (2019): 35\u201354.<\/li>\n<li class=\"p1\"><span class=\"s3\">Huang Shijian <\/span><span class=\"s4\">\u9ec4\u6642\u9452<\/span><span class=\"s3\"> &amp; Gong Yingyan <\/span><span class=\"s4\">\u9f94\u7e93\u664f<\/span><span class=\"s3\">: <i>Li Madou shijie ditu yanjiu <\/i><\/span><span class=\"s4\">\u5229\u99ac\u7ac7\u4e16\u754c\u5730\u5716\u7814\u7a76<\/span><span class=\"s3\">. Shanghai: Shanghai guji chubanshe, 2004.<\/span><\/li>\n<li class=\"p1\"><span class=\"s5\">Kupfer, Peter: <i>Bernsteinglanz und Perlen des Schwarzen Drachen: Die Geschichte der chinesischen Weinkultur<\/i>. Gossenberg: Ostasien Verlag, 2019.<\/span><\/li>\n<li class=\"p1\"><span class=\"s1\">Lippiello, Tiziana, &amp; Roman Malek (ed.): <i>\u201cScholar from the West\u201d: Giulio Aleni S.J. (1582\u20131649) and the Dialogue between Christianity and China<\/i>. Sankt Augustin: Steyler Verlag, 1997.<\/span><\/li>\n<li class=\"p1\"><span class=\"s1\">Menegon, Eugenio: <i>Un solo cielo: Giulio Aleni SJ (1582\u20131649): geografia, arte, scienza, religione dall\u2019Europa alla Cina<\/i>. Brescia: Grafo edizioni, 1994.<\/span><\/li>\n<li class=\"p1\"><span class=\"s1\">Nan Huairen <\/span><span class=\"s2\">\u5357\u61f7\u4ec1<\/span><span class=\"s1\"> (=Ferdinand Verbiest): <i>Kunyu tushuo <\/i><\/span><span class=\"s2\">\u5764\u8f3f\u5716\u8aac<\/span><span class=\"s1\">. 2 cadernos, cole\u00e7\u00e3o Zhi hai<\/span><span class=\"s2\"> \u6307\u6d77<\/span><span class=\"s1\"> \/ Baibu congshu jicheng <\/span><span class=\"s2\">\u767d\u90e8\u53e2\u66f8\u96c6\u6210<\/span><span class=\"s1\">.<\/span><\/li>\n<li class=\"p1\"><span class=\"s1\">Pan Fengjuan <\/span><span class=\"s2\">\u6f58\u9cf3\u5a1f<\/span><span class=\"s1\">. <i>Xi lai Kongzi Ai Rul\u00fce: Gengxin bianhua de yongjiao huiyu <\/i><\/span><span class=\"s2\">\u897f\u4f86\u5b54\u5b50\u827e\u5112\u7565<\/span><span class=\"s1\"> \u2014 <\/span><span class=\"s2\">\u66f4\u65b0\u8b8a\u5316\u7684\u5b97\u6559\u6703\u9047<\/span><span class=\"s1\">. Tianjin: Tianjin jiaoyu chubanshe, 2013.<\/span><\/li>\n<li class=\"p1\"><span class=\"s1\">Papelitzky, Elke: <i>Writing World History in Late Ming China and the Perception of Maritime Asia<\/i>. Wiesbaden: Harrassowitz Verlag, 2020.<\/span><\/li>\n<li class=\"p1\"><span class=\"s1\">Ptak, Roderich: \u201c<i>Gouguo, the \u2018Land of Dogs\u2019, on Ricci\u2019s World Map<\/i>\u201d, Monumenta Serica 66.1 (2018): 71\u201389.<\/span><\/li>\n<li class=\"p1\"><span class=\"s1\">Song Gang <\/span><span class=\"s2\">\u5b8b\u525b<\/span><span class=\"s1\">. <i>Giulio Aleni, Kouduo richao, and Christian-Confucian Dialogism in Late Ming Fujian<\/i>. Sankt Augustin: Steyler Verlag, 2019.<\/span><\/li>\n<li class=\"p1\"><span class=\"s1\">Standaert, Nicholas: <i>Yang Tingyun, Confucian and Christian in Late Ming China: His Life and Thought<\/i>. Leida: E. J. Brill, 1988.<\/span><\/li>\n<li class=\"p1\"><span class=\"s1\">Walravens, Hartmut: <i>Die Deutschland-Kenntnisse der Chinesen <\/i>(bis 1870). Nebst einem Exkurs \u00fcber die Darstellung fremder Tiere im K\u2019un-y\u00fc t\u2019u-shuo des P. Verbiest. Col\u00f4nia, 1972 (tese de doutorado).<\/span><\/li>\n<li class=\"p1\"><span class=\"s1\">Ye Nong <\/span><span class=\"s2\">\u8449\u8fb2<\/span><span class=\"s1\"> (ed.): <i>Ai Rul\u00fce Hanwen zhushu quanji<\/i> <\/span><span class=\"s2\">\u827e\u5112\u7565\u6f22\u6587\u8457\u8ff0\u5168\u96c6<\/span><span class=\"s1\">, 2 vol. Nanjing: Guangxi Shifan daxue chubanshe, 2011.<\/span><\/li>\n<li class=\"p1\"><span class=\"s1\">Zhang, Qiong: <i>Making the New World Their Own: Chinese Encounters with Jesuit Science in the Age of Discovery<\/i>. Leida &amp; Boston: E. J. Brill, 2015.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"p10\"><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] Giulio Aleni foi um acad\u00e9mico e um dos mais not\u00e1veis mission\u00e1rios Jesu\u00edtas sediados na China no in\u00edcio do s\u00e9culo XVII. Publicou v\u00e1rios textos em chin\u00eas e veio a tornar-se um autor frequentemente citado e deixou uma marca inconfund\u00edvel em trabalhos posteriores. O seu livro mais significativo foi, provavelmente, Zhifang waiji \u8077\u65b9\u5916\u7d00, geralmente datado de&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":10,"featured_media":733,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-732","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/73.jpeg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/732","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/10"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=732"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/732\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":734,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/732\/revisions\/734"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/733"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=732"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=732"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=732"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}