{"id":998,"date":"2025-10-20T00:30:48","date_gmt":"2025-10-19T16:30:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.viadomeio.com\/?p=998"},"modified":"2025-10-20T00:30:48","modified_gmt":"2025-10-19T16:30:48","slug":"china-e-ocidente-uma-historia-visual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.viadomeio.com\/index.php\/2025\/10\/20\/china-e-ocidente-uma-historia-visual\/","title":{"rendered":"China e Ocidente uma hist\u00f3ria visual"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p class=\"p1\">Sheng-Ching Chang, historiadora de arte taiwanesa, leva ao grande p\u00fablico de l\u00edngua chinesa o seu trabalho de 448 p\u00e1ginas \u201cA New Perspective\u201d sobre a j\u00e1 muit\u00edssimo debatida mat\u00e9ria do encontro entre o Ocidente e o Oriente. Centrado no visual, o livro parece revolucionar a narrativa hist\u00f3rica de encontro sino-ocidental nos primeiros s\u00e9culos da globaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p3\">Com o subt\u00edtulo em ingl\u00eas \u201cHistory of Eastern and Western Art Exchange under Globalization\u201d, a obra da directora do instituto de estudos museol\u00f3gicos da Universidade Cat\u00f3lica Fu Jen em Taiwan faz v\u00e1rias novas conclus\u00f5es acerca dos interc\u00e2mbios multisseculares entre a China e o Ocidente, representado sobretudo pela Fran\u00e7a, Pr\u00fassia ou Reino Unido.<\/p>\n<p class=\"p3\">Para al\u00e9m de se referir da influ\u00eancia do Eixo Central de Pequim na constru\u00e7\u00e3o do Pal\u00e1cio de Versalhes e a inspira\u00e7\u00e3o do poder absoluto do Filho do C\u00e9u na Fran\u00e7a, o livro acad\u00e9mico mas largamente acess\u00edvel, conta v\u00e1rias hist\u00f3rias sobre o m\u00fatuo conhecer (e mal entender) entre os dois mundos .<\/p>\n<p class=\"p3\">Sendo admirador do rigor e da humanidade da professora, pude antecipar alguns aspectos da eventual tradu\u00e7\u00e3o alem\u00e3 de \u201cUma Nova Perspectiva\u201d, ap\u00f3s assistir o seu semin\u00e1rio \u201cPontes de Inspira\u00e7\u00e3o: Interc\u00e2mbio Cultural e Art\u00edstico entre a China e a Europa\u201d na Universidade T\u00e9cnica de Berlim.<\/p>\n<p class=\"p3\">Falando cantonense como l\u00edngua materna, n\u00e3o percebi logo que o t\u00edtulo do livro em mandarim de \u201cUma Nova Perspectiva\u201d \u00e9 um jogo de palavras: tem a mesma pron\u00fancia como \u201cO Novo Mundo\u201d. Um ideograma que se v\u00ea na capa \u00e9 <span class=\"s1\">\u8996<\/span> (vis\u00e3o, \u201c<i>sh\u00ec<\/i>\u201d em mandarim), o qual, na sua origem trimilen\u00e1ria, partilha a mesma forma com o caracter <span class=\"s1\">\u898b<\/span> (ver, pronunciado \u201c<i>kin<\/i>\u201d em cantonense), um grande olho com dois p\u00e9s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p5\"><b>Pal\u00e1cios europeus <\/b><b>com cosmologia chinesa<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\">O \u201cEixo Central de Pequim: Um conjunto de edif\u00edcios exibindo a Ordem Ideal da Capital Chinesa\u201d (nome oficial) ficou recentemente classificado como Patrim\u00f3nio Mundial da UNESCO. Entretanto, o estudo de Chang procura oferecer uma nova leitura da hist\u00f3ria da globaliza\u00e7\u00e3o e a inspira\u00e7\u00e3o chinesa nos pal\u00e1cios de Fran\u00e7a e Pr\u00fassia e tematiza os primeiros tr\u00eas dos sete cap\u00edtulos do seu livro.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s2\">No primeiro cap\u00edtulo sobre este eixo e o cosmo da China, s\u00e3o apresentadas v\u00e1rias gravuras de plantas de Pequim. Chama-se a aten\u00e7\u00e3o para para uma imagem de Pequim com a Cidade Proibida como uma planta centralizada, isto \u00e9, na forma de uma quadr\u00e1tica, apresentados numa gravura em cobre (1665) do explorador e artista holand\u00eas, Jo\u00e3o Nieuhof (1618-1672). No contexto macaense, Nieuhof \u00e9 conhecido sobretudo gra\u00e7as \u00e0 sua famosa gravura de Macau em defesa contra os navios holandeses, obra esta que foi feita por volta de 1665.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s3\">Para os efeitos, Augusto II da Pol\u00f3nia (1670-1733) tinha a vontade de fazer com que o seu Grande Jardim (\u201cJardim Imperial\u201d, na tradu\u00e7\u00e3o chinesa de Chang) de Dresda fosse um \u201cest\u00e1dio da maior perfei\u00e7\u00e3o\u201d. Segundo a investiga\u00e7\u00e3o da professora, o tamb\u00e9m eleitor da Sax\u00f3nia mandou o arquitecto Johann Friedrich Karcher (1650-1726) fazer o projecto, cuja vers\u00e3o dos anos de 1690 foi justamente inspirada por um Pequim quadr\u00e1tico teorizado nas obras de Nieuhof.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">A historiadora refere uma \u201cPlanta da Cidade de Pekim\u201d, desta vez um pouco mais realista mas sempre na forma de tabuleiro de xadrez. O mapa est\u00e1 inclu\u00eddo em \u201cNova Rela\u00e7\u00e3o da China\u201d (escrito em 1668 e apenas publicado 20 anos depois) do jesu\u00edta portugu\u00eas, Gabriel de Magalh\u00e3es (1610-1677). \u201cNo meio h\u00e1 um claro eixo central. Este \u00e9 o eixo do rei\u201d, descreve Chang, que prossegue com a sua conclus\u00e3o que Fran\u00e7a adoptou o citado eixo real.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s3\">\u201cNa segunda metade do s\u00e9culo XVII, as imagens da capital chinesa j\u00e1 circulavam na Europa. Lu\u00eds XIV de Fran\u00e7a tomou o imperador chin\u00eas como modelo, no caso, na integra\u00e7\u00e3o do elemento mais importante da capital da China &#8211; o eixo central &#8211; no plano de constru\u00e7\u00e3o do pal\u00e1cio (de Versailles). Embora o eixo de Versailles seja latitudinal e o da Cidade Proibida longitudinal, o emprego do eixo chin\u00eas destina-se ao novo ideal de pal\u00e1cio que representa uma monarquia absoluta\u201d, refere a tamb\u00e9m muse\u00f3loga.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p5\"><b>Anan\u00e1s e o drag\u00e3o <\/b><b>que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais drag\u00e3o<\/b><b><\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\">Em Junho de 2016, na v\u00e9spera da visita de estado de Xi Jinping \u00e0 Pol\u00f3nia, o presidente chin\u00eas assinou um artigo no jornal polaco \u201cRzeczpospolita\u201d (A Rep\u00fablica) com o fim de incentivar as rela\u00e7\u00f5es bilaterais. Neste texto, o nome de um jesu\u00edta, Miguel Boym (1612-1659), foi evocado como \u201cMarco Polo da Pol\u00f3nia\u201d. Assim, o grande p\u00fablico do pa\u00eds ficou a (re)conhecer esta personalidade hist\u00f3rica, que muito contribuiu para o conhecimento da China na Europa.<\/p>\n<p class=\"p3\">A maior passagem relacionada a Macau no livro de Chang \u00e9 justamente uma investiga\u00e7\u00e3o sobre a propaga\u00e7\u00e3o do anan\u00e1s pelo mission\u00e1rio natural de Levive (da ent\u00e3o Pol\u00f3nia-Litu\u00e2nia) como um produto ex\u00f3tico s\u00ednico, embora este fruto tenha tido a sua origem na Am\u00e9rica do Sul. Na sua obra, a erudita afirma que a Espanha plantou os primeiros ananases na Europa em 1514, mas sublinha igualmente que Boym foi \u201co primeiro europeu\u201d que posteriormente \u201creportou (a exist\u00eancia de planta\u00e7\u00f5es de) anan\u00e1s no sul da China\u201d.<\/p>\n<p class=\"p3\">Sabe-se que os espanh\u00f3is e os portugueses trouxeram plantas da Am\u00e9rica do Sul e introduziram-nas em diversas zonas tropicais e depois chegaram \u00e0 China.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s3\">A audi\u00eancia de Macau conheceu os desenhos de anan\u00e1s constantes no cl\u00e1ssico boymiano \u201cFlora da China\u201d (1656) atrav\u00e9s das c\u00f3pias \u00e0 m\u00e3o do respeitado sinol\u00f3go polaco Edward Kajda<\/span><span class=\"s4\">\u0144<\/span><span class=\"s3\">ski (1925-2020). A exposi\u00e7\u00e3o foi acolhida, em 2014, pela Biblioteca Sir Robert Ho Tung e co-organizada pelo Consulado Geral da Pol\u00f3nia e Instituto Ricci.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s5\">O quarto cap\u00edtulo de \u201cUma Nova Perspectiva\u201d aborda exactamente uma hist\u00f3ria visual da globaliza\u00e7\u00e3o sempre actual ao recorrer \u00e0 hist\u00f3ria da venera\u00e7\u00e3o do anan\u00e1s no Ocidente nos muitos aspectos da vida europeia, nomeadamente na arquitectura. A investiga\u00e7\u00e3o de Chang concentra-se no saber s\u00ednico promovido pelos jesu\u00edtas no Velho Continente atrav\u00e9s das gravuras hist\u00f3ricas, mas parecem haver, no livro, poucas refer\u00eancias ao anan\u00e1s como um dos s\u00edmbolos da globaliza\u00e7\u00e3o que chegou ao Oriente: os rel\u00f3gios cantonenses e pequinenses com decora\u00e7\u00e3o de anan\u00e1s do s\u00e9culo XVIII, hoje colecionados pelo Museu do Pal\u00e1cio de Pequim.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s3\">A parte que se segue esclarece a g\u00e9nese do drag\u00e3o \u201cinternacional\u201d reinventado pelos jesu\u00edtas na Europa, sobretudo por Atan\u00e1sio Kircher, origin\u00e1rio do Sacro Imp\u00e9rio Romano-Germ\u00e2nico e que mereceu uma fic\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica escrito pelo escritor franc\u00eas Jean-Marie Blas de Robl\u00e8s, \u201cL\u00e1 Onde Os Tigres Se Sentem Em Casa\u201d (Pr\u00e9mio M\u00e9dicis 2008).<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">Conforme apresentado em \u201cUma Nova Perspectiva\u201d, um retrato do \u201cMonarca supremo do Imp\u00e9rio Sino-Tart\u00e1rico\u201d, integrado em \u201cChina monumentis\u201d (1667) de Kircher, demonstra como um traje de imperador manchu est\u00e1 costurado como um drag\u00e3o europeu medieval, que \u201cnada a tem a ver com o manto de (verdadeiro) drag\u00e3o do imperador chin\u00eas\u201d, observa a conhecedora da obra de Kircher.<\/p>\n<p class=\"p3\">Ao exemplificar ainda os motivos de drag\u00f5es da Casas Chinesa e do Drag\u00e3o no Pal\u00e1cio Sanssouci que Frederico II da Pr\u00fassia mandou construir no meio do s\u00e9culo XVIII, a professora parece reiterar que o drag\u00e3o j\u00e1 era um produto de miscigena\u00e7\u00e3o, pelo menos entre as elites europeias.<\/p>\n<p class=\"p3\">Mais um exemplo visual ilustrado pelo livro, que \u00e9 considerado enriquecedor para o sentido da palavra \u201cdrag\u00e3o\u201d nas l\u00ednguas europeias, \u00e9 uma tape\u00e7aria da Real Manufactura de Beauvais, \u201cHist\u00f3ria do Imperador da China\u201d (s\u00e9c. XVIII, colec\u00e7\u00e3o Louvre). Este drag\u00e3o, europeu e orientalista, verifica justamente o primeiro passo da globaliza\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica da palavra em latim, \u201cdraco\u201d. Chang, ao comentar o tecido, indica que \u201c(os drag\u00f5es) s\u00e3o objectos de decora\u00e7\u00e3o que adornam a cidade imperial, simbolizando o poder e a autoridade do imperador (chin\u00eas).\u201d<\/p>\n<p class=\"p3\">Lembra-se da bandeira do drag\u00e3o vermelho (e europeu, \u201cDdraig Goch\u201d) do Pa\u00eds de Gales: o pr\u00f3prio drag\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m um \u201cproduto\u201d importado na Gr\u00e3-Bretanha pelos romanos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 class=\"p5\"><b>Sinologia \u00e9 tradu\u00e7\u00e3o<\/b><\/h3>\n<p class=\"p3\">Parece-me interessant\u00edssimo comparar as evolu\u00e7\u00f5es visual e lingu\u00edstica do conhecimento da China no Ocidente. Quando observamos o drag\u00e3o chin\u00eas visualizado no s\u00e9culo XVII, isto \u00e9, um drag\u00e3o praticamente medieval e europeu, bem como a inven\u00e7\u00e3o da tradu\u00e7\u00e3o \u201cdrag\u00e3o\u201d do ideograma sino-confucianista \u201c<span class=\"s1\">\u9f8d<\/span>\u201d (pronunciado \u201c<i>long<\/i>\u201d em cantonense, mandarim, e nos dialectos de Fucheu ou Xangai) terem a mesma origem: a procura de conhecer (e cristianizar) o Extremo-Oriente pelos jesu\u00edtas.<\/p>\n<p class=\"p3\">Vejo automaticamente a professora Chang, que lecionou em alem\u00e3o, como sin\u00f3loga, pois estudar a China numa l\u00edngua fora do chin\u00eas (mesmo em coreano, japon\u00eas ou vietnamita), \u00e9 um permanente acto de tradu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p3\">Uma outra fonte de inspira\u00e7\u00e3o de \u201cUma Nova Perspectiva\u201d \u00e9, para mim, justamente a abordagem da hist\u00f3ria de arte por Chang, que espelha igualmente o visual produzido hoje: mesmo com o avan\u00e7o de tecnologia, isto \u00e9, substituindo as imagens mais antigas da China semi-imagin\u00e1rias por outras reais, o olhar exotizante e orientalista do Ocidente persiste de alguma forma at\u00e9 hoje, tanto na fotografia como no cinema.<\/p>\n<p class=\"p3\">Num pr\u00f3ximo artigo, teremos o prazer de continuar a dar a conhecer a investiga\u00e7\u00e3o de Sheng-Ching Chang referindo aos dois \u00faltimos cap\u00edtulos de \u201cUma Nova Perspectiva\u201d, onde esta autora procura explicar como o visual do <i>Yi Jing <\/i>(<i>Iek Keng<\/i> em cantonese) &#8211; o <i>Livro das Muta\u00e7\u00f5es<\/i> &#8211; inspirou o grande pol\u00edmata sax\u00f3nico, Godofredo Guilherme Leibniz.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] Sheng-Ching Chang, historiadora de arte taiwanesa, leva ao grande p\u00fablico de l\u00edngua chinesa o seu trabalho de 448 p\u00e1ginas \u201cA New Perspective\u201d sobre a j\u00e1 muit\u00edssimo debatida mat\u00e9ria do encontro entre o Ocidente e o Oriente. 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