{"id":931,"date":"2025-10-18T01:20:33","date_gmt":"2025-10-17T17:20:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.viadomeio.com\/?p=931"},"modified":"2025-10-18T01:20:33","modified_gmt":"2025-10-17T17:20:33","slug":"qu-yuan-no-principio-a-poesia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/10\/18\/qu-yuan-no-principio-a-poesia\/","title":{"rendered":"Qu Yuan &#8211; no princ\u00edpio, a poesia"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p class=\"p1\"><i>Qu Yuan (343-278 a.E.C.) \u00e9 um dos primeiros grandes poetas da China Antiga. Foi ministro do reino de Chu numa China ainda n\u00e3o unificada. Ca\u00eddo em desgra\u00e7a, Qu Yuan assistiu \u00e0 conquista das terras de Chu pelo reino rival dos Qin. Desgostoso face ao destino infeliz da sua<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>p\u00e1tria, decidiu colocar uma pedra ao pesco\u00e7o e afogar-se no rio Miluo, na actual prov\u00edncia de Hunan. Antes de se suicidar escreveu o <\/i>Li Sao<i>, um conjunto de poemas, nimbados de amargura, que o levaria ao grande pante\u00e3o dos imortais da poesia chinesa. <\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\">E<span class=\"s1\">ra uma<\/span> vez um poeta, ministro e homem de Estado chamado Qu Yuan (340 a.C.-278 a.E.C.). Viveu tempos atribulados numa China ainda n\u00e3o unificada, dividida em reinos independentes e aut\u00f3nomos que tanto se aliavam como lutavam entre si. \u00c9 o chamado per\u00edodo dos Reinos Combatentes (475 a.C.-221 a.C.) que antecede a funda\u00e7\u00e3o da grande China, Imp\u00e9rio do Meio, um \u00fanico Estado centralizado, vasto e unido sob o bast\u00e3o do primeiro imperador, o pr\u00edncipe do reino de Qin, o poderoso Qin Shihuang, soberano \u00fanico de todo o imp\u00e9rio no ano de 221 a.C.<\/p>\n<p class=\"p3\">Qu Yuan foi primeiro-ministro do reino de Chu. Tentou em v\u00e3o defender e salvar o seu reino face \u00e0s amea\u00e7as do reino rival de Qin que ent\u00e3o j\u00e1 amea\u00e7ava os territ\u00f3rios vizinhos e crescia conquistando outros reinos. Intrigas na corte de Chu fizeram com que Qu Yuan fosse afastado pelo pr\u00edncipe de todos os cargos p\u00fablicos e condenado ao degredo para terras distantes. Ao modo dos entendimentos chineses, uma coisa m\u00e1 acabou se transformar numa coisa boa e Qu Yuan, em verso, terminou a cantar a sua amargura num longo poema intitulado <i>Li Sao<\/i>, que se pode traduzir por \u201cElegia da Tristeza\u201d, e o fez entrar na galeria dos grandes poetas da China. Uma mescla de realismo autobiogr\u00e1fico, mais uns laivos fortes de romantismo e a reminisc\u00eancia de cantares populares da \u00e9poca marcam os poemas de Qu Yuan e deixaram forte influ\u00eancia na posterior poesia chinesa. Algu\u00e9m comparou os seus versos a \u201cp\u00e9rolas caindo sobre bandejas de jade.\u201d<\/p>\n<p class=\"p3\">O poeta nasceu em Zigui, na prov\u00edncia de Hubei, junto de Xiling, umas das Tr\u00eas Gargantas do rio Yangts\u00e9, e passou, de h\u00e1 dois mil e duzentos anos para c\u00e1, a fazer parte da galeria das figuras de um passado hist\u00f3rico permanentemente vivas no conhecimento e na mem\u00f3ria do povo chin\u00eas. O enorme poeta Li Bai (701-762) , assim se lhe refere:<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p3\"><i>Poemas de Qu Yuan brilham<br \/>\n<\/i><i>Iluminam o c\u00e9u e a lua.<\/i><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p3\">Numa outra alus\u00e3o a Qu Yuan, Li Bai conclui deste modo um seu poema:<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p3\"><i>O mundo odeia o que \u00e9 claro e puro,<br \/>\n<\/i><i>o homem s\u00e1bio oculta o seu fulgor.<br \/>\n<\/i><i>Na margem do rio, um velho pescador.<br \/>\n<\/i><i>ele e eu regressaremos juntos.<\/i><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p3\">Degredado, esquecido, errando ao acaso pelas margens do rio Miluo, afluente do rio Xiang que por sua vez desagua no rio Yangts\u00e9, Qu Yuan, premeditando o suic\u00eddio, encontrou um pescador que o ter\u00e1 reconhecido e lhe perguntou quais as raz\u00f5es porque deambulava por regi\u00f5es t\u00e3o afastadas da capital do reino de Chu. Qu Yuan ter-lhe-\u00e1 respondido mais ou menos com estas palavras:<\/p>\n<p class=\"p3\">\u201cO mundo est\u00e1 corrupto, eu quero permanecer puro, o mundo vive a sua embriagu\u00eas, eu quero permanecer l\u00facido.\u201d<\/p>\n<p class=\"p3\">O pescador, antes de se afastar, retorquiu:<\/p>\n<p class=\"p3\">\u201cSe as \u00e1guas do rio est\u00e3o l\u00edmpidas, a\u00ed lavo a minha roupa, se as \u00e1guas do rio est\u00e3o barrentas, a\u00ed lavo meus p\u00e9s.\u201d<\/p>\n<p class=\"p3\">Verdade \u00e9 que Qu Yuan, com sessenta e dois anos de idade, se lan\u00e7ou nas \u00e1guas do rio Miluo, abra\u00e7ando uma grande pedra, e n\u00e3o mais foi visto. Os camponeses e pescadores da regi\u00e3o avan\u00e7aram para o rio, c\u00e9leres nos seus barcos-drag\u00e3o, em busca do corpo do poeta e ministro. Foram espalhando gr\u00e3os e bolas de arroz glutinoso nas \u00e1guas para que os peixes e os drag\u00f5es comessem o arroz e n\u00e3o o corpo de Qu Yuan.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s2\">Ainda hoje, no quinto dia da quinta Lua \u2013 em princ\u00edpios de Junho, segundo o nosso calend\u00e1rio \u2013, se comemora por toda a China, incluindo Macau, a data da morte de Qu Yuan com as corridas dos barcos-drag\u00e3o. Movidos por vigorosos remadores, os barcos deslizam r\u00e1pidos como se procurassem mesmo o corpo de Qu Yuan e o timoneiro, com o seu tant\u00e3 a ritmar todas as manobras, n\u00e3o se esquece de ir espalhando bolas de arroz nas \u00e1guas do rio ou do lago. Assim o corpo do poeta estar\u00e1 a salvo.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><b>Qu Yuan<\/b><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: center;\"><i>Qu Yuan, tantos, tantos anos, a entretecer as rimas,<br \/>\n<\/i><i>Sem espada na m\u00e3o para trespassar o inimigo.<br \/>\n<\/i><i>Cresciam ervas selvagens, t\u00e3o raro o perfume das flores\u2026<br \/>\n<\/i><i>O poeta mergulhou de vez na imensid\u00e3o das ondas,<br \/>\n<\/i><i>Foi o fim da dor, sofrimento e m\u00e1goa\u2026<\/i><i><\/i><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: right;\"><b>Mao Zedong<br \/>\n<\/b>Trad. A.G. de Abreu<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<hr \/>\n<blockquote>\n<h3 class=\"p1\"><b>Neve sobre <\/b><b>as montanhas Zhongnan<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\">Os picos das montanhas Zhongnan<br \/>\nDesenham suas formas de encantar,<br \/>\nEm silhuetas t\u00e9nues e di\u00e1fanas,<br \/>\nCriadas pela aurora matutina.<br \/>\nFlutuam entre nuvens alterosas<br \/>\nCobertos pela neve branca e fria.<\/p>\n<p class=\"p3\">Amea\u00e7ando o firmamento imenso,<br \/>\nEm tons claros, alegres e brilhantes,<br \/>\nSurgem ao longe as m\u00e1gicas florestas,<br \/>\nQue estendem sossegadas, quietamente<br \/>\nSobre a cidade h\u00e1 pouco despertada<br \/>\nAs frias e molhadas m\u00e3os da noite.<\/p>\n<p class=\"p5\"><strong>trad. Francisco do Carvalho Rego<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<h3 class=\"p1\"><b>Enigmas<\/b><\/h3>\n<p class=\"p1\">Antes da cria\u00e7\u00e3o quem poderia prever<br \/>\nTodas as modifica\u00e7\u00f5es que vieram a acontecer?<\/p>\n<p class=\"p1\">Que estranha for\u00e7a resistiu<br \/>\nA tudo quanto antes era vazio?<\/p>\n<p class=\"p1\">Antes da fus\u00e3o no espa\u00e7o da luz e escurid\u00e3o<br \/>\nQuem desse fen\u00f3meno entendia a raz\u00e3o?<\/p>\n<p class=\"p1\">Imponder\u00e1veis poeiras que se aglomeraram<br \/>\nQuem poder\u00e1 dizer como \u00e9 que elas se formaram?<\/p>\n<p class=\"p1\">Quem poderia dizer que a luz e a madrugada<br \/>\nSairiam do escuro e da noite mais cerrada?<\/p>\n<p class=\"p1\">For\u00e7a feminina, masculino poder<br \/>\nQue motivos os fez prevalecer?<\/p>\n<p class=\"p1\">E o firmamento, de nove an\u00e9is, que se criou,<br \/>\nQuem foi o Artista que assim o cinzelou?<\/p>\n<p class=\"p1\">E quem t\u00e3o grande esquema idealizou<br \/>\nE que motivo o Criador impulsionou?<\/p>\n<p class=\"p1\">Fazer t\u00e3o grande c\u00fapula suspender<br \/>\nE de um largo eixo, o mesmo depender?<\/p>\n<p class=\"p1\">E sobre que pilares a terra est\u00e1 assente<br \/>\nAinda para al\u00e9m do oriente?<\/p>\n<p class=\"p1\">E as nove esferas que giram sem parar<br \/>\nQual \u00e9 a for\u00e7a que as faz entrecurzar?<\/p>\n<p class=\"p1\">E o curso dos planetas quem tra\u00e7ou<br \/>\nE os sinais do Zod\u00edaco decifrou?<\/p>\n<p class=\"p1\">E o sol e a lua que ficassem no c\u00e9u<br \/>\nE as constela\u00e7\u00f5es, perto de ambos, suspendeu?<\/p>\n<p class=\"p1\">E que o sol nascesse no oriente<br \/>\nE morresse depois no ocidente?<\/p>\n<p class=\"p1\">E desde o romper da madrugada at\u00e9 ao fim da noite<br \/>\nQuem pode o sentido conhecer deste trajecto?<\/p>\n<p class=\"p1\">E qual \u00e9 da lua o seu poder<br \/>\nQue de um lado desaparece e do outro vai nascer?<\/p>\n<p class=\"p4\"><b> trad. Jo\u00e3o C. Reis<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<hr \/>\n<blockquote><p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>A Deusa da Montanha<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\">Parece que h\u00e1 algu\u00e9m no interior da montanha<br \/>\nVestida de heras, cinturada de cuscuta.<br \/>\nUm breve sorriso no seu olhar eloquente\u2026<br \/>\n\u201cComo voc\u00eas me amam por ser assim t\u00e3o graciosa!\u201d<br \/>\nConduz um leopardo escarlate que raposas malhadas escoltam.<br \/>\nO seu carro \u00e9 de magn\u00f3lia, a bandeira de caneleira entran\u00e7ada,<br \/>\nEnfeitada de orqu\u00eddeas, o \u00e1saro \u00e9 a sua cintura.<br \/>\n\u201cPara o meu bem amado colhi todos os perfumes.<br \/>\nMoro num sombrio bosque de bambus onde nunca vejo o c\u00e9u.<br \/>\nA estrada \u00e9 escarpada e por isso chego tarde.<br \/>\nSozinha, subo ao cimo da montanha,<br \/>\nAs nuvens deslizam em baixo com lentid\u00e3o.<br \/>\nO sol esconde-se: faz escuro em pleno dia.<br \/>\nNas rajadas do vento Leste, os deuses enviam a chuva.<br \/>\nEspero o amado long\u00ednquo sem pensar no regresso.<br \/>\nO ano chega ao fim, quem ent\u00e3o me florir\u00e1?<br \/>\nNo Monte dos Adivinhos colhendo cogumelos,<br \/>\nEspero impaciente nos montes de pedra onde trepam as heras.<br \/>\nPorque tarda tanto esse homem\u2026e, desgostosa, esque\u00e7o o regresso.<br \/>\nV\u00f3s amais-me, mas o tempo esvai-se\u2026<br \/>\nSou t\u00e3o pura como a fonte em que bebo,<br \/>\n\u00e0 sombra de pinheiros e ciprestes.<br \/>\nV\u00f3s amais-me, sei-o, mas uma d\u00favida subsiste.<br \/>\nO trov\u00e3o avan\u00e7a e atroa, a chuva \u00e9 negra.<br \/>\nOs macacos gemem, depois berram \u00e0 noite.<br \/>\nO vento sopra forte e assobia nas ramagens,<br \/>\nPenso em v\u00f3s e n\u00e3o conhe\u00e7o sen\u00e3o a tristeza.\u201d<\/p>\n<p class=\"p4\"><b> trad. Adelino \u00cdnsua<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<hr \/>\n<blockquote><p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b>O Senhor entre as nuvens<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\">Lavei-me em \u00e1gua de orqu\u00eddeas<br \/>\nbanhei-me em suave aroma.<br \/>\nEm minhas vestes multicores<br \/>\nsou igual \u00e0 flor.<br \/>\nO Esp\u00edrito desce agora<br \/>\nem longas curvas<br \/>\nflameja<br \/>\nde infinita claridade<br \/>\nAh! Vem repousar na Pousada da Vida.<br \/>\nA sua luz brilha como um sol<br \/>\nA sua luz brilha como a lua!<br \/>\nPuxado por drag\u00f5es, trajado como um deus<br \/>\nei-lo, movendo-se, fugaz<br \/>\naqui e al\u00e9m.<br \/>\nDesceu o Esp\u00edrito<br \/>\nna sua grande majestade,<br \/>\nmas, j\u00e1 c\u00e9lere, ascende \u00e0s nuvens.<\/p>\n<p class=\"p3\">E olha para baixo<br \/>\npara a prov\u00edncia de Chi<br \/>\ne para mais longe ainda.<br \/>\nAtravessa os quatro mares, num voo<br \/>\nsem fim.<\/p>\n<p class=\"p3\">Com saudades do Senhor, suspiro fundo.<br \/>\nO meu cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 perturbado.<br \/>\nEstou triste, triste.<\/p>\n<p class=\"p5\"><b> trad. Lu\u00edsa Neto Jorge<\/b><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<h3 class=\"p1\"><b>Elegia da Separa\u00e7\u00e3o<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\">Acabou-se!<br \/>\nNingu\u00e9m do pa\u00eds quer saber de mim!<br \/>\nPor que penso ainda na minha terra natal?<br \/>\nJ\u00e1 \u00e9 tarde para oferecer os meus servi\u00e7os para uma governa\u00e7\u00e3o justa!<br \/>\nSeguirei o destino de Pengxian.<\/p>\n<p class=\"p4\"><b> trad. Alexandre Li Ching<\/b><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<h3 class=\"p1\"><b>Can\u00e7\u00e3o dos Archeiros de Shu <\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\">Estamos aqui, a colher os primeiros rebentos de feto<br \/>\nE a dizer: Quando regressaremos \u00e0 nossa terra?<br \/>\nEstamos aqui porque temos os Ken-in como inimigos,<br \/>\nN\u00e3o temos repouso por causa destes mong\u00f3is.<br \/>\nArrancamos os rebentos de feto tenros,<br \/>\nQuando algu\u00e9m diz \u00abRegresso,\u00bb os outros ficam cheios de tristeza.<br \/>\nMentes entristecidas, a tristeza \u00e9 forte, temos fome e sede.<br \/>\nA nossa defesa ainda n\u00e3o \u00e9 segura, ningu\u00e9m pode<br \/>\ndeixar que o seu amigo regresse.<br \/>\nArrancamos os caules de feto velhos.<br \/>\nDizemos: Deixar-nos-\u00e3o regressar em Outubro?<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 sossego nas tarefas do reino, n\u00e3o temos repouso.<br \/>\nA nossa tristeza \u00e9 amarga, mas n\u00e3o querer\u00edamos regressar<br \/>\n\u00e0 nossa terra.<br \/>\nQual a flor que come\u00e7ou a abrir?<br \/>\nDe quem \u00e9 a carruagem? Do general.<br \/>\nOs cavalos, at\u00e9 os seus cavalos, est\u00e3o cansados. E eram fortes.<br \/>\nN\u00e3o temos descanso, tr\u00eas batalhas por m\u00eas.<br \/>\nOh c\u00e9us, os cavalos est\u00e3o cansados.<br \/>\nOs generais em cima deles, os soldados junto deles,<br \/>\nos cavalos est\u00e3o bem treinados, os generais t\u00eam flechas<br \/>\nde marfim e aljavas decoradas com pele de peixe.<br \/>\nO inimigo \u00e9 r\u00e1pido, temos de ter cuidado.<br \/>\nQuando sa\u00edmos, a Primavera derreava os salgueiros,<br \/>\nvoltamos com neve,<br \/>\navan\u00e7amos lentamente, temos fome e sede,<br \/>\na nossa mente est\u00e1 entristecida, quem saber\u00e1 da nossa m\u00e1goa?<\/p>\n<p class=\"p4\"><b> trad. Gualter Cunha<\/b><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<h3 class=\"p1\"><b>Nove C\u00e2nticos <\/b><span class=\"s1\">\u4e5d\u6b4c<\/span><b> . O Senhor do Sol<\/b><span class=\"s1\"> \u6771\u541b<\/span><\/h3>\n<p class=\"p3\">Raios de um Sol que est\u00e1 a nascer no Oriente,<br \/>\nCobre as minhas balaustradas e meu Arbusto Sagrado.<br \/>\nGolpeio meu corcel \u00e0s r\u00e9deas soltas,<br \/>\nEsgota-se a treva da Noite, o Dia nasce.<br \/>\nNa carruagem de drag\u00f5es, por trov\u00f5es levada,<br \/>\nOndulam pend\u00f5es feitos de nuvem.<br \/>\nSuspiro, quero subir aos C\u00e9us,<br \/>\nMas o cora\u00e7\u00e3o profundo, na terra natal se queda.<br \/>\nA embriaguez de sons e cores divinas,<br \/>\nLogo faz esquecer o desejo das mem\u00f3rias natais.<br \/>\nAfinam-se as cordas, tocam-se sinos que saem dos eixos.<br \/>\nSopram-se flautas, soam p\u00edfaros,<br \/>\nsugerem-se sedutoras feiticeiras.<br \/>\nComo martins-verdes, elas dan\u00e7am alegres e \u00e1geis,<br \/>\nAos pares, cantam felizes.<br \/>\nAfinados, marcam o ritmo os tambores,<br \/>\nEspalham-se pelos c\u00e9us as divas at\u00e9 cobrirem o Sol.<br \/>\nCom vestes alvas, da cor das nuvens puras e sublimes.<br \/>\nA longa flecha aponto aos C\u00e9us, aniquilo a estrela feroz.<br \/>\nMergulho dos C\u00e9us, aperto nas m\u00e3os meu arco<br \/>\nE encho a Ca\u00e7arola abatida com vinho de osmanto.<br \/>\nDepois, ligeiro, aperto as r\u00e9deas,<br \/>\nE pela Noite dentro sigo rumo ao Oeste.<\/p>\n<p class=\"p4\"><b> trad. Nuno Peres<\/b><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<blockquote><p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><b> O Monarca do Leste<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\">Neste dia prop\u00edcio, neste dia de signos favor\u00e1veis<br \/>\nCumulemos de honras e de prazeres<br \/>\no Monarca das Alturas.<\/p>\n<p class=\"p3\">Ergo pelo punho de jade a minha longa<br \/>\nespada \u201cch\u2019iu chiang\u201d,<br \/>\ntilintam as pedras no meu cinto.<br \/>\nE da esteira semeada de j\u00f3ias e pendentes de jade<br \/>\nporque n\u00e3o colher agora<br \/>\no ramo perfumado?<\/p>\n<p class=\"p3\">Sirvo, sobre orqu\u00eddeas,<br \/>\na carne que cheira a manjerico.<br \/>\nSirvo o vinho de c\u00e1ssia<br \/>\ne aquela bebida com travo a pimenta.<\/p>\n<p class=\"p3\">Erguem-se j\u00e1 as baquetas, ressoam j\u00e1 os tambores!<br \/>\nE os cantores, numa cad\u00eancia baixa e lenta<br \/>\nCantam suavemente.<br \/>\nMas logo, estridente a sua voz<br \/>\nresponde ao som das flautas e das c\u00edtaras!<br \/>\nNas suas vestes espl\u00eandidas<br \/>\no Esp\u00edrito deambula em majestade,<br \/>\nE aromas fragrantes invadem os altares.<br \/>\nEm mil acordes se enleiam as cinco notas.<br \/>\nO Senhor est\u00e1 alegre e feliz, o seu cora\u00e7\u00e3o<br \/>\nconhece a paz.<\/p>\n<p class=\"p5\"><b> tradu\u00e7\u00e3o Lu\u00edsa Neto Jorge<\/b><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<h3 class=\"p1\"><b>Elegias <\/b><\/h3>\n<p class=\"p2\">Exilado olho para tr\u00e1s e suspiro<br \/>\nQuando ser\u00e1 que voltarei a casa?<br \/>\nRegressam os p\u00e1ssaros aos ninhos onde nasceram<br \/>\nE sobem as raposas aos montes para morrer<br \/>\nExilado fui porque a lei \u00e0 m\u00edngua se cumpria<br \/>\nSempre esta m\u00e1goa, n\u00e3o a esque\u00e7o,<br \/>\nNoite ou dia.<\/p>\n<p class=\"p3\"><b> trad. Jo\u00e3o C. Reis<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<h3 class=\"p2\"><b>Ep\u00edlogo<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\">Com m\u00e1goa regressando<br \/>\nagora entendo<br \/>\nComo um rel\u00e2mpago<br \/>\no c\u00e9u da noite fendendo<br \/>\nNem rezando aos c\u00e9us<br \/>\nnos salvaremos<br \/>\nSe guardar o respeito<br \/>\npor n\u00f3s pr\u00f3prios n\u00e3o sabemos<br \/>\nOs reis orgulhosos<br \/>\nexigem submiss\u00e3o<br \/>\nSe n\u00e3o se arrependerem<br \/>\nn\u00e3o t\u00eam salva\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p class=\"p2\"><b> trad. Jo\u00e3o C. Reis<\/b><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] Qu Yuan (343-278 a.E.C.) \u00e9 um dos primeiros grandes poetas da China Antiga. Foi ministro do reino de Chu numa China ainda n\u00e3o unificada. Ca\u00eddo em desgra\u00e7a, Qu Yuan assistiu \u00e0 conquista das terras de Chu pelo reino rival dos Qin. Desgostoso face ao destino infeliz da sua\u00a0 p\u00e1tria, decidiu colocar uma pedra ao&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":932,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-931","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-poesia"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/100-Qu-Yuan-trans-pb.png","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/931","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=931"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/931\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":933,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/931\/revisions\/933"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/932"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=931"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=931"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=931"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}