{"id":905,"date":"2025-10-18T00:02:17","date_gmt":"2025-10-17T16:02:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.viadomeio.com\/?p=905"},"modified":"2025-10-18T00:02:29","modified_gmt":"2025-10-17T16:02:29","slug":"a-grande-muralha-da-china-e-a-construcao-de-uma-metafora-viva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/10\/18\/a-grande-muralha-da-china-e-a-construcao-de-uma-metafora-viva\/","title":{"rendered":"A Grande Muralha da China e a constru\u00e7\u00e3o de uma met\u00e1fora viva"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">A <\/span>grande muralha da China \u00e9 um dos expoentes m\u00e1ximos da arquitectura e da engenharia militares. Com uma longu\u00edssima extens\u00e3o<sup>1<\/sup>, acompanhando vales e montanhas, e constru\u00edda ao longo dos s\u00e9culos, a grande muralha tinha como objectivo supremo defender e resguardar o imp\u00e9rio de invas\u00f5es externas, permitindo igualmente uma fixa\u00e7\u00e3o das linhas de fronteira e acomodar nelas o per\u00edmetro dos diversos reinos.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">A sua grandeza, impon\u00eancia e magnitude foram objecto de fasc\u00ednio e de peregrina\u00e7\u00e3o, sendo conhecida e mitificada em todo o mundo. Sobre ela se escreveram livros<sup>2<\/sup>, se fizeram filmes<sup>3<\/sup> ou se produziram artefactos raros, especiais e valiosos<sup>4<\/sup>. Dos viajantes e aventureiros portugueses cito o inevit\u00e1vel Fern\u00e3o Mendes Pinto<sup>5<\/sup>, de quem se suspeita que tenha trabalhado, como cativo, na constru\u00e7\u00e3o da grande Muralha da China, e esta descri\u00e7\u00e3o amena do Conde de Arnoso<sup>6<\/sup>, \u201cdo parapeito, meio desmoronado, arrancamos com custo um pesado tijolo. Carregamos com ele at\u00e9 Pa-Ta-Ling e conserv\u00e1-lo-emos sempre como a mais preciosa rel\u00edquia de toda a nossa peregrina\u00e7\u00e3o pelo mundo. Ao findar do almo\u00e7o, de p\u00e9 e descobertos sobre a Grande muralha, &#8211; era o dia dos anos de Sua Majestade \u2013 bebemos respeitosamente \u00e0 sa\u00fade de El-Rei de Portugal. Com o cora\u00e7\u00e3o confrangido pela saudade da p\u00e1tria, t\u00e3o querida e t\u00e3o distante, Deus sabe a como\u00e7\u00e3o que nesse momento nos oprimia!&#8230;\u201d.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">Mas \u00e9 exactamente como met\u00e1fora viva, no sentido dado por Paul Ricoeur, que desejamos olhar para a grande muralha da China, reconciliando o pensamento com a imagem que se imp\u00f5e ao sujeito e o tr\u00e2nsito do vis\u00edvel com o invis\u00edvel. Foram seleccionados vinte e quatro contextos hist\u00f3rico-culturais desde 1863 at\u00e9 1992, cada uma das situa\u00e7\u00f5es com um sistema simb\u00f3lico a valer por si pr\u00f3prio e com a conhecida predica\u00e7\u00e3o impertinente. Nestes exemplos h\u00e1 um claro afastamento das ideias mais comuns do orientalismo e da sinologia. A muralha \u00e9 sempre utilizada com o sentido f\u00edsico de barreira, de obst\u00e1culo, <i>maxime<\/i> de cord\u00e3o sanit\u00e1rio ou de mecanismo de seguran\u00e7a e protec\u00e7\u00e3o. Poucas vezes o sentido de humor est\u00e1 presente, para induzir outras interpreta\u00e7\u00f5es consideradas equ\u00edvocas. Nos trechos antologiados emerge um sentido desmaterializado na sua exterioridade e enunciando uma mensagem simples com uma narratividade que recupera a mem\u00f3ria das nossas experi\u00eancias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h3><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-906 size-large\" src=\"http:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/44--1024x361.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"226\" srcset=\"https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/44--1024x361.jpg 1024w, https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/44--300x106.jpg 300w, https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/44--768x271.jpg 768w, https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/44--1536x542.jpg 1536w, https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/44-.jpg 1701w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/h3>\n<h3 class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><i>A Grande Muralha da China<br \/>\n<\/i><i><\/i><i>Uma pequena antologia<\/i><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>Na Grande Muralha<br \/>\n<\/b><b><\/b>Esta coroa imperial a coroar as montanhas<br \/>\nEnobrecem-na s\u00e9culos de aprumo militar.<br \/>\nQue arrog\u00e2ncias de torres em dist\u00e2ncias tamanhas!<br \/>\nS\u00e3o vis\u00edveis da Lua, se as patrulha o luar.<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>Ant\u00f3nio Manuel Couto Viana<br \/>\n<\/b><i>At\u00e9 ao Long\u00ednquo China Navegou&#8230;<br \/>\n<\/i>Instituto Cultural de Macau, 1991<\/p>\n<p class=\"p4\">1. \u201cJulgou-a t\u00e3o segura que recolheu a Braga com tanta confian\u00e7a, como se entre ele e os franceses estivesse a <b>muralha da China<\/b> ! Pobre homem !\u201d<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: right;\"><b>Arnaldo Gama<\/b>, <i>O Sargento-m\u00f3r de Vilar (epis\u00f3dios da invas\u00e3o <\/i><i>dos franceses em 1809<\/i>), Porto, Typographia do Commercio, 1863, pp. 65-66.<\/p>\n<p class=\"p4\">2. \u201cAh! E em que outra parte ocidental da Europa se v\u00ea t\u00e3o exemplar espect\u00e1culo, excepto nesta portuguesa prov\u00edncia do Minho? Ser\u00e1 acaso porque estas comarcas ainda n\u00e3o ouviram silvar a locomotora, ou por ignorarem os progressos do s\u00e9culo corruptores, que a barreira desses montes, qual outra <b>muralha da China<\/b>, ainda impede o propagar-se ? Se assim \u00e9, oxal\u00e1 nunca lhes chegue t\u00e3o falsa civiliza\u00e7\u00e3o !\u201d.<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: right;\"><b>Liuis Vermell i Busquets<\/b>, <i>Descrip\u00e7\u00e3o do Sanctuario e Romaria de Nossa Senhora do Porto d\u2019Ave em 1869, <\/i>Braga, Typographia Luzitana, 1871, p. 23.<\/p>\n<p class=\"p4\">3. \u201cVenceu as resist\u00eancias, transp\u00f4s a <b>muralha da China<\/b>. Mas quando ia com a navalha para cortar o cinto, o Coruja retesou a corda, e a m\u00e3o do general deu na cara do Chumba, que estava curvado sobre o esquife\u201d.<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: right;\"><b>Bento Moreno<\/b>, <i>Vingan\u00e7a do Morto<\/i>, in Revista O Cen\u00e1culo [dirigida por C\u00e2ndido de Figueiredo], Vol. I, Lisboa, 1875, p. 110.<\/p>\n<p class=\"p4\">4. \u201cN\u00e3o serviria para nada a <b>muralha da China<\/b> porque mais fortes do que ela eram os Piren\u00e9us e o ex\u00e9rcito franc\u00eas atravessou-os triunfante ; mais fortes que todas as muralhas e que todas as cordilheiras \u00e9 o direito, e Filipe II invadiu Portugal para se assenhorear de um trono que n\u00e3o lhe pertencia\u201d.<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: right;\"><span class=\"s1\"><b> Raphael Bordallo Pinheiro<\/b>, <i>O Ant\u00f3nio Maria<\/i>, <\/span><span class=\"s1\">Ano IV, 27 de Julho de 1882, p. 238.<\/span><\/p>\n<p class=\"p4\">5. \u201cContra esta <b>muralha da China<\/b>, contra este baluarte de avareza, iam quebrar-se todas as lamenta\u00e7\u00f5es que o conde sobrescriptava para o tio marqu\u00eas quando a sorte lhe havia sido adversa ao jogo\u201d.<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: right;\"><span class=\"s3\"><b>Alberto Pimentel<\/b>, <i>Atravez do Passado, <\/i><\/span><span class=\"s3\">Guillard Aillaud &amp; C\u00aa., Lisboa, 1888, p.141.<\/span><\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s1\">6. \u201cN\u00e3o me atrevi a arrancar Jo\u00e3o Penha das garras do cliente. Mas \u00e0 volta do Bom Jesus, tornando a encontrar-nos no mesmo <i>americano<\/i>, interpus-me ao demandista e a ele, e conversamos de v\u00e1ria literatura, &#8211; <b>muralha da China<\/b> contra a qual esbarraram, infrutiferamente, duas investidas do br\u00e1caro Chicaneau, que parecia recortado dos <i>Plaideurs <\/i>de Racine\u201d.<\/span><\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: right;\"><b>Alberto Pimente<\/b><strong>l<\/strong>, <i>Jo\u00e3o Penha, <\/i>Livraria Escolar de Cruz &amp; C\u00aa., Braga, 1893, p. 17.<\/p>\n<p class=\"p4\">7. \u201cA consci\u00eancia do dever \u00e9, por\u00e9m, uma esp\u00e9cie de <b>muralha da China<\/b>\u201d.<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: right;\"><b>Alberto Pimentel<\/b>, <i>Manh\u00e3s de Cascaes, <\/i>Livraria Ferin, Lisboa, 1893, p. 105.<\/p>\n<p class=\"p4\">8. \u201cA fronteira de Portugal levantava-se agora entre o passado e o presente, impenetr\u00e1vel como a <b>muralha da China<\/b>\u201d.<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: right;\"><b>Alberto Pimentel<\/b>, <i>A Guerrilha de Frei Sim\u00e3o, <\/i>Livraria de Ant\u00f3nio Maria Pereira, Lisboa, 1895, p. 234.<\/p>\n<p class=\"p4\">9. \u201cAs esguias flexas dos choupos, que afastam num c\u00e9u de trag\u00e9dia, gemem a grande \u00e1ria do infort\u00fanio sob o a\u00e7oite do vento e o Tejo, engrossando das vertentes das serras que se desnudam, resfolga, desde a linha f\u00e9rrea, que \u00e9 a <b>muralha da China<\/b> das cheias ribatejanas, t\u00e9 \u00e0 barra de montanhas, al\u00e9m, que faz ant\u00edpodas os nossos vizinhos de Coruche!\u201d.<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: right;\"><b>Jo\u00e3o Arruda<\/b>, <i>Atravez de Santarem (Notas d\u2019um Chronista<\/i>). Prefaciado por Alberto Pimentel. Santarem, Imprensa Moderna, 1898, p. 11.<\/p>\n<p class=\"p4\">10. \u201cSob o ponto de vista do g\u00e9nio da popula\u00e7\u00e3o, a estrada de circunvala\u00e7\u00e3o \u00e9 uma <b>muralha da China<\/b>\u201d.<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: right;\"><b>Alberto Pimentel<\/b>, <i>Vida de Lisboa, <\/i>Parceria Ant\u00f3nio Maria Pereira, Lisboa, 1900, p. 19.<\/p>\n<p class=\"p4\">11. \u201cEntre D. Ant\u00f3nio e D. Jos\u00e9, como entre toda a gente, antes ou depois do dia 20 de Maio e de Novembro, ergue-se como uma barreira para todos os sonhos, como uma <b>muralha da China<\/b> que impede todas as invas\u00f5es da fantasia a figura terr\u00edvel, sinistra, colossal do senhorio\u201d.<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: right;\"><b>Alberto Pimentel<\/b>, <i>Vida de Lisboa, <\/i>Parceria Ant\u00f3nio Maria Pereira, Lisboa, 1900, p. 128.<\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s2\">12. \u201cO Comodoro, colocado entre as grandiosidades da sua vis\u00e3o cosmopolita e as estreitezas caturras do indigenismo p\u00e1trio, sob a press\u00e3o da carregada atmosfera social de ent\u00e3o, derramava-se em impreca\u00e7\u00f5es, golpes, vitup\u00e9rios incorc\u00edveis. Mas esse pessimismo absoluto traduzia uma remontada forma de patriotismo, de nacionalismo elevado, procurando constituir uma colectividade alta com destrui\u00e7\u00e3o das <b>Muralhas da China<\/b> do conservantismo\u201d.<\/span><\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: right;\"><b>Virg\u00edlio V\u00e1rzea<\/b>, <i>George Marcial (romance da sociedade <\/i><i>e da pol\u00edtica do fim do imp\u00e9rio), <\/i>Editores Tavares Cardoso &amp; Irm\u00e3o, Lisboa, 1901, p. VI.<\/p>\n<p class=\"p4\">13. \u201cE todavia dir-se-ia que a <b>muralha da China<\/b> interp\u00f5e a um e a outro a sua opacidade impenetr\u00e1vel, tendo apenas no alto, a velar, o olho sagaz do fen\u00edcio, cravado em r\u00e1pida alternativa no chin\u00eas e no mongol\u201d.<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: right;\"><b>Bas\u00edlio Teles<\/b>, <i>Estudos Hist\u00f3ricos e Econ\u00f3micos<\/i>, Livraria Chardron de Lello &amp; Irm\u00e3o, Porto, 1901, p. 163.<\/p>\n<p class=\"p4\">14. \u201cA turba de espectadores crescia sempre, sob a chuva, apertando o corredor da desfilada, numa <b>muralha da China<\/b> de chap\u00e9us de chuva\u201d.<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: right;\"><span class=\"s3\"> <b>Fialho de Almeida<\/b>, <i>Pasquinadas : jornal d\u2019um vagabundo, <\/i><\/span><span class=\"s3\">Livraria Chardron, Porto, 1904, p. 91.<\/span><\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s1\">15. \u201cNa Grande <b>Muralha da China<\/b>, escalada afinal pelos T\u00e1rtaros, figura-se o isolamento absoluto, cioso, pertinaz do Estado, de tudo o que \u00e9 estrangeiro, e o estacionamento consequente da civiliza\u00e7\u00e3o chinesa\u201d.<\/span><\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: right;\"><b>V\u00e1rios<\/b> [Marques Braga, Afonso Lopes Vieira, Magalh\u00e3es Lima, Agostinho Fortes, Mayer Gar\u00e7\u00e3o, Boto Machado, \u00c1lvaro Afonso Barbosa, Frederico Parreira, Urbano Rodrigues, Heliodoro Salgado], <i>Quinquagenario : 1858 a 1908. Cincoenta Annos de Actividade Mental de Theophilo Braga julgada pela Cr\u00edtica Contempor\u00e2nea de Tr\u00eas Gera\u00e7\u00f5es Litter\u00e1rias, <\/i>Antiga Casa Bertrand, Lisboa, 1908, p. 220.<\/p>\n<p class=\"p4\">16. \u201cO estudo de Esteves Pereira no <i>Occidente <\/i>(revista ilustrada), sobre os manuscritos iluminados portugueses, ou existentes em colec\u00e7\u00f5es portuguesas, \u00e9 muito deficiente. Basta recordar que lhe falta toda e qualquer refer\u00eancia \u00e0 arte dos nossos vizinhos que s\u00e3o riqu\u00edssimos ainda e originais na sua t\u00e9cnica. Sempre a mesma <b>muralha da China<\/b>, na fronteira de Portugal, para estes senhores, nacionalistas inconscientes! O Visconde de Santar\u00e9m n\u00e3o procedeu deste modo, no mesmo assunto, h\u00e1 sessenta anos. Para que servem ent\u00e3o esses exemplos ilustres?\u201d.<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: right;\"><b>Ant\u00f3nio Teixeira J\u00fadice <\/b>e<b> Ant\u00f3nio Arroio<\/b>, <i>Notas Sobre Portugal, <\/i>Exposi\u00e7\u00e3o Nacional do Rio de Janeiro em 1908. Sec\u00e7\u00e3o Portuguesa, Vol. II, Imprensa Nacional, Lisboa, 1908, p. 189.<\/p>\n<p class=\"p4\">17. \u201cEu n\u00e3o venho pedir imposs\u00edveis, porque,<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>francamente, o cora\u00e7\u00e3o de Lola n\u00e3o \u00e9 uma <b>muralha da China<\/b>. Nunca vi cora\u00e7\u00e3o t\u00e3o desordenado\u201d.<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: right;\"><b>Coelho Neto<\/b>, <i>Theatro, <\/i>Livraria Chardron, Porto, 1911, p. 94.<\/p>\n<p class=\"p4\">18. \u201cA corte, em regra geral, era fechada, na sua <b>muralha da China<\/b>, \u00e0 conviv\u00eancia de s\u00e1bios e homens de letras, sendo ali\u00e1s inexplic\u00e1vel o facto, porque D. Luiz, D. Carlos e D. Manuel eram tr\u00eas homens de esclarecid\u00edssima intelig\u00eancia e de variadas aptid\u00f5es art\u00edsticas\u201d.<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: right;\"><b>S\u00e9rgio de Castro<\/b>, <i>Camilo Castelo Branco: <\/i><i>tipos e epis\u00f3dios de sua galeria, <\/i>ed. Parceria Ant\u00f3nio Maria Pereira, vol. III, Lisboa, 1914, p. 46.<\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s2\">19. \u201cE nem a pol\u00edcia apertada de Pina Manique nos defenderia do cont\u00e1gio insalubre que se exalava de Fran\u00e7a, embora dispusesse da <b>muralha da China<\/b> para nos resguardar\u201d.<\/span><\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: right;\"><b>Ant\u00f3nio Sardinha<\/b>, <i>O Valor da Ra\u00e7a. Introdu\u00e7\u00e3o <\/i><i>a uma campanha nacional<\/i>, Almeida, Miranda &amp; Sousa editores, Lisboa, 1915, p. 129.<\/p>\n<p class=\"p4\">20. \u201cDepois, come\u00e7ando a agitar por detr\u00e1s dessa como que <b>muralha da China<\/b> toda a sua refeita actividade, desoprimida da concorr\u00eancia estrangeira, entregou-se ao trabalho com ardor, criou ind\u00fastrias, ergueu f\u00e1bricas, utilizou o oiro da Calif\u00f3rnia e a prata da Nevada, o ferro, a hulha e o petr\u00f3leo da Pensilv\u00e2nia, o algod\u00e3o da Georgia e da Luisiana, tirou a sua subsist\u00eancia das produtivas herdades do Oeste, dos rebanhos do Ohio, do Texas e do Iwoa, em tudo se libertou denodadamente e enfim do muito pesado tributo que pagava \u00e0 Europa\u201d.<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: right;\"><span class=\"s3\"> <b>Alfredo de Mesquita<\/b>, <i>A Am\u00e9rica do Norte<\/i>, <\/span><span class=\"s3\">ed. Parceria A.M.Pereira, 1917, p. 57.<\/span><\/p>\n<p class=\"p4\">21. \u201cOra de todo o Portugal, nenhuma prov\u00edncia \u00e9 mais muda na hist\u00f3ria do que o Algarve sempre separado da vida do pa\u00eds por essa insuper\u00e1vel <b>muralha da China<\/b> que \u00e9 o Alentejo\u201d.<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: right;\"><b>Fidelino de Figueiredo<\/b>, <i>Estudos de Literatura<\/i>, Livraria Cl\u00e1ssica Editora, Lisboa, 1918, p. 17.<\/p>\n<p class=\"p4\">22. \u201cAssinai e sereis ricos. Cada caderneta custa-vos um vint\u00e9m, dez reis, cinco reis, <i>gr\u00e1tis<\/i> ; com elas tendes um bilhete ; com um bilhete adquiris o direito de possuir uma est\u00e1tua toda de prata, um diamante do gr\u00e3o-mogol, a <b>muralha da China<\/b>, o obus de Pequim ou o sino grande de Moscovo ; porque assinar para um romance d\u00e1 direito \u00e0s maiores coisas deste mundo, incluindo as massadas, os galicismos e as pragas dos distribuidores, que s\u00e3o as maiores que se conhecem neste mundo\u201d.<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: right;\"><span class=\"s3\"><b>J.M. Latino Coelho<\/b>, <i>Typos Nacionaes, <\/i>Editores Santos &amp; Vieira \u2013 Empresa Liter\u00e1ria Fluminense, Lisboa, 1919, p. 84.<\/span><\/p>\n<p class=\"p4\">23. \u201cEssa \u00e9 que importa esclarecer. Torna-se para isso necess\u00e1rio cindir, no mesmo lio de interesses e afinidades os que trabalham com uma pena na m\u00e3o, tentando com ela, \u00e0 guisa de ariete, destruir as <b>muralhas da China<\/b> do Erro e elevar novas pir\u00e2mides do Pensamento. A pena \u00e9 mais \u00fatil na vida contempor\u00e2nea do que foi a espada no ciclo medieval\u201d.<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: right;\"><b> Afonso Gayo<\/b>, <i>O Condenado<\/i>, [Pe\u00e7a em 5 Actos], Rodrigues &amp; C\u00aa. Livreiros Editores, Lisboa, 1921, p. VIII.<\/p>\n<p class=\"p4\">24. \u201cMarx via a burguesia demolindo a <b>muralha da China<\/b> para impor o seu modo de produ\u00e7\u00e3o. Ora ningu\u00e9m bombardeou a <b>muralha da China<\/b>, ningu\u00e9m imp\u00f4s o modo de produ\u00e7\u00e3o mercantil: foi o mercado que automaticamente alargou as suas malhas para o exterior\u201d.<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: right;\"><span class=\"s4\"><b>Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Saraiva<\/b>, <i>Estudos Sobre a Arte d\u2019 Os Lus\u00edadas<\/i>, <\/span><span class=\"s4\">Gradiva, 1992, p. 142.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>____<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>Notas<\/b><\/span><\/p>\n<ul>\n<li class=\"p3\">1 21.196 quil\u00f3metros de extens\u00e3o, com oito metros de altura e quatro metros de largura. \u00c9 um monumento classificado pela UNESCO como Patrim\u00f3nio Mundial.<\/li>\n<li class=\"p3\">2 Por exemplo, Franz Kafka publicou <i>A Grande Muralha da China<\/i>, em 1931.<\/li>\n<li class=\"p3\">3 O mais recente, <i>A Grande Muralha, <\/i>de 2016, com a direc\u00e7\u00e3o de Zhang Yimou, e com Matt Damon, Jing Tian , Peter Pascal, entre outros.<\/li>\n<li class=\"p3\">4<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Foi criada uma caneta especial<i>, Montblanc High Artistry,<\/i> como \u201chomenagem \u00e0 Grande Muralha da China\u201d, uma pe\u00e7a de ourivesaria com um valor de cerca de dois milh\u00f5es de d\u00f3lares americanos.<\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s2\">5 A <i>Peregrina\u00e7\u00e3o<\/i> \u00e9 uma obra de 1614 e no Cap. CVIII relata-nos como eram os prisioneiros colocados na constru\u00e7\u00e3o da grande muralha,<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>\u201cDa pris\u00e3o do Xinanguibaleu onde est\u00e3o sempre os degradados para o servi\u00e7o do muro da Tart\u00e1ria\u201d [edi\u00e7\u00e3o da Imprensa Nacional-Casa da Moeda, transcri\u00e7\u00e3o de Adolfo Casais Monteiro, pp. 312-315, 1988].<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s2\">6 Publicou o artigo \u201cExcurs\u00e3o \u00e0 Grande Muralha da China\u201d, na <i>Revista de Portugal<\/i>, dirigida por E\u00e7a de Queiroz, Vol. I, N\u00ba 2, 1 de Agosto de 1889, pp. 212-232. Este texto integrou o volume <i>Jornadas pelo Mundo<\/i>, Companhia Portuguesa Editora, Porto, 1916.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] A grande muralha da China \u00e9 um dos expoentes m\u00e1ximos da arquitectura e da engenharia militares. Com uma longu\u00edssima extens\u00e3o1, acompanhando vales e montanhas, e constru\u00edda ao longo dos s\u00e9culos, a grande muralha tinha como objectivo supremo defender e resguardar o imp\u00e9rio de invas\u00f5es externas, permitindo igualmente uma fixa\u00e7\u00e3o das linhas de fronteira e&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":30,"featured_media":903,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-905","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-literatura"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/38-Great_Wall_with_Fog-BW.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/905","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/30"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=905"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/905\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":907,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/905\/revisions\/907"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/903"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=905"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=905"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=905"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}