{"id":972,"date":"2025-10-19T23:15:09","date_gmt":"2025-10-19T15:15:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.viadomeio.com\/?p=972"},"modified":"2025-10-19T23:15:37","modified_gmt":"2025-10-19T15:15:37","slug":"notas-poeticas-de-uma-visita-ao-templo-de-a-ma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/10\/19\/notas-poeticas-de-uma-visita-ao-templo-de-a-ma\/","title":{"rendered":"Notas po\u00e9ticas de uma visita ao Templo de A-M\u00e1"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">C<\/span><span class=\"s2\">hio Tong I<\/span><span class=\"s1\"> (falecido antes de 1777) foi um homem de letras confucianista natural de Macau, descendente de Zhao Yanfang (Chio In Fong), que tomou posse como Mandarim de H\u00e8ong-S\u00e1n (hoje Zhongshan) em 1386. Argumenta-se que o imperador Taizong (939-997) da dinastia Song (960-1279) \u00e9 um seu antepassado.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">Passou uma vida modesta e deixou v\u00e1rios poemas em chin\u00eas cl\u00e1ssico. Apelidado respeitosamente como \u201cSenhor do Rio do Espelho\u201d, o poeta s\u00f3 foi reconhecido quase um meio s\u00e9culo depois da sua morte.<\/p>\n<p class=\"p3\">No fim de 1828, o seu neto Chio Wan Sin, que exerceu fun\u00e7\u00f5es na administra\u00e7\u00e3o provincial, mandou gravar numa pedra do Templo de A-M\u00e1 um dos poemas deixados pelo seu av\u00f4.<\/p>\n<p class=\"p3\">Eis mais uma tentativa de transpor um poema cl\u00e1ssico chin\u00eas, desta vez com versos heptassil\u00e1bicos, num texto dodecass\u00edlabo em portugu\u00eas:<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p2\"><i>A terra v\u00ea a \u00e1gua, fim do sudeste<br \/>\n<\/i><i>\u00c0 procura do Zen, vi gemas no portal<br \/>\n<\/i><i>Portas-Tigre, mil velas, um branco veste,<br \/>\n<\/i><i>Em Pesco\u00e7o-de-Galo, jamais \u00e9 o sol mortal<br \/>\n<\/i><i>Nas vias sinuosas, sapatos tiveste.<br \/>\n<\/i><i>Colina esculpida, nome imortal.<br \/>\n<\/i><i>Flores de ameixeiras, sob rochedo,<br \/>\n<\/i><i>A primavera vem, sem saber, mais cedo.<\/i><i><\/i><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p3\">O t\u00edtulo do poema \u00e9 \u201cAscender ao Templo da Percep\u00e7\u00e3o do Mar no M\u00eas do Sacrif\u00edcio \u00e0s Divindades\u201d (<span class=\"s3\">\u81d8\u6708\u767b\u6d77\u89ba\u5bfa<\/span>). Pondo-o numa tradu\u00e7\u00e3o menos literal, aqui falamos de uma \u201cVisita ao Templo de A-M\u00e1 no \u00daltimo M\u00eas do Ano (Lunar)\u201d. \u201cAscender\u201d, porque n\u00e3o se trata de uma visita desierarquizada. \u00c9 uma ida com respeito, provavelmente tamb\u00e9m com a inten\u00e7\u00e3o de homenagear as divindades. \u00c9, sobretudo, uma caminhada \u00e0 Colina da Barra.<\/p>\n<p class=\"p3\">Neste artigo estudamos este relato po\u00e9tico cantonense com tradu\u00e7\u00f5es literais de cada verso, a fim de mais aprofundadamente apreciar uma pitoresca paisagem de Macau do s\u00e9culo XVIII. Revelamos algumas curiosidades, da topon\u00edmia cantonense anal\u00f3gica sobre os animais, ao uso metaf\u00f3rico da l\u00edngua cl\u00e1ssica chinesa, e daremos um salto a um g\u00e9nero de sapatos antigos \u201cflex\u00edveis\u201d feitos para as caminhadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p5\"><b>Percep\u00e7\u00e3o do \u201cmar\u201d<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s4\">Os dois grandes caracteres vermelhos \u201c<\/span><span class=\"s5\">\u6d77\u89ba<\/span><span class=\"s4\">\u201d (<i>Hoi-K\u2019ok<\/i>), que Monsenhor Manuel Teixeira referia como \u201cPercep\u00e7\u00e3o do Mar\u201d em portugu\u00eas, est\u00e3o gravados numa grande rocha dentro do templo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">O Templo de A-M\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico que tem a refer\u00eancia a \u201cHoi-K\u2019ok\u201d ou \u201cPercep\u00e7\u00e3o do Mar\u201d. Um templo com o mesmo nome, mas fundado quase um mil\u00e9nio mais cedo do que o ex-l\u00edbris de Macau, numa das capitais hist\u00f3ricas da China, Chang\u2019an (hoje Xian), onde o mar n\u00e3o se v\u00ea, desperta em mim um outro significado ao ler estes dois ideogramas: \u201co estado de ficar infinitamente iluminado\u201d.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s6\">Por sua vez, nos primeiros versos do poema que aqui lemos, est\u00e1 destacado um mar de Macau que o templo contempla:<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p6\">\u5730\u76e1\u6771\u5357\u6c34\u4e00\u7063<br \/>\n\u5d4c\u5bf6\u5947\u77f3\u5411\u79aa\u95dc<\/p>\n<p class=\"p3\"><i>A terra v\u00ea a \u00e1gua, fim no sudeste<br \/>\n<\/i><i>\u00c0 procura do Zen, vi gemas no portal<\/i><i><\/i><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p3\">[As terras terminam com uma ba\u00eda de \u00e1guas a sudeste<\/p>\n<p class=\"p3\">O tesouro inserido (no Templo), as (suas) extraordin\u00e1rias pedras indicam a casa de guarda que acede \u00e0 ilumina\u00e7\u00e3o budista (Zen)]<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s6\">O primeiro verso refere-se \u00e0 localidade do templo. \u201cSudeste\u201d \u00e9 uma refer\u00eancia geogr\u00e1fica face a H\u00e8ong-S\u00e1n, sede do governo imperial (e provincial) chin\u00eas que tutelou Macau: a pen\u00ednsula \u00e9 sita na direc\u00e7\u00e3o sudeste desta cidade chinesa.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">O segundo verso tem refer\u00eancias mais metaf\u00f3ricas.<\/p>\n<p class=\"p3\">Compreendemos, aqui neste verso, que os dois caracteres <span class=\"s3\">\u79aa\u95dc<\/span> (<i>sim kuan<\/i> em cantonense ou <i>ch\u00e1n gu<\/i><span class=\"s7\"><i>\u0101<\/i><\/span><i>n<\/i> em mandarim) s\u00e3o uma refer\u00eancia metaf\u00f3rica ao \u201cacesso\u201d ou \u201cpassagem fortificada\u201d \u00e0 \u201cilumina\u00e7\u00e3o\u201d religiosa ou espiritual. Nada tem isto a ver com uma fortifica\u00e7\u00e3o, mas com o facto que a ess\u00eancia do Zen n\u00e3o \u00e9 algo f\u00e1cil de aceder.<\/p>\n<p class=\"p3\">Os mesmos ideogramas, parece-me que, podem indicar igualmente a entrada do templo.<\/p>\n<p class=\"p3\">Enquanto a magnific\u00eancia do Templo de A-M\u00e1 \u00e9 constat\u00e1vel nos desenhos do quase contempor\u00e2neo do poeta em quest\u00e3o, George Chinnery (1774-1852), as rochas, muit\u00edssimo referidas nos documentos s\u00ednicos e que ainda hoje vemos, verificam a autenticidade do segundo verso como uma descri\u00e7\u00e3o po\u00e9tica da vista e da arquitectura desse templo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p5\"><b>Top\u00f3nimos e animais\u00a0<\/b><\/h3>\n<blockquote>\n<p class=\"p6\">\u864e\u9580\u96ea\u9001\u5343\u5e06\u767d<br \/>\n<i>Portas-Tigre, mil velas, um branco veste<\/i><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p3\">(Fu-Mun despede o t\u00e3o branco de mil velas como neve)<\/p>\n<p class=\"p3\">Lu\u00eds Gonzaga Gomes traduz, na primeira vers\u00e3o portuguesa da \u201cMonografia de Macau\u201d de 1950, que o top\u00f3nimo Fu-Mun (ou Humen em mandarim, a 70 km de Macau) significa \u201cPorta do Tigre\u201d ou, como se constata ao ler os documentos hist\u00f3ricos, \u00e9 tamb\u00e9m conhecido em portugu\u00eas como \u201cBoca do Tigre\u201d.<\/p>\n<p class=\"p3\">\u201c<span class=\"s3\">\u9580<\/span>\u201d (pronunciado \u201c<i>mun<\/i>\u201d em cantonense) significa n\u00e3o apenas porta(s), mas tamb\u00e9m, como vemos na topon\u00edmia cl\u00e1ssica chinesa, uma hidrovia estrat\u00e9gica.<\/p>\n<p class=\"p3\">O nome \u201cPorta do Tigre\u201d \u00e9 algo abreviado de \u201cPassagem da Cabe\u00e7a do Tigre\u201d (traduzida igualmente pelo grande sin\u00f3logo macaense). Ainda segundo a mencionada \u201cMonografia de Macau\u201d, as duas Montanhas do Pequeno Tigre (Xi<span class=\"s7\">\u01ce<\/span>oh<span class=\"s7\">\u01d4<\/span> Sh<span class=\"s7\">\u0101<\/span>n) e do Grande Tigre (D\u00e0h<span class=\"s7\">\u01d4<\/span> Sh<span class=\"s7\">\u0101<\/span>n), \u201cparecem-se com duas p\u00e9rolas incrustadas no seio do mar\u201d. A tradi\u00e7\u00e3o cantonense diz que estas duas eleva\u00e7\u00f5es foram imaginadas como um tigre sentado, da\u00ed os nomes. Ambas as montanhas, que s\u00e3o igualmente os c\u00famulos de duas ilhas, testemunham, na observa\u00e7\u00e3o po\u00e9tica do natural de Macau, a muita circula\u00e7\u00e3o de transporte fluvial do s\u00e9culo XVIII.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p5\"><b>Roda veicular: alus\u00e3o ao sol e \u00e0 lua<\/b><\/h3>\n<blockquote>\n<p class=\"p8\">\u96de\u9838\u8f2a\u5347\u842c\u58d1\u6bb7<br \/>\n<i>Em Pesco\u00e7o-de-Galo, jamais \u00e9 o sol mortal<\/i><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s4\">[Em Pesco\u00e7o-de-Galo, a roda (o sol) leve (e faz com que) vermelha uma mir\u00edade de vales]<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s6\">No quarto verso, destacamos o caracter <\/span><span class=\"s8\">\u8f2a<\/span><span class=\"s6\"> (<i>lon<\/i> em cantonense ou <i>l\u00fan<\/i> em mandarim), que significa efectivamente roda(s) de um ve\u00edculo. Para al\u00e9m de ter o significado de sol no chin\u00eas cl\u00e1ssico, este ideograma designa igualmente a lua (cheia).\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">Isso tem a ver, justamente, com a forma de uma roda \u201cdesenhada\u201d na escrita mais antiga chinesa e v\u00ea-se mesmo no componente \u00e0 esquerda do caracter: o radical <span class=\"s3\">\u8eca<\/span> representa uma tal roda, embora esta, na escrita impressa moderna, tenha a forma de um quadrado.<\/p>\n<p class=\"p3\">\u00c9 de notar que, quanto este ideograma visualizador foi inventado, o mais tardar no s\u00e9culo XI a.C., a palavra tinha pelo menos duas rodas (redondas) nas suas diversas variantes, <span class=\"s3\">\u485b<\/span>. N\u00e3o foi at\u00e9 ao S\u00e9culo VIII a.C., o mais tardar, que o caracter se foi simplificando, de com duas rodas a uma s\u00f3 roda.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s6\">O chin\u00eas moderno tem, apenas com algumas excep\u00e7\u00f5es, s\u00edmbolos redondos. Entretanto, como a escrita chinesa evoluiu para uma escritura quadril\u00e1tera, o caracter <\/span><span class=\"s8\">\u8eca<\/span><span class=\"s6\">, representando originalmente uma roda, naturalmente redonda, foi ganhando a forma de quadr\u00e2ngulo igualmente o mais tarde no S\u00e9culo VIII a.C.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p5\"><b>Onde fica o Pesco\u00e7o de Galo?<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\">Continuamos o tema de nomes de animais na topon\u00edmia cl\u00e1ssica cantonense. Aqui na tradu\u00e7\u00e3o do poema, \u201cPesco\u00e7o-de-Galo\u201d \u00e9 um antigo nome cantonense menos conhecido na l\u00edngua portuguesa. Gonzaga Gomes explica literalmente o termo \u201c<span class=\"s3\">\u96de\u9838<\/span>\u201d, <i>K\u00e0i-K\u00e8ang<\/i> como \u201cPesco\u00e7o da Galinha\u201d ou <i>K\u00e2i-K\u00eaang<\/i> como \u201cPesco\u00e7o do Galo, ou da Taipa\u201d &#8211; Sabemos que o ideograma <span class=\"s3\">\u96de<\/span> (kai) n\u00e3o manifesta o g\u00e9nero gramatical.<\/p>\n<p class=\"p3\">\u201cPesco\u00e7o-de-Galo\u201d \u00e9 mais um exemplo de como os cantonenses denominam as localidades ao comparar as suas formas com as imagens de animais. \u00c9, segundo a tradi\u00e7\u00e3o de Macau, uma eleva\u00e7\u00e3o da ilha da Taipa que se localiza a este, ou melhor a desaparecida ilha que se integrou na Grande Taipa. Originalmente uma ilha \u00e0 parte, \u201cPesco\u00e7o-de-Galo\u201d est\u00e1 ainda hoje nos nomes cantonenses de v\u00e1rios locais na Taipa.<\/p>\n<p class=\"p3\">A cena das \u201cvelas (vistas) de Pesco\u00e7o-de-Galo\u201d era conhecida, entre a comunidade cantonense, como uma das \u201cdez paisagens\u201d nomeadas pelo co-autor da \u201cMonografia de Macau\u201d, I\u00e2n-Ku\u00f4ng-I\u00e2m (1691-1758). Aqui, nos terceiro e quarto versos do poema em causa, o autor Chio Tong I evoca o hoje desaparecido cen\u00e1rio de muit\u00edssimos juncos que passavam pelas \u00e1guas de Macau, num vermelho do amanhecer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p5\"><b>Numa Macau do s\u00e9culo XVIII<\/b><\/h3>\n<blockquote>\n<p class=\"p8\">\u8ff4\u78f4\u4eba\u62d6\u55ae\u9f52\u5c50\uff0c<br \/>\n\u6469\u5d16\u5f91\u52d2\u6709\u540d\u5c71\u3002<br \/>\n\u6b64\u4f86\u4e0d\u89ba\u6625\u6b78\u65e9\uff0c<br \/>\n\u7b11\u6307\u6885\u82b1\u8a66\u4e00\u6500\u3002<\/p>\n<p class=\"p2\"><i>Nas vias sinuosas, sapatos tiveste.<br \/>\n<\/i><i>Colina esculpida, nome imortal.<br \/>\n<\/i><i>Flores de ameixeiras, sob rochedo,<br \/>\n<\/i><i>A primavera vem, sem saber, mais cedo.<\/i><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p3\">[Sinuosos caminhos de pedra! O homem usa sapatos de um s\u00f3 dente<\/p>\n<p class=\"p3\">Penhascos com (textos de) estudos gravados, vias com inscri\u00e7\u00f5es, a famosa colina tem<\/p>\n<p class=\"p3\">Assim, sem se reparar que a primeira cedo volta<\/p>\n<p class=\"p3\">Rindo, aponto \u00e0s flores de ameixeiras, prova-se uma caminhada]<\/p>\n<p class=\"p3\">Cheong Mei I, vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o da Literatura Moderna de Macau, e Tang Chon Chit, especialista local de m\u00e9rito em mat\u00e9ria de poesia cl\u00e1ssica cantonense, publicaram em 2020 um livreto em mandarim, \u201cInscri\u00e7\u00f5es em Pedra no Templo de A-M\u00e1 de Macau\u201d (t\u00edtulo portugu\u00eas constante na capa). A estudiosa, juntamente com o professor da Universidade de Macau, interpreta que Chio Tong I expressa uma certa identifica\u00e7\u00e3o com a terra ao relatar o templo e os seus arredores com precis\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p3\">No quinto verso, parece que o poeta sobe \u00e0 colina com um tipo de cal\u00e7ado em madeira, possivelmente tamancos, com dois \u201cdentes\u201d &#8211; isto \u00e9 &#8211; dois peda\u00e7os de madeira para manter os p\u00e9s acima do solo. Referidos como chinelos de um s\u00f3 dente no poema, julgo que se trata de antigos cal\u00e7ados com estes dois \u201cdentes\u201d de colocar e retirar: ao subir, sem o peda\u00e7o de suporte de frente; ao descer, com a pe\u00e7a de atr\u00e1s retirada. Explicando-o \u00e0 minha companheira polaca Marta, ela diz, \u201ceine tragbare Treppe (uma escada port\u00e1til)!\u201d<\/p>\n<p class=\"p3\">Relativamente ao sexto verso, sabe-se que o mero ideograma <span class=\"s3\">\u5c71<\/span> (<i>san<\/i> em cantonense ou <i>sh<\/i><span class=\"s7\"><i>\u0101<\/i><\/span><i>n<\/i> em mandarim) n\u00e3o diferencia entre colina(s) e montanha(s). Assim, este verso evoca em mim uma vast\u00edssima paisagem.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s6\">O poema, que parece at\u00e9 agora in\u00e9dito na l\u00edngua lusa, \u00e9 conclu\u00eddo pelos \u00faltimos dois versos cuja ordem inverti na tradu\u00e7\u00e3o poetizada. Ao imaginar o muito apreciado passeio numa primavera simbolizada pelas flores de ameixeiras, fico perdido entre mil vales e num reino de signos, gravados nas pedras da deusa A-M\u00e1. <\/span><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] Chio Tong I (falecido antes de 1777) foi um homem de letras confucianista natural de Macau, descendente de Zhao Yanfang (Chio In Fong), que tomou posse como Mandarim de H\u00e8ong-S\u00e1n (hoje Zhongshan) em 1386. Argumenta-se que o imperador Taizong (939-997) da dinastia Song (960-1279) \u00e9 um seu antepassado. 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