{"id":738,"date":"2025-10-07T01:52:55","date_gmt":"2025-10-06T17:52:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.viadomeio.com\/?p=738"},"modified":"2025-10-07T02:01:51","modified_gmt":"2025-10-06T18:01:51","slug":"su-dongpo-segunda-jornada-a-falesia-vermelha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/10\/07\/su-dongpo-segunda-jornada-a-falesia-vermelha\/","title":{"rendered":"Su Dongpo \u2013 Segunda jornada \u00e0 Fal\u00e9sia Vermelha"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: center; font-size: 12px;\"><a href=\"http:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/SegundaJornadaFalesiaVermelha-scaled.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wen Zhanming,<span class=\"s1\"><i> Segunda Jornada \u00e0 Fal\u00e9sia Vermelha<\/i><\/span>.<\/a> Este rolo baseia-se na <span class=\"s1\"><i>Segunda Ode de Su Dongpo \u00e0 Fal\u00e9sia Vermelha<\/i><\/span> e est\u00e1 dividido em oito sec\u00e7\u00f5es, representando o poeta e os seus dois amigos a regressar com vinho e peixe. O ano anotado na obra \u00e9 o 27\u00ba ano do reinado de Jia Jing (1548). Wen tinha 79 anos de idade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Tradu\u00e7\u00e3o de Ant\u00f3nio Gra\u00e7a de Abreu<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\">N<span class=\"s1\">o mesmo ano<\/span>, na lua cheia do d\u00e9cimo m\u00eas, na companhia de dois amigos, parti de minha casa, a p\u00e9, em direc\u00e7\u00e3o ao pavilh\u00e3o de Lingao. O orvalho j\u00e1 se havia transformado em geada gelada, as \u00e1rvores tinham perdido todas as folhas. Na terra, distinguiam-se as sombras dos homens e, levantando-se a cabe\u00e7a, aparecia uma lua brilhante. Olh\u00e1vamos \u00e0 nossa volta e contempl\u00e1vamos a paisagem, caminh\u00e1vamos cantando, ou \u00edamos conversando uns com os outros. Por fim, eu disse, suspirando: \u201cTenho amigos comigo, mas n\u00e3o temos vinho. Mesmo se tiv\u00e9ssemos vinho n\u00e3o haveria iguarias para acompanhar. O prateado da lua, a do\u00e7ura da brisa, que fazer numa noite t\u00e3o bonita?\u201d<\/p>\n<p class=\"p2\">Um dos meus amigos respondeu: \u201cHoje, ao cair da noite recolhi a minha rede e a pesca foram uns tantos peixes de bocas grandes e escamas finas, uma esp\u00e9cie de percas. Mas onde encontrar vinho?\u201d<\/p>\n<p class=\"p2\">Regress\u00e1mos a minha casa e falei com a minha esposa. Ela disse: \u201cTenho uns potes de vinho que ficaram guardados j\u00e1 h\u00e1 algum tempo, esperando que um dia te recordasses deles.\u201d Partimos de novo com o vinho rumo \u00e0 Fal\u00e9sia Vermelha. Impetuosa a corrente do rio, as escarpas subiam a mil p\u00e9s de altura. Enormes as montanhas, pequena a lua, baixo o caudal e as ondas, as pedras no leito rompiam as \u00e1guas. Habitamos estes lugares h\u00e1 j\u00e1 tantos anos e ainda n\u00e3o conhecemos o rio e as montanhas.<\/p>\n<p class=\"p2\">Sa\u00edmos da barca, levantei a cabaia comprida, trepei pela margem rochosa, caminhei sobre pedras afiadas, afastando, ao passar, as ervas selvagens. Sentei-me sobre penedos semelhantes a tigres ou leopardos, atravessei matagais, os arbustos pareciam drag\u00f5es com cornos, no alto, havia ninhos de falc\u00f5es. Levantando os bra\u00e7os procurei encontrar um poiso entre a ramaria, para passar a noite, baixando a cabe\u00e7a, tentei descobrir o pal\u00e1cio solit\u00e1rio do deus das \u00e1guas.<\/p>\n<p class=\"p2\">N\u00e3o fui seguido pelos meus dois amigos. Dei ent\u00e3o um enorme grito que perfurou o espa\u00e7o e fez estremecer as ervas e as\u00a0\u00e1rvores. Sonoridades na montanha, o eco, o vale respondeu. Levantou-se vento, a \u00e1gua ca\u00eda nas cascatas. Em mim, alguma inquieta\u00e7\u00e3o, tristeza, receio. Eu tremia, n\u00e3o queria ficar na margem do rio. Regressei \u00e0 nossa barca que vogava ao sabor da corrente. Para satisfa\u00e7\u00e3o de todos, era ela quem decidia por onde devia navegar.<\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s2\">Era quase meia-noite. \u00c0 nossa volta, um imenso sil\u00eancio e calmaria. Apenas um grou solit\u00e1rio, vindo de leste, sobrevoava o rio. Asas grandes como as rodas de uma carro\u00e7a, o corpo, negro em cima, branco, em baixo. Grasnava, longos gritos que rasgavam a escurid\u00e3o. Passou, rasando, por cima da nossa barca e seguiu para oeste.\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s2\">Os meus amigos partiram e eu adormeci. Sonhei que um monge taoista, vestindo um manto de penas ondulantes, passava junto ao pavilh\u00e3o de Lingao. Saudou-me e disse: \u201cA vossa viagem \u00e0 Fal\u00e9sia Vermelha foi ou n\u00e3o foi uma jornada de espantar?\u201d\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s2\">Perguntei-lhe como se chamava. Um leve aceno de cabe\u00e7a e n\u00e3o me respondeu. Questionei-o, outra vez: \u201cN\u00e3o foste tu que ontem \u00e0 noite sobrevoaste o nosso barco?\u201d O monge sorriu. Sobressaltado, despertei por completo. Abri a janela da barca, olhei a paisagem, n\u00e3o se via ningu\u00e9m.<\/span><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] Wen Zhanming, Segunda Jornada \u00e0 Fal\u00e9sia Vermelha. Este rolo baseia-se na Segunda Ode de Su Dongpo \u00e0 Fal\u00e9sia Vermelha e est\u00e1 dividido em oito sec\u00e7\u00f5es, representando o poeta e os seus dois amigos a regressar com vinho e peixe. 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