{"id":896,"date":"2025-10-17T23:41:21","date_gmt":"2025-10-17T15:41:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.viadomeio.com\/?p=896"},"modified":"2025-10-17T23:41:21","modified_gmt":"2025-10-17T15:41:21","slug":"os-vasos-rituais-de-bronze-chineses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/10\/17\/os-vasos-rituais-de-bronze-chineses\/","title":{"rendered":"Os vasos rituais de bronze chineses"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>A Idade do Bronze<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\">D<span class=\"s1\">a Idade<\/span> do Bronze fazem parte as dinastias Xia (c. 2100-1600 a.C.) que \u00e9 considerada m\u00edtica pelos historiadores ocidentais dado n\u00e3o se terem encontrado at\u00e9 agora provas arqueol\u00f3gicas da sua exist\u00eancia, a dinastia Shang (c. 1600-1050 a. C.) e a dinastia Zhou (1046-256 a. C.). Tanto a n\u00edvel material e tecnol\u00f3gico, como filos\u00f3fico, social e pol\u00edtico foi uma \u00e9poca de transforma\u00e7\u00f5es profundas. Aperfei\u00e7oaram-se os sistemas de canaliza\u00e7\u00e3o e de drenagem, assim como de aparelhos agr\u00edcolas. A no\u00e7\u00e3o de Estado e a estratifica\u00e7\u00e3o social consolidaram-se. E teve lugar a emerg\u00eancia de um grande n\u00famero de escolas filos\u00f3ficas, como a de Conf\u00facio, a do Dao e a de Mo Zi, entre muitas outras. A escrita surgiu neste per\u00edodo, primeiro em ossos e carapa\u00e7as de tartaruga (<span class=\"s2\">\u7532\u9aa8\u6587<\/span><i>jiaguwen<\/i>) e depois em objectos de bronze (<span class=\"s2\">\u94ed\u6587<\/span> <i>mingwen<\/i> ou <span class=\"s2\">\u91d1\u6587<\/span><i>jinwen<\/i>).<\/p>\n<p class=\"p5\">Embora a arte de trabalhar o bronze pare\u00e7a ter sido importada de fora, floresceu durante tr\u00eas mil\u00e9nios e de modo magistral na regi\u00e3o a que hoje chamamos China. Sendo esse metal mais resistente do que o jade e a cer\u00e2mica, o trabalho em bronze de vasos rituais foi ent\u00e3o elevado a um patamar de excel\u00eancia decorativa e sofistica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica sem rival em todo o mundo. Com efeito, ao inv\u00e9s do que sucedeu noutras civiliza\u00e7\u00f5es antigas, os objectos em bronze mais importantes n\u00e3o eram ferramentas nem armas mas vasos rituais.<\/p>\n<p class=\"p5\">Denomina-se \u2018bronzes rituais ou arcaicos\u2019 os vasos utilizados em cerim\u00f3nias funer\u00e1rias e sacrificiais anteriores \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio. T\u00eam sido sempre encontrados em sepulturas (Fig.1), com a not\u00e1vel excep\u00e7\u00e3o dos que foram descobertos em duas fossas em Sanxingdui, e depois em Jinsha, prov\u00edncia de Sichuan, onde se desenvolveram culturas com caracter\u00edsticas distintas, com formas de arte e cren\u00e7as religiosas pr\u00f3prias.<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s3\">Os vasos de bronze (<\/span><span class=\"s4\">\u9752\u9285\u5668<\/span><span class=\"s3\"> <i>qingtongqi<\/i>) anteriores \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio t\u00eam sido sempre objecto de enorme venera\u00e7\u00e3o por parte dos chineses, que lhes atribuem tradicionalmente uma origem m\u00edtica e poderes m\u00e1gicos, como neutralizar influ\u00eancias nocivas e cozer alimentos sem a ajuda do fogo. O imperador Yi da dinastia Xia teria ordenado a fundi\u00e7\u00e3o de nove trip\u00e9s <i>li<\/i> decorados com representa\u00e7\u00f5es das \u200b\u200bcaracter\u00edsticas not\u00e1veis de cada uma das nove prov\u00edncias para servirem como tributo. Esses nove vasos de bronze foram transmitidos de dinastia em dinastia como pal\u00e1dios do Imp\u00e9rio, mas acabaram por se perder logo no final da dinastia seguinte, a Zhou.<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s5\">Na dinastia Song (960-1279 d.C.), publicaram-se cat\u00e1logos not\u00e1veis acerca dos bronzes arcaicos, como o <\/span><span class=\"s6\">\u8003\u53e4\u5716<\/span><span class=\"s5\"><i>Kaogutu<\/i>, de 1092, em dez volumes e o <\/span><span class=\"s6\">\u535a\u53e4\u5716<\/span><span class=\"s5\"><i>Bogutu<\/i>, de 1123, em trinta volumes, depois de, no s\u00e9c. IX, um deslocamento na corrente do Rio Amarelo ter revolvido a terra dos cemit\u00e9rios reais de Anyang, no Henan, trazendo para a superf\u00edcie os magn\u00edficos vasos em bronze da dinastia Shang (s\u00e9c. XVI a 1046 a.C.). Os letrados chineses come\u00e7aram de imediato a fazer um invent\u00e1rio, classificando as v\u00e1rias formas e tentando decifrar a fun\u00e7\u00e3o e o significado das pe\u00e7as e da sua ornamenta\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de copiaram as inscri\u00e7\u00f5es. E os artes\u00e3os do bronze e da cer\u00e2mica come\u00e7aram a copiar esses objectos desenterrados, originando um novo estilo de gosto arcaizante. Este interesse chin\u00eas pelas antiguidades prosseguiria sem esmorecer pelas dinastias Yuan (1279 a 1368 d.C.), Ming (1368 a 1644 d. C.) e Qing (1644 a 1912 d.C.) adiante at\u00e9 chegar aos nossos dias.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>Manufactura<\/b><\/h3>\n<p class=\"p4\">Os vasos de bronze resultavam de uma liga de cinco a trinta por cento de estanho, dois a <span class=\"s5\">tr\u00eas por cento de chumbo, sendo o restante cobre, mas os valores variaram nas diferentes \u00e9pocas e regi\u00f5es. Extra\u00eda-se o cobre de minas subterr\u00e2neas ou a c\u00e9u aberto, muitas delas localizadas em Tonglu, na prov\u00edncia de Hebei. Acrescentava-se chumbo nas pe\u00e7as funer\u00e1rias para facilitar o seu fabrico abaixo da temperatura de fus\u00e3o assim como o trabalho de retoque da superf\u00edcie. Uma vez terminadas, a cor das pe\u00e7as tamb\u00e9m variava, dependendo da quantidade de estanho da liga. A maioria, uma vez polida, apresentava um belo tom dourado claro (Figs. 2 e 3, que conservam ainda vest\u00edgios da cor original). <\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">Todavia, com o tempo, grande parte das pe\u00e7as adquiria uma p\u00e1tina, muito valorizada pelos apreciadores. De acordo com a composi\u00e7\u00e3o do metal e das condi\u00e7\u00f5es em que foram enterrados, a p\u00e1tina varia do verde malaquita e do azul ao amarelo ou mesmo ao vermelho.<\/p>\n<p class=\"p5\">O fabrico dos bronzes rituais requeria grandes quantidades de metal e fornos de alta temperatura. No solo chin\u00eas abundavam os minerais e os metal\u00fargicos herdaram os fornos dos ceramistas do Neol\u00edtico. Estas condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis permitiram a produ\u00e7\u00e3o de quantidades gigantescas de vasos de bronze na regi\u00e3o. A produ\u00e7\u00e3o era feita rapidamente, em s\u00e9rie, sendo o trabalho era repartido entre v\u00e1rios metal\u00fargicos que trabalhavam em simult\u00e2neo. S\u00f3 assim era poss\u00edvel responder \u00e0 demanda por pe\u00e7as rituais de distintas formas e com diversas decora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s5\">Quanto \u00e0 t\u00e9cnica de fabrico, os procedimentos variaram ao longo das gera\u00e7\u00f5es e tamb\u00e9m de uma \u00e1rea ou mesmo de uma oficina para outra, em fun\u00e7\u00e3o dos materiais dispon\u00edveis e do pre\u00e7o que os clientes estavam dispostos a pagar. A t\u00e9cnica que se descreve a seguir foi a mais utilizada nas dinastias Shang e Zhou. Seguia-se com o bronze o mesmo sistema que se utilizava no fabrico da cer\u00e2mica: moldes em sec\u00e7\u00f5es (em geral, tr\u00eas) que podiam ser utilizados repetidamente (Fig. 4). Esta t\u00e9cnica de fundi\u00e7\u00e3o do bronze era \u00fanica no mundo antigo. Conseguiam-se efeitos tridimensionais recorrendo a diferentes moldes para as v\u00e1rias partes que compunham a pe\u00e7a e que eram posteriormente fundidos. Todo o processo era realizado com grande cuidado, de maneira a permitir a evacua\u00e7\u00e3o do ar e a evitar a forma\u00e7\u00e3o de bolhas. <\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">Come\u00e7ava-se por fazer o molde em argila. Sobre este primeiro molde aplicava-se uma nova camada de argila, que era dividida em v\u00e1rias sec\u00e7\u00f5es. O n\u00famero destas dependia do tipo de recipiente e da natureza dos motivos decorativos. Aplicavam-se mechas e respigas ao longo das extremidades das sec\u00e7\u00f5es de modo a assegurar a jun\u00e7\u00e3o perfeita das partes individuais. A espessura do molde interno era ent\u00e3o reduzida para formar um intervalo entre as sec\u00e7\u00f5es exterior e interior. A espessura do recipiente era determinada pela largura desse intervalo. Fechado o molde, abriam-se duas incis\u00f5es na parte superior atrav\u00e9s das quais se vertia o metal em fus\u00e3o. Para as asas, torcia-se uma corda que era colocada no local desejado. Cobria-se a corda com argila deixando uma abertura de modo a poder queimar a corda no seu interior. Uma vez esta queimada, despejava-se o bronze pela cavidade adentro. Para obter o objecto final, e uma vez o conjunto arrefecido, separava-se a argila do bronze. Rematava-se com um acabamento minucioso e um polimento de qualidade \u00edmpar, tendo em conta os meios t\u00e9cnicos coevos. Para alguns vasos com formas e decora\u00e7\u00f5es mais complexas, como o <span class=\"s2\">\u65b9\u9f0e<\/span><i>fangding, <\/i>era necess\u00e1rio mais do que uma fundi\u00e7\u00e3o. A decora\u00e7\u00e3o fazia parte do processo de fundi\u00e7\u00e3o (Fig. 5). Primeiro desenhavam-se os motivos a tinta. O desenho n\u00e3o podia transbordar de uma sec\u00e7\u00e3o para outra, devido ao risco do crescimento de rebarbas entre as sec\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"p5\">Com a introdu\u00e7\u00e3o da t\u00e9cnica da incrusta\u00e7\u00e3o, a partir do s\u00e9c. V a.C., no Per\u00edodo dos Estados Combatentes (475 a.C.-221 a.C.) da dinastia Zhou, recorria-se por vezes \u00e0 t\u00e9cnica da cera perdida, tanto isoladamente como em associa\u00e7\u00e3o com a t\u00e9cnica de moldes. Na t\u00e9cnica da cera perdida, a pe\u00e7a come\u00e7a por ser preparada em cera, sendo depois revestida com um material cer\u00e2mico, formando um molde. Uma vez este aquecido e retirada a cera, o molde oco assim obtido \u00e9 preenchido com o metal l\u00edquido.\u00a0O processo de decora\u00e7\u00e3o era inverso: primeiro executava-se a decora\u00e7\u00e3o no molde interno e era depois impressa no molde externo durante a prepara\u00e7\u00e3o das sec\u00e7\u00f5es, o que permitia o trabalho em relevo. Em geral usava-se a t\u00e9cnica da cera perdida para decora\u00e7\u00f5es muito finas em alto-relevo ou sali\u00eancias arredondadas e complexas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>Tipologias<\/b><\/h3>\n<p class=\"p4\">Existiam mais de trinta tipologias de vasos rituais de bronze. Tanto as formas como a decora\u00e7\u00e3o dos vasos em bronze procediam maioritariamente da cer\u00e2mica do Neol\u00edtico aut\u00f3ctone. Nas esta\u00e7\u00f5es arqueol\u00f3gicas, as formas e o n\u00famero de bronzes variam. Certas formas e pr\u00e1ticas est\u00e3o mais associadas a determinadas \u00e9pocas e a determinado tipo de t\u00famulo, assim como a determinados locais, fruto de hist\u00f3rias e mundivis\u00f5es distintas. A origem dos nomes dados aos recipientes rituais tamb\u00e9m varia. Algumas denomina\u00e7\u00f5es encontravam-se inscritas em recipientes da dinastia Shang, outras s\u00e3o nomenclatura da dinastia Song e outras ainda foram determinadas mais recentemente por conven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p5\">Havia tr\u00eas tipos principais de recipientes de bronze: recipientes para alimentos, recipientes para vinho e recipientes para \u00e1gua. Entre os recipientes mais comuns para cozinhar alimentos encontrava-se uma variedade de trip\u00e9s: o <span class=\"s2\">\u9b32<\/span><i>li<\/i>, o <span class=\"s2\">\u9f0e <\/span><i>ding<\/i>, o trip\u00e9 de corpo quadrado <span class=\"s2\">\u65b9\u9f0e <\/span><i>fangdin<\/i>g, o <span class=\"s2\">\u9b32\u9f0e <\/span><i>liding<\/i> e o <span class=\"s2\">\u7517<\/span><i>yan<\/i>. O <i>li<\/i>, de boca ampla e sem cobertura, servia para cozinhar cereais e carne e, a par da sua forma correspondente em cer\u00e2mica, s\u00e3o das tipologias mais antigas. Quanto ao <i>ding<\/i>, cuja forma derivava tamb\u00e9m da cer\u00e2mica do Neol\u00edtico, foi utilizado nos rituais chineses durante mais de tr\u00eas mil anos (Fig. 6). \u00c9 o recipiente mais caracter\u00edstico dos bronzes chineses e tem um corpo semiesf\u00e9rico e duas asas verticais atrav\u00e9s das quais se introduzia uma vara, evitando desse modo as queimaduras quando era retirado do fogo. Tanto as asas como as pernas foram evoluindo no sentido de uma maior complexidade e acrescentaram-lhe uma tampa circular na dinastia Zhou Oriental.<\/p>\n<p class=\"p5\">O <i>fangding<\/i> e o <i>liding<\/i>, um h\u00edbrido entre o <i>li<\/i> e o <i>ding<\/i>, s\u00e3o variantes deste \u00faltimo. O <i>yan<\/i> era utilizado para cozinhar alimentos ao vapor e comp\u00f5e-se de uma parte inferior semelhante ao <i>li<\/i>, onde se colocava \u00e1gua, e uma parte superior semelhante a uma grande tigela que cont\u00e9m uma forma, fixa ou m\u00f3vel, onde se colocava arroz ou cereais.<\/p>\n<p class=\"p5\">Para servir e conservar alimentos utilizava-se o <span class=\"s2\">\u7c0b <\/span><i>gui<\/i>, o <span class=\"s2\">\u6566 <\/span><i>dui<\/i>, o <span class=\"s2\">\u7c20 <\/span><i>fu<\/i>, o <span class=\"s2\">\u76e8 <\/span><i>xu<\/i>, o <span class=\"s2\">\u79b9 <\/span><i>yu<\/i> e o <span class=\"s2\">\u8c46 <\/span><i>dou<\/i>, de formas circulares e com asas e tampas sobre uma base grande. Foram fabricados desde finais da dinastia Shang at\u00e9 ao Per\u00edodo dos Estados Combatentes da dinastia Zhou. O <i>dou<\/i> distingue-se facilmente dos demais devido ao p\u00e9 sobre o qual o corpo globular assenta (Fig. 7).<\/p>\n<p class=\"p5\">Para aquecer bebidas havia os seguintes trip\u00e9s de corpo largo e bicos por onde beber: o <span class=\"s2\">\u7235<\/span><i>jue<\/i>, o <span class=\"s2\">\u89d2<\/span><i>jiao<\/i>, o <span class=\"s2\">\u659d<\/span><i>jia<\/i> e o <span class=\"s2\">\u76c9<\/span><i>he<\/i>. O <i>jiao<\/i> assemelhava-se ao <i>jue<\/i> e era pouco comum. O <i>he<\/i> apresenta uma tampa.<\/p>\n<p class=\"p5\">Serviam-se bebidas e faziam-se liba\u00e7\u00f5es no <span class=\"s2\">\u89da <\/span><i>gu<\/i> (Fig. 8), no <span class=\"s2\">\u5c0a<\/span><i>zun<\/i>, no <span class=\"s2\">\u65b9\u5f5d <\/span><i>fangyi<\/i>, no <span class=\"s2\">\u5363 <\/span><i>you<\/i>, no <span class=\"s2\">\u5149<\/span><i>guang<\/i> ou <span class=\"s2\">\u89e5 <\/span><i>gong<\/i>, no <span class=\"s2\">\u58fa<\/span><i>hu<\/i>, no <span class=\"s2\">\u7f4d<\/span><i>lei<\/i> e no <span class=\"s2\">\u74ff <\/span><i>bu<\/i>. O <i>gu<\/i> apresenta uma bela forma de c\u00e1lice e s\u00f3 foi utilizado na dinastia Shang e no in\u00edcio da dinastia Zhou. H\u00e1 grande variedade de <i>zun<\/i>, tendo mesmo adquirindo uma forma animal (elefante, rinoceronte, carneiro, etc.). O <i>fangyi<\/i> (<span class=\"s2\">\u65b9\u5f5d<\/span>) era um recipiente sacrificial quadrado importante, que exigia muita per\u00edcia na execu\u00e7\u00e3o e na ornamenta\u00e7\u00e3o (Fig.9).<\/p>\n<p class=\"p5\">Os <i>you<\/i> surgiram em meados da dinastia Shang, sendo provavelmente fruto de contactos ent\u00e3o estabelecidos com regi\u00f5es perif\u00e9ricas e mantiveram-se at\u00e9 ao per\u00edodo interm\u00e9dio dos Zhou Ocidentais. O <i>guang<\/i> assemelha-se a um grande jarro em cuja tampa se representa a cabe\u00e7a e o torso de um animal (tigre, b\u00fafalo, drag\u00e3o\u2026). N\u00e3o corresponde a nenhuma forma anterior feita em cer\u00e2mica. Os <i>hu<\/i> foram profusamente fabricados durante toda a Idade do Bronze, tendo sofrido, no entanto, grandes modifica\u00e7\u00f5es de acordo com as diferentes \u00e9pocas (Fig.10).<\/p>\n<p class=\"p5\">Os recipientes destinados \u00e0 \u00e1gua, que se distinguem pela forma horizontal muito aberta e plana, eram o <span class=\"s2\">\u76e4<\/span><i>pan<\/i>, o <span class=\"s2\">\u531c<\/span><i>yi<\/i> e o <span class=\"s2\">\u9274<\/span><i>jian<\/i>. Estes \u00faltimos podiam alcan\u00e7ar um metro de di\u00e2metro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p4\"><b>Erlitou <\/b><span class=\"s2\">\u4e8c\u91cc\u5934<\/span><b> (s\u00e9cs. XXI a XVII-XVI a.C.) <\/b><\/h3>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s5\">Foi com a cultura Erlitou da bacia do Rio Amarelo, oitenta e cinco quil\u00f3metros a oeste da actual cidade de Zhengzhou, em Henan, que surgiram os primeiros vasos de bronze para oferta de alimentos e para conter bebidas alco\u00f3licas consumidas em cerim\u00f3nias m\u00e1gico-religiosas. Assim, desde o in\u00edcio que estes vasos foram quase exclusivamente confeccionados, n\u00e3o para fins utilit\u00e1rios, mas para o culto aos antepassados e cerim\u00f3nias xam\u00e2nicas. A morfologia derivava dos prot\u00f3tipos de cer\u00e2mica e, nesta fase, a manufactura era ainda rudimentar (Fig. 11). A decora\u00e7\u00e3o estava ausente ou escasseava, reduzindo-se a linhas e pontos. Com os bronzes, a cer\u00e2mica foi paulatinamente perdendo o prest\u00edgio, limitando-se ao usufruto quotidiano e ao fornecimento dos t\u00famulos de defuntos de estratos sociais pouco abastados.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>Dinastia Shang <\/b><span class=\"s2\">\u5546\u4ee3<\/span><b> <\/b><b>(c. 1766-1046 a.C.)<\/b><\/h3>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s7\">A dinastia Shang surgiu igualmente naquela que \u00e9 hoje a prov\u00edncia de Henan. Os reis (<\/span><span class=\"s8\">\u738b<\/span><span class=\"s7\"><i>wang<\/i>), eram por vezes designados tamb\u00e9m como xam\u00e3s superiores, pois tinham responsabilidades tanto militares como religiosas, protegendo a sociedade n\u00e3o s\u00f3 dos seus inimigos como dos poderes transcendentes que, se enfurecidos, podiam castigar a humanidade com desastres naturais e outros acontecimentos nefastos. O poder desta realeza constitu\u00edda por xam\u00e3s assentava no reconhecimento da sua capacidade de comunicar com os antepassados, que habitavam com <\/span><span class=\"s8\">\u5e1d<\/span><span class=\"s7\"> Di, a divindade suprema e com as demais divindades. N\u00e3o se tratava dos seus antepassados pessoais, mas de antepassados tutelares da comunidade como antigos chefes, conselheiros e tamb\u00e9m divindades naturais. <\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">Para aplacar os esp\u00edritos e os antepassados e com eles estabelecer pactos no intuito de conseguir paz, prosperidade e protec\u00e7\u00e3o, os reis conduziam rituais funer\u00e1rios relacionados com o culto dos esp\u00edritos e dos antepassados do cl\u00e3. Durante esses rituais entravam em transe, cantando, dan\u00e7ando e cavalgando animais reais ou imagin\u00e1rios, al\u00e9m de consumirem alimentos e ingerirem quantidades avultadas de bebidas fermentadas. Para tanto, utilizavam recipientes para alimentos e bebidas, de uso exclusivo para estes rituais, e que continham oferendas de peixe e de carne para os antepassados, sendo muitos deles enterrados depois nos t\u00famulos juntamente com os defuntos. Como os vasos serviam como instrumento para trocar favores entre os vivos e os mortos era mister que conseguissem impressionar os antepassados e as divindades no Al\u00e9m e que durassem por toda a eternidade. Sendo o bronze forte e resistente prestava-se bem a isso. Desde ent\u00e3o, os vasos de bronze passaram a simbolizar o poder m\u00e1gico da realeza guerreira. E essa realeza n\u00e3o s\u00f3 dominava o seu fabrico como atribu\u00eda a si pr\u00f3pria o direito exclusivo de acesso aos dep\u00f3sitos minerais e \u00e0s oficinas. Deste modo, os vasos de bronze s\u00e3o indissoci\u00e1veis da elite Shang e do culto dos antepassados, algo que marcou desde ent\u00e3o a mentalidade chinesa.<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s5\">Os vasos de bronze eram coleccionados j\u00e1 a pensar no t\u00famulo e o n\u00famero com que os mortos eram enterrados correspondia ao grau de autoridade e prest\u00edgio que haviam gozado em vida. Os t\u00famulos da realeza xam\u00e3 eram, naturalmente, os mais elaborados e os que continham mais bens funer\u00e1rios e de melhor qualidade. Com alguma sorte, os t\u00famulos das pessoas comuns e dos escravos poderiam contar apenas com um n\u00famero reduzido de bens funer\u00e1rios de qualidade inferior. J\u00e1 se encontrava formada a cren\u00e7a de que o defunto devia levar consigo para o mundo do Al\u00e9m aquilo que possu\u00edra em vida, incluindo viaturas, escravos, assistentes, concubinas, prisioneiros e animais de estima\u00e7\u00e3o, ainda que se tratasse de elefantes. Dos rituais fazia tamb\u00e9m parte a oferta de sacrif\u00edcios de um grande n\u00famero de seres humanos e animais aos esp\u00edritos dos antepassados. Os sacrif\u00edcios humanos foram sendo abandonadas nas dinastias posteriores e substitu\u00eddos, at\u00e9 \u00e0 dinastia Ming (1368-1644 d.C.), pelo costume de colocar nos t\u00famulos miniaturas, em geral de cer\u00e2mica, das posses do defunto e daqueles que com ele tinham convivido, os chamados <\/span><span class=\"s6\">\u660e\u5668<\/span><span class=\"s5\"> <i>mingqi<\/i>.<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">Na fase inicial dos Shang, com a cultura Erligang (<span class=\"s2\">\u4e8c\u91cc\u5c97<\/span>, s\u00e9cs. XVII-XVI a XIV a. C.), em Zhengzhou, deu-se o aparecimento de numerosas tipologias, grande parte vasos para l\u00edquidos e bacias para \u00e1gua. A manufactura era mais elaborada do que em Erlitou, os vasos apresentando maiores dimens\u00f5es e com as paredes mais finas. A decora\u00e7\u00e3o era ainda grosseira e pouco relevada, longe do refinamento posterior da fase de Anyang. A partir de meados da \u00e9poca Erligang, decoravam-se os bronzes com espirais, com nuvens e com formas zoom\u00f3rficas e ainda m\u00e1scaras de animais mitol\u00f3gicos, como o drag\u00e3o <i>gui<\/i> e o <i>taotie <\/i>de que adiante se falar\u00e1 com maior vagar. No entanto, em compara\u00e7\u00e3o com os extraordin\u00e1rios bronzes do per\u00edodo Anyang tratava-se ainda de vers\u00f5es simplificadas e frustes. Em Erligang, o copo de liba\u00e7\u00e3o <i>jue<\/i>, por exemplo, era atarracado, com fundo plano, sem al\u00e7a e fundido numa liga de baixa qualidade (Fig. 13), quando em Anyang \u00e9 esbelto e elegante, com fundo arredondado, com um bico curvo e gracioso, com al\u00e7a lateral e dois \u201cchifres\u201d proeminentes (Fig. 14). A mesma natureza rudimentar est\u00e1 presente noutros vasos como os trip\u00e9s <i>ding<\/i> e <i>jia<\/i>, o <i>gu<\/i>, o <i>lei<\/i> e o <i>pan<\/i>.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 \u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s9\">De acordo com fontes hist\u00f3ricas chinesas, por volta do ano 1300 a.C. o rei Pan Geng da dinastia Shang transferiu a capital para Yin, local onde permaneceria durante os 255 anos seguintes. A esta\u00e7\u00e3o arqueol\u00f3gica de Yin Xu (ru\u00ednas de Yin) situa-se a cerca de quinhentos quil\u00f3metros a sul de Pequim, perto da cidade de Anyang. Foi essa a idade de ouro da cultura Shang. Foi em Yin Xu que se descobriram v\u00e1rios t\u00famulos e pal\u00e1cios reais assim como, em 1975-6, o \u00fanico t\u00famulo de um membro da fam\u00edlia real da dinastia Shang que permaneceu intacto, nunca tendo sido saqueado, o t\u00famulo da princesa <\/span><span class=\"s10\">\u5987\u597d<\/span><span class=\"s9\">Fu Hao, hoje um dos tesouros nacionais da China. Al\u00e9m de ser uma das tr\u00eas consortes mais importantes do rei <\/span><span class=\"s10\">\u6b66\u4e01<\/span><span class=\"s9\">Wu Ding, o 21\u00ba rei da dinastia Shang, que contava com sessenta e quatro no total, Fu Hao foi uma suma-sacerdotisa e uma guerreira vitoriosa que desempenhava as fun\u00e7\u00f5es de general, participando em campanhas e governando o seu pr\u00f3prio territ\u00f3rio. No t\u00famulo de Fu Hao encontraram-se 1 928 objectos funer\u00e1rios, entre os quais 468 objetos de bronze, incluindo cento e trinta armas, vinte e tr\u00eas sinos, vinte e sete facas, quatro espelhos e quatro tigres ou cabe\u00e7as de tigre, e ainda 755 objectos de jade, sessenta e tr\u00eas objectos de pedra, cinco objectos de marfim, 564 objetos de osso, entre eles cerca de quinhentos ganchos de cabelo e mais de vinte pontas de flecha de osso, onze objectos de cer\u00e2mica e 6.900 pe\u00e7as de concha. O n\u00edvel inferior do t\u00famulo abrigava o cad\u00e1ver real sob o qual se encontrava uma pequena cova que continha os restos mortais de seis c\u00e3es. Ao longo do per\u00edmetro, jaziam os esqueletos de dezasseis seres humanos.<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">Ostentando tanto na forma como na decora\u00e7\u00e3o uma qualidade de topo, os vasos de bronze do per\u00edodo Shang tardio encontrados em Yin Xu s\u00e3o verdadeiras obras-primas, associa\u00e7\u00f5es perfeitas de tecnologia avan\u00e7ada com um dom\u00ednio \u00edmpar das artes da escultura e da pintura. J\u00e1 se fazia produ\u00e7\u00e3o em grande escala de vasos de bronze rituais e estes apresentam um aspecto maci\u00e7o, imponente, que impressiona pelo mist\u00e9rio e autoridade. Para tanto contribui a decora\u00e7\u00e3o muito densa e elaborada, tendendo a cobrir toda a superf\u00edcie e variando desde padr\u00f5es geom\u00e9tricos a figura\u00e7\u00e3o proveniente do reino animal e da mitologia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>A decora\u00e7\u00e3o Shang<\/b><\/h3>\n<p class=\"p4\">Enquanto mediadores entre o mundo dos mortos e o mundo dos vivos, os reis-xam\u00e3s faziam oferendas os antepassados e \u00e0s divindades de animais (<span class=\"s2\">\u7269<\/span><i>wu<\/i>, termo usado para designar \u201coferendas animais\u201d ou \u201canimais com poder\u201d) e de recipientes rituais (<span class=\"s2\">\u5668<\/span><i>qi<\/i>). Assim, os animais representados nas decora\u00e7\u00f5es dos bronzes, tanto reais como mitol\u00f3gicos, eram provavelmente considerados ben\u00e9ficos e aptos a ajudar os reis na comunica\u00e7\u00e3o com o Al\u00e9m. Eram esses mesmos os animais, quando reais, que eram sacrificados nos rituais. Os seus esp\u00edritos libertavam-se ent\u00e3o do corpo podendo assim realizar o transporte ascensional do rei at\u00e9 ao reino superior.<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s9\">Trata-se de drag\u00f5es, f\u00e9nixes (mensageiras dos deuses), rinocerontes, corujas (muito importantes para os Shang, tida como a ave que fazia a ponte entre vivos e mortos), lebres, peixes (que se podiam transformar em drag\u00f5es imperiais), p\u00e1ssaros, serpentes (s\u00edmbolo de transforma\u00e7\u00e3o e renascimento), elefantes (um dos motivos mais raros e, portanto, mais preciosos das decora\u00e7\u00f5es Shang), veados, sapos, bois, b\u00fafalos de \u00e1gua, carneiros, tigres, ursos, cavalos, javalis, tartarugas (s\u00edmbolo auspicioso de longevidade, mediadora entre os mundos humano e divino), bichos-da-seda (s\u00edmbolos de metamorfose e de bom aug\u00fario) e cigarras, que ser\u00e3o um elemento predominante na decora\u00e7\u00e3o da dinastia Zhou, s\u00edmbolo de pureza, ressurrei\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o com os esp\u00edritos dos antepassados.<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s3\">No Hunan, onde se desenvolveu uma cultura com determinadas caracter\u00edsticas pr\u00f3prias, encontraram-se bronzes onde surgem figuras humanas acompanhadas de figuras animais. O animal assemelha-se a um tigre. A bocarra encontra-se aberta e, sob ela, surge uma cabe\u00e7a ou corpo humano (Fig.15). \u00e9 poss\u00edvel que n\u00e3o se trate do acto de devorar, uma vez que a cabe\u00e7a n\u00e3o se encontra no interior da boca do animal. Num dos vasos, o homem, provavelmente a representa\u00e7\u00e3o do xam\u00e3, parece mesmo abra\u00e7ar o animal. A bocarra aberta poder\u00e1 significar antes a separa\u00e7\u00e3o entre o mundo dos vivos e dos mortos. Tamb\u00e9m se acreditava que os animais expelissem sopros atrav\u00e9s da boca para ajudar o xam\u00e3 a ascender ao plano superior. Ainda no Hunan encontrou-se um vaso <i>fangding<\/i> com quatro m\u00e1scaras humanas (Fig.16). S\u00e3o igualmente dignas de nota \u200b\u200bas m\u00e1scaras de rostos humanos como motivos decorativos desenterradas em Liulihe.<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">No final da dinastia Shang, criaram-se efeitos pl\u00e1sticos surpreendentes atrav\u00e9s da tridimensionalidade da decora\u00e7\u00e3o. As figuras de animais j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o gravadas mas moldadas em recipientes que configuravam verdadeiros objectos esculturais, sem preju\u00edzo da sua fun\u00e7\u00e3o (Fig. 17). Essa tend\u00eancia foi retomada na dinastia Zhou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>O <\/b><span class=\"s2\">\u9955\u992e<\/span><b><i>taotie<\/i><\/b><b> e os <\/b><b>drag\u00f5es <\/b><span class=\"s2\">\u5914<\/span><b>gui <\/b><\/h3>\n<p class=\"p4\">Motivos recorrentes na decora\u00e7\u00e3o dos vasos de bronze da dinastia Shang s\u00e3o o <i>taotie<\/i>, os drag\u00f5es <i>gui<\/i> e o padr\u00e3o do trov\u00e3o<span class=\"s2\">\u96f7\u6587<\/span> <i>leiwen<\/i>, este \u00faltimo o ornamento decorativo secund\u00e1rio mais frequente dos vasos Shang e do in\u00edcio dos Zhou Ocidentais.<\/p>\n<p class=\"p5\">O <i>taotie<\/i> \u00e9 uma m\u00e1scara estilizada onde se identificam chifres, crista, garras, que s\u00e3o apresentados separados do corpo por deforma\u00e7\u00e3o, ao ponto de se tornarem quase irreconhec\u00edveis. Encara fixamente o observador, o que provoca a sensa\u00e7\u00e3o de algo inquietante pairando no ar. Acredita-se que esse olhar hipn\u00f3tico assinala a presen\u00e7a de poderes m\u00e1gicos (Fig.18). Al\u00e9m de estar associado ao xam\u00e3 e \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o com o Al\u00e9m, \u00e9 poss\u00edvel ainda que o <i>taotie<\/i> simbolizasse o caos primordial de onde brota a vida e que a traga de novo. A express\u00e3o <span class=\"s2\">\u9955\u992e\u98df\u4eba<\/span><i>taotie shiren<\/i>, \u201c<i>taotie <\/i>devorador de homens\u201d, surge na obra <span class=\"s2\">\u5442\u6c0f\u6625\u79cb<\/span><i>L\u00fcshi Chunqiu<\/i> (<i>Os Anais da Primavera e de Outono do Senhor L\u00fc<\/i>), compilada no s\u00e9c. III a. C., e foi retomada pelos antiqu\u00e1rios<i> <\/i>chineses. A partir da dinastia Song, os antiqu\u00e1rios come\u00e7aram a chamar <i>taotie<\/i> \u00e0 figura e<i> <\/i>vendo-o como o glut\u00e3o que devorava os alimentos e os levava para o mundo dos esp\u00edritos. O primeiro caracter de <i>taotie<\/i>, <span class=\"s2\">\u9955<\/span>, \u00e9 composto pelo determinativo \u201ccomer\u201d <span class=\"s2\">\u98df<\/span>, e de <i>hao<\/i> <span class=\"s2\">\u865f<\/span>, \u201cchorar\u201d ou \u201crugir como o vento\u201d e pode significar tanto \u201cferocidade\u201d como \u201cavidez\u201d. O segundo caracter, <span class=\"s2\">\u992e<\/span> tamb\u00e9m tem como determinativo<span class=\"s2\">\u98df<\/span>, \u201ccomer\u201d, a que se junta <i>tian<\/i>, <span class=\"s2\">\u6b84<\/span>, \u201caniquilar\u201d \u201cexterminar\u201d e significa \u201cdevorar completamente\u201d.<\/p>\n<p class=\"p5\">As decora\u00e7\u00f5es de animais e m\u00e1scaras <i>taotie<\/i> ocorrem muitas vezes em parelhas, dispondo-se simetricamente na superf\u00edcie do objecto. O ornamento mais b\u00e1sico era uma banda que rodeava o recipiente. Era dividida em unidades atrav\u00e9s de sali\u00eancias, cada unidade contendo um drag\u00e3o<span class=\"s2\">\u5914<\/span> <i>gui<\/i> de perfil. Se a cabe\u00e7a deste apontava para a esquerda, no espa\u00e7o seguinte apontava para a direita. Observado a partir da linha central, os dois perfis podem ser descritos tanto como uma \u00fanica criatura dividida em duas metades ou como duas criaturas unidas pela linha mediana da face.<\/p>\n<p class=\"p5\">Nos recipientes em bronze mais antigos, o <i>taotie<\/i> aparece repetido pelo menos duas vezes no interior de bandas em relevo acentuado nos ombros e nos lados. Depois de 1300 a. C., a tend\u00eancia foi para aumentar a \u00e1rea da decora\u00e7\u00e3o do <i>taotie<\/i> at\u00e9 ocupar toda a superf\u00edcie do recipiente. A m\u00e1scara sofreu uma expans\u00e3o e foi, por vezes, desmembrada, com os chifres, a crista, as garras, sendo separados do corpo por deforma\u00e7\u00e3o, preenchendo-se os interst\u00edcios com espirais \u201cpadr\u00e3o do trov\u00e3o\u201d, <i>leiwen<\/i>.<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s9\">\u00c0 medida que a figura do <i>taotie<\/i> se estilizava cada vez mais, os <i>gui<\/i> puderam ser dele separados, mostrando-se adequados para preencher as bandas decorativas mais estreitas no pesco\u00e7o ou nos p\u00e9s dos recipientes ou mesmo sob a forma de pernas e de al\u00e7as dos vasos e com uma apar\u00eancia mais ou menos estilizada (Fig. 19).<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s7\">De acordo com o <\/span><span class=\"s8\">\u8aaa\u6587\u89e3\u5b57<\/span><span class=\"s7\"><i>Shuowenjiezi<\/i>, do s\u00e9c. II, designa-se por <i>gui<\/i> o esp\u00edrito divino que se assemelha a um drag\u00e3o sobre um s\u00f3 p\u00e9 e o <\/span><span class=\"s8\">\u5c71\u6d77\u7d93<\/span><span class=\"s7\"><i>Shanhaijing<\/i>, do s\u00e9c. II a.C., informa que <i>gui<\/i> \u00e9 o esp\u00edrito divino que \u201cquando penetra ou emerge da \u00e1gua haver\u00e1 tempestade. Brilha como o sol e a lua e a sua voz soa como um trov\u00e3o.\u201d Com o drag\u00e3o <\/span><span class=\"s8\">\u9f8d<\/span><span class=\"s7\"><i>long<\/i>, que \u00e9 um drag\u00e3o <i>gui<\/i> com duas pernas e patas, o drag\u00e3o <i>gui<\/i> simboliza as for\u00e7as devastadoras do cosmos, como a seca, as inunda\u00e7\u00f5es, os inc\u00eandios e as epidemias. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>Sanxingdui <\/b><span class=\"s2\">\u4e09\u661f\u5806<\/span><b> (c.1700-1150 a.C.) <\/b><b>e Xingan<\/b><span class=\"s2\">\u65b0\u5e72<\/span><b> (c.1200 a.C.)<\/b><\/h3>\n<p class=\"p4\">Em 1986, foram descobertos em sete fossas sacrificiais vest\u00edgios da grande cultura de Sanxingdui, na prov\u00edncia de Sichuan. Nas fossas 1 e 2 desenterraram-se cabe\u00e7as e m\u00e1scaras de bronze mas, ao inv\u00e9s do costume, n\u00e3o se encontravam em t\u00famulos. Tratava- se de objectos nunca vistos, com uma iconografia \u00fanica no seu g\u00e9nero: cabe\u00e7as e m\u00e1scaras com olhos salientes e ainda uma figura humana com mais de dois metros e meio de altura contando com o pedestal (Fig. 20).<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s7\">Embora a iconografia fosse singular, a t\u00e9cnica de fabrico de bronzes em Sanxingdui era an\u00e1loga \u00e0 anteriormente descrita. Algumas das cabe\u00e7as e m\u00e1scaras s\u00e3o recobertas de ouro, que era apreciado sobretudo pelos povos das estepes e n\u00e3o tanto pelos chineses. Sup\u00f5e-se que estas personagens representassem divindades ou os antepassados reais do cl\u00e3, ou uma fus\u00e3o de ambos, como sucedia com os Shang. Sanxingdui veio contrariar a vis\u00e3o cl\u00e1ssica de que a civiliza\u00e7\u00e3o chinesa se desenvolveu unicamente a partir das Plan\u00edcies Centrais, consideradas \u201co ber\u00e7o da civiliza\u00e7\u00e3o chinesa\u201d. Estas pe\u00e7as extraordin\u00e1rias mereceriam um artigo s\u00f3 a elas dedicado e n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel aqui discorrer mais sobre elas.<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s9\">E em Xingan, no Jiangxi, tamb\u00e9m se descobriram vest\u00edgios de uma cidade e 1361 rel\u00edquias, entre as quais 475 pe\u00e7as eram bronzes rituais. Apresentam igualmente caracter\u00edsticas originais devido talvez a se terem ali estabelecido contactos com regi\u00f5es long\u00ednquas. Em compara\u00e7\u00e3o com a fase Erligang e Anyang, os bronzes de Xingan diferem dos bronzes da Plan\u00edcies Centrais, mais uma vez demonstrando que existiram formas de arte e cren\u00e7as religiosas altamente sofisticadas que se desenvolveram de forma independente na regi\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>Dinastia Zhou <\/b><span class=\"s2\">\u5468\u4ee3<\/span><b> (1046-256 a. C.)<\/b><\/h3>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s3\">A corrup\u00e7\u00e3o e dissipa\u00e7\u00e3o que grassava entre os Shang tardios repugnava o estado vassalo de Zhou. Este formou ent\u00e3o uma alian\u00e7a com outras casas territoriais e mesmo com etnias tradicionalmente rivais para derrubarem os Shang. O governante Wen do estado de Zhou era t\u00e3o poderoso que controlava dois ter\u00e7os dos territ\u00f3rios dos Shang nesses anos de decl\u00ednio. Wu, filho de Wen, capturou Anyang em 1027 a.C.. O sucessor de Wu, Zhen Wang, o duque de Zhou, dividiu os dom\u00ednios dos Shang por outros vassalos, permitindo embora que os descendentes dos Shang governassem um pequeno estado de modo a poderem prosseguir com os sacrif\u00edcios aos antepassados.<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s5\">Ao contr\u00e1rio da sociedade Shang, onde o rei detinha uma autoridade indiscut\u00edvel sobre uma sociedade que era etnicamente homog\u00e9nea, os Zhou formavam uma alian\u00e7a. Era dif\u00edcil, por isso, alcan\u00e7ar o mesmo tipo de autoridade e houve que proceder a uma reforma das institui\u00e7\u00f5es sociais, religiosas, militares, econ\u00f3micas e administrativas. Os Zhou resolveram ent\u00e3o difundir uma nova doutrina, a doutrina do Mandato do C\u00e9u, segundo a qual os reis n\u00e3o estavam investidos de natureza divina, como sucedia entre os Shang, mas eram apenas representantes do C\u00e9u na Terra, Filhos do C\u00e9u (<\/span><span class=\"s6\">\u5929\u5b50<\/span><span class=\"s5\"> <i>tian zi<\/i>), designa\u00e7\u00e3o que viria a ser utilizada por todos os soberanos subsequentes. Caso os Filhos do C\u00e9u n\u00e3o executassem a vontade do C\u00e9u, ou seja, n\u00e3o se mostrassem justos e preocupados com o bem-estar dos seus s\u00fabditos, a governa\u00e7\u00e3o podia ser-lhes retirada.<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">Esta mudan\u00e7a de perspectiva repercutiu-se no conjunto da sociedade, nas cerim\u00f3nias e nos rituais. A corte Zhou levava a cabo rituais elaborados. Ao amanhecer e ao anoitecer, o rei realizava audi\u00eancias, costume que se manteve at\u00e9 1912, quando a rep\u00fablica foi implantada na China. A partir da \u00e9poca de Mu Wang (947-928 a.C.), redigiam-se as ordens do dia em tiras de bambu que passaram a ser preservadas lan\u00e7ando-as em vasos rituais de bronze.<\/p>\n<p class=\"p5\">Prosseguiram os cultos dos antepassados e de <span class=\"s2\">\u4e0a\u5e1d<\/span>Shangdi, o Imperador do Alto, embora este \u00faltimo fosse sendo substitu\u00eddo pelo de C\u00e9u (<span class=\"s2\">\u5929<\/span><i>tian<\/i>), que o incorporava. Pelo menos durante a primeira fase desta dinastia, prosseguiram tamb\u00e9m os sacrif\u00edcios humanos e animais. Mas enquanto nos t\u00famulos dos Shang abundavam os vasos de bronze para vinho, que brilhavam pela complexidade formal e decorativa, nos dos Zhou rareavam. Os Zhou atribu\u00edam a queda da dinastia anterior ao consumo excessivo de \u00e1lcool nos banquetes, rituais e sacrif\u00edcios e proclamaram o\u00a0<span class=\"s2\">\u9152\u8aa5<\/span><i>Jiugao<\/i>, o \u201cAn\u00fancio sobre o vinho\u201d, que se encontra no <span class=\"s2\">\u5c1a\u66f8<\/span><i>Shangshu<\/i>, <i>O Livro dos Documentos<\/i>.\u00a0O n\u00famero de vasos rituais para vinho, como o\u00a0<span class=\"s2\">\u7235<\/span><i>jue<\/i>, o\u00a0<span class=\"s2\">\u89da<\/span><i>gu<\/i>, o<span class=\"s2\">\u659d<\/span>\u00a0<i>jia<\/i>,\u00a0o <span class=\"s2\">\u89f6<\/span><i>zhi<\/i>, assim como variedades do <span class=\"s2\">\u5c0a<\/span><i>zun<\/i>, sofreu redu\u00e7\u00f5es dr\u00e1sticas, at\u00e9 desaparecerem por completo. O <span class=\"s2\">\u89ef<\/span><i>zhi<\/i> e o <span class=\"s2\">\u5363<\/span><i>you<\/i> ca\u00edram igualmente em desuso no final da dinastia. Tudo isto sugere que a ingest\u00e3o cerimonial de vinho, um l\u00edquido escuro feito a partir de pain\u00e7o fermentado, diminuiu. N\u00e3o obstante, introduziram-se tipologias novas de vasos para vinho, como os\u00a0<span class=\"s2\">\u76e8<\/span><i>xu<\/i> e os\u00a0<span class=\"s2\">\u7c20<\/span><i>fu<\/i>, e o<span class=\"s2\">\u65b9\u5f5d<\/span> <i>fangyi <\/i>(Fig. 21)<i> <\/i>de formato c\u00fabico.<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s5\">De modo inverso, aumentou o n\u00famero de vasos para cozinhar e armazenar alimentos, como os trip\u00e9s\u00a0<\/span><span class=\"s6\">\u9f0e<\/span><span class=\"s5\"><i>ding<\/i> e\u00a0<\/span><span class=\"s6\">\u7c0b<\/span><span class=\"s5\"><i>gui<\/i>. Em meados do per\u00edodo Zhou Ocidental (1045-771 a.C.) deram-se algumas mudan\u00e7as estil\u00edsticas.\u00a0Por exemplo, o trip\u00e9\u00a0<i>ding<\/i>\u00a0tornou-se mais baixo, mais largo e maior.\u00a0As al\u00e7as, que principiavam anteriormente no topo da borda, passaram a ser fixadas na parte superior do corpo.\u00a0Os trip\u00e9s\u00a0<i>ding<\/i>\u00a0apresentavam p\u00e9s em forma de cascos que sustinham num corpo lobolado, uma fus\u00e3o do\u00a0<i>li<\/i> tradicional com o\u00a0<i>ding<\/i>. E adicionou-se uma grande base quadrada ao\u00a0<i>gui<\/i> (Fig. 22),\u00a0que se tornou num vaso padr\u00e3o, a partir do qual se obteve o impressionante <\/span><span class=\"s6\">\u65b9\u5ea7\u7c0b<\/span><span class=\"s5\"><i>fangzuo gui<\/i>.\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s5\">Os bronzes continuaram a ser s\u00edmbolos de prest\u00edgio pol\u00edtico, de riqueza e de poder, mas tanto os recursos materiais como humanos para o seu fabrico foram reduzidos. A partir do Per\u00edodo dos Estados Combatentes (476-221 a.C.), os reinos desfragmentaram-se e os bronzes foram-se paulatinamente secularizando e perdendo o seu significado ritual e valor m\u00e1gico-religioso, tend\u00eancia presente desde a primeira fase da dinastia Zhou Ocidental (1046-771 a.C.). Isto veio a reflectir-se na forma, decora\u00e7\u00e3o e uso dos vasos. Alguns deles assumiram novas fun\u00e7\u00f5es de uso quotidiano ou de teor comemorativo, por exemplo, fazendo parte de cerim\u00f3nias de doa\u00e7\u00e3o e concess\u00e3o de terras.<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s9\">No final do per\u00edodo Zhou Ocidental e no Per\u00edodo da Primavera e do Outono (770-s\u00e9c. V a.C.), implantou-se o sistema de conjuntos de vasos<\/span><span class=\"s10\">\u5217\u9f0e <\/span><span class=\"s9\"><i>lieding<\/i>, que consistia em fabricar v\u00e1rios vasos id\u00eanticos mas de diferentes tamanhos. O regulamento previa os conjuntos que deviam ser colocados em determinado lugar nas cerim\u00f3nias, alinhando-os em s\u00e9ries de acordo com o estatuto do defunto.\u00a0Ao rei cabiam nove trip\u00e9s\u00a0<i>ding<\/i>, aos governantes regionais cabiam sete, aos ministros e gr\u00e3o-mestres cinco, aos <\/span><span class=\"s10\">\u5143\u58eb<\/span><span class=\"s9\"><i>yuanshi,<\/i> os militares de alta patente, tr\u00eas, e aos militares de baixa patente, um. O sistema num\u00e9rico dos vasos\u00a0<i>gui<\/i>\u00a0seguia o grupo de n\u00fameros <\/span><span class=\"s10\">\u9670<\/span><span class=\"s9\"><i>yin<\/i>, os pares: oito para o rei, seis para os governantes regionais, quatro para os gr\u00e3o-mestres e assim por diante.\u00a0Tamb\u00e9m se aplicava este sistema num\u00e9rico a outros objetos, como o\u00a0<i>li<\/i>\u00a0e o\u00a0<i>you<\/i>, e ainda aos sinos de bronze.\u00a0Todavia, nem sempre se respeitou o n\u00famero estipulado de vasos sacrificiais para exibi\u00e7\u00e3o do estatuto.\u00a0Os \u00faltimos governantes regionais fizeram-se acompanhar de mais bronzes sacrificiais do que era permitido. Tamb\u00e9m havia formas que estavam mais associadas \u00e0 nobreza, como os\u00a0<\/span><span class=\"s10\">\u8c46<\/span><span class=\"s9\"><i>dou <\/i>e os\u00a0<\/span><span class=\"s10\">\u58fa<\/span><span class=\"s9\"><i>hu<\/i> (Fig. 23), e outras que estavam mais associadas \u00e0s classes baixas, como os\u00a0<\/span><span class=\"s10\">\u9b32 <\/span><span class=\"s9\"><i>li<\/i>e os <\/span><span class=\"s10\">\u7f50 <\/span><span class=\"s9\"><i>guan<\/i>.\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">A partir de 850 a.C., a qualidade dos objectos funer\u00e1rios deteriorou-se. Fabricavam-se ami\u00fade pe\u00e7as disfuncionais, por exemplo, com tampas inamov\u00edveis, moldadas juntamente com o corpo do recipiente. Havia uma \u00f3bvia preocupa\u00e7\u00e3o com a poupan\u00e7a. A decora\u00e7\u00e3o, ainda que exuberante, tamb\u00e9m se simplificou no sentido de se limitar a um repert\u00f3rio reduzido de motivos.<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s7\">No per\u00edodo dos Zhou Orientais (771-256 a. C.) adicionou-se o <i>fou<\/i> (Fig. 24), o <i>ling <\/i>e o <i>dan<\/i>, uma vasilha de corpo largo, gargalo estreito e al\u00e7as em argola, o jarro <i>yi<\/i>, e o <i>ju<\/i>, um prato rectangular com uma tampa que configurava outro prato quando invertida.<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s9\">No final da dinastia Zhou, para al\u00e9m de vasos e armas em bronze fabricavam-se fivelas, espelhos, instrumentos musicais e moedas. As fivelas e espelhos s\u00e3o as pe\u00e7as que melhor representam a mudan\u00e7a qualitativa de finais da Idade do Bronze, que coincidiu com o aparecimento do ferro. As fivelas, em grande variedade de tamanhos, eram objectos de uso comum e ostentavam formas de animais. Os espelhos, de forma circular e ornamenta\u00e7\u00e3o variada, mantiveram a sua tipologia at\u00e9 ao s\u00e9c. XIX.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>A decora\u00e7\u00e3o Zhou<\/b><\/h3>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s9\">Em geral, a decora\u00e7\u00e3o dos Zhou era menos densa e laboriosa do que a dos Shang. Na fase inicial dos Zhou, decoravam-se os bronzes rituais com os mesmos animais do que os Shang, com \u00eanfase para cabras e b\u00fafalos asi\u00e1ticos, mas tamb\u00e9m o <i>taotie <\/i>e o drag\u00e3o <i>gui<\/i>. A m\u00e1scara <i>taotie<\/i> foi depois passando para segundo plano, dando lugar a outros motivos, como bandas em sulcos resultantes do motivo de grandes p\u00e1ssaros muito estilizados de bico proeminente, crista elaborada e longa cauda que decoravam o fundo ou formavam sali\u00eancias pl\u00e1sticas em diversas partes dos vasos, um desenvolvimento que se deu a partir de meados do s\u00e9c. X at\u00e9 meados do s\u00e9c. VII a.C. (Fig. 25). Capazes de voar, os p\u00e1ssaros eram ve\u00edculos de acesso ao c\u00e9u e \u00e0s esferas superiores, ao mundo sobrenatural. Estavam associados ao ritual no qual se pedia mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Podiam representar ainda a viagem espiritual do morto ou do pr\u00f3prio xam\u00e3.<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">No per\u00edodo Zhou interm\u00e9dio, e depois da conten\u00e7\u00e3o do in\u00edcio da dinastia, ressurgiu a ornamenta\u00e7\u00e3o exuberante. Os animais eram retratados de uma forma mais natural, mais viva e mais c\u00f3mica do os dos Shang, que exibiam uma aura misteriosa e mesmo aterradora. Por vezes, os vasos do tipo\u00a0<span class=\"s2\">\u5c0a<\/span><i>zun<\/i> representavam escultoricamente a forma de animais, como um elefante, animal que se tornou ent\u00e3o tornaram-se frequente, patos ou corujas (Fig. 26).<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s7\">No final dos Zhou Ocidentais, certos motivos caracter\u00edsticos dos Shang, como a cigarra, as \u201cl\u00e2minas ascendentes\u201d e o p\u00e1ssaro de cauda longa desapareceram, sendo substitu\u00eddos por escamas verticais e horizontais, padr\u00f5es sinuosos e listas verticais. Com efeito, uma tend\u00eancia presente tanto entre os Zhou Ocidentais (s\u00e9cs. XI-XII a 770 a.C.) como Orientais (770 a 256 a.C.) foram os motivos puramente geom\u00e9tricos em onda, espirais e outros.<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s3\">Nos bronzes Shang e nos primeiros bronzes Zhou, o relevo \u00e9 muitas vezes profundo e preciso, sendo f\u00e1cil distinguir entre os motivos principais e o fundo. No per\u00edodo Zhou tardio (c. 600-200 a.C.) a decora\u00e7\u00e3o tornou-se plana e recorria-se a desenhos geom\u00e9tricos e a incrusta\u00e7\u00f5es. Com efeito, as t\u00e9cnicas de fundi\u00e7\u00e3o e trabalho em metal conheceram desenvolvimentos, tendo o repert\u00f3rio decorativo aumentado gra\u00e7as \u00e0 introdu\u00e7\u00e3o da incis\u00e3o, da cinzelagem, da douradura e da incrusta\u00e7\u00e3o a prata, ouro, cobre, malaquita e turquesa (Fig. 36). A representa\u00e7\u00e3o de animais reais e fant\u00e1sticos ganhou novo alento e foi reintroduzida a m\u00e1scara <i>taotie<\/i>, muitas vezes combinada com drag\u00f5es <i>gui <\/i>que se entrecruzam.<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s9\">Um desenvolvimento muito importante foi a introdu\u00e7\u00e3o de inscri\u00e7\u00f5es (<\/span><span class=\"s10\">\u9298\u6587<\/span><span class=\"s9\"><i>mingwen<\/i>,\u00a0<\/span><span class=\"s10\">\u91d1\u6587<\/span><span class=\"s9\"><i>jinwen<\/i>). As inscri\u00e7\u00f5es surgem muito breves ainda sob os Shang (s\u00e9c. XIII a. C.). Situavam-se no interior do recipiente, na base, nas asas, no pesco\u00e7o. De in\u00edcio, tratava-se apenas de dois ou tr\u00eas caracteres que designavam um cl\u00e3. <\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s3\">Com os Zhou, as inscri\u00e7\u00f5es aumentaram em n\u00famero e em extens\u00e3o, tendo desempenhado um papel importante nos vasos de bronze do per\u00edodo Zhou Ocidental e\u00a0dando origem a uma documenta\u00e7\u00e3o de valor hist\u00f3rico inestim\u00e1vel (Fig. 38). Calcula-se que existam mais de tr\u00eas mil bronzes Zhou contendo inscri\u00e7\u00f5es, algumas com cerca de quinhentos caracteres. Informavam acerca do nome do autor do vaso, do nome do propriet\u00e1rio, do nome do antepassado seguido pelo caracter <\/span><span class=\"s4\">\u7236<\/span><span class=\"s3\"><i>fu<\/i> (pai), adicionando ainda um s\u00edmbolo do calend\u00e1rio e a designa\u00e7\u00e3o do vaso, em geral precedido de <\/span><span class=\"s4\">\u5bf6<\/span><span class=\"s3\"><i>bao<\/i> (precioso). Podem depois relatar expedi\u00e7\u00f5es militares, ca\u00e7adas, cerim\u00f3nias e compromissos oficiais e hist\u00f3rias de fam\u00edlia.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>Dinastia Han <\/b><span class=\"s2\">\u6c49\u4ee3<\/span><b> <\/b><b>(206 a.C.- 220 d.C.)<\/b><\/h3>\n<p class=\"p4\">Na dinastia Han, o trabalho em bronze tornou-se cada vez mais dispendioso e raro devido \u00e0 popularidade da laca. Os vasos rituais foram simplificados e perderam valor como ve\u00edculo para o mundo sobrenatural. A qualidade tamb\u00e9m baixou ostensivamente, excepto nas pe\u00e7as destinadas a uso imperial. N\u00e3o obstante, introduziram-se novas tipologias de objectos rituais, como o<span class=\"s2\">\u535a\u5c71\u7210<\/span> <i>boshanlu<\/i>, um incens\u00f3rio com a forma dos cumes das montanhas sagradas dos Imortais, ami\u00fade decorado em relevo com figuras de animais, ca\u00e7adores e vegeta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p5\">Dignos de men\u00e7\u00e3o s\u00e3o ainda os espelhos de bronze da dinastia Han que derivam das tradi\u00e7\u00f5es do per\u00edodo dos Reinos Combatentes em Luoyang e Shouzhou. Atribu\u00edam-se qualidades m\u00e1gicas a estes espelhos de bronze e de forma circular, com inscri\u00e7\u00f5es e s\u00edmbolos no verso, como afastar influ\u00eancias nefastas e tornar vis\u00edveis os esp\u00edritos ocultos. Apresentam motivos como drag\u00f5es enrolados e espirais. Os chamados espelhos TLV, ostentam uma sali\u00eancia central rodeada por um quadrado com doze sali\u00eancias menores a separar os caracteres relativos aos doze Ramos Terrestres. As formas em T, L e V encontram-se numa zona circular adornada com figuras de animais que, com a quinta zona central, simbolizam as Cinco Fases, <span class=\"s2\">\u4e94\u884c<\/span> <i>wuxing,<\/i> ou seja, madeira, metal, \u00e1gua, fogo, terra.<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s3\">O fabrico de objectos de luxo em bronze para uso quotidiano aumentou. O bronze converteu-se assim num suporte para decora\u00e7\u00f5es profusas, como incrusta\u00e7\u00f5es de ouro, prata, pedras preciosas e semi-preciosas (Fig. 27). <\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">Nos t\u00famulos dos Han encontrou-se um grande n\u00famero de arreios e acess\u00f3rios para carruagens, espadas e facas, espelhos e fivelas para cintos, l\u00e2mpadas (Fig. 28) e outros utens\u00edlios de bronze, grande parte incrustada com ouro ou prata, turquesa ou jade. O \u00fanico motivo tradicional que se manteve na decora\u00e7\u00e3o foi o <i>taotie<\/i>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>____<\/p>\n<p class=\"p5\"><b>Bibliografia<\/b><\/p>\n<ul>\n<li class=\"p8\">Bussagli, Mario (1966) <i>Chinese Bronzes<\/i>, Londres: Cassel London, 1987.<\/li>\n<li class=\"p8\">Cervera, Isabel (1989) <i>Historia del Arte n. 23: El Arte Chino<\/i>, Madrid.<\/li>\n<li class=\"p8\">Chang, K.C. (1983) <i>The Animal in Shang and Chou Bronze Art<\/i>, in <i>Art, Myth and Ritual: the Path to Political Authority in Ancient China<\/i>, Cambridge, Massachusetts e Londres: Harvard University Press, pp. 527-554.<\/li>\n<li class=\"p8\">Chase, W.T. (2007), <i>Chinese Bronzes: Casting, Finishing, Patination, and Corrosion<\/i>, in Scott, David, Jack A., Podany, Jerry, Considine, Brian B. (eds.) <i>Ancient and Historical Metals<\/i>. Conservation and Scientific Research, Singapura: Electronic Edition. The J. Pail Getty Trust, pp. 85-117.<\/li>\n<li class=\"p8\"><span class=\"s3\">Colla, Elizabetta (2011) <i>A China Antiga, do Neol\u00edtico \u00e0 Dinastia Han<\/i>, in <i>Bronzes e Jades da China Antiga na Colec\u00e7\u00e3o Jos\u00e9 de Guimar\u00e3es<\/i>, Lisboa: Centro Cient\u00edfico e Cultural de Macau, pp. 21-50.<\/span><\/li>\n<li class=\"p8\">Deydier, Christian (2016) <i>Initiation aux Bronzes Archa\u00efques Chinois. 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An Exhibition from the People\u2019s Republic of China<\/i>, Nova Iorque: The Metropolitan Museum of Art.<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] A Idade do Bronze Da Idade do Bronze fazem parte as dinastias Xia (c. 2100-1600 a.C.) que \u00e9 considerada m\u00edtica pelos historiadores ocidentais dado n\u00e3o se terem encontrado at\u00e9 agora provas arqueol\u00f3gicas da sua exist\u00eancia, a dinastia Shang (c. 1600-1050 a. C.) e a dinastia Zhou (1046-256 a. C.). 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