{"id":938,"date":"2025-10-18T01:36:01","date_gmt":"2025-10-17T17:36:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.viadomeio.com\/?p=938"},"modified":"2025-10-18T01:36:01","modified_gmt":"2025-10-17T17:36:01","slug":"confucio-na-cultura-portuguesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/10\/18\/confucio-na-cultura-portuguesa\/","title":{"rendered":"Conf\u00facio na cultura Portuguesa"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<h3 class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><b> Subs\u00eddios para o seu estudo<\/b><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\">A <span class=\"s2\">sabedoria<\/span> e a \u00e9tica pr\u00e1tica de Conf\u00facio<sup>1<\/sup>, considerado como o s\u00e1bio dos s\u00e1bios, est\u00e3o presentes na cultura portuguesa, com uma insuspeitada transversalidade, sobretudo desde os alvores do s\u00e9culo XVII, entradas pela m\u00e3o dos jesu\u00edtas. <span class=\"s3\">A sinologia portuguesa e a sinologia de l\u00edngua portuguesa, enquanto alargado corpus de conhecimento, n\u00e3o disp\u00f5em de um roteiro bibliogr\u00e1fico e historiogr\u00e1fico minimamente actualizado<sup>2<\/sup>, o que n\u00e3o \u00e9 muito compreens\u00edvel se tivermos em conta a sua secular antiguidade. O caso de Conf\u00facio \u00e9 paradigm\u00e1tico, como se observar\u00e1 nesta breve introdu\u00e7\u00e3o. Mas \u00e9 apenas no s\u00e9culo XIX que a imprensa peri\u00f3dica<sup>3<\/sup>, os almanaques<sup>4<\/sup>, as enciclop\u00e9dias<sup>5<\/sup>, os dicion\u00e1rios<sup>6<\/sup>, os livros escolares<sup>7<\/sup> ou outras obras de cultura geral<sup>8<\/sup> espalham <i>urbi et orbi<\/i> concisos aforismos, um sugestivo cerimonial paren\u00e9tico ou suculentas m\u00e1ximas do pensador chin\u00eas, sobre quase todos os assuntos que tocavam a vida humana ou a governan\u00e7a da sociedade e os seus inimigos. Suspeita-se, por vezes, que tudo quanto \u00e9 atribu\u00eddo a Conf\u00facio n\u00e3o seja realmente da sua lavra. A analogia com S\u00f3crates, sobretudo com o S\u00f3crates plat\u00f3nico estar\u00e1 sempre presente. Julgo que valeria a pena seguir o rasto da influ\u00eancia das suas ideias e dos seus ensinamentos, isto \u00e9, a recep\u00e7\u00e3o de Conf\u00facio em Portugal, que continua por fazer, incluindo o invent\u00e1rio da multiplicidade das edi\u00e7\u00f5es das obras<sup>9<\/sup> firmadas pela multid\u00e3o dos seus disc\u00edpulos. Pela literatura de viagens, mas n\u00e3o s\u00f3, ecoa uma resson\u00e2ncia dos seus pensamentos, de permeio com o fasc\u00ednio pelo mist\u00e9rio sobre tudo quanto seja oriundo da grande China, que vamos encontrar, por exemplo, em \u201c<i>Algumas Coisas Sabidas da China<\/i>\u201d, provavelmente de 1562, da autoria de Galiote Pereira, no \u201c<i>Tratado em que se contam muito por extenso as Cousas da China<\/i>\u201d de Frei Gaspar da Cruz, de 1569 ou na \u201c<i>Rela\u00e7\u00e3o da Grande Monarquia da China<\/i>\u201d<sup>10<\/sup> do jesu\u00edta \u00c1lvaro Semedo, escrita em 1637. Sem esquecer Tom\u00e9 Pires ou Fern\u00e3o Mendes Pinto. Mas, ser\u00e3o mesmo outras narrativas a terem o monop\u00f3lio da aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico generalista<sup>11<\/sup>, sempre atento ao pormenor<sup>12<\/sup> e \u00e0s grandes s\u00ednteses culturais<sup>13<\/sup> sobre o extremo oriente e em particular sobre a China. Para as elites, Conf\u00facio chegava em latim<sup>14<\/sup> mas as pol\u00e9micas eram servidas na l\u00edngua francesa<sup>15<\/sup>. <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s4\">N\u00e3o \u00e9 piedoso esconder a fragilidade do pensamento portugu\u00eas nesta \u00e1rea particular. Nas querelas entre as ordens religiosas, evidenciam-se conhecimentos e informa\u00e7\u00f5es muito interessantes e actualizadas: \u201cOs Letrados da China, que s\u00e3o das suas pessoas mais nobres e estimadas, se ajuntam todos os anos nos Equin\u00f3cios da Primavera e Outono, em uma Aula, que chamam Miao, dedicada ao mesmo Conf\u00facio\u2026\u201d<sup>16<\/sup>. At\u00e9 os textos doutrin\u00e1rios faziam quest\u00e3o de evocar os feitos findos, no oriente long\u00ednquo, como se pode ler no comunicado aos portugueses, de 24 de Agosto de 1820, difundido pela Junta Provisional do Governo Supremo do Reino: \u201c\u2026espalhando pela Europa, espantada e invejosa, as preciosidades do Oriente e as riquezas de ambos os mundos\u201d<sup>17<\/sup>. Quarenta anos depois, em 1860, na <i>Aprecia\u00e7\u00e3o Philosophica dos Descobrimentos Portugueses<\/i><sup>18<\/sup>, Jo\u00e3o F\u00e9lix Pereira tra\u00e7a um severo ju\u00edzo de valor associando \u201ca mais torpe imoralidade\u201d e a \u201csede do ouro\u201d como as causas directas para a queda do \u201cimp\u00e9rio oriental\u201d.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">Em 1762 Conf\u00facio \u00e9 um dos temas principais no \u201c<i>Di\u00e1logo entre um Te\u00f3logo, um Fil\u00f3sofo, um Ermit\u00e3o e um Soldado<\/i>\u201d<sup>19<\/sup>, que discorrem cordata e pedagogicamente sobre a moral, a geografia pol\u00edtica e as ideias religiosas. O que se poderia aprender sem um rasgo de pol\u00e9mica, sem qualquer ousadia interrogativa ou afrontamento ideol\u00f3gico ?<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s5\">Um livro popular, reconfortante para uma vida reflexiva simples e benevolente, era justamente a <i>Vida y Pensamientos Morales de Confucio<\/i><sup>20<\/sup> que desde 1802 conhecer\u00e1 larga difus\u00e3o nos meios cultos e esclarecidos portugueses, encontrando-se nas livrarias conventuais e nas bibliotecas dos Semin\u00e1rios. O estudo filos\u00f3fico e pedag\u00f3gico da moral<sup>21<\/sup>, da forma\u00e7\u00e3o moral, foi uma preocupa\u00e7\u00e3o constante nas escolas e no ensino particular e dom\u00e9stico.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">Jos\u00e9 Ignacio de Andrade \u00e9 um importante orientalista portugu\u00eas do s\u00e9culo XIX, hoje injustamente esquecido, e um grande divulgador das ideias de Conf\u00facio. O seu livro, publicado em dois volumes, <i>Cartas Escriptas da \u00cdndia e da China nos Annos de 1815 a 1835 por Jos\u00e9 Ignacio de Andrade a sua Mulher D. Maria Gertrudes de Andrade<\/i><sup>22<\/sup>, abre justamente com uma ep\u00edstola de Francisco Martins Barros, professor de l\u00edngua latina no Col\u00e9gio de Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: center;\">\u201c\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026..<br \/>\nDe CONF\u00daCIO, philosopho sublime<br \/>\nMostras os dogmas, e a doutrina mostras,<br \/>\nQue tantos evos tem regido a China.<br \/>\nO v\u00edcio n\u00e3o desculpas, se elle surge,<br \/>\nQual entre o flavo trigo e o joio in\u00fatil,<br \/>\nL\u00e1 mesmo n\u2019esse Imp\u00e9rio, que elogias.\u201d<sup>23<\/sup><\/p>\n<p class=\"p3\">Outro amigo de Jos\u00e9 Ignacio de Andrade, P. F. O. Figueiredo, insere este soneto:<\/p>\n<p class=\"p7\" style=\"text-align: center;\">\u201c Conf\u00facio douto, que a moral ensina<br \/>\nA reis, e a povos com saber profundo,<br \/>\nSe hoje surgisse do sepulchro fundo,<br \/>\nE lesse o que has escripto sobre a China;<br \/>\nSe visse como o genio teu combina,<br \/>\nEm philosopho, quanto abrange o mundo;<br \/>\nEm ti notara com prazer jucundo<br \/>\n<span class=\"s3\">Um disc\u00edpulo da sua alta doutrina!\u201d<sup>25<\/sup><\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">As ideias e os princ\u00edpios morais e pol\u00edticos de Conf\u00facio est\u00e3o omnipresentes na \u201c<i>Carta L<\/i>\u201d. Jos\u00e9 Ignacio de Andrade faz a difus\u00e3o extensiva de umas dezenas de m\u00e1ximas, sem esquecer o pensamento de M\u00eancio. E a sua reflex\u00e3o \u00e9 premonit\u00f3ria: \u201cA na\u00e7\u00e3o chinesa, para suprir as institui\u00e7\u00f5es liberais, hoje em voga na Europa, tem os livros sagrados, respeitados como lei fundamental do estado: acham-se neles artigos mais vigorosos contra o despotismo, do que nas institui\u00e7\u00f5es mais democr\u00e1ticas da Europa e Am\u00e9rica; todavia, sucede na China o mesmo, que em outra qualquer parte: se o que empunha o ceptro do poder \u00e9 do temperamento de Nero, s\u00f3 resta a op\u00e7\u00e3o dolorosa de morrer, ou mat\u00e1-lo\u201d<sup>26<\/sup>. At\u00e9 onde ter\u00e3o chegado estas ideias de Jos\u00e9 Ignacio de Andrade ?<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s5\">Folheando \u201c<i>O Panorama. Jornal Litterario e Instructivo da Sociedade Propagadora dos Conhecimentos \u00dateis<\/i>\u201d, de 12 de Maio de 1838, podemos observar uma gravura, \u2018A Criminosa Perante o Mandarim\u2019, a encimar um artigo sobre a administra\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a no Celeste Imp\u00e9rio. A\u00ed, o fa\u00e7anhudo mandarim prelecionava sob a \u00e9gide de Conf\u00facio. Nessa mesma publica\u00e7\u00e3o<sup>27<\/sup> foi publicada a novela \u201cO Feitor de Cant\u00e3o\u201d, cuja leitura \u00e9 muito agrad\u00e1vel e informativa. E, abrindo a popular \u201c<i>Encyclopedia das Fam\u00edlias. Revista de Educa\u00e7\u00e3o e Recreio<\/i>\u201d, no N\u00ba 99<sup>28<\/sup>, de 1895, deparamos com uma sint\u00e9tica defini\u00e7\u00e3o do confucionismo enquanto religi\u00e3o: \u201c \u00e9 um naturalismo, adora\u00e7\u00e3o de for\u00e7as physicas, de caracter moral, tendo por base a benevol\u00eancia; como regra, modelar o presente e o futuro no pret\u00e9rito e a venera\u00e7\u00e3o pelos antepassados. Conf\u00facio foi o seu fundador e teve por principal ap\u00f3stolo o philosopho M\u00eancio. Domina entre os chineses\u201d. <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s4\">Detectamos tamb\u00e9m a presen\u00e7a dos ensinamentos de Conf\u00facio nas \u00e1reas mais d\u00edspares, desde a hist\u00f3ria de <i>A Mulher Atrav\u00e9s dos S\u00e9culos<\/i>, de Marques Gomes, publicada em 1878, at\u00e9 \u00e0 disserta\u00e7\u00e3o inaugural apresentada, em 1901, \u00e0 Escola M\u00e9dico-Cir\u00fargica do Porto, sob o t\u00edtulo, <i>O Suic\u00eddio Livre em Face da Religi\u00e3o, da Moral e da Sociedade<\/i>, assinada por Jos\u00e9 Ferreira Viegas. J\u00falio Verne, com o popular romance <i>As Atribula\u00e7\u00f5es de um Chin\u00eas na China<\/i><sup>29<\/sup>, publicado em 1879, contribuiu para o adensar do fasc\u00ednio pela milenar civiliza\u00e7\u00e3o chinesa. No ano seguinte, em 1880, aparece <i>O Mandarim<\/i>, de E\u00e7a de Queiroz, cujo personagem reflecte em voz alta, \u201ceu n\u00e3o compreendia a l\u00edngua, nem os costumes, nem os ritos, nem as leis, nem os s\u00e1bios daquela ra\u00e7a\u201d<sup>30<\/sup>, sintetizando assim grotescamente a ignor\u00e2ncia nacional, n\u00e3o obstante a nota de fina ironia, \u201csou bacharel formado; portanto na China, como em Coimbra, sou um letrado !\u201d<sup>31<\/sup>.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s5\">O antigo c\u00f4nsul de Espanha em Macau, Enrique Gaspar y Rimbau, publica em 1887 o pioneiro romance de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica <i>El Anacron\u00f3pete. Viaje a China \u2013 Metempsicosis<\/i><sup>32<\/sup>, revestindo-se de especial interesse uma carta<sup>33 <\/sup>enviada de Macau, em 30 de Abril de 1879, onde discorre sobre o pensamento de Conf\u00facio e de M\u00eancio, no contexto dos exames imperiais que conferiam a dignidade mandar\u00ednica.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s4\">Conf\u00facio \u00e9, ainda, um nome popular e prestigiado, nas escolas e nos meios mais cultos da sociedade, tido como uma fonte de sabedoria e um s\u00edmbolo da virtude. Por exemplo, Duarte Leite (1864-1950), professor, diplomata e pol\u00edtico, iniciou-se na Ma\u00e7onaria em 1892, na loja ma\u00e7\u00f3nica \u2018Uni\u00e3o Latina\u2019, no Porto, sob o nome simb\u00f3lico de \u2018Conf\u00facio\u2019<sup>34<\/sup>.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s4\">Historicamente tem sido recorrente a tenta\u00e7\u00e3o de conciliar ou acentuar as converg\u00eancias entre o cristianismo e o confucionismo, no quadro geral dos sistemas religiosos. Oliveira Martins na sua esfor\u00e7ada erudi\u00e7\u00e3o<sup>35<\/sup> tamb\u00e9m se debru\u00e7ou sobre a moral confuciana: \u201cNa China a reforma de Conf\u00facio, fazendo abortar a evolu\u00e7\u00e3o ulterior dessa mitologia pela prega\u00e7\u00e3o de uma moral extra\u00edda prematuramente do animismo primitivo, condenou a religi\u00e3o a um estado de precocidade caduca e \u00e0 esterilidade consequente. Uma moral frequentemente digna do aplauso da sabedoria mais pura, veio assentar sobre uma concep\u00e7\u00e3o realisticamente selvagem do mundo ulterior. Dotado, pois, com uma moral pr\u00e1tica civilizada, o chin\u00eas manteve uma mitologia primitiva, mostrando assim na esfera religiosa esse aspecto duplo de velhice e de inf\u00e2ncia, vis\u00edvel por tantos outros lados nas civiliza\u00e7\u00f5es do extremo Oriente\u201d. <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">Em 1887, o reverendo John Ross<sup>36<\/sup> lan\u00e7ou de novo uma vigorosa e sedutora campanha de harmoniza\u00e7\u00e3o de ideias e de princ\u00edpios entre o cristianismo e o confucionismo, que parece ter sido muito bem sucedida. No Ocidente, o cristianismo parece ter absorvido e melhorado algumas ideias axiom\u00e1ticas caras ao confucionismo, tais como a bondade, a amizade, a caridade, a hospitalidade ou a piedade, esvaziando e apagando o contexto ontol\u00f3gico original que poderia estar mais focado no refinamento, na conduta, na lealdade e na confian\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"p3\">Sampaio Bruno publica <i>O Brasil Mental <\/i>em 1898 advertindo para um pormenor que parecia escapar aos mais atentos: \u201cA religi\u00e3o positivista \u00e9, pois, exactamente como, na China, a doutrina religiosa de Kong-fu-tse (mestre Kong, Conf\u00facio). \u00c9 um naturalismo \u00e9tico enxertado na religi\u00e3o pol\u00edtica de Saint-Simon; como ali se funda na dos Tchow, entendendo por isto, com Ti\u00e8le, a ordem de coisas estabelecida, verosimilmente, pelo pr\u00edncipe Tchow-Kong, assaz diferenciada do culto popular antigo. Consoante aqui, diversa da metaf\u00edsica crist\u00e3 (idealista, do tipo alexandrino) e s\u00f3 aceitando, n\u00e3o a dogm\u00e1tica, por\u00e9m a disciplina cat\u00f3lica\u201d<sup>37<\/sup>.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s4\">Tem passado completamente despercebido o romance <i>O Lobo da Madragoa<\/i><sup>38 <\/sup>publicado por Alberto Pimentel em 1904, onde se d\u00e1 conta das venturas e desventuras de uma chinesa de Cant\u00e3o em Portugal, cujo comportamento divergia dos padr\u00f5es tra\u00e7ados pela moral confuciana. Em 1909 Jos\u00e9 da Costa Nunes, futuro Bispo de Macau, Arcebispo de Goa e Cardeal, publicar\u00e1 <i>24 Cartas da China<\/i><sup>39<\/sup>, onde entre outros assuntos, disseca com profundidade os pressupostos te\u00f3ricos do confucionismo. Essa designa\u00e7\u00e3o \u2018<i>Cartas da China<\/i>\u2019 estava em voga. Jos\u00e9 Gomes da Silva, m\u00e9dico e naturalista que deixou obra em Macau, tamb\u00e9m escreveu as suas <i>Cartas da China<\/i> no jornal \u2018O Com\u00e9rcio do Porto\u2019<sup>40<\/sup>, contempor\u00e2neas das <i>Cartas do Jap\u00e3o<\/i> assinadas por Wenceslau de Moraes. E \u00e9 numa das suas <i>Cartas do Jap\u00e3o<\/i> que Wenceslau de Moraes analisa com invulgar arg\u00facia o legado de Conf\u00facio: \u201cA moral de Conf\u00facio, toda ela bonomia e singeleza, incompat\u00edvel com a guerra, com a luta, poderia talvez ter feito a felicidade de toda a China em peso; mas, para tanto, seria for\u00e7oso admitir o absurdo ou o imposs\u00edvel, isto \u00e9, ou que a China fosse o Mundo inteiro, ou que ela pudesse manter-se eternamente isolada dos outros povos. Conf\u00facio n\u00e3o considerou os outros pa\u00edses, julgou-os insignificantes, acreditou no eterno isolamento da sua enorme p\u00e1tria. E n\u00e3o teve o pressentimento, vago embora (mas quem h\u00e1 vinte e quatro s\u00e9culos o tivera ?&#8230;), das estupendas energias de certas for\u00e7as naturais \u2013 o vapor, a electricidade, a resist\u00eancia do metal \u2026 &#8211; e da capacidade inventiva e irrequieta dos c\u00e9rebros do Ocidente. Dormia a China; ou pelo menos, deliciava-se na contempla\u00e7\u00e3o da Natureza; nas artes e nas letras; enquanto que as outras na\u00e7\u00f5es progrediam em ci\u00eancia, armavam-se e mais tarde viriam afronta-la\u201d<sup>22<\/sup>.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">Em 1915 o professor Camilo Pessanha, poeta simbolista e sin\u00f3logo, profere uma confer\u00eancia<sup>1<\/sup>, em Macau, sobre a cultura chinesa e aborda inevitavelmente o legado de Conf\u00facio deste modo: \u201cMas a verdade \u00e9 que Foc-Sang salvando a obra de Conf\u00facio, salvou, para transmitir \u00e0 posteridade, todo o patrim\u00f3nio intelectual do povo chin\u00eas. Conf\u00facio foi principalmente um compilador. O conferente exp\u00f4s, resumidamente, o objecto dos livros de Conf\u00facio, um por um, mostrando como neles se encontram os antigos cantos, as antigas lendas, a velha hist\u00f3ria, as velhas leis, os velhos ritos e a velha moral do povo chin\u00eas. A prop\u00f3sito do <i>Livro das Transforma\u00e7\u00f5es<\/i>, anotado por Conf\u00facio e j\u00e1 velho de mais de mil anos quando foi anotado, deu o conferente uma ideia da antiga concep\u00e7\u00e3o chinesa, dualista, do Universo, e dos dois s\u00edmbolos pelos quais essa concep\u00e7\u00e3o \u00e9 ordinariamente representada: o ma-li-u e os oito kua \u2013 de que o conferente fez o esbo\u00e7o no quadro preto e explicou o sentido. Concluindo esta parte da sua exposi\u00e7\u00e3o, disse o conferente que da pr\u00f3pria natureza da obra de Conf\u00facio, do seu duplo car\u00e1cter de enciclop\u00e9dia e de monumento \u00e9tnico colectivo, resulta em grande parte o alto prest\u00edgio que ela tem disfrutado sempre, e continuar\u00e1 a disfrutar atrav\u00e9s dos s\u00e9culos, entre o povo chin\u00eas. \u00c9 e continuar\u00e1 a ser o livro sagrado da China, porque nela o povo chin\u00eas encontra, na sua express\u00e3o mais adequada, mais alta e mais pura, o seu pr\u00f3prio pensamento e o seu pr\u00f3prio sentimento \u2013 a pr\u00f3pria alma chinesa\u201d.<\/p>\n<p class=\"p3\">Por estas palavras se infere o seu continuado estudo da cultura e da filosofia chinesas, que tr\u00eas anos antes j\u00e1 tinha confidenciado ao seu amigo Carlos Amaro<sup>2<\/sup>: \u201cE qual outro poderia ser aqui sen\u00e3o estudar a l\u00edngua chinesa, os costumes chineses, a arte chinesa? A solid\u00e3o intelectual e moral nestes meios \u00e9 absoluta\u201d.<\/p>\n<p class=\"p3\">Abrindo um par\u00eantesis para mostrar o atraso da nossa historiografia filos\u00f3fica. Perto do fim dos anos trinta M. Gon\u00e7alves da Costa<sup>3<\/sup> publica um estudo pioneiro em l\u00edngua portuguesa sobre a filosofia chinesa antiga, lamentando \u201co ostracismo a que nas escolas do Ocidente se votavam as ricas fontes da sabedoria Oriental, procedendo-se como se a investiga\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica se esgotasse nos sistemas gregos e seus comentadores escol\u00e1sticos cat\u00f3licos\u201d<sup>4<\/sup>. O autor considera Conf\u00facio como o \u201cmestre que se tem de ouvir para que a China volte \u00e0 sua tradi\u00e7\u00e3o e ao seu significado no mundo\u201d<sup>5<\/sup>.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s4\">Mas o confucionismo possui uma significa\u00e7\u00e3o flutuante, vaga e imprecisa<sup>6<\/sup>, ora como sistema religioso, ora como padr\u00e3o \u00e9tico, num percurso paralelo que se confunde. Sebasti\u00e3o Rodolfo Dalgado<sup>7<\/sup> nota que o \u201cconfucianismo \u00e9 o nome que os europeus d\u00e3o \u00e0 religi\u00e3o ou, antes, ao naturalismo \u00e9tico, estabelecido na China por Conf\u00facio, Kung-fu-tze, no s\u00e9culo VI antes de Cristo\u201d. Essa ambiguidade, longe de se filiar numa \u00e9tica da virtude, pode ser colocada ao servi\u00e7o de poderosos argumentos conflituantes com as liberdades e com o sistema pol\u00edtico de governa\u00e7\u00e3o. Simon Leys<sup>8<\/sup>, que \u00e9 o pseud\u00f3nimo do sin\u00f3logo Pierre Rickmans, marcou o ponto fulcral dessa ambiguidade: \u201cCom efeito, o confucionismo de Estado deformou o pensamento do Mestre para o adequar \u00e0s necessidades do Pr\u00edncipe; nesta ortodoxia oficial, faz-se um uso selectivo de todas as suas afirma\u00e7\u00f5es que prescrevem o respeito das autoridades, ao passo que outras no\u00e7\u00f5es, n\u00e3o menos essenciais mas potencialmente subversivas, s\u00e3o largamente escamoteadas \u2013 \u00e9 o caso da obriga\u00e7\u00e3o de justi\u00e7a que deve moderar o exerc\u00edcio do poder e, sobretudo, do dever moral dos intelectuais de criticar os erros do soberano e de se oporem aos seus abusos, mesmo \u00e0 custa da pr\u00f3pria vida. Como consequ\u00eancia destas manipula\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas, o nome de Conf\u00facio acabou por se ver estreitamente associado ao exerc\u00edcio milenar da tirania feudal. No s\u00e9culo XX, para a elite progressista, a sua doutrina tornou-se sin\u00f3nimo de obscurantismo e de opress\u00e3o\u201d. Tamb\u00e9m Bertrand Russell<sup>9<\/sup> no seu j\u00e1 cl\u00e1ssico <i>The Problem of China<\/i>, apontava alguns desvios \u00e0 antiga pureza doutrin\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s6\">E durante a revolu\u00e7\u00e3o cultural mao\u00edsta, outro dos extremos do totalitarismo ideol\u00f3gico, escreve Henry Kissinger<sup>10<\/sup>, os \u201cestudantes universit\u00e1rios e professores revolucion\u00e1rios de Beijing desceram \u00e0 aldeia natal de Conf\u00facio, jurando p\u00f4r termo \u00e0 influ\u00eancia do velho s\u00e1bio na sociedade chinesa de uma vez por todas queimando livros antigos, esmagando placas comemorativas e arrasando os t\u00famulos de Conf\u00facio e dos seus descendentes\u201d. Ana Cristina Alves<sup>11<\/sup>, sin\u00f3loga portuguesa contempor\u00e2nea, actualiza essas perspectivas, advertindo que \u201co confucionismo perdeu for\u00e7a na China durante o s\u00e9culo XX, com a implanta\u00e7\u00e3o das primeira (1912) e segunda rep\u00fablicas (1949). Actualmente est\u00e1 de regresso \u00e0 casa-m\u00e3e e veio incorporado no Socialismo Espiritual dos novos tempos reformistas\u201d. <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s3\">A contribui\u00e7\u00e3o do g\u00e9nio romanesco de Agustina Bessa-Lu\u00eds proporciona-nos esta s\u00edntese admir\u00e1vel em <i>A Quinta-Ess\u00eancia<\/i><sup>12<\/sup>: \u201cRicci n\u00e3o podia ficar indiferente ao pensamento de Conf\u00facio, um agn\u00f3stico desprendido de toda a metaf\u00edsica, criador duma moral fundada na natureza do homem sem os recursos do mist\u00e9rio. Isto devia confundir Ricci, para quem as pr\u00e1ticas religiosas pertencem ao lado secreto da mesma natureza humana. Possivelmente h\u00e1 muito de verdade na aproxima\u00e7\u00e3o jesu\u00edta do Cristo e de Conf\u00facio, patente na fachada da igreja de S. Paulo. N\u00e3o foi um simples discurso habilidoso, mas alguma coisa mais s\u00e9ria. Kongzi, o Conf\u00facio dos padres da Companhia, ensinava quatro coisas: a moral, as letras, a lealdade e a boa f\u00e9. Ele furtava-se ao erotismo que, no seu tempo, desfrutava dum prest\u00edgio po\u00e9tico que lhe conferia qualidade recreativa e encantadora. Era uma tert\u00falia de mestre e disc\u00edpulos em que tanto um como os outros interrogam e respondem. A dial\u00e9ctica da teoria e da praxis foi introduzida por Conf\u00facio antes de Marx a ter introduzido como ideia nova. A t\u00e9cnica do mestre baseava-se na polidez, ou nos ritos; a civiliza\u00e7\u00e3o chinesa resultou desse enorme quadro de maneiras a que Ricci acabou por anuir\u201d. <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">Claro que os extremos se conciliam, como notava Benjamim Videira Pires SJ<sup>13<\/sup> que tamb\u00e9m escreveu um interessante artigo, \u201c<i>A Face Oriental de Cristo<\/i>\u201d<sup>14<\/sup>, onde observa que a \u201cesperan\u00e7a que Conf\u00facio p\u00f4s na bondade da natureza humana, encontramo-la cumprida no Deus que assumiu essa natureza humana e nos anunciou a paz como o bem essencial desta vida\u201d.<\/p>\n<p class=\"p3\">Mas fiquemo-nos apenas pelos anos vinte do s\u00e9culo passado, com dois autores ainda pouco conhecidos, um em Macau, Manuel da Silva Mendes, e o outro em Portugal, o Visconde de Villa-Moura, que se debru\u00e7aram sobre a vida e o legado de Conf\u00facio. De modos bem diferentes, \u00e9 claro.<\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3 class=\"p7\"><b>II<\/b><b><\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\">Em Macau, Manuel da Silva Mendes (1867-1931)<sup>15<\/sup>, um dos representantes mais not\u00e1veis da <i>intelligentzia<\/i> portuguesa, professor, jurista e sin\u00f3logo cujos interesses intelectuais se centravam no tao\u00edsmo filos\u00f3fico e na est\u00e9tica, tinha uma vis\u00e3o larga dos problemas, \u201ca vida, para ser vida, tem de ser activa, contrariada, inquieta, dif\u00edcil, penosa, agra mais tempo do que doce, f\u00e9rtil em surpresas, encaminhada a um ideal de irrealiza\u00e7\u00e3o certa. Quietismo, neste mundo sub-lunar, \u00e9 biologicamente falando, como dizia o outro, sonol\u00eancia, n\u00e3o te rales, deixa correr o marfim; moralmente, \u00e9 resolu\u00e7\u00e3o covarde de viver\u201d<sup>16<\/sup>. Esta resson\u00e2ncia heideggeriana da vida inaut\u00eantica parece ser um caminho problem\u00e1tico ao conflituar com as possibilidades da liberdade, que no limite se posiciona como um ataque \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do <i>ethos<\/i>.<\/p>\n<p class=\"p3\">Publicou no jornal \u2018O Macaense\u2019, de 10 de Outubro de 1920, um pequeno artigo sobre \u2018Conf\u00facio\u2019<sup>17<\/sup>, sint\u00e9tico mas de grande densidade especulativa e cultural. Adverte-nos Manuel da Silva Mendes, \u201cn\u00e3o se leiam, por\u00e9m, as obras do S\u00e1bio sem suficiente prepara\u00e7\u00e3o\u201d<sup>18<\/sup>. Porqu\u00ea, perguntar\u00e1 o leitor curioso. Exactamente porque, \u201cos tempos s\u00e3o t\u00e3o recuados, t\u00e3o diferentes das antigas as modernas linhas do pensamento, os antigos costumes e institui\u00e7\u00f5es est\u00e3o t\u00e3o longe dos modernos, \u00e9 tudo t\u00e3o diferente hoje do que era sob as antigas dinastias chinesas, que correm risco, sem que o leitor saiba transportar-se em mente a t\u00e3o distantes tempos, os seus escritos de ficarem incompreendidos. Foi por isto que o S\u00e1bio, na Europa, durante s\u00e9culos passou por ser meramente fundador de uma religi\u00e3o, a que se chamou confucionismo; religi\u00e3o que todavia, <i>qua tali<\/i> na China nunca existiu nem Conf\u00facio jamais pregou\u201d<sup>19<\/sup>.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s4\">Na opini\u00e3o de Manuel da Silva Mendes, o segredo da longevidade do legado de Conf\u00facio, registado e difundido pelos seus disc\u00edpulos, residiu na simplicidade contida neste pormenor: \u201cora, quanto os antigos s\u00e1bios chineses ensinaram, pela mudan\u00e7a dos tempos, dos costumes, das institui\u00e7\u00f5es, se foi perdendo ou tornando obsoleto e seus nomes no olvido pouco a pouco foram caindo: s\u00f3 o de Conf\u00facio, porque falou do cora\u00e7\u00e3o humano, dos mais l\u00eddimos sentimentos da alma humana, daquilo que na Natureza n\u00e3o tem poder os s\u00e9culos de alterar, ficou. E ficar\u00e1\u201d<sup>20<\/sup>. Manuel da Silva Mendes captou muito bem a ess\u00eancia<sup>21<\/sup> da \u00e9tica e da moral confucianas, mas afastou-se de uma praxis que subalternizava as liberdades.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p7\"><b>III<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\">Em Portugal, o Visconde de Villa-Moura (1877-1935), publica na revista \u201cA \u00c1guia\u201d, propriedade e \u00f3rg\u00e3o da Renascen\u00e7a Portuguesa<sup>1<\/sup>, no N\u00ba 99\\100, de Mar\u00e7o-Abril de 1920, o conto \u2018O Boneco\u2019<sup>2<\/sup>. A revista \u201cA \u00c1guia\u201d era uma importante publica\u00e7\u00e3o mensal de literatura, arte, ci\u00eancia, filosofia e cr\u00edtica social, dirigida por Ant\u00f3nio Carneiro e \u00c1lvaro Pinto. Ora, esse conto, \u2018O Boneco\u2019 \u00e9, nada mais, nada menos do que Conf\u00facio.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s4\">O Visconde de Villa-Moura, de seu nome completo, Bento de Oliveira Cardoso e Castro Guedes de Carvalho Lobo, nobilitado pelo Rei D. Carlos em 1900 com o t\u00edtulo de Visconde, era formado em Direito pela Universidade de Coimbra, grande propriet\u00e1rio rural em Bai\u00e3o, no Douro, e autor de uma obra liter\u00e1ria muito extensa e variada<sup>3<\/sup>, esteticamente acondicionada no decadentismo e politicamente muito pr\u00f3ximo do integralismo lusitano. Jo\u00e3o Alves<sup>4<\/sup>, um dos seus primeiros estudiosos, defende que \u201cAnt\u00f3nio Nobre e Vila-Moura foram os criadores do decadentismo em Portugal\u201d. Por sua vez, Ant\u00f3nio C\u00e2ndido Franco refere que a \u201csua obra, quando exalta o erotismo e pugna pelo amor livre, apresenta afinidade com a de Teixeira Gomes e procura as suas fontes gradas em Fialho, no Fialho das pervers\u00f5es rebeldes, a quem de resto dedicou um livro-estudo, Fialho de Almeida (1917), e em Camilo, o Camilo do amor pecaminoso e dos amantes penitentes, a quem tamb\u00e9m dedicou v\u00e1rios trabalhos, entre eles, <i>Camilo In\u00e9dito<\/i> (1913) e <i>Fany Owen e Camilo<\/i> (1917)\u201d<sup>5<\/sup>. Bem diferente \u00e9 a cr\u00edtica de \u00d3scar Lopes<sup>6<\/sup> que n\u00e3o esconde o seu ferrete ideol\u00f3gico, comunista, quando aponta as quest\u00f5es \u201cesteticistas e fascistas\u201d ou o \u201csentido monarco-fascista e cat\u00f3lico integrista\u201d que julga ter encontrado em alguns dos seus livros. Amigo e correspondente de Fernando Pessoa, a obra do Visconde de Villa-Moura est\u00e1 por descobrir, por estudar, qui\u00e7\u00e1 por reeditar. <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s4\">O conto de Villa-Moura, \u2018O Boneco\u2019, foi dedicado a Ant\u00f3nio C\u00e2ndido<sup>7<\/sup>, a \u00e1guia do Mar\u00e3o, como lhe chamou Camilo Castelo Branco, e apresenta-nos a hist\u00f3ria de Ant\u00f3nio Marcos, um burgu\u00eas muito rico e mis\u00f3gino, que vivia com uma velha criada, Teresa, completamente isolado da mundanidade e que \u201cestudava uma interpreta\u00e7\u00e3o individualista do platonismo, que alterava num sentido mais aristocr\u00e1tico<sup>8<\/sup>\u201d. Em casa \u201cmandava o esp\u00edrito de Plat\u00e3o, de Arist\u00f3teles, de S\u00e9neca, de criaturas, em que a Teresa nem por fumos sonhava, e\u2026 um boneco, um aut\u00eantico e precioso boneco, a figura de Conf\u00facio, em fina porcelana<sup>9<\/sup>\u201d. <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s4\">Com um remoque subtil aos colecionadores e a outros amantes da chinoiserie dizia que \u201ca figura de Conf\u00facio, que Marcos havia trazido de Saxe, e n\u00e3o directamente da China, era uma maravilha. Por ele tinha seguido pelo Elba at\u00e9 ao B\u00e1ltico, para policiar o seu acondicionamento e jornada<sup>10<\/sup>\u201d. Afinal \u2018O Boneco\u2019, Conf\u00facio, era um rel\u00f3gio falante: \u201co Dr. Kong falava, n\u00e3o j\u00e1 para expor aos seus tr\u00eas mil disc\u00edpulos a s\u00famula do Ta-hio, mas sobre a press\u00e3o dum bot\u00e3o disfar\u00e7ado em flor \u00e0 f\u00edmbria da t\u00fanica, para cantar, numa voz met\u00e1lica, a caracter\u00edstica e impressionante voz dos surdos, aquela legenda do fat\u00eddico rel\u00f3gio de Col\u00f3nia: Todas as horas ferem, a derradeira mata !&#8230;<sup>11<\/sup>\u201d. <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s6\">Percebe-se que o autor manifestava algum inc\u00f3modo por se perorar com muita frequ\u00eancia sobre Conf\u00facio e seus ensinamentos, sem ler as suas obras e os coment\u00e1rios dos seus disc\u00edpulos, porque as repeti\u00e7\u00f5es se assemelhavam a transgress\u00f5es no limite das deturpa\u00e7\u00f5es. O rel\u00f3gio estava colocado numa estante e \u201carrumavam-se a seus p\u00e9s, suas principais obras, o Ta-hio (Grande Estudo), o Tchung-yung (Fixidez do Meio) e o Lung-yu (Di\u00e1logos Morais) \u2013 flores ex\u00f3ticas da Filosofia, e que ali figuravam como outros tantos s\u00edmbolos da alma recta e compungida do iluminado<sup>12<\/sup>\u201d. Um dia, j\u00e1 muito doente, e sentindo a morte a aproximar-se, Ant\u00f3nio Marcos chama a criada e manda queimar num braseiro todo o seu grande sistema filos\u00f3fico, \u201cuma interpreta\u00e7\u00e3o individualista do platonismo, que alterava num sentido mais aristocr\u00e1tico\u201d<sup>13<\/sup>, escrito em cadernos durante anos a fio, suspirando, \u201cfoi um passatempo<sup>14<\/sup>\u201d. A \u201cTeresa, que andava como son\u00e2mbula naquela trag\u00e9dia da mais extravagante alquimia, em breve ateou fogo \u00e0 papelada, que brilhava sobre os restos negros a espiguilha misteriosa e vermelha, logo morrente, da filosofia de Ant\u00f3nio Marcos, e lhe levara uma vida a grafar\u201d<sup>15<\/sup>. Entrega \u00e0 criada um documento assinado por si, conferindo-lhe a posse de \u2018O Boneco\u2019: \u201cpor ele \u00e9 teu o Chin\u00eas da sala grande ! \u00c9 o melhor traste da casa! Nunca o vendas! E se algum dia sentires mis\u00e9ria, antes o partas! Chover-te-\u00e1 dos seus cacos a abund\u00e2ncia! <sup>16<\/sup>\u201d. Dito isto, morreu. <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s5\">Ent\u00e3o, a velha Teresa, atormentada pela morte do patr\u00e3o e apatetada pela ins\u00f3lita heran\u00e7a que lhe coube, \u201centrou na sala grande quase a correr, e sem dar conta da multid\u00e3o de figuras, que, aquela hora, envoltas do fumo, pareciam igualmente partir, dirigiu-se ofegante, nervosamente agarrada \u00e0 figura fria do Dr. Kong, para a camara torva do Morto. Mas antes que chegasse junto do defunto, perto do qual pensara em pous\u00e1-lo, ao passar pela cruz de pau negro que, fronteira ao leito, se espalhava, a toda a altura da parede, embara\u00e7ou-se nas r\u00e9guas do velho sinal, pelo que o pesado fardo lhe deslizou dos bra\u00e7os, desfazendo-se no ch\u00e3o, em cacos, por entre a chuva dos mais finos tinidos, \u00e0 mistura do grito civilizado, amarelo, dalgumas centenas de esterlinas, que Ant\u00f3nio Marcos havia confiado de suas entranhas para prover ao futuro da maquinal companheira de sempre<sup>17<\/sup>\u201d. <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s5\">O humor camiliano est\u00e1 presente neste desfecho inesperado, onde uma pequena fortuna em libras de ouro, guardada nas entranhas de \u2018O Boneco\u2019, parece pulverizar os remorsos da velha \u00e9tica confuciana. <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">Esta exuma\u00e7\u00e3o da dimens\u00e3o sapiencial dos ensinamentos confucianos est\u00e1 em linha com uma modernidade pendurada num sistema de conceitos que mais tarde se ir\u00e3o alimentar de Marx, Nietzsche e Freud, na ressaca da eros\u00e3o dos valores e dos poderes ap\u00f3s o termo da primeira grande guerra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p7\"><b>IV<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\">O Conf\u00facio de Manuel da Silva Mendes e o Conf\u00facio do Visconde de Villa-Moura, continuam a ser um e um s\u00f3.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s6\">Silva Mendes valoriza a inquieta\u00e7\u00e3o do pensador e a sinceridade dos combates que travou para colocar em pr\u00e1tica as suas ideias, o ser contra o ter. Este idealismo, profundamente ligado a um devir emocional, constr\u00f3i uma \u00e9tica e uma moral de pensamento e ac\u00e7\u00e3o, dentro de uma realidade inexoravelmente maior do que o alcance da individualidade. A liberdade \u00e9 a grandiosa energia, a subst\u00e2ncia da vida em comunidade aut\u00eantica. Nas deriva\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas do confucionismo, a liberdade parece transformar-se numa esp\u00e9cie de ex\u00edlio moral ou numa nota de rodap\u00e9 da hist\u00f3ria dos povos.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">O Visconde de Villa-Moura, preocupado com o excesso amplificante da raz\u00e3o confuciana, introduz um jogo ir\u00f3nico no <i>pathos<\/i> do seu audit\u00f3rio, misturando o vil metal, o ouro, com a ang\u00fastia e a solid\u00e3o existenciais, porque, reflecte de si para si, \u201cnas letras, como afinal em tudo, os ignorantes t\u00eam em menos estima o feitio do que o peso. S\u00e3o para o Pensamento, para a Ideia, o que o ourives est\u00fapido \u00e9 para o oiro lavrado. Fiam da balan\u00e7a o que ningu\u00e9m pode fiar deles, do seu ju\u00edzo, naturalmente muito reduzido em poder de selec\u00e7\u00e3o, em crit\u00e9rio de escolha<sup>18<\/sup>\u201d. Depois de ter lido <i>O Mandarim<\/i>, de E\u00e7a de Queiroz, encontrou na desconstru\u00e7\u00e3o de um s\u00edmbolo da moda intelectual, Conf\u00facio, o caminho para uma abordagem poliss\u00e9mica da consci\u00eancia infeliz, de Hegel e de quase todo o idealismo alem\u00e3o. \u00c9 nesse referencial de melancolia que afirma<sup>19<\/sup>: &#8220;Eu leio Nietzsche como os estudantes de piano tocam escalas \u2013 por exerc\u00edcio&#8221;, terminando o conto sem devolver \u00e0 velha criada o sentido da responsabilidade pela sua nova identidade. E \u00e9 nesta incis\u00e3o nietzcheana que se pode inscrever o seu erotismo mis\u00f3gino quando afirma, \u201camai o amor, n\u00e3o ameis exclusivamente algu\u00e9m!\u201d<sup>20 <\/sup>em contraponto com essa descri\u00e7\u00e3o com tantas estranhas refer\u00eancias: \u201ca boca do Fil\u00f3sofo, de express\u00e3o fixa, fria como a boca da rocha, somente aberta ao fio branco e gelante da mais cristalina doutrina, jamais havia inspirado, em sua vida consciente, o perfume dum beijo; ignorando, de igual sorte, a alma dos l\u00edrios, chagas olorosas da crosta terrena, mud\u00e1vel ao sabor das esta\u00e7\u00f5es, tal qual a pele das cobras, que em seus infinitos ninhos, aquela abriga!\u201d<sup>21<\/sup>.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s4\">Contudo, teremos de esperar vinte e tr\u00eas anos, por Agostinho da Silva que publica em 1943, uma breve e singela biografia, <i>O S\u00e1bio Conf\u00facio<\/i><sup>22<\/sup>, isto \u00e9, um Conf\u00facio popular e acess\u00edvel a todos, com uma cuidadosa aproxima\u00e7\u00e3o a uma diferente espiritualidade. Era o regresso do Conf\u00facio do povo, com ideias simples e euf\u00f3ricas no indefin\u00edvel sagrado\\profano das argumenta\u00e7\u00f5es, dispon\u00edvel para ser aprisionado pela ret\u00f3rica negra do poder pol\u00edtico.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-940 size-full\" src=\"http:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/anexo.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"2181\" srcset=\"https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/anexo.jpg 1500w, https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/anexo-206x300.jpg 206w, https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/anexo-704x1024.jpg 704w, https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/anexo-768x1117.jpg 768w, https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/anexo-1056x1536.jpg 1056w, https:\/\/www.viadomeio.com\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/anexo-1409x2048.jpg 1409w\" sizes=\"auto, (max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>___<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>Notas<\/b><\/p>\n<ul>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Ant\u00f3nio Aresta, \u201cConf\u00facio\u201d, Jornal Tribuna de Macau, 22.11.2017.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Em diferentes momentos, tenho procurado fazer uma sistematiza\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria da sinologia portuguesa: Ant\u00f3nio Aresta, \u201cOs Estudos S\u00ednicos no Panorama da Hist\u00f3ria da Educa\u00e7\u00e3o em Portugal\u201d, Revista Administra\u00e7\u00e3o,N.<sup>o<\/sup> 38, Vol. X, 1997, pp. 1045-1069 .Como esta publica\u00e7\u00e3o \u00e9 bilingue, a tradu\u00e7\u00e3o chinesa est\u00e1 nas p\u00e1ginas 1177-1192; Ant\u00f3nio Aresta, \u201cA Sinologia Portuguesa, um esbo\u00e7o breve\u201d, RC-Revista de Cultura [Instituto Cultural de Macau], N.<sup>o<\/sup> 32, II S\u00e9rie, 1997, pp. 9-18. Este estudo foi traduzido para chin\u00eas e para ingl\u00eas, nas respectivas vers\u00f5es da RC-Revista de Cultura; Ant\u00f3nio Aresta, \u201cA Sinologia\u201d, in Adalberto Dias de Carvalho (coord.), Dicion\u00e1rio de Filosofia da Educa\u00e7\u00e3o, Porto Editora, 2006, pp. 347-348; Ant\u00f3nio Aresta, \u201cSinologia Portuguesa: Caminhos e Veredas\u201d, in Miguel Castelo-Branco (coord.), Portugal-China. 500 anos, ed. Biblioteca Nacional de Portugal\\Babel, Lisboa 2014, pp. 275-279 .<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Para o caso de Macau, veja-se, Padre Manuel Teixeira, A Imprensa Portuguesa no Extremo Oriente, ed. Not\u00edcias de Macau, 1965, 2.<sup>a<\/sup> edi\u00e7\u00e3o, Instituto Cultural de Macau, 1999; Daniel Pires, Dicion\u00e1rio Cronol\u00f3gico da Imprensa Peri\u00f3dica de Macau do S\u00e9culo XIX (1822-1900), ed. Instituto Cultural do Governo da R.A.E.Macau, 2015. O Jornal de Bellas Artes ou Mnem\u00f3sine Lusitana. Redac\u00e7\u00e3o Patri\u00f3tica. O n\u00famero XXIII, de 1816, cont\u00e9m abundante informa\u00e7\u00e3o sobre Macau e a China. A Revista Popular. Seman\u00e1rio de Literatura, Sciencia e Industria, cuja Redac\u00e7\u00e3o era assegurada por Joaquim Fradesso da Silveira, Jos\u00e9 Maria Latino Coelho, Francisco Pereira de Almeida e Augusto Gon\u00e7alves Lima, publicou no N.<sup>o<\/sup> 12 \\ 1849, o conto chin\u00eas \u201cA Tran\u00e7a do Mandarim\u201d, com evidentes resson\u00e2ncias confucianas. Na contemporaneidade, o jornal da Diocese de Macau, O Clarim, n\u00e3o perdia a oportunidade para marcar a sua posi\u00e7\u00e3o doutrin\u00e1ria. Veja-se o interessante artigo de Tooshar Pandit, \u201cConf\u00facio e Karl Marx frente a frente\u201d, O Clarim , 14.02.1965.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Almanach de Lembran\u00e7as Luso-Brasileiro para 1857. Com 410 artigos e 106 gravuras, Lisboa, Typographia Universal, 1856, 391 pp..<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Na Encyclopedia Portugueza Illustrada, editada por Lemos &amp; C.a, Successor, Porto, 1900-1909, publicada sob a direc\u00e7\u00e3o de Maximiano Lemos, III volume, surge uma informa\u00e7\u00e3o abrangente sobre Conf\u00facio e o confucionismo, destacando-se a seguinte ideia: \u201cTodo o seu systema repouza sobre os deveres rec\u00edprocos dos homens, classificados por elle em rela\u00e7\u00f5es entre principe e vassalo, pae e filhos, e entre concidad\u00e3os. O respeito aos pais, antepassados, ao nome, \u00e9 o fundamento da fam\u00edlia, e estes mesmos princ\u00edpios aplica elle ao governo\u201d. O Museu Liter\u00e1rio, \u00datil e Divertido, N.<sup>o<\/sup> 5, Lisboa, na Impress\u00e3o R\u00e9gia, 1833, traz uma \u201cNot\u00edcia do Imp\u00e9rio da China, segundo os mais modernos conhecimentos obtidos na Europa\u201d, pp. 132-135.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Os dicion\u00e1rios eram uma importante fonte difusora de cultura, em termos pr\u00e1ticos, generalistas e simples. Mas, frequentemente, misturavam os conceitos. Sobre Conf\u00facio e o confucionismo. No Novo Diccionario da L\u00edngua Portuguesa, de Eduardo de Faria, Typographia Lisbonense, Lisboa, 1851, 2.a edi\u00e7\u00e3o, lemos que Conf\u00facio \u201censinou uma philosophia toda pr\u00e1tica\u201d. Mas no Diccionario Popular (hist\u00f3rico, geogr\u00e1fico, mythologico, biogr\u00e1fico, art\u00edstico, bibliogr\u00e1fico e litterario), dirigido por Manoel Pinheiro Chagas, Typographia do Diario Illustrado, 3.<sup>o<\/sup> volume, Lisboa, 1878, encontramos uma informa\u00e7\u00e3o com mais detalhe. Conf\u00facio \u201cfundou uma escola meio philosophica, meio pol\u00edtica, \u00e0 qual a China deve essa civiliza\u00e7\u00e3o estacion\u00e1ria que ainda hoje ali impera. Essa escola n\u00e3o tem metaphysica, ocupa-se exclusivamente de economia social e de moral. Muitos consideram Conf\u00facio como legislador, n\u00e3o o foi, foi apenas um philosopho e um moralista, mas a legisla\u00e7\u00e3o chinesa toda se deriva da escola e do ensino de Conf\u00facio, e foi ele que lhe deu a sua originalidade e o seu caracter im\u00f3vel\u201d.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">A t\u00edtulo de exemplo, Jo\u00e3o Felix Pereira, Compendio de Geographia, para uso da instruc\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria, edi\u00e7\u00e3o do autor, 10.<sup>a<\/sup> edi\u00e7\u00e3o, Lisboa, 1877: \u201cO grande philosopho Confucius foi contemporaneo de Salom\u00e3o: seos escritos encerr\u00e3o verdades mais sublimes do que as da philosophia de Pythagoras, Socrates e Plat\u00e3o\u201d. E continua: \u201cDebaixo do ponto de vista moral, diz-se, que os chins possuem as virtudes e os v\u00edcios do escravo, do fabricante e do negociante: reina um systema de tyrannia e de opress\u00e3o, desde o soberano at\u00e9 ao r\u00fastico. As v\u00e1rias classes de mandarins n\u00e3o s\u00e3o melhores do que escravos de gradua\u00e7\u00e3o superior, os quaes, por sua vez, oprimem, cruelmente o povo\u201d, pp. 245 e 247. Ainda outro exemplo: Alberto Pimentel, Album de Ensino Universal. Livro de Instru\u00e7\u00e3o Popular, Lisboa, Officina Typographica de J. A. de Matos, 1879. Nas p\u00e1ginas 177\\178, encontramos esta informa\u00e7\u00e3o: \u201cReligi\u00e3o de Conf\u00facio: consiste num pante\u00edsmo filos\u00f3fico e tem por chefe o imperador da China. \u00c9 a religi\u00e3o dos homens letrados da China, de Annam e do Jap\u00e3o\u201d.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Historia Universal. Primeira Parte. Hist\u00f3ria Antiga, escrita em Francez pelo Abbade Millot e traduzida em Vulgar por J. J. B., Professor no Real Collegio de Alcoba\u00e7a, 2.<sup>a<\/sup> edi\u00e7\u00e3o, correcta e aumentada, Tomo Primeiro, Lisboa, na Typographia Rollandiana, 1801, 383 pp.. Sobre a China, pp. 90-98. A Conf\u00facio, para al\u00e9m de divulgar algumas m\u00e1ximas, apresenta esta s\u00edntese: \u201cA sua Filosofia consistia menos na especula\u00e7\u00e3o, do que na pr\u00e1tica; raz\u00e3o porque deitou mais depressa S\u00e1bios, que Discursistas\u201d, p. 97; Dami\u00e3o Ant\u00f3nio de Lemos Faria e Castro, Hist\u00f3ria Geral de Portugal e suas Conquistas, oferecida \u00e0 Ra\u00ednha Nossa Senhora D. Maria I, Lisboa, Na Typographia Rollandiana, Tomo XI, 1788. As informa\u00e7\u00f5es sobre a China e sobre Conf\u00facio, pp. 147-161.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Algumas tradu\u00e7\u00f5es: Os Analectos, tradu\u00e7\u00e3o de Maria de F\u00e1tima Tom\u00e1s, Publica\u00e7\u00f5es Europa-Am\u00e9rica, 1982, 127 pp.; Quadras de Lu e Rela\u00e7\u00e3o Auxiliar, tradu\u00e7\u00e3o e notas de Joaquim Guerra SJ, Edi\u00e7\u00e3o Jesu\u00edtas Portugueses, Macau, 1981\\1983, 5 volumes; Quadrivolume de Conf\u00facio, tradu\u00e7\u00e3o e notas de Joaquim Guerra SJ, Edi\u00e7\u00e3o Jesu\u00edtas Portugueses, Macau, 1990, 615 pp.; Conversa\u00e7\u00f5es, M. Gon\u00e7alves de Azevedo, Ed. Estampa, 1991, 196 pp.; Ditos de Conf\u00facio, tradu\u00e7\u00e3o de Daniel J.L. Carlier, edi\u00e7\u00e3o Jornal Tribuna de Macau, 2008, 119 pp.; As Quatro Obras: Discurso e Di\u00e1logo; Suprema Educa\u00e7\u00e3o; Meio Constante, tradu\u00e7\u00e3o do chin\u00eas , introdu\u00e7\u00e3o e notas de Lu\u00eds Gonzaga Gomes, Macau, Imprensa Nacional, 1945, 248 pp.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Na edi\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea de 1994, anotada e traduzida do italiano por Lu\u00eds Gonzaga Gomes, com pref\u00e1cios de Maria Edith da Silva, Ant\u00f3nio Rodrigues J\u00fanior e Ant\u00f3nio Aresta, coeditada pela Direc\u00e7\u00e3o dos Servi\u00e7os de Educa\u00e7\u00e3o e Juventude\\Funda\u00e7\u00e3o Macau, esta refer\u00eancia a Conf\u00facio \u00e9 significativa: \u201cEste homem caiu, a todos os respeitos, nos tempos subsequentes, em tanta gra\u00e7a e apre\u00e7o dos chineses e t\u00e3o grande cr\u00e9dito alcan\u00e7aram os livros que comp\u00f4s e os ditos e as senten\u00e7as por ele deixados, que n\u00e3o somente o tem por santo, mestre e doutor do reino com o que dele se cita \u00e9 estimado como coisa sagrada, al\u00e9m de existir, em todas as cidades do reino, templos, p\u00fablicos, onde \u00e9 reverenciado, com muitas cerim\u00f3nias em dias marcados e, nos anos dos exames, uma das principais cerim\u00f3nias \u00e9 irem os novos graduados todos juntos prestar-lhe rever\u00eancia e reconhec\u00ea-lo por mestre\u201d, p. 103.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Eduardo Fernandes (Esculapio), Dois Anos de Tro\u00e7a. Gazetilhas publicadas em O S\u00e9culo (94-95). Revistas pelo autor e prefaciadas por Ant\u00f3nio Campos J\u00fanior, Lisboa, Empreza da Hist\u00f3ria de Portugal, 1900, pp. 102 e 103.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Fialho d\u2019Almeida, Pasquinadas: Jornal d\u2019um Vagabundo, Porto, Livraria Civiliza\u00e7\u00e3o, 1890, pp. 238-244: \u201cO sr. Coelho de Carvalho, que enviou da China a Ces\u00e1rio Verde o seu retrato de mandarim\u201d, com a explica\u00e7\u00e3o minuciosa das ins\u00edgnias mandar\u00ednicas; Alberto d\u2019Oliveira, Pombos-Correios (Notas Quotidianas), Coimbra, Fran\u00e7a Amado Editor, 1913, p. 321: \u201cA nova China, ainda antes de nos mostrar que tem cabe\u00e7a, anuncia-nos solenemente que j\u00e1 tem chap\u00e9u. Mudar de fato pareceu-lhe t\u00e3o urgente como mudar de reg\u00edmen\u201d. Gomes Leal , A Morte do Rei Humberto e os Cr\u00edticos do \u2018Fim d\u2019um Mundo\u2019, Lisboa, Parceria Ant\u00f3nio Maria Pereira, 1900, p. 17: \u201cA China, a remota p\u00e1tria dos mandarins e das sedas magn\u00edficas, dos xar\u00f5es raros, e das pedrarias fabulosas, como vis\u00f5es de \u00f3pio, n\u00e3o quer ceder nenhuma das suas prerrogativas, nem ceder mais territ\u00f3rio algum \u00e0 cobi\u00e7a do com\u00e9rcio europeu ?&#8230;Salafr\u00e1rios, chatins, safardanas, sarrafacais !&#8230; Desprezam, pois, estes letrados mariolas s\u00e1bios, com uma teimosia revoltante de povos inferiores, habituados a uma hedionda rotina, herdada de Conf\u00facio, toda a luz ben\u00e9fica e imaterial dos povos civilizados do Ocidente, que tanto benef\u00edcio levaram \u00e0 velha \u00cdndia, que ela est\u00e1 hoje morrendo de fome, de peste, de anemia e da alegria espiritual e ferruginosa da civiliza\u00e7\u00e3o !&#8230;. N\u00e3o se pode ser mais b\u00e1rbaro!&#8230;. H\u00e1 enfim s\u00f3 uma frase: &#8211; \u00e9 chin\u00eas !\u201d.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Carlos Jos\u00e9 Caldeira, Apontamentos d\u2019uma Viagem de Lisboa \u00e0 China e da China a Lisboa, Lisboa, Typographia de Castro &amp; Irm\u00e3o, 1852\\3; Greg\u00f3rio Ribeiro, De Macau a Fuchau. Cartas a J.M. Pereira Rodrigues, Lisboa, Typographia Universal, 1866; Conde de Arnoso, Jornadas pelo Mundo: em caminho de Pekim, Porto, Magalh\u00e3es &amp; Moniz, 1895; Adolfo Loureiro, No Oriente. De N\u00e1poles \u00e0 China, Lisboa, Imprensa Nacional, 1896\\7; Jos\u00e9 Morais Palha, Esbo\u00e7o Cr\u00edtico da Civiliza\u00e7\u00e3o Chinesa, Macau, Typographia Mercantil, 1912; Alberto de Carvalho, Reminisc\u00eancias do Oriente: apontamentos de viagem, Lisboa, Tipografia da Cooperativa Militar, 1914.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">CONFUCIUS sinarum Philosophus sive scientia sinensis latine exposita, Ludovici Magni, Pariis, MDCLXXXVII, 563 pp.; Ad Virum Nobilem, de cultu CONFUCII Philosophi et Progenitorum apud Sinas, Antverpiae, MDCC, 57 pp.; Vera Sinensium Sententia de tabela Confucio &amp;progenitoribus inscripta, cum ulteriore expositione &amp; informatione de factis sinensibus controversis secundum PP. Societatis Jesu adversus novam allegationem textum Sinicorum factam presertim extractatibus PP. FF. Dominici Navarrette &amp; Francisci Varo Dominicanorum, Anno MDCC, 468 pp.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Apologie des Dominicains Missionnaires de la Chine ou Reponse au livre du P\u00e8re Le Tellier jesuite, intitul\u00e9, D\u00e9fense des Nouveaux Chr\u00e9tiens; Et \u00e0 L\u2019\u00e9claircissement Du P. Le Gobien de la m\u00eame Compagnie, Sur des honneurs que les chinois rendent \u00e0 Confucius et aux Morts. Par un Religieux Docteur et Professeur de Theologie de L\u2019Ordre de S. Dominique. Tome Premier. \u00c0 Cologne. Chez Les Heritiers de Corneille d\u2019Egmond, MDCC, 392 pp.; Relation du voyage fait \u00e0 la Chine sur le vaisseau l\u2019Amphitrite, en l\u2019ann\u00e9e 1698. Par le sieur Gio Ghirardini, peintre italien. A monseigneur le duc de Nevers, MDCC, 237 pp. Esta obra termina com uma \u201cLettre du Roy de Portugal au Cardinal Barberin Protecteur de cette Couronne\u201d, datada de Lisboa, em 1699. Surpreendente \u00e9 esta obra , L\u2019Espion Chinois ou L\u2019Envoy\u00e9 Secret de la Cour de P\u00e9kin pour Examiner L\u2019\u00c9tat Pr\u00e9sent de L\u2019Europe. Traduit du chinois, A Cologne, MDCCLXXXIII, em seis volumes. Obra sem men\u00e7\u00e3o de autor. O sexto volume contem abundantes refer\u00eancias a Portugal.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s2\">Resposta Compuls\u00f3ria \u00e0 Carta Exhortativa, para que se retrate o seu Author das Calumnias que proferio contra os Reverendissimos Padres da Companhia de Jesus da Provincia de Portugal. E lhe dedica Francisco de Pina e de Mello, Mo\u00e7o Fidalgo da Casa Real e Academico da Academia Real de Historia Portugueza, Monte mor o Velho, a 26 de Junho de 1755, p. 60. No ano seguinte, este mesmo autor publica o Triumpho da Religi\u00e3o. Poema \u00c9pico-Pol\u00e9mico que \u00c0 Sua Santidade do Papa Benedicto XIV dedica Francisco de Pina e de Mello, Mo\u00e7o Fidalgo da Casa de Sua Magestade e Academico da Academia Real da Historia Portugueza, Coimbra, na Officina de Antonio Simoens Ferreyra, Impressor da Universidade, Anno de 1756, 426 pp.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Collec\u00e7\u00e3o Geral e Curiosa de Todos os Documentos Officiais e Historicos Publicados por Ocasi\u00e3o da Regenera\u00e7\u00e3o de Portugal, desde 24 de Agosto, Lisboa, Typographia Rollandiana, 1820.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Lisboa, 1860, Typ. de Jos\u00e9 da Costa, p. 60.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Joaquim de Santa Rita, Academia dos Humildes e Ignorantes, Confer\u00eancia XXVII, Tomo IV, Lisboa, 1762, Na Officina de Ignacio Nogueira Xistro, p. 212.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Traducidos del franc\u00eas al castellano por D. Enrique Ataide y Portugal, Oficina de Aznar, Madrid, 1802.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Cole\u00e7\u00e3o e Escolha de Bons Ditos e Pensamentos Moraes, Politicos e Graciozos. Escriptos por *** . Lisboa, Na Officina de Francisco Borges de Souza, Anno MDCCLXXIX, 471 pp.; Li\u00e7\u00f5es de Boa Moral, de Virtude e de Urbanidade. Compostas no idioma hespanhol por D. Jos\u00e9 de Urcullu e traduzidas para o portuguez da 3.a edi\u00e7\u00e3o de Londres de 1828 por Francisco Freire de Carvalho, Lisboa, 3.a edi\u00e7\u00e3o, Typographia Rollandiana, 1854, 246 pp. Com especial interesse para a moral confuciana, pp. 45-48; Outra obra importante: Pens\u00e9es Morales de Confucius, recueillies et traduites du latin par M. Levesque, Paris, MDCCLXXXIII. Para al\u00e9m da introdu\u00e7\u00e3o (pp. 7-62) s\u00e3o apresentados 230 pensamentos morais (pp. 63-175).<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Lisboa, Imprensa Nacional, 1843. Conhecer\u00e1 uma segunda edi\u00e7\u00e3o em 1847. Esta obra foi reeditada sob o t\u00edtulo Cartas Escriptas da \u00cdndia e da China, 2 volumes, introdu\u00e7\u00e3o de Artur Teodoro de Matos, Livros do Oriente, Macau, 1998.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Idem, p. 25.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Idem, p. 29.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Idem, p. 280.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">O Panorama, Vol. IX, 1852, pp. 75-76, 86-88, 91-93, 98-100, 106-107, 119-120, 125-126 e 131-132. A novela n\u00e3o est\u00e1 assinada.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">P\u00e1gina 213. A revista, era dirigida por Jo\u00e3o Romano Torres, abre com uma \u201cHomenagem ao Genial Poeta Jo\u00e3o de Deus\u201d e toda a colabora\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 assinada. Contudo, grande parte dessa colabora\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser associada a Lucas Evangelista Torres e aos seus filhos Jo\u00e3o Romano, Manuel Lucas e Fernando Augusto.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">A edi\u00e7\u00e3o portuguesa sob a chancela da Livraria Bertrand, Lisboa, s\\d, tradu\u00e7\u00e3o de Manuel Maria de Mendon\u00e7a Balsem\u00e3o<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">O Mandarim, 3.<sup>a<\/sup> edi\u00e7\u00e3o, Porto, Livraria Internacional de Ernesto Chardron, 1889, p. 152.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Idem, p. 90.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Biblioteca Arte y Letras, Barcelona, 1887. Escreve 11 \u2018Cartas al Director de Las Provincias\u2019, todas datadas de Macau, a primeira de 26 de Setembro de 1878 e a \u00faltima de 8 de Dezembro de 1882.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Idem, pp. 269-282.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\"> Pedro Magalh\u00e3es, Duarte Leite (1864-1950), Edi\u00e7\u00e3o do Munic\u00edpio de Lousada, 2014, p. 22.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\"> O Systema dos Mythos Religiosos, Lisboa, Livraria Bertrand, 1882, p. 71.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\"> The Chinese Recorder and Missionary Journal, N. 1, Vol. XVIII, January, 1887. No ensaio, \u201cOur Attitude towards Confucianism\u201d, (pp. 1-11), esfor\u00e7a-se por explicar \u201c\u2026 to show that Confucianism from un enemy can be converted into a friend helpful to Christian teaching\u201d, p. 10. Na contemporaneidade, ser\u00e1 Henrique Rios dos Santos SJ, a trilhar esse caminho com O Ros\u00e1rio Com a Igreja da China, edi\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o AIS\\Apostolado da Ora\u00e7\u00e3o, 2008, 127 pp. Seleccionou 35 Pensamentos de Conf\u00facio, dizendo: \u201cOferecemos um pensamento de Conf\u00facio (Kong Fu Zi) para cada mist\u00e9rio tamb\u00e9m, como um modo de dar a conhecer as pontes que se podem estabelecer entre a tradicional cultura chinesa e o cristianismo\u201d, p. 6.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s2\"> O Brasil Mental, pref\u00e1cio de Ant\u00f3nio Telmo, Lello Editores, 1997, p. 155.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\"> Parceria Ant\u00f3nio Maria Pereira, Lisboa, 1904.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\"> Publicadas por Tom\u00e1s Bettencourt Cardoso sob o t\u00edtulo Cartas da China, edi\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Macau, 1999.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Este di\u00e1rio matutino da cidade do Porto publicava nas primeiras p\u00e1ginas, por exemplo em 1905, as Cartas: de \u00c1frica, da Alemanha, do Paraguai, da \u00cdndia, do Jap\u00e3o, da Andaluzia, do Brasil, da Inglaterra, de It\u00e1lia, dos A\u00e7ores, de Fran\u00e7a, de Cabo Verde, de Espanha, etc. Sempre assinadas por correspondentes portugueses locais.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\"> Wenceslau de Moraes, Antologia, Selec\u00e7\u00e3o de Textos e Introdu\u00e7\u00e3o de Armando Martins Janeira, Pref\u00e1cio de Daniel Pires, Veja, 2.<sup>a<\/sup> edi\u00e7\u00e3o, 1993, p. 401.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\"> Transcrita inicialmente no jornal O Progresso, 21.03.1915. Reproduzida em Monsenhor Manuel Teixeira, Liceu de Macau, ed. Direc\u00e7\u00e3o dos Servi\u00e7os de Educa\u00e7\u00e3o, Macau, 3.<sup>a<\/sup> edi\u00e7\u00e3o, 1986, p. 389.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\"> Carta enviada de Macau em 21 de Setembro de 1912, em Daniel Pires, Camilo Pessanha: Correspond\u00eancia, dedicat\u00f3rias e outros textos, ed. Biblioteca Nacional de Portugal\\Editora Unicamp, Lisboa\\Campinas, 2012, p. 186.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\"> Filosofia Chinesa Antiga: da \u00e9tica \u00e0 metaf\u00edsica, edi\u00e7\u00e3o do autor, 51 pp., 1980. Este estudo data de 1937 e foi apresentado no Instituto Beato Miguel de Carvalho como tese de licenciatura em Filosofia, tendo sido publicado na Revista Brot\u00e9ria em 1939. O autor refere a amizade com Domingos Tang e o aux\u00edlio deste para elucidar algumas d\u00favidas. Sobre Domingos Tang, ver, Os Insond\u00e1veis Caminhos de Deus. Mem\u00f3rias de D. Domingos Tang SJ, Arcebispo de Cant\u00e3o, 1951-1981 , Editorial A.O., Braga, 1990.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\"> Idem, p. 5.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\"> Idem, p. 11.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\"> Mesmo nas l\u00ednguas estrangeiras: Dicion\u00e1rio da L\u00edngua Galega de Isaac Alonso Estrav\u00eds, Sotelo Blanco Edici\u00f3ns, 1995, p. 390; Dizionario Italiano Sabatini Coletti, Giunti, 1997, p. 557; Le Grand Robert de la Langue Fran\u00e7aise, Le Robert, Paris, 1992, Tome II, p. 816; The Oxford English Dictionary, Clarendon Press, Oxford, 1998, Vol. III, p. 719; The Collins Concise Dictionary of the English Language, Collins, 1989, p. 235; Diccionario de la Lengua Espa\u00f1ola, Real Academia Espa\u00f1ola, 1984, Tomo I, p. 358; Enciclopedia del Idioma de Mart\u00edn Alonso, Aguilar, Madrid, 1958, Tomo I, p. 1175. Uma excep\u00e7\u00e3o, pode ser encontrada em Grand Usuel Larousse, Larousse-Bordas, 1997, Vol. 2, p. 1706.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\"> Gloss\u00e1rio Luso-Asi\u00e1tico, Coimbra, Imprensa da Universidade, 1919, vol. I, p. 303.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\"> Ensaios sobre a China, Livros Cotovia, 2005, p. 248.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\"> \u201cApart from filial piety, confucianism was, in practice, mainly a code of civilized behavior, degenerating at times into an etiquette book\u201d, London, George Allen &amp; Unwin Ltd, 1922, p. 43<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\"> Da China, Quetzal Editores, 2011, pp. 216-217.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\"> A Sabedoria Chinesa, Casa das Letras, 2005, p. 23.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\"> Lisboa, Guimar\u00e3es Editores, 1999, p. 347.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\"> Os Extremos Conciliam-se (transcultura\u00e7\u00e3o em Macau), ICM, 1988.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\"> O Clarim, Ano XXV, N.<sup>o<\/sup> 33, 24.08.1972.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">A mais recente e completa edi\u00e7\u00e3o da Obra Completa de Manuel da Silva Mendes: Manuel da Silva Mendes: Mem\u00f3ria e Pensamento, organiza\u00e7\u00e3o de Ant\u00f3nio Aresta e Rog\u00e9rio Beltr\u00e3o Coelho, <\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Edi\u00e7\u00e3o Livros do Oriente, 3 volumes [570 pp. + 539 pp. + 519 pp.], 2017\\2018. <\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Sobre o autor, ver Ant\u00f3nio Aresta, \u201cManuel da Silva Mendes: um intelectual portugu\u00eas em Macau\u201d, in Manuel da Silva Mendes: Mem\u00f3ria e Pensamento, Vol. I , 2017, pp. 41-112; Amadeu Gon\u00e7alves, \u201cManuel da Silva Mendes: Entre Vila Nova de Famalic\u00e3o e Macau\u201d, idem, pp. 15-39; Tiago Quadros, \u201cDo charme discreto do habitar. A Vila Primavera, locus amoenus de Manuel da Silva Mendes\u201d, idem, pp. 113-121; Ana Cristina Alves, \u201cO Tao de Manuel da Silva Mendes: do Tao Pol\u00edtico ao Tao Po\u00e9tico\u201d, in Manuel da Silva Mendes: Mem\u00f3ria e Pensamento, Vol. II, 2018, pp. 21-34; Ant\u00f3nio Gra\u00e7a de Abreu, \u201cManuel da Silva Mendes e Camilo Pessanha, a inimizade inteligente\u201d, idem, pp. 49-60; Aureliano Barata, \u201cManuel da Silva Mendes: um olhar sobre Macau e o seu ensino\u201d, idem, pp. 61-80; Ant\u00f3nio Concei\u00e7\u00e3o J\u00fanior, \u201cO legado art\u00edstico de Manuel da Silva Mendes\u201d, idem, pp. 83-100; Jorge Morbey, \u201cManuel da Silva Mendes, o homem e a sua circunst\u00e2ncia\u201d, in Manuel da Silva Mendes: Mem\u00f3ria e Pensamento, Vol. III, 2018, pp. 15-21; Ana Cristina Alves, \u201cSeis fotografias a\u00e9reas sobre a vida e obra de Silva Mendes\u201d, idem, pp. 23-28; Maria dos Anjos da Silva Mendes, \u201cMem\u00f3ria da Bisneta\u201d, idem, pp. 31-44; Erasto Santos Cruz, \u201cExcerptos de Filosofia Taoista &amp; Quest\u00f5es de Tradu\u00e7\u00e3o\u201d, pp. 91-127; Carlos Bot\u00e3o Alves, \u201cO Oriente na Literatura Portuguesa: Antero de Quental e Manuel da Silva Mendes\u201d, idem, pp. 129-210; Ant\u00f3nio Aresta, \u201cBibliografia de Manuel da Silva Mendes\u201d, idem, pp. 489-499.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s2\">A P\u00e1tria, 27.07.1927. Republicado em Manuel da Silva Mendes: Mem\u00f3ria e Pensamento, organiza\u00e7\u00e3o de Ant\u00f3nio Aresta e Rog\u00e9rio Beltr\u00e3o Coelho, Edi\u00e7\u00e3o Livros do Oriente, 2018, Vol. III, pp. 330-331.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Utilizo a nova edi\u00e7\u00e3o, Manuel da Silva Mendes: Mem\u00f3ria e Pensamento, organiza\u00e7\u00e3o de Ant\u00f3nio Aresta e Rog\u00e9rio Beltr\u00e3o Coelho, Edi\u00e7\u00e3o Livros do Oriente, 2017, Vol. I. , pp. 381-382.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Idem, p. 382.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Idem, p. 382.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Idem, p. 382.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Dentro desta abordagem, veja-se, Cheng-Tien-Hsi, China Moulded by Confucius. The chinese way in western light. Published under the \u00e1uspices of the London Institute of World Affairs, London, Stevens &amp; Sons Limited, 1947; Guy S. Alitto, The Last Confucian: Liang Shu-ming and the Chinese dilemma of modernity, Berkeley, University of California Press, 1979.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Sobre a Renascen\u00e7a Portuguesa, ver Alfredo Ribeiro dos Santos, A Renascen\u00e7a Portuguesa: Um Movimento Cultural Portuense, pref\u00e1cio de Jos\u00e9 Augusto Seabra, edi\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Eng. Ant\u00f3nio de Almeida, 1990, 285 pp.; Paulo Samuel, A Renascen\u00e7a Portuguesa. Um Perfil Documental, ed. Funda\u00e7\u00e3o Eng. Ant\u00f3nio de Almeida, 1990, 397 pp. .<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Todas as refer\u00eancias a este conto remetem para a publica\u00e7\u00e3o na Revista \u2018A \u00c1guia\u2019.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Por exemplo: A Moral na Religi\u00e3o e na Arte, 1906; A Vida Mental Portuguesa: psicologia e arte, 1909; Vida Liter\u00e1ria e Pol\u00edtica, 1911; Nova Sapho, 1912; Doentes da Beleza, 1913; Camilo In\u00e9dito, 1913; Bo\u00e9mios, 1914; Ant\u00f3nio Nobre: seu g\u00e9nio e sua obra, 1915; Fialho de Almeida, 1916; Grandes de Portugal, 1916; As Cinzas de Camilo, 1917; P\u00e3o Vermelho: sombras da grande guerra, 1924; Cristo de Alc\u00e1cer, 1924; Irm\u00e3 das \u00c1rvores, 1924; Entre Mortos, 1928; O Pintor Ant\u00f3nio Carneiro, 1931; Novos Mitos, 1934.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">\u201cVila-Moura e o Decadentismo Portugu\u00eas\u201d, in PRISMA, Revista Trimestral de Filosofia, Ci\u00eancia e Arte, [direc\u00e7\u00e3o de Aar\u00e3o de Lacerda], N. 4, 1937, pp. 202-207.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\"> \u201cVisconde de Vila-Moura\u201d , in Fernando Cabral Martins, coordena\u00e7\u00e3o, Dicion\u00e1rio de Fernando Pessoa e do Modernismo Portugu\u00eas, Editorial Caminho, 2008, pp. 896-897.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Entre Fialho e Nem\u00e9sio. Estudos de Literatura Portuguesa Contempor\u00e2nea, Vol. I, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1987, pp. 417-420.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Ant\u00f3nio C\u00e2ndido Ribeiro da Costa (1850-1922), natural de Amarante, formado em direito pela Universidade de Coimbra, grande orador, ministro, par do reino e presidente do parlamento. Integrou o c\u00e9lebre grupo dos \u2018Vencidos da Vida\u2019, com E\u00e7a de Queiroz, Guerra Junqueiro, Antero de Quental, entre outros. As suas obras principais s\u00e3o as seguintes: Princ\u00edpios e Quest\u00f5es de Filosofia Pol\u00edtica, 1878; Ora\u00e7\u00f5es F\u00fanebres, 1880; Discursos e Confer\u00eancias, 1890; Discursos Parlamentares, 1894.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">A \u00c1guia, N.<sup>o<\/sup> 99\\100, Abril e Maio de 1920, p, 79.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Idem, p. 82.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Idem, p. 83.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Idem, p. 84.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Idem, p. 84.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Idem, p. 79.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Idem, p. 87.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Idem, p. 87.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Idem, p. 87.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Idem, p. 88.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Vida Liter\u00e1ria e Pol\u00edtica, Porto, Magalh\u00e3es &amp; Moniz Editores, 1911, pp. 97-98.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">\u201cFlores de Vidro\u201d, in Contempor\u00e2nea, Revista Mensal, Ano III, N.<sup>o<\/sup> 10, Mar\u00e7o de 1924, p. 11.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s2\">A \u00c1guia, N.<sup>o<\/sup> 99 e 100, Mar\u00e7o e Abril de 1920, p. 80<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Idem, p. 80.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Porto, Oficina de S. Jos\u00e9, 1943, 29 pp.<\/span><\/li>\n<li class=\"p3\"><span class=\"s1\">Publicada pelo Padre Manuel Teixeira no Boletim Eclesi\u00e1stico da Diocese de Macau [do qual era Director e Editor], Ano e Volume LXXVII, Janeiro-Fevereiro de 1979, N. 888\\889, pp. 106-108. O governador Gabriel Maur\u00edcio Teixeira fez publicar no Boletim Oficial da Col\u00f3nia de Macau, de 8 de Janeiro de 1942, a Portaria N. 3327, a aprova\u00e7\u00e3o dos novos \u201cEstatutos da Associa\u00e7\u00e3o Confuciana de Macau\u201d, completamente reformulados em rela\u00e7\u00e3o aos anteriores, que eram de 1909.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] Subs\u00eddios para o seu estudo &nbsp; A sabedoria e a \u00e9tica pr\u00e1tica de Conf\u00facio1, considerado como o s\u00e1bio dos s\u00e1bios, est\u00e3o presentes na cultura portuguesa, com uma insuspeitada transversalidade, sobretudo desde os alvores do s\u00e9culo XVII, entradas pela m\u00e3o dos jesu\u00edtas. 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