{"id":746,"date":"2025-10-07T02:06:28","date_gmt":"2025-10-06T18:06:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.viadomeio.com\/?p=746"},"modified":"2026-03-05T15:49:10","modified_gmt":"2026-03-05T07:49:10","slug":"fu-xi-nu-wa-e-a-origem-da-humanidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/10\/07\/fu-xi-nu-wa-e-a-origem-da-humanidade\/","title":{"rendered":"Fu Xi Nu Wa e a origem da humanidade"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p class=\"p1\">E<span class=\"s1\">screver<\/span> sobre personagens que viveram num per\u00edodo anterior aos registos escritos e cujas hist\u00f3rias chegaram at\u00e9 aos nossos dias pelas letras de can\u00e7\u00f5es ou oralmente transmitidas em forma de mitos e s\u00f3 muito mais tarde, mil\u00e9nios depois, foram registadas em livros, traz-nos o problema de interligar todas essas informa\u00e7\u00f5es para criar uma intelig\u00edvel e coerente imagem, que represente os seres aqui a tratar. Fu Xi (<span class=\"s2\">\u4f0f\u7fb2<\/span>, em cantonense Fok Hei) e Nu Wa (<span class=\"s2\">\u5973\u5a32<\/span>, N\u00f4i-V\u00f3), figuras lend\u00e1rias da mitologia chinesa, contam com poucos trabalhos acad\u00e9micos e nos livros antigos aparecem apenas esparsas refer\u00eancias, como as feitas por Kong Zi (Conf\u00facio), Sima Qian, o historiador da dinastia Han do Oeste, e Sima Zhen.<\/p>\n<p class=\"p5\">Segundo a lenda, Fu Xi, transportando o conhecimento das culturas existentes no Paleol\u00edtico para a Era do Neol\u00edtico, deu in\u00edcio \u00e0 Civiliza\u00e7\u00e3o Chinesa, tornando-se o seu primeiro Soberano, tamb\u00e9m conhecido por Tian Huang Shi (<span class=\"s2\">\u5929\u7687\u6c0f<\/span>, Tin Wong Si), Imperador Celeste. Ele e Nu Wa, ap\u00f3s um grande dil\u00favio, foram os \u00fanicos sobreviventes mas, como irm\u00e3os que eram, n\u00e3o podiam casar e ter filhos por receio de desagradar ao C\u00e9u. Ent\u00e3o resolveram subir \u00e0 montanha sagrada Kunlun (em Qinghai), fazendo cada um uma fogueira e como o fumo de ambas se uniu, interpretaram favor\u00e1vel esse sinal e casaram, ficando a ser considerados o casal divino, o Pai e a M\u00e3e dos seres humanos.<\/p>\n<p class=\"p5\">O ser humano tomara consci\u00eancia da sua exist\u00eancia h\u00e1 65 mil anos e se nessa primitiva sociedade n\u00e3o havia distin\u00e7\u00f5es de classes, fam\u00edlias e propriedade privada, entre o L e o XL mil\u00e9nio antes da nossa Era foi substitu\u00edda por uma comunidade baseada na fam\u00edlia, com a forma\u00e7\u00e3o gradual de uma sociedade matriarcal h\u00e1 30 mil anos. Por volta do VI mil\u00e9nio antes da nossa Era, o sistema de cren\u00e7as mudou e a sociedade matriarcal come\u00e7ou a dar lugar \u00e0 patriarcal, substituindo-se a Deusa da Fertilidade pelo Deus da Guerra, aparecendo as classes e o conceito de propriedade. Assim, a sociedade patriarcal iniciou-se h\u00e1 cinco mil anos, quando na China as tribos se come\u00e7aram a unir entre si.<\/p>\n<p class=\"p5\">Como ponto de partida, deveremos questionar se Fu Xi e Nu Wa tiveram exist\u00eancia real? Se sim, quando viveram e quem foram? Quest\u00f5es que para tais figuras nunca poder\u00e3o ter respostas formais mas, pelo menos, sabemos que, como figuras lend\u00e1rias, ocupam um lugar na Hist\u00f3ria da China e foram o esp\u00edrito e a subst\u00e2ncia de muitos arqu\u00e9tipos para a constru\u00e7\u00e3o da Civiliza\u00e7\u00e3o Chinesa.<\/p>\n<h3 class=\"p6\"><b><br \/>\nAncestrais soberanos<\/b><b><\/b><\/h3>\n<p class=\"p5\">Num t\u00famulo da dinastia Han do Leste em Pixian (prov\u00edncia de Sichuan) e do mesmo per\u00edodo, no mural do templo de Wuliang em Jiaxiang (prov\u00edncia de Shandong), encontram-se representa\u00e7\u00f5es de Fu Xi e Nu Wa, ambos com cabe\u00e7a humana, mas corpos de drag\u00e3o e entrela\u00e7ados pelas caudas, a representar a uni\u00e3o entre os dois. Simbolizam o poder e, quando ligados com a tartaruga, perpetuam-se pela eternidade.<\/p>\n<p class=\"p5\">Fu Xi, considerado Imperador do Ser Humano, conjuntamente com Nu Wa formam o casal divino. Fu Xi, deificado como Taihao (<span class=\"s2\">\u592a\u660a<\/span>) ou o Imperador Verde, representa o Leste e cont\u00e9m a virtude da Madeira, simbolizando a Primavera. Nu Wa, encarregue da reprodu\u00e7\u00e3o de todas as coisas vivas, \u00e9 a deusa primitiva da fertilidade. Para alguns estudiosos, ambos n\u00e3o eram seres humanos, mas representantes de um per\u00edodo: Nu Wa, a sociedade matriarcal, e Fu Xi, a patriarcal.<\/p>\n<p class=\"p5\">Quando considerados como figuras hist\u00f3ricas chegam-nos integradas no grupo San Huang Wu Di, isto \u00e9, os ancestrais dos chineses conhecidos pelos Tr\u00eas Soberanos e os Cinco Imperadores. Apesar de irm\u00e3os, eram de diferentes tribos e como os \u201c\u00fanicos\u201d sobreviventes de um grande Dil\u00favio, Fu Xi e Nu Wa s\u00e3o considerados os primeiros seres humanos e, para que se reproduzissem e fosse criada a Humanidade, tornaram-se patronos dos casamentos. J\u00e1 quanto \u00e0s datas da exist\u00eancia hist\u00f3rica de Fu Xi variam desde ter nascido entre 2953 e 2852 a.n.E. e ter falecido entre os anos de 2838 e 2738 a.n.E., mas h\u00e1 autores a referir ter o lend\u00e1rio chefe tribal reinado durante 115 anos, de 4477 a 4362 a.n.E..<\/p>\n<p class=\"p5\">Fuxi nascera em Tianshui, hoje prov\u00edncia de Gansu. Numa jornada para Leste, como chefe, levou a sua tribo Yi at\u00e9 \u00e0s Plan\u00edcies Centrais, actual prov\u00edncia de Henan, onde se instalou em Huaiyang, onde se encontra o seu mausol\u00e9u, como Kong Zi atestou. A sua meia-irm\u00e3 Nu Wa nasceu tr\u00eas meses depois em Loncheng, a Norte de Tianshui, tendo ambos o apelido Feng (<span class=\"s2\">\u98ce<\/span>, Vento) do pai. Acompanhou Fu Xi na procura de terras f\u00e9rteis e, em Henan, ap\u00f3s promoverem casamentos, separaram-se. Nu Wa seguiu para Norte onde, na povoa\u00e7\u00e3o de Wihua, se encontra o seu mausol\u00e9u.<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s3\">Fuxi era um observador atento, tanto do C\u00e9u como do que se passava na Terra e ao olhar para o C\u00e9u observou os fen\u00f3menos celestes, vendo-os espelhados na Terra. Assim atingiu a ideia do todo, inserido nas mudan\u00e7as sazonais e na geografia, descobrindo que dentro de si se passava o mesmo do que se passava no seu exterior. Ao viajar por muitos lugares conheceu outras formas de estar e fazer, assim como outros objectos. Apercebeu-se das diferentes qualidades e propriedades dos materiais e dos solos. Ter\u00e1 usado n\u00f3s numa corda para fixar certos factos e criou um m\u00e9todo de fazer redes de pesca inspirando-se nas teias de aranhas. No entanto, a maior das suas contribui\u00e7\u00f5es foi a cria\u00e7\u00e3o dos oito trigramas a representar os oito estados da natureza usados depois no mais antigo livro existente, o <i>Livro das Muta\u00e7\u00f5es <\/i>(<i>Yi Jing<\/i>, <\/span><span class=\"s4\">\u6613\u7ecf<\/span><span class=\"s3\">) cuja vers\u00e3o actual, o <i>Zhou Yi<\/i> \u00e9 da dinastia Zhou e tem tr\u00eas mil anos.<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">Segundo refere Kong Zi nos <i>Dez Asas <\/i>(<i>Xi Ci<\/i>), que complementam o Livro das Muta\u00e7\u00f5es, deve-se ao s\u00e1bio-rei Fuxi a imagem do drag\u00e3o de onde retirou os oito trigramas (<i>bagua<\/i>), criando o desenho do Tai ji pelo pulsar <i>yin-yang<\/i> da vida. O drag\u00e3o \u00e9 <i>yang<\/i> e ter\u00e1 sido escolhido como totem por Fu Xi, conhecido por isso como o rei Drag\u00e3o, para representar o seu povo da tribo Yi. Explicou aos seres humanos a ess\u00eancia de todos os aspectos universais contidos nos oito trigramas que inventou, e as inter-rela\u00e7\u00f5es entre eles. Pelo conhecimento dos oito estados da Natureza e seu dom\u00ednio poderiam, tal como os deuses, evitar muitos preju\u00edzos causados pelas calamidades naturais e utilizar todas as coisas ao servi\u00e7o da harmonia para com o que nos rodeia.<\/p>\n<p class=\"p5\">Considerado o primeiro dos Tr\u00eas Ancestrais Soberanos (<i>San Huang<\/i>, <span class=\"s2\">\u4e09\u7687<\/span>), que deram origem \u00e0 Civiliza\u00e7\u00e3o Chinesa, transportou os conhecimentos de uma Era em que a Terra ainda se reflectia pelo C\u00e9u e talvez por essa raz\u00e3o, Fu Xi e a sua meia-irm\u00e3 e consorte Nu Wa, considerados os primeiros seres humanos, s\u00e3o o Pai e M\u00e3e, que significam o C\u00e9u e a Terra e representam-se no <i>yang<\/i> e <i>yin<\/i> de todas as coisas.<\/p>\n<p class=\"p5\">Conf\u00facio (Kong Fu Zi, <span class=\"s2\">\u5b54\u592b\u5b50<\/span>, 551-479 a.n.E.) ao compilar o <i>Livro da Hist\u00f3ria<\/i> (<span class=\"s2\">\u4e66\u7ecf<\/span>, <i>Shu Jing<\/i>) come\u00e7ou com Yao (<span class=\"s2\">\u5c27<\/span>, Yao de Tang, que chegou ao trono em 2357 a.n.E. e governou por 70 anos), o quarto dos Cinco Ancestrais Imperadores (<i>Wu Di<\/i>, <span class=\"s2\">\u4e94\u5e1d<\/span>), sem fazer refer\u00eancia aos anteriores Tr\u00eas Ancestrais Soberanos (<i>San Huang<\/i>, <span class=\"s2\">\u4e09\u7687<\/span>). Mas na sec\u00e7\u00e3o <i>Xi Ci<\/i> (<span class=\"s2\">\u7cfb\u8f9e<\/span>) dos <i>Dez Asas<\/i> (<span class=\"s2\">\u5341\u7ffc<\/span>) Conf\u00facio referia o grande rei Fu Xi como o inventor dos oito trigramas (<i>bagua<\/i>, <span class=\"s2\">\u516b\u5366<\/span>).<\/p>\n<p class=\"p5\">Interessante \u00e9 o livro <i>Mem\u00f3rias Hist\u00f3ricas<\/i> (<span class=\"s2\">\u53f2 \u8bb0<\/span>, <i>Shi Ji<\/i>), redigido por Sima Qian (<span class=\"s2\">\u53f8\u9a6c\u8fc1<\/span>, 145- 87 a.n.E.), come\u00e7ar os registos por Huang Di (<span class=\"s2\">\u9ec4\u5e1d<\/span>, o Imperador Amarelo), o primeiro dos Cinco Ancestrais Imperadores da China, [considerado por vezes tamb\u00e9m o terceiro Ancestral Soberano, tal como escreveu o padre \u00c1lvaro Semedo, que os designa por F\u00f4k Hei (Fu Si, <span class=\"s2\">\u4f0f\u7fb2<\/span>, em mandarim Fu Xi) e o data de 2852 a.C., S\u00e2n N\u00f4ng (Xen-N\u00f4ng, <span class=\"s2\">\u795e\u519c<\/span>, Shen-Nong) em 2737 a.C. e U\u00f3ng T\u00e1i (U\u00e1ng-Ti, <span class=\"s2\">\u9ec4\u5e1d<\/span>, Huang Di), em 2697 a.C.], admitindo haver registos sobre uma figura [Fu Xi] que viveu anteriormente ao Imperador Amarelo.<\/p>\n<p class=\"p5\">No entanto, nas <i>Mem\u00f3rias Hist\u00f3ricas <\/i>existem coment\u00e1rios de Taishigong, feitos por Sima Qian, que de outro modo n\u00e3o os poderia deixar registados nos acontecimentos da Hist\u00f3ria e assim, no <i>Shi Ji-Tai Shi Gong zi xu<\/i><span class=\"s2\">\u300a\u53f2\u8bb0\uff0c\u592a\u53f2\u516c\u81ea\u5e8f\u300b<\/span>est\u00e1 escrito: \u201ceu escutei o que os anci\u00e3os dizem sobre Fu Xi; ser ele um homem puro, simples e honesto, que criou o conceito de <i>Yi<\/i> (<span class=\"s2\">\u6613<\/span>, muta\u00e7\u00e3o) e do <i>Bagua<\/i>.\u201d<\/p>\n<p class=\"p5\">Se n\u00e3o existem d\u00favidas quanto a dois dos tr\u00eas Ancestrais Soberanos da Civiliza\u00e7\u00e3o Chinesa, Fu Xi e Yan Di (<span class=\"s2\">\u708e\u5e1d<\/span>, Imperador da Terra e como Deus da Agricultura Shen Nong), j\u00e1 para o outro, o livro <i>Shang Shu Da Zhuan<\/i> (<span class=\"s2\">\u5c1a\u4e66\u5927\u4f20<\/span>) diz ser Sui Ren (<span class=\"s2\">\u71e7\u4eba<\/span>, 2737-2697 a.n.E., Imperador do C\u00e9u, que controlava o fogo) e no <i>Bai Hu Tong<\/i> (<span class=\"s2\">\u767e \u864e\u901a<\/span>) refere-se Zhu Rong (<span class=\"s2\">\u795d\u878d<\/span>), tamb\u00e9m Oficial do Fogo. Para o <i>Bu Shi Ji San Huang ban ji<\/i> (<span class=\"s2\">\u8865\u53f2\u8bb0 \u4e09\u7687\u672c\u7eaa<\/span>), escrito na dinastia Tang por Sima Zhen (<span class=\"s2\">\u53f8\u9a6c\u8d1e<\/span>, c.697-c.732), a complementar o livro <i>Mem\u00f3rias Hist\u00f3ricas <\/i>de Sima Qian, \u00e9 Nu Wa o outro dos tr\u00eas Ancestrais Soberanos.<\/p>\n<p class=\"p5\">Todos os livros escritos ao longo dos tempos n\u00e3o duvidam ser Fu Xi o primeiro dos tr\u00eas Huang. J\u00e1 as datas da sua exist\u00eancia variam desde o ter nascido entre 2953 e 2852 a.n.E. e ter deixado a Terra entre os anos de 2838 e 2738 a.n.E..<\/p>\n<h3 class=\"p6\"><b><br \/>\nA divindade de Fu Xi<\/b><\/h3>\n<p class=\"p5\">Sobre a m\u00e3e e o pai de Fu Xi, o <i>Di Wang Shi ji<\/i> (<span class=\"s2\">\u5e1d\u738b \u4e16\u7eaa<\/span>), escrito no s\u00e9culo III por Huang Fu Mi (<span class=\"s2\">\u7687 \u752b\u8c27<\/span>) na dinastia Jin, diz: \u201cA m\u00e3e Hua Xu colocou o p\u00e9 numa grande pegada, em Lei Ze (<span class=\"s2\">\u96f7\u6cfd<\/span>), e da\u00ed nasceu Pao Xi (<span class=\"s2\">\u5e96\u727a<\/span>), em Cheng ji\u201d (hoje Tianshui). Pao Xi foi outro dos nomes de Fu Xi, este ligado ao cozinhar dos alimentos. Tamb\u00e9m o <i>Livro da Estrada <\/i>(Lushi &#8211; <span class=\"s2\">\u8def\u53f2<\/span>), escrito na dinastia Song por Luo Mi (1131-?), refere que Hua Xu Shi um dia, inadvertidamente, ao pisar uma grande pegada, ficou gr\u00e1vida em Hua Xu Zhi Yuan (<span class=\"s2\">\u534e\u80e5 \u4e4b\u6e0a<\/span>), local referido no livro <i>Tai Ping Yu Lan <\/i>(<span class=\"s2\">\u592a \u5e73\u5fa1\u89c8<\/span>) como sendo Lei Ze (<span class=\"s2\">\u96f7\u6cfd<\/span>), significando <i>Lei<\/i> (<span class=\"s2\">\u96f7<\/span>) Trov\u00e3o e <i>Ze<\/i> (<span class=\"s2\">\u6cfd<\/span>) charco. Lenda escutada a Tang Shaoyou e registada no seu livro <i>Follow Me to the Fairyland of Langyuan <\/i>(edi\u00e7\u00e3o do autor de 2009), que conta ser esse lugar Langzhong, na actual prov\u00edncia de Sichuan, onde a m\u00e3e de Fu Xi foi fecundada ao pisar uma pegada ali deixada pelo deus do Trov\u00e3o, (Lei Gong, <span class=\"s2\">\u96f7\u516c<\/span>), que governava a regi\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p5\">Como acontece normalmente ao falar dos locais onde as ancestrais hist\u00f3rias se desenrolaram, estes s\u00e3o denominados pelos nomes das tribos que os habitavam, o mesmo para os apelidos dos habitantes. Assim, a m\u00e3e de Fu Xi, Hua Xu Shi, da tribo Hua Xu cujo totem era uma ave pernalta, vivia num lugar chamado Hua Xu Zhi Yuan ou, mais especificamente, Lei Ze, onde hoje se situa Langzhong. Hua Xu a\u00ed ter\u00e1 engravidado, mas a crian\u00e7a foi nascer em Tianshui, actual prov\u00edncia de Gansu.<\/p>\n<p class=\"p5\">O totem da tribo Feng (Vento, <span class=\"s2\">\u98ce<\/span>), a qual o pai de Fu Xi chefiava, era uma serpente que deu o tronco do Drag\u00e3o e habitava na parte Sudeste de Gansu. Fu Xi, nascido de Hua Xu Shi, ficou com o apelido Feng por parte do pai, constatando-se assim a passagem da sociedade matriarcal para a patriarcal atrav\u00e9s do processo de uni\u00e3o entre as duas tribos, a matriarcal Hua Xu a viver em terras de Sichuan e em Gansu a patriarcal Feng.<\/p>\n<p class=\"p5\">Outro conto da mitologia chinesa acerca dos progenitores deste lend\u00e1rio soberano refere ser o pai de Fu Xi o deus do Trov\u00e3o e a m\u00e3e Hua Xu Shi (<span class=\"s2\">\u534e\u80e5\u6c0f<\/span>), a \u00fanica filha de um casal que habitava no Noroeste (Sichuan), no lugar de Lei Ze (<span class=\"s2\">\u96f7\u6cfd<\/span>), junto ao Rio do Trov\u00e3o, pr\u00f3ximo do lago com o mesmo nome, onde o deus vivia. A rapariga Hua Xu, um dia, farta dos maus humores do deus, que constantemente infligia inunda\u00e7\u00f5es \u00e0s povoa\u00e7\u00f5es ribeirinhas, resolveu ir falar-lhe e perguntar qual a raz\u00e3o deste n\u00e3o ir habitar o C\u00e9u como os outros deuses. Perante tal desplante, mas rendido \u00e0 beleza da rapariga, acordou retirar-se para o C\u00e9u [Tianshui, Gansu] se ela casasse com ele. Passado um ano teve um filho e como a ela lhe estava vedado o regresso \u00e0 sua terra, resolveu que o filho deveria crescer em Hua Xu Zhi Yuan (<span class=\"s2\">\u534e\u80e5\u4e4b\u6e0a<\/span>). Um dia, aproveitando a aus\u00eancia do deus do Trov\u00e3o, colocou a crian\u00e7a dentro duma enorme caba\u00e7a e deixou que o rio a levasse. Aconteceu encontrar-se o pai de Hua Xu a pescar e ao ver a enorme caba\u00e7a, retirou-a do rio e levou-a para casa. Quando o casal a talhou, dela saiu uma crian\u00e7a vestindo uma camisola bordada com flores, que reconheceram ser da camisa da filha. Deram-lhe o nome de Fu Xi, que significa oriundo de uma caba\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"p5\">Esta crian\u00e7a cresceu rapidamente, distinguindo-se das outras por ser muito alta, inteligente e corajosa, para al\u00e9m de poder subir ao C\u00e9u pela escada celeste por ser filho de um Deus. E seguindo esta hist\u00f3ria, pelo livro <i>Mitos Antigos da China<\/i>, (edi\u00e7\u00e3o Livros de F\u00eanix, 1989, Beijing):<\/p>\n<p class=\"p5\">\u201cSegundo uma lenda dos tempos mais remotos a Terra e o C\u00e9u estavam ligados por uma gigantesca \u00e1rvore chamada Jian Mu que, colocada no centro da Terra, era como uma \u2018escada\u2019 natural. Esta \u00e1rvore, ao contr\u00e1rio de todas as outras, n\u00e3o produzia sombra sob os raios do Sol e ao longo do seu tronco ca\u00edam milhares de lianas b\u00edparas em forma de cordas que constitu\u00edam a \u2018escada celeste\u2019 por onde os deuses desciam do C\u00e9u \u00e0 Terra e vice-versa. No entanto, os seres humanos n\u00e3o tinham a habilidade de trepar ao C\u00e9u por esta \u2018escada\u2019. Fu Xi, sendo filho de um deus, podia subir e descer facilmente por ela.\u201d<\/p>\n<p class=\"p5\">Esta a vers\u00e3o apresentada normalmente sobre a mitol\u00f3gica hist\u00f3ria do nascimento de Fu Xi, que nos d\u00e1 a entender andar a tribo Feng em conquista por Sichuan e com o acordo feito para parar a guerra e retirar-se, levou Fu Xi a nascer em Tianshui, prov\u00edncia de Gansu.<\/p>\n<h3 class=\"p6\"><b><br \/>\nMeios-irm\u00e3os separados<\/b><\/h3>\n<p class=\"p5\">A \u00e1rea onde em 1985 foi criado o distrito de Tianshui (<span class=\"s2\">\u5929\u6c34<\/span>), na actual prov\u00edncia de Gansu, era no s\u00e9culo IX a.n.E. chamada Quanqiu e o reino Qin a\u00ed teve a sua capital at\u00e9 770 a.n.E., quando a dinastia Zhou do Oeste (1046-771 a.n.E.) foi substitu\u00edda pela Zhou do Leste e o Rei Ping (770-720 a.n.E), o primeiro da nova dinastia, mudou a capital de Hao (pr\u00f3ximo de Xian, Shaanxi) para Luoyi (hoje Luoyang, Henan), levando o reino Qin a mover-se para Leste passando a capital para Yongcheng (actual Fengxiang, em Shaanxi). Seria a popula\u00e7\u00e3o desse reino Qin a descendente da tribo Feng ( <span class=\"s2\">\u98ce<\/span>, Vento) que em Gansu se quedou aquando da migra\u00e7\u00e3o para Leste de uma parte da tribo, conduzida dois mil anos antes por Fu Xi e Nu Wa e que formou o povo Yi ap\u00f3s chegar \u00e0 Plan\u00edcie Central em Henan.<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s5\">Fu Xi fora concebido em Langzhong, na parte Nordeste de Sichuan, de onde era natural a m\u00e3e, Hua Xu Shi (<\/span><span class=\"s6\">\u534e\u80e5\u6c0f<\/span><span class=\"s5\">), que pertencia \u00e0 tribo matriarcal Hua Xu, mas foi em Tianshui, entre o ano 2953 e 2852 a.n.E. que nasceu, tal como tr\u00eas meses depois a irm\u00e3 Nu Wa, ambos com o apelido Feng ( <\/span><span class=\"s6\">\u98ce<\/span><span class=\"s5\">) do pai e por isso se compreende ser a tribo j\u00e1 patriarcal e serem filhos de diferentes m\u00e3es. Da\u00ed a visita a Tianshui (<\/span><span class=\"s6\">\u5929\u6c34<\/span><span class=\"s5\">), que significa C\u00e9u e \u00c1gua, nome dado em 118 a.n.E. no reinado de Wu Di da dinastia Han do Oeste, quando desde o s\u00e9culo IX a.n.E. era chamada Quanqiu. J\u00e1 Nu Wa viu a luz do dia em Feng Gu (<\/span><span class=\"s6\">\u98ce\u8c37<\/span><span class=\"s5\">), localizada na montanha Feng Wei (<\/span><span class=\"s6\">\u98ce \u5c3e\u5c71<\/span><span class=\"s5\">), hoje povoa\u00e7\u00e3o de Loncheng na prefeitura de Qin\u2019an, 40 km a Norte da cidade de Tianshui. <\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">Cresceram juntos pois ambos eram filhos do deus do Trov\u00e3o ( <span class=\"s2\">\u96f7\u516c<\/span>, Lei Gong, o deus Lei Ze, com cabe\u00e7a humana e corpo de drag\u00e3o, que come\u00e7ou por ser mortal, mas ao comer um dos p\u00eassegos do pessegueiro celeste ganhou a imortalidade e tornou-se um humano com asas, tendo recebido uma ma\u00e7a e um martelo com que criava os trov\u00f5es).<\/p>\n<p class=\"p5\">Segundo a tradi\u00e7\u00e3o oral, perpetuada numa can\u00e7\u00e3o do grupo \u00e9tnico Miao (<span class=\"s2\">\u6d2a\u6c34\u671d\u5929<\/span>, <i>Hong Shui Chao Tian<\/i>), h\u00e1 muitos anos o deus do Trov\u00e3o e do Vento eram irm\u00e3os, tendo-se separado e enquanto Lei Gong (<span class=\"s2\">\u96f7\u516c<\/span>), o deus do Trov\u00e3o habitava no C\u00e9u, Jiang Yang (<span class=\"s2\">\u59dc\u592e<\/span>), o deus do Vento vivia na Terra. Ao desentenderem-se entraram em guerra, dando origem a uma grande inunda\u00e7\u00e3o que levou a \u00e1gua a chegar quase ao C\u00e9u.<\/p>\n<h3 class=\"p6\"><b><br \/>\nA vingan\u00e7a de Lei Gong<\/b><\/h3>\n<p class=\"p5\">A hist\u00f3ria que se segue provem da prov\u00edncia de Guangxi, perpetuada oralmente e mais tarde registada no livro <i>Min Jian Gu Shi Zi Liao<\/i> ( <span class=\"s2\">\u6c11\u95f4\u6545\u4e8b\u8d44\u6599<\/span>).<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s7\">O deus do Trov\u00e3o (Lei Gong), representado com um rosto de macaco, bico de p\u00e1ssaro e asas que seguram um machado e um ma\u00e7o, tinha como esposa a deusa dos Rel\u00e2mpagos (Dianmu). Lei Gong constantemente aparecia nos c\u00e9us e, com tempestades, intensas trovoadas e diluvianas chuvas, fustigava os agricultores, arruinando-lhes as culturas. Farto de ser v\u00edtima de tais calamidades, certo dia o agricultor Zhang Bao Bo (<\/span><span class=\"s8\">\u5f20\u5b9d\u535c<\/span><span class=\"s7\">), ao aperceber-se, pelo adensar das nuvens, que o deus do Trov\u00e3o se aproximava, resolveu confront\u00e1-lo. Preparou uma gaiola de ferro e pendurando-a num poste, na parte de fora da casa, desafiou o deus para um combate. Furioso perante o desplante daquele terreno ser, o deus irado atirou-se dos c\u00e9us para acabar com o provocador. Mas o agricultor com a sua forquilha de ferro e cabo de madeira apanhou-o e num r\u00e1pido movimento colocou-o dentro da gaiola, fechando-lhe a porta. Assim aprisionado, o deus perdeu o poder de fazer chover, voltando o Sol a raiar. <\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">Precisando de sair para fazer umas compras, antes de partir, o agricultor avisou os dois filhos para se afastarem da gaiola, n\u00e3o se dirigirem ao deus, nem com ele falarem e muito menos lhe darem \u00e1gua. As duas crian\u00e7as, o rapaz de nome Fu Xi e a rapariga chamada Nu Wa, fartas de estarem em casa devido \u00e0s constantes intemp\u00e9ries, aproveitando o Sol que voltara a aparecer ao fim de longos dias de chuva, brincavam no p\u00e1tio da casa.<\/p>\n<p class=\"p5\">O deus do Trov\u00e3o, que precisava de comunicar com o deus das \u00c1guas para conseguir reaver a sua poderosa for\u00e7a, apercebendo-se poder tirar partido da inoc\u00eancia das crian\u00e7as, come\u00e7ou a lamentar- se do imenso calor que fazia. Estas, lembrando-se dos avisos do pai tentaram ignor\u00e1-lo, mas a insist\u00eancia do deus a clamar por compaix\u00e3o, agora mirrado e com um aspecto inofensivo, mexeu com elas e, perante as constantes e tormentosas s\u00faplicas, come\u00e7aram a vacilar e a ficar condo\u00eddas. Percebendo tal, o deus prometeu n\u00e3o lhes tocar se lhe dessem apenas umas gotas de \u00e1gua para apaziguar a sede. Pensando n\u00e3o haver grandes consequ\u00eancias, deram-lhe um pouco de beber. Mas, mal o deus tocou na \u00e1gua, logo a sua for\u00e7a e poder voltaram, libertando-se da jaula. As crian\u00e7as assustadas iam para fugir quando o deus do Trov\u00e3o lhes lembrou n\u00e3o lhes querer fazer mal e entregou-lhes um dos seus dentes dizendo para o plantarem na terra, pois este as iria salvar da grande calamidade que ele iria provocar, devido \u00e0 ousadia humana de o terem encarcerado.<\/p>\n<p class=\"p5\">Mal o deus do Trov\u00e3o partiu, ap\u00f3s se encontrar com o deus da \u00c1gua, deu in\u00edcio \u00e0 vingan\u00e7a e t\u00e3o grande foi que em poucos dias toda a Terra estava coberta de \u00e1gua. Seguindo o conselho do deus, os dois irm\u00e3os viram sair da terra uma grande caba\u00e7a que se dividiu mal a \u00e1gua chegou, embarcando cada um numa das metades.<\/p>\n<p class=\"p5\">O lavrador, com o cair das primeiras gotas, percebeu logo que Lei Gong se tinha libertado. Mas nada p\u00f4de fazer pois o deus do Trov\u00e3o conjuntamente com o deus das \u00c1guas rodopiando provocaram tamanha tempestade que inundaram todas as terras e at\u00e9 as mais altas montanhas ficaram submersas. Ningu\u00e9m se salvou excepto os dois irm\u00e3os, que navegando cada um na sua metade de caba\u00e7a foram levados pelas agitadas \u00e1guas e durante dias andaram \u00e0 deriva, tendo-se perdido um do outro devido \u00e0s correntes provocadas por o deus do Vento, que os levaram por caminhos diferentes, separando-os. Estavam as \u00e1guas a chegar ao C\u00e9u quando o Imperador de Jade ordenou aos deuses seus subordinados para pararem e voltarem a coloc\u00e1-las nos seus normais leitos.<\/p>\n<p class=\"p5\">Mitol\u00f3gica hist\u00f3ria perpetuada via oral contada com variantes por diferentes grupos \u00e9tnicos como os Miao, Yao e Zhuang, mas a solu\u00e7\u00e3o para a insan\u00e1vel quest\u00e3o sobre o pai das duas crian\u00e7as aparece explicada no actual livro <i>Gu Shen Hua Xuan Shi<\/i> (<span class=\"s2\">\u53e4\u795e \u8bdd\u9009\u91ca<\/span>), escrito por Yuan Ke (<span class=\"s2\">\u8881\u73c2<\/span>). Nele se refere que Lei Gong e o lavrador poderiam ser irm\u00e3os e ter havido na tribo lutas internas.<\/p>\n<p class=\"p5\">Ap\u00f3s o dil\u00favio e separada do meio-irm\u00e3o, Nu Wa vagueava s\u00f3 pelo mundo rec\u00e9m-criado onde n\u00e3o havia vivalma e sentia-se muito s\u00f3. Um dia, meditando sentada na margem do rio, esculpiu da lama as aves de capoeira, no segundo dia os c\u00e3es, no terceiro os porcos, no quarto as cabras, no quinto os b\u00fafalos e no sexto dia os cavalos. Ao s\u00e9timo dia da primeira Lua, ao contemplar o seu reflexo na \u00e1gua, apanhou um punhado de lama e come\u00e7ou a model\u00e1-la \u00e0 sua imagem, mas em vez de uma cauda fez duas pernas, para que esta escultura se mantivesse de p\u00e9. Ao pous\u00e1-la, a figura adquiriu vida. Contente com a sua cria\u00e7\u00e3o, continuou a modelar mais e mais criaturas. Resolveu assim povoar o mundo, mas percebeu ser tal tarefa imensa e nunca mais a terminaria. Ent\u00e3o, decidida a usar os seus poderes sobrenaturais, pegou num ramo de vime e passando-o pela lama f\u00ea-lo girar no ar e os salpicos, ao tocar o ch\u00e3o, transformaram-se em novos seres humanos. Percebendo o ef\u00e9mero dessas cria\u00e7\u00f5es resolveu dividi-las entre homens e mulheres com aparelho reprodutivo para perpetuar a esp\u00e9cie humana e assim apareceu a Humanidade. Por isso, o s\u00e9timo dia da primeira Lua \u00e9, no calend\u00e1rio chin\u00eas, o anivers\u00e1rio dos humanos.<\/p>\n<p class=\"p5\">O ter Nu Wa usado terra para criar os seres humanos aparece contado no cap\u00edtulo 78 do <i>Taiping Yulan<\/i> (<span class=\"s2\">\u592a\u5e73\u5fa1\u89c8<\/span>), livro enciclop\u00e9dico da dinastia Song do Norte, coordenado por Li Fang entre 977 e 984, que refere reproduzir a hist\u00f3ria encontrada no livro <i>Fengsu Tongyi <\/i>(<span class=\"s2\">\u98ce\u4fd7\u901a\u4e49<\/span>), escrito por Ying Shao durante o reinado de Xian Di (189-220) da dinastia Han do Leste, mas a\u00ed perdida pois dos seus trinta cap\u00edtulos s\u00f3 dez chegaram at\u00e9 n\u00f3s.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] Escrever sobre personagens que viveram num per\u00edodo anterior aos registos escritos e cujas hist\u00f3rias chegaram at\u00e9 aos nossos dias pelas letras de can\u00e7\u00f5es ou oralmente transmitidas em forma de mitos e s\u00f3 muito mais tarde, mil\u00e9nios depois, foram registadas em livros, traz-nos o problema de interligar todas essas informa\u00e7\u00f5es para criar uma intelig\u00edvel e&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":747,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[6,17],"tags":[],"class_list":["post-746","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-etnologia","category-mitologia"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/90-1.png","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/746","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=746"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/746\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":748,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/746\/revisions\/748"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/747"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=746"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=746"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=746"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}