{"id":842,"date":"2025-10-17T02:20:37","date_gmt":"2025-10-16T18:20:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.viadomeio.com\/?p=842"},"modified":"2025-10-17T02:24:00","modified_gmt":"2025-10-16T18:24:00","slug":"o-dragao-dos-mares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/10\/17\/o-dragao-dos-mares\/","title":{"rendered":"O drag\u00e3o dos mares"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<h3 class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><span class=\"s1\"><b>As expedi\u00e7\u00f5es mar\u00edtimas de Zheng He<\/b><\/span><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\">No dia 11 de Julho de 2005 foi pela primeira vez comemorado na China o Dia do Mar, data que assinala os 600 anos do in\u00edcio da primeira viagem mar\u00edtima de Zheng He. Na altura esteve patente no Museu Mar\u00edtimo de Macau uma exposi\u00e7\u00e3o com o t\u00edtulo \u201cRumo a Ocidente \u2013 As viagens de Zheng He\u201d, onde se p\u00f4de ver, para al\u00e9m de v\u00e1rios modelos de juncos, os itiner\u00e1rios dessas viagens e conhecer o grande contributo das inven\u00e7\u00f5es chinesas na Hist\u00f3ria mar\u00edtima da navega\u00e7\u00e3o. Sem nos dar os antecedentes das sete viagens mar\u00edtimas comandadas pelo Almirante Zheng He, permitiu-nos viajar com o que sobrara da Hist\u00f3ria dessa grande aventura realizada entre 1405 e 1433. Aos trinta pa\u00edses e regi\u00f5es, chegou uma imensa armada sempre com mais de 200 barcos, onde constava o <i>baochuan<\/i>, conhecido como o barco do Tesouro, com o prop\u00f3sito de desenvolver a influ\u00eancia da dinastia Ming e estreitar rela\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s da troca de produtos luxuosos: lacas, sedas, ch\u00e1 e porcelana.<\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">Era o culminar de muitos s\u00e9culos de experi\u00eancia de navega\u00e7\u00e3o, pois j\u00e1 no ano de 97 uma delega\u00e7\u00e3o chefiada por Gan Ying chegara a um porto do Golfo P\u00e9rsico. No s\u00e9culo XII, os juncos tinham capacidade para viajar cinco mil milhas n\u00e1uticas sem aportar e navegar sem costa \u00e0 vista, n\u00e3o necessitando de parar no Sri Lanka quando se dirigiam para o Mar Ar\u00e1bico. Nos finais de Novembro partiam da China e em quarenta dias chegavam a Sumatra (actual Indon\u00e9sia) com a ajuda dos ven-tos. A\u00ed esperavam at\u00e9 \u00e0 Primavera do ano seguinte para, de novo com a ajuda dos ventos, atingir o Golfo P\u00e9rsico em sessenta dias, e \u00e0 China regressavam em Maio\/Junho. Quando se dirigiam \u00e0s costas do Malabar usavam o porto indiano de Quilon, dominado na altura por mercadores chineses. Ainda hoje disseminada na costa indiana encontra-se um sistema de pesca chin\u00eas, a rede de abater, redes quadrangulares que se levantam facilmente por um sistema de alavanca feito de bambus e cordas. <\/span><\/p>\n<p class=\"p2\">Nas \u201cCartas N\u00e1uticas de Zheng He\u201d ficaram registadas 56 rotas distintas, indicadas com os cursos das viagens e suas dura\u00e7\u00f5es, bem como as localiza\u00e7\u00f5es de ilhas, rios, portos, profundidades dos cursos de \u00e1gua, bancos de areia, recifes e outros obst\u00e1culos encontrados, para facilitar a navega\u00e7\u00e3o \u00e0s embarca\u00e7\u00f5es de diferentes calados.<\/p>\n<p class=\"p2\">Poucos anos tinham passado desde o regresso da \u00faltima expedi\u00e7\u00e3o ao Oceano \u00cdndico da Armada do Tesouro, comandada pelo Almirante Zheng He, quando foi destru\u00edda a documenta\u00e7\u00e3o oficial de todas essas sete viagens mar\u00edtimas. Estava-se nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XV e a China afastou-se do mar, sendo Malaca o porto mais long\u00ednquo onde iam os comerciantes chineses.<\/p>\n<p class=\"p2\">A Rota da Seda, designa\u00e7\u00e3o dada aos in\u00fameros caminhos para Oeste a atravessar montanhas e desertos para ligar Imp\u00e9rios t\u00e3o distantes como o da China e o Romano, foi pela primeira vez referida em 1875 pelo ge\u00f3grafo Ferdinand von Richtofen. M\u00e1 escolha de nome, pois muitas vezes n\u00e3o era a seda o produto mais importante transportado: a porcelana e o ch\u00e1 poderiam ter tomado a denomina\u00e7\u00e3o. Os caminhos terrestres dividiam-se em dois percursos: os caminhos do Oeste, por desertos, estepes e montanhas; e os do Sudoeste, por montanhas e rios. Mas existiu tamb\u00e9m a Rota Mar\u00edtima da Seda, pelos mares e oceanos que, pela seguran\u00e7a da navega\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s apreendido o mar e apesar dos piratas, foi sempre um caminho aberto ao longo dos s\u00e9culos, ganhando acrescida import\u00e2ncia quando os caminhos terrestres se fechavam.<\/p>\n<p class=\"p2\">S\u00f3 nos princ\u00edpios do s\u00e9culo XX apareceu a primeira tese sobre as viagens de Zheng He, escrita por Liang Qichao, abrindo assim \u00e0 mem\u00f3ria um cap\u00edtulo da Hist\u00f3ria chinesa esquecida por mais de quatro s\u00e9culos. Em trabalho de campo foram descobertas popula\u00e7\u00f5es ligadas de alguma maneira ao Almirante Zheng He, como os seus familiares de Yunnan, os guardi\u00f5es do seu t\u00famulo numa aldeia do cl\u00e3 Zheng, pr\u00f3ximo de Nanjing, ou os habitantes de uma ilha no Qu\u00e9nia que acreditam ser descendentes dos marinheiros chineses. Outros registos hist\u00f3ricos ganharam luz, como as estelas espalhadas tanto na China, como em Malaca, na actual Mal\u00e1sia, em Galle, no Sri Lanka, e em Calicute, na \u00cdndia, tal como os azulejos da sinagoga de Cochim, ou os restos de cer\u00e2mica chinesa, datada daquele per\u00edodo, encontrada pela costa oriental de \u00c1frica. Eram estes, at\u00e9 2003, os documentos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos investigadores, a permitir ter a esperan\u00e7a de um dia conseguir-se reconstituir estas viagens com mais precis\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Raz\u00f5es para as viagens mar\u00edtimas<br \/>\n<\/b>Em 1368, Zhu Yuanzhang destronou a dinastia mongol Yuan, voltando a colocar o povo han no poder. Com a capital em Nanjing, tomou o nome de imperador Hongwu e fundou a dinastia Ming (1368-1644). A sua primeira medida foi proibir as viagens mar\u00edtimas e isolar o pa\u00eds do exterior, tornando por isso os caminhos terrestres da seda inoperantes, de forma a proteger-se das invas\u00f5es mong\u00f3is, ent\u00e3o muito fortes pois na China ainda dominavam nos territ\u00f3rios a Norte e a Oeste, bem como a \u00c1sia Central. Para comunicar a sua entroniza\u00e7\u00e3o e a mudan\u00e7a de regime na China, enviou eunucos como emiss\u00e1rios imperiais aos pa\u00edses do Sudeste asi\u00e1tico e \u00e0s costas do \u00cdndico. Logo no ano seguinte, em 1369, come\u00e7aram a chegar embaixadas desses pa\u00edses, como as da Coreia, do Jap\u00e3o, de Champa e do Vietname e dois anos depois, as do Camboja e Si\u00e3o, seguindo-se as embaixadas de Coromandel (na costa indiana do Mar de Bengala) e da pen\u00ednsula da Mal\u00e1sia.<\/p>\n<p class=\"p2\">Em 1381, o Imperador Hongwu enviou o seu ex\u00e9rcito a Yunnan, (uma prov\u00edncia com muitos mu\u00e7ulmanos), para a\u00ed terminar com a resist\u00eancia mongol. Tr\u00eas anos ap\u00f3s a dinastia Yuan ter perdido o poder, em 1371, nascera o mu\u00e7ulmano Ma He (mais tarde Zheng He ou Cheng Ho, em cantonense) numa aldeia de Kunyang (actual Jinning), 30 km a Sul de Kunming, actual capital de Yunnan. A batalha deu-se junto ao rio Baishi, pr\u00f3ximo de Qujing, ocorrendo depois uma ca\u00e7a aos mong\u00f3is que se dispersaram pela prov\u00edncia.<\/p>\n<p class=\"p2\">Ma He, com 12 anos, foi uma das crian\u00e7as mu\u00e7ulmanas castradas para servir como eunuco na corte imperial. Ficou ao servi\u00e7o do ent\u00e3o pr\u00edncipe de Yan, Zhu Di, nascido em 1360 e quarto filho do Imperador Hongwu. Fora nomeado aos dez anos pr\u00edncipe de Yan e em 1380 partira de Nanjing para governar Beiping, quando as fronteiras do Norte se encontravam amea\u00e7adas por constantes investidas dos mong\u00f3is. Devido \u00e0 necessidade de ter uma enorme for\u00e7a b\u00e9lica, Zhu Di conseguiu reunir um grande ex\u00e9rcito, algo que o pai tentara que n\u00e3o existisse ao dispor de nenhum dos filhos. Mas, ap\u00f3s dez anos de duros combates, em 1390, o pr\u00edncipe de Yan derrotou as for\u00e7as mong\u00f3is.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>O curto de reinado de Jianwen<br \/>\n<\/b><span class=\"s2\">Em 1398 morreu o Imperador Hongwu, que apontara para lhe suceder o neto Zhu Yunwen, pois em 1392 falecera o seu filho primog\u00e9nito, o pr\u00edncipe herdeiro Zhu Biao. Yunwen, sobrinho de Zhu Di, ao chegar ao trono como imperador Jianwen (1398-1402), consciente da sua fr\u00e1gil posi\u00e7\u00e3o perante os tios, resolveu tirar-lhes a maior parte das tropas, para os enfraquecer. <\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">Contudo, o pr\u00edncipe de Yan op\u00f4s-se, com o argumento das constantes amea\u00e7as dos mong\u00f3is vindos das estepes do Norte, e assim continuou muito poderoso. Ent\u00e3o, o novo imperador, com medo da for\u00e7a militar do tio e tamb\u00e9m por conselho dos seus ministros, enviou em 1399 um grande n\u00famero de tropas para prender o general Zhu Di e fam\u00edlia. As tropas do imperador cercaram Beiping (o nome de ent\u00e3o da actual Beijing), mas Zhu Di n\u00e3o se encontrava por l\u00e1. Quando Zhu Di regressou a Beiping, o eunuco Ma He aconselhou-o com planos estrat\u00e9gicos para a batalha de Zhengcunba, que p\u00f4s frente a frente o ex\u00e9rcito do imperador e o do pr\u00edncipe de Yan. Nessa batalha, onde Ma He combateu com grande bravura, metade do ex\u00e9rcito imperial morreu e a outra metade rendeu-se. Depois, com o pretexto de combater os perversos da corte que viviam em redor do Imperador, Zhu Di marchou em 1402 com o seu ex\u00e9rcito para Nanjing e tomou pela for\u00e7a a capital ao imperador Jianwen.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\">Terminavam assim quatro anos de guerra (de Jinnan), que deixou o pa\u00eds muito depauperado, usurpando Zhu Di o trono ao seu sobrinho que, por linha directa, tinha o direito de reinar. Ma He, que lhe prestara grande apoio nessa revolta, devido \u00e0s suas qualidades e intelig\u00eancia, tornara-se seu amigo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Yongle sobe ao trono<br \/>\n<\/b><span class=\"s1\">Em 1402, Zhu Di tornou-se o Imperador Yongle (1402-24) e promoveu Ma He a chefe dos eunucos, entregando-lhe a gest\u00e3o dos assuntos gerais do pal\u00e1cio imperial. Em Maio de 1403, o Imperador deu ordens para os estaleiros de Fujian come\u00e7arem a construir 137 embarca\u00e7\u00f5es, de guerra, de mercadorias e de suporte. Tr\u00eas meses mais tarde, encomendou a muitas das prov\u00edncias costeiras mais 200 embarca\u00e7\u00f5es e em Outubro ordenou-lhes libertarem 188 barcos de transporte e coloc\u00e1-los \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da armada que pretendia criar.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">Com os milh\u00f5es de \u00e1rvores plantadas em 1391 na regi\u00e3o ao redor de Nanjing foram constru\u00eddos nas docas dos estaleiros do Tesouro de Longjiang, localizados fora da muralha da capital e ligados ao Changjiang (rio Yangtz\u00e9), os <i>baochuan<\/i>, juncos com um tamanho descomunal, chegando a medir mais de 120 metros de comprimento e 50 de largura.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">Os chineses, navegadores h\u00e1 milhares de anos, tinham j\u00e1 h\u00e1 muitos s\u00e9culos inventado o leme de popa, o sistema de i\u00e7ar e baixar o leme, a divis\u00e3o do casco do barco em compartimentos estanques e a b\u00fassola mar\u00edtima, o que permitia aos seus juncos navegar em mar aberto e chegar a long\u00ednquos pa\u00edses e regi\u00f5es, nas costas do Oceano \u00cdndico at\u00e9 \u00e0 \u00c1frica Oriental. Agora, o prop\u00f3sito era desenvolver a influ\u00eancia da dinastia Ming e estreitar rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas, pol\u00edticas e econ\u00f3micas, pretendendo demonstrar o poder e prest\u00edgio da civiliza\u00e7\u00e3o chinesa, esperando com preciosas prendas, voltar a ter como vassalos os anteriores pa\u00edses e regi\u00f5es, desligados na dinastia Yuan, e fazer novos aliados. <\/span><\/p>\n<p class=\"p2\">Mas para as iniciais viagens houve outras raz\u00f5es. Primeiro, procurar o fugitivo imperador Jianwen, a quem Zhu Di, seu tio, havia tomado o t\u00edtulo pela for\u00e7a. A segunda era legitimar-se como imperador e anunciar a sua entroniza\u00e7\u00e3o \u00e0s col\u00f3nias da di\u00e1spora chinesa e aos reinos vassalos, que nalguns casos era preciso voltar a cativar, bem como combater os piratas que abundavam nos mares do Sudeste Asi\u00e1tico.<\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">A outra raz\u00e3o prendia-se com o facto da lucrativa rota terrestre da seda ter ficado fechada desde o fim da dinastia Yuan. Eram os mong\u00f3is quem ainda controlava os territ\u00f3rios para Oeste da China e por isso s\u00f3 havia um caminho: o mar. Assim, com o prop\u00f3sito de procurar Jianwen que, segundo fontes, fugira para um pa\u00eds do Sudeste Asi\u00e1tico, o imperador Yongle, em 1404, mudou o nome de Ma He para Zheng He e designou-o para liderar uma expedi\u00e7\u00e3o com o objectivo de capturar o sobrinho \u2014. mais tarde veio-se a saber encontrar-se Jianwen escondido no pa\u00eds, disfar\u00e7ado de monge. A empresa seria custeada por uma carga de seda, porcelana, lacas e outras mercadorias e era pedido para trazer \u00e2mbar-cinzento, especiarias, pedras preciosas, marfim, carapa\u00e7as de tartaruga, incenso, plantas medicinais, p\u00e9rolas, madeiras raras, animais ex\u00f3ticos e muitos outros produtos, o tesouro que dava o nome \u00e0 armada.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\">Assim se preparou a armada comandada pelo Almirante Zheng He, que viria a fazer sete expedi\u00e7\u00f5es entre 1405 e 1433.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h3 class=\"p5\"><b><br \/>\nA primeira expedi\u00e7\u00e3o <\/b><b><\/b><\/h3>\n<p class=\"p1\">Com a queda da dinastia Song do Sul (1127-1279) e a ocupa\u00e7\u00e3o da China pela dinastia Yuan (1271-1368), os mong\u00f3is estabeleceram um grande imp\u00e9rio a atravessar o continente asi\u00e1tico at\u00e9 ao M\u00e9dio Oriente, dominando a \u00c1sia Central e parte da \u00cdndia. Devido \u00e0 Pax Mongolorum ficavam assim desimpedidos os caminhos comerciais terrestres e, como eram um povo das estepes, sem liga\u00e7\u00e3o ao mar, apesar de ensaiarem uma expans\u00e3o mar\u00edtima, com tentativas frustradas de conquistar o Jap\u00e3o em 1274 e 1281, entregaram a administra\u00e7\u00e3o dos seus portos com os respectivos juncos a oficiais estrangeiros, sobretudo mercadores \u00e1rabes a viverem na China h\u00e1 j\u00e1 algumas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">Quando a dinastia Ming chegou ao trono em 1368, os juncos foram proibidos de se fazer ao mar e sair do pa\u00eds e passaram at\u00e9 1398 a navegar apenas no Grande Canal e por os rios da China. Os caminhos terrestres para Ocidente continuaram controlados pelos mong\u00f3is, sendo as costas do Sudeste Asi\u00e1tico percorridas por barcos de mercadores indianos do Gujerate, sobretudo do porto de Cambaia, alguns da pen\u00ednsula Ar\u00e1bica, de Java, dos arquip\u00e9lagos da Mal\u00e1sia e das Filipinas, existindo uns quantos mercadores chineses desrespeitadores das leis do pa\u00eds, logo piratas, a manter contactos com as comunidades ultramarinas.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">Em 1403, uma armada chinesa comandada pelo Almirante Yin Ching aportava em Malaca, encontrando a\u00ed barcos de comerciantes do \u00cdndico a fazer neg\u00f3cio. Com uma posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica privilegiada, Malaca come\u00e7ava a dar os primeiros passos para se afirmar como um novo territ\u00f3rio. O ent\u00e3o hindu pr\u00edncipe Parameswara em 1390 fora coroado Maharaja de Palembang, mas tentando tornar o reino independente logo uma expedi\u00e7\u00e3o de Java o atacou, obrigando-o a fugir de barco para a pen\u00ednsula da Mal\u00e1sia, onde havia duas for\u00e7as em conflito, o Si\u00e3o e Majapahit. Parameswara pouco depois de chegar \u00e0 pen\u00ednsula matou o governante siam\u00eas em Tanma-hsi e colocou-se como Rei. Ap\u00f3s um ataque dos Tai, em 1398 partia para Malaca, ent\u00e3o ainda uma aldeia piscat\u00f3ria onde se estabeleceu. A\u00ed tentava formar um reino, mas devido \u00e0 sua inexperi\u00eancia, era constantemente substitu\u00eddo pelos vizinhos Thai, do reino do Si\u00e3o. Este o cen\u00e1rio encontrado pelo Almirante Yin Ching em 1403 e, por isso, dois anos depois, Zheng He na sua primeira viagem em vez de ir a Malaca seguiu para o reino do Si\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Partida do porto de Liujia<br \/>\n<\/b>A partida ocorreu no dia 15 da sexta lua de Yiyou (<span class=\"s3\">\u4e59\u9149<\/span>) [11 de Julho de 1405], terceiro ano do reinado do Imperador Yongle. A Noroeste da cidade de Nanjing, pelas \u00e1guas do rio Jia sa\u00edram dos estaleiros de Longjiang muitos dos juncos que, seguindo pelo Yangtz\u00e9, navegaram at\u00e9 ao porto de Liujia em Taicang, prefeitura de Suzhou na prov\u00edncia de Jiangsu, para se reunirem aos muitos barcos ancorados que a\u00ed os esperavam. Na cidade de Taicang (<span class=\"s3\">\u592a\u4ed3<\/span>) existia a povoa\u00e7\u00e3o Liuhe (<span class=\"s3\">\u6d4f\u6cb3<\/span>) onde, no Pal\u00e1cio de Tian Fei, um dos quatro maiores templos a Mazu na dinastia Yuan, Zheng He foi pedir \u00e0 deusa protec\u00e7\u00e3o para a viagem, como era tradi\u00e7\u00e3o dos mareantes.<\/p>\n<p class=\"p2\">Em Taicang foram recrutados um grande n\u00famero de experientes marinheiros, pois durante a dinastia Yuan fora um dos principais portos da China de onde era o arroz transportado por via mar\u00edtima para chegar \u00e0 capital Dadu (Beijing). No porto de Liujia, na povoa\u00e7\u00e3o Liuhe, nos baochuan foram embarcadas mais de um milh\u00e3o de toneladas de mercadorias, preciosos e delicados produtos como tecidos de seda, porcelana, ch\u00e1 e moedas de cobre, para trocas e prendas aos soberanos dos reinos a visitar.<\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">No porto de Liujia <\/span><span class=\"s4\">(\u5218\u5bb6\u6e2f<\/span><span class=\"s1\">), parte da armada aguardava no estu\u00e1rio do rio Yangtz\u00e9, onde n\u00e3o faltavam j\u00e1 dezenas de juncos, com sete mastros e 28 zhang de comprimento e doze de largura, uns preparados com cisternas para \u00e1gua pot\u00e1vel, outros para o transporte de mantimentos, animais vivos para consumo durante a viagem e a servirem de hortas para produzir vegetais, como soja, excelente em vitaminas e contra o escorbuto.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\">A partida ocorreu no dia 15 da sexta lua do terceiro ano do reinado do Imperador Yongle (11 de Julho de 1405). O almirante-chefe da armada Zheng He ia instalado no maior dos baochuan e ao seu redor barcos mais pequenos de 24 e 18 zhang com seis e cinco mastros para transporte de tropas e de combate, com uma grande mobilidade, usando ainda uma arma do tempo da dinastia Sui, a \u201clan\u00e7a explosiva\u201d. Seguiram at\u00e9 Wuhumen, em Fujian, onde foram feitos os \u00faltimos preparativos e se juntaram \u00e0 armada muitos juncos provenientes de v\u00e1rios portos chineses de Zheijiang, Fujian e Guangdong.<\/p>\n<p class=\"p2\">Reunida toda a frota em Humen, prov\u00edncia de Guangdong, em Dezembro de 1405, a armada avan\u00e7ou ao longo da costa pelo Mar do Sul da China, tendo o Almirante Zheng He a coadjuv\u00e1-lo como vice-comandante Wang Jinghong, entre outros Grandes Eunucos. A tripula\u00e7\u00e3o totalizava 27.800 homens distribu\u00eddos por 62 grandes e m\u00e9dios juncos, os barcos do Tesouro e 255 embarca\u00e7\u00f5es mais pequenas, seguindo muitos oficiais, astr\u00f3nomos, int\u00e9rpretes, geomantes, milhares de marinheiros e soldados, assim como cronistas, m\u00e9dicos, comerciantes e outro pessoal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Portos visitados<br \/>\n<\/b><b><\/b><span class=\"s2\">Pelo Mar do Sul da China atingiram, na \u00faltima semana do ano de 1405, a cidade de Qui Nhon, no reino de Champa (hoje parte da costa do Vietname), e avan\u00e7ando para Sudoeste chegaram devido ao bom vento tr\u00eas dias depois a Zhenla (Reino de Chenla, actual Camboja, assim designado ap\u00f3s a queda do Reino de Funan, tendo sido este nome usado no s\u00e9culo XIII pelo enviado chin\u00eas Zhou Daguan no seu livro sobre o Camboja &#8211; usos e costumes: outros autores referem o nome de Chenla apenas para designar o Estado Khmer do final do s\u00e9c VI ao IX), para retribuir a visita diplom\u00e1tica da embaixada da\u00ed enviada durante o reinado do Imperador Hongwu. <\/span><\/p>\n<p class=\"p2\">A frota seguiu para Surabaya, em Java, onde interv\u00eam num problema de sucess\u00e3o ao trono, mas foram apanhados no meio do conflito local. Mais de cem dos seus homens morreram e quando todos pediam ao Almirante Zheng He para serem tomadas medidas militares, este declinou e preferiu aceitar as desculpas dos nativos. Partiram para Palembang, na ilha de Sumatra, mas a caminho do Si\u00e3o (Xianlo, Tail\u00e2ndia) a armada foi apanhada por uma terr\u00edvel tempestade. Nesse momento de afli\u00e7\u00e3o apareceu a Zheng He a protectora deusa Tian Fei que evitou uma trag\u00e9dia.<\/p>\n<p class=\"p2\">Ap\u00f3s o Si\u00e3o, atravessando o estreito de Malaca, foram pelo Sul das ilhas de Nicobar at\u00e9 ao Sri Lanka, onde a Sudoeste aportaram em Beruwala. Depois seguiram para Cochim (Kezhi) e chegaram a Calicute (Guli), um dos importantes portos do Oceano \u00cdndico de especiarias e t\u00eaxteis, onde foi deixada uma estela e uma embaixada embarcou para visitar a China. Entre Dezembro e Abril de 1407, a armada esteve em Calicute.<\/p>\n<p class=\"p2\">Ainda no mesmo ano, a armada no regresso passou por Malaca e encontrou-se com uma frota de navios piratas, que controlava a navega\u00e7\u00e3o no mar do Sudeste da \u00c1sia e aterrorizava a popula\u00e7\u00e3o de Palembang, em Sumatra, onde existia uma grande comunidade da di\u00e1spora chinesa. Ap\u00f3s derrot\u00e1-los no Estreito de Malaca, trouxe o chefe cantonense Chen Zhuyi e os sobreviventes do bando para serem executados em Nanjing, granjeando-lhe assim uma imensa simpatia e o estreitamento das rela\u00e7\u00f5es com os pa\u00edses e reinos da regi\u00e3o, por deixar esse mar livre de pirataria. Em Palembang, deixou no governo Shi Jinqing. J\u00e1 o seu cunhado Qiu Yancheng embarcou como embaixador para pagar tributo \u00e0 China. Regressaria a Kukang na segunda expedi\u00e7\u00e3o.Tamb\u00e9m Rei de Quilon viajou para a China na armada em 1407. Para al\u00e9m destes estrangeiros vinham ainda com a armada enviados de Calicute, Quilon, Semudera, Aru, Malaca e outros de regi\u00f5es n\u00e3o especificadas, sendo recebidos pelo Imperador Yongle, que ordenou ao Ministro dos Ritos preparar o protocolo para receber esses embaixadores estrangeiros, aceitar os tributos que traziam e dar as prendas para entregarem aos seus Reis.<\/p>\n<p class=\"p2\">A primeira expedi\u00e7\u00e3o mar\u00edtima de Zheng He chegou a Nanjing no segundo dia do nono m\u00eas lunar de Jichou (<span class=\"s3\">\u5df1\u4e11<\/span>), 2 de Outubro de 1407, quinto ano do reinado do Imperador Yongle.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h3 class=\"p5\"><b><br \/>\nA segunda expedi\u00e7\u00e3o <\/b><b><\/b><\/h3>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s2\">Zheng He esteve em Nanjing onze dias at\u00e9 embarcar para a segunda expedi\u00e7\u00e3o. O Imperador, ap\u00f3s escut\u00e1-lo sobre a divina interven\u00e7\u00e3o de Mazu durante a violenta tempestade em frente ao Si\u00e3o, para agradecer \u00e0 deusa ter protegido a armada durante a viagem e t\u00ea-la trazido segura no regresso, mandou erguer um Pal\u00e1cio a Mazu na \u00e1rea de Xiaguan, fora da muralha junto da Porta Yifeng na Colina do Le\u00e3o (Lu Long shan). De referir que Mazu devido \u00e0 sua extrema bondade em 1123 tornara-se uma divindade, mas s\u00f3 em 1409 recebeu o t\u00edtulo de Tian Fei (Celeste Concubina Imperial).<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\">A segunda viagem mar\u00edtima de Zheng He iniciou-se no dia 13 da nona lua de 1407, segundo os Registos Hist\u00f3ricos da dinastia Ming (Ming Shi, <span class=\"s3\">\u660e\u53f2<\/span>), compilados na dinastia Qing, mas o Ming Shilu (<span class=\"s3\">\u660e\u5b9e\u5f55<\/span>) escrito ainda no per\u00edodo Ming, refere ter o comandante Wang Hao (<span class=\"s3\">\u6c6a\u6d69<\/span>) ordenado no dia cinco da nona lua a reuni\u00e3o de 249 embarca\u00e7\u00f5es para estarem preparadas a partir em miss\u00e3o aos pa\u00edses do Oeste. O destino final era o mesmo da anterior expedi\u00e7\u00e3o: Calicute (Guli), famoso porto e centro mercantil indiano, muito visitado pelos \u00e1rabes.<\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">A armada partiu do estu\u00e1rio do rio Yangtz\u00e9, no porto de Liujia em Taicang, e dirigiu-se para Changle (a Leste de Fuzhou, capital da prov\u00edncia de Fujian), onde Zheng He visitou o templo em honra de Mazu, encomendando \u00e0 deusa a seguran\u00e7a da viagem. Com os barcos estacionados no ancoradouro de Xiagang (s\u00f3 em 1409 baptizado Taipinggang), porto seguro situado no interior do rio Min na parte Oeste de Changle, Zheng He esperando as condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis da mon\u00e7\u00e3o de Nordeste, aproveitou para recrutar marinheiros e fazer repara\u00e7\u00f5es em algumas embarca\u00e7\u00f5es. Apesar de n\u00e3o ficar registado, o n\u00famero de tripulantes seria aproximadamente o mesmo da primeira viagem. Com a chegada do vento prop\u00edcio, seguiu at\u00e9 \u00e0 foz do Minjiang e ap\u00f3s a Passagem dos Cinco Tigres, Wuhumen, iniciou a navega\u00e7\u00e3o no Mar do Sul da China. H\u00e1 quem refira, antes de Zheng He partir com o grosso da armada j\u00e1 um esquadr\u00e3o rumara para o reino de Champa.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Tr\u00eas esquadras<br \/>\n<\/b><span class=\"s5\">O primeiro destino visitado fora da China era sempre Vijaya (hoje vila Cha Ban a poucos quil\u00f3metros da actual cidade de Qui Nhon), capital entre 978 e 1485 do reino hindu\u00edsta de Champa (Zhancheng, na costa central do Vietname), cujo povo malaio-polin\u00e9sio desde 192 passara a ser governado por uma aristocracia proveniente de Bengala, que substituiu os chineses quando a dinastia Han entrou em colapso. O reino Champa, estado confederado existente desde o s\u00e9culo II e que duraria at\u00e9 ao s\u00e9culo XVII, estava integrado nas rotas entre a \u00cdndia e a China, sendo por isso local de passagem para os barcos a navegar no Mar da China Meridional.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\">Em Vijaya (Qui Nhon) a armada dividiu-se em tr\u00eas esquadr\u00f5es. A partir daqui, com a pontual informa\u00e7\u00e3o registada, pois apenas alguns factos s\u00e3o conhecidos, compusemos a narrativa que se segue, tentando fazer uma coerente liga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p2\">Uma frota foi a Palembang para deixar a embaixada que na primeira expedi\u00e7\u00e3o embarcara para a China e em Surabaya (Java) tratou com o rei de Java do Oeste o envio de uma delega\u00e7\u00e3o ao governo Ming, que partiu a 23 da d\u00e9cima lua de 1407, para admitir a culpa da morte de 170 chineses ocorrida durante a viagem anterior, quando estes foram apanhados no meio do conflito local de sucess\u00e3o do trono com o rival de Java do Leste.<\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s6\">A outra parte da frota, ap\u00f3s visitar Malaca, seguiu por Samudra (Ach\u00e9, na ponta setentrional de Sumatra), onde o grosso da armada se reuniria, e depois foi ao Ceil\u00e3o (Xilan, hoje Sri Lanka), a Kollam (Gelan ou Xiaogulan para os chineses e actual Coul\u00e3o ou Quilon) visitado j\u00e1 desde o s\u00e9culo IX por muitos juncos chineses e no s\u00e9culo XIII um dos quatro mais importantes portos a n\u00edvel mundial onde existia um florescente bairro chin\u00eas, a Cochim (Kezhi) e a Calicute. Como Zheng He na segunda viagem n\u00e3o foi ao Ceil\u00e3o, este esquadr\u00e3o n\u00e3o era por si capitaneado.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\">A frota comandada por Wang Jinghong seguiu para o Born\u00e9u e ter\u00e1 sido um dos juncos do Tesouro (<i>baochuan<\/i>) a transportar o rei de Boni \u00e0 China. As rela\u00e7\u00f5es entre a China e Boni (o ent\u00e3o nome do actual Brunei Darussalam), situado a Norte da Ilha do Born\u00e9u (Kalimantan), provinham j\u00e1 do per\u00edodo da dinastia Han do Oeste (206 a.n.E), quando se designava Poli e desde ent\u00e3o eram frequentes as embaixadas, assim como o envio de presentes. Durante a dinastia Ming, entre 1370 a 1530, houve treze trocas de enviados entre a China e Boni, que ainda nessa \u00e9poca mudou o nome para Brunei.<\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s6\">No per\u00edodo do Imperador Yongle (1403-1424) os contactos foram mais frequentes, seguindo para o Celeste Imp\u00e9rio em 1405 Aliebocheng e outros emiss\u00e1rios no ano seguinte. Da\u00ed n\u00e3o ser estranho a visita de amizade e cortesia \u00e0 China em Agosto de 1408 do pr\u00f3prio rei de Boni, Maharaja Karna, acompanhado por 150 familiares na comitiva para prestar homenagem ao Imperador. Yongle recebeu-o e ofereceu-lhe muitas prendas mas, passado um m\u00eas, o rei com 28 anos adoeceu e sentindo a morte, pediu para ser a\u00ed a sua \u00faltima morada. Apesar de ter os cuidados dos m\u00e9dicos da corte, faleceu sendo sepultado na Colina Shizi, localizada no distrito de Yuhuatai, arredores de Nanjing, onde se encontra o seu mausol\u00e9u. Ap\u00f3s a visita a Boni, o comandante Wang Jinghong seguiu para o Norte da ilha de Sumatra onde em Samudra se reuniu \u00e0 armada.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>A esquadra do almirante<br \/>\n<\/b><span class=\"s6\">A esquadra comandada por Zheng He, passando por Temasek (Singapura), dirigiu-se para Malaca (Manlajia) onde ajudou Parameswara a tornar o seu reino independente do Si\u00e3o e assistiu \u00e0 cerim\u00f3nia da sua coroa\u00e7\u00e3o como rei de Malaca. Em 1407, a\u00ed criou um entreposto chin\u00eas, tornando a cidade o mais poderoso centro comercial e pol\u00edtico do Sudeste Asi\u00e1tico, substituindo Majapahit, ent\u00e3o um dos grandes imp\u00e9rios da regi\u00e3o com base na ilha de Java e que no s\u00e9culo XIV tinha tribut\u00e1ria uma centena de regi\u00f5es, desde a Sul do Reino do Si\u00e3o at\u00e9 \u00e0 actual Indon\u00e9sia, Nova Guin\u00e9 e Filipinas.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">Como a finalidade da viagem era Calicute, antes de entrar no Oceano \u00cdndico, o esquadr\u00e3o comandado por Zheng He foi reunir-se com a restante armada ao Norte da ilha de Sumatra, em Samudra. A\u00ed criou uma base regional para o com\u00e9rcio das especiarias. Depois, sem parar no Ceil\u00e3o, com 68 juncos foi a Calicute (Guli), hoje Kozhikode, para a sagra\u00e7\u00e3o do novo samorim Mana Vikraan e com ele seguiu Ma Huan, que refere ter a cidade um grande n\u00famero de mesquitas e ser visitada por mercadores de todo o mundo.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">Na viagem de regresso foi em 1408 ao reino budista do Si\u00e3o (Tail\u00e2ndia), onde subindo pelo Rio Meinan chegou \u00e0 capital Ayuttaya, conhecida pelos chineses como Dacheng (Cidade Grande), para tratar da guerra entre o reino do Si\u00e3o e Java e avisar estar o reino de Malaca sob protec\u00e7\u00e3o do imperador da China. Em 1409, Zheng He voltou a passar por Malaca, onde trocou algumas das suas mercadorias por alo\u00e9 e \u00e9bano e abriu uma feitoria, para armazenar os alimentos e outras mercadorias, estacionando a\u00ed tropas para conterem os ataques do reino do Si\u00e3o. Embarcou o hindu Rei Parameswara para visitar a China. No final do Ver\u00e3o de 1409 chegava a armada a Nanjing, terminado assim a segunda expedi\u00e7\u00e3o mar\u00edtima.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h3 class=\"p5\"><b><br \/>\nA Terceira expedi\u00e7\u00e3o<\/b><\/h3>\n<p class=\"p1\">A Noroeste de Nanjing, na \u00e1rea exterior da muralha junto \u00e0 Porta Yifeng, em Xiaguan, por ordem do Imperador Yongle (1402-1424) a pedido de Zheng He, estava a ser constru\u00eddo, desde 1407, o Templo em honra de Mazu. Agora, no primeiro m\u00eas do s\u00e9timo ano do reinado de Yongle, em 1409, realizava-se a cerim\u00f3nia da abertura do Longjiang Tian Fei Gong presidida pelo pr\u00f3prio imperador, que, al\u00e9m de conferir \u00e0 divindade Mazu o t\u00edtulo de Tian Fei (Concubina Imperial Celeste), deu a ordem para se realizar a terceira viagem mar\u00edtima, endere\u00e7ando-a a Zheng He, Wang Jinghong e Hou Xian. No entanto, andava Zheng He ainda por Malaca, pois s\u00f3 no final do Ver\u00e3o desse ano de 1409 regressaria a Nanjing, terminando assim a sua segunda expedi\u00e7\u00e3o mar\u00edtima.<\/p>\n<p class=\"p2\">Segundo o livro \u201cXin Cha ShengLang\u201d (Levantamento dos Pa\u00edses Estrangeiros): \u201cNo 22.\u00ba dia da nona Lua do s\u00e9timo ano do reinado do Imperador Yongle (1409) o imperador ordenou que Zheng He e Wang Jinghong partissem em miss\u00e3o aos territ\u00f3rios b\u00e1rbaros com uma armada de 48 juncos e uma tripula\u00e7\u00e3o de 27 mil homens.\u201d A terceira viagem seria similar \u00e0 segunda, visitando mais ou menos os mesmos locais.<\/p>\n<p class=\"p2\">Do estu\u00e1rio do Rio Yangtz\u00e9, partindo do porto de Liujia (<span class=\"s3\">\u5218\u5bb6\u6e2f<\/span>), em Taicang, a armada chegou na d\u00e9cima Lua a Changle, pr\u00f3ximo de Fuzhou, onde Zheng He ainda nesse m\u00eas visitou o Templo de Tian Fei, tendo no 12.\u00ba m\u00eas sa\u00eddo de Changle e por Wuhumen entrando para o Mar do Sul da China. A viagem at\u00e9 Champa durou dez dias e em Vijaya (Qui Nhon) a armada dividiu-se, partindo uma frota para o Si\u00e3o, outra para Palembang e Surabaya e a armada principal para Malaca.<\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">Wang e Hou seguiram para o Si\u00e3o, Semudera, Coul\u00e3o e Cochim, enquanto a armada principal comandada por Zheng He foi a Malaca deixar o Rei Parameswara, que, em 1409, partira na segunda viagem para visitar a China. Mas outras fontes referem ter o rei de Malaca embarcado apenas na terceira viagem para pagar tributo ao imperador chin\u00eas, pois quando, em 1410, Zheng He chegou ao reino de Malaca a\u00ed instalou o Rei Parameswara no trono, presenteando-o com um robe, um chap\u00e9u, um cinto de oficial e um carimbo de prata. <\/span><\/p>\n<p class=\"p2\">O almirante dirigiu-se depois para Calicute e no caminho ter-se-\u00e1 reunido aos restantes juncos na ponta setentrional da ilha de Sumatra, em Samudra (actual Ach\u00e9). Da\u00ed, acompanhado pela frota capitaneada por Wang Jinghong e Hou Xian, Zheng He na passagem por o Ceil\u00e3o (Xilanshan, hoje Sri Lanka), em Galle, colocou em 1410 uma estela feita em Nanjing, a 15 da segunda Lua de 1409, que referia ser este porto vassalo do Imp\u00e9rio Ming. Estava escrita em tr\u00eas idiomas diferentes e cada um dos textos endere\u00e7ava homenagem e ora\u00e7\u00f5es respectivamente a Buda, no texto chin\u00eas, a Xiva no tamil e a Al\u00e1 no texto \u00e1rabe. Em chin\u00eas podia-se ler: \u201cO Grande Eunuco do Imp\u00e9rio Ming Zheng He e Wang Jinghong oraram a Buda com o seguinte desejo: N\u00f3s pedimos ao benevolente Buda que d\u00ea a sua b\u00ean\u00e7\u00e3o a quem vier ao Templo pedir a b\u00ean\u00e7\u00e3o. O Imperador Ming enviou-nos a visitar os pa\u00edses do Oceano do Oeste. A nossa viagem foi segura e pac\u00edfica. N\u00f3s nos lembraremos da benevol\u00eancia de Buda e da sua protec\u00e7\u00e3o para sempre. O donativo que presenteamos ao templo inclui fundos para a constru\u00e7\u00e3o em mil qian de ouro [3,78 kg], cinco mil qian de prata, 50 rolos de seda e tafet\u00e1, quatro pares de bandeiras bordadas a ouro (duas vermelhas, uma amarela e uma verde), cinco incens\u00f3rios de bronze, cinco incens\u00f3rios vermelhos, cinco pares de flores de l\u00f3tus em ouro, 2500 cates de \u00f3leo, dez pares de velas e dez pares de incenso de s\u00e2ndalo.\u201d No final pedia-se a b\u00ean\u00e7\u00e3o e protec\u00e7\u00e3o para as viagens, seguindo a data, s\u00e9timo ano do reinado de Yongle (1409). Esta estela foi levada por um engenheiro brit\u00e2nico em 1911.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Viagem de regresso<br \/>\n<\/b>De Galle a armada, entrando no Mar Ar\u00e1bico, percorreu a costa do Malabar (hoje Kerala) na parte Sul do lado Ocidental da \u00cdndia, onde se situava Coul\u00e3o, ou Quilon (Xiaogelan para os chineses), seguindo depois Cochim (Kezhi) e por fim Calicute, hoje Kozhikode. Zheng He apenas aportou em Calicute (Guli) para a sagra\u00e7\u00e3o do novo Samorim Mana Vikraan, sendo a cidade o maior centro de com\u00e9rcio do Malabar e para al\u00e9m das especiarias era famosa por os panos de calico, ou chita. Para o Golfo de Cambaia, a Noroeste da \u00cdndia (actual Gunjerate), ter\u00e1 seguido talvez a frota capitaneada por Wang Jinghong e Hou Xian, pois a cidade de Cambaia era na altura um importante centro de com\u00e9rcio, que privilegiava os tecidos de algod\u00e3o (chader cambaiate) em vez das especiarias, mais enraizadas na Costa do Malabar.<\/p>\n<p class=\"p2\">No regresso de Calicute, Zheng He ao passar na costa Noroeste da ilha do Ceil\u00e3o escutou muitas queixas dos reinos vizinhos, ent\u00e3o tribut\u00e1rios dos chineses, sobre os problemas criados e os actos hostis de pirataria levados a cabo por o autorit\u00e1rio Vira Alakesvara. Este, tamb\u00e9m conhecido por Vijayabahu VI, entre 1397 e 1408 fora rei de Gampola e, j\u00e1 em 1406, criara problemas a Zheng He, na primeira viagem da quando passara pelo Ceil\u00e3o, resolvendo o almirante deixar a ilha e seguir para o destino final, Calicute. Em 1408, Vira Alakesvara perdeu a soberania do reino de Gampura (1341-1410), afastado por Parakramabahu VI (1408-1410), que foi o \u00faltimo rei desse reino, e ent\u00e3o dirigiu-se para Kotte, no Sudoeste do Ceil\u00e3o, onde se instalou e na zona estendeu a sua governa\u00e7\u00e3o. A\u00ed, no reinado de Vikramabahu III (1357-1374), ainda como ministro (1370-1385) do reino de Gampola tinha feito uma fortaleza e fundara a cidade de Kotte.<\/p>\n<p class=\"p2\">Agora, em 1411, nesta terceira viagem, voltaram os problemas com Vira Alakesvara. Ap\u00f3s a armada chinesa aportar em Colombo, Zheng He quis falar com Vira Alakesvara (rei Alakeshivara) para o colocar na ordem, mas como ele se encontrava em Kotte (Sri Jayawardenepura Kotte), mandou um convite para o almirante ir at\u00e9 \u00e0 sua capital. Zheng He dirigiu-se a Kotte por terra com um s\u00e9quito de 2000 soldados. O plano de Vira Alakesvara era, enquanto Zheng He estivesse fora, cortar-lhe o caminho e separ\u00e1-lo dos seus homens que ficaram nos barcos da armada, lan\u00e7ando um ataque-surpresa para os cingaleses pilharem os juncos em Colombo. Ao saber o que estava a acontecer, Zheng He com a sua tropa e um contingente de dois mil cingaleses, descontentes com o rei descendente tamil, invadiu e conquistou a capital Kotte.<\/p>\n<p class=\"p2\">As tropas do Vira (Rei), \u00e0 volta de 50 mil, cercaram a capital, mas as in\u00fameras tentativas falharam, n\u00e3o conseguindo reconquist\u00e1-la, pois perderam todas as batalhas. Os chineses capturaram Vira Alakesvara e destronaram-no, colocando Parakramabahu VI, ent\u00e3o rei de Gampola entre 1409 a 1412, a governar Kotte, que desde ent\u00e3o ficou a capital do reino de Kotte (1412-1597). O ambiente hostil acalmou e a armada n\u00e3o teve mais problemas durante a estadia na ilha. Quando deixou o Ceil\u00e3o, Zheng He levou preso para a China Vira Alakesvara, com toda a fam\u00edlia e muitos oficiais cingaleses.<\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s2\">Voltando a Malaca (Manlajia), Zheng He op\u00f4s-se \u00e0 pretens\u00e3o do reino de Java no controlo do reino de Malaca e ter\u00e1 ent\u00e3o embarcado o Rei Parameswara (<i>Bai-li-mi-su-la<\/i>), esposa, a princesa de Pasai (actual Aceh, a Norte de Sumatra) e filho, com um s\u00e9quito de 540 pessoas para ir \u00e0 China prestar tributo ao Imperador.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\">A armada chegou a Nanjing no dia 16 da sexta lua no nono ano do reinado de Yongle (1411). Alakeshvara foi levado \u00e0 presen\u00e7a do Imperador, que ordenou a sua liberta\u00e7\u00e3o e retornou no ano seguinte ao Ceil\u00e3o, tal como o Rei Parameswara, que passou dois meses na capital chinesa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h3 class=\"p5\"><b><br \/>\nA Quarta expedi\u00e7\u00e3o <\/b><b><\/b><\/h3>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s2\">Malaca, fundada em 1400 pelo pr\u00edncipe hindu Parameswara, quando o moribundo imp\u00e9rio de Majapahit (Java) e o Reino do Si\u00e3o reclamavam suserania sobre a Pen\u00ednsula Malaia, era ainda uma aldeia de pescadores na altura da visita do eunuco Yin Qing nos princ\u00edpios de 1404. Parameswara, que procurava desenvolv\u00ea-la como centro comercial, devido \u00e0 posi\u00e7\u00e3o privilegiada no Estreito de Malaca, logo aproveitou a oportunidade para pedir o reconhecimento da sua independ\u00eancia e colocar-se sobre a protec\u00e7\u00e3o do imperador Ming. Malaca pagava ent\u00e3o um anual tributo de 40 ta\u00e9is de ouro ao vizinho reino do Si\u00e3o para ser protegida e estar a salvo dos ataques de siameses e javaneses.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\">Yin Qing, que partira da China na d\u00e9cima lua do primeiro ano do reinado do Imperador Yongle, (1403, ano Guiwei, <span class=\"s3\">\u7678\u672a<\/span>) com a miss\u00e3o de ir \u00e0 \u00cdndia, j\u00e1 visitara Java e Palembang quando chegou a Malaca, onde anunciou o reinado do novo imperador e da\u00ed partiu para Calicute (Guli) e Cochim (Kezhi). No regresso fez uma nova paragem em Palembang, na ilha de Sumatra, onde embarcou um representante do rei, assim como de Malaca levou uma delega\u00e7\u00e3o para ir \u00e0 corte Ming pagar tributo e ficar sobre protec\u00e7\u00e3o da China.<\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">A segunda viagem de Yin Qing, iniciada na 9.\u00aa lua do terceiro ano do reinado de Yongle (ano Yiyou <\/span><span class=\"s4\">\u4e59\u9149<\/span><span class=\"s1\">, 1405), trouxe de regresso os embaixadores de Palembang e de Malaca, onde foi deixada uma estela. Assim, Zheng He na sua primeira viagem mar\u00edtima em vez de ir a Malaca seguiu para o reino do Si\u00e3o (XianLo, Tail\u00e2ndia) a fim de tratar da seguran\u00e7a do novo protectorado e avisar o rei do Si\u00e3o sobre o facto de Malaca estar sob protec\u00e7\u00e3o chinesa.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\">Segundo alguns investigadores, Parameswara ter\u00e1 visitado a China quando embarcou com Zheng He durante a terceira viagem mar\u00edtima no final de 1410 e em Nanjing chegou no 6.\u00ba m\u00eas do 9.\u00ba ano de Yongle [ano Xin Mao (<span class=\"s3\">\u8f9b\u536f<\/span>), 1411], sendo muito bem recebido por o Imperador Yongle. Ap\u00f3s dois meses, na 9.\u00aa lua embarcou de novo com Zheng He para o Reino de Malaca. Mas Zheng He s\u00f3 partiria para a quarta viagem mar\u00edtima nos finais do ano de Gui Si (<span class=\"s3\">\u7678\u5df3<\/span>), 11.\u00ba ano de Yongle (1413) e como os dois meses de estadia de Parameswara na China acertam com o per\u00edodo de chegada da segunda viagem no final do Ver\u00e3o de 1409 e a partida para a terceira viagem no nono m\u00eas (9 de Outubro a 6 de Novembro de 1409, ano Jichou, <span class=\"s3\">\u5df1\u4e11<\/span>), da\u00ed resulta ser a hip\u00f3tese mais acertada a da segunda viagem. Estando registado ter sido Zheng He a levar de volta Parameswara para Malaca, tal anula a hip\u00f3tese de ter sido o eunuco Hong Bao, enviado em 1412 por o Imperador Yongle como embaixador ao Si\u00e3o, expedi\u00e7\u00e3o ocorrida entre a terceira e quarta viagem mar\u00edtima de Zheng He.<\/p>\n<p class=\"p2\">Ap\u00f3s a terceira viagem, n\u00e3o foi mais a raz\u00e3o que motivara as tr\u00eas primeiras expedi\u00e7\u00f5es de procurar o deposto imperador fugitivo Jianwen. Desde ent\u00e3o estavam as rotas mar\u00edtimas bem estudadas atrav\u00e9s da confirma\u00e7\u00e3o de anteriores conhecimentos como o determinar geograficamente a latitude atrav\u00e9s da altitude das estrelas, o reconhecer-se de novo os locais dos baixios e rochedos, o confirmar das correntes e dos ventos sazonais espec\u00edficos a cada zona daqueles mares. A chegada \u00e0 China de \u201cin\u00fameros mercadores estrangeiros com produtos ex\u00f3ticos e de luxo, motivou uma nova din\u00e2mica econ\u00f3mica, tanto \u00e0s viagens imperiais como \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, agora autorizada e estimulada a dedicar-se ao com\u00e9rcio, numa tentativa para resolver a crise financeira\u201d, originada pelos gastos das dispendiosas viagens mar\u00edtimas, da mudan\u00e7a da capital de Nanjing para Beijing com a constru\u00e7\u00e3o do Pal\u00e1cio Imperial e a repara\u00e7\u00e3o do Grande Canal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>At\u00e9 \u00e0 costa de \u00c1frica<br \/>\n<\/b>Os <i>Registos Hist\u00f3ricos da dinastia Ming <\/i>(<i>Ming Shi<\/i>, <span class=\"s3\">\u660e\u53f2<\/span>), compilados na dinastia Qing, referem ter o Imperador, no dia 15 do 11.\u00ba m\u00eas lunar do d\u00e9cimo ano do seu reinado [Ren Chen (<span class=\"s3\">\u58ec\u8fb0<\/span>), 18 de Dezembro de 1412], dado ordem a Zheng He para realizar a sua quarta viagem mar\u00edtima e visitar Malaca, Java, Champa, Sumatra, Aru, Cochim, Calicute, Lambri, Pahang, Kelantan, Kayal, Ormuz, Maldivas, Laquedivas e outros locais. Mas essa viagem s\u00f3 come\u00e7aria no ano seguinte, no Inverno do 11.\u00ba ano de Yongle em 1413.<\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s2\">Antes de Zheng He partir, largara j\u00e1 em Fevereiro de 1413 uma pequena armada comandada por Wang Jinghong e Hou Xian, dois Grandes Eunucos (Tai Jian) subcomandantes das expedi\u00e7\u00f5es anteriores, que seguiram para o Golfo de Bengala devido ao vassalo sult\u00e3o Giyassudin Azam ter morrido em 1412. Estando o Sultanato de Bengala sem governante, vinham eles como representantes do imperador Yongle dar aval \u00e0 sucess\u00e3o do filho do sult\u00e3o. Depois, Wang Jinghong foi para Sumatra e da\u00ed navegou directamente seis mil quil\u00f3metros sem escalas at\u00e9 Mogad\u00edscio, na costa Oriental de \u00c1frica, onde se juntou \u00e0 armada, sendo acompanhado por Fei Xin, outro dos subcomandantes de Zheng He da primeira viagem. J\u00e1 o eunuco Hou Xian ficou em Bengala onde um governante de Melinde lhe ofereceu uma girafa. Nesse entretanto, Zheng He foi a Xian, prov\u00edncia de Shaanxi, onde na mesquita Yangshi convidou o \u00edman Ha San para ser tradutor, pois o destino final dessa sua viagem era os pa\u00edses da Ar\u00e1bia. Antes de partir, Zheng He pediu ainda ao imperador para mandar construir o Pal\u00e1cio Tian Fei em Changle, Fujian.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\">A armada de 63 barcos e 28560 homens, capitaneada por Zheng He, partiu do estu\u00e1rio do Rio Yangtz\u00e9 no Outono do 11.\u00ba ano do reinado de Yongle, (ano Gui Si, <span class=\"s3\">\u7678\u5df3<\/span>, 1413) e, navegando pela costa de Fujian, chegou a Vijaya (Qui nhon, porto no reino hindu\u00edsta de Champa, conhecido em chin\u00eas por Zhancheng, na costa central do Vietname), onde se dividiu. Uma frota partiu para Palembang (conhecida pelos chineses por Jiugang, ou Jugang) e, voltando-se a dividir, seguiu uma para Surabaya e outra para Malaca, onde se encontrou com a que tinha partido de Vijaya. O eunuco Ma Huan (1380-1460) esteve em Malaca e reportou ao Imperador Yongle ter-se a cidade convertido em 1413 ao Isl\u00e3o. De Malaca passou a armada por Samudra (Ach\u00e9, na ponta setentrional de Sumatra) e Ceil\u00e3o, e contornando as ilhas Maldivas foi a Calicute (Guli). De Angediva (ilha em frente a Goa, \u00cdndia) partiu para a pen\u00ednsula Ar\u00e1bica e para as costas Orientais de \u00c1frica.<\/p>\n<p class=\"p2\">Outra frota navegou sempre junto \u00e0 costa e chegou a Ormuz, na altura o porto principal de com\u00e9rcio na Pen\u00ednsula Ar\u00e1bica. Depois, dirigiu-se para Hadramout, na costa do I\u00e9men, ancorando em Adem, ap\u00f3s ter sobrevivido a uma enorme tempestade, a maior e mais violenta de todas as que foi confrontado. De Adem entraram pelo Mar Vermelho atingindo Jidda e depois um porto eg\u00edpcio. Da\u00ed dirigiram-se a Mogad\u00edscio, onde se encontraram com a frota comandada por Wang Jinghong, e de Brava (Bu-la-wa, na actual Som\u00e1lia), chegaram a Kilwa, partindo para Sofala.<\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">O eunuco Hou Xian, regressado da visita ao [antigo] Tibete (<\/span><span class=\"s4\">\u536b\u85cf<\/span><span class=\"s1\">), fronteira com o Nepal, em 1415, passou por Bengala para agradecer a oferta da girafa, que s\u00f3 foi entregue ao Imperador Yongle a 16 de Novembro de 1416 e como esta se parecia com o mitol\u00f3gico animal chin\u00eas <i>qilin<\/i>, foi considerada um sinal do C\u00e9u e a aprova\u00e7\u00e3o para a transfer\u00eancia da capital de Nanjing para Beijing.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">Na viagem de regresso, Zheng He, ao passar pelo Sultanato Pasai de Samudera, porto mu\u00e7ulmano na costa Norte de Sumatra, encontrou no poder Sekandar, irm\u00e3o mais novo do sult\u00e3o Zain Al-Abidin, e estando o reino sobre protec\u00e7\u00e3o chinesa, o almirante derrotou o usurpador e as suas for\u00e7as, terminando com a revolta, levando Sekandar para a China a fim de ser presente ao Imperador. A armada chegou a Nanjing na 7.\u00aa Lua do 13.\u00ba ano de Yongle (Yi Wei, <\/span><span class=\"s4\">\u4e59\u672a<\/span><span class=\"s1\">, 12 de Agosto de 1415), trazendo muitos embaixadores dos pa\u00edses visitados.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h3 class=\"p5\"><b><br \/>\nA Quinta expedi\u00e7\u00e3o <\/b><b><\/b><\/h3>\n<p class=\"p2\">Quando Zheng He regressou a Nanjing da quarta viagem mar\u00edtima, trouxe consigo muitos enviados dos pa\u00edses visitados, para al\u00e9m de Sekandar, o usurpador do poder no Sultanato Pasai de Samudera. Mas o Imperador Yongle encontrava-se fora, pois tinha ido ao Norte, \u00e0 Mong\u00f3lia, combater pela segunda vez no seu reinado os mong\u00f3is e, apesar de ter sa\u00eddo vitorioso, ainda n\u00e3o regressara \u00e0 capital, chegando apenas a 14 de Novembro de 1416. \u00c0 sua espera encontrou embaixadores de 18 ou 19 pa\u00edses e reinos, da \u00c1sia<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>\u2014 Champa, Pahang, Java, Palembang, Malaca, Samudera, Lambri, Ceil\u00e3o, ilhas Maldivas, Cochim, Calicute, Shaliwanni (local indeterminado), da Pen\u00ednsula Ar\u00e1bica (Ormuz, Ash-Shiher na costa de Hadramaut no I\u00e9men, Adem) e de \u00c1frica (Mogad\u00edscio, ent\u00e3o no seu apogeu econ\u00f3mico e Brava Bu-la-wa, ou Barawa, cidade na costa da Som\u00e1lia com bom porto e muita actividade comercial, antiga capital do Sultanato de Tunni que pertencia ent\u00e3o, a par com Mogad\u00edscio, ao imp\u00e9rio Somali de Ajuran) e Melinde, no Qu\u00e9nia, que na quarta viagem quando a frota chinesa a\u00ed passou em 1414, o governante oferecera uma girafa.<\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s6\">Na corte Ming foram recebidos com uma grande cerim\u00f3nia, realizada a 19 de Novembro de 1416, oferecendo o imperador prendas a cada um. O enviado do Raja de Cochim teve um tratamento especial por ser esse reino tribut\u00e1rio desde 1411 da China e o Raja requeria ao Imperador que o nomeasse ministro seu subordinado e o investisse como rei, pedindo o selo oficial como representante de Yongle. O Imperador concedeu-lhe tais desejos e enviou-lhe uma carta onde atribuiu a Cochim o t\u00edtulo \u201cEstado protegido da Montanha\u201d.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s6\">Tamb\u00e9m Megat Iskandar Shah (<\/span><span class=\"s7\">\u6bcd\u5e72\u6492\u4e8e\u7684\u513f\u6c99<\/span><span class=\"s6\">, Mu-Gan Sa-Yu-De-Er Sha ou X\u00e1 Muhammad) aqui viera para comunicar ao imperador ter o seu pai, o rei de Malaca Parameswara (conhecido em chin\u00eas por <i>Bai-Li-Mi-Su-La <\/i><\/span><span class=\"s7\">\u62dc\u91cc\u8ff7\u82cf\u524c<\/span><span class=\"s6\">), falecido em 1414. Nesse mesmo ano de Jia Wu (<\/span><span class=\"s7\">\u7532\u5348<\/span><span class=\"s6\">), 12.\u00ba ano do reinado de Yongle, embarcara para a China, segundo refere o Registo Hist\u00f3rico da dinastia Ming, mas Fei Xin (<\/span><span class=\"s7\">\u8d39\u4fe1<\/span><span class=\"s6\">) no seu livro Xingcha Shenglan (<\/span><span class=\"s7\">\u661f\u69ce \u80dc\u89c8<\/span><span class=\"s6\">) diz ter o X\u00e1 ido \u00e0 China no 13.\u00ba ano de Yongle. Quando foi recebido, o Imperador nomeou-o rei de Malaca.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\">A despedida aos enviados realizou-se na corte Ming, a 28 de Dezembro de 1416, onde receberam de Yongle t\u00fanicas de seda. No mesmo dia, Inverno do 14.\u00ba ano de Yongle (1416, ano Bing Shen, <span class=\"s3\">\u4e19\u7533<\/span>), o Imperador ordenou a realiza\u00e7\u00e3o da quinta viagem, instruindo Zheng He a escoltar os enviados dos 18 estados asi\u00e1ticos e africanos no regresso \u00e0s suas terras. Tinham vindo \u00e0 corte Ming apresentar tributos e aqui estavam h\u00e1 quase ano e meio. O Imperador entregou ao Almirante cartas imperiais e prendas para levar aos governantes por onde a viagem iria passar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"s1\"><b>Viagem entre 1417 e 1419<br \/>\n<\/b><\/span><span class=\"s6\">No 15.\u00ba ano de Yongle (ano Ding You, <\/span><span class=\"s7\">\u4e01\u9149<\/span><span class=\"s6\">, 1417) saiu do porto de Liujia, em Taicang, a armada capitaneada por Zheng He com a miss\u00e3o de se dirigir ao Oeste. Primeiro passou por Quanzhou, onde o almirante visitou a cidade fundada em 711, no reinado da dinastia Tang.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s5\"> Fora um not\u00e1vel porto na costa de Fujian, ponto de partida da Rota Mar\u00edtima da Seda e rapidamente se tornara um dos quatro mais florescentes no com\u00e9rcio com o estrangeiro. Atingira o apogeu na dinastia Song, mantendo-se como principal porto durante a dinastia Yuan e contou com uma grande comunidade mu\u00e7ulmana at\u00e9 perder em dez anos toda a sua influ\u00eancia devido \u00e0 rebeli\u00e3o mu\u00e7ulmana Ispah (1357-1366). O porto entrou em decl\u00ednio e na dinastia Ming estava ligado exclusivamente \u00e0s trocas com as Filipinas.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s2\">No 16.\u00ba dia do quinto m\u00eas do 15.\u00ba ano de Yongle (31 de Maio de 1417), Zheng He foi ao Templo da deusa Mazu, em Quanzhou, naquele tempo chamado Tian Fei Gong e hoje com o nome de Tian Hou, no monte Jiuri, e queimando incenso pediu \u00e0 divindade protec\u00e7\u00e3o para lhe conceder uma viagem segura. No monte Ling, no Cemit\u00e9rio Isl\u00e2mico (ShengMu), encontra-se a estela Xing Xiang \u201cOrar para uma viagem segura de regresso\u201d, mandada erigir por Pu Heri (<\/span><span class=\"s8\">\u84b2\u548c\u65e5<\/span><span class=\"s2\">), oficial que viajava na armada e onde est\u00e1 referido ter o imperador enviado Zheng He em miss\u00e3o diplom\u00e1tica a Ormuz e a outros pa\u00edses. <\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s6\">Com a mesma narrativa, outra estela, ligada \u00e0 quinta viagem mar\u00edtima e agora desaparecida, encontrava-se na ponte Wuwei (<\/span><span class=\"s7\">\u65e0\u5c3e<\/span><span class=\"s6\">), onde se situava o porto Xunmei (<\/span><span class=\"s7\">\u6d54\u7f8e<\/span><span class=\"s6\">), junto ao monte Longtou, e nela estava referido no 17.\u00ba dia do quinto m\u00eas o Tai Jian (Grande Eunuco) Zheng He ter aqui permanecido para seguran\u00e7a da armada devido aos ventos fortes. Nos anos 70 do s\u00e9culo XX, o local do porto desapareceu devido aos aterros, tal como o bei, que tamb\u00e9m fora mandado fazer por Pu Heri. Zheng He em Quanzhou embarcou muita porcelana para as trocas e prendas e seguiu viagem.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s2\">Em Vijaya (Qui Nhon) a armada dividiu-se, uma frota foi para a ilha de Java e Palembang, em Sumatra, enquanto o grosso da armada seguia para Malaca. Da\u00ed passou ao Ceil\u00e3o onde novamente se separou, indo uma frota directamente para a costa africana, passando ao Sul das ilhas Maldivas e chegando \u00e0 costa da Som\u00e1lia. J\u00e1 a armada navegou ao longo da costa indiana, passando pelo importante porto de Cambaia (Khanbayat, actual Guzerate no Noroeste da \u00cdndia, cujos mercadores tinham ent\u00e3o rela\u00e7\u00f5es privilegiadas tanto com Adem como com Malaca) e na Pen\u00ednsula Ar\u00e1bica foi a Ormuz, atingindo Oman. A\u00ed a armada voltou a dividir-se, rumando uma frota para o Mar Vermelho e, ainda na costa Ar\u00e1bica, visitou Las\u2019\u00e3 Ash-Shiher, um dos portos mais antigos e importantes do I\u00e9men, ao qual Duarte Barbosa se referiu: &#8220;uma vila de mouros que chamam Xaer e pertence ao reino de Fartaque. Lugar em que h\u00e1 grandes quantidades de mercadorias, (\u2026) muito bons cavalos que na terra h\u00e1, os quais cavalos s\u00e3o muito maiores e melhores que os que v\u00eam de Ormuz. Tamb\u00e9m na terra nasce muito incenso e h\u00e1 muito trigo, carnes, t\u00e2maras e uvas. \u00c9 este porto de mui grande escala de muitas naus e nasce aqui tanto incenso que se leva para todo o mundo.&#8221; Shiher era a capital de um pequeno sultanato e o principal porto da costa de Hadramaut, a meia dist\u00e2ncia entre Adem e o cabo Fartaque, (actual Oman).] No Sultanato do I\u00e9men reinava Al-Malik al Nasir, da dinastia Rasulid, e talvez tenha sido Zheng He quem, entre 30 de Dezembro de 1418 e 27 de Janeiro de 1419, esteve em Las\u2019\u00e3 (La Sa) para trazer de volta o enviado iemenita Kadi Waqif ad-Abdur Rahman bin Zumeirem. A frota chegou nos \u00faltimos dias de Janeiro a Adem, onde o sult\u00e3o na-Nasir Ahmad (1401-1424), que deu um novo incremento \u00e0 Dinastia Rasulids (Banu Rasul, 1229-1454), ofereceu luxuosas mercadorias como corais e recebeu dos chineses imensas prendas, caros perfumes, madeiras raras e porcelana. <\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">De Adem foi a Ta\u2019izz [capital do Sultanato do I\u00e9men na dinastia Rasulid] de onde saiu depois de 19 de Mar\u00e7o e seguiu para Jed\u00e1, na costa do Mar Vermelho, actual Ar\u00e1bia Saudita. De Oman a armada continuou para Mogad\u00edscio, para se juntar \u00e0 que tinha navegado directamente do Ceil\u00e3o, passando primeiro pela ilha de Socotor\u00e1, \u00e0 entrada do Mar Vermelho. Em Mogad\u00edscio, nessa altura no apogeu econ\u00f3mico e comercial, reinava ent\u00e3o a dinastia Ajuran, uma monarquia isl\u00e2mica cujo imame enviou como embaixador \u00e0 China Sa\u2019id para estabelecer rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas e como tributo levou ouro, incenso e tecidos, bem como um le\u00e3o, hipop\u00f3tamos, girafas e gazelas, embora os animais talvez s\u00f3 tenham ido na viagem seguinte. De Mogad\u00edscio chegaram a Momba\u00e7a, depois de ir a Melinde levar o embaixador.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s2\">A viagem terminou em Nanjing no s\u00e9timo m\u00eas lunar do ano 17.\u00ba de Yongle (ano Ji Hai <\/span><span class=\"s8\">\u5df1\u4ea5<\/span><span class=\"s2\">, 8 ou 17 de Agosto de 1419) e trouxe dezasseis embaixadas cheias de prendas e um grande n\u00famero de animais enviados tanto da \u00c1sia como da \u00c1frica, sendo recebidos um m\u00eas depois pelo Imperador, mas n\u00e3o em Nanjing pois, desde 1417, que ele a\u00ed n\u00e3o voltara. Entre eles estava o sult\u00e3o de Malaca Megat Iskandar Shah, sua esposa e filho, que voltava pela segunda vez \u00e0 corte Ming para pessoalmente apresentar tributo a Yongle e queixar-se da invas\u00e3o de Malaca pelo Reino do Si\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">Esta fora a maior de todas as viagens feitas por Zheng He e, em sinal de gratid\u00e3o, pelo envio dos seus representantes, os governantes ofereceram como tributos um grande n\u00famero de animais ex\u00f3ticos. Ormuz deu um le\u00e3o, um leopardo e rinocerontes, tendo Brava oferecido dromed\u00e1rios e avestruzes, e Adem uma girafa. Vieram tamb\u00e9m zebras e ant\u00edlopes, al\u00e9m de outros animais de Java e Calicute como tributo ao Celeste Imp\u00e9rio.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h3 class=\"p5\"><b><br \/>\nA Sexta expedi\u00e7\u00e3o<\/b><b><\/b><\/h3>\n<p class=\"p2\">Na quinta viagem vieram dezasseis embaixadas da \u00c1sia e \u00c1frica, que chegaram a Nanjing no s\u00e9timo m\u00eas lunar do ano 17.\u00ba de Yongle (ano Ji Hai <span class=\"s3\">\u5df1\u4ea5<\/span>), 8 ou 17 de Agosto de 1419, sendo levados pelo Grande Canal at\u00e9 Beijing por Zheng He. Sem fazer trasfega, os tributos prosseguiram no segundo maior junco da armada, o barco-cavalo, assim chamado por ser muito r\u00e1pido devido aos oito mastros e dez velas, que n\u00e3o entrou no rio Yangtz\u00e9, mas por mar foi at\u00e9 Tianjin, passando a\u00ed a navegar no Grande Canal para percorrer a \u00faltima etapa at\u00e9 \u00e0 capital. No oitavo m\u00eas lunar os enviados de Momba\u00e7a, Melinde, Ormuz (<i>Hulumosi<\/i>), Zufar (<i>Zufa\u2019er<\/i> em Om\u00e3), Adem, Mogad\u00edscio, Zheila (<i>Ra\u2019s<\/i>), Brava (<i>Bu-la-wa<\/i>), Cambaia (<i>Khanbayat<\/i>), Calicute (<i>Guli<\/i>), Cochim (<i>Kezhi<\/i>), Jiayile (<i>Kayal<\/i> no Sul da \u00cdndia), Ganbali (Sudoeste da \u00cdndia), Ceil\u00e3o (Xilanshan), Lambri, Aru (<i>Haru<\/i>), Semudera e Malaca (<i>Manlajia<\/i>) foram recebidos pelo imperador em Beijing.<\/p>\n<p class=\"p2\">No 18.\u00ba ano de governa\u00e7\u00e3o de Yongle, ano Geng Zi (<span class=\"s3\">\u5e9a\u5b50<\/span>), em 1420, o imperador mandou o Grande Eunuco Hou Xian (<span class=\"s3\">\u4faf\u663e<\/span>, 1365-c.1438) ao Golfo de Bengala para tentar terminar com o conflito e estabelecer a paz entre o sultanato de Delhi e o reino tribut\u00e1rio da China de Bengala (<i>Bang Ge la<\/i>), assim como levar de volta os enviados do Sudeste Asi\u00e1tico, onde se encontrava o sult\u00e3o de Malaca Megat Iskandar Shah e fam\u00edlia.<\/p>\n<p class=\"p2\">J\u00e1 os embaixadores provenientes dos reinos do Mar Ar\u00e1bico e \u00c1frica de Leste esperaram quase dois anos para serem reenviados aos seus pa\u00edses, pois a ordem imperial para a sexta viagem mar\u00edtima de Zheng He s\u00f3 foi dada na Primavera do ano 19.\u00ba de Yongle (ano Xin Chou, <span class=\"s3\">\u8f9b\u4e11<\/span>, 1421), 3 de Mar\u00e7o de 1421, ap\u00f3s a inaugura\u00e7\u00e3o da nova capital. O Grande Almirante foi ent\u00e3o despachado com cartas imperiais e prendas para os governantes desses pa\u00edses.<\/p>\n<p class=\"p2\">Zheng He navegando pela costa do Sudeste da China chegou ao porto de Vijaya no Zhancheng, de onde enviou uma pequena frota ao Si\u00e3o com o recado para o rei thai deixar em paz o reino de Malaca, enquanto a armada seguia com destino a Malaca, e da\u00ed para a ilha de Sumatra, visitando os reinos de Lambri, Aru e Semudera. Em Semudera a armada foi dividida em quatro esquadr\u00f5es, sendo o de Zheng He o mais diminuto, enquanto os outros tr\u00eas, um comandado por o Grande Eunuco Hong Bao, o outro por o Grande Eunuco Zhou Man, a liderar a frota com tr\u00eas juncos do tesouro a Adem, onde seguia Li Xing e o terceiro, comandado por um outro Grande Eunuco, Zhou Wen (<span class=\"s3\">\u5468\u6587<\/span>), do qual na China n\u00e3o h\u00e1 j\u00e1 nenhuma refer\u00eancia, ter\u00e1 ido a Cambaia (Khanbayat). Todos estavam incumbidos de transportar os embaixadores de volta \u00e0s suas terras.<\/p>\n<p class=\"p2\">No Ceil\u00e3o os esquadr\u00f5es separaram-se, seguindo Zheng He para o Sul da \u00cdndia, Jiayile, Cochim, Ganbali e Calicute. Hong Bao viajou por Liushan (ilhas Laquedivas e Maldivas, esta governada por um sult\u00e3o somali da dinastia Hilaalee conectado a Mogad\u00edscio) para chegar ao Golfo P\u00e9rsico e deixar em Ormuz o enviado, dirigindo-se depois a Mogad\u00edscio, onde se encontrou com o esquadr\u00e3o de Zhou Man que vinha de Jed\u00e1, seguindo depois para Brava, Melinde e Momba\u00e7a, na costa Oriental de \u00c1frica.<\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">O Grande Eunuco Zhou Man, que liderou o esquadr\u00e3o com tr\u00eas juncos do tesouro, foi \u00e0 Ar\u00e1bia, passando por Dhofar (Zufa\u2019er) em Om\u00e3 e pela costa de Hadramaut no actual I\u00e9men foi a LaSa, dirigindo-se depois ao porto de Adem, onde ofereceu ao Rei vestes e barrete de Oficial chin\u00eas. Tal visita ficou registada no livro <i>Yingya Shenglan<\/i> <\/span><span class=\"s4\">\uff08\u701b\u6daf\u80dc\u89c8\uff09<\/span><span class=\"s1\"> (<i>Vis\u00e3o em Triunfo no Ilimitado Mar<\/i>), escrito por Ma Huan (1380-1460). Da\u00ed foi a Jed\u00e1 e no regresso passou por Socotra, por Zheila (<i>Saylac<\/i>), j\u00e1 na costa Somali, seguindo at\u00e9 Mogad\u00edscio, onde se encontrou com o esquadr\u00e3o comandado por Hong Bao. <\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s2\">No regresso, atravessando o Oceano \u00cdndico, v\u00e1rios esquadr\u00f5es agruparam-se em Calicute e a armada reuniu-se toda em Semudera, visitando depois o Si\u00e3o e em Palembang (<i>Jiugang<\/i>) Zheng He decretou que Shi Erjie, segunda filha de Shi Jinjin e neta de Jinqing, sucedesse na posi\u00e7\u00e3o de administrador de Jiugang a representar o imperador Ming.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\">Esta foi a mais curta de todas as viagens mar\u00edtimas de Zheng He, tendo feito o mesmo percurso da quinta viagem. A armada chegou a Nanjing no oitavo m\u00eas lunar do ano 20.\u00ba de Yongle (ano Ren Yin <span class=\"s3\">\u58ec\u5bc5<\/span>, 1422), 3 de Setembro de 1422, trazendo enviados do Si\u00e3o, Semudera, Adem e outros pa\u00edses que mandaram produtos locais como tributo. Os enviados estrangeiros foram por terra ou pelo Grande Canal at\u00e9 \u00e0 corte de Beijing em 1423.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h3 class=\"p5\"><b><br \/>\nA s\u00e9tima expedi\u00e7\u00e3o<\/b><b><\/b><\/h3>\n<p class=\"p2\">A \u00faltima viagem mar\u00edtima do Grande Eunuco Zheng He (<span class=\"s3\">\u90d1\u548c<\/span>) foi patrocinada pelo Imperador Xuande (<span class=\"s3\">\u5ba3\u5fb7<\/span>, 1426-1435), com o desejo de revigorar as rela\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias promovidas no reinado de Yongle, seu av\u00f4. A partir da morte deste, n\u00e3o se realizara mais nenhuma viagem devido ao seu pai, o Imperador Hongxi, por conselho dos Altos Oficiais Civis, ordenar o fim das ruinosas expedi\u00e7\u00f5es, a servirem apenas para engrandecer o poder aos eunucos.<\/p>\n<p class=\"p2\">No quinto ano do seu reinado, o Imperador Xuande requereu, no dia 5 do quinto m\u00eas lunar de Geng Xu (<span class=\"s3\">\u5e9a\u620c<\/span>) (25 de Maio de 1430), a prepara\u00e7\u00e3o das provis\u00f5es necess\u00e1rias a fim de enviar os comandantes (<span class=\"s3\">\u6b63\u4f7f<\/span>, <i>zhengshi<\/i>) Zheng He e Wang Jinghong para neg\u00f3cios oficiais com os pa\u00edses do Oceano do Oeste. Um m\u00eas e alguns dias depois, no nono dia do sexto m\u00eas lunar (29 de Junho), o Imperador deu ordem para a realiza\u00e7\u00e3o da s\u00e9tima viagem, dirigindo-a a Zheng He e Wang Jinghong. Os <i>Registos Hist\u00f3ricos da Dinastia Ming <\/i>(<i>Ming Shi<\/i>, <span class=\"s3\">\u660e\u53f2<\/span>), compilados na dinastia Qing, referem no nono dia da sexta Lua, quinto ano do reinado de Xuande, Zheng He foi instru\u00eddo para viajar aos pa\u00edses vassalos e proclamar ter sido entronizado Sua Majestade Xuande.<\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">Em aprecia\u00e7\u00e3o dos regulamentos ben\u00e9volos dos precedentes imperadores e demonstrando sua compaix\u00e3o aos seus assuntos, Sua Majestade decretou no Imp\u00e9rio uma universal amnistia e o implementar uma reforma. Portanto, Zheng He e Wang Jinghong foram despachados numa miss\u00e3o diplom\u00e1tica aos pa\u00edses anteriormente visitados, para os manter informados da situa\u00e7\u00e3o no Celeste Imp\u00e9rio. &#8220;Sua Majestade espera que os regulamentos dos governantes de fora respeitem o C\u00e9u e o amor por esses assuntos e da\u00ed todo o mundo saboreei a b\u00ean\u00e7\u00e3o do C\u00e9u&#8221;.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\">A s\u00e9tima viagem mar\u00edtima de Zheng He come\u00e7ava no segundo sexto dia do duplo m\u00eas da 12.\u00aa Lua de Xinhai (<span class=\"s3\">\u8f9b\u4ea5<\/span>), quinto ano do reinado do Imperador Xuande [19 de Janeiro de 1431], saindo da Baia do Drag\u00e3o (Longwan) em Nanjing cem juncos, entre eles 61 <i>baochuan<\/i> e uma tripula\u00e7\u00e3o de 27.550 homens. Descendo o <i>Changjiang<\/i>, a armada quatro dias depois, a 10 da 12.\u00aa Lua, chegava a Taicang, aportando em Liujiagang a 21 desse mesmo m\u00eas lunar, o segundo da 12.\u00aa Lua [3 de Fevereiro de 1431].No porto de Liujia (<span class=\"s3\">\u5218\u5bb6\u6e2f<\/span>), Zheng He, com 60 anos, dirigiu-se ao Templo de Tian Fei a pedir, orando \u00e0 deusa Mazu, protec\u00e7\u00e3o e b\u00ean\u00e7\u00e3o para a viagem, deixando no Pal\u00e1cio da Imperatriz Celeste a estela <i>Loudong Liujiagang Tian Fei Gong Shike Tongfan Shiji ji<\/i> <span class=\"s3\">\u5a04\u4e1c<\/span> <span class=\"s3\">\u5218\u5bb6\u6e2f \u5929\u5983\u5bab \u77f3\u523b\u901a\u756a\u4e8b\u8ff9\u8bb0<\/span>. No entanto, esta estela (<span class=\"s3\">\u7891<\/span>, <i>bei<\/i>) desapareceu e sobre ela apenas se sabe o escrito proveniente do reinado do Imperador Ming Jiajing (1522-66), atrav\u00e9s do registo <i>Taicang Zhouzhi<\/i>, <span class=\"s3\">\u592a\u4ed3 \u5dde\u5fd7<\/span> e do livro <i>Wudouwencuixuji<\/i>, <span class=\"s3\">\u5434\u90fd\u6587\u7cb9\u7eed\u96c6<\/span> feito na \u00e9poca por Qian Yi (<span class=\"s3\">\u94b1\u6bc5<\/span>), um habitante de Suzhou.<\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s5\">A estela de 1431, a celebrar o in\u00edcio da s\u00e9tima viagem, segundo a inscri\u00e7\u00e3o refere serem Zheng He e Wang Jinghong os dois principais Grandes Eunucos enviados por o Imperador Xuande e Hong Bao, um dos cinco assistentes com Zhu Liang, Zhou Man, Yang Zhen e Zhang Da (o \u00fanico n\u00e3o Grande Eunuco). Aparece ainda nesse <i>bei<\/i> o nome de Ma Huan (<\/span><span class=\"s9\">\u9a6c\u6b22<\/span><span class=\"s5\"> 1380-1460), conhecido por Ma Zongyuan e nome de cortesia Zongdao, mu\u00e7ulmano (<i>haji<\/i>) com ancestral da \u00c1sia Central. Nascido pr\u00f3ximo de Shaoxing, em Zhejiang, Ma Huan era proficiente na l\u00edngua \u00e1rabe e persa, sendo recrutado por Zheng He como tradutor\/int\u00e9rprete (<i>tongshi<\/i>) participara j\u00e1 na quarta, sexta e agora na s\u00e9tima viagem.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Registado em pedra<br \/>\n<\/b><span class=\"s6\">Da costa de Jiangsu, sem parar nos portos de Zhejiang, a armada passava para a prov\u00edncia de Fujian e no dia 26 da segunda Lua de Xinhai (<\/span><span class=\"s7\">\u8f9b\u4ea5<\/span><span class=\"s6\">) [8 de Abril de 1431] chegava a Changle, ancorando na parte Oeste. A\u00ed, no porto Taiping passou nove meses \u00e0 espera de condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis da mon\u00e7\u00e3o de Nordeste para partir. Aproveitou Zheng He para deixar outra estela, <i>tianfeilingyingzhiji<\/i> (<\/span><span class=\"s7\">\u5929\u5983 \u7075\u5e94 \u4e4b\u8bb0<\/span><span class=\"s6\">), feita no Inverno do sexto ano do reinado de Xuande numa pedra com 1,62 metros de altura e 0,78 m de largura. Em 1930, o Templo Tian Fei, coberto por areia, foi desenterrado sendo descoberta a estela, que referia em 1431 estar Yang Yichu (<\/span><span class=\"s7\">\u6768\u4e00\u521d<\/span><span class=\"s6\">) \u00e0 frente do novo Templo Tian Fei em Changle.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\">Esse <i>bei<\/i> (<span class=\"s3\">\u7891<\/span>), com 31 linhas verticais e 1176 caracteres [nove ileg\u00edveis], regista as sete viagens de Zheng He e refere os comandantes (<span class=\"s3\">\u6b63\u4f7f<\/span>, <i>zhengshi<\/i>) serem Zheng He e Wang Jinghong e os <i>fushi<\/i> (<span class=\"s3\">\u526f\u4f7f<\/span>, subcomandantes), Li Xing (<span class=\"s3\">\u674e\u5174<\/span>), Zhu Liang (<span class=\"s3\">\u6731\u826f<\/span>), Zhou Man (<span class=\"s3\">\u5468\u6ee1<\/span>) Hong Bao (<span class=\"s3\">\u6d2a\u4fdd<\/span>) Yang Zhen (<span class=\"s3\">\u6768\u771f<\/span>) Zhang Da (<span class=\"s3\">\u5f20\u8fbe<\/span>,) Wu Zhong (<span class=\"s3\">\u5434\u5fe0<\/span>). Com o t\u00edtulo de <i>duzhihui<\/i> (<span class=\"s3\">\u90fd\u6307\u6325<\/span>) aparecem Zhu Zhen (<span class=\"s3\">\u6731\u771f<\/span>) e Wang Heng (<span class=\"s3\">\u738b\u8861<\/span>).<\/p>\n<p class=\"p2\">A navegar pelo Rio Min, a armada deixava Changle e contornando a zona da cidade de Fuzhou, no dia 9 da 12.\u00aa Lua de Xinhai (<span class=\"s3\">\u8f9b\u4ea5<\/span>) [12 de Janeiro de 1432] passou por Wuhumen (Passagem dos Cinco Tigres) e entrou no Mar do Sul da China.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Oceano do Oeste<br \/>\n<\/b>Quinze dias velejou para Sul no Oceano Pac\u00edfico e no dia 24 da 12.\u00aa Lua [27 de Janeiro] chegou a Zancheng, (Vijaya, capital do reino hindu\u00edsta de Champa, pr\u00f3ximo onde hoje \u00e9 Qui Nhon, na costa central do Vietname). Da\u00ed partiria 17 dias depois com destino a Surabaya, na Ilha de Zhaowa (Java), onde estava a 6 da segunda Lua do ano Renzi (<span class=\"s3\">\u58ec\u5b50<\/span>) [7 de Mar\u00e7o]. Seguiu a armada viagem no dia 16 da sexta Lua (13 de Julho) e em onze dias atingia Jiugang (Palembang). Partiu no dia 1 da s\u00e9tima Lua (27 de Julho) a caminho de Malaca, onde chegaria a 8 da s\u00e9tima Lua (3 de Agosto). Em Manlajia (Malaca) ficou um m\u00eas pois a 8 da oitava Lua (2 de Setembro) zarpava, chegando em dez dias a Sumendala, a Norte da ilha de Sumatra.<\/p>\n<p class=\"p2\">Em Sumendala (<span class=\"s3\">\u82cf\u95e8\u642d\u524c<\/span>, Semudera, ou Samudra), uma frota comandada por Hong Bao (<span class=\"s3\">\u6d2a\u4fdd<\/span>), onde seguia Ma Huan, separou-se da armada e rumou directamente a Bengala, visitando Chittagong, Sonargaon e a capital Gaur. Depois navegou directamente de Bengala para Calicute, mas a armada principal deixara j\u00e1 Calicute e partira directamente para Ormuz, no Golfo P\u00e9rsico.<\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">Ap\u00f3s a separa\u00e7\u00e3o da frota que seguira para o Mar de Bengala, a armada saira de Sumendala a 10 da 10.\u00aa Lua [2 de Novembro de 1432], chegando a Beruwala no Ceil\u00e3o a 6 da 11.\u00aa Lua [28 de Novembro] e da\u00ed partiu a 10 da 11.\u00aa Lua [2 de Dezembro], subindo pela costa indiana do Malabar, estava oito dias depois em Guli (Calicute), onde ficou quatro dias. De Guli, a armada partiu no dia 22 da 11.\u00aa Lua [14 de Dezembro], atravessando o Mar Ar\u00e1bico directamente at\u00e9 Ormuz. Chegou a 26 da 12.\u00aa Lua [17 de Janeiro de 1433] e no dia 18 da 2.\u00aa Lua [8 de Mar\u00e7o] a armada regressava \u00e0 China. Por aqui ficava o cap\u00edtulo Xia Xiyang do livro <i>Qianwen Ji<\/i>, <\/span><span class=\"s4\">\u524d\u95fb\u8bb0\u4e0b\u897f\u6d0b<\/span><span class=\"s1\"> escrito por Zhu Yunming (<\/span><span class=\"s4\">\u795d\u5141\u660e<\/span><span class=\"s1\">), que regista o nome das cidades e datas de partida e chegada da armada na s\u00e9tima Viagem Mar\u00edtima de Zheng He.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\">Com a frota capitaneada por Hong Bao em Calicute, j\u00e1 tinha a armada da\u00ed zarpado, conseguiu o comandante colocar sete dos seus marinheiros, incluindo Ma Huan, num barco talvez indiano que se dirigia a Jeddah, tendo estes visitado Meca e Medina.<\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s6\">Hong Bao de Calicute prosseguiu navegando ao longo da costa do Mar Ar\u00e1bico, visitando Cambaia (Khanbayat), o Sul da Ar\u00e1bia e Corno de \u00c1frica, incluindo Adem e Mogad\u00edscio. Das sete viagens mar\u00edtimas de Zheng He, esta foi a que percorreu o maior n\u00famero de lugares.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\">As datas registadas no artigo anterior para a s\u00e9tima viagem mar\u00edtima de Zheng He prov\u00eam do cap\u00edtulo <i>Xiaxiyang<\/i> (<span class=\"s3\">\u4e0b\u897f\u6d0b<\/span>) do livro <i>Qianwen Ji<\/i> (<span class=\"s3\">\u524d\u95fb\u8bb0<\/span>) escrito por Zhu Yunming (<span class=\"s3\">\u795d\u5141\u660e<\/span>). Este, nascido no dia 6 da 12\u00aa Lua (1460-61) em Suzhou, Jiangsu, tinha o nome de cortesia Xizhe e o art\u00edstico de Zhishan. Oficial civil com o t\u00edtulo de Juren, foi excelente cal\u00edgrafo e um dos quatro talentos de Wu (Suzhou), que cansado e doente se retirou da vida p\u00fablica, passando at\u00e9 \u00e0 morte em 1527 a pesquisar e escrever sobre assuntos variados.<\/p>\n<p class=\"p2\">Zhu Yunming (1460-1527) no <i>Qianwen Ji <\/i>registou 60 hist\u00f3rias sobre o que de interessante leu, ou escutou, e focado na s\u00e9tima viagem mar\u00edtima de Zheng He tomou conhecimento da exist\u00eancia de dois livros, um escrito por Ma Huan (<span class=\"s3\">\u9a6c\u6b22<\/span>), o <i>Yingya Shenglan<\/i> <span class=\"s3\">\uff08\u701b\u6daf\u80dc\u89c8<\/span>) e o compilado por Fei Xin (<span class=\"s3\">\u8d39\u4fe1<\/span>), o <i>Xingcha Shenglan<\/i> (<span class=\"s3\">\u661f\u69ce \u80dc\u89c8<\/span>). No entanto, disse ter usado informa\u00e7\u00f5es provenientes do reinado de Xuande, logo da s\u00e9tima viagem.<\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s6\">Como os nomes e datas das localidades referidas por Zhu Yunming s\u00e3o iguais \u00e0s apresentadas no Mapa de Navega\u00e7\u00e3o de Zheng He (<i>Zhenghe hanghaitu<\/i>, <\/span><span class=\"s7\">\u90d1\u548c\u822a\u6d77\u56fe<\/span><span class=\"s6\">), encontrado no 240 <i>juan<\/i> (<\/span><span class=\"s7\">\u5377<\/span><span class=\"s6\">, volume, rolo) do livro <i>Wubei Zhi<\/i> (<\/span><span class=\"s7\">\u6b66\u5907\u5fd7<\/span><span class=\"s6\">) de Mao Yuanyi (<\/span><span class=\"s7\">\u8305\u5143\u4eea<\/span><span class=\"s6\">), leva a crer muito provavelmente ter usado as informa\u00e7\u00f5es dessa Carta Na\u00fatica da s\u00e9tima viagem. <\/span><\/p>\n<p class=\"p2\">Os registos de viagens feitos por Fei Xin (1385-1436), natural de Kunshan em Jiangsu, que escreveu <i>Xingcha Shenglan<\/i> (<span class=\"s3\">\u661f\u69ce \u80dc\u89c8<\/span>), em dois volumes, e no primeiro refere os pa\u00edses por ele visitados somarem 22 nas quatro viagens mar\u00edtimas, mas s\u00f3 na s\u00e9tima viagem, embarcando com Zheng He, esteve em 20 pa\u00edses. J\u00e1 Ma Huan (1380-1460) compilou em 1451 o livro <i>Yingya Shenglan<\/i> <span class=\"s3\">\uff08\u701b\u6daf\u80dc\u89c8<\/span>, <i>Vis\u00e3o em Triunfo no Ilimitado Mar<\/i>) e ao conjugar estes livros fica-se a saber ter a armada visitado 29 diferentes lugares, apesar de no mapa de navega\u00e7\u00e3o de Zheng He apenas constarem 24, percebendo-se os outros cinco terem sido apenas abordados por pequenas frotas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p4\"><b>Com mais locais visitados<br \/>\n<\/b><span class=\"s1\">O <i>Ming Shi<\/i> descreve esta viagem referindo ter ido a pelo menos 17 pa\u00edses e adiciona outros destinos como Ganbali, Bengala, Laccadive e a ilha das Maldivas, na Pen\u00ednsula Ar\u00e1bica, Dhofar, Las\u2019a, Adem e Meca, em \u00c1frica, Mogad\u00edscio e Brava. Mas esta viagem cobriu ainda Ormuz, Ceil\u00e3o, Calicute, Cochim, Kayal (Jiayile) no Sul da \u00cdndia, Malaca, Palambeng e outros reinos da ilha de Sumatra, Lambri e Aru, visitados por frotas com subcomandantes (<i>fushi<\/i>, <\/span><span class=\"s4\">\u526f\u4f7f<\/span><span class=\"s1\">) como Li Xing (<\/span><span class=\"s4\">\u674e\u5174<\/span><span class=\"s1\">), Zhu Liang (<\/span><span class=\"s4\">\u6731\u826f<\/span><span class=\"s1\">), Zhou Man (<\/span><span class=\"s4\">\u5468\u6ee1<\/span><span class=\"s1\">) Hong Bao (<\/span><span class=\"s4\">\u6d2a\u4fdd<\/span><span class=\"s1\">) Yang Zhen (<\/span><span class=\"s4\">\u6768\u771f<\/span><span class=\"s1\">) Zhang Da (<\/span><span class=\"s4\">\u5f20\u8fbe<\/span><span class=\"s1\">) e Wu Zhong (<\/span><span class=\"s4\">\u5434\u5fe0<\/span><span class=\"s1\">).<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s6\">As frotas que compunham a armada, se durante a sexta viagem cada uma no \u00cdndico seguira o seu rumo, reagrupando-se nos espec\u00edficos portos com feitoria, escolhidos como pontos de encontro, o mesmo ter\u00e1 ocorrido nesta expedi\u00e7\u00e3o, mencionando na estela de Changle os subcomandantes no in\u00edcio da viagem. Sabemos os registos de navega\u00e7\u00e3o da armada, mas falta-nos os das frotas e os lugares por onde passaram, excepto para a de Hong Bao. O tradutor Ma Huan embarcara na 7.\u00aa viagem com o Grande Eunuco Hong Bao e em 1431 visitou Bengala, Chittagong, Sonargaon, Gaur e Calicute, de onde o comandante o enviou como emiss\u00e1rio a Meca. Ma Huan escreveu no seu livro muito do que se sabe de Hong Bao e o pr\u00f3prio, quando tinha 65 anos, gravou a estela usada na sua sepultura, encontrada em 2010 na Montanha de Zutang, no distrito Jiangning em Nanjing.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s6\">Hong Bao, a capitanear uma das frotas da 7.\u00aa viagem, a maior parte do tempo seguiu outro rumo separado da armada: visitou Bengala e foi a Calicute, onde soube ter j\u00e1 a armada da\u00ed partido e subindo a costa indiana do Mar Ar\u00e1bico, visitou Cambaia (Khanbayat), o Sul da Ar\u00e1bia, a ilha de Socotor\u00e1 e Corno de \u00c1frica, incluindo Adem e Mogad\u00edscio. Ma Huan, de Calicute fora num barco de mercadores locais a Jed\u00e1 (Jeddah), tendo visitado Meca e Medina e preparado a estadia ao mu\u00e7ulmano Comandante Hong Bao para realizar a peregrina\u00e7\u00e3o (<i>haj<\/i>).<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p4\"><b>Pa\u00edses e reinos da viagem<br \/>\n<\/b>Das sete, foi a viagem que percorreu o maior n\u00famero de lugares. De Vijaya, capital do reino hindu\u00edsta de Champa entre 978 e 1485 e conhecida em chin\u00eas por Zhancheng, a armada vai a Surabaya, capital da parte Leste da ilha de Java.<\/p>\n<p class=\"p2\">Passando para o Sul da ilha de Sumatra, visitou Palembang (em chin\u00eas Jiugang e em portugu\u00eas Palimb\u00e3o), onde existia uma grande comunidade chinesa, e cujo prest\u00edgio provinha de quando fora a capital do Imp\u00e9rio Srivijaya (c.650-1377), conhecido dos chineses por Estado Sanfoqi (<span class=\"s3\">\u4e09\u4f5b\u9f50<\/span>). De Palembang (Jiugang) em sete dias estava em Malaca (Manlajia), onde a armada ficou um m\u00eas, podendo alguns barcos terem ido visitar os reinos de Lambri e Aru, na ilha de Sumatra, ou tamb\u00e9m no regresso essa viagem ocorreu.<\/p>\n<p class=\"p2\">A Norte de Sumatra, j\u00e1 em Semudera [Sumendala (<span class=\"s3\">\u82cf\u95e8\u642d\u524c<\/span>), Samudra ou Samudera Darussalam, Pasai ou Pacem], um dos estipulados pontos de reuni\u00e3o dos juncos, a frota comandada por Hong Bao deixou a armada e na companhia de Ma Huan rumaram directamente para Bengala. <span class=\"s2\">O Sultanato Pasai de Samudera, reino fundado em 1267 por o convertido ao Isl\u00e3o sunita Malik ul Salih (1267-1297), era um importante porto mu\u00e7ulmano do s\u00e9culo XIII a XVI, rico em madeiras, pimenta e ouro. Para os chineses, segundo <i>Instru\u00e7\u00f5es do Imperador Hongwu aos seus descendentes<\/i> (<i>Huang-Ming Zuxun<\/i>), era um dos 14 pa\u00edses onde os Ming n\u00e3o deviam fazer campanhas militares contra. De Sumendala, a armada foi ao Ceil\u00e3o e seguiu at\u00e9 Guli (Calicute), ficando a\u00ed quatro dias e partindo no dia 22 da 11.\u00aa Lua [14 de Dezembro], atravessou o Mar Ar\u00e1bico directamente at\u00e9 Ormuz, \u00e0 entrada do Golfo P\u00e9rsico, chegando a 26 da 12.\u00aa Lua de Renzi (<\/span><span class=\"s8\">\u58ec\u5b50<\/span><span class=\"s2\">), 17 de Janeiro de 1433.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\">A frota comandada por Hong Bao, de Guli, singrou ao longo da costa Ocidental da \u00cdndia e chegou a Oman. Da\u00ed passou por Adem e Jed\u00e1 e no regresso do Mar Vermelho cruzou Socotora, reentrando no Mar Ar\u00e1bico e navegando para Sul at\u00e9 \u00c1frica, aportou em Mogad\u00edscio e seguiu para Momba\u00e7a. Sem datas registadas at\u00e9 de novo reunida a armada em Ormuz, partiu esta no dia 18 da 2.\u00aa Lua do ano Guichou (<span class=\"s3\">\u7678\u4e11<\/span>), [8 de Mar\u00e7o], oitavo ano do reinado de Xuande, para a viagem de regresso \u00e0 China.<\/p>\n<p class=\"p4\"><b><br \/>\nO <\/b><b><i>shuji<\/i><\/b><b> da armada<br \/>\n<\/b><span class=\"s2\">Gong Zhen (<\/span><span class=\"s8\">\u5de9\u73cd<\/span><span class=\"s2\">, 1371-1457), natural de Nanjing, foi conselheiro do Imperador Xuande e em 1430 tornou-se Grande Secret\u00e1rio do Almirante Zheng He para a s\u00e9tima viagem mar\u00edtima, sendo nomeado com o t\u00edtulo de <i>Shuji<\/i> (<\/span><span class=\"s8\">\u4e66\u8bb0<\/span><span class=\"s2\">), Secret\u00e1rio Executivo da Armada, a quem os Grandes Eunucos comandantes e os subcomandantes das frotas respondiam.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\">O seu av\u00f4, Gong Shan (<span class=\"s3\">\u5de9\u5584<\/span>1324-1406) em 1354 juntara-se ao ex\u00e9rcito de Zhu Yuanzhang, ajudando \u00e0 cria\u00e7\u00e3o da dinastia Ming e por isso, ele e outros quinze eruditos ficaram com o cargo de escrever o livro da <i>Hist\u00f3ria da dinastia Yuan<\/i> (<i>Yuan Shi<\/i>, <span class=\"s3\">\u5143\u53f2<\/span>), pois o livro sobre a dinastia anterior era redigido por a dinastia reinante.<\/p>\n<p class=\"p2\">O pai, Gong Shu Chao (<span class=\"s3\">\u5de9\u6811\u8d85<\/span>1346-?), no per\u00edodo da dinastia mongol desempenhava o cargo de Oficial de Esquerda (<span class=\"s3\">\u5de6\u4e1e\u76f8<\/span>) vice-Chanceler de Henan, a responder directamente ao Khan e depois, na prov\u00edncia de Huguan. Com o fim da dinastia Yuan escolheu ficar por casa em YingtianFu (<span class=\"s3\">\u5e94\u5929\u5e9c<\/span>, Nanjing) e dedicar-se \u00e0 educa\u00e7\u00e3o do filho Gong Zhen (1371-1457). Este, aos 16 anos seguiu Zhu Di em Beijing e ajudou a dinastia Ming a combater a Norte os mong\u00f3is. Quando em 1405 Zheng He organizava a primeira viagem mar\u00edtima, ofereceu-se para participar. Promovido na s\u00e9tima viagem, trazia j\u00e1 o t\u00edtulo de <i>Shuji<\/i> (<span class=\"s3\">\u4e66\u8bb0<\/span>, Secret\u00e1rio Executivo da Armada) e sendo tradutor, registou em di\u00e1rio os dois anos da expedi\u00e7\u00e3o. Chegada a armada a Nanjing em 1433, Gong Zhen no ano seguinte acabou de escrever o livro <i>Xiyang Fanguozhi<\/i> (<span class=\"s3\">\u897f\u6d0b\u756a\u56fd\u5fd7<\/span>), que na altura n\u00e3o foi publicado. A \u00faltima informa\u00e7\u00e3o proveniente do <i>Livro da Fam\u00edlia Gong<\/i> \u00e9 ter-se tornado professor.<\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">Escrito em 1434, <i>Xiyang Fanguozhi<\/i>, <i>Anais dos Pa\u00edses Estrangeiros no Oceano do Oeste<\/i>, descreve vinte pa\u00edses e reinos, seus usos e costumes, sendo a narra\u00e7\u00e3o da Sagrada Mesquita de Meca muito pormenorizada. Os <i>Registos Hist\u00f3ricos da Dinastia Ming<\/i>, relacionados com os pa\u00edses estrangeiros, parece ter sido retirado do livro de Gong Zhen. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s1\"><b>O final da s\u00e9tima viagem<br \/>\n<\/b><b><\/b><\/span><span class=\"s1\">Ormuz, porto do inicial destino na s\u00e9tima viagem mar\u00edtima de Zheng He, foi tamb\u00e9m o da partida da armada para o regresso ao Celeste Imp\u00e9rio. Pouca informa\u00e7\u00e3o chegou sobre esse per\u00edodo de tempo passado nas costas da Pen\u00ednsula Ar\u00e1bica e \u00c1frica Oriental, assim como as visitas das frotas \u00e0s ilhas no Oceano \u00cdndico. Navegava-se a calcular a latitude, bem como j\u00e1 com as longitudes de cada um desses lugares perdidos numa imensid\u00e3o oce\u00e2nica, sendo os pilotos guiados por as Cartas N\u00e1uticas, a b\u00fassula mar\u00edtima e o rel\u00f3gio, seguindo assim directamente para os lugares pretendidos. <\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">O problema de determinar as longitudes ficara resolvido por o Grande Eunuco Yang Qing (<\/span><span class=\"s4\">\u6768\u5e86<\/span><span class=\"s1\">, c.1366 -1430) quando, como comandante de um <i>baochuan<\/i> da frota de Hong Bao, andara durante as anteriores viagens a singrar no \u00cdndico, para provar a corre\u00e7\u00e3o das medi\u00e7\u00f5es. A sua estela tumular, encontrada em 2005 nos terrenos da Universidade de Aeron\u00e1utica e Astron\u00e1utica de Nanjing, refere que pertencia ao corpo de protec\u00e7\u00e3o pessoal do Imperador, um dos doze departamentos do Duzhijian Taijian (<\/span><span class=\"s4\">\u90fd\u77e5\u76d1\u592a\u76d1<\/span><span class=\"s1\">) e era de uma fam\u00edlia importante do Sul de Yunnan. Ainda crian\u00e7a entrara para o pal\u00e1cio de Zhu Di como eunuco, em conjunto com Ma He (Zheng He) e Hong Bao, ambos tamb\u00e9m da mesma prov\u00edncia. Chamado a Nanjing pelo Imperador Xuande no dia 24 do terceiro m\u00eas, Yang Qing a\u00ed chegou doente a 19 do quarto m\u00eas e morreu no dia 22 do s\u00e9timo m\u00eas de Xinhai (<\/span><span class=\"s4\">\u8f9b\u4ea5<\/span><span class=\"s1\">), 1430, quinto ano do reinado de Xuande; logo, n\u00e3o participou na s\u00e9tima viagem mar\u00edtima.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\">Outro Grande Eunuco, participante nas sete viagens mar\u00edtimas de Zheng He e cujo nome aparece na estela deixada em 1431 no Pal\u00e1cio Tian Fei em Liujiagang, \u00e9 Zhou Man (<span class=\"s3\">\u5468\u6ee1 <\/span>1378-?), que em conjunto com Hong Bao ajudou Yang Qing a explorar o Oceano \u00cdndico. Chegou a mais de 30 pa\u00edses nas Regi\u00f5es Ocidentais e como hip\u00f3tese refere-se ter visitado a Austr\u00e1lia e as costas da Am\u00e9rica do Norte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s1\"><b>Percurso de retorno<br \/>\n<\/b><\/span><span class=\"s1\">A s\u00e9tima viagem mar\u00edtima de Zheng He come\u00e7ara no segundo sexto dia do duplo m\u00eas da 12.\u00aa Lua de Xinhai (<\/span><span class=\"s4\">\u8f9b\u4ea5<\/span><span class=\"s1\">), quinto ano do reinado do Imperador Xuande, 19 de Janeiro de 1431, com a armada de cem juncos, entre eles 61 <i>baochuan<\/i> e uma tripula\u00e7\u00e3o de 27.550 homens, a deixar Nanjing. Dois anos depois atingia Ormuz no Golfo P\u00e9rsico a 26 da 12.\u00aa Lua de Renzi (<\/span><span class=\"s4\">\u58ec\u5b50<\/span><span class=\"s1\">), [17 de Janeiro de 1433] e da\u00ed partiu no dia 18 da 2.\u00aa Lua do ano Guichou (<\/span><span class=\"s4\">\u7678\u4e11<\/span><span class=\"s1\">), [8 de Mar\u00e7o], oitavo ano do reinado de Xuande, para realizar a viagem de regresso \u00e0 China.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\">A 11 da 3.\u00aa Lua [31 de Mar\u00e7o] estava em Guli (Calicute, ou Koli), na parte Ocidental do subcontinente indiano, e no in\u00edcio da quarta Lua [em Abril de 1433] Zheng He, em frente a essa grande cidade comercial, morreu no seu <i>baochuan<\/i> v\u00edtima de doen\u00e7a, ou ferimentos. Os seus marinheiros depositaram o corpo no mar, ap\u00f3s as devidas cerim\u00f3nias f\u00fanebres, e por isso, no t\u00famulo de Zheng He, na colina de Niushou em Nanjing, n\u00e3o se encontram vest\u00edgios do corpo, mas apenas cont\u00e9m roupas.<\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s6\">No comando da armada ficou Wang Jinghong, que deixou Calicute a 9 de Abril. A 26 da 5.\u00aa Lua, 13 de Junho, encontrava-se em Zancheng (Vijaya), deixando-a no dia 1 da 6.\u00aa Lua, 17 de Junho. Singrando, no dia 9 avistava a Montanha Nan Ao \u2014 um dos muitos registos geogr\u00e1ficos do cap\u00edtulo <i>Xiaxiyang<\/i> (<\/span><span class=\"s7\">\u4e0b\u897f\u6d0b<\/span><span class=\"s6\">) do livro <i>Qianwen Ji<\/i>, <\/span><span class=\"s7\">\u524d\u95fb\u8bb0<\/span><span class=\"s6\">, de onde prov\u00eam estas informa\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\">O Grande Eunuco Wang Jinghong (<span class=\"s3\">\u738b\u666f\u5f18<\/span>, 1356?-c.1434), nascido na prov\u00edncia de Fujian, participou nas sete viagens mar\u00edtimas da armada de Zheng He entre 1405-33 e, por morte do Grande Almirante, comandou a armada da s\u00e9tima<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>viagem no regresso \u00e0 China. Em 1434, com 78 anos realizou ainda uma outra viagem a Sumatra, mas no caminho faleceu num naufr\u00e1gio, sendo sepultado em Semarang, na ilha de Java.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p4\"><b>Fim de uma hist\u00f3ria gloriosa<br \/>\n<\/b><b><\/b>Em Portugal o Rei D. Jo\u00e3o I falecia em 1433 e na \u00cdndia o almirante chin\u00eas Zheng He morria em frente a Calicute, 65 anos antes de Vasco da Gama a\u00ed chegar. A China fechava o ciclo das suas navega\u00e7\u00f5es mar\u00edtimas com mais de um mil\u00e9nio, quando Gil Eanes dobrava o Cabo Bojador numa barca de 30 toneladas, sem qualquer coberta, com remos e apenas uma vela triangular. A caravela, uma inven\u00e7\u00e3o portuguesa de 1436, permitiu navegar no alto-mar e em todos os oceanos. Tinha menos de 20 metros; era um barquinho comparado com o <i>baochuan<\/i>, de 150 metros de comprimento e 50 de largura, usado nas imperiais viagens mar\u00edtimas capitaneadas pelos Grandes Eunucos e realizadas nos reinados de Yongle e Xuande. Ap\u00f3s estes dois imperadores da dinastia Ming, os oficiais mandarins come\u00e7aram a n\u00e3o permitir serem as viagens feitas e a tentar escond\u00ea-las. Retirando-se do mar e com um diminuto n\u00famero de juncos, a Corte chinesa deixou de dar permiss\u00e3o aos pa\u00edses para realizar embaixadas tribut\u00e1rias e a falta dos fabulosos produtos chineses logo originou o aumento da pirataria. Os mercadores portugueses conseguiam dos chineses sobretudo a seda trocando-a por prata vinda do Jap\u00e3o. Nas prov\u00edncias costeiras da China, sem os rendimentos do com\u00e9rcio com o estrangeiro, a pobreza instalara-se, faltando mesmo prata para pagar o ordenado dos mandarins e funcion\u00e1rios, levando-os a deixarem-se subornar e, a troco de fecharem os olhos, receber vantajosas prendas.<\/p>\n<p class=\"p2\">Durante a viagem da Embaixada de Tom\u00e9 Pires a Beijing e o seu regresso a Guangzhou, muito acontecia na costa Sul da China. No Delta do Rio das P\u00e9rolas, a p\u00e9ssima imagem de pirata deixada por Sim\u00e3o de Andrade e pelos mercadores portugueses, ao n\u00e3o acatarem a suspens\u00e3o obrigat\u00f3ria das actividades ap\u00f3s a morte do imperador, levou em Setembro de 1521 a ocorrer ao largo do porto de Tunmen a primeira batalha naval entre portugueses e chineses. Derrotados, os portugueses, banidos do Celeste Imp\u00e9rio, esconderam-se pelas ilhas dos mares de Guangdong, onde esperavam a seda trazida clandestinamente por chineses.<\/p>\n<p class=\"p2\">No porto de Ningbo, em 1523, ocorrera um confronto entre dois diferentes grupos de comerciantes japoneses e essa desaven\u00e7a, conhecida no registo chin\u00eas por <i>Incidente Mingzhou<\/i> (at\u00e9 1381 o nome de Ningbo), espalhou-se pela cidade com pilhagens e feridos locais, levando os governantes Ming a proibir o com\u00e9rcio com os japoneses e da\u00ed reaparecerem na pirataria, os <i>wokou<\/i>.<\/p>\n<p class=\"p2\">Logo no in\u00edcio da dinastia Ming, em 1373 o Imperador Hongwu (1368-1398) \u201cmandava ao Jap\u00e3o dois monges como seus enviados, pedindo que cessassem as actividades Wako (<i>Wokou<\/i>) contra a navega\u00e7\u00e3o e as costas chinesas\u201d, refere Gon\u00e7alo Mesquitela e continuando nas suas informa\u00e7\u00f5es, em 1401 o Jap\u00e3o tornou-se de novo tribut\u00e1rio da China, prometendo acabar com os wako a troco de uma viagem de dez em dez anos. Nesse dec\u00e9nio houve seis. \u201cCom um acordo comercial mais liberal, recome\u00e7ou o com\u00e9rcio em 1432, sob a mesma base de uma embaixada decenal, mas com mais navios\u201d.<\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">Pelas leis <i>hai jin<\/i> (banir do mar) todo o com\u00e9rcio com o estrangeiro teria de ser feito formalmente por miss\u00f5es tribut\u00e1rias, pol\u00edtica que bania os privados do com\u00e9rcio mar\u00edtimo e da navega\u00e7\u00e3o de costa. Com as costas mar\u00edtimas de Guangdong fechadas, os imensos interesses dos comerciantes chineses emigrados, piratas por contraven\u00e7\u00e3o \u00e0s leis, proibidos de regressar \u00e0s suas terras, dependiam dos portugueses para manter a comunica\u00e7\u00e3o com os seus na China. Da\u00ed os portos clandestinos de com\u00e9rcio serem desviados para Norte. Segundo Montalto de Jesus, \u201clevaram-nos a Liamp\u00f3 (Ningpo), onde os mandarins, largamente subornados, faziam vista grossa ao com\u00e9rcio proibido, que, com o passar do tempo, se estendeu a Chincheu, chegando a restabelecer-se \u00e0s pr\u00f3prias portas de Cant\u00e3o.&#8221; Estes portos redobrariam de interesse quando os portugueses localizaram as ilhas Sul do Jap\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\">Os portugueses \u201cenvolveram-se com os piratas chineses e japoneses (<i>wokou<\/i>) em neg\u00f3cios il\u00edcitos de elevados lucros, dando, assim, origem a uma col\u00f3nia portuguesa, Liamp\u00f3, a segunda maior da \u00c1sia, de import\u00e2ncia apenas inferior \u00e0 de Malaca\u201d, refere Victor F. S. Sit no livro <i>Macau ao Longo de 500 anos<\/i>.<\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">Mercadores e aventureiros portugueses estabeleciam-se em 1526 na prov\u00edncia de Zhejiang, em Liamp\u00f3, a Norte da actual Ningbo, nas ilhas de Shuangyu, mais propriamente em Liu Heng (<\/span><span class=\"s4\">\u516d\u6a2a<\/span><span class=\"s1\">), situada no Delta do Rio Yangtz\u00e9. Devido ao porto abrigado estar afastado da costa, fora da vista e conhecimento dos mandarins, os portugueses a\u00ed fizeram uma povoa\u00e7\u00e3o com mil casas, uma municipalidade, uma assembleia, um tribunal, duas igrejas e um hospital. Era \u201cum munic\u00edpio oficializado como cidade portuguesa e intitulado, nos testamentos e escrituras, Esta muy nobre e sempre leal cidade de Liamp\u00f3, pelo Rey nosso Senhor, como se se situasse em Portugal. A col\u00f3nia atingiu o auge da sua prosperidade depois da descoberta do Jap\u00e3o (ocorrida entre 1542 e 1543). O com\u00e9rcio, calculado em mais de tr\u00eas milh\u00f5es de cruzados de ouro, rendia tr\u00eas ou quatro vezes o capital investido. A comunidade era de mil e duzentos portugueses e mil e oitocentos orientais, que por ali prosperavam sem ser molestados pelos piratas\u201d, segundo Montalto de Jesus. Nesse escondido porto, a cidade de Liamp\u00f3 foi criada com a ajuda e consentimento dos locais, a quem os portugueses faziam o transporte das mercadorias para o exterior da China, at\u00e9 Malaca, mas essas viagens ressentiam-se fortemente devido \u00e0s investidas dos imperiais juncos de Fujian.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\">Quando, em 1547, Zhu Wan, chefe militar de Zhejiang, tomou conhecimento de Liamp\u00f3, atacou-a e incendiou todas as casas e barcos utilizados no com\u00e9rcio ilegal, mandando encerrar o porto. Expulsos, os portugueses fugiram para Sul e na prov\u00edncia de Fujian (<span class=\"s3\">\u798f\u5efa<\/span>), em Yuegang (<span class=\"s3\">\u6708\u6e2f<\/span>), entre Zhangzhou (<span class=\"s3\">\u6f33\u5dde<\/span>, Chincheo) e Amoy (actual Xiamen), encontraram um ref\u00fagio nesse porto de piratas. Yuegang ficaria transformado no ano 1567 em porto oficial, o \u00fanico aberto legalmente ao com\u00e9rcio com estrangeiros.<\/p>\n<p class=\"p2\">Devido \u00e0 preferencial localiza\u00e7\u00e3o, os portugueses acabaram em Sancho\u00e3o (Shangchuan) e Lampacau (Langbai), ilhas da prov\u00edncia de Guangdong, que seriam os \u00faltimos pontos de paragem antes de se estabelecerem em Macau em 1557.<\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">Sem conseguir controlar a pirataria, quando subiu ao trono o Imperador Longqing (1567-1572), 13.\u00ba da dinastia Ming, voltou a colocar a Administra\u00e7\u00e3o a reger o com\u00e9rcio mar\u00edtimo estrangeiro e assim, em 1567 a China abria-se de novo para o exterior, permitindo a visita de embaixadas tribut\u00e1rias. Para o trato com o Jap\u00e3o [antigo pa\u00eds tribut\u00e1rio] estipulou ser exclusivamente feito por Ningbo e s\u00f3 uma vez a cada dez anos podiam os japoneses visitar o porto e levar no m\u00e1ximo dois barcos e 300 homens. Com Luzon (Lu\u00e7\u00e3o, Filipinas) s\u00f3 de Fuzhou e as embaixadas dos Sultanatos da Indon\u00e9sia exclusivamente em Guangzhou. Tamb\u00e9m aos marinheiros e negociantes de Zhejiang, Fujian e Guangdong, foi dada permiss\u00e3o de participar com os seus barcos no com\u00e9rcio, feito at\u00e9 a\u00ed clandestinamente. Da\u00ed a pirataria desvanecer.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p4\"><b>Reavivar mem\u00f3ria<br \/>\n<\/b>Quando a dinastia manchu dos Qing (1644-1911) ocupou o trono, j\u00e1 n\u00e3o restava mem\u00f3ria das viagens mar\u00edtimas chinesas Ming finalizadas em 1434 e desde o s\u00e9culo seguinte sem documentos para a expor. Uma vaga lembran\u00e7a de nomes e sem Hist\u00f3ria do ocorrido caiu no esquecimento.<\/p>\n<p class=\"p2\">Em 1904 apareceu uma tese sobre as viagens de Zheng He , <span class=\"s3\">\u90d1\u548c\u4f20<\/span>, <i>Zheng He zhuan<\/i>, escrita por Liang Qichao e publicada no jornal XinMinCong (<span class=\"s3\">\u65b0\u6c11\u4e1b\u62a5<\/span>).<\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">Liang Qichao (<\/span><span class=\"s4\">\u6881\u542f\u8d85<\/span><span class=\"s1\">, 1873-1929) nascido em Xinhui, Guangdong, nos Exames Imperiais (<i>Keju<\/i>) atingiu o grau de <i>Jinshi<\/i>. Em 1898, levado por o seu professor Kang Youwei participou no movimento revolucion\u00e1rio reformista anti-Qing. J\u00e1 no per\u00edodo da Rep\u00fablica da China foi Ministro da Justi\u00e7a entre Setembro de 1913 e Fevereiro de 1914, Ministro das Finan\u00e7as de Julho a Novembro de 1917 e Director da Biblioteca Imperial de Beijing entre Dezembro de 1925 e Junho de 1927. Com o artigo, Liang Qichao deu \u00e0 colectiva mem\u00f3ria um cap\u00edtulo da Hist\u00f3ria chinesa esquecido por mais de quatro s\u00e9culos e com ele abriu a pol\u00e9mica da realidade, quase imposs\u00edvel perante os astron\u00f3micos n\u00fameros, tanto no tamanho dos juncos, referindo barcos de 150 metros de comprimento, na grande variedade e quantidade [centenas, atingindo os milhares] de embarca\u00e7\u00f5es por armada e as dezenas de locais no estrangeiro visitados nessas viagens.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\">O inacredit\u00e1vel encontrou prova em 1962, ao desenterrar nos estaleiros do Tesouro em Nanjing um enorme leme de 11 metros de comprimento e pelo tamanho corresponderia a um junco de aproximadamente 200 metros (600 p\u00e9s) de comprimento.<\/p>\n<p class=\"p2\">Da\u00ed, com maior afinco foram realizadas investiga\u00e7\u00f5es, tanto na China como nos pa\u00edses e reinos visitados nas sete Viagens Mar\u00edtimas e englobada num todo, genericamente ficou denominada Rota Mar\u00edtima da Seda, por contar a seda como cabe\u00e7a de mercadoria.<\/p>\n<p class=\"p2\">\u00c0s rotas mar\u00edtimas foram dados os nomes dos produtos, cuja raridade os faziam cobi\u00e7ados, ou no valor e quantidade transportados, sendo a seda, a porcelana e o ch\u00e1 os mais desejados.<\/p>\n<p class=\"p2\">Os portugueses chegaram \u00e0 China com os ensinamentos adquiridos dos mu\u00e7ulmanos, que por sua vez tinham aprendido com os chineses, juntando ao mundo civilizado a afastada Europa, local sempre em guerras e no s\u00e9culo XV fora dos circuitos comerciais dos oceanos \u00cdndico e Pac\u00edfico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h3 class=\"p1\"><span class=\"s1\">GRANDES EUNUCOS. Que papel?<br \/>\n<\/span><span class=\"s3\"><b>(<\/b><\/span><span class=\"s4\">\u592a\u76d1<\/span><span class=\"s3\"><b>, <\/b><\/span><span class=\"s5\">Tai Jian<\/span> <span class=\"s3\"><b>)<\/b><\/span><\/h3>\n<p class=\"p1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-843 alignleft\" src=\"http:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/60-227x300.jpg\" alt=\"\" width=\"227\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/60-227x300.jpg 227w, https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/60.jpg 276w\" sizes=\"auto, (max-width: 227px) 100vw, 227px\" \/>N<span class=\"s1\">o reinado<\/span> do primeiro imperador da dinastia Ming, os eunucos (<span class=\"s2\"><i>Huan Guan<\/i><\/span>, <span class=\"s3\">\u5ba6\u5b98<\/span>) apenas faziam o servi\u00e7o de criados e tratavam do har\u00e9m. Eram proibidos de estudar e ocupar lugares na Administra\u00e7\u00e3o. Com a queda dos mong\u00f3is no Yunnan, in\u00fameros jovens, novos eunucos, foram para Beiping servir Zhu Di, e a\u00ed, al\u00e9m de o ajudarem nas lutas contra os mong\u00f3is, estudaram os principais temas da civiliza\u00e7\u00e3o chinesa. Com a vit\u00f3ria na guerra civil, Zhu Di tornou-se no imperador Yongle e atribuiu-lhes lugares na Administra\u00e7\u00e3o, o que irritou os mandarins. Elevou-os tamb\u00e9m a comandantes navais, dando aos que mais contribu\u00edram para a sua vit\u00f3ria militar a posi\u00e7\u00e3o de Grande Eunuco (<span class=\"s3\">\u592a\u76d1<\/span>, <span class=\"s2\"><i>Tai Jian<\/i><\/span>) e colocou-os a capitanear os grandes barcos do Tesouro. Entre eles estavam Ma He (<span class=\"s3\">\u9a6c\u548c<\/span>), que em 1404 tomou o nome de Zheng He <span class=\"s3\">(\u90d1\u548c<\/span>), Wang Jinghong <span class=\"s3\">(\u738b\u666f\u5f18)<\/span>, Hou Xian <span class=\"s3\">(\u4faf\u663e<\/span>), Hong Bao (<span class=\"s3\">\u6d2a\u4fdd)<\/span>, Li Xing <span class=\"s3\">(\u674e\u5174<\/span>), Zhou Wen (<span class=\"s3\">\u5468\u6587<\/span>), Yang Qing <span class=\"s3\">(\u6768\u5e86<\/span>) e Fei Xin (<span class=\"s3\">\u8d39\u4fe1<\/span>).<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s4\">Ma He nasceu no ano de 1371 na aldeia Hedai em Baoshen, prefeitura de Kunyang (actual Jinning), a 30 km a Sul de Kunming, capital da prov\u00edncia de Yunnan. A hist\u00f3ria da sua fam\u00edlia est\u00e1 escrita na pedra tumular que mandou erigir em 1411, ap\u00f3s o regresso da sua terceira viagem mar\u00edtima quando, com a alta patente de Grande Eunuco, voltou \u00e0 sua terra natal. A fam\u00edlia de apelido Ma emigrara para a China em 1070 durante a dinastia Song e o seu antepassado Sayid Ajall Shams al-Din Omar (1211-1279), descendente de uma fam\u00edlia nobre mu\u00e7ulmana de Bucara (Bukhara, actual Uzebequist\u00e3o), tornou-se oficial de alta patente do ex\u00e9rcito mongol durante a dinastia Yuan, sendo a sua participa\u00e7\u00e3o importante para capturar Xianyang, o que levou Kublai Khan, em 1274, a envi\u00e1-lo como Governador para Yunnan. Tal como os antepassados, o av\u00f4 e o pai de Ma He professavam a religi\u00e3o isl\u00e2mica e realizaram a peregrina\u00e7\u00e3o a Meca, ficando por isso com o t\u00edtulo honor\u00edfico de Hazhi e da\u00ed o seu pai Milijin ter mudado o nome para Ma Haji, sendo ent\u00e3o um oficial rural Yuan na prov\u00edncia de Yunnan.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">Ma He (mais tarde Zheng He) nascera j\u00e1 na dinastia Ming e pertencia \u00e0 sexta gera\u00e7\u00e3o descendente de Sayid Edjell. A sua experi\u00eancia de navega\u00e7\u00e3o ocorreu ainda na cidade de Kunyang, situada na margem Sul do lago Dianchi, cujo per\u00edmetro de 250 km proporcionou desde tenra idade a San Bao (nome por que era conhecido) um contacto com os barcos pois a\u00ed havia um porto de pesca e de mercadorias.<\/p>\n<p class=\"p3\">Em 1382, o ex\u00e9rcito Ming conquistou a prov\u00edncia de Yunnan aos mong\u00f3is e os homens mu\u00e7ulmanos a eles ligados foram mortos, enquanto as crian\u00e7as e jovens foram castrados, sendo levados para servir como eunucos na corte imperial. Tal ocorreu a Ma He quando tinha 12 anos, seguindo para Beiping onde ficou ao servi\u00e7o de Zhu Di, quarto filho do Imperador Hongwu. Devido \u00e0s suas qualidades e intelig\u00eancia estrat\u00e9gica, Ma He prestou grande apoio militar na guerra contra os mong\u00f3is e na conquista ao Imperador Jianwen de Nanjing em 1402. Bem-sucedido, Zhu Di j\u00e1 como imperador Yongle, mudou em 1404 o nome do amigo para Zheng He e promoveu-o a chefe dos eunucos, entregando-lhe a gest\u00e3o dos assuntos gerais do Pal\u00e1cio Imperial e pouco depois, nomeou-o almirante da armada.<\/p>\n<p class=\"p3\">Outro eunuco com a posi\u00e7\u00e3o de <span class=\"s2\"><i>Tai Jian<\/i><\/span> foi Wang Jinghong (<span class=\"s3\">\u738b\u666f\u5f18<\/span>, 1356?-c.1434), nascido na aldeia de Xiang Liao, distrito de Chi Shui, prefeitura de Zhang Ping, na prov\u00edncia de Fujian. Entrou ao servi\u00e7o da corte Ming no reinado de Hongwu e entre 1399-1402 tamb\u00e9m ajudou Zhu Di a chegar ao trono, sendo um bom comandante militar e por isso o imperador Yongle, nomeou-o em 1405 subcomandante de Zheng He na primeira expedi\u00e7\u00e3o. Na segunda viagem, no Sri Lanka ofereceu sacrif\u00edcios no Templo Li Fo, onde deixou um <span class=\"s2\"><i>bei<\/i><\/span> (estela). J\u00e1 no regresso da terceira viagem, em 1409 esteve em Malaca onde construiu a muralha e a feitoria. Para al\u00e9m de participar nas sete viagens mar\u00edtimas da armada de Zheng He, entre 1405-33, realizou em 1434 uma outra viagem a Sumatra, mas no caminho, num naufr\u00e1gio faleceu com 78 anos, sendo sepultado em Semarang na ilha de Java.<\/p>\n<p class=\"p3\">J\u00e1 Hou Xian (<span class=\"s3\">\u4faf\u663e<\/span>, 1365-c.1438), nascido em Taozhou (hoje Lintan, prov\u00edncia de Gansu), pertencia ao grupo tibetano Zang (<span class=\"s3\">\u85cf<\/span>) e tinha treze anos quando em 1378 o ex\u00e9rcito Ming foi enviado para reconquistar a zona. Capturado, foi castrado, seguindo como eunuco para servir na corte Ming. Em 1403, com a posi\u00e7\u00e3o de <span class=\"s2\"><i>shaojian<\/i><\/span> (<span class=\"s3\">\u5c11\u76d1<\/span>), o imperador escolheu-o como emiss\u00e1rio para ir \u00e0 \u00e1rea de Tufan (<span class=\"s3\">\u5410\u8543<\/span>) habitada pelo povo Zang e na zona de WuSiZang (<span class=\"s3\">\u4e4c\u601d\u85cf<\/span>) convidou HaLiMa <span class=\"s3\">(\u54c8\u7acb\u9ebb<\/span>), Deshin Shekpa (1340-1415), Quinto Lama Karmapa Gyalwa, l\u00edder espiritual da Escola Kagyu do Budismo Tibetano, para ir \u00e0 capital.<\/p>\n<p class=\"p3\">Devido ao bom trabalho realizado, o Imperador elevou Hou Xian ao posto de <span class=\"s2\"><i>Tai Jian<\/i><\/span> (Grande Eunuco), posi\u00e7\u00e3o com que participou na 2.\u00aa viagem mar\u00edtima de Zheng He e na 3.\u00aa expedi\u00e7\u00e3o foi nomeado por Yongle como um dos tr\u00eas comandantes da armada, a par com Zheng He e Wang Jinghong. Os <span class=\"s2\"><i>Registos Hist\u00f3ricos da dinastia Ming<\/i><\/span> falam dele na sec\u00e7\u00e3o Hou Xian Zhuan, sendo com Zheng He os dois \u00fanicos eunucos a\u00ed referidos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h3 class=\"p1\">Estaleiro do Tesouro &#8211; <span class=\"s1\">Os barcos que assombraram o mundo<br \/>\n<\/span><\/h3>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-846 alignleft\" src=\"http:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/63-300x237.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"237\" srcset=\"https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/63-300x237.jpg 300w, https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/63.jpg 404w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>A<\/span><span class=\"s2\">ctual capital<\/span><span class=\"s1\"> da prov\u00edncia de Jiangsu, Nanjing foi capital da dinastia Ming, de 1386 a 1421, e era a maior cidade comercial do Celeste Imp\u00e9rio, contando com uma popula\u00e7\u00e3o de um milh\u00e3o de pessoas. Ma He (Zheng He) tinha em Nanjing a sua resid\u00eancia, local de trabalho e centro de log\u00edstica para armazenar os utens\u00edlios destinados \u00e0 armada na rua Mafujie (Maliujia), um espa\u00e7o com 74 salas a ocupar 2,4 hectares, existente ainda no reinado do s\u00e9timo imperador Qing Xianfeng (1851-1861). O edif\u00edcio ardeu durante a revolta Taiping, quando em Mar\u00e7o de 1853 o ex\u00e9rcito Taiping entrou em Nanjing e, matando todos os manchus, fez da cidade, a que deu o nome de Tianjing, a capital do Grande Reino da Paz Celestial. <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">Muitos dos juncos dessa armada foram constru\u00eddos no estaleiro situado a Noroeste de Nanjing, na zona de San Che He, compreendida entre as aldeias de Zhong Bao e Shang Bao, ao longo do Changjiang, onde existiam sete longas docas secas (zuo tang) dispostas paralelamente na direc\u00e7\u00e3o Nordeste a fazerem um \u00e2ngulo de 62\u00b0. Segundo alguns investigadores, nessa \u00e1rea estariam dois diferentes estaleiros de \u00e9pocas distintas: o Longjiang feito no reinado do Imperador Hongwu e o do Tesouro constru\u00eddo no terceiro ano do reinado de Yongle, mas h\u00e1 quem contraponha ser de data anterior e 1405 corresponder apenas ao nome dado: <\/span><span class=\"s3\"><i>baochuan chang<\/i><\/span><span class=\"s1\">.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">Ocupando uma \u00e1rea de mil <\/span><span class=\"s3\"><i>mu<\/i><\/span><span class=\"s1\"> (666.700 m2), no recinto do estaleiro viviam cerca de 20 mil pessoas e para nele entrar os empregados tinham de mostrar um d\u00edstico espec\u00edfico, um bilhete de identidade onde constava o posto que ocupavam. A\u00ed existiam os departamentos administrativos, locais para os trabalhadores, com centenas de casas para morarem, mercado e tamb\u00e9m armaz\u00e9ns. Laborava-se dia e noite e havia capacidade para construir simultaneamente mais de uma centena de barcos. Aqui o Imperador Yongle ordenou fazer ou reparar 2787 juncos.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">O livro da dinastia Ming <\/span><span class=\"s3\"><i>Longjiang Chuan Chang Zhi <\/i><\/span><span class=\"s4\">\u300a\u9f99\u6c5f\u8239\u5ee0\u5fd7\u300b<\/span><span class=\"s1\"> refere a organiza\u00e7\u00e3o do trabalho nos estaleiros, onde entre as docas havia sete grandes locais para espec\u00edficos trabalhos, como criar e escolher os modelos dos juncos, realizar os c\u00e1lculos para as diferentes partes dos barcos, metalurgia, produ\u00e7\u00e3o de cabos, cordas e velas. <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">No departamento dedicado \u00e0s madeiras existiam v\u00e1rias sec\u00e7\u00f5es: numa eram armazenadas, marcando-se as proveni\u00eancias com algarismos que tamb\u00e9m indicavam a que parte da embarca\u00e7\u00e3o eram destinadas. Existiam mais treze pequenos locais para outros prop\u00f3sitos. Tudo ficava registado e quando havia necessidade de fazer alguma repara\u00e7\u00e3o era f\u00e1cil localizar o material para substituir e quem se deveria responsabilizar, al\u00e9m de se prevenir comportamentos corruptos.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">Usando o modelo do junco de Fujian, o fuchuan, com o casco em V, realizando algumas transforma\u00e7\u00f5es criou-se entre outros o barco do Tesouro, <\/span><span class=\"s3\"><i>baochuan<\/i><\/span><span class=\"s1\">, com mais de 120 metros de comprimento, 50 metros de largura e nove mastros, capaz de deslocar 8 mil toneladas.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s5\">A meio do estaleiro, entre a primeira e a quarta doca estava o templo a Tian Fei, chamado pelos locais Niang Niang Miao. Quando um junco ficava pronto realizava-se uma cerim\u00f3nia onde a deusa era convidada a percorrer o interior da embarca\u00e7\u00e3o, havendo nos barcos um local especial para o altar. Inundada a doca com a \u00e1gua do Rio Jia sa\u00eda o junco a navegar para entrar no Yangtz\u00e9.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">Em 2014 volt\u00e1mos a Nanjing \u00e0 procura dos Estaleiros do Tesouro (<\/span><span class=\"s3\"><i>Baochuan chang<\/i><\/span><span class=\"s1\">), situados fora da muralha da cidade. Os trabalhos arqueol\u00f3gicos, iniciados em 2003, estavam j\u00e1 realizados em Setembro de 2004, tendo sido aberto no ano seguinte o Parque Baochuan como atrac\u00e7\u00e3o tur\u00edstica e museu. Apenas uma doca dos estaleiros fora estudada pois o local das restantes seis tinha sido ocupado por edif\u00edcios de habita\u00e7\u00e3o devido \u00e0 expans\u00e3o da cidade.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s5\">A doca n\u00famero 6 tinha 421 metros de comprimento e 41 de largura, havendo nela 3,5 metros de altura de lodo de onde foram retirados 1500 artefactos, sobretudo madeiras, algumas pintadas, pregos e cer\u00e2mica. Muito se questionou sobre as dimens\u00f5es dos barcos do Tesouro que, segundo o livro Ming Shi <\/span><span class=\"s6\">\u300a\u660e\u53f2\u300b\u300a\u660e\u53f2\u5217\u4f20\u7b2c\u4e00\u767e\u4e5d\u5341\u4e8c\u5ba6\u5b98\u4e8c\u300b<\/span><span class=\"s5\">, o baochuan contava com 44 zhang de comprimento e 18 de largura. Mas Ma Huan (<\/span><span class=\"s6\">\u9a6c\u6b22<\/span><span class=\"s5\">), que como tradutor viajou na armada de Zheng He, refere ter o maior baochuan 44,4 zhang comprimento por 18 de largura, enquanto o de tamanho m\u00e9dio contava com 37 zhang de comprimento e 15 de largura. Se 1 zhang corresponde a 3,333 metros ent\u00e3o esta doca n\u00e3o tinha largura suficiente para a constru\u00e7\u00e3o do <\/span><span class=\"s3\"><i>baochuan<\/i><\/span><span class=\"s5\"> maior e da\u00ed as d\u00favidas de muitos investigadores do real tamanho do barco, algo inacredit\u00e1vel.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">Deste estaleiro sairia parte dos navios da armada e os baochuan, feitos com madeiras preciosas, onde seguiria o almirante Zheng He, transportando os ex\u00f3ticos produtos chineses para trocar por outros de grande valor, como \u00e2mbar-cinzento, especiarias, pedras preciosas e outros tesouros, dando assim origem ao nome do maior junco da armada.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p class=\"p1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-847 alignleft\" src=\"http:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/65-300x115.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"115\" srcset=\"https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/65-300x115.jpg 300w, https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/65.jpg 500w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>M<span class=\"s1\">uita madeira<\/span> <span class=\"s1\">teca<\/span> foi precisa na constru\u00e7\u00e3o de in\u00fameros e enormes juncos para criar uma armada. Al\u00e9m das \u00e1rvores desbastadas nas prov\u00edncias chinesas, ainda foi necess\u00e1rio recorrer a florestas de outros pa\u00edses.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s2\">As inven\u00e7\u00f5es chinesas como o leme de popa e o sistema de o i\u00e7ar e baixar, a divis\u00e3o do casco do barco em compartimentos estanques, as velas e a b\u00fassola mar\u00edtima, permitiram aos juncos chineses chegar por mar aberto a long\u00ednquos pa\u00edses e regi\u00f5es, do Oceano Pac\u00edfico, at\u00e9 ao continente americano e no \u00cdndico, do Golfo P\u00e9rsico \u00e0s costas de \u00c1frica Oriental. &#8220;O leme enquanto instrumento de manobra foi uma inven\u00e7\u00e3o dos antigos construtores de barcos de Guangdong\u201d, segundo Joseph Needham, que elogia e reconhece ser essa inven\u00e7\u00e3o pioneira no mundo n\u00e1utico.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s3\">Tamb\u00e9m a passagem dos lemes laterais para um leme centrado na popa (a parte traseira do junco) come\u00e7ou a ser utilizado no s\u00e9culo I, aparecendo na Europa no s\u00e9culo XIII. Este leme axial, fixado no eixo longitudinal da embarca\u00e7\u00e3o, variava nas formas e dimens\u00f5es conforme as condi\u00e7\u00f5es de navega\u00e7\u00e3o, tendo um sistema de roldanas a i\u00e7ar e baix\u00e1-lo, permitindo assim entrar em zonas de fundos baixos. Existe o leme perfurado, para menor resist\u00eancia \u00e0 for\u00e7a da \u00e1gua e o leme compensado, em que parte da superf\u00edcie da porta do leme se encontra para tr\u00e1s do eixo, a dar uma manobra mais f\u00e1cil. No baochuang de Zheng He o leme tinha 11,7 metros e por isso havia necessidade de uma grande roldana para o descer ou subir.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s2\">O vento era a for\u00e7a motriz das embarca\u00e7\u00f5es e os das mon\u00e7\u00f5es permitia percorrer grandes dist\u00e2ncias devido \u00e0 sua ac\u00e7\u00e3o nas in\u00fameras velas quadradas feitas de junco, refor\u00e7adas por ripas de bambu transversais e colocadas nos m\u00faltiplos mastros. O aparecimento da vela na China ter\u00e1 ocorrido pelo menos no in\u00edcio do primeiro mil\u00e9nio antes da nossa Era. <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">As anteparas nos barcos chineses existiam desde o s\u00e9culo II colocadas transversalmente nos cascos para tornar estanques as diversas sec\u00e7\u00f5es das embarca\u00e7\u00f5es, diminuindo os riscos destes se afundarem. Ideia da observa\u00e7\u00e3o da cana de bambu cujo interior est\u00e1 dividido por septos transversais. O capit\u00e3o Fern\u00e3o Peres de Andrade em 1517 \u00e0s portas de Cant\u00e3o, na Boca do Tigre, ao observar a constru\u00e7\u00e3o de um barco viu serem-lhe colocadas anteparas no interior do casco, tomando os europeus pela primeira vez conhecimento dessa t\u00e9cnica, mas s\u00f3 a utilizaram no s\u00e9culo XVIII.<\/p>\n<p class=\"p3\">Na armada de Zheng He para comunicar entre juncos usava-se um sistema de sinais e sons e da\u00ed existirem em cada um, tambores, gongos, c\u00edmbalos, sinos, trompetas, lanternas e bandeiras. Os pombos eram para levar entre os barcos mensagens escritas, quando necess\u00e1rio mais detalhe.<\/p>\n<p class=\"p5\"><b><br \/>\nTIPOS DE BARCOS<\/b><b><\/b><\/p>\n<p class=\"p7\"><span class=\"s4\"><b>Baochuan<\/b><\/span><span class=\"s2\"> (<\/span><span class=\"s5\">\u5b9d\u8239<\/span><span class=\"s2\">, Junco do Tesouro) de casco em V, o modelo do junco Fuchuan de Fujian, nos seus mais de 120 metros (44 zhang) de comprimento e 50 metros (18 zhang) de largura tinha nove mastros e doze velas, deslocando oito mil toneladas. Mas Ma Huan (<\/span><span class=\"s5\">\u9a6c\u6b22<\/span><span class=\"s2\">), tradutor na armada de Zheng He, refere ter o maior <\/span><span class=\"s6\"><i>baochuan<\/i><\/span><span class=\"s2\"> 44,4 zhang (147 m) e de largura 18 zhang (60 m), enquanto o de tamanho m\u00e9dio contava com 37 zhang de comprimento e 15 de largura. Como 1 zhang = 10 chi corresponde a 3,333 metros, ent\u00e3o o real tamanho do barco era algo inacredit\u00e1vel. Na primeira viagem mar\u00edtima de Zheng He foram 62 <\/span><span class=\"s6\"><i>baochuan<\/i><\/span><span class=\"s2\">, 48 na terceira viagem e 61 na s\u00e9tima.<br \/>\n<\/span>O <span class=\"s7\"><i>baochuan<\/i><\/span> contava com quatro conveses (entre o mastro grande e a proa) ligados por escadas e no superior era o Pal\u00e1cio com cabines feitas de madeiras preciosas talhadas com bel\u00edssimos trabalhos, havendo instalados em cada um dos lados laterais 16 canh\u00f5es de tamanho m\u00e9dio. No conv\u00e9s abaixo, as c\u00e2maras adornadas meticulosamente, onde n\u00e3o faltava \u00e1gua pot\u00e1vel e comida seca, contava em cada lado oito grandes canh\u00f5es. J\u00e1 o conv\u00e9s mais abaixo armazenava as prendas a oferecer e oferecidas, sendo guardadas em caixas de madeira as sedas, ch\u00e1 e especiarias. No conv\u00e9s inferior, pedras para estabilizar o barco e madeira para os reparos de emerg\u00eancia. Ao redor dos baochuan navegavam barcos de menor porte, de transporte de tropas, para combate e de abastecimento.<\/p>\n<p class=\"p7\"><span class=\"s1\"><b>Zuo Chuan<\/b><\/span> <span class=\"s8\">(\u5750 \u8239, <\/span>Barco de transporte das tropas) Com seis mastros e comprimento de 24 zhang e largura de 9,4 zhang, tinha como fun\u00e7\u00e3o prevenir os ataques de piratas e executar guerras anf\u00edbias, seguindo neles os comandantes.<\/p>\n<p class=\"p7\"><span class=\"s1\"><b>Zhan Chuan<\/b><\/span> (<span class=\"s8\">\u6218\u8239, <\/span>Barco de combate) Com cinco mastros e um comprimento de 18 zhang e a largura de 6 zhang e 8 chi, era leve e ligeiro de f\u00e1cil manobra. Equipado com armas e soldados preparados para entrar em combate, serviam de escudo a proteger a armada.<\/p>\n<p class=\"p7\"><span class=\"s4\"><b>Ma Chuan<\/b><\/span> (<span class=\"s8\">\u9a6c\u8239, <\/span>Barco cavalo) Assim chamado por ser o mais r\u00e1pido de todos os juncos e o segundo maior da armada, tinha oito mastros e dez velas e em caso de necessidade usado tamb\u00e9m como barco de combate. Com um comprimento de 37 zhang e largura de 15 zhang, nele havia cabinas para oficiais de m\u00e9dio estatuto, para int\u00e9rpretes e m\u00e9dicos. Servia ainda de armaz\u00e9m aos equipamentos militares, como armas e ferramentas para reparar os estragos nos barcos, guardava ainda outros bens quotidianos e transportava os cavalos e outros animais provenientes dos tributos dos pa\u00edses.<\/p>\n<p class=\"p7\"><span class=\"s1\"><b>Liang Chuan<\/b><\/span> (<span class=\"s8\">\u7cae\u8239, <\/span>Barco de abastecimento), com sete mastros e um comprimento de 28 zhang e largura de 12 zhang, transportava \u00e0 volta de 18 mil toneladas de mantimentos para alimentar a tripula\u00e7\u00e3o da armada nos dois anos de viagem. Existiam na armada normalmente quinze desses barcos e cada levava 1200 toneladas de mantimentos e animais vivos para consumo. Os alimentos constavam de carne salgada e fumada, marisco seco, arroz e trigo, vegetais conservados por sal e picles, molhos, vinagre e vinho, frutas secas ou em calda de mel ou a\u00e7\u00facar, cocos, bananas e outras frutas. Enquanto se navegava alguns tripulantes dedicavam-se a pescar para passar tempo e guarnecer de peixe fresco as refei\u00e7\u00f5es. Existiam barcos com hortas onde vinham plantados os legumes e outros vegetais, como soja, excelente em vitaminas e contra o escorbuto.<\/p>\n<p class=\"p7\"><span class=\"s4\"><b>Shui Chuan<\/b><\/span> (<span class=\"s8\">\u6c34\u8239, <\/span>Barco para o transporte de \u00e1gua) tinha o mesmo tamanho e caracter\u00edsticas dos de abastecimento e na armada havia \u00e0 volta de vinte. Com sete mastros e 28 zhang de comprimento e doze zhang de largura, estavam equipados com cisternas para transportar \u00e1gua pot\u00e1vel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h3 class=\"p1\"><b>A b\u00fassola mar\u00edtima <\/b><b>e outros instrumentos de navega\u00e7\u00e3o<\/b><\/h3>\n<p><b><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-848 alignleft\" src=\"http:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/69-265x300.jpg\" alt=\"\" width=\"265\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/69-265x300.jpg 265w, https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/69.jpg 353w\" sizes=\"auto, (max-width: 265px) 100vw, 265px\" \/><\/b><span class=\"s1\">A <\/span><span class=\"s3\">armada<\/span><span class=\"s1\"> de Zheng He, ao atravessar os oceanos com a ajuda dos ventos das mon\u00e7\u00f5es, conjugava Astronomia e o uso da b\u00fassola mar\u00edtima combinando-as com cartas de navega\u00e7\u00e3o aprimoradas ao longo das viagens. Deste modo conseguia-se definir com rigor a posi\u00e7\u00e3o das embarca\u00e7\u00f5es, as direc\u00e7\u00f5es a seguir e evitar os naturais obst\u00e1culos dos percursos.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s4\">Os mapas e cartas utilizados por Zheng He partiam de Nanjing e registavam tamb\u00e9m a Geografia F\u00edsica de 56 rotas distintas, com instru\u00e7\u00f5es sobre profundidade das \u00e1guas, correntes, localiza\u00e7\u00e3o de bancos de areia, penedos e ilhas recifes e a linha de costa desenhada com povoa\u00e7\u00f5es, portos, rios e silhuetas das montanhas, paisagens reconhecidas em mil\u00e9nios de visualiza\u00e7\u00f5es. Assim, com c\u00e9u limpo ou em nevoeiro se conseguia ter o posicionamento dos barcos atrav\u00e9s das cartas n\u00e1uticas e a ajuda da b\u00fassola mar\u00edtima ligada a uma esfera armilar com o mapa do C\u00e9u a ser movido por um rel\u00f3gio de \u00e1gua. No entendimento das correntes e dos ventos sazonais espec\u00edficos a cada zona dos mares e oceanos encontrava-se as melhores rotas mar\u00edtimas para circular em cada \u00e9poca do ano.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">Os ventos sazonais no hemisf\u00e9rio Norte, durante a mon\u00e7\u00e3o de Ver\u00e3o sopram de Sudoeste entre Abril e Outubro, a permitir navegar desde os pa\u00edses do Sudeste Asi\u00e1tico para o subcontinente indiano, levando no Mar Ar\u00e1bico os barcos para Leste e no Mar Vermelho, para Sul. Para se apanhar esses ventos da mon\u00e7\u00e3o, partia-se da China nos finais de Outubro e navegando no Pac\u00edfico para Sul, chegava-se em cinco, seis semanas ao Sudeste Asi\u00e1tico, mais propriamente a Sumatra (actual Indon\u00e9sia), quando a\u00ed terminava a mon\u00e7\u00e3o, ou a Malaca (Tail\u00e2ndia), onde as duas mon\u00e7\u00f5es se encontram. Nos portos do Estreito de Malaca esperava-se a Primavera para retomar a navega\u00e7\u00e3o para Oeste. J\u00e1 na mon\u00e7\u00e3o de Inverno, entre Outubro e Abril, os ventos trazem a direc\u00e7\u00e3o de Nordeste e retorna-se da \u00cdndia para o Sudeste Asi\u00e1tico, ou leva-se os juncos \u00e0 costa africana, possibilitando tamb\u00e9m a subida do Mar Vermelho.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">Na navega\u00e7\u00e3o usava-se rel\u00f3gios de \u00e1gua, ampulhetas com areia, ou a queima de paus de incenso, para medir o tempo e o dia estava dividido em 10 <\/span><span class=\"s5\"><i>geng<\/i><\/span><span class=\"s1\">, conseguindo os barcos viajar 40 a 60 <\/span><span class=\"s5\"><i>li<\/i><\/span><span class=\"s1\"> [1 <\/span><span class=\"s5\"><i>li<\/i><\/span> <span class=\"s6\">\u00b1<\/span><span class=\"s1\">. 0,5 km] por <\/span><span class=\"s5\"><i>geng<\/i><\/span><span class=\"s1\">, isto \u00e9, 20 a 30 km em duas horas. Usual era medir-se o percorrido usando uma pessoa do barco e deitando \u00e0 \u00e1gua uma fileira de t\u00e1buas, se a pessoa chegava primeiro era conhecido por <\/span><span class=\"s5\"><i>\u2018bu shang geng<\/i><\/span><span class=\"s1\">\u2019, mas se o peda\u00e7o de madeira ganhava avan\u00e7o era \u2018<\/span><span class=\"s5\"><i>guo gen<\/i><i>g<\/i><\/span><span class=\"s1\">\u2019. A dist\u00e2ncia navegada podia ser determinada calculando a diferen\u00e7a entre essas medi\u00e7\u00f5es e a estimativa do <\/span><span class=\"s5\"><i>geng<\/i><\/span><span class=\"s1\">, segundo nos explica Zheng Yi Jun.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">A direc\u00e7\u00e3o da navega\u00e7\u00e3o da armada era na viagem guiada por a b\u00fassola e o <\/span><span class=\"s5\"><i>geng<\/i><\/span><span class=\"s1\"> (instrumento e unidade de medida de tempo e dist\u00e2ncia de viagem). Com c\u00e9u limpo usava-se tamb\u00e9m a t\u00e9cnica da observa\u00e7\u00e3o das estrelas ao longo do oceano para discernir melhor a posi\u00e7\u00e3o do barco. As Cartas de Navega\u00e7\u00e3o de Zheng He continham compreensivas informa\u00e7\u00f5es sobre Astronomia N\u00e1utica e registavam um amplo conhecimento do C\u00e9u.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">Fundamental para a navega\u00e7\u00e3o era o estudo do C\u00e9u e aliando o conhecimento dos astros ganhava-se uma orienta\u00e7\u00e3o para quem cruzava os oceanos. De uma maneira prim\u00e1ria e \u00fatil, o Sol ergue-se de Leste ao fazer nascer o dia e seguindo a ab\u00f3boda celeste p\u00f5e-se a Oeste, terminando assim o dia solar. \u00c0 noite media-se pela altura das estrelas as dist\u00e2ncias, conjugando-as com os rumos registados nas cartas e nessa navega\u00e7\u00e3o astron\u00f3mica a armada de Zheng He viajou entre continentes.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s7\">O Mapa do C\u00e9u estava j\u00e1 bem desenvolvido no s\u00e9culo IV a.n.E., quando Shi Shen (<\/span><span class=\"s8\">\u77f3\u7533<\/span><span class=\"s7\">), que fixara 138 constela\u00e7\u00f5es e contara 810 estrelas e Gan De (<\/span><span class=\"s8\">\u7518\u5fb7<\/span><span class=\"s7\">), que observara e fixara 118 estrelas e contara 511 estrelas em todo o C\u00e9u, registaram no livro <\/span><span class=\"s9\"><i>Tianwen<\/i><\/span><span class=\"s7\"> (<\/span><span class=\"s8\">\u5929\u6587<\/span><span class=\"s7\">, Astronomia, ou Modelo do C\u00e9u) a posi\u00e7\u00e3o de 121 estrelas e as localizaram num anel armilar. Este foi aprimorado com outro anel no ano 84 por o astr\u00f3nomo Jia Kui (<\/span><span class=\"s8\">\u8d3e\u9035<\/span><span class=\"s7\">, 30-101), a mostrar o movimento do Sol (a ecl\u00edptica) no C\u00e9u. A esfera armilar apareceu ap\u00f3s o astr\u00f3nomo Zhang Heng (<\/span><span class=\"s8\">\u5f20\u8861<\/span><span class=\"s7\">, 78-140) em 117 ter constru\u00eddo em bronze o Globo Celeste para mostrar os fen\u00f3menos astron\u00f3micos e nele gravou com precis\u00e3o e nas propor\u00e7\u00f5es o Equador, os polos Norte e Sul e as estrelas, segundo as suas observa\u00e7\u00f5es astron\u00f3micas e o ligou a um rel\u00f3gio de \u00e1gua, num mecanismo conduzido de forma ao globo rodar \u00e0 medida do correr da \u00e1gua contra ele. No ano 125 acrescentou um terceiro anel \u00e0 esfera armilar (<\/span><span class=\"s8\">\u6d51\u5929\u4eea<\/span><span class=\"s7\">, <\/span><span class=\"s5\"><i>Hun Tian<\/i><\/span> <span class=\"s5\"><i>yi<\/i><\/span><span class=\"s7\">) e o movimento interligado de cada, relacionado com os outros an\u00e9is, dava a posi\u00e7\u00e3o esperada das estrelas a aparecer nos locais do C\u00e9u por onde se ia navegando.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s7\">Assim se foram reconhecendo em diferentes localiza\u00e7\u00f5es as estrelas e constela\u00e7\u00f5es, tal como as suas posi\u00e7\u00f5es. A Estrela Polar guiava no hemisf\u00e9rio Norte, descendo no horizonte \u00e0 medida da aproxima\u00e7\u00e3o \u00e0 linha do Equador e j\u00e1 no outro lado apareciam novas estrelas e constela\u00e7\u00f5es, onde dominava o Cruzeiro do Sul, a orientar os barcos no hemisf\u00e9rio Sul.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s7\">O m\u00e9todo mais utilizado na navega\u00e7\u00e3o oce\u00e2nica era a orienta\u00e7\u00e3o pelos astros e consistia no observar a altura da Estrela Polar para definir a posi\u00e7\u00e3o das embarca\u00e7\u00f5es. Segundo Zheng Yi Jun, \u201cA t\u00e9cnica de orienta\u00e7\u00e3o pelas estrelas realizava-se atrav\u00e9s dum instrumento de observa\u00e7\u00e3o chamado \u2018T\u00e1bua de levar as estrelas\u2019. Composto por 12 pe\u00e7as de tamanhos diferentes e de pau-preto, eram quadradas, sendo a maior [chamada de 12 <\/span><span class=\"s5\"><i>Zhi<\/i><\/span><span class=\"s7\">] com 24 cm de lado, tendo a seguinte 22 cm, decrescendo sucessivamente dois cent\u00edmetros at\u00e9 \u00e0 pe\u00e7a menor que media 2 cm, [denominada 1 <\/span><span class=\"s5\"><i>Zhi<\/i><\/span><span class=\"s7\">], havendo ainda uma pe\u00e7a de marfim com 6,66 cm de lado a que faltavam os quatro cantos.\u201d <\/span><span class=\"s10\">(\u2026)<\/span><span class=\"s7\"> \u201cPara usar a t\u00e1bua, a m\u00e3o esquerda segurava-a a meio de um dos lados, com o bra\u00e7o estendido, de modo a ficar num plano perpendicular em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 superf\u00edcie da \u00e1gua. O bordo superior da t\u00e1bua colocava-se virado para a estrela em observa\u00e7\u00e3o e o bordo inferior paralelo \u00e0 linha de superf\u00edcie do mar. Desta maneira, media-se a altura entre o astro e a superf\u00edcie do mar. Conforme a altura do astro, escolhia-se de entre as t\u00e1buas at\u00e9 que uma delas tangesse o astro pelo bordo superior enquanto o inferior coincidia com a linha de superf\u00edcie do mar. O n\u00famero de <\/span><span class=\"s9\"><i>Zhi<\/i><\/span><span class=\"s7\"> da t\u00e1bua utilizada equivalia \u00e0 altura do astro. Se com uma t\u00e1bua n\u00e3o se conseguisse a tang\u00eancia, escolhia-se uma t\u00e1bua maior. Observando-se atrav\u00e9s do seu bordo gravado em combina\u00e7\u00e3o com a utiliza\u00e7\u00e3o da pe\u00e7a de marfim [cujo comprimento dos seus lados era respectivamente \u00bd, <\/span><span class=\"s11\">\u215b<\/span><span class=\"s7\">, \u00bc, \u00be do comprimento da pe\u00e7a com 1<\/span><i> <\/i><span class=\"s5\"><i>Zhi<\/i><\/span><span class=\"s7\"> do lado da \u2018T\u00e1bua de levar da estrelas\u2019] obtinha-se a medida angular (<\/span><span class=\"s5\"><i>Jiao<\/i><\/span><span class=\"s7\">). Deste modo, conseguia-se o n\u00famero <\/span><span class=\"s5\"><i>Zhi<\/i><\/span><span class=\"s7\"> e <\/span><span class=\"s5\"><i>Jiao<\/i><\/span><span class=\"s7\"> da altura do astro. Um <\/span><span class=\"s5\"><i>Zhi<\/i><\/span><span class=\"s7\"> (equivalente a 4 <\/span><span class=\"s5\"><i>Jiao<\/i><\/span><span class=\"s9\"><i>) <\/i><\/span><span class=\"s7\">nas dinastia Qin e Han equivalia a 1,9\u00b0, sabendo-se ser de 5 <\/span><span class=\"s9\"><i>Zhi<\/i><\/span><span class=\"s7\"> a maior dist\u00e2ncia angular entre V\u00e9nus e a Lua. A utiliza\u00e7\u00e3o combinada das t\u00e1buas e da pe\u00e7a de marfim permitia a medi\u00e7\u00e3o angular com precis\u00e3o, at\u00e9 meio grau. Se o astro observado fosse a Estrela Polar, obtinha-se primeiro o n\u00famero de Zhi que se convertia na medida angular. Deste modo se achava a latitude do lugar.\u201d<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">J\u00e1 a t\u00e9cnica para calcular a profundidade do oceano era designada por \u2018<\/span><span class=\"s5\"><i>da shui<\/i><\/span><span class=\"s1\">\u2019 e existiam dois m\u00e9todos: o \u2018<\/span><span class=\"s5\"><i>xia gou<\/i><\/span><span class=\"s1\">\u2019 e \u2018<\/span><span class=\"s5\"><i>yi sheng jie zhi<\/i><\/span><span class=\"s1\">\u2019. O equipamento de medi\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 calculava a profundidade como as condi\u00e7\u00f5es \u00e0 superf\u00edcie, a determinar se era prop\u00edcio ancorar num determinado lugar, assim como avaliar as condi\u00e7\u00f5es do ch\u00e3o do oceano.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s1\"><b>A B\u00fassola Mar\u00edtima<br \/>\n<\/b><b><\/b><\/span><span class=\"s7\">Criada a partir da b\u00fassola magn\u00e9tica, origin\u00e1ria do s\u00e9culo IV a.n.E., tamb\u00e9m a b\u00fassola mar\u00edtima foi, na dinastia Song, uma inven\u00e7\u00e3o chinesa do s\u00e9cul<\/span><span class=\"s9\"><i>o XI. <\/i><\/span><span class=\"s7\">Era uma b\u00fassola feita num vaso de madeira com \u00e1gua onde se encontrava a boiar um cani\u00e7o atravessado por uma agulha magn\u00e9tica a apontar sempre a direc\u00e7\u00e3o Sul. Gravados no bordo superior do vaso encontravam-se num c\u00edrculo as 24 direc\u00e7\u00f5es, determinadas segundo a ordem de Tian Gan (<\/span><span class=\"s8\">\u5929\u5e72<\/span><span class=\"s7\">) (10 Caules Celestes), Di Zhi (<\/span><span class=\"s8\">\u5730\u652f<\/span><span class=\"s7\">) (12 Ramos (12 Ramos Terrestres), Ba Gua (<\/span><span class=\"s8\">\u516b\u5366<\/span><span class=\"s7\">) (8 Trigramas), Wu Xing (<\/span><span class=\"s8\">\u4e94\u884c<\/span><span class=\"s7\">) (5 Elementos) e entre os 12 Zhi (Ramos Terrestres) intercalam-se 8 Gan e 4 Gua. Assim se determinavam as posi\u00e7\u00f5es das 24 direc\u00e7\u00f5es, cada uma separada por 15\u00b0. Explica\u00e7\u00e3o de Zheng Yi Jun dada em \u201c<\/span><span class=\"s9\"><i>As t\u00e9cnicas de navega\u00e7\u00e3o nas armadas de Zheng He e a sua contribui\u00e7\u00e3o para a ci\u00eancia n\u00e1utica<\/i><\/span><span class=\"s7\">\u201d, de onde nos socorremos para este artigo.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">A teoria dos Cinco Elementos (<\/span><span class=\"s5\"><i>Wu Xing<\/i><\/span><span class=\"s1\">, <\/span><span class=\"s6\">\u4e94\u884c<\/span><span class=\"s1\">): Madeira (<\/span><span class=\"s6\">\u6728<\/span><span class=\"s1\">, <\/span><span class=\"s5\"><i>Mu<\/i><\/span><span class=\"s1\">), Fogo (<\/span><span class=\"s6\">\u706b<\/span><span class=\"s1\">, <\/span><span class=\"s5\"><i>Huo<\/i><\/span><span class=\"s1\">), Terra (<\/span><span class=\"s6\">\u571f<\/span><span class=\"s1\">, <\/span><span class=\"s5\"><i>Tu<\/i><\/span><span class=\"s1\">), Metal (<\/span><span class=\"s6\">\u91d1<\/span><span class=\"s1\">, <\/span><span class=\"s5\"><i>Jin<\/i><\/span><span class=\"s1\">) e \u00c1gua (<\/span><span class=\"s6\">\u6c34<\/span><span class=\"s1\">, <\/span><span class=\"s5\"><i>Shui<\/i><\/span><span class=\"s1\">)) partiu da ideia das cinco direc\u00e7\u00f5es (Leste (<\/span><span class=\"s6\">\u4e1c<\/span><span class=\"s1\">, <\/span><span class=\"s5\"><i>Dong<\/i><\/span><span class=\"s1\">); Sul (<\/span><span class=\"s6\">\u5357<\/span><span class=\"s1\">, <\/span><span class=\"s5\"><i>Nan<\/i><\/span><span class=\"s1\">); Centro\/Meio (<\/span><span class=\"s6\">\u4e2d<\/span><span class=\"s1\">, <\/span><span class=\"s5\"><i>Zhong<\/i><\/span><span class=\"s1\">); Oeste (<\/span><span class=\"s6\">\u897f<\/span><span class=\"s1\">, <\/span><span class=\"s5\"><i>Xi<\/i><\/span><span class=\"s1\">); e Norte (<\/span><span class=\"s6\">\u5317<\/span><span class=\"s1\">, <\/span><span class=\"s5\"><i>Bei<\/i><\/span><span class=\"s1\">)), que conjugados s\u00e3o a base da composi\u00e7\u00e3o de todas as coisas.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">Os dez Caules Celestes (<\/span><span class=\"s5\"><i>Tian Gan<\/i><\/span><span class=\"s1\">, <\/span><span class=\"s6\">\u5929\u5e72<\/span><span class=\"s1\">), combina\u00e7\u00e3o do <\/span><span class=\"s5\"><i>yin<\/i><\/span><span class=\"s1\"> e <\/span><span class=\"s5\"><i>yang<\/i><\/span><span class=\"s1\"> nos Cinco Elementos, d\u00e3o: <\/span><span class=\"s5\"><i>Jia<\/i><\/span><span class=\"s1\"> (<\/span><span class=\"s6\">\u7532<\/span><span class=\"s1\">) Madeira, Leste \u2013 <\/span><span class=\"s5\"><i>yang<\/i><\/span><span class=\"s1\">; <\/span><span class=\"s5\"><i>Yi<\/i><\/span><span class=\"s1\"> (<\/span><span class=\"s6\">\u4e59<\/span><span class=\"s1\">), Madeira, Leste \u2013 <\/span><span class=\"s5\"><i>yin<\/i><\/span><span class=\"s1\">; Bing (<\/span><span class=\"s6\">\u4e19<\/span><span class=\"s1\">) Fogo, Sul \u2013 <\/span><span class=\"s5\"><i>yang<\/i><\/span><span class=\"s1\">; <\/span><span class=\"s5\"><i>Ding<\/i><\/span><span class=\"s1\"> (<\/span><span class=\"s6\">\u4e01<\/span><span class=\"s1\">) Fogo, Sul \u2013 <\/span><span class=\"s5\"><i>yin<\/i><\/span><span class=\"s1\">; <\/span><span class=\"s5\"><i>Wu<\/i><\/span><span class=\"s1\"> (<\/span><span class=\"s6\">\u620a<\/span><span class=\"s1\">), Terra, Centro \u2013 <\/span><span class=\"s5\"><i>yang<\/i><\/span><span class=\"s1\">; Ji (<\/span><span class=\"s6\">\u5df1<\/span><span class=\"s1\">) Terra, Centro \u2013 <\/span><span class=\"s5\"><i>yin<\/i><\/span><span class=\"s1\">; Geng (<\/span><span class=\"s6\">\u5e9a<\/span><span class=\"s1\">) Metal, Oeste \u2013 <\/span><span class=\"s5\"><i>yang<\/i><\/span><span class=\"s1\">; Xin (<\/span><span class=\"s6\">\u8f9b<\/span><span class=\"s1\">), Metal, Oeste \u2013 <\/span><span class=\"s5\"><i>yin<\/i><\/span><span class=\"s1\">; <\/span><span class=\"s5\"><i>Ren<\/i><\/span><span class=\"s1\"> (<\/span><span class=\"s6\">\u58ec<\/span><span class=\"s1\">), \u00c1gua, Norte \u2013 <\/span><span class=\"s5\"><i>yang<\/i><\/span><span class=\"s1\">; Gui (<\/span><span class=\"s6\">\u7678<\/span><span class=\"s1\">), \u00c1gua, Norte \u2013 <\/span><span class=\"s5\"><i>yin<\/i><\/span><span class=\"s1\">. Zheng Yi Jun refere, \u201cComo <\/span><span class=\"s5\"><i>Wu<\/i><\/span><span class=\"s1\"> e <\/span><span class=\"s5\"><i>Ji<\/i><\/span><span class=\"s1\"> pertencem ao elemento Terra e a sua situa\u00e7\u00e3o \u00e9, portanto, no centro, n\u00e3o indicando qualquer posi\u00e7\u00e3o de direc\u00e7\u00e3o, desprezam-se, e da\u00ed serem utilizados apenas oito <\/span><span class=\"s5\"><i>Gan<\/i><\/span><span class=\"s1\"> (<\/span><span class=\"s6\">\u5e72<\/span><span class=\"s1\">) em vez dos dez.\u201d<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">Os doze Ramos Terrestres (<\/span><span class=\"s5\"><i>Di Zh<\/i><\/span><span class=\"s1\">i, <\/span><span class=\"s6\">\u5730\u652f<\/span><span class=\"s1\">): o rato <\/span><span class=\"s5\"><i>Zi<\/i><\/span><span class=\"s1\"> (<\/span><span class=\"s6\">\u5b50<\/span><span class=\"s1\">), \u00c1gua, Norte, <\/span><span class=\"s5\"><i>yang<\/i><\/span><span class=\"s1\">; o boi <\/span><span class=\"s5\"><i>Chou<\/i><\/span><span class=\"s1\"> (<\/span><span class=\"s6\">\u4e11<\/span><span class=\"s1\">), Terra, Centro\/NorteNordeste, <\/span><span class=\"s5\"><i>yin<\/i><\/span><span class=\"s1\">; o tigre <\/span><span class=\"s5\"><i>Yin<\/i><\/span><span class=\"s1\"> (<\/span><span class=\"s6\">\u5bc5<\/span><span class=\"s1\">), Madeira, Leste\/LesteNordeste, <\/span><span class=\"s5\"><i>yang<\/i><\/span><span class=\"s1\">; o coelho <\/span><span class=\"s5\"><i>Mao<\/i><\/span><span class=\"s1\"> (<\/span><span class=\"s6\">\u536f<\/span><span class=\"s1\">), Madeira, Leste, <\/span><span class=\"s5\"><i>yin<\/i><\/span><span class=\"s1\">; o drag\u00e3o <\/span><span class=\"s5\"><i>Chen<\/i><\/span><span class=\"s1\"> (<\/span><span class=\"s6\">\u8fb0<\/span><span class=\"s1\">), Terra, Leste\/LesteSudeste, yang; a serpente Si (<\/span><span class=\"s6\">\u5df3<\/span><span class=\"s1\">), Fogo, Sul\/SulSudeste, yin; o cavalo Wu (<\/span><span class=\"s6\">\u5348<\/span><span class=\"s1\">), Fogo, Sul, yang; o carneiro Wei (<\/span><span class=\"s6\">\u672a<\/span><span class=\"s1\">), Terra, Centro\/SulSudoeste, yin; o macaco Shen (<\/span><span class=\"s6\">\u7533<\/span><span class=\"s1\">), Metal, Centro\/OesteSudoeste, yang; o galo You (<\/span><span class=\"s6\">\u9149<\/span><span class=\"s1\">), Metal, Oeste, yin; o c\u00e3o Xu (<\/span><span class=\"s6\">\u620c<\/span><span class=\"s1\">), Terra, Centro\/OesteNoroeste, yang; e o porco Hai (<\/span><span class=\"s6\">\u4ea5<\/span><span class=\"s1\">), \u00c1gua, Norte\/Nortenoroeste, yin; correspondem a 12 posi\u00e7\u00f5es de direc\u00e7\u00e3o do c\u00edrculo no Feng Shui, usando-se aqui o nome dos animais apenas a sintonizar o leitor ao reconhec\u00ea-los nos anos do calend\u00e1ri<\/span><span class=\"s5\"><i>o chin\u00eas. <\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">Serviam estes caracteres tamb\u00e9m para a marca\u00e7\u00e3o da dura\u00e7\u00e3o do tempo que o Sol levava para dar uma volta \u00e0 Terra. Quando o Sol se encontrava a Sul (180\u00b0) era a posi\u00e7\u00e3o Wu, pelo contr\u00e1rio, quando se encontrava na posi\u00e7\u00e3o 0\/360\u00b0, era a posi\u00e7\u00e3o Zi. Os caracteres ordenavam-se a partir de Zi, segundo o movimento dos ponteiros do rel\u00f3gio. Entre os 12 Zhi intercalavam-se 8 Gan (<\/span><span class=\"s6\">\u5e72<\/span><span class=\"s1\">) e 4 Gua (<\/span><span class=\"s6\">\u5366<\/span><span class=\"s1\">). \u201cPara completar as 24 direc\u00e7\u00f5es, faltam as correspondentes aos quatro pontos colaterais (Noroeste, Nordeste, Sudeste e Sudoeste) designados com quatro posi\u00e7\u00f5es de direc\u00e7\u00e3o de entre os 8 Gua (<\/span><span class=\"s6\">\u516b\u5366<\/span><span class=\"s1\">): Qian (<\/span><span class=\"s6\">\u4e7e<\/span><span class=\"s1\">, simboliza o C\u00e9u), Gen (<\/span><span class=\"s6\">\u826e<\/span><span class=\"s1\">, montanha), Xun (<\/span><span class=\"s6\">\u5dfd<\/span><span class=\"s1\">, vento) e Kun (<\/span><span class=\"s6\">\u5764<\/span><span class=\"s1\">, Terra). As outras posi\u00e7\u00f5es de direc\u00e7\u00e3o dos restantes 8 Gua s\u00e3o, Kan (<\/span><span class=\"s6\">\u574e<\/span><span class=\"s1\">, \u00e1gua), Li (<\/span><span class=\"s6\">\u79bb<\/span><span class=\"s1\">, o fogo), Zhen (<\/span><span class=\"s6\">\u9707<\/span><span class=\"s1\">, o trov\u00e3o) e Dui (<\/span><span class=\"s6\">\u5151<\/span><span class=\"s1\">, lago), a corresponder \u00e0s posi\u00e7\u00f5es de direc\u00e7\u00e3o Zi (Norte), Wu (Sul), Mao (Leste) e You (Oeste). Esta combina\u00e7\u00e3o deu as 24 direc\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s1\"><b>As 24 direc\u00e7\u00f5es<br \/>\n<\/b><\/span><span class=\"s7\">Quando o Sol se encontrava na direc\u00e7\u00e3o Norte (0\/360\u00b0) \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o Zi (<\/span><span class=\"s8\">\u5b50<\/span><span class=\"s7\">, \u00c1gua, Norte, yang), correspondendo tamb\u00e9m ao gua Kan (<\/span><span class=\"s8\">\u574e<\/span><span class=\"s7\">, \u00e1gua). J\u00e1 na direc\u00e7\u00e3o Leste (90\u00b0) est\u00e1 Mao (<\/span><span class=\"s8\">\u536f<\/span><span class=\"s7\">, Madeira, Leste, yin), onde ainda se posiciona o gua Zhen (<\/span><span class=\"s8\">\u9707<\/span><span class=\"s7\">, trov\u00e3o). Com o Sol a Sul (180\u00b0) est\u00e1 a posi\u00e7\u00e3o Wu (<\/span><span class=\"s8\">\u5348<\/span><span class=\"s7\">, Fogo, Sul, yang) ocupada tamb\u00e9m por o gua Li (<\/span><span class=\"s8\">\u79bb<\/span><span class=\"s7\">, fogo). Na direc\u00e7\u00e3o Oeste (270\u00b0) est\u00e1 You (<\/span><span class=\"s8\">\u9149<\/span><span class=\"s7\">, Metal, Oeste, yin), posi\u00e7\u00e3o de Dui (<\/span><span class=\"s8\">\u5151<\/span><span class=\"s7\">, lago) do bagu\u00e1.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s7\">Entre cada uma das quatro direc\u00e7\u00f5es cardinais est\u00e3o registadas posi\u00e7\u00f5es separadas por 15\u00b0 e assim, ap\u00f3s a direc\u00e7\u00e3o Norte nos 0\u00b0 marcada por Zi (<\/span><span class=\"s8\">\u5b50<\/span><span class=\"s7\">), (\u00c1gua, Norte, yang), aparecia nos 15\u00b0 a posi\u00e7\u00e3o de Gui (<\/span><span class=\"s8\">\u7678<\/span><span class=\"s7\">), (\u00c1gua, Norte \u2013 yin), seguindo na posi\u00e7\u00e3o 30\u00b0 Chou (<\/span><span class=\"s8\">\u4e11<\/span><span class=\"s7\">), (Terra, Centro NorteNordeste, yin). Vem depois a direc\u00e7\u00e3o do Nordeste, a 45\u00b0 marcada por o gua Gen (<\/span><span class=\"s8\">\u826e<\/span><span class=\"s7\">, montanha). Aos 60\u00b0 encontra-se Yin (<\/span><span class=\"s8\">\u5bc5<\/span><span class=\"s7\">), (Madeira, Leste\/LesteNordeste, yang); aos 75\u00b0 Jia (<\/span><span class=\"s8\">\u7532<\/span><span class=\"s7\">), (Madeira, Leste \u2013 yang); aos 90\u00b0 na posi\u00e7\u00e3o Leste, Mao (<\/span><span class=\"s8\">\u536f<\/span><span class=\"s7\">), (Madeira, Leste, yin), com o gua Zhen (<\/span><span class=\"s8\">\u9707<\/span><span class=\"s7\">, trov\u00e3o). A marcar os 105\u00b0 aparece Yi (<\/span><span class=\"s8\">\u4e59<\/span><span class=\"s7\">) (Madeira, Leste \u2013 yin) e aos 120\u00b0 Chen (<\/span><span class=\"s8\">\u8fb0<\/span><span class=\"s7\">), (Terra, Leste\/LesteSudeste, yang). Estando Jia entre Mao e Yin; Yi entre Mao e Chen; Jia e Yi, assim colocados, significam Madeira do Leste.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">A direc\u00e7\u00e3o Sudeste em 135\u00b0 com o gua Qian (<\/span><span class=\"s6\">\u4e7e<\/span><span class=\"s1\">, C\u00e9u); na marca de 150\u00b0 est\u00e1 Si (<\/span><span class=\"s6\">\u5df3<\/span><span class=\"s1\">), (Fogo, Sul\/SulSudeste, yin) e a 165\u00b0, Bing (<\/span><span class=\"s6\">\u4e19<\/span><span class=\"s1\">), (Fogo, Sul \u2013 yang). A 180\u00b0 Wu (<\/span><span class=\"s6\">\u5348<\/span><span class=\"s1\">) (Fogo, Sul, yang) marca a direc\u00e7\u00e3o Sul, tal como o gua Li (<\/span><span class=\"s6\">\u79bb<\/span><span class=\"s1\">, fogo). J\u00e1 Ding (<\/span><span class=\"s6\">\u4e01<\/span><span class=\"s1\">), (Fogo, Sul \u2013 yin) est\u00e1 nos 195\u00b0 e Wei (<\/span><span class=\"s6\">\u672a<\/span><span class=\"s1\">), (Terra, Centro\/SulSudoeste, yin) nos 210\u00b0. Bing situa-se entre Wu e Si; Ding encontra-se entre Wu e Wei. Bing e Ding, assim colocados, significam o Fogo do Sul.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s7\">A 225\u00b0, direc\u00e7\u00e3o Sudoeste o gua Kun (<\/span><span class=\"s8\">\u5764<\/span><span class=\"s7\">, Terra); a 240\u00b0 est\u00e1 Shen (<\/span><span class=\"s8\">\u7533<\/span><span class=\"s7\">), (Metal, Centro\/OesteSudoeste, yang); a 255\u00b0 Geng (<\/span><span class=\"s8\">\u5e9a<\/span><span class=\"s7\">), (Metal, Oeste \u2013 yang); na direc\u00e7\u00e3o Oeste a 270\u00b0 est\u00e1 You (<\/span><span class=\"s8\">\u9149<\/span><span class=\"s7\">), (Metal, Oeste, yin) e ocupando a mesma posi\u00e7\u00e3o Dui (<\/span><span class=\"s8\">\u5151<\/span><span class=\"s7\">, lago) do bagua; a 285\u00b0 encontra-se Xin (<\/span><span class=\"s8\">\u8f9b<\/span><span class=\"s7\">), (Metal, Oeste \u2013 yin); e a 300\u00b0 Xu (<\/span><span class=\"s8\">\u620c<\/span><span class=\"s7\">), (Terra, Centro\/OesteNoroeste, yang). Estando Geng colocado entre You e Shen e Xin entre You e Xu indicam o Metal do Oeste.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s7\">A direc\u00e7\u00e3o Noroeste marcada nos 315\u00b0 \u00e9 conhecida por o gua Xun (<\/span><span class=\"s8\">\u5dfd<\/span><span class=\"s7\">, vento). Na seguinte posi\u00e7\u00e3o, a 330\u00b0 aparece Hai (<\/span><span class=\"s8\">\u4ea5<\/span><span class=\"s7\">), (\u00c1gua, Norte\/Nortenoroeste, yin); a 345\u00b0 Ren (<\/span><span class=\"s8\">\u58ec<\/span><span class=\"s7\">), (\u00c1gua, Norte \u2013 yang); a 360\u00b0 Zi (<\/span><span class=\"s8\">\u5b50<\/span><span class=\"s7\">) (\u00c1gua, Norte, yang), que marca a posi\u00e7\u00e3o Norte (0\/360\u00b0); segue a 15\u00b0 Gui (<\/span><span class=\"s8\">\u7678<\/span><span class=\"s7\">), (\u00c1gua, Norte \u2013 yin) e a 30\u00b0 Chou (<\/span><span class=\"s8\">\u4e11<\/span><span class=\"s7\">), (Terra, Centro\/NorteNordeste, yin). Ren colocado entre Zi e Hai, Gui, entre Zi e Chou, indicam a \u00c1gua do Norte.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s7\">Este tipo de b\u00fassola, embora denominada de 24 direc\u00e7\u00f5es, na pr\u00e1tica tinha 48 direc\u00e7\u00f5es, pois divididos a meio os 15\u00b0 tinha-se as direc\u00e7\u00f5es nos 7,5\u00b0. Utilizada para estabelecer \u201cos rumos, se estes coincidissem com uma das 24 direc\u00e7\u00f5es da b\u00fassola, dava-se-lhes o nome de \u2018rumo exacto\u2019 ou \u2018directo\u2019. Se o rumo fosse definido numa posi\u00e7\u00e3o n\u00e3o coincidente com uma das 24 direc\u00e7\u00f5es dava-se o nome de \u2018rumos remendados\u2019, significando uma direc\u00e7\u00e3o entre duas das 24.\u201d<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s7\">A import\u00e2ncia da b\u00fassola mar\u00edtima ser lida com precis\u00e3o e correctamente para manter inalterada a rota definida, exigia para as b\u00fassolas um quarto especial, denominado Zhen Fang, e um experiente marinheiro, o Huo Zhang, com a espec\u00edfica fun\u00e7\u00e3o de as observar e ver o rumo a seguir.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">Na dinastia Song, segundo Yan Dunjie, j\u00e1 as cartas de navega\u00e7\u00e3o indicavam as direc\u00e7\u00f5es da b\u00fassola mar\u00edtima para levar a v\u00e1rios lugares, e da\u00ed chamadas Guias de Agulha, a significar ser um guia de navega\u00e7\u00e3o feito a partir da agulha magn\u00e9tica da b\u00fassola.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s7\">As cartas tinham registadas as direc\u00e7\u00f5es a tomar desde a sa\u00edda do porto chin\u00eas at\u00e9 ao destino final e seu retorno, os tempos de navega\u00e7\u00e3o em cada direc\u00e7\u00e3o e quando na rota mudar de direc\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">Assim, com c\u00e9u limpo ou nevoeiro se conseguia ter sempre o posicionamento dos barcos atrav\u00e9s das cartas n\u00e1uticas e a ajuda da b\u00fassola mar\u00edtima ligada a um rel\u00f3gio de \u00e1gua.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h3 class=\"p1\">Yongle e a nova Beijing<\/h3>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Z<\/span><span class=\"s2\">hu Di<\/span><span class=\"s1\"> governara Beiping desde 1380, quando as fronteiras do Norte se encontravam amea\u00e7adas por constantes investidas mong\u00f3is, tendo-os vencido em 1390. Em 4 de Fevereiro de 1403, j\u00e1 como Imperador Yongle, proclamou passar Beiping a chamar-se Beijing (Capital do Norte), mobilizando mais de 136 mil fam\u00edlias de Shanxi para ali viverem. A constru\u00e7\u00e3o da nova capital come\u00e7ou em 1406, usando partes de Dadu, a capital da dinastia Yuan, e foi planeada com tr\u00eas divis\u00f5es: a Cidade Proibida, onde se situava o Pal\u00e1cio Imperial; a Cidade Imperial, desde a Porta Wumen at\u00e9 \u00e0 Porta Qianmen; e a Cidade Interior. Beijing, originariamente, tinha vinte portas, nove das quais para a cidade interior, sete nas muralhas da cidade exterior e quatro para a Cidade Proibida. Cada porta tinha a sua fun\u00e7\u00e3o: a Desheng recebia as tropas vitoriosas, a Anding assistia \u00e0 partida das expedi\u00e7\u00f5es militares.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">Em 1407 iniciou-se a edifica\u00e7\u00e3o do Pal\u00e1cio Imperial, com a ajuda de 230 mil trabalhadores especializados, entre habitantes locais e de todas as zonas do pa\u00eds. A Cidade Proibida tinha um per\u00edmetro de tr\u00eas quil\u00f3metros com um di\u00e2metro no eixo Norte-Sul de 760 metros e de Oeste para Leste de 766 metros. Rodeada por muros com 7,9 metros de altura e um fosso na parte exterior a toda a volta, na parte Sul situavam-se os pavilh\u00f5es onde o Imperador trabalharia nos assuntos do Estado e realizaria cerim\u00f3nias e, na parte Norte, a zona da resid\u00eancia do Imperador, esposa e concubinas.<\/p>\n<p class=\"p3\">Na Cidade Interior foi na altura edificado o Templo do C\u00e9u, Tiantan, onde inicialmente eram venerados o C\u00e9u e a Terra. Enquanto prosseguiam as constru\u00e7\u00f5es na cidade de Beijing, Yongle mandou reparar e dragar o Grande Canal para o tornar mais largo \u00e0 navega\u00e7\u00e3o e facilitar o transporte dos cereais da zona de Jiangnan, o celeiro da China, de Hangzhou at\u00e9 \u00e0 nova capital, ficando essa obra terminada em 1415. Tamb\u00e9m a Grande Muralha foi refor\u00e7ada para proteger o territ\u00f3rio dos mong\u00f3is.<\/p>\n<p class=\"p3\">A transfer\u00eancia da capital de Nanjing para Beijing realizou-se no primeiro dia da primeira lua de Xin Chou (<span class=\"s3\">\u8f9b\u4e11<\/span>), 2 de Fevereiro de 1421, mas na noite do dia 8 da quarta lua desse mesmo ano, 9 de Maio, 19<sup>o<\/sup> ano do reinado de Yongle, devido a uma trovoada, tr\u00eas pavilh\u00f5es da Cidade Proibida \u2013 o Sal\u00e3o da Grande Harmonia, o Sal\u00e3o da Harmonia Central e o Sal\u00e3o da Preserva\u00e7\u00e3o da Harmonia \u2013 arderam, tinha j\u00e1 a armada partido para a sexta viagem mar\u00edtima de Zheng He. Alguns oficiais criticaram junto do Imperador as expedi\u00e7\u00f5es considerando ser o inc\u00eandio um sinal divino.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] As expedi\u00e7\u00f5es mar\u00edtimas de Zheng He &nbsp; No dia 11 de Julho de 2005 foi pela primeira vez comemorado na China o Dia do Mar, data que assinala os 600 anos do in\u00edcio da primeira viagem mar\u00edtima de Zheng He. 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