{"id":908,"date":"2025-10-18T00:10:00","date_gmt":"2025-10-17T16:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.viadomeio.com\/?p=908"},"modified":"2025-10-18T00:10:00","modified_gmt":"2025-10-17T16:10:00","slug":"qiu-jin-poesia-e-luta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/10\/18\/qiu-jin-poesia-e-luta\/","title":{"rendered":"Qiu Jin &#8211; Poesia e luta"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">F<\/span><span class=\"s3\">oi um s\u00e9culo<\/span><span class=\"s1\"> de humilha\u00e7\u00e3o, <b><i>bullying<\/i><\/b> e de domina\u00e7\u00e3o agressiva do Imp\u00e9rio do Meio por pot\u00eancias estrangeiras, a partir de 1840 at\u00e9 \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o, em 1945, do \u00faltimo reduto no nordeste de Shangdong ocupado por japoneses e alem\u00e3es. Um per\u00edodo de vexames na hist\u00f3ria da China, marcado pelos conflitos armados sino-brti\u00e2nicos por causa do \u00f3pio que a Companhia das \u00cdndias Orientais inglesa introduzia ilegalmente no territ\u00f3rio chin\u00eas, para envenenar o povo e equilibrar as contas do com\u00e9rcio com a China, a que se seguiram os conflitos com o Jap\u00e3o e a Fran\u00e7a e, claro, a ocupa\u00e7\u00e3o da Alian\u00e7a das Oito Na\u00e7\u00f5es em 1900 (\u00c1ustria-Hungria, Alemanha Fran\u00e7a, It\u00e1lia, Jap\u00e3o, R\u00fassia, Reino Unido e Estados Unidos da Am\u00e9rica). <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">Pelo meio, os chineses assistiram penosamente \u00e0 assinatura de tratados desiguais a coberto dos quais as pot\u00eancias estrangeiras obrigaram a monarquia chinesa a ceder territ\u00f3rios, franquear portos mar\u00edtimos, incorporando nesses tratados demandas indemnizat\u00f3rias para reparar as guerras. Enfim, uma China humilhada, esquartejada, repartida pelas na\u00e7\u00f5es invasoras, o palco que o povo chin\u00eas coabitou com matan\u00e7as, saques, escraviza\u00e7\u00e3o das mulheres chinesas e tudo o que as pot\u00eancias estrangeiras podiam fazer para consolidar a ocupa\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">Qiu Jin (1875-1907) foi uma escritora feminista e activista do movimento revolucion\u00e1rio de Outubro de 1911, que p\u00f4s fim ao regime mon\u00e1rquico. Nasceu em Fujian, filha de pai funcion\u00e1rio do governo e de m\u00e3e literata, pelo que Qiu Jin recebeu uma educa\u00e7\u00e3o esmerada, especializando-se em hist\u00f3ria e literatura. Desde jovem eram j\u00e1 evidentes os dons de escrita e o grande patriotismo, nesse per\u00edodo conturbado da coloniza\u00e7\u00e3o estrangeira. Perturbava-a a incapacidade dos imperadores Qing, que sofriam derrota ap\u00f3s derrota. Viu nascer a Rebeli\u00e3o dos Boxers, de 1899, movimento anti-colonialista e anti-mon\u00e1rquico, que foi repelido pelas tropas governamentais e a coliga\u00e7\u00e3o das na\u00e7\u00f5es estrangeiras.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s4\">Com o cora\u00e7\u00e3o magoado e desfeita em l\u00e1grimas, Qiu Jin partiu, em 1904, para o Jap\u00e3o e a\u00ed juntou-se \u00e0s estudantes chinesas em T\u00f3quio, pregando a salva\u00e7\u00e3o nacional e a defesa dos direitos da mulher. Os argumentos aduzidos iriam confirm\u00e1-la como destacada l\u00edder do movimento feminista, devido tamb\u00e9m aos seus dotes orat\u00f3rios. Fundou dois peri\u00f3dicos, \u201cMulher Chinesa\u201d e \u201cL\u00edngua Vern\u00e1cula\u201d, como base do movimento, insistindo na emerg\u00eancia de quebrar as correntes do feudalismo, restituir a identidade \u00e0 na\u00e7\u00e3o e no papel da mulher na implementa\u00e7\u00e3o de uma nova cultura chinesa. <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">Os \u00faltimos anos da sua vida foram de maior envolvimento, tendo assumido a direc\u00e7\u00e3o escolar de Datong na prov\u00edncia de Zhejiang, em cujas instala\u00e7\u00f5es montou o quartel do movimento, de onde eram enviados mandat\u00e1rios para promover a revolta. Ela pr\u00f3pria andava entre as cidades de Hangzhou e Xangai, delineando programas de ac\u00e7\u00e3o e incitando o povo. <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">No dia 6 de Julho de1907, Qiu Jin recebeu a not\u00edcia da malograda revolta da cidade de Anhuei. Ap\u00f3s a pris\u00e3o dos revoltosos, era iminente que o ex\u00e9rcito imperial tamb\u00e9m viesse cercar a escola. Aconselhada a abandonar, ela preferiu n\u00e3o fugir. \u201cO sucesso de uma revolu\u00e7\u00e3o oculta sangue\u201d, dizia.<\/p>\n<h3 class=\"p4\"><b><br \/>\nAs cores do outono<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s5\"><b><i>Qiu<\/i><\/b> \u00e9 o apelido da escritora e agradava-lhe particularmente a palavra que significa outono, a esta\u00e7\u00e3o do ano pintada pela cultura tradicional comum com as cores da desola\u00e7\u00e3o e dos sentimentos m\u00f3rbidos. Os antigos eruditos escreviam deploravelmente que primavera era a inquieta\u00e7\u00e3o das jovens diante do envelhecimento, vendo o tombar das flores e que no outono o sombrio tolda os olhos dos jovens, n\u00e3o lhes permitindo ver o fundo da estrada onde a sua heroicidade caminha. Outono esmorece a alma, e algo parecido escreveu Pessoa em <i>Cancioneiros<\/i>:<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p7\"><i>Esque\u00e7o-me das horas transviadas<br \/>\n<\/i><i>o Outono mora m\u00e1goas nos outeiros<br \/>\n<\/i><i>E p\u00f5e um roxo vago nos ribeiros\u2026<br \/>\n<\/i><i>H\u00f3stia de assombro a alma, e toda estradas\u2026<br \/>\n<\/i><i>(&#8230;)<br \/>\n<\/i><i>No meu cansa\u00e7o perdido entre os gelos<br \/>\n<\/i><i>E a cor do outono \u00e9 um funeral de apelos<br \/>\n<\/i><i>Pela estrada da minha disson\u00e2ncia\u2026<\/i><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p2\">Qiu Jin foi presa no dia 10 de Julho de 1907 e decapitada no dia 15. Antes da execu\u00e7\u00e3o, deram-lhe um folha de papel para assinar a confiss\u00e3o. Nela, a escritora e hero\u00edna escreveu t\u00e3o s\u00f3 sete caracteres:<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p8\" style=\"text-align: center;\">\u79cb\u98a8\u79cb\u96e8\u79cb\u715e\u4eba<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: center;\"><i>Outono ventoso, outono chuvoso,<br \/>\n<\/i><i>outono fat\u00eddico<br \/>\n<\/i><i>sobre mim se derrama<\/i><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s5\">As obras de Qiu Jin oferecem uma vis\u00e3o sumamente reveladora do seu sonho e ideal em resposta ao per\u00edodo hist\u00f3rico conturbado em que vivia. S\u00e3o conhecidos cerca de 13 trabalhos, entre colec\u00e7\u00f5es de poemas, ensaios e romances produzidos. &#8220;Sentimentos&#8221; e &#8220;Hora fremente&#8221; (em chin\u00eas cl\u00e1ssico) foram compostos durante uma viagem ao Jap\u00e3o, onde encetaria ac\u00e7\u00f5es de consciencializa\u00e7\u00e3o das jovens estudantes chineses a aderirem ao movimento feminista. Not\u00f3rio \u00e9 o estilo da<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>escrita, cultivando ainda uma poesia muito atrelada \u00e0 forma de poetizar dos antigos, n\u00e3o dispensando, por exemplo, de evocar exemplos da antiga hist\u00f3ria an\u00e1logos \u00e0 situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do seu tempo. De resto, pode-se ler nos poemas a m\u00e1goa pela p\u00e1tria decadente, sem esconder um certo o sentimento de culpa de n\u00e3o ter contribu\u00eddo mais para a causa revolucion\u00e1ria. <\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p8\" style=\"text-align: center;\">\u6709\u6000<br \/>\n\u65e5\u6708\u65e0\u5149\u5929\u5730\u660f \u6c89\u6c89\u5973\u754c\u6709\u8c01\u63f4\uff1f<br \/>\n\u9497\u73af\u5178\u8d28\u6d6e\u6ca7\u6d77 \u9aa8\u8089\u5206\u79bb\u51fa\u7389\u95e8<br \/>\n\u653e\u8db3\u6e54\u9664\u5343\u8f7d\u6bd2 \u70ed\u5fc3\u5524\u8d77\u767e\u82b1\u9b42<br \/>\n\u53ef\u601c\u4e00\u5e45\u9c9b\u7ee1\u5e15 \u534a\u662f\u8840\u75d5\u534a\u6cea\u75d5<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: center;\"><i><b>SENTIMENTOS<br \/>\n<\/b><\/i><i>Sol e lua sem luz,<br \/>\n<\/i><i>c\u00e9u e terra em densas trevas<br \/>\n<\/i><i>quem deste abismo ajudar\u00e1<br \/>\n<\/i><i>a mulher a levantar-se?<br \/>\n<\/i><i>Empenhei as minhas j\u00f3ias<br \/>\n<\/i><i>para atravessar o mar,<br \/>\n<\/i><i>apartada da fam\u00edlia,<br \/>\n<\/i><i>sigo pela Porta de Jade.<br \/>\n<\/i><i>Meus p\u00e9s de mil venenos desenfaixo<br \/>\n<\/i><i>e a alma das mulheres clama,<br \/>\n<\/i><i>flores brancas em bot\u00e3o.<br \/>\n<\/i><i>D\u00f3i-me este pobre len\u00e7o de seda fina,<br \/>\n<\/i><i>metade de sangue manchado,<br \/>\n<\/i><i>metade em l\u00e1grimas ensopado.<\/i><\/p>\n<p class=\"p8\" style=\"text-align: center;\">\u611f\u65f6<\/p>\n<p class=\"p8\" style=\"text-align: center;\">\u83bd\u83bd\u795e\u5dde\u53f9\u9646\u6c89\uff0c\u6551\u65f6\u65e0\u8ba1\u6127\u5077\u751f\u3002<br \/>\n\u640f\u6c99\u6709\u613f\u5174\u4ea1\u695a\uff0c\u535a\u6d6a\u65e0\u690e\u51fb\u66b4\u79e6\u3002<br \/>\n\u56fd\u7834\u65b9\u77e5\u4eba\u79cd\u8d31\uff0c\u4e49\u9ad8\u4e0d\u788d\u5ba2\u56ca\u8d2b\u3002<br \/>\n\u7ecf\u8425\u6068\u672a\u916c\u540c\u5fd7\uff0c\u628a\u5251\u60b2\u6b4c\u6d95\u6cea\u6a2a\uff01<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: center;\"><b><i>A HORA FREMENTE<br \/>\n<\/i><\/b><i>A p\u00e1tria submersa no lamento verde<br \/>\n<\/i><i>de infindos prados<br \/>\n<\/i><i>e como pesa nada ter para salvar o pa\u00eds.<br \/>\n<\/i><i>Em gr\u00e3os esparsos de areia desfez-se<br \/>\n<\/i><i>o reino de Chu,<br \/>\n<\/i><i>as armas de Bu\u00f3 Lang surpreenderam<br \/>\n<\/i><i>o reino de Qin.<br \/>\n<\/i><i>P\u00e1tria e povo destro\u00e7ados,<br \/>\n<\/i><span class=\"s1\"><i>ainda assim se erguer\u00e3o desta infausta pobreza.<br \/>\n<\/i><\/span><i>Deploro o esfor\u00e7o v\u00e3o dos meus camaradas,<br \/>\n<\/i><i>entoo a can\u00e7\u00e3o triste das espadas<br \/>\n<\/i><i>e das l\u00e1grimas.<\/i><i><\/i><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil perceber quanto esta poetisa da revolta ansiava definir-se pela masculinidade e com ela contribuir vivamente \u00e0 causa revolucion\u00e1ria. Aprendeu as artes de cavalgar e espada, n\u00e3o raras vezes surpreendendo vestida \u00e0 rapaz nas actividades clandestinas, depois de aos 18 anos o pai lhe ter arranjado um casamento e em v\u00e3o tentado faz\u00ea-la uma dama, enlace que, por\u00e9m, n\u00e3o acabaria bem. Os n\u00e9scios, desde logo o pr\u00f3prio marido, n\u00e3o entendem a ess\u00eancia da sua personalidade, dir\u00e1 mais tarde num poema. Se a heroicidade cumpre por regra um trajecto, o in\u00edcio do seu envolvimento na liberta\u00e7\u00e3o da p\u00e1tria aconteceu numa das idas \u00e0 capital, onde o movimento revolucion\u00e1rio em curso lhe tomou a alma. A compreens\u00e3o que teve do estado do pa\u00eds prop\u00f4s-lhe novas ideias, levando-a ent\u00e3o a tomar a decis\u00e3o de empenhar-se no movimento de salva\u00e7\u00e3o nacional e de liberta\u00e7\u00e3o da classe feminina. <\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p8\" style=\"text-align: center;\">\u6eff\u6c5f\u7d05 &#8211; \u5c0f\u4f4f\u4eac\u83ef<br \/>\n\u5c0f\u4f4f\u4eac\u83ef \u65e9\u53c8\u662f\u4e2d\u79cb\u4f73\u7bc0<br \/>\n\u7232\u7c6c\u4e0b\u9ec3\u82b1\u958b\u904d \u79cb\u5bb9\u5982\u62ed<br \/>\n\u56db\u9762\u6b4c\u6b98\u7d42\u7834\u695a \u516b\u5e74\u98a8\u5473\u5f92\u601d\u6d59<br \/>\n\u82e6\u5c07\u5102 \u5f37\u6d3e\u4f5c\u86fe\u7709 \u6b8a\u672a\u5c51<br \/>\n\u8eab\u4e0d\u5f97 \u7537\u5152\u5217 \u5fc3\u537b\u6bd4 \u7537\u5152\u70c8<br \/>\n\u7b97\u5e73\u751f\u809d\u81bd \u56e0\u4eba\u5e38\u71b1<br \/>\n\u4fd7\u5b50\u80f8\u895f\u8ab0\u8b58\u6211\uff1f<br \/>\n\u82f1\u96c4\u672b\u8def\u7576\u78e8\u6298 \u83bd\u7d05\u5875 \u4f55\u8655\u8993\u77e5\u97f3\uff1f<br \/>\n\u9752\u886b\u6ebc<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: center;\"><b><i>O RIO CORRE VERMELHO<br \/>\n<\/i><\/b><b><i>uma curta estadia na capital<br \/>\n<\/i><\/b>E<i>stou na capital faz poucos dias,<br \/>\n<\/i><i>o festival da Lua j\u00e1 espreita.<br \/>\n<\/i><i>Flores nas cercas mostram-se amarelas,<br \/>\n<\/i><i>purgam de impurezas o outono<br \/>\n<\/i><i>Baladas de guerra ventam das quatro direc\u00e7\u00f5es<br \/>\n<\/i><i>enquanto me liberto do cerco dos inimigos.<br \/>\n<\/i><i>O sabor desta solid\u00e3o de oito anos<br \/>\n<\/i><i>traz-me saudade dos aromas da minha terra.<br \/>\n<\/i><span class=\"s1\"><i>For\u00e7aram-me a que donzela nobre me tornasse,<br \/>\n<\/i><i><\/i><\/span><i>mas neste corpo de mulher,<br \/>\n<\/i><i>sem poder perfilar com os homens,<br \/>\n<\/i><i>bate um cora\u00e7\u00e3o masculino<br \/>\n<\/i><i>da ala dos que n\u00e3o se vergam,<br \/>\n<\/i><i>mescla de alma e cora\u00e7\u00e3o<br \/>\n<\/i><i>por causas alheias ardia.<br \/>\n<\/i><i>Hoje os n\u00e9scios estranham<br \/>\n<\/i><i>o esp\u00edrito da minha ess\u00eancia.<br \/>\n<\/i><i>Os her\u00f3is passam por prova\u00e7\u00f5es<br \/>\n<\/i><i>at\u00e9 ao fim do seu caminho<br \/>\n<\/i><i>Imensid\u00e3o, mundo de p\u00f3,<br \/>\n<\/i><i>onde encontrarei uma alma g\u00e9mea?<br \/>\n<\/i><i>Pela minha veste deslizam l\u00e1grimas <\/i><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s5\">A mesma m\u00e1goa perante duas realidades: os problemas da na\u00e7\u00e3o e a saudade pela fam\u00edlia, expressos neste desabafo a uma amiga em poema que, por\u00e9m, transparece a pretens\u00e3o da autora querer contornar a inquieta\u00e7\u00e3o da alma, levando-a a compor em pusam\u00e1n, uma vers\u00e3o vistosa usada em c\u00e2nticos para dan\u00e7as da dinastia Tang, entoados por bailarinas da corte. Percebe-se a musicalidade da letra pusam\u00e1n, que n\u00e3o \u00e9 traduz\u00edvel, mas a m\u00e9trica s\u00e3o obrigatoriamente os versos pentass\u00edlabos e heptassil\u00e1bicos. <\/span><\/p>\n<p class=\"p8\" style=\"text-align: center;\">\u83e9\u85a9\u883b &#8211;<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>\u5bc4\u5973\u4f34<br \/>\n\u5bd2\u98ce\u6599\u5ced\u4fb5\u7a97\u6237<br \/>\n\u5782\u5e18\u61d2\u5411\u56de\u5eca\u6b65<br \/>\n\u6708\u8272\u5165\u9ad8\u697c<br \/>\n\u76f8\u601d\u4e24\u5904\u6101\u3002<br \/>\n\u65e0\u8fb9\u5bb6\u56fd\u4e8b<br \/>\n\u5e76\u5165\u53cc\u86fe\u7fe0<br \/>\n\u82e5\u9047\u65e9\u6885\u5f00<br \/>\n\u4e00\u679d\u5e94\u5bc4\u6765!<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: center;\"><b><i>Mensagem para uma amiga<br \/>\n<\/i><\/b><b><i>poema em vers\u00e3o <\/i><\/b><b>pusam\u00e1n<br \/>\n<\/b><b><\/b><i>Ventos frios, janelas trespassadas,<br \/>\n<\/i><i>divago pela casa, as cortinas bem fechadas.<br \/>\n<\/i><i>De novo o luar ensopa este alto pavilh\u00e3o,<br \/>\n<\/i><i>e invade de tristeza meu saudoso cora\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<\/i><i>No pa\u00eds todos os dias problemas redobrados,<br \/>\n<\/i><span class=\"s1\"><i>duas mulheres atentas, os sobrolhos arqueados.<br \/>\n<\/i><\/span><i>Se ameixeiras em flor, vires mais cedo este ano,<br \/>\n<\/i><i>pensa em mim e por favor: Manda um ramo!<\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>___<\/p>\n<p class=\"p2\"><b>Notas<\/b><\/p>\n<ul>\n<li class=\"p4\">1. Porta de Jade &#8211; antigo posto de vigia na Grande Muralha que dava acesso \u00e0s regi\u00f5es do nordeste.<\/li>\n<li class=\"p4\">2. Panos dos p\u00e9s \u2013 a nefasta tradi\u00e7\u00e3o de as mulheres enfaixarem os p\u00e9s com panos apertados para preservar a eleg\u00e2ncia feminina.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 \u00a0<\/span><\/li>\n<li class=\"p4\">3. Os &#8220;gr\u00e3os esparsos da areia&#8221;, a desagrega\u00e7\u00e3o que levou o Reino de Chu a sucumbir no ano 223 a.C.<\/li>\n<li class=\"p4\">4. Bu\u00f3 Lang, a actual prov\u00edncia de Henan onde Qing Shihuang, o unificador do imp\u00e9rio, foi surpreendido por um ex\u00e9rcito bem armado. A analogia que a poeta faz nestes dois epis\u00f3dios da antiga hist\u00f3ria com a aus\u00eancia de unidade nacional da China do s\u00e9culo XIX, feita prisioneira por na\u00e7\u00f5es estrangeiras manifestamente mais poderosas.<\/li>\n<li class=\"p4\">5. \u00abO rio corre vermelho\u00bb \u00e9 um t\u00edtulo comum a v\u00e1rias express\u00f5es art\u00edsticas sobretudo em poesia \u00e9pica.<\/li>\n<li class=\"p4\">6. As baladas \u2013 referem-se aos conflitos pelo poder entre os reinos de Chu e Han (s\u00e9c. III a.C.). Durante o cerco, as tropas de Han entoavam baladas prenunciando a queda do Reino de Chu.<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] Foi um s\u00e9culo de humilha\u00e7\u00e3o, bullying e de domina\u00e7\u00e3o agressiva do Imp\u00e9rio do Meio por pot\u00eancias estrangeiras, a partir de 1840 at\u00e9 \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o, em 1945, do \u00faltimo reduto no nordeste de Shangdong ocupado por japoneses e alem\u00e3es. Um per\u00edodo de vexames na hist\u00f3ria da China, marcado pelos conflitos armados sino-brti\u00e2nicos por causa do&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":909,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-908","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-literatura"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/52-qiu-jin4.png","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/908","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=908"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/908\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":910,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/908\/revisions\/910"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/909"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=908"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=908"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=908"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}