{"id":920,"date":"2025-10-18T00:57:31","date_gmt":"2025-10-17T16:57:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.viadomeio.com\/?p=920"},"modified":"2025-10-18T01:00:00","modified_gmt":"2025-10-17T17:00:00","slug":"a-arquitectura-tradicional-na-china","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/10\/18\/a-arquitectura-tradicional-na-china\/","title":{"rendered":"A Arquitectura Tradicional na China"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>Introdu\u00e7\u00e3o<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\">O <span class=\"s1\">in\u00edcio<\/span> da hist\u00f3ria da arquitectura chinesa remonta ao Neol\u00edtico, como o comprovam documentos escritos que datam de 2000 a.C., al\u00e9m da descoberta de vest\u00edgios de constru\u00e7\u00f5es na bacia dos rios Huanghe (Rio Amarelo) e Changjiang (Rio Iansequi\u00e3o). Tratava-se de \u00e1reas onde a pedra para constru\u00e7\u00e3o escasseava mas onde a madeira abundava. A madeira \u00e9 f\u00e1cil de transportar, de trabalhar e de gravar. S\u00f3 a partir do s\u00e9c. XV d. C. \u00e9 que se viria a substituir a madeira por muros s\u00f3lidos de cantaria nos edif\u00edcios mais representativos, como sucede com a Cidade Proibida, em Pequim. Todavia, dado que a madeira \u00e9 um material perec\u00edvel, apenas um n\u00famero diminuto de edif\u00edcios constru\u00eddos na China na \u00e9poca anterior \u00e0 dinastia Ming (1368-1644 d.C.) permaneceram intactos at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p class=\"p5\">Tradicionalmente, n\u00e3o se considerava a arquitectura uma arte maior como as que estavam associadas ao pincel: pintura, caligrafia, literatura. A arquitectura tendia a obedecer a padr\u00f5es determinados, que eram relativamente simples e permaneceram praticamente inalterados durante mais de quatro mil anos. Com efeito, encontra-se o mesmo sistema de constru\u00e7\u00e3o em toda a vasta \u00e1rea de influ\u00eancia cultural chinesa, do Xinjiang ao Jap\u00e3o, da Manch\u00faria ao norte do Vietname.<\/p>\n<p class=\"p5\">As caracter\u00edsticas b\u00e1sicas deste sistema, ainda hoje utilizado, consistem numa plataforma elevada que serve de base a uma estrutura cujo esqueleto s\u00e3o colunas de madeira (<span class=\"s2\">\u67f1\u5b50<\/span>, <i>zhuzi<\/i>) espa\u00e7adas regularmente e vigas transversais horizontais (<span class=\"s2\">\u6a2a\u6881<\/span> <i>hengliang<\/i>) que, por sua vez, suportam um telhado inclinado com beirais salientes. Este esqueleto oferece uma liberdade total no que toca a paredes e fenestra\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, atrav\u00e9s de um simples ajuste da propor\u00e7\u00e3o entre paredes e aberturas, permite construir casas pr\u00e1ticas e confort\u00e1veis em qualquer clima. Os chineses conseguiram conceber, portanto, uma arquitectura que n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 muito bela, como extremamente eficaz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>A literatura<\/b><\/h3>\n<p class=\"p5\">O primeiro documento directamente relacionado com a arquitectura que se conhece na China \u00e9 muito breve e intitula-se <i>Yingshanling<\/i> <span class=\"s2\">\u8425\u7f2e\u4ee4<\/span>, <i>Regras para constru\u00e7\u00e3o e repara\u00e7\u00e3o<\/i>. Data de cerca do ano 700 d.C., na dinastia Tang (618-907). Entre outras mat\u00e9rias, fornece informa\u00e7\u00e3o acerca da rela\u00e7\u00e3o entre a arquitectura e a estratifica\u00e7\u00e3o social. O <i>Mujing<\/i><span class=\"s2\">\u6728\u7ecf<\/span>, <i>O Cl\u00e1ssico da Madeira<\/i>, foi escrito na segunda metade do s\u00e9c. X por Yu Hao, um arquitecto famoso pela constru\u00e7\u00e3o de pagodes. \u00c9 o manual de carpintaria mais antigo que se conservou at\u00e9 hoje. Debru\u00e7a-se j\u00e1 sobre a concep\u00e7\u00e3o chinesa de uma arquitectura por m\u00f3dulos.<\/p>\n<p class=\"p5\">A obra mais importante no que \u00e0 arquitectura diz respeito \u00e9 o manual oficial de constru\u00e7\u00e3o de edif\u00edcios, o <i>Yingzao fashi <\/i><span class=\"s2\">\u71df\u9020\u6cd5\u5f0f<\/span>, <i>Normas de Constru\u00e7\u00e3o<\/i>. Profusamente ilustrado, foi compilado por Li Jie, superintendente de constru\u00e7\u00e3o da corte do Imperador Huizong que governou de 1101 a 1125, na dinastia Song (960-1279). Foi uma encomenda do imperador Shenzong de cerca de 1071-1074.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Com a publica\u00e7\u00e3o do <i>Yingzao fashi, <\/i>o governo pretendia controlar melhor os gastos do Minist\u00e9rio da Constru\u00e7\u00e3o ao fornecer aos arquitectos, construtores e mestres carpinteiros as ferramentas para exercer um controle preciso sobre o processo de constru\u00e7\u00e3o do conjunto de obras p\u00fablicas. Sob a forma de textos, ilustra\u00e7\u00f5es, esquemas, tabelas e f\u00f3rmulas, o <i>Yingzao fashi<\/i> fornece instru\u00e7\u00f5es para a constru\u00e7\u00e3o padronizada de edif\u00edcios caracter\u00edstica da tradi\u00e7\u00e3o arquitect\u00f3nica chinesa. Li Jie demorou quase trinta anos a redigi-lo, concluindo-o em 1103, o que implicou ainda o governo de mais dois imperadores.<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s3\">O <i>Yingzao fashi <\/i>foi amplamente divulgado por todo o imp\u00e9rio. A reimpress\u00e3o definitiva remonta a 1145. Em 1925, como resultado de d\u00e9cadas de trabalho de um grupo de investigadores chineses, japoneses e ocidentais, foi dada \u00e0 estampa uma edi\u00e7\u00e3o sumptuosa em papel de arroz. Consiste em oito volumes e segue o mais fielmente poss\u00edvel a obra original, desenhando de raiz na forma e na cor algumas ilustra\u00e7\u00f5es em mau estado de conserva\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">O <i>Yingzao fashi<\/i> conta com trinta e quatro cap\u00edtulos, treze dos quais se debru\u00e7am sobre as regras para o projecto de funda\u00e7\u00f5es, fortifica\u00e7\u00f5es, alvenaria e talha ornamental, \u201cgrande carpintaria\u201d (esquadrias estruturais, colunas, vigas, lint\u00e9is, suportes, ter\u00e7as, caibros, etc.) , \u201ccarpintarias menores\u201d (portas, janelas, divis\u00f3rias, biombos, tectos, orat\u00f3rios, etc.), alvenarias de tijolo e telhas (classifica\u00e7\u00e3o oficial e utiliza\u00e7\u00e3o de telhas e ornamentos) e pintura de decora\u00e7\u00e3o (classifica\u00e7\u00e3o oficial e desenho de pintura ornamental). Oferece ainda defini\u00e7\u00f5es de termos e dados para a estimativa da quantidade de materiais e de m\u00e3o-de-obra necess\u00e1rios para um determinado projecto de constru\u00e7\u00e3o. Existia uma hierarquia r\u00edgida no que dizia respeito aos materiais utilizados, assim como aos componentes estruturais de madeira e ao grau de complexidade com que eram montados. Esses componentes s\u00e3o descritos ao pormenor e Li Jie avan\u00e7a ainda com a estimativa do custo do fornecimento e da constru\u00e7\u00e3o. Os \u00faltimos quatro cap\u00edtulos apresentam ilustra\u00e7\u00f5es de v\u00e1rios tipos de projectos de carpintaria, cantaria e pintura ornamental.<\/p>\n<p class=\"p5\">Segue-se-lhe em import\u00e2ncia o <i>Gongcheng zuofa zeli <\/i><span class=\"s2\">\u6e05\u5f0f\u5de5\u7a0b\u5219\u4f8b<\/span>, <i>Regulamentos Estruturais da dinastia Qing<\/i> (1644-1912), redigido pelo pr\u00edncipe Yunli e publicado em 1734 pelo Minist\u00e9rio da Constru\u00e7\u00e3o. Conta com setenta e um cap\u00edtulos. Os primeiros vinte e sete dedicam-se \u00e0s regras para a constru\u00e7\u00e3o de vinte e sete tipos de edif\u00edcios (sal\u00f5es, port\u00f5es da cidade, resid\u00eancias, celeiros e pavilh\u00f5es\u2026). Enquanto o <i>Yingzao fashi<\/i> informa acerca das regras gerais e das propor\u00e7\u00f5es para o c\u00e1lculo de um projecto, o <i>Gongcheng zuofa zeli<\/i> especifica o tamanho de cada componente estrutural para cada tipo de edif\u00edcio. Os treze cap\u00edtulos seguintes especificam as dimens\u00f5es de cada tipo de <span class=\"s2\">\u6597\u62f1 <\/span><i>dougong<\/i> (as m\u00edsulas chinesas que sustentam o telhado e os beirais; ver abaixo) e a respectiva sequ\u00eancia de montagem. Outros sete cap\u00edtulos tratam de portas, janelas, divis\u00f3rias, telas e alvenaria de pedra, tijolo e terra. Os \u00faltimos vinte e quatro cap\u00edtulos enumeram as regras para a estimativa de materiais e de m\u00e3o de obra.<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s3\">O <i>Qing gongcheng zuofa zeli<\/i> <\/span><span class=\"s4\">\u6e05\u5de5\u7a0b\u505a\u6cd5\u5219\u4f8b<\/span><span class=\"s3\">,<\/span> <span class=\"s3\"><i>Regulamentos para Constru\u00e7\u00e3o dos Qing,<\/i><\/span> <span class=\"s3\">\u00e9 um manual de engenharia que explica as t\u00e9cnicas de constru\u00e7\u00e3o e as regras do projecto estrutural. Ao contr\u00e1rio do que sucede no <i>Yingzao fashi<\/i>, todas as dimens\u00f5es surgem expressas em unidades m\u00e9tricas precisas e n\u00e3o em unidades-padr\u00e3o, como era apan\u00e1gio da dinastia Song (960-1279), mas ao que parece n\u00e3o para os construtores da dinastia Qing (1644-1911).<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s3\">Muito mais recente \u00e9 o <i>Qing shi yingzao zeli &#8211; Yingzao suanli<\/i> <\/span><span class=\"s4\">\u6e05\u5f0f\u8425\u9020\u5219\u4f8b<\/span> <span class=\"s3\"><i>&#8211;<\/i> <\/span><span class=\"s4\">\u8425\u9020\u7b97\u4f8b<\/span><span class=\"s3\">, <i>Regulamentos de constru\u00e7\u00e3o da dinastia Qing. Exemplos de constru\u00e7\u00f5es<\/i>, publicado em 1934 pelo arquitecto e o historiador Liang Si Cheng. Trata-se de dois volumes com fotografias, diagramas acerca da evolu\u00e7\u00e3o dos <i>dougong<\/i>, tabelas com as dimens\u00f5es dos v\u00e1rios componentes, plantas de diferentes edif\u00edcios, esquemas de constru\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios tipos de telhados com inclina\u00e7\u00e3o vari\u00e1vel, de vigas e colunas, etc.<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s6\">As representa\u00e7\u00f5es gr\u00e1ficas do Ocidente costumam ter por base planos e perspectivas, mas todos estes manuais recorrem sobretudo a desenhos t\u00e9cnicos de sec\u00e7\u00f5es ou projec\u00e7\u00f5es axonom\u00e9tricas. Tal acontece porque, na arquitectura chinesa, a sec\u00e7\u00e3o transversal \u00e9 fundamental na concep\u00e7\u00e3o da estrutura em caixilharia de madeira, que varia conforme o tipo de edif\u00edcio. \u00c9 ela que suporta o peso dos edif\u00edcios e \u00e9 ela que mant\u00e9m a propor\u00e7\u00e3o dos elementos verticais e horizontais principais, que se v\u00e3o repetindo em s\u00e9ries no comprimento ou na altura.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>Um sistema modular<\/b><\/h3>\n<p class=\"p5\">A no\u00e7\u00e3o de \u201cm\u00f3dulo\u201d foi essencial na hist\u00f3ria da produ\u00e7\u00e3o de todo o tipo de arte e de manufactura em massa da China. A arquitectura n\u00e3o se desviou desse caminho. Como se partia de um sistema modular, utilizava-se a mesma estrutura arquitect\u00f3nica para uma casa privada, um pal\u00e1cio e um templo. Os edif\u00edcios resultavam da repeti\u00e7\u00e3o de um certo n\u00famero de unidades que podiam ser acrescentadas ou retiradas, como se conclui pela grelha regular de colunas e traves. Dependendo da import\u00e2ncia do edif\u00edcio, variava-se nos materiais empregados, na decora\u00e7\u00e3o e, sobretudo, no tamanho. Para se conseguir complexos de maiores dimens\u00f5es, aumentava-se o tamanho das paredes ao adicionar um v\u00e3o ou acrescentavam-se pavilh\u00f5es uns atr\u00e1s uns dos outros. Os edif\u00edcios apresentam em geral um tra\u00e7ado plano simples e regular, com simetria axial e perfil de forma predominantemente quadrangular. A planta quadrada fazia refer\u00eancia \u00e0 terra em contraposi\u00e7\u00e3o ao c\u00edrculo que fazia refer\u00eancia ao c\u00e9u.<\/p>\n<p class=\"p5\">As casas privadas nas cidades imperiais resultavam, portanto, da interliga\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios m\u00f3dulos, ou seja, eram sucess\u00f5es de casas mono-familiares dispostas em torno de um p\u00e1tio central, no interior de um complexo murado articulado atrav\u00e9s de jardins. Pal\u00e1cios e templos seguiam a mesma f\u00f3rmula. Os v\u00e1rios edif\u00edcios principais dos complexos dos templos eram colocados numa plataforma elevada com um metro ou mais de altura. Os edif\u00edcios subsidi\u00e1rios ficavam dispostos simetricamente em torno dos edif\u00edcios principais. Estes podiam ter mais de um andar, o que geralmente n\u00e3o acontece na arquitectura chinesa.<\/p>\n<p class=\"p5\">De acordo com o n\u00edvel de import\u00e2ncia e com a caracter\u00edstica estrutural do edif\u00edcio, procedia-se \u00e0 escolha de uma dimens\u00e3o particular. Segundo o manual oficial de constru\u00e7\u00e3o de edif\u00edcios, o acima mencionado Yingzao fashi, havia oito valores diferentes de acordo com o tamanho do m\u00f3dulo cai, o mais preciso para medir elementos de arquitectura por compara\u00e7\u00e3o com outros m\u00f3dulos utilizados em manuais anteriores, como o Mujing. As dimens\u00f5es do m\u00f3dulo cai s\u00e3o expressas em m\u00faltiplos da unidade de medida fen (aproximadamente 33,33 mm), ou seja, um d\u00e9cimo da polegada chinesa (cun). Quando o m\u00f3dulo cai (10 fen de largura e 15 fen de altura) se combina com o m\u00f3dulo zu (4 fen de largura e 6 fen de altura) acima dele, obt\u00e9m-se o zu cai (21 fen de altura), que significa \u201cmaterial completo\u201d e representa um conjunto de medi\u00e7\u00e3o usado para dimensionar a sec\u00e7\u00e3o da viga.<\/p>\n<p class=\"p5\">At\u00e9 1734, ano em que o Qing gongcheng zuofa zeli (Regulamentos para Constru\u00e7\u00e3o dos Qing) foi publicado, para dar conta das dimens\u00f5es de componentes, todos os manuais de constru\u00e7\u00e3o recorriam, n\u00e3o a medi\u00e7\u00f5es m\u00e9tricas precisas, mas a nota\u00e7\u00f5es proporcionais em termos de m\u00faltiplos e subm\u00faltiplos do m\u00f3dulo cai.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 \u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">O tamanho e a forma das vigas variavam de acordo com a fun\u00e7\u00e3o e a posi\u00e7\u00e3o, mas a propor\u00e7\u00e3o de 3:2 entre a altura e a largura permanecia inalterada. As vigas por baixo do tecto podiam ser rectas ou ligeiramente arqueadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>As colunas<\/b><\/h3>\n<p class=\"p5\">A arquitectura tradicional recorria apenas a materiais naturais: pedra ou tijolos para as funda\u00e7\u00f5es, madeira (cedro, abeto, pinheiro) para a estrutura de suporte de carga, tijolos de barro ou terracota para o preenchimento e telhas de cer\u00e2mica para a cobertura do telhado. O g\u00e9nio da arquitectura chinesa residia na manipula\u00e7\u00e3o de componentes de madeira. Carpinteiros munidos de ferramentas manuais trabalhavam nas componentes de madeira de acordo com as dimens\u00f5es e os procedimentos padronizados e montavam-nos sem o aux\u00edlio de pregos. Aplicavam antes sistemas de encaixe e espiga (<span class=\"s2\">\u69ab\u536f<\/span>sun mao e <span class=\"s2\">\u536f\u773c<\/span>mao yan), dos quais se conhecem mais de quatrocentos tipos diferentes.<\/p>\n<p class=\"p5\">A estrutura principal de madeira erguia-se sobre plataformas, primeiro de terra batida, posteriormente de tijolo, pedra e m\u00e1rmore. Ao inv\u00e9s do que sucedeu no mundo ocidental, s\u00f3 se usavam as paredes como suporte de peso em edif\u00edcios que n\u00e3o eram feitos de madeira, como pontes, t\u00famulos subterr\u00e2neos, arquivos e bibliotecas, ou seja, onde era necess\u00e1rio garantir a protec\u00e7\u00e3o contra a humidade e o fogo. Nos demais edif\u00edcios, as paredes eram ligeiras e sem fun\u00e7\u00f5es de sustenta\u00e7\u00e3o, apoiando-se em colunas. O espa\u00e7o entre as colunas chamava-se<span class=\"s2\">\u95f4<\/span>jian e converteu-se numa medida, representando as unidades padr\u00e3o de espa\u00e7o para habitar. Um jian refere um compartimento de planta quadrangular, definido por quatro colunas posicionadas nos v\u00e9rtices e ligadas entre si por um sistema de vigas transversais e ter\u00e7as longitudinais, com uma sec\u00e7\u00e3o transversal quadrada e circular, respectivamente. O n\u00famero de jian era sempre \u00edmpar.<\/p>\n<p class=\"p5\">As colunas eram cobertas com dois a tr\u00eas cent\u00edmetros de uma mistura de argila, cola de arroz, c\u00e2nhamo e sangue de vaca que, por sua vez, era coberta com uma camada de verniz para lhes conferir uma cor vermelha e as tornar imperme\u00e1veis. Tinham sempre uma sec\u00e7\u00e3o circular que afilava em direc\u00e7\u00e3o ao topo e apoiavam-se em suportes de pedra ou de bronze enterrados no ch\u00e3o ou na pr\u00f3pria plataforma para evitar assim o seu apodrecimento devido ao contacto com a terra. Trata-se de um apoio simples destitu\u00eddo de uma restri\u00e7\u00e3o de intertravamento que age como um \u201camortecedor de ondas\u201d. \u00c9 prov\u00e1vel que os chineses antigos j\u00e1 tivessem conhecimento de que uma estrutura suscept\u00edvel de deslocamentos m\u00ednimos resiste melhor aos tremores de terra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b><i>Dougong, huagong <\/i><\/b><b>e<\/b><b><i> ang<\/i><\/b><b><i><\/i><\/b><\/h3>\n<p class=\"p5\">As vigas eram unidas entre si por juntas secas e eram unidas \u00e0s colunas por um sistema de suporte chamado <i>dougong<\/i>, considerado a caracter\u00edstica mais not\u00e1vel da arquitectura chinesa pela sua complexidade geom\u00e9trica, valor decorativo e contribui\u00e7\u00e3o para a elasticidade dos edif\u00edcios em caso de ocorr\u00eancia s\u00edsmica. Um <i>dougong<\/i> \u00e9 composto por suportes de ancoragem de madeira que s\u00e3o colocados entre o topo da coluna e a viga principal, ou em cima de uma viga, para suportar a sali\u00eancia do telhado, formando assim uma esp\u00e9cie de estribo de sustenta\u00e7\u00e3o em madeira.<\/p>\n<p class=\"p5\">O dou \u00e9 um bloco quadrado de madeira que se apoia directamente no topo da coluna e se colca entre dois gong. Os gong s\u00e3o dois ou mais bra\u00e7os interligados dispostos em camadas que se cruzam em \u00e2ngulos rectos entre si estendendo-se nas quatro direc\u00e7\u00f5es e que se apoiam no dou, de modo a contribuir para a distribui\u00e7\u00e3o do peso entre as vigas e as colunas. As colunas, portanto, n\u00e3o apresentam capitel no topo sendo antes rematadas por <i>dougong<\/i>. O peso dos telhados tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 suportado pelas paredes mas pelas colunas com <i>dougong<\/i> que distribuem esse peso entre si permitindo ao telhado projectar-se para l\u00e1 das paredes do edif\u00edcio.<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>De acordo com as fun\u00e7\u00f5es e o posicionamento, existem quatro tipos de dou e cinco tipos de gong. Estruturalmente, os componentes mais importantes de um conjunto s\u00e3o o ludou, ou bloco principal de suporte, e o huagong, ou bra\u00e7os que se estendem para l\u00e1 dele para formar um ang (trave encastrada, cantil\u00e9ver ou consola) \u00e0 frente e atr\u00e1s.<\/p>\n<p class=\"p5\">Os huagong podiam ser montados em camadas. Sobem em \u201csaltos\u201d (<span class=\"s2\">\u8df3<\/span>tiao), ou n\u00edveis de gong transversais, que podem variar em n\u00famero, entre um e cinco, e se estendem para o exterior em degraus para suportar o peso dos beirais salientes. A press\u00e3o externa \u00e9 contrabalan\u00e7ada por impulsos internos nas outras extremidades dos bra\u00e7os do suporte. Intersectando o huagong encontram-se os gong transversais que correm paralelos ao plano da parede. O gong transversal cruza o huagong no ludou.<\/p>\n<p class=\"p5\">O ang era outro elemento de grande engenho, uma trave encastrada inclinada em acima do huagong num \u00e2ngulo de aproximadamente trinta graus em rela\u00e7\u00e3o ao solo. O peso da viga ou da ter\u00e7a mant\u00e9m a extremidade superior do \u00e2ngulo para baixo, tornando o ang num bra\u00e7o de alavanca para suportar a grande sali\u00eancia do beiral. Eram os ang que permitiam a adi\u00e7\u00e3o de peso \u00e0 parte superior do telhado inclinado e a constru\u00e7\u00e3o de mais um andar. Gra\u00e7as \u00e0 introdu\u00e7\u00e3o dos ang, a constru\u00e7\u00e3o da moldura de viga chinesa pode assumir qualquer forma ao fazer variar a altura e a posi\u00e7\u00e3o das vigas nas quais as ter\u00e7as assentam.<\/p>\n<p class=\"p5\">As primeiras descri\u00e7\u00f5es pormenorizadas acerca dos <i>dougong<\/i> surgiram no Yingzao Fashi e, mais tarde, o Qing gongcheng zuofa zeli avan\u00e7ou com novos pormenores e especifica\u00e7\u00f5es oficiais. Todavia, depois da dinastia Song, a difus\u00e3o do sistema <i>dougong<\/i> foi diminuindo at\u00e9 \u00e0 dinastia Qing, quando passaram a servir apenas para prop\u00f3sitos de decora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p5\">O ang tamb\u00e9m sofreu desenvolvimentos. Nos s\u00e9cs. XII e XIII, havia por vezes ang \u201cfalsos\u201d, ou seja, que n\u00e3o cumpriam uma fun\u00e7\u00e3o estrutural. A percentagem de ang \u201cfalsos\u201d foi aumentando com o tempo e, na dinastia Qing, deixou de haver ang estruturais na constru\u00e7\u00e3o, embora se mantivessem como uma escolha est\u00e9tica ou formal em edif\u00edcios importantes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>O telhado<\/b><\/h3>\n<p class=\"p5\">Como se viu, <i>dougong<\/i> e ang permitiam uma grande liberdade na constru\u00e7\u00e3o de telhados, que assumem muito maior import\u00e2ncia do que nos edif\u00edcios europeus. Os suportes do telhado com estrutura de madeira s\u00e3o marcadamente flex\u00edveis, ao contr\u00e1rio das treli\u00e7as triangulares r\u00edgidas dos telhados inclinados rectos do Ocidente.<\/p>\n<p class=\"p5\">O esqueleto de madeira consistia em colunas e vigas transversais subindo em direc\u00e7\u00e3o ao cume em comprimentos decrescentes. As ter\u00e7as posicionavam-se ao longo dos ombros escalonados do esqueleto. Deste modo, bastava modificar as alturas e larguras do esqueleto para construir um telhado fosse de que tamanho fosse e com a curvatura requerida. Ao se erguerem suavemente, as bordas do telhado permitiam que a luz penetrasse no interior do edif\u00edcio apesar da ampla sali\u00eancia, al\u00e9m de drenarem melhor a \u00e1gua da chuva e desempenharem a fun\u00e7\u00e3o apotr\u00f3pica de afastar os maus esp\u00edritos. Os telhados serviam ainda para mostrar a import\u00e2ncia de um edif\u00edcio num complexo. Por vezes, tratava-se de telhados de duas \u00e1guas com pedestal mais altos e complexos, como telhados duplos de duas \u00e1guas, escalonados, com muitos elementos ornamentais.<\/p>\n<p class=\"p5\">Os telhados curvos come\u00e7aram a surgir sobretudo a partir da dinastia Tang, como sucede nos templos Nanchansi e Foguangsi, em Wutaishan, e a curva foi-se acentuando gradualmente nos cantos.<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s3\"> O telhado curvo c\u00f4ncavo permite que as telhas semicil\u00edndricas se encaixem na perfei\u00e7\u00e3o. Utilizavam-se telhas de cer\u00e2mica vidrada em amarelo para os edif\u00edcios imperiais, em verde e azul para os templos e resid\u00eancias principescas e em cinzento para as habita\u00e7\u00f5es comuns, ou mesmo feixes de junco e de palha. Inseriam-se folhas de estanho para evitar a infiltra\u00e7\u00e3o de \u00e1gua. As telhas foram-se tornando decorativas, ostentando figuras como drag\u00f5es nas extremidades e cristas dos telhados. <\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s3\">N\u00e3o h\u00e1 provas da exist\u00eancia de c\u00fapulas na arquitectura chinesa, desnecess\u00e1ria para estruturas de madeira, embora os t\u00famulos de pedra e tijolo de v\u00e1rios per\u00edodos hist\u00f3ricos apresentem portas em arco e tectos abobadados. No entanto, surge ami\u00fade no tecto dos altares de templos, dos pal\u00e1cios imperiais e dos palcos para \u00f3pera uma esp\u00e9cie de \u201cc\u00fapula\u201d afundada chamada tecto<\/span><span class=\"s4\">\u85fb\u4e95<\/span><span class=\"s3\"> zaojing ou \u201cpo\u00e7o de algas\u201d. Encontra-se no centro e directamente por cima do trono ou da est\u00e1tua principal. <\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">O <i>zaojing<\/i> era um refinamento complexo e requintado, que servia para simbolizar o valor e autoridade do espa\u00e7o onde se encontrava. Elevava-se acima do n\u00edvel do tecto atrav\u00e9s de <i>dougong<\/i>. Estes est\u00e3o expostos e criam n\u00edveis sucessivos de tamanho decrescente, formando caixot\u00f5es que podem ser hexagonais, octogonais, circulares, em camadas e cercados por uma borda quadrada. Alguns destes <i>dougong<\/i> foram ricamente esculpidos ou pintados. O centro do caixot\u00e3o tamb\u00e9m era decorado com uma escultura de grandes dimens\u00f5es ou com uma pintura em baixo-relevo cujo tema mais comum era o drag\u00e3o ou \u201cdois drag\u00f5es a perseguir uma p\u00e9rola\u201d.<\/p>\n<p class=\"p5\">Os tectos <i>zaojing<\/i> remontam aos t\u00famulos da dinastia Han, h\u00e1 2.000 anos, mas proliferaram nos templos a partir da dinastia Song e, sobretudo, nas dinastias Yuan, quando a cultura da \u00f3pera come\u00e7ou a prosperar, e Ming.<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s6\">O <i>zaojing<\/i> mais antigo que se conhece hoje ergue-se sobre a est\u00e1tua de dezasseis metros de altura da deusa Guanyin no Pavilh\u00e3o Guanyin do Mosteiro de Dule, na prov\u00edncia de Hebei. Foi constru\u00eddo em 984 d.C., na dinastia Liao. O templo Baoguo, no Zhejiang, da dinastia Song, ostenta nada menos do que tr\u00eas zaojing no tecto. Outro <i>zaojing<\/i> de renome \u00e9 o do palco da \u00f3pera do templo Niuwang, no Shanxi, de 1283. <\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s3\">O Pavilh\u00e3o Sanqing, no templo Yonglegong, tamb\u00e9m no Shanxi, conta com mais um exemplo de um zaojing da dinastia Yuan. E o edif\u00edcio principal do Pal\u00e1cio Imperial, em Pequim, o Pavilh\u00e3o Taihedian, da dinastia Ming, exibe um magn\u00edfico zaojing cuja parte central ou mais profunda \u00e9 redonda, a parte do meio \u00e9 octogonal e a parte mais externa \u00e9 quadrada. <\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">Outros <i>zaojing<\/i> c\u00e9lebres de Pequim s\u00e3o o do Pavilh\u00e3o do Perfume de Buda, no Pal\u00e1cio de Ver\u00e3o e o do Templo do C\u00e9u, ambos da dinastia Qing.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>Do Neol\u00edtico \u00e0s dinastias <\/b><b>Shang e Zhou<\/b><\/h3>\n<p class=\"p5\">Os vest\u00edgios de habita\u00e7\u00f5es escavadas em locais do per\u00edodo neol\u00edtico de Yangshao (5000-3000 a.C.) mostram que eram ami\u00fade constru\u00eddas num n\u00edvel subterr\u00e2neo. Algumas casas da aldeia de Banpo, em Shaanxi, na margem leste do Rio Amarelo, foram constru\u00eddas cerca de sessenta a setenta cent\u00edmetros abaixo da superf\u00edcie do solo. As funda\u00e7\u00f5es eram de madeira. Umas casas eram quadradas, outras rectangulares ou circulares. No interior, j\u00e1 se encontravam colunas a suportar o tecto, que \u00e9 mais imponente do que as paredes. No centro situava-se uma lareira. A entrada ficava virada para sul. Todas as casas estavam interligadas atrav\u00e9s de trincheiras.<\/p>\n<p class=\"p5\">Na dinastia Shang (do s\u00e9c. XVI ao s\u00e9c. XI a.C.), os alicerces de grandes edif\u00edcios apresentavam uma disposi\u00e7\u00e3o perim\u00e9trica de colunas e j\u00e1 se recorria aos <i>dougong<\/i>.<\/p>\n<p class=\"p5\">Na dinastia Zhou (1046 \u2013 256 a.C.),\u00a0 os edif\u00edcios j\u00e1 apresentavam a composi\u00e7\u00e3o tradicional totalmente desenvolvida, ou seja, sal\u00f5es e colunas sobre plataformas e agrupados em torno de p\u00e1tios, ou seja, o <span class=\"s2\">\u56db\u5408\u9662<\/span> <i>siheyuan<\/i>, ou \u201cp\u00e1tio de quatro pavilh\u00f5es unidos\u201d, o modelo da constru\u00e7\u00e3o no norte da China.<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s6\">Um <i>siheyuan<\/i> simples consiste num complexo murado no qual o edif\u00edcio principal (<i>dian<\/i> <\/span><span class=\"s7\">\u6bbf<\/span><span class=\"s6\">) se encontra rodeado por edif\u00edcios mais pequenos que giram em volta de um (ou mais) p\u00e1tio. A entrada principal fica sempre voltada para o sul, de acordo com os princ\u00edpios do <i>fengshui<\/i>. <\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">Quanto mais numerosa a fam\u00edlia, maior o complexo, que pode ser ampliado com facilidade com a constru\u00e7\u00e3o de mais p\u00e1tios e pavilh\u00f5es. Entrando pela porta principal depara-se com uma pequena sala destinada aos visitantes. Por tr\u00e1s surge o p\u00e1tio frontal e, em torno deste, localizam-se os quartos, o escrit\u00f3rio, o armaz\u00e9m. Quanto mais se penetra no complexo, mais privada se torna a \u00e1rea.<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s3\">Foi a partir do s\u00e9c. IX a. C. que os telhados adquiriram uma apar\u00eancia majestosa, quando se come\u00e7ou a substituir as coberturas de colmo por telhas de terracota planas ou cil\u00edndricas.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>As telhas eram mantidas no lugar de v\u00e1rias formas, por exemplo, coladas ao telhado de barro com a ajuda de sali\u00eancias semelhantes a pregos (<\/span><span class=\"s4\">\u74e6\u9876<\/span><span class=\"s3\"> <i>wading<\/i>) ou an\u00e9is (<\/span><span class=\"s4\">\u74e6 \u74b0 <\/span><span class=\"s3\"><i>wahuan<\/i>) ou encaixadas umas nas outras. Eram muitas vezes decoradas com padr\u00f5es de corda. <\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s6\">Bons exemplos da arquitectura Zhou s\u00e3o o complexo do pal\u00e1cio-templo de Fengchu, em Shaanxi e de Zhaochen, n\u00e3o longe daquele. Fengchu conta com um pavilh\u00e3o principal, dois pavilh\u00f5es mais pequenos na rectaguarda, um grande p\u00e1tio \u00e0 frente e um menor atr\u00e1s do sal\u00e3o principal e uma constru\u00e7\u00e3o \u00e0 entrada separada por um port\u00e3o. As paredes dos edif\u00edcios em Fengchu e Zhaochen ou eram de terra batida ou feitas de tijolos de terracota. Alguns edif\u00edcios tinham colunas e <i>dougong<\/i> simples que sustentavam beirais salientes, para al\u00e9m das que sustentavam o centro da constru\u00e7\u00e3o do telhado. <\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s3\">Encontrou-se jade branco esculpido nos edif\u00edcios de Zhaochen que pode ter sido usado como decora\u00e7\u00e3o das paredes. Quanto ao piso, em alguns edif\u00edcios era decorado com seixos de diferentes cores ou cascas de am\u00eaijoa em forma de discos dispostas em padr\u00f5es decorativos ou gravadas com taotie (uma criatura mitol\u00f3gica muito representada nos recipientes de bronzes da \u00e9poca) ou padr\u00f5es geom\u00e9tricos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>Dinastia Han<\/b><b><\/b><\/h3>\n<p class=\"p5\">A dinastia Han (206 a.C. &#8211; 220 d.C.) deixou um legado precioso enquanto fonte de informa\u00e7\u00e3o acerca da sua arquitectura: miniaturas em terracota de edif\u00edcios da \u00e9poca destinadas \u00e0s sepulturas, os <i>mingqi<\/i>. V\u00eaem-se exemplos de arquitectura civil e militar: casas em forma de complexo com diversas depend\u00eancias e protegidas da rua por um muro alto; edif\u00edcios agr\u00edcolas constru\u00eddos em torno de um pequeno p\u00e1tio interior, por vezes com um complexo adjacente para animais; resid\u00eancias fortificadas com numerosos aposentos repartidos por v\u00e1rios andares; torres de vigia de v\u00e1rios pisos.<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s3\"><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 \u00a0 <\/span>As casas das gentes comuns eram modestas e com telhados de colmo. A resid\u00eancias dos abastados e dos nobres e demais edif\u00edcios importantes encontravam-se dispostos em torno de um espa\u00e7o amplo, contando com numerosos p\u00e1tios separados uns dos outros por muros com aberturas. O sal\u00e3o de recep\u00e7\u00f5es no interior ficava orientado de modo que o eixo principal e a entrada se alinhassem com a abertura do port\u00e3o exterior. Ao lado do sal\u00e3o figuravam edif\u00edcios de um ou mais pisos. Ao lado dos port\u00f5es dos pal\u00e1cios e da entrada das grandes propriedades erguiam-se torres de vigia com quatro ou cinco andares. Nas dinastias Qin (21 a.C. e 206 a.C.) e Han, as paredes eram por vezes feitas de tijolos ocos, incisos com motivos geom\u00e9tricos ou zoom\u00f3rficos. O ch\u00e3o era rebocado e pintado ou pavimentado com tijolos elaborados. Os edif\u00edcios importantes ostentavam cores vivas como vermelh\u00e3o para colunas e balaustradas, amarelo para as telhas esmaltadas e verde para os sistemas complexos de <i>dougong<\/i>. A partir da dinastia Qin, a ornamenta\u00e7\u00e3o dos telhados com figuras acentuou-se at\u00e9 ao s\u00e9c. II d. C.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>Dinastia Tang <\/b><\/h3>\n<p class=\"p5\">Foi na dinastia Tang que o contorno do telhado foi assumindo cada vez mais a forma curvil\u00ednea caracter\u00edstica da China e da \u00c1sia oriental, gra\u00e7as \u00e0 introdu\u00e7\u00e3o dos ang. A arquitectura Tang de pal\u00e1cios civis e imperiais e de mosteiros budistas sobreviveu no Jap\u00e3o, em Nara, que foram constru\u00eddos \u00e0 imagem da capital dos Tang e, muito provavelmente, por arquitectos chineses. Os templos Horyuji (s\u00e9c. VII) e Kofukuji s\u00e3o uma c\u00f3pia de templos de Chang\u2019an (hoje, Xi\u2019an), a capital da dinastia Tang. Na China rareiam vest\u00edgios de edif\u00edcios constru\u00eddos antes do final da dinastia Tang, como os acima mencionados templos Nanchansi, o edif\u00edcio de madeira mais antigo da China, e o Foguansi, ambos em Wutaishan.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>Dinastia Ming<\/b><\/h3>\n<p class=\"p5\">Na dinastia Ming ergueu-se aquele que \u00e9 considerado o exemplo mais claro de arquitectura chinesa: a Cidade Proibida de Pequim. Constru\u00edda de 1407 a 1420, foi a resid\u00eancia de vinte e quatro imperadores Ming e Qing. Foi concebida como uma cidade aut\u00f3noma onde se desenrolavam as fun\u00e7\u00f5es cerimoniais, administrativas e privadas pr\u00f3prias da corte.<\/p>\n<p class=\"p5\">Este imenso complexo com os seus edif\u00edcios impressionantes dominavam a capital e assinalavam a presen\u00e7a do imperador chin\u00eas, invis\u00edvel para as gentes comuns. Como convinha aos seus habitantes, elegeram-se para o construir os materiais mais nobres: a madeira, o m\u00e1rmore, a pedra e a cer\u00e2mica vidrada. Todos os telhados dos edif\u00edcios foram cobertos com telhas de cer\u00e2mica vidrada amarelo-ocre, a cor imperial. Os telhados elevam-se ligeiramente e sobre eles se acha uma s\u00e9rie de figuras de trinta a cinquenta cent\u00edmetros que representam personagens e animais fant\u00e1sticos associados \u00e0 mitologia, como os nove filhos do drag\u00e3o (<span class=\"s2\">\u9f99\u751f\u4e5d\u5b50<\/span> <i>longshengjiuzi<\/i>).<\/p>\n<p class=\"p5\">O plano, que seguia rigorosamente os princ\u00edpios geom\u00e2nticos do <i>feng-shui<\/i> de modo a garantir governos auspiciosos, adoptou como base m\u00f3dulos de tr\u00eas unidades, refer\u00eancia \u00e0 uni\u00e3o das energias <i>yin<\/i> e <i>yang<\/i>, necess\u00e1ria para a muta\u00e7\u00e3o de todas as coisas.<\/p>\n<p class=\"p5\">O complexo divide-se em <span class=\"s2\">\u5916\u671d<\/span>, <i>waichao<\/i>, a corte exterior (a \u00e1rea p\u00fablica) e <span class=\"s2\">\u5185\u5ef7<\/span><i>neiting <\/i>ou<span class=\"s2\">\u540e\u5bab<\/span> <i>hougong<\/i>, a corte interior (a \u00e1rea privada). Quem mais poder e prest\u00edgio detinha mais podia penetrar no seu interior, a \u00e1rea muito restrita dos aposentos do imperador. Como se sabe, a arquitectura \u00e9 tamb\u00e9m um instrumento pol\u00edtico e ideol\u00f3gico e pode ser usada para expressar hierarquias sociais e distinguir dirigentes de dirigidos. Assim, n\u00e3o \u00e9 por acaso que o efeito desta arquitectura n\u00e3o se imp\u00f5e de imediato mas requer uma desloca\u00e7\u00e3o gradual de modo a ir penetrando cada vez mais no complexo.<\/p>\n<p class=\"p5\">Franqueadas as portas sul, depara-se com um espa\u00e7o aberto destinado a grandes audi\u00eancias, que precedia a corte exterior. Esta era constitu\u00edda por tr\u00eas grandes pavilh\u00f5es de car\u00e1cter cerimonial alinhados no eixo central, com a fachada principal orientada para a porta sul (zona auspiciosa) da muralha da cidade e rodeados por edif\u00edcios de menores dimens\u00f5es para uso administrativo. A fachada norte (zona pouco auspiciosa) foi tapada com um muro e uma eleva\u00e7\u00e3o de terreno, de modo a afastar os maus esp\u00edritos.<\/p>\n<p class=\"p5\">Na corte exterior, localizam-se os pavilh\u00f5es Taihedian, Zhonghedian, Baohedian e Jiaotaidian. O Taihedian, o Pavilh\u00e3o da Harmonia Suprema, \u00e9 o edif\u00edcio principal e encontra-se no centro do complexo. Tem trinta e cinco metros de altura. Trata-se do vasto sal\u00e3o de audi\u00eancias, onde tinham lugar grandes cerim\u00f3nias, como subidas ao trono e matrim\u00f3nios. A sua import\u00e2ncia \u00e9 sublinhada pela alta plataforma que o eleva acima das demais estruturas para quem o avista do sul, a direc\u00e7\u00e3o pela qual os cortes\u00e3os e os embaixadores se aproximavam. Ostenta o telhado de constru\u00e7\u00e3o mais complexa, com beiral duplo, quadril e quatro cristas inclinadas e uma horizontal.<\/p>\n<p class=\"p5\">A seguir, mais pequeno e de forma quadrada, encontra-se o Zhonghedian, o Pavilh\u00e3o da Harmonia Central, que era usado para repousar entre as v\u00e1rias cerim\u00f3nias. Mais atr\u00e1s, no Baohedian, o Pavilh\u00e3o da Preserva\u00e7\u00e3o da Harmonia, realizavam-se os banquetes e ensaiavam-se as cerim\u00f3nias. Tamb\u00e9m era ali que tinham lugar os exames imperiais finais (<span class=\"s2\">\u6bbf\u8bd5<\/span>, <i>dianshi<\/i>). No final da corte exterior, o Jiaotaidian, o Pavilh\u00e3o da Uni\u00e3o, era considerado o local onde Yin e Yang se uniam. Trata-se de um edif\u00edcio quadrado com telhado piramidal e servia para guardar a parafern\u00e1lia cerimonial.<\/p>\n<p class=\"p5\">Na corte interior, por tr\u00e1s destes pavilh\u00f5es, encontravam-se as resid\u00eancias oficiais do imperador e da imperatriz. O Qianqinggong, o Pal\u00e1cio da Pureza Celestial, exibe dois telhados e ampla colunata, o que o torna semelhante ao Taihedian. Sendo celestial, era <i>yang<\/i>, tal como os imperadores. Era a morada dos imperadores Ming. Na dinastia Qing converteu-se num santu\u00e1rio lama\u00edsta. O Jiaotaidian era o local onde se realizavam celebra\u00e7\u00f5es relacionadas com a imperatriz. O Kunninggong, o Pal\u00e1cio da Tranquilidade Terrestre, sendo terrestre, era <i>yin<\/i>, tal como as imperatrizes. Era onde viviam as imperatrizes na dinastia Ming. Na dinastia Qing, era para onde se dirigia o casal imperial depois do matrim\u00f3nio. Por tr\u00e1s destes pavilh\u00f5es encontrava-se o jardim imperial e um teatro. Havia, claro est\u00e1, muitos mais pavilh\u00f5es importantes, como o Cininggong, a morada da imperatriz-m\u00e3e.<\/p>\n<p class=\"p5\">Outro grande conjunto arquitect\u00f3nico s\u00e3o os treze t\u00famulos Ming nos arredores de Pequim. Os portais da alameda de acesso s\u00e3o tr\u00eas, n\u00famero com grande significado simb\u00f3lico, sendo o central o maior. Trata-se de estruturas com aspecto robusto. A sua arquitectura \u00e9 um desenvolvimento dos t\u00famulos de c\u00e2mara subterr\u00e2nea das dinastias Shang e Zhou. Desde a antiguidade que, na constru\u00e7\u00e3o de casas, pal\u00e1cios e templos, se utilizava a perec\u00edvel madeira, que representava a vida e o rejuvenescimento e se destinava aos vivos, enquanto na constru\u00e7\u00e3o dos t\u00famulos se utilizava a pedra, que representava a imortalidade e se destinava aos mortos e \u00e0s divindades que os acolhiam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>Dinastia Qing<\/b><\/h3>\n<p class=\"p5\">O Templo do C\u00e9u, em Pequim, da primeira metade do s\u00e9c. XVIII, \u00e9 um exemplo not\u00e1vel de arquitectura da dinastia Qing. Situa-se a sul da cidade pois, de acordo com o <i>fengshui,<\/i> trata-se de um local prop\u00edcio para a realiza\u00e7\u00e3o de oferendas.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Foi mandado construir pelo imperador Yongle em 1420-2. Foi posteriormente restaurado em 1751 pelo imperador Qianlong. O templo compreende tr\u00eas unidades arquitect\u00f3nicas principais separadas por recintos amuralhados: o Altar do C\u00e9u, a Ab\u00f3bada Celeste e o Pavilh\u00e3o das Ora\u00e7\u00f5es Anuais. Como sucede na Cidade Proibida, a entrada situa-se e sul. Ao franquear a primeira muralha est\u00e1-se perante o Altar. Este consiste numa plataforma de m\u00e1rmore ao ar livre dividida em sec\u00e7\u00f5es conc\u00eantricas em cujo centro se situava o trono do Filho do C\u00e9u. Era nesse local que o imperador realizava oferendas ao c\u00e9u e \u00e0 terra. O Altar est\u00e1 rodeado de quatro portais ou arcos cerimoniais dirigidos aos quatro pontos cardeais, os<span class=\"s2\">\u724c\u574a<\/span><i>paifang<\/i> ou <span class=\"s2\">\u724c\u697c<\/span> <i>pailou<\/i>.<\/p>\n<p class=\"p5\">Depois dos rituais de oferendas no Altar, o imperador dirigia-se \u00e0 Ab\u00f3bada Celeste onde venerava a l\u00e1pide do c\u00e9u e dos seus antepassados.<\/p>\n<p class=\"p5\">A Ab\u00f3bada Celeste encontra-se rodeada por uma muralha circular. Abre-se a\u00ed uma grande avenida ao longo da qual o imperador prosseguia para o Qiniandian<span class=\"s2\">\u7948\u5e74\u6bbf<\/span>, ou Pavilh\u00e3o das Ora\u00e7\u00f5es Anuais, o maior e mais not\u00e1vel do complexo. Tal como os outros dois, \u00e9 de planta circular. O c\u00edrculo estava simbolicamente associado ao c\u00e9u e o quadrado \u00e0 terra. Por isso, os edif\u00edcios da Cidade Proibida s\u00e3o de planta quadrada e os do Templo do C\u00e9u s\u00e3o de planta circular. Embora os materiais e o sistema de constru\u00e7\u00e3o sejam os mesmos em ambos os complexos, a cor dos telhados difere. No Templo do C\u00e9u s\u00e3o azuis, aludindo ao c\u00e9u, e na Cidade Proibida s\u00e3o amarelos, aludindo \u00e0 Terra.<\/p>\n<p class=\"p5\">No interior do Pavilh\u00e3o das Ora\u00e7\u00f5es Anuais encontram-se vinte e oito colunas que simbolizam divis\u00f5es do calend\u00e1rio. As quatro centrais simbolizam as esta\u00e7\u00f5es do ano, as doze interiores os meses do ano e as doze exteriores as divis\u00f5es do dia. O tecto \u00e9 bel\u00edssimo, um <i>zaojing<\/i> com a sua s\u00e9rie alternada de malhas estruturais octogonais e quadradas que permitem a eleva\u00e7\u00e3o do telhado inclinado. \u00c9 curioso notar que este edif\u00edcio grandioso da dinastia Qing conservou no essencial a estrutura das casas do neol\u00edtico de Banpo acima mencionadas.<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s3\">A arquitectura da dinastia manchu Qing tamb\u00e9m se esmerou na escolha de locais como vilegiatura. O exemplo mais not\u00f3rio \u00e9 o Pal\u00e1cio de Ver\u00e3o, em Pequim, resid\u00eancia estival do imperador Kangxi que foi depois ampliada por Qianlong. Alguns edif\u00edcios foram desenhados pelo jesu\u00edta Giuseppe Castiglione (1688-1766) numa vers\u00e3o estilizada do barroco italiano do s\u00e9c. XVIII. O Pal\u00e1cio de Ver\u00e3o ocupa uma \u00e1rea extens\u00edssima. Avista-se na zona mais alta uma torre octogonal, o Pavilh\u00e3o do Perfume de Buda e, ali perto, \u00e9 poss\u00edvel admirar uma obra-prima da engenharia civil, a Ponte Curvada, em arco de volta perfeita.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>Outras arquitecturas<\/b><\/h3>\n<p class=\"p5\">Al\u00e9m desta corrente principal de arquitectura, a China, geograficamente vasta e cultural e historicamente diversa, alberga muitas outras arquitecturas, quase todas elas surpreendentes. Apenas a t\u00edtulo de exemplo, referirei aqui tr\u00eas casos para terminar: as cavernas \u201cforno\u201d de <i>loess,<\/i> <span class=\"s2\">\u7a91\u6d1e<\/span><i>yaodong<\/i>, os \u201cedif\u00edcios de terra\u201d, <span class=\"s2\">\u571f\u697c<\/span><i>tulou,<\/i> e as palafitas,<span class=\"s2\">\u540a\u811a\u697c<\/span> <i>diaojiaolou<\/i>.<\/p>\n<p class=\"p5\">As cavernas de <i>loess<\/i> encontram-se por todo o norte da China, ao longo do denominado Planalto de Loess, nas prov\u00edncias de Shanxi, Gansu, Shaanxi e Henan. As cavernas Guyaju em Pequim s\u00e3o o local com maior n\u00famero de cavernas da China, contando com mais de cem.<\/p>\n<p class=\"p5\">Estas cavernas aliam uma planta eficiente ao baixo custo de constru\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de resistentes \u00e0 chuva e ao fogo, s\u00e3o quentes no inverno e frescas no ver\u00e3o. Consistem geralmente de tr\u00eas a cinco salas com cerca de sete a oito metros de comprimento, tr\u00eas de largura e tr\u00eas a quatro de altura.<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s3\">Em termos de estilo, existem tr\u00eas tipos de cavernas: as casas dos penhascos de <i>loess<\/i>, p\u00e1tios escavados no solo e casas de tijolo \u201cmodernizadas\u201d. As cavernas mais simples s\u00e3o escavadas directamente no penhasco. As cavernas dos p\u00e1tios escavados no solo de cinco a oito metros de profundidade giram em torno deste. As cavernas \u201cmodernizadas\u201d s\u00e3o constru\u00eddas parcial ou totalmente acima do solo, mas com uma estrutura arqueada que se inspira nos tipos anteriores. De 1935 a 1948, o presidente Mao Zedong e os seus seguidores recorreram a cavernas de <i>loess<\/i> como base de opera\u00e7\u00f5es em Yan\u2019an. Actualmente, \u00e9 poss\u00edvel pernoitar em hot\u00e9is-caverna e visitar as cavernas onde Mao realizava reuni\u00f5es secretas.<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">Hordas de emigrantes Han deslocaram-se do planalto central para sul de modo a escapar a desastres naturais ou a dist\u00farbios sociais desde a dinastia Qin. Estabeleceram-se nas montanhas do Fujian e em partes das prov\u00edncias de Jiangxi e Guangdong e autodenominavam-se <span class=\"s2\">\u5ba2\u5bb6<\/span> Kejia (Hakka em canton\u00eas), o que significa \u201ch\u00f3spedes\u201d, uma vez que n\u00e3o se encontravam na sua terra natal. Como habita\u00e7\u00e3o para se proteger devido a essa sua condi\u00e7\u00e3o, constru\u00edam <i>tulou<\/i>, habita\u00e7\u00f5es semelhantes a fortalezas. Os <i>tulou<\/i> s\u00e3o constru\u00e7\u00f5es de grandes dimens\u00f5es de planta circular ou rectangular.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>O muro exterior \u00e9 feito de pedra, terra compacta, madeira, bambu e outros materiais. Normalmente possuem apenas uma entrada pelo exterior, protegida por portas de madeira refor\u00e7adas com ferros. No interior, onde se podem albergar duzentas a oitocentas pessoas, sucedem-se resid\u00eancias com \u00e1reas comuns, armaz\u00e9ns e po\u00e7os. Os <i>tulou<\/i> s\u00e3o bem ventilados, resistentes aos tremores de terra e \u00e0 prova de ventos, al\u00e9m de conservarem a temperatura amena. A maioria dos <i>tulou<\/i> data de entre os s\u00e9cs. XII a XX.<\/p>\n<p class=\"p5\">As palafitas <i>diaojiaolou <\/i>encontram-se no Yunnan, no Hubei, em Guanxi, Guizhou e no Sichuan. S\u00e3o edif\u00edcios de madeira de planta quadrangular ou rectangular que se erguem sobre colinas ou rios, sustentados por palafitas ou colunas de madeira refor\u00e7adas por blocos de pedra na base. T\u00eam normalmente dois ou tr\u00eas andares de altura e uma \u00e1rea \u00fatil alargada. O r\u00e9s-do-ch\u00e3o, destitu\u00eddo ami\u00fade de paredes e sustentado por colunas de suporte, serve de est\u00e1bulo ou armaz\u00e9m. O segundo e terceiros pisos s\u00e3o destinados aos aposentos familiares. Os pisos superiores podem ter varandas. S\u00e3o constru\u00eddos sem pregos ou rebites e a estabilidade do edif\u00edcio depende de juntas de ranhura que mant\u00eam as vigas e colunas unidas. A despeito do aspecto fr\u00e1gil, trata-se de constru\u00e7\u00f5es resistentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h3 class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><b><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-924 size-full\" src=\"http:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/81-Pagoda_of_Songyue_Temple_2015-09-25_20.jpg\" alt=\"\" width=\"399\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/81-Pagoda_of_Songyue_Temple_2015-09-25_20.jpg 399w, https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/81-Pagoda_of_Songyue_Temple_2015-09-25_20-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 399px) 100vw, 399px\" \/><\/b><\/h3>\n<h3 class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><b>Os Pagodes<\/b><\/h3>\n<h3><\/h3>\n<h3 class=\"p1\"><b>Dinastia Han<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\">O <span class=\"s1\">pagode<\/span> difundiu-se na China com a chegada do budismo nos finais da dinastia Han. Deriva do stupa, um monumento religioso funer\u00e1rio em forma de c\u00fapula sobrepujada por um n\u00famero vari\u00e1vel de elementos em formato de guarda-sol, da arquitectura indiana. Todavia, na China, ganhou contornos muito distintos, ali\u00e1s como sucedeu noutras regi\u00f5es da \u00c1sia. Tornou-se numa constru\u00e7\u00e3o grandiosa com v\u00e1rios andares, geralmente at\u00e9 doze, uma s\u00edntese do stupa com a torre de vigia de v\u00e1rios pisos que se constru\u00eda desde a dinastia Han.<\/p>\n<p class=\"p5\">O pagode chin\u00eas assemelha-se em geral a uma torre alta de planta quadrada dividida em andares horizontais de tectos sobrepostos. No in\u00edcio, tal como sucede com o stupa indiano, eram edif\u00edcios a cujo interior n\u00e3o se podia aceder e os diferentes andares, que iam diminuindo em tamanho, n\u00e3o se destinavam a um usufruto real. Todavia, passaram depois a contar com uma escada helicoidal no interior por onde era poss\u00edvel aceder ao topo.<\/p>\n<p class=\"p5\">Os pagodes come\u00e7aram por ser constru\u00eddos em madeira. Na dinastia Tang, passaram a ser feitos de pedra e tijolo. No entanto, quando se percebeu que era poss\u00edvel atingir maior altura recorrendo \u00e0 madeira, retomou-se o uso deste material. Foi do pagode que derivou a constru\u00e7\u00e3o de torres monumentais para assinalar os t\u00famulos. Trata-se de torres em geral quadradas com v\u00e1rios andares com janelas, mas apenas para fornecer a ilus\u00e3o de acessibilidade. Exemplo disto \u00e9 o pagode da tumba do monge Xuan Zang na prov\u00edncia de Henan, datado do s\u00e9c. VII d. C.<\/p>\n<p class=\"p5\">Na composi\u00e7\u00e3o dos templos budistas chineses mais antiga, os pagodes ocupavam a posi\u00e7\u00e3o central. Na dinastia Tang tardia, o templo propriamente dito passou a ocupar o lugar central e o pagode desdobrou-se em dois edif\u00edcios geminados colocados a leste e a oeste daquele. O vest\u00edgio mais antigo de um pagode em pedra \u00e9 o do templo Songyue, no Henan, da dinastia Wei setentrional. O pagode mais not\u00e1vel e um exemplo da rara arquitectura Tang que sobreviveu at\u00e9 hoje \u00e9 o do Ganso Selvagem, em Xi\u2019an, com sessenta metros de altura. Constru\u00eddo em tijolo e de base quadrada, conta com sete pisos ligeiramente reentrantes uns em rela\u00e7\u00e3o aos outros, ostentando nichos em todas as fachadas e que outrora albergaram est\u00e1tuas de Buda. Quem o mandou construir foi o c\u00e9lebre monge Xuang Zang, que ter\u00e1 provavelmente ido buscar inspira\u00e7\u00e3o ao santu\u00e1rio de Mahabodhi, em Bodh Gaya, que visitou aquando das suas viagens \u00e0 \u00cdndia e que apresenta igualmente uma planta quadrada, assim como v\u00e1rios pisos e nichos.<\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 \u00a0<\/span><\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>Dinastia Liao (916-1125)<\/b><\/h3>\n<p class=\"p5\">Daozong, imperador da dinastia Liao, ordenou a constru\u00e7\u00e3o de um pagode de madeira impressionante no lado exterior da cidade capital, Datong. Ficou terminado em 1056. Trata-se do pagode do Templo Fogongsi. Com sessenta e sete metros de altura e erguendo-se sobre uma plataforma de pedra de quatro metros, sobreviveu at\u00e9 hoje a v\u00e1rios tremores de terra. Actualmente, \u00e9 o pagode de madeira mais antigo da China. Conta com nove andares, embora pare\u00e7am apenas cinco do exterior. Exp\u00f5e cinquenta e quatro tipos diferentes de <i>dougong<\/i>, vis\u00edveis do exterior. Cada tecto de cada andar exibe um <i>zaojing<\/i>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>Dinastia Song<\/b><\/h3>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s2\">O Pagode de Ferro e os pagodes Lingxiao, Liaodi, Pizhi e Beisi s\u00e3o constru\u00e7\u00f5es admir\u00e1veis da dinastia Song. O Pagode de Ferro, em Kaifeng, n\u00e3o foi constru\u00eddo em ferro mas em tijolo. Chama-se assim apenas porque a sua cor lembra a do ferro. Ergue-se sobre uma base octogonal e tem quase cinquenta e sete metros de altura e treze andares. Apresenta um sistema articulado de <i>dougong<\/i> e sinos de vento sob os beirais. O pagode Lingxiao, em Zhengding, no Hebei, foi constru\u00eddo em tijolo e madeira. At\u00e9 ao quarto andar \u00e9 de madeira e o resto \u00e9 de tijolo. Conta ainda com um pin\u00e1culo em ferro fundido. A planta \u00e9 octogonal. Conta com nove andares e quarenta e dois metros. No interior uma escadaria torna poss\u00edvel subir at\u00e9 ao quarto andar. No centro do pagode ergue-se uma grande coluna, o que era comum nos pagodes chineses at\u00e9 \u00e0 dinastia Yuan. <\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s2\">O pagode Liaodi em Dingzhou, Hebei, tamb\u00e9m exibe uma coluna que assume a forma de outro pagode. \u00c9 o pagode chin\u00eas mais antigo e o pagode de tijolos mais alto do mundo que sobreviveu at\u00e9 hoje, com oitenta e quatro metros. Na China imperial, o pagode mais alto foi constru\u00eddo na dinastia Sui, situava-se em Chang\u2019an, era de madeira e media cem metros, mas n\u00e3o sobreviveu \u00e0s vicissitudes do tempo. O pagode Liaodi ergue-se sobre uma base octogonal. No topo avista-se um torre\u00e3o de bronze e ferro. Apresenta janelas falsas e varanda circundante no primeiro andar. Uma sec\u00e7\u00e3o dividida das paredes do pagode est\u00e1 aberta para que o interior possa ser visto. Existe no interior uma escadaria que atinge o andar superior com patamares para cada andar. Os murais s\u00e3o decorados com pinturas e v\u00eaem-se estelas de pedra com caligrafia. <\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">O pagode Pizhi situa-se perto de Jinan, em Shandong. Tem planta octogonal e mede cinquenta e quatro metros. \u00c9 feito de pedra e tijolo e tem nove andares. O primeiro, o segundo e o terceiro andares apresentam varandas sustentadas por <i>dougong<\/i>. H\u00e1 uma escada de tijolos no interior que atinge o quinto andar e uma escada exterior que atinge o topo.<\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s2\">O pagode Beisi situa-se em Suzhou, no templo Bao\u2019ensi. Tamb\u00e9m tem uma base octogonal e mede setenta e seis metros. Tem nove andares, embora originalmente tivesse onze. Foi constru\u00eddo em pedra, tijolo e madeira. A estrutura actual data da dinastia Ming. Digno de nota \u00e9 ainda o pagode do templo Xingshengjiao, nos arredores de Xangai, com 48,5 metros de altura e nove andares, feito em madeira e tijolo. Apesar de ter sido renovado nas dinastias Ming e Qing, manteve inalterado o estilo da dinastia Song do Norte. Cerca de sessenta por cento dos <i>dougong<\/i>, assim como o lintel sob o port\u00e3o em arco e as vigas sob os beirais s\u00e3o pe\u00e7as originais. Cada lado do piso t\u00e9rreo deste pagode quadrado mede seis metros de comprimento. O primeiro andar ostenta varandas cercadas por bala\u00fastres de madeira. Cada parede \u00e9 dividida em tr\u00eas partes por colunas de tijolos em relevo, com uma porta no meio. O interior do pagode assemelha-se a um tubo oco. Cada n\u00edvel conta com lajes e escadas de madeira, o que era comum nos pagodes tanto em madeira como em tijolo da dinastia Tang, do per\u00edodo das Cinco Dinastias e da dinastia Song do Norte. Em meados dos anos 1970 descobriu-se sob este pagode o t\u00famulo de tijolo do monge Miaoyan, do s\u00e9c. XI.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>Dinastia Ming<\/b><b><\/b><\/h3>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s2\">O acima mencionado pagode do templo Tianning inspirou o pagode Cishousi, tamb\u00e9m em Pequim, mas j\u00e1 da dinastia Ming, de 1576. De planta igualmente octogonal, mede cerca de cinquenta metros de altura. A base de tijolos apresenta a forma de um pedestal <i>sumeru<\/i> (a montanha sagrada de cinco picos da cosmologia hindu, jainista e budista) decorado com esculturas em relevo de Buda e p\u00e9talas de l\u00f3tus, entre outra iconografia. Conta com treze beirais no estilo Liao e Jin e ainda com um pequeno torre\u00e3o. Entre cada beiral encontram-se <i>dougong<\/i> de pedra com fun\u00e7\u00f5es decorativas. \u00c9 profusamente esculpido no exterior, a parte superior exibindo esculturas de instrumentos musicais chineses como o <i>guqin<\/i>. <\/span><\/p>\n<p class=\"p5\">Por ordem do imperador Yongle da dinastia Ming come\u00e7ou no s\u00e9c. XV a constru\u00e7\u00e3o de um pagode todo feito em porcelana em Nanquim, ent\u00e3o a capital do imp\u00e9rio. Media cerca de oitenta metros de altura, tinha nove andares e uma base octogonal com cerca de trinta metros de di\u00e2metro. A cobertura de tijolos de porcelana, com imagens coloridas de animais, paisagens, flores e bambu, era iluminada \u00e0 noite por cento e quarenta l\u00e2mpadas. No interior, existia uma escadaria helicoidal com 184 degraus, ladeada por nichos com imagens de Buda. Os europeus ficaram extasiados quando viam este pagode e consideraram-no uma das maravilhas do mundo. Foi copiado por arquitectos como William Chambers, que desenhou o pagode dos Kew Gardens, em Londres, constru\u00eddo com tijolos cinzentos em 1761.<\/p>\n<p class=\"p5\">O Pagode de Porcelana foi objecto de uma restaura\u00e7\u00e3o em 1808 mas, poucas d\u00e9cadas volvidas, acabou por ser destru\u00eddo durante a rebeli\u00e3o Taiping (1853-1864). Em 2015, abriu ao p\u00fablico uma r\u00e9plica em a\u00e7o e vidro, o Pagode de Porcelana de Nanquim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>____<\/p>\n<p class=\"p8\"><b>Bibliografia<\/b><b><\/b><\/p>\n<ul>\n<li class=\"p9\">Feng, Jiren (2012) <i>Chinese architecture and metaphor: Song culture in the Yingzao fashi building manual<\/i>, Hong Kong University Press<\/li>\n<li class=\"p10\">Hang, Tianyi, \u201cBeside Yingzao: An Index of Chinese Building Traditions\u201d (2022). Masters of Environmental, Design Theses. 5. <a href=\"https:\/\/elischolar.library.yale.edu\/envdesign\/5\">https:\/\/elischolar.library.yale.edu\/envdesign\/5<\/a><\/li>\n<li class=\"p11\"><i>Mazzoli, C., Morganti, C. e Bartolomei, C. (2022) Traditional Chinese architecture: the transmission of technical knowledge for the development of building heritage, TEMA: Technologies Engineering Materials Architecture, Vol. 8, No. 1 (2022), pp.24-37.<\/i><\/li>\n<li class=\"p11\">Ssu-ch\u2019eng Liang (1984) <i>A Pictorial History of Chinese Architecture. A Study of the Development of Its Structural System and the Evolution of Its Types<\/i>, MIT Press<\/li>\n<li class=\"p9\">Steinhardt, Nancy (2019) <i>Chinese Architecture. A History<\/i>, Princeton and Oxford: Princeton University Press.<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] Introdu\u00e7\u00e3o O in\u00edcio da hist\u00f3ria da arquitectura chinesa remonta ao Neol\u00edtico, como o comprovam documentos escritos que datam de 2000 a.C., al\u00e9m da descoberta de vest\u00edgios de constru\u00e7\u00f5es na bacia dos rios Huanghe (Rio Amarelo) e Changjiang (Rio Iansequi\u00e3o). Tratava-se de \u00e1reas onde a pedra para constru\u00e7\u00e3o escasseava mas onde a madeira abundava. 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