{"id":790,"date":"2025-10-07T03:55:31","date_gmt":"2025-10-06T19:55:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.viadomeio.com\/?p=790"},"modified":"2025-10-07T03:57:09","modified_gmt":"2025-10-06T19:57:09","slug":"a-entrevista-giada-messetti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/10\/07\/a-entrevista-giada-messetti\/","title":{"rendered":"A Entrevista \u2013 Giada Messetti"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<h2 class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><b>\u201cO Ocidente conhece <\/b><b>muito pouco a China\u201d<\/b><\/h2>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><b>Acaba de ser editado em portugu\u00eas o livro \u201c<\/b><b><i>Entender a China &#8211; Porque \u00e9 t\u00e3o importante compreender o drag\u00e3o do s\u00e9culo XXI<\/i><\/b><b>\u201d, da jornalista e sin\u00f3loga Giada Messetti. Na obra apontam-se as principais no\u00e7\u00f5es sobre o gigante asi\u00e1tico, nomeadamente a import\u00e2ncia fundamental do Confucionismo para a compreens\u00e3o da sociedade, o simbolismo dos pauzinhos ou o significado da express\u00e3o \u201cperder a face\u201d. Giada, que estudou mandarim e viveu no pa\u00eds como correspondente de imprensa e int\u00e9rprete de empres\u00e1rios, diz que muitas das rela\u00e7\u00f5es bilaterais falham pelo desconhecimento que existe sobre o pa\u00eds.<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><span class=\"s1\">Um manual de <\/span><span class=\"s2\">compreens\u00e3o<\/span><\/h3>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">\u201cEntender a China\u201d d\u00e1 ao leitor pistas muito concretas sobre o funcionamento do pa\u00eds nas suas mais diversas val\u00eancias, nomeadamente a sociedade, cultura, pol\u00edtica ou economia, explicando-nos porque \u00e9 que os chineses, por exemplo, gostam de levar os p\u00e1ssaros a passear \u00e0 rua em gaiolas ou porque usam determinadas express\u00f5es, como o cumprimento \u201cj\u00e1 comeste?\u201d. Nas p\u00e1ginas desta obra editada em Fevereiro pela Editorial Presen\u00e7a, em Portugal, consegue-se compreender melhor a forma como os chineses fazem neg\u00f3cios e se relacionam, desmistificando-se, assim, ideias erradas ou no\u00e7\u00f5es pr\u00e9-concebidas. <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\">Giada Messetti fala com conhecimento de causa, porque n\u00e3o s\u00f3 estudou mandarim durante v\u00e1rios anos na China, sendo sin\u00f3loga, como foi percepcionando alguns comportamentos de empres\u00e1rios no tempo em que foi tradutora e int\u00e9rprete de homens de neg\u00f3cios italianos.<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s2\">Nascida em Udine, It\u00e1lia, Giada come\u00e7ou a viver em Pequim em 2005, onde foi correspondente dos principais jornais italianos, como \u00e9 o caso do Diario, Corriere della Sera e La Repubblica. Desde o seu regresso a It\u00e1lia, em 2011, Giada tem sido uma das principais comentadoras do pa\u00eds sobre a China, marcando presen\u00e7a em diversos programas de r\u00e1dio e televis\u00e3o. \u00c9 autora do programa #CartaBianca, transmitido pela Rai3, a emissora p\u00fablica italiana, e curadora de um segmento de not\u00edcias na Rai Radio1.<span class=\"Apple-converted-space\"> \u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>Este livro funciona como um guia para compreender a China cl\u00e1ssica e contempor\u00e2nea de uma forma simples, mas sem ser simplista. Como explica que, ao fim de tantos anos, haja ainda tanto desconhecimento em rela\u00e7\u00e3o ao pa\u00eds da parte do Ocidente?<\/b><\/p>\n<p class=\"p1\">A China apresenta-se ao Ocidente com uma grande complexidade, e o Ocidente tende a simplificar demasiado a leitura sobre o pa\u00eds atrav\u00e9s das suas pr\u00f3prias categorias culturais. Para o Ocidente, que tem sempre uma tend\u00eancia para se colocar no centro do mundo, \u00e9 sempre dif\u00edcil ouvir o outro, sobretudo quando este outro \u00e9 t\u00e3o diferente, como \u00e9 o caso da China. \u00c9 necess\u00e1rio grande esfor\u00e7o para conhecer e ouvir o outro, mas, aten\u00e7\u00e3o: tal n\u00e3o significa concordar com o outro. Muitas vezes n\u00e3o queremos fazer esse esfor\u00e7o.<\/p>\n<p class=\"p1\"><b><br \/>\nUm dos temas principais do livro \u00e9 a import\u00e2ncia do Confucionismo no funcionamento da sociedade e da pol\u00edtica. Acredita que os actores pol\u00edticos e empresariais do Ocidente, bem como as institui\u00e7\u00f5es, esquecem esta quest\u00e3o quando tentam estabelecer rela\u00e7\u00f5es com o pa\u00eds?<\/b><\/p>\n<p class=\"p1\">Sim, sem d\u00favida, e n\u00e3o esquecem apenas o Confucionismo. Muitas vezes relacionam-se com a China esquecendo por completo que a China tem uma sociedade e um sistema de valores que s\u00e3o diferentes dos nossos. E este \u00e9 um grande erro, pois n\u00e3o permite um di\u00e1logo efectivo e, acima de tudo, n\u00e3o permite que o Ocidente tenha uma boa estrat\u00e9gia de relacionamento com a China. Em d\u00e9cadas recentes aconteceu muitas vezes que as previs\u00f5es sobre a China simplesmente n\u00e3o eram verdadeiras. E porqu\u00ea? Porque o \u201cfactor China\u201d n\u00e3o foi tido em conta e as pessoas tomaram como garantido que a China se comportava como o Ocidente. Em meses recentes, vimos esta atitude em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 guerra na Ucr\u00e2nia: o Ocidente quer que a China decida de que lado se quer posicionar (comportamento ocidental), mas a China nunca vai fazer isso (comportamento chin\u00eas).<\/p>\n<p class=\"p1\"><b><br \/>\nDescreve, no livro, a presen\u00e7a do Confucionismo ao longo de v\u00e1rias fases da hist\u00f3ria da China, incluindo na era de Xi Jinping, relacionando-se com a ideia de \u201cSonho Chin\u00eas\u201d e a liga\u00e7\u00e3o com o marxismo. Quais s\u00e3o os sinais mais evidentes desta quest\u00e3o nas suas pol\u00edticas? <\/b><\/p>\n<p class=\"p1\">A exist\u00eancia de um sistema de cima para baixo, hierarquia, colectivismo e a capacidade do Partido Comunista Chin\u00eas de mobilizar as pessoas. No Ocidente, o contexto subordina-se ao indiv\u00edduo, e na China \u00e9 o indiv\u00edduo que se subordina ao contexto e cada pessoa sabe que faz parte de um mecanismo muito maior do que ele, em que cada papel n\u00e3o visa travar esse mecanismo.<\/p>\n<p class=\"p1\"><b><br \/>\nEscreve que \u201ca maioria da popula\u00e7\u00e3o chinesa \u00e9 pr\u00e1tica quando tem de lidar com o poder\u201d. Olhando para a sociedade de hoje, acredita que as pessoas est\u00e3o satisfeitas com o Governo face \u00e0 melhoria da qualidade de vida?<\/b><\/p>\n<p class=\"p1\">Acredito que, at\u00e9 muito recentemente, as pessoas estavam satisfeitas com o esfor\u00e7o do Governo em melhorar a qualidade de vida e alterar o estatuto da na\u00e7\u00e3o no mundo, mas penso que a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 a mudar. Internamente a China est\u00e1 a enfrentar um per\u00edodo muito complexo, com uma crise de imobili\u00e1rio, um abrandamento da economia, o desemprego jovem e o envelhecimento populacional. A confian\u00e7a dos cidad\u00e3os no partido parece ser menos forte do que costumava ser, e n\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia que o Partido Comunista Chin\u00eas procure agora um novo pacto com os cidad\u00e3os.<\/p>\n<p class=\"p1\"><b><br \/>\nNo livro \u00e9 ainda feita uma refer\u00eancia \u00e0 exist\u00eancia de uma certa apatia entre os jovens, que n\u00e3o querem ter filhos e temem pelo futuro. Tal constitui um verdadeiro desafio para o Governo?<\/b><\/p>\n<p class=\"p1\">Sim, de facto os jovens constituem um dos verdadeiros desafios para o Governo. Eles costumavam ter uma boa vida, que estava sempre a melhorar. Mas agora licenciam-se no ensino superior e n\u00e3o conseguem encontrar um trabalho. Slogans como \u201cestabilidade\u201d e \u201cordem\u201d, que funcionaram com os seus pais e av\u00f3s, n\u00e3o os convence, porque, ao contr\u00e1rio dos seus pais e av\u00f3s, sempre viveram numa China est\u00e1vel e ordeira.<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b><br \/>\nQual \u00e9, para si, a \u201cideia errada\u201d mais comum que os pa\u00edses ocidentais t\u00eam sobre a China e as autoridades chinesas?<\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\">Pensar que a China \u00e9 como a Coreia do Norte, mas com uma economia funcional.<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b><br \/>\nA China \u00e9 a segunda maior economia do mundo apesar de enfrentar desafios internos, na maioria econ\u00f3micos. Como v\u00ea o futuro do pa\u00eds?<\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\">N\u00e3o gosto de fazer previs\u00f5es, mas penso que a China ter\u00e1 um futuro complicado. Tem de reconstruir uma rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a entre o Governo e os cidad\u00e3os, que arrefeceu durante a pol\u00edtica de zero casos covid, e tem de fazer reformas estruturais a fim de renovar o modelo econ\u00f3mico.<\/p>\n<p class=\"p1\"><b><br \/>\nO Ocidente necessita de parar de ver a China como uma amea\u00e7a? Qual o melhor caminho que isso seja uma realidade? <\/b><\/p>\n<p class=\"p1\">Compreender que, mais cedo ou mais tarde, a China estar\u00e1 certa de uma coisa: entr\u00e1mos numa nova fase hist\u00f3rica em que o mundo \u00e9 multipolar e o Ocidente j\u00e1 n\u00e3o necessita de ser o centro. Pensar que a China \u00e9 uma amea\u00e7a \u00e9 algo emocional, e o Ocidente precisa de come\u00e7ar a pensar de forma racional. Necessita de conhecer a China porque o pa\u00eds conhece o Ocidente, mas o Ocidente conhece muito pouco a China. O mais importante \u00e9 manterem um di\u00e1logo entre as duas partes, sempre. Se continuarmos a simplificar e a dividir o mundo em bons e maus, penso que teremos um mau futuro \u00e0 nossa frente.<span class=\"Apple-converted-space\"> \u00a0<\/span><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] \u201cO Ocidente conhece muito pouco a China\u201d Acaba de ser editado em portugu\u00eas o livro \u201cEntender a China &#8211; Porque \u00e9 t\u00e3o importante compreender o drag\u00e3o do s\u00e9culo XXI\u201d, da jornalista e sin\u00f3loga Giada Messetti. Na obra apontam-se as principais no\u00e7\u00f5es sobre o gigante asi\u00e1tico, nomeadamente a import\u00e2ncia fundamental do Confucionismo para a compreens\u00e3o&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":791,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[18],"tags":[],"class_list":["post-790","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/141.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/790","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=790"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/790\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":793,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/790\/revisions\/793"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/791"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=790"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=790"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=790"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}