{"id":836,"date":"2025-10-17T01:56:42","date_gmt":"2025-10-16T17:56:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.viadomeio.com\/?p=836"},"modified":"2025-10-17T01:56:42","modified_gmt":"2025-10-16T17:56:42","slug":"mazu-primeiro-titulo-oficial-atribuido-em-1123","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/10\/17\/mazu-primeiro-titulo-oficial-atribuido-em-1123\/","title":{"rendered":"Mazu &#8211; Primeiro t\u00edtulo oficial atribu\u00eddo em 1123"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>O primeiro t\u00edtulo <\/b><b>e os seus muitos significados<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\">A <span class=\"s1\">hist\u00f3ria<\/span> de Mazu <span class=\"s2\">\u5abd\u7956<\/span>, a deusa chinesa dos marinheiros, faz parte do passado de Macau e tem sido repetidamente mencionada na comunica\u00e7\u00e3o social local e em publica\u00e7\u00f5es acad\u00e9micas. Muitas destas obras discutem a ascens\u00e3o do culto de Mazu e a hist\u00f3ria de cada um dos templos que lhe s\u00e3o dedicados. De acordo com os textos tradicionais, o seu culto come\u00e7ou no in\u00edcio do per\u00edodo Song, numa pequena ilha chamada Meizhou <span class=\"s2\">\u6e44\u6d32<\/span>, perto da costa de Fujian. Ao que parece, esta divindade era ent\u00e3o simplesmente conhecida como Meizhou xiann\u00fc <span class=\"s2\">\u6e44\u6d32\u4ed9\u5973<\/span>, e \/ ou por outros nomes, e s\u00f3 recebeu o popularizado nome de Mazu muito mais tarde. Hoje em dia as pessoas tamb\u00e9m se lhe referem como Tianfei <span class=\"s2\">\u5929\u5983<\/span> e\/ ou Tianhou <span class=\"s2\">\u5929\u540e<\/span> (Tinhau em canton\u00eas), mas no presente artigo, por uma quest\u00e3o de conveni\u00eancia, chamar-lhe-emos apenas Mazu.<\/p>\n<p class=\"p5\">H\u00e1 uma raz\u00e3o simples para chamar novamente a aten\u00e7\u00e3o para esta divindade, na presente edi\u00e7\u00e3o da <i>Via do Meio<\/i>: em 1123, h\u00e1 cerca de 900 anos, o Governo chin\u00eas, pela primeira vez, honrou Mazu com a concess\u00e3o de um t\u00edtulo oficial. Isto significa que, desde ent\u00e3o, Mazu ascendeu \u00e0 esfera das divindades oficialmente reconhecidas. Ter-lhe atribu\u00eddo um t\u00edtulo implicou tamb\u00e9m que o culto local fosse elevado a um assunto de import\u00e2ncia nacional. Por outras palavras, o ano de 1123 marcou o crescimento da cren\u00e7a no poder protector de Mazu.<\/p>\n<p class=\"p5\">O t\u00edtulo concedido a Mazu foi escrito numa prancha de madeira, posteriormente oferecida a um templo local de Fujian. A inscri\u00e7\u00e3o consistia apenas em dois caracteres: <i>shunji<\/i> <span class=\"s2\">\u9806\u6fdf<\/span>. O significado preciso destes dois caracteres permanece vago porque, por si s\u00f3, aparecem em diferentes contextos e combina\u00e7\u00f5es. <i>Shun<\/i> indica conceitos como \u201cobedi\u00eancia\u201d, \u201cprosperidade\u201d, \u201cconveni\u00eancia\u201d, etc. De um modo mais geral, cont\u00e9m componentes sem\u00e2nticos, que transportam a ideia de \u201cconcordar com\u201d, ou \u201cestar em conformidade com\u201d. Quanto a <i>ji<\/i>, em muitos casos trata-se apenas de um verbo: \u201cajudar\u201d, \u201csalvar\u201d, \u201caliviar\u201d, etc. Por exemplo, podemos traduzir a frase verbo-objecto <i>ji chuan<\/i> <span class=\"s2\">\u6fdf\u5ddd<\/span> por \u201catravessar uma corrente\u201d e a ideia subjacente ser\u00e1 \u201cresolver uma grande crise\u201d. No Budismo podemos encontrar o termo <i>ji<\/i> du <span class=\"s2\">\u6fdf\u5ea6<\/span>, ou \u201cajudar [algu\u00e9m] a atravessar [um mar de tristeza] (kuhai <span class=\"s2\">\u82e6\u6d77<\/span>)\u201d; de novo, num sentido lato significa \u201cajudar [algu\u00e9m em perigo]\u201d. \u201cCompletar um assunto\u201d pode ser grafado em chin\u00eas como <i>ji shi<\/i> <span class=\"s2\">\u6fdf\u4e8b<\/span>. Al\u00e9m disso, segundo alguns estudiosos, o termo moderno <i>jingji<\/i> <span class=\"s2\">\u7d93\u6fdf<\/span> (economia) deriva de <i>jing shi ji min<\/i> <span class=\"s2\">\u7d93\u4e16\u6fdf\u6c11<\/span>, literalmente \u201cgerir \/ cria\u00e7\u00e3o de regras \/ o mundo e ajudar pessoas\u201d.<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s3\">Sequ\u00eancias relacionadas aparecem nos primeiros textos. Assim, no per\u00edodo Sui (581-618) podemos encontrar a seguinte equa\u00e7\u00e3o: <i>jingji zhi dao<\/i> <\/span><span class=\"s4\">\u7d93\u6fdf\u4e4b\u9053<\/span><span class=\"s3\"> (a forma de gerir e ajudar) = <i>jing guo ji min<\/i> <\/span><span class=\"s4\">\u7d93\u570b\u6fdf\u6c11<\/span><span class=\"s3\"> (governar o pa\u00eds e apoiar o povo). Tomados no seu conjunto, estes exemplos sugerem que podemos de facto associar muitos significados \u00e0 combina\u00e7\u00e3o <i>shunji<\/i>. Mas, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida, que implica \u201ca vontade de ajudar\u201d, tanto em sentido gen\u00e9rico, como quando se aplica a \u201cajudar quem atravessa os mares\u201d. A segunda op\u00e7\u00e3o alude \u00e0 esfera Budista (atrav\u00e9s do n\u00e3o nomeado \u201cmar de tristeza\u201d), e claro que tamb\u00e9m pode ser relacionado com o mundo oficial da pol\u00edtica, de forma metaf\u00f3rica: \u201cdispostos a ajudar [o Governo].\u201d<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s3\">Outros aspectos interessantes dizem respeito \u00e0 gram\u00e1tica: <i>Shunji<\/i> pode querer dizer \u201c[A Deusa est\u00e1] disposta a ajudar [algu\u00e9m]\u201d, \u201c[Ela tem sempre] vontade de ajudar [os outros]\u201d, ou podemos ver a frase como um apelo: \u201cPossa [a Deusa] ajudar [os que est\u00e3o em perigo \/ao atravessar o mar]!\u201d Em qualquer dos casos, o sujeito gramatical n\u00e3o est\u00e1 claramente manifesto; \u00e9 por isso que aparece entre par\u00eanteses. Al\u00e9m disso, o tempo permanece indefinido. <\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">Uma outra possibilidade seria tratar <i>shun<\/i> e <i>ji<\/i> como duas entidades distintas: \u201cobedi\u00eancia\u201d e \u201caux\u00edlio\u201d. Podemos expandir esta interpreta\u00e7\u00e3o para: \u201cS\u00ea obediente e auxilia [nos]!\u201d ou \u201c[Ela] obedientemente presta (presta\/prestar\u00e1) aux\u00edlio\u201d. E, em termos pol\u00edticos: \u201cObedientemente apoiou [o Governo]!\u201d V\u00e1rias destas sugest\u00f5es submetem implicitamente a divindade em quest\u00e3o \u00e0 autoridade do Estado, a menos que argumentemos que o elemento \u201cobediente(mente)\u201d se reporta \u00e0 hierarquia dos deuses e deusas: Por outras palavras, Mazu obedecia \u00e0s ordens de uma divindade superior e, consequentemente, prestava aux\u00edlio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>Concess\u00e3o de t\u00edtulos a divindades: <\/b><b>motivos e antecedentes<\/b><\/h3>\n<p class=\"p5\">\u00c9 claramente dif\u00edcil traduzir muitos dos t\u00edtulos e nomes que a corte imperial atribu\u00eda a divindades e a institui\u00e7\u00f5es religiosas, porque as suas dimens\u00f5es sem\u00e2nticas s\u00e3o bastante \u201cflex\u00edveis\u201d. A combina\u00e7\u00e3o <i>shunji<\/i> \u00e9 um exemplo t\u00edpico do que acab\u00e1mos de dizer. Os leitores tamb\u00e9m ter\u00e3o reparado noutro aspecto importante ligado \u00e0s interpreta\u00e7\u00f5es poss\u00edveis de <i>shunji<\/i>. Falo das expectativas e pontos de vista do Governo. Antigamente, a concess\u00e3o de um t\u00edtulo estava frequentemente condicionada por algumas vari\u00e1veis.<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s3\">Em primeiro lugar, as autoridades imperiais tinham de se certificar que a divindade em quest\u00e3o tinha auxiliado ou salvo um indiv\u00edduo em particular, ou um grupo de pessoas, de forma eficiente. Em segundo lugar, o Governo n\u00e3o estava por a\u00ed al\u00e9m interessado em casos de ajuda divina a pessoas comuns, nem na realiza\u00e7\u00e3o dos seus desejos; em vez disso, o que realmente contava, era a ajuda divina no interesse do Estado, quer esta ajuda fosse prestada \u00e0 administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, ou ao ex\u00e9rcito. A quest\u00e3o-chave era que o \u201cmilagre\u201d realizado fosse em benef\u00edcio do Estado. Em terceiro lugar, quando o Governo concedia um t\u00edtulo a uma divindade, n\u00e3o s\u00f3 demonstrava a sua gratid\u00e3o pela ajuda recebida, como implicitamente expressava a esperan\u00e7a ou expectativa de que a mesma divindade continuasse a auxiliar o Estado no futuro. Em termos metaf\u00f3ricos, tinha sido celebrado uma esp\u00e9cie de \u201cacordo\u201d entre a esfera secular e a esfera divina: a divindade realizaria futuros milagres e o Governo premi\u00e1-la-ia simbolicamente. <\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">Presumivelmente um tal acordo s\u00f3 era poss\u00edvel porque as pessoas acreditavam em diversas divindades protectoras e noutras criaturas com poderes sobrenaturais. Segundo a opini\u00e3o generalizada, muitos destes esp\u00edritos tinham deveres especiais. Embora o pante\u00e3o divino estivesse organizado hierarquicamente, com algumas divindades muito influentes e outras pouco influentes, certos segmentos desta hierarquia n\u00e3o permaneciam est\u00e1ticos; de facto, n\u00e3o raras vezes diversos esp\u00edritos lutavam entre si para subir de estatuto. Nessa altura, era claramente oportuno que um esp\u00edrito desenvolvesse uma <i>liaison<\/i> est\u00e1vel na esfera humana. Um tal acordo iria fortalecer a posi\u00e7\u00e3o dessa divindade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras. Por isso, a concess\u00e3o de t\u00edtulos tamb\u00e9m era ben\u00e9fica para a esfera humana ou para o Estado enquanto tal. Como tal, a concess\u00e3o de t\u00edtulos e de outras honras implicava uma situa\u00e7\u00e3o em que todos sa\u00edam a ganhar.<\/p>\n<p class=\"p5\">Em v\u00e1rios casos, podemos ligar um aspecto adicional e muito mundano ao acto de homenagear um esp\u00edrito ou uma divindade \u201cascendente\u201d. N\u00e3o raras vezes, um culto religioso \u2013 quer fosse budista ou pertencesse ao reino do taoismo, ou ainda operasse como uma entidade separada \u2013 tornava-se importante dentro de um contexto regional. Dito de outra forma, contribu\u00eda para a forma\u00e7\u00e3o das identidades locais. O Governo Central tinha de estar atento a estes processos, mais genericamente, \u00e0s actividades desenvolvidas na distante periferia do imp\u00e9rio. Claramente, as sociedades secretas, em associa\u00e7\u00e3o com templos e santu\u00e1rios, eram encaradas como um perigo quando deixavam de respeitar o controlo do Estado. Ao conceder t\u00edtulos, oferendas e fundos a estas institui\u00e7\u00f5es, a corte tentava aumentar a lealdade dos cidad\u00e3os das zonas distantes. Em alguns casos, ao que parece, a popula\u00e7\u00e3o local beneficiou, de facto, das iniciativas do Governo e respondeu positivamente aos seus esfor\u00e7os; noutros casos, as medidas simb\u00f3licas n\u00e3o foram suficientes para garantir a lealdade dos povos que viviam em locais remotos e isolados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>Um enviado \u00e0 Coreia em 1123<\/b><\/h3>\n<p class=\"p5\">Ent\u00e3o, agora, podemos interrogarmo-nos sobre os poss\u00edveis antecedentes da concess\u00e3o do \u201cr\u00f3tulo\u201d <i>shunji<\/i> a Mazu no ano de 1123. Para come\u00e7ar, os anos 20 do s\u00e9c. XII foram marcados por instabilidade pol\u00edtica na maior parte do Leste asi\u00e1tico. Os Song <span class=\"s2\">\u5b8b<\/span> comandavam o centro e o Sul da China, mas n\u00e3o o Norte, partes do qual estavam sob o dom\u00ednio do Estado Liao <span class=\"s2\">\u907c<\/span>. Al\u00e9m disso, as regi\u00f5es mais a norte, para l\u00e1 da fronteira do Estado Liao, eram dominadas por outra pot\u00eancia \u2013 o Estado Jin <span class=\"s2\">\u91d1<\/span>. Durante algum tempo, Song aliou-se a Jin contra Liao, esperando vir a enfraquecer este \u00faltimo. No entanto, a corte Song n\u00e3o percebeu que Jin era extremamente ambicioso e que n\u00e3o s\u00f3 queria eliminar Liao, como acabaria por enviar tropas contra si pr\u00f3pria. Nessa altura, Kory<span class=\"s5\">\u01d2<\/span><span class=\"s2\"> \u9ad8\u9e97,<\/span> na pen\u00ednsula coreana, era outro grande \u201cactor\u201d do Nordeste asi\u00e1tico. Aparentemente, tentou avisar Song dos planos expansionistas de Jin.<\/p>\n<p class=\"p5\">Os contactos entre Song e Kory<span class=\"s5\">\u01d2<\/span> tiveram de ser feitos por via mar\u00edtima porque estes estados n\u00e3o tinham fronteiras comuns; o Estado Liao, como uma zona-tamp\u00e3o, separava os dois. Por vezes, esta separa\u00e7\u00e3o dificultava os interc\u00e2mbios oficiais. Seja como for, em 1122 o imperador Song deu ordens para enviar uma miss\u00e3o diplom\u00e1tica a Kory<span class=\"s5\">\u01d2<\/span>, mas foi s\u00f3 no Ver\u00e3o de 1123 que a delega\u00e7\u00e3o deixou Ningbo <span class=\"s2\">\u5be7\u6ce2<\/span>. Era constitu\u00edda por oito navios dos quais sete acabaram por se perder devido a temporais e a outros infort\u00fanios.<\/p>\n<p class=\"p5\">Embora a interpreta\u00e7\u00e3o da macro-situa\u00e7\u00e3o no Nordeste asi\u00e1tico durante estes anos n\u00e3o coloque problemas, o verdadeiro objectivo da miss\u00e3o que come\u00e7ou em 1123 permanece insond\u00e1vel. No entanto, existe um extenso relato deste epis\u00f3dio, repleto de detalhes, relacionado com a rota mar\u00edtima e com diversos acontecimentos. Esse livro escrito, por Xu Jing <span class=\"s2\">\u5f90\u5162<\/span>, tem por t\u00edtulo <i>Xuanhe fengshi Gaoli tujing<\/i> <span class=\"s2\">\u5ba3\u548c\u5949\u4f7f\u9ad8\u9e97\u5716\u7d93<\/span> (<i>Um Relato Ilustrado de uma Miss\u00e3o Diplom\u00e1tica \u00e0 Coreia no Per\u00edodo Xuanhe<\/i>). Entre outras coisas, conta-nos que Lu Yundi <span class=\"s2\">\u8def\u5141\u8fea<\/span> era o chefe da diplomacia chinesa. Outras fontes tamb\u00e9m se referem a esta viagem mas, geralmente, de forma breve. Mesmo assim, podemos dizer que os navios e as tripula\u00e7\u00f5es usados na miss\u00e3o eram origin\u00e1rios de diferentes localidades costeiras. Assim, parece que Xu Jing viajou num navio cuja tripula\u00e7\u00e3o era proveniente de Fuzhou <span class=\"s2\">\u798f\u5dde<\/span>, ou de uma zona vizinha. Em contrapartida, Lu Yundi embarcou num navio cuja tripula\u00e7\u00e3o vinha provavelmente, na sua maioria, de<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Putian <span class=\"s2\">\u8386\u7530<\/span>. Putian, podemos acrescentar, \u00e9 o distrito ao qual pertence a pequena ilha de Meizhou, onde come\u00e7ou o culto de Mazu.<\/p>\n<p class=\"p5\">Segundo Xu Jing, quando o navio em que viajava, come\u00e7ou a ter problemas, a tripula\u00e7\u00e3o pediu aux\u00edlio ao Esp\u00edrito da Ilha de Yan (<i>Yanyushen<\/i>) <span class=\"s2\">\u6f14\u5dbc<\/span>. Evidentemente, esta divindade estava associada ao Condado de Lianjiang <span class=\"s2\">\u9023\u6c5f\u7e23<\/span> perto de Fuzhou. A hist\u00f3ria da embarca\u00e7\u00e3o de Lu \u00e9 diferente. Alguns estudiosos acreditam que era capitaneada por um homem de Putian. Da\u00ed, em situa\u00e7\u00f5es de afli\u00e7\u00e3o, a tripula\u00e7\u00e3o rezaria certamente a uma divindade diferente \u2013 nomeadamente a Mazu.<\/p>\n<p class=\"p5\">Tanto Lu como Xu sobreviveram \u00e0 viagem, firmemente convencidos que os esp\u00edritos dos mares os tinham protegido. Na verdade, algumas fontes relatam que, durante as tempestades, uma divindade feminina aparecia no cimo do navio de Lu e o mar acalmava. Mais genericamente, em obras chinesas posteriores, quando eventos semelhantes eram descritos, fazia-se frequentemente refer\u00eancia a uma luz vermelha sobre o mastro e algumas ilustra\u00e7\u00f5es chegam a mostrar uma deusa vestida dessa cor. Outras fontes contam que esta divindade segurava uma lanterna vermelha. Na maior parte dos casos estes relatos apontavam para a presen\u00e7a de Mazu. Sem d\u00favida, estas narrativas lembram ao leitor os chamados fogos de Santelmo, um fen\u00f3meno natural caracterizado por uma s\u00fabita descarga de luz no mastro do navio, ou num objecto semelhante, especialmente quando estava mau tempo.<\/p>\n<p class=\"p5\">Quando os sobreviventes, e especialmente Lu Yundi, voltaram \u00e0 China, informaram certamente a corte dos detalhes da viagem. Claro que ter\u00e3o mencionado a ajuda divina que os salvou. Presumivelmente a corte debateu o assunto e acabou por decidir que fosse concedida a prancha de madeira acima mencionada ao Templo de Shengdun <span class=\"s2\">\u8056\u58a9\u5edf,<\/span> em Ninghaizhen <span class=\"s2\">\u5be7\u6d77\u93ae<\/span>, perto de Putian. Como foi dito, a prancha tinha inscritos dois caracteres <i>shunji<\/i> \u2013 i.e., o t\u00edtulo concedido a Mazu.<\/p>\n<p class=\"p5\">Putian fica na parte continental de Fujian, a alguma dist\u00e2ncia de Meizhou. Isto conduz- -nos a uma quest\u00e3o interessante: Porque \u00e9 que o Governo enviou a prancha com o primeiro t\u00edtulo oficial de Mazu a uma localidade situada no continente e n\u00e3o ao Templo de Mazu em Meizhou, geralmente tido como o primeiro templo dedicado a esta divindade? E porque \u00e9 que tudo isto aconteceu em 1123, numa altura em que se tornava evidente que Jin iria eliminar Liao num futuro pr\u00f3ximo?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>Os poss\u00edveis motivos <\/b><b>para homenagear Mazu em 1123<\/b><\/h3>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s6\">Aqui vamos entrar no vasto territ\u00f3rio da especula\u00e7\u00e3o. Putian fica a cerca de meio caminho entre Quanzhou <\/span><span class=\"s7\">\u6cc9\u5dde<\/span><span class=\"s6\"> e Fuzhou. No in\u00edcio do Per\u00edodo Song, destacou-se como localidade importante para o Ex\u00e9rcito, mas n\u00e3o podemos avaliar realmente a sua import\u00e2ncia relativa dentro da complexa estrutura da cintura costeira de Fujian. Tamb\u00e9m, no in\u00edcio do s\u00e9culo XII, a cren\u00e7a em Mazu ainda n\u00e3o se tinha espalhado por toda a zona costeira desta Prov\u00edncia; essencialmente o culto de Mazu ainda estava limitado a Meizhou e a Putian. <\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">Meizhou estava confortavelmente localizada perto da tradicional rota mar\u00edtima que liga Zhejiang via Fujian a Guangdong, mas a ilha tinha pouca popula\u00e7\u00e3o e n\u00e3o tinha verdadeiras perspectivas de se vir a tornar um centro mercantil. Rodeada de f\u00e9rteis terras agr\u00edcolas, Putian estava provavelmente mais bem situada do que Meizhou para este fim. Tinha mais habitantes e uma maior actividade econ\u00f3mica. N\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel que o Governo tivesse considerado esses factores como argumentos para conceder a prancha <i>shunji<\/i> ao Templo de Shengdun, e n\u00e3o ao da Ilha de Meizhou.<\/p>\n<p class=\"p5\">Para al\u00e9m de tentar compreender o contexto regional, temos tamb\u00e9m certamente de considerar a coopera\u00e7\u00e3o da China com o Estado de Jin durante o per\u00edodo que decorreu entre 1120 e 1123. Ambas as partes concordaram com algumas altera\u00e7\u00f5es territoriais, mas Jin n\u00e3o cumpriu as suas promessas. Houve provoca\u00e7\u00f5es m\u00fatuas, e parece que a corte de Song come\u00e7ou a ter d\u00favidas sobre os planos a longo prazo de Jin. Ent\u00e3o, talvez, ao enfatizar simbolicamente a import\u00e2ncia da cintura costeira da China,<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>os funcion\u00e1rios de Song quisessem garantir a lealdade dessas regi\u00f5es na eventualidade de um conflito militar com Jin.<\/p>\n<p class=\"p5\">Este argumento pode ainda ser associado a outro aspecto: Quando Lu Yundi voltou da Coreia, o Governo n\u00e3o s\u00f3 concedeu um t\u00edtulo a Mazu, como tamb\u00e9m homenageou outras divindades fujianenses, nas quais se inclu\u00eda Yanyushen. Parece, portanto, que as autoridades centrais desejaram expressar o seu interesse no bem-estar de diversas regi\u00f5es de Fujian. Se aceitarmos este ponto de vista, o que atrav\u00e9s foi dito, nomeadamente o desejo da corte imperial de fortalecer Putian, pode tornar-se insustent\u00e1vel.<\/p>\n<p class=\"p5\">Mas voltemos brevemente ao embaixador-chefe, Lu Yundi, que transmitiu \u00e0 corte imperial o que tinha aprendido em Kory<span class=\"s5\">\u01d2<\/span>. Provavelmente ter\u00e1 mencionado os avisos de Kory<span class=\"s5\">\u01d2<\/span> sobre o comportamento agressivo de Jin. Isto leva-nos a outra quest\u00e3o: ao proteger o navio de Lu, Mazu assegurou que estes avisos chegavam \u00e0s autoridades da capital da China. Al\u00e9m disso, alguns funcion\u00e1rios Song bem informados sabiam certamente muito bem o que se passava na fronteira a norte. Assim, \u00e9 muito prov\u00e1vel que Lu Yundi tenha confirmado a opini\u00e3o destes homens de vistas largas. Se esta assump\u00e7\u00e3o estiver correcta, ent\u00e3o a corte imperial tinha boas raz\u00f5es para recompensar Mazu pela sua extraordin\u00e1ria ajuda.<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s3\">\u00c9 certo que o acima exposto \u00e9 altamente especulativo. As fontes escritas n\u00e3o nos contam os detalhes relevantes. Portanto, podemos pensar em muitas outras explica\u00e7\u00f5es. Por exemplo, o Governo Song tentou banir repetidas vezes as actividades ilegais dos chamados <i>wu<\/i> <\/span><span class=\"s4\">\u5deb<\/span><span class=\"s3\"> ou xamanes. Os primeiros textos dizem-nos que Mazu, antes de ascender aos C\u00e9us, era uma mulher solteira, que praticava uma tal de \u201cfeiti\u00e7aria\u201d. \u00c9 poss\u00edvel que as pessoas provenientes de Meizhou e\/ou Putian falassem favoravelmente de Mazu nos seus c\u00edrculos, dentro da capital imperial, com o prop\u00f3sito de melhorar a sua reputa\u00e7\u00e3o. Se assim foi, isso ter\u00e1 provavelmente motivado o Governo para melhorar a posi\u00e7\u00e3o de Mazu. Da\u00ed, talvez possamos argumentar que a concess\u00e3o de um t\u00edtulo oficial a esta deusa, tenha sido o resultado de um longo debate interno e de um processo de avalia\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o uma medida que tenha sido tomada abruptamente devido \u00e0s mudan\u00e7as pol\u00edticas no Norte.<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s6\">Seja como for, conceder o t\u00edtulo <i>shunji<\/i> a Mazu foi um acontecimento importante. A partir da\u00ed, Mazu tornou-se uma divindade muito popular. O seu culto espalhou-se ao longo da costa da China, para Norte e para Sul. <\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">Um pouco mais cedo ainda, nos finais dos anos 20 e durante os anos 30 do s\u00e9c. XII, Jin lesou o Estado de Song de v\u00e1rias maneiras e ainda o for\u00e7ou a mudar a capital para diferentes locais. Quando, finalmente, a corte Song se estabeleceu em Hangzhou <span class=\"s2\">\u676d\u5dde<\/span>, perto da costa, a zona costeira do Imp\u00e9rio tornou-se mais importante do que aquilo que j\u00e1 era. A partir dessa altura, Mazu recebeu mais t\u00edtulos, devido ao seu cont\u00ednuo apoio ao Estado. Alguns textos chegam a afirmar que ela ajudou as tropas Song nas suas ac\u00e7\u00f5es militares contra Jin.<\/p>\n<p class=\"p5\">Em suma, o ano de 1123 tem um forte valor simb\u00f3lico. Com efeito, podemos sentir-nos tentados a argumentar que a concess\u00e3o de t\u00edtulos \u00e0s divindades nesse ano prefigurou, ou acompanhou, a maior mudan\u00e7a da constela\u00e7\u00e3o geral do Leste asi\u00e1tico. Pelo menos, e sem d\u00favida, esta medida altamente simb\u00f3lica promoveu certamente a ascens\u00e3o de um novo e poderosos culto. Al\u00e9m disso, esta ascens\u00e3o andou de m\u00e3os dadas com a expans\u00e3o das redes comerciais de Fujian, especialmente nos tempos das dinastias Ming e Qing. Hoje, Mazu est\u00e1 \u201cactiva\u201d ao longo de ambos os lados do Estreito de Taiwan; actualmente \u00e9 a divindade mais importante de Taiwan. Finalmente, a sua influ\u00eancia tamb\u00e9m se torna vis\u00edvel atrav\u00e9s do facto de os seus crentes tentarem comparar os seus feitos aos de Guanyin <span class=\"s2\">\u89c0\u97f3<\/span>. Claro que ningu\u00e9m sabe dizer se essa tend\u00eancia poder\u00e1 conduzir a uma \u201cfus\u00e3o\u201d dos dois cultos, ou a um gradual \u201cdestronamento\u201d de Guanyin por Mazu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>_____<\/p>\n<p class=\"p7\"><b>Edi\u00e7\u00f5es de textos tradicionais<\/b><\/p>\n<ul>\n<li class=\"p8\"><i>Mazu wenxian shiliao huibian<\/i> <span class=\"s9\">\u5abd\u7956\u6587\u737b\u53f2\u6599\u5f59\u7de8<\/span>, ed. <i>Zhonghua Mazu wenhua jiaoliu xiehui et al.<\/i> <span class=\"s9\">\u4e2d\u83ef\u5abd\u7956\u6587\u5316\u4ea4\u6d41\u5354\u6703<\/span>. S\u00e9r. I, 4 vols., Beijing: Zhongguo dang\u2019an chubanshe, 2007. S\u00e9r. II, 5 vols., Beijing: Zhongguo dang\u2019an chubanshe, 2009. S\u00e9r. III, 7 vols., Fuzhou: Haifeng chubanshe, 2011.<\/li>\n<li class=\"p8\"><i>Mazu wenxian zhengli yu yanjiu congkan<\/i> <span class=\"s9\">\u5abd\u7956\u6587\u737b\u6574\u7406\u8207\u7814\u7a76\u53e2\u520a<\/span>, ed. <i>Mazu wenxian zhengli yu yanjiu congkan bianzuan weiyuanhui<\/i> <span class=\"s9\">\u5abd\u7956\u6587\u737b\u6574\u7406\u8207\u7814\u7a76\u53e2\u520a\u7de8\u7e82\u59d4\u54e1\u6703<\/span>. S\u00e9r. 1, 20 vols., Xiamen: Lujiang chubanshe, 2014. S\u00e9r. 2, 20 vols., Fuzhou: Haixia wenyi chubanshe, 2017.<\/li>\n<li class=\"p8\"><i>Mazu wenxian ziliao<\/i> <span class=\"s9\">\u5abd\u7956\u6587\u737b\u8cc7\u6599<\/span>, ed. Jiang Weitan <span class=\"s9\">\u8523\u7dad\u7430<\/span>. Fuzhou: Fujian renmin chubanshe, 1990.<\/li>\n<li class=\"p8\"><i>Tianhou shengmu shiji tuzhi, Tianjin Tianhou gong xinghui tu heji<\/i> <span class=\"s9\">\u5929\u540e\u8056\u6bcd\u4e8b\u8ff9\u5716\u5fd7<\/span>, <span class=\"s9\">\u5929\u6d25\u5929\u540e\u5bae\u884c\u6703\u5716\u5408\u8f2f<\/span>, eds. Zhongguo lishi bowuguan <span class=\"s9\">\u4e2d\u570b\u6b77\u53f2\u535a\u7269\u9986<\/span> (=Xu Qingsong <span class=\"s9\">\u8a31\u9752\u677e<\/span>, Guo Xiulan <span class=\"s9\">\u90ed\u79c0\u862d<\/span> et al. Hong Kong: Xianggang Heping tushu youxian gongsi, 1992.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Estudos<\/b><b><\/b><\/p>\n<ul>\n<li class=\"p8\">Church, Sally K.: \u00ab<i>Conceptions of Maritime Space in Xu Jing\u2019s Xuanhe fengshi Gaoli tujing<\/i>\u00bb, em Angela Schottenhammer &amp; Roderich Ptak (eds.), <i>The Perception of Maritime Space in Traditional Chinese Sources <\/i>(Wiesbaden: Harrassowitz Verlag, 2006), p\u00e1g. 79-107.<\/li>\n<li class=\"p8\">Clark, Hugh: \u00ab<i>Religious Culture of Southern Fujian, 750\u20131450: Preliminary Reflections on Contacts across a Maritime Frontier<\/i>\u00bb, Asia Major 19 (2006), p\u00e1g. 211-240.<\/li>\n<li class=\"p8\">Lao Nap-yin (Liu Liyan) <span class=\"s9\">\u67f3\u7acb\u8a00<\/span>: \u00ab<i>Cong lifa de jiaodu chongxin kaocha Songdai cengfou jin wu<\/i>\u00bb <span class=\"s9\">\u5f9e\u7acb\u6cd5\u7684\u89d2\u5ea6\u91cd\u65b0\u8003\u5bdf\u5b8b\u4ee3\u66fe\u5426\u7981\u5deb<\/span>, Zhongyang yanjiuyuan Lishi yuyan yanjiusuo jikan <span class=\"s9\">\u4e2d\u592e\u7814\u7a76\u9662\u6b77\u53f2\u8a9e\u8a00\u7814\u7a76\u6240\u96c6\u520a<\/span> 86.2 (2015), p\u00e1g. 365-420.<\/li>\n<li class=\"p8\">Li Xianzhang <span class=\"s9\">\u674e\u737b\u748b<\/span>: <i>Mazu xinyang yanjiu<\/i> <span class=\"s9\">\u5abd\u7956\u4fe1\u4ef0\u7814\u7a76<\/span> [<i>O culto da deusa A-Ma<\/i>]. Macau: Aomen haishi bowuguan, 1995 (trad. do japon\u00eas).<\/li>\n<li class=\"p8\">Liao Dake <span class=\"s9\">\u5ed6\u5927\u73c2<\/span>: <i>Fujian haiwai jiaotong shi<\/i> <span class=\"s9\">\u798f\u5efa\u6d77\u5916\u4ea4\u901a\u53f2<\/span>. Fuzhou: Fujian renmin chubanshe, 2002.<\/li>\n<li class=\"p8\">Ptak, Roderich: <i>O culto de Mazu: Uma vis\u00e3o hist\u00f3rica (Da dinastia Song ao in\u00edcio da dinastia Qing)<\/i> \/ Der Mazu-Kult: Ein historischer \u00dcberblick (Song bis Anfang Qing). Lisboa: Centro Cient\u00edfico e Cultural de Macau, 2012 (ed. bilingue).<\/li>\n<li class=\"p8\">Shi Houzhong <span class=\"s9\">\u91cb\u539a\u91cd<\/span>: <i>Guanyin yu Mazu<\/i> <span class=\"s9\">\u89c0\u97f3\u8207\u5abd\u7956<\/span>, Xinbei: Daotian Publishing, 2005.<\/li>\n<li class=\"p8\">Ter Haar, Barend J.: \u00ab<i>The Genesis and Spread of Temple Cults in Fukien<\/i>\u00bb, em Eduard B. Vermeer (ed.), <i>Development and Decline of Fukien Province in the 17th and 18th Centuries<\/i> (Leiden: E. J. Brill, 1990), p\u00e1g. 349-396.<\/li>\n<li class=\"p8\">W\u00e4dow, Gerd: <i>T\u2019ien-fei hsien-sheng lu<\/i>. \u00ab<i>Die Aufzeichnungen von der manifestierten Heiligkeit der Himmelsprinzessin<\/i>\u00bb. <i>Einleitung, \u00dcbersetzung, Kommentar<\/i>. Sankt Augustin &amp; Nettetal: Institut Monumenta Serica &amp; Steyler Verlag, 1992.<\/li>\n<li class=\"p8\">W\u00e4dow, Gerd: \u00ab<i>O significado dos t\u00edtulos da \u2018Princesa celestial\u2019 no sistema do culto do estado chin\u00eas<\/i>\u00bb, Revista de Cultura 29 (1996), 191-205.<\/li>\n<li class=\"p8\">Woke xiansheng <span class=\"s9\">\u6c83\u5ba2\u5148\u751f<\/span>: \u00ab<i>Songchao wenxian zhong de Mazu chuanshuo kaozheng zhengli<\/i> <span class=\"s9\">\u5b8b\u671d\u6587\u737b\u4e2d\u7684\u5abd\u7956\u50b3\u8aaa\u8003\u8b49\u6574\u7406<\/span>\u00bb 2020, https:\/\/945d.blogspot.com\/2020\/12\/blog-post.html (29-04-2023).<\/li>\n<li class=\"p8\">Xu Xiaowang <span class=\"s9\">\u5f90\u66c9\u671b<\/span> et al. (eds.): <i>Fujian tongshi<\/i> <span class=\"s9\">\u798f\u5efa\u901a\u53f2<\/span>. Fuzhou: Fujian renmin chubanshe, 2006. 5 vols.<\/li>\n<li class=\"p8\">Xu Xiaowang <span class=\"s9\">\u5f90\u66c9\u671b<\/span>: <i>Mazu xinyang shi yanjiu<\/i> <span class=\"s9\">\u5abd\u7956\u4fe1\u4ef0\u53f2\u7814\u7a76<\/span>. Fuzhou: Haifeng chubanshe, 2007.<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] O primeiro t\u00edtulo e os seus muitos significados A hist\u00f3ria de Mazu \u5abd\u7956, a deusa chinesa dos marinheiros, faz parte do passado de Macau e tem sido repetidamente mencionada na comunica\u00e7\u00e3o social local e em publica\u00e7\u00f5es acad\u00e9micas. 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