{"id":988,"date":"2025-10-19T23:40:56","date_gmt":"2025-10-19T15:40:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.viadomeio.com\/?p=988"},"modified":"2025-10-20T00:05:16","modified_gmt":"2025-10-19T16:05:16","slug":"conceitos-do-pensamento-chines-yi-justica-rectidao-equidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/10\/19\/conceitos-do-pensamento-chines-yi-justica-rectidao-equidade\/","title":{"rendered":"Exerc\u00edcios de tradu\u00e7\u00e3o em torno do Movimento Correcto"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p class=\"p1\">L<span class=\"s2\">iu Xiang<\/span> <span class=\"s3\">\u5218\u5411 (<\/span>77-6 a.C.) foi um mandarim imperial, distinto letrado da dinastia Han do Oeste (<span class=\"s3\">\u897f\u6c49<\/span><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>206-9), que realizou a primeira grande reorganiza\u00e7\u00e3o da biblioteca imperial, ap\u00f3s a queima dos livros na China (213-212 a.C), ordenada pelo primeiro imperador, Qin Shihuang (<span class=\"s3\">\u79e6\u59cb\u7687<\/span>), sendo um excelente compilador, classificador e poeta. Entre os seus escritos em prosa, legou \u00e0 posteridade uma interessante f\u00e1bula na forma de est\u00f3ria proverbial (<span class=\"s3\">\u6210\u8bed<\/span><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span><span class=\"s4\"><i>ch\u00e9ngy\u01d4<\/i><\/span>) sobre o movimento correcto, intitulada \u201c<span class=\"s3\">\u67ad\u5c06\u4e1c\u5f92<\/span>\u201d (<span class=\"s4\"><i>Xi\u0101oji\u00e0ng d\u014dngt\u00fa<\/i><\/span>), de que abaixo apresento a tradu\u00e7\u00e3o acompanhada de coment\u00e1rio.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p4\">\u67ad\u9022\u9e20<br \/>\n\u9e20\u66f0\uff1a\u201c\u5b50\u5c06\u5b89\u4e4b\uff1f\u201d<br \/>\n\u67ad\u66f0\uff1a\u201c\u6211\u5c06\u4e1c\u5f92\u3002\u201d<br \/>\n\u9e20\u66f0\uff1a\u201c\u4f55\u6545\uff1f\u201d<br \/>\n\u67ad\u66f0\uff1a\u201c\u4e61\u4eba\u7686\u6076\u6211\u9e23\uff0c\u4ee5\u6545\u4e1c\u5f92\u3002\u201d<br \/>\n\u9e20\u66f0: \u201c\u5b50\u80fd\u66f4\u9e23\uff0c\u53ef\u77e3\u3002\u4e0d\u80fd\u66f4\u9e23\uff0c\u4e1c\u5f92\u72b9\u6076\u4e4b\u58f0\u3002\u201d<br \/>\n(Capparelli, Schmaltz, 2007: 94)<\/p>\n<p class=\"p6\"><strong>A Coruja muda para Leste<br \/>\n<\/strong>Certa coruja encontra uma rola, que lhe pergunta: \u201cPara onde vai?\u201d<br \/>\nAo que esta responde, \u201cVou mudar para Leste.\u201d E o di\u00e1logo prossegue: \u201cPode-se saber a raz\u00e3o?\u201d<br \/>\nA Coruja informa: \u201cToda a gente detesta o meu pio, pelo que vou mudar para Leste.\u201d<br \/>\nRola: \u201cSe conseguir alterar a voz, pode faz\u00ea-lo, sen\u00e3o n\u00e3o vale a pena, porque no Leste tamb\u00e9m detestar\u00e3o o seu tom.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p7\"><span class=\"s5\">Esta f\u00e1bula cont\u00e9m uma li\u00e7\u00e3o de vida que estimula a uma medita\u00e7\u00e3o existencial, v\u00e1lida para todas as filosofias tradicionais chinesas. A mudan\u00e7a f\u00edsica e geogr\u00e1fica se n\u00e3o for acompanhada por uma transforma\u00e7\u00e3o interior n\u00e3o produz bons resultados. A viagem, de curta ou longa dura\u00e7\u00e3o, pode implicar uma altera\u00e7\u00e3o real de vida, mas para tal ter\u00e1 de ser acompanhada por um movimento mental, como, de resto, indica a etimologia do sinograma <\/span><span class=\"s6\">\u9053<\/span><span class=\"s5\"> (<i>D\u00e0o<\/i>), que significa \u201ccaminho\u201d ou \u201cvia\u201d, sendo que este para ter consequ\u00eancias positivas e eficazes ter\u00e1 de ser liderado pela cabe\u00e7a que chefia (<\/span><span class=\"s6\">\u9996<\/span> <span class=\"s7\"><i>sh\u01d2u<\/i><\/span><span class=\"s5\">) o corpo a andar e parar de repente (<\/span><span class=\"s6\">\u2ecc\u8fb5\u8fb6<\/span><span class=\"s5\"><i>zhu\u00f3<\/i>). O modo como a coruja se expressava irritava os cong\u00e9neres, logo seria expect\u00e1vel que se n\u00e3o modificasse a sua voz, fruto de um determinado comportamento, podia e devia esperar o mesmo tipo de rea\u00e7\u00e3o e consequ\u00eancias negativas, fosse onde fosse, caso insistisse em permanecer no mesmo registo voc\u00e1lico, sem abertura \u00e0 influ\u00eancia do exterior. Incomodaria de igual modo tanto no Oeste como no Leste, no Norte ou no Sul.<\/span><\/p>\n<p class=\"p7\"><span class=\"s5\">A viagem nas etimologias da China tradicional pode ser encarada como um visita de longa ou curta dura\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que o convidado <\/span><span class=\"s6\">\u5ba2<\/span><span class=\"s5\"> (<i>k\u00e8<\/i>) ser\u00e1 aquele cujo p\u00e9 est\u00e1 pronto a entrar devagar (<\/span><span class=\"s6\">\u590a<\/span><span class=\"s5\"><i>su\u00ed<\/i>) numa casa ( <\/span><span class=\"s6\">\u5b80<\/span> <span class=\"s7\"><i>mi\u01cen<\/i><\/span><span class=\"s5\">). Manda a boa educa\u00e7\u00e3o que as visitas sejam realizadas com parcim\u00f3nia e por convite, salvo em situa\u00e7\u00f5es excepcionais, os anfitri\u00f5es devem dar o seu consentimento, estando preparados para receber os convivas, \u00e9 desaconselhado aparecer de surpresa, j\u00e1 que a reac\u00e7\u00e3o dos donos de casa pode ser negativa. Resumindo, s\u00f3 assim ser\u00e3o as visitas um prazer tanto para quem \u00e9 convidado como para quem convida. H\u00e1 uma f\u00e1bula muito conhecida na China a prop\u00f3sito de um visitante teoricamente bem-vindo, mas na verdade indesejado, que podemos acompanhar na vers\u00e3o proverbial \u201cO Senhor Ye ama Drag\u00f5es\u201d (<\/span><span class=\"s6\">\u53f6\u516c\u597d\u9f99 <\/span><span class=\"s7\"><i>Y\u00e8g\u014dng h\u00e0ol\u00f3ng<\/i><\/span><span class=\"s5\">), tamb\u00e9m de Liu Xiang (<\/span><span class=\"s6\">\u5218\u5411<\/span><span class=\"s5\">) , de que aqui deixo a minha tradu\u00e7\u00e3o:<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p4\">\u53f6\u516c\u597d\u9f99<br \/>\n\u53f6\u516c\u6700\u559c\u6b22\u9f99\u3002\u4ed6\u7a7f\u7684\u8863\u670d\u4e0a\u7ee3\u7740\u9f99\uff0c\u6234\u7684\u5e3d\u5b50\u4e0a\u9576\u7740\u9f99\uff0c \u4ed6\u4f4f\u7684\u623f\u5b50\u7684\u5899\u4e0a\u753b\u7740\u9f99\uff0c\u67f1\u5b50\u4e0a\u523b\u7740\u9f99\u3002\u8fd9\u4e9b\u9f99\u90fd\u5c48\u66f2\u76d8\u7ed5\uff0c\u5f20\u7259\u821e\u722a\uff0c\u771f\u662f\u53c8\u534e\u4e3d\u53c8\u5a01\u6b66\u3002\u5929\u4e0a\u7684\u9f99\u542c\u8bf4\u53f6\u516c\u559c\u6b22\u9f99\uff0c\u771f\u4e0b\u6765\u627e\u4ed6\u4e86\uff0c\u5b83\u7684\u5934\u624d\u4f38\u8fdb\u7a97\u53e3\uff0c\u5c3e\u5df4\u5df2\u7ecf\u7529\u5230\u4e86\u5802\u4e0a\u3002\u8fd9\u4e00\u4e0b\u5b50\u53ef\u628a\u53f6\u516c\u5413\u574f\u4e86\u3002\u4ed6\u7684\u8138\u5b50\u5237\u767d\uff0c\u56de\u5934\u5c31\u8dd1\u3002\u539f\u6765\u4ed6\u559c\u6b22\u7684\u5e76\u4e0d\u662f\u771f\u7684\u9f99\u3002<br \/>\n\u6709\u4eba\u5634\u4e0a\u8bf4\u559c\u6b22\u67d0\u4e8b\u60c5\uff0c\u5b9e\u9645\u4e0a\u5e76\u4e0d\u771f\u662f\u8fd9\u6837\uff0c\u4e8b\u60c5\u771f\u7684\u6765\u4e86\u4ed6\u5c31\u5bb3\u6015\u3002<br \/>\n(<span class=\"s3\">\u5317\u4eac\u5916\u6587\u51fa\u7248\u793e\uff0c<\/span> 1984:99)<\/p>\n<p class=\"p6\"><strong>O Senhor Ye Ama Drag\u00f5es<br \/>\n<\/strong>O Senhor Ye gostava acima de tudo de drag\u00f5es. As suas vestes eram bordadas com drag\u00f5es, nos seus chap\u00e9us estavam pregados drag\u00f5es, as paredes de sua casa estavam cobertas de pinturas de drag\u00f5es, bem como nos pilares de madeira, onde surgiam gravados; todos eles proeminentes, serpenteantes, de bocas escancaradas e garras afiadas, magn\u00edficos e poderosos. Quando chegou aos ouvidos do drag\u00e3o celestial o imenso gosto do senhor Ye pelos seus pares, resolveu visit\u00e1-lo, enfiou a cabe\u00e7a por uma das janelas, enquanto lan\u00e7ava a cauda pela casa dentro, pregando um susto de morte ao senhor, que esqu\u00e1lido fugiu esbaforido, porque afinal n\u00e3o apreciava verdadeiramente os drag\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"p6\">H\u00e1 muita gente assim como o senhor Ye que afirma gostar daquilo que realmente receia.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p7\">Esta f\u00e1bula relata o epis\u00f3dio de um anfitri\u00e3o, cujo comportamento atrai inconscientemente um visitante, neste caso o drag\u00e3o, a sua casa, segundo o dito proverbial portugu\u00eas, que aqui se oferece na equival\u00eancia pelo sentido: \u201cenganar-se a si mesmo\u201d. Talvez Ye quisesse acreditar que amava aqueles seres, cuja apar\u00eancia de facto lhe inspirava horror.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>No caminho existencial que se percorre \u00e9 bom ter aten\u00e7\u00e3o para n\u00e3o nos enganarmos a n\u00f3s mesmos, j\u00e1 que quer se d\u00ea um pequeno passo ( <span class=\"s3\">\u5f73<\/span>ch\u00ed) ou simplesmente um passo adiante (<span class=\"s3\">\u590a<\/span> ch\u00ec) para ir ao encontro do outro \u00e9 preciso adotar a postura correta, evitando aquela na qual de prop\u00f3sito, ou nem por isso, somos impedidos de agir com sinceridade. Na f\u00e1bula apresentada, o drag\u00e3o foi induzido em erro pelo comportamento do senhor Ye, por este se ter convencido a si mesmo de algo que n\u00e3o correspondia \u00e0 realidade, o que pode suscitar consequ\u00eancias n\u00e3o apenas imprevistas, mas desastrosas, por exemplo, ao iniciar-se uma longa viagem.<\/p>\n<p class=\"p7\">Tamb\u00e9m na l\u00edngua chinesa h\u00e1 um radical etimol\u00f3gico para \u201cmover\u201d e \u201clonga viagem\u201d, que \u00e9 <span class=\"s4\"><i>y\u01d0n<\/i><\/span> (<span class=\"s3\">\u5ef4<\/span>)<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>e um prov\u00e9rbio filos\u00f3fico famoso associado a Laozi (<span class=\"s3\">\u8001\u5b50<\/span>). Este, num dos cap\u00edtulos do <i>Cl\u00e1ssico da Via e da<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Virtude<\/i> (<span class=\"s3\">\u9053\u5fb7\u7ecf<\/span>) declara que \u201c uma longa viagem come\u00e7a por um passo\u201d no cap\u00edtulo sessenta e quatro: \u201c<span class=\"s3\">\u5343\u91cc\u4e4b\u884c<\/span>\u00b4\/<span class=\"s3\">\u59cb\u4e8e\u8db3\u4e0b<\/span>\u201d, na tradu\u00e7\u00e3o de Ant\u00f3nio Gra\u00e7a de Abreu, \u201cuma viagem de cem l\u00e9guas\/come\u00e7a por um passo\u201d, a ideia \u00e9 a mesma e no fundo expressa uma imensa cautela em rela\u00e7\u00e3o ao movimento e \u00e0 a\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o fossem os taoistas grandes defensores da n\u00e3o-a\u00e7\u00e3o (<span class=\"s3\">\u65e0\u4e3a<\/span> <i>w\u00faw\u00e9i<\/i>), pelo menos da vis\u00edvel, porque a essencial depende de um movimento interior, quantas vezes invis\u00edvel para os olhos e de deixar fluir a vida espontaneamente sem querer agarrar ou possuir seja o que for. Quanto ao tema da viagem f\u00edsica, sabe-se que se for pensada e cautelosa, pode correr bem, porque \u00e9 vista como um caminho a construir, mas \u00e9 aconselhada uma outra forma de viagem, como a mais adequada: a mental. Leia-se ent\u00e3o o que nos \u00e9 dito no cap\u00edtulo quarenta e sete a este respeito:<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p8\">\u4e0d\u51fa\u6237<br \/>\n\u77e5\u5929\u4e0b<br \/>\n\u4e0d\u7aa5\u7256<br \/>\n\u89c1\u5929\u9053<br \/>\n\u5176\u51fa\u5f25\u8fdc<br \/>\n\u5176\u77e5\u5f25\u5c11<br \/>\n\u662f\u4ee5\u5723\u4eba\u4e0d\u884c\u800c\u77e5<br \/>\n\u4e0d\u89c1\u800c\u540d<br \/>\n\u4e0d\u4e3a\u800c\u6210<br \/>\n(Gra\u00e7a de Abreu, 2013:120)<\/p>\n<p class=\"p7\">Eis a tradu\u00e7\u00e3o que proponho:<\/p>\n<p class=\"p7\">Sem se sair de casa,<br \/>\nConhece-se o mundo inteiro,<br \/>\nSem se olhar pela janela,<br \/>\nEntende-se o caminho do c\u00e9u,<br \/>\nQuanto mais para longe se for,<br \/>\nMenos se \u00e9 conhecedor,<br \/>\nPor isso o s\u00e1bio entende sem viajar,<br \/>\nConhece sem olhar,<br \/>\nSem a\u00e7\u00e3o opera a transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p7\"><span class=\"s3\">\u884c<\/span> (<i>x\u00edng<\/i>) \u00e9 um dos radicais para movimento na l\u00edngua chinesa para \u201candar\u201d e \u201ccaminhar\u201d, pelo que, mesmo sem a desconfian\u00e7a dos taoistas, especificamente do seu fundador, relativamente \u00e0s desloca\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, \u00e9 bom estar atento ao conselho transmitido, se iniciarmos uma longa viagem, devemos faz\u00ea-la com pequenos passos, munidos de muita cautela e pensamento, a fim de a estudar ao pormenor, avaliando os riscos, pesando perdas e benef\u00edcios, mas n\u00e3o se pense por isso que o santo taoista n\u00e3o viaja, ele realiza imensas deambula\u00e7\u00f5es, por\u00e9m sem sair do lugar, o seu esp\u00edrito liberta-se, enquanto a mente proporciona o ch\u00e3o prop\u00edcio, por meio da medita\u00e7\u00e3o, para que tal aconte\u00e7a. Esta \u00e9 a postura tipicamente filos\u00f3fica. Tamb\u00e9m se pode andar na vida, \u00e0 maneira da gente comum, por \u00edmpetos ou deixando-se levar ao sabor das correntes, havendo um verbo que funciona ainda como radical na l\u00edngua chinesa que traduz esta desloca\u00e7\u00e3o no tempo do quotidiano. Ele \u00e9 o <span class=\"s3\">\u8d70<\/span> (<span class=\"s4\"><i>z\u01d2u<\/i><\/span>), que significa \u201ccorrer\u201d, mas tamb\u00e9m \u201candar\u201d e \u201cir\u201d, num deixar-se levar sem medita\u00e7\u00e3o ou at\u00e9 simples reflex\u00e3o sobre os nossos processos mentais. H\u00e1 uma est\u00f3ria proverbial ilustrativa deste modo de estar na vida, que inclui o referido radical, \u201c<span class=\"s3\">\u8d70\u9a6c\u89c2\u82b1<\/span>\u201d, que significa numa tradu\u00e7\u00e3o literal, \u201cir a cavalo contemplar as flores\u201d e numa tradu\u00e7\u00e3o pelo sentido \u201colhar sem ver\u201d ou \u201cver de rasp\u00e3o\u201d:<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p4\">\u8d70\u9a6c\u89c2\u82b1<br \/>\n\u4eba\u4eec\u4f20\u8bf4\uff0c\u4ece\u524d\u6709\u4e2a\u540d\u53eb\u8d35\u826f\u7684\u5c0f\u4f19\u5b50\uff0c\u4ed6\u7684\u811a\u6709\u6bdb\u75c5\uff0c\u8d70\u8def\u5f88\u56f0\u96be\u3002\u4ed6\u60f3\u627e\u4e00\u4e2a\u6f02\u4eae\u7684\u59bb\u5b50\uff0c\u5c31\u8981\u4ed6\u7684\u670b\u53cb\u534e\u6c49\u66ff\u4ed6\u4ecb\u7ecd\u4e00\u4e2a\u59d1\u5a18\u3002\u6b63\u5de7\uff0c\u6709\u4e2a\u540d\u53eb\u53f6\u9752\u7684\u59d1\u5a18\uff0c\u9f3b\u5b50\u6709\u4e9b\u6bdb\u75c5\uff0c\u4e5f\u8981\u534e\u6c49\u7ed9\u5979\u627e\u4e2a\u6ee1\u610f\u7684\u4e08\u592b\u3002\u534e\u6c49\u60f3\uff1a\u8ba9\u5979\u548c\u8d35\u826f\u7ed3\u5a5a\uff0c\u4e0d\u662f\u5f88\u597d\u5417\uff1f<br \/>\n\u6709\u4e00\u5929\uff0c\u534e\u6c49\u8ba9\u8d35\u826f\u9a91\u7740\u9a6c\u4ece\u53f6\u9752\u7684\u5bb6\u95e8\u524d\u8d70\u8fc7\uff0c\u53c8\u53eb\u53f6\u9752\u624b\u91cc\u62ff\u4e00\u6735\u82b1\uff0c\u88c5\u4f5c\u95fb\u82b1\u7684\u6837\u5b50\u3002<br \/>\n\u53f6\u9752\u770b\u5230\u8d35\u826f\u9a91\u5728\u9a6c\u4e0a\uff0c\u6837\u5b50\u5f88\u5a01\u6b66\uff0c\u5fc3\u91cc\u975e\u5e38\u559c\u6b22\u3002\u8d35\u826f\u4e5f\u7231\u4e0a\u4e86\u4e2a\u5f88\u597d\u770b\u7684\u95fb\u82b1\u59d1\u5a18\u3002<br \/>\n\u7ed3\u5a5a\u90a3\u5929\uff0c\u592b\u59bb\u89c1\u9762\uff0c\u8bf4\u8d77\u201c\u8d70\u9a6c\u89c2\u82b1\u201d\u7684\u60c5\u666f\uff0c\u5f7c\u6b64\u624d\u604d\u7136\u5927\u609f\u3002<br \/>\n(<span class=\"s3\">\u5317\u4eac\u5916\u6587\u51fa\u7248\u793e\uff0c<\/span> 1984:67\/8)<\/p>\n<p class=\"p6\"><strong><span class=\"s8\">Ir a cavalo contemplar as flores<br \/>\n<\/span><\/strong>Conta-se que em dado tempo ter\u00e1 vivido um certo rapaz de nome Guiliang, com p\u00e9s defeituosos, pelo que lhe era dif\u00edcil andar a p\u00e9. Mas como desejava casar, pediu ao seu amigo Hua Han que lhe apresentasse uma rapariga. Nem de prop\u00f3sito, ele conhecia uma rapariga, a Ye Qing de nariz torto, que tamb\u00e9m o procurara para lhe arranjar um marido. Pensou Hua Han: \u201cSeria \u00f3ptimo se os conseguisse casar!\u201d<\/p>\n<p class=\"p6\">Certo dia, prop\u00f4s a Guiliang que passasse por casa de Ye Qing montando a cavalo e pediu a Ye Qing que o aguardasse com um ramo de flores, pretendendo cheir\u00e1-las.<\/p>\n<p class=\"p6\">Ye Qing gostou imenso de ver o cavaleiro montado no seu cavalo, achando-o magn\u00edfico. Da mesma forma, Guiliang considerou muito atraente aquela mo\u00e7a a aspirar o aroma das flores.<\/p>\n<p class=\"p6\">Quando eles se encontraram no dia do casamento, ambos perceberam imediatamente a raz\u00e3o de ser de \u201cir a cavalo contemplar as flores\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p7\">Pelo que para n\u00e3o se ser enganado, as ac\u00e7\u00f5es devem ser realizadas com aten\u00e7\u00e3o e cuidado, mas n\u00e3o \u00e9 assim que habitualmente procedemos, j\u00e1 que \u00e9 mais f\u00e1cil ceder ao lufa-lufa dos desejos e ao correr apressado da vida, onde n\u00e3o h\u00e1 tempo para adoptar o movimento certo e ponderado, sendo muitas vezes pressionados pelas circunst\u00e2ncias a mascarar ou disfar\u00e7ar as nossas alegadas imperfei\u00e7\u00f5es com vista a obter os resultados pretendidos. Se por um lado, eles casaram enganados, por outro, diz a sabedoria popular portuguesa que \u201cn\u00e3o se estragaram duas casas\u201d, ou numa interpreta\u00e7\u00e3o mais metaf\u00edsica, \u201cDeus (Destino para os n\u00e3o crentes) escreve direito por linhas tortas\u201d.<\/p>\n<p class=\"p7\">No entanto, a precipita\u00e7\u00e3o nem sempre tem um final feliz, indica uma outra est\u00f3ria proverbial ligada a um radical lingu\u00edstico aqui j\u00e1 mencionado, o de \u201candar e parar de repente\u201d (<span class=\"s3\">\u2ecc\u8fb5\u8fb6<\/span><i>zhu\u00f3<\/i>), em \u201cperseguir\u201d(<span class=\"s3\">\u9010<\/span>), onde se pode ler etimologicamente um p\u00e9 de algu\u00e9m no encal\u00e7o (<span class=\"s3\">\u2ecc<\/span>) dum porco selvagem. Este sinograma pertence a uma est\u00f3ria proverbial famosa \u201cKuafu persegue o sol\u201d (<span class=\"s3\">\u5938\u7236\u9010\u65e5<\/span>), em que o tit\u00e3 Kuafu, ao jeito de \u00cdcaro, o her\u00f3i grego que queimou as suas asas, vai perder a vida numa corrida desenfreada rumo ao Astro-Rei, que nunca consegue alcan\u00e7ar, j\u00e1 que morre de sede pelo caminho, depois de ter bebido todo o Rio Amarelo. Moral da hist\u00f3ria: as ac\u00e7\u00f5es impulsivas podem pagar-se com a pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p class=\"p7\">Por fim, \u00e9 interessante acompanhar as propostas dos radicais da l\u00edngua chinesa ligados ao movimento. Podemos dar passos adiante (<span class=\"s3\">\u590a<\/span><i>ch\u00ed<\/i>), andar devagar ( <span class=\"s3\">\u590a <\/span><i>su\u00ed<\/i>), mover-nos<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>ou caminhar numa longa jornada ( <span class=\"s3\">\u5ef4<\/span><span class=\"s4\"><i>y\u01d0n<\/i><\/span>), dar passos pequenos (<span class=\"s3\">\u5f73<\/span> <i>ch\u00ec<\/i>), andar simplesmente (<span class=\"s3\">\u884c<\/span> <i>x\u00edng<\/i>), correr, andar ou ir (<span class=\"s3\">\u8d70 <\/span><span class=\"s4\"><i>z\u01d2u<\/i><\/span>) e andar e parar de repente(<span class=\"s3\">\u2ecc\u8fb5\u8fb6<\/span><i>zhu\u00f3<\/i>), porque o mais importante est\u00e1, segundo creio, em perceber qual \u00e9 o movimento correcto para cada um de n\u00f3s,<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>de prefer\u00eancia, o que se nos adequa espontaneamente e ao mesmo tempo se harmoniza com determinada situa\u00e7\u00e3o<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>no tempo certo<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>e favor\u00e1vel \u00e0 viagem exterior ou interior t\u00e3o perfeita quanto poss\u00edvel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>___<\/p>\n<p class=\"p2\"><b>Bibliografia<\/b><\/p>\n<ul>\n<li class=\"p10\">Capparelli, S\u00e9rgio, M\u00e1rcia Schmaltz. 2007 <i>50 F\u00e1bulas da China Fabulosa<\/i>. <span class=\"s10\">\u4e2d\u56fd\u5bd3\u8a00\u4e94\u5341\u7bc7<\/span>. Porto Alegre: L&amp;PM Editores.<\/li>\n<li class=\"p10\">Edi\u00e7\u00f5es de L\u00ednguas Estrangeiras de Beijing (<span class=\"s10\">\u5317\u4eac\u5916\u6587\u51fa\u7248\u793e<\/span>).1984.<span class=\"s10\">\u300a\u6210\u8bed\u6545\u4e8b\u9009\u300b\u5317\u4eac\u5916\u6587\u51fa\u7248\u793e<\/span>.<\/li>\n<li class=\"p10\">Gra\u00e7a de Abreu, Ant\u00f3nio. 2013. <i>Laozi. Tao Te Ching. <\/i>Lisboa: Nova Vega.<\/li>\n<li class=\"p10\">Shi Zhengyu <span class=\"s10\">(\u65bd\u6b63\u5b87<\/span>) .1997. <i>Picture Within a Picture. An<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Illustrated Guide to the Origins of Chinese Characters. <\/i>Beijing: New World Press.<\/li>\n<li class=\"p10\">Wang Suoying, Ana Cristina Alves. 2009. <i>Mitos e Lendas da Terra do Drag\u00e3o<\/i>. Lisboa: Caminho.<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] Liu Xiang \u5218\u5411 (77-6 a.C.) foi um mandarim imperial, distinto letrado da dinastia Han do Oeste (\u897f\u6c49\u00a0 206-9), que realizou a primeira grande reorganiza\u00e7\u00e3o da biblioteca imperial, ap\u00f3s a queima dos livros na China (213-212 a.C), ordenada pelo primeiro imperador, Qin Shihuang (\u79e6\u59cb\u7687), sendo um excelente compilador, classificador e poeta. 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