{"id":863,"date":"2025-10-17T21:00:43","date_gmt":"2025-10-17T13:00:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.viadomeio.com\/?p=863"},"modified":"2025-10-17T21:02:28","modified_gmt":"2025-10-17T13:02:28","slug":"nutricao-e-simbolismo-na-gastronomia-chinesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/10\/17\/nutricao-e-simbolismo-na-gastronomia-chinesa\/","title":{"rendered":"Nutri\u00e7\u00e3o e simbolismo na gastronomia chinesa"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p class=\"p1\">A <span class=\"s1\">nutri\u00e7\u00e3o <\/span>\u00e9 um dos princ\u00edpios mais importantes da filosofia chinesa, cruzando a \u00e1rea te\u00f3rica de encontro \u00e0 pr\u00e1tica cient\u00edfica e \u00e0 Medicina Tradicional Chinesa. No <i>Cl\u00e1ssico da Via e da Virtude <\/i>(<span class=\"s2\">\u300a\u9053\u5fb7\u7ecf\u300b<\/span>), Laozi (<span class=\"s2\">\u8001\u5b50<\/span>, 280-233 a.C?) chama a aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de se encherem as barrigas e esvaziarem as mentes logo no terceiro dos oitenta e um cap\u00edtulos que comp\u00f5em a obra, quando declara:<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p4\"><i>O s\u00e1bio governa esvaziando os cora\u00e7\u00f5es, enchendo as barrigas,<br \/>\n<\/i><i>fortalece os ossos, enfraquece as ambi\u00e7\u00f5es.<br \/>\n<\/i><i><\/i><span class=\"s3\">(<\/span>\u662f\u4ee5\u5723\u4eba\u4e4b\u6cbb\/\u865a\u5176\u5fc3\/\u5b9e\u5176\u8179\/<br \/>\n\u5f31\u5176\u5fd7\/\u5f3a\u5176\u9aa8<span class=\"s3\">\/)<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p class=\"p4\">(Gra\u00e7a de Abreu, 2013: III).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p2\">No entanto, \u00e9 preciso perceber que esta nutri\u00e7\u00e3o, apesar de ser multifacetada, deve ser frugal, porque a frugalidade \u00e9, como sabemos, um dos tr\u00eas tesouros que acompanham o s\u00e1bio ou a pessoa verdadeira taoista (<span class=\"s2\">\u771f\u4eba<\/span> <i>zhen r\u00e9n<\/i>). Al\u00e9m disso, no que respeita \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o nada como aquela que \u00e9 fornecida directamente pela M\u00e3e Natureza, em estreita liga\u00e7\u00e3o com o Tao (<span class=\"s2\">\u9053<\/span> <i>D\u00e0o<\/i>), a M\u00e3e do Universo: o sol, a \u00e1gua, o vento, os frutos, as sementes, mas tamb\u00e9m as paisagens naturais, que elevam o esp\u00edrito, como a contempla\u00e7\u00e3o de um p\u00f4r do sol, de um luar, do c\u00e9u estrelado, do mar numa bela manh\u00e3 de Primavera ou de Ver\u00e3o, tal como nos \u00e9 dito pelo fil\u00f3sofo no cap\u00edtulo vinte num registo confessional:<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p4\"><i>Sou diferente dos demais,<br \/>\n<\/i><i>alimento-me na M\u00e3e do Universo.<br \/>\n<\/i><i><\/i><span class=\"s4\">(<\/span>\u6211\u72ec\u5f02\u4e8e\u4eba\/\u800c\u8d35\u98df\u6bcd<span class=\"s4\">)<br \/>\n<\/span>(Gra\u00e7a de Abreu, 2013: XX)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p2\">Na verdade, a nutri\u00e7\u00e3o a que o fil\u00f3sofo se refere, na base da concreta e real \u00e9 muito refinada.<\/p>\n<p class=\"p6\">Seguindo esta ordem de ideias, compreendemos bem o que Zhuangzi (<span class=\"s2\">\u5e84\u5b50<\/span>, 396- 286 a.C.), o segundo maior fil\u00f3sofo taoista nos pretende transmitir na f\u00e1bula \u201cA Coruja e a F\u00e9nix\u201d, do cap\u00edtulo dezassete da obra hom\u00f3nima, quando relata o encontro com Huizi (<span class=\"s2\">\u60e0\u5b50<\/span>), primeiro-ministro de Liang (<span class=\"s2\">\u6881\u56fd <\/span>Li\u00e1ng Gu\u00f3), depois deste o ter mandado prender, sem sucesso, por temer que ele desejasse roubar-lhe o posto. Ao inv\u00e9s, o pr\u00f3prio fil\u00f3sofo vai ter com ele, contando-lhe a seguinte f\u00e1bula:<\/p>\n<p class=\"p8\">\u201cConheces um p\u00e1ssaro do Sul de nome f\u00e9nix? Partiu do Mar do Sul e voou em direc\u00e7\u00e3o ao Mar do Norte. Apenas pousou nas \u00e1rvores sagradas, s\u00f3 comeu rebentos de bambu, bebendo unicamente doce \u00e1gua das fontes celestes. Ao sobrevoar uma coruja que mastigava um rato j\u00e1 decomposto, esta piou de susto \u2018Huuu!\u2019: Assim, v\u00f3s n\u00e3o estareis consternado, piando contra mim por causa do vosso cargo no Reino de Liang?\u201d<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p9\"><span class=\"s3\">(<\/span>\u5357\u65b9\u6709\u4e00\u79cd\u9e1f\uff0c\u540d\u53eb\u9d77\u9db5, \u60a8\u77e5\u9053\u5417\uff1f\u90a3\u9d77\u9db5\uff0c\u4ece\u5357\u6d77\u51fa\u53d1\uff0c\u5411\u5317\u6d77\u98de\u7fd4\uff0c\u4e0d\u662f\u68a7\u6850\u6811\u5b83\u4e0d\u4f11\u606f\uff0c\u4e0d\u662f\u7af9\u5b50\u7684\u679c\u5b9e\u5b83\u4e0d\u5403\uff0c\u4e0d\u662f\u751c\u7f8e\u7684\u6cc9\u6c34\u5b83\u4e0d\u996e\u3002\u5728\u8fd9\u4e2a\u65f6\u5019\uff0c\u4e00\u53ea\u732b\u5934\u9e70\u5f97\u5230\u4e00\u53ea\u8150\u70c2\u4e86\u7684\u8001\u9f20\uff0c\u9d77\u9db5\u4ece\u90a3\u91cc\u98de\u8fc7\uff0c\u732b\u5934\u9e70\u62ac\u8d77\u5934\u671b\u7740\u9d77\u9db5\u7a7a\u4e86\u4e00\u58f0\uff1a\u5687\uff01\u5982\u4eca\u60a8\u60f3\u7528\u60a8\u7684\u6881\u56fd\u7684\u5bb0\u76f8\u7984\u4f4d\u6765\u5413\u6211\u4e00\u58f0\u5417\uff1f<span class=\"s3\">)<\/span>(Zhuangzi, XVII. 12).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p2\">Para o ponto de vista que desejo defender, a saber, que a nutri\u00e7\u00e3o \u00e9 um princ\u00edpio fundamental da filosofia chinesa, julgo que \u00e9 importante considerar a f\u00e1bula de um modo t\u00e3o literal quanto poss\u00edvel. Percebe-se que ao n\u00edvel figurativo, o rato em decomposi\u00e7\u00e3o representa o cargo do primeiro-ministro e a coruja o pr\u00f3prio Huizi, ao passo que Zhuangzi se identifca com a f\u00e9nix. No entanto, para o argumento em jogo, n\u00e3o \u00e9 por acaso que um come rebentos de bambu e o outro um rato j\u00e1 em estado de degrada\u00e7\u00e3o avan\u00e7ada. Na filosofia chinesa, os nutrientes por que optamos, v\u00e3o definir n\u00e3o apenas a nossa sa\u00fade f\u00edsica como ainda abrir ou fechar as nossas possibilidades mentais. A nutri\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9, portanto, um conceito exclusivamente f\u00edsico, tem grande import\u00e2ncia em termos espirituais, podendo aproximar ou afastar da verdadeira realidade. Assim, h\u00e1 uma permuta constante entre os alimentos espirituais e f\u00edsicos. A filosofia come-se, um pouco \u00e0 semelhan\u00e7a do que no outro lado do globo num pequeno pa\u00eds \u00e0 beira-mar, muitos s\u00e9culos volvidos, Nat\u00e1lia Correia viria a defender <i>mutatis mutandis<\/i> num verso c\u00e9lebre:<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p4\"><i>\u201c\u00d3 Subalimentados do sonho!<br \/>\n<\/i><i>a poesia \u00e9 para comer\u201d<\/i><i><\/i><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p6\">Mas para que seja da melhor, da mais rara, da mais refinada, h\u00e1 que come\u00e7ar pelo corpo e ao n\u00edvel dos nutrientes mais elementares, com paci\u00eancia, simplicidade e per\u00edcia. Cada um ter\u00e1 que estudar para o seu caso e seu estilo pr\u00f3prios quais os elementos a misturar e em que doses, para obter o efeito filos\u00f3fico fundamental de misturar os seus elementos primordiais feminino <i>Yin<\/i> <span class=\"s2\">(\u9634<\/span>) e masculino <i>Yang<\/i> (<span class=\"s2\">\u9633<\/span>) , de modo a equilibr\u00e1-los, a fim de entrar em harmonia consigo mesmo e da\u00ed com o mundo que o rodeia, inclusive mais al\u00e9m, em resson\u00e2ncia com todo o cosmos. A nutri\u00e7\u00e3o, f\u00edsica e espiritual s\u00e3o essenciais para o bem-estar psicossom\u00e1tico das pessoas.<\/p>\n<p class=\"p6\">N\u00e3o t\u00eam conta as obras no \u00e2mbito da Medicina Tradicional Chinesa dedicadas ao estudo das propriedades constitutivas dos alimentos e seus benef\u00edcios para os seres humanos. A t\u00edtulo de exemplo, aconselho a leitura de <i>The Art of Long Life. Chinese Foods for Longevity <\/i>de Henry C. Lu (1996). Uma boa alimenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o dever\u00e1 ser rica, nem pobre, mas equilibrada, j\u00e1 que cada alimento ingerido poder\u00e1 danificar ou beneficiar os nossos \u00f3rg\u00e3os, tecidos, flu\u00eddos, orif\u00edcios, enfim, todo o corpo e mente. Portanto, h\u00e1 que ter em conta os sabores, ao n\u00edvel micrc\u00f3smico, mas tamb\u00e9m as condi\u00e7\u00f5es climat\u00e9ricas e as esta\u00e7\u00f5es do ano, em termos macroc\u00f3smicos.<\/p>\n<p class=\"p6\">Como nos recordam Cec\u00edlia Jorge e Beltr\u00e3o Coelho em <i>Medicina Chinesa, Em Busca do Equil\u00edbrio Perdido <\/i>(1988): \u201cParticularmente a sa\u00fade e a alimenta\u00e7\u00e3o est\u00e3o profundamente ligadas, de um modo muito mais \u00edntimo do que em qualquer outra civiliza\u00e7\u00e3o\u201d. (Jorge, Coelho, 1988: 25). Tal implicar\u00e1 uma aten\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica voltada para a busca do equil\u00edbrio atrav\u00e9s da nutri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p6\">O quinto dos sessenta e quatro hexagramas do <i>Cl\u00e1ssico das Muta\u00e7\u00f5es<\/i>, o primeiro de todos os tratados filos\u00f3ficos chineses, \u00e9 dedicado \u00e0 Nutri\u00e7\u00e3o (<span class=\"s2\">\u9700 <\/span><i>x<\/i><span class=\"s4\"><i>\u016b<\/i><\/span>), como n\u00e3o podia deixar de ser ou a tese aqui defendida n\u00e3o teria fundamento. Este hexagrama tamb\u00e9m conhecido pelo sugestivo nome de Espera recorda-nos o facto de a nutri\u00e7\u00e3o n\u00e3o ter apenas consequ\u00eancias imediatas, mas sim progressivas, que implicam a assimila\u00e7\u00e3o e digest\u00e3o dos nutrientes. No entanto, com a postura certa, quer dizer, sincera perseverante e calma, \u00e9 poss\u00edvel obter boa sorte, seja qual for a aventura em que desejemos embarcar. Quais s\u00e3o os trigramas constituintes da nutri\u00e7\u00e3o? Na base encontramos o C\u00e9u Criativo (<span class=\"s2\">\u4e7e<\/span> <i>Qi\u00e1n<\/i>), no topo a \u00c1gua Abismal (<span class=\"s2\">\u574e<\/span> <span class=\"s4\"><i>k\u01cen<\/i><\/span>). Pelo que a imagem do hexagrama nos diz:<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p4\">\u201c<i>Erguem-se nuvens no C\u00e9u:<br \/>\n<\/i><i>A imagem da espera<br \/>\n<\/i><i>Assim a pessoa superior come e bebe<br \/>\n<\/i><i>mantendo-se alegre e de boa disposi\u00e7\u00e3o<\/i>\u201d<br \/>\n\u300a\u8c61\u66f0<span class=\"s4\">: <\/span>\u4e91\u4e0a\u4e8e\u5929\uff0c\u9700\uff1b\u541b\u5b50\u996e\u98df\u5bb4\u4e50\u3002\u300b<br \/>\nZhang, 84:36<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p6\">Recordo que quando me debrucei sobre este hexagrama, do ponto de vista liter\u00e1rio, escrevi o seguinte poema em <i>Visita\u00e7\u00f5es<\/i>:<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p4\"><i>Nuvens no C\u00e9u<br \/>\n<\/i><i>Indicam a chuva e o alimento,<br \/>\n<\/i><i>Aguarda-se a \u00c1gua e o sucesso,<br \/>\n<\/i><i>Haver\u00e1 perigo mas a aventura<br \/>\n<\/i><i>\u00e9 melhor do que o ex\u00edlio.<br \/>\n<\/i><i>A espera atenta e persistente<br \/>\n<\/i><i>\u00c9 a \u00fanica garantia da futura alegria,<br \/>\n<\/i><i>H\u00e1 ainda a surpresa pelo meio<br \/>\n<\/i><i>De poder abra\u00e7ar o infort\u00fanio.<br \/>\n<\/i><i><\/i>(Alves, 2022: 134)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p6\">Na verdade, o C\u00e9u concede a for\u00e7a que permite, com a atitude correcta, ou seja, numa interpreta\u00e7\u00e3o aconselhada a ser o mais literal poss\u00edvel, que se coma e se beba, o mesmo \u00e9 dizer, se aguarde pacientemente e com abertura de esp\u00edrito para que sejam criadas as condi\u00e7\u00f5es, favorecidas no cultivo da for\u00e7a interior necess\u00e1ria \u00e0 convers\u00e3o das nuvens em \u00e1gua benfazeja, nutritiva, diluente dos obst\u00e1culos f\u00edsicos e ps\u00edquicos conducentes \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o da obra intelectual, mas tamb\u00e9m do empreendimento f\u00edsico, requerido na sua realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p6\">S\u00f3 com uma boa e progressiva nutri\u00e7\u00e3o, realizada pelos alimentos no tempo e medida certos, poderemos construir a longevidade e at\u00e9 imortalidade, sustentados pela for\u00e7a do poder criativo que transforma o perigo em oportuna fertilidade para a qual as circunst\u00e2ncias exteriores e alheias \u00e0 vontade de cada um tamb\u00e9m contribuem. Resumindo, ser\u00e1 preciso confiar em mais do que n\u00f3s mesmos, quando o princ\u00edpio da nutri\u00e7\u00e3o se torna um valor fundamental de uma filosofia. H\u00e1 que cultivar a abertura que nos vem da natureza e seus m\u00faltiplos nutrientes. Estes come\u00e7am no p\u00e3o, arroz, vinho ou ch\u00e1 que levamos \u00e0 boca, progredindo da\u00ed para a luz que nos entra e sai da mente-cora\u00e7\u00e3o (<span class=\"s2\">\u5fc3 <\/span><span class=\"s4\">x\u012bn<\/span>) no contacto com os outros e com a natureza. Neste panorama mental, \u00e9 caso para dizer que consoante os alimentos ingeridos e digeridos assim receberemos as filosofias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p4\"><b>O simbolismo <\/b><b>na gastronomia chinesa<\/b><\/h3>\n<p class=\"p6\">Assim, a gastronomia com caracter\u00edsticas chinesas n\u00e3o se resume a uma arte em que os ingredientes s\u00e3o misturados com mais ou menos ci\u00eancia, \u00e9 muito mais do que isso, j\u00e1 que \u201cas caracter\u00edsticas chinesas\u201d indicam uma filosofia que apresenta os valores essenciais da cultura chinesa, os princ\u00edpios por que os chineses se regem e as ideias-matriz deste povo t\u00e3o <i>sui generis, <\/i>que alia com grande sabedoria filosofia \u00e0 l\u00edngua e esta, por sua vez, aos ingredientes de modo a fornecer uma orienta\u00e7\u00e3o existencial gastron\u00f3mica que comanda em termos te\u00f3ricos e pr\u00e1ticos a vida e a sa\u00fade dos chineses, j\u00e1 que quem come bem, quer dizer, com aten\u00e7\u00e3o ao valor simb\u00f3lico da culin\u00e1ria, poder\u00e1 usufruir de uma vida longa e muito salutar. Haver\u00e1 melhor filosofia do que esta: caminhar pela vida correctamente sem trope\u00e7ar a cada passo nas doen\u00e7as que a falta de saber gastron\u00f3mico pode atrair?<\/p>\n<p class=\"p6\">A proposta aqui deixada \u00e9 se pesquise o simbolismo gastron\u00f3mico em algumas das principais festividades chinesas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p13\"><b>Anivers\u00e1rio da Humanidade: homofonias lingu\u00edsticas<\/b><\/h3>\n<p class=\"p2\">De acordo com a tradi\u00e7\u00e3o chinesa, os seres humanos, al\u00e9m de gozarem o seu segundo anivers\u00e1rio \u00e0 nascen\u00e7a, possuem um anivers\u00e1rio a mais, no s\u00e9timo dia do Ano Novo Chin\u00eas<sup>1<\/sup>, no qual comem alface n\u00e3o cozinhada e peixe cru, sobretudo carpa, assentando as raz\u00f5es mais essenciais numa filosofia da linguagem simb\u00f3lica, j\u00e1 que o caracter para fresco ou cru \u00e9 <span class=\"s4\"><i>sh\u0113ng<\/i><\/span><i> <\/i>(<span class=\"s2\">\u751f<\/span>), que tamb\u00e9m significa \u201cvida\u201d e \u201ccrescimento\u201d, por isso \u201ccomer vegetais frescos e peixe cru simboliza uma vida longa e pr\u00f3spera.\u201d (Tan, 1997: 9). Al\u00e9m disso, um dos nomes para alface em chin\u00eas \u00e9 <span class=\"s4\"><i>sh\u0113ngc\u00e0i<\/i><\/span> <span class=\"s2\">(\u751f\u83dc<\/span>), que significa \u201cvegetal cru\u201d e por jogo hom\u00f3fono \u201cvida e riqueza\u201d. H\u00e1 ainda a considerar que peixe, em chin\u00eas <i>y\u00fa<\/i> (<span class=\"s2\">\u9c7c\/\u9b5a<\/span>) , \u00e9 hom\u00f3fono de <i>y\u00fa<\/i> (<span class=\"s2\">\u4f59\/\u9918<\/span>) de \u201cexcesso\u201d, que vem sempre a prop\u00f3sito e rima com prosperidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p13\"><b>O simbolismo-gastron\u00f3mico <\/b><b>da Festividade do Ano Novo Chin\u00eas<\/b><\/h3>\n<p class=\"p2\">No Ano Novo chin\u00eas <span class=\"s4\">X\u012bnni\u00e1n<\/span> (<span class=\"s2\">\u65b0\u5e74<\/span>), a principal festividade dos chineses, tamb\u00e9m conhecida pela Festividade da Primavera<i> (<\/i><span class=\"s2\">\u6625\u8282\/\u83ad<\/span><span class=\"s4\"><i>Ch\u016bnji\u00e9<\/i><\/span>), celebra-se o in\u00edcio de um novo tempo, repleto de esperan\u00e7a e oportunidades para todos, bem como a reuni\u00e3o familiar. O novo de tempo \u201ccom tudo de bom e a correr \u00e0s mil maravilhas\u201d (<span class=\"s2\">\u4e07<\/span>\/<span class=\"s2\">\u842c\u4e8b\u5982\u610f <\/span><i>W\u00e0nsh\u00ec r\u00fay\u00ec<\/i>) dever\u00e1 ser devidamente aproveitado e preparado por um conjunto de gestos rituais, que incluem naturalmente a gastronomia, viabilizadora da uni\u00e3o familiar em torno de uma mesa t\u00e3o redonda (e unida) como alguns dos principais petiscos a servir. Na V\u00e9spera do Ano Novo, correspondente \u00e0 Consoada crist\u00e3, d\u00e1-se o grande encontro familiar<sup>2<\/sup>, denominado a Reuni\u00e3o do Ano (<span class=\"s2\">\u56e2\u5e74<\/span>, <i>Tu\u00e1n ni\u00e1n<\/i>), em que por tradi\u00e7\u00e3o at\u00e9 os ancestrais participam, sendo-lhes reservado um lugar \u00e0 mesa, ofertando-lhes a comida da sua prefer\u00eancia, toalhas para limpar o rosto e cigarros (Pires, 2018: 164\/166). E se na refei\u00e7\u00e3o da v\u00e9spera do ano novo se pode comer tudo, j\u00e1 no primeiro dia do ano \u00e9 dada prefer\u00eancia a uma ementa vegetariana, porque \u00e9 considerado muito pouco auspicioso entrar o ano a matar animais. Contudo, esta tradi\u00e7\u00e3o tem vindo a ser esquecida, sendo substitu\u00edda em muitas fam\u00edlias por um encontro num restaurante para um variado <i>iam-ch\u00e1 <\/i>(<span class=\"s2\">\u996e\u8336<\/span>, <span class=\"s4\"><i>y\u01d0n<\/i><\/span> ch\u00e1<sup>3<\/sup>), que numa tradu\u00e7\u00e3o literal significa \u201cbeber ch\u00e1\u201d, mas na realidade \u00e9 uma refei\u00e7\u00e3o n\u00e3o tanto com pratos mas com petiscos muito variados.<\/p>\n<p class=\"p6\">\u00c9 atrav\u00e9s da comida que se presta homenagem aos antepassados e aos deuses durante a Festividade do Ano Novo Lunar, h\u00e1, no entanto, algumas diferen\u00e7as nas homenagens. Enquanto aos antepassados se oferece sempre comida temperada, e no menu n\u00e3o pode estar ausente o arroz, j\u00e1 os deuses s\u00e3o agraciados com o mesmo g\u00e9nero de comida, \u00e0 excep\u00e7\u00e3o do arroz, representante do sustento e da abastan\u00e7a, e sem temperos. Ser\u00e3o ent\u00e3o cinco esp\u00e9cies de comida, cinco ta\u00e7as de vinho e cinco e de ch\u00e1 a figurar entre as d\u00e1divas. Por\u00e9m, para as divindades devem constar 10 pauzinhos no altar.<\/p>\n<p class=\"p6\"><span class=\"s5\"> Al\u00e9m disso, o chefe de fam\u00edlia agradece no altar ou tabuleta ancestral a prote\u00e7\u00e3o dos antepassados, presenteando-os com cinco ch\u00e1venas de vinho de arroz, que podem ser substitu\u00eddas por u\u00edsque ou conhaque, cinco ch\u00e1venas de ch\u00e1 e cinco pares de pauzinhos, j\u00e1 que o cinco simboliza a organiza\u00e7\u00e3o c\u00f3smica e, portanto, fornecendo a ordem dos elementos em todas as direc\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p class=\"p6\">O jantar da Consoada chinesa deve ser abundante, de forma a permitir sobras, que ao transitarem de um ano para o seguinte simbolizam a riqueza material e o excesso que foi transportado para o novo tempo. O que n\u00e3o pode faltar \u00e0 ceia de Ano Novo \u00e9 o peixe cru <span class=\"s4\"><i>y\u00fash\u0113ng<\/i><\/span><i> <\/i>(<span class=\"s2\">\u9c7c\u751f<\/span>): \u201co peixe \u00e9 comido para longa vida e abundante riqueza.\u201d (Tan, 1997: 21).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p4\"><b>As palavras e os tons <\/b><b><\/b><\/h3>\n<p class=\"p6\">A fim de se compreender o que traz a sorte \u00e0 mesa chinesa, \u00e9 preciso nunca perder de vista o sentido e o simbolismo das palavras e respetivos tons. Assim, por raz\u00f5es de fortuna lingu\u00edstica n\u00e3o devem faltar a uma mesa de Ano Novo auspiciosa os seguintes ingredientes: ostras, que em Cantonense se pronunciam <i>ho see <\/i>(<span class=\"s2\">\u869d<\/span>\/<span class=\"s2\">\u8814<\/span>)<sup>4<\/sup>, figurando desta forma uma \u201cocasi\u00e3o prop\u00edcia\u201d; algas<i> <\/i>(<span class=\"s2\">\u53d1<\/span>\/<span class=\"s2\">\u767c\u83dc,<\/span> <i>f\u00e0c\u00e0i<\/i>), que nos evocam a ideia de prosperar ou, at\u00e9 mais literalmente, de \u201ccrescer a riqueza\u201d. N\u00e3o podem estar ausentes do banquete festivo cogumelos (<span class=\"s2\">\u51ac\u83c7<\/span>,<i> <\/i><span class=\"s4\"><i>d\u014dngg\u016b<\/i><\/span>), a representar a realiza\u00e7\u00e3o dos desejos de Este a Oeste; t\u00e2maras ou jujubas (<span class=\"s2\">\u7ea2\u67a3<\/span>\/<span class=\"s2\">\u7d05\u68d7<\/span>, <span class=\"s4\"><i>h\u00f3ngz\u01ceo<\/i><\/span>), que devido a cor vermelha<i> <\/i>(<span class=\"s2\">\u7ea2<\/span>\/<span class=\"s2\">\u7d05<\/span>, <i>h\u00f3ng<\/i>) simbolizar prosperidade e (<span class=\"s2\">\u67a3<\/span>\/<span class=\"s2\">\u68d7<\/span>, <span class=\"s4\"><i>z\u01ceo<\/i><\/span>) ser fruta hom\u00f3fona de \u201cmanh\u00e3 cedo\u201d, (<span class=\"s2\">\u65e9<\/span>, <span class=\"s4\"><i>z\u01ceo<\/i><\/span>), nos remetem para o sentido de \u201ca prosperidade vem cedo\u201d, caso se prefira, \u201cest\u00e1 a chegar\u201d; ou sementes de l\u00f3tus, (<span class=\"s2\">\u83b2<\/span>\/<span class=\"s2\">\u84ee\u5b50<\/span>, <span class=\"s4\"><i>li\u00e1nz\u01d0<\/i><\/span>), que tamb\u00e9m por um jogo hom\u00f3fono com<i> li\u00e1n<\/i> (<span class=\"s2\">\u8fde<\/span>\/<span class=\"s2\">\u9023<\/span>), significando este caracter\u201d liga\u00e7\u00e3o\u201d ou \u201csucess\u00e3o\u201d, prometem descend\u00eancia ou continua\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia. A rematar o desfile aleg\u00f3rico de acepipes encontramos o bolo de Ano Novo<i> <\/i>(<span class=\"s2\">\u5e74\u7cd5<\/span>, <span class=\"s4\"><i>ni\u00e1ng\u0101o<\/i><\/span>), cuja homofonia perfeita com \u201calto\u201d (<span class=\"s2\">\u9ad8<\/span>, <span class=\"s4\"><i>g\u0101o<\/i><\/span>) desperta nos convivas a vontade de ascender socialmente e ter melhor<i> status<\/i> no ano que est\u00e1 a entrar, sem perder de vista a uni\u00e3o familiar, uma vez que o bolo \u00e9 redondo, de modo a apelar ao sentido de fam\u00edlia e \u00e0 amizade eterna, dada a sua massa aglutinadora, al\u00e9m de a uma vida doce, como requer o a\u00e7\u00facar que o constitui.<\/p>\n<p class=\"p6\">A um outro n\u00edvel simb\u00f3lico n\u00e3o lingu\u00edstico e mais intuitivo e directo, por assentar na figura\u00e7\u00e3o dos elementos comest\u00edveis, marcam presen\u00e7a o arroz (<span class=\"s2\">\u7c73<\/span>, <span class=\"s4\"><i>m\u01d0<\/i><\/span>), a representar a riqueza devida \u00e0 prolifera\u00e7\u00e3o dos gr\u00e3os, e a massa (<span class=\"s2\">\u9762\u6761<\/span>\/<span class=\"s2\">\u9eb5\u689d<\/span>, <i>mi\u00e0nti\u00e1o<\/i>), simbolizando, pelo seu comprimento, a longevidade.<\/p>\n<p class=\"p6\"><span class=\"s6\">A compor o cen\u00e1rio culin\u00e1rio h\u00e1 ainda uma travessa redonda ,dividida octogonalmente, que devido \u00e0 sua forma f\u00edsica nos remete para o n\u00famero oito (<\/span><span class=\"s7\">\u516b<\/span><span class=\"s6\">, <\/span><span class=\"s8\"><i>b\u0101<\/i><\/span><span class=\"s6\">), cujo simbolismo lingu\u00edstico, por homofonia imperfeita, evoca \u201ccrescer\u201d ou \u201cprosperar\u201d (<\/span><span class=\"s7\">\u53d1<\/span><span class=\"s6\">\/<\/span><span class=\"s7\">\u767c<\/span><span class=\"s6\">, <i>f\u00e0<\/i>). Nada na travessa figura ao acaso, j\u00e1 que est\u00e1 recheada de ingredientes prop\u00edcios, como sejam os bolos (<\/span><span class=\"s7\">\u7cd5<\/span><span class=\"s6\">, <\/span><span class=\"s8\"><i>g\u0101o<\/i><\/span><span class=\"s6\">) , a apelar \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o social; certos frutos secos como as t\u00e2maras<i> <\/i>(<\/span><span class=\"s7\">\u67a3<\/span><span class=\"s6\">\/<\/span><span class=\"s7\">\u68d7\u5b50<\/span><span class=\"s6\">, <\/span><span class=\"s8\"><i>z\u01ceoz\u01d0<\/i><\/span><span class=\"s6\">), onde a boa sorte tamb\u00e9m pode chegar mais cedo na forma de filhos (<\/span><span class=\"s7\">\u65e9\u5b50<\/span><span class=\"s6\">, <\/span><span class=\"s8\"><i>z\u01ceoz\u01d0<\/i><\/span><span class=\"s6\">); ou ainda sementes de mel\u00e3o, simbolizando descend\u00eancia (<\/span><span class=\"s7\">\u74dc\u5b50\u5152<\/span><span class=\"s6\">, <\/span><span class=\"s8\"><i>Gu\u0101z\u01d0<\/i><\/span><span class=\"s6\"> <i>er<\/i>), mais pela sua forma f\u00edsica, j\u00e1 que s\u00e3o muitas e douradas, estando impl\u00edcito o sentido de que a progenitura \u00e9 a verdadeira riqueza. <\/span><\/p>\n<p class=\"p6\">Ao longo de toda a festividade os amendoins tamb\u00e9m se encontram em lugar de destaque, porque representam a sa\u00fade, sendo, em sentido literal \u201cas flores da vida\u201d (<span class=\"s2\">\u82b1\u751f<\/span>, <span class=\"s4\"><i>hu\u0101sh\u0113ng<\/i><\/span>) e, por extens\u00e3o de sentido a partir da observa\u00e7\u00e3o, \u201co fruto que cresce da terra\u201d (<span class=\"s2\">\u957f<\/span>\/<span class=\"s2\">\u9577\u751f\u679c<\/span>, <span class=\"s4\"><i>Ch\u00e1ngsh\u0113ng gu\u01d2<\/i><\/span>) , express\u00e3o que pode ser traduzida por \u201co fruto da longevidade\u201d.<\/p>\n<p class=\"p6\">H\u00e1 um outro n\u00edvel de simbolismo associado aos elementos comest\u00edveis que conjuga forma, sabor, cor e linguagem. Importantes frutos n\u00e3o apenas se comem como tamb\u00e9m cumprem fun\u00e7\u00f5es decorativas essenciais, j\u00e1 que ao serem espalhados pelas casas ou figurarem \u00e0 entrada das moradias e at\u00e9 de estabelecimentos comerciais, chamam a fortuna. Ora pensemos nos peixes vermelhos, nos peixes dourados ou nas laranjas. Estas \u00faltimas em Cantonense s\u00e3o <i>gam <\/i>(<span class=\"s2\">\u67d1<\/span>) , criando a possibilidade de estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o hom\u00f3fona com ouro, que tamb\u00e9m se diz <i>gam <\/i>(<span class=\"s2\">\u91d1<\/span>)<sup>5<\/sup>, cujo som \u00e9, de novo, hom\u00f3fono de doce <i>gam<\/i> (<span class=\"s2\">\u7518<\/span>). Logo, as laranjas pela cor, sabor, formato e l\u00edngua transportam consigo a promessa de uma vida doce e rica.<\/p>\n<p class=\"p6\">Em situa\u00e7\u00e3o quase id\u00eantica est\u00e1 a tangerina, cuja nota dissonante se encontra na l\u00edngua, j\u00e1 que o caracter para tangerina \u00e9 <i>kat <\/i>(<span class=\"s2\">\u6a58<\/span>)<sup>6<\/sup>, que em Cantonense estabelece homofonia com \u201csorte\u201d, ou seja, <i>kat <\/i>(<span class=\"s2\">\u5409<\/span>)<sup>7<\/sup><\/p>\n<p class=\"p6\"><span class=\"s9\">Recorde-se que na religi\u00e3o popular ou tradicional se multiplicam as oferendas comest\u00edveis a divindades. \u00c9 at\u00e9 usual pedir prote\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas entregando os cinco frutos no altar das oferendas, mas indo um pouco mais longe pela altura do 23\u00ba dia do 12\u00ba m\u00eas lunar chin\u00eas, quando \u00e9 suposto o Deus da Cozinha<sup>8<\/sup> (<\/span><span class=\"s10\">\u7076\u541b<\/span><span class=\"s9\">, <\/span><span class=\"s11\"><i>Z\u00e0o J\u016bn<\/i><\/span><span class=\"s9\">), que reside na cozinha das fam\u00edlias chinesas, ir apresentar o relat\u00f3rio anual das actividades familiares \u00e0 suprema divindade do pante\u00e3o chin\u00eas, o Imperador de Jade Y\u00f9hu\u00e1ng D\u00e0d\u00ec (<\/span><span class=\"s10\">\u7389\u7687\u5927\u5e1d<\/span><span class=\"s9\">). Nessa data, \u00e9 o mela\u00e7o ou os doces glutinosos que figuram em lugar de destaque, com os quais se unta a boca dele ou se procede a imers\u00e3o do retrato da divindade em vinho para que o relat\u00f3rio entregue pelo emiss\u00e1rio v\u00e1 para o C\u00e9u o mais condescendente poss\u00edvel, a fim de que: \u201cChou Kuan n\u00e3o fizesse um relat\u00f3rio \u2018amargo\u2019 ao imperador celestial \u201d(Jorge, Cec\u00edlia. 2005: 87). <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p13\"><b>Rituais culin\u00e1rios <\/b><b>na Festividade das Lanternas <\/b><\/h3>\n<p class=\"p2\">A Festividade do Ano Novo Lunar encerra com uma outra festa, a das Lanternas no 15\u00ba dia, com a primeira lua cheia do ano. O sin\u00f3logo macaense Lu\u00eds Gonzaga Gomes (1907-1976) em <i>Festividades Chinesas<\/i> (1953), afirma ser prov\u00e1vel que a Festa das Lanternas tenha surgido com culto do Imperador Wudi (<span class=\"s2\">\u6b66\u5e1d<\/span> <span class=\"s4\"><i>W\u01dad\u00ec<\/i><\/span>, 140-86 a.C) da dinastia Han \u00e0 divindade da Primeira Causa (<span class=\"s2\">\u592a\u4e59\u795e<\/span> <span class=\"s4\"><i>T\u00e0iy\u01d0sh\u00e9n<\/i><\/span>). Desta forma, a coloca\u00e7\u00e3o de lanternas vermelhas acesas e ramos de abeto nas portas teriam como objetivo atrair a prosperidade atrav\u00e9s das luzes e a longevidade pelos ramos. (Gomes, 1953: 183) Refere, ainda, que o Imperador da dinastia Tang Ruizong (<span class=\"s2\">\u5510\u777f\u5b97<\/span> <span class=\"s4\"><i>T\u00e1ng Ru\u00ecz\u014dng<\/i><\/span>, 662-710) ter\u00e1 mandado decorar uma frondosa \u00e1rvore de mais de 36 metros de altura com 50.000 lanternas, com as mais variadas formas, esta possu\u00eda um aspeto \u201ct\u00e3o fe\u00e9rico que ficou sendo conhecida na hist\u00f3ria com o nome de \u00e1rvore igniscente\u201d (Gomes, 1953: 184).<\/p>\n<p class=\"p6\">Nesta festividade \u00e0 primeira lua cheia, <i>Yuan Xiao <\/i>(<span class=\"s2\">\u5143\u5bb5<\/span>) , que de t\u00e3o redonda, simboliza na perfei\u00e7\u00e3o a uni\u00e3o familiar, o amor e o casamento, n\u00e3o podem faltar as doces bolinhas de arroz glutinoso recheadas em caldo, as <i>tang yuan<\/i><i><sup>9<\/sup><\/i><i> <\/i>(<span class=\"s2\">\u6c64\u5706<\/span>\/<span class=\"s2\">\u6e6f\u5713<\/span>, <span class=\"s4\"><i>t\u0101ngyu\u00e1n<\/i><\/span>), cuja do\u00e7ura pegajosa representa a uni\u00e3o familiar eterna, refor\u00e7ada pelo simbolismo das lanternas, cada qual contando por um membro da fam\u00edlia e, portanto, significando a felicidade e a longevidade. Dantes, em certas prov\u00edncias, caso as fam\u00edlias desejassem mais filhos \u201cpendurariam lanternas extra\u201d (Tan, 1997:36).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p13\"><b>A festividade de Outono, <\/b><b>a do Bolo Lunar <\/b><\/h3>\n<p class=\"p2\">No 15\u00ba dia do 8\u00ba m\u00eas lunar, recorda-nos Leonel Barros, celebra-se a Festividade de Outono, <i>Tchong Tchau Tchit<\/i> (<span class=\"s2\">\u4e2d\u79cb\u8282<\/span>, <span class=\"s4\"><i>Zh\u014dngqi\u016b <\/i><\/span>ji\u00e9 ), o equin\u00f3cio ligado ao final das colheitas, a abrir uma ascend\u00eancia do per\u00edodo Yin (<span class=\"s2\">\u9634<\/span>, <span class=\"s4\"><i>y\u012bn<\/i><\/span>), em que o princ\u00edpio feminino comanda apelando ao repouso da terra. A festividade calha em dia de lua cheia. Diz-nos Barros: \u201cA Lua redonda simboliza, portanto, al\u00e9m da feminilidade, a uni\u00e3o da fam\u00edlia, raz\u00e3o pela qual os familiares mais afastados regressam ao lar para celebrarem a festividade em conjunto\u201d ( 2003:66).<\/p>\n<p class=\"p6\"><span class=\"s5\">\u00c0 semelhan\u00e7a do que sucede durante a Festividade das Lanternas, que tamb\u00e9m tem como protagonista principal a Lua, encontramos lanternas espalhadas pelos parques e nas m\u00e3os de adultos e crian\u00e7as de v\u00e1rios formatos e materiais, repletas de simbolismo, onde por exemplo, as lagostas representam a felicidade e a fortuna, entre aves, coelhos e borboletas pujantes de sentidos figurativos. E se na festividade das lanternas encontramos umas bolinhas de arroz glutinoso, muito redondas, mergulhadas em calda, na Festividade do Outono somos contemplados com magn\u00edficos bolos lunares, tamb\u00e9m eles redondos para representarem a lua e a uni\u00e3o familiar e at\u00e9 um pouco mais, j\u00e1 que como nos lembra Leonel Barros eles serviram para durante a dinastia Mongol libertar o povo dos invasores mong\u00f3is, que a t\u00edtulo de emiss\u00e1rios do Imperador praticavam todo o tipo de desmandos nas casas chinesas.<sup>10<\/sup> Assim no 15\u00ba dia da 8\u00aa lua foi colocada uma mensagem dentro de cada bolo apelando \u00e0 revolta popular. \u201ctodos os homens v\u00e1lidos deviam comparecer na pra\u00e7a p\u00fablica\u201d (2003:70). O que de facto aconteceu foi atrav\u00e9s de um bolo, cujo primeiro sentido era o da uni\u00e3o familiar, que os chineses se viram livres dos invasores mong\u00f3is, libertando a China do jugo estrangeiro. Quanto ao bolo, o principal protagonista desta festividade<sup>11<\/sup>, tamb\u00e9m \u00e9 chamado em Macau, \u201cbolo bate-pau\u201d, sendo distribu\u00eddo por amigos e vizinhos e n\u00e3o apenas aos familiares. Segundo a descri\u00e7\u00e3o de Gonzaga Gomes, os bolos possuem uma farinha de cor acinzentada como a lua, sendo recheados com toucinho e presunto; com massa de feij\u00e3o; com pevides, frutos secos, tais como pinh\u00f5es e am\u00eandoas, cascas de tangerina e a\u00e7\u00facar ou com sementes de l\u00f3tus (1953: 231). S\u00e3o ainda constitu\u00eddos por uma gostosa gema de pato ao centro simbolizando a lua. Em muitos se pode ler \u201cCoelho Lunar\u201d ou \u201cR\u00e3 Lunar\u201d, aludindo \u00e0 fuga da Terra da que viria a ser conhecida por Divindade da Lua, S\u00e8ong Ng\u00f3 (<\/span><span class=\"s12\">\u5ae6\u5a25<\/span><span class=\"s5\"> Ch\u00e1ng \u00c9<sup>12<\/sup>), ap\u00f3s ter ingerido a p\u00edlula da imortalidade, conhecida por \u201cDroga das Fadas\u201d, Sin I\u00e9ok(<\/span><span class=\"s12\">\u4ed9\u836f<\/span><span class=\"s5\">\/<\/span><span class=\"s12\">\u85ac<\/span> <span class=\"s13\"><i>Xi\u0101n y\u00e0o<\/i><\/span><span class=\"s5\">) sem aguardar pelo seu consorte, o Divino Archeiro, H\u00e2u-Ng\u00e2i (<\/span><span class=\"s12\">\u540e\u7fbf<\/span><span class=\"s5\">, H\u00f2u Y\u00ec). Como puni\u00e7\u00e3o de n\u00e3o ter esperado pelo marido para partilhar o elixir voou para a Lua e foi transformada pelos deuses em r\u00e3 de tr\u00eas pernas. J\u00e1 o marido, saudoso, voou para o Sol, onde construiu um pal\u00e1cio. Eles s\u00e3o os vetustos representantes das for\u00e7as primordiais, masculina e feminina. Vivem separados, mas encontram-se sempre, de acordo com a vers\u00e3o de Gonzaga Gomes no 15\u00ba dia da 8\u00aa lua, raz\u00e3o pela qual a Lua ent\u00e3o irradia brilho e felicidade. Tamb\u00e9m a almejada imortalidade, \u00e9 concedida atrav\u00e9s da ingest\u00e3o de uma p\u00edlula fabricada pelo Coelho de Jade num almofariz com o seu pil\u00e3o, esta \u00e9 ainda conhecida pelo nome de \u201cElixir de Jade\u201d, em termos ocidentais, a \u201cpedra filosofal\u201d, que cura todos os males, sendo feita com sumo de lim\u00e3o, miolos de r\u00e3 e casca de C\u00e1ssia, \u00e1rvore doadora da imortalidade. (Gomes, 1953: 243) Por tradi\u00e7\u00e3o, montava-se um altar ao ar livre, um hino \u00e0 unidade familiar, onde figuravam cinco pratos com frutos esf\u00e9ricos em homenagem \u00e0 lua, tais como ma\u00e7\u00e3s, p\u00eassegos, uvas, toranjas, mel\u00f5es e rom\u00e3s, cujas grainhas representavam grande descend\u00eancia e prosperidade, bem como treze bolos lunares a constitu\u00edrem o ano lunar \u201co completo ciclo da felicidade.\u201d (Gomes, 1953: 236).<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p16\"><b>Filosofia culin\u00e1ria<\/b><\/h3>\n<p class=\"p6\">Diz-nos Ant\u00f3nio Pedro Pires em <i>Festividade do Ano Novo Lunar<\/i> \u201cA preocupa\u00e7\u00e3o, quase obsess\u00e3o pela comida, \u00e9 um padr\u00e3o da cultura do povo chin\u00eas.\u201d (2018:279). Assim sendo devemos entender a pr\u00f3pria culin\u00e1ria como uma linguagem que traz consigo as suas mensagens a decifrar pelos convivas. Pires chama-nos a aten\u00e7\u00e3o para a dificuldade de muitos ocidentais em compreenderem esta postura cultural, dizendo que nada de especial sucedeu nas refei\u00e7\u00f5es chinesas para que foram convidados \u201caquelas iguarias, partilhadas eram a pr\u00f3pria mensagem, isso \u00e9 algo muito claro para um chin\u00eas\u201d (Pires, 2018: 281).<\/p>\n<p class=\"p6\">A comida indica, em termos sociol\u00f3gicos o <i>status<\/i> do anfitri\u00e3o, quanto mais cara e rara, como por exemplo, ninhos de andorinha, barbatana de tubar\u00e3o, lagosta, etc., tanto mais importante \u00e9 aquele que convida e o que se quer celebrar no encontro com o convidado. Por\u00e9m, a comida \u00e9 um instrumento de comunica\u00e7\u00e3o a v\u00e1rios n\u00edveis. Atrav\u00e9s dela comunicamos com a fam\u00edlia, com os membros da sociedade humana, bem como com os todos os outros da sociedade divina, antepassados e deuses. Chang<sup>13<\/sup> afirma \u201cuma das melhores formas de chegar ao cora\u00e7\u00e3o de uma cultura \u00e9 atrav\u00e9s do est\u00f4mago\u201d (1977:4) Sabe-se, por exemplo que em Macau, na culin\u00e1ria macaense, predomina, \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a da sociedade, uma gastronomia de fus\u00e3o, que foi elevada em 2017 a patrim\u00f3nio imaterial da humanidade, tendo o Territ\u00f3rio sido distinguido com o honor\u00edfico t\u00edtulo de cidade criativa no ramo da gastronomia.<\/p>\n<p class=\"p6\">Voltando \u00e0 filosofia da culin\u00e1ria chinesa, n\u00e3o podemos esquecer o ch\u00e1, que acompanha todas as festividades e refei\u00e7\u00f5es chinesas, sendo a bebida nacional da China, porque \u201cdesperta, revigora, reconforta e trata algumas doen\u00e7as\u201d (Pires, 2018: 316\/7), ou seja, cumpre fun\u00e7\u00f5es sociais imprescind\u00edveis em termos de sa\u00fade p\u00fablica j\u00e1 que concede, sa\u00fade , vida, longevidade.<\/p>\n<p class=\"p6\"><span class=\"s6\">O ch\u00e1 traz associadas duas figuras de grande relevo na cultura chinesa, uma, um imperador m\u00edtico, Shen Nong (<\/span><span class=\"s7\">\u795e\u519c<\/span><span class=\"s6\">, 2737 a.C), patriarca da agricultura e da medicina, ter\u00e1 descoberto o ch\u00e1 por acaso, enquanto descansava, quando umas folhas ca\u00edram numa panela de \u00e1gua a ferver, esta foi ingerida e pouco depois reconhecida a sua fragr\u00e2ncia e import\u00e2ncia para combater o efeito de certas ervas venenosas que ele havia engolido nas suas experi\u00eancias m\u00e9dicas. <\/span><\/p>\n<p class=\"p6\"><span class=\"s5\">\u00c0 lista de ilustres inventores do ch\u00e1, junta-se o monge Bodhidarma, o introdutor do Budismo Chan na China no s\u00e9culo VI. Tamb\u00e9m ele recorreu ao ch\u00e1 para n\u00e3o se deixar adormecer nas suas pr\u00e1ticas meditativas. Mais, a pr\u00f3pria planta do ch\u00e1 neste mito ter\u00e1 tido origem nas p\u00e1lpebras cortadas do monge que ao cabo de nove anos de medita\u00e7\u00e3o se deixou dormir. Quando acordou, para se punir arrancou as p\u00e1lpebras que, lan\u00e7adas \u00e0 terra, ter\u00e3o proporcionado esta planta t\u00e3o revigorante.<\/span><\/p>\n<p class=\"p6\"><span class=\"s5\">Neste espa\u00e7o n\u00e3o houve a inten\u00e7\u00e3o de apresentar exaustivamente todas as festividades, mas apenas colher exemplos nas principais, a fim de que fossem fornecidas as pistas para decifrar valores essenciais do \u201ccora\u00e7\u00e3o-mente\u201d da gastronomia com caracter\u00edsticas chinesa. A filosofia existencial, assinalada pela culin\u00e1ria, marca como linhas orientadoras deste modo de pensar a uni\u00e3o familiar, simbolizada pela forma redonda dos bolos, \u00e0 qual se alia uma complexa filosofia da linguagem assente no simbolismo do caractere para bolo, onde vamos encontrar a aspira\u00e7\u00e3o \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o social e \u00e0 prosperidade, bem como \u00e0 riqueza presente nos caracteres para legumes, algas e arroz; ou, ainda, \u00e0 longevidade trazida quer pela forma de alimentos como a massa, quer pelas sementes que, mais uma vez entram no jogo lingu\u00edstico para nos recordar a import\u00e2ncia dos filhos, ou melhor da descend\u00eancia. A esta orienta\u00e7\u00e3o gastron\u00f3mica n\u00e3o poderiam faltar os princ\u00edpios orientadores da sorte e da paz, presentes em frutos, como vimos na laranja, ou, como s\u00f3 agora vemos, na ma\u00e7\u00e3 (<\/span><span class=\"s12\">\u82f9<\/span><span class=\"s5\">\/<\/span><span class=\"s12\">\u860b\uff0c<\/span><span class=\"s5\">p\u00edng), que nos proporciona a paz (<\/span><span class=\"s12\">\u5e73<\/span><span class=\"s5\">, p\u00edng) , por homofonia perfeita, ou a longevidade nos p\u00eassegos, tudo isto regado com muito ch\u00e1 que d\u00e1 sa\u00fade e longa vida, sendo favor\u00e1vel ainda ao escrut\u00ednio anal\u00edtico e \u00e0 medita\u00e7\u00e3o como os mitos e o caracter indicam. <\/span><span class=\"s15\">\u5b8c<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>______<\/p>\n<p class=\"p2\"><b>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/b><\/p>\n<ul>\n<li class=\"p18\">Alves, Ana Cristina. 2022. <i>Cultura Chinesa, Uma Perspetiva Ocidental<\/i>. Coimbra: Almedina, Centro Cient\u00edfico e Cultural de Macau<\/li>\n<li class=\"p19\"><span class=\"s9\">Alves, Ana Cristina. 2022. <i>Visita\u00e7\u00f5es<\/i>. Fafe: Labirinto.<\/span><\/li>\n<li class=\"p18\">Barros, Leonel. 2003. <i>Templos, lendas e Rituais \u2013 Macau<\/i>. Macau: Associa\u00e7\u00e3o Promotora da Instru\u00e7\u00e3o dos Macaenses.<\/li>\n<li class=\"p19\">Correia, Nat\u00e1lia. 2006-2022. \u201cA Defesa do Poeta\u201d. Poema e Poesia de Nat\u00e1lia Correia. <i>Portal da Literatura<\/i>. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.portaldaliteratura.com\/poemas.php?id=1291, acedido a 20 de novembro de 2022.<\/li>\n<li class=\"p18\">Gomes G., Lu\u00eds. 1953. <i>Festividades Chinesas<\/i>. Macau: Not\u00edcias de Macau.<\/li>\n<li class=\"p19\">Gra\u00e7a de Abreu, Ant\u00f3nio. 2013 (trad.). <i>Laozi.<\/i> <i>Tao Te Ching<\/i>. <span class=\"s16\">\u300a\u9053\u5fb7\u7ecf\u300b<\/span>. <i>O Livro da Via e da Virtude. <\/i>Edi\u00e7\u00e3o Bilingue. Lisboa: Vega.<\/li>\n<li class=\"p18\">Jorge, Cec\u00edlia. 2005. <span class=\"s16\">\u8af8\u795e\u9748<\/span><span class=\"s17\">\u5b8c<\/span><i>Deuses e Divindades<\/i> <span class=\"s17\">\u5b8c<\/span><i>Gods and Deities<\/i>. Macau: <span class=\"s16\">\u90f5\u653f\u5c40<\/span><span class=\"s17\">\u5b8c<\/span>Direc\u00e7\u00e3o dos Servi\u00e7os de Correios<span class=\"s17\">\u5b8c<\/span>Macao Post.<\/li>\n<li class=\"p19\">Jorge, Cec\u00edlia, Beltr\u00e3o Coelho. 1988. Medicina Chinesa, <i>Em Busca do Equil\u00edbrio Perdido<\/i>. Macau: Instituto Cultural de Macu, C\u00edrculo dos Leitores.<i> <\/i><\/li>\n<li class=\"p19\">Lu, C. Henry. 1996. <i>The Art of Long Life. Chinese Foods for Longevity<\/i>. Pelanduk Publications.<\/li>\n<li class=\"p19\">Merton, Thomas. 1999. <i>A Via de Chuang Tzu<\/i>. Petr\u00f3polis: Editora Vozes.<\/li>\n<li class=\"p18\">Pires, Ant\u00f3nio Pedro. 2018. <i>Festividade do Ano Novo Lunar em Macau<\/i>. Macau: Instituto Cultural do Governo da R.A.E de Macau<\/li>\n<li class=\"p18\">Tan Huai Peng. 1997. <i>Chinese Festivals.<\/i> Ilustra\u00e7\u00f5es Leong Kum Chuen. Singapura, Kuala Lumpur e Hong Kong: Federal Publications.<\/li>\n<li class=\"p19\">Wilhelm, Richard (Trad.). 1989. <i>I Ching or the book of changes. <\/i>London: Arkana, Penguin Books.<i> <\/i><\/li>\n<li class=\"p19\"><span class=\"s16\">\u5f35\u4e2d\u9438<\/span>(<span class=\"s16\">\u7de8<\/span>) (Zhang Zhongduo)<span class=\"s16\">\u300a\u6613\u7ecf\u63d0\u8981\u767d\u8a71\u89e3\u300b\u53f0\u5357\u5e02<\/span>:<span class=\"s16\">\u5927\u5b5a\uff0c\u6c11<\/span>84.<\/li>\n<li class=\"p19\">Zhuangzi (<span class=\"s16\">\u300a\u5e84\u5b50\u300b<\/span>). 1999. Vol. I e II Trad para Ingl\u00eas de Wang Rongpei e para Chin\u00eas moderno de Qin Xuqing e Sun Yongchang. Hunan, Beijing: Hunan People\u2019s Publishing House, Foreign Language Press.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p21\"><b>Notas<\/b><b><\/b><\/p>\n<ul>\n<li class=\"p23\">1 O primeiro dia \u00e9 o anivers\u00e1rio das galinhas; o segundo dia, dos c\u00e3es; o terceiro, dos porcos; o quarto, dos carneiros; o quinto, das vacas; o sexto, dos cavalos; o s\u00e9timo da humanidade e o oitavo dos gr\u00e3os.<\/li>\n<li class=\"p23\">2 Como nos recorda Ant\u00f3nio Pedro Pires em <i>Festividade do Ano Novo Lunar em Macau<\/i> \u201cA fam\u00edlia e n\u00e3o o indiv\u00edduo \u00e9 a unidade social b\u00e1sica na China. Todas as festividades s\u00e3o essencialmente festas de fam\u00edlia (\u2026) \u00e9 \u00e0 volta da mesa que a sua unidade se exprime.\u201d (Pires, 2018: 164).<\/li>\n<li class=\"p23\">3 Eis o modo como se pronuncia \u201cbeber ch\u00e1\u201d (<span class=\"s16\">\u996e\u8336<\/span>) em Mandarim.<\/li>\n<li class=\"p23\">4 Ostra em mandarim diz-se: <i>h\u00e1o<\/i> (<span class=\"s16\">\u869d\/\u8814<\/span>).<\/li>\n<li class=\"p23\"><span class=\"s18\">5 Laranja em mandarim a palavra ouro diz-se <\/span><span class=\"s19\"><i>j\u012bn<\/i><\/span><span class=\"s18\"><i> <\/i>(<\/span><span class=\"s20\">\u91d1<\/span><span class=\"s18\">).<\/span><\/li>\n<li class=\"p23\">6 Tangerina em mandarim l\u00ea-se <i>j\u00fa <\/i>(<span class=\"s16\">\u6a58<\/span>)<\/li>\n<li class=\"p23\">7 Verifica-se uma homofonia imperfeita com \u201csorte\u201d em Mandarim que se diz <i>j\u00ed <\/i>(<span class=\"s16\">\u5409<\/span>).<\/li>\n<li class=\"p23\">8 Em Cantonense o nome do Deus do Fog\u00e3o pronuncia-se Zhou Kuan. Houve um tempo, como nos explica Cec\u00edlia Jorge, que era uma divindade maior, considerado o \u201cSupervisor dos Destinos\u201d no que respeita \u00e0 longevidade e prosperidade. Acwtualmente confere b\u00ean\u00e7\u00e3os \u00e0 fam\u00edlia, boa fortuna, uma rigorosa distin\u00e7\u00e3o entre boas e m\u00e1s a\u00e7\u00f5es e protege contra inc\u00eandios.<\/li>\n<li class=\"p23\">9 Os recheios mais usuais s\u00e3o: feij\u00e3o vermelho, sementes de s\u00e9samo e amendoim.<\/li>\n<li class=\"p23\">10 J\u00e1 Lu\u00eds Gonzaga Gomes apresenta em<\/li>\n<li class=\"p24\"><i>Festividades Chinesas<\/i> duas vers\u00f5es, a que se acaba de referir e uma outra, em que o d\u00e9spota era apenas um tiranete chin\u00eas que oprimia os seus concidad\u00e3os. (1953:232).<\/li>\n<li class=\"p23\">11 H\u00e1 outros manjares festivos, como inhame,<\/li>\n<li class=\"p24\">carac\u00f3is e galinhas, estas \u00faltimas para sacrificar \u00e0s divindades, mas o bolo lunar \u00e9 o rei da festa.<\/li>\n<li class=\"p23\">12 O Nome da Divindade da Lua em Mandarim.<\/li>\n<li class=\"p23\">13 K.C. Chang. 1977. <i>Food in Chinese Culture. <\/i><\/li>\n<li class=\"p24\"><i>Anthropological and Historical Perspectives<\/i>. Yale: Yale University Press<i>, Apud<\/i>, Ant\u00f3nio Pedro Pires (2018:282).<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] A nutri\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos princ\u00edpios mais importantes da filosofia chinesa, cruzando a \u00e1rea te\u00f3rica de encontro \u00e0 pr\u00e1tica cient\u00edfica e \u00e0 Medicina Tradicional Chinesa. No Cl\u00e1ssico da Via e da Virtude (\u300a\u9053\u5fb7\u7ecf\u300b), Laozi (\u8001\u5b50, 280-233 a.C?) chama a aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de se encherem as barrigas e esvaziarem as mentes logo no&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":864,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-863","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-etnologia"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/128.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/863","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=863"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/863\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":867,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/863\/revisions\/867"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/864"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=863"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=863"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=863"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}